Indústria

19/08/2022 04:00h

Em evento promovido pela CNI, especialistas debateram a necessidade da criação de um mercado global de carbono regulado, com regras claras para estimular a segurança jurídica, a inovação e a competitividade

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Especialistas apontam que a criação de um mercado global de carbono vai ajudar as nações do mundo a reduzirem suas emissões. Durante debate promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a proposta em destaque foi o mercado regulado de carbono, que conta com regras claras para estimular a segurança jurídica, a inovação e a competitividade das empresas, sem aumentar a carga tributária.

A vice-chefe da Unidade de Coordenação de Políticas de Mercados Internacionais de Carbono, da Comissão Europeia, Polona Gregorin, definiu as etapas essenciais que garantam um mercado regulado de carbono bem-sucedido.

“O primeiro passo é, realmente, definir qual é a lacuna. Se não houver a definição do que se buscar, de fato, fica difícil estabelecer um sistema. O segundo passo é ter algum tipo de registro, como uma contabilidade, por exemplo, de tudo o que foi permitido e emitido no sistema”, afirmou.

“Também é importante garantir um monitoramento robusto, que seja transparente, consistente e preciso, para que todas as emissões sejam calculadas”, acrescentou a especialista. 

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O evento organizado pela CNI reuniu, nos dias 16 e 17, especialistas, empresários, federações e associações do setor industrial para debater a agenda climática e os avanços do Brasil em relação a uma economia de baixo carbono.

Durante a abertura do evento, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, defendeu que o mundo precisa enfrentar, de maneira urgente, os desafios de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e conter o aquecimento global. Na ocasião, ele destacou que o Brasil está engajado no esforço pela descarbonização da economia e desempenha papel relevante nas negociações internacionais sobre clima. 

“Atualmente, as fontes renováveis têm uma participação de quase 50% na matriz energética brasileira, que é uma das mais limpas do mundo. O Brasil também foi pioneiro na produção e no uso de biocombustíveis.  Além disso, temos a mais rica biodiversidade e a maior floresta tropical do planeta. Com essas características admiráveis, reunimos condições para atrair recursos do financiamento climático, que seriam importantes para consolidar nossa trajetória rumo a uma economia verde”, considerou. 

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral, falou sobre a importância da cadeia energética no processo de descarbonização. Ele ressaltou que é essencial não apenas ponderar os potenciais benefícios ambientais, econômicos e sociais dessa medida, mas também debater acerca de estratégias que incidam sobre a segurança do suprimento e os custos em curto, médio e longo prazos.

“Quando olhamos o que nos trouxe até essa condição privilegiada na transição energética, não necessariamente vai nos levar ao destino final, porque temos novos fatores e novos elementos necessários para isso. Temos necessidade de aumentar a oferta de energia, mas também o desafio da neutralidade de carbono, o que requer alcançar um maior nível de sofisticação no processo de descarbonização. Cerca de 40% das tecnologias necessárias para alcançar essa neutralidade ainda não estão maduras”, avaliou. 

Hidrogênio Sustentável

Em meio à programação, foi lançado o estudo Hidrogênio Sustentável: perspectivas e potencial para a indústria brasileira. O documento conta com um mapeamento e a avaliação de políticas, iniciativas e programas de hidrogênio sustentável em desenvolvimento, nos âmbitos nacional e internacional. 

O levantamento revela que o Brasil tem potencial para se inserir de forma competitiva nesse mercado, graças à disponibilidade de recursos renováveis essenciais para produção, assim como por conta das possibilidades de uso interno e exportação.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), mostram que, desde 2000, foram registrados 990 projetos de hidrogênio no mundo, sendo 67 países com ao menos uma iniciativa na área. Somente quatro são originários do Brasil.

Além disso, projeção do Hydrogen Council, aponta que apenas projetos de larga escala anunciados a partir de 2021 somam investimentos de cerca de US$ 500 bilhões até 2030.

O estudo avaliou, principalmente, as oportunidades e desafios da utilização de hidrogênio sustentável como vetor energético em direção a uma economia de baixo carbono.

O evento 

O evento é uma preparação do setor para a 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), que será realizada em novembro, no Egito. O encontro da CNI ocorre no Palácio Tangará, em São Paulo.

O intuito do encontro é discutir a contribuição do país para atingir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa estabelecidas no Acordo de Paris, assim como as oportunidades de negócios para a descarbonização da indústria nacional. 

O evento contou com painéis e sessões especiais sobre experiências e cenários em quatro eixos. São eles: transição energética, economia circular, mercado de carbono e conservação florestal. 
 

