Emprego

11/02/2026 12:00h

Discussão sobre mudanças na jornada de trabalho opõe argumentos de qualidade de vida e preocupações com custos, empregos e competitividade

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O debate sobre o fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa um — voltou a ganhar destaque no Congresso Nacional e tem mobilizado parlamentares, entidades empresariais e representantes do mercado de trabalho. A proposta, defendida por parte dos parlamentares como uma forma de ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores, levanta questionamentos sobre os impactos econômicos e operacionais para empresas de diferentes setores.

Nos últimos meses, projetos de lei, declarações públicas e discussões em comissões parlamentares intensificaram o embate entre a busca por melhores condições de trabalho e a preocupação com a sustentabilidade das empresas, especialmente no comércio e no setor de serviços, que dependem de funcionamento contínuo e escalas mais extensas.

Atualmente, quatro propostas de emenda à Constituição (PECs) tramitam no Congresso sobre o tema. Uma delas é a PEC 8/2025, que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Segundo o relator da Subcomissão Especial da Escala de Trabalho 6x1, deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), o relatório final deve propor a redução da contribuição previdenciária patronal de 20% para 10% em empresas nas quais a folha de pagamento representa 30% ou mais do faturamento.

“Nós sabemos da importância do trabalhador ter mais dias de descanso, ter uma vida mais saudável, mas também sabemos que a economia precisa que as empresas estejam saudáveis e competitivas”, afirma.

Os impactos da mudança para o mercado

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) acompanha o avanço do debate com cautela e reforça a necessidade de uma análise ampla antes de qualquer alteração no atual modelo de jornada de trabalho. A entidade alerta que o fim da escala 6x1, se implementado de forma abrupta, pode trazer efeitos significativos para o mercado.

Entre os principais pontos de atenção estão o aumento dos custos operacionais, a necessidade de contratações adicionais, a redução da margem de lucro e, em alguns casos, o risco de fechamento de vagas ou informalidade. A preocupação é maior entre micro, pequenas e médias empresas, que possuem menor capacidade de absorver mudanças repentinas na legislação trabalhista.

Segundo a CACB, setores como comércio, turismo, alimentação e serviços essenciais seriam diretamente afetados, já que operam com horários estendidos e dependem de escalas para manter o atendimento ao público.

O vice-presidente da CACB, Valmir Rodrigues da Silva, avalia que países desenvolvidos conseguem adotar jornadas menores porque contam com alta produtividade — realidade ainda distante no Brasil. Segundo ele, enquanto um trabalhador brasileiro leva, em média, uma hora para produzir o que um norte-americano faz em 15 minutos, fatores como educação, infraestrutura e tecnologia ainda limitam ganhos de produtividade.

“Quando você reduz a carga horária, tendo uma produtividade baixa, naturalmente que isso vai impactar nos custos, e esse custo será repassado ao mercado”, destaca.

Ele também chama atenção para o risco enfrentado por empresas que não conseguem repassar ao mercado o aumento dos custos. No caso de negócios que atuam como fornecedores e conseguem distribuir esse reajuste ao longo da cadeia produtiva, o impacto tende a ser menor. Já para quem está na ponta, lidando diretamente com o consumidor final, a margem de manobra é reduzida: se o público não absorver a alta de preços, a empresa pode ter sua rentabilidade comprometida e, no pior cenário, ser levada ao fechamento.

Fernando Moraes, empresário do setor de telefonia e presidente do Conselho Superior da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), avalia que a possível extinção da escala 6x1 precisa ser analisada com muita cautela. 

“O comércio e os serviços dependem fortemente de mão de obra e operam com margens apertadas. Uma mudança desse porte, sem transição e sem contrapartidas como desoneração da folha e ganhos de produtividade, pode elevar custos, reduzir competitividade e afetar a geração de empregos. Defendemos diálogo e equilíbrio para que o avanço nas relações de trabalho não resulte em efeitos negativos para a economia”, ressalta.

Qualidade de vida e reflexos na economia

Defensores do fim da escala 6x1 argumentam que a mudança pode trazer ganhos à saúde física e mental dos trabalhadores, além de melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. No entanto, especialistas apontam que os impactos sobre a produtividade e a economia variam conforme o setor, o porte da empresa e o modelo de implementação.

Para a CACB, é inegável que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, mas é preciso avaliar os impactos financeiros também para o trabalhador.

O trabalhador também é comprador. Então se o preço é impactado, se o custo subir, ele vai ter que fazer um esforço maior para manter aquilo que ele já tem”, afirma Valmir Rodrigues.

A entidade defende que o caminho mais equilibrado passa pelo diálogo entre governo, Congresso, trabalhadores e empresários, além da busca por alternativas como a flexibilização de jornadas, acordos coletivos e modelos adaptáveis à realidade de cada atividade econômica.

Enquanto o tema segue em discussão no Congresso Nacional, a CACB reforça que qualquer mudança na legislação trabalhista deve ser construída com base em dados técnicos e impacto real na economia, de forma a garantir avanços sociais sem comprometer a geração de empregos e a competitividade das empresas brasileiras.

