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Baixar áudioAtenção! A Agência-Barco Chico Mendes, da CAIXA, já tem as datas de atendimento definidas para agosto.
A embarcação conta com os serviços de desbloqueio de cartões e cadastro de senhas para recebimento de benefícios sociais, como FGTS, Seguro-Desemprego, Bolsa Família e INSS, entre outros serviços. Vale lembrar que no barco não tem movimentação de dinheiro em espécie.
Confira o cronograma:
Inicialmente, a embarcação vai atender a população de Barcelos, entre os dias 3 e 5 de agosto.
Depois, os serviços CAIXA serão prestados à população de Novo Airão, do dia 6 ao dia 7.
Em seguida, a embarcação seguirá para Alvarães, com serviços oferecidos em 19 de agosto.
A Agência-Barco segue para Uarini, onde oferecerá os serviços CAIXA aos moradores, do dia 20 ao dia 21.
Já entre os dias 24 e 26 de agosto, será a vez da população de Fonte Boa receber os atendimentos.
Entre os dias 27 e 28 de agosto, os serviços serão oferecidos aos moradores de Jutaí.
Para finalizar o calendário do mês, a embarcação estará em Tonantins, do dia 31 de agosto ao dia 1° de setembro
O horário de atendimento da Agência-Barco Chico Mendes é das 9 horas da manhã às 3 horas da tarde.
Para mais detalhes, acesse caixa.gov.br.
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Baixar áudioO fenômeno climático El Niño já provoca impactos significativos em 206 municípios brasileiros desde o início de julho. Segundo levantamento divulgado na última sexta-feira (24) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base em informações inseridas pelos gestores municipais no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), os prejuízos somam R$ 3,5 bilhões, alta de 53,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre 1º e 24 de julho, foram decretadas 240 situações de emergência em 13 estados devido a temporais, inundações, enchentes, secas, estiagens e incêndios florestais. No período, mais de 537,2 mil pessoas foram afetadas.
Do total em prejuízos, R$ 3,4 bilhões recaíram sobre o setor privado. A seca e a estiagem responderam por mais de 86% das perdas registradas, com maior concentração no Nordeste. De acordo com a CNM, o El Niño intensificou esses fenômenos climáticos na região, atingindo 53 cidades nordestinas e mais de 30,8 mil pessoas. Apenas Sergipe e Maranhão não registraram situação de anormalidade.
Enquanto o Nordeste enfrenta o agravamento da seca, o Sul do país já sofre com o aumento das chuvas intensas provocado pelo El Niño. O fenômeno favorece a ocorrência de deslizamentos, alagamentos e inundações.
No Rio Grande do Sul, 69 municípios registraram prejuízos econômicos e impactos sociais, com perdas superiores a R$ 104,6 milhões. Em Santa Catarina, 53 cidades foram afetadas, acumulando perdas de R$ 23,3 milhões.
Na Região Sudeste, 24 municípios decretaram situação de emergência em razão de incêndios florestais em áreas não protegidas, com reflexos significativos na qualidade do ar.
No Espírito Santo, foram afetadas as cidades de Colatina, Fundão, Ibatiba, Ibiraçu, Laranja da Terra e Marataízes.
No estado do Rio de Janeiro, houve registro de prejuízos em Itatiaia, São José de Ubá, Valença e Vassouras.
Já em Minas Gerais, 14 municípios decretaram situação de emergência: 12 por seca ou estiagem e dois em decorrência de vendavais e chuvas intensas.
Segundo a CNM, os municípios são os primeiros a responder às emergências e a prestar assistência à população. No entanto, muitos enfrentam limitações técnicas, operacionais e financeiras, o que torna essencial o apoio dos governos estadual e federal nas ações de socorro, assistência e reconstrução.
Para orientar os gestores públicos, a entidade publicou a Nota Técnica 12/2026, com recomendações para a preparação dos municípios diante dos possíveis impactos do El Niño 2026/2027.
O documento orienta a adoção de medidas preventivas e de prontidão para enfrentar riscos como chuvas extremas, enchentes, deslizamentos, secas, ondas de calor, incêndios florestais e seus impactos socioeconômicos.
Entre as principais recomendações estão:
A entidade ressalta que a atuação antecipada, integrada e permanente entre a comunidade e os diferentes níveis de governo é fundamental para reduzir danos, proteger vidas e fortalecer a capacidade de resposta dos municípios diante dos eventos climáticos extremos.
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Baixar áudioOs resultados de fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que de 100 transferências especiais efetuadas e consideradas para a análise, conhecidas como Emendas Pix, 82% apresentaram problemas. O prejuízo potencial foi estimado em R$ 49 milhões. A análise considerou repasses destinados a 73 municípios e dois estados, Pará e São Paulo, e somaram R$ 198 milhões.
A fiscalização ocorreu no âmbito do Plano Especial de Auditoria das Transferências Especiais, que abrangeu repasses efetuados de 2020 a 2024.
O TCU identificou, ainda, algum tipo de irregularidade em 82,4% dos beneficiários.
As irregularidades encontradas foram agrupadas em quatro categorias principais. Confira:
Segundo o tribunal, houve movimentação de recursos em contas correntes não específicas e falta de relatórios de gestão no Transferegov.br. O prejuízo estimado foi de R$ 26 milhões.
Além disso, foram identificados pagamentos sem comprovação adequada, despesas que não correspondiam ao objetivo da transferência e pagamentos sem comprovação de quantidade ou objeto. Nesse caso, o dano apurado foi de R$ 15 milhões.
Também foram constatadas fraudes em licitações e contratações de empresas inidôneas, ou seja, que são impedidas de participar de licitações junto à Administração Pública.
A vistoria identificou, ainda, casos de obras não concluídas ou parcialmente executadas, bem como preços acima da normalidade, resultando em prejuízo potencial de R$ 14 milhões.
Diante das irregularidades encontradas na aplicação dos recursos, o TCU instaurou processos de tomada de contas especial para recuperar os valores que efetivamente podem ter sido desviados. O Tribunal também abriu processos de representação para investigar irregularidades graves, mas que não causaram prejuízo financeiro direto.
A verificação também identificou fragilidades no sistema Transferegov – plataforma do governo federal que centraliza e gerencia as transferências de recursos da União para estados, municípios, consórcios públicos e entidades sem fins lucrativos.
Entre os problemas identificados estão a aceitação de informações genéricas nos planos de trabalho e a possibilidade de alterações de objetos, valores e metas dos projetos. O sistema também não disponibiliza a atualização dos saldos bancários o que, conforme o TCU, pode induzir a erros.
O TCU determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos limite as alterações nos planos de trabalho no sistema Transferegov.br para as transferências realizadas entre 2020 e 2024. O objetivo da medida é evitar que os planos de trabalho sejam alterados apenas por uma das partes envolvidas, como era permitido para transferências feitas antes de 2025.
O relator do processo é o ministro Walton Alencar Rodrigues.
A decisão completa pode ser acessada em portal.tcu.gov.br, por meio do Acórdão 2004/2026 - Plenário.
As transferências especiais, popularmente conhecidas como Emendas Pix, são uma modalidade de repasse de recursos da União para estados, municípios e o Distrito Federal.
Criadas pela Emenda Constitucional nº 105/2019, elas permitem que os recursos sejam transferidos diretamente aos entes federativos, sem a necessidade de celebração de convênios ou outros instrumentos de transferência, o que torna a liberação do dinheiro mais rápida.
Na avaliação do TCU, um dos principais problemas da modalidade de transferência é a falta de transparência ativa e rastreabilidade na execução desse tipo de repasse. O cenário pode dificultar o controle social e a fiscalização pelos órgãos de controle, aumentando o risco de irregularidades, de acordo com o tribunal.
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Baixar áudioA confiança da indústria brasileira apresentou queda expressiva em julho, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 2,9 pontos, chegando a 97,2 pontos. Apesar do desempenho mensal negativo, a média móvel trimestral avançou 0,4 ponto, alcançando 98,1 pontos.
De acordo com a FGV IBRE, o resultado reflete a piora nas avaliações das condições atuais e nas expectativas para os próximos meses. Entre os fatores apontados estão a recomposição dos estoques, a desaceleração da demanda e o aumento das incertezas relacionadas às tarifas de importação dos Estados Unidos. O cenário também é influenciado pela intensificação do debate eleitoral, além da manutenção de juros elevados e da inflação pressionada.
A pesquisa mostra que a confiança diminuiu em 14 dos 19 segmentos industriais analisados. O Índice de Situação Atual caiu para 99,9 pontos, enquanto o Índice de Expectativas recuou para 94,6 pontos, atingindo o menor nível desde dezembro de 2025.
Confira o Indicador Mensal da Sondagem da Indústria de Julho de 2026.
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Baixar áudioA ampliação das chamadas “margens de preferência” nas compras públicas pode fortalecer a competitividade da indústria brasileira e impulsionar a política industrial do país. É o que destaca a 6ª edição do Radar da Indústria, boletim publicado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A medida foi estabelecida pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) por meio da Resolução SEGES-CICS/MGI nº 9, de 30 de junho de 2026. A norma permite que o poder público dê preferência a produtos fabricados no Brasil em relação aos importados, mesmo quando o item nacional custar até 10% mais. Para a compra de produtos tecnológicos nacionais, a margem de preferência pode chegar a 20%.
O analista da CNI, Rodrigo Curi, explica que o mecanismo já existia, mas a nova resolução amplia sua abrangência para todos os produtos credenciados no Catálogo de Credenciamento de Fornecedores Informatizado da Agência Especial de Financiamento Industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CFI-FINAME do BNDES). A regra contempla máquinas, equipamentos, veículos e sistemas industriais que atendam aos requisitos mínimos de conteúdo fabricado no país.
"Essa medida potencializa a demanda e cria um potencial de mercado para produtos nacionais de maior complexidade que, por terem cadastro no Finame, já têm uma gama de fornecedores nacionais. Isso estimula a produção nacional", afirma Curi.
Para o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, a ampliação das margens de preferência fortalece a implementação da Nova Indústria Brasil (NIB) e reduz os riscos associados aos investimentos produtivos.
“Ao contemplar produtos cadastrados no CFI-FINAME, a medida fortalece capacidades produtivas e tecnológicas nacionais. Ao mesmo tempo em que favorece a NIB, a medida converge com outras iniciativas federais no sentido de promover sinergias entre contratações públicas e políticas nacionais de desenvolvimento, como o Novo PAC e o Plano de Transformação Ecológica”, destaca Silveira.
Segundo estimativas do MGI, cada R$ 1 milhão direcionado à compra de produtos fabricados no Brasil, em substituição às importações, pode gerar entre sete e dez postos de trabalho.
