Amazônia

29/06/2022 16:20h

Dos R$ 9 bilhões oferecidos pelo Banco da Amazônia (Basa), R$ 5 bilhões serão destinados à agricultura familiar, mini e pequenos produtores

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O setor agropecuário amazônico vai contar com R$ 9 bilhões, oferecidos pelo Banco da Amazônia (Basa), por meio do Plano Safra 2022/2023. O novo plano estará em vigor de 1° de julho de 2022 a 30 de junho de 2023. Para o gerente de Pessoas Físicas do Basa, Luiz Lourenço de Souza Neto, o repasse é importante para o desenvolvimento da Amazônia, sobretudo no que se refere aos trabalhos voltados à sustentabilidade.  

“Esse recurso chega em um bom momento para o todo o setor produtivo da região. Com isso, esperamos cada vez mais combater as desigualdades existentes e promover os bons negócios no campo. Vamos lançar com R$ 9 bilhões, mas, se tudo transcorrer dentro do que temos trabalhado, esperamos alcançar e até ultrapassar essas metas. De acordo com a entrada de recurso, conseguiremos aplicar mais do que o previsto”, afirma. 

No último Plano Safra (21/22), a instituição financeira destinou R$ 9,68 bilhões ao agronegócio regional. O valor foi 33,7% superior ao da safra anterior (20/21), que contou com aplicação de R$ 7,24 bilhões. Do montante de 2021/2022, R$ 5,34 bilhões foram investidos em pecuária, enquanto R$ 4,34 bilhões na agricultura. Nas últimas cinco safras, a instituição financeira aplicou R$ 28 bilhões no agronegócio regional. 

Dos R$ 9 bilhões que serão destinados à movimentação da economia da Amazônia Legal, R$ 5 bilhões serão destinados a agricultura familiar, mini e pequenos produtores.

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Segundo Lourenço, a instituição pretende aumentar as aplicações a cada safra. Por esse motivo, tem facilitado o acesso por meio de linhas de investimentos do Pronaf, utilizando o Basa Digital. 

“Esperamos, só na agricultura familiar, aquela atendida pelo Pronaf, superar a casa de R$ 1 bilhão no próximo Plano Safra. Esse também será um recorde para o Banco da Amazônia. Para se ter uma ideia, no Plano Safra atual, aplicamos R$ 670 milhões na agricultura familiar”, pontua. 

“A gente trabalha com muita dedicação para desenvolver ferramentas novas, facilidades de acesso ao crédito, revisão de políticas, que permitam que o pequeno produtor possa ser atendido de maneira mais rápida, prática e objetiva e que o crédito consiga chegar nas mãos desse pequeno produtor rural principalmente”, complementa Luiz Lourenço. 

Lançamento Plano Safra 2022/2023

O lançamento do Plano Safra 2022/2023 está previsto para esta sexta-feira (1º), às 9 horas, no auditório Lamartine Nogueira, na sede do Banco da Amazônia, Rua Presidente Vargas, 800, em Belém (PA). O evento contará com transmissão ao vivo pelo canal do Banco da Amazônia no Youtube.

O evento será apresentado no formato híbrido (presencial e on-line). Na ocasião, o Basa irá anunciar os recursos disponíveis para o plano a serem aplicados na região. A ideia da instituição é oferecer as melhores taxas do mercado e condições de financiamento para impulsionar ainda mais o setor do agronegócio. 
 

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21/06/2022 08:30h

O Banco da Amazônia comemora 80 anos de atividades em 2022 e o resultado histórico de R$ 13 bilhões de fomento contratados no último ano. Criado na Segunda Guerra Mundial, o Basa acabou se transformando no maior agente do governo federal na Amazônia

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O governo federal possui um agente financeiro na região amazônica que é responsável por desenvolvimento sustentável no local e ultrapassou, em 2021, a marca de R$ 505 milhões em investimentos de agricultura familiar, com 13.140 operações. O Banco da Amazônia (Basa) comemora 80 anos de atividades em 2022 e o resultado histórico de R$ 13 bilhões de fomento contratados no último ano. Instituída ainda na Segunda Guerra Mundial, a instituição tem como foco o desenvolvimento econômico, estrutural e de meio ambiente, atuando nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. 

O Basa surgiu como o Banco de Crédito da Borracha, em 1942, fruto de um acordo entre Brasil e os Estados Unidos para apoiar os países aliados contra os nazistas. Nas décadas seguintes, trocou de nome para Banco de Crédito da Amazônia S.A., assumiu o papel de agente financeiro para gerir recursos de origem fiscal e promoveu o crescimento da Amazônia Legal. 

Outros dois marcos surgiram entre os anos 70 e 80, quando o Basa passou a operar com o Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam), abrindo atuação para o agronegócio, a indústria e o comércio. Além disso, desde a criação do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), em 1989, o Banco já contratou o valor de R$ 75,21 bilhões para toda a região Norte, com mais de 754 mil operações. O FNO é o principal recurso financeiro para estímulo dos empreendedores da região, com o intuito de combater desigualdades regionais e gerar emprego e renda, principalmente nos municípios de menor poder aquisitivo. 

Meio Ambiente

O presidente do Banco da Amazônia, Valdecir Tose, lembra que os locais atendidos pela instituição geralmente têm o contraste entre a abundância de recursos naturais e a condição socioeconômica da população. “É uma região com riqueza imensa, uma biodiversidade enorme, mas com a população pobre, que precisa de apoio e de estímulo para empreender. Toda região muito carente tem também, por outro lado, muitas oportunidades. E o Basa, através dos seus financiamentos de fomento, de desenvolvimento, pode auxiliar bastante esses empreendedores da nossa região”, pontua. 

Segundo ele, diminuir essas distâncias econômicas, preservando a natureza, é algo não só possível, mas também essencial para uma visão de longo prazo. “Nós estamos em uma região extremamente sensível. Então, se você despeja um recurso de financiamento em uma determinada atividade sem o cuidado, essa atividade pode se tornar uma atividade predatória, ser aplicada de forma errada e o impacto ambiental ser mais desfavorável do que o impacto econômico que ela proporciona”, lembra.

Operações

O Basa se consolidou como o maior agente financeiro do governo federal na região Amazônica para promoção do desenvolvimento regional. Entre as fontes de recursos, estão o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), Orçamento Geral da União (OGU), BNDES e Fundo da Marinha Mercante (FMM). A partir deles, o banco consegue oferecer uma série de operações voltadas à sustentabilidade e aos avanços tecnológicos.