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10/02/2026 04:15h

Montante corresponde a 7,8% das vagas criadas no país, conforme informativo da Confederação Nacional de Municípios

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Em 2025, o saldo acumulado de postos de trabalho no setor agropecuário cresceu 31,3%. O número responde por 7,8% do total de novas vagas de emprego criadas no país. Entre os setores que mais empregaram estão “cultivo de laranja” e “abate de bovinos”. Os dados constam no Informativo nº 12/2025 - Emprego no Campo: Mercado Agro, da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Confira os cinco setores que mais criaram empregos em 2025:

  • Cultivo de laranja: 11,8 mil vagas em 506 cidades;
  • Frigorífico – abate de bovinos: 10,6 mil vagas em 657 cidades;
  • Abate de aves: 9,4 mil vagas em 345 cidades;
  • Fabricação de produtos de padaria e confeitaria com predominância de produção própria: 6,4 mil vagas em 2.832 cidades;
  • Frigorífico – abate de suínos: 6 mil vagas em 208 cidades.

Entre os setores que mais perderam vagas, a “fabricação de açúcar em bruto” lidera, com redução de cerca de 11,2 mil postos de trabalho em 217 cidades. 

A publicação destaca que os setores ligados à produção madeireira fecharam 5.732 vagas de emprego no ano. Segundo a CNM, o resultado foi impactado pelos efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, após ter registrado saldo positivo em 2024 de 1.528 vagas.

No recorte mensal, em dezembro, o mercado de trabalho do agro registrou 141.446 admissões e 227.716 desligamentos. O setor encerrou o mês com saldo negativo de 86.270 postos de trabalho. 

Na avaliação da CNM o recuo é considerado comum, considerando que o mês marca o encerramento de contratos temporários.

Municípios com maior crescimento do emprego em 2025 

Em relação às cidades que mais empregaram no setor agropecuário, se destacam as regiões Sul e Sudeste.

Confira os municípios que registraram alta do emprego:

  • Matão (SP);
  • Bebedouro (SP);
  • Pelotas (RS);
  • Sananduva (RS);
  • Monte Azul Paulista (SP). 

São Paulo e Minas Gerais

Considerando os resultados estaduais, apenas o Acre teve saldo positivo no mês. Em dezembro, o estado criou 106 vagas. Já os demais estados registraram redução do emprego, com São Paulo e Minas Gerais liderando o declínio, com recuo de 22,3 mil e 11,0 mil vagas, respectivamente.

Pelo informe, a fabricação e o cultivo de açúcar foram os principais responsáveis pela queda em São Paulo, de 4,8 mil vagas, seguidos pelo cultivo de laranja, com baixa de 2,3 mil vagas. 

Em Minas Gerais, a fabricação de açúcar e o cultivo de café contribuíram igualmente para a redução, com -1,4 mil vagas cada. 

Apesar do cenário de redução de postos de trabalho em dezembro de 2025, São Paulo e Minas Gerais lideram o saldo positivo acumulado em 2025. Foram cerca de 26 mil vagas criadas em São Paulo e outras quase 10,4 mil vagas em Minas Gerais. 

Doença de Chagas: surto em Ananindeua (PA) acende alerta para prevenção da contaminação oral no Brasil
Juros “punitivos”, baixa demanda e alta de importações seguraram indústria em 2025, diz CNI

Informativo 

O Informativo da CNM tem o objetivo de oferecer subsídios técnicos aos gestores municipais de todo o país.

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07/02/2026 04:05h

Indicadores Industriais da CNI mostram recuo na atividade industrial no segundo semestre de 2025

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O faturamento da indústria de transformação estagnou em 2025. Após queda de 1,2% em dezembro, o indicador fechou o ano com variação de 0,1% em relação a 2024, consolidando um quadro de estabilidade. Os dados são dos Indicadores Industriais, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (6).

A atividade industrial recuou no segundo semestre de 2025, com quatro quedas de faturamento nos últimos seis meses. Até junho do ano passado, as receitas acumulavam alta de 5,7% em relação ao mesmo período de 2024, mas a sequência negativa do indicador reverteu o cenário positivo.

Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, explica que esse resultado reflete os efeitos da elevada taxa básica de juros, no maior patamar das últimas duas décadas. “A convivência com taxas de juros elevadas, o elevado custo do crédito, a desaceleração da atividade econômica, a forte entrada de bens importados, especialmente de bens de consumo, capturando uma parte importante da demanda doméstica. Todos esses elementos devem permanecer ao longo de 2026, trazendo uma perspectiva que não é das melhores para a indústria de transformação ao longo deste ano”, alerta.

Nocko aponta que o desempenho acima da média em 2024, com alta de 6,2%, melhor marca em 14 anos, é outra causa para essa estabilização do faturamento. “Por isso nós temos alguns resultados mistos. Por exemplo, o emprego e o número de horas trabalhadas na produção ainda registraram um crescimento nessa comparação do ano consolidado de 2025 contra 2024, mas outros indicadores, como o nível de utilização da capacidade instalada, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores, mostraram um recuo.”

Em dezembro, o total de horas trabalhadas na produção caiu 1% em relação a novembro, também o quarto resultado negativo no último semestre. Já a utilização da capacidade instalada (UCI) caiu 0,4 ponto percentual, passando de 77,2% para 76,8% em dezembro e fechou 2025 com média 1,2 ponto percentual inferior à registrada no ano anterior. 

Emprego

De acordo com o levantamento da CNI, o emprego caiu 0,2% entre novembro e dezembro, quarto resultado negativo consecutivo. Ainda assim, o mercado de trabalho industrial cresceu 1,6% em 2025 frente a 2024.

