IBGE

26/09/2022 04:00h

Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) caiu 0,90 ponto percentual em relação a julho

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Os preços medidos pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) referentes a agosto tiveram variação de 0,58% e registraram a segunda menor taxa do ano, acima apenas de fevereiro. Em relação a julho, a queda foi de 0,90 ponto percentual. O SINAPI é a ferramenta pela qual a Administração Pública, seja Federal ou outras que estejam manuseando verba federal, estabelece os valores dos insumos e serviços necessários às obras e serviços de engenharia.

O acumulado de doze meses ficou em 13,61%, pouco abaixo dos 14,07% registrados nos doze meses anteriores. As duas parcelas do índice, materiais e mão de obra, apresentaram desaceleração nos últimos três meses. “A parcela dos materiais, com 0,69%, apresentou queda tanto em relação ao mês anterior como agosto de 2021. Em agosto a parcela da mão de obra, apesar dos acordos coletivos firmados no período, caiu 1,20 ponto percentual em relação a julho" explica Augusto Oliveira, gerente do Sinapi.

A região Norte teve a maior variação entre todas no Brasil e fechou agosto com taxa de 1,43%. O preço do metro quadrado mais barato, no entanto, ficou com o Nordeste (R$ 1.549,97), seguido pelo Norte ( R$ 1.645,35) e Centro-Oeste (R$ 1.676,13).  Com alta na parcela de materiais e reajuste nas categorias profissionais, Rondônia foi o estado com a maior variação mensal, 5,67%, seguido pelo Amazonas, com 3,19%. 

"Isso é um resultado muito bom porque começa a cair um pouco o custo dos insumos e repercute um pouco na inflação. Temos visto ao longo dos últimos meses uma deflação, resultado de algumas atitudes principalmente em relação a combustíveis e energia, com isso também deflação em relação ao SINAPI”, destaca Emerson Fidel, vice-presidente de Assuntos de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) e presidente do Sinduscon-Rondônia. 
 
Fidel avalia como positivo o cenário da construção civil para os próximos meses. “Acreditamos que, mantida a queda nos próximos meses, comenta também novos empreendimentos e incrementos de renda para as pessoas, principalmente por aquecer a construção civil, que mais emprega e cresce nos últimos 12 meses”, conclui.

Indústria da construção em alta

O setor da construção civil avançou 2,2% no último trimestre, o oitavo consecutivo, segundo dados do IBGE. O crescimento teve reflexo na alta de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. No acumulado de seis meses, foi a atividade industrial com maior crescimento: 9,5%.

O número de vagas de trabalho também é positivo no setor. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram 184 mil novas vagas entre janeiro e junho deste ano, número que corresponde a 13,8% da geração de postos formais de trabalho no Brasil nos primeiros seis meses de 2022. 

O Sinapi

O Sinapi é uma produção conjunta do IBGE e da Caixa Econômica Federal, e é realizado por meio de acordo de cooperação técnica. Cabe ao IBGE a responsabilidade da coleta, apuração e cálculo, enquanto o banco fica responsável pela definição e manutenção dos aspectos de engenharia, como projetos, composições de serviços, por exemplo.

Acesse aqui os dados do Sinapi.

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20/09/2022 19:55h

De acordo com o 3º Levantamento do grão divulgado nesta terça-feira (20), pela Conab, o total de sacas deve chegar a 50,38 milhões

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A produção de café da safra 2022 deve ter um aumento de 5,6%, na comparação com 2021. A informação é do 3º Levantamento do grão para a atual temporada, divulgado nesta terça-feira (20), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ainda de acordo com o estudo, o total de sacas deve chegar a 50,38 milhões.

A evolução no ritmo de sacas colhidas é considerada pequena em comparação aos anos de 2020 e 2021.  Fatores como a falta de chuvas em 2020, as fortes geadas ocorridas nas regiões produtoras em 2021 e a guerra na Ucrânia são apontados como os principais impedimentos para um crescimento considerável, segundo a Conab.

A diferença entre os tipos de café produzidos também é imprescindível nessa análise. Segundo Carlos Barrada, gerente da pesquisa LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) do IBGE, “O café que consumimos, em suma, é constituído de uma mistura chamada blend: de 70% a 80% do tipo arábica e de 20% a 30% do conilon. O arábica é um café de clima mais frio, produzido, normalmente, a partir de 800m de altitude. Além disso, exige uma boa quantidade de chuvas durante o ciclo. Já o conilon é um café de baixas altitudes”.