O governo também projeta um aumento da arrecadação tributária decorrente da expansão da produção nacional. A expectativa é recuperar entre 9,83% e 13,5% do valor das compras em impostos, compensando o custo adicional de até 10% permitido pela margem de preferência. Para a compra de produtos tecnológicos nacionais, a margem de preferência pode chegar a 20%.
Na avaliação da CNI, a medida também fortalece as cadeias produtivas nacionais ao oferecer previsibilidade de demanda para a indústria. Quando o governo garante que vai comprar da indústria local, as empresas se sentem seguras para ampliar a produção, beneficiando não apenas os fabricantes contratados pelo governo, mas também fornecedores de peças, componentes e serviços.
“Ao adotar as margens de preferência, o governo deixa de apenas consumir produtos estrangeiros para atuar como um indutor do crescimento, gerando emprego, renda e garantindo a reindustrialização do Brasil”, explica Silveira.
O Radar da Indústria também destaca a ampliação dos recursos da Nova Indústria Brasil. O Plano Mais Produção (P+P), principal instrumento de financiamento da política industrial, recebeu um novo aporte de R$ 140 bilhões, elevando para R$ 750 bilhões o volume total de recursos disponibilizados até o fim de 2026.
De acordo com Rodrigo Curi, cerca de R$ 710 bilhões já foram aprovados para aproximadamente 500 mil projetos distribuídos entre as seis missões da NIB, que abrangem áreas estratégicas como inovação, inteligência artificial, mobilidade sustentável, bioeconomia, minerais críticos e saúde.
Embora considere positivo o reforço anunciado pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o analista ressalta que a consolidação da política industrial depende da continuidade desses investimentos.
"São projetos de longa maturação, que demoram para trazer resultados em termos de produtos industriais e retorno econômico. Então é importante criar um ambiente em que esses recursos possam ser constantemente providos para a indústria, sem haver uma variação muito grande”, afirma.
Para Curi, o fortalecimento da Nova Indústria Brasil também exige maior articulação entre governo, setor produtivo e demais atores envolvidos na formulação e execução da política industrial.
"Não apenas os participantes diretos, mas todos os entes de governo devem contribuir para a concepção, elaboração e implementação da política industrial", diz.
O analista também defende que a política seja permanente, independentemente das mudanças de governo.
“Não adianta correr atrás de um resultado e fazer todo um arranjo institucional, toda uma concentração de recursos para um plano que talvez seja descontinuado no próximo governo. Esses projetos exigem um prazo maior para trazer efeitos para a sociedade. A efetividade da política industrial depende de sua perenidade e sua melhoria a cada ciclo de governo”, destaca.
Outro destaque do boletim é o avanço do Projeto de Lei 4.133/2023, que institui o Marco Legal da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em junho e segue para análise do Senado.
O texto estabelece que cada governo deverá apresentar uma política industrial com objetivos, metas e indicadores mensuráveis.
Segundo Curi, a aprovação do marco legal pode transformar a política industrial em uma política de Estado, reduzindo as descontinuidades que historicamente marcaram o setor.
"Criar um arcabouço normativo que transforme a política industrial em política de Estado é extremamente importante. A expectativa da CNI é de aprovação no Senado, mas o trabalho não acabou. Existem ainda possíveis melhorias a serem feitas no texto, que garantam continuidade, geração de valor, renda, emprego e desenvolvimento para o Brasil”, conclui.
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Baixar áudioAs despesas públicas primárias dos estados da Região Nordeste somaram R$ 200 bilhões entre 1º de janeiro e 29 de julho de 2026, segundo a plataforma Gasto Brasil, desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Confira os gastos, estado a estado.
Com mais de 3,1 milhões de habitantes, as despesas públicas de Alagoas alcançaram R$ 11,6 bilhões no período. O total corresponde a 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado em 2025, estimado em R$ 89,7 bilhões, e equivale a uma despesa per capita de aproximadamente R$ 3,6 mil.
“Nós podemos interferir e sugerir, através dessa plataforma, onde é que os investimentos são necessários nos gastos públicos, para que o nosso país continue a crescer. Porque não aguentamos mais ficar estagnados, andando de lado. E a segunda, que é muito bem-vinda, que é a transparência. Nós sabemos quanto custa cada coisa”, elogiou Kennedy Calheiros, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de Alagoas (FEDERALAGOAS).
Na Bahia, as despesas somaram R$ 48 bilhões, o equivalente a 10,7% do PIB estadual no ano passado (R$ 431 bilhões). A despesa per capita foi de aproximadamente R$ 3,3 mil, com base em uma população de 14,1 milhões de habitantes.
Herriette Cedraz, presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura na Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (CMEC/FACEB), lembrou que o Gasto Brasil não é a única iniciativa voltada à responsabilidade fiscal. “Para conter esse excesso de gastos, o sistema CACB, há muito tempo, desenvolveu também uma outra ferramenta importantíssima, que é o observatório social. Exitoso em muitas associações comerciais, que evitam os exageros nas licitações, compras, na entrega de produtos, o que dá uma demonstração também de comprometimento com os gastos do dinheiro público”, afirmou a executiva.
No Ceará, os gastos alcançaram R$ 28,9 bilhões, valor equivalente a 12% do PIB estadual de 2025 (R$ 232 bilhões). A despesa per capita foi de cerca de R$ 3,2 mil, considerando uma população de 8,8 milhões de habitantes.
Já no Maranhão, onde a população soma 6,8 milhões de habitantes, as despesas públicas estaduais atingiram R$ 22 bilhões entre janeiro e julho de 2026. O montante representa uma despesa per capita de aproximadamente R$ 3,1 mil e a 14,2% em relação ao PIB local do ano passado (R$ 149,2 bilhões).
“Muita gente no Brasil, infelizmente, não entende de carga tributária, não sabe tudo o que a gente paga enquanto cidadãos, pensa que apenas empresários pagam impostos. E a melhor forma da gente fazer isso é através da conscientização, é mostrando para essas pessoas para onde vai o dinheiro delas”, disse Felipe Mussalém, presidente da Federação das Associações Empresariais do Maranhão (FAEM).
A Paraíba, com população de 3,9 milhões de pessoas, teve despesa pública estadual no total de R$ 15,5 bilhões, o que equivale a R$ 3,8 mil por habitante. Até a data do levantamento, o Gasto Brasil representou 15,5% do PIB do estado em 2025, que foi de mais de R$ 96,9 bilhões.
Em Pernambuco, os números apontam um total de R$ 33,1 bilhões em despesas públicas estaduais neste ano, correspondente a 11,8% de toda a riqueza produzida no estado em 2025 (R$ 270,4 bilhões). Com uma população de 9 milhões de habitantes, o cruzamento de dados revela um gasto de R$ 3,5 mil por pessoa.
No Piauí, com 3,3 milhões de habitantes, a despesa pública estadual em 2026 chega a R$ 14,9 bilhões, projetando um custo per capita de R$ 4,4 mil e um consumo correspondente a 17,8% do PIB de 2025 (R$ 80,9 bilhões).
O Rio Grande do Norte teve despesa pública estadual no total de R$ 14,5 bilhões, o que equivale a R$ 4,5 mil por cada um dos 3,3 milhões habitantes. Até a data do levantamento, o Gasto Brasil representou 14,8% do PIB do estado em 2025, que foi de mais de R$ 101,7 bilhões.
Em Sergipe, com 2,2 milhões de habitantes, a despesa pública estadual em 2026 chega a R$ 11,7 bilhões, projetando um custo per capita de R$ 5,1 mil e um consumo correspondente a 18,6% do PIB de 2025 (R$ 60,8 bilhões).
Somando todas as esferas públicas (União, DF, estados e municípios), a despesa governamental ultrapassou a marca de R$ 3,2 trilhões desde o início de 2026. O governo federal concentra a maior parte dos gastos, com mais de R$ 1,5 trilhão (47% do total) do gasto público, enquanto estados, DF (R$ 872 bilhões) e os municípios (R$ 855 bilhões) dividem o restante.
O total de pagamentos feitos pelas administrações supera em mais de R$ 900 bilhões o valor arrecadado com impostos. De acordo com dados da plataforma Impostômetro apurados no mesmo dia, a arrecadação no país é de R$ 2,3 trilhões.
Análises como essa e muitas outras farão parte do Painel de Gasto Brasil a partir do dia 11 de agosto. O lançamento das novas funcionalidades, uma parceria entre a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), vai ocorrer na Câmara dos Deputados e trará recortes econômicos, detalhamento dos gastos por população, índice de qualidade das informações e novos indicadores para ampliar a transparência das despesas públicas.
Para o presidente da CACB, da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), Alfredo Cotait Neto, acompanhar as despesas públicas é fundamental para aprimorar a gestão. Segundo ele, o país precisa avançar em medidas como reforma administrativa, planejamento, controle fiscal e definição de critérios para investimentos públicos.
"Há 20 anos criamos o Impostômetro, que é uma forma de você mostrar para a sociedade quanto estamos pagando de impostos. Então criamos o Gasto Brasil, que é uma ferramenta para que a população tomasse conhecimento de onde e como estavam sendo gastas as despesas da União, estados e municípios.”
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Baixar áudioEm meio aos esforços para ampliar a presença brasileira em novos mercados internacionais, Brasil e Coreia do Sul avançaram nas negociações para fortalecer o comércio bilateral e ampliar investimentos entre os dois países. A estratégia foi reforçada na última terça-feira (28), durante o Brazil-Korea Business Roundtable, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Federação de Indústrias Coreanas (FKI), em São Paulo.
O encontro reuniu o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, além de representantes do governo e lideranças empresariais dos dois países. O objetivo foi ampliar as relações econômicas e identificar novas oportunidades de negócios em setores considerados estratégicos para as duas economias.
A aproximação ganha relevância diante da estratégia brasileira de diversificar os destinos das exportações e reduzir a concentração das vendas externas em poucos mercados. Atualmente, a corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul movimenta cerca de US$ 11 bilhões, mas o Brasil responde por apenas 1% das importações sul-coreanas, índice considerado abaixo do potencial da relação bilateral.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, a expectativa é ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado asiático e abrir novas oportunidades para diferentes setores da economia.
“No setor do agronegócio, no anúncio da abertura do mercado de carnes, vamos continuar com as frutas, com o café, com as nossas outras proteínas. Forte também na área de minerais raros, eles são o segundo maior produtor de semicondutores que a gente vai avançar muito com eles. E também na área de indústria, o setor farmacêutico, o setor de TI e também, principalmente, o setor da nossa indústria aeronáutica e também na indústria de defesa. Então foi um grande fórum empresarial realizado pela ApexBrasil pra gente diversificar ainda mais as exportações do nosso país.”
