Amazônia Legal

15/05/2022 18:50h

Com taxas de juros diferenciadas, Banco da Amazônia quer ampliar acesso das mulheres ao crédito

Baixar áudio

Quase metade dos empreendedores no Brasil são mulheres. Segundo dados do Relatório de Empreendedorismo no Brasil 2020, da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), elas são 48%. Mas a maior parte delas, 55%, empreende por necessidade, segundo levantamento do Sebrae. As mulheres também têm menos propensão a tomar empréstimos. Durante o ano de 2020, enquanto 54% dos empreendedores buscaram crédito, apenas 45% delas contrataram operações. 

“Quando o assunto é crédito e empreendedorismo feminino, observamos que as questões culturais são fortes. Tanto do lado de fora do balcão, das mulheres empreendedoras que pedem o empréstimo, quanto do lado de dentro do balcão dos bancos, das instituições financeiras que oferecem”, pondera a coordenadora nacional de empreendedorismo feminino do Sebrae, Renata Malheiros. 

Sensível a essas questões culturais, o Banco da Amazônia (Basa) lançou o programa “Amazônia pra Elas”, um dos braços do programa do Governo Federal chamado Brasil pra Elas. A ideia é estimular o empreendedorismo entre as mulheres. Somente em 2022, o banco já atendeu mais de 1.582 mulheres e investiu cerca de R$ 5,67 milhões somente em ações para fortalecer o empreendedorismo feminino. 

Uma das empreendedoras que tomou o empréstimo no Basa foi Valéria Soares, 35 anos, moradora de Candeias do Jamari (RO). Ela atua no ramo de modas há mais de 10 anos, mas no período da pandemia enfrentou dificuldades. “Quebrei porque vendia muito fiado. Chegou num ponto que ninguém me pagou mais e fiquei devendo mais de 20 fábricas”, recorda. 

Com filhos pequenos para sustentar, Valéria encontrou a saída por meio de um empréstimo específico desenvolvido para grupos de mulheres pelo Banco da Amazônia. Em 2020, ela contratou um crédito de R$ 8 mil na modalidade de aval solidário, em que uma empreendedora fica co-responsável pelos pagamentos das operações das demais. Os grupos podem ser formados por até sete pessoas.

"Às vezes, a pessoa pode pensar que é pouco, mas não se torna pouco quando você sabe fazer acontecer: desde que você pegue para você fazer girar e fazer dinheiro”, recomenda Valéria. Ela usou o valor emprestado para alavancar seu negócio. Comprou mercadoria, montou uma nova loja e conseguiu multiplicar seu investimento com um faturamento de R$ 25 mil em vendas. Com isso, pagou fornecedores e se restabeleceu. Hoje, já tem planos de investir em uma nova loja de roupas com um perfil mais popular. 

34% dos empreendedores no Brasil são mulheres

Empreendedorismo: um caminho mais difícil para as mulheres

Pouco mais de 30% das crianças de 0 a 3 anos são atendidas por creches

Sônia Maria Farias, dona de um restaurante em Belém, atua há 10 anos neste ramo.  Há sete anos, formou um grupo de quatro mulheres para o aval solidário e começou a trabalhar com apoio de recursos do Basa por meio do Programa Amazônia Florescer. O primeiro empréstimo foi de R$ 1 mil. “Eu tinha um ponto muito pequeno, era na minha casa e trabalhava apenas com lanches. Hoje tenho um ponto muito maior e já expandi meus negócios. Com o apoio de mulheres, aprendi a me planejar, investir”, afirma Sônia.

Acesso ao crédito

As operações de crédito são feitas com taxas mais baixas e os pagamentos podem ser feitos em até 24 meses. O crédito é destinado a grupos de micro e pequenas empreendedoras para investimentos, compras de insumos e mercadorias, pequenas reformas e ampliações. Com taxas fixas, o prazo para pagamento varia de 12 a 24 meses.

A Gerente de Planejamento do Banco da Amazônia, Márcia Mithie, explica que as mulheres podem recorrer ao crédito com taxas de juros diferenciadas até 30 junho. Na carteira do microcrédito, as mulheres são 58% dos empreendedores atendidos pelo Basa. Em 2021, o banco contratou R$ 121 milhões em microcrédito. “Para 2022, o Banco da Amazônia tem a meta de contratar R$ 411 milhões e ampliar para 60%, no mínimo, para atender as mulheres empreendedoras nesse programa”, adianta Mithie. 

O Amazônia pra Elas inclui o Amazônia Florescer pra Elas, um produto de microcrédito urbano modelado para mulheres com taxas de juros reduzidas, a 2,28% ao mês. O Basa lançou a proposta em maio. “Muitas vezes, as mulheres são a base da casa, da família e das finanças também. Então, nesse contexto, precisa de um olhar diferenciado para esse papel da mulher e é isso que o Banco da Amazônia vem fazendo, não somente lançando agora as taxas diferenciadas, mas também modelando produtos para que atendam, apoiem, engajem e que promovam o empreendedorismo feminino”, defende a gerente Márcia Mithie. 

O Amazônia pra Elas tem ações planejadas até março de 2024. Além de taxas diferenciadas, o programa prevê uma premiação para mulheres empreendedoras, edital de patrocínio e campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar. 
 

Copiar o texto
09/05/2022 00:32h

Catadores da região amazônica organizados em cooperativas podem se inscrever para coletar os materiais recicláveis descartados pelo Banco da Amazônia

Baixar áudio

Cooperativas de catadores de materiais recicláveis têm até o dia 29 de julho para se inscreverem para atuar nas unidades do Banco da Amazônia (BASA). A instituição abriu um edital para selecionar cooperativas que façam a coleta e destinação dos resíduos sólidos secos  gerados no banco - papel, papelão, plásticos, metais, vidros e madeira. 

Podem participar cooperativas de catadores da Amazônia Legal, nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Além disso, também serão selecionadas cooperativas para atuar nas unidades do banco de São Paulo e Brasília. “Queremos cadastrar o maior número de cooperativas possível e dar isonomia. O ideal é que cada unidade do banco tivesse pelo menos uma cooperativa cadastrada”, informou o gerente executivo de Patrimônio e Gestão de Contratos do Banco, Edson Braga. 

O Banco da Amazônia possui 127 unidades. Os detalhes sobre a participação podem ser conferidos no edital, disponível neste link. Após a triagem, o banco vai assinar contrato com as cooperativas. Dúvidas podem ser encaminhadas para o Comitê de Licitações pelo endereço de e-mail: licitacoes@basa.com.br. 

A ideia do Banco da Amazônia é reduzir o descarte inadequado de resíduos sólidos. Nos últimos cinco anos, apenas na sede do BASA, em Belém (PA), foram geradas e coletadas mais de 36 toneladas de resíduos com potencial de reciclagem. Parte desse material, considerado lixo por muitas pessoas, foi coletado pela Cooperativa de Trabalho de Catadores de Resíduos Sólidos da Amazônia  (Cootacresan), que reúne 10 famílias de Belém. Davi dos Santos, presidente da cooperativa, conta que trabalha com coleta de resíduos desde 2014.  