Ainda de acordo com o gerente de pesquisa, os preços do café subiram, nos últimos dois anos, em função do aumento da demanda. “As pessoas passaram a ficar mais em casa e a, consequentemente, tomar mais café. Isso no mundo inteiro. A oferta de café é limitada, tendo o Brasil como maior produtor/exportador do mundo, seguido da Colômbia”, diz. 

Como mostra o relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em 2021 a saca de 60 quilos do café arábica valia cerca de R$640,00. Hoje, a mesma saca está avaliada em R$1.250,00, aproximadamente, dependendo da região.

Também entram para a lista de causadores deste aumento no valor do café a elevação dos custos de produção, como insumos, fertilizantes e combustíveis. A inflação do café, no ano passado, ficou acima de 67%, segundo a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (MG).

Direto do produtor

Carlos Coutinho Filho é produtor do Café Minelis, em Brasília, que foi premiado como o melhor nos anos de 2019 e 2021, nos prêmios Prêmio Illy e Olam Coffee, respectivamente. O produtor comenta a expectativa de crescimento: “Essa previsão da Conab é de 3 milhões de sacas a menos, da que foi divulgada em maio. Temos um crescimento em torno de 5,5% em relação a todo o café colhido na safra anterior. Desse crescimento, temos 10% na colheita conilon e pouco mais de 3% para a espécie arábica”. 

Ele ainda relata que esperava um volume maior na safra do arábica, em razão da bienalidade (oscilação da produção em anos consecutivos) do produto. Mesmo com esses fatores, ele espera finalizar o ano com um crescimento de 12%, comparado a 2021. Porém, vê com certa preocupação as expectativas gerais: “Esse aumento não tão expressivo da safra gera apreensão. Conforme relatórios internacionais, há a possibilidade de déficit de oferta e demanda nesse ano, ou seja, vai faltar café”, avalia.

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12/09/2022 16:45h

A redução no preço dos combustíveis está entre os fatores da queda do IPCA

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa os dados oficiais da inflação no país, teve queda de 0,31% em agosto. A deflação foi menos intensa do que a registrada em julho, que bateu na casa de -0,68%, quando a taxa foi a menor desde o início da série histórica da pesquisa, em janeiro de 1980. O reflexo dessa oscilação é que a inflação acumula agora alta de 4,39% no ano e de 8,73% em 12 meses. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda segundo pesquisa do IBGE, as passagens aéreas caíram 12,07% no mês de agosto, após quatro meses consecutivos de alta influenciada pelo período de férias de julho. Já no segmento comunicação, a queda foi de 1,10%, com redução de 6,71% nos planos de telefonia fixa e de 2,67% para telefones celulares.

Essa queda dos preços em relação ao mês de julho foi mais uma vez impulsionada pela redução do preço dos combustíveis, além da isenção do ICMS e da recente redução internacional do petróleo.  Os cortes da Petrobrás nos preços da gasolina na refinaria também contribuíram para a oscilação negativa.

Para a coordenadora de Análises Econômicas e Contas Regionais do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, Jéssica Milker, a atual deflação está ajudando a população a recuperar parte do poder de compra perdido nos últimos meses.

 “A população acaba se beneficiando deste comportamento dos preços porque fica mais barato se deslocar, ir ao mercado, ao cinema e até viajar. E qualquer dinheirinho que sobra no bolso do brasileiro ele pode usar para adquirir outros bens e serviços. Ou seja, essa deflação está ajudando a recuperar uma parte do poder de compra que ele perdeu nos últimos meses”.

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Apesar da queda de preço entre vilões da inflação dos meses passados, como leite, óleo de soja e tomate, outros itens importantes na mesa do brasileiro ficaram mais caros, como o frango em pedaços, queijo e frutas. Houve aumento de 0,24% em produtos do grupo alimentação e bebidas.

De acordo com o economista e Coordenador de Estudos e Avaliação de Políticas Socieconômicas do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF, Rafael Richter, a queda dos preços de alguns alimentos e bebidas já é algo a se comemorar.

"A nossa inflação de alimentos em agosto veio 0,24%, o que acaba sendo um alívio, a gente já vinha vindo num ciclo de crescimento dos alimentos há algum tempo, alguns itens estavam pesando um pouco mais", avalia. "Então temos essa diminuição nos óleos e gorduras, hortaliças e verduras, tubérculos e legumes, são itens que participam bastante da cesta alimentar do brasileiro que vão poder integrar um pouco mais essas quedas", observa.

Entre as altas, destaque também para o grupo de saúde e dos cuidados pessoais, com aumentos nos preços de 0,17% em agosto. A habitação teve alta de 0,10% e os vestuários, 1,69%.
 