Entre os destaques estão as linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). “A agricultura familiar, na maior parte dos estados, é o banco que financia. No ano passado a gente financiou R$ 487 milhões em agricultura familiar e este ano queremos ultrapassar a casa de R$ 1 bilhão, para chegar lá em 2025 com R$ 2 bilhões, R$ 2,5 bilhões, de aplicação”, explica Valdecir Tose. 

Outra linha que tem sido significativa é a da Pecuária Verde, um produto financeiro verde (PFV), lastreado nos recursos do FNO, da linha Amazônia Rural Verde. Segundo o banco, ele se diferencia ao “apoiar a intensificação da pecuária por meio das melhores tecnologias e práticas, integrando a pecuária à floresta e à lavoura, com manutenção das áreas a serem preservadas, sem desmatamento, possibilitando ao cliente Basa ganho de rentabilidade a partir da implantação de novos sistemas de produção e prestação de serviços ecossistêmicos”.

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Na ponta da linha

Na prática, essas operações auxiliam pessoas como Bechara Saab, de 67 anos, proprietário da Pecuária Saab. Ele se mudou para Roraima em 1979, quando o governo estimulava a migração de produtores e rebanhos para a região amazônica, e passou a desenvolver o manejo sustentável do rebanho em 2019.

“O banco sempre me concedeu empréstimos com base na pecuária verde, na pecuária sustentável, uma vez que nós trabalhamos com a pecuária em áreas de campos naturais, sem prejuízo à natureza, sem devastação de floresta, nunca derrubando nenhuma árvore sequer. E o banco concede sempre, com garantia real, com segurança total”, conta o pecuarista. 

Bechara e outros clientes desse produto vão receber uma certificação e títulos verdes, como a Cédula de Produto Rural Ambiental, que disponibiliza outra fonte de recursos ao pecuarista e acesso a mais mercados internos e externos. A instituição considera essa ação como uma “monetização dos serviços ecossistêmicos”, que se torna um passo essencial para a sustentabilidade na Amazônia. 

Com essas atividades econômicas, ambientais e sociais, o banco prepara ações de comemoração dos 80 anos de existência, marca que será alcançada em 9 de julho. As atividades se iniciaram neste mês de junho, como o voo de balão em Rio Branco (Acre) no dia 1º, passando por Porto Velho (RO), Cuiabá (MT), Palmas (TO), Belém (PA), Macapá (AP), Marabá (PA), Santarém (PA), São Luís (MA). Ainda ocorrerá no dia 23 em Manaus (AM) e dia 25, em Boa Vista (RR). Haverá também plantação de 80 mil mudas, distribuição de sementes de Paricá e exposição cultural de obras dos colaboradores da instituição.

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30/05/2022 07:39h

Segundo cronograma da Anatel, todas as capitais devem receber a internet de quinta geração até 31 de julho. Manaus, outras 12 capitais e o Distrito Federal já estão preparados para receber o 5G

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Manaus já está apta a receber a internet de quinta geração. O Projeto de Lei Complementar (PLC 002/2022) do Executivo Municipal, que regulamenta a tecnologia 5G, foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A proposta prevê o procedimento para instalação das estruturas necessárias para a nova internet móvel, que pode ser até cem vezes mais rápida que o 4G.

Manaus estava ao lado de outras 13 capitais do país que ainda precisam atualizar as leis municipais, com risco de não receberem a nova tecnologia até 31 de julho, prazo estipulado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Segundo a nova legislação, as antenas da rede 5G em Manaus serão acopladas às antenas de 4G, que por sua vez, devem ser adaptadas para funcionar em paralelo à nova infraestrutura de conexões enquanto os dois sistemas coexistirem.

A maior novidade da legislação é a promessa de liberar a instalação das antenas 5G na capital em até dois dias. O prazo foi estabelecido pela prefeitura em mensagem enviada à Câmara Municipal. Segundo o prefeito de Manaus, David Almeida, anteriormente a espera era de 60 dias ou mais. Também de acordo com o prefeito, esse licenciamento não será cobrado na zona rural.

A maneira de dar maior celeridade ao processo em Manaus foi permitir o licenciamento autodeclaratório, agilizando a tramitação junto ao Instituto Municipal de Planejamento Urbano. Segundo Luciano Stutz, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura para as Telecomunicações (Abrintel), o texto do PL aprovado na Câmara estava alinhado com a legislação federal até ganhar emendas do legislativo municipal, o que pode atrapalhar a chegada do 5G à capital amazonense. 

“Uma delas faz com que postes novos de até a altura maior que prédios de sete andares possam ser implantados na cidade de Manaus sem conhecimento prévio ou licenciamento da prefeitura, o que consideramos um risco urbanístico. Isso afasta a segurança jurídica da implantação das infraestruturas e pode gerar reclamações de munícipes”, alerta Stutz.

Segundo o presidente da Abrintel, Manaus está no caminho certo e precisa de pequenos ajustes para garantir o 5G à população sem maiores problemas. “Entendemos que um veto simples de uma alínea inserida na emenda pode trazer o texto de volta ao alinhamento com a legislação federal e preparar, de fato, Manaus para receber o 5G em sua plenitude, sem riscos urbanísticos".

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O deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM) lembra que, assim como a Câmara Municipal de Manaus, os municípios no interior do Amazonas precisam atualizar suas legislações urgentemente, já que a precariedade do sistema de internet e telefonia atrapalha o desenvolvimento do estado.

“No Amazonas, a conectividade é um instrumento fundamental de desenvolvimento, de geração de renda, de comunicação e até relacionada à questão de saúde, por causa da telemedicina”, destaca o parlamentar.

Segundo levantamento do Movimento Antene-se, criado em 2021 por entidades de diversos setores para incentivar a atualização das leis de antenas das grandes cidades brasileiras, Manaus tinha, no fim de 2021, a segunda pior média de infraestrutura de telecomunicações por habitante dentre todas as capitais do país, com uma antena para cada 2.285 pessoas. Países com boa conectividade não têm mais do que mil usuários para cada estrutura.

Legislação de antenas

As 13 capitais sem leis municipais adequadas ao 5G precisam seguir o exemplo de Manaus ou aguardar outra solução possível: o PL 8518/2017. Aprovado recentemente na Câmara dos Deputados, o texto disciplina o licenciamento temporário das antenas, bem como a instalação por parte das empresas de telecomunicação, caso as prefeituras não respondam às solicitações após 60 dias. No Brasil, por conta das legislações defasadas e que só preveem antenas antigas e muito maiores que as do 5G, pedidos para novas infraestruturas podem demorar até 24 meses para serem autorizados. O projeto aguarda apreciação no Senado Federal.