Entre as oportunidades apontadas durante o fórum estão a ampliação das exportações brasileiras de proteínas animais, frutas, café, etanol e biocombustíveis, além do fortalecimento da cooperação em minerais críticos, semicondutores, inteligência artificial, indústria farmacêutica, aeroespacial e defesa. A Coreia do Sul é atualmente a 13ª maior economia do mundo e o 11º maior importador global, sendo considerada um mercado estratégico para a expansão do comércio exterior brasileiro.
O encontro também resultou na assinatura de seis memorandos de entendimento entre empresas e instituições brasileiras e sul-coreanas. Os acordos abrangem áreas como promoção comercial, inovação tecnológica, pesquisa, saúde, indústria aeroespacial e defesa, fortalecendo a cooperação econômica entre os dois países.
Para o setor produtivo, o diálogo entre governos e empresas contribui para reduzir barreiras comerciais e ampliar investimentos brasileiros no exterior. O diretor de Relações Institucionais da Ambev, Rodrigo Moccia, destacou a importância da aproximação para empresas que já atuam internacionalmente.
"É uma alegria para a Ambev, uma empresa brasileira que tem operação no mundo inteiro, que gera emprego e renda localmente, poder discutir com governo de outros países, com outros empresários um pouco dos desafios que as empresas brasileiras enfrentam fora do país. Foi mais um sucesso. O presidente da Coreia esteve reunido conosco por mais de uma hora falando um pouco sobre as oportunidades de investimento lá e os desafios que a gente pode superar. Então super obrigado à Apex pelo convite. Contem com a Ambev nos próximos encontros”, destacou.
A realização do fórum ocorreu cinco meses após a missão empresarial organizada pela ApexBrasil em Seul, que reuniu cerca de 450 empresários brasileiros e sul-coreanos. A visita do presidente Lee Jae Myung ao Brasil e a assinatura de sete memorandos de cooperação entre os governos, em Brasília, reforçam o movimento de aproximação entre os dois países e a estratégia brasileira de ampliar mercados para suas exportações, atrair investimentos e fortalecer a inserção do país nas cadeias globais de valor.
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Baixar áudioA expansão da presença brasileira no continente africano ganhou novo impulso com uma série de ações coordenadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Estudos de mercado, presença nas principais feiras internacionais e missões empresariais têm ampliado as oportunidades para empresas brasileiras em países da África Austral, considerada uma das regiões mais dinâmicas do continente.
A iniciativa busca fortalecer a inserção do Brasil em economias que registram crescimento da demanda por alimentos, máquinas, equipamentos, soluções industriais e tecnologias, além de estreitar relações comerciais com mercados que vêm diversificando seus parceiros internacionais.
Mais do que expandir as exportações brasileiras, a atuação pretende posicionar o país como parceiro estratégico em uma região que reúne economias complementares, corredores logísticos importantes e crescente necessidade de investimentos em infraestrutura, agronegócio, saúde, energia e transformação industrial.
Principal economia da África Subsaariana, a África do Sul desponta como um dos mercados com maior potencial para produtos brasileiros. Em estudo recente elaborado pela ApexBrasil, foram identificadas 581 frentes de exportação para empresas nacionais, distribuídas em diversos segmentos da economia.
As oportunidades abrangem desde alimentos e bebidas até máquinas agrícolas, equipamentos industriais, produtos químicos, medicamentos, materiais de construção e soluções para infraestrutura. O levantamento também aponta espaço para ampliar a participação brasileira em produtos de maior valor agregado, reduzindo a concentração das exportações em commodities.
Além de representar um importante mercado consumidor, a África do Sul é considerada porta de entrada para outros países da África Austral, facilitando a distribuição regional de produtos brasileiros.
Outra frente da atuação é a presença brasileira na Feira Internacional de Luanda (FILDA), principal evento multissetorial de Angola e um dos maiores encontros de negócios da África Austral.
A ApexBrasil organizou uma das maiores delegações brasileiras já levadas ao evento, reunindo empresas de diferentes setores para apresentar produtos, prospectar clientes e fortalecer parcerias comerciais.
A ação reforça a inserção do Brasil em Angola, mercado historicamente próximo e que mantém relações comerciais favorecidas pela língua portuguesa e pelos vínculos culturais entre os dois países. A expectativa é expandir negócios em áreas como alimentos, agronegócio, saúde, tecnologia, energia e bens industriais.
O fortalecimento da presença brasileira na região terá um novo marco durante a Feira Internacional de Maputo (FACIM) 2026, em Moçambique, quando o Brasil será o país homenageado do evento. A missão empresarial será realizada entre 31 de agosto e 6 de setembro, em Maputo.
A programação organizada pela ApexBrasil inclui participação na feira, rodadas de negócios, agendas institucionais e encontros com compradores e investidores, com foco em empresas interessadas em iniciar ou ampliar operações no mercado moçambicano e em outros países da África Austral.
As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas no portal da ApexBrasil, onde também estão disponíveis os critérios de participação.
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Baixar áudioO Brasil apresentou, nesta semana, a experiência nacional no desenvolvimento de bioinsumos durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. A participação brasileira ocorreu em um momento de expansão global das soluções biológicas para a agricultura e teve como objetivo fortalecer a posição do país no mercado internacional, além de ampliar a cooperação entre países na adoção dessas tecnologias.
A agenda foi liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com os ministérios da Agricultura e Pecuária, das Relações Exteriores e a CropLife Brasil, que promoveram um evento para discutir políticas públicas, inovação, regulamentação e estratégias para ampliar o uso de bioinsumos em sistemas agroalimentares.
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o Brasil reúne condições para ocupar posição de destaque nesse mercado por aliar biodiversidade, pesquisa científica e capacidade produtiva.
“Nosso país tem desenvolvido soluções inovadoras, eficientes e adaptadas a condições desafiadoras de clima e manejo, capazes de atender às demandas de diferentes sistemas produtivos em todo o mundo. Este é um diferencial competitivo muito valorizado pelos mercados internacionais”, afirmou o presidente.
De acordo com o gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Pedro Netto, o Brasil já figura entre os principais mercados mundiais e, só ano passado, movimentou mais de R$ 6 bilhões, teve uma área tratada de quase 200 milhões de hectares e vem ampliando sua presença nas exportações.
“Os bioinsumos são uma das bases para a agricultura tropical brasileira, eles são resultado de muita ciência e tecnologia brasileira que gera competitividade do nosso agro, então quando a gente faz um evento desse a gente mostra que o Brasil é gigante graças ao trabalho duro dos nossos cientistas e dos nossos produtores rurais”, ressaltou.
A programação contou com a participação da pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, vencedora do World Food Prize 2025, considerado o principal prêmio internacional da agricultura, além de representantes do Japão, México e Tanzânia, que compartilharam experiências sobre políticas públicas voltadas à ampliação do uso de bioinsumos.
A participação brasileira ocorreu por meio do Renera – Brazilian Bioinputs Hub, projeto desenvolvido pela ApexBrasil e pela CropLife Brasil para promover a internacionalização das empresas do setor, estimular o diálogo regulatório e ampliar oportunidades de negócios para soluções biológicas desenvolvidas no país.
Para a presidente da CropLife, Ana Repezza, a iniciativa visa conectar essa experiência brasileira aos mercados internacionais, promovendo cooperação, diálogo regulatório e novas oportunidades para as empresas nacionais. “Nosso objetivo é mostrar que o Brasil reúne biodiversidade, ciência, capacidade industrial e produção agrícola em escala para oferecer soluções que contribuam para sistemas agroalimentares mais produtivos, resilientes e sustentáveis”, afirma a presidente.
Atualmente, o mercado brasileiro de bioinsumos movimenta cerca de US$ 1,2 bilhão por ano, consolidando o Brasil entre os principais polos mundiais de inovação em soluções biológicas para a agricultura.
Os bioinsumos são produtos elaborados a partir de organismos vivos, como fungos, bactérias e outros microrganismos, utilizados para controlar pragas, aumentar a fertilidade do solo e melhorar o desenvolvimento das lavouras. O uso dessas tecnologias tem crescido como alternativa para tornar a produção agrícola mais eficiente e sustentável.
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Baixar áudioO presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) participou, nesta quarta-feira (29), de uma reunião com representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), em Brasília. Acompanhado do candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, a dupla participou do projeto ABERT/ANJ Presidenciáveis, iniciativa que reúne os candidatos à Presidência da República para apresentar propostas ao setor de comunicação.
A participação no projeto ABERT/ANJ Presidenciáveis integra uma estratégia de aproximação com representantes da comunicação e do setor produtivo. Durante o encontro, Caiado apresentou diretrizes para um eventual governo e respondeu a questionamentos sobre temas relacionados ao ambiente econômico, à liberdade de imprensa, à soberania nacional e ao papel das plataformas digitais.
Ao final da reunião, Caiado concedeu entrevista coletiva à imprensa e abordou temas como regulação das plataformas digitais, Big Techs, uso das inteligências artificiais durante a campanha e o governo, soberania e responsabilidade fiscal e segurança pública, além de responder a perguntas sobre os desafios de um eventual governo caso seja eleito nas eleições presidenciais de outubro.
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Governador de Goiás em segundo mandato, Ronaldo Caiado lançou sua pré-candidatura à Presidência da República defendendo uma plataforma baseada em segurança pública, responsabilidade fiscal, fortalecimento do agronegócio e eficiência da gestão pública. Nos últimos meses, o candidato tem buscado ampliar sua presença no cenário nacional e se apresentar como uma alternativa à polarização política, dialogando com diferentes setores da economia e da sociedade.
Questionado sobre as prioridades da campanha, Ronaldo Caiado afirmou que já percorreu grande parte do país. Segundo o presidenciável, a agenda já contemplou todos os estados da Região Sul, quase todo o Sudeste, com exceção do Espírito Santo, e boa parte do Nordeste. O candidato informou ainda que pretende ampliar a presença na Região Norte, enquanto destacou que mantém uma agenda frequente nos estados do Centro-Oeste, região onde construiu sua trajetória política.
Ao falar sobre o uso da inteligência artificial, o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) defendeu que o Brasil avance no desenvolvimento da tecnologia sem abrir mão da proteção aos direitos autorais. Segundo ele, a regulamentação do setor deve estabelecer limites para o uso indevido das plataformas, mas sem comprometer a inovação e a competitividade do país.
"O mau uso da plataforma deve ser duramente punido. Você quer penalizar a inteligência no sentido de produzir aplicativos que facilitem a vida da pessoa, a melhoria da saúde, da educação, da segurança pública e do desenvolvimento de tecnologias? Ou o Brasil quer ficar apenas importando os chips produzidos lá fora?”, replicou.