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Economia
29/08/2022 04:15h

Segundo o IBGE, taxa de desocupação foi de 9,3% no trimestre que acabou em junho, a menor em sete anos. É o melhor índice desde o início do atual governo

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Há sete anos o Brasil não registrava uma taxa de desemprego tão baixa. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a taxa de desocupação ficou em 9,3% no trimestre que acabou em junho. É a menor porcentagem de brasileiros fora do mercado de trabalho para o mesmo período desde 2015, quando o índice fechou em 8,4%. Especialistas explicaram ao Brasil 61 as causas da queda constante do desemprego no país e os efeitos positivos na economia. 

A taxa de desocupação no Brasil vem caindo desde março do ano passado –  exceção feita à alta de 0,1% na virada de 2021 para 2022. À época, o país se aproximava do pico da segunda onda da pandemia de Covid-19, e a atividade econômica sofria inúmeras restrições. O desemprego atingiu 14,9% das pessoas na força de trabalho, o pior resultado desde 2012, quando a série histórica começou. 

Para Fernanda Mansano, economista-chefe do Grupo Empiricus, a queda do desemprego se explica pela reabertura das atividades e pelas medidas de estímulo do governo à economia. “O setor de serviços foi o setor mais afetado pelo isolamento social. Então, quando a gente começa a observar a maior mobilidade, a gente começa a ver esse setor de serviços reagindo e contratando novamente”, explica. 

“Principalmente no segundo trimestre a gente teve a liberação do FGTS, antecipação de décimo terceiro, muitos reajustes de salários. O conjunto disso tudo acaba estimulando a economia, principalmente pelo lado da demanda. Então, as pessoas estão comprando mais bens e serviços e, consequentemente, as empresas continuam vendendo mais e contratando mais para atender essa demanda que está mais aquecida”, completa Mansano. 

Arte: Brasil 61

Pierre Souza, professor de Finanças Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que a queda contínua da taxa de desemprego é “surpreendente”. “Não tem uma atividade econômica que está com uma elevação de PIB super significativa, tem inflação alta, os juros estão altos, então tem surpreendido essa contínua melhora no índice de desocupação”, diz.  

O especialista explica que o aumento no número de pessoas no mercado de trabalho era esperado com o arrefecimento da pandemia, e cita a contribuição do setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB do país. “É o setor que foi mais impactado pela pandemia, naturalmente, porque foi aquele em que as pessoas foram impedidas de trabalhar, mas é o setor, agora, que mais se supera, porque as pessoas estão voltando a consumir, a circular”, destaca. 

De acordo com o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país tem um saldo positivo de 4.106.419 empregos de janeiro do ano passado a junho deste ano. O setor de serviços gerou 2.031.372 novas vagas, quase metade do total. 

Contribuição dos pequenos negócios 

As micro e pequenas empresas são as que mais contribuem para o crescimento do mercado de trabalho no Brasil. De acordo com o Sebrae, a partir de dados do Caged, as MPE foram responsáveis por 961,9 mil vagas de emprego (72,1% do total) no primeiro semestre deste ano. Destaque para as micro e pequenas empresas do setor de serviços, que registraram saldo positivo de 533 mil postos de trabalho (diferença entre admissões e demissões) no período. 

O empresário Max Alexandre Martins é dono de um negócio que confecciona roupas no município de Balneário Gaivotas-SC. O cenário melhorou em 2022, após dois anos em que o objetivo da empresa foi “sobreviver” em meio à crise econômica da pandemia. “Esse ano, com a vacinação, com a população mais segura, apesar de a inflação estar alta e diminuir um pouco o poder de compra, a gente consegue ter uma perspectiva de produção para os próximos meses”, diz. 

A empresa de Alexandre tem 25 funcionários e fez contratações há pouco tempo. Segundo o empresário, o negócio poderia ter o dobro de trabalhadores, mas a falta de mão-de-obra qualificada impede a ampliação do quadro de funcionários. "Eu quero fazer contratações mais pontuais. Tem que ter experiência, tem que ter algum atrativo para eu contratar. Durante algum tempo eu contratei, ensinei a pessoa, mas agora eu estou tentando contratar pessoas que realmente saibam costurar. Estarei contratando para os próximos meses, mas a pessoa tem que ser profissional”, descreve. 

