Estudantes

06/10/2021 18:45h

Unicamp também já havia começado a retomar atividades presenciais de forma gradual

Baixar áudio

A Universidade de São Paulo (USP) está retomando as atividades presenciais para os estudantes neste início de outubro. Em carta enviada aos alunos da graduação, o reitor da USP, Vahan Agopyan, aponta que, apesar de o calendário ter sido cumprido durante o ensino remoto, a volta das atividades presenciais é necessária para a formação profissional dos estudantes.

“Não houve prejuízo maior aos alunos quanto ao cumprimento do calendário escolar, mas sim na formação global do profissional que a Universidade se desdobra para oferecer. Vamos juntos recuperar o que não pudemos fazer nesses últimos 19 meses”, declarou.

Entre as medidas adotadas pela USP, está o escalonamento de ambientes de refeição, como salas de almoço, copas e cantinas. Os locais devem ser adaptados para possuir ventilação e ter um número máximo de pessoas por turno e horário fixo de permanência. 

Além disso,  funcionários com guarda de crianças de até 12 anos terão a jornada de trabalho híbrido e poderão continuar no teletrabalho enquanto as crianças não retornarem às próprias atividades escolares presenciais, cabendo aos servidores comprovarem à instituição essas condições. Por fim, servidoras e alunas grávidas também poderão permanecer no sistema completamente remoto.

Volta às aulas em São Paulo

Em São Paulo, um decreto de julho do governo paulista autorizava a volta do ensino presencial em instituições de nível superior. Antes disso, apenas os cursos de áreas da saúde poderiam ter aulas presenciais.

Porém, segundo o Semesp, associação que representa instituições de ensino superior no Brasil e especialmente no estado de São Paulo, cada instituição de ensino superior tem autonomia para a definição e condução do retorno às atividades presenciais, considerando projetos pedagógicos e especificidades de cada curso.

Atualmente, o estado de São Paulo possui 2 milhões de estudantes do ensino superior, segundo dados oficiais do governo.

Isabela Menezes, estudante de psicologia em uma universidade privada de São Paulo, já está tendo atividades práticas presenciais desde o início do semestre. Segundo ela, o retorno está sendo essencial para a sua aprendizagem.

“O difícil é se acostumar ao presencial depois de tanto tempo no remoto, mas é inevitável reconhecer como nós absorvemos mais os conteúdos e colocamos as atividades melhor em prática quando estamos presencialmente”, diz.

“Cenário de volta às aulas em 2021 é desafiador”, diz presidente do Consed

Ensino remoto durante pandemia impactou alfabetização de crianças

SP: confiança com a volta às aulas presenciais aumenta em municípios

Na Unicamp, apesar de o semestre letivo ter iniciado em agosto, o retorno começou de forma gradual no dia 13 de setembro, quando docentes com o esquema vacinal completo voltaram às atividades. A orientação da universidade aos estudantes é que, até o fim deste semestre, permaneçam com as aulas teóricas no modo remoto e, assim que também completarem a imunização, passem a frequentar atividades práticas, grupos de estudos e dúvidas presencialmente.

Em parceria com a prefeitura de Campinas, o campus da Unicamp também se tornou um ponto de vacinação para a população do município. “Queremos que os nossos alunos venham ser vacinados aqui, temos vacinas para todos. E isso não significa aulas presenciais, significa uma retomada das atividades de ensino lenta e gradualmente”, explica o reitor Antônio José Meirelles.

Uma das regras para este retorno vai ser o comprovante de vacinação de docentes e estudantes com a data de, no mínimo, 14 dias após a segunda dose aplicada. Maria Luiza Moretti, coordenadora geral da Universidade de Campinas (Unicamp), explicou como será feita a comprovação vacinal: “Em relação à vacina, ela será obrigatória para todos os nossos servidores e alunos. A nossa área de TI já está desenvolvendo um programa que reunirá todo esse sistema de informações que será exigido.”

Cuidados necessários

Com a retomada, as instituições de ensino também reforçam a importância de manter os cuidados contra o coronavírus, como o uso de máscaras e higienização das mãos.

