Exportações

19/01/2023 12:50h

Produção 2022/23 recua para 503 milhões de toneladas. E o consumo do grão ultrapassa esse número, chegando a 516,1 milhões de toneladas

Baixar áudio

Após sete anos de alta, a produção mundial do arroz sofre o primeiro declínio na safra de 2022/23. A estimativa é que a produção terá um recuo de 503 milhões de toneladas. O resultado se dá pelo fato de que 90% da produção global do grão é exportada pelo continente asiático, principalmente pela China e pela Índia, países que tiveram problemas na safra por questões climáticas, como temporadas de secas e períodos de inundações. O quadro resultou em uma queda na produção desses países. 

Nos países do continente americano a situação foi a mesma, porém com um fator a mais: os custos de produção, ocasionados pela alta dos fertilizantes e outros recursos, comprimiram as margens dos produtores de arroz, principalmente do Brasil --o maior produtor da américa latina. 

O economista Guidi Nunes explica quais foram os principais fatores que levaram a esse recuo, que fez a produção do arroz diminuir ainda mais. 

“Da parte dos produtores de arroz, alguns dados mostram que eles conseguiram se organizar para evitar os excessos na oferta do grão. Além disso, os estoques reguladores caíram desde 2019. No caso do Brasil, a CONAB não fez e agora ficou de voltar. E os fenômenos climáticos, como chuvas de monções, irregulares prejudicaram a produção na Índia. Enquanto que na China o problema foi com a seca. Paquistão, com inundações”, destacou

Algumas quedas de produção são significativas, como a dos Estados Unidos. O país sofrerá recuo de 16%, registrando o menor volume em 28 anos.

Copiar o texto
13/01/2023 13:25h

As exportações foram afetadas pela fragilidade dos negócios no exterior em função da guerra na Ucrânia

Baixar áudio

Segundo dados do Ministério da Economia, Secex, as exportações de sucata ferrosa somaram 21.553 toneladas em dezembro de 2022, uma queda de 60% na comparação com o mesmo mês do ano anterior (54.170 toneladas). As vendas externas totais do último ano alcançaram 369.305 toneladas, 27,5% a menos quando comparadas às 509.355 toneladas no mesmo período de 2021. As exportações foram afetadas pela fragilidade dos negócios no exterior em função da guerra na Ucrânia, paralisação de usinas, portos e redução das compras pelos países asiáticos.

As vendas externas apresentaram instabilidade e forte declínio em alguns meses no ano de 2022, e a demanda fraca no mercado interno também não ajudou as empresas que comercializam a sucata ferrosa. “A crise de energia na Europa, provocada pela guerra na Ucrânia, foi determinante para reduzir as exportações. Para agravar o quadro, também no Brasil a demanda e preços da sucata se mantiveram em baixa quase o ano todo”, disse Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa). Para a agência americana S&P Global Platts, a expectativa é que os preços melhorem a partir da terceira semana de janeiro. “Nossa estratégia de estocagem de material continua, disse um reciclador”.

Em 1º de janeiro, o governo Lula anunciou a revogação e revisão do programa Recicla+, instituído na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O programa consistia em um Certificado de Crédito de Reciclagem destinado à geração de notas fiscais de venda de recicláveis junto a entidades gestoras, que emitiam o crédito após verificação de lastro fiscal e material. O programa, antes conhecido como Pró-Catador (no governo anterior de Lula), visava o desenvolvimento social e profissional dos catadores. A revogação do decreto ocorreu após conversas de Lula com os catadores na ExpoCatadores, em dezembro de 2022, promovida pela Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), entre outras representações da classe dos catadores. A iniciativa de revisão da política foi vista como positiva pelo setor, já que o Recicla+ “foi formulado após ouvir apenas um lado, as indústrias”.

Copiar o texto
05/01/2023 16:00h

A menor oferta do cereal da Argentina e da Ucrânia são fatores que podem abrir oportunidades para o país crescer no comércio internacional

Baixar áudio

O Brasil pode aumentar sua participação na exportação de trigo e ocupar a 10ª posição mundial no mercado, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo os analistas, a menor oferta do cereal da Argentina e da Ucrânia são fatores que podem abrir oportunidades para o país crescer no comércio internacional.

