Desemprego

Economia
29/08/2022 04:15h

Segundo o IBGE, taxa de desocupação foi de 9,3% no trimestre que acabou em junho, a menor em sete anos. É o melhor índice desde o início do atual governo

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Há sete anos o Brasil não registrava uma taxa de desemprego tão baixa. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a taxa de desocupação ficou em 9,3% no trimestre que acabou em junho. É a menor porcentagem de brasileiros fora do mercado de trabalho para o mesmo período desde 2015, quando o índice fechou em 8,4%. Especialistas explicaram ao Brasil 61 as causas da queda constante do desemprego no país e os efeitos positivos na economia. 

A taxa de desocupação no Brasil vem caindo desde março do ano passado –  exceção feita à alta de 0,1% na virada de 2021 para 2022. À época, o país se aproximava do pico da segunda onda da pandemia de Covid-19, e a atividade econômica sofria inúmeras restrições. O desemprego atingiu 14,9% das pessoas na força de trabalho, o pior resultado desde 2012, quando a série histórica começou. 

Para Fernanda Mansano, economista-chefe do Grupo Empiricus, a queda do desemprego se explica pela reabertura das atividades e pelas medidas de estímulo do governo à economia. “O setor de serviços foi o setor mais afetado pelo isolamento social. Então, quando a gente começa a observar a maior mobilidade, a gente começa a ver esse setor de serviços reagindo e contratando novamente”, explica. 

“Principalmente no segundo trimestre a gente teve a liberação do FGTS, antecipação de décimo terceiro, muitos reajustes de salários. O conjunto disso tudo acaba estimulando a economia, principalmente pelo lado da demanda. Então, as pessoas estão comprando mais bens e serviços e, consequentemente, as empresas continuam vendendo mais e contratando mais para atender essa demanda que está mais aquecida”, completa Mansano. 

Arte: Brasil 61

Pierre Souza, professor de Finanças Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que a queda contínua da taxa de desemprego é “surpreendente”. “Não tem uma atividade econômica que está com uma elevação de PIB super significativa, tem inflação alta, os juros estão altos, então tem surpreendido essa contínua melhora no índice de desocupação”, diz.  

O especialista explica que o aumento no número de pessoas no mercado de trabalho era esperado com o arrefecimento da pandemia, e cita a contribuição do setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB do país. “É o setor que foi mais impactado pela pandemia, naturalmente, porque foi aquele em que as pessoas foram impedidas de trabalhar, mas é o setor, agora, que mais se supera, porque as pessoas estão voltando a consumir, a circular”, destaca. 

De acordo com o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país tem um saldo positivo de 4.106.419 empregos de janeiro do ano passado a junho deste ano. O setor de serviços gerou 2.031.372 novas vagas, quase metade do total. 

Contribuição dos pequenos negócios 

As micro e pequenas empresas são as que mais contribuem para o crescimento do mercado de trabalho no Brasil. De acordo com o Sebrae, a partir de dados do Caged, as MPE foram responsáveis por 961,9 mil vagas de emprego (72,1% do total) no primeiro semestre deste ano. Destaque para as micro e pequenas empresas do setor de serviços, que registraram saldo positivo de 533 mil postos de trabalho (diferença entre admissões e demissões) no período. 

O empresário Max Alexandre Martins é dono de um negócio que confecciona roupas no município de Balneário Gaivotas-SC. O cenário melhorou em 2022, após dois anos em que o objetivo da empresa foi “sobreviver” em meio à crise econômica da pandemia. “Esse ano, com a vacinação, com a população mais segura, apesar de a inflação estar alta e diminuir um pouco o poder de compra, a gente consegue ter uma perspectiva de produção para os próximos meses”, diz. 

A empresa de Alexandre tem 25 funcionários e fez contratações há pouco tempo. Segundo o empresário, o negócio poderia ter o dobro de trabalhadores, mas a falta de mão-de-obra qualificada impede a ampliação do quadro de funcionários. "Eu quero fazer contratações mais pontuais. Tem que ter experiência, tem que ter algum atrativo para eu contratar. Durante algum tempo eu contratei, ensinei a pessoa, mas agora eu estou tentando contratar pessoas que realmente saibam costurar. Estarei contratando para os próximos meses, mas a pessoa tem que ser profissional”, descreve. 

Mohara Cristina tem uma pequena empresa que vende roupas femininas em Brasília-DF. Ela conta que a “demanda aumentou significativamente” há cerca de três meses, o que a obrigou a contratar outra funcionária para o atendimento. “A demanda aumentou 30%. E a percepção é de aumentar ainda mais esse mês. Provavelmente, a gente vai precisar de uma outra social media pra cuidar da parte do Instagram, do site, porque a gente tem o nosso e-commerce também”, projeta. 

Ela atribui a maior procura à melhora do próprio produto e da organização interna do negócio, mas ressalta que seria difícil as vendas deslancharem sem a reabertura da economia. “Eu acredito que as clientes estejam mais seguras em gastar depois dessa muvuca da pandemia. Estou bem confiante, inclusive fazendo apostas para aumentar cada vez mais a nossa demanda, cada vez mais a equipe esse ano”, pontua. 

Arte: Brasil 61

Círculo virtuoso

A queda do desemprego é um indicador positivo por si só. Mas o fato de mais pessoas estarem empregadas – a maior quantidade da história em números absolutos, segundo o IBGE – também ajuda a formar um círculo virtuoso na economia, explica Pierre Souza. “O maior benefício seria na questão do consumo, porque eu tenho mais gente empregada, ou seja, eu tenho mais gente com poder aquisitivo”, afirma. 