Davi já fez de tudo um pouco: atuou como ajudante de pedreiro, como ferreiro antes de começar como catador, uma atividade que ele considera mais rentável. "Para nós, está sendo bom, está sendo ótimo. Porque todo o resíduo que a gente recolhe é de grande valia, porque a gente depende desse material para que a gente possa fazer o rateio e para a gente sustentar nossas famílias”, conta Davi. 

A Cooperativa de Trabalho de Catadores de Resíduos Sólidos da Amazônia regularizou o CNPJ, adquiriu dois caminhões e alugou um galpão para triagem e separação no Bairro da Cidade Velha, em Belém. Além de coletar no Basa, os catadores também trabalham com os resíduos gerados por outros órgãos públicos em Belém e em condomínios. 
 

Coleta de lixo eletrônico cresce 75 vezes no Brasil em três anos e chega a 1,2 mil toneladas em 2021

Brasil pode avançar na reciclagem com derrubada de veto ao Favorecicle

Economia circular 

O Brasil tem mais de um milhão de catadores. Estimativas da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) apontam que cerca de 82,5 milhões de toneladas são descartadas todos os anos só no Brasil. Desse total, apenas 3% são reciclados. Um número que poderia ser muito maior, uma vez que o volume dos resíduos secos com potencial de reciclagem é de cerca de 37 milhões de toneladas/ano. 

Com os catadores, se conclui uma parte importante do que se chama de economia circular. O trabalho deles consiste em recolher o descarte de empresas e condomínios, separar os materiais no galpão e vender para indústrias. Por meio dessa lógica, economiza-se a extração de insumos da natureza e evita-se que resíduos sólidos virem lixo e se acumulem na natureza causando danos ao meio ambiente. O insumo volta, portanto, para o ciclo produtivo.

A ideia do Banco da Amazônia é estimular que outras cooperativas também possam se beneficiar com a coleta. "Eles fazem o recolhimento desse material (bens móveis, papelão, papel, por exemplo) que são separados no banco. No dia certo da semana as cooperativas vem fazer o recolhimento. E aí eles vão dar a destinação. Eles vão fazer essa triagem final e vão reciclar ou vender: gerar recursos e geração de renda para eles", explica o  gerente executivo de Patrimônio e Gestão de Contratos do Banco, Edson Braga.

“É uma grande oportunidade para todas as cooperativas para que elas possam vir e ser agraciadas também. Com a coleta seletiva do Banco da Amazônia que com certeza vai ser rentável e sustentável não só pro banco, mas para as cooperativas”, estimula Davi dos Santos.  

O credenciamento das cooperativas faz parte de um programa maior do Banco, o Amazônia Recicla. “Este edital intensifica a responsabilidade da Instituição com os tratados da ONU sobre alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais até 2030”, acrescenta Braga. O banco também está investindo em outras ações de sustentabilidade, como a contratação de energia limpa para suas unidades. A iniciativa do Basa também colabora com a efetivação do Plano Nacional de Gestão de Resíduos Sólidos, que prevê a eliminação de lixões no Brasil até 2024. 

Copiar o texto
06/05/2022 19:58h

Segundo senador Chico Rodrigues (União-RR), a frente irá apoiar a realização de estudos na área, para que o subsolo brasileiro seja avaliado de forma cirúrgica

De autoria do senador Chico Rodrigues (União-RR), o Senado Federal começou a analisar Projeto de Resolução (PRS 14/2022), que institui a Frente Parlamentar Ampla de Apoio à Mineração nos Estados Amazônicos. O principal objetivo do PRS é orientar e apoiar a formulação de políticas públicas que promovam a mineração na área da Amazônia Legal. Entre os princípios da ação está o fomento à exploração responsável por meio de programas que estimulem a economia da região.

Chico Rodrigues alega que a mineração é uma das atividades mais importantes para a economia brasileira, porém encontra entraves para seu desenvolvimento e é, inclusive, proibida de explorar o seu potencial por meio de pesquisas minerais. Segundo Rodrigues, a Frente Parlamentar de Apoio à Mineração nos Estados Amazônicos irá apoiar a realização de estudos na área, para que o subsolo brasileiro seja avaliado de forma cirúrgica na identificação de minerais estratégicos - importantes na industrialização nacional e nas exportações para a economia brasileira. 

Além disso, o senador disse que a Frente Ampla irá facilitar a atuação de mineradores (garimpeiros) de pequenas e médias mineradoras, já que as companhias geram riquezas para o País. “Com isto, pretendemos superar obstáculos que impedem atualmente a exploração racional na área, além de incluir as comunidades tradicionais no processo.” Sobre a questão ambiental, Rodrigues afirmou que a Frente é totalmente favorável à mineração sustentável. “Vejam os casos de Canadá, Estados Unidos, Rússia, África, dentre tantos, onde a exploração mineral é regulamentada e os países atuam e administram ao máximo para não causar danos ambientais”. 

O projeto aborda ainda a necessidade de exploração dos bens minerais dos quais o Brasil é dependente de importações, como, por exemplo, aproximadamente 80% dos Fertilizantes – dentre os quais o Brasil importa 97% do potássio consumido.

Copiar o texto
08/02/2022 03:30h

Estudo de Rondônia aponta soluções para desenvolvimento sustentável da agropecuária, com atividades que podem gerar empregos e aumentar ainda mais a produtividade, tudo alinhado com os objetivos do Instituto Amazônia +21

Baixar áudio

A exportação do agronegócio brasileiro bateu recordes em 2021, registrando US$ 120,59 bilhões, ou seja, alta de 19,7%, em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). E como o mercado consumidor está cada vez mais de olho na Economia Verde, ou seja, nos países com produção sustentável, a agropecuária de baixa emissão de gases do efeito estufa se torna cada vez mais urgente, principalmente na área da Amazônia Legal, região que registra um dos maiores crescimentos do setor.

Segundo dados do Banco Mundial, as atividades agropecuárias locais são responsáveis, em média, por 43% das emissões de gás metano (CH4) e 67% das emissões de óxido nitroso (N2O), dois dos principais GEE. O Brasil se comprometeu em 2015, quando assinou o Acordo de Paris, a reduzir suas emissões em 37% até 2025, no entanto, segundo o ranking de emissões emitido pelo Projeto Global Carbon, houve aumento de 36,1% desde 2005.

Neste contexto, o Instituto Amazônia +21 procura por projetos que possam fazer da agropecuária da região amazônica não só uma melhor contribuinte para a economia brasileira, como também um motor de desenvolvimento sustentável e responsável na região. 

Algumas soluções para resolver o problema foram apontadas por um estudo publicado pela Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH), o “Caderno Técnico Setorial – Agropecuária de baixa emissão”, que, além de Rondônia, pode ajudar a construir estratégias nos outros oitos estados que formam a Amazônia Legal, área de atuação do Instituto. Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso podem se balizar nos estudos divulgados para incentivar o desenvolvimento de alimentos de alta tecnologia, a redução de descarte e até otimizações no transporte das regiões produtivas até o consumidor final.