A infectologista Ana Helena Germoglio acredita que essas medidas tenham mais adesão entre os universitários que na educação infantil, por exemplo: “As mesmas medidas de precaução em relação a uso de máscara, distanciamento e testagem, são as mesmas que a gente orienta para as escolas e que também devem ser seguidas pelos universitários. A gente entende que, por se tratarem de pessoas adultas, em tese eles devem compreender até melhor todas essas orientações.”

Ana Helena ainda destaca que “hoje em dia, com o conhecimento da doença que nós já temos, que as medidas simples como distanciamento são eficazes. Com a vacinação da população, sabemos que é seguro o retorno das atividades universitárias e elas devem ser consideradas essenciais.”

Copiar o texto
31/08/2021 04:00h

Gestores, pais e representantes da educação contam como foram as preparações para o retorno das atividades neste segundo semestre do ano letivo

Baixar áudioBaixar áudio

Após meses de ensino completamente remoto em 2020 e o avanço da vacinação contra a Covid-19 no Brasil em 2021, escolas de todo o País começaram a tomar os primeiros passos em direção à volta do modo presencial. Para isso, é essencial que uma boa gestão lidere a organização do retorno e passe confiança aos pais e alunos quanto à segurança dos mesmos.

Foi o que fez a prefeita do município de Itapetininga, em São Paulo, Simone Marquetto. Segundo ela, desde o início da pandemia, foi criado um protocolo de intenções junto a representantes das escolas e à equipe de Secretaria da Educação e Saúde para que todas as exigências sanitárias fossem seguidas quando houvesse o retorno nas instituições públicas e privadas.

“Nós criamos regras para todas as escolas. Em relação às escolas particulares, eu também criei esse protocolo. Criei uma comissão também com os diretores e proprietários de escolas particulares seguindo as mesmas regras [que nas escolas públicas], sempre acompanhados da vigilância e também da Secretaria da Saúde. Então, nós fazíamos reuniões periódicas”, destaca.

Simone também explica que, através de suas redes sociais, criou uma rede de contato com os pais dos estudantes, onde mostrava todo o procedimento de limpeza e manutenção das escolas. “Nós temos 85 escolas e, antes do retorno, eu fiz visitas em várias delas. E isso ajudou a estimular os pais, para que eles vissem como estavam separadas as salas, as mesinhas [...] Então, todo o material de estrutura nós mostramos para os pais como estávamos nos organizando.”

Entre as medidas implantadas pela prefeitura estavam a confecção de máscaras, disponibilização de álcool em gel individual por mesa e testagem em massa dos funcionários.

Atualmente, 9 mil alunos em Itapetininga já voltaram às aulas presenciais – o número corresponde a 60% dos estudantes no município. Porém, o retorno continua opcional e a modalidade online permanece para aqueles que ainda não se sentem seguros.

Plano São Paulo

O Plano São Paulo, estratégia de retomada consciente do Governo do Estado paulista, separa a reabertura de setores por fases e diferentes critérios. Na educação, o Plano também foi utilizado como base para a retomada gradual das atividades escolares presenciais. Para isso, a porcentagem de alunos deve ser calculada de acordo com a capacidade total de acolhimento das escolas e não mais de acordo com o número total de matrículas, como o plano indicava no início deste ano.

As fases são separadas em:

  • Fase vermelha ou laranja: presença limitada a até 35% dos alunos – presença opcional
  • Fase amarela: presença limitada a até 70% dos alunos – presença obrigatória 
  • Fase verde: admitida a presença de até 100% do número de alunos – presença obrigatória

No município de Lençóis, em São Paulo, as fases também servem de parâmetro para a retomada escolar. No início deste ano, o município ainda se encontrava na fase laranja e, por conta disso, Eduarda Payão, mãe de Emilly, de 8 anos, optou por manter a filha no ensino remoto. Ela conta como era a rotina de estudos e adaptação da menina, estudante do 2° ano na Escola Municipal Edwaldo Roque Bianchini.

“Eu tentei fazer o máximo com ela, só que não é a mesma coisa da professora ensinando. Teve muita coisa que eu não conseguia explicar da forma correta, então, eu acabava dando a resposta e ela, deduzindo sobre como chegava na resposta. Então, eu acredito que isso a prejudicou. Ela também sentiu muita falta da professora, da forma que ela ensina. Porém, a professora foi presente, ela sempre mandava áudio ajudando”, relata.