Na segunda-feira (2), dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras já vêm crescendo desde o ano passado, quando atingiram um recorde de 3,1 milhões de toneladas. Em 2021, o país havia exportado 1,13 milhões de toneladas.

Segundo a Cepea, no segundo semestre de 2022, as condições climáticas prejudicaram a produção da Argentina e limitou o cultivo do trigo na Ucrânia, grandes produtores do cereal.

Além disso, o conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Oliveira, explica que a guerra entre Ucrânia e Rússia é outro dos fatores que diminuem a exportação nos países. “Ela (Ucrânia)  está impossibilitada de produzir e comercializar os seus produtos. Isso aí acaba impactando de uma forma geral a economia mundial”. O conflito também limitou novos embarques pelo Mar Negro.

No Brasil, a maior parte das exportações de trigo foram realizadas no primeiro trimestre de 2022, com 2,18 milhões de toneladas. O mesmo deve acontecer neste ano. Segundo avaliação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), o envio do cereal da safra 2022/23 deverá ser de 3,5 milhões de toneladas. 

O economista informa que esse crescimento fortalece os produtores de trigo e o Brasil no mercado internacional, que começa a ocupar um espaço que até então era dominado por outros países. Mas, também existe um ponto negativo. “O produtor ao invés de comercializar no Brasil ele vai preferir exportar. Isso aí acaba encarecendo os produtos derivados do trigo do país, visto que o Brasil vai ter não só de importar a trigo para comercializar internamente, isso acaba elevando o custo de produção dos derivados de trigo aqui no país”, afirma.

O Brasil continua a crescer no mercado mundial, mas as cotações de trigo no mercado brasileiro em 2022 atingiram os maiores patamares de exportação. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) explica que, após a safra recorde do cereal ter atingido o marco de 9,6 milhões, este ano está previsto o recolhimento de 8,4 milhões.

Copiar o texto
05/01/2023 12:20h

O Brasil embarcou para o exterior mais de 7 milhões de toneladas na soma das carnes de boi, frango e suína. Em relação à soja, o total foi de 78 milhões de toneladas

Baixar áudio

Soja e carnes estão entre os produtos brasileiros mais exportados pelo País em 2022. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior, a Secex. Ao longo do ano passado, o Brasil embarcou para o exterior mais de sete milhões de toneladas na soma das carnes de boi, frango e suína. Uma marca histórica, apontam especialistas. Só de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada o crescimento em relação a 2021 foi de quase 50%, somando o valor exportado de US$ 11,8 bilhões. Já o crescimento de exportação de aves foi de  27,8%, o que representa quase US$ 9 bilhões este ano. 

Analista e consultor especializado no setor de carnes da SAFRAS & Mercado, Fernando Iglesias explica que, tanto em relação à carne bovina, quanto à carne de frango, as exportações brasileiras foram beneficiadas por fatores internos e externos relevantes. Em relação a carne de boi, por exemplo, em virtude do bom momento do ciclo pecuário nacional, houve uma expansão produtiva em alta. 

“Nossos grandes concorrentes, os Estados Unidos, a Argentina e o Uruguai, passam por um momento inverso, já que o rebanho deles esteve em processo de recolhimento. Isso faz com que a carne bovina brasileira seja mais competitiva”, analisa. “A União Europeia também atravessa pelo mesmo processo de encolhimento do rebanho”, acrescenta o especialista. 

Já os bons resultados da exportação da carne de frango se deve à contaminação do rebanho dos principais concorrentes brasileiros pela Influenza aviária. Outro fator foi a guerra da Ucrânia, que tirou o país, um dos maiores exportadores do produto no mundo, da concorrência. O fato de o Brasil ter uma clientela consolidada no Oriente Médio também foi um ponto positivo para o aumento das exportações no setor.

“O grande destaque é que o Brasil se tornou o principal fornecedor de carne de frango em escala global, com uma larga vantagem em relação aos Estados Unidos, muito em função da Influenza aviária. O Brasil não teve foco da doença, enquanto que muitos países, principalmente no Hemisfério Norte, conviveram”, aponta. “O conflito tirou a Ucrânia do mercado e acabou oferecendo oportunidades ao Brasil nesse sentido. Outro aspecto é que o Brasil vendeu grandes volumes de carne de frango com destino aos países do Oriente Médio”, destaca. 