Mohara Cristina tem uma pequena empresa que vende roupas femininas em Brasília-DF. Ela conta que a “demanda aumentou significativamente” há cerca de três meses, o que a obrigou a contratar outra funcionária para o atendimento. “A demanda aumentou 30%. E a percepção é de aumentar ainda mais esse mês. Provavelmente, a gente vai precisar de uma outra social media pra cuidar da parte do Instagram, do site, porque a gente tem o nosso e-commerce também”, projeta. 

Ela atribui a maior procura à melhora do próprio produto e da organização interna do negócio, mas ressalta que seria difícil as vendas deslancharem sem a reabertura da economia. “Eu acredito que as clientes estejam mais seguras em gastar depois dessa muvuca da pandemia. Estou bem confiante, inclusive fazendo apostas para aumentar cada vez mais a nossa demanda, cada vez mais a equipe esse ano”, pontua. 

Arte: Brasil 61

Círculo virtuoso

A queda do desemprego é um indicador positivo por si só. Mas o fato de mais pessoas estarem empregadas – a maior quantidade da história em números absolutos, segundo o IBGE – também ajuda a formar um círculo virtuoso na economia, explica Pierre Souza. “O maior benefício seria na questão do consumo, porque eu tenho mais gente empregada, ou seja, eu tenho mais gente com poder aquisitivo”, afirma. 

Se as pessoas consomem mais, a indústria, os serviços e a agricultura tendem a aumentar a produção e, por consequência, precisam contratar mais pessoas para atender à demanda crescente. Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o aumento do emprego é um dos fatores que contribui para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). 

“Estamos vendo a cada Boletim Focus um aumento na previsão de PIB. Porque quanto mais emprego você gera, mais renda você dá às pessoas, maior o consumo e, por isso, mais a economia se aquece e você tem um aumento do PIB”, detalha. 

Fernanda Mansano destaca que as pessoas com carteira assinada têm acesso a linhas de crédito com taxas menores. “Isso é positivo porque você acaba estimulando o crédito também na economia e, se mais pessoas [estão] empregadas, a chance de aumento de inadimplência também é menor. Então, isso também acaba, de certa forma, sendo positivo, de forma geral, para o crescimento econômico”. 

Projeção

Para Rodrigo, a taxa de desemprego deve continuar caindo ao longo do ano. “Deve fechar perto de 9%, de acordo com as expectativas de mercado”. A dúvida, segundo ele, é se o rendimento mensal real vai subir. No ano, o indicador acumula queda de 5,1%.

“O ponto que falta nessa conta toda é a questão da renda, porque a gente não está vendo a renda aumentar de forma significativa. Ou seja, tem mais gente empregada, mas com salários relativamente estáveis ou, inclusive, perdendo o poder de compra”, explica Pierre. 

Ele ressalta que a desocupação tende a cair ainda mais no fim do ano. “A gente caminha para uma época de datas comemorativas. Tem dia das crianças, final de ano, que são momentos que geralmente o desemprego também cai, ou seja, o momento é positivo”, finaliza. 

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06/08/2022 02:00h

Média de pernoite em destinos nacionais foi de sete dias. Representantes do setor estão otimistas com a retomada das atividades, entre as mais afetadas por causa da pandemia da Covid-19

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O brasileiro viajou por mais tempo em 2021. De acordo com o levantamento PNAD Contínua Turismo 2020-2021, do IBGE, os brasileiros passaram, em média, sete noites fora de casa no ano passado. A pesquisa também mostra que cresceu a proporção de viagens realizadas no país que resultaram em pernoite, que passou de 73%, em 2019, para 76%, em 2021. 

O setor de turismo comemora o resultado, afinal, quanto mais tempo o brasileiro curte a viagem, mais os segmentos faturam. Isso é importante para a recuperação do setor, que deixou de faturar quase R$ 474 bilhões em 2020 e 2021 por causa da pandemia, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) diz que o aumento de noites em viagem é uma “excelente notícia”. Ela afirma que o fenômeno conhecido como “revenge travels” (viagens de vingança, na tradução literal), em que, após um grande período de restrição por conta da Covid-19, as pessoas estão ávidas por viajar, chegou com força ao Brasil. 

“As pessoas querem ficar mais tempo fora de casa. O aumento de noites é uma grande prova disso. O brasileiro já é um viajante que tem o costume de ter estadias mais prolongadas e isso afeta diretamente o faturamento, aumentando a receita e, obviamente, o lucro das empresas, principalmente as agências de viagem e toda a hotelaria”, explica. 

Segundo a ABAV, as agências de viagens faturaram cerca de R$ 19,2 bilhões em 2021, resultado 37,6% maior do que no ano anterior. Embora representantes do setor de turismo assumam que o faturamento perdido por causa da pandemia não será recuperado, eles estão otimistas com a retomada das atividades. 

