Sustentabilidade

26/05/2022 11:05h

É o que defende a relatora projeto de lei 2148/2015, Carla Zambelli (PL-SP). Entre outros pontos, a proposta estabelece redução de tributos para produtos adequados à economia verde de baixo carbono

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Não desmatar se tornará uma garantia de mais recursos econômicos. É o que afirma a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), ao defender o Mercado Regulado de Carbono. A parlamentar é relatora do projeto de lei 2148/2015, que, entre outros pontos, estabelece redução de tributos para produtos adequados à economia verde de baixo carbono. Segundo a parlamentar, a medida contribuirá, inclusive, para o Brasil atingir a meta de redução de gases de efeito estufa. 

“Temos mais de 23 milhões de pessoas na faixa de pobreza na região amazônica, e muitos deles veem no desmatamento uma forma de sobrevivência e de busca de recurso. Precisamos encontrar uma outra forma de essas pessoas buscarem recurso. Se conseguirmos reduzir o desmatamento, já entramos na missão de reduzir em 50% as emissões para 2030, que é nossa meta, e neutralidade de gases de efeito estufa para 2050”, destaca. 

Ainda segundo a Carla Zambelli, o Mercado Regulado de Carbono precisa tornar-se uma realidade, já que apresenta vantagens significativas sobre o chamado mercado voluntário, que não conta com estrutura de regulação e não é capaz de mobilizar os recursos necessários para financiar a modernização das atividades produtivas. 

“Se a área, por exemplo, for de uma concessão florestal, a parte virgem, que precisa continuar dessa forma, pode entrar no mercado voluntário de carbono, no qual a tonelada de crédito de carbono gira em torno de 25 euros no mercado internacional. No mercado regulado, ela custa 100 euros, ou seja, quatro vezes mais caro”, afirma. 

No mercado regulado, a lei estabelece os limites de emissão. Enquanto o modelo voluntário, já adotado por algumas companhias do país, busca atender a demanda por créditos de carbono de empresas e indivíduos que escolhem neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa.  

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Direito da Energia e do Meio Ambiente (ABDEM), Alexandre Sion, a demora na aprovação de medidas voltadas à regulação do mercado de carbono faz com que o Brasil se torne coadjuvante em uma discussão que deveria ter protagonismo. “Além de fomentar a economia de baixo carbono, o desenvolvimento do mercado regulado nacional daria condições para que o país se posicionasse melhor no mercado internacional”, pontua.  

O projeto de lei conta com outras propostas apensadas. Entre elas, está o PL 528/2021, que cria o Sistema Brasileiro de Registro e Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa.  

Origem do mercado de carbono 

Os mercados de carbono passaram a ganhar mais ênfase em todo o mundo desde a assinatura, por países da ONU, do Protocolo de Kyoto, em 1997. O acordo entre as nações estabeleceu a meta de que países desenvolvidos deveriam diminuir em 5,2% suas emissões de gases que provocam o chamado efeito estufa. A redução deveria ocorrer até 2012.

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Já em 2015, com a assinatura do Acordo de Paris, as metas foram renovadas e passaram a contar com incentivos à iniciativa privada. Até então a regulamentação desses pontos estava em discussão, que se tornaram resoluções apontadas na COP26, em Glasgow, na Escócia.  
 

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20/05/2022 18:06h

Apoiada pelo Governo federal, capacitação forma profissionais para atuação na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF). Primeira turma está finalizando a formação, com foco na geração de novos negócios no setor. Ação integra a Rota da Economia Circular

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O Ministério do Desenvolvimento Regional, o MDR, está apoiando a formação de profissionais para atuarem na gestão de resíduos sólidos e energias renováveis no Distrito Federal e Entorno. A primeira turma de um curso nesta área vai se formar em breve. A ação tem como parceiro o Instituto Federal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Brasília, o IFB.

A capacitação faz parte das atividades da Rota da Economia Circular, que integra a Estratégia Rotas de Integração Nacional. O coordenador da Rota, Luiz Paulo de Oliveira Silva, explica como funciona a iniciativa. "Essa Rota foi concebida como uma das estratégias das Rotas de Integração Nacional para atender uma demanda da nova economia, no sentido de produzir de uma forma não agressiva e sustentável ao meio ambiente, utilizando resíduos que normalmente são descartados e, também, por meio da utilização de energias renováveis."

Além de capacitar 40 profissionais para o mercado de trabalho, o curso também estimula que os alunos criem startups com foco no desenvolvimento de soluções para a gestão de resíduos sólidos. 

Ao todo, o curso conta com 170 horas de aula nos campi do IFB em Brasília, Planaltina, Samambaia e São Sebastião, todos no Distrito Federal. Os alunos também receberam instrução nas áreas de economia circular, meio ambiente, energias renováveis, impactos dos resíduos sólidos, gestão de processos, biodigestores e empreendedorismo.

 

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Economia
01/05/2022 18:30h

Para Patrícia Guarnieri, doutora em engenharia de produção e especialista em economia circular, o formato atual de consumo e produção é insustentável. Ela diz que o país ainda carece de uma legislação em torno do tema

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O decreto do Governo Federal que cria o Certificado de Crédito de Reciclagem, o Recicla +, sinaliza que o Brasil está no caminho certo quando se fala em incentivar a chamada economia circular. No entanto, o país tem que acelerar a transição para esse novo modelo de produção e consumo se não quiser ficar para trás em relação aos países mais desenvolvidos. 

A avaliação é de Patrícia Guarnieri, doutora em engenharia de produção pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com pós-doutorado em economia circular na Università di Bologna, Itália. Ela é entrevistada para responder: afinal, o que é economia circular e por que é importante o Brasil incentivá-la?

Confira a entrevista: 

Brasil61: O que é economia circular? 