Soja

Embora o fenômeno climático La niña tenha prejudicado boa parte da produção agrícola no país e no mundo, nos últimos anos, sobretudo nos estados da região sul, a soja foi um dos produtos brasileiros mais exportados em 2022. O valor total exportado foi de US$ 46,7 bilhões, o que representa um crescimento de 20,8%.

Para o especialista em soja da SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez Roque, trata-se de um feito, tendo em vista que, no ano passado, o Brasil exportou oito milhões de toneladas a menos em relação a 2021, que teve a marca recorde de 86 milhões de toneladas exportadas. Em 2022, foram 78 milhões de toneladas. 

“Não tivemos um excedente tão grande nesse ano para poder exportar tanto. Em 2021, atingimos um recorde de exportação de 86 milhões”, conta. “Apesar de menores no acumulados, são números bem interessantes dentro das possibilidades que o Brasil ofereceu em termos de produção em 2022 e espera-se que tenhamos, em 2023, uma retomada do crescimento das exportações, voltando a atingir recordes”, defende Gutierrez Roque.  

As exportações de farelo e óleo de soja seguiram em alta, favorecidas por problemas de produção e fiscais na Argentina, país que também foi afetado pelo fenômeno climático La niña. Segundo o Ministério da Economia, foram mais de 20 milhões de toneladas exportadas dos dois produtos. 
 

Copiar o texto
23/12/2022 04:15h

De janeiro a novembro deste ano, o país exportou US$ 33,8 bilhões e importou US$ 47,5 bi do seu segundo maior parceiro comercial

Baixar áudio

O comércio entre Brasil e Estados Unidos superou a marca de US$ 80 bilhões no acumulado de janeiro a novembro deste ano, uma marca recorde para a relação entre os dois países, de acordo com a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil). O dado soma o total de exportações e importações entre as nações, que totaliza US$ 81,30 bilhões, uma alta de 28,6% em relação ao mesmo período de 2021, segundo levantamento do Ministério da Economia.

Os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial que mais movimenta a economia brasileira. Somente a China, com quem o Brasil já trocou, em 2022, quase US$ 140 bilhões, está à frente dos norte-americanos.

Para Abrão Neto, vice-presidente executivo da Amcham Brasil, a expectativa é superar a marca dos US$ 90 bilhões.

“Os Estados Unidos são um parceiro econômico crucial do Brasil. Neste ano de 2022, o desempenho da relação comercial tem sido extraordinária, e esse desempenho vem com o crescimento das exportações brasileiras para os Estados Unidos e também com o crescimento das exportações americanas para o Brasil em quase todos os principais setores das trocas comerciais, desde produtos manufaturados e insumos agrícolas, e produtos energéticos. Então isso mostra que existe um dinamismo muito forte nas relações empresariais e na realização de negócios entre Brasil e Estados Unidos”, diz o executivo.

Nos dados consolidados para os onze meses do corrente ano, as exportações para os Estados Unidos cresceram 20,7% e atingiram US$ 33,83 bilhões. As importações desse país também apresentaram alta de 34,9% e totalizaram US$ 47,46 bilhões. Sendo assim, a balança comercial com os EUA apresentou déficit de US$ -13,63 bilhões para o Brasil.

No fim de novembro, a subsecretária de Comércio dos Estados Unidos, Marisa Lago, esteve no Brasil e participou de encontro com empresários de diversos setores da produção nacional. Na ocasião, foram discutidos temas como as oportunidades de cooperação bilateral em cadeias de fornecimento, meio ambiente e facilitação de comércio, além de medidas de curto e médio prazos para fomentar a relação bilateral.

Membro da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, o deputado gal. Roberto Peternelli (União-SP), elogiou o encontro. “Eu vejo de uma maneira muito positiva todo estímulo que ocorre entre o Brasil e os Estados Unidos no intuito de aumentar a relação comercial e também o intercâmbio tecnológico, o intercâmbio cultural, o intercâmbio de doutorado e pós-doutorado. Isso é fundamental, e a vinda, nesse aspecto de comércio, representa a importância que o próprio Estados Unidos dá ao Brasil”, frisou o parlamentar.

