Exportações

28/09/2022 04:45h

Crescimento foi motivado por questões de ordem sanitária, econômica e geopolítica

Baixar áudio

As vendas de carne suína brasileira para o exterior aumentaram 27,7% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2021. A compra de frangos pelo mercado externo cresceu mais de 15%, e a de ovos, mais de 20%. É o que registra levantamento feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

"O bom dessas notícias é que a gente está trazendo para o país mais de US$ 1,2 bilhão mensalmente em receita cambial, que é distribuída em uma cadeia de mais de 4 milhões de pessoas diretas e indiretas e mais de 100 mil famílias produtoras ajudando a girar nossa economia”, detalha o presidente da ABPA, Ricardo Santin. Em agosto de 2021, as exportações de aves, suínos e ovos totalizaram US$ 896 milhões.  Este ano, US$ 1,207 bilhão. Comparativamente, o número é 34,7% maior. 

O Brasil entrou no radar de comerciantes desses produtos alimentícios no mundo por questões de ordem sanitária, econômica e geopolítica.“Há uma crise mundial de oferta de alimentos, conflagrada especialmente com os conflitos entre Rússia e Ucrânia, temos ainda dificuldade de logística na Ásia por conta da Covid ainda, e como se não bastasse isso, ainda há doenças de aves e suínos”, contextualiza. 
“Todo esse panorama faz com que o Brasil seja chamado cada vez mais para garantir a oferta de alimentos e ajudar a segurança alimentar do mundo”, avalia Santin. 

Segundo dados da ABPA, as exportações brasileiras de ovos, tanto in natura, quanto processados, alcançaram em agosto deste ano a marca de 446 toneladas, totalizando receita de quase US$ 1,5 milhão de dólares. Os principais destinos desses produtos no exterior são os Emirados Árabes e o Japão, somando quase 1 milhão de toneladas de ovos. 

Tendo como principais destinos China, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Chile, a exportação de carne suína in natura e processados em agosto deste ano foi de 116,3 mil toneladas, informa a ABPA. O que corresponde, em receita, a US$ 269 milhões. 

Já a receita obtida pelas exportações de carne de frango, entre in natura e processados, no oitavo mês de 2022, alcançou a marca de US$ 922,1. O número é um recorde histórico nas exportações do setor, somando 43,87 mil toneladas do produto exportado, sobretudo, para os Emirados Árabes Unidos, Japão, Filipinas, União Europeia e Coreia do Sul.

Copiar o texto
27/09/2022 04:30h

Expectativa do setor agropecuário é de que o país possa aumentar a comercialização desses produtos ainda neste ano

Baixar áudio

A soja e a carne bovina brasileiras passaram a ganhar destaque no cenário internacional nos últimos anos. Esses produtos estão no topo dos mais comercializados pelo Brasil. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 2018, o setor agropecuário movimentou mais de US$9,21 bilhões das exportações. E o Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro teve um crescimento de 8,3% em 2021. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP) e da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Carne Bovina

Mais de 150 países importam a carne bovina brasileira, com uma variedade de cortes consumidos em todo o mundo. No ano passado, o rebanho do país foi estimado em 196,47 milhões de cabeças, com um abate de 39,14 milhões de cabeças. A informação faz parte dos dados de exportação de carne vermelha. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), no ano passado a exportação de carne bovina saída do Brasil atingiu US$ 9,2 bilhões, alta de 8,4% em relação a 2020.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Governo Federal, houve crescimento nas três primeiras semanas de setembro de 2022, com a exportação de 114,06 mil toneladas de carne bovina in natura (sem processamento) dos frigoríficos brasileiros. O volume médio diário de 10,37 mil toneladas embarcadas ficou 18% acima da média de agosto deste ano (8,8 mil toneladas) e 16,5% superior à média de setembro do ano passado.

O número de cabeças de gado no Brasil também aumentou, com recorde de 224,6 milhões em 2021 e crescimento pelo terceiro ano consecutivo. O crescimento foi de 3,1% na comparação com 2020, de acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE. O resultado ultrapassou o recorde anterior, de 2016 (218,2 milhões). Para o pecuarista e produtor rural de Palmas, no Tocantins, James dos Santos, os investimentos dos poderes público e privado no setor pecuarista durante a pandemia de Covid-19 tornaram possível atingir esses números positivos.
“Durante a pandemia pude investir em conhecimento e pesquisas para aumentar o número de cabeças de gado de corte que crio em minha propriedade. O próximo passo é continuar investindo para que eu possa começar a exportar a carne produzida por aqui”, comemora.