Durante a coletiva, o candidato também destacou o trabalho do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), sediado em Goiás. De acordo com Caiado, o centro desenvolve soluções tecnológicas utilizadas por empresas brasileiras e demonstra o potencial do país para ampliar sua atuação no setor.
"Está lá o único centro na América Latina de inteligência artificial, que é em Goiás. Hoje, mais de 150 milhões de brasileiros utilizam plataformas desenvolvidas no CEIA”, relatou Caiado.
Ao defender investimentos em tecnologia, Caiado afirmou que o Brasil precisa reduzir a dependência de soluções importadas e ampliar a capacidade nacional de inovação. "O Brasil não vai ficar para trás como ficou na época da computação. O Brasil tem que ter uma visão de futuro, de competitividade, de conhecimento”, destacou.
Questionado sobre a soberania nacional e os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o presidenciável afirmou que um eventual governo sob sua liderança priorizará o diálogo diplomático e o fortalecimento das relações comerciais internacionais.
Na avaliação do candidato, o Brasil reúne ativos estratégicos capazes de ampliar sua posição nas negociações internacionais. Entre os diferenciais, destacou a força do agronegócio, a disponibilidade de recursos naturais, a produção de energia renovável, além das reservas de terras raras e minerais críticos.
"O Brasil hoje é dominante em várias áreas. Como hoje a riqueza em termos de energia renovável, combustível renovável, água doce, terras raras pesadas e também minerais críticos. E uma agricultura cada vez mais pujante para alimentar também quase um bilhão de pessoas fora do Brasil. É assim que se discute o Brasil. E é assim que se discute a soberania do Brasil.
"O presidenciável também defendeu que a política externa brasileira seja conduzida por meio da diplomacia e de um Itamaraty fortalecido, com foco na qualificação técnica das negociações internacionais e na construção de acordos com parceiros estratégicos.
"Estando na Presidência da República, eu saberei sentar à mesa de negociação. Saberei ter aqui um Itamaraty, uma chancelaria como era anteriormente, com pessoas capazes. E não ficar com essa bravata de lado a outro", frisou.
Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que pretende manter o equilíbrio das contas públicas por meio de uma gestão pautada pela transparência orçamentária. Durante a coletiva, criticou o uso de créditos extraordinários pelo governo federal e disse que adotará, em âmbito nacional, um modelo semelhante ao implementado durante sua gestão em Goiás, baseado em um diagnóstico da situação fiscal do país.
"Eu vou corrigir tudo isso. E vou fazer como fiz em Goiás. Não aceitar um orçamento fake. Vou apresentar um orçamento real. Vou mostrar a realidade do Brasil. Olha o quanto você estava enganado. Olha o quanto a dívida é muito maior. Olha o quanto o orçamento não é compatível com aquilo que está sendo aprovado pelo governo”, enfatizou.
A segurança pública é apresentada por Ronaldo Caiado como um dos principais eixos de disputa presidencial de 2026.
Em artigo publicado pela plataforma Esfera Brasil, organização criada para fomentar o diálogo sobre o país, o ex-governador de Goiás defendeu que a experiência na gestão do território goiano na área de segurança pode servir de modelo para o restante do país.
Ao defender sua trajetória à frente do Governo de Goiás, Caiado sustentou que os resultados obtidos no estado demonstram a eficácia do modelo. Na avaliação dele, o país pode usar os órgãos de fiscalização, como Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Receita Federal e Banco Central, para enfrentar a introdução das facções nos negócios legais e a lavagem de dinheiro.
Durante a coletiva na ABERT/ANJ, Caiado afirmou que pretende endurecer as punições para crimes contra mulheres e crianças. Segundo ele, uma das propostas é destinar os bens do agressor às vítimas ou aos familiares.
“Na segurança pública, vocês viram este combate em relação ao feminicídio, que infelizmente vem crescendo no Brasil. As medidas serão ainda mais duras. Eu vou fazer o confisco dos bens do agressor ao praticar o feminicídio, para a família, para que seja transferida à mulher agredida ou à vítima da pedofilia e também aos seus familiares. Penalizando, duramente, o pedófilo e aqueles que agridem as mulheres no Brasil. Medidas duras, cumprimento de pena acima de 90%”, disse.
Segundo o pré-candidato, a alta taxa de resolução de crimes em Goiás é um exemplo de política pública que pode ser replicada em âmbito nacional.
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Baixar áudioA edição mais recente da Pesquisa BTG/Nexus sobre as intenções de voto para a Presidência da República nas eleições de 2026, divulgada nesta segunda-feira (27), reforça as diferenças no comportamento do eleitorado entre as regiões do país.
Enquanto o Nordeste permanece como a principal base de apoio do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Sul e o conjunto formado por Norte e Centro-Oeste concentram o maior apoio aos candidatos da oposição. Já o Sudeste segue como a região mais equilibrada da disputa.
No Nordeste, Lula lidera com ampla vantagem no primeiro turno, ao registrar 57% das intenções de voto, contra 24% de Flávio Bolsonaro (PL). Os demais pré-candidatos não ultrapassam os 5%.
Em uma eventual disputa de segundo turno, o presidente amplia a vantagem e alcança 62% das intenções de voto, enquanto Flávio soma 30%.
A região também apresenta os indicadores mais favoráveis ao governo federal. Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados aprovam a gestão de Lula, e 47% a classificam como ótima ou boa.
O Nordeste reúne ainda a maior proporção de eleitores que se declaram "lulistas convictos", com 27%, além da menor taxa de rejeição ao presidente, de 33%. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro registra na região seu maior índice de rejeição, de 43%.
O cenário se inverte na Região Sul, onde Flávio Bolsonaro lidera a disputa de primeiro turno com 47% das intenções de voto. Em uma eventual segunda etapa da eleição, ele amplia a vantagem sobre Lula e alcança 57%, enquanto o presidente registra 36%.
A região também concentra os piores indicadores para o atual governo federal. A desaprovação à gestão chega a 64%, e 57% dos entrevistados a classificam como ruim ou péssima.
O Sul reúne ainda a maior parcela de eleitores que se identificam como "bolsonaristas convictos", com 33%. Já a rejeição a Lula supera 50%.
No Sudeste, Lula aparece à frente no primeiro turno, com 41% das intenções de voto, diante de 32% de Flávio Bolsonaro. Em uma eventual disputa de segundo turno, a diferença diminui: o presidente tem 45%, contra 43% do adversário.
Na avaliação do governo, 44% aprovam a gestão federal, enquanto 51% a desaprovam. Outros 33% classificam o governo como ótimo ou bom, e 44% como ruim ou péssimo.
A região também espelha a polarização observada no cenário nacional: 24% dos entrevistados se declaram "lulistas convictos" e outros 24%, "bolsonaristas convictos".
No conjunto formado por Norte e Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro lidera o primeiro turno com 39% das intenções de voto, seguido por Lula, com 33%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece na terceira posição, com 11%.
Em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 51%, contra 41% de Lula.
Na avaliação do governo federal, 51% desaprovam a gestão, enquanto 44% a aprovam. A região também apresenta o maior percentual de eleitores classificados como não polarizados, com 23%.
No cenário nacional para o primeiro turno, Lula lidera com 42% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Em relação à rodada anterior da pesquisa, realizada em meados de julho, Lula manteve o mesmo percentual, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 34% para 33%, variação dentro da margem de erro.
Os demais pré-candidatos aparecem com índices de um dígito: Ronaldo Caiado registra 6% das intenções de voto, Renan Santos (Missão) soma 5% e Romeu Zema (Novo), 3%.
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o cenário também permaneceu estável. O presidente aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Os percentuais são os mesmos da rodada anterior, mantendo uma vantagem de quatro pontos percentuais para Lula, diferença que permanece dentro da margem de erro da pesquisa.
A Pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.004 eleitores entre os dias 24 e 26 de julho de 2026. A amostra foi composta por 42% de entrevistados do Sudeste, 28% do Nordeste, 16% do Norte/Centro-Oeste e 14% do Sul. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01489/2026.
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Baixar áudioOs eleitores que pretendem votar fora do município de seu domicílio eleitoral nas Eleições 2026 têm até o dia 20 de agosto para solicitar a habilitação para o voto em trânsito. A modalidade é destinada a eleitoras e eleitores com situação regular no Cadastro Eleitoral que estarão em outra cidade brasileira no dia da votação.
O pedido pode ser feito de duas formas: pelo Autoatendimento Eleitoral, disponível nos portais da Justiça Eleitoral, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral ou Central de Atendimento ao Eleitor, mediante apresentação de um documento oficial com foto. Durante o mesmo período, também é possível alterar ou cancelar a solicitação. Após 20 de agosto, nenhuma modificação poderá ser realizada.
As regras para o voto dependem do local escolhido. Quem solicitar o voto em trânsito em um município localizado no mesmo estado do domicílio eleitoral poderá votar em todos os cargos em disputa. Já quem estiver em outro estado poderá votar apenas para presidente e vice-presidente da República.
A Justiça Eleitoral alerta que, uma vez habilitado para o voto em trânsito, o eleitor não poderá votar em sua seção eleitoral de origem. Caso não compareça ao local escolhido no dia da eleição, será necessário justificar a ausência. Após o pleito, o título retorna automaticamente ao local de votação original, sem necessidade de novo pedido.
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Baixar áudioOs resultados de fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que de 100 transferências especiais efetuadas e consideradas para a análise, conhecidas como Emendas Pix, 82% apresentaram problemas. O prejuízo potencial foi estimado em R$ 49 milhões. A análise considerou repasses destinados a 73 municípios e dois estados, Pará e São Paulo, e somaram R$ 198 milhões.
A fiscalização ocorreu no âmbito do Plano Especial de Auditoria das Transferências Especiais, que abrangeu repasses efetuados de 2020 a 2024.
O TCU identificou, ainda, algum tipo de irregularidade em 82,4% dos beneficiários.
As irregularidades encontradas foram agrupadas em quatro categorias principais. Confira:
Segundo o tribunal, houve movimentação de recursos em contas correntes não específicas e falta de relatórios de gestão no Transferegov.br. O prejuízo estimado foi de R$ 26 milhões.
Além disso, foram identificados pagamentos sem comprovação adequada, despesas que não correspondiam ao objetivo da transferência e pagamentos sem comprovação de quantidade ou objeto. Nesse caso, o dano apurado foi de R$ 15 milhões.
Também foram constatadas fraudes em licitações e contratações de empresas inidôneas, ou seja, que são impedidas de participar de licitações junto à Administração Pública.
A vistoria identificou, ainda, casos de obras não concluídas ou parcialmente executadas, bem como preços acima da normalidade, resultando em prejuízo potencial de R$ 14 milhões.
