Indústria

04/12/2022 19:20h

Empresa promove iniciativas voltadas à redução de resíduos plásticos e uso de matéria-prima reciclada

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O Polo Petroquímico do RS, que completa 40 anos em 2022, é um marco importante na história recente do Estado não apenas por sua contribuição para o desenvolvimento regional, avanços tecnológicos e de segurança,  geração de riquezas e de conhecimento, mas, também, pelo legado de compromisso com a valorização das pessoas, o crescimento sustentável e a preservação ambiental. Esse pacto por um futuro melhor para as próximas gerações se multiplica em ações no passado e no presente impulsionadas pela Braskem, que responde por 80% dos ativos do complexo industrial e é uma das três maiores contribuintes do RS.

 “Fizemos parte de uma história de desenvolvimento sustentável, sempre voltado para impactos positivos na comunidade e na economia do Estado”, afirma Nelzo Silva, diretor industrial da Braskem no RS. “Temos como grande diferencial a valorização das pessoas. Toda a tecnologia adquirida é importante e necessária, mas sem pessoas, a tecnologia não funciona. Sem emoção e sem paixão não se consegue enfrentar os desafios e não se consegue encarar caminhos criativos e inovadores”, destaca.

Responsável por cerca de 4.500 empregos diretos e indiretos no RS, a companhia considera a segurança das pessoas e dos processos um valor fundamental e que ancora a produção anual de mais de 5 milhões de toneladas de resinas plásticas e produtos químicos. Epara alavancar cada vez mais o conceito de economia circular dentro da cadeia produtiva da química e do plástico tem realizado investimentos na busca de novas tecnologias e implementado ações voltadas à redução de resíduos plásticos no ambiente. Entre elas estão design inteligente de produtos, a reciclagem química, que tem como matéria-prima resinas plásticas pós-consumo, e a educação ambiental.

Produção de resinas plásticas pós-consumo

As metas da Braskem nesse sentido são ambiciosas. A empresa pretende ofertar no mercado 300 mil toneladas de produtos com conteúdo reciclado até 2025 e 1 milhão de toneladas desses produtos até 2030. Também até 2030, a companhia trabalhará para evitar que 1,5 milhão de toneladas de resíduos plásticos sejam enviados para incineração, aterros ou descartados no meio ambiente. Além disso, a companhia segue com o projeto de expansão da sua capacidade de produção anual de eteno verde de 200 mil toneladas para 260 mil toneladas que estará pronta no começo de 2023.

As iniciativas 

A economia circular requer um olhar inovador como no caso do design de embalagens, que pode ser pensado levando em conta detalhes como seu peso. Ou, ainda, atentar que a utilização de um só tipo de material reduz o consumo de energia e pode facilitar o processo de reciclagem. 

Essa é a proposta do hub de inovação inaugurado em agosto de 2022 pela Braskem, em São Paulo. Num investimento de R$ 20 milhões, o Cazoolo é o primeiro Centro de Desenvolvimento de Embalagens para Economia Circular do Brasil e foi planejado para estimular a interatividade e criatividade. O espaço tem prateleiras que simulam gôndolas de supermercado, impressoras 3D de última geração, além de equipamentos de impressão, corte laser, solda e termoformagem para a produção de protótipos em pouco tempo. O objetivo é acelerar o desenvolvimento dos projetos das marcas interessadas em parcerias com a empresa. “O objetivo é simplificar o design para estimular o descarte adequado, a separação e a coleta seletiva, favorecendo a circularidade”, afirma a diretora de economia Circular da Braskem no RS, Fabiana Quiroga. 

Cazoolo é o primeiro Centro de Desenvolvimento de Embalagens para Economia Circular do Brasil e foi planejado para estimular a interatividade e criatividade

As novas embalagens que irão surgir desse processo de cocriação no Cazoolo serão mais facilmente recicladas, por exemplo, em unidades como a que foi inaugurada pela Braskem em março, em Indaiatuba (SP). A primeira planta de reciclagem mecânica no Brasil resulta de uma parceria com a Valoren, desenvolvedora de tecnologia e gestora de resíduos para transformação em produtos reciclados. Com investimento de cerca de R$ 67 milhões, a unidade tem capacidade para transformar 250 milhões de embalagens pós-consumo feitas de polietileno e polipropileno em 14 mil toneladas de resina reciclada com alta qualidade. São resinas que passarão a ser reutilizadas como matéria-prima para a indústria de transformação. 
Também voltada à reciclagem mecânica, em agosto, a Braskem assinou contrato para aquisição de ações e subscrição de novas ações de emissão da Wise Plásticos S.A., empresa deste setor localizada em Itatiba (SP). A oferta por 61,1% do capital social da Wise representa em torno de R$ 121 milhões e parte relevante será destinada à duplicação da capacidade produtiva para cerca de 50 mil toneladas de produtos reciclados até 2026.

Wenew
 

Nessa estratégia de transição para uma economia circular, a Braskem lançou, em outubro, o Wenew, um novo conceito que engloba quatro pilares - produtos, educação, tecnologia e design circular – para reforçar seu compromisso com um futuro mais circular. Wenew é a nova logomarca das resinas termoplásticas e produtos químicos da empresa que possuem conteúdo reciclado em sua composição enquanto Wemove identifica as iniciativas de educação sobre consumo consciente e descarte adequado e as tecnologias voltadas ao desenvolvimento da economia circular. 

Ilha de Economia Circular no RS

Um estudo de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) realizado pela Braskem comprovou que as resinas recicladas pós-consumo são uma alternativa eficaz para a redução de até 48% da pegada de carbono, quando comparadas com as resinas virgens, de origem convencional. Mas a evolução de tecnologias para produção de resinas recicladas com maior qualidade e diversidade de aplicações é um dos maiores desafios nessa caminhada.