“É importante destacar que o momento vivido pelo mercado de trabalho ainda é de bastante aquecimento. Agora no final do ano de 2025, os indicadores relacionados ao emprego deram alguns sinais um pouco mais concretos de desaceleração, mas o mercado de trabalho segue em crescimento. No entanto, um crescimento mais fraco do que o apresentado em relação a 2024”, explica Nocko.

A massa salarial real caiu 0,3% no último mês de 2025, a quinta queda do indicador em seis meses. No último semestre do ano passado, a massa salarial subiu apenas em novembro (1,4%). O indicador fechou o ano com queda de 2,1% em relação a 2024.

O rendimento médio real registrou relativa estabilidade (+0,2%) em dezembro, depois de crescer 1,4% em novembro. No entanto, o saldo de 2025 é negativo: queda de 3,6% em relação a 2024.

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02/02/2026 04:40h

A expectativa é de que o feriado gere a abertura de 39,2 mil vagas de emprego temporárias, segundo levantamentos da CNC e da FecomercioSP

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O Carnaval de 2026 promete movimentar de forma contundente a atividade turística do país em fevereiro. A projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de uma movimentação financeira recorde de R$14,48 bilhões durante o feriado — o que representaria um crescimento real de 3,8% em relação ao mesmo período de 2025 —, enquanto a projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é de um faturamento de R$18,6 bilhões para o mês de fevereiro — crescimento de 10% em relação ao ano passado.

Ainda segundo o levantamento da CNC, a expectativa é de que o fluxo de turistas estrangeiros durante o período e a estabilização dos preços de serviços essenciais gere a abertura de 39,2 mil vagas de empregos temporários

Segundo o Ministério do Turismo, o desempenho reflete o momento positivo vivido pelo setor, sustentado pelo aumento da geração de empregos e pela desaceleração da inflação, fatores que fortalecem o consumo e estimulam as viagens pelo país.

Além das grandes viagens internacionais, os deslocamentos de curta distância e regionais também contribuem de forma significativa para a economia local, segundo o Ministério do Turismo e a FecomercioSP, o que beneficia hotéis, pousadas, bares, restaurantes, guias de turismo e prestadores de serviços em destinos urbanos e litorâneos.

Segundo levantamento da plataforma Booking.com, destinos como Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG) estão no topo da lista de preferência de viajantes de perfis que buscam combinar praia, calor e grandes festas e até aqueles que querem aproveitar intensamente a folia urbana. Quando considerados os turistas internacionais, Florianópolis (SC) e São Paulo (SP) também integram os destinos mais almejados para o período.

Com informações do Ministério do Turismo, FecomercioSP e CNC.

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15/01/2026 04:55h

Redução da jornada pode elevar o custo do trabalho em 37,5%, aponta FecomercioSP

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Em consulta a donos de pequenos negócios nas cinco regiões do país, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) identificou forte preocupação com a extinção da escala 6×1 sem o devido diálogo com o setor produtivo. A medida é proposta por meio de Emenda à Constituição (PEC 8/25), em discussão na Câmara dos Deputados.

O texto prevê a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, sem redução de salário, além da mudança de regime de seis dias de trabalho para quatro, com três dias de descanso remunerado, medida que se aplicaria a todos os setores da economia.

Entre os principais riscos apontados pelos empresários estão:

  • elevação de despesas com a criação de novos turnos para atender à demanda;
  • aumento dos custos com encargos trabalhistas, como salários, INSS, FGTS, 13º e férias
  • repasse desses aumentos dos custos aos preços dos produtos e serviços;
  • redução do horário e dos dias de funcionamento das empresas;
  • dificuldade no cumprimento de prazos;
  • queda na capacidade de investimento em melhorias e expansão
  • migração de consumidores para o e-commerce;
  • informalidade e demissões;
  • e, em casos extremos, o fechamento de negócios.

As entrevistas foram  realizadas com empreendedores das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Para eles, antes de se discutir a redução da jornada, seria necessário avançar em políticas de redução da carga tributária, melhoria salarial, investimentos em infraestrutura, modernização industrial, estímulo à inovação, desburocratização das leis trabalhistas, ampliação do crédito, incentivos fiscais e qualificação profissional. Sem essas condições, eles avaliam que a mudança tende a gerar perdas para empresários, governo, trabalhadores e consumidores.

Para o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, a proposta de redução da jornada tem viés “populista”. Segundo ele, para que a medida seja sustentável, seria indispensável um amplo programa de qualificação da mão de obra, com duração mínima de cinco anos.  “Tem de preparar o campo e investir em qualificação”, afirma.

Elevação do custo do trabalho

Segundo cálculos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a redução da jornada proposta pela PEC 8/25 pode elevar o custo do trabalho em, pelo menos, 37,5%. De acordo com o levantamento, a nova regra poderia atingir cerca de dois terços dos trabalhadores formais do país. Dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que, em 2023, 63% dos vínculos empregatícios estavam concentrados em jornadas entre 41 e 44 horas semanais.

Alguns setores seriam mais afetados, especialmente aqueles em que a mão de obra humana é fundamental, entre eles:

  • agricultura, em que 92% dos profissionais atuam nesse regime de jornada; 
  • construção civil (91%);
  • varejo (89%).