Drª Patrícia Guarnieri: “A economia circular é um novo modelo de produção e consumo focado mais em sustentabilidade, que vem em contraposição à economia linear, que era baseado na extração de recursos naturais, manufatura,  transformação desses recursos em produtos e depois o uso pelo consumidor e descarte em aterros sanitários, enfim. Então, é uma visão ali do berço ao túmulo, onde o berço é o meio ambiente e o túmulo também é o meio ambiente.  Só que a gente tem vários problemas com esse modelo, que é insustentável. Primeiro, porque a gente não tem espaço para descartar tantos resíduos, que estão aumentando, e isso faz com que os locais para descarte de resíduos se tornem exauridos, além, é claro, de você jogar no lixo um recurso que poderia ser reaproveitado, revalorizado em outros produtos.”

Brasil61: A alternativa, então, é mudar a lógica por trás do processo de produção?

Drª Patrícia Guarnieri: “A economia circular tem esses conceitos de extração, manufatura, transformação [do recurso em produto], consumo e, depois, aquele resíduo que seria descartado pelo consumidor, colocado em um aterro sanitário ou incinerado, retorna como um novo produto. Então, ele serve como matéria-prima reciclada e, muitas vezes, não-reciclada, utilizada em novos produtos, em novos ciclos produtivos ou até no mesmo ciclo produtivo.”

Brasil61: Ou seja, Drª Patrícia, para funcionar, a economia circular precisa ser planejada desde o design do produto, tanto para desmontar, quanto para reciclar o item? 

Drª Patrícia Guarnieri: “Você substitui matérias-primas que podem ser danosas ao meio ambiente, que depois não têm um índice muito legal de reciclagem, por aquelas matérias-primas que têm um índice maior de reciclagem, que podem se transformar em novos produtos. Também pensa num aumento do ciclo de vida do produto, para que ele não tenha uma obsolescência tão acentuada.”

Brasil61: Qual a relação entre a economia circular e a reciclagem?

Drª Patrícia Guarnieri: “Então, quando a gente pensa em economia circular muitas pessoas já se remetem ao conceito de reciclagem, mas a reciclagem em si ela é um das possibilidades, lógico, mas não é a possibilidade mais valorizada, digamos assim, porque quando você recicla, você tem que passar por um processo industrial de novo. Então, é lógico que é uma possibilidade, mas assim, você tem várias outras. Então, o primeiro, na prioridade ali, na hierarquia, da sustentabilidade, é sempre a redução, depois a reutilização e aí você tem a questão da reciclagem, recondicionamento, manufatura, compostagem e até mesmo a incineração para geração de energia. 

Brasil61: E qual o papel da inovação para a economia circular?

Drª Patrícia Guarnieri: “A inovação pode ser disruptiva e mais radical, no sentido de você elaborar um produto totalmente novo. Você tem, por exemplo, resíduos que tem o valor bem inferior e que muitas vezes voltam com produtos com bastante valor. Quando você, por exemplo, pega câmaras de pneus de bicicleta e faz bolsas, cintos, artigos para indústria de acessórios, e que têm um valor super bacana. Acaba se criando novos nichos de mercado, novos produtos, novas indústrias para lidar com esse processo. E tem inovações que talvez não sejam tão radicais, que são mais incrementais: quando você inova no design do produto para que ele seja mais sustentável; para que ele tenha um ciclo de vida maior; para que ele troque algum material e que esse material seja reciclado no final do processo; ou pra que, simplesmente, se reduza o uso de recursos durante a fabricação daquele produto”. 

Brasil61: Como está o Brasil na transição para esse tipo de economia, em relação a outros países?

Drª Patrícia Guarnieri: “O Brasil ainda tem muito a caminhar pra dizer que está trabalhando para essa transição para a economia circular. Inclusive, no mês de fevereiro agora, foi lançada uma coalizão dos países da América Latina para viabilizar a transição para a economia circular. Infelizmente, não tem representantes pro Brasil. Então, assim, isso faz com que a gente fique um pouco pra trás de todo o movimento que está acontecendo globalmente.”

Brasil61:  E o que pode ser feito para incentivar essa proposta?

Drª Patrícia Guarnieri: “A ideia principal, digamos assim, da economia circular, é mudar o design do produto. É uma ideia um pouco mais disruptiva. Pra gente conseguir realmente caminhar rumo a essa transição, o Brasil precisa de alguma legislação que incentive as empresas, inclusive os consumidores, enfim, todos os envolvidos. Só citar duas legislações que não necessariamente estão ligadas diretamente à economia circular mas podem influenciar, primeiro, a Lei 12305/2010, que é a lei da política nacional de resíduos sólidos. Então essa lei, apesar dela não ser sobre economia circular, ela é uma lei que contribui para essa transição, porque ela tem princípios da sustentabilidade envolvidos nessa hierarquia que eu te falei da questão de redução, reutilização, recondicionamento, manufatura, enfim, reciclagem. Então, a política nacional ela tá estabelecendo algum ambiente favorável, digamos assim, tanto para indústria, como também para outros segmentos de empresas e organizações pra caminhar rumo à economia circular. Outra legislação que foi sancionada em dezembro de 2021, mais recente, estabeleceu o incentivo da indústria da reciclagem também, criou o fundo de apoio pra ações voltadas para a reciclagem, que é o Favorecicle e também fundos de investimento para projetos de reciclagem, que é o Prorecicle. Isso também ajuda, incentiva as empresas e os governos para que ocorra uma motivação extra reciclagem. ” 

Brasil61: E a indústria? Qual o papel dela para que a produção e o consumo sejam mais sustentáveis?

Drª Patrícia Guarnieri: “A indústria tem um papel essencial no sentido de promover o retorno do resíduo para que ele possa ser reinserido no processo produtivo dela própria como, também, em outros processos produtivos. É na indústria que surgem as principais iniciativas de inovação. Então a indústria vai ter que olhar pra dentro e analisar o seu produto e verificar formas de inovar para que possa fazê-lo de uma forma mais adequada, para que gere menos resíduos lá na ponta, menos recursos energéticos.”

Brasil61: Acredita que as empresas que já adotam a economia circular como parte de seu modelo de negócios vão sair na frente na preferência dos consumidores mais exigentes a médio e longo prazo? 