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12/08/2022 03:45h

Dados da Sudene revelam que, considerando os incentivos fiscais administrados pela superintendência, entre 2013 e 2020, mais de 1,2 milhão de empregos foram gerados e mais de R$ 247,7 bilhões foram investidos

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Dados da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) revelam que, considerando os incentivos fiscais administrados pela superintendência, entre 2013 e 2020, mais de 1,2 milhão de empregos foram gerados. Além disso, mais de R$ 247,7 bilhões foram investidos na região. Ainda de acordo com a Sudene, para cada R$ 1 real de renúncia, são contabilizados R$ 8,15 reais em investimentos. 

As superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene) foram criadas para reduzir as disparidades econômicas entre as regiões do país. A previsão atual é de que os incentivos fiscais estabelecidos para empresas nas regiões durem até o fim de 2023. Mas o projeto de lei 4416/21 visa prorrogar até 31 de dezembro de 2028 esses benefícios.

O economista e pesquisador vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, Felipe Queiroz, destaca que, historicamente, as regiões abrangidas pelos incentivos fiscais contam com menor investimento econômico e industrial e, consequentemente, carecem de uma maior participação do estado no fomento e no desenvolvimento da atividade econômica e financeira. 

“Entendemos que a medida é positiva, porque contribui para a manutenção das empresas que já estão instaladas na região. Por outro lado, devemos entender que essas medidas, de modo isolado, não contribuem para o desenvolvimento da região. Devem ser acompanhadas de investimento em infraestrutura, em educação e em saúde, por exemplo. A conjunção desses fatores contribuirá para o desenvolvimento econômico e social”, considera. 

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Pelos termos do PL, as companhias beneficiadas têm direito à redução de 75% no Imposto de Renda (IR) calculado com base no lucro. A legislação permite, ainda, a retenção de 30% do IR devido como depósito para reinvestimento. Essa medida é vista como estímulo aos projetos de modernização ou compra de equipamentos por parte dessas empresas.

Na avaliação do professor de Economia da FGV, Fernando Zilveti, a prorrogação é vista como uma alternativa para que essas empresas não sejam surpreendidas com eventuais mudanças na legislação tributária. Segundo ele, esse tipo de incentivo também torna o país mais competitivo no ambiente externo. 

“Todo incentivo é bom para concorrer com outros países que também têm incentivos. É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos, dos países da União Europeia e da China. Mas, essa medida é importante, principalmente, para que você tenha uma igualdade competitiva entre os estados, sejam eles do Norte ou do Nordeste do Brasil, além de estados de outras regiões que também têm incentivos setoriais”, pontua. 

Atualmente, o texto do projeto de lei 4416/2021 aguarda a designação de relator na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados.  
 

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11/08/2022 20:15h

Representantes das principais operadoras de telefonia do mercado explicam em seminário do Ministério das Comunicações que a revolução do 5G ocorre primeiro no setor produtivo

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O impacto mais imediato do 5G no Brasil será sentido pela indústria. É o que afirmam os representantes das principais operadoras de telefonia do país, que participaram do Seminário 5G.BR, promovido nesta quinta-feira (11) em São Paulo pelo Ministério das Comunicações. O evento, que também terá edições em outras capitais, discutiu a chegada da internet móvel de quinta geração no Brasil e o alcance da transformação na economia e nos setores produtivos proporcionado pela tecnologia.

O primeiro painel, "5G no Brasil: avanços da conectividade em um país continental", contou com representantes de algumas das principais empresas de telefonia do mercado, como TIM, Vivo, Claro e Ericsson, além do executivo do setor de Telecom, Carlos Alberto Landim.

José Félix, presidente da Claro, comentou que o início do 5G é promissor, principalmente porque as operadoras estão instalando mais antenas que o solicitado pela Anatel na primeira fase, e que o consumidor vai ter de aguardar pelas novas aplicações que serão proporcionadas com o tempo pela nova tecnologia, assim como foi com o 4G. Ele cita o Waze, o aplicativo de navegação por GPS que hoje é amplamente utilizado.

“O Waze aconteceu com o advento do 4G. Tomando esse exemplo, assim como os aplicativos de delivery, se imagina que, naturalmente, vai começar a aparecer uma centena de novas aplicações de 5G”.

O presidente da Claro, no entanto, explicou que neste primeiro momento quem mais vai se beneficiar com a internet de alta velocidade e baixo tempo de resposta é a indústria. Ele explica que a maior velocidade será sentida pelos consumidores, mas que algumas novidades prometidas por meio da tecnologia, como a telemedicina e os carros autônomos vão demorar um pouco para chegar.