Manaus, outras 12 capitais e o Distrito Federal já estão preparados para receber o 5G, segundo levantamento do Movimento Antene-se. Essas cidades estão aptas porque aprovaram novas legislações alinhadas à Lei Geral de Antenas e ao Decreto 10.480/2020, que regulamenta a referida lei; ou porque as leis locais são mais recentes e amigáveis à chegada da nova tecnologia.

Luciano Stutz, que além de presidente da Abrintel é porta-voz do Movimento, destaca que as Câmaras Municipais precisam fazer como a de Manaus e atualizar a legislação de antenas. Ele alerta que as capitais que não conseguirem atualizar as legislações antes do dia 31 de julho até vão receber a internet móvel de quinta geração, mas de um jeito que não alcançará toda a população, uma vez que a implementação se dará por meio das antigas antenas já instaladas, muito distantes umas das outras.

“O que eu posso dizer é que essas restrições não vão impedir que essas cidades tenham de fato 5G instalada até 31 de julho, mas não será o 5G dos sonhos, não será o melhor 5G possível, será o 5G possível de se fazer dentro da estrutura de 4G”, ressalta o presidente da Abrintel.

As capitais que precisam atualizar a legislação de antenas são Belo Horizonte (MG), Maceió (AL), Macapá (AP), Salvador (BA), Goiânia (GO), Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Belém (PA), João Pessoa (PB), Recife (PE), Porto Velho (RO), Aracaju (SE) e Palmas (TO).

Segundo o cronograma da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), estabelecido como obrigação às empresas que venceram o leilão das radiofrequências em 2021, o 5G tem de estar em operação nas capitais e Distrito Federal até 31 de julho de 2022; em cidades com mais de 500 mil habitantes, até 31 de julho de 2025; em municípios com mais de 200 mil, até 31 de julho de 2026; e em cidades com mais de 100 mil, até 31 de julho de 2027. Os demais municípios devem receber a nova tecnologia até 2029.

O cronograma não impede, porém, que a tecnologia chegue antes à população dos municípios que não são capitais. Santo André e Guarulhos, em São Paulo, além de Campo dos Goytacazes e Volta Redonda, no Rio de Janeiro, por exemplo, já têm leis aprovadas e estão prontas para a internet móvel de quinta geração. Segundo o edital do 5G, as operadoras poderão priorizar a instalação da tecnologia em cidades que já tiverem modernizado sua legislação municipal.
 

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19/05/2022 14:24h

Os animais ficam soltos na natureza, se beneficiam de sombras naturais, água fresca e recebem a ração preparada a partir de capim cortado, espalhado em diferentes regiões da propriedade

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Mais de 40% do gado no Brasil está na região da Amazônia Legal, segundo o Censo Agropecuário de 2017 (último levantamento feito pelo IBGE). Para garantir a sustentabilidade da atividade, a produção de gado na região tem buscado alternativas que reúnem preservação ambiental e produtividade para a pecuária na região amazônica. 

A criação de gado sustentável é um sonho que tem sido cada vez mais real para a Pecuária Saab, localizada em Amajari (RR). O proprietário, o paranaense Bechara Saab, de 67 anos, foi para a região de Roraima em 1979, período em que o governo estimulava a migração de produtores com seus rebanhos para a região amazônica, sob o slogan “Integrar para não entregar”. 

Desde o princípio, Bechara trabalha com gado e, desde 2019, está desenvolvendo o manejo sustentável do rebanho. Em sua propriedade, no extremo norte de Roraima, ele iniciou o trabalho de implantação da pecuária verde. 

O gado fica concentrado em pequenas áreas que variam de 50 a 100 hectares, chamadas de piquete. Nesse espaço, os animais ficam soltos na natureza, se beneficiam de sombras naturais, água fresca e recebem a ração preparada a partir de capim cortado, espalhado em diferentes regiões do piquete. À medida que o animal pisoteia, se alimenta e excreta, o solo vai se enriquecendo de matéria orgânica. 

“O solo vai ficando cada vez mais poroso, a pastagem cada vez mais verde, vai absorvendo melhor a umidade e vai sentindo cada vez menos o efeito da seca. Há ausência total de fogo. O gado come alimento fresco, fica mansinho. É uma coisa inacreditável”, explica animado o pecuarista. 

Após 60 dias, o rebanho é conduzido a outro piquete e aquela pastagem anterior naturalmente se regenera. “É um sistema muito bom e tem a vantagem que as pastagens vão ficando cada vez mais exuberantes sem adição química - depois das pastagens formadas. E, então, vai ter uma uma captação de CO² no solo e não emissão de CO² na atmosfera. É muito sustentável”, acrescenta Saab. 

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Incentivo à sustentabilidade

A iniciativa da Pecuária Saab, pioneira na região, recebeu apoio do Banco da Amazônia (Basa). Além dele, outros 11 produtores da região norte receberam incentivo financeiro e técnico para desenvolver projetos que reúnem criação de gado e sustentabilidade. Eles fazem parte de um projeto piloto do Basa que recebeu o nome de Pecuária Verde.  

A partir da experiência desses 12 proprietários, o Basa está desenhando um novo produto para apoiar projetos de pecuária sustentável na região amazônica. “A seleção deles se deu porque, de certa forma, já tinham diferenciais na parte ambiental. Com acompanhamento, queremos adequar, potencializar e aperfeiçoar o que já fazem”, diz o superintendente regional do Basa do Amazonas e Roraima, Esmar Prado. 

Atualmente na fase de modelagem, o projeto Pecuária Verde deve atender ao menos mil  propriedades, abrangendo 5 mil trabalhadores, estima o superintendente. A ideia do Pecuária Verde é que os beneficiários sejam capacitados para utilizar as melhores tecnologias e práticas, sem desmatamento, com a manutenção das áreas a serem preservadas e o conforto animal.  
 
“Não é produzir por produzir. É produzir com uma base socialmente e ambientalmente responsável, observando todas essas questões que envolvem a nossa segurança futura do meio ambiente”, explica Prado. O produto deve ser lançado para o mercado em meados de agosto. 

A nova linha de crédito está sendo feita a muitas mãos. A área técnica da instituição financeira conta com a experiência dos produtores e com a parceria da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e do projeto Finanças Brasileiras Sustentáveis (FiBraS). A nova modalidade se alinha aos  Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

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15/05/2022 18:50h

Com taxas de juros diferenciadas, Banco da Amazônia quer ampliar acesso das mulheres ao crédito

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Quase metade dos empreendedores no Brasil são mulheres. Segundo dados do Relatório de Empreendedorismo no Brasil 2020, da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), elas são 48%. Mas a maior parte delas, 55%, empreende por necessidade, segundo levantamento do Sebrae. As mulheres também têm menos propensão a tomar empréstimos. Durante o ano de 2020, enquanto 54% dos empreendedores buscaram crédito, apenas 45% delas contrataram operações. 

