Agricultura

11/08/2022 16:50h

Evento também contou com a participação de parlamentares e do presidente Jair Bolsonaro

Baixar áudio

Cerca de 3.500 pessoas acompanharam, nessa quarta-feira (10), o Encontro Nacional do Agro, promovido pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), no Centro de Convenções de Brasília. O evento contou com a participação de representantes de sindicatos rurais de todo o país, das Federações estaduais de agricultura e pecuária e de associações do setor, além do presidente Jair Bolsonaro, parlamentares e ministros de Estado.

O encontro teve início com apresentação do diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, com o tema “O que esperamos dos próximos governantes”, em que foram tratadas questões relacionadas à segurança alimentar e aos desenvolvimentos econômico, social e sustentável. “Nesse documento, listamos ações que vão além do agro, como reformas, ações de educação, saúde e segurança. Diferente dos outros, visa o Brasil. As Federações vão receber o documento completo para debate”, explicou o diretor. A apresentação foi seguida por falas da ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, e do presidente Jair Bolsonaro.

Segurança alimentar e sustentabilidade

Um dos painéis do evento da CNA teve como tema a segurança alimentar e o meio ambiente. O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, foram convidados a participar. O tema central do debate girou em torno dos desafios para o desenvolvimento agropecuário, em consonância com a preservação do meio ambiente. 

Leite chamou atenção para a participação do setor privado na resolução de conflitos ambientais. “É o setor privado que vai achar uma solução para os desafios ambientais. A solução está na escala, no volume de produção e, nesse caso, já existem estudos que indicam a produção de cultivares, principalmente tropicais, que vão absorver carbono da atmosfera enquanto produzem, com isso retirar da atmosfera 40% dos gases de efeito estufa”, disse. 

Marcos Montes destacou que ainda há desafios a serem superados nas questões agropecuária e ambiental. “Ainda temos dever de casa a fazer. Não pense que estamos na plenitude da sustentabilidade. Nós temos a questão da regularização fundiária, que é fundamental para a questão ambiental. Se não aprovarmos a regularização, não vamos ter a quem buscar para saber o que está acontecendo em derrubadas, desmatamentos ilegais”, disse o ministro.

Convênios

O evento teve ainda a assinatura de convênios da CNA com outras instituições. Um dos acordos é com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), para o diálogo permanente entre produtores e gestores. O objetivo é disseminar boas práticas de gestão, além da elaboração de estudos, pesquisas e novos indicadores.

Outro convênio assinado foi com o IBGE, que, segundo a CNA, vai permitir o desenvolvimento de pesquisas, inclusive no setor agropecuário, o que tende a ajudar em políticas públicas. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) também firmou parceria para fortalecer produtos brasileiros no mercado exterior.

Lançamentos

A Comissão das Mulheres, iniciativa que pretende ampliar a participação feminina no agro, em sindicatos patronais rurais, também foi lançada durante o evento. Comissões estaduais vão estimular o desenvolvimento de lideranças femininas. 

A CNA divulgou ainda o Empregos Agro, plataforma gratuita específica do agronegócio que conecta empresas, candidatos e instituições de ensino para capacitação especializada.

Copiar o texto
11/08/2022 03:30h

Valor pago pelas seguradoras atingiu R$ 7,7 bilhões entre janeiro e junho deste ano. Montante é maior do que o total pago em todo o ano de 2021

Baixar áudio

As indenizações de seguro rural cresceram 352% entre janeiro e junho de 2022, em comparação com o primeiro semestre do ano passado. Ao todo, as seguradoras habilitadas no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) pagaram R$ 7,7 bilhões a produtores rurais. No mesmo período de 2021, esse montante foi de R$ 1,7 bilhão. Entre janeiro e dezembro do ano passado, o valor total pago foi de R$ 5,4 bilhões. Os dados foram publicados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

“A alta sinistralidade ocorreu porque tivemos seca na região centro-sul, que afetou principalmente as produções de soja e milho, entre outras atividades, que tinham seguro nos estados de MS, PR, RS e SC. Foi uma seca muito prolongada, que iniciou no final de novembro e foi mais ou menos até março”, explica Pedro Loyola, diretor do Departamento de Gestão de Riscos, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

O orçamento total do governo federal para contratação de apólices no PSR é de R$ 990 milhões, mas o Mapa solicitou acréscimo de R$ 710 milhões em virtude do aumento do preço dos produtos segurados. Desse valor requerido, R$ 200 milhões já foram liberados.

Para Pedro Loyola, produtores rurais devem sempre garantir o seguro. “Há anos em que ocorrem catástrofes climáticas. Isso só reforça a importância do seguro rural, mas mesmo nos anos em que não dá problema o seguro é importante. É para contratar e recorrer a ele quando há problema climático. Mantém produtor na atividade com fluxo de caixa constante", diz. 

Como contratar

Produtores rurais que tiverem interesse em contratar o seguro rural devem procurar um corretor ou uma instituição financeira que comercialize apólice de seguro rural. Atualmente, são 16 seguradoras habilitadas para operar no PSR. O seguro rural é destinado aos produtores pessoa física ou jurídica, independentemente de acesso ao crédito rural.

Acesso ao crédito

Dados do Balanço de Desempenho do Crédito Rural, do Mapa, apontam que o volume de crédito rural no mês inicial do atual Plano Safra foi de R$ 25,8 bilhões, o que representa recuo de 1% em relação ao mesmo mês da temporada anterior. 