OCDE

Essa relação entre Brasil e Estados Unidos pode ser ainda mais rentável para ambos os países. A entrada brasileira na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é vista como um passo nessa direção, bem como com outros parceiros comerciais importantes, como as nações que compõem a União Européia.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, defende a participação do país no bloco o quanto antes. “Nós somos favoráveis à entrada do Brasil na OCDE o mais rápido possível. E a entrada na OCDE, a nós brasileiros, garante uma pressão para que a gente faça o dever de casa de nos adequarmos aos indicadores da OCDE, que são indicadores voltados para crescimento, desenvolvimento, emprego, saúde. Então a entrada na OCDE, na realidade, obriga o Brasil a, se nós tivermos uma meta no Brasil, que eu defendo, de colocar um crescimento mínimo de 4%, todos vão trabalhar em função dessa proposta”, afirma.

Segundo o deputado Peternelli, mesmo ainda não tendo sido admitido na organização, o Brasil já se porta como um de seus membros. “O Brasil, em termos de OCDE, ele já executa uma série de atividades que são preconizadas pela OCDE. E essa execução dessas atividades no nível da OCDE é que qualifica o Brasil para integrá-la. Em termos de indústria o Brasil está muito bem, em termos de economia de mercado o Brasil tem se colocado muito bem, em termos de tratamento e de relações humanas o Brasil tem se colocado de uma maneira como a OCDE julga adequada. É lógico que nós temos sempre coisas a melhorar, mas o Brasil já está bem nisso e um dos aspectos que a OCDE coloca, que é o ambiental, o Brasil já está, em muitos aspectos, à frente da própria OCDE”, garante o congressista.

Segundo o governo federal brasileiro, o processo de entrada na organização foi formalizado no fim de setembro. A União enviou o memorando inicial brasileiro como parte do processo de entrada na OCDE, que agora avalia o pedido. Para ingressar na OCDE, é necessário que o postulante faça a adesão a 230 instrumentos normativos. Segundo o governo, o memorando mostra que o Brasil já cumpriu 108, solicitou adesão a 45 e ainda não iniciou a incorporação de outros 77. Entretanto, o processo de entrada ainda pode demorar anos para ser concluído.

Copiar o texto
23/11/2022 04:30h

Estudo feito pela ApexBrasil, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), aponta mercado chinês para melões como “especialmente amplo”.

Baixar áudio

O mercado chinês foi identificado como “especialmente amplo” para as exportações das frutas brasileiras, principalmente a cidade de Zhejiang, no leste da China. O “Estudo de Acesso a Mercados sobre Melões na China”, pesquisa inédita realizada pela ApexBrasil, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), reúne critérios para acesso ao mercado de melões no país asiático.

A China abriu as portas para as exportações de melão para o Brasil em 2019. O estudo traz informações importantes para os produtores, segundo o coordenador de Acesso a Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, com informações sobre impostos de importação, principais regulamentações e normas para exportação para o mercado chinês, além de possíveis contatos com distribuidores e importadores, entre outros assuntos.

“Se você juntar todas essas informações, de qual é o tamanho do mercado, qual o perfil das tarifas, quais os aspectos regulatórios que precisa atender, mais o dado comercial, isso facilita enormemente esse passo que o exportador precisa em termos de reunir informações básicas para poder exportar”, afirma Gustavo Ribeiro.

Apesar de a China também produzir melões, a pesquisa aponta que há espaço para as exportações brasileiras. O Brasil foi o principal fornecedor internacional da fruta para o mercado chinês em 2021, com US$ 128 mil em vendas no ano passado. 

Outros estudos já foram realizados, como acesso a mercados de maçãs na Colômbia, castanhas e pescados na Arábia Saudita. Os relatórios completos podem ser acessados pelo site da ApexBrasil.

Exportação de melões

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), as principais frutas exportadas pelo Brasil são melões, manga, limão, uva, mamão, melancia, maçã e abacate. Entre os principais compradores das frutas brasileiras estão a União Europeia (58%), o Reino Unido (15%) e os Estados Unidos (12%). 

O diretor-executivo da ABRAFRUTAS, Eduardo Brandão, destaca que as exportações do melão brasileiro impactam de maneira socioeconômica, pois a principal região produtora da fruta é o semiárido brasileiro, por isso a relevância no cenário da fruticultura.