“O setor de turismo está bastante aquecido. A gente voltou sabendo que ia ter um ano bastante produtivo. Não alcançamos ainda os números totais, porém a gente sabe que vai alcançar bem antes de todas as previsões e estimativas que foram feitas antes e durante a pandemia. As agências de viagem têm bastante trabalho e têm sentido que as nossas férias de verão, a nossa grande temporada, vão ser realmente um momento de recuperação plena”, acredita Magda. 

Quem passa mais tempo fora
De acordo com a pesquisa, os moradores da região Norte são os que passam mais tempo viajando. Os roraimenses, por exemplo, chegaram a dormir fora de casa por cerca de 19 dias. No caso dos amapaenses, o período médio foi de 17 dias, seguido pelos moradores do Acre (14) e do Amazonas (12). Rondônia e Amapá também estão entre os dez estados que registraram maior média de pernoites em viagens. 

Quem vive no Distrito Federal também costuma passar mais tempo viajando. É o caso de Bruna Fernandes, de 24 anos. Apenas no ano passado, ela e a família viajaram para seis destinos. Bruna conta que costuma pernoitar, em média, de seis a sete dias em uma cidade.  

“O que me motiva ficar fora mais tempo é conhecer mais os lugares que a gente visita, porque dependendo do lugar tem passeios que demandam mais dias para serem feitos. Se é um lugar muito grande pra conhecer, se chegamos tarde no dia da viagem ou vamos embora cedo, a gente normalmente gosta de ficar mais um tempinho para conhecer mais o lugar”, diz. 

De acordo com o levantamento, os moradores de Sergipe e do Espírito Santo são aqueles que passaram menos tempo viajando no ano passado. 

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01/08/2022 04:45h

180 agentes censitários vão tirar dúvidas dos moradores. Pesquisa começa em 1º de agosto

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A coleta de dados da maior pesquisa do país, o Censo, do IBGE, começa nesta segunda-feira (1). A edição deste ano tem uma novidade: o Centro de Apoio ao Censo (CAC), uma central telefônica que funcionará de domingo a domingo, com 180 agentes censitários disponíveis para esclarecer dúvidas de quem optar por responder o questionário pela internet ou telefone.

Quem quiser responder ao Censo 2022 via internet vai ter que informar ao recenseador de campo na visita inicial obrigatória. Será necessário fornecer um telefone de contato e um e-mail, caso exista. “Por esses meios de comunicação, nós iremos enviar a esse morador um e-ticket e uma senha, e com isso ele poderá acessar o questionário para realizar o preenchimento”, explica a coordenadora do Centro de Entrevista Telefônica Assistida por Computador do IBGE, Andrea Salvador.

O prazo para esse preenchimento é de sete dias. Ao longo desse período, o IBGE enviará alguns lembretes para que o morador não se esqueça de responder ao questionário. No segundo dia, o instituto enviará uma mensagem de texto e um e-mail, e caso o preenchimento ainda não tenha sido feito no sexto dia, o CAC entrará em contato pela última vez para estimular o morador. Se a pesquisa não for concluída após os sete dias, volta para o recenseador, e terá de ser preenchida presencialmente, junto ao agente censitário.

Via telefone

Outra novidade do Censo 2022 será a possibilidade de preenchimento por telefone, o que poderá acontecer em dois momentos. Primeiro, quando o recenseador, ao visitar o domicílio, encontrar alguma indisponibilidade do morador. Nesse caso, um retorno posterior por telefone será acordado entre as partes.

“O segundo momento é para os moradores que optaram por responder o questionário via internet e estão encontrando alguma dificuldade. Os agentes censitários também farão essa oferta de preenchimento via telefone”, conclui Andrea Salvador.

Contato com o CAC

O Centro de Apoio ao Censo começa a operar a partir do dia 1º de agosto, todos os dias, das 8h às 21h30. Para entrar em contato, basta ligar para o 0800 721 8181. As informações prestadas ao CAC são confidenciais e o sigilo é garantido. Segundo o IBGE, as visitas em todos os municípios brasileiros incluem 89 milhões de endereços, dos quais 75 milhões são domicílios. 