“A velocidade é o que é mais notável, porque é o que aparece de forma massiva, que são as pessoas, os usuários comuns, os consumidores. Todo aquele resto, a baixa latência, capacidade de fazer milhares de conexões simultâneas, isso vai aparecer mais na Internet das Coisas, que é mais voltada à indústria e, eventualmente no futuro, quando tivermos coisa falando com coisa.”

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Todas as capitais brasileiras devem receber 5G até 29 de setembro

Márcio Fabbris, vice-presidente de Marketing e Venda da Vivo, lembra do lançamento do 4G, em 2012, quando novos modelos de negócios foram sendo oportunizados ao longo do tempo por meio de aplicativos, como bancos on-line e serviços de entrega. Ele destaca que ainda não se sabe se existirá uma aplicação chave para essa nova tecnologia de quinta geração, mas que o 5G deve primeiro revolucionar setores como agro e indústria.

“A gente pode mencionar talvez o setor agro como um dos primeiros a se aproveitar disso, da automatização da agricultura, da agropecuária, que é um setor super importante para o Brasil e pode ser um dos primeiros a ter o benefício de ter múltiplos dispositivos conectados ao mesmo tempo, transmitindo informações em tempo real, podendo elevar o nível de produtividade a um outro patamar. Depois a gente pode pensar em finanças, indústria 4.0, tem muitas aplicações que baseadas em baixa latência, confiabilidade e a possibilidade de conectar múltiplos dispositivos podem viabilizar novos negócios”, ressalta Fabbris.  

A latência é o tempo de resposta entre um comando utilizado na rede e a resposta. No 4G, a latência gira em torno de 50 milissegundos. Já o tempo de resposta do 5G pode chegar a 1 milissegundo, essencial para aplicações em equipamentos e maquinários da indústria ou operações à distância, que compõem a Internet das Coisas.

O 5G foi ativado na cidade de São Paulo, o maior mercado de telefonia móvel do Brasil, no último dia 4 de agosto. Antes, a tecnologia foi disponibilizada em Brasília, João Pessoa, Belo Horizonte e Porto Alegre. Além da indústria e da medicina, a quinta geração de internet móvel também vai impactar diversos outros setores, como educação e transporte, além de oportunizar acesso livre à internet e melhores serviços à sociedade.

Próximos seminários

As capitais Porto Alegre, Natal, Manaus e Brasília receberão as próximas edições do Seminário 5G.BR, quando o Ministério das Comunicações continua debatendo os avanços possibilitados pela nova tecnologia e os meios de aplicá-los a serviço dos cidadãos. Dessas próximas capitais, apenas Porto Alegre e Brasília já disponibilizaram o 5G. Natal e Manaus ainda aguardam a conclusão da limpeza da faixa 3,5 GHz. Todo o processo, incluindo a implementação, deve ser concluído até o dia 29 de setembro para atender às exigências da Anatel.
 

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Economia
10/08/2022 20:45h

Desde agosto do ano passado os industriais não ficavam tão otimistas em relação às próprias empresas e à economia do país, aponta CNI

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O empresário industrial brasileiro não ficava tão otimista desde agosto do ano passado. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ICEI, o índice que mede a confiança dos industriais, cresceu dois pontos em agosto na comparação com o mês anterior, chegando aos 59,8 pontos. 

“O Índice de Confiança do Empresário Industrial do mês de agosto apresentou um aumento de dois pontos na comparação com julho e isso reflete uma melhora da avaliação dos empresários tanto das condições atuais quanto dos próximos meses da economia brasileira”, explica Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI. 

Dos dois componentes que formam o ICEI, o índice de condições atuais foi o que mais cresceu em agosto: 3,1 pontos. O indicador chegou à marca dos 54,2 pontos. Quanto mais distante da linha divisória dos 50 pontos, pode-se dizer que mais intensa é a percepção de melhora dos empresários sobre o próprio negócio e sobre a economia, em geral, em relação aos últimos seis meses. 

Segundo a CNI, a melhora em agosto é “especialmente notável nas condições atuais da economia brasileira”, porque os empresários passaram de uma expectativa de piora para melhora. 

Já o índice de expectativas, que mede o otimismo dos industriais em relação às próprias empresas e ao futuro da economia do país, subiu 1,5 ponto, para 62,6 pontos. O levantamento aponta que o maior avanço nesse índice ocorreu na projeção para a economia brasileira nos próximos seis meses. É o que explica especialista em Políticas e Indústria. 

“Os itens que mais atuaram nessa alta do mês de agosto foram os que dizem respeito à economia brasileira e que estão muito ligados tanto à recuperação consistente que a economia vem apresentando nos últimos meses quanto à desoneração de itens que afetam a produção, como é o caso dos combustíveis e da energia”, diz. 