Pensando nisso, a Braskem criou a Ilha de Economia Circular no Centro de Tecnologia e Inovação da empresa, em Triunfo (RS), para desenvolver, testar e aprimorar o desempenho de produtos circulares idealizados pela empresa e para dar apoio aos projetos de clientes. A Ilha nasce de olho nas exigências do mercado de plástico e do setor de embalagens com o objetivo de acelerar a etapa de surgimento e aplicabilidade das resinas recicladas pós-consumo, agregando ganhos de qualidade, variedade e eficiência. 

Futuro próximo

Embora o Polo Petroquímico do RS ainda não tenha produção em escala de resinas recicladas pós-consumo (PCR), com os avanços dos processos industriais de reciclagem isso será possível. Na Braskem, a planta de Petroquímicos Básicos já possui a certificação ISCC (certificação internacional de sustentabilidade e carbono) para o uso de matérias-primas circulares e, portanto, haverá produtos circulares utilizando a marca Wenew. 

Os primeiros passos dessa caminhada já começaram a ser ensaiados a partir da criação de uma central de comercialização integrada (COMINT) que reúne 12 unidades de triagem de resíduos de Porto Alegre e conta com apoio da Braskem por meio do programa Ser +, que busca promover a inserção social e econômica dos recicladores, por meio de investimentos, capacitações e consultorias. A COMINT já percebe um avanço no aumento da valorização dos materiais plásticos que comercializa para a Braskem, que é a solução para aumentar o volume de plásticos reciclados e atingir o objetivo de retirar 1,5 milhão de toneladas de resíduos plásticos do ambiente e de aterros até 2030.

Em São Paulo, também está em andamento um projeto para fornecer à Braskem volume em escala de plásticos pós-consumo provenientes de redes de cooperativas e associações de triagem de resíduos, atendendo aos requisitos de qualidade exigidos para produção de resina e as exigências de compliance. Camila Ferreira, analista de projetos da Mãos Verdes, que elabora e gerencia projetos na área de gestão de resíduos, explica que, inicialmente, três cooperativas deverão ser cadastradas e a meta é de, ao final de seis meses, estabelecer um patamar mínimo de comercialização para a Braskem de 50 toneladas/mês.

O que é a economia circular

Como o nome indica, é um padrão de crescimento circular, ao contrário do atual que é linear e baseado apenas em produção, consumo e descarte. No modelo mais eficiente de economia e que resgata os ciclos da natureza, há menor impacto ambiental e utilização de energia e recursos renováveis. Os resíduos são reciclados e viram matéria-prima para novos produtos, num ciclo perene amparado também pela força da transformação cultural.

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30/11/2022 04:30h

Zona Franca de Manaus é um dos exemplos de como a indústria gera emprego, renda e desenvolvimento no interior do país. Projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados busca estender incentivos fiscais para empresas do Norte e do Nordeste

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Manaus é um dos casos de cidades brasileiras fora do eixo Sul-Sudeste que cresceu com a chegada da indústria. No ano passado, o Polo Industrial da capital amazonense faturou mais de R$ 160 bilhões, recorde da série histórica. O valor foi 32% maior do que o registrado em 2020. No primeiro semestre deste ano, a receita das indústrias que fazem parte da Zona Franca de Manaus (ZFM) foi 10,74% maior do que o resultado obtido no mesmo período de 2021, segundo a Superintendência da ZFM (Suframa). 

Embora compreenda três polos econômicos (indústria, comércio e agropecuária), a ZFM tem as fábricas como base de sustentação. São mais de 500 indústrias na região, que geram mais de 500 mil empregos diretos e indiretos, com destaque para os segmentos de eletroeletrônicos, bens de informática e duas rodas. 

O superintendente da Suframa, Algacir Antonio Polsin, destaca a importância do Polo Industrial de Manaus para o estado e para o país. “Atualmente, a região é dependente das indústrias do Polo Industrial de Manaus. Ou seja, esse polo acaba fomentando toda a economia do estado do Amazonas. Naturalmente, a gente acaba fomentando também a empregabilidade em todo o país, pois muitos dos nossos produtos vão para o comércio ou vão como peças integrantes de indústrias de outras partes do país, assim como também compramos peças de outras partes do país para a nossa cadeia de produção aqui em Manaus.” 

Incentivo

Há quem atribua parte do sucesso da ZFM ao tratamento fiscal diferenciado que o polo recebe. E é justamente visando o desenvolvimento econômico de outras cidades no Norte e também no Nordeste que a Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 4.416/2021. O PL prorroga até 2028 incentivos fiscais para empresas nas áreas de atuação das superintendências de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene). 

Autor do PL, o deputado federal Júlio Cesar (PSD-PI), afirma que, sem a aprovação do texto, os incentivos vão acabar no fim de 2023, prejudicando as empresas e, por consequência, os trabalhadores das regiões. Ele destaca a importância da proposta. 

“Tinha os incentivos do Finor [Fundo de Investimento do Nordeste] e do Finam [Fundo de Investimento da Amazônia], mas esses incentivos deixaram de existir em 2007 e ficou apenas a redução para reinvestimento do Imposto de Renda e adicionais daquilo que as empresas pagam. Esta redução poderá ser de até 75% para investimento em novos projetos aqui na região”, destaca. 

De acordo com o PL, as empresas beneficiadas conseguem redução de 75% no IR calculado a partir do lucro. O texto também permite que as empresas retenham ainda 30% do IR devido para reinvestirem em projetos de modernização ou compra de equipamentos. 
Impactos da descentralização industrial

A concentração das fábricas no eixo econômico mais desenvolvido é um fenômeno que começou ainda no século XX, segundo especialistas ouvidos pelo Brasil 61, mas há formas de difundir a atividade industrial pelo interior do país, gerando emprego, renda e diminuindo a desigualdade regional. 

Segundo Marco Antonio Rocha, pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a história da industrialização brasileira tem origem no complexo cafeeiro no começo dos anos de 1900, centrado no Sudeste e com presença no Sul do país. 