Agora em agosto, o presencial ainda está opcional, mas Eduarda sentiu maior segurança em enviar Emilly novamente à escola devido ao avanço da vacinação contra a Covid-19. A decisão melhorou o desempenho da filha: “Ela vai dia sim, dia não. Tem sido tranquilo, eles só estão se sentindo meio presos ainda porque não está podendo interagir 100%, mas, com certeza, melhorou muito o comportamento e o ânimo dela.” 

Segundo Eduarda, a previsão do município é que, a partir de setembro, todas as crianças deverão obrigatoriamente voltar às aulas presenciais no método híbrido.

Estudantes de escolas públicas e privadas voltam às aulas após desmotivação causada pelo ensino remoto

São Paulo amplia para 100% volta de crianças as creches da capital

Alunos de escolas públicas vão receber leitores digitais para aprender história do Brasil

Em informações fornecidas pela assessoria da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), cerca de 60% de alunos do estado estão comparecendo presencialmente nas mais de 5 mil escolas estaduais. Mesmo após o retorno 100% presencial, o objetivo é seguir no modelo híbrido, com aulas remotas via Centro de Mídias de SP. A Seduc afirma, ainda, que cada prefeitura tem autonomia de avaliar a situação da pandemia no município e indicar como deve ser o retorno.

Ensino superior

Em julho, através de decreto divulgado pelo governo paulista, foi autorizado a volta do ensino presencial em instituições de nível superior. Antes disso, apenas os cursos de áreas da saúde estavam permitidos a retornar. O Semesp, associação que representa instituições de ensino superior no Brasil e especialmente em São Paulo, foi uma das responsáveis pela ampliação e, desde o início da pandemia, vem colaborando na construção de propostas para restabelecer as atividades institucionais.

Para Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, mesmo com a retomada completa, o futuro da educação “deve ser uma mistura fluida de aulas presenciais e remotas, em que as instituições adotarão modelos que incluam os dois formatos.”

A presidente enfatiza ainda que cada instituição de ensino superior também tem autonomia para a definição e condução do retorno às atividades presenciais, considerando projetos pedagógicos e especificidades de cada curso.

Atualmente, o estado de São Paulo possui 2 milhões de estudantes do ensino superior, segundo dados oficiais do governo.

Copiar o texto
Educação
26/08/2021 14:20h

Programa Nossa História terá R$ 2 milhões para compra de aparelhos

Baixar áudio

Alunos de escolas públicas de todo o país receberão leitores digitais para aprender sobre história brasileira. Intitulado Nossa História, a iniciativa vai disponibilizar conteúdos da Biblioteca Nacional e investir R$ 2 milhões para a compra dos aparelhos.

O foco é a história da independência do Brasil, que completa 200 anos em 7 de setembro de 2022. A iniciativa é da Secretaria Especial de Cultura (Secult) vinculada ao Ministério do Turismo.

MG: Pronatec abre inscrições para 6,5 mil vagas

Maioria dos estados retoma as aulas presenciais

De acordo com o secretário especial da Cultura, Mário Frias, a iniciativa é um investimento no resgate do imaginário público de todos os grandes heróis da independência do país. E a comemoração do bicentenário é um evento de cultura popular para todos os brasileiros.

Copiar o texto
Educação
25/08/2021 04:00h

Das 27 unidades da federação, 23 já retornaram ao presencial, e as outras quatro já tem previsão de retorno até o próximo mês. Entre as capitais, 18 já estão funcionando na modalidade de ensino híbrido

Baixar áudioBaixar áudio

O Brasil foi um dos países onde os alunos ficaram mais tempo fora das escolas, fechadas inicialmente em março de 2020 para conter a transmissão da Covid-19. Com o avanço da vacinação, a grande maioria dos estados já estabeleceu a volta das aulas presenciais por meio do modelo híbrido, com atividades na escola e remotas.
 
Das 27 unidades da federação, 23 já retornaram ao presencial, e as outras quatro já têm previsão de retorno até o próximo mês. Entre as capitais, 18 já estão funcionando na modalidade de ensino híbrido. Outras oito capitais já têm previsão de volta até setembro. Apenas em Cuiabá a estimativa é que as aulas na rede pública municipal de ensino só serão retomadas no mês de outubro, após a vacinação de 100% dos profissionais. 
 