Diante das irregularidades encontradas na aplicação dos recursos, o TCU instaurou processos de tomada de contas especial para recuperar os valores que efetivamente podem ter sido desviados. O Tribunal também abriu processos de representação para investigar irregularidades graves, mas que não causaram prejuízo financeiro direto.
A verificação também identificou fragilidades no sistema Transferegov – plataforma do governo federal que centraliza e gerencia as transferências de recursos da União para estados, municípios, consórcios públicos e entidades sem fins lucrativos.
Entre os problemas identificados estão a aceitação de informações genéricas nos planos de trabalho e a possibilidade de alterações de objetos, valores e metas dos projetos. O sistema também não disponibiliza a atualização dos saldos bancários o que, conforme o TCU, pode induzir a erros.
O TCU determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos limite as alterações nos planos de trabalho no sistema Transferegov.br para as transferências realizadas entre 2020 e 2024. O objetivo da medida é evitar que os planos de trabalho sejam alterados apenas por uma das partes envolvidas, como era permitido para transferências feitas antes de 2025.
O relator do processo é o ministro Walton Alencar Rodrigues.
A decisão completa pode ser acessada em portal.tcu.gov.br, por meio do Acórdão 2004/2026 - Plenário.
As transferências especiais, popularmente conhecidas como Emendas Pix, são uma modalidade de repasse de recursos da União para estados, municípios e o Distrito Federal.
Criadas pela Emenda Constitucional nº 105/2019, elas permitem que os recursos sejam transferidos diretamente aos entes federativos, sem a necessidade de celebração de convênios ou outros instrumentos de transferência, o que torna a liberação do dinheiro mais rápida.
Na avaliação do TCU, um dos principais problemas da modalidade de transferência é a falta de transparência ativa e rastreabilidade na execução desse tipo de repasse. O cenário pode dificultar o controle social e a fiscalização pelos órgãos de controle, aumentando o risco de irregularidades, de acordo com o tribunal.
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Baixar áudioA Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e a Secretaria Municipal de Gestão (SEGES) da Prefeitura de São Paulo firmaram uma parceria voltada à qualificação profissional dos servidores municipais. A iniciativa beneficia os 130 mil servidores ativos e 120 mil aposentados da Prefeitura de São Paulo, além de seus familiares, com 25% de desconto em todos os cursos de graduação e pós-graduação da instituição.
A expectativa é ampliar o acesso à formação continuada e contribuir para o aprimoramento da gestão pública, refletindo diretamente na qualidade dos serviços oferecidos à população. Os interessados já podem solicitar o benefício e realizar a matrícula com o desconto previsto no convênio.
Com nota 5, a máxima na avaliação do Ministério da Educação (MEC), a Faculdade do Comércio de São Paulo está entre as instituições privadas de maior destaque do país, ocupando a quinta colocação no Guia da Faculdade, do Estadão.
Segundo o diretor-geral da FAC, Wilson Victorio Rodrigues, a iniciativa está alinhada ao processo de modernização da administração pública e às novas competências exigidas dos servidores. "Saber se comunicar, comunicar com o administrado, isto é, com o cidadão, do que está sendo feito, como está sendo feito, as redes sociais, gestão de pessoas, logística, enfim, todos esses assuntos que são próprios do mundo da gestão, a prefeitura quer, de fato, poder ofertar isso para os seus servidores", explicou o diretor-geral.
Além do desenvolvimento profissional, a parceria também representa uma oportunidade de crescimento na carreira dos servidores, já que a obtenção de novas titulações contribui para progressões funcionais. O benefício financeiro oferecido pelo convênio também busca ampliar o acesso ao ensino superior. "Nós estamos trabalhando com um valor promocional, uma política de desconto de 25% para esses servidores públicos, ativos e aposentados, e isso também se estende aos seus familiares", frisou Rodrigues.
A cooperação integra o Programa de Parcerias para Concessão de Descontos e Benefícios a Servidores Públicos Municipais, iniciativa que busca ampliar o acesso à graduação e à pós-graduação em áreas estratégicas para a modernização da administração pública.
A Secretaria Municipal de Gestão destaca que a parceria integra a política de valorização dos servidores e complementa as ações desenvolvidas pela Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo (EMASP).
Saiba como garantir o benefício:
● Acesse o Programa de Benefícios e consulte os parceiros credenciados e as regras do convênio.
● Comprove o vínculo com a Prefeitura de São Paulo apresentando a Identidade Funcional Digital ou o holerite (impresso ou digital), acompanhado de um documento oficial com foto.
● Realize a matrícula em um dos cursos de graduação ou pós-graduação da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC), informando que utilizará o benefício previsto na parceria.
● Verifique se o benefício se aplica aos seus familiares, conforme as regras do Decreto Municipal nº 64.255/2025.
Também podem ser contemplados pelo programa:
● Cônjuge ou companheiro(a);
● Filho(a), enteado(a) ou pessoa sob guarda com menos de 21 anos;
● Filho(a) com deficiência grave ou inválido;
● Pais economicamente dependentes do servidor;
● Pessoas sob tutela ou curatela do servidor.
Em caso de dúvidas, os servidores devem entrar em contato pelo e-mail [email protected].
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Baixar áudioA Agência Nacional de Mineração (ANM) distribuiu mais de R$ 88 milhões em recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) entre os dias 17 e 20 de julho para municípios afetados pela atividade mineral em todo o país. Os repasses contemplam localidades impactadas pela infraestrutura da mineração, como ferrovias, portos, dutovias, barragens de rejeitos e outras estruturas ligadas à atividade.
A distribuição encerra o ciclo 2025/2026 de repasses da CFEM aos municípios afetados, referente à arrecadação registrada entre maio de 2025 e abril de 2026.
Embora os valores correspondentes à arrecadação de abril de 2026 tenham sido pagos apenas em julho, devido à necessidade de adequação dos cálculos a uma decisão judicial, a ANM concluiu o ciclo com a regularização dos repasses e a destinação integral dos recursos aos entes beneficiários.
Do total distribuído, mais de R$ 71 milhões foram destinados a 1.747 municípios diretamente afetados pela infraestrutura da mineração, como aqueles cortados por ferrovias, portos e dutovias utilizados no escoamento da produção mineral.
Clique aqui para conferir a lista de municípios diretamente afetados.
Os outros mais de R$ 17 milhões foram repartidos entre 4.459 municípios vizinhos às áreas de produção mineral, além do Distrito Federal e dos 12 estados produtores, nos casos em que houve valores não destinados aos municípios diretamente afetados. Desse montante, 99% dos recursos foram destinados aos municípios.
Clique aqui para conferir a lista de municípios vizinhos e os estados produtores.
A destinação de parte da CFEM a municípios onde não há extração mineral, mas que sofrem impactos da atividade, foi instituída pela Lei nº 13.540/2017. A legislação estabelece que 15% da arrecadação da CFEM — neste caso, R$ 88 milhões — sejam destinados ao Distrito Federal e aos municípios afetados por estruturas como ferrovias, dutovias, operações portuárias, pilhas de estéril, barragens de rejeitos e demais instalações vinculadas aos empreendimentos minerários.
Os recursos também contemplam os municípios limítrofes — aqueles que fazem divisa com cidades produtoras de minerais —, além do Distrito Federal e dos estados produtores, quando há valores que não foram repassados aos municípios diretamente afetados.
A legislação determina que os valores da CFEM não podem ser usados para o pagamento de dívidas, exceto aquelas contraídas com a União ou com entidades federais. Também é proibido utilizar os recursos para custear despesas permanentes com pessoal.
A principal exceção é a área da educação. Nesse caso, os recursos podem financiar despesas educacionais, incluindo o pagamento de professores da rede pública, especialmente os que atuam na educação básica em tempo integral.
A ANM ressalta que estados, Distrito Federal e municípios beneficiados devem divulgar anualmente a destinação dos valores recebidos. Além disso, pelo menos 20% da receita da CFEM deve ser aplicada em ações voltadas para:
A divulgação dessas informações deve seguir as regras da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). Os dados detalhados sobre a arrecadação e a distribuição da CFEM podem ser consultados no portal da ANM, enquanto o Banco do Brasil disponibiliza a consulta dos repasses efetuados às contas dos entes federativos.
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Baixar áudioA reforma tributária sobre o consumo deve ampliar a participação dos municípios e reduzir a dos estados na distribuição da arrecadação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) — tributo que substituirá gradualmente o ICMS, de competência estadual, e o ISS, de âmbito municipal.
Um estudo da Aequus Consultoria Econômica e Sistemas, compartilhado com o Brasil 61, indica que a participação dos estados na base de cálculo utilizada para distribuir a chamada parcela retida do IBS caiu de 67%, considerando a arrecadação de 2017 e 2018, para 64,4% no período de 2019 a 2025. No mesmo intervalo, a participação dos municípios passou de 33% para 35,6% e pode alcançar 36,2% em 2026, segundo dados preliminares.
Pela regra de transição estabelecida pela Lei nº 227/2026, a reforma prevê que uma parcela da arrecadação do IBS, denominada parcela retida, continuará sendo repartida segundo critérios baseados na distribuição histórica das receitas entre estados e municípios. A medida busca evitar mudanças bruscas na arrecadação dos entes federativos durante a transição para o novo modelo.
Segundo dados preliminares da Aequus Consultoria, a participação dos municípios na base de cálculo da parcela retida do IBS vem aumentando. Como essa base define a divisão dos recursos durante a transição, a tendência é de ampliação da fatia destinada às prefeituras e de redução da participação dos estados.
No modelo atual, a arrecadação do ICMS segue uma lógica híbrida, dividida entre:
Para reduzir a concentração de arrecadação nos estados produtores, foi criado o DIFAL (Diferencial de Alíquota), mecanismo que transfere parte da receita ao estado de destino da operação.
Por exemplo, em uma venda de São Paulo para Minas Gerais, aplica-se uma alíquota interestadual de 12%. Se a alíquota interna mineira for de 18%, São Paulo fica com os 12% da operação interestadual, enquanto Minas Gerais recebe a diferença de 6%.
Com a reforma tributária, essa lógica será substituída por um modelo integralmente baseado no destino. No novo sistema, a arrecadação do IBS pertencerá ao estado e ao município onde ocorrer o consumo do bem ou serviço.
Como essa mudança pode provocar perdas abruptas de arrecadação para alguns entes federativos, a legislação estabeleceu uma longa transição para a distribuição das receitas.
De acordo com a reforma tributária, haverá dois períodos distintos de transição: um para consumidores e empresas e outro para a distribuição das receitas entre estados e municípios.