A federação estima que a redução de 44 para 36 horas poderia elevar a folha de pagamento em pelo menos 18%, podendo alcançar 27% em alguns cenários. O efeito tende a ser mais severo para os pequenos empregadores, responsáveis por cerca de 60% dos empregos formais, especialmente se houver necessidade de contratar um ou dois trabalhadores adicionais para manter o nível de produção.

O economista e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sillas Souza, alerta que a proposta pode ter efeito contrário ao esperado, levando parte dos trabalhadores a buscar outros empregos durante os dias de folga, além de pressionar os salários para baixo

“Primeiro: para os que conseguirem [outro emprego], teremos o efeito oposto da proposta, pois ao invés de 36 horas semanais, serão agora 72. Menos ócio, portanto, equivalerá a uma menor produtividade. Segundo: mais gente ofertando emprego quer dizer mais concorrência pelas vagas, o que motivará os empresários a diminuírem os salários médios. Temos uma situação potencial na qual muita gente trabalhará o dobro para ganhar um pouco mais do que ganhava antes”, explica.

Produtividade em foco

Na avaliação da CACB, países desenvolvidos, como a Alemanha, adotam jornadas menores porque contam com elevada produtividade — realidade ainda distante no Brasil. Enquanto um trabalhador brasileiro leva, em média, uma hora para produzir o que um norte-americano faz em 15 minutos, fatores como educação, infraestrutura e tecnologia ainda freiam avanços na produtividade.

“Nesse cenário, até mesmo as grandes empresas terão dificuldades em incorporar uma escala de 4×3, que prevê uma redução de 27% na jornada de trabalho. Os principais parceiros comerciais do Brasil, EUA e China, possuem jornadas de trabalho maiores do que a proposta, de modo que, se aprovada, o Brasil perderia competitividade no mercado internacional”, argumenta a CACB.

Para a entidade, o momento é de investir prioritariamente em educação, qualificação profissional, infraestrutura e acesso à tecnologia, criando condições para elevar a produtividade e fortalecer o ambiente de negócios, antes de avançar em uma redução generalizada da jornada de trabalho.

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12/12/2025 04:40h

Oportunidades abrangem ensino médio, técnico e superior em diversas áreas e estados

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O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) está com mais de 1,5 mil vagas de estágio abertas em diversas regiões do Brasil. Essas são as últimas oportunidades do ano para estudantes do ensino médio, técnico e superior. As vagas estão distribuídas no Distrito Federal e nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Todas as oportunidades são remuneradas, com bolsas que variam de R$ 367 a R$ 2,5 mil, além de auxílio-transporte. Há ofertas em áreas como: administração, agronomia, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, farmácia, fisioterapia, gastronomia, nutrição, psicologia, entre outras.

A gerente de Carreiras e Desenvolvimento Empresarial do IEL Nacional, Michelle Queiroz, destaca que o estágio é uma etapa decisiva na formação dos jovens.

“As vagas de estágio do IEL são consideradas uma ótima forma de entrada para o mercado de trabalho. O estudante que faz um estágio do IEL tem a oportunidade de ter uma experiência prática e ter essa conexão entre a teoria e a prática. Consegue desenvolver habilidades técnicas e comportamentais – as chamadas soft skills –, e ganha visibilidade no mercado de trabalho”, destaca.

Mais de 1,5 milhão de estagiários já passaram pelo IEL

Mais de 1,5 milhão de estudantes já entraram no estágio por meio do IEL. Michelle Queiroz explica que o instituto atua como uma ponte entre os alunos, as instituições de ensino e as empresas, além de preparar os jovens talentos para os desafios do ambiente corporativo. 

“O estudante recebe orientações e mentorias de carreira. Além disso, ele vai dispor de uma plataforma de aprendizagem virtual, que permite o seu aprimoramento profissional e pessoal. Com isso, ele fica muito mais preparado para o mercado de trabalho e as portas ficam mais fáceis de serem acessadas”, explica.

Os interessados podem consultar todas as vagas disponíveis no novo portal IEL Carreiras

Confira os detalhes das vagas por estado 

(Fonte: Agência de Notícias da Indústria*

Alagoas

O IEL-AL está com 23 vagas de estágio abertas para as áreas de administração, ciências contábeis, comunicação social, design, engenharia civil, gestão de recursos humanos, jornalismo, marketing digital, pedagogia, publicidade e propaganda.

Além do ensino superior, há também vagas para nível técnico. As oportunidades são para as cidades de Arapiraca, Maceió e Marechal Deodoro. As bolsas variam entre R$ 600 e R$ 1 mil. Para mais informações, acesse o site do IEL-AL.

Bahia

O IEL-BA oferece 658 vagas de estágio para diversas áreas, incluindo administração, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, comunicação social, design gráfico e digital, educação física, enfermagem, engenharias, farmácia, fisioterapia, gastronomia, nutrição, pedagogia, psicologia, ensino médio, técnico e vários outros. Os valores das bolsas estão entre R$ 400 e R$ 1,8 mil.

As oportunidades estão disponíveis nos municípios de Alagoinhas, Amélia Rodrigues, Barreiras, Caculé, Camaçari, Eunápolis, Feira de Santana, Guanambi, Ibicaraí, Ilhéus, Irecê, Itabuna, Itapetinga, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Luís Eduardo Magalhães, Maracás, Porto Seguro, Salvador, Senhor do Bonfim, Simões Filho, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista. Para realizar a inscrição e mais informações estão disponíveis no site do IEL-BA.