Soja

Já a soja em grãos teve alta de 28,5% no preço médio de exportação nos últimos 12 meses, com a venda 6,10 milhões de toneladas (US$ 3,8 bilhões), segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O país que mais compra a soja brasileira é a China, com 4,46 milhões de toneladas, ou US$ 2,79 bilhões em agosto de 2022. Irã, Vietnã, Espanha, Japão, Tailândia e Turquia também importaram o produto.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja (APROSOJA) do Tocantins, Dari Fronza, o Brasil tem grande potencial para melhorar ainda mais a produção de soja. “Nosso país é referência na produção de soja e ganha de países como Argentina e os Estados Unidos.”

Avanço de produção agropecuária

Levando em consideração todos esses dados positivos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou, na quinta-feira (22/09), uma nota com as projeções para o setor agropecuário em 2022 e 2023. A novidade  é a divulgação do crescimento do Produto Interno Bruto em 10,9% para o setor no ano que vem. Nessa análise consta a expectativa da alta de 13,4% na produção vegetal para as produções de soja e milho e de 2,6% na produção animal, graças ao bom desempenho na produção de bovinos e de suínos no Brasil.

Copiar o texto
23/09/2022 18:26h

O projeto prevê novos investimentos da ordem de R$ 6,3 bilhões. Desse total, R$ 2,1 bilhões serão destinados à infraestrutura portuária

Baixar áudio

O processo de concessão pública do Porto de Santos, no litoral paulista, foi aprovado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O projeto prevê novos investimentos da ordem de R$ 6,3 bilhões. Desse total, R$ 2,1 bilhões serão destinados à infraestrutura portuária, enquanto R$ 4,2 bilhões serão para execução de um túnel submerso que ligará Santos ao Guarujá. 

O advogado especialista em parcerias público-privadas e concessões, Wesley Bento, lembra que o transporte marítimo, atualmente, representa mais de 80% do comércio global. Para ele, transferir o Porto de Santos para a iniciativa privada vai colocar o Brasil em uma posição de maior visibilidade no mercado internacional. 

“Essa medida está muito alinhada com os esforços do Brasil de integrar a OCDE, principalmente em relação aos desafios de melhorar nossa infraestrutura logística. É um movimento no sentido de atração de investimento e grande incentivo para o comércio exterior, que está diretamente ligado ao crescimento econômico do país, nessa economia cada vez mais globalizada”, destaca. 

O prazo do contrato de concessão ficou estipulado em 35 anos. No entanto, há a possibilidade de esse período ser prorrogado por mais cinco anos. A Antaq estipulou o valor mínimo de arrematação em R$ 3.015.367.207,17. O leilão levará em conta o critério de “Maior Valor de Outorga”.

“Naturalmente, a desestatização traz maior capacidade de dinamismo do porto. Isso acarreta maior agilidade para realizar os investimentos necessários para aprimorar a qualidade da infraestrutura portuária”, pontua Wesley Bento.

Obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste prometem melhorar logística e tornar região mais competitiva

5G vai revolucionar indústria de games, hardwares e softwares

PIB 2022: entre janeiro e setembro, mercado revisou de 0,3% para 2,4% a expectativa de crescimento da economia brasileira

O Ministério da Infraestrutura (MInfra) receberá a documentação autorizada pela Antaq. A agência, por sua vez, a encaminhará ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a devida análise. 

Expansão da agenda de desestatizações

De acordo com o estudo da CNI, atualmente, no país, o capital privado opera 44 aeroportos federais, 367 terminais e áreas portuárias arrendadas ou autorizadas, 30 mil quilômetros de ferrovias, e 24,7 mil quilômetros de rodovias, o que corresponde a 12% da malha pavimentada do país. 

Segundo o especialista em Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Matheus de Castro, ainda em 2022, a estimativa é de que haja mais expansão da participação privada em todos esses setores, com a realização de leilões e vendas de ativos já feitos e previstos até o fim do ano.