O ICEI de agosto foi divulgado nesta quarta-feira (10). A CNI coletou as informações junto a 1.542 empresas, sendo 599 de pequeno porte, 582 de médio porte e 361 de grande porte.

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Pequena indústria tem o melhor Índice de Desempenho no segundo trimestre em 11 anos

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10/08/2022 03:45h

O Índice de Desempenho da pequena indústria brasileira ficou em 47,4 pontos. Os dados são do Panorama da Pequena Indústria, compilado pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI

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As pequenas indústrias brasileiras registraram melhora do desempenho e da situação financeira no segundo trimestre de 2022. Segundo o Panorama da Pequena Indústria, compilado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o desempenho médio do segundo trimestre foi de 47,4 pontos, o melhor para o período em 11 anos. O indicador é maior que o registrado no primeiro trimestre de 2022 (45,5 pontos) e no segundo trimestre de 2021 (46,5 pontos).

O Índice de Situação Financeira das pequenas indústrias também apresentou uma ligeira melhora, alcançando 41,2 pontos no segundo trimestre de 2022, um aumento de 0,2 ponto em relação ao primeiro trimestre deste ano. Também houve uma melhora do indicador na comparação com o segundo trimestre de anos anteriores.

Confiança e perspectivas dos empresários

De acordo com o levantamento, o Índice de Confiança do Empresário Industrial para as pequenas indústrias ficou em 57 pontos em julho de 2022, uma queda de 1,3 pontos na comparação com o mês de junho. No entanto, desde o início do ano, a confiança segue oscilando acima da média histórica de 52,8 pontos.

Já o Índice de Perspectivas do setor, que avalia as percepções dos empresários para os próximos meses, apontou uma queda de 0,9 ponto em julho de 2022, passando para 51,3 pontos. As médias do primeiro e segundo trimestre deste ano ficaram em 51,2 e 51,5 pontos, respectivamente, mostrando que o Índice de Perspectivas tem se mantido em um patamar positivo.

A analista de Políticas e Indústria da CNI, Paula Verlangeiro, avalia os resultados positivamente. “O Índice de Confiança do Pequeno Empresário apresenta um resultado otimista. E as perspectivas para o futuro estão em um patamar positivo.”

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Principais desafios

A falta ou o alto custo de matérias-primas permanecem no primeiro lugar do ranking de principais problemas enfrentados pelas pequenas empresas dos setores extrativo, de transformação e de construção, no segundo trimestre de 2022. No entanto, houve uma redução de assinalações entre as pequenas indústrias da transformação (-6,9%) e as extrativas (-6,8%). Já na construção houve um aumento de assinalações do problema (+5,4%).

“Para extrativa e para transformação, houve menor número de assinalações nesta pesquisa, mostrando que essa questão continua muito importante, mas outras questões podem estar surgindo e outros problemas podem estar ganhando destaque”, explica a analista da CNI.

A elevada carga tributária aparece na segunda posição do ranking para todos os setores, sendo citada por 38,5% das pequenas indústrias da transformação, 25,5% das extrativas e 25,3% da construção.

Já a demanda interna insuficiente também está entre os principais problemas enfrentados por todos os setores, sendo assinalada por 25,5% da pequena indústria extrativa (também em segundo lugar), 22,6% da transformação (terceiro lugar) e 19,2% da construção (quinto lugar).

Paula Verlangeiro destaca a expectativa da CNI para o próximo trimestre.

“Esperamos que as perspectivas continuem em patamar positivo, que o índice de confiança continue indicando otimismo e que o desempenho e a situação financeira continuem melhorando.”

A composição dos índices do Panorama da Pequena Indústria leva em consideração o volume de produção, o número de empregados, a utilização da capacidade instalada, a satisfação com o lucro operacional e a situação financeira, a facilidade de acesso ao crédito, a expectativa de evolução da demanda e a intenção de investimento e de contratações. Todos os meses, os pesquisadores da CNI ouvem cerca de 900 empresários de empresas de pequeno porte.

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04/08/2022 04:00h

Dados apontam melhor momento de 2022 da indústria da transformação. Faturamento, empregos e massa salarial tiveram números positivos nos resultados da pesquisa

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Os dados dos Indicadores Industriais de junho, divulgados nesta quarta-feira (3) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontam alta do setor industrial brasileiro em diferentes frentes. Faturamento, empregos e massa salarial tiveram números positivos nos resultados da pesquisa e, segundo a CNI, este é o melhor momento em 2022 da indústria de transformação.