 
Apesar do cenário de retomada e aparente alívio do contágio, a mãe de dois alunos do ensino fundamental, com idades de 7 e 12 anos, Ana Claudia Braz, moradora de Luziânia (GO), ainda não se sente segura para mandar os filhos de volta para o ambiente escolar. As aulas da escola particular voltaram ao modelo híbrido ainda no ano passado e, mesmo com a grande maioria dos colegas já na modalidade presencial, ainda não tem pretensão de estipular quando seus filhos irão retornar. 
 
“Já tem muitas pessoas vacinadas, mas vários ainda não tomaram a segunda dose. Eu, por exemplo, só tomei a primeira e não me sinto segura. Na minha cidade, ainda tem muitos casos todos os dias, os hospitais continuam lotados, então, eu acho que não está na hora de voltar. No início foi muito difícil adaptar as aulas online, mas, agora, já estamos mais acostumados”, contou. 
 
Entre as escolas particulares, a reabertura já aconteceu nas unidades de ensino de todo o País.  Cabe às escolas, de acordo com o contexto local, definir como se dará a retomada conforme as necessidades dos alunos e das famílias. Segundo Ana Cláudia, a escola de seus filhos chegou a insistir várias vezes para que eles voltassem para o presencial, por serem os únicos de suas respectivas turmas ainda no modelo remoto, mas esta decisão cabe apenas aos pais, ao se sentirem seguros. 

Escolas de educação básica recebem mais de R$ 151 milhões para o retorno das aulas presenciais

Ministérios da Educação e da Saúde estabelecem protocolo para retorno seguro às aulas

Com pandemia, 44% das crianças e dos adolescentes se sentiram mais tristes

Situação das aulas na rede municipal 

O secretário de Educação do Espírito Santo e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Vitor de Angelo, defende que o retorno presencial seja uma decisão de cada gestor local. “O enfrentamento da pandemia não foi coordenado nacionalmente e a situação é diferente de um estado para o outro. Então, a partir de uma avaliação regional cada secretário de saúde do estado, assim como o secretário de educação, poderão tomar essa decisão do ponto de vista sanitário e implementá-la dentro das escolas”, afirmou. 

A advogada Camilla Porto, mãe de Laís, que tem 5 anos e está na alfabetização, teve que mandá-la de volta para a escola este mês. Segundo ela, o período em casa foi relativamente tranquilo, mas percebeu que a filha estava bastante desmotivada. Como não era obrigatório, no último ano ela havia optado por cancelar a matrícula, mas agora, com a alfabetização e a sua volta para o trabalho presencial, a única alternativa foi retornar.
 
“É difícil ainda, se eu tivesse opção, ela não teria voltado. Mas, para o aprendizado e para o bem estar na Laís, tirando o medo, foi a melhor decisão. Ela voltou muito mais motivada para estudar, para fazer as atividades, e principalmente para o convívio social, porque ela estava isolada e tinha pouquíssimo contato com outras crianças”, relata.

Orientações para o retorno das aulas presenciais 

Em pronunciamento, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse estar auxiliando os gestores estaduais e municipais, prestando apoio técnico e financeiro a todas as redes educacionais do País. O chefe da pasta reconhece a importância da vacinação, mas, segundo ele, esperar a imunização de toda a comunidade escolar não pode ser condição para a reabertura das escolas, tendo em vista os prejuízos de aprendizagem e socioemocionais dos alunos, sobretudo os mais vulneráveis. “Não podemos mais adiar este momento, o retorno às aulas presenciais é uma necessidade urgente”, disse.
 
O Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou diretrizes nacionais que orientam a regularização do calendário escolar da educação básica, superior e educação especial para o retorno gradual às atividades escolares presenciais. As orientações são para escolas públicas e particulares. 
 

 
Para a educação básica, que compreende a educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, as diretrizes nacionais determinam que a educação infantil fique dispensada de cumprir o mínimo de dias de trabalho educacional e a carga horária mínima anual. Já os ensinos fundamental e médio ficam dispensados do mínimo de dias de efetivo trabalho escolar, desde que cumprida a carga horária mínima de 800 horas anuais.
 