Drª Patrícia Guarnieri:  Sem dúvida, Felipe. Inclusive a gente já vê várias iniciativas isoladas acontecendo no Brasil. Quando eu falo que o Brasil tem muito a caminhar, eu digo mais no nível institucional. Tem várias indústrias já fazendo o dever de casa e sendo proativas no sentido de não esperar uma política pública ou uma legislação para realmente implementar economia circular. Eu acredito que essas que forem mais proativas e não forem simplesmente reativas no sentido de esperar que isso seja exigido delas, sem dúvidas vão ganhar em imagem corporativa, porque a gente tem que pensar que nós temos hoje um nicho de mercado de consumidores sustentáveis. Eu eu tenho feito muitas pesquisas e a gente vê que existe esse perfil de consumidor que se importa realmente com empresas que têm essa postura mais sustentável e também adotam a economia circular. Se a empresa já adota isso de uma forma proativa antes das exigências, que venham tanto de fornecedores como também do governo e organizações de controle, sem dúvida ela vai ficar mais preparada, vai sair na frente, ganha competitividade, ganha em imagem corporativa, tanto em termos ambientais, como também de diferenciação. Então, sem dúvida as empresas ganham muito em competitividade ao adotar a economia circular previamente sendo pioneiras. 

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30/04/2022 03:19h

Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac) foi lançado nesta semana

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Representantes da indústria da construção civil e entidades de incorporadoras apoiaram o lançamento, nesta semana, do Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac), uma plataforma web que permitirá calcular a sustentabilidade ambiental dos materiais de construção civil no Brasil.

O Sidac fornecerá informações sobre consumo de energia e emissão de dióxido de carbono (CO2) dos principais materiais de construção utilizados no país, como tijolos, concreto, aço e madeira, com o objetivo de embasar políticas públicas de incentivo à construção sustentável e de baixo carbono.

A partir de agora, os fabricantes de produtos de construção podem cadastrar os dados e informações sobre o ciclo de vida dos materiais. As informações serão submetidas à revisão de especialistas e só depois publicadas. A plataforma web (sidac.org.br) também receberá rapidamente as atualizações, caso um fabricante tenha alguma melhoria no produto ou no processo. Os dados depois ficam disponíveis para consulta pública, na própria plataforma Sidac.

A coordenadora técnica do Comitê de Meio Ambiente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP), Lilian Sarrouf, participou do lançamento da plataforma, na última quarta-feira (27). Ela destacou que o sistema será importante para padronizar todo o setor, sendo de fácil utilização por qualquer porte de empresa. Ela explica ainda que o setor já debatia a questão há mais de uma década.

"O setor da construção civil, enquanto construtoras e incorporadoras, tem trabalhado no tema das emissões de carbono desde 2010. Nos preocupa muito e nos preocupava muito, a gente criar metodologias setoriais e que pudessem ser utilizadas por todas as empresas. Então, o Sidac é uma metodologia setorial, é uma metodologia que vai trazer, vamos dizer assim, uma unidade naquilo que a gente está medindo, na forma de medir. Então, isso é bem importante esse papel do Sidac", afirmou Lilian Sarrouf.

A avaliação ocorrerá por meio de uma abordagem simplificada da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), um método reconhecido internacionalmente, que permite conhecer o gasto de energia e a emissão de CO2 desde a extração dos recursos na natureza até a transformação dos materiais na fábrica.

A Gestora de Projetos de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Mariana Silveira Nascimento, também acompanhou o anúncio da plataforma. Ela afirmou que todo o setor apoiou a criação do Sidac e que o objetivo agora é capilarizar e incentivar o uso do sistema.

"A gente tem que dar um grande apoio na capilarização, que quanto mais dados a gente tiver, mais alimentação e mais instrução a gente consegue na ponta, eu acho que a gente vê um um grande resultado. Vamos fazer o papel de divulgação, de disseminação, se for necessário, capacitação junto às nossas entidades", disse Mariana Silveira.

O Sidac é fruto do programa Strategic Partnerships for the Implementation of the Paris Agreement (SPIPA), coordenado pelo MME, financiado pelo Instrumento de Parceria da União Europeia, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Segurança Nuclear e Defesa do Consumidor (BMUV, em alemão), e implementado pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).

Além do MME, o sistema contou com a participação e a colaboração de diversos outros órgãos na sua formatação. Os debates envolveram o Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Eletrobras-Procel, associações de fabricantes de materiais, projetistas e construtoras, além de entidades ligadas à pesquisa e inovação.

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27/03/2022 19:40h

Enquanto as latas de alumínio têm um índice de reciclabilidade de 71%, o PET chega a 40% e o vidro apenas 34%

O Instituto Internacional do Alumínio está divulgando um estudo inédito, que contou com a contribuição da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), comparando a cadeia de valor de reciclagem de três embalagens de uso único (ou seja, não retornáveis), para bebidas: alumínio, vidro e plástico (PET). De acordo com a Abal, o levantamento utilizou informações de cinco mercados que são considerados chave, ou seja, Brasil, EUA, Europa, China e Japão. 

O estudo mostra que, comparadas às outras embalagens, as latas de alumínio apresentam um índice de reciclagem quase duas vezes maior do que os outros materiais. Assim, enquanto as latas de alumínio têm um índice de 71%, o PET chega a 40% e o vidro apenas 34%. 

A Eunomia, consultoria contratada pelo IAI para realizar o estudo, avaliou o ciclo de vida das embalagens e sua importância para a economia circular, considerando a eficiência do processo de reciclagem de cada material. Neste caso, novamente o alumínio se sobressai, já que as perdas do metal em parâmetros como classificação, reprocessamento e refusão são de 10%, enquanto vidro e PET registram 33% e 34%, respectivamente. 

“O estudo do IAI mostra que o alumínio é uma solução pronta e vantajosa quando se pensa em sustentabilidade e economia circular. O levantamento também corrobora a posição protagonista da indústria brasileira do alumínio na cadeia de valor da reciclagem de latas para bebidas, consequência, principalmente, dos investimentos empreendidos no estabelecimento de centros de coleta, distribuídos em todas as regiões do país. Isso sem falar do valor social e econômico representado pelo ecossistema da reciclagem no Brasil, que une o governo, a indústria, a sociedade e as cooperativas de catadores”, afirma Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.