“Quando o assunto é crédito e empreendedorismo feminino, observamos que as questões culturais são fortes. Tanto do lado de fora do balcão, das mulheres empreendedoras que pedem o empréstimo, quanto do lado de dentro do balcão dos bancos, das instituições financeiras que oferecem”, pondera a coordenadora nacional de empreendedorismo feminino do Sebrae, Renata Malheiros. 

Sensível a essas questões culturais, o Banco da Amazônia (Basa) lançou o programa “Amazônia pra Elas”, um dos braços do programa do Governo Federal chamado Brasil pra Elas. A ideia é estimular o empreendedorismo entre as mulheres. Somente em 2022, o banco já atendeu mais de 1.582 mulheres e investiu cerca de R$ 5,67 milhões somente em ações para fortalecer o empreendedorismo feminino. 

Uma das empreendedoras que tomou o empréstimo no Basa foi Valéria Soares, 35 anos, moradora de Candeias do Jamari (RO). Ela atua no ramo de modas há mais de 10 anos, mas no período da pandemia enfrentou dificuldades. “Quebrei porque vendia muito fiado. Chegou num ponto que ninguém me pagou mais e fiquei devendo mais de 20 fábricas”, recorda. 

Com filhos pequenos para sustentar, Valéria encontrou a saída por meio de um empréstimo específico desenvolvido para grupos de mulheres pelo Banco da Amazônia. Em 2020, ela contratou um crédito de R$ 8 mil na modalidade de aval solidário, em que uma empreendedora fica co-responsável pelos pagamentos das operações das demais. Os grupos podem ser formados por até sete pessoas.

"Às vezes, a pessoa pode pensar que é pouco, mas não se torna pouco quando você sabe fazer acontecer: desde que você pegue para você fazer girar e fazer dinheiro”, recomenda Valéria. Ela usou o valor emprestado para alavancar seu negócio. Comprou mercadoria, montou uma nova loja e conseguiu multiplicar seu investimento com um faturamento de R$ 25 mil em vendas. Com isso, pagou fornecedores e se restabeleceu. Hoje, já tem planos de investir em uma nova loja de roupas com um perfil mais popular. 

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Sônia Maria Farias, dona de um restaurante em Belém, atua há 10 anos neste ramo.  Há sete anos, formou um grupo de quatro mulheres para o aval solidário e começou a trabalhar com apoio de recursos do Basa por meio do Programa Amazônia Florescer. O primeiro empréstimo foi de R$ 1 mil. “Eu tinha um ponto muito pequeno, era na minha casa e trabalhava apenas com lanches. Hoje tenho um ponto muito maior e já expandi meus negócios. Com o apoio de mulheres, aprendi a me planejar, investir”, afirma Sônia.

Acesso ao crédito

As operações de crédito são feitas com taxas mais baixas e os pagamentos podem ser feitos em até 24 meses. O crédito é destinado a grupos de micro e pequenas empreendedoras para investimentos, compras de insumos e mercadorias, pequenas reformas e ampliações. Com taxas fixas, o prazo para pagamento varia de 12 a 24 meses.

A Gerente de Planejamento do Banco da Amazônia, Márcia Mithie, explica que as mulheres podem recorrer ao crédito com taxas de juros diferenciadas até 30 junho. Na carteira do microcrédito, as mulheres são 58% dos empreendedores atendidos pelo Basa. Em 2021, o banco contratou R$ 121 milhões em microcrédito. “Para 2022, o Banco da Amazônia tem a meta de contratar R$ 411 milhões e ampliar para 60%, no mínimo, para atender as mulheres empreendedoras nesse programa”, adianta Mithie. 

O Amazônia pra Elas inclui o Amazônia Florescer pra Elas, um produto de microcrédito urbano modelado para mulheres com taxas de juros reduzidas, a 2,28% ao mês. O Basa lançou a proposta em maio. “Muitas vezes, as mulheres são a base da casa, da família e das finanças também. Então, nesse contexto, precisa de um olhar diferenciado para esse papel da mulher e é isso que o Banco da Amazônia vem fazendo, não somente lançando agora as taxas diferenciadas, mas também modelando produtos para que atendam, apoiem, engajem e que promovam o empreendedorismo feminino”, defende a gerente Márcia Mithie. 

O Amazônia pra Elas tem ações planejadas até março de 2024. Além de taxas diferenciadas, o programa prevê uma premiação para mulheres empreendedoras, edital de patrocínio e campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar. 
 

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09/05/2022 00:32h

Catadores da região amazônica organizados em cooperativas podem se inscrever para coletar os materiais recicláveis descartados pelo Banco da Amazônia

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Cooperativas de catadores de materiais recicláveis têm até o dia 29 de julho para se inscreverem para atuar nas unidades do Banco da Amazônia (BASA). A instituição abriu um edital para selecionar cooperativas que façam a coleta e destinação dos resíduos sólidos secos  gerados no banco - papel, papelão, plásticos, metais, vidros e madeira. 

Podem participar cooperativas de catadores da Amazônia Legal, nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Além disso, também serão selecionadas cooperativas para atuar nas unidades do banco de São Paulo e Brasília. “Queremos cadastrar o maior número de cooperativas possível e dar isonomia. O ideal é que cada unidade do banco tivesse pelo menos uma cooperativa cadastrada”, informou o gerente executivo de Patrimônio e Gestão de Contratos do Banco, Edson Braga. 

O Banco da Amazônia possui 127 unidades. Os detalhes sobre a participação podem ser conferidos no edital, disponível neste link. Após a triagem, o banco vai assinar contrato com as cooperativas. Dúvidas podem ser encaminhadas para o Comitê de Licitações pelo endereço de e-mail: licitacoes@basa.com.br. 

A ideia do Banco da Amazônia é reduzir o descarte inadequado de resíduos sólidos. Nos últimos cinco anos, apenas na sede do BASA, em Belém (PA), foram geradas e coletadas mais de 36 toneladas de resíduos com potencial de reciclagem. Parte desse material, considerado lixo por muitas pessoas, foi coletado pela Cooperativa de Trabalho de Catadores de Resíduos Sólidos da Amazônia  (Cootacresan), que reúne 10 famílias de Belém. Davi dos Santos, presidente da cooperativa, conta que trabalha com coleta de resíduos desde 2014.  

Davi já fez de tudo um pouco: atuou como ajudante de pedreiro, como ferreiro antes de começar como catador, uma atividade que ele considera mais rentável. "Para nós, está sendo bom, está sendo ótimo. Porque todo o resíduo que a gente recolhe é de grande valia, porque a gente depende desse material para que a gente possa fazer o rateio e para a gente sustentar nossas famílias”, conta Davi. 