As instituições de ensino superior ficam dispensadas de cumprir o mínimo de dias de efetivo trabalho acadêmico, desde que seja mantida a carga horária prevista na organização curricular de cada curso e poderão ser adotadas atividades não presenciais em substituição às presenciais.
 
No caso da educação especial, as diretrizes preveem que os estudantes sejam acompanhados de forma mais intensa no processo de saída do isolamento e que haja planejamento para os casos em que o retorno às aulas presenciais não seja possível. Determina também que as escolas garantam aos estudantes acesso às atividades remotas ou presenciais, com especial atenção às condições de acesso aos meios e tecnologias de comunicação e informação, além da continuidade do atendimento com cuidados específicos para cada tipo de deficiência.

Copiar o texto
24/08/2021 04:00h

Mesmo com a insegurança por conta da Covid-19, pais e alunos optaram pelo ensino híbrido após sinais de desmotivação e prejuízo na educação das crianças

Baixar áudioBaixar áudio

Em uma época pré-pandemia, o mês de agosto seria o período em que as atividades escolares já haviam retornado do recesso e oficialmente iniciado o segundo semestre do ano. Porém, em 2021, a conversa é outra. Após um 2020 complicado, meses de ensino completamente remoto e o avanço da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, somente agora as escolas começaram a tomar o primeiro passo em direção à volta do modo presencial.

Segundo levantamento do Vozes da Educação, apenas os estados do Acre, Ceará, Paraíba e Roraima ainda não retornaram este mês, tendo a previsão para setembro e, no caso do Ceará, sem data definida este ano. Já a rede municipal, no que diz respeito às capitais brasileiras, apenas seis ainda irão retornar nos próximos meses. Por outro lado, as redes privadas de todo o Brasil já estão funcionando de forma híbrida, ou seja, parte das aulas são remotas e, outra, na escola. A expectativa é que toda a rede pública também passe a aderir ao formato.

Na opinião de Letícia Montandon, diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), para que a volta às aulas seja verdadeiramente eficaz, ainda são necessários protocolos específicos de segurança que tornem as ações dos gestores mais ágeis.

“Quando se detecta contaminação em uma escola, como ela irá se comportar? A turma vai fechar? A escola fecha? Também não basta acontecer uma testagem depois que as pessoas estão contaminadas, é necessário que ocorra uma testagem de forma preventiva para que se evite antecipadamente o contágio. Os gestores das escolas precisam ter agilidade nos encaminhamentos quando tiver a suspeita ou a contaminação”, destaca.

Segundo Letícia, tais protocolos não foram inseridos no documento oficial de orientações de volta às aulas divulgado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF). Outro ponto enfatizado por ela é a importância de a SEDF divulgar o número de casos confirmados de Covid-19 dentro das escolas após o início das aulas, para que assim, a eficácia do método de retorno seja monitorada.

Segurança

Um fator comum entre as orientações divulgadas pelas escolas públicas e privadas do Distrito Federal estão as boas e tradicionais recomendações que sempre são válidas relembrar: lavar e higienizar sempre as mãos, manter o distanciamento social e utilizar máscara de proteção. Em caso de sintomas e suspeita de Covid-19, os estudantes e funcionários devem ficar em casa e comunicar à direção da escola.

Por outro lado, nota-se algumas diferenças no retorno de ambos os tipos de instituições. Na pública, por exemplo, o sistema híbrido será feito por divisão de turmas e intervalos semanais, ou seja, em uma semana metade da classe estará presencialmente e a outra remotamente, na semana seguinte, a divisão é invertida e assim por diante. Enquanto nas escolas particulares, cada uma terá autonomia de organizar o próprio funcionamento do ensino híbrido.

Isabela Gonçalves Barbosa, de 14 anos, é estudante do 9º ano do CEF 05 de Taguatinga Sul no Distrito Federal. Ela diz que, apesar da insegurança pelo vírus, considera o retorno ao presencial essencial tanto para o seu psicológico, quanto para a educação, pois se sentia desmotivada com as aulas remotas.

“Para mim, psicologicamente, foi necessário a volta às aulas porque eu realmente estava precisando disso. Eu me sentia um pouco desmotivada só com a aula online, é tudo muito monótono, tudo a mesma coisa e isso cansa. E foi bom para mim o retorno das aulas presenciais, mas ainda tem aquela insegurança. Nós ainda não fomos vacinados, eu tenho 14 anos e ainda não chegou a minha idade”, declara.