Ceará

O IEL-CE está oferecendo 38 vagas de estágio para diversas áreas como, administração, engenharia civil, educação física, engenharia de produção, estatística, tecnologia da informação e vários outros.

Os valores das bolsas estão entre R$ 550 e R$ 2,5 mil. As oportunidades são para as cidades de Caucaia, Crato, Fortaleza, Itaitinga, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral. Para preenchimento do cadastro e mais informações, acesse o site do IEL-CE.

Distrito Federal

O IEL-DF está com 47 vagas abertas para estágio. Há oportunidades para áreas de administração, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, comunicação, direito, engenharia civil, engenharia de redes, farmácia, nutrição e tecnologia da informação. As bolsas que variam de R$ 700 a R$ 1,5 mil.

Para realizar o cadastro e mais informações, basta acessar o site do IEL-DF. Em caso de dúvidas, ligue para (61) 3362-6075, mensagem para (61) 99128-2294 ou envie um e-mail para [email protected].

Goiás

O IEL-GO está oferecendo 395 vagas de estágio para diversas áreas, como administração, arquitetura e urbanismo, ciências biológicas e da saúde, ciências exatas e naturais, ciências sociais aplicadas, comunicação social, engenharias, logística e tecnologia da informação.

As oportunidades são os municípios de Anicuns, Aparecida de Goiânia, Córrego do Ouro, Goianápolis, Goiânia, Goiás, Niquelândia, Rio Verde, Senador Canedo e Trindade. Os valores das bolsas estão entre R$ 367 a R$ 1,8 mil. Para mais detalhes e cadastro, acesse o site do IEL-GO.

Mato Grosso

O IEL-MT está com 70 vagas de estágio abertas em diversas áreas, incluindo administração, agronomia, ciências contábeis, direito, economia, educação física, engenharia (da computação, ambiental, civil e química), nível técnico e médio.

As vagas são ofertadas nas cidades de Alta Floresta, Canarana, Colíder, Comodoro, Cuiabá, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Várzea Grande. As bolsas variam de R$ 700 a R$ 1,5 mil. Para mais informações sobre as vagas e como realizar o cadastro, acesse o site do IEL-MT.

Minas Gerais

O IEL-MG oferece 39 vagas de estágio em diversas áreas, como administração, ciências contábeis, comércio exterior, comunicação social, engenharia mecânica, jornalismo, marketing, publicidade e propaganda, tecnologia da informação e nível técnico. Os valores das bolsas variam entre R$ 525 e R$ 2 mil.

As oportunidades estão disponíveis nas cidades de Belo Horizonte, Betim, Capelinha, Cataguases, Conselheiro Lafaiete, Contagem, Itabirito, Juiz de Fora, Mariana, Timóteo, Uberaba, Uberaba, Varginha e Vespasiano. Para mais informações sobre as vagas e como realizar a inscrição, acesse o site do IEL-MG.

Paraná

O IEL-PR tem 269 vagas de estágio abertas nas áreas de administração, engenharias, mecânicas, têxtil, metalúrgica, tecnologia da informação e comércio e muito mais. As bolsas variam de R$600 a R$2,1 mil.

As oportunidades são para os municípios de Apucarana, Bandeirantes, Cascavel, Curitiba, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Irati, Itapevi, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Maringá, Paiçandu, Pato Branco, Ponta Grossa, Quatro Barras, Santa Terezinha de Itaipu, Toledo, Vitorino e Wenceslau Braz. Para mais informações e preenchimento do cadastro, acesse o site do IEL-PR.

Rio Grande do Norte

O IEL-RN está oferecendo 17 vagas de estágio para as áreas de administração, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, educação física, engenharia da produção, logística e nível técnico.

As oportunidades são para as cidades de Mossoró, Natal e Parnamirim. As bolsas variam entre R$ 400 a R$ 1 mil. Para mais detalhes das vagas e preenchimento do cadastro, acesse o site do IEL-RN.

Rio Grande do Sul

O IEL-RS está oferecendo 45 vagas de estágio nas cidades de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Erechim, Garibaldi, Gravataí, Novo Hamburgo, Portão, Porto Alegre, Santa Rosa e São Leopoldo. As bolsas variam entre R$ 600 a R$ 2,2 mil.

As oportunidades são para as áreas de administração, ciências contábeis, educação física, engenharia (ambiental, civil, de produção, elétrica e mecânica), gestão ambiental, marketing, pedagogia, publicidade e propaganda, tecnologia da informação, nível médio e técnico. Para mais detalhes das vagas e preenchimento do cadastro, acesse o site do IEL-RS.

*informações sobre o quantitativo de vagas podem passar por atualizações

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10/12/2025 18:36h

Projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram perda de ritmo na economia, impacto do crédito caro e avanço limitado nos principais setores produtivos

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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 1,8% em 2026. Essa é a projeção do relatório Economia Brasileira 2025-2026, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (10). O documento apresenta as principais estimativas para a atividade econômica, emprego, inflação, juros e comércio exterior do país para este e o próximo ano.

O avanço previsto para o PIB em 2026 será impulsionado principalmente pelo setor de serviços, com alta estimada de 1,9%. A indústria deve desacelerar em relação a 2025, com expansão de 1,1%, enquanto a agropecuária deve permanecer praticamente estável (+0,0%).