A Cooperativa de Trabalho de Catadores de Resíduos Sólidos da Amazônia regularizou o CNPJ, adquiriu dois caminhões e alugou um galpão para triagem e separação no Bairro da Cidade Velha, em Belém. Além de coletar no Basa, os catadores também trabalham com os resíduos gerados por outros órgãos públicos em Belém e em condomínios. 
 

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Economia circular 

O Brasil tem mais de um milhão de catadores. Estimativas da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) apontam que cerca de 82,5 milhões de toneladas são descartadas todos os anos só no Brasil. Desse total, apenas 3% são reciclados. Um número que poderia ser muito maior, uma vez que o volume dos resíduos secos com potencial de reciclagem é de cerca de 37 milhões de toneladas/ano. 

Com os catadores, se conclui uma parte importante do que se chama de economia circular. O trabalho deles consiste em recolher o descarte de empresas e condomínios, separar os materiais no galpão e vender para indústrias. Por meio dessa lógica, economiza-se a extração de insumos da natureza e evita-se que resíduos sólidos virem lixo e se acumulem na natureza causando danos ao meio ambiente. O insumo volta, portanto, para o ciclo produtivo.

A ideia do Banco da Amazônia é estimular que outras cooperativas também possam se beneficiar com a coleta. "Eles fazem o recolhimento desse material (bens móveis, papelão, papel, por exemplo) que são separados no banco. No dia certo da semana as cooperativas vem fazer o recolhimento. E aí eles vão dar a destinação. Eles vão fazer essa triagem final e vão reciclar ou vender: gerar recursos e geração de renda para eles", explica o  gerente executivo de Patrimônio e Gestão de Contratos do Banco, Edson Braga.

“É uma grande oportunidade para todas as cooperativas para que elas possam vir e ser agraciadas também. Com a coleta seletiva do Banco da Amazônia que com certeza vai ser rentável e sustentável não só pro banco, mas para as cooperativas”, estimula Davi dos Santos.  

O credenciamento das cooperativas faz parte de um programa maior do Banco, o Amazônia Recicla. “Este edital intensifica a responsabilidade da Instituição com os tratados da ONU sobre alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais até 2030”, acrescenta Braga. O banco também está investindo em outras ações de sustentabilidade, como a contratação de energia limpa para suas unidades. A iniciativa do Basa também colabora com a efetivação do Plano Nacional de Gestão de Resíduos Sólidos, que prevê a eliminação de lixões no Brasil até 2024. 

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17/04/2022 21:46h

Em entrevista ao Brasil61.com, presidente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Esteves Colnago, fala da possibilidade de o Brasil se tornar um dos players mundiais do minério essencial na fabricação de fertilizantes

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A entrevista desta semana do Brasil61.com é com Esteves Colnago, diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia. Colnago fala sobre os planos do Brasil para diminuir a dependência de importação do potássio, peça chave na agricultura nacional.

Colnago também fala sobre a possibilidade de mineração em terras indígenas, o que pode transformar o Brasil em uma das maiores potências mundiais do minério, e sobre a importância de se discutir o assunto, que é estratégico para a economia nacional.

Confira a entrevista:

Levantamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostra que o potencial brasileiro em potássio seria de 2,9 bilhões de toneladas, mas só produzimos 550 mil toneladas por ano. Essa necessidade por uma produção maior do minério, que inclusive rendeu no Plano Nacional de Fertilizantes, surgiu agora, com a crise dos fertilizantes ocasionada pela guerra entre Ucrânia e Rússia, que é um dos maiores fornecedores do Brasil, ou é uma questão que já está no radar há mais tempo?

Esteves Colnago, presidente do CPRM
“O que está acontecendo não é resultado de um trabalho que fizemos agora. O Serviço Geológico do Brasil tem permanente atenção no que diz respeito à busca de minerais estratégicos para o País. Aquilo que está sendo veiculado agora no que diz respeito ao potássio é resultado de um trabalho que vem de anos atrás. Nos últimos tempos conseguimos uma intensificação na busca do fertilizantes na Amazônia, porque já tínhamos evidências disso. Como estamos com trabalho intensificado na busca por fosfatos.”

A exploração do potássio na Amazônia esbarra na questão da proibição de se minerar em terras indígenas, algo que aliás será discutido este mês no Congresso Nacional. Muitas entidades são contra a mudança da lei. É possível aproveitar essa enorme jazida na Amazônia e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente? Outros países que mineram o potássio também enfrentam problemas semelhantes?

Esteves Colnago: “O que existe no momento é uma sequência de mal entendimentos de como o processo pode se desenrolar, mas estamos com a consciência tranquila de vão se encontrar alternativas para viabilizar a exploração desses recursos naturais que o Brasil tem e que estão hoje em reservas que são protegidas de explorações minerais. Não estaremos inventando a roda. Hoje, países como Canadá e Austrália, que também têm situações de ocupações indígenas em seus territórios, exercem mineração sem nenhum problema, articulados e conversando com as comunidades indígenas”.

Segundo dados da Agência Nacional de Mineração, Sergipe, Amazonas, Minas Gerais e São Paulo possuem as principais jazidas de potássio. Além dessa reserva na região amazônica, onde a exploração é polêmica, é possível encontrar outras fontes desse minério tão importante para a agricultura? E com essas novas fontes, o Brasil deixa de ser dependente de importação para se tornar uma potência no setor?

Esteves Colnago: “Nós temos um foco muito grande nessa área de fertilizante. E estamos indo também para nossa costa, para o mar, lá também existem reservas importantes de fertilizantes. Estamos focando também na costa brasileira para poder identificar oportunidades de fertilizantes. Nós queremos nos tornar um player. Nós temos a oportunidade. O nosso trabalho é buscar isso”.

A crise dos fertilizantes abriu toda essa discussão em torno da necessidade de o Brasil aproveitar melhor a produção interna de potássio. Todas essas discussões, mesmo que algumas polêmicas, como a exploração em terras indígenas, trazem algum benefício para a mineração nacional?Esteves Colnago: “O debate sobre o assunto está abrindo o olho da sociedade para isso. A sociedade está começando a entender. É uma movimentação da sociedade em função da situação que está hoje colocada. A dependência do Brasil da importação de fertilizantes gerou um debate nacional e está mobilizando a sociedade. A sociedade brasileira tem de participar ativamente desse processo, mas não é fácil”.