Em relação aos protocolos de segurança, a estudante afirma que “eles são bem rígidos, ninguém fica sem máscara em momento nenhum”.

Escolas de educação básica recebem mais de R$ 151 milhões para o retorno das aulas presenciais

Com pandemia, 44% das crianças e dos adolescentes se sentiram mais tristes

Ministério da Educação cria programa para incentivar a participação da família na vida escolar do estudante

Clara, de 9 anos, é estudante do 4° ano em uma escola particular de Taguatinga. Para a mãe, a fisioterapeuta Rosielen Batista, de 35 anos, a segurança é uma constante preocupação, mesmo com os métodos adotados pela escola. Isso porque após o retorno das aulas no ensino híbrido, uma das alunas na turma da filha teve caso de Covid-19 dentro da família.

“Mesmo com as medidas de segurança adotadas pela escola, cada suspeita, cada caso de Covid nos assusta. Porém, seguimos na esperança de dias mais tranquilos”, ressalta.

Prejuízo

Em relação ao tempo em que a filha estava somente no ensino remoto, Rosielen diz não ter observado um déficit de aprendizado e acredita que isso se deve à metodologia da escola e ao fato da assistência prestada a ela dentro de casa, seja em momentos de dúvidas ou acesso a tecnologias necessárias. A fisioterapeuta notou, no entanto, que Clara passou a apresentar efeitos da falta de interação social: “observamos sinais de irritabilidade, ansiedade e tristeza.”

Já o caso da jornalista Maira Buani foi diferente. Segundo ela, a alfabetização do filho João, estudante de 6 anos na Escola Classe 111 Sul, na Asa Sul, foi muito prejudicada pelo ensino remoto. Isso fez com que ela tomasse outras medidas, como a contratação de professora particular, para que João não sofresse consequências ainda maiores.

“Ele entrou na alfabetização online e não estava conseguindo aprender de jeito nenhum, eu tive que contratar uma professora particular pra dar aula para ele. Está sendo bem difícil, porque o prejuízo ficou, vamos tentar recuperar agora”, conta.

Por outro lado, o prejuízo nas crianças e adolescentes também pode se manifestar através do desinteresse dos mesmos após um período tão longe das escolas. Rafael Parente, PhD em educação pela Universidade de Nova York e ex-secretário de educação do Distrito Federal, ressalta a importância do diálogo entre pais e filhos caso aconteça essa desmotivação dos estudos.

“Na volta às escolas é importante que a gente converse bastante com as crianças e com os jovens sobre a importância da escola, sobre como a escola é um ambiente bom, bacana, prazeroso, como é importante aprender, rever os amigos, poder conhecer coisas novas, poder crescer. E também sobre o prazer da aprendizagem, o prazer de aprender o novo.”

Outro diálogo essencial pontuado por Rafael é o dos pais com os professores, principalmente em relação à saúde emocional das crianças que, muitas vezes, pode estar tão fragilizada quanto a dos adultos.

Copiar o texto
23/08/2021 04:00h

O montante deve ser aplicado em cerca de 96 mil unidades de ensino, atendendo quase 30 milhões de estudantes. Confira o valor do repasse por estado

Baixar áudioBaixar áudio

As escolas públicas de educação básica receberam este ano, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola Emergencial (PDDE Emergencial), mais de R$ 151 milhões para a reorganização do retorno das aulas presenciais. O montante deve ser aplicado em cerca de 96 mil unidades de ensino, atendendo quase 30 milhões de estudantes.
 
Os recursos são destinados para adequação das estruturas e aquisição de materiais necessários para seguir o protocolo de segurança em função da pandemia da Covid-19. O coordenador-geral de Apoio à Manutenção Escolar do Ministério da Educação (MEC), Djailson Dantas, destacou que esta é uma política de suma importância de aporte para as escolas na ordem do retorno às aulas presenciais.
 
O montante, de acordo com Dantas, deve contribuir supletivamente para as necessidades prioritárias, como aquisição de itens de higiene. “Por exemplo, os recursos podem ser para a compra de álcool em gel, sabonete líquido, toalhas de papel e outros produtos de higiene, tais como lata de lixo com pedal e também viabilizar as aulas remotas e reuniões virtuais”, explicou.
 