Para consumidores e empresas, a transição ocorrerá entre 2029 e 2032, período em que o ICMS e o ISS serão reduzidos gradualmente, enquanto o IBS será implantado de forma progressiva:
Em 2033, o novo sistema entra em vigor integralmente, com a extinção do ICMS e do ISS e a aplicação da alíquota plena do IBS.
Mas, para estados e municípios — os entes arrecadadores do IBS — a mudança na distribuição dos recursos ocorrerá de forma mais lenta. A transição da repartição da arrecadação do IBS começará em 2029 e seguirá até 2078.
Durante esse período, uma parcela da receita do IBS será mantida na parcela retida, que continuará sendo distribuída conforme critérios baseados na participação histórica de estados e municípios na arrecadação dos tributos substituídos pelo novo imposto (ICMS e ISS).
Entre 2029 e 2032, a parcela retida corresponderá a 80% da arrecadação do IBS, enquanto os 20% restantes serão distribuídos pelas regras permanentes do novo modelo, segundo as quais a receita pertence ao estado e ao município onde ocorre o consumo do bem ou serviço.
A partir de 2033, quando o IBS substituir integralmente o ICMS e o ISS, a parcela retida passará a representar 90% da arrecadação e será reduzida gradualmente:
Em 2078, a parcela retida será extinta e 100% da arrecadação do IBS passará a ser distribuída pelas regras permanentes do novo sistema tributário.
O cálculo é decisivo porque a parcela retida continuará representando a maior parte da arrecadação do IBS até 2052. Nesse ano, 52% da receita do imposto ainda será distribuída com base nos critérios de transição, que consideram a participação histórica de estados e municípios na arrecadação dos tributos substituídos pela reforma.
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Baixar áudioA Agência Nacional de Mineração (ANM) distribuiu mais de R$ 461 milhões aos estados e municípios produtores de minerais. O montante corresponde à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) — os royalties da mineração — arrecadada em junho e repassada ao longo do mês de julho.
Do total, cerca de R$ 92 milhões foram destinados aos estados e ao Distrito Federal, enquanto os municípios receberam aproximadamente R$ 368 milhões.
Segundo a ANM, o estado que mais recebeu recursos foi Minas Gerais, com mais de R$ 42,6 milhões. Na sequência aparecem Pará, com cerca de R$ 34,2 milhões, e Goiás, com R$ 3,2 milhões.
Clique aqui para conferir o valor da CFEM distribuído para cada estado e município
Os maiores repasses da CFEM foram destinados aos seguintes municípios produtores:
Criada pela Constituição Federal de 1988, a CFEM é uma compensação financeira paga pelas empresas mineradoras aos estados, Distrito Federal e municípios como contrapartida pela exploração econômica dos recursos minerais em seus territórios.
A legislação determina que os valores não podem ser usados para o pagamento de dívidas, exceto aquelas contraídas com a União ou com entidades federais. Também é proibido utilizar os recursos para custear despesas permanentes com pessoal.
A principal exceção é a área da educação. Nesse caso, os recursos podem financiar despesas educacionais, incluindo o pagamento de professores da rede pública, especialmente os que atuam na educação básica em tempo integral.
A ANM ressalta que estados, Distrito Federal e municípios beneficiados devem divulgar anualmente a destinação dos valores recebidos. Além disso, pelo menos 20% da receita da CFEM deve ser aplicada em ações voltadas para:
A divulgação dessas informações deve seguir as regras da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). Os dados detalhados sobre a arrecadação e a distribuição da CFEM podem ser consultados no portal da ANM, enquanto o Banco do Brasil disponibiliza a consulta dos repasses efetuados às contas dos entes federativos.
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Baixar áudioO Senado aprovou um projeto de lei que limita a 5% a parcela que a União poderá reter dos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para quitar dívidas previdenciárias de estados e municípios. O Projeto de Lei (PL) 4.275/2021 segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
A proposta busca preservar a capacidade financeira dos entes federativos, garantindo recursos para a manutenção de serviços públicos como saúde, educação e infraestrutura, sem impedir o pagamento dos débitos previdenciários.
Segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), as retenções de recursos ultrapassaram R$ 5 bilhões em 2020 e 2021, afetando cerca de um quarto dos municípios brasileiros.
O projeto é de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE) e teve como relatora a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO). O parecer foi lido em Plenário pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS).
No relatório, a senadora afirma que a limitação das retenções é necessária diante dos impactos que esses descontos têm sobre a disponibilidade financeira de estados e municípios.
O FPE e o FPM são mecanismos pelos quais a União distribui parte da arrecadação de impostos aos estados e municípios. Esses recursos são uma das principais fontes de financiamento das administrações locais e ajudam a custear despesas em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Atualmente, quando um estado ou município possui dívidas previdenciárias com a União, parte dos repasses desses fundos pode ser retida para quitar os débitos.
Se o projeto for aprovado também pela Câmara dos Deputados e sancionado pelo presidente da República, esses descontos ficarão limitados a 5% do valor de cada repasse. A expectativa é evitar que retenções elevadas comprometam o caixa dos entes federativos, preservando sua capacidade de manter os serviços públicos enquanto as dívidas continuam sendo quitadas.
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Copiar o textoFormalmente, não há bitributação. O Supremo Tribunal Federal já assentou, no RE 228.800/DF e no RE 1.342.665/MG, que a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) não tem natureza tributária. É receita patrimonial originária da União, decorrente da exploração de bens públicos. O Imposto Seletivo é imposto. São coisas diferentes. Contudo, a distinção formal não paga a conta. Ela não muda o fato de que ambas as exações incidem sobre a mesma grandeza econômica, o faturamento bruto da venda do bem mineral. Some.
No minério de ferro, único mineral hoje na lista do Imposto Seletivo, a CFEM é de 3,5% e o IS, de 0,25%. Total: 3,75% sobre a receita bruta, antes de qualquer consideração sobre lucratividade. Se o Anexo XVII vier a ser ampliado por lei ordinária, o nióbio chegaria a 3,25% (3% de CFEM) e o lítio e as terras raras, a 2,25% (2% de CFEM). A isso acrescentem-se IRPJ, CSLL, IBS e CBS. O Fundo Monetário Internacional já advertiu, em estudo de referência sobre regimes fiscais de indústrias extrativas, que exações sobre receita bruta são particularmente nocivas na mineração. A razão é econômica, não ideológica. Trata-se de setor de capital intensivo, longa maturação e margens cíclicas. Tributo sobre lucro se ajusta ao ciclo. Tributo sobre faturamento incide igual na alta e na baixa, e é justamente na baixa que ele inviabiliza projetos marginais e mata a exploração de novas jazidas.
O Chile, que endureceu seu royalty mineral em 2023, entendeu isso. Aumentou a arrecadação sobre cobre e lítio, mas por meio de alíquotas progressivas sobre a margem operacional. Quem lucra muito paga proporcionalmente mais e quem lucra pouco continua viável. A Austrália foi além. O Minerals Resource Rent Tax incidia apenas sobre o lucro excedente e ainda assim foi revogado em 2014, por ser considerado insustentável do ponto de vista competitivo.
O Brasil escolheu o oposto. Cobrar de forma cega, sobre o faturamento, sem enxergar a margem. Há, ainda, uma dimensão federativa incômoda. A CFEM é repartida, 60% aos municípios produtores, 15% aos estados, 15% aos municípios afetados, 10% à União. O Imposto Seletivo é federal e não tem qualquer vinculação com a compensação dos impactos locais. Quem convive com a mina, com a pressão sobre a infraestrutura e com o passivo ambiental são o município e o estado produtores. Quem arrecada o novo imposto é a União. Cria-se, assim, um tributo cobrado em nome do meio ambiente cujo produto não retorna ao território que suporta o impacto ambiental. É difícil sustentar que isso seja extrafiscalidade. (Por Henrique Costa de Seabra, advogado, sócio do Seabra Advogados, mestre em Direito pela Faculdade Milton Campos e doutorando em Direitos Difusos e Coletivos pela PUC-SP, com ênfase em Direito Minerário e Ambiental).
Copiar o textoO planeta já sabe como remover carbono da atmosfera. Faz isso há milhões de anos, em silêncio, por meio do intemperismo de rochas silicatadas — processo pelo qual minerais se dissolvem em contato com água e solo, liberando cátions que capturam dióxido de carbono e o transportam, na forma de bicarbonato, até os oceanos. O desafio que a startup brasileira Terradot se propôs a resolver é aparentemente simples de enunciar e extraordinariamente complexo de executar: comprimir esse ciclo geológico de milhões de anos para a escala de uma safra agrícola — e provar, com rigor científico, que a captura aconteceu.
A empresa tem quatro anos de existência, opera comercialmente em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, mantém projetos de pesquisa e desenvolvimento no Maranhão e no Rio Grande do Sul e, recentemente, expandiu sua atuação para os Estados Unidos com a aquisição de uma concorrente americana. Em entrevista exclusiva à Brasil Mineral, a equipe da Terradot apresentou o modelo de negócio, a arquitetura científica por trás da tecnologia e, sobretudo, o papel central que o setor de mineração ocupa nessa equação.
O ponto de partida da Terradot é uma constatação que incomoda boa parte do mercado de carbono: a maioria das soluções de remoção disponíveis hoje não é permanente. Reflorestamento, por exemplo, captura carbono enquanto a floresta existe — mas o estoque pode ser revertido por incêndio, seca ou mudança de uso do solo.
"Se a gente está colocando uma tonelada de CO₂ no ar, isso é um passivo permanente, então a gente vai precisar de uma solução que consegue capturar esse carbono de forma permanente", afirmou Julia Sekula, CEO da Terradot. "Infelizmente muitas das soluções, que são muito boas, que a gente mais conhece no Brasil, por exemplo, reflorestamento, trazem uma série de benefícios em termos de biodiversidade, mas não capturam o carbono de forma permanente. Elas não resolvem justamente essa equação: se o nosso passivo é permanente, o nosso ativo tem que ser permanente."
Foi buscando uma resposta para essa equação que a empresa chegou ao intemperismo acelerado de rocha — ou intemperismo avançado, como também é chamado na literatura científica. A natureza, argumenta Sekula, já oferece o modelo. A Terradot o operacionaliza.
Laísa de Assis Batista, geóloga e responsável pela coordenação científica da empresa, explica que o processo se apoia em um mecanismo geoquímico já bem estabelecido. As rochas silicatadas — especialmente basaltos — são ricas em minerais como olivinas, feldspatos e piroxênios. Quando moídas em granulometria fina e aplicadas ao solo agrícola, essas rochas interagem com a água da chuva e com o sistema hidrológico local, dissolvendo-se e liberando cátions alcalinos.