“Procurar estabelecer políticas de desconcentração regional é matemática no Brasil desde a década de 50. O plano original da Sudene já era promover a industrialização do Nordeste. A Sudam também tentou criar uma desconcentração regional da indústria via Zona Franca de Manaus”, lembra. 

Embora algumas dessas iniciativas tenham obtido sucesso, principalmente na década de 70, diz o especialista, a indústria continuou bastante concentrada no Sudeste do país. “É óbvio que procurar políticas de industrialização para regiões de baixa industrialização é sempre positivo, porque acaba trazendo também esses efeitos que vêm com a vinda da indústria'', pontua. 

Particularidades locais

Mas não basta só querer. A maior presença da indústria nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste requer planejamento. É o que explica a diretora da Agência de Inovação da Universidade Federal do ABC, Cristina Reis. 

“A gente precisa pensar nas particularidades socioeconômicas e nas principais demandas da população de cada uma dessas regiões. É preciso identificar quais são as atividades econômicas que têm maior potencial para desenvolver essas regiões, bem como identificar quais são os principais desafios sociais e econômicos a serem superados”, recomenda. 

O primeiro passo, segundo Cristina, é mapear as necessidades e demandas locais para só então mobilizar as atividades produtivas para esses objetivos. No Norte, por exemplo, ela cita que há um grande potencial gerado pela bioeconomia. Já no Nordeste, há os desafios de inclusão digital e de desenvolvimento do setor da saúde, que podem fomentar a inovação das indústrias farmacêuticas e de equipamentos hospitalares. 

De todo modo, é um trabalho de médio e longo prazo, avalia Cristina. “O investimento na indústria requer um comportamento paciente. Ele não é de curto prazo. A gente precisa ter paciência para plantar de uma maneira bastante inteligente, inclusiva e sustentável as condições para esse futuro melhor, mais dinâmico, que tenha uma atividade industrial forte, que gere inovação, progresso tecnológico, emprego de qualidade, com salários altos, que dinamizem o restante dos setores produtivos”, diz. 

Algacir Antonio Polsin, superintendente da Suframa, diz que a ZFM já explora os potenciais de bioeconomia que a Amazônia oferece, mas que isso tende a aumentar “exponencialmente” nos próximos anos. 

“Temos buscado mudanças em marcos legais, que potencializam a criação de bioindústrias em toda a Amazônia Ocidental, e estamos transformando o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) em uma OS vocacionada para os bionegócios. A bioeconomia tem relação estreita com a vocação natural da Amazônia”, aponta. 

“Estruturar essa cadeia, significa vencer obstáculos relacionados ao suprimento, armazenamento adequado em períodos sazonais, aumentar a produtividade, aperfeiçoar as técnicas de beneficiamento e transformação dos ativos naturais, viabilizar o escoamento da produção dos municípios e de suas comunidades. Sobretudo, temos que integrar a produção da bioeconomia à indústria aqui presente, e, para isso, precisamos incentivar e qualificar a pesquisa, para transformá-la em negócios”, completa. 

Incentivo coordenado

Para o professor Marco Antonio Rocha, a chegada da indústria requer a criação de um sistema formado por instituições que garantam mão de obra qualificada e que invistam em sofisticação tecnológica. “Embora a promoção da desconcentração regional seja muito importante, ela também é muito difícil por conta das instituições que a indústria demanda pra ela ter sucesso e ela ter competitividade. A indústria nunca é uma indústria sozinha, ela é sempre um sistema industrial”, destaca. 

Segundo o especialista, o número de municípios que se desenvolveram por meio da indústria caiu nas últimas décadas. Um dos motivos para isso é que as cidades têm poucos recursos para, sozinhas, criar um entorno institucional para a atividade industrial prosperar. 

A estratégia para levar a indústria para o interior do Brasil passa, de acordo com Rocha, pela cooperação entre o poder público em suas três esferas: municipal, estadual e federal. “É possível fazer, sobretudo quando você tem apoio do governo estadual, sobretudo do governo federal, porque ele tem uma capacidade de criar políticas de desenvolvimento regional com muito mais recursos, tem capacidade de financiamento da atividade industrial via bancos públicos e também de financiar investimentos para instituições de pesquisa. O primeiro passo para o município é pensar em torno da capacidade dele fazer acordo, recuperações com os outros entes”, avalia. 

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Agronegócios
30/11/2022 04:15h

Representantes do Mapa e da CNA afirmam que o poder público vai continuar responsável por fiscalizar e punir quem não seguir as regras. Aos produtores e empresas da agroindústria caberá atestar qualidade e segurança dos produtos, desde a obtenção da matéria-prima

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O projeto de lei que obriga produtores e empresas da agroindústria a adotarem programas de autocontrole em todo o processo produtivo não fragiliza a fiscalização sobre alimentos e produtos de origem animal e vegetal. O coordenador de produção vegetal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Maciel Silva, classifica o projeto como inovador e diz que ele não permite ao setor definir as próprias regras de funcionamento. 

“A autorregulação seria a definição, por si só, das normas, o que deve ser seguido pela iniciativa privada. Nesse caso, não ocorre. O que há é uma maior participação da iniciativa privada dentro das ações de fiscalização, mas dentro do escopo das regras já estabelecidas”, defende. 

O PL 1.293/2021 altera o atual sistema de defesa agropecuária, que passaria de estatal para híbrido, com participação do setor produtivo e do poder público. A proposta exige que o setor produtivo desenvolva programas que atestem critérios como inocuidade, qualidade e segurança de seus produtos. 

A administração pública, na figura dos técnicos e dos auditores fiscais agropecuários, ligados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), vai continuar responsável por observar se as empresas estão seguindo as regras.

Programas de autocontrole

O PL diz que os produtores e as empresas serão responsáveis por implementar, manter, monitorar, executar e verificar os programas de autocontrole. Esses devem conter registros sistematizados e auditáveis do processo produtivo, desde a obtenção da matéria-prima, passando pelos ingredientes e insumos, até a fabricação do produto final. 