Segundo o ministério, recursos de custeio totalizaram R$ 22,2 bilhões, alta de 38%. A comercialização, por outro lado, teve decréscimo de 43%, com R$ 982 milhões. Já a industrialização teve queda de 47%, com R$ 1 bilhão. 

Copiar o texto
04/08/2022 09:00h

A taxa de juros do Funcafé para esta safra está limitada em 11%. Outros 25 agentes financeiros estão em fase final de contratação. Ao todo, o Fundo destina R$ 6,058 bilhões para a safra 2022/2023

Baixar áudio

Os cafeicultores brasileiros já podem acessar as linhas de financiamento do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) em 12 instituições financeiras. Os extratos das contratações estão publicados no Diário Oficial da União (DOU). 

As assinaturas dos contratos com outras 25 instituições financeiras estão em andamento. De acordo com informações do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, há esforços para acelerar esse procedimento e disponibilizar os recursos do fundo com mais agilidade. 

O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, afirma que os recursos do fundo não passam por contingenciamento. Na avaliação dele, a medida é importante para manter a economia do setor em dia, com garantias em todas as etapas da produção. 

“O Funcafé ajuda o produtor no dia a dia do seu custeio, para que ele possa armazenar esse café e colocar no mercado no momento mais apropriado, com melhores preços. O banco financia até 70% do preço do produto. O financiamento atende a produção, assim como a indústria, que são considerados importantes. Todos eles têm acesso a esse recurso”, destaca.  

As linhas de crédito disponíveis se destinam aos financiamentos dos tratos culturais da lavoura, comercialização, armazenagem, aquisição do produto, capital de giro para indústrias e cooperativas de produção. O advogado e professor, Ademário Neto, da OAB/GO, lembra também os casos de recuperação de cafezais que sofreram danos por chuvas de granizo, geadas e outros fenômenos climáticos.

“Cumpre salientar a importância desse fundo, pois essas linhas de crédito serão destinadas para o financiamento dos tratos culturais da lavoura, que nada mais é do que uma medida para proporcionar uma melhor condição para o crescimento e desenvolvimento do cafezal. Dito isso, é de suma importância como essas, que tanto beneficia o produtor cafeeiro”, pontua. 

Todas as capitais brasileiras devem receber 5G até 29 de setembro

Censo 2022: IBGE terá central de atendimento para apoiar coleta de dados por telefone ou internet

SANEAMENTO BÁSICO: 6,2 milhões de empregos devem ser gerados no setor até 2033

A taxa de juros do Funcafé para esta safra está limitada em 11%. Apesar do aumento em comparação com a última safra, ficou abaixo da taxa Selic, que atualmente está em 13,25%.

“Quando a gente fala de um setor estratégico para economia, é importante que ele seja financiado pelos bancos com linhas de crédito específicas, que atendam a própria peculiaridade e a dinâmica de um produto que vai competir internacionalmente”, considera Luiz Ongaratto, mestre em Comércio Exterior e Relações Internacionais pela Universidade Federal de Pernambuco.

Angelo Ronner Uiliana pertence à terceira geração de cafeicultores da família. Morador de Brejetuba, no Espírito Santo, ele pretende pegar empréstimo do Funcafé para tocar o negócio e manter as contas em dia.  

“A minha avaliação sobre esse financiamento é positiva porque, nessa época de safra, temos que nos preocupar com a colheita e com as contas que vencem nesse período. Então, mesmo tendo o café você não consegue aprontar ele todo, vender e receber o dinheiro com tempo hábil. Então, usamos os recursos para fazer compra de insumos e outras coisas”, relata.

Confira a lista das 12 instituições aptas a ofertarem os financiamentos:

  • Banco Ribeirão Preto 
  • Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais-BDMG 
  • Banco Inter 
  • Bradesco, 
  • Central Cresol 
  • Credinter  
  • Agrocredi
  • Credicarpa
  • Credialp 
  • Credicarmo 
  • Credivar 
  • Central de Crédito do Espírito Santo  

Outros 25 agentes financeiros estão em fase final de contratação. Ao todo, o fundo destina R$ 6,058 bilhões para a safra 2022/2023.

Os recursos estão distribuídos nas seguintes linhas:

  • crédito de custeio: até R$ 1,57 bilhão;
  • crédito de comercialização: até R$ 2,17 bilhões;
  • financiamento para Aquisição de Café (FAC): até R$ 1,38 bilhão; 
  • crédito para capital de giro para indústrias de café solúvel e de torrefação de café e para cooperativa de produção: até R$ 775 milhões;
  • crédito para recuperação de cafezais danificados: R$ 160 milhões.
     
Copiar o texto
Agronegócios
24/07/2022 16:50h

Portaria autoriza pagamento que garante taxas de juros mais em conta para o Plano Safra 2022/23. Recursos disponibilizados somam mais de R$ 115 bilhões

Baixar áudio

O Ministério da Economia publicou nesta última semana a Portaria (Nº 6.454) que autoriza o pagamento de equalização de taxas de juros em financiamentos rurais do Plano Safra 2022/2023. Os recursos equalizáveis disponibilizados somam R$ 115,8 bilhões e garantem taxas mais baixas aos produtores.

Carlos Eduardo Oliveira Junior, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), explica que a equalização de juros em financiamentos rurais é importante porque os bancos, quando emprestam ao produtor recursos para viabilizar a produção, só conseguem oferecer essas taxas de juros mais baixas quando o governo cobre a diferença. E isso ajuda a manter a força do setor.