Principais dados do estudo

  • 2 em cada 3 latas de alumínio são recicladas. Uma delas volta às prateleiras em menos de 60 dias; a outra é transformada em diversos produtos recicláveis.
  • Conteúdo médio de material reciclado: lata de alumínio – 33%; Garrafa de vidro – 20%; Garrafa PET – 7%. 
  • Índice de embalagens não coletadas que acabam em aterros: Vidro – 49%; PET – 28%; Alumínio – 21%. 

O estudo pode ser acessado na íntegra aqui

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25/03/2022 20:00h

A Tracbel, um dos maiores distribuidores de máquinas pesadas no País, informa que já tem uma de suas unidades totalmente suprida com energia solar

A Tracbel, um dos maiores distribuidores de máquinas pesadas no País, com atuação multimarcas e 31 unidades espalhadas por 15 estados brasileiros, informa que já tem uma de suas unidades totalmente suprida com energia solar. Trata-se da filial de Sumaré (SP), na região de Campinas, que foi escolhida para liderar um projeto piloto de geração de energia limpa em toda a rede da empresa, como parte do compromisso do grupo em cumprir os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da Agenda 2030 da ONU.

Segundo Luiz Gustavo Rocha de Magalhães Pereira, CEO do Grupo Tracbel, a iniciativa mostra que “o respeito ao meio ambiente é um dos princípios básicos da Tracbel. Queremos expandir nossas operações, mas sempre com o menor impacto ambiental possível”. 

O modelo adotado em Sumaré foi de instalação de placas fotovoltaicas de captação de energia solar para o consumo próprio. Instalados ao longo da extensão do telhado, os 190 módulos de 534 watts e 2,6 m² têm uma potência de 101,7 KWp. "O sistema todo tem capacidade de geração de 154.4 MWh/ano, o equivalente ao consumo de 110 residências", afirma Igor Rocha, gerente administrativo da Tracbel S/A, e responsável pelo projeto no grupo.

A usina implantada vai gerar 95% de toda a energia consumida nas instalações da unidade. 

"Além do benefício ambiental, existem também vantagens econômicas, pois há uma expectativa de os preços da energia elétrica subirem ainda mais em 2022", destaca o engenheiro Luis Capanema, diretor da Cape Inovação e Tecnologia, consultoria em energia solar que fez a assessoria técnica da usina. "A economia pode chegar a 80% da despesa com a energia elétrica", diz.

Com cerca de 70 funcionários trabalhando num prédio de 2,3 mil m²da rodovia Anhanguera, a filial de Sumaré foi escolhida para iniciar o projeto por ser atualmente o principal hub da Tracbel para o fornecimento de máquinas e outros produtos. O sistema incluirá ainda um monitor que exibirá a todo o momento para os empregados, clientes e visitantes o volume de energia instantânea, a geração acumulada, a economia promovida e outros indicadores. "Queremos reforçar a importância da consciência em energia limpa entre os funcionários", observa o CEO do Grupo Tracbel.

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10/03/2022 03:54h

Projeto Cidades que Transformam, da Enap, busca levar tecnologia para que municípios brasileiros desenvolvam ações rumo aos objetivos do milênio da ONU

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Com 2,6 milhões  de habitantes, Fortaleza é uma das cidades do Brasil com maior desigualdade social. O índice de desenvolvimento humano (IDH) apresenta resultados entre 0 e 1, levando em consideração critérios como educação, acesso à saneamento, saúde, trabalho, mobilidade, entre outros. Quanto mais perto do zero, pior o resultado. 

Na capital do Ceará, há bairros em que o índice está abaixo de 0,2; em outros, acima de 0,9. “Num território tão pequeno, é como se você saísse da Escandinávia e chegasse à África subsariana tendo essa diferença tão grande de condições socioeconômicas”, compara o  secretário adjunto de Planejamento, Orçamento e Gestão do município de Fortaleza, Mário Fracalossi. 

Ele é o gestor de um dos 16 projetos municipais contemplados com o programa “Cidades que transformam”, da gerência de inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Na primeira edição do projeto, cuja chamada ocorreu em agosto de 2021, foram recebidas 149 propostas dos municípios. 

O propósito do projeto é capacitar os gestores públicos para desenvolver ações municipais que corroborem com o alcance das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (veja quadro). “A proposta é pensar cidades mais sustentáveis,  um consumo mais responsável, a igualdade de gênero, a redução das desigualdades, a participação democrática, o fortalecimento das instituições democráticas: o norte que a agenda 2030 nos propõe”, ponderou a coordenadora do projeto na Enap, Fernanda Machiaveli.

A assessora do projeto de fortalecimento da rede de estratégias ODS pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Miriam Barreto, diz que os municípios ainda conhecem pouco das estratégias de desenvolvimento sustentável da ONU. Por isso, a FNP tem feito um trabalho de sensibilização dos gestores locais para criação de estratégias de governança multissetorial. “Para que eles busquem desenvolver projetos para o desenvolvimento sustentável e formem novas parcerias para captação de recursos nacionais e internacionais. Então, nosso desafio não é só sensibilizar, mas fazer com que eles incorporem os ODS na gestão municipal com participação dos múltiplos atores da sociedade civil”, diz Miriam. 

A Frente Nacional de Prefeitos é um dos parceiros da Enap no projeto Cidades Sustentáveis. A iniciativa também conta com o apoio do Pnud/ONU, Comunitas, Instituto Alziras, Agenda Pública e Delivery Associates. Agora, o projeto está na fase de capacitação dos gestores por meio de transferência de tecnologia para o desenvolvimento de métodos que ajudem os municípios a alcançarem suas metas. 