Em junho, o faturamento real da indústria cresceu pelo segundo mês consecutivo e alcançou o maior patamar neste ano. Em relação a maio, o crescimento foi de 0,9%. Comparando a junho do ano passado, o índice manteve- se praticamente estável. O emprego industrial também cresceu: 0,4% em relação a maio, aumento registrado após três meses consecutivos de dados negativos, entre fevereiro e abril. 

Outro dado positivo foi o aumento de 2,4% entre junho e maio da massa salarial da indústria de transformação, que chegou ao seu ponto mais elevado desde o início da pandemia, em março de 2020. 

Embora os números configurem um cenário positivo, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, chama atenção para alguns obstáculos que impedem a expansão da produção. “Os Indicadores mostram um bom momento da indústria, apesar das dificuldades trazidas pela falta de insumos e matérias-primas e o alto custo da sua aquisição.”

Na avaliação do economista e professor da  Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri, a economia brasileira vem melhorando nos últimos meses, o que pode gerar incentivos ao desenvolvimento industrial brasileiro. “Pode, sim, gerar incentivos para a indústria nacional, gerar mais produtos, principalmente voltados ao mercado doméstico. Sendo bom momento da economia, certamente é melhor para a indústria nacional, embora esteja sofrendo muito com gargalos de infraestrutura e custos dos insumos”, destaca. 

Horas trabalhadas

Já as horas trabalhadas na produção mantiveram-se estáveis em junho deste ano após o avanço de maio. Comparando o índice com o de 12 meses atrás, houve crescimento de 3,8%. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), índice que mede o nível de atividade da indústria a partir da porcentagem do parque industrial em funcionamento, registrou queda de 0,3% em relação a maio, embora o nível ainda seja elevado, de 80,4%. Já na comparação entre junho de 2022 e o mesmo mês de 2021, o indicador caiu 1,5%.

“Essa estabilidade das horas trabalhadas e a queda da UCI se deve muito a essa questão de insumos e matérias-primas. Isso vem atrapalhando a produtividade industrial, mas a indústria vem trazendo bons resultados”, destaca Marcelo Azevedo. 
 

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27/07/2022 17:10h

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o cenário interferiu na produção de 22 dos 25 setores analisados entre abril e junho de 2022. Preocupação com a taxa de juros também ganhou relevância no últimos 15 meses

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A falta ou o alto custo de matérias-primas são apontados como o principal problema enfrentado pela indústria de transformação, há oito trimestres seguidos. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o cenário interferiu na produção de 22 dos 25 setores analisados entre abril e junho de 2022.

O destaque é o setor de Impressão e Reprodução, no qual 71,7% das indústrias alegaram que as dificuldades com insumos foram o principal problema. Em segundo lugar está o setor de Produtos de Limpeza, Perfumaria e Higiene Pessoal, com 70%, seguido por Veículos Automotores, com 69,8%; Calçados e suas partes, com 68,3%; Indústrias de Bebidas, com 66%; Produtos de Borracha, com 63,3%; e Farmoquímicos e Farmacêuticos , com 62,5%.

A economista da CNI Paula Verlangeiro explica que as cadeias de insumos globais ainda não se recuperaram totalmente dos impactos provocados pela pandemia. Além disso, outros fatores mais recentes contribuíram para pressionar ainda mais os preços. 

“Uma série de problemas globais vem impactando e são elementos adicionais para reforçar ainda mais essa questão. Então, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e os severos lockdowns na China são outros elementos que trazem essa pressão adicional.”

Segundo a economista, cerca de metade da produção industrial é consumida como insumo pela própria indústria, o que impacta no preço final dos produtos aos consumidores. “Por isso, o problema de alto custo ou falta de matéria-prima é disseminado ao longo da cadeia e acaba repercutindo para o consumidor final, seja pela alta de preços ou pela dificuldade na produção”. 

De acordo com a pesquisa da CNI com os empresários, a expectativa é que o cenário se normalize apenas em 2023. 

Confiança dos empresários da indústria em junho atinge o maior patamar em oito meses

Distorções do sistema tributário do Brasil impedem crescimento econômico do país, diz gerente-executivo de Economia da CNI

Taxa de juros

Com a inflação elevada, a principal solução do Banco Central foi elevar a taxa básica de juros, o que impacta em todas as taxas de juros do país. Em menos de um ano e meio, a Selic passou de 2% para os atuais 13,25%. 

“Esse contexto de taxa de juros elevada, essa diferença significativa na elevação dos juros, acaba repercutindo e impactando a percepção do empresário”, afirma Paula Verlangeiro.