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23/07/2022 18:25h

Dados do IBGE evidenciam que mais de 10% da população é formada por idosos. Segundo especialista, além da tendência natural, a falta de emprego e a fome são fatores para uma menor natalidade

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A população brasileira está mais velha. A constatação veio com os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nessa sexta-feira (22), que mostram um crescimento superior a 41% das pessoas com 65 anos ou mais no país. Na última década, a população geral cresceu 7,6%, mas o número de brasileiros abaixo dos 30 anos caiu 5,4%. No ano passado, o número de idosos superou os 10%.

O levantamento do IBGE mostra que a população do Brasil alcançou a marca de 212,5 milhões em 2021, sendo que 21,6 delas têm mais de 65 anos. No início da série histórica da pesquisa, em 2012, o país tinha 197,7 milhões de habitantes e 15,2 milhões de idosos. No mesmo período, se contarmos os maiores de 60 anos, o salto foi de 39,8%: o grupo dessa faixa etária passou de 22,3 milhões para 31,2 milhões.

Aldo Paviani, pesquisador e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) do Departamento de Geografia, explica que esse envelhecimento da população é uma tendência mundial, principalmente porque muitos casais, nas últimas décadas, preferem conter a natalidade. Segundo ele, algumas nações já estão preocupadas com a questão, principalmente no que diz respeito à escassez de mão de obra no futuro, mas que o Brasil ainda tem lastro.

“A China teve que estimular a população a ter mais que um filho. Antes era proibido ter dois filhos, agora, é admitido ter dois filhos ou mais. Na China, que é um país que está tendo grande importância internacional, sobretudo no comércio e na indústria, está se prevendo faltar mão de obra. Certos países vão ter de estimular os casais a terem mais do que dois filhos. No Brasil, a tendência é de uma certa folga ainda”, destaca.

Aldo também ressalta que a falta de emprego que assola o país nos últimos anos é um dos fatores da diminuição da natalidade e que essa é uma questão que deve ser levada em conta para planos futuros. “É preciso ter uma melhoria nas condições econômicas, porque o desemprego é um dos maiores desestímulos para a geração de filhos. Num país com milhões passando fome, o que se vai observar é uma procriação ainda menor e um índice ainda maior de envelhecimento, o que deve ser comprovado nos próximos dez anos.”

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Garantias para o futuro

Como a tendência é que a população brasileira envelheça ainda mais nos próximos anos, questionamentos como saúde e aposentadoria ganham ainda mais destaque na pauta. Segundo o pesquisador, a preocupação com a saúde dessa faixa etária não deve ser grande graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), “um dos melhores programas de saúde pública do mundo”. Já a questão da aposentadoria não depende da natalidade, mas, sim, da manutenção do mercado de trabalho. Ele explica que o governo precisa atentar cada vez mais para o ensino técnico, a fim de preparar melhor os jovens e diminuir o desemprego – o que consequentemente melhora a solidez do sistema de aposentadoria do país.

“O que precisa se fazer no Brasil é abrir mais escolas preparatórias de uma indústria efetiva que está rumando para a informática, para modelos diferentes do que eram nos anos 1950 e 1960. Tem de ter mão de obra preparada para um futuro em que a população precisa ter habilidades diversas, do que era há 30, 40 ou 50 anos atrás”, destaca Aldo.

Mais pessoas pretas e pardas na população

De acordo com os dados levantados na última década, a participação da população que se declara branca caiu de 46,3% para 43%, ao passo em que houve crescimento da participação das pessoas autodeclaradas pretas (de 7,4% para 9,1%) e pardas (de 45,6% para 47,0%).

Segundo o IBGE, entre 2012 e 2021 a população preta do país cresceu 32,4% e a parda, 10,8%, ou seja, em ambos os casos o crescimento foi maior em relação ao aumento geral da população (7,6%).

A maior concentração de brasileiros que se declaram pretos está no Nordeste, com 11,4%, seguido por Sudeste (9,6%) e Centro-Oeste (8,7%). Já as regiões que mais concentravam a população parda foram Norte (73,4%), Nordeste (63,1%) e Centro-Oeste (55,8%).

Mulheres são maioria

Em relação ao número superior de mulheres no país, a situação é similar à verificada em 2012. No ano passado, as mulheres representavam 51,1% da população, totalizando 108,7 milhões. Os homens respondem por 48,9%, ou 103,9 milhões. A relação é de 95,6 homens para cada 100 mulheres residentes no país.

Quando o recorte é feito por regiões, aí sim, há diferenças. O Norte é a única região em que há mais homens: 102,3 para cada 100 mulheres. No Nordeste, por exemplo, a diferença em relação às mulheres é mais acentuada: são 93,9 homens para cada 100 mulheres.
 