Valores por estado

Além do programa emergencial, outros R$ 385 milhões foram repassados aos estados este ano para a manutenção escolar por meio do PDDE Básico. Os valores são diretamente proporcionais ao número de estudantes da educação básica pública, por isso, o estado de São Paulo teve o maior repasse, apresentando a maior quantidade de estudantes recenseados no ano de 2020.
 
Segundo o chefe de gabinete da Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP), Henrique Pimentel, desde o início da pandemia há uma atenção ainda maior à questão estrutural das escolas e as unidades de ensino realizam um plano de aplicação financeira para utilizar os recursos, seja do PDDE federal ou estadual. “A maioria das escolas usa realmente para melhoria de estruturas, melhoria das condições físicas da instituição. Mas, também, aquisição de equipamentos, visando melhorar o atendimento dos estudantes”, afirmou. 

Ministérios da Educação e da Saúde estabelecem protocolo para retorno seguro às aulas

Com pandemia, 44% das crianças e dos adolescentes se sentiram mais tristes

CNE traz orientações sobre retorno às aulas presenciais
 

Além do repasse federal, o programa de aplicação de recursos nas escolas também existe na esfera estadual. Segundo Pimentel, em termos comparativos, o PDDE federal repassou R$ 810 milhões para 118 mil escolas, enquanto o PDDE estadual repassou R$ 845 milhões para 5.100 escolas do estado. 
 
“Esse programa realmente transforma a cara das nossas escolas. As escolas têm liberdade e têm condições de fazer as melhorias que elas precisam de acordo com seus planos. Não só melhorias estruturais, mas, também, investir recursos no pedagógico”, disse o chefe de gabinete.  

Descentralização orçamentária

Para o especialista em educação Afonso Celso Galvão, programas como o dinheiro direto na escola começam a mudar uma cultura de centralização excessiva do orçamento e da alocação de recursos. “Quanto mais livre a escola para fazer a gestão dos seus recursos, melhor, e quanto mais o governo funcionar como fiscalizador de metas de educação, melhor também”, disse. 
 
Essa autonomia de gestão, de acordo com Galvão, deve vir acompanhada de grande responsabilidade por parte dos gestores quando os recursos chegam na ponta, para que se possa extrair o máximo em benefício dos alunos e dos processos de ensino e aprendizagem. 
 
“Evidentemente, como os gestores não estão habituados a lidar com a gestão de recursos forma, de modo tão direto, eles têm de ser treinados e educados de acordo com a lei vigente para conseguirem lidar com esse dinheiro de uma forma legal e não terem nenhum tipo dissabor no futuro”, alertou o especialista.

Copiar o texto
18/08/2021 11:30h

O serviço estava parado por cona da pandemia da Covid-19, mas com a volta das aulas presenciais o estado vai retomar a vistoria

Baixar áudio

Como forma de garantir a segurança dos transportes escolares e prevenir acidentes em Goiás, o Governo do Estado retomou a fiscalização desse tipo de veículo. A medida, que é realizada todos os semestres, estava suspensa devido à pandemia da Covid-19. As vistorias acontecerão em todo o estado de 23 de agosto a 29 de outubro e vão checar as condições de circulação dos veículos, a documentação e a qualificação dos condutores.

Pequenas empresas podem se beneficiar com nova ferramenta para licitações do governo

Marco Legal do Saneamento Básico: mais de 300 municípios descumprem o prazo para destinação correta do lixo

A expectativa é vistoriar cerca de cinco mil veículos, que realizam o transporte escolar público nos 246 municípios goianos. Os trabalhos começarão pelos municípios de Iporá, Edéia, Ivolândia e Jandaia e serão encerrados, em 29 de outubro, em Sanclerlândia. E, a partir do ano que vem, a vistoria do transporte escolar será feita com o aplicativo Detran GO ON Vistoria.

As prefeituras que não apresentarem os veículos na data da vistoria, ou que tiverem veículos reprovados, terão uma nova oportunidade para a inspeção até 30 de novembro deste ano. Nesse caso, a checagem é feita no pátio do Detran-GO, em Goiânia. Os responsáveis pela frota devem encaminhar a lista de veículos a serem vistoriados para o Detran-GO, pelo e-mail: gfsdetrango@gmail.com. As prefeituras que tiverem os veículos reprovados, ou que não apresentarem os veículos, podem responder a uma Ação Civil, conforme prevê o Termo de Cooperação firmado com o Ministério Público de Goiás.