“Sabemos das dificuldades que o setor público encontra há mais de uma década na realização desses investimentos, e isso penaliza muito nossa capacidade de modernizar nossa infraestrutura. Então, precisamos aumentar a participação privada na gestão dos ativos de infraestrutura. Mas, apesar de o caminho ser esse, sabemos da importância de aumentar também os investimentos públicos. Nós investimos tão pouco, que não podemos contar só com um tipo de investimento”, destaca.

O Brasil registrou crescimento da operação privada em áreas voltadas à exploração de petróleo e gás, de distribuidoras e geradoras de energia elétrica, e de segmentos de telecomunicações e de saneamento básico. 
 

Copiar o texto
Economia
20/09/2022 03:45h

Luciana Morilas, professora de direito comercial e direito internacional da USP, diz que medida permite ao governo dar subsídios à indústria e ao agronegócio como forma de compensar barreiras impostas aos produtos brasileiros por outros países. Segundo CNI, disputas paradas na OMC somam US$ 3,7 bilhões

Baixar áudio

A Lei 14.353/2022, que autoriza o Brasil a retaliar países contra os quais tem disputa pendente de julgamento de apelação na Organização Mundial do Comércio (OMC), pode trazer vantagens para as indústrias do aço e de aeronaves. Esses setores estão no centro de desavenças do Brasil com outras nações no âmbito da OMC. 

Luciana Morilas, professora de direito comercial e direito internacional da Universidade de São Paulo (USP), explica que quando um país discorda de uma política econômica adotada por outro no âmbito do comércio internacional, ele pode levar a questão para a OMC. 

Em um primeiro momento, tenta-se resolver a diferença em comum acordo. Se uma solução não ocorrer em até 60 dias, um painel de especialistas analisa e dá o veredito sobre a disputa. Caso o país que reclamou tenha razão, ele pode aplicar sanções, como o estabelecimento de cotas para importação ou sobretaxas para reparar os danos causados pela outra nação. Se o país perdedor discordar da decisão, pode recorrer ao Órgão de Apelação da OMC. 

O problema é que esse colegiado está parado desde o fim de 2019, já que não tem o número mínimo de membros para funcionar e os Estados Unidos estão barrando novas nomeações. 

O governo brasileiro argumenta que há casos em que a OMC decidiu a favor do Brasil em contendas com outros países, mas que essas nações adiam as consequências da condenação apelando para um órgão que sequer está funcionando. A estratégia é conhecida como “apelação no vazio”. 

Por meio dessa lei, desde junho o Brasil pode aplicar sanções unilaterais já aprovadas no painel de especialistas e que foram motivo de apelação no vazio pelos países derrotados. Morilas diz que a medida é boa para o Brasil. “Os órgãos internacionais costumam funcionar na base do acordo político. Não tem nenhum órgão internacional que possa julgar e dizer: ‘você vai ter que pagar uma multa de tanto’. O cara fala ‘tá bom, eu não vou pagar e daí?’ É por isso que pra eles muito pouco interessa esse tipo de solução. Se o país simplesmente fala: ‘eu não vou participar disso’, vira uma terra sem lei e aí todo mundo perde”, explica.  

COMÉRCIO EXTERIOR: Promulgada MP que autoriza Brasil a aplicar retaliações

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), além do aço e das aeronaves, o Brasil questiona subsídios ou barreiras de acesso a mercados que afetam os segmentos de carne bovina, carne de frango e açúcar. São cerca de US$ 3,7 bilhões envolvidos em disputas contra Estados Unidos, Índia, Indonésia e Tailândia. 

De acordo com a lei, se o Brasil quiser, pode aplicar retaliações contra esses países, mas deve notificá-los com 60 dias de antecedência e só então, em caso de recusa à cooperação por parte dessas nações, adotar sanções comerciais unilaterais. As retaliações não podem superar o valor do prejuízo que foi causado às exportações brasileiras. 

“As sanções podem ser a imposição de uma sobretaxa sobre os produtos, a aprovação de subsídios aos produtos brasileiros para melhorar a concorrência e medidas para restringir o comércio com o país estrangeiro”, explica Morilas. 

A especialista destaca que os cerca de US$ 3,7 bilhões que o Brasil questiona na OMC não voltam mais. “É um valor que a gente deveria ganhar com as nossas exportações e que, porque os países estão dando subsídios, favorecendo os seus próprios produtos, o Brasil deixa de ganhar”, afirma. 