“Esses mecanismos fortalecem a nossa agricultura. O Brasil é um dos maiores produtores rurais do mundo e para financiar esses produtos ele utiliza uma série de programas, como Pronamp, Pronaf, Programa ABC+, onde o governo ajuda o setor agropecuário a produzir. O Brasil hoje é um dos mais importantes produtores mundiais e essa ajuda, esse auxílio que o governo dá para os produtores, ajudam muito a potencializar a produção e armazenamento desses produtos”, destaca Carlos.

Safra recorde de grãos deve impulsionar PIB da agropecuária e economia brasileira em 2022, projeta especialista da CNA

Safra recorde de grãos é oportunidade para Brasil ampliar participação no mercado agrícola internacional, avaliam especialistas

A Portaria permitirá que as instituições financeiras já iniciem o atendimento da demanda dos produtores rurais de todo o país por esses recursos, direcionados principalmente para investimentos, no âmbito dos programas de investimento, tais como o Programa para a Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (Programa ABC+), o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), além do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

O Plano Safra 2022/2023 tem disponível, até junho do ano que vem, R$ 340,88 bilhões para apoiar a produção agropecuária brasileira. Do total, R$ 246,28 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização, enquanto R$ 94,6 bilhões vão para investimentos. Os recursos com juros controlados somam R$ 195,7 bilhões e com juros livres R$ 145,18 bilhões. O montante de recursos equalizados (R$ 115,8 bilhões) cresceu 31% na atual safra.

Como a portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), os produtores que têm interesse em acessar os recursos do Plano Safra 2022/23 já podem procurar as instituições financeiras que operam com crédito rural para verificar as condições e exigências para a obtenção do financiamento.

Confira a lista das instituições financeiras contempladas:

  • Banco do Brasil;
  • Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A. - Banrisul;
  • Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais - BDMG;
  • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES;
  • Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE;
  • Caixa Econômica Federal - Caixa;
  • Credialiança Cooperativa de Crédito Rural - Credialiança;
  • Credicoamo Crédito Rural Cooperativo - Credicoamo;
  • Confederação Nacional das Cooperativas Centrais de Crédito e Economia - Cresol Confederação;
  • Banco Cooperativo Sicoob S.A. - Sicoob; e
  • Banco Cooperativo Sicredi S.A. - Sicredi.
     
Copiar o texto
Agronegócios
18/07/2022 04:30h

Em entrevista ao portal Brasil 61, Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que o PIB do agro deve crescer 3,5%. Ele também explicou que a maior produção da agricultura não vai conseguir conter, sozinha, o preço dos alimentos

Baixar áudio

Mesmo com as adversidades climáticas em algumas regiões produtoras, principalmente no Sul, a produção brasileira de grãos deve alcançar novo recorde. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra 2021-2022 poderá atingir 272,5 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 6,7% ou 17 milhões de toneladas em relação à temporada 2020-2021. 

Em entrevista ao Brasil 61, Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), analisou o desempenho da agricultura brasileira nos últimos anos e os impactos que a possível safra recorde de grãos pode ter sobre a inflação dos alimentos e a economia brasileira. 

Segundo Renato, a queda de 0,9% do PIB agropecuário no primeiro trimestre de 2021 será revertida, o que vai influenciar o PIB do país. “Devemos ver até o final de 2022 uma retomada do PIB da agropecuária. A nossa projeção é que, ao final de 2022, o PIB da agropecuária cresça 3,5%, contribuindo para o crescimento do PIB brasileiro, que deve ser de 1,7%”, estima. 

Na entrevista que você confere logo abaixo, o coordenador do Núcleo Econômico da CNA também ajuda a entender como funciona o calendário da agricultura brasileira. 

Brasil61: Renato, como foi o desempenho da agricultura brasileira nas últimas duas temporadas?

Renato Conchon (CNA): Nós tivemos problemas por adversidades climáticas tanto na safra 2020/2021 quanto na safra 2021/2022, que é essa agora. Na safra 2020/2021, nós tivemos problema no milho safrinha. Entre setembro e outubro o pessoal começa a plantar a safra de soja e a safra de verão do milho, principalmente no Sul do Brasil. A gente lembra que no final de 2020 não choveu, o que atrasou o plantio e, por óbvio, atrasou a colheita da soja e desse milho primeira safra (safra de verão), o que atrasou também o milho safrinha, isso já em 2021. Teve produtor que era pra plantar a primeira safra do milho em setembro, mas plantou em dezembro. E, por óbvio, ele não colheu em fevereiro. Ele colheu em abril. Então, ele plantou o milho safrinha (segunda safra) fora da janela ideal em 2021. Vimos que não choveu e houve uma queda significativa no milho safrinha, principalmente na região Centro-Oeste do Brasil, o que impactou a produção da safra de grãos para baixo. Fechamos a safra 2020/2021 com 255 milhões de toneladas. Veio a safra 21/22. Em setembro e outubro de 2021, o produtor plantou a soja na janela ideal. Veio chuva, ele colheu. Só que em algumas regiões, como no Sul do Brasil, teve atraso, porque não choveu. Ao invés de ter uma safrinha de milho ruim como foi da safra 20/21, teve a safra verão ruim. 

Brasil61: A melhora da safra na temporada 2021-2022 foi suficiente para a agricultura recuperar as perdas de 2020-2021? 