Segundo o levantamento da CNI, dos 25 setores analisados, 16 apontaram os juros como um dos cinco principais problemas enfrentados. Os setores de Produtos Diversos e Veículos Automotores colocaram o problema na segunda posição no ranking das principais dificuldades. Já os setores de Alimentos, Madeira, Máquinas e Equipamentos, Máquinas e Materiais Elétricas, Metalurgia, Têxteis e Vestuário e Acessórios consideram que os juros altos ocupam o terceiro lugar.

Além disso, entre abril e junho de 2022, 23,4% das empresas da Indústria da Transformação apontaram a alta taxa de juros como um dos principais problemas enfrentados, o quinto aumento consecutivo na análise trimestral. Segundo avaliação da CNI, é possível que esse percentual continue alto, considerando o atual contexto econômico brasileiro de inflação alta e as previsões de elevação da Selic até o fim de 2022.

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25/07/2022 04:45h

Em entrevista ao portal Brasil61.com, Mario Sergio Telles disse que o Brasil precisa aprovar uma reforma tributária nos moldes da PEC 110/2019 para corrigir as distorções do sistema de cobrança de impostos

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A ideia de reformar o sistema de arrecadação de impostos do Brasil aparece entre as prioridades da indústria nacional, a fim de fomentar o desenvolvimento do país. No Congresso Nacional, entre os projetos que tratam da temática está a Proposta de Emenda à Constituição 110/2019, considerada o principal projeto em discussão. Atualmente, a PEC 110 está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal.

O principal intuito dessa PEC é simplificar o sistema tributário nacional. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a reforma vai garantir competitividade aos produtos brasileiros no mercado internacional.  

Hoje, o sistema tem distorções que fazem com que o produto importado tenha menos tributação que o nacional. E, se a indústria buscar a exportação, também fica em desvantagem: em média, um produto industrial brasileiro chega ao mercado externo com 7,4% a mais no preço. Para falar sobre o assunto, convidamos o gerente-executivo de Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mario Sergio Telles. 

Confira a entrevista 

Brasil 61: Em meio aos principais debates dentro do Congresso Nacional, um dos focos dos parlamentares é a reforma tributária. Até o momento, a principal proposta sobre o tema é a PEC 110/2019. Na sua avaliação, de fato, as sugestões dessa proposta melhoram o sistema tributário nacional?

Mario Sergio Telles, gerente-executivo de Economia da CNI: “É uma proposta que já avançou bastante. Estamos no quarto ano de discussão sobre essa PEC. Um estudo da UFMG mostra que, fazendo uma reforma nos moldes da PEC 110, em 15 anos, o PIB brasileiro teria um crescimento 12% maior do que sem fazer a reforma. Em valores atualizados, isso significa R$ 1 trilhão a mais no PIB brasileiro. É um texto que contempla uma série de pontos importantes. É um texto que promoveria um sistema tributário de muita qualidade. Então, a prioridade da CNI é a aprovação da PEC 110. No momento, esse é o projeto que vemos como capaz de acelerar o ritmo de crescimento da economia brasileira.”

Brasil 61: Há muito tempo se fala da necessidade de o Brasil atualizar o sistema tributário. O senhor poderia nos explicar por que as mudanças são importantes? 

Mario Sergio Telles, gerente-executivo de Economia da CNI: “A mudança no sistema tributário brasileiro é fundamental porque, além da complexidade, nós temos os problemas das distorções que o sistema tributário causa, e faz com que o crescimento econômico seja mais baixo, seja menor do que o que poderia ser. Então, o principal é mudarmos a tributação do consumo. Hoje, o Brasil tem basicamente cinco tributos sobre o consumo. Isso causa complexidade. Além do mais, esses cinco tributos são de má qualidade.”

Brasil 61: Nesse caso, para a CNI, qual seria o melhor modelo de uma reforma tributária?  

Mario Sergio Telles, gerente-executivo de Economia da CNI: “A reforma tributária da tributação do consumo que a CNI defende é na linha do que já está no Congresso Nacional com a PEC 110/2019, que é a extinção do ICMS, que é um imposto dos estados; e o ISS que é um imposto dos municípios; e a substituição desses impostos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que é imposto tipo o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), usado em mais de 170 países no mundo. O IBS proposto na PEC 110/2019 tem padrão mundial, ou seja, tem as mesmas características que o mundo usa, que não é o caso do ICMS e muito menos do ISS. Essa mudança iria eliminar muitas distorções, que retiram a capacidade de crescimento da economia brasileira, e iria simplificar o sistema. Além disso, a PEC 110 dá base para extinção de dois impostos do governo federal, o PIS e a Cofins, e a substituição deles por um imposto de melhor qualidade, que é a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços.”