Segundo o estudo, a pecuária, que cada vez mais ganha espaço na Região Norte, também está muito associada à emissão de carbono, que é uma das causas do aquecimento global, principalmente em função do “arroto” dos bovinos, rico em metano. Muito também porque a pecuária é a forma mais simples e barata encontrada na região para a ocupação de uma área para especulação, justificando sua grilagem, que por sua vez gera mais desmatamento e contribui com a liberação de Gases de Efeito Estufa.

Francisco Fonseca, gerente de Pecuária da TNC Brasil, organização não governamental que trabalha há 30 anos no país com conservação ambiental, explica que o setor pecuário de carne e leite ocupa uma grande área, algo em torno de 175 milhões de hectares, e que a produção de carne ainda é de baixa produtividade, por ser extensiva. Segundo o especialista, apenas 12% por cento de todas propriedades do Brasil produzem mais do que 18 arrobas por hectare por ano e ainda estão ligadas ao desmatamento desnecessário, principalmente na Amazônia, onde cerca de 80% do desmatamento está de forma direta e indireta ligado à pecuária extensiva.

Francisco ressalta, no entanto, que nos últimos 30 anos a pecuária de corte brasileira aumentou a produtividade em quase 150% e a previsão da Embrapa é que até 2027 a pecuária mais intensificada, utilizando integração lavoura e agropecuária, que é uma das frentes do Instituto Amazônia +21, deve poupar 10 milhões de hectares e liberar as áreas já abertas e degradadas. “Com o uso de boas práticas, a pecuária pode aumentar a produtividade com baixa carbono, com pastagens e boas condições, retendo mais CO² do solo do que emitido em relação a pastagens degradadas, além de diminuir a emissão de gás metano por parte dos animais”, explica o especialista.

Vilões

A emissão de gases de efeito estufa está concentrada em diversas atividades, como nas mudanças de uso da terra e das florestas, na produção de energia, nos resíduos e nos processos industriais. No Brasil, os principais dados sobre emissões são levantados pelo SEEG – Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, que é uma iniciativa de várias instituições brasileiras.
 
Segundo estudos do SEEG, as mudanças de uso da terra foram responsáveis pela maior fatia das emissões de gases de efeito estufa do Brasil, em 2020: 46% do total bruto, ou 998 milhões de toneladas de CO2. Em seguida vem a agropecuária, com 27% das emissões brutas (577 milhões de toneladas de CO2).

No setor de Agropecuária são contabilizadas as emissões provenientes da digestão dos animais ruminantes, que emite metano – o popular “arroto” do boi – (fermentação entérica), do tratamento e disposição que os dejetos desses animais recebem (manejo de dejetos), do cultivo de arroz irrigado (cultivo de arroz), da queima dos resíduos agrícolas do cultivo de cana-de-açúcar e algodão (queima de resíduos agrícolas) e as originadas pela forma de como os solos agrícolas são manejados, considerando o incremento de nitrogênio via utilização de insumos e operações agrícolas (solos manejados). De acordo com a SEEG, 65% das emissões diretas da agropecuária vêm de fermentação entérica.

Economia Verde pode gerar acréscimo de R$ 2,8 trilhões ao PIB brasileiro até 2030 e gerar novos 2 milhões de empregos

Rondônia aponta oito setores que podem servir de guia para o Instituto Amazônia +21 e o desenvolvimento sustentável na região

Soluções

Uma das frentes do Instituto Amazônia +21 é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), uma técnica que deve ser aplicada em cada um dos estados da Amazônia Legal, com as suas respectivas particularidades, e que permite integrar a produção agrícola, a criação de gado e a silvicultura em um mesmo espaço. Há também os Sistemas Agroflorestais (SAF), técnicas que combinam espécies florestais com lavouras tradicionais, gerando benefícios ecológicos e retorno financeiro através do aumento da produtividade na agropecuária e da exploração dos frutos e da madeira.

Além da redução de gases do efeito estufa, a agricultura de baixo carbono proporciona outros benefícios, tanto para o meio ambiente como para a economia, uma vez que evita o desmatamento, aumenta a produtividade, e gera empregos diretos e indiretos.  O caderno setorial sobre agropecuária que pode ajudar iniciativas em toda a Amazônia Legal aponta para várias técnicas que podem ser estudadas dentro das particularidades de cada estado. Entre elas:

  • Sistema Plantio Direto (SPD): técnica que revolve o solo apenas na linha de semeadura e usa material orgânico e palha de safras anteriores como adubo e alimento para o solo, proporcionando aumento da conservação do solo, da biodiversidade e da água, além de maior eficiência na adubação, redução do uso de fertilizantes e de combustíveis fósseis.
  • Fixação biológica de nitrogênio: técnica de inoculação de sementes com bactérias, que são capazes de fixar no solo o nitrogênio disponível na atmosfera.
  • Recuperação de pastagens degradadas: inclui técnicas de recuperação de áreas que perderam sua cobertura vegetal e consequentemente, matéria orgânica no solo – com potencial para a redução da emissão de CO2 para a atmosfera e o aumento da produtividade da área.
  • Florestas Plantadas: a produção de florestas plantadas de espécies nativas e exóticas contribui para a captura de CO2 na atmosfera. A meta estabelecida para o Brasil em 2020 foi o de estimular o plantio de 3 milhões de hectares de florestas econômicas e mitigar entre 8 e 10 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.
  • Tratamento de Dejetos Animais: técnica que reduz a emissão de metano e produz o adubo orgânico, que por sua vez reduz o uso de insumos químicos. Outro benefício dessa técnica é a conversão de biogás em energia. 

Economia Verde

Marcelo Thomé, diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que o mundo está cada vez mais voltado para a Economia Verde e que se o Brasil quiser continuar sendo um dos protagonistas no mercado, tem de utilizar a Amazônia como o principal vetor de desenvolvimento sustentável.

“Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca o diretor do instituto.

Os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas podem balizar modelos de estudos para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto Amazônia +21.

Além do caderno técnico sobre agropecuária de baixa emissão, outros estudos de Rondônia podem balizar estudos e ações dos demais estados da Amazônia Legal: Bioeconomia, Biotecnologia, Concessão de florestas, Energias renováveis, Florestas plantadas, Mineração sustentável e Turismo sustentável.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.
 

Copiar o texto
01/02/2022 03:15h

Instituto Amazônia +21 aponta bioeconomia como oportunidade de negócio sustentável na Amazônia Legal

Baixar áudio

A adoção de práticas sustentáveis e de baixo carbono com um direcionamento focado para a Economia Verde pode gerar um ganho total acumulado de R$ 2,8 trilhões ao PIB brasileiro até 2030, em relação à trajetória atual. Além disso, há expectativa de acréscimo líquido de 2 milhões de empregos na economia brasileira.