Em razão disso, as empresas brasileiras desses setores venderam menos do que poderiam por ter seu acesso ao mercado internacional dificultado. Por isso, a lei que permite a retaliação é positiva, avalia Morilas, ao permitir que o Brasil recupere o dano por meio de incentivos ao setor produtivo nacional. “A ideia é que elas consigam vender e alcançar esse valor, esses 3,7 bi de dólares, por exemplo”. 

Disputas

Morilas explica que essas controvérsias entre os países no comércio internacional costumam começar porque uma nação dá subsídios a empresas de um determinado setor para facilitar a exportação. “É comum que os governos deem incentivos para exportação de frango, por exemplo. Eu quero competir internacionalmente, eu baixo as taxas internamente para que quem produz frango seja estimulado a produzir frango e, portanto, exportar. É dar dinheiro mesmo, baixar tributação para quem fizer isso”, diz. 

Já quando um país quer evitar que seu setor produtivo seja desbancado pelo mesmo setor de outra nação, pode dificultar a importação por meio de sobretaxas. Foi o que fez a Indonésia em relação ao frango produzido no Brasil. O país asiático criou barreiras para impedir a compra da proteína brasileira, motivo pelo qual foi derrotado no painel de especialistas da OMC. 

Copiar o texto
Economia
14/09/2022 04:30h

Portaria da Secretaria de Comércio Exterior simplifica comprovação exigida dos estaleiros. Medida incentiva construção e venda de embarcações produzidas no Brasil, avaliam especialistas

Baixar áudio

Uma portaria publicada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) na última semana simplificou as regras para utilização do drawback pelas empresas brasileiras que fabricam embarcações. O drawback é um mecanismo que permite a redução, suspensão ou isenção de tributos federais às empresas que compram insumos para produzir itens vendidos ao exterior. 

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, explica que existe um tipo de “drawback embarcação”. Esse regime beneficia os estaleiros brasileiros que compram peças no exterior para construir navios voltados para exportação ou mesmo para o mercado interno. “O estaleiro faz o projeto do barco e entrega para a Secex para poder importar equipamentos que não são produzidos no Brasil, normalmente motor, com alíquota zero”, afirma. 

Ocorre que antes da portaria as empresas tinham que apresentar cópias de contratos da industrialização de embarcações para conseguir a isenção de tributos sobre as peças importadas. Agora, isso não será mais necessário. 

“Essas mudanças que aconteceram foram fundamentalmente para permitir uma simplificação do regime. Ele era pouco utilizado porque era muito burocrático. Como, por exemplo, essa mudança de não exigir o contrato de construção do navio para pedir o drawback. Ele vai apresentar o projeto do barco e os itens que vão ser importados. Esse processo exigia mais documentação”, explica Barral. 

Na prática, a ideia é facilitar a indústria naval a construir mais embarcações, porque se torna mais fácil pedir o drawback, diz o ex-secretário. 

O governo espera que a simplificação permita que os produtos sejam oferecidos no mercado à pronta entrega, o que tende a contribuir para o dinamismo da indústria naval e até dos serviços ligados ao turismo nacional. Paulo Cesar Alves Rocha, especialista em comércio exterior, logística e infraestrutura, comenta as vantagens que a portaria trouxe. 

“O estaleiro não precisa ter uma encomenda firme de uma empresa de navegação. Ele pode começar a construir um navio e quando o navio estiver em construção ou pronto, negociar. Com isso, você passa a ter uma indústria que pode ter uma certa previsibilidade. Ela pode começar a construir navios em série e quando chegar um comprador firme, seja uma empresa brasileira de navegação ou no exterior, ela pode vender a embarcação com isenção de impostos”, afirma. 

O especialista lembra que a nota fiscal de entrega da embarcação será suficiente para comprovar o direito ao drawback. 

DRAWBACK: Vai à sanção MP que prorroga isenção de tributos para exportadoras

DRAWBACK: mais de 2,5 mil exportadoras devem se beneficiar com prorrogação

Drawback

O drawback, como regime aduaneiro especial de incentivo às exportações, existe há mais de 60 anos. Em junho, o Congresso Nacional prorrogou, até 2023, a isenção, redução ou suspensão de tributos para as empresas que não conseguiram exportar seus produtos por causa da pandemia da Covid-19 em 2020 e 2021. 