Renato Conchon (CNA): A safra de soja de 2021-2022 comparada com 2020/2021 caiu 10% por cento. Em contrapartida, a safra de milho cresceu 32%. Essa safra de soja foi pior do que a última safra. Mas o milho foi bem melhor. De uma maneira geral, regionalmente tem alguns prejuízos. Para o pessoal do Sul foi uma safra muito ruim. Para o pessoal do Centro-Oeste foi uma safra muito boa. No balanço total, se a gente somar milho, soja, algodão, trigo, todas essas culturas, ainda assim nós temos uma safra de 272,5 milhões de toneladas, um acréscimo de 6,7% comparado à safra 20/21. Ou seja, é um número positivo, bom, um crescimento bastante significativo, mas poderia ter sido melhor. 

Brasil61: O aumento da safra de grãos em 2022 vai contribuir para queda no preço dos alimentos? 

Renato Conchon (CNA): É importante ressaltar que nós estamos com processo inflacionário em todo o mundo. Principalmente a inflação associada a alimentos e as commodities energéticas. As commodities alimentícias estão subindo porque alguns países, durante a pandemia e a guerra, não conseguiram produzir ou escoar suas safras. Um exemplo muito recente é a Ucrânia com o trigo. Associado a isso, a Rússia é uma grande fornecedora de gás natural e, por conta do conflito, o preço do gás natural subiu, assim como o preço do petróleo, o que está impactando a inflação dos combustíveis. Se a gente olhar para o Brasil, a gente está ‘importando essa inflação’, mas também tem questões internas. Já trazendo para o setor agropecuário, essa produção boa de cereais, fibras e oleaginosas, com crescimento de 6,7% comparado à última safra foi bastante positiva. Se a gente tem uma quebra de safra, menos produto vai estar circulando dentro da nossa economia. Menos produto, o preço sobe. A gente destaca também que existem outros produtos que influenciam o dia a dia dos brasileiros, que são as hortaliças e as frutas, que não são commodities, ou seja, não são precificadas no mercado internacional. Por exemplo, o tomate. Não tem precificação no mercado internacional, mas o custo para o produtor está subindo, o fertilizante está subindo no mundo todo. Subiu para o produtor de soja, de trigo, milho e também de tomate. Entretanto, no mercado internacional o preço da soja subiu. Então, uma coisa acaba equivalendo a outra. Para o produtor de tomate [o preço], por exemplo, não [subiu]. O custo dele subiu e ele não consegue repassar esse custo para a população. E com isso a gente tem impactos de queda de produção e isso acaba influenciando na inflação, como a gente sabe. O custo de produção subiu para todos os produtores. A receita subiu para alguns, mas para outros não, o que está fazendo com que parte dos produtores esteja trabalhando no vermelho e eles acabam reduzindo a produção, o que influencia ainda mais os preços dos alimentos. 

Brasil61: Então mesmo com maior oferta de grãos nesta safra, isso tende a não impactar tanto o preço dos alimentos? 

Renato Conchon (CNA): Correto. Tende a ser positivo, porque se tivesse tido uma quebra de safra, com certeza os preços subiriam mais. 

Brasil61: O PIB da agropecuária caiu 0,9% no primeiro trimestre deste ano. Acredita que  setor vai conseguir reverter o resultado nos trimestres seguintes? 

Renato Conchon (CNA): Sim. Houve uma queda neste primeiro trimestre de 2022, mas a nossa previsão é que haja uma recuperação por conta das outras produções do segundo trimestre, especificamente o milho safrinha, que esse ano foi muito bom. Tem também uma previsão muito boa para o algodão. E a produção do algodão influencia bastante nos resultados do PIB e outras cadeias, tal como café, cana-de-açúcar e o próprio trigo. O trigo é um exemplo bastante interessante, porque o Brasil é importador líquido de trigo para o seu consumo. Como a Ucrânia é uma grande produtora e exportadora de trigo e esse ano ela não vai produzir porque está em guerra, os preços subiram no mercado internacional e os produtores do Brasil viram isso como uma possibilidade e estarão mais dispostos a ampliar sua área plantada de trigo ou de colocar um pacote tecnológico mais avançado que dê uma maior produtividade. Devemos ver até o final de 2022 uma retomada do PIB da agropecuária. A nossa projeção CNA é que ao final de 2022 o PIB da agropecuária cresça 3,5%, contribuindo para o crescimento do PIB brasileiro, que na nossa projeção está em algo aproximado de 1,7%. 

Brasil61: Como funciona o calendário da agricultura brasileira? 

Renato Conchon (CNA): No nosso dia a dia a gente trabalha com o ano civil, que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. A atividade agropecuária não trabalha nesse ciclo. Trabalha com o período da safra, que seria de 1º de julho a 31 de junho do ano seguinte. Funciona assim: a ‘safra verão’ é quando o pessoal planta principalmente soja e parte do milho (primeira safra) entre setembro e novembro, depende da região do Brasil. Então, o produtor faz essa escolha (entre plantar soja ou milho). Ele planta no final de setembro ou em outubro e colhe a soja ou o milho entre fevereiro e março.  Na sequência, ele planta o milho segunda safra (milho safrinha). Na região Centro-Oeste chove menos nesse período do ano. Então ele tem que ter o plantio em março, no máximo, porque ainda está chovendo na região Centro-Oeste e essa chuva ajuda o desenvolvimento do milho segunda safra. Se o produtor plantar muito atrasado, ele não vai pegar essas chuvas e o milho é muito sensível à necessidade de água, mais do que a soja. Então, aí a gente tem uma frustração de safra, que foi o que aconteceu em 2020/2021. Em épocas normais, como na safra 2021/2022, ele plantou o milho safrinha entre fevereiro e março e está colhendo. Acabou a safra pra ele. Mas em algumas regiões, por exemplo, no Sul do Brasil, temos as chamadas culturas de inverno. É a produção de trigo e aveia. Essas culturas precisam de frio, umidade e de uma série de fatores para se desenvolver. O produtor vai colher por volta de agosto, setembro, quando começa todo o ciclo novamente. 