Se as pessoas consomem mais, a indústria, os serviços e a agricultura tendem a aumentar a produção e, por consequência, precisam contratar mais pessoas para atender à demanda crescente. Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o aumento do emprego é um dos fatores que contribui para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). 

“Estamos vendo a cada Boletim Focus um aumento na previsão de PIB. Porque quanto mais emprego você gera, mais renda você dá às pessoas, maior o consumo e, por isso, mais a economia se aquece e você tem um aumento do PIB”, detalha. 

Fernanda Mansano destaca que as pessoas com carteira assinada têm acesso a linhas de crédito com taxas menores. “Isso é positivo porque você acaba estimulando o crédito também na economia e, se mais pessoas [estão] empregadas, a chance de aumento de inadimplência também é menor. Então, isso também acaba, de certa forma, sendo positivo, de forma geral, para o crescimento econômico”. 

Projeção

Para Rodrigo, a taxa de desemprego deve continuar caindo ao longo do ano. “Deve fechar perto de 9%, de acordo com as expectativas de mercado”. A dúvida, segundo ele, é se o rendimento mensal real vai subir. No ano, o indicador acumula queda de 5,1%.

“O ponto que falta nessa conta toda é a questão da renda, porque a gente não está vendo a renda aumentar de forma significativa. Ou seja, tem mais gente empregada, mas com salários relativamente estáveis ou, inclusive, perdendo o poder de compra”, explica Pierre. 

Ele ressalta que a desocupação tende a cair ainda mais no fim do ano. “A gente caminha para uma época de datas comemorativas. Tem dia das crianças, final de ano, que são momentos que geralmente o desemprego também cai, ou seja, o momento é positivo”, finaliza. 

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Desemprego apresenta queda em diferentes índices e alcança cenários da pré-pandemia

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05/08/2022 04:00h

Brasil teve 277.944 admissões a mais do que demissões com carteira assinada em junho

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O mercado de trabalho formal no Brasil teve saldo positivo de 277.944 novos empregos com carteira assinada em junho, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência. Em junho de 2021, o saldo foi de 317.812 admissões a mais do que demissões.

A pesquisa ajuda a mostrar o cenário atual de emprego e desemprego no país nesse período e comparar com meses anteriores, passados os anos mais críticos da pandemia. No primeiro semestre de 2022, foram 11.633.347 pessoas contratadas e 10.298.556 desligadas dos postos de trabalho brasileiros, ou seja, foram 1.334.791 novas vagas. Esse número final é 14,2% superior ao do mesmo período de 2021, quando foram geradas 10.190.009 vagas formais.

O saldo de junho deste ano entre as unidades da federação foi positivo em todas as regiões. O maior destaque ficou em São Paulo, que teve 80.267 admissões a mais do que demissões. Minas Gerais, com 31.092, e Rio de Janeiro, com 22.922, seguem SP na lista. Roraima apresentou o menor crescimento, com 3.616 novas contratações e 3.087 desligamentos no período, saldo de 529 novos contratados com carteira assinada.

Em relação ao tipo de trabalho, o Novo Caged registrou estatísticas positivas nos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas avaliados. “O maior crescimento do emprego ocorreu no setor de Serviços, com geração de 124.534 postos e o setor do Comércio, com saldo positivo de 47.176 vagas formais no mês. Em seguida vieram os setores da Indústria, que registrou 41.517 postos, e a agropecuária, que gerou no mês 34.460 postos formais”, de acordo com o Ministério do Trabalho.

Para o professor de Administração da Universidade de Brasília (UnB) Jorge Fernando Valente de Pinho, os números atuais indicam uma possível retomada econômica. “É preciso ter presente que o setor de serviço, no qual o comércio apresenta os melhores resultados, é o setor mais fácil de ser estimulado e de responder às ações de governo. Ele pode dar o start para que o setor de indústria, etc, possa também apresentar bons resultados”, comenta.

Mariana dos Santos, moradora do Distrito Federal de 23 anos, é uma das profissionais que compõem os números positivos do setor de serviços. “Comecei a trabalhar no mês de julho, fiquei sem trabalhar três meses. Atualmente, sou estoquista. Por conta da pandemia, as coisas se dificultaram, mas eu consegui a vaga de emprego.”

Um dos subsetores de serviços é o de turismo. Segundo o governo federal, do total de 277.944 postos de trabalho com carteira assinada criados em junho, 35% foram em atividades ligadas a essa atividade, como segmentos de alojamento e alimentação, transporte aéreo e agências de viagens. “Significa que de cada dez novas vagas formais no sexto mês do ano, três foram no setor de turismo, totalizando 97,7 mil novos postos”, divulgou o Ministério do Turismo.

Outro levantamento recente sobre emprego e desemprego veio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela mostra que a taxa de desocupação do trimestre encerrado em junho teve queda de 1,8 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior, chegando a 9,3%.

Esses números deixam o Brasil no menor patamar para o período desde 2015, quando o índice foi de 8,4%. O número de desempregados também caiu 15,6% no trimestre, chegando a 10,1 milhões de pessoas.
 

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23/07/2022 18:25h

Dados do IBGE evidenciam que mais de 10% da população é formada por idosos. Segundo especialista, além da tendência natural, a falta de emprego e a fome são fatores para uma menor natalidade

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A população brasileira está mais velha. A constatação veio com os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nessa sexta-feira (22), que mostram um crescimento superior a 41% das pessoas com 65 anos ou mais no país. Na última década, a população geral cresceu 7,6%, mas o número de brasileiros abaixo dos 30 anos caiu 5,4%. No ano passado, o número de idosos superou os 10%.