"Estamos interessados nos elementos alcalinos: sódio, magnésio e cálcio principalmente", explicou Laísa. "Cada um desses óxidos, no que é solubilizado na solução ali, no ambiente do solo, vai ter o potencial de capturar duas moléculas de carbono para cada molécula de óxido que liberamos do silicato."
O mecanismo de permanência está no destino desse carbono capturado. O CO₂ atmosférico é convertido em bicarbonato, que migra pelo sistema hidrológico até os oceanos, onde fica sequestrado — seja dissolvido na água do mar, seja precipitado na forma de conchas. É esse caminho que confere ao processo a característica de captura permanente, diferenciando-o de outras metodologias.
A analogia com práticas agrícolas já existentes é intencional e estratégica. "É muito semelhante com o que acontece hoje, por exemplo, com o espalhamento de calcário, com o espalhamento de fertilizante no campo", comparou Laísa. "Você tem aquela área, aquele solo, quer melhorar a saúde do solo, e então aplica aquele material para interagir ali, fazer o melhoramento do solo, aumentar a capacidade de nutrientes."
A combinação de fatores que torna o Brasil especialmente adequado para o intemperismo acelerado não é coincidência geológica — é uma vantagem estrutural que a Terradot identificou como central em sua estratégia.
O primeiro elemento é geológico. A Bacia do Paraná abriga os derrames basálticos que formam o terceiro maior depósito basáltico do mundo. "Se a gente for comparar com os outros dois: o primeiro são as armadilhas na Sibéria, que é um lugar super frio, então não é tão adequado para o favorecimento do processo de intemperismo; e na Índia, que são as Deccan Traps, que já é um basalto mais alterado", contextualizou Laísa. O basalto da Bacia do Paraná, rico em cálcio e magnésio, está inserido em uma das maiores áreas agrícolas do planeta — o que elimina o problema logístico de distância entre fonte e ponto de aplicação.
O segundo fator é industrial e regulatório. O Brasil possui uma cultura consolidada de remineralização de solos, com produção de pó de rocha regulamentada pelo Ministério da Agricultura desde a década de 1980. A instrução normativa dos remineralizadores estabelece granulometria abaixo de dois milímetros, exatamente a faixa mais favorável ao processo de intemperismo acelerado. "Existe uma produção em escala desse pó de rocha fino, e isso é uma característica nacional", ressaltou a geóloga.
A arquitetura comercial da Terradot envolve três elos principais: as pedreiras e mineradoras fornecedoras de rocha, os produtores rurais que recebem o material aplicado em suas áreas, e as grandes empresas compradoras de créditos de carbono — hoje, principalmente corporações de tecnologia como Microsoft e Google.
O produtor rural ocupa posição singular nessa cadeia: ele não paga pelo insumo. Ao contrário, recebe gratuitamente o pó de rocha, que atua como corretivo de solo, reduzindo a acidez de maneira análoga ao calcário. Em contrapartida, cede à Terradot os direitos de amostragem e monitoramento necessários para a geração e certificação dos créditos de carbono.
"O produtor não paga para receber essa rocha", confirmou Julia Sekula. "A gente faz a aplicação do pó de rocha em sua área, em troca ele dá para nós os direitos de fazer toda a amostragem que a gente precisa para então poder gerar o crédito de carbono e vender esse crédito para as grandes compradoras. Os contratos que temos com as empresas de tecnologia nos ajudam a financiar todo esse processo."
Sekula acrescentou que a economia gerada para o produtor pode representar cerca de 10% do custo de produção — número relevante em um setor que atravessa anos de pressão sobre margens.
Do lado das mineradoras, a relação é de compra e venda convencional. A Terradot adquire o pó de rocha — historicamente um subproduto sem destinação adequada — e assume os custos de transporte, aplicação e monitoramento. "As pedreiras de basalto têm um core business voltado para a produção de agregados para o mercado de construção civil. Inevitavelmente, essa produção de agregados gera finos", explicou Fabrício Pinheiro, estrategista de mineração da empresa. "No passado, esses finos acabavam sendo um passivo para eles, um material que ficava estocado e não tinha uma destinação."
Fabrício Pinheiro tem longa trajetória no setor mineral e é o responsável por mapear e desenvolver as parcerias com pedreiras e mineradoras. Sua leitura sobre o momento atual do setor é direta: há um desconhecimento generalizado sobre o potencial dessa tecnologia dentro da própria indústria.
"No ano passado estive na Exposibram e é uma ciência que ainda é muito desconhecida dentro da área de mineração", relatou. "Acho que é importante a gente apresentar, trazer esse conhecimento para o setor de mineração, que existe uma possibilidade de ter um viés totalmente diferente do que só ter aquela visão muito ainda de que minerais e rochas não têm só essa pegada industrial, mas também pode ter esse caminho de ação ambiental."
A Terradot enxerga potencial além das pedreiras de basalto. A empresa avalia o uso de outros subprodutos minerais, como rejeitos de lavra e escórias industriais. "A gente também tem um caminho de estudo e avaliação de outros subprodutos de mineração para também dar essa destinação para o intemperismo acelerado", confirmou Pinheiro.
A questão da verificação é o ponto mais sensível de toda a cadeia — e onde reside o diferencial competitivo da Terradot. Sem comprovação robusta, não há crédito de carbono. E sem crédito, não há receita.
O protocolo de monitoramento desenvolvido pela empresa é essencialmente geoquímico e se estende por até cinco anos após a aplicação. Antes de qualquer intervenção, a equipe realiza uma caracterização completa do baseline: composição do solo, assinatura geoquímica das drenagens e composição detalhada do pó de rocha a ser utilizado. Após a aplicação, amostragens sistemáticas rastreiam a evolução das concentrações de cátions no solo, na água e nas plantas.
"Eu sei qual é a composição do meu basalto, qual a composição do meu solo naquela área, qual é a composição dos dois misturados e, conforme o intemperismo vai acontecendo, sei que vou ter um empobrecimento nos cátions que estou contando para gerar essa exportação de carbono", detalhou Laísa. "Então é essa mudança de sinal que vou pegando com o tempo e, pelo balanço estequiométrico de massa entre essas diferentes fases, consigo mostrar a remobilização dos cátions e essa captura do dióxido de carbono."
A amostragem de plantas é componente essencial do protocolo. Parte dos cátions liberados pelo intemperismo é absorvida pela cultura, e essa fração precisa ser descontada do cálculo de captura de carbono para evitar superestimativas. "A gente pega também as amostras de planta, porque precisamos saber quanto desses cátions, quanto dessa geoquímica que colocamos no solo, está sendo incorporado pela planta, para também não superquantificarmos o carbono que estamos capturando", explicou a geóloga.
Em termos de preferência de área, a empresa favorece solos arenosos levemente ácidos. A porosidade facilita a exportação de bicarbonato para o sistema hidrológico, acelerando a resposta mensurável. Mas o protocolo pode ser adaptado a outras condições. O portfólio atual da Terradot inclui áreas de pastagem, cana-de-açúcar, soja e milho.
Quando a conversa chegou ao potencial de escala da tecnologia no Brasil, os números apresentados são expressivos — e acompanhados dos devidos asteriscos científicos.
Estudos acadêmicos independentes estimam que o Brasil tem potencial de remover uma gigatonelada de carbono por ano por meio do intemperismo acelerado. Para contextualizar: o País emite aproximadamente 2,4 gigatoneladas de CO₂ equivalente por ano. O processo poderia, em tese, neutralizar quase metade das emissões nacionais.
Em termos de volume de rocha, Julia Sekula esboçou um cálculo preliminar: "Se você pega essa gigatonelada e pensa só em basalto, para gerar uma tonelada de captura de carbono, você tem que aplicar mais ou menos 4 a 5 toneladas de basalto. São 5 bilhões de toneladas." Rochas com maior concentração de minerais reativos reduzem essa relação — de 1 para 4 para algo próximo de 1 para 2 ou mesmo 1 para 1 —, o que altera significativamente o volume necessário.
A CEO reconhece que o número bruto da gigatonelada carrega simplificações. "A gente colocaria um asterisco e falaria: esse número provavelmente não é tudo isso, mas dá um indicativo de dimensão", ponderou Sekula. A lógica de distribuição geográfica reforça essa ressalva: com mais de mil pedreiras ativas no Brasil, cada uma delas representando um raio potencial de aplicação, a soma fragmentada pode ser expressiva — mas dificilmente atingirá o limite teórico calculado em escala nacional.
O mercado comprador dos créditos gerados pelo intemperismo acelerado ainda é predominantemente voluntário. As grandes empresas de tecnologia globais lideram as aquisições, motivadas por metas de descarbonização e por exigências crescentes de seus investidores e reguladores. O valor desses créditos é significativamente superior ao de créditos convencionais, precisamente pela permanência da captura e pelo rigor científico exigido para sua certificação.
Mas o horizonte regulatório está se redesenhando rapidamente. "A União Europeia saiu com uma definição muito clara de que o mercado de emissões local vai aceitar a remoção permanente de carbono", apontou Sekula. "Então em breve esse mercado também vai ser um mercado regulado em algumas jurisdições."
Essa perspectiva transforma o intemperismo acelerado de uma solução de nicho voluntário em um instrumento potencial de compliance regulatório — o que tende a ampliar substancialmente a demanda e a base de compradores ao longo da próxima década.
A Terradot representa, em essência, uma proposta de reposicionamento do setor mineral brasileiro. Pedreiras que hoje enxergam o pó de basalto como um passivo operacional — custo de armazenamento, sem receita — são convidadas a enxergá-lo como a matéria-prima de um mercado emergente e de alto valor agregado.
Mas o caminho exige investimento. Fabrício Pinheiro destacou que o desenvolvimento de equipamentos com capacidade e escalabilidade adequadas para a produção de finos com granulometria compatível é um dos grandes desafios técnicos do setor. A demanda por pó de rocha fino em volumes industriais, caso a tecnologia se consolide na escala projetada pelos estudos acadêmicos, exigirá adaptações significativas nos processos produtivos das pedreiras — e pode abrir uma nova fronteira de negócios para fabricantes de equipamentos de beneficiamento.
A mensagem que a Terradot leva ao setor mineral é, no fundo, uma inversão de narrativa: a mineração, frequentemente posicionada como antagonista nas discussões sobre clima, pode se tornar protagonista de uma das soluções mais escaláveis e permanentes de captura de carbono já identificadas pela ciência. O pó que sobra do britador pode ser, literalmente, a resposta que o planeta está procurando. (Exclusivo Brasil Mineral)
Copiar o textoO Ministério Público Federal (MPF) comunicou, no dia 17 de julho, que apresentou uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Mineração (ANM) com base em investigação feita a partir do relatório produzido pelo Greenpeace Brasil. O documento ‘Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude’, publicado pelo Greenpeace Brasil em julho, aponta graves falhas na fiscalização da ANM e revela como as Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) têm sido usadas para dar aparência legal ao ouro extraído ilegalmente da Amazônia, inclusive de Terras Indígenas (TI) e Unidades de Conservação (UC).