O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destaca que o ritmo de crescimento será o mais fraco desde 2020, ano marcado pela pandemia. “Em 2024, o crescimento foi de 3,4%. Ou seja, agora é metade do crescimento de 2024”, afirma.

Juros altos freiam a economia

Segundo Telles, a desaceleração em 2026 será resultado direto da manutenção dos juros elevados. “A concessão de crédito para consumo — que em 2024 foi de mais de 10%, esse ano deve ser em torno de 3,6% e o ano que vem será em torno de 3% — está cada vez menor. Então, esse é um fator que faz com que o crescimento da economia seja menor, porque o consumo cresce menos”, explica.

Apesar disso, a queda do PIB não será maior devido a três fatores:

  • expansão fiscal, sobretudo do governo federal;
  • isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e descontos para rendas de até R$ 7.350, estimulando o consumo;
  • crescimento (apesar de modesto) do mercado de trabalho.

Durante o lançamento do relatório, na sede da CNI, em Brasília, o presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a eficiência da redução da taxa de juros e a contenção dos efeitos da política monetária.

“Eu entendo que os juros são algo que pode ser administrado de forma mais efetiva, com entregas mais imediatas do que as reformas estruturais que nós precisamos fazer. Eu vejo que a política monetária precisa incorporar outras ferramentas para atingir o mesmo objetivo, que é minimizar o efeito da política expansionista.”

Selic em 12% em 2026

A CNI projeta que a taxa Selic encerrará 2026 em 12%. Mesmo com a redução prevista, o impacto vai demorar a chegar à economia real. “Entre o início do processo de redução no Banco Central e isso chegar na economia real, tem uma defasagem. Então, o ano de 2026 ainda vai ser marcado por um efeito bastante negativo da política monetária”, explica Mario Sergio Telles.

Para Ricardo Alban, manter os juros em patamar elevado prolongará a desaceleração econômica, afetando especialmente a indústria. “O impacto recai sobre a população, pois isso se reflete em menos emprego  e renda. É necessário que o Banco Central não apenas inicie o ciclo de cortes na taxa Selic o quanto antes, mas que, ao final de 2026, tenhamos juros reais menores do que as projeções indicam no momento”, avalia. 

De acordo com o relatório, a inflação deve fechar 2026 em 4,1% e os juros reais devem ficar em torno de 7,9%, ainda elevados e capazes de inibir o crescimento econômico e o investimento.

Construção tem destaque positivo

Mesmo sob pressão dos juros altos, o setor da construção deve apresentar bom desempenho em 2026. A CNI estima um crescimento de 2,5%, impulsionado pelo novo modelo de crédito imobiliário, pelo aumento do valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e por novas linhas de financiamento para reforma de moradias de baixa renda.

A indústria extrativa, por sua vez, deve crescer 1,6%, beneficiada pela forte extração de petróleo e minério de ferro. Já a indústria de transformação deve ter o pior desempenho entre os segmentos industriais, com expansão de apenas 0,5%, pressionada pelo crédito caro e pela queda da demanda doméstica.

“Esses dois setores — indústria de transformação e construção — estão sendo afetados pela taxa de juros muito alta, o que reduz a demanda interna por bens de consumo industriais e também torna mais caro adquirir imóveis, portanto, desestimula um setor muito dependente de crédito”, explica Telles.

Além disso, a indústria da transformação também é prejudicada pelo crescimento de 15,3% das importações em 2025. “As importações estão tomando conta do pouco que cresce a demanda interna por bens industriais no Brasil”, declara Telles.

Comércio exterior: superávit maior em 2026

A CNI projeta que as exportações alcancem US$ 355,5 bilhões em 2026, alta de 1,6% sobre 2025. O crescimento, porém, deve ser limitado por fatores como a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, possível desaceleração da economia argentina — importante  parceiro comercial do Brasil —, safra de grãos mais modesta e menor demanda por petróleo.

No caso das importações, espera-se uma menor demanda por insumos importados e aumento das compras de bens de consumo. Com isso, as compras externas devem chegar a US$ 289,3 bilhões, 1,4% abaixo do total de 2025.

O resultado é um superávit comercial estimado em US$ 66,2 bilhões, alta de quase 17% em relação a 2025.

Mercado de trabalho perde ritmo em 2026

A exemplo do que ocorre nos últimos meses de 2025, o mercado de trabalho deve perder ritmo em 2026, com taxa de desocupação projetada em 5,6% e aumento de 3,4% na massa de rendimento real dos trabalhadores

Segundo o relatório, a manutenção de condições monetárias restritivas, somada à estabilidade dos principais indicadores de emprego e à desaceleração na criação de vagas formais no fim de 2025, indica que o dinamismo do mercado de trabalho deve seguir limitado, especialmente ao longo do primeiro semestre de 2026.

Projeções para 2025

Para 2025, a CNI projeta crescimento de 2,5% do PIB, ligeiramente acima dos 2,4% estimados no fim do ano passado. Diferentemente de 2024, quando a expansão foi puxada pela indústria e pelos serviços, o crescimento deste ano será liderado pelo agronegócio.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — considerado a inflação oficial do país — deve fechar 2025 em 4,5%, no limite do teto da meta. Mesmo assim, a CNI avalia que o Banco Central deve manter a Selic em 15% na última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciando o ciclo de cortes apenas em 2026.