O levantamento do IBGE mostra que a população do Brasil alcançou a marca de 212,5 milhões em 2021, sendo que 21,6 delas têm mais de 65 anos. No início da série histórica da pesquisa, em 2012, o país tinha 197,7 milhões de habitantes e 15,2 milhões de idosos. No mesmo período, se contarmos os maiores de 60 anos, o salto foi de 39,8%: o grupo dessa faixa etária passou de 22,3 milhões para 31,2 milhões.

Aldo Paviani, pesquisador e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) do Departamento de Geografia, explica que esse envelhecimento da população é uma tendência mundial, principalmente porque muitos casais, nas últimas décadas, preferem conter a natalidade. Segundo ele, algumas nações já estão preocupadas com a questão, principalmente no que diz respeito à escassez de mão de obra no futuro, mas que o Brasil ainda tem lastro.

“A China teve que estimular a população a ter mais que um filho. Antes era proibido ter dois filhos, agora, é admitido ter dois filhos ou mais. Na China, que é um país que está tendo grande importância internacional, sobretudo no comércio e na indústria, está se prevendo faltar mão de obra. Certos países vão ter de estimular os casais a terem mais do que dois filhos. No Brasil, a tendência é de uma certa folga ainda”, destaca.

Aldo também ressalta que a falta de emprego que assola o país nos últimos anos é um dos fatores da diminuição da natalidade e que essa é uma questão que deve ser levada em conta para planos futuros. “É preciso ter uma melhoria nas condições econômicas, porque o desemprego é um dos maiores desestímulos para a geração de filhos. Num país com milhões passando fome, o que se vai observar é uma procriação ainda menor e um índice ainda maior de envelhecimento, o que deve ser comprovado nos próximos dez anos.”

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Garantias para o futuro

Como a tendência é que a população brasileira envelheça ainda mais nos próximos anos, questionamentos como saúde e aposentadoria ganham ainda mais destaque na pauta. Segundo o pesquisador, a preocupação com a saúde dessa faixa etária não deve ser grande graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), “um dos melhores programas de saúde pública do mundo”. Já a questão da aposentadoria não depende da natalidade, mas, sim, da manutenção do mercado de trabalho. Ele explica que o governo precisa atentar cada vez mais para o ensino técnico, a fim de preparar melhor os jovens e diminuir o desemprego – o que consequentemente melhora a solidez do sistema de aposentadoria do país.

“O que precisa se fazer no Brasil é abrir mais escolas preparatórias de uma indústria efetiva que está rumando para a informática, para modelos diferentes do que eram nos anos 1950 e 1960. Tem de ter mão de obra preparada para um futuro em que a população precisa ter habilidades diversas, do que era há 30, 40 ou 50 anos atrás”, destaca Aldo.

Mais pessoas pretas e pardas na população

De acordo com os dados levantados na última década, a participação da população que se declara branca caiu de 46,3% para 43%, ao passo em que houve crescimento da participação das pessoas autodeclaradas pretas (de 7,4% para 9,1%) e pardas (de 45,6% para 47,0%).

Segundo o IBGE, entre 2012 e 2021 a população preta do país cresceu 32,4% e a parda, 10,8%, ou seja, em ambos os casos o crescimento foi maior em relação ao aumento geral da população (7,6%).

A maior concentração de brasileiros que se declaram pretos está no Nordeste, com 11,4%, seguido por Sudeste (9,6%) e Centro-Oeste (8,7%). Já as regiões que mais concentravam a população parda foram Norte (73,4%), Nordeste (63,1%) e Centro-Oeste (55,8%).

Mulheres são maioria

Em relação ao número superior de mulheres no país, a situação é similar à verificada em 2012. No ano passado, as mulheres representavam 51,1% da população, totalizando 108,7 milhões. Os homens respondem por 48,9%, ou 103,9 milhões. A relação é de 95,6 homens para cada 100 mulheres residentes no país.

Quando o recorte é feito por regiões, aí sim, há diferenças. O Norte é a única região em que há mais homens: 102,3 para cada 100 mulheres. No Nordeste, por exemplo, a diferença em relação às mulheres é mais acentuada: são 93,9 homens para cada 100 mulheres.
 

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05/07/2022 04:15h

IBGE calcula hoje 97,5 milhões de pessoas empregadas no Brasil contra 10,6 milhões de desempregados. Veja setores que puxam mercado e contexto de diferentes regiões

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O desemprego no Brasil alcança atualmente níveis mais baixos do que aqueles registrados no período pré-pandemia. É isso que mostram dados de diferentes pesquisas analisadas pelo Brasil 61 sobre ocupação e desocupação da população. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por exemplo, a taxa de desemprego mensal em abril deste ano chegou ao menor patamar desde outubro de 2015, alcançando 9,4%, sem o ajuste sazonal. Outro estudo recente, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma taxa de desocupação de 9,8% no trimestre encerrado em maio, a menor para esses três meses também nos últimos oito anos.

O IBGE calcula hoje 97,5 milhões de pessoas empregadas no Brasil. O número é o maior da série histórica do instituto, iniciada em 2012, e representa alta de 2,4% na comparação com o trimestre anterior e de 10,6% na comparação anual. Os desempregados somam 10,6 milhões de pessoas, dado que caiu 11,5% em relação ao trimestre anterior e 30,2% no último ano. No mesmo trimestre de 2021, relativo aos meses de março, abril e maio, eram 15,2 milhões de pessoas acima de 14 anos sem emprego.