É o que mostra o Caderno Técnico Setorial Bioeconomia, publicado pela a Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH) e alinhados com as iniciativas do Instituto Amazônia +21. Os cadernos setoriais divulgados pela agência rondoniense podem balizar ações similares nos outros oito estados da Amazônia Legal: Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso.

A ideia da bioeconomia é transformar commodities primárias em produtos de maior valor agregado, respeitando os povos, as culturas, os solos e a flora e a fauna da região. O ecossistema da área vai da extração na natureza ou cultivo no campo até a produção de conhecimento nas instituições de pesquisa e desenvolvimento, à indústria e ao mercado consumidor na ponta final.

O estudo realizado pela Agência de Desenvolvimento de Porto Velho parte da premissa de que o desenvolvimento econômico racional, consistente e de longo prazo, deve ser fundamentado no conhecimento da natureza e no entendimento de que a biodiversidade amazônica é o lastro deste processo transformador. Além disso, explica que a Bioeconomia está centrada em uma matriz de desenvolvimento econômico sustentável que evita a simplificação excessiva da natureza, que é o que geralmente ocorre quando se busca aumentar a produção na região. Ações estas, aliás, alinhadas com as principais diretrizes estabelecidas pelo Instituto Amazônia +21.

Marcelo Thomé, diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que os estudos foram elaborados diante de extensa pesquisa com o objetivo de levar o mapeamento completo aos investidores quanto às oportunidades de negócios, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica. Thomé, que também é presidente da Agência de Desenvolvimento, ressaltou que o mundo está voltado para a economia verde, que se sustenta sobre três pilares: ambiental, social e governança (da sigla em inglês ESG).

“Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca o diretor do instituto.

Segundo Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento, os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas enfatiza que os estudos, como o de Bioeconomia, podem balizar ações para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto Amazônia +21.

“É uma orientação do que se pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21”, destaca Guilherme.

Bioeconomia no exterior

O Caderno Técnico Setorial de Bioeconomia aponta para recentes estratégias sobre o assunto que se mostraram vantajosas para Europa e Estados Unidos. Em 2012, a União Europeia (UE) apresentou a sua primeira estratégia dedicada à bioeconomia, focando em desenvolvimento de novas tecnologias e processos, desenvolvimento de mercados e competitividade. A ascensão das bioindústrias europeias deu à economia local, em 2017, uma contribuição total de 750 bilhões de euros, empregando 3,6 milhões de pessoas na União Europeia. Indicadores ainda mais expressivos podem ser observados quando se percebe que o volume de negócios da bioeconomia total, incluindo alimentos e bebidas e os setores primários da agricultura e silvicultura, resultando em pouco mais de 2,4 trilhões de euros injetados na união europeia, empregando 18,5 milhões de pessoas no total.

Também em 2017, nos Estados Unidos, o governo lançou o Federal Activities Report on the Bioeconomy, que trata diretamente do desenvolvimento da Bioeconomia do país, que em 2013 adicionou US$ 369 bilhões e gerou quatro milhões de empregos. 

Bioeconomia no Brasil

Os estudos de Rondônia mostram que temos a oportunidade de reindustrializar o País a partir de novas diretrizes com base no tripé da sustentabilidade, principalmente porque contamos com uma série de vantagens: um enorme território com terras férteis, água e alta insolação, além da maior biodiversidade do planeta (20% da biodiversidade do mundo está no Brasil).

Segundo dados do IBGE (2018), entre os destaques de potenciais apontados para a bioeconomia na Amazônia Legal estão a castanha do Brasil e o açaí, que envolveu 500 mil extrativistas e valor de R$ 592 milhões. Mas outras cadeias produtivas como pequi, palmito, piaçava, látex, carnaúba, guaraná, babaçu, fibras e buriti também se destacam no panorama deste mercado. Em 2016, o valor das vendas atribuíveis à bioeconomia brasileira foi de US$ 326,1 bilhões, considerando-se o setor agropecuário e a produção tradicional.

Instituto Amazônia +21

O Instituto Amazônia+21 nasceu a partir do Fórum Mundial, em novembro de 2020, com o propósito de difundir os princípios de ESG (ambiental, social e governança), apoiar a criação de novos negócios e projetos sustentáveis na Amazônia, bem como adequar empreendimentos já existentes para práticas sustentáveis, dialogando com as demandas locais e com a vocação econômica da região, que abrange 772 municípios e abriga cerca de 24 milhões de brasileiros. As Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal fazem parte dessa missão e apoiam o Instituto na missão de identificar e fomentar negócios sustentáveis na região.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia, divulgados em Rondônia, podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.
 

Copiar o texto
31/01/2022 03:30h

Cadernos Técnicos Setoriais de Porto Velho dão uma ideia a produtores e investidores de como desenvolver a Amazônia Legal de forma sustentável e dentro dos padrões ESG

Baixar áudio

A prefeitura de Porto Velho (RO), por meio da Agência de Desenvolvimento, lançou no fim de 2021 oito Cadernos Técnicos Setoriais alinhados à agenda do Instituto Amazônia +21, ou seja, que trata de identificar negócios sustentáveis na região da Amazônia Legal. As oportunidades de negócios foram apontadas por estudos e visam os seguintes segmentos: Agropecuária de Baixa Emissão; Bioeconomia; Biotecnologia; Concessões de Floresta; Energias Renováveis; Florestas Plantadas; Mineração Sustentável e Turismo Sustentável.

Os estudos contribuem para a atração de investidores não apenas brasileiros, mas também do exterior, visando o fomento de iniciativas que garantam a geração de empregos, renda e riqueza na região, sem deixar de lado as metas estabelecidas pela chamada economia verde, apoiada em três pilares: ambiental, social e governança (da sigla em inglês ESG).

Marcelo Thomé, que além de presidente da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH) é o diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que os estudos foram elaborados diante de extensa pesquisa com o objetivo de levar o mapeamento completo aos investidores quanto às oportunidades de negócios, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica.

Thomé ressalta que não há dúvidas de que a sustentabilidade, hoje, é uma exigência dos mercados consumidores e dos próprios governos, além de orientar os processos industriais em todo o mundo. O diretor do Instituto lembra que diversos setores bastante avançados já migram para processos industriais de menor emissão, como o de celulose, de cimento e de aço. “Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca.

Os conteúdos dos cadernos técnicos tratam de diretrizes para diversidade, inclusão e sustentabilidade econômica de negócios em Rondônia, mas servem como uma bússola para os outros oito estados da Amazônia Legal, Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento, os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas podem inspirar modelos de estudos para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto.

“Esses cadernos podem inspirar novos estudos, já que cada estado tem uma característica e uma realidade diferentes. Você já tem uma orientação do que pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21.”  