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16/07/2022 10:07h

Pesquisa que avaliou dados de uma década entre estudantes mostra crescente de insatisfação com corpo, bullying e experimentação de bebidas alcóolicas

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta semana diferentes dados sobre saúde e qualidade de vida de estudantes de 13 a 17 anos avaliados durante uma década, entre 2009 e 2019. Entre os destaques, a pesquisa mostrou que esses alunos estão mais insatisfeitos com próprio corpo, se sentem mais  inseguros no trajeto ou na escola, têm relações sexuais mais cedo, usam menos preservativos, experimentaram mais bebidas alcóolicas e menos cigarros.

Esses são alguns dos indicadores da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Segundo Marco Andreazzi, gerente do levantamento do IBGE, a análise dos resultados permite uma visão ampla dos contextos sociais dos escolares. 

“Permite observar como estava a saúde desses adolescentes antes da pandemia e quais as tendências, os motivos pelos quais deveriam se desenvolver estratégias de controle ou recuperação nas áreas mais frágeis possíveis dessa população”, afirma.

O recorte da pesquisa foram alunos do nono ano do ensino fundamental. “Essa faixa etária é preconizada pela Organização Mundial da Saúde no sentido de estudar os fatores de risco e proteção analisadas na Pense que são fundamentais para o desenvolvimento de hábitos e costumes e determinam a ocorrência de doenças crônicas degenerativas”, explica Marco Andreazzi.

Números

Dados sobre a saúde mental se destacam entre os números. Pouco mais de 40% dos estudantes questionados relataram já ter sofrido bullying, com provocação ou intimidação, um aumento de quase 10 pontos percentuais quando comparado com 2009. 

A pesquisa também questionou nesses anos se os adolescentes já faltaram às aulas pelo menos um dia por se sentirem inseguros, ou no trajeto ou dentro da escola. A porcentagem dos alunos que responderam “sim” à pergunta dobrou: de 8,6% em 2009 para 17,3% em 2019. Gisele de Lucca, mãe de um adolescente de 16 anos, avalia que a instantaneidade de décadas marcadas pelo avanço digital geram impactos significativos na saúde e no comportamento dos jovens estudantes. 

“O meu filho hoje, na adolescência, tem uma exposição muito maior ao contato da informação. Eles têm muito mais acesso à informação e ela chega rápido por meio dos mobiles, internet, tudo com facilidade. Mas eu vejo que a qualidade está indo muito contra a quantidade. Eles são expostos à muita informação, mas de baixa qualidade, que fazem eles tomarem certas decisões que às vezes não são compatíveis com uma vida muito saudável”, avalia.

A mãe lembra ainda da exposição dos adolescentes de hoje em dia com jogos online que tomam longas horas do dia, com ambientes virtuais sem muito controle para cyberbullying e outras características atuais. “A fonte de informação que eles têm hoje são tão diferentes que fazem os adolescentes tomarem essas decisões tão discrepantes com o autocuidado”, diz.

A pesquisa também mostra dados sobre prevenção que dialogam com a opinião de Gisele. Os adolescentes entrevistados foram perguntados ao longo dos últimos anos sobre o uso de preservativos na última relação sexual, caso tenham tido. 

Nas capitais do país, o percentual de escolares que usaram camisinha caiu entre 2009 a 2019. Entre 2009 e 2012, essa taxa subiu de 72,5% para 74%. Mas ela teve novas quedas em 2015, chegando a 63%, e em 2019, com 59%. 

Também preocupam as estatísticas sobre uso de substâncias ou ilícitas ou proibidas para essa faixa etária. Quando perguntados se já experimentaram bebida alcóolica, a porcentagem dos que responderam “sim” cresceu de 52,9% em 2012 para 63,2% em 2019, aumento ainda mais intenso entre as meninas, que saíram de 55% em 2012 para 67,4% em 2019. Para os meninos, o indicador foi de 50,4% em 2012 para 58,8% em 2019.

A experimentação ou exposição ao uso de drogas também subiu, passando de 8,2% em 2009 para 12,1% em 2019. Já a proporção de estudantes que consumiram cigarros ao menos em um ou dois dias nos 30 dias antes da pesquisa caiu: de 16,8% em 2009 para 13,1% em 2019.
 

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24/06/2022 15:15h

Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) fica um pouco acima do esperado, puxado por alta em planos de saúde

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (24) o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é considerado a prévia da inflação oficial. A pesquisa aponta um IPCA de 0,69% para este mês de junho, resultado um pouco acima da taxa de 0,59% de maio, mas ainda abaixo de junho de 2021, quando foi registrado 0,83%. 