Brasil 61: Por que se fala que o sistema tributário brasileiro em vigor atrapalha o crescimento econômico do país? 

Mario Sergio Telles, gerente-executivo de Economia da CNI: “Isso ocorre porque, devido às distorções, o nosso sistema dá uma vantagem para o produto importado em relação ao produto brasileiro. Essa distorção faz com que o importado tenha menos tributação do que um produto nacional. E, quando nós vamos tentar exportar, há mais problema. Em média, um produto industrial leva 7,4% sobre o seu preço de tributos não compensáveis para a exportação. Como nenhum país do mundo exporta tributo, nós chegamos no mercado externo com 7,4% a mais no nosso preço, tentando competir com os demais. Isso retira a capacidade de competição, perdemos a concorrência para o importado aqui no nosso mercado, e não conseguimos exportar.”
 

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25/07/2022 04:30h

Número de matrículas nessa modalidade de ensino cresceu 17% em sete anos no Brasil, segundo dados do Ministério da Educação de 2021. Especialista diz que ensino técnico contribui para o ingresso rápido no mercado de trabalho

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A escolha da profissão é um momento desafiador para os jovens.  Em um cenário onde as constantes inovações tecnológicas exigem profissionais cada vez mais capacitados para trabalhar em um setor produtivo competitivo, a educação profissional pode ter papel fundamental nessa decisão. O número de matrículas nessa modalidade de ensino cresceu 17% em sete anos no Brasil, segundo dados do Ministério da Educação de 2021. 

“Acredito que o ensino técnico contribui para o sujeito desenvolver seus interesses e habilidades profissionais. Com isso contribui para  maturidade da escolha profissional e também permite ingresso rápido no mercado com mais qualidade”, opina Lorena Alencar, psicóloga com atuação na área de orientação profissional.  

Alinhada às necessidades do setor e às novas ferramentas tecnológicas, a qualificação técnica tem potencial para ter impacto direto na empregabilidade e funcionar como a porta de entrada para o mercado de trabalho. Para a especialista, a qualificação técnica traz mais segurança para o início da carreira. 

“Os cursos profissionalizantes combinam teoria e prática e preparam o estudante para atuar em um campo específico e, em consequência, se sente mais seguro para se posicionar no mercado de trabalho”, conclui.

Como escolher a profissão?

O Ministério da Educação lançou o SouTec, ferramenta para auxiliar estudantes e demais cidadãos na escolha de cursos técnicos, voltados ao ensino tecnológico e profissional. O aplicativo apresenta opções usando critérios como a localidade, por exemplo. 

O SouTec é composto por 72 questões que avaliam as preferências do aluno. Após todas as questões respondidas, o estudante terá acesso a um resumo e um relatório completo sobre o seu perfil profissional. O programa também disponibiliza, a partir das respostas dos alunos, roteiros de estudo e indica cursos técnicos para que possam se preparar para a vida profissional.

Para utilizar o aplicativo, não é necessário ter acesso à internet. O estudante consegue responder às perguntas e ter acesso ao relatório mesmo estando offline. A internet é necessária apenas para o download do programa.

Aplicativo auxilia jovens a escolher a profissão 

Nessa mesma linha, há o Mundo SENAI, plataforma de serviços do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), que funciona a partir de três pilares: formação, carreira e trabalho.

Cada pilar apresenta uma ideia central. Na formação, há o portfólio de 514 cursos em 28 áreas industriais nas modalidades on-line, semipresencial e presencial. Já na carreira, a plataforma disponibiliza um almanaque das profissões para que os estudantes possam conhecer profissões técnicas e industriais, além de uma ferramenta de orientação profissional. Por fim, no pilar do trabalho, há três serviços ofertados, como explica Felipe Morgado, superintendente de Educação Profissional do SENAI. 

“O primeiro é de intermediação de mão-de-obra, o chamado Contrate-me. Os candidatos cadastram seus currículos e as empresas cadastram suas vagas. A ferramenta dá o match imediato. Disponibilizamos ainda vagas de estágio e de aprendizagem, além de oportunidades de empreender. Empresas cadastram seus problemas, reais, e disponibilizam para a sociedade propor soluções”, detalha. 

Áreas em alta

Algumas áreas do ensino técnico se destacam pela demanda do atual mercado. Tecnologia da Informação, Programação, Automação, Mecatrônica, Meio Ambiente e Logística são alguns exemplos de cursos com alta procura. 

Alex de Brito fez o curso de Logística no Mundo SENAI. Morador de Goiânia, ele havia começado a trabalhar na área há pouco tempo e conta que a capacitação de dois anos o ajudou a crescer profissionalmente. “A plataforma do SENAI é ótima para tirar dúvidas com relação aos cursos oferecidos. Por meio do ensino profissional, a gente vê o mundo com outros olhos, começa a pensar fora da caixa e ajuda a empresa e a si mesmo”, conta. 