Segundo José Guilherme, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o projeto de lei não dá aos agentes regulados a possibilidade de autoinspeção ou autofiscalização, que continuariam sob a responsabilidade dos servidores do Mapa. 

“Tanto a inspeção como a fiscalização são atividades de Estado. Essa é uma das confusões. Autocontrole é esse sistema da empresa manter e implantar um sistema robusto de controle dos seus processos de produção e registrar isso tudo colocando à disposição da auditoria do ministério.” 

De acordo com o texto, o poder de polícia administrativa permanece como exclusivo do poder público. Ou seja, se a fiscalização verificar alguma irregularidade ou produto que represente risco à população, poderá apreender a mercadoria e fechar a empresa. Os agentes privados que não seguirem as regras também poderão receber advertência ou multas de até R$ 150 mil. 

Para o deputado Pedro Lupion (PP-PR), o PL não tira do Estado nenhuma atribuição. “A palavra final sempre vai ser do ministério. O poder de polícia e a responsabilidade é do fiscal agropecuário e ele vai ter que dar favorável ou contrário aos laudos apresentados pela terceirização da fiscalização. Então, não tira absolutamente nada, pelo contrário. Facilita o trabalho deles”, avalia. 

O PL prevê que o Mapa vai ter que estabelecer os requisitos mínimos para o setor produtivo desenvolver os programas de autocontrole. Essas diretrizes vão constar em portarias editadas pelo Executivo após a aprovação da proposta. 

“Esse detalhamento vai ser feito na parte que nós chamamos de normas infralegais, que traz as bases do que deve conter um programa de autocontrole da empresa. Agora, a empresa é que tem que implantar e cumprir o programa. Isso a gente sabe que vai precisar de um trabalho e o ministério vai ajudar com a capacitação forte de responsáveis técnicos. Então, o setor assume muito mais responsabilidade sobre o seu sistema”, destaca José Guilherme. 

A proposta também aponta que as empresas deverão recolher os lotes de produtos com problemas que possam causar riscos à segurança do consumidor, à saúde animal ou à sanidade vegetal. 

As orientações sobre os programas de autocontrole serão específicas para cada setor, diz o secretário. As empresas e produtores também terão que desenvolver manuais de orientação para elaboração e implementação de programas de autocontrole, submetendo-os ao Mapa. 

Quem é favorável ao texto entende que ele pode otimizar a força de trabalho deficitária dos servidores públicos responsáveis pela fiscalização. Com o crescimento da agroindústria nos últimos anos, passou-se de um auditor para cada 7,7 estabelecimentos, em 2005, para um auditor a cada 18 estabelecimentos, em 2020. 

Por conta disso, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) diz que as mudanças seriam positivas. “Nós temos um sistema de defesa agropecuária extremamente deficitário. Temos pouca gente da carreira pública exercendo essa função e isso faz com que a gente enfrente muitas dificuldades no dia a dia, principalmente das plantas agroindustriais, como os frigoríficos. Ter a possibilidade do autocontrole, mesmo com a anuência e a necessidade da comprovação e aprovação dos técnicos do ministério, vai facilitar e dar uma celeridade muito maior em cada um dos processos”, acredita. 

Maciel Silva, da CNA, completa. “E o mais importante: sem prejuízo algum para atuação do Mapa e dos fiscais agropecuários, com ganhos bastante expressivos, principalmente no que se refere a tempo e agilidade”, avalia.

Projeto de lei obriga produtores e empresas a adotarem práticas de autocontrole de alimentos e produtos

Tramitação

O PL do autocontrole é de autoria do Executivo. A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados e na Comissão de Agricultura (CRA) do Senado. O próximo passo será a análise pelo plenário da Casa. 

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28/11/2022 04:00h

Durante a COP27, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), José Luis Gordon, defendeu que a agenda de sustentabilidade é global e vai pautar todo o desenvolvimento tecnológico do mundo

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“Não dá para discutir agenda de sustentabilidade sem discutir novas tecnologias”. É o que considera o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), José Luis Gordon. Durante a 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP27), em Sharm El Sheik, no Egito, ele defendeu que a economia precisa evoluir, mas sem desconsiderar pontos relacionados ao desenvolvimento sustentável. 

“A agenda de sustentabilidade é a agenda global e a agenda que vai pautar todo o desenvolvimento tecnológico do mundo. Não dá para discutir agenda de sustentabilidade sem discutir novas tecnologias, sem discutir novos materiais, sem discutir o que fazer com os resíduos sólidos e agregar valores, sem discutir uma agricultura sustentável, sem discutir o setor de mobilidade sustentável. Tudo isso precisa de tecnologia e inovação. Ou seja, pensando no Brasil do futuro, sustentável, pensando em um mundo mais igual”, destacou. 

Gordon participou de painéis que discutiram modelos e desafios de estímulo à inovação sustentável no país e no mundo. No último dia 16, o presidente da EMBRAPII também participou do painel promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o tema “Contribuições da indústria para a conservação florestal”. Na ocasião, os debates envolveram ações realizadas pelo setor industrial para o fortalecimento e valorização da biodiversidade e das florestas brasileiras.

“O Brasil tem tudo para ser o principal player global dessa agenda de sustentabilidade. O país está pronto, tem tudo para isso. Nós estamos preparados para apoiar cada vez mais projetos nessa agenda; trabalhando para apoiar o setor empresarial brasileiro a ser referência em inovação ligada à agenda de sustentabilidade”, pontuou Gordon.

De acordo com a EmbrapII, atualmente, 67% dos projetos de inovação apoiados pela entidade apresentam temáticas ligadas aos princípios de sustentabilidade da ONU. Energia limpa, saúde, bem-estar e redução da fome e agricultura sustentável, estão entre os temas mais presentes nessas iniciativas.