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O primeiro grupo (formado por cinco municípios) começou os treinamentos em fevereiro. O segundo está previsto para junho e o terceiro para iniciar em agosto. A  Enap agrupou os projetos por eixo de atuação e semelhança. Na primeira fase, estão os projetos ligados à gestão e governança, por exemplo; na última, os projetos que propõem soluções em economia criativa. “Mais do que desenvolver uma solução pontual, a gente espera desenvolver capacidades nos municípios e competências de inovação nos participantes. Para que em outros problemas que possam surgir, eles tenham condição de, sozinhos, desenvolverem um percurso para solução. Assim, de fato, se apropriem do método para poderem replicar”, explica Machiaveli, da Enap. 

Soluções nas cidades

É em busca desse método que a prefeitura de Fortaleza pretende aumentar a eficiência da aplicação de recursos orçamentários e estratégias de controle para redução da desigualdade no município (um dos eixos dos ODS). Atualmente, cerca de 10% do orçamento da capital do Ceará é aplicado com esse objetivo, mas os gestores encontram dificuldades em medir o impacto concreto das ações. “De que forma os serviços, os investimentos, as entregas feitas pelo poder público, elas de fato estão transformando a vida dessas pessoas”, pondera Fracalossi. 

“Estamos no processo de construção desse projeto. A gente não tem ainda uma definição precisa de como ele vai se desencadear. Mas é uma expectativa nesse processo de construção coletiva para encontrar soluções que abreviem esse problema tão grave. A gente espera que, no menor prazo possível, consiga transformar a cidade de Fortaleza em uma cidade de oportunidade para todos”, diz o secretário de Planejamento. 

Em Abaetetuba (PA), a prefeitura apresentou um projeto de desenvolvimento sustentável para a Vila de Beja, que completará 400 anos daqui a 13 anos. Foi onde o município começou. “Queremos estimular um turismo sustentável dentro da agenda 2030”, planeja a prefeita do município, Francineti Carvalho. A prefeitura tem grande expectativa de que as tecnologias transferidas pela Enap possam ajudar na viabilização do plano. 
 

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08/02/2022 03:30h

Estudo de Rondônia aponta soluções para desenvolvimento sustentável da agropecuária, com atividades que podem gerar empregos e aumentar ainda mais a produtividade, tudo alinhado com os objetivos do Instituto Amazônia +21

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A exportação do agronegócio brasileiro bateu recordes em 2021, registrando US$ 120,59 bilhões, ou seja, alta de 19,7%, em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). E como o mercado consumidor está cada vez mais de olho na Economia Verde, ou seja, nos países com produção sustentável, a agropecuária de baixa emissão de gases do efeito estufa se torna cada vez mais urgente, principalmente na área da Amazônia Legal, região que registra um dos maiores crescimentos do setor.

Segundo dados do Banco Mundial, as atividades agropecuárias locais são responsáveis, em média, por 43% das emissões de gás metano (CH4) e 67% das emissões de óxido nitroso (N2O), dois dos principais GEE. O Brasil se comprometeu em 2015, quando assinou o Acordo de Paris, a reduzir suas emissões em 37% até 2025, no entanto, segundo o ranking de emissões emitido pelo Projeto Global Carbon, houve aumento de 36,1% desde 2005.

Neste contexto, o Instituto Amazônia +21 procura por projetos que possam fazer da agropecuária da região amazônica não só uma melhor contribuinte para a economia brasileira, como também um motor de desenvolvimento sustentável e responsável na região. 

Algumas soluções para resolver o problema foram apontadas por um estudo publicado pela Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH), o “Caderno Técnico Setorial – Agropecuária de baixa emissão”, que, além de Rondônia, pode ajudar a construir estratégias nos outros oitos estados que formam a Amazônia Legal, área de atuação do Instituto. Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso podem se balizar nos estudos divulgados para incentivar o desenvolvimento de alimentos de alta tecnologia, a redução de descarte e até otimizações no transporte das regiões produtivas até o consumidor final.

Segundo o estudo, a pecuária, que cada vez mais ganha espaço na Região Norte, também está muito associada à emissão de carbono, que é uma das causas do aquecimento global, principalmente em função do “arroto” dos bovinos, rico em metano. Muito também porque a pecuária é a forma mais simples e barata encontrada na região para a ocupação de uma área para especulação, justificando sua grilagem, que por sua vez gera mais desmatamento e contribui com a liberação de Gases de Efeito Estufa.

Francisco Fonseca, gerente de Pecuária da TNC Brasil, organização não governamental que trabalha há 30 anos no país com conservação ambiental, explica que o setor pecuário de carne e leite ocupa uma grande área, algo em torno de 175 milhões de hectares, e que a produção de carne ainda é de baixa produtividade, por ser extensiva. Segundo o especialista, apenas 12% por cento de todas propriedades do Brasil produzem mais do que 18 arrobas por hectare por ano e ainda estão ligadas ao desmatamento desnecessário, principalmente na Amazônia, onde cerca de 80% do desmatamento está de forma direta e indireta ligado à pecuária extensiva.

Francisco ressalta, no entanto, que nos últimos 30 anos a pecuária de corte brasileira aumentou a produtividade em quase 150% e a previsão da Embrapa é que até 2027 a pecuária mais intensificada, utilizando integração lavoura e agropecuária, que é uma das frentes do Instituto Amazônia +21, deve poupar 10 milhões de hectares e liberar as áreas já abertas e degradadas. “Com o uso de boas práticas, a pecuária pode aumentar a produtividade com baixa carbono, com pastagens e boas condições, retendo mais CO² do solo do que emitido em relação a pastagens degradadas, além de diminuir a emissão de gás metano por parte dos animais”, explica o especialista.

Vilões

A emissão de gases de efeito estufa está concentrada em diversas atividades, como nas mudanças de uso da terra e das florestas, na produção de energia, nos resíduos e nos processos industriais. No Brasil, os principais dados sobre emissões são levantados pelo SEEG – Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, que é uma iniciativa de várias instituições brasileiras.
 
Segundo estudos do SEEG, as mudanças de uso da terra foram responsáveis pela maior fatia das emissões de gases de efeito estufa do Brasil, em 2020: 46% do total bruto, ou 998 milhões de toneladas de CO2. Em seguida vem a agropecuária, com 27% das emissões brutas (577 milhões de toneladas de CO2).