Brasil61: Por que a maior safra de milho leva o nome de safrinha? 

Renato Conchon (CNA): No passado, a safrinha era residual. O maior volume de produção do milho era na primeira safra, ou seja, que plantou em setembro e colheu em fevereiro. Só que com o desenvolvimento das tecnologias, desenvolveu-se a agricultura no cerrado brasileiro. Por conta da questão do período de chuvas, viram que existe uma possibilidade muito boa de plantar o milho não na primeira safra, mas, sim, entre fevereiro e março. E isso foi ganhando o cerrado. Então, o que antes era chamado de safrinha, porque era uma safra menor em volume em área plantada, agora virou ‘safrão’. Só pra gente ter uma ideia, o milho primeira safra, ou seja, aquele que planta em setembro e colhe em fevereiro, a gente produz aproximadamente 25 milhões de toneladas. O milho segunda safra, que a gente planta em fevereiro e colhe mais ou menos em maio, a gente colhe 88 milhões de toneladas. Por opção chamamos de safrinha, mas hoje o safrinha virou ‘safrão’. Já a soja é plantada só uma vez no ano, que é entre setembro e novembro, depende da região. Não tem safrinha de soja, por exemplo. 

Safra recorde de grãos é oportunidade para Brasil ampliar participação no mercado agrícola internacional, avaliam especialista

Copiar o texto
Agronegócios
15/07/2022 04:00h

Volumes de produção históricos do milho e do trigo são destaques de levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento

Baixar áudio

A produção brasileira de grãos deve atingir novo recorde este ano. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), se as condições climáticas forem favoráveis para o desenvolvimento das culturas da segunda safra — em especial do milho —, a agricultura brasileira vai colher 272,5 milhões de toneladas no ciclo 2021-2022. 

Apesar da queda de 10% na produção de soja em relação à safra anterior, as estimativas mostram que a colheita do milho vai mais do que compensar as perdas, avalia Sergio De Zen, diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab. 

“As perdas na produção de soja foram severas, especialmente no Sul do Brasil. A gente esperava entre 138 milhões e 140 milhões de toneladas, mas vamos colher em torno de 124. No entanto, a grande maioria do país conseguiu plantar no tempo certo. Consequentemente nós fizemos um plantio de milho e uma safra de milho maior. Saímos de 83 para 115 [milhões de toneladas]. Então, perdemos um pouco na soja, mas mais do que compensamos com a safra de milho”, afirma. 

De acordo com o levantamento, o cultivo total do milho deve ser 32,8% maior do que na safra 2020-2021. Mas é preciso esperar. Isso porque 60% da segunda safra (safrinha) da leguminosa está em maturação. A dita safrinha representa 88 milhões das 115 milhões de toneladas do grão. 

De Zen explica que a alta na produção do milho vem em boa hora, uma vez que a oferta dessa commodity tende a diminuir por causa da guerra no Leste Europeu. “Só de milho, a Ucrânia coloca no mercado em torno de 30 milhões de toneladas. Mais ou menos o equivalente ao que o Brasil vai colher a mais de milho do que no ano passado. Esse aumento quase zerou o impacto que a Ucrânia teria. A safra brasileira está contribuindo para uma redução das pressões inflacionárias no mundo”, aponta. 

Não fosse a estiagem que atingiu o Sul do país, os números do campo brasileiro seriam ainda mais expressivos, recorda Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). “Para o pessoal do Sul foi uma safra muito ruim. Para o pessoal do Centro-Oeste foi uma safra muito boa. No balanço total, se a gente somar todas as culturas, ainda sim nós temos uma safra de 272,5 milhões de toneladas, um acréscimo de 6,7% comparado à safra 20/21. É um crescimento bastante significativo, mas poderia ter sido melhor”, ressalta. 

A Conab estima que o sorgo é outro grão que tende a registrar recorde de  produção: mais de três milhões de toneladas. Trata-se de um crescimento de quase 50% em relação à safra anterior. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a colheita deve crescer 362,6%. As colheitas de feijão e algodão também devem subir, de acordo com o levantamento.  

A seca no Sul e em parte do Mato Grosso do Sul prejudicou não apenas a colheita da soja. As lavouras de arroz devem produzir 10,8 milhões de toneladas, ante os 11,7 milhões de toneladas da safra 2020-2021. 

Trigo

As chamadas culturas de inverno também devem ampliar sua produção na safra atual. Destaque para a de trigo, que deve atingir novo recorde com 9 milhões de toneladas estimadas. O trigo é outro produto que a agricultura brasileira pode ampliar sua participação no comércio internacional, aponta Conchon. 

“O Brasil é importador de trigo para o seu consumo. Importa do Canadá, da Argentina, do Uruguai. Como a Ucrânia é uma grande produtora e exportadora de trigo e esse ano ela não vai produzir porque está em guerra, os preços subiram no mercado internacional e os produtores do Brasil viram isso como uma possibilidade e estarão mais dispostos a ampliar sua área plantada de trigo ou de colocar um pacote tecnológico mais avançado que dê uma maior produtividade”, prevê. 