“É uma das três principais frutas na pauta de exportação brasileira, sendo que seu impacto socioeconômico para a fruticultura brasileira e para o Brasil é de extrema importância. Porque é cultivada no semiárido brasileiro, onde a necessidade é muito maior de emprego, então traz conforto e renda para as famílias vinculadas diretamente a essa cadeia produtiva.”, afirma Eduardo Brandão.

A maior produtora de melão do país, a Agrícola Famosa, é uma das lavouras que se situam no semiárido brasileiro, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. O sócio-diretor da empresa, Luiz Roberto Barcelos, prevê um aumento de 5% nas exportações do produto para Europa nesta safra. Sobre a abertura de mercado da China para a fruta, o sócio-diretor afirma que há negociações da agrícola para exportação do produto para o país asiático.

“A gente ainda está prospectando mercado. A gente está esperando ainda que a pandemia dê uma diminuída e os efeitos dela para que a gente possa acessar mais esse mercado que tem um potencial muito grande.”, diz o sócio-diretor da Agrícola Famosa.

Exportações do agronegócio

As exportações do agronegócio bateram recorde em outubro deste ano, atingiram a marca de US$ 14,25 bilhões, valor 61,3% maior do que o mesmo período de 2021. De acordo com o Ministério da Agricultura, um dos principais fatores para o forte crescimento foi o aumento nas exportações de milho, que cresceram 301,7% no período. 

Ainda segundo o Ministério da Agricultura, no acumulado do ano, de janeiro a outubro, as exportações brasileiras do setor também bateram recorde com US$ 136,10 bilhões em vendas, o que representa um aumento de 33% em comparação com o mesmo período do ano passado. 

Os setores de complexo soja, carnes, cereais, farinhas e preparações, e o complexo sucroalcooleiro foram responsáveis por 79,9% do valor total de exportações brasileiras do agronegócio.  A região que mais exporta produtos brasileiros do setor é a Ásia, com destaque para China, maior parceira comercial do Brasil no agronegócio.

Copiar o texto
Economia
07/11/2022 04:00h

Os dois países intensificaram trocas em 2022 e garantiram segurança para as empresas locais em meio às instabilidades das cadeias de produção internacionais, explica Fabrizio Panzini

Baixar áudio

A guerra entre Rússia e Ucrânia contribuiu para o recorde histórico de comércio entre Brasil e Estados Unidos nos nove primeiros meses de 2022. Segundo o superintendente de Relações Governamentais da Amcham Brasil,  Fabrizio Panzini,o conflito no Leste Europeu fortaleceu a relação do Brasil com o seu segundo maior parceiro comercial, o que culminou em  aumento de 36% nas trocas entre os dois países. 

Até setembro, o comércio entre Brasil e Estados Unidos movimentou US$ 67,3 bilhões. As importações somaram US$ 39,4 bilhões, cerca de 44,1% a mais do que no ano passado. Já as exportações cresceram 26% e totalizaram US$ 27,9 bilhões no período. 

Ao Brasil 61, Panzini explica o que está por trás do crescimento significativo do comércio bilateral e como as empresas brasileiras e norte-americanas se tornaram mais seguras diante das instabilidades das cadeias de produção internacionais. Confira a entrevista abaixo. 

Brasil 61: O que explica esse recorde de comércio de bens entre Brasil e EUA nos nove primeiros meses deste ano?

Fabrizio Panzini: Esse recorde de comércio de bens entre Brasil e Estados Unidos se explica por duas razões principais. A primeira delas é o aumento do preço de alguns bens transacionados, sobretudo em energia, por exemplo, petróleo, gás natural, entre outros, e se explica também pelo aumento das compras do Brasil, sobretudo de produtos que vêm dos Estados Unidos. O aumento da demanda no Brasil por produtos que o Brasil comprava de outras origens. Não só petróleo, mas fertilizantes, entre outros bens que os Estados Unidos passou a ser mais fornecedor do Brasil. Claro que as importações também cresceram do Brasil, mas em uma velocidade um pouco menor do que as importações brasileiras dos Estados Unidos. 

Brasil 61: A guerra no Leste Europeu fez com que o fluxo de algum item importante no comércio entre os dois países aumentasse?