O levantamento completo está disponível no link.

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10/12/2025 04:55h

Queda em outubro atinge 2,7%; emprego, massa salarial e rendimento médio dos trabalhadores também diminuem

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O faturamento da indústria brasileira recuou 2,7% em outubro. Esse é o terceiro mês consecutivo de queda, segundo levantamento “Indicadores Industriais” da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta terça-feira (9). Com a sequência negativa dos últimos meses, o saldo positivo em relação ao ano passado ficou menor. 

Em julho, o setor ainda exibia uma alta de 4,6% em relação a 2024. Agora, de janeiro a outubro de 2025, o crescimento acumulado do faturamento é de apenas 1,2% frente ao mesmo período do ano passado.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que o enfraquecimento da demanda por produtos industriais tem pressionado o desempenho do setor.

“O ano de 2024 foi muito positivo para a indústria; por isso, 2025 começou com altas significativas na comparação com o ano passado. Contudo, esses últimos resultados mais negativos da indústria fizeram com que essas altas, na comparação com o ano anterior, fossem cada vez mais fracas”, afirma.

Emprego, massa salarial e rendimento continuam a cair

O mercado de trabalho industrial também apresentou piora em outubro. O indicador de emprego recuou 0,3%. Apesar disso, no acumulado de janeiro a outubro, os postos de trabalho cresceram 1,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Pela quarta vez seguida, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores diminuíram. A massa salarial caiu 0,5% no mês e acumula retração de 2,4% em 2025. O rendimento médio recuou 0,3%, ampliando para 4,2% a queda acumulada no ano.

Horas trabalhadas e capacidade instalada avançam

Na contramão dos demais indicadores, as horas trabalhadas na produção subiram 0,4% em outubro, segunda alta consecutiva. O motivo, segundo Azevedo, é atender a demanda típica de final de ano por produtos industriais. Nos dez primeiros meses do ano, o indicador acumula avanço de 1,1% na comparação com igual período de 2024.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também registrou leve alta, passando de 78,3% para 78,4%. Mesmo assim, a média do ano até outubro permanece 0,9 ponto percentual abaixo da verificada no mesmo período de 2024.

O gerente de Análise Econômica da CNI afirma que apesar dessas pequenas variações positivas, o quadro geral dos indicadores industriais é de desaquecimento.
“Nos últimos meses, todos [os indicadores] mostraram variações negativas ou variações muito pequenas, mostrando esse desaquecimento da indústria, de uma forma geral, e as dificuldades que a indústria vem enfrentando nesse final de ano, sobretudo por conta da queda da demanda por bens industriais, que já vem se verificando há mais tempo”, explica.

Confira o levantamento completo no site da CNI.

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27/11/2025 04:20h

Programa SEJA PRO+ Trabalho e Emprego une educação básica e qualificação profissional e abre caminhos para inserção no mercado de trabalho

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O Serviço Social da Indústria (SESI) e o Conselho Nacional do SESI acabaram de lançar 3 mil vagas gratuitas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) Profissionalizante em Santa Catarina. A formação faz parte do SEJA PRO+ Trabalho e Emprego, programa realizado em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, que une educação básica e qualificação profissional.

Durante o lançamento do programa no estado, nesta quarta-feira (26), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, destacou que a iniciativa ajuda a suprir a falta de mão de obra qualificada no estado.

“Estamos hoje em um apagão de mão-de-obra aqui, porque falta educação e qualificação. As indústrias de Santa Catarina estão precisando de mão-de-obra qualificada. É uma indústria moderna e o SESI/SC, juntamente com o SESI Nacional, está oferecendo essa qualificação para o nosso futuro trabalhador da indústria”, afirmou.

O SEJA PRO+ Trabalho e Emprego prioriza jovens entre 18 a 29 anos que não concluíram a educação básica no período regular. Segundo Roberta de Oliveira, gerente de projetos do Conselho Nacional do SESI, o objetivo é abrir portas para quem está na informalidade.

“[O objetivo] é emprego para quem não tem, para quem está na informalidade. A gente também sabe que o estudo promove essa melhoria, [o estudante] consegue um emprego melhor, consegue ganhar mais. Então, a ideia também é ele se movimentar na carreira, buscar uma outra carreira ou, na própria carreira que ele está, passar para um emprego melhor”, esclarece.

Uma parte das vagas será destinada a pessoas atendidas por organizações não governamentais, militares e pessoas privadas de liberdade. O restante ficará aberto ao público geral que pode se inscrever na página da EJA do SESI/SC até fevereiro de 2026. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição.

Formação em até 13 meses

Os participantes terão dois encontros semanais: um dedicado à educação básica (3h45 de duração) e outro à qualificação profissional (3h30).

De acordo com o SESI/SC, os conhecimentos já adquiridos pelo aluno ao longo da vida são avaliados em uma prova, permitindo que ele curse apenas as disciplinas pendentes. Assim, é possível concluir o Ensino Fundamental ou Médio e obter um certificado de qualificação do SENAI em até 13 meses letivos.