No setor de Agropecuária são contabilizadas as emissões provenientes da digestão dos animais ruminantes, que emite metano – o popular “arroto” do boi – (fermentação entérica), do tratamento e disposição que os dejetos desses animais recebem (manejo de dejetos), do cultivo de arroz irrigado (cultivo de arroz), da queima dos resíduos agrícolas do cultivo de cana-de-açúcar e algodão (queima de resíduos agrícolas) e as originadas pela forma de como os solos agrícolas são manejados, considerando o incremento de nitrogênio via utilização de insumos e operações agrícolas (solos manejados). De acordo com a SEEG, 65% das emissões diretas da agropecuária vêm de fermentação entérica.

Economia Verde pode gerar acréscimo de R$ 2,8 trilhões ao PIB brasileiro até 2030 e gerar novos 2 milhões de empregos

Rondônia aponta oito setores que podem servir de guia para o Instituto Amazônia +21 e o desenvolvimento sustentável na região

Soluções

Uma das frentes do Instituto Amazônia +21 é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), uma técnica que deve ser aplicada em cada um dos estados da Amazônia Legal, com as suas respectivas particularidades, e que permite integrar a produção agrícola, a criação de gado e a silvicultura em um mesmo espaço. Há também os Sistemas Agroflorestais (SAF), técnicas que combinam espécies florestais com lavouras tradicionais, gerando benefícios ecológicos e retorno financeiro através do aumento da produtividade na agropecuária e da exploração dos frutos e da madeira.

Além da redução de gases do efeito estufa, a agricultura de baixo carbono proporciona outros benefícios, tanto para o meio ambiente como para a economia, uma vez que evita o desmatamento, aumenta a produtividade, e gera empregos diretos e indiretos.  O caderno setorial sobre agropecuária que pode ajudar iniciativas em toda a Amazônia Legal aponta para várias técnicas que podem ser estudadas dentro das particularidades de cada estado. Entre elas:

  • Sistema Plantio Direto (SPD): técnica que revolve o solo apenas na linha de semeadura e usa material orgânico e palha de safras anteriores como adubo e alimento para o solo, proporcionando aumento da conservação do solo, da biodiversidade e da água, além de maior eficiência na adubação, redução do uso de fertilizantes e de combustíveis fósseis.
  • Fixação biológica de nitrogênio: técnica de inoculação de sementes com bactérias, que são capazes de fixar no solo o nitrogênio disponível na atmosfera.
  • Recuperação de pastagens degradadas: inclui técnicas de recuperação de áreas que perderam sua cobertura vegetal e consequentemente, matéria orgânica no solo – com potencial para a redução da emissão de CO2 para a atmosfera e o aumento da produtividade da área.
  • Florestas Plantadas: a produção de florestas plantadas de espécies nativas e exóticas contribui para a captura de CO2 na atmosfera. A meta estabelecida para o Brasil em 2020 foi o de estimular o plantio de 3 milhões de hectares de florestas econômicas e mitigar entre 8 e 10 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.
  • Tratamento de Dejetos Animais: técnica que reduz a emissão de metano e produz o adubo orgânico, que por sua vez reduz o uso de insumos químicos. Outro benefício dessa técnica é a conversão de biogás em energia. 

Economia Verde

Marcelo Thomé, diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que o mundo está cada vez mais voltado para a Economia Verde e que se o Brasil quiser continuar sendo um dos protagonistas no mercado, tem de utilizar a Amazônia como o principal vetor de desenvolvimento sustentável.

“Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca o diretor do instituto.

Os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas podem balizar modelos de estudos para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto Amazônia +21.

Além do caderno técnico sobre agropecuária de baixa emissão, outros estudos de Rondônia podem balizar estudos e ações dos demais estados da Amazônia Legal: Bioeconomia, Biotecnologia, Concessão de florestas, Energias renováveis, Florestas plantadas, Mineração sustentável e Turismo sustentável.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.
 

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01/02/2022 03:15h

Instituto Amazônia +21 aponta bioeconomia como oportunidade de negócio sustentável na Amazônia Legal

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A adoção de práticas sustentáveis e de baixo carbono com um direcionamento focado para a Economia Verde pode gerar um ganho total acumulado de R$ 2,8 trilhões ao PIB brasileiro até 2030, em relação à trajetória atual. Além disso, há expectativa de acréscimo líquido de 2 milhões de empregos na economia brasileira.

É o que mostra o Caderno Técnico Setorial Bioeconomia, publicado pela a Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH) e alinhados com as iniciativas do Instituto Amazônia +21. Os cadernos setoriais divulgados pela agência rondoniense podem balizar ações similares nos outros oito estados da Amazônia Legal: Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso.

A ideia da bioeconomia é transformar commodities primárias em produtos de maior valor agregado, respeitando os povos, as culturas, os solos e a flora e a fauna da região. O ecossistema da área vai da extração na natureza ou cultivo no campo até a produção de conhecimento nas instituições de pesquisa e desenvolvimento, à indústria e ao mercado consumidor na ponta final.

O estudo realizado pela Agência de Desenvolvimento de Porto Velho parte da premissa de que o desenvolvimento econômico racional, consistente e de longo prazo, deve ser fundamentado no conhecimento da natureza e no entendimento de que a biodiversidade amazônica é o lastro deste processo transformador. Além disso, explica que a Bioeconomia está centrada em uma matriz de desenvolvimento econômico sustentável que evita a simplificação excessiva da natureza, que é o que geralmente ocorre quando se busca aumentar a produção na região. Ações estas, aliás, alinhadas com as principais diretrizes estabelecidas pelo Instituto Amazônia +21.

Marcelo Thomé, diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que os estudos foram elaborados diante de extensa pesquisa com o objetivo de levar o mapeamento completo aos investidores quanto às oportunidades de negócios, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica. Thomé, que também é presidente da Agência de Desenvolvimento, ressaltou que o mundo está voltado para a economia verde, que se sustenta sobre três pilares: ambiental, social e governança (da sigla em inglês ESG).

“Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca o diretor do instituto.

Segundo Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento, os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas enfatiza que os estudos, como o de Bioeconomia, podem balizar ações para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto Amazônia +21.

“É uma orientação do que se pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21”, destaca Guilherme.

Bioeconomia no exterior

O Caderno Técnico Setorial de Bioeconomia aponta para recentes estratégias sobre o assunto que se mostraram vantajosas para Europa e Estados Unidos. Em 2012, a União Europeia (UE) apresentou a sua primeira estratégia dedicada à bioeconomia, focando em desenvolvimento de novas tecnologias e processos, desenvolvimento de mercados e competitividade. A ascensão das bioindústrias europeias deu à economia local, em 2017, uma contribuição total de 750 bilhões de euros, empregando 3,6 milhões de pessoas na União Europeia. Indicadores ainda mais expressivos podem ser observados quando se percebe que o volume de negócios da bioeconomia total, incluindo alimentos e bebidas e os setores primários da agricultura e silvicultura, resultando em pouco mais de 2,4 trilhões de euros injetados na união europeia, empregando 18,5 milhões de pessoas no total.

Também em 2017, nos Estados Unidos, o governo lançou o Federal Activities Report on the Bioeconomy, que trata diretamente do desenvolvimento da Bioeconomia do país, que em 2013 adicionou US$ 369 bilhões e gerou quatro milhões de empregos. 

Bioeconomia no Brasil

Os estudos de Rondônia mostram que temos a oportunidade de reindustrializar o País a partir de novas diretrizes com base no tripé da sustentabilidade, principalmente porque contamos com uma série de vantagens: um enorme território com terras férteis, água e alta insolação, além da maior biodiversidade do planeta (20% da biodiversidade do mundo está no Brasil).

Segundo dados do IBGE (2018), entre os destaques de potenciais apontados para a bioeconomia na Amazônia Legal estão a castanha do Brasil e o açaí, que envolveu 500 mil extrativistas e valor de R$ 592 milhões. Mas outras cadeias produtivas como pequi, palmito, piaçava, látex, carnaúba, guaraná, babaçu, fibras e buriti também se destacam no panorama deste mercado. Em 2016, o valor das vendas atribuíveis à bioeconomia brasileira foi de US$ 326,1 bilhões, considerando-se o setor agropecuário e a produção tradicional.

Instituto Amazônia +21

O Instituto Amazônia+21 nasceu a partir do Fórum Mundial, em novembro de 2020, com o propósito de difundir os princípios de ESG (ambiental, social e governança), apoiar a criação de novos negócios e projetos sustentáveis na Amazônia, bem como adequar empreendimentos já existentes para práticas sustentáveis, dialogando com as demandas locais e com a vocação econômica da região, que abrange 772 municípios e abriga cerca de 24 milhões de brasileiros. As Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal fazem parte dessa missão e apoiam o Instituto na missão de identificar e fomentar negócios sustentáveis na região.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia, divulgados em Rondônia, podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.
 

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31/01/2022 03:30h

Cadernos Técnicos Setoriais de Porto Velho dão uma ideia a produtores e investidores de como desenvolver a Amazônia Legal de forma sustentável e dentro dos padrões ESG

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A prefeitura de Porto Velho (RO), por meio da Agência de Desenvolvimento, lançou no fim de 2021 oito Cadernos Técnicos Setoriais alinhados à agenda do Instituto Amazônia +21, ou seja, que trata de identificar negócios sustentáveis na região da Amazônia Legal. As oportunidades de negócios foram apontadas por estudos e visam os seguintes segmentos: Agropecuária de Baixa Emissão; Bioeconomia; Biotecnologia; Concessões de Floresta; Energias Renováveis; Florestas Plantadas; Mineração Sustentável e Turismo Sustentável.

Os estudos contribuem para a atração de investidores não apenas brasileiros, mas também do exterior, visando o fomento de iniciativas que garantam a geração de empregos, renda e riqueza na região, sem deixar de lado as metas estabelecidas pela chamada economia verde, apoiada em três pilares: ambiental, social e governança (da sigla em inglês ESG).

Marcelo Thomé, que além de presidente da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH) é o diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que os estudos foram elaborados diante de extensa pesquisa com o objetivo de levar o mapeamento completo aos investidores quanto às oportunidades de negócios, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica.

Thomé ressalta que não há dúvidas de que a sustentabilidade, hoje, é uma exigência dos mercados consumidores e dos próprios governos, além de orientar os processos industriais em todo o mundo. O diretor do Instituto lembra que diversos setores bastante avançados já migram para processos industriais de menor emissão, como o de celulose, de cimento e de aço. “Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca.

Os conteúdos dos cadernos técnicos tratam de diretrizes para diversidade, inclusão e sustentabilidade econômica de negócios em Rondônia, mas servem como uma bússola para os outros oito estados da Amazônia Legal, Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento, os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas podem inspirar modelos de estudos para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto.

“Esses cadernos podem inspirar novos estudos, já que cada estado tem uma característica e uma realidade diferentes. Você já tem uma orientação do que pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21.”  

Amazônia+21: Rondônia é exemplo de desenvolvimento sustentável na região amazônica
Amapá pode aproveitar resíduos sólidos e rejeitos da piscicultura para produção de biogás

Amazônia+21: Mato Grosso já investe em economia verde nas fazendas sustentáveis

Segmentos apontados

Agropecuária de baixa emissão: com o crescimento populacional mundial e o consequente aumento do consumo de proteína animal, torna-se crucial o desenvolvimento de uma agropecuária de baixa emissão. O estudo contempla diversos aspectos, entre eles o incentivo ao desenvolvimento de alimentos de alta tecnologia, redução de descarte e até otimizações no transporte das regiões produtivas até o consumidor final. A produção de alimentos é um dos fortes da região amazônica e um dos setores da economia que mais contribui para o aquecimento global.