Fabrizio Panzini: Sim. O conflito armado que está ocorrendo no Leste Europeu definitivamente teve bastante influência no resultado desses nove meses de comércio entre Brasil e Estados Unidos. E por dois motivos: um porque o Brasil passou a comprar mais dos Estados Unidos produtos que comprava, por exemplo, da Rússia. Fertilizantes, por exemplo. E os Estados Unidos passaram a comprar mais produtos do Brasil que antes eram comprados de outras origens e o principal deles, não único, é o petróleo, mas tem outros bens que por influência da guerra aumentaram de preço. O próprio café, que a gente vende muito para os Estados Unidos aumentou de preço, o próprio petróleo bruto aumentou de preço. A guerra teve uma influência muito importante e isso tem ajudado os países a serem fontes mais seguras no momento turbulento internacional. 

Brasil 61: As importações cresceram 44%, segundo a Amcham. Que bens o Brasil tem comprado mais dos EUA?

Fabrizio Panzini: As importações, de fato, foram um grande destaque de crescimento. No último ano já havia sido, mas nesse ano houve um aumento muito expressivo de importações. O primeiro que teve maior aumento foi o óleo bruto de petróleo, com quase 200% de aumento. Depois, a gente teve adubos e fertilizantes, com 160% de aumento. Tivemos também carvão, com 157% de aumento e elementos químicos inorgânicos, com 109% de aumento. Esses elementos químicos inorgânicos, provavelmente, insumos para fabricação de outros bens, alguns relacionados à agricultura, outros não necessariamente.

Brasil 61: Como o comércio entre os dois países contribuiu para a segurança de ambos no cenário internacional? 

Fabrizio Panzini: O comércio entre os dois países tem contribuído com a segurança. Esse é um termo que a gente tem usado porque as cadeias globais de valor estão passando por disrupções, por quebras. Isso quer dizer que fornecedores que antes conseguiam fornecer ou estão fornecendo a um preço maior ou com prazos mais dilatados e as empresas perdem a segurança, perdem a previsibilidade em receber esses produtos. Portanto, no momento em que o Brasil acaba comprando menos de outros lugares que se tornaram parceiros menos previsíveis e que os Estados Unidos também têm parceiros menos previsíveis, os dois países aumentaram o comércio entre si em produtos que garantem segurança. No caso, segurança energética, porque aumentou muito as importações e exportações de bens relacionados à energia e segurança alimentar também. O Brasil comprando mais adubos e fertilizantes, mais inseticidas, fungicidas, herbicidas, está contribuindo para a segurança alimentar do Brasil e do mundo todo.

Comércio entre Brasil e EUA bate recorde nos nove primeiros meses do ano

Acordo de Comércio e Cooperação do Brasil com EUA deve aumentar fluxo de mercadorias e evitar mudanças regulatórias inesperadas entre os dois países

Copiar o texto
Economia
04/11/2022 04:15h

Congresso Nacional aprovou o compromisso no ano passado. Parceria busca facilitar o comércio, simplificar regulação e combater a corrupção na relação bilateral

Baixar áudio

Um decreto do governo federal regulamentou o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica entre Brasil e Estados Unidos. O compromisso entre os dois países foi firmado em outubro de 2020 e aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado. 

O acordo entre brasileiros e norte-americanos tem três pilares: facilitar o comércio, simplificar a regulação e combater a corrupção na relação bilateral. A ideia é que as medidas aumentem o fluxo de mercadorias do Brasil com o seu segundo maior parceiro comercial.   

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Juliano Cortinhas, o acordo bilateral é positivo para o Brasil, principalmente por eliminar burocracias que atrapalham o negócio entre as empresas dos dois países. 

“Eu vejo que tem um potencial, claro, para fortalecer e  aumentar os nossos laços de comércio com eles. Acho uma medida importante de desburocratização. O nosso Estado como um todo é bastante burocratizado, mais do que o Estado americano”, avalia. 

Apesar disso, o especialista ressalta que o acordo, por si só, não deve trazer um aumento significativo de comércio entre os dois países. “Não vejo que tenha capacidade de trazer um boom para esse comércio. É uma medida benéfica, que vai nos trazer maior facilidade no trâmite bilateral, mas não é ela em si que vai melhorar os nossos índices de comércio”, pondera.  