Formais e informais

O recorte que mostra os empregados com carteira de trabalho assinada também mostra números positivos. No setor privado, houve um crescimento de 3,8 milhões desses ocupados em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 35,6 milhões de pessoas com carteira assinada. Já em relação aos trabalhadores sem carteira assinada, o IBGE registrou 39,1 milhões de brasileiros, o que representa uma taxa de informalidade de 40,1% da população ocupada, o que cresceu em relação aos 39,5% no mesmo trimestre de 2021.

Para Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do instituto, houve um “crescimento expressivo e não isolado da população ocupada”, o que representa um processo de recuperação das perdas que ocorreram em 2020, na pandemia. 

“O contingente de trabalhadores com carteira vêm apresentando uma recuperação bem interessante, já recompondo o nível pré-pandemia. Principalmente no final de 2020 e primeiro semestre de 2021, a recuperação da ocupação estava majoritariamente no trabalho informal. A partir do segundo semestre de 2021, além da informalidade, passou a ocorrer também uma contribuição mais efetiva do emprego com carteira no processo de recuperação da ocupação”, ressalta.

Setores

Um dos setores que vem se destacando e puxando a retomada é o de serviços. O levantamento do Ipea no recorte da população ocupada por setores mostra que as áreas de alojamento e alimentação, serviços pessoais e serviços domésticos foram as que registraram maiores crescimentos da ocupação. 

Para Otto Nogami, professor de Economia do Insper, a diminuição no número de desocupados se deve fundamentalmente à volta da normalidade do setor de serviços. “Esse é o primeiro a entrar em crise e o último a sair dela. À medida em que as pessoas voltam a circular pela cidade, indo às lojas, lanchonetes, bares de restaurantes, ou mesmo viajando a lazer, se impulsiona o setor de serviços, que começa a demandar mais mão de obra”, explica.

O economista ressalta, no entanto, que os salários desses empregos ainda não acompanham a melhoria do nível de empregabilidade. Outros dados, como os números da inflação, devem ser analisados em conjunto para uma visão ampla do cenário atual. “A inflação afeta as condições de produção da economia como um todo. Os dados positivos mostram que estamos voltando à normalidade, mas ainda distantes de um processo de crescimento sustentável”, opina. 

Veja a tabela com a variação da população ocupada por setores:

Regiões

Quando comparadas as regiões, observa-se que a taxa de desemprego teve maior queda no Centro-Oeste e Sudeste, com redução de 4,3 pontos percentuais e 4,2 pontos percentuais, respectivamente, entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022. Porém, todas as regiões aparecem hoje com índices de desocupação menores do que em relação ao primeiro trimestre de 2019.

Veja abaixo o mapa de taxas de desocupação nas regiões:

Nina Barbosa, especialista em recrutamento e seleção no Distrito Federal, observa uma mudança de cenário na região central do país após o período da pandemia. “Como profissional de RH, quando eu olho para o mercado de trabalho hoje, eu vejo na prática, no dia a dia, que as empresas estão voltando mesmo a contratar. A gente observa também que esse movimento de novas vagas também vem acompanhado de um movimento em que pede um pouco mais de qualificação”, diz.

A taxa de desemprego de pessoas com ensino superior, por exemplo, ficou em 7,1% no primeiro trimestre deste ano, a menor se comparada com outros graus de instrução. Desde o primeiro trimestre de 2019, essa taxa nunca passou dos 10,3%. Entre brasileiros com ensino médio incompleto, por outro lado, a menor taxa de desemprego neste período é a atual, de 18,3%. 

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06/04/2022 12:03h

Preconceito, disponibilidade de tempo, gestão da vida familiar e pouca informação sobre crédito são algumas das barreiras para o empreendedorismo feminino

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Se empreender é um desafio, para as mulheres é ainda maior. Isso porque, além das atividades profissionais, as mulheres dedicam, em média, 21,5 horas semanais para cuidados com a casa e os filhos; enquanto os homens empregam 11 horas nessas atividades. O dado é do IBGE. 

Para desenvolver a carreira, muitas vezes as mulheres sentem culpa pela necessidade de se afastar da casa e dos filhos. Essas são situações culturais e, na opinião da coordenadora nacional de Empreendedorismo Feminino do Sebrae, Renata Malheiros, podem ser trabalhadas. 

“Nós atuamos tanto com o desenvolvimento de competências técnicas necessárias quanto com planejamento, finanças, marketing. Mas a gente trabalha também com o desenvolvimento das competências socioemocionais que, muitas vezes, nós mulheres somos prejudicadas pela própria cultura enraizada em cima de preconceitos. E a gente muda isso com diálogo, a gente muda isso com redes”, sustenta.  

Quem se beneficiou com as trocas nos grupos promovidos pelo Sebrae foi Roberta Azevedo, dona de um restaurante em Brasília. Há seis anos ela atua no ramo alimentício e, há dois, abriu o restaurante. “No início eu era muito inexperiente. Estou envolvida com grupos de empresárias, empreendedoras mulheres. Nós nos reunimos, fazemos viagens, participamos de missões empresariais e temos esse apoio uma das outras e também uma das é uma uma iniciativa também foi uma e que está vinculado ao Sebrae/DF”, relata. 

Nutricionista, ela conta que o propósito de sua empresa é entregar comida sustentável para seus clientes. Por isso, dá preferência a produtores e produtos da região onde tem o empreendimento. “Eu comecei a empreender por uma necessidade de compartilhar e levar até as pessoas aquilo que eu acredito de transformação alimentar. Percebi que esse meu desejo era um nicho de mercado crescente de pessoas mais conscientes com alimentação, buscando novas alternativas para equilíbrio e saúde”, diz Roberta. 