Amazônia+21: Rondônia é exemplo de desenvolvimento sustentável na região amazônica
Amapá pode aproveitar resíduos sólidos e rejeitos da piscicultura para produção de biogás

Amazônia+21: Mato Grosso já investe em economia verde nas fazendas sustentáveis

Segmentos apontados

Agropecuária de baixa emissão: com o crescimento populacional mundial e o consequente aumento do consumo de proteína animal, torna-se crucial o desenvolvimento de uma agropecuária de baixa emissão. O estudo contempla diversos aspectos, entre eles o incentivo ao desenvolvimento de alimentos de alta tecnologia, redução de descarte e até otimizações no transporte das regiões produtivas até o consumidor final. A produção de alimentos é um dos fortes da região amazônica e um dos setores da economia que mais contribui para o aquecimento global.

Bioeconomia: a diversidade territorial amazônica, refletida em seus povos, culturas, solos, flora e fauna, contém elementos únicos para proporcionar uma vida melhor à população da Região Amazônica e ao Brasil. Sob a perspectiva econômica, a Amazônia dispõe de potencial relevante para gerar riqueza e prosperidade a partir de variados produtos e serviços com qualidade, agregando valor e conservando o patrimônio genético. O caderno técnico setorial da bioeconomia tem o objetivo de apresentar uma agenda transformadora na região, partindo da premissa de que o desenvolvimento econômico racional, consistente e de longo prazo deve ser fundamentado no conhecimento da natureza e no entendimento de que a biodiversidade amazônica é o lastro deste processo transformador.

Biotecnologia: a bioeconomia é resultado direto da dinâmica do desenvolvimento de produtos que fazem uso de recursos da biodiversidade e que podem ser gerados a partir dos desdobramentos de diferentes áreas do conhecimento. Mesmo que a bioindústria exista na região, ela é emergente e utiliza um nível tecnológico de baixa a média complexidade. Diante desta ótica, o estudo tem o objetivo de enfatizar a importância da Biotecnologia como uma das frentes de destaque do universo da bioeconomia.

Concessão de florestas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado. Além da disponibilidade de áreas para a silvicultura há também a comercialização de madeira proveniente do extrativismo, uma vez que apresenta vastas extensões de reservas florestais. O estudo foca as diversas legislações que dividem as florestas nativas brasileiras dentro do conceito de unidade de conservação, procurando entender qual o panorama de cada tipo de floresta e tem o objetivo de apresentar, de forma objetiva, as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável por meio da identificação e da priorização de estratégias pertinentes ao âmbito do desenvolvimento de concessões de florestas na região.

Energias renováveis: a geração de energia elétrica é um setor fundamentalmente estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade em qualquer lugar do mundo, tendo sido tratada sempre como um pilar estratégico prioritário na jornada humana. Entretanto, estas atividades de produção muitas vezes utilizam fontes não renováveis, o que por si só já é um problema visto que um dia acabam. Além disso, são energias extremamente poluentes, como o carvão, que trouxeram consequências ambientais graves ao planeta e atualmente tornaram-se intoleráveis aos princípios de sustentabilidade, demandando que todos os países se esforcem para substituir essas fontes poluentes por fontes renováveis e limpas. O tem como proposta salientar a importância das fontes renováveis na geração de energia elétrica em prol de uma matriz energética sustentável, que não agrida ao meio ambiente e esteja alinhada com as principais políticas ambientais mundiais.

Florestas plantadas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado e o caderno visa esclarecer as diretrizes para os subsetores: energético (lenha, carvão vegetal, pellets e resíduos); toras industriais, madeira serrada e outros; produtos de madeira sólida (móveis etc.); painéis de madeira; e madeira destinada à produção de papel e celulose. O estudo tem como objetivo apresentar as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável priorizando estratégias pertinentes ao desenvolvimento de florestas plantadas na região.

Mineração sustentável: o caderno setorial de Mineração Sustentável tem como proposta identificar o potencial econômico da indústria mineral, considerando os principais instrumentos de gestão nas empresas em busca de diminuição de passivo ambiental, métodos de controle, melhores práticas e ações para redução do impacto no meio ambiente desta atividade que é essencial para o setor produtivo e para a vida moderna, mas que também gera uma série de resíduos e impactos na biodiversidade. O objetivo do estudo é propor ações capazes de proporcionar o desenvolvimento do setor, além de mitigar os danos potenciais que esta indústria pode gerar.

Turismo sustentável: na indústria do turismo se fala cada vez mais em sustentabilidade. A prática de viajar está diretamente relacionada com a própria história do desenvolvimento socioeconômico da humanidade, como consequência natural das atividades cotidianas e das mais diversas necessidades que as comunidades foram tendo, até tomar a forma do turismo atual. Seja em negócios ou em lazer, a atividade turística tomou proporções enormes e hoje representa mais de 10% do PIB mundial, se tornando um dos setores mais importantes da economia, e como qualquer indústria, ela gera impactos positivos e negativos para as pessoas e para o planeta. O estudo em questão tem como proposta destacar a importância do turismo na Amazônia Legal para a economia, apontando ainda oportunidades prioritárias de investimento para seu desenvolvimento tendo como base a sustentabilidade alinhada às principais políticas ambientais mundiais, assim como as diretrizes estabelecidas pelo Fórum Amazônia +21.

Em maturação

O Instituto Amazônia+21 nasceu a partir do Fórum Mundial, em novembro de 2020, com o propósito de difundir os princípios de ESG, apoiar a criação de novos negócios e projetos sustentáveis na Amazônia, bem como adequar empreendimentos já existentes para práticas sustentáveis, dialogando com as demandas locais e com a vocação econômica da região, que abrange 772 municípios e abriga cerca de 24 milhões de brasileiros. As Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal fazem parte dessa missão e apoiam o Instituto na missão de identificar e fomentar negócios sustentáveis na região.

Em 2021, o Instituto começou a investir em duas frentes: a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF), que possibilita o aumento da produtividade ao passo em que também promove a recuperação ambiental, e a produção de biogás, energia limpa produzida a partir da decomposição de matéria orgânica, em sua maioria descartada na região. Agora, a ideia é apostar em outras frentes, sabendo que ainda se está construindo o alicerce de uma mudança na Amazônia Legal, como explica Gilberto Braga, um dos consultores do Instituto.

“O Instituto ainda está cumprindo etapas de formalização. É uma maturação da implantação. O objetivo é fomentar, promover e apoiar negócios sustentáveis na Amazônia. Estamos construindo essa iniciativa, que é apoiada por uma ampla rede de empresários, e dando forma a essa ideia, ou seja, se habilitando tecnicamente, desenvolvendo e associando conhecimento e soluções na agenda ESG para estruturar o apoio às empresas que desejam exatamente isso, trabalhar com projetos sustentáveis na Amazônia”, ressalta Gilberto.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.

Copiar o texto
07/12/2021 02:30h

Integrado ao programa Lixão Zero do Ministério do Meio Ambiente, sistema pretende preservar a região

Baixar áudio

As nove capitais que integram a Amazônia Legal vão contar com sistema de logística reversa para lixo eletroeletrônico até abril de 2022. A medida pretende preservar o meio ambiente na região que abriga a maior floresta tropical do mundo, além de incentivar a economia local e circular.