Membros do Congresso Nacional também participaram ativamente da COP27, no Egito. É o caso do senador Fabiano Contarato (PT-ES).  Durante o evento, o parlamentar atuou em debates sobre diagnósticos e soluções da pauta ambiental do Brasil, com foco nas metas do país dentro do Acordo de Paris. Entre os temas, destaca-se a redução de emissões por desmatamento no Brasil.  

Mercado de carbono é um dos principais temas debatidos na COP27

Brasil precisa adotar plano consistente para descarbonizar economia, afirma presidente da CNI

O senador apresentou relatório de sua autoria acerca da avaliação da política pública federal de regularização fundiária, aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado. O material denuncia a grilagem/ocupação ilegal de terras públicas na Amazônia Legal por meio de propriedades registradas ilegalmente no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural este ano.

“Sabemos que a prevenção e o controle do desmatamento, tanto na Amazônia quanto nos demais biomas brasileiros, envolve a necessidade de se desenvolver uma agricultura de baixo carbono, que seja rentável e de interesse dos produtores rurais, de modo a incentivar sua adesão a esse modelo. Zelar pela preservação do meio ambiente e pela conservação dos povos tradicionais significa debater as oportunidades que se abrem para o Brasil, na exploração da floresta em pé”, avaliou. 

COP27

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) é considerada o maior e mais importante evento já realizado acerca do tema. A 27ª edição ocorreu entre os dias 6 e 18 de novembro.

A COP é realizada uma vez por ano e reúne líderes de praticamente todos os países em busca de um mesmo objetivo: debater as mudanças climáticas e identificar soluções para os problemas ambientais. A cada ano o evento é realizado em um país diferente. 
 

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Economia
28/11/2022 03:45h

Sondagem Industrial da CNI aponta que indicadores que medem a produção, o emprego, os estoques e o investimento recuaram. Pela primeira vez em dois anos, empresários esperam queda de postos de trabalho no setor e nas exportações

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A indústria brasileira teve desempenho negativo em outubro. Os indicadores que medem a produção, o emprego e a utilização da capacidade instalada recuaram, de acordo com a mais recente Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Segundo a pesquisa, os estoques do setor industrial aumentaram e ficaram bem acima do planejado, o que aponta para estoques excessivos e frustração dos empresários com a demanda. O levantamento também mostra que as expectativas dos empresários industriais no mês de novembro diminuíram. É a primeira vez em mais de dois anos que há projeção de queda no emprego no setor e nas exportações para os próximos seis meses. 

Os empresários também se mostram menos propensos a investir. O indicador que mede esse fator também recuou e, agora, está em seu menor nível em mais de dois anos. 

Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a combinação de resultados negativos em todos os indicadores serve de alerta para os empresários. 

“Os resultados acendem um sinal de alerta, sobretudo por conta da questão dos estoques. Os estoques aumentaram bastante. Ficaram acima do planejado pelas empresas. Então, apesar de a produção ter recuado um pouco na passagem de setembro a outubro, ainda assim houve frustração dos empresários. Eles venderam menos do que esperavam, por isso o estoque aumentou para acima do planejado”, comenta. 

Produção e emprego

A produção da indústria caiu pelo segundo mês consecutivo em outubro. O índice de evolução da produção ficou em 48,5 pontos. Esse patamar está abaixo da linha divisória de 50 pontos. Quando o número está abaixo dessa linha, significa que há queda na produção em relação ao mês anterior, no caso, setembro. De acordo com a Sondagem Industrial, é a primeira vez que a produção regride para um mês de outubro desde 2016. 

Depois de crescer por cinco meses seguidos, o emprego do setor industrial também recuou. Em outubro, o índice que mede a evolução dos postos de trabalho caiu para 49,6 pontos. O resultado também está abaixo da linha divisória de 50 pontos. O indicador fechou o mês de setembro em 51,4 pontos. Segundo a pesquisa, é a primeira queda do emprego industrial para o mês de outubro em três anos. 

UCI e estoques

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu um ponto percentual em outubro, para 71%. A UCI é um indicador importante para saber o nível de ociosidade de máquinas e equipamentos do setor. Quanto menor, pior é. O índice já havia caído em setembro. Com isso, a UCI acumula queda de dois pontos percentuais nos últimos dois meses. 

Já o índice de evolução do nível de estoques aumentou para 51,5 pontos em outubro. Como está acima da linha divisória, isso indica que houve mais produtos em estoque em relação a setembro. Outro indicador, o índice de estoque efetivo em relação ao planejado, subiu de 50,9 pontos para 52,4 pontos. É o pior resultado para o mês desde julho de 2019. 

Investimento e expectativas

A intenção de investimento dos empresários da indústria caiu 3,9 pontos, de acordo com o levantamento. O índice fechou o mês em 53,3 pontos, menor patamar para o setor desde agosto de 2020. 

Boa parte deste receio dos empresários em investir se deve às expectativas quanto ao futuro da economia do país. É o que explica Marcelo Azevedo. “Reflete aí uma incerteza muito grande. Passado o período eleitoral, as empresas voltam à discussão de alguns problemas que a indústria já vem enfrentando há algum tempo e se espera que tenha avanço. Se por um lado a questão da falta de insumos e matérias-primas que prejudicou tanta indústria nos últimos meses vem  perde importância, mas ainda é um entrave importante, outros problemas, como a taxa de juros elevada, ganham importância atrapalhando a atividade industrial como um todo”, analisa. 

Em novembro, os indicadores que medem as expectativas dos industriais caíram de forma considerável. A projeção para as demandas de produtos industriais registrou o maior recuo: 5,5 pontos. O indicador estacionou nos 51,4 pontos. Isso significa que, apesar da queda, ainda há expectativa de alta na demanda, embora mais modesta do que se apresentava no mês anterior. 