O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) César Bergo explica que o IPCA, do ponto de vista das famílias, impacta na renda e afeta o consumo, e que o problema da inflação ocorre no mundo inteiro, principalmente devido aos conflitos entre Rússia e Ucrânia.

“No tocante ao aspecto global, é uma inflação que afeta o mundo inteiro, sobretudo em função dos combustíveis e dos alimentos, e também dos preços das commodities em função da guerra no Leste Europeu”, comenta.

Neste ano, no Brasil, o IPCA-15 apresenta uma alta de 5,65%. No recorte dos últimos 12 meses ele fica em 12,04%, valor menor do que os 12,20% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. 

Entre as capitais, Brasília, São Paulo e Salvador, por exemplo, tiveram taxas de IPCA-15 acima da média nacional, com 0,74%, 0,79% e 1,16%, respectivamente, em junho. Porém, todas as áreas pesquisadas tiveram alta neste mês, sendo que o menor resultado do índice foi de Belém, 0,18%. Em Salvador, a gasolina e o reajuste de 20,97% nas tarifas de energia elétrica puxaram o aumento. 

César Bergo lembra que o resultado final de junho pode ser ainda maior devido ao novo reajuste de preços anunciado pela Petrobras. “A questão maior é que esses preços foram captados antes do aumento da gasolina, do diesel ocorrido na semana passada. Então, o IPCA deve ser maior do que esse IPCA-15, no fechamento do mês”.

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Impacto da pandemia reduziu salários em 2020, aponta IBGE

A maior alta do levantamento divulgado, entre os itens, veio dos planos de saúde, que subiram 2,99% após o reajuste de até 15,50% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 26 de maio.

Também nesta semana, o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão presidido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos, e pelo secretário Especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago, aprovou resolução que fixa meta para a inflação em 3% para 2025, com margem de tolerância de 1,50% ponto percentual para mais ou para menos.

Segundo avaliação do CMS, isso pode reduzir incertezas do mercado e aumentar a capacidade de planejamento das famílias, empresas e órgãos governamentais. 

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23/06/2022 20:30h

Consolidação dos dados do Cadastro Central de Empresas de 2020 aponta que salário médio mensal foi de pouco mais de R$ 3 mil, valor 3% menor que no ano anterior

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O primeiro ano da pandemia fez os salários pagos pelas empresas brasileiras cair em 2020, de acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quinta-feira (23). A média mensal paga foi de R$ 3.043,81, que representa uma redução de 3% em valores reais na comparação com 2019. O estudo indica que parte da queda pode ser explicada pelos acordos de redução de jornada permitidos pelo governo durante o ano. 

Em 2020, o governo federal permitiu que a jornada de empregados fosse reduzida em até 70%, com corte proporcional nos salários pagos. Criado em abril de 2020 por meio de uma Medida Provisória, o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda criava a possibilidade de acordos individuais e coletivos entre empresas e empregados, com duração máxima de 120 dias - equivalente a 4 meses.

O estudo também mostra que o número de empresas e organizações formais ativas naquele ano cresceu, com 194,8 mil unidades a mais em relação a 2019. Apesar desse crescimento, o total de ocupados assalariados foi reduzido em mais de 825 mil pessoas na comparação com o ano anterior.

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Para Thiego Ferreira, gerente das estatísticas do Cempre 2020, esse aumento no número de empresas em conjunto com a queda de pessoal é explicado, principalmente, pelo crescimento de empresas sem empregados. 

Os dados mostram que essas 825,3 mil pessoas que perderam a ocupação e renda em 2020 pertencem, principalmente, a setores que foram mais afetados pela pandemia.
A área que mais fechou vagas durante 2020 foi a de alojamento e alimentação, com redução de 373,2 mil postos de trabalho. De acordo com Ferreira, a queda geral não é a maior da série histórica do estudo, mas a de alojamento e alimentação apresentou seu pior desempenho do estudo. 

“Mesmo com os reflexos da Covid-19, a queda relativa observada em 2020 daquele pessoal assalariado não foi a maior da série histórica. Ao contrário do que ocorreu no setor de alojamento e alimentação e de artes, cultura, esporte e recreação, que tiveram quedas superiores a 12%, a maior da série histórica dessas atividades”, afirmou o gerente das estatísticas da pesquisa. 

Também reflexo da Covid-19, o setor de saúde humana e serviços sociais, apresentou um aumento de 139,3 mil pessoas ocupadas assalariadas, com o aumento da demanda de serviços de saúde.

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Brasil 61