Pouco mais de 30% das crianças de 0 a 3 anos são atendidas por creches

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Trilhas de Conhecimento

Para reunir iniciativas como o Sebrae Delas, o Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), da CNI, além de créditos em bancos, o Governo Federal lançou em março o programa Brasil pra Elas. Um portal digital que reúne as várias etapas para o empreendedorismo, focado na atuação de mulheres. 

Para a secretária Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques, o empreendedorismo feminino é fundamental na retomada da economia. Apesar de dinheiro não ter “carimbo, cor, ideologia ou sexo”, Marques defende que é importante a particularização das ações. “a gente vai ter um olhar mais sensível à questão do empreendedorismo feminino”, diz. 

O plataforma Brasil pra Elas é uma forma de as mulheres ganharem tempo, uma vez que as informações necessárias para empreender estarão reunidas em um só lugar. “Lá a mulher pode entender se ela quer começar a empreender. Serve para buscar ideias, algum curso, ver se ela precisa de apoio de crédito, então ela consegue fazer o link para os programas dos bancos públicos”, enumera a subsecretária de Desenvolvimento das Micro e Pequenas empresas do Ministério da Economia, Carolina Busatto.

Carolina ainda pontua que o programa e as discussões de seus comitês são oportunidades de olhar para as demandas específicas das mulheres. “Pensar em espaços que sejam favoráveis às crianças, à vagas em creches, em contratos que sejam feitos na linguagem que seja acessível a todos”, exemplifica. 

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03/11/2021 03:00h

Desemprego, violência e abuso sexual contra mulheres e crianças, além da segurança alimentar dos povos tradicionais, demandaram atenção especial do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

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A pandemia da Covid-19 desafiou o trabalho de todos os setores econômicos e governamentais no Brasil. Para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) não foi diferente. Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, a ministra Damares Alves afirma que a pasta precisou trabalhar mais, por conta das consequências socioeconômicas da pandemia.
Apesar de o MMFDH ser um órgão de articulação e de diálogo, houve muitos projetos e entregas de ação pública.

“Na pandemia, nós ficamos responsáveis pelas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), pelos abrigos de crianças, pelos quilombos, pelos povos tradicionais. Eu tive que literalmente entrar em navios para levar comida para a região ribeirinha no Brasil”, comenta a ministra.

De acordo com Damares Alves, o principal destaque são as mulheres, que - segundo estudo do Centro de Estudos de Economia do IREE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa), com dados da PNAD Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - foram as que mais perderam o emprego durante a pandemia. Do total de 8 milhões de mulheres que ficaram desempregadas, 26% não podem trabalhar por terem que cuidar dos afazeres domésticos, filhos ou outros familiares.

“Estamos trabalhando com o empoderamento, por meio do empreendedorismo a essas mulheres. Estamos trabalhando com cursos de capacitação, com milhares de vagas. Estamos trabalhando junto à Caixa Econômica, com créditos a juros baixíssimos para que as pessoas possam montar o seu próprio negócio”, destaca.

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Violência

Durante a entrevista, a ministra Damares Alves falou sobre um dos maiores desafios do MMFDH: o combate à violência sexual contra mulheres e crianças. Dados mais recentes do IBGE apontam que um em cada sete adolescentes brasileiros em idade escolar (até os 17 anos) já sofreu algum tipo de abuso sexual. Além disso, cerca de 9% das meninas já foram obrigadas a manter relação sexual contra a própria vontade.

Para combater essa situação alarmante, o MMFDH realiza uma série de ações como fortalecimento dos canais de denúncia e capacitação de profissionais da saúde, educação e assistência social, para identificação e acompanhamento dos casos de abuso sexual.

A ministra Damares Alves também ressalta que houve aumento de registros de violência contra a mulher durante a pandemia. “Se cresceu [a violência] contra a mulher, cresceu contra a criança. Nosso ministério está se preparando para fazer, junto com o Ministério da Educação e as escolas, essa leitura do que aconteceu com as crianças na pandemia. Além de dar uma assistência imediata às crianças que foram abusadas, torturadas, machucadas e negligenciadas.”

Ao longo de 2020, os canais nacionais de denúncias de violência contra a mulher registraram mais de 105 mil denúncias, segundo dados do MMFDH. Desse total, 75,7 mil denúncias eram relacionadas à violência doméstica e familiar contra a mulher.

Para denunciar qualquer situação de violência contra a mulher, o número é 180; ou contra crianças, disque 100.

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Povos indígenas e quilombolas

Apesar da política indigenista ser majoritariamente articulada no Ministério da Justiça, por meio da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do Ministério da Saúde, pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o MMFDH também tem forte atuação nas ações destinadas aos povos tradicionais, por meio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Em janeiro de 2020, com receio de que a pandemia pudesse atingir os povos tradicionais, o MMFDH, em parceria com a Funai e a Sesai, articulou um plano de segurança alimentar dessas comunidades.

“Nós destinamos parte do nosso orçamento para compra de cestas básicas para áreas indígenas e quilombolas; porque naquele primeiro momento, queríamos que o índio não saísse da aldeia e que ninguém entrasse. Então precisávamos manter os índios alimentados para eles não saírem da aldeia.”

“Não foi fácil. Por exemplo, na região ribeirinha [do Marajó], tem lugar que a cesta básica - entre o centro de abastecimento até a pessoa - demorou nove dias para chegar. Tivemos esse desafio de enfrentar todas as dificuldades logísticas para garantir a alimentação dos povos indígenas, de quilombos e da região ribeirinha do Brasil”, afirmou Damares.