A logística reversa está integrada ao programa Lixão Zero do Ministério do Meio Ambiente, que foi instituído no Decreto Federal n° 10.240/2020 e tem como objetivo eliminar os lixões existentes no país, além de apoiar os municípios para soluções mais adequadas de destinação final dos resíduos sólidos. “Até 2025, as 400 maiores cidades do Brasil, em termos de número de habitantes, deverão ter o sistema implantado”, afirma o secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, André França.

As capitais que terão o sistema até abril de 2022 são: Manaus (AM), Rio Branco (AC), Macapá (AP), Belém (PA), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Palmas (TO), Cuiabá (MT) e São Luís (MA).

“Vai funcionar da seguinte forma: os pontos de entrega voluntários são instalados e também as centrais de logística reversa, que são pontos de consolidação. Então o cidadão faz o descarte em um dos pontos, esses eletroeletrônicos são consolidados e enviados para reciclagem. Gerando, assim, emprego e renda, com sustentabilidade”, explica o secretário.

Até 2025, 400 cidades vão ter pontos de coleta de lixo eletrônico

Semana Lixo Zero mobiliza mais de 250 municípios do País

De acordo com a pasta, o objetivo é a implantação de mais de 5 mil pontos de entrega voluntária, em todo o país.

Primeira central na Região Norte

Em Manaus, o sistema começou a ser implantado no dia 29 de setembro, quando foi inaugurada a primeira Central de Logística Reversa de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos da Região Norte. O espaço de coleta funciona na sede da Associação de Catadores de Recicláveis do Amazonas (Ascarman), localizada no bairro Santa Etelvina, na zona norte da cidade.

A iniciativa foi focada na capital que abriga um dos principais parques industriais do país, principalmente para acabar com as 600 toneladas de lixo que são retiradas de rios e igarapés da região a cada 40 dias, segundo dados da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana de Manaus (Semulsp). 

“A gente já fazia esse serviço, mas não tínhamos todo esse reconhecimento do poder público do Ministério do Meio Ambiente. A associação tem um papel muito importante na comunidade, pelo fato de gerar emprego e renda para os catadores, além de cuidar do meio ambiente”, afirma Ozileni Vital, catadora de material  reciclável que trabalha no projeto de logística reversa na Ascarman.

Segundo ela, em 15 dias, os catadores recolheram cerca de seis toneladas de lixo eletrônico que estavam jogados na rua. Com o projeto, os próprios cidadãos manauaras podem agendar pelo telefone (92) 9617-1447, para que os objetos que desejam descartar sejam recolhidos e levados até a Central.

De acordo com Ozileni e com a prefeitura de Manaus, a sede da Ascarman pode receber lixo de todos os portes, desde aspirador de pó, batedeira, ferro elétrico, micro-ondas, televisão, até fone de ouvido, liquidificador, máquina de costura, entre outros.

Consumo e reciclagem

O lixo eletrônico é todo objeto que possui um circuito elétrico dentro, seja esse circuito composto por uma fiação que vai ligar um motor ou, em casos mais complexos, aquele que possui placa eletrônica para tomada de decisão.

“A gente separa o lixo eletrônico em algumas categorias. Por exemplo, grandes equipamentos, como uma geladeira, um freezer ou máquina de lavar. Pequenos equipamentos, que seriam uma torradeira, batedeira, aspirador de pó. Tudo isso tem um circuito elétrico, pois a maioria possui um visor ou timer, que vai depender disso. A gente ainda tem os equipamentos de informática e telefonia, além das pilhas e baterias”, explica o especialista em meio ambiente Charles Dayler.

O problema, segundo o especialista, é que o consumo, e consequentemente o descarte desses objetos, está crescendo rapidamente. “A gente vem em um crescente absurdo do consumo de material eletrônico, visto que até geladeiras, hoje em dia, podem se conectar com a internet. Tudo acaba precisando de circuito elétrico, o volume gerado por esse material é grande e o problema é que ele é de difícil reciclagem. Não é uma reciclagem comum que a gente faz por separação ou que podemos colocar numa cooperativa de catador”, esclarece.

No setor de tecnologia, por exemplo, somente em 2020, 424 milhões de dispositivos digitais estavam em uso no Brasil, como computador, notebook, tablet e smartphone, segundo pesquisa do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada (FGVcia) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP). Além disso, o relatório The Global E-waste Monitor de 2020 revelou que o Brasil foi o quinto país que mais produziu lixo eletrônico no ano de 2019, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos, Índia e Japão.

O secretário André França afirma que reciclar e acabar com os lixões a céu aberto estão entre as metas do programa. “Além de preservar os recursos naturais e evitar o descarte inadequado, a reciclagem também é muito importante porque reduz a emissão de gases do efeito estufa, bem como reduz o consumo de energia. Então, a logística reversa é exatamente esse sistema que permite o retorno para a cadeia produtiva desse material, após o esgotamento da sua vida útil", conclui.

Favorecicle e ProRecicle

Aprovado pelo Senado Federal, o Projeto de Lei 6.545/2019, que cria incentivos fiscais à indústria da reciclagem e emissão de títulos para financiar projetos, agora aguarda sanção do presidente Jair Bolsonaro. O projeto cria o Fundo de Apoio para Ações Voltadas à Reciclagem (Favorecicle) e Fundos de Investimentos para Projetos de Reciclagem (ProRecicle). 

Projeto cria incentivos fiscais para a reciclagem de lixo

Para incentivar as indústrias e as entidades dedicadas à reutilização, ao tratamento e à reciclagem de resíduos sólidos produzidos no território nacional, o texto propõe que a União, pelo prazo de cinco anos após a promulgação da lei, ofereça às pessoas físicas e jurídicas tributadas pelo sistema de lucro real a opção de deduzir do Imposto de Renda os valores gastos com projetos de reciclagem previamente aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). O limite de dedução será de até 1% do imposto devido para pessoas jurídicas e 6% para pessoas físicas.

Copiar o texto
06/12/2021 01:30h

Projeto é uma iniciativa do Instituto Amazônia+21, que deve fazer a conexão entre os produtores locais e investidores já a partir de 2022

Baixar áudio

A produção de biogás é um dos projetos que devem receber investimentos a partir de 2022 no Amapá. A iniciativa será implementada pelo Instituto Amazônia+21, que desenvolve ações de apoio às empresas da Amazônia Legal na adequação dos processos produtivos às práticas sustentáveis.

O gás é resultante da decomposição de resíduos orgânicos e gera energia térmica, elétrica e veicular de forma limpa e com redução de custos e impactos ao meio ambiente. No caso de Amapá, o potencial de produção do combustível verde está concentrado nos resíduos sólidos urbanos e nos descartes do processamento da mandioca e da piscicultura.

Segundo estudo do Instituto Escolhas, publicado em agosto deste ano, os resíduos de todos os estados da Amazônia poderiam gerar mais de 537 milhões de metros cúbicos de biogás por ano, algo em torno de 1,1 TWh de eletricidade. Apenas com o que sobra do abate de pescado realizado no Amapá é possível produzir mais de 488 mil metros cúbicos de biogás ao ano. 