Inflação

O diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen, analisa as origens da inflação dos alimentos e a sua relação com a produção agrícola. “[Na pandemia] nós tivemos um aumento da demanda por alimentos global e isso não foi acompanhado por um aumento na mesma intensidade da oferta de alimentos. Isso gerou uma inflação global de alimentos. Não é que os alimentos no Brasil subiram de preço. Os alimentos subiram de preço em todos os lugares do mundo”, afirma. 

Ao ser questionado se a maior oferta de grãos pode ajudar a diminuir a disparada do preço nas prateleiras dos supermercados, o especialista disse que há, de fato, essa possibilidade. “Os bancos centrais, especialmente os europeus e os americanos, estão elevando suas taxas de juros. Quando você faz isso você reduz o consumo. Você está dizendo pras pessoas: poupem mais e posterguem o consumo. Quando a gente faz esse tipo de ação ele tem como objetivo reduzir a inflação”, explica. 

“Com a combinação de aumento de oferta e redução da demanda a tendência é ter  uma reversão nas expectativas de preço nos próximos meses. Nós temos uma grande safra combinada a uma retração e isso leva a uma redução da pressão por produtos, especialmente as commodities”, conclui. 

Para os especialistas, a safra recorde também deve contribuir para a recuperação do PIB da agropecuária, que caiu 0,9% no primeiro trimestre de 2022. 

Desempenho do crédito rural chega a R$ 293,4 bi no fechamento da safra 2021/22

Novo Plano Safra 2022/2023 vai destinar R$ 9 bi à Amazônia Legal

Copiar o texto
14/07/2022 21:10h

Segundo o diretor de Política Setorial de Telecomunicações no Ministério das Comunicações (MCom), Wilson Diniz, quanto mais se investe em tecnologias como a internet 5G e internet das coisas, melhor será a evolução das atividades agrícolas

Baixar áudio

No Brasil, 37% dos produtores rurais passaram a utilizar o meio digital como forma de gerenciamento das propriedades. É diante desse quadro que o setor passa a ampliar os debates sobre a conectividade e inovação no agronegócio. Segundo o diretor de Política Setorial de Telecomunicações no Ministério das Comunicações (MCom), Wilson Diniz, quanto mais se investe em tecnologias como a internet 5G e internet das coisas, por exemplo, melhor será a evolução das atividades agrícolas. 

“Apesar de o agro não ser o setor que mais demanda aplicação de internet das coisas, ele é o que apresenta maior capacidade de desenvolvimento, frente à utilização dessa tecnologia. Então, quanto mais investirmos em tecnologias que levem a esse desenvolvimento, teremos maior capacidade de crescimento do agro brasileiro”, considerou. 

A declaração de Diniz se deu em meio à audiência pública realizada na última terça-feira (12) na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Capadr) da Câmara dos Deputados, onde o diretor apresentou dados de três estudos recentes sobre o impacto da conectividade no campo.

Em um dos levantamentos, houve a apresentação de cenários distintos que tratam das perspectivas da conectividade no setor. Uma das situações mostra que a utilização de estruturas de torres e antenas existentes para ampliação da cobertura rural para 48% do território agrícola nacional conta com incremento de R$ 47,56 bilhões no Valor Bruto de Produção. 

Agricultores familiares do Norte do país receberam R$ 452 milhões no primeiro semestre de 2022

Consulta pública sobre concessão de três florestas no Amazonas segue até 29 de julho

Frente Parlamentar lança agenda de compromissos para tornar Brasil mais competitivo

Um segundo cenário revela que a criação de novas estruturas de torres e antenas para ampliação da cobertura rural para 90% do território agrícola nacional conta com incremento de R$ 101,47 bilhões no Valor Bruto de Produção.

O coordenador de Inovação do Sistema CNA/Senar, Matheus Ferreira, também participou dos debates. Na ocasião, ele destacou o avanço da tecnologia na agricultura do país, assim como a importância da conectividade para o setor rural.

“A conectividade nas propriedades rurais, tanto nas cidades quanto no campo, é uma necessidade. Para isso, é importante debatermos esse tema e que haja investimentos públicos e privados para que o produtor consiga obter, ao máximo, a produtividade e a rentabilidade do seu negócio, uma vez que as margens das atividades estão cada vez menores”, destacou.

Apesar dos avanços, o Censo Agropecuário 2017 – últimos dados disponibilizados - das mais de 5 milhões de propriedades rurais do País, 72% não contam com acesso à internet, o que representa uma área de quase 196 milhões de hectares. Do total, 50% estão no Nordeste brasileiro e 91% são propriedades com até 100 hectares.
 

Copiar o texto
11/07/2022 20:24h

total do crédito rural destinado aos pequenos e médios produtores se situa em R$ 33,62 bilhões no âmbito do Pronamp, e em R$ 40,17 bilhões no âmbito do Pronaf

Baixar áudio

As contratações de crédito rural na safra 2021/22 tiveram um aumento de 19% em relação à safra anterior. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o valor a mais foi de R$ 42,19 bilhões. O total registrado chegou a R$ 293,41 bilhões. 

De acordo com a pasta, o quadro favorável ocorreu mesmo com as operações de crédito rural com recursos equalizáveis ainda suspensas durante quatro meses, exceto para custeio no âmbito do Pronaf. Os dados constam no Balanço de Desempenho do Crédito Rural, divulgado nesta segunda-feira (11) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do MAPA.  