“Tivemos esse desafio de enfrentar todas as dificuldades logísticas para garantir a alimentação dos povos indígenas, de quilombos e da região ribeirinha do Brasil.” Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Confira a seguir a primeira parte da entrevista com a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Ao longo desta semana, você confere as partes 2 e 3.

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01/11/2021 16:45h

Dados divulgados no último boletim Mapa de Empresas, do Ministério da Economia, mostram que no segundo quadrimestre deste ano foram abertas mais de 1,4 milhão empresas no Brasil

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Entre maio e agosto deste ano, foram abertas no país 1.420.782 empresas, o que representa aumento de 1,9%, em relação ao primeiro quadrimestre de 2021, e de 26,5%, na comparação com o segundo quadrimestre de 2020. Os dados foram divulgados no último boletim Mapa de Empresas, do Ministério da Economia. Em setembro, o número de novas empresas em operação foi de 252.840.

Apesar dos novos empreendimentos, o advogado empresarial e presidente da Comissão de Recuperação de Empresas (OAB/GO), Filipe Denki, lembra que foi um ano difícil para as empresas. “Muitas empresas se endividaram em função da crise econômica causada pelo coronavírus e, diante da retomada econômica, é importante que elas negociem suas dívidas junto às instituições financeiras”, orienta.

O advogado ressalta que, para essas empresas que se endividaram, é importante renegociar as dívidas com as instituições financeiras ou empresas de crédito, verificar a possibilidade de renegociação dos contratos de locação e contratos com fornecedores, além de ter cautela na hora de investir.

A empresária e cabeleireira Luzinete Farias Rocha, de 40 anos, explica que enfrentou dificuldades para manter seu salão de beleza aberto por conta do isolamento social. “A pior parte dessa situação é você não poder exercer sua profissão, que é seu ganha-pão, é o que a gente faz todo dia para colocar comida dentro de casa. Em dias normais já é difícil, imagina com a situação de todo o comércio fechado por conta da pandemia”, lamenta.

Mesmo testando novas alternativas, como propagandas em redes sociais e atendimento na casa do cliente, Luzinete precisou fechar o salão por conta dos gastos e alugar um espaço menor para seguir trabalhando. “Mesmo com a pandemia e fechando meu salão, eu não parei de trabalhar. Eu espero que possamos sair dessa situação e acredito que muitos cuidados vão ficar. A gente precisa se adequar e reinventar o tempo todo”, conta.

Em 2020, primeiro ano de pandemia, 75 mil estabelecimentos comerciais com vínculos empregatícios fecharam as portas, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As micro e pequenas empresas responderam por 98,8% dos pontos comerciais fechados.

Recuperação

Além do crescimento gradualmente positivo dos números de 2021 apresentado pelo Mapa das Empresas, o tempo médio para abertura de uma empresa no país caiu. Os dados da plataforma Governo Digital mostram que o prazo agora é três vezes menor que no início de 2019: menos de dois dias atualmente, facilitando o processo burocrático para quem deseja empreender.

Mas, segundo FIlipe Denki, é preciso ter cautela, principalmente porque o custo para empreender no Brasil ainda é alto. “As linhas de créditos são muito caras. Por isso, em relação ao governo, uma reforma administrativa é muito importante. Os gastos com a máquina pública são muito grandes, isso acaba inviabilizando investimento em áreas de educação, saúde e infraestrutura. Em relação às instituições financeiras, o crédito no Brasil está localizado em poucos bancos. Uma saída seria ampliar para outras instituições financeiras que queiram ingressar no mercado”, avalia.

Em agosto, foi instituído o Sistema Nacional de Garantias de Crédito (SNGC), que tem como objetivo facilitar o acesso de microempresas e empresas de pequeno porte ao crédito simplificado. De acordo com o Governo Federal, o novo sistema vai estimular a competição bancária, a eficiência do mercado e proporcionar maior acesso ao crédito, além de contribuir para a retomada da economia.

Os fundos já em operação também poderão participar do novo sistema, como o Fundo de Garantia de Operações (FGO), do Banco do Brasil, que dá garantia aos créditos no âmbito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), e o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para quem pretende começar a empreender, a orientação do especialista é ter um bom planejamento. “Para aquela empresa que está iniciando, é importante começar com um planejamento, com capital de giro mínimo para que você possa passar por pequenas crises de mercado. Também ter um plano de negócios, com suporte profissional de contadores, administradores e até um advogado pode ser um aliado nesse planejamento”, afirma Filipe.

Como abrir uma empresa?

Primeiro é importante saber que os procedimentos são distintos para quem quer ser um Microempreendedor Individual e para quem quer abrir uma Microempresa.

  • Microempresa (ME): para exercer suas atividades no Brasil é preciso, entre outras providências, ter registro na prefeitura ou na administração regional da cidade onde ela vai funcionar, no estado, na Receita Federal e na Previdência Social. Possui teto de faturamento de até R$360 mil por ano e o número de sócios dependerá da natureza jurídica escolhida.
  • Microempreendedor Individual (MEI): o processo é todo feito eletronicamente, via internet. Faturamento de até R$ 81 mil reais ao ano, limite de contratação de apenas 1 funcionário e não poderá ter sócios.

O primeiro passo para abrir uma ME é fazer um plano de negócio, um documento que irá descrever como sua empresa irá atuar. Precisa apresentar dados como descrição dos produtos e serviços da empresa, modelo de negócio utilizado, definição do setor e ramo de atividade, público-alvo, plano operacional e financeiro.