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21/03/2022 03:30h

Em entrevista ao Brasil61.com, o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Luiz Azevedo, explica que o potássio da Amazônia está, em sua maioria, no entorno das reservas

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A Câmara dos Deputados aprovou recentemente requerimento de urgência para votação do PL 191, que pretende liberar a mineração em terras indígenas no Brasil. O projeto, de autoria do Executivo, ganhou os holofotes após com a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia, que causou o temor pela falta de potássio – o produto é importado desses países e necessário para a indústria dos fertilizantes. Toda a questão abriu discussão sobre a urgência de explorarmos as jazidas do minério na Amazônia, visando uma menor dependência da importação, e se isso causaria algum dano às terras indígenas da região.

Em entrevista exclusiva ao Brasil61.com, o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Luiz Azevedo, explica que o Brasil não pode abrir mão da mineração, principalmente de potássio, cujo potencial é enorme, e que há muita desinformação sobre o assunto, já que as jazidas do minério não se encontram dentro das reservas indígenas.

“Esse local é uma fonte que talvez o Brasil não possa abrir mão de explorar. Também é fato que esses locais não estão dentro das reservas indígenas. Pode ser que reservas indígenas contenham potássio, mas esses locais que nós estamos falando estão no entorno das terras indígenas’, destaca o geólogo. 

A urgência pela aprovação do projeto que permite a mineração nas terras dos índios, hoje protegidas por lei, se daria pela necessidade urgente de potássio, o que garantiria o abastecimento de fertilizantes à agricultura brasileira e, por consequência, a segurança alimentar do país. No entanto, um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que apenas 11% de quase 14 milhões de hectares passíveis de extração de potássio estão localizados em terras indígenas. A pesquisa também indicou que apenas a reserva de potássio na região amazônica pode sustentar o país nos próximos 78 anos. Mas há outras grandes reservas do mineral em Sergipe e também em Minas Gerais.

Segundo Luiz Azevedo, a discussão não deveria ser a mineração ou não em terras indígenas, mas adequações nas leis e conversas com as comunidades representativas dos povos, uma vez que a exploração do mineral se dará fora dessas terras, que são devidamente protegidas.

“E o grande impedimento do desenvolvimento dessas jazidas é a falta de oitiva dos povos indígenas. Por quê? Numa resolução Conama, a gente criou as tais zonas de amortecimento. E essas zonas, para que elas sejam pesquisadas, exploradas, elas dependem das unidades gestoras, as unidades de conservação, que no caso são as reservas indígenas. O que a gente precisa é ouvir essas comunidades. Não é uma questão de minerar ou não minerar em terra indígena.”

O presidente da ABPM detalha que as regiões que rodeiam as reservas indígenas receberam uma certa proteção, mas que isso precisa ser revisto justamente pela necessidade de uma maior atuação no local, desde a pesquisa até a mineração de fato. 

“A sociedade, depois, não se apercebeu que criamos uma área em torno disso. Isso é necessário? A gente defende hoje as zonas de perambulação desses indígenas, ou seja, é fora da reserva, mas são locais que eles vão também. A gente tem prova científica de que isso é realmente utilizado pelos indígenas? Então, por que a gente faz esse tipo de reserva? É isso que eu questiono. Por que a gente, na verdade, não modifica esse aspecto da lei que é muito menos polêmico? Quer dizer, vamos discutir o meio termo. Não precisamos discutir a terra indígena neste momento. Vamos discutir o entorno da terra indígena. É uma discussão muito mais fácil, porque ali, de fato, não é indígena. É o entorno”, acentua.

Segundo o especialista, há muita desinformação relacionada à mineração. Ele explica que toda a mineração realizada na Amazônia ocupa muito pouco espaço e traz benefícios aos municípios e ao país. O setor, aliás, é estratégico, principalmente neste momento de retomada da economia. “Se você juntar toda a mineração da região amazônica como um todo, que vai desde Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, até o Acre, a gente está falando de menos de 200 campos de futebol. Agora, o que isso agrega, é enorme. Em um município apenas, no Pará, foi produzido lá quase 7 bilhões em recursos. Olha o poder transformador que tem todo esse recurso mineral traduzido em produto e receita. Então, tem como abrirmos mão da mineração? O mundo não tem como abrir mão da mineração”, questiona. 

“Agora, nesse momento muito importante, a gente está discutindo a nossa segurança alimentar. E para o nosso país isso tem um papel especial, porque pode ser a alavanca de volta da inflação, que vai fazer toda a nossa população sofrer. Essa questão da discussão do potássio na Amazônia é maior, a gente tem de colocar isso com uma lente muito maior.”

Outro ponto ressaltado por Luiz Azevedo é a exposição geográfica que será causada pela exploração do potássio na Amazônia. Como as reservas de potássio são subterrâneas, a exploração do minério vai ocupar espaços realmente pequenos.

“Um ponto muito importante que as pessoas estão esquecendo é a questão da exposição geográfica. Quando a gente fala que vai tirar potássio da Amazônia, o ponto está a mil metros de profundidade. Você simplesmente vai fazer um túnel, um 'shaft' até lá embaixo e aí você vai tirar o potássio, levar ele até a superfície, e vender esse potássio. E vai sobrar sal. E esse sal você coloca de novo lá dentro. Então, não estamos falando de centenas de quilômetros ocupados, não. Na verdade, estamos falando de 2 ou 3 quilômetros quadrados que vão ser ocupados dentro de uma fronteira de quase uma centena de quilômetros. Existe muito pouco conhecimento sobre essa matéria”, destaca. “Vai ser como se fosse uma refinaria de petróleo, com a vantagem que não vai ter aquela fumaça lá. Você vai entrar, tirar o sal, separar o sal do potássio, que você vai vender, e o sal, que é o subproduto, a gente vai devolver para baixo da terra.”

Após anunciar a votação do requerimento de urgência do PL 191, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a proposta será analisada por um grupo de trabalho e só será incluída na pauta em abril. Neste meio tempo, o governo estuda alternativas para abastecer o país com potássio nos próximos meses e desenvolver tecnologias e estudos para aplacar a dependência da importação do minério.
 

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01/02/2022 03:15h

Instituto Amazônia +21 aponta bioeconomia como oportunidade de negócio sustentável na Amazônia Legal

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A adoção de práticas sustentáveis e de baixo carbono com um direcionamento focado para a Economia Verde pode gerar um ganho total acumulado de R$ 2,8 trilhões ao PIB brasileiro até 2030, em relação à trajetória atual. Além disso, há expectativa de acréscimo líquido de 2 milhões de empregos na economia brasileira.

É o que mostra o Caderno Técnico Setorial Bioeconomia, publicado pela a Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH) e alinhados com as iniciativas do Instituto Amazônia +21. Os cadernos setoriais divulgados pela agência rondoniense podem balizar ações similares nos outros oito estados da Amazônia Legal: Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso.