Na prática, os parlamentares aumentaram o prazo para as empresas que assumiram o compromisso de exportação usando a desoneração venderem os seus produtos sem correr o risco de recolher os tributos.  O drawback é fundamental para as exportações brasileiras. Segundo a Secex, em 2021, mais de US$ 61 bilhões em mercadorias foram vendidos ao exterior por meio do regime. 

De acordo com o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), 1.961 empresas exportadoras foram beneficiadas com a suspensão de tributos federais no ano passado. Outras 696, com a isenção. 

Copiar o texto
08/09/2022 04:00h

Quanto à análise setorial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), quatro dos 22 segmentos registraram avanços, com destaque para os segmentos de veículos e alimentos, com altas de 1,9% e 1,7%, respectivamente

Baixar áudio

O Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais fechou o segundo trimestre de 2022 com alta de 2,9%. De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), houve crescimento de 2,7% na produção de bens nacionais e de 5,8% nas importações de bens industriais. 

Para o economista e pesquisador da Unicamp, Felipe Queiroz, entre outros pontos, o quadro se deve a um cenário de retomada gradual da economia, após um período de conjuntura crítica provocado pela pandemia. 

“Parte do resultado decorre de um processo contínuo de recuperação da pandemia. Devemos considerar uma taxa de comparação bastante deprimida, que favorece isso. Empresas voltaram a investir. Por outro lado, a projeção e a expectativa de melhora contribuíram para o resultado. O segundo ponto é que a demanda global, em grande medida estava se recuperando e ainda tende a se recuperar, a depender dos desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia”, explica. 

Hidrogênio verde: o combustível do futuro que vai promover a descarbonização de setores como a indústria e agro

Setor de Turismo fatura R$ 94 bilhões no primeiro semestre de 2022

Ainda de acordo com o balanço, no mês de junho, entre os componentes do consumo aparente, a produção interna destinada ao mercado nacional apresentou recuo de 0,9%, enquanto as importações de bens industriais caíram 2,7%. No entanto, quando a comparação é feita com o mesmo mês de 2021, a demanda interna por bens industriais subiu 0,1%. 

“A indústria é um grande empregador para a economia, tem um efeito multiplicador tanto em produtos de cadeias para frente quanto para trás. O setor demanda bens industriais, matérias-primas, bens intermediários de consumo. À medida que o setor emprega mais pessoas, ele produz um efeito benéfico para outros setores, como o de serviços, por exemplo”, destaca Felipe Queiroz.

Classes de produção

No que diz respeito às classes de produção, a demanda interna por bens da indústria de transformação registrou queda de 1,8% sobre maio e elevação de 3,7% no segundo trimestre do ano. A indústria extrativa mineral, por sua vez, registrou salto de 1,5% na margem e recuou 8,7% no trimestre. No acumulado em doze meses, as indústrias extrativas apresentaram alta de 14,5%.

Quanto à análise setorial, quatro dos 22 segmentos registraram avanços, com destaque para os segmentos de veículos e alimentos, que tiveram os melhores resultados, com altas de 1,9% e 1,7%, respectivamente. Em relação ao trimestre, 17 segmentos tiveram alta na comparação dessazonalizada, com destaque para o consumo aparente de derivados de petróleo, da metalurgia e de veículos, com altas de 14,4%, 6,1% e 5,4%.
 

Copiar o texto
30/08/2022 04:15h

Números do setor reforçam importância de produtos de maior valor agregado para a economia brasileira, segundo especialista

Baixar áudio

Entre janeiro e julho de 2022, as exportações da indústria brasileira de calçados injetaram mais de R$ 3,8 bilhões na economia nacional. Neste ano, houve aumento no volume de produção de 31,8% e também na receita, 64,8%, em comparação com o mesmo período de 2021. Foram quase 87 milhões de pares comercializados com outros países. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Apenas em julho, as exportações somaram R$ 118 milhões. Os Estados Unidos seguem como o principal destino da produção calçadista brasileira. Até o sétimo mês deste ano, as exportações para o país norte-americano representaram cerca de R$ 1 bilhão do valor total arrecadado no setor. Argentina e França aparecem na sequência da lista de principais compradores. 

“Os dados mostram que as exportações de calçados estão em plena recuperação, inclusive tendo ultrapassado os números da pré-pandemia, em 2019. O incremento, resultado da qualificação do produto brasileiro e também de fatores macroeconômicos, como o dólar valorizado, nos favorece para exportações aos países mais próximos geograficamente, e tem sido bastante determinantes”, destaca Haroldo Ferreira, presidente executivo da Abicalçados.