A elaboração do contrato social é o segundo passo. Ele reunirá todas as informações sobre o negócio para criar sua existência jurídica, normalmente cabe ao contador elaborar o documento. É preciso registrá-lo na junta comercial ou cartório da região onde a empresa irá funcionar.

Também é preciso fazer a inscrição estadual ou municipal. As empresas do ramo comercial, por exemplo, devem fazer a inscrição estadual, pois recolhem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Já as empresas de serviços fazem a inscrição municipal para recolher o ISS (Imposto Sobre Serviços).

Por último, é necessário o licenciamento, para que a empresa consiga um alvará de funcionamento, por exemplo, além de alvarás ou licenças específicas, caso haja riscos ambientais e/ou trabalhistas associados ao ramo de atividade.

Quadro econômico do Brasil

Mesmo com dados positivos em relação à abertura de empresas, a taxa de desemprego ficou em 14,1% no 2º trimestre de 2021, e atinge 14,4 milhões de brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o PIB per capita deve fechar o ano 7,5% abaixo do pico registrado em 2013.

Para a professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense, Carmem Feijó, o quadro só deve ser revertido com a reindustrialização no país e com a execução de políticas voltadas ao desenvolvimento econômico.

“Eu posso traçar uma trajetória virtuosa de crescimento quando ele estimula a mudança estrutural que integra mais as diversas indústrias. Isso promove ganhos de produtividade nos setores mais dinâmicos e a ideia é que isso se espalhe para toda a economia. Então, o crescimento da produtividade está muito ligado ao setor manufatureiro”, considera.

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08/10/2021 19:30h

Brasileiros encontraram nos empreendimentos próprios uma forma de superar desemprego

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O número de trabalhadores por conta própria já totaliza 25,2 milhões no Brasil. O patamar é recorde na série histórica. No último trimestre móvel, encerrado em julho deste ano, a porcentagem de autônomos cresceu 4,7%, em comparação com o trimestre anterior. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o diretor-presidente do Sebrae, Carlos Melles, a pandemia foi a principal responsável pelo aumento do empreendedorismo entre os brasileiros. “Nós tivemos um acréscimo de vontade empreendedora de 75%, e destes, 23% são por necessidade, a pandemia os trouxe a serem empreendedores por necessidade”, diz Melles, citando dados de outra pesquisa, realizada pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor).

Júlia Carneiro, 31, é professora e moradora de Patos de Minas, em Minas Gerais. No início da pandemia, ela se encontrou desempregada após não conseguir fechar turmas para as suas aulas do Ensino Fundamental. “O trabalho era pela prefeitura, eu sempre pegava aulas por contrato, e com a pandemia não houve contratação”, explica.

A professora conta que, por morar com os pais, teve a sorte de não ter passado por dificuldades financeiras em casa, mas que, por outro lado, a situação não foi favorável à sua saúde mental.

“Foi angustiante, fiquei bem deprimida, sem saber o que fazer. As minhas despesas pessoais eu fui pagando com as economias que eu já tinha, mas depois de quatro meses eu decidi que não dava para ficar parada, eu tinha que fazer algo.”

Foi assim que Júlia decidiu abrir o próprio negócio de cosméticos. “É algo que eu amo, comprar e usar. Então seria mais fácil começar por algo que gosto e conheço bem. Hoje tenho o meu espaço em casa e trabalho com produtos a pronta entrega, cestas, presentes”, conta. O CNPJ ela já tem, mas Júlia ainda sonha em abrir a sua loja física. Isso sem abandonar as salas de aula: “Será um desafio para o futuro conciliar a loja com as aulas, mas não pretendo deixar de ensinar.”

Geração de empregos

O diretor presidente do Sebrae, Carlos Melles, ainda destaca que “nos últimos anos, quem gera emprego de carteira assinada no Brasil é a micro e pequena empresa, são elas quem tratam do espírito empreendedor.” Atualmente, o país já possui cerca de 7 milhões de micro e pequenas empresas.

Durante a pandemia, o contador Diogo Fernandes, 26, investiu em seu primeiro comércio no Distrito Federal. Segundo ele, o desejo de empreender sempre esteve presente. “Desde que comecei a minha carreira tive a oportunidade de crescer dentro da empresa, então eu tive esse sentimento de gratidão e sempre quis retribuir. Na pandemia, eu percebi que o cenário do comércio, do empreender, no geral, havia mudado bastante. Então eu decidi que realmente tinha chegado a minha hora de começar”, conta.

Após iniciar os empreendimentos, Diogo não parou mais. Em apenas 13 meses, ele já está com quatro estabelecimentos, todos no setor de comércio alimentício: uma hamburgueria, uma distribuidora de bebidas, e uma açaiteria e sorveteria, esta última já em processo de abertura de uma segunda loja.

Com isso, o contador já possui 10 empregados contratados, distribuídos entre os seus estabelecimentos. “Eu fico muito feliz de estar gerando emprego, de poder ajudar com isso. E com certeza ainda virão outras oportunidades, ainda pretendo abrir mais lojas”, afirma Diogo.

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“Terceiro e quarto trimestres de 2021 e o ano de 2022 devem ser bastante positivos”, avalia economista José Camargo

Taxa de desemprego

Os dados do IBGE mostram que no último trimestre a taxa de desemprego no Brasil caiu 1 ponto percentual e foi para 13,7% na comparação com o trimestre anterior, finalizado em abril. Mesmo com essa queda, o país ainda possui 14,1 milhões de pessoas em busca de um trabalho.