Os empresários também esperam comprar menos matérias-primas. O índice que mede essa expectativa caiu 4,3 pontos, para 50,2 pontos. O valor está próximo dos 50 pontos. Isso quer dizer que é praticamente neutra a projeção de compra de insumos nos próximos seis meses. 

Os indicadores de expectativa do número de empregados e de quantidade exportada também recuaram. O primeiro caiu 3,3 pontos, para 49 pontos. Já o segundo diminuiu 2,7 pontos, para 49,6 pontos. Em ambos casos, os resultados indicam que deve haver queda de emprego e de exportações nos próximos seis meses, o que não ocorria desde junho de 2020. 

Amostra

A Sondagem Industrial contou com a participação de 1.757 empresas, entre 1º e 10 de novembro, sendo 703 de pequeno porte, 615 de médio porte e 439 de grande porte. 

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25/11/2022 04:30h

Segundo a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, esse empenho vai além da questão ambiental, já que também se trata de uma questão de sobrevivência do negócio

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 A diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mônica Messenberg, destacou o comprometimento da indústria brasileira com a questão ambiental. “Hoje, realmente temos uma indústria preocupada com a sustentabilidade”, afirmou durante a programação da 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP27), que ocorreu no Egito entre os dias 6 e 18 de novembro.

Segundo a diretora, esse empenho vai além da importância ambiental, já que também se trata de uma questão de “sobrevivência do negócio.” Mônica Messenberg destacou a relevância da participação do setor nos debates sobre mudanças climáticas. “É uma forma de a gente mostrar o que a indústria tem feito em prol da descarbonização e da melhora da sustentabilidade industrial como um todo”, pontuou. 

Mercado de carbono é um dos principais temas debatidos na COP27

Brasil precisa adotar plano consistente para descarbonizar economia, afirma presidente da CNI

Em meio aos debates na COP27, a CNI promoveu o evento Brazilian Industry Day, que teve como objetivo aprofundar o debate sobre quatro pilares de sustentabilidade da indústria, além da apresentação de experiências bem-sucedidas das empresas brasileiras. 

Pilares essenciais para uma indústria sustentável

Para a CNI, inicialmente, são necessários debates sobre quatro pilares compreendidos como relevantes para um contexto de indústria sustentável. São eles: mercado de carbono, transição energética, economia circular e conservação florestal. Confira o que cada pilar representa. 

O ponto relacionado ao mercado de carbono diz respeito à promoção e a regulação do mercado de carbono por meio de um mercado regulado no modelo cap and trade, capaz de estimular o ambiente de negócios, assim como a inovação e competitividade empresarial, sem aumentar a carga tributária. 

Quanto à transição energética, as discussões devem envolver a expansão e a diversificação das fontes renováveis (eólica, solar e bioenergia) para geração de energia, por meio de novas tecnologias, como é o caso do hidrogênio verde. 

Já acerca da economia circular, a entidade defende que é possível adotar um modelo econômico com o intuito de reaproveitar ao máximo os recursos, evitando o desperdício e preservando o meio ambiente, com menor geração de resíduos. 

Por fim, em relação à conservação florestal, a CNI entende que a indústria de base florestal precisa desenvolver todo o seu potencial, tanto pelo crescimento da produção quanto pela promoção de novos produtos e modelos de negócio com foco no desenvolvimento de novos materiais.

De acordo com a entidade, a criação de um ambiente de negócios favorável e o fortalecimento das instituições que cuidam do tema são fatores essenciais para a melhoria da competitividade do setor e para o desenvolvimento do potencial florestal do Brasil, tanto de florestas plantadas quanto de nativas.
 

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23/11/2022 19:13h

Mais de R$ 500 milhões serão alocados em tecnologias educacionais, modernização e expansão das unidades do Sesi e do Senai

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A Federação das Indústrias de Goiás (FIEG), com o Sesi e o Senai, investirão quase R$ 1 bilhão para atingir a meta de qualificar 300 mil trabalhadores nos próximos três anos e suprir a crescente demanda do setor produtivo no estado. Cerca de 500 milhões de reais serão alocados em tecnologias educacionais, modernização e expansão de escolas em Aparecida de Goiânia, Catalão, Goiânia, Itumbiara, Jataí e Rio Verde. Há ainda R$ 275 milhões previstos para construção de cinco novas escolas, duas delas em Luziânia e Mineiros.  

O presidente da FIEG, Sandro Mabel, entende que ampliar a oferta de educação básica, profissional e tecnológica é o caminho mais curto para elevar a produtividade e a competitividade da indústria.

“Isso vai mudar a condição dos nossos alunos, da nossa profissionalização. A Indústria 4.0 hoje é uma indústria moderna, que precisa de qualificação constante. Isso faz com que as pessoas precisem ter treinamento. É isso que o Sesi e o Senai vão fazer cada vez mais”, afirmou.

Tecnologias educacionais 

Sesi e Senai de Anápolis receberão recursos para aplicar em novas tecnologias educacionais, que envolvem robótica, braço biônico e softwares e ferramentas de inteligência artificial. Em todas as unidades da rede de ensino em Goiás, a FIEG estima investir mais de R$ 150 milhões em recursos de aprendizagem.

Segundo o secretário de Indústria, Comércio, Inovação, Trabalho, Turismo e Agricultura, Alex Martins, ampliar a oferta de ensino em uma cidade que tem a atividade industrial como umas das principais fontes de renda significa investir na geração de emprego e renda. 

“A prefeitura de Anápolis, em parceria com o Senai e o Sebrae, oferece cursos gratuitos de qualificação profissional, relacionados às áreas exigidas pelo mercado local, como elétrica e mecânica. Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, apontam crescimento na geração de empregos com carteira assinada”, assinala.

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET), do Ministério do Trabalho, indicam que há quase mil estabelecimentos industriais em Anápolis, a maioria dos setores de alimentos e bebidas (23%), vestuário (12%) e química farmacêutica (11%). Mais de 97 mil funcionários são empregados formalmente pela indústria no município, de acordo com os dados mais recentes de 2020. 