O total do crédito rural destinado aos pequenos e médios produtores se situa em R$ 33,62 bilhões, ou seja, uma elevação de 13%, no âmbito do Pronamp, e em R$ 40,17 bilhões, no âmbito do Pronaf, um salto de 21%. Para os demais produtores, o valor foi de R$ 219,61 bilhões, que corresponde a uma alta de 20%.  

Na avaliação do especialista em finanças Marcos Melo, historicamente, o pequeno produtor dispõe de uma dificuldade significativa para obter crédito. Por isso, ele explica que o governo precisa destinar linhas de crédito específicas para diferentes áreas, a fim de tornar viável a oferta de uma taxa de juros mais adequada a essas categorias. 

“O impacto na economia é muito grande, porque isso permite que, apesar de a taxa de juros ser mais baixa, ou seja, ser um tipo de gasto que o governo federal faz, ele permite girar a economia, porque possibilita ao produtor produzir, contratar pessoas, comprar equipamentos e máquinas, aumentar a produção e vender sua produção no mercado. Isso também ajuda a gerar mais emprego e aumentar a renda”, considera. 

Consumidores podem remarcar ou pedir créditos de serviços turísticos ou eventos culturais cancelados por causa da pandemia até 2023

Indicadores industriais melhoram em maio, mas especialistas pedem cautela antes de cravar recuperação

Comitê da Bacia do Prata define projetos a serem financiados na região

Para o conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Carlos Eduardo de Oliveira Jr., sempre que há um crédito adicional na economia, as vantagens são apresentadas para todo o ciclo do setor beneficiado. “A medida vai impulsionar o investimento em fazendas e sítios na área rural e também todo o seu entorno, como comércio local, as pessoas que vão estar adquirindo esses serviços e produtos e a empregabilidade”, destaca. 

Desempenho por região  

De acordo com o levantamento, as regiões com maior destaque no desempenho do crédito rural, em relação ao valor e ao aumento das contratações na comparação com a safra anterior foram Norte, com R$ 22,89 bilhões (+28%), região Sudeste, com R$ 69,95 bilhões (+24%) e região Nordeste, com R$ 26,72 bilhões (+23%). 

Nordeste e Sul do país tiveram destaque por apresentarem maior número de contratos: respectivamente, 735.776 e 578.338, que correspondem a 71% do total de contratos. 
 

Copiar o texto
02/07/2022 16:20h

O programa é voltado para entidade, empresa ou associação que buscam o reconhecimento do seu programa para adoção de boas práticas

Baixar áudio

O mês de julho começou com uma novidade para o setor agrícola. Desde esta sexta-feira (1°) está em vigor a Portaria nº 448. Entre os pontos, a medida estabelece o procedimento para a submissão da documentação necessária ao reconhecimento de programas voltados à promoção de boas práticas agrícolas.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o documento também regulamenta a Portaria n° 337, publicada em 2021, que prevê requisitos mínimos e reconhece programas de promoção de boas práticas agrícolas no Brasil. 

Segundo o coordenador-geral de Sistemas Integrados de Produção Agrícola do MAPA, Marcus Vinícius de Miranda, o intuito da portaria é estimular a produção de alimentos seguros e de qualidade. Além disso, a ideia é desempenhar iniciativas que visam melhorar a qualidade e estimular práticas sustentáveis de produção agrícola. 

“O Ministério basicamente elaborou o que entendemos como requisitos mínimos necessários para ser considerado boas práticas agrícolas. Na Portaria 337 de 2021, nós elaboramos o que seriam esses requisitos mínimos. Na portaria mais recente, que entrou em vigor em julho, estão citados os critérios para as entidades enviarem seus projetos de boas práticas agrícolas para ter reconhecimento do MAPA”, explica. 

Reconhecimento de boas práticas agrícolas 

Para que os entes públicos e privados interessados tenham o programa de boas práticas reconhecido e chancelado pelo Ministério, é preciso que protocolem o Termo de Declaração junto à Pasta. 

Vale destacar que a adesão ao programa não é obrigatória e os interessados devem fazer uma autodeclaração alegando que estão adequados segundo a Portaria 337. Miranda explica que, após o envio, a documentação será analisada pela Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação (SDI/Mapa).

“Já tem um modelo pronto na portaria de um termo de declaração. Ou seja, a própria entidade assume que adota boas práticas agrícolas. O programa não é voltado para o produtor individualmente, e sim para uma entidade, empresa ou associação que quer ter o reconhecimento do seu programa para adoção dessas boas práticas”, destaca Marcus Vinícius.

O que são as boas práticas agrícolas?

De acordo com o MAPA, as boas práticas agrícolas são representadas por um grupo de “normas,  princípios e recomendações técnicas aplicadas nas etapas de produção, processamento e transporte de produtos vegetais alimentícios e não alimentícios, orientadas a promover a oferta de alimento seguro, de forma a cuidar da saúde humana, proteger o meio ambiente e melhorar as condições dos trabalhadores rurais e sua família.”

Ações da Embrapa para mitigar crise dos fertilizantes podem gerar US$ 1 bilhão de economia ao setor

Novo Plano Safra 2022/2023 vai destinar R$ 9 bi à Amazônia Legal

Entre os requisitos mínimos estão o planejamento e a gestão do estabelecimento rural; o cumprimento da legislação ambiental e trabalhista vigente; a organização e a higiene no estabelecimento rural; a nutrição de plantas; a fertilidade e a conservação do solo; o uso correto de insumos; o uso racional e a qualidade da água; a rastreabilidade do processo produtivo com registros e controles da produção e o manejo integrado de pragas. 
 