A ideia da bioeconomia é transformar commodities primárias em produtos de maior valor agregado, respeitando os povos, as culturas, os solos e a flora e a fauna da região. O ecossistema da área vai da extração na natureza ou cultivo no campo até a produção de conhecimento nas instituições de pesquisa e desenvolvimento, à indústria e ao mercado consumidor na ponta final.

O estudo realizado pela Agência de Desenvolvimento de Porto Velho parte da premissa de que o desenvolvimento econômico racional, consistente e de longo prazo, deve ser fundamentado no conhecimento da natureza e no entendimento de que a biodiversidade amazônica é o lastro deste processo transformador. Além disso, explica que a Bioeconomia está centrada em uma matriz de desenvolvimento econômico sustentável que evita a simplificação excessiva da natureza, que é o que geralmente ocorre quando se busca aumentar a produção na região. Ações estas, aliás, alinhadas com as principais diretrizes estabelecidas pelo Instituto Amazônia +21.

Marcelo Thomé, diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que os estudos foram elaborados diante de extensa pesquisa com o objetivo de levar o mapeamento completo aos investidores quanto às oportunidades de negócios, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica. Thomé, que também é presidente da Agência de Desenvolvimento, ressaltou que o mundo está voltado para a economia verde, que se sustenta sobre três pilares: ambiental, social e governança (da sigla em inglês ESG).

“Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca o diretor do instituto.

Segundo Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento, os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas enfatiza que os estudos, como o de Bioeconomia, podem balizar ações para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto Amazônia +21.

“É uma orientação do que se pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21”, destaca Guilherme.

Bioeconomia no exterior

O Caderno Técnico Setorial de Bioeconomia aponta para recentes estratégias sobre o assunto que se mostraram vantajosas para Europa e Estados Unidos. Em 2012, a União Europeia (UE) apresentou a sua primeira estratégia dedicada à bioeconomia, focando em desenvolvimento de novas tecnologias e processos, desenvolvimento de mercados e competitividade. A ascensão das bioindústrias europeias deu à economia local, em 2017, uma contribuição total de 750 bilhões de euros, empregando 3,6 milhões de pessoas na União Europeia. Indicadores ainda mais expressivos podem ser observados quando se percebe que o volume de negócios da bioeconomia total, incluindo alimentos e bebidas e os setores primários da agricultura e silvicultura, resultando em pouco mais de 2,4 trilhões de euros injetados na união europeia, empregando 18,5 milhões de pessoas no total.

Também em 2017, nos Estados Unidos, o governo lançou o Federal Activities Report on the Bioeconomy, que trata diretamente do desenvolvimento da Bioeconomia do país, que em 2013 adicionou US$ 369 bilhões e gerou quatro milhões de empregos. 

Bioeconomia no Brasil

Os estudos de Rondônia mostram que temos a oportunidade de reindustrializar o País a partir de novas diretrizes com base no tripé da sustentabilidade, principalmente porque contamos com uma série de vantagens: um enorme território com terras férteis, água e alta insolação, além da maior biodiversidade do planeta (20% da biodiversidade do mundo está no Brasil).

Segundo dados do IBGE (2018), entre os destaques de potenciais apontados para a bioeconomia na Amazônia Legal estão a castanha do Brasil e o açaí, que envolveu 500 mil extrativistas e valor de R$ 592 milhões. Mas outras cadeias produtivas como pequi, palmito, piaçava, látex, carnaúba, guaraná, babaçu, fibras e buriti também se destacam no panorama deste mercado. Em 2016, o valor das vendas atribuíveis à bioeconomia brasileira foi de US$ 326,1 bilhões, considerando-se o setor agropecuário e a produção tradicional.

Instituto Amazônia +21

O Instituto Amazônia+21 nasceu a partir do Fórum Mundial, em novembro de 2020, com o propósito de difundir os princípios de ESG (ambiental, social e governança), apoiar a criação de novos negócios e projetos sustentáveis na Amazônia, bem como adequar empreendimentos já existentes para práticas sustentáveis, dialogando com as demandas locais e com a vocação econômica da região, que abrange 772 municípios e abriga cerca de 24 milhões de brasileiros. As Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal fazem parte dessa missão e apoiam o Instituto na missão de identificar e fomentar negócios sustentáveis na região.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia, divulgados em Rondônia, podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.
 

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31/01/2022 03:30h

Cadernos Técnicos Setoriais de Porto Velho dão uma ideia a produtores e investidores de como desenvolver a Amazônia Legal de forma sustentável e dentro dos padrões ESG

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A prefeitura de Porto Velho (RO), por meio da Agência de Desenvolvimento, lançou no fim de 2021 oito Cadernos Técnicos Setoriais alinhados à agenda do Instituto Amazônia +21, ou seja, que trata de identificar negócios sustentáveis na região da Amazônia Legal. As oportunidades de negócios foram apontadas por estudos e visam os seguintes segmentos: Agropecuária de Baixa Emissão; Bioeconomia; Biotecnologia; Concessões de Floresta; Energias Renováveis; Florestas Plantadas; Mineração Sustentável e Turismo Sustentável.

Os estudos contribuem para a atração de investidores não apenas brasileiros, mas também do exterior, visando o fomento de iniciativas que garantam a geração de empregos, renda e riqueza na região, sem deixar de lado as metas estabelecidas pela chamada economia verde, apoiada em três pilares: ambiental, social e governança (da sigla em inglês ESG).

Marcelo Thomé, que além de presidente da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH) é o diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que os estudos foram elaborados diante de extensa pesquisa com o objetivo de levar o mapeamento completo aos investidores quanto às oportunidades de negócios, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica.

Thomé ressalta que não há dúvidas de que a sustentabilidade, hoje, é uma exigência dos mercados consumidores e dos próprios governos, além de orientar os processos industriais em todo o mundo. O diretor do Instituto lembra que diversos setores bastante avançados já migram para processos industriais de menor emissão, como o de celulose, de cimento e de aço. “Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca.

Os conteúdos dos cadernos técnicos tratam de diretrizes para diversidade, inclusão e sustentabilidade econômica de negócios em Rondônia, mas servem como uma bússola para os outros oito estados da Amazônia Legal, Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento, os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas podem inspirar modelos de estudos para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto.

“Esses cadernos podem inspirar novos estudos, já que cada estado tem uma característica e uma realidade diferentes. Você já tem uma orientação do que pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21.”  