Segundo o economista César Bergo, a decisão de empreender tem sido uma opção viável para o brasileiro fugir do desemprego: “Quanto maior a motivação, maior a probabilidade de sucesso. Abrir um negócio próprio tem seus riscos, mas é uma forma recomendável de superar uma situação de desemprego, sobretudo em uma época de pandemia como estamos vivendo agora.”

Entre os locais que apresentaram redução significativa no desemprego está Minas Gerais. A taxa no estado caiu de 13,8% para 12,5% no último trimestre. Entre os ocupados no estado, 25,8% são trabalhadores autônomos.

No Distrito Federal, a taxa de desocupação também caiu de 19,1% para 18,2% nos últimos 12 meses, segundo pesquisa elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (Dieese). Já a porcentagem dos autônomos cresceu em 4,1%.

O economista César Bergo explica que o desemprego no país ainda possui alguns problemas estruturais para serem resolvidos até que o cenário mude significativamente: “Tem muitas questões estruturais ligadas à desigualdade, à concentração de renda, tem a questão do avanço tecnológico que elimina alguns postos de trabalho, a falta de capacitação de mão de obra.”

Apesar do crescimento recente da taxa, o rendimento médio dos trabalhadores diminuiu 2,9%. César Bergo destaca o motivo: “Com o tempo, a renda também caiu, porque você tem a oferta de trabalho e as pessoas acabam aceitando trabalhar por um valor menor do que recebiam antes. Esse é o cenário pós-pandemia.”

Setores em alta

No Brasil, as atividades econômicas de maior crescimento no último trimestre foram os setores de construção (10,3%), alimentação (9%), serviços domésticos (7,7%), transporte, armazenagem e correio (4,9%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4,5%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (3,2%).

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27/09/2021 19:20h

Em entrevista ao portal Brasil61.com, professor da PUC-RJ e economista-chefe da Genial Investimentos foi otimista quanto ao crescimento do PIB e queda na taxa de desemprego nos próximos meses

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Com o avanço da vacinação e o relaxamento das restrições, cresce a expectativa pela retomada consistente da atividade produtiva do País após a acentuação dos efeitos negativos da pandemia de Covid-19 na economia, como a inflação acumulada de 9,68% nos últimos 12 meses e os quase 14,5 milhões de desempregados. 
 
Para entender qual o cenário para a economia do Brasil no segundo semestre de 2021 e no ano de 2022, o Brasil 61 Entrevista conversou com José Márcio Camargo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e economista-chefe da Genial Investimentos.   
 
Camargo é otimista não só em relação ao crescimento no País nos próximos meses, mas também crê que a qualidade de vida dos brasileiros vai aumentar. “No Brasil não existe nenhuma resistência à vacinação. As medidas de isolamento social e de restrição à mobilidade estão diminuindo. Isso certamente vai gerar uma grande melhora no bem-estar das pessoas. Elas vão sentir uma melhora na vida, de modo geral. E dado esse ambiente, a gente tem um cenário de volta da demanda, crescimento das compras, das vendas, e isso vai gerar um dinamismo muito importante. O terceiro e quarto trimestres de 2021 e o ano de 2022 devem ser bastante positivos”, avalia.

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Segundo o professor, após um segundo trimestre de frustração, principalmente devido à segunda onda da pandemia do novo coronavírus, a economia já dá sinais positivos. Camargo calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 5,4% este ano, acima, inclusive, dos níveis registrados antes da pandemia. Além disso, ele acredita em uma queda constante no número de desempregados. 
 
“A taxa de desemprego deve fechar o ano em 12,5%. No ano que vem, deve cair ainda mais, para níveis próximos de 10% ao ano, no final de 2022.  A tendência, sem dúvida, é de queda na taxa de desemprego”, afirma. O economista também falou sobre a expectativa em torno da inflação, da volta do setor de serviços e muito mais. Confira a entrevista abaixo. 

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30/07/2021 10:45h

Números do Caged mostram 1,6 milhões de admissões e 1,2 milhões de desligamentos de empregos com carteira assinada no período analisado

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O Ministério da Economia divulgou nesta quinta-feira (29) as Estatísticas Mensais do Emprego Formal, o Novo Caged. A pesquisa mostra que o Brasil gerou 309 mil postos de trabalho em junho deste ano, resultado de 1.601.001 admissões e de 1.291.887 desligamentos de empregos com carteira assinada. 

No acumulado de 2021, também há um saldo positivo de 1,5 milhões de novos trabalhadores no mercado formal. Outro dado de destaque do levantamento mostra que a quantidade total de vínculos celetistas ativos do Brasil chegou a 40 milhões em junho, uma variação de 0,76% de estoque de empregos formais em relação ao mês anterior.

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, essa é a primeira vez desde a crise de 2015 que o país ultrapassa o patamar de mais de 40 milhões de postos formais de trabalho. Guedes anunciou ainda que o governo federal trabalha para lançar oportunidades de trabalho aos jovens e uma formalização de cerca de 38 milhões de trabalhadores informais que hoje recebem o auxílio emergencial.

O ministro citou que, em breve, serão lançados programas como o serviço social voluntário e os bônus de inclusão produtiva (BIP) e de incentivo à qualificação profissional (BIQ).

“Tememos muito o efeito cicatriz, que é a mutilação de uma geração em função de uma pandemia dessa, já no setor educacional, já temos esse receio no setor educacional. E queremos, então, acelerar a absorção desses jovens, seja com treinamento de qualificação profissional, seja com serviço social voluntário para que eles se preparem para o mercado formal de trabalho”, disse Paulo Guedes.

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Brasil 61