O Greenpeace analisou187 processos minerários no Pará, Mato Grosso e Rondônia por cerca de um ano, dos quais 98 PLGs apresentaram irregularidades e concentraram 25,3 toneladas de ouro declarado, o que equivale a R$ 18,4 bilhões entre 2018 e 2026. Com base nessas informações, a ação do MPF pede que o Poder Judiciário determine que a ANM crie um grupo de trabalho para elaborar estudos para uma nova regulamentação do regime de PLG, fechando as brechas que permitem a lavagem de ouro ilegal. Além disso, requer que a ANM reavalie e suspenda cautelarmente todas as PLGs irregulares, acionando os órgãos como a Polícia Federal nos casos de indícios de crimes. “Esta ação é crucial para enfrentar uma omissão sistêmica da ANM que há anos alimenta a lavagem de ouro na Amazônia. Trata-se de uma oportunidade histórica para corrigir as falhas regulatórias nas PLGs e fechar o cerco contra o garimpo ilegal no Brasil. Espera-se que o Poder Judiciário assegure a efetividade do dever constitucional de proteção ambiental, determinando a adoção das medidas necessárias para coibir esse cenário de ilegalidade. A ação representa um passo essencial para a garantia do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e do pleno respeito aos direitos constitucionalmente assegurados aos povos indígenas e seus territórios”, explica Daniela Jerez, advogada do Greenpeace Brasil.
O relatório identificou dois padrões de fraude: os garimpos fantasmas, em que áreas com PLG declaram grandes volumes de produção de ouro, mas imagens de satélite e sobrevoos de validação mostram a floresta intacta, sem qualquer sinal de atividade garimpeira; e os garimpos em escala industrial, em que um mesmo grupo obtém múltiplas PLGs em áreas vizinhas e opera como se fossem uma única mina, escapando das exigências de licenciamento ambiental mais rigoroso. Segundo o Greenpeace, o esquema existe, pois a própria legislação deixou uma brecha estrutural: o titular da PLG é quem declara quanto ouro extraiu, sem que haja qualquer parâmetro técnico para verificar se o volume declarado é compatível com o potencial real da área. A ANM, por sua vez, admitiu ao MPF que não fiscaliza a comercialização do ouro e conta com apenas 120 servidores para atuar em todo o território nacional. O relatório aponta ainda que, mesmo após a decisão do STF, em março de 2025, que derrubou a chamada “presunção de boa-fé” no comércio do metal, os mecanismos de lavagem continuam operando, o que reforça a urgência das medidas regulatórias cobradas na ação.
Copiar o textoOs municípios brasileiros recebem, nesta quinta-feira (30), R$ 5,1 bilhões referentes ao terceiro decêndio de julho do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O montante é cerca de 9% superior ao repassado no mesmo período de 2025, quando a transferência foi de R$ 4,6 bilhões.
O especialista em orçamento público Cesar Lima explica que os repasses mantêm uma trajetória de crescimento. No entanto, ele destaca que o resultado positivo foi impulsionado pelo desempenho da economia no primeiro trimestre e pelo cenário internacional, que elevou os preços do petróleo.
“Muito propiciado pela alta do PIB neste primeiro trimestre e também por um processo inflacionário, que temos visto no contexto internacional, por conta da alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Um resultado que vem seguindo positivo, realmente temos que tirar esses eventos adversos desse valor, mas muito provavelmente ainda teremos o resultado positivo retirando a inflação em relação ao ano passado. Uma vez que a inflação hoje está na casa dos 5% previsto para o final no final do ano. Então, teremos ainda um resultado positivo em relação ao ano de 2025”, destaca.
O FPM é integrado por parcelas da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os recursos são divididos entre os municípios seguindo coeficientes definidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU), calculados especialmente com base na população de cada cidade, conforme dados oficiais.
São Paulo concentra o maior volume de recursos neste terceiro decêndio de junho, com aproximadamente R$ 634,7 milhões. Entre os municípios paulistas com os maiores repasses estão Americana, Carapicuíba e Santa Rita do Passa Quatro, cada um com valores superiores a R$ 2,7 milhões
Na sequência aparece Minas Gerais, com cerca de R$ 631,2 milhões. No estado, Divinópolis, Governador Valadares e Juiz de Fora estão entre os municípios que recebem os maiores valores, todos acima de R$ 2,9 milhões.
Até o dia 26 de julho de 2026, 16 municípios estavam impedidos de receber recursos do FPM. Confira a lista:
De acordo com o Tesouro Nacional, os bloqueios podem ocorrer por razões distintas, como a falta de recolhimento da contribuição ao Pasep, pendências previdenciárias junto ao INSS, débitos inscritos na dívida ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a ausência de envio de informações ao Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS).
Os repasses ficam suspensos de forma temporária. Após a regularização da pendência pelo município, a transferência dos recursos é restabelecida. O dinheiro do FPM costuma ser utilizado no financiamento de áreas como saúde, educação, infraestrutura e pagamento de pessoal.
Os repasses do Fundo de Participação dos Municípios são feitos a cada dez dias. Quando a data prevista coincide com fim de semana ou feriado, o crédito é antecipado para o primeiro dia útil anterior.
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Baixar áudioOs municípios brasileiros recebem, nesta quinta-feira (30), R$ 5,1 bilhões referentes ao terceiro decêndio de julho do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O montante é cerca de 9% superior ao repassado no mesmo período de 2025, quando a transferência foi de R$ 4,6 bilhões.
O especialista em orçamento público Cesar Lima explica que os repasses mantêm uma trajetória de crescimento. No entanto, ele destaca que o resultado positivo foi impulsionado pelo desempenho da economia no primeiro trimestre e pelo cenário internacional, que elevou os preços do petróleo.
“Muito propiciado pela alta do PIB neste primeiro trimestre e também por um processo inflacionário, que temos visto no contexto internacional, por conta da alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Um resultado que vem seguindo positivo, realmente temos que tirar esses eventos adversos desse valor, mas muito provavelmente ainda teremos o resultado positivo retirando a inflação em relação ao ano passado. Uma vez que a inflação hoje está na casa dos 5% previsto para o final no final do ano. Então, teremos ainda um resultado positivo em relação ao ano de 2025”, destaca.
O FPM é integrado por parcelas da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os recursos são divididos entre os municípios seguindo coeficientes definidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU), calculados especialmente com base na população de cada cidade, conforme dados oficiais.
São Paulo concentra o maior volume de recursos neste terceiro decêndio de junho, com aproximadamente R$ 634,7 milhões. Entre os municípios paulistas com os maiores repasses estão Americana, Carapicuíba e Santa Rita do Passa Quatro, cada um com valores superiores a R$ 2,7 milhões
Na sequência aparece Minas Gerais, com cerca de R$ 631,2 milhões. No estado, Divinópolis, Governador Valadares e Juiz de Fora estão entre os municípios que recebem os maiores valores, todos acima de R$ 2,9 milhões.
Até o dia 26 de julho de 2026, 16 municípios estavam impedidos de receber recursos do FPM. Confira a lista:
De acordo com o Tesouro Nacional, os bloqueios podem ocorrer por razões distintas, como a falta de recolhimento da contribuição ao Pasep, pendências previdenciárias junto ao INSS, débitos inscritos na dívida ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a ausência de envio de informações ao Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS).
Os repasses ficam suspensos de forma temporária. Após a regularização da pendência pelo município, a transferência dos recursos é restabelecida. O dinheiro do FPM costuma ser utilizado no financiamento de áreas como saúde, educação, infraestrutura e pagamento de pessoal.
Os repasses do Fundo de Participação dos Municípios são feitos a cada dez dias. Quando a data prevista coincide com fim de semana ou feriado, o crédito é antecipado para o primeiro dia útil anterior.
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Levantamento da Abcon Sindcon aponta expansão das concessões e parcerias, com mais de R$ 177 bilhões em investimentos contratados no setor.
Documento aprovado orienta políticas públicas de desenvolvimento urbano, com foco em habitação, mobilidade, saneamento, sustentabilidade e clima
Boletim da Fiocruz indica redução de casos graves associados ao VSR e às influenzas A e B, mas alerta para a necessidade de vacinação e manutenção dos cuidados preventivos
Boletim da Fiocruz mostra redução das internações por vírus sincicial respiratório, enquanto influenza A também perde força entre adultos e idosos
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A carcaça suína especial apresenta estabilidade de preço nos atacados da Grande São Paulo, onde o quilo custa R$ 8,22
O preço do boi gordo teve declínio de 0,14% nesta sexta-feira (31). Em São Paulo, a arroba é negociada a R$ 346,90.
No mercado de frango, os valores apresentam declínio na Grande São Paulo, em São José do Rio Preto e em Descalvado. O quilo do frango congelado é vendido a R$ 7,14 e o frango resfriado a R$ 7,16.
A carcaça suína especial também apresenta estabilidade de preço nos atacados da Grande São Paulo, onde o quilo custa R$ 8,22.
Entre os estados analisados, o suíno vivo registra o menor preço no Paraná, onde o animal é comercializado a R$ 4,59.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Viviane Bessa
O preço do café arábica abre esta sexta-feira (31) com baixa de 0,88%, com a saca de 60 kg negociada a R$ 1.746,47 na cidade de São Paulo.
O café robusta também teve aumento de 0,11%, sendo comercializado a R$ 1.080,81.
O preço do açúcar cristal apresenta declínio de 0,57% na capital de São Paulo. A saca de 50 kg é cotada a R$ 92,40.
Em Santos (SP), houve declínio de 1,38%, e a mercadoria é negociada a R$ 105,06 na média de preços sem impostos.
A saca de 60 kg do milho, por sua vez, é vendida a R$ 65,30 após declínio de 0,05%.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Viviane Bessa
A saca de 60 quilos da soja inicia sexta-feira (31) em baixa no interior do Paraná e na região litorânea de Paranaguá.
No mercado paranaense, o grão apresenta declínio de 0,85%, com a saca negociada a R$ 137,82. Em Paranaguá, o declínio foi de 1,04%, levando a cotação para R$ 145,29.
O trigo tem declínio de preço no Rio Grande do Sul e estabilidade no Paraná.
No Paraná, a tonelada do cereal é comercializada a R$ 1.405,91. No Rio Grande do Sul, o produto é vendido a R$ 1.321,88.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Viviane Bessa