Copiar o texto
11/08/2021 12:05h

Documento do Conselho Nacional de Educação apresenta diretrizes para regularização do calendário escolar nos diferentes níveis de educação

Baixar áudio

Com o retorno gradual às atividades escolares presenciais, o Conselho Nacional de Educação publicou diretrizes nacionais que orientam a regularização do calendário escolar da educação básica, superior e educação especial. As medidas foram publicadas no Diário Oficial da União no início deste mês. As orientações são para escolas públicas e particulares.

A resolução determina que o reordenamento curricular deve possibilitar a reprogramação dos calendários escolares de 2021 e 2022, cumprindo os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de cada etapa, além da oferta do atendimento remoto aos estudantes de grupo de risco ou que testem positivo para a Covid-19.

Ministérios da Educação e da Saúde estabelecem protocolo para retorno seguro às aulas

Avanço da variante Delta obriga suspensão de aulas em 36 municípios no Rio de Janeiro

O documento prevê ainda que, no processo de retorno às atividades presenciais, as redes e instituições escolares deverão oferecer formação continuada aos professores para que estejam preparados para enfrentar os desafios impostos durante o retorno.

Para a educação básica, que compreende a educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, as diretrizes nacionais determinam que a educação infantil fique dispensada de cumprir o mínimo de dias de trabalho educacional e a carga horária mínima anual.

Copiar o texto
04/08/2021 12:30h

Estudantes que realizarão o Encceja podem baixar de graça o material para estudar para as provas e conferir as edições anteriores

Baixar áudio

No dia 29 deste mês será realizado o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), que tem foco nas pessoas que não concluíram os estudos na idade apropriada. É por meio dessa prova que os participantes têm a oportunidade de obter o certificado para ensino fundamental ou ensino médio. E uma novidade é que, na página do Inep, estão disponíveis apostilas gratuitas para quem está se preparando para o exame. Além disso, é possível encontrar as provas de anos anteriores e seus respectivos gabaritos. 

PL que proíbe despejos na pandemia aguarda sanção presidencial

Covid-19: saiba como é feita a logística de distribuição de vacinas no País

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), estão confirmados 1,6 milhão de participantes. Os gabaritos das provas devem ser divulgados no dia 1º de setembro. Anteriormente, o exame estava marcado para o dia 25 de abril, mas foi adiado por causa do agravamento da pandemia de Covid-19 no Brasil. 

O Encceja é a possibilidade de os estudantes conquistarem o certificado que falta para a conclusão do ensino e seguir adiante em suas trajetórias educacionais. Os resultados do exame são usados como referência nacional de avaliação e possibilita, por exemplo, que os gestores educacionais utilizem esses dados para entender o cenário educacional e evitar que estudantes se atrasem na formação ou mesmo que abandonem os estudos. 

Copiar o texto
Educação
04/08/2021 12:20h

O Programa Educação e Família tem foco no processo de reflexão sobre o que cada estudante quer ser no futuro e no planejamento de ações para construí-lo

Baixar áudio

O Ministério da Educação criou o Programa Educação e Família. Voltado às escolas públicas de educação básica, a iniciativa visa fomentar e qualificar a participação da família na vida escolar do estudante e na construção do seu projeto de vida. Segundo a pasta, o programa tem foco no processo de reflexão sobre o que cada estudante quer ser no futuro e no planejamento de ações para construí-lo. 

Entre os objetivos, estão os de promover ações de formação que envolvam a família e os profissionais da educação; apoio técnico e financeiro às escolas participantes do Programa Dinheiro Direto na Escola; e a promoção de ações que potencializem a participação da família na vida escolar dos estudantes.

Governo lança programa para levar água a escolas do Nordeste

Escolas devem retomar aulas presenciais neste semestre

O programa pretende, também, apoiar a elaboração de materiais pedagógicos e promover ações que visem a importância da família e da escola na construção do projeto de vida dos estudantes.

Com o programa, o MEC buscará melhores condições para alcançar as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), bem como das premissas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Copiar o texto
Brasil 61