Ferreira destaca ainda o papel de destaque da exportação de commodities, mas chama atenção para a importância da comercialização internacional de produtos industrializados. “É a exportação de produtos industrializados que gera mais empregos, ganhos sociais e econômicos pelo desenvolvimento de novas tecnologias produtivas. É fundamental que o país tenha isso em mente. É preciso recuperar e estimular a indústria para termos um país forte e justo”, conclui. 

Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul lidera o ranking das exportações. No recorte entre janeiro e julho, as fábricas gaúchas embarcaram 25,6 milhões de pares, que geraram mais de R$ 1,8 bilhão. O segundo estado exportador do período foi o Ceará, de onde partiram 25,64 milhões de pares por cerca de R$ 807 milhões. São Paulo e Minas Gerais completam a lista dos quatro principais exportadores de calçados no Brasil. 

Produtos industrializados geram mais riqueza

Os produtos industrializados têm alto valor agregado, diferentemente dos produtos básicos, como soja e minério de ferro, por exemplo, que não possuem manufaturas. O economista Newton Marques destaca que o que acontece com a exportação de produtos básicos. 

“Todas as vezes que um país exporta produtos básicos, não exporta valor agregado, então acaba comprando depois daqueles países para quem vendeu esses produtos. Acaba gerando valor agregado para o país que vai vender”, conclui o economista. 

Logo, países que exportam mercadorias industrializadas têm contribuição maior para o valor do Produto Interno Bruto (PIB) e, consequentemente, mostram-se mais competitivos.

“A partir do momento que se desenvolve a competitividade industrial, isso acaba desenvolvendo a indústria nacional e o setor secundário, que é o industrial. É um setor dinâmico, porque tem encadeamento para frente e para trás e ajuda no crescimento econômico”, explica o economista. 

Copiar o texto
25/08/2022 03:45h

De acordo com a Anfavea, foram produzidas 218.950 unidades no mês. Na comparação com julho de 2021, a elevação foi de 33,4%

Baixar áudio

No mês de julho, o Brasil registrou uma alta de 7,5% na produção de automóveis, em relação ao mês imediatamente anterior. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram produzidos 218.950 automóveis no mês. Na comparação com julho de 2021, a elevação foi de 33,4%. 

O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, explica que o setor ainda conta com restrições de insumos e logística, como mostram as paradas de fábrica. No entanto, ele explica que a indústria tem recebido mais semicondutores do que no ano passado e no primeiro trimestre deste ano. 

“Foi a maior produção desde novembro de 2020. Conseguimos ultrapassar uma barreira importante e mantivemos um crescimento. Em junho, tivemos um pequeno decréscimo em relação a maio, o que acendeu um alerta de que a situação poderia não estar performando como desejávamos. Apesar do cenário de instabilidade no mês anterior, o mês de julho foi importante para o crescimento da indústria”, destaca. 

Discussões tributárias somam R$ 5,44 trilhões no Brasil

Tecnologia 5G pode agregar US$ 1,2 trilhão ao PIB até 2035

Setor portuário movimenta 581 mi de toneladas de cargas no 1º semestre de 2022

O mesmo levantamento revela que, no mês passado, foram exportados 41,9 mil veículos. O total corresponde a 11,4% a menos que em junho, o mês anterior. Mas na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve aumento de 76,3%.

Para a Anfavea, o quadro é um reflexo da crise financeira na Argentina, cujo governo vem limitando a saída de dólares do país. Mesmo que o Brasil tenha aumentado sua presença em importantes mercados da América Latina, a Argentina ainda responde por 30% dos embarques de veículos nacionais. 

O especialista em finanças Marcos Melo explica que o resultado é favorável. "De modo geral, o resultado melhora o ambiente de negócio na indústria automobilística, gerando novos empregos e renda. Mas algumas coisas precisam ser resolvidas. Pelo lado das vendas, ainda existe uma dificuldade, principalmente por causa da taxa básica de juros, a Selic, que está muito elevada”, avalia. 

Redução no IPI de automóveis 

Os automóveis de passageiros foram incluídos na nova etapa de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que passou a vigorar desde o início deste mês. Com isso, o desconto no IPI para essa categoria de veículos subiu de 18,5% para 24,75% sobre as alíquotas praticadas antes da primeira redução, no dia 1º de março. 
 