Cursos

O SEJA PRO+ Trabalho e Emprego em Santa Catarina oferece qualificações nas áreas industrial, técnica e de produção, entre elas:

  • Instalador e Reparador de Redes de Computadores (220h)
  • Eletricista Instalador Residencial (160h)
  • Inspetor de Qualidade (160h)
  • Controlador e Programador de Produção (160h)
  • Desenhista de Bolsas e Artefatos (180h)
  • Desenhista de Moda (220h)
  • Eletricista Instalador Residencial (160h)
  • Padeiro (200h)
  • Desenhista Mecânico (200h)
  • Mecânico de Manutenção de Máquinas Industriais (200h)
  • Costureiro (160h)
  • Auxiliar de Fabricação de Papel (160h)
  • Instalador Hidráulico (160h)
  • Assistente de Planejamento, Programação e Controle de Produção (160h)

As aulas começam em março de 2026 e serão realizadas nas escolas do SESI/SC ou em unidades das instituições parceiras. A FIESC ainda definirá os locais de cada curso, conforme a demanda dos inscritos.

Educação transformadora

Durante o evento de lançamento do programa em Santa Catarina, a egressa Daniela de Souza de Paula relatou sua trajetória como exemplo do impacto da EJA Profissionalizante. Com apenas o Ensino Fundamental concluído, ela retomou os estudos em 2020 e finalizou a educação básica no ano seguinte, mesmo durante a pandemia. Hoje cursa a segunda graduação e atua como coordenadora em uma instituição que atende crianças e adolescentes com autismo.

“Se a educação foi capaz de transformar a minha vida, quando tudo parecia distante, imagino o que pode realizar por tantos outros que ainda aguardam apenas uma oportunidade”, relatou.

25 mil vagas em todo o Brasil

O SEJA PRO+ Trabalho e Emprego é uma parceria entre o SESI Nacional, o Conselho Nacional do SESI e o Ministério do Trabalho e Emprego e prevê a oferta de 25 mil vagas em todo o Brasil — 3 mil em Santa Catarina e outras 22 mil nos demais estados. O programa também já foi lançado na Bahia, Rio Grande do Sul, Pará, São Paulo e Rondônia.

Segundo o assessor da Secretaria Executiva do Ministério do Trabalho e Emprego, Marcelo Marcos Benedito, o objetivo é elevar a escolaridade e a qualificação dos jovens. “Estamos implantando no Sistema Nacional de Emprego (Sine) uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA). Por isso, pretendemos que as habilidades e as experiências desse jovem sejam cruzadas e esse encaminhamento [para as vagas de emprego] seja mais assertivo”, esclarece.

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25/11/2025 04:50h

Atividade fraca faz recuar emprego, aumentar uso de estoques e da capacidade instalada

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A produção industrial brasileira mostrou sinais de recuperação no último mês. A Sondagem Industrial, levantamento realizado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou evolução de 1,4 ponto no índice de desempenho do parque fabril nacional, saindo de 50,1 pontos em setembro para 51,5 em outubro. A taxa varia de 0 a 100 e, quanto mais longe de 50 pontos, mais acentuada é a variação.

A melhora era esperada pelo setor. O período costuma ser de alta demanda devido à renda da população, que no final do ano tem incremento com bônus e o décimo-terceiro salário. A pontuação, no entanto, é bem inferior quando comparada ao mesmo mês do ano passado. Em outubro de 2024, o índice indicava 53,7 pontos, ou seja, uma diferença de 2,2 pontos de desempenho.

“Só que, neste ano, esse aumento foi mais fraco do que em anos anteriores”, alertou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. “O ritmo dessa expansão foi menor, como também acontece numa base mais fraca; a indústria já não vinha trazendo bons resultados nos últimos meses”, afirmou o especialista.

Expectativa e empregos em queda

A pesquisa revela que essa menor atividade industrial reflete na geração de empregos: 48,8 pontos, 0,1 ponto abaixo na comparação com setembro e segunda pior marca no ano, atrás apenas de agosto, quando o índice marcava 48,4 pontos. Isso significa queda no total de trabalhadores empregados pelo segmento.

O cenário faz com que os gestores industriais adotem tom pessimista. Em novembro, o índice de expectativa de demanda por produtos industriais recuou 1,2 ponto, de 52,5 pontos para 51,3 pontos, o pior resultado para o mês desde 2016.

Para Azevedo, essa tendência negativa deve perdurar pelos próximos seis meses se não houver melhora no ambiente de negócios. “Há uma expectativa de continuação dessa queda do emprego, como também compras menores de matérias primas e insumos, justamente por conta dessa expectativa mais fraca de demanda.”, conclui.

Uso de estoques e capacidade industrial

Outro reflexo da situação se observa na evolução do nível de estoques. O indicador caiu 0,4 ponto no último mês, agora marcando 50,3 pontos em outubro. Isso revela desaceleração no ritmo do acúmulo de estoques, aproximando o uso efetivo do nível planejado, atualmente em 50,2 pontos.

Com menos mão de obra e maior uso dos estoques, subiu também a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria. Outubro viu incremento de 1 ponto percentual na comparação com setembro, atingindo 71%. O valor é 3 pontos percentuais menor do que o observado em outubro de 2024 (74%) e idêntico ao do mesmo mês de 2023 (71%).

Sondagem Industrial

Para a edição de novembro da Sondagem Industrial, foram consultadas 1.446 empresas pela CNI: 603 de pequeno porte; 492 de médio porte; e 351 de grande porte, entre 3 e 12 de novembro de 2025.

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