Amazônia+21: Rondônia é exemplo de desenvolvimento sustentável na região amazônica
Amapá pode aproveitar resíduos sólidos e rejeitos da piscicultura para produção de biogás

Amazônia+21: Mato Grosso já investe em economia verde nas fazendas sustentáveis

Segmentos apontados

Agropecuária de baixa emissão: com o crescimento populacional mundial e o consequente aumento do consumo de proteína animal, torna-se crucial o desenvolvimento de uma agropecuária de baixa emissão. O estudo contempla diversos aspectos, entre eles o incentivo ao desenvolvimento de alimentos de alta tecnologia, redução de descarte e até otimizações no transporte das regiões produtivas até o consumidor final. A produção de alimentos é um dos fortes da região amazônica e um dos setores da economia que mais contribui para o aquecimento global.

Bioeconomia: a diversidade territorial amazônica, refletida em seus povos, culturas, solos, flora e fauna, contém elementos únicos para proporcionar uma vida melhor à população da Região Amazônica e ao Brasil. Sob a perspectiva econômica, a Amazônia dispõe de potencial relevante para gerar riqueza e prosperidade a partir de variados produtos e serviços com qualidade, agregando valor e conservando o patrimônio genético. O caderno técnico setorial da bioeconomia tem o objetivo de apresentar uma agenda transformadora na região, partindo da premissa de que o desenvolvimento econômico racional, consistente e de longo prazo deve ser fundamentado no conhecimento da natureza e no entendimento de que a biodiversidade amazônica é o lastro deste processo transformador.

Biotecnologia: a bioeconomia é resultado direto da dinâmica do desenvolvimento de produtos que fazem uso de recursos da biodiversidade e que podem ser gerados a partir dos desdobramentos de diferentes áreas do conhecimento. Mesmo que a bioindústria exista na região, ela é emergente e utiliza um nível tecnológico de baixa a média complexidade. Diante desta ótica, o estudo tem o objetivo de enfatizar a importância da Biotecnologia como uma das frentes de destaque do universo da bioeconomia.

Concessão de florestas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado. Além da disponibilidade de áreas para a silvicultura há também a comercialização de madeira proveniente do extrativismo, uma vez que apresenta vastas extensões de reservas florestais. O estudo foca as diversas legislações que dividem as florestas nativas brasileiras dentro do conceito de unidade de conservação, procurando entender qual o panorama de cada tipo de floresta e tem o objetivo de apresentar, de forma objetiva, as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável por meio da identificação e da priorização de estratégias pertinentes ao âmbito do desenvolvimento de concessões de florestas na região.

Energias renováveis: a geração de energia elétrica é um setor fundamentalmente estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade em qualquer lugar do mundo, tendo sido tratada sempre como um pilar estratégico prioritário na jornada humana. Entretanto, estas atividades de produção muitas vezes utilizam fontes não renováveis, o que por si só já é um problema visto que um dia acabam. Além disso, são energias extremamente poluentes, como o carvão, que trouxeram consequências ambientais graves ao planeta e atualmente tornaram-se intoleráveis aos princípios de sustentabilidade, demandando que todos os países se esforcem para substituir essas fontes poluentes por fontes renováveis e limpas. O tem como proposta salientar a importância das fontes renováveis na geração de energia elétrica em prol de uma matriz energética sustentável, que não agrida ao meio ambiente e esteja alinhada com as principais políticas ambientais mundiais.

Florestas plantadas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado e o caderno visa esclarecer as diretrizes para os subsetores: energético (lenha, carvão vegetal, pellets e resíduos); toras industriais, madeira serrada e outros; produtos de madeira sólida (móveis etc.); painéis de madeira; e madeira destinada à produção de papel e celulose. O estudo tem como objetivo apresentar as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável priorizando estratégias pertinentes ao desenvolvimento de florestas plantadas na região.

Mineração sustentável: o caderno setorial de Mineração Sustentável tem como proposta identificar o potencial econômico da indústria mineral, considerando os principais instrumentos de gestão nas empresas em busca de diminuição de passivo ambiental, métodos de controle, melhores práticas e ações para redução do impacto no meio ambiente desta atividade que é essencial para o setor produtivo e para a vida moderna, mas que também gera uma série de resíduos e impactos na biodiversidade. O objetivo do estudo é propor ações capazes de proporcionar o desenvolvimento do setor, além de mitigar os danos potenciais que esta indústria pode gerar.

Turismo sustentável: na indústria do turismo se fala cada vez mais em sustentabilidade. A prática de viajar está diretamente relacionada com a própria história do desenvolvimento socioeconômico da humanidade, como consequência natural das atividades cotidianas e das mais diversas necessidades que as comunidades foram tendo, até tomar a forma do turismo atual. Seja em negócios ou em lazer, a atividade turística tomou proporções enormes e hoje representa mais de 10% do PIB mundial, se tornando um dos setores mais importantes da economia, e como qualquer indústria, ela gera impactos positivos e negativos para as pessoas e para o planeta. O estudo em questão tem como proposta destacar a importância do turismo na Amazônia Legal para a economia, apontando ainda oportunidades prioritárias de investimento para seu desenvolvimento tendo como base a sustentabilidade alinhada às principais políticas ambientais mundiais, assim como as diretrizes estabelecidas pelo Fórum Amazônia +21.

Em maturação

O Instituto Amazônia+21 nasceu a partir do Fórum Mundial, em novembro de 2020, com o propósito de difundir os princípios de ESG, apoiar a criação de novos negócios e projetos sustentáveis na Amazônia, bem como adequar empreendimentos já existentes para práticas sustentáveis, dialogando com as demandas locais e com a vocação econômica da região, que abrange 772 municípios e abriga cerca de 24 milhões de brasileiros. As Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal fazem parte dessa missão e apoiam o Instituto na missão de identificar e fomentar negócios sustentáveis na região.

Em 2021, o Instituto começou a investir em duas frentes: a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF), que possibilita o aumento da produtividade ao passo em que também promove a recuperação ambiental, e a produção de biogás, energia limpa produzida a partir da decomposição de matéria orgânica, em sua maioria descartada na região. Agora, a ideia é apostar em outras frentes, sabendo que ainda se está construindo o alicerce de uma mudança na Amazônia Legal, como explica Gilberto Braga, um dos consultores do Instituto.

“O Instituto ainda está cumprindo etapas de formalização. É uma maturação da implantação. O objetivo é fomentar, promover e apoiar negócios sustentáveis na Amazônia. Estamos construindo essa iniciativa, que é apoiada por uma ampla rede de empresários, e dando forma a essa ideia, ou seja, se habilitando tecnicamente, desenvolvendo e associando conhecimento e soluções na agenda ESG para estruturar o apoio às empresas que desejam exatamente isso, trabalhar com projetos sustentáveis na Amazônia”, ressalta Gilberto.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.

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