Copiar o texto
21/08/2022 04:00h

Apesar da queda de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, o número é o segundo maior da história do setor

Baixar áudio

O setor portuário brasileiro, formado pelos portos públicos e privados, movimentou 581,3 milhões de toneladas de cargas no primeiro semestre de 2022. O número é 3,3% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, segundo levantamento feito pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

O destaque vai para o perfil de carga geral, que teve crescimento de 18,6% na movimentação, influenciado principalmente pelo aumento da demanda de celulose (27%) e ferro/aço (4%). Já a movimentação de granel sólido e granel líquido caiu 4,4% e 4,5%, respectivamente, no primeiro semestre, devido à menor demanda internacional de minério de ferro, soja e petróleo. A categoria Contêineres de Longo Curso também registrou queda de 4,4%, por causa do cenário internacional de retração do comércio, o que refletiu no Brasil como queda de volumes exportados e importados em portos.

Segundo o diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, o setor bateu recordes anuais de movimentação de 2019 a 2021. No ano passado, foram movimentados 1,21 bilhão de toneladas de cargas, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior. Ele explica o que provocou o decréscimo na primeira metade de 2022.

“Esse ano, primeiro semestre, está fechando com um pequeno decréscimo. Decréscimo que ocorre, provavelmente, em função dos problemas ocorridos na China, em função de lockdowns e fechamentos de indústria e portos. Então, isso impactou nas movimentações de granel sólido mineral e vegetal. A movimentação de contêiner - cuja principal origem de nossas importações é a China - apresentou uma redução no período.”

O superintendente da Antaq, José Gonçalves Neto, afirma que, apesar da queda no primeiro semestre, há uma expectativa de crescimento de 2,9% do setor até o final do ano, com volume estimado de 631 milhões de toneladas.

“Apesar dessa redução, o dado absoluto do semestre é o segundo maior da história do setor portuário. E tem possibilidade de crescimento no segundo semestre para igualar o que foi registrado no ano passado.”

Segundo José Gonçalves Neto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção recorde na segunda safra do milho, o que deve puxar a alta da movimentação portuária de granel agrícola no segundo semestre de 2022.

Portos brasileiros

O levantamento da Antaq mostra que os portos públicos de Santos (SP) e Itaqui (MA) foram os únicos que registraram aumento da movimentação de cargas no período analisado. O porto paulista movimentou 62,6 milhões de toneladas, um crescimento de 5,6% em comparação com o primeiro semestre de 2021. E o porto maranhense registrou 15,7 milhões de toneladas, um aumento de 1,6%.

Já os portos públicos de Paranaguá (PR) e Itaguaí (RJ) movimentaram 25,8 e 22,9 milhões de toneladas, respectivamente; quedas de 2% e 11,7%.

Em relação aos portos privados, o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA) lidera com a maior movimentação em 2022, com 74,1 milhões de toneladas. Apesar disso, o porto registrou queda de 10,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O Terminal de Tubarão ficou em segundo lugar, com 31,5 milhões de toneladas (+11,3%), seguido do Terminal Aquaviário de Angra dos Reis (RJ), com 30,1 milhões de toneladas de carga (-14,4%).

Balança comercial

Segundo a Antaq, tanto as exportações quanto as importações registraram crescimento, em valor monetário, no primeiro semestre dos últimos dois anos.

Importações:

  • 2021: US$ 99,2 bilhões
  • 2022: US$ 129,8 bilhões

Exportações: 

  • 2021: US$ 136,2 bilhões
  • 2022: US$ 164,3 bilhões

Com isso, o Brasil mantém o saldo positivo da balança comercial desde 2016, o que significa que o país exporta mais do que importa, em termos de valor monetário, mesmo com queda da movimentação portuária. Segundo José Gonçalves Neto, isso se explica pelo aumento do valor das commodities.

“Observa-se que uma das consequências dessas crises todas é a elevação de preços. Então, as commodities elevam os preços no mercado, o que faz com que tenha uma corrente de comércio positiva, embora [o Brasil] tenha movimentado menos em quantidade.”