Para se ter uma ideia, a energia gerada seria equivalente a mais de 14 mil botijões de gás de cozinha. Já os resíduos sólidos urbanos do estado têm potencial para gerar 30 GWh de energia elétrica, o que poderia atender mais de 15 mil residências, beneficiando mais de 60 mil pessoas.

As usinas de geração de biogás, no entanto, dependem de tecnologia e investimentos. E é aí que entra o Instituto Amazônia+21. O objetivo da iniciativa não é apenas fazer o mapeamento de soluções, oportunidades e perspectivas relacionadas ao desenvolvimento sustentável na região, mas também proporcionar a conexão dos produtores locais com potenciais investidores.

Segundo Marcelo Thomé, presidente do Instituto, a ideia é fazer a interação entre o empresário amazônico, que deve apresentar sua realidade, com aquele que pode investir e impulsionar projetos de impacto. “Seremos o elo de quem produz e conhece o local e aqueles que têm interesse e compromisso de investir de maneira sustentável, tornando-se aliados na conservação da Amazônia”, explica.

A gerente para Políticas Públicas e Relações Governamentais da ONG TNC Brasil, Karen Oliveira, explica que o biogás é mais um potencial da economia verde, dentro de um modelo de transição para um modelo de desenvolvimento, de economia de baixo carbono. E que o trabalho do Instituto Amazônia+21 será essencial, já que é necessário investimento em tecnologia e informação dos processos, entre eles a destinação adequada desses resíduos, para que eles possam ser aproveitados em estruturas geradoras de biogás.

“A Amazônia tem um potencial enorme nesse sentido, usando resíduos sólidos de áreas urbanas, mas também resíduos do processamento da mandioca, resíduos do processamento do açaí. Mas para que isso ganhe escala é necessário investimentos em tecnologia, transferência de tecnologia”, explica a especialista.

A gerente da TNC, que atua há 30 anos na Amazônia com foco em conservação e mitigação de mudanças climáticas, ressalta ainda que a produção do biogás é um excelente componente da bioeconomia moderna porque tem a capacidade de levar desenvolvimento sustentável aos produtores locais ao passo que contribui para a missão de combate à emissão de gases nocivos. “A produção de biogás pode ser transformadora para a região amazônica, em especial usando resíduos de produtos amazônicos, resíduos desses produtos da floresta que ao mesmo tempo em que geram energia podem contribuir também para a manutenção da floresta em pé.”

Além do projeto da produção de biogás, o Amazônia+21 aposta, também já a partir de 2022, na integração da lavoura e da pecuária com a floresta, adotando práticas de agricultura regenerativa e de baixo carbono. A presença física do Instituto nos estados será feita por meio das federações de indústria, como a FIEAP, no Amapá, e o site da iniciativa será lançado em breve, onde os produtores e possíveis investidores terão acesso a informações dos projetos em andamento.
 

Copiar o texto
06/12/2021 01:00h

Combustível verde, gerado a partir da decomposição de resíduos, seria suficiente para atender 174 mil residências por ano, beneficiando mais de 700 mil pessoas

Baixar áudio

Um dos primeiros projetos de negócios sustentáveis na região amazônica a serem desenvolvidos pelo Instituto Amazônia+21 será o de biogás, produção de combustível verde proveniente da decomposição de resíduos sólidos. E o Pará larga na frente, já que o estado é o que tem maior potencial de geração de energia renovável em toda a Região Norte.

Segundo estudo do Instituto Escolhas, publicado em agosto deste ano, apenas com os resíduos sólidos urbanos, os resíduos da piscicultura e da mandioca em todos os estados da Amazônia seria possível gerar mais de 537 milhões de metros cúbicos de biogás por ano, algo em torno de 1,1 TWh de eletricidade. É o suficiente para atender mais de 550 mil residências em todo o Norte do País, o que, por sua vez, beneficiaria mais de 2,2 milhões de pessoas. Desse potencial, apenas 6% é utilizado atualmente para a geração de energia nos aterros sanitários de Manaus (AM) e Rosário (MA).

De acordo com os dados do estudo, com o material disponível no Pará, é possível produzir 168 milhões de metros cúbicos de biogás ao ano. Em segundo, vem o Maranhão, com a possibilidade de uma capacidade estimada em 113 milhões de metros cúbicos.

A estimativa do instituto é que o Pará pode gerar com a decomposição de resíduos quase 350 GWh de eletricidade, suficiente para atender 174 mil residências e beneficiar aproximadamente 706 mil paraenses – ou a metade da população da capital, Belém. Além dos resíduos sólidos urbanos, onde está a maior parte do potencial para o biogás, o estado também tem bastante material a aproveitar com as sobras do abate de peixes.

Mas o destaque é outro: o estado é o maior produtor de farinha de mandioca da Amazônia, com quase 79 mil casas de farinha. Segundo o estudo, o Pará concentra 53% do potencial amazônico para produzir biogás a partir do tubérculo. O descarte da produção poderia gerar 1,5 milhão de metros cúbicos por ano, capazes de gerar 3 GWh de eletricidade para as instalações do setor ou para atender 1.500 casas no entorno. Para se ter uma ideia, a quantidade é equivalente a 44 mil botijões de gás de cozinha.

A utilização da energia renovável poderia reduzir em até 38% o uso de energia poluente na região amazônica, consumida em sistemas isolados, que geram energia local por meio de usinas que queimam combustíveis fósseis, como o óleo diesel. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) de 2020, além de ser poluente, a energia hoje utilizada tem custos anuais na região que giram em torno de R$ 7,6 bilhões.

Karen Oliveira, gerente para Políticas Públicas e Relações Governamentais da ONG TNC Brasil, explica que a região amazônica já tem uma grande geração de energia proveniente das hidrelétricas, mas que precisam percorrer longas distâncias até o centro-sul, o que a torna uma energia cara. A produção de biogás não só tornaria o processo mais barato e limpo, como também atenderia aos produtores locais, que dependem de energia gerada por queima de combustíveis fósseis.

“As comunidades locais que tanto necessitam de energia, também para verticalizar e para dar escala a sua produção, para otimizar o seu desenvolvimento local, ficam desabastecidas, dependendo de uma energia cada vez mais cara e poluente baseada em geradores, normalmente a diesel”, explica Karen. 

“Então, com a possibilidade do biogás, se você traz biodigestores para região e aproveita esse potencial para realmente gerar energia, você tem a possibilidade de localmente fazer uma grande transformação, gerando energia para essas comunidades a partir dos resíduos dos produtos comercializados e produzidos por essas comunidades.”

