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LOC.: O tarifaço de 50% anunciado pelos Estados Unidos sobre todos os produtos importados do Brasil pode levar à perda de pelo menos 110 mil empregos no país. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria, a CNI.
Nesta terça-feira, representantes dos setor produtivo e autoridades no Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços se reuniram, em Brasília, na primeira reunião do comitê interministerial para discutir as tarifas de 50% anunciadas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A reunião foi liderada pelo ministro do MDIC e vice-presidente Geraldo Alckmin.
No encontro, o presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou que é preciso objetividade e pragmatismo por parte do governo e do setor privado na negociação com os Estados Unidos. O dirigente reforçou ainda o pedido para que o governo articule junto ao governo norte-americano a ampliação do prazo para o começo da vigência da nova tarifa.
Para a CNI, a decisão do governo norte-americano de impor um tarifaço generalizado não possui embasamento técnico e representa uma ruptura em uma relação comercial centenária.
De acordo com a entidade, a medida afeta fábricas brasileiras e plantas industriais nos EUA que dependem de insumos brasileiros, ameaçando linhas produtivas, contratos de longo prazo e a previsibilidade necessária ao ambiente de negócios.
Ricardo Alban fala sobre os impactos da medida do governo norte-americano.
TEC./SONORA: presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban
“Lembro que os EUA são o principal destino das exportações industriais do Brasil e o nosso país é um importante fornecedor para o mercado norte-americano. Uma quebra nessa relação, com um impacto dessa magnitude, teria muitos prejuízos ao nosso crescimento, à competitividade, aos empregos e, consequentemente, um forte impacto sobre a economia em geral.”
LOC.: O Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais foi criado por decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União, nesta terça-feira. Segundo o MDIC, colegiado vai deliberar sobre a aplicação de contramedidas provisórias e acompanhar as negociações. O decreto regulamenta ainda a Lei da Reciprocidade Econômica.
Reportagem, Ana Catarina Lima.