A cada dez estudantes que concluem cursos técnicos na instituição, segundo o SENAI, sete estão empregados em até um ano. “Estudantes que concluíram os cursos técnicos tiveram incremento na renda de 22%, demonstrando que o ensino profissional é a porta de entrada para o mercado de trabalho, e também uma oportunidade de ter renda e continuar estudando, ampliando a carreira e oportunidades”, diz Felipe Morgado. 

As informações completas sobre cursos disponibilizados e suas modalidades podem ser encontradas em loja.mundosenai.com.br
 

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15/07/2022 04:00h

Do total, mais de 59 mil já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar

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O estado do Maranhão precisa qualificar 81 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025. A informação consta no Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, compilado pelo Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total, 21,8 mil devem se capacitar em formação inicial - para repor os inativos e preencher novas vagas - e 59,2 mil já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar.

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, afirma que a qualificação profissional é crucial tanto para os trabalhadores que já estão empregados quanto para aqueles que estão fora do mercado de trabalho.

“O aperfeiçoamento deve ser uma estratégia para todos os profissionais. O aprendizado ao longo da vida passa a ter um papel fundamental no mercado de trabalho nos dias de hoje.”

No Maranhão, a demanda pelo nível de capacitação até 2025 será de:

  • Qualificação (menos de 200 horas): 44.277 profissionais
  • Qualificação (mais de 200 horas): 16.892 profissionais
  • Técnico: 4.207 profissionais
  • Superior: 15.705 profissionais
  • Em volume, ainda prevalecem as ocupações com nível de qualificação, cerca de 75% do total. Mas, segundo Márcio Guerra, houve um crescimento da demanda por formação em nível superior.

“O nível superior cresce sem dúvida a uma taxa muito elevada. Então, é preciso entender que fazer educação profissional não é o fim de uma trajetória. Profissionais que fazem qualificação profissional, fazem curso técnico e depois caminham para o ensino superior são profissionais extremamente valorizados no mercado de trabalho, pela experiência, pela prática e também pela formação”, avalia.

Áreas de formação

No Maranhão, as áreas que mais vão demandar profissionais capacitados, tanto em formação inicial, quanto continuada, são:

  • Construção: 18.301 profissionais
  • Metalmecânica: 12.193 profissionais
  • Logística e Transporte: 11.767 profissionais
  • Transversais: 11.092 profissionais
  • Alimentos e Bebidas: 4.469 profissionais
  • Têxtil e Vestuário: 3.050 profissionais
  • Eletroeletrônica: 3.049 profissionais
  • Automotiva: 2.651 profissionais
  • Telecomunicações: 2.428 profissionais
  • Tecnologia da Informação: 1.901 profissionais

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, destaca a relevância das ocupações nas áreas transversais. “Ou seja, aquelas ocupações coringas, aquelas profissões que são absorvidas por diversos setores da economia, que vão desde o setor automotivo até o setor de alimentos. No que diz respeito às áreas, vale destacar também aquelas profissões que estão relacionadas com a indústria 4.0, relacionada a automação de processos industriais.”

Ele também explica que há diferenças nas áreas de formação mais demandadas entre os estados. Isso se deve à dimensão do país e à complexidade da economia brasileira. Segundo Márcio Guerra, a heterogeneidade de recursos e de produção acaba refletindo essas características.

"Nós sabemos que, em alguns estados, há uma concentração industrial maior e em outras regiões, como a região Norte, há uma dispersão maior. Então a estrutura industrial, ou seja, os setores que são predominantes em determinadas regiões são diferentes.”

INDÚSTRIA: Demanda por profissionais com nível superior deve crescer 8,7% até 2025

Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2025

Mapa do Trabalho Industrial

De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, o Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos. Márcio Guerra explica que a projeção considera o contexto econômico, político e tecnológico do país.

“A partir da inteligência de dados, o objetivo do mapa é projetar a demanda por formação profissional de forma que essa informação sirva, não só para o Senai, mas também para uma discussão mais ampla sobre qual vai ser a demanda futura de profissionais no mercado de trabalho. É muito importante para a sociedade conhecer quais são as tendências, quais são as áreas que tendem ao maior crescimento, sobretudo na sua localidade, mas também entender quais profissões têm mais relevância, mais demanda, para que ele possa planejar a sua trajetória de formação profissional”, explica.

Confira outras informações do Mapa do Trabalho Industrial e a demanda de outros estados no link.

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Brasil 61