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LOC.: A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros gerou reação da indústria nacional. A medida foi anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e entra em vigor no dia 1º de agosto.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a CNI, a nova tarifa pode afetar diretamente cerca de 10 mil empresas brasileiras exportadoras, além de comprometer a relação histórica entre os dois países e ameaçar milhares de empregos.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a decisão foi recebida com surpresa e que não há base econômica para justificar o aumento da tarifa.
TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI
“Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano.”
LOC.: Trump justificou a medida alegando práticas comerciais desleais por parte do Brasil e a forma como o governo brasileiro tem tratado o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu no mesmo dia. Em nota oficial, reafirmou que o Brasil é um país soberano, com instituições independentes e que não aceitará nenhum tipo de tutela externa.
Lula também rebateu a alegação de déficit comercial dos Estados Unidos com o Brasil. Segundo dados da CNI, o país norte-americano mantém superávit nas trocas com o Brasil há mais de 15 anos. Só nos últimos 10 anos, o saldo positivo em bens foi de US$ 91,6 bilhões.
A indústria brasileira teme os efeitos da tarifa na economia. Em 2024, para cada R$ 1 bilhão exportado aos EUA, foram gerados 24 mil empregos, mais de R$ 500 milhões em salários e R$ 3,2 bilhões em produção nacional.
O especialista em Direito Internacional Fernando Canutto também defende a busca por soluções via diplomática. Para ele, os Estados Unidos continuam sendo uma potência econômica global, mas o Brasil deve negociar com firmeza.
TEC./SONORA: Fernando Canutto, especialista em Direito Internacional
“Entendo que a única via é a via diplomática. Apesar de os Estados Unidos ter perdido, ou melhor, diminuído sua influência como potência hegemônica nos últimos 20, 30 anos. Há 30 anos, eram os Estados Unidos e os outros países. Agora, China está atrás, Índia vem logo atrás. São parceiros que já têm poder de fogo, digamos assim, já têm uma economia quase tão grande quanto a norte-americana. Então, os Estados Unidos ainda é a grande potência.”
LOC.: Os Estados Unidos são hoje o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira — setor que registrou recorde em 2024, com mais de US$ 181 bilhões exportados.
A indústria nacional espera que o governo brasileiro atue com agilidade e equilíbrio para evitar prejuízos maiores à economia e preservar uma relação bilateral de mais de 200 anos.