Amazônia +21 e ESG

A ideia do Instituto Amazônia+21 é começar a identificar os potenciais produtores de biogás nas regiões da Amazônia Legal a partir de 2022, com a geração de energia térmica, elétrica e veicular por meio da decomposição de resíduos orgânicos. O chamado biogás é produzido em três etapas: preparação do material biológico, fermentação e pós-tratamento do material residual. Mas, para isso, é necessário também identificar as possíveis parcerias que, segundo o deputado federal Paulo Bengtson, do PTB do Pará, são essenciais para que o Brasil possa se destacar ainda mais na economia verde.

“Todo e qualquer instituto, toda e qualquer ação, seja ela pública, privada, mista ou organização não governamental que vise realmente a diminuição, a redução da emissão de gases e que seja isso um incentivo até para a Amazônia, principalmente, como eu sempre digo, para os amazônidas, que são os moradores daquela região, eu sou a favor.”, destaca o parlamentar.

A aposta do Instituto no Biogás vai além da questão de abundância do material utilizado. A energia, além de renovável, soma uma destinação adequada aos resíduos orgânicos, apresenta uma grande versatilidade, tem alto potencial de redução dos gases de efeito estufa e ainda consegue utilizar todo o substrato descartado na produção como fertilizante.

A ideia do instituto é que as federações de indústria, em cada um dos estados da Amazônia Legal, possam levantar dados como a quantidade de resíduos sólidos daquela região, quais as possibilidades apresentadas e que usinas de geração de biogás podem ser construídas no local. As pesquisas realizadas sobre o assunto em Rondônia vão ajudar a guiar os próximos passos da iniciativa.

A presença física do Instituto nos estados será feita por meio das federações de indústria, como a FIEPA, no Pará. O site da iniciativa será lançado em breve, onde os produtores e possíveis investidores terão acesso a mais dados e informações, como as já levantadas sobre Biogás.  
 

Copiar o texto
06/12/2021 01:00h

Estado já realiza diversas iniciativas ligadas à conservação e recuperação ambiental da Amazônia Legal, como o Projeto Maranhão Verde

Baixar áudio

O Maranhão vem adotando ações estratégicas para a redução de emissão de gases poluentes e implantado diversas iniciativas para a conservação e recuperação ambiental da Amazônia Legal, como o Plano de Recuperação Verde (PRV) e o Programa Maranhão Verde. A partir de 2022, o Instituto Amazônia+21 pode adicionar mais uma ferramenta à empreitada: a produção de biogás, um combustível limpo que pode ser fabricado a partir da decomposição daquilo que é jogado fora.

O biogás pode ser aplicado para a geração de energia elétrica, térmica e veicular sem agredir o meio ambiente, ao contrário dos combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel. Segundo estudo do Instituto Escolhas, publicado em agosto deste ano, apenas com os resíduos sólidos urbanos e com os resíduos da piscicultura e da mandioca em todos os estados da Amazônia seria possível gerar mais de 537 milhões de metros cúbicos de biogás por ano, algo em torno de 1,1 TWh de eletricidade.

O Maranhão possui 21% de todo o potencial de produção de biogás da Região Norte, sendo capaz de produzir mais de 113 milhões de metros cúbicos ao ano. A energia gerada poderia atender aproximadamente 117 mil residências no estado e beneficiar quase meio milhão de pessoas. Somente as 69 mil casas de farinha do Maranhão poderiam gerar 717 MWh de eletricidade a partir do aproveitamento de resíduos, o equivalente a mais de 10 mil botijões de gás de cozinha. 

Mas são os resíduos sólidos urbanos o maior potencial do estado. O aterro sanitário de Rosário consegue produzir biogás com parte das 397 mil toneladas de resíduos que recebe por ano, mas a usina tem apenas 1 MW de potência instalada. Segundo o Instituto, mais de 200 GWh de eletricidade poderiam ser gerados com o restante dos resíduos.

É aí que entra o Instituto Amazônia+21, que pretende fazer o mapeamento de soluções, oportunidades e perspectivas relacionadas ao desenvolvimento sustentável nos nove estados da Amazônia Legal. O objetivo é fazer a ponte entre produtores locais e investidores, fundamentais em diversas etapas do projeto, como desenvolvimento de tecnologia e inovação.

Segundo Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21, a concepção do instituto contempla uma pauta de negócios que enxerga na região o principal vetor de desenvolvimento sustentável do Brasil e da indústria verde brasileira. “Seremos o elo de quem produz e conhece o local e aqueles que têm interesse e compromisso de investir de maneira sustentável, tornando-se aliados na conservação da Amazônia”, explica Thomé.

Karen Oliveira, gerente para Políticas Públicas e Relações Governamentais da ONG TNC Brasil, explica que o biogás é mais um potencial da economia verde, dentro de um modelo de transição para um modelo de desenvolvimento, de economia de baixo carbono. E o trabalho do Instituto Amazônia+21 será essencial, já que é necessário investimento em tecnologia e informação dos processos, entre eles a destinação adequada desses resíduos, para que eles possam ser aproveitados em estruturas geradoras de biogás.

“A Amazônia tem um potencial enorme nesse sentido, usando resíduos sólidos de áreas urbanas, mas também resíduos do processamento da mandioca, resíduos do processamento do açaí. Mas para que isso ganhe escala é necessário investimentos em tecnologia, transferência de tecnologia”, explica a especialista.

A gerente da TNC, que atua há 30 anos na Amazônia com foco em conservação e mitigação de mudanças climáticas, ressalta ainda que a produção do biogás é um excelente componente da bioeconomia moderna porque tem a capacidade de levar desenvolvimento sustentável aos produtores locais ao passo que contribui para a missão de combate à emissão de gases nocivos. 

“A produção de biogás pode ser transformadora para a região amazônica, em especial usando resíduos de produtos amazônicos, resíduos desses produtos da floresta que ao mesmo tempo em que geram energia podem contribuir também para a manutenção da floresta em pé.”, pontua.

Além do projeto da produção de biogás, o Amazônia+21 aposta, também já a partir de 2022, na integração da lavoura e da pecuária com a floresta, adotando práticas de agricultura regenerativa e de baixo carbono. A presença física do Instituto nos estados será feita por meio das federações de indústria, como a FIEMA, no Maranhão, e o site da iniciativa será lançado em breve, onde os produtores e possíveis investidores terão acesso a informações dos projetos em andamento.
 

Maranhão Verde

Uma das maiores iniciativas do estado ocorre desde 2017, o Programa Maranhão Verde, que já beneficiou mais de 452 famílias maranhenses e, em 2021, investiu cerca de R$ 2,5 milhões com sua expansão para a Baixada Maranhense, com mais de 400 famílias atendidas. O programa tem objetivo de fomentar e desenvolver projetos voltados para apoiar a conservação e recuperação ambiental, além de promover a capacitação ambiental, social, educacional, técnica e profissional da população.

Outra frente é o Plano de Recuperação Verde (PRV), com a finalidade de recuperar, manter e possibilitar o desenvolvimento sustentável nos nove estados que representam a Amazônia Legal. Os recursos virão do Fundo Amazônia – cerca de R$ 1,5 bilhão – que atualmente estão bloqueados e esperam por liberação.
 

Copiar o texto
Brasil 61