Copiar o texto
01/07/2022 14:32h

Caravana FertBrasil fica no estado até esta terça-feira (7) para passar soluções caseiras e tecnologias que visam driblar a crise dos fertilizantes e economizar insumos. Medidas podem refletir na baixa de preço dos alimentos

Baixar áudio

Chegou a vez de os produtores agrícolas de Minas Gerais receberem a Caravana Embrapa FertBrasil, ação de curto prazo do Plano Nacional de Fertilizantes. O projeto fica no estado até terça-feira (7), com as mais atuais técnicas de utilização de fertilizantes. Além disso, serão apresentadas soluções caseiras que podem baratear custos da próxima safra e, ainda, impactar positivamente no preço dos alimentos.

Após a escassez dos insumos importados – a demanda brasileira por fertilizantes vindos do exterior chega a 85% –, a Embrapa a preparou material com soluções e tecnologias que têm o objetivo de mitigar essa dependência nos próximos anos, mas que já podem ser efetivas na próxima safra, com possível economia de US$ 1 bilhão ao setor no primeiro ano.

A equipe da Caravana, formada por, pelo menos, cinco palestrantes e três pesquisadores da Embrapa, vai visitar ao todo 48 polos agrícolas, o que corresponde a 70 milhões de hectares, abrangendo os 230 maiores produtores de grãos e perenes no Brasil. Depois de passar por Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, as novidades serão transmitidas agora aos produtores mineiros. Entre elas a utilização de insumos que são encontrados no Brasil e que não são aplicados em larga escala, como agrominerais, coprodutos de resíduos com potencial agrícola e remineralizadores. O objetivo é evitar o desperdício, baixar o custo da produção e aumentar a eficiência.

Jefferson Costa, pesquisador da Embrapa e coordenador estratégico da Caravana FertBrasil, explica que um dos objetivos do projeto é mostrar aos produtores que o consumo de insumos nacionais pode ser potencializado e diminuir a dependência do exterior já nos próximos anos.

“Hoje, esses produtos só compõem cerca de 5% do uso nacional de fertilizantes e nossa expectativa nos próximos dois, três, quatro anos é já chegar a 40% da inserção desses produtos no mercado, o que diminuiria a necessidade de importação, essa dependência tão forte que a gente tem hoje”, destaca Jefferson.

Segundo o pesquisador da Embrapa, a ideia é maximizar o uso de, pelo menos, dois dos três principais nutrientes usados na fertilização do solo: nitrogênio e fósforo. “A gente espera, ao final da Caravana, habilitar o setor produtivo a aumentar a eficiência de uso de nitrogênio em 20%. Mas de fósforo, nossa expectativa é dobrar a eficiência de uso. A eficiência hoje é de 20% e nós queremos levar a 30% ou até 40%”, destaca Jefferson Costa.

O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), que também é profissional da área agrícola e produtor rural, ressalta que a questão dos fertilizantes está sendo tratada pelo governo com a devida seriedade, uma vez que é fundamental para alimentar o país e mais um bilhão de pessoas no mundo, já que o Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos. Segundo o parlamentar, o papel da Embrapa é primordial no processo de evolução do setor em relação ao aumento de eficiência e produção nacional do insumo.

“Fertilizante é desenvolvimento científico. É saudável, produz alimento de qualidade. Agora, nós temos que investir na ciência, na Embrapa, na tecnologia e temos que ter o mínimo de regulação no mercado. Nós precisamos investir em duas coisas, de imediato aprimorar a forma de usar, para usar de maneira racional. E nós precisamos de ampliar a capacidade de produção nacional”, destacou o parlamentar.

Depois de Minas Gerais, a Caravana chega ao Rio Grande do Sul, no dia 26 de julho. Na sequência, passa por Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina, Acre, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Tocantins, Piauí, Maranhão, Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Roraima e Amapá.

Cinco pilares

O conteúdo transmitido pela Caravana foi discutido pelos 40 melhores especialistas da área, para reunir todo o conhecimento da Embrapa a respeito e modular tudo em cinco pilares. O objetivo é dialogar com o setor produtivo, levar informações e novidades aos produtores e mapear as demandas de cada macrorregião, de cada polo agrícola que está sendo visitado.

Confira os cinco temas abordados pela Caravana:

  • Planejando quando e onde plantar: hoje já existem tecnologias, como novas análises de solo, que permitem apontar com precisão que solo deve ser utilizado para o plantio, quando e com que quantidade de fertilizantes;
  • Boas práticas: a Embrapa preparou uma apresentação com as principais práticas agrícolas que existem no país para uso eficiente de fertilizantes, muitas delas que não chegaram ao conhecimento do produtor;
  • Novos fertilizantes e insumos: na terceira etapa entram em discussão os novos fertilizantes, agrominerais, remineralizadores e bioinsumos. Tecnologias que são novas. Algumas carecem de mais pesquisas e testes, enquanto outras já possuem comprovação de eficácia.
  • Soluções digitais: a Caravana também está levando as melhores soluções digitais que existem no mercado para aumentar a eficiência das aplicações dos fertilizantes, a chamada agricultura de precisão. São novas ideias de como maximizar o uso desses produtos, com, por exemplo, a nanotecnologia na aplicação de fertilizantes.
  • Manejo e sustentabilidade: a última etapa da conversa com os produtores influenciadores e os técnicos fala sobre o manejo agrícola associado à maior sustentabilidade.
     
Copiar o texto
Brasil 61