Números que, na avaliação da diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Claudia Costin, evidenciam o sucesso do modelo educacional adotado por Sesi e Senai. A especialista acrescenta que há exemplos internacionais, como o das escolas secundárias da Coreia do Sul, em que a indústria se uniu ao governo, por meio de parcerias público-privadas, na gestão de cursos para ampliar a empregabilidade dos jovens.

“Creio que o aprendizado acumulado pelo Senai poderia ser repassado com grandes vantagens para secretarias de Educação dos estados para que a gente pudesse ter um ensino médio com a mesma qualidade institucional que a instituição conseguiu construir. É um exemplo a ser seguido”, elogia Claudia.

Se de um lado os trabalhadores se requalificam ou aprimoram suas habilidades para conquistar uma vaga no mercado, do outro os empresários passam a ter funcionários capacitados. O resultado é mais eficiência, redução do desperdício de materiais na fabricação de produtos e aumento de produtividade. 

“Investir em educação sempre é sempre o investimento mais importante, principalmente como incentivo à instalação de novas indústrias e de investimento no setor industrial. A capacitação das pessoas é extremamente importante. Nós temos um grande contingente de jovens que precisam ser treinados, precisam ter um incentivo para buscar capacitação voltada para a indústria”, garante o CEO da Caoa Montadora, Eugenio Césare. 

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Agronegócios
22/11/2022 04:30h

Projeto de lei obriga produtores e empresas a adotarem práticas de autocontrole de alimentos e produtos

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Tramita no Senado um projeto de lei que obriga os produtores e as empresas a adotarem programas de autocontrole para garantir a qualidade e a segurança de alimentos e produtos de origem animal e vegetal. O PL 1.293/2021 altera o atual sistema de defesa agropecuária, que passaria de estatal para híbrido, ou seja, com participação do setor produtivo e do poder público. 

De acordo com o texto, o setor produtivo (agentes privados regulados) terá que desenvolver programas de autocontrole com o objetivo de assegurar a inocuidade, identidade, qualidade e segurança dos seus produtos. Já a administração pública, na figura dos técnicos e dos auditores fiscais agropecuários, continuará responsável por observar se as empresas estão seguindo as regras. 

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Guilherme, explica como a defesa agropecuária passará a funcionar se o projeto de lei for aprovado. 

“Nós trouxemos para o PL o conceito da regulação responsiva. A ação do Estado continua e, quando for necessário, vai adotar as medidas administrativas que podem levar a multas, suspensão de registro e cassações, mas a gente não fica só com esse foco. Você tem o foco de criar um melhor ambiente, inclusive na parte regulatória, para que todas as empresas ou quase todas possam trabalhar corretamente”, diz. 

O secretário diz que o projeto não vai prejudicar a sanidade dos alimentos e produtos de origem animal e vegetal. “Ao contrário do que alguns têm colocado, que seria um relaxamento, não tem relaxamento nenhum. Nós vamos ter, na verdade, mais responsabilidade da empresa, uma auditoria mais eficiente do ministério. Isso vai ter reflexos positivos para toda a população. Vai haver, sim, mais rigor e um melhor controle”, destaca. 

Para o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), relator do projeto na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, a preocupação das empresas em manter uma boa reputação é mais um fator que tende a contribuir para o aprimoramento da segurança dos produtos que chegam aos consumidores. “A marca conta muito nesse processo. Por isso, todas as empresas vão ter o maior interesse em preservar a sua marca e a sua qualidade e o ministério vai auditar todas elas”, declara. 

“Vou te dar um exemplo que aconteceu há um tempo atrás com uma empresa que embalava leite da Nestlé. Me disseram: ‘Heinze, a fiscalização da Nestlé na minha empresa é muito mais rígida que a do próprio Ministério da Agricultura, porque a marca Nestlé está em jogo’. Assim como a marca de qualquer empresa brasileira”, ilustra. 

Eficiência

O autocontrole é uma prática incentivada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo próprio Mapa há mais de 30 anos. Estados Unidos e União Europeia, por exemplo, já adotam a prática desde a década de 70. 

Um dos objetivos do projeto de lei é tornar a auditoria e fiscalização do poder público mais eficientes. Isso porque o quadro de técnicos e auditores federais não conseguiu acompanhar o crescimento da agroindústria brasileira. Entre 2009 e 2020, o número desse tipo de estabelecimento cresceu 4,25%. Já o número de auditores na ativa caiu 31,3% no mesmo período. 

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) diz que não há servidores públicos suficientes para fazer as fiscalizações na mesma velocidade em que o agronegócio e as indústrias crescem. Por isso, ele defende a modernização do sistema de defesa agropecuária. 

“Nós não temos condições de montar uma máquina pública federal ou estadual no Brasil inteiro que possa fazer do tamanho que é a nossa agropecuária. Por isso é importante que as empresas privadas [adotem o autocontrole], a exemplo da Europa e dos Estados Unidos. Esse sistema já é utilizado largamente lá. Esse processo é extremamente seguro e vai ajudar o agro brasileiro”, acredita. 

Em 2005, havia um auditor para cada 7,7 estabelecimentos. Em 2020, essa proporção caiu para um auditor a cada 18 estabelecimentos. Mesmo com novas contratações (reivindicação apoiada pelo Mapa), o déficit permaneceria. Com a adoção, padronização e modernização de práticas de autocontrole para todos os setores, o trabalho de fiscalização tende a ser otimizado para atividades estratégicas e que apresentam maior risco, explica José Guilherme. 