Bioeconomia: a diversidade territorial amazônica, refletida em seus povos, culturas, solos, flora e fauna, contém elementos únicos para proporcionar uma vida melhor à população da Região Amazônica e ao Brasil. Sob a perspectiva econômica, a Amazônia dispõe de potencial relevante para gerar riqueza e prosperidade a partir de variados produtos e serviços com qualidade, agregando valor e conservando o patrimônio genético. O caderno técnico setorial da bioeconomia tem o objetivo de apresentar uma agenda transformadora na região, partindo da premissa de que o desenvolvimento econômico racional, consistente e de longo prazo deve ser fundamentado no conhecimento da natureza e no entendimento de que a biodiversidade amazônica é o lastro deste processo transformador.

Biotecnologia: a bioeconomia é resultado direto da dinâmica do desenvolvimento de produtos que fazem uso de recursos da biodiversidade e que podem ser gerados a partir dos desdobramentos de diferentes áreas do conhecimento. Mesmo que a bioindústria exista na região, ela é emergente e utiliza um nível tecnológico de baixa a média complexidade. Diante desta ótica, o estudo tem o objetivo de enfatizar a importância da Biotecnologia como uma das frentes de destaque do universo da bioeconomia.

Concessão de florestas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado. Além da disponibilidade de áreas para a silvicultura há também a comercialização de madeira proveniente do extrativismo, uma vez que apresenta vastas extensões de reservas florestais. O estudo foca as diversas legislações que dividem as florestas nativas brasileiras dentro do conceito de unidade de conservação, procurando entender qual o panorama de cada tipo de floresta e tem o objetivo de apresentar, de forma objetiva, as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável por meio da identificação e da priorização de estratégias pertinentes ao âmbito do desenvolvimento de concessões de florestas na região.

Energias renováveis: a geração de energia elétrica é um setor fundamentalmente estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade em qualquer lugar do mundo, tendo sido tratada sempre como um pilar estratégico prioritário na jornada humana. Entretanto, estas atividades de produção muitas vezes utilizam fontes não renováveis, o que por si só já é um problema visto que um dia acabam. Além disso, são energias extremamente poluentes, como o carvão, que trouxeram consequências ambientais graves ao planeta e atualmente tornaram-se intoleráveis aos princípios de sustentabilidade, demandando que todos os países se esforcem para substituir essas fontes poluentes por fontes renováveis e limpas. O tem como proposta salientar a importância das fontes renováveis na geração de energia elétrica em prol de uma matriz energética sustentável, que não agrida ao meio ambiente e esteja alinhada com as principais políticas ambientais mundiais.

Florestas plantadas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado e o caderno visa esclarecer as diretrizes para os subsetores: energético (lenha, carvão vegetal, pellets e resíduos); toras industriais, madeira serrada e outros; produtos de madeira sólida (móveis etc.); painéis de madeira; e madeira destinada à produção de papel e celulose. O estudo tem como objetivo apresentar as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável priorizando estratégias pertinentes ao desenvolvimento de florestas plantadas na região.

Mineração sustentável: o caderno setorial de Mineração Sustentável tem como proposta identificar o potencial econômico da indústria mineral, considerando os principais instrumentos de gestão nas empresas em busca de diminuição de passivo ambiental, métodos de controle, melhores práticas e ações para redução do impacto no meio ambiente desta atividade que é essencial para o setor produtivo e para a vida moderna, mas que também gera uma série de resíduos e impactos na biodiversidade. O objetivo do estudo é propor ações capazes de proporcionar o desenvolvimento do setor, além de mitigar os danos potenciais que esta indústria pode gerar.

Turismo sustentável: na indústria do turismo se fala cada vez mais em sustentabilidade. A prática de viajar está diretamente relacionada com a própria história do desenvolvimento socioeconômico da humanidade, como consequência natural das atividades cotidianas e das mais diversas necessidades que as comunidades foram tendo, até tomar a forma do turismo atual. Seja em negócios ou em lazer, a atividade turística tomou proporções enormes e hoje representa mais de 10% do PIB mundial, se tornando um dos setores mais importantes da economia, e como qualquer indústria, ela gera impactos positivos e negativos para as pessoas e para o planeta. O estudo em questão tem como proposta destacar a importância do turismo na Amazônia Legal para a economia, apontando ainda oportunidades prioritárias de investimento para seu desenvolvimento tendo como base a sustentabilidade alinhada às principais políticas ambientais mundiais, assim como as diretrizes estabelecidas pelo Fórum Amazônia +21.

Em maturação

O Instituto Amazônia+21 nasceu a partir do Fórum Mundial, em novembro de 2020, com o propósito de difundir os princípios de ESG, apoiar a criação de novos negócios e projetos sustentáveis na Amazônia, bem como adequar empreendimentos já existentes para práticas sustentáveis, dialogando com as demandas locais e com a vocação econômica da região, que abrange 772 municípios e abriga cerca de 24 milhões de brasileiros. As Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal fazem parte dessa missão e apoiam o Instituto na missão de identificar e fomentar negócios sustentáveis na região.

Em 2021, o Instituto começou a investir em duas frentes: a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF), que possibilita o aumento da produtividade ao passo em que também promove a recuperação ambiental, e a produção de biogás, energia limpa produzida a partir da decomposição de matéria orgânica, em sua maioria descartada na região. Agora, a ideia é apostar em outras frentes, sabendo que ainda se está construindo o alicerce de uma mudança na Amazônia Legal, como explica Gilberto Braga, um dos consultores do Instituto.

“O Instituto ainda está cumprindo etapas de formalização. É uma maturação da implantação. O objetivo é fomentar, promover e apoiar negócios sustentáveis na Amazônia. Estamos construindo essa iniciativa, que é apoiada por uma ampla rede de empresários, e dando forma a essa ideia, ou seja, se habilitando tecnicamente, desenvolvendo e associando conhecimento e soluções na agenda ESG para estruturar o apoio às empresas que desejam exatamente isso, trabalhar com projetos sustentáveis na Amazônia”, ressalta Gilberto.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.

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