Segundo a Antaq, o aumento do valor monetário das exportações se deve à alta dos preços da soja e do petróleo, mesmo que ambos tenham apresentado queda na movimentação. Já nas importações, os fertilizantes apresentaram alta nos preços, em função do aumento da procura, por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Aumento do e-commerce na pandemia provoca falta de contêineres nos portos brasileiros

Preço da cesta básica pode cair 4% com redução do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, estima Ministério da Economia

Navegações

Os dados da Antaq mostram que 69% das navegações no Brasil são de Longo Curso (feitas entre diferentes nações), sendo 55% para exportações e 14% para importações. Outros 24% são de Navegação de Cabotagem (feitas entre portos nacionais) e 11% de Navegação Interior (feitas em canais, rios, lagos e baías).

Desde 2015, a Navegação Interior apresenta elevações superiores aos outros tipos de navegação. Na comparação com 2010, houve um crescimento de 156%. Entre janeiro e junho deste ano, a movimentação foi de 40,8 milhões de toneladas, 6,8% a mais que no mesmo período de 2021.

A Navegação de Longo Curso movimentou 398,3 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2022, uma queda de 4,8% em relação a 2021. China e Estados Unidos são os principais destinos das cargas exportadas pelo Brasil. Os mesmos países, além de Rússia e Argentina, são os principais parceiros comerciais de importações.

Já a Navegação de Cabotagem movimentou 140,6 toneladas de cargas no período, uma alta de 2,9%. As principais mercadorias movimentadas foram plástico, arroz e máquinas e materiais elétricos. 

O levantamento na íntegra está disponível no site da Antaq.

Copiar o texto
Economia
13/08/2022 04:30h

Dados do primeiro semestre de 2022 mostram evolução de exportações. Foram 4.931 toneladas vendidas para o exterior no período

Baixar áudio

O Brasil exportou 100% a mais de produtos da piscicultura no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2021, com o total US$ 14,3 milhões em vendas externas e 4.931 toneladas enviadas para outros países. Os dados são do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, feito pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR).

A piscicultura envolve os organismos aquáticos. A tilápia é a espécie de peixe mais exportada pelo Brasil e representa 98% do total do faturamento com pescados exportados até o mês de junho. Originária da África, essa espécie é fonte de proteína de alto valor biológico, de grande aceitação no mercado mundial. 

Entre os destaques das categorias, tilápias inteiras congeladas ocuparam a primeira posição de exportação nesse semestre, com um valor total de US$ 7 milhões. Em seguida, puxam a lista o filé fresco, com US$ 3,4 milhões, e o filé congelado (US$ 2,6 milhões).

Quem comenta o cenário atual desses pescados é Francisco Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). “A piscicultura brasileira capitaneada pela tilápia, que representa 63,5% de toda produção nacional, nos últimos anos obteve ganhos importantes de competitividade. Começando pela produção, processamento e comercialização. Uma ação importante é a promoção dos produtos da piscicultura nacional em feiras e eventos internacionais”, diz.

Os bons números de crescimento, em dólares, no último semestre se devem ainda à venda de produtos piscícolas de maior valor agregado, como os filés congelados, com alta de mais de 500% em valor e toneladas. 

“Para o segundo semestre, segue a tendência de crescimento das exportações, em função de aberturas de mais canais de comercialização. As exportações brasileiras são 88% de tilápia, 9% de curimbatá e 3% de tambaqui. Essas são as principais espécies exportadas”, explica Francisco.

Origens e destinos

Em relação ao estado de origem desses pescados, o Paraná lidera como a unidade da federação com a maior exportação de tilápia no primeiro semestre de 2022, com US$ 7,4 milhões, representando 53% do total. Mato Grosso do Sul e Bahia aparecem em seguida.

Quanto aos principais destinos das exportações da piscicultura, Estados Unidos, Canadá e Líbia são os maiores compradores. Segundo avaliação da Secretaria de Pesca e Aquicultura, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o crescimento exponencial das exportações brasileiras ocorre por diversos fatores, como a desburocratização, a evolução no manejo, a melhoria genética e tecnificação do cultivo de peixes. 

“Assim como a profissionalização da cadeia produtiva e o crescimento de crédito de fomento para atividade. Outro ponto é a realização de ações conjuntas de promoção comercial da piscicultura brasileira, desenvolvidas pelo Mapa em parceria com a Apex Brasil”, divulgou a pasta, em nota.
 

Copiar o texto
Brasil 61