“Uma empresa de sementes, de fertilizante ou de medicamento veterinário, por exemplo, não tem um auditor do ministério todo dia lá. Nós vamos ter mais informação e fazer um direcionamento mais eficiente. E naquela empresa que está em conformidade nas auditorias periódicas, não tem problemas, nós estamos recebendo os dados e fazendo os acompanhamentos, coletando amostras de vez em quando para fazer a verificação, a gente pode espaçar mais a ação do Estado em cima dela”, explica. Caberá ao Mapa elaborar uma classificação de risco considerando cada processo produtivo e cada setor, diz o secretário. 

Tramitação

O PL do autocontrole é de autoria do Executivo. A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados e na Comissão de Agricultura (CRA) do Senado. O próximo passo será a análise pelo plenário da Casa. 

DEFESA AGROPECUÁRIA: MAPA entrega primeira etapa da Plataforma do Autocontrole

Avanço da agropecuária exige fiscalização mais eficiente prevista no PL 1293/2021

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21/11/2022 05:30h

O Fórum do Gás foi atuante para a aprovação da Lei 14.134/2021, que cria um marco para o setor produtor de gás no país

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A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) passou a integrar o Fórum do Gás, composto por associações pró-desenvolvimento do mercado de gás natural e livre mercado. Agora, a federação passa a ter mais espaço para debater o tema em nível nacional, além de reforçar pautas que garantam mais competitividade para as indústrias capixabas.     

Um dos temas defendidos pela Findes é a entrada de novos fornecedores de gás no mercado. Segundo o consultor de Infraestrutura e Energia da Findes, Luiz Claudio Montenegro, o intuito é garantir que as empresas diminuam custos, além de ajudar o mercado do combustível a se expandir no Espírito Santo. 

“A Findes apoia a competição no mercado de gás natural, com entrada cada vez maior de novos fornecedores que possam reduzir custos das indústrias consumidoras. A federação também defende fortemente que o gás seja o primeiro passo na transição energética da indústria capixaba”, destaca. 

Atualmente, o Espírito Santo conta com uma reserva de gás natural de 30,7 bilhões de m³, com produção de gás onshore e offshore e capacidade de tratamento de 21,85 milhões de m³/dia. O estado também possui 467 quilômetros de rede de gasodutos de distribuição, além de ser a única Unidade da Federação com capacidade de oferecer, de imediato, estocagem de gás (no Campo de Barra do Ipiranga).   

Sobre o Fórum do Gás

O Fórum do Gás foi criado com o objetivo de atuar para a consolidação de um mercado aberto e competitivo, ao proporcionar um ambiente transparente, com uma regulação que estimule a eficiência dos monopólios naturais e a inovação. A ideia também é promover a confiança de investidores para aumentar a exploração das reservas brasileiras e o desenvolvimento nacional.  

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O Fórum também foi atuante para a aprovação da lei 14.134/2021, que cria um novo marco para o setor produtor de gás no país. Segundo a especialista de Energia da Abrace e secretária executiva do Fórum do Gás, Juliana Rodrigues, a lei pretende ampliar a concorrência no mercado de gás natural e biocombustíveis, atraindo novos investidores.

“A Nova Lei do Gás foi uma demanda de todo o mercado, com o objetivo de atualizar o arcabouço regulatório do gás natural. Ela tem como base três pilares principais: promover condições isonômicas de acesso ao mercado, transparência e diversidade de oferta. Isso cria um potencial para aumentar a competitividade do preço, com reflexos importantes na economia”, pontua. 

Ao longo dos debates sobre a Nova Lei do Gás no Congresso Nacional, o deputado federal Evair de Melo (PP-ES) defendeu a aprovação da medida por acreditar que se trata de um avanço para a economia de todo o país. “Todos os lares do Brasil vão sofrer impacto positivo. Energia no Brasil é cara, é difícil e também é necessária, porque temos um processo de industrialização. O vidro vai ficar mais barato, o transporte vai ficar mais barato”, considera. 
 

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21/11/2022 04:30h

Segundo o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, essa nova economia vai gerar emprego, renda, arrecadação e desenvolvimento regional

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Considerado o segundo maior produtor de biocombustíveis do mundo, além de contar com 20% da biodiverdidade do planeta e uma ampla disponibilidade hídrica, o Brasil tem potencial para atender a demanda mundial quanto à segurança energética. A declaração é do gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Davi Bomtempo. 

O pronunciamento ocorreu em meio ao evento Brazilian Industry Day, realizado pela entidade, no Egito. Segundo Bomtempo, a questão energética tem pautado as decisões do mundo inteiro e o Brasil pode ganhar um lugar de destaque nesse debate. 

“Primeiro, precisamos entender que o Brasil é um potencial, que a indústria parte da solução, e que essa nova economia vai gerar emprego, renda, arrecadação e desenvolvimento regional. Dessa forma, o pilar de transição energética é muito importante para o Brasil. Dentro dessa estratégia, desenvolveremos ações sobre eficiência energética, expansão de renováveis, o fortalecimento da nossa política nacional de biocombustíveis e, principalmente, novas tecnologias, como hidrogênio sustentável”, afirmou. 

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Durante o evento, a gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da Engie, Flávia de Oliveira, destacou a importância que o setor da indústria tem no sentido de promover e incentivar práticas sustentáveis por meio da chamada transição energética. 

“Quero registrar o quanto a indústria vem protagonizando a agenda climática, sobretudo a indústria brasileira, que tem se encorajado a assumir essa agenda. Temos um diferencial competitivo incontestável, na medida em que contamos com um setor elétrico, uma matriz elétrica e uma abundância de recursos naturais para promover essa reindustrialização verde no Brasil”, pontuou. 

COP27

Os debates promovidos pela CNI se dão no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), considerado o maior e mais importante evento já realizado acerca do tema. A 27ª edição começou no último dia 6 de novembro e seguiu até a última sexta-feira (18).  

A COP é realizada uma vez por ano e reúne líderes de praticamente todos os países em busca de um mesmo objetivo: debater as mudanças climáticas e identificar soluções para os problemas ambientais. A cada ano o evento é realizado em um país diferente. 
 

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Brasil 61