O caminho para isso, aponta Juliano, passa pelo fortalecimento da indústria, que vem perdendo espaço no PIB nas últimas décadas. “Eu acho que o objetivo do Brasil em termos de comércio exterior deva ser aumentar a nossa capacidade exportadora de produtos com valor agregado, ou seja, a gente precisa acelerar o nosso processo de industrialização, que ficou extremamente comprometido nos últimos anos para que a gente consiga, por meio do comércio exterior,  desenvolver as nossas tecnologias próprias, a nossa economia e, com isso, reduzir a desigualdade social”, indica.

Pilares

Facilitar o comércio entre os dois países por meio da redução de burocracias administrativas é um dos objetivos da parceria, o que tende a simplificar e agilizar as exportações e importações. Entre as medidas estão a criação de centros de informações para responder às consultas de pessoas interessadas nos procedimentos de importação, exportação e trânsito de mercadorias; adoção de procedimentos para o pagamento eletrônico de tributos, impostos, taxas ou encargos cobrados sobre transações de importação ou exportação; instituição de tratamento diferenciado para os bens agrícolas e outros vulneráveis à deterioração. 

De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), regras de facilitação do comércio têm a capacidade de reduzir em até 13% o custo para os exportadores. O acordo deve impulsionar a relação comercial entre as duas nações, que cresceu significativamente em 2022. 

As trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos cresceram 36% nos nove primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. A parceria movimentou US$ 67,3 bilhões. Segundo a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), o comércio bilateral vai bater recorde em 2022. 

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 27,9 bilhões até setembro, alta de 26% em relação a 2020. Já as importações vindas dos norte-americanos alcançaram US$ 39,4 bilhões nos nove primeiros meses de 2022, o que representa um crescimento de 33,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

O professor de Relações Internacionais do Ibmec Brasília, José Oswaldo Cãndido, destaca a importância do acordo. “Esse acordo tenta colocar procedimentos, inclusive tecnológicos, para reduzir o custo das exportações e das importações dos dois países e, com isso, poderá melhorar, simplificar e dar mais agilidade, facilitando as trocas comerciais.”

O trato entre brasileiros e norte-americanos também visa à implementação de boas práticas regulatórias, além de impedir regulação abusiva de produtos pelos órgãos competentes, a fim de dar mais transparência, previsibilidade e concorrência. Dessa forma, as agências reguladoras de cada país não podem mudar regras sobre produtos sem que os exportadores do outro país possam se posicionar de modo prévio. Segundo a Amcham Brasil, a adoção dessas práticas pode reduzir em até 20% o custo das exportações do Brasil para os Estados Unidos. 

Potencializar o combate à corrupção nas relações comerciais entre os dois países constitui uma das bases do acordo. Além de prever a criminalização para pessoas físicas, o instrumento incluiu empresas e ampliou para civil e administrativa as esferas de responsabilização para os agentes que praticam irregularidades. 

Comércio entre Brasil e EUA bate recorde nos nove primeiros meses do ano

Acordo de Comércio e Cooperação do Brasil com EUA deve aumentar fluxo de mercadorias e evitar mudanças regulatórias inesperadas entre os dois países

Copiar o texto
04/11/2022 04:00h

Até setembro de 2022, foram acumulados US$ 27,8 milhões em exportações de brinquedos, carrinhos de bebês, jogos e artigos esportivos

Baixar áudio

As exportações do setor de brinquedos e artigos para bebês e crianças obtiveram o melhor resultado em mais de dez anos. De acordo com os dados do Ministério da Economia, até setembro de 2022 foram acumulados US$ 27,8 milhões em exportações de brinquedos, carrinhos de bebês, jogos e artigos esportivos. Em relação ao mesmo período de 2021, houve um crescimento de US$ 9,11 milhões, representando um aumento de 48,8% da receita de exportações do setor.

Essa foi a maior receita desde 2011, que ao longo do ano acumulou US$ 24,8 milhões. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o setor está em ritmo de crescimento há uma década, atraindo empresários com grandes ideias inovadoras e investidores que buscam ampliar seu espectro de empresas com potencial no mercado internacional. 

O volume da produção também apresentou recorde de crescimento. Em 2022, foram exportadas 4,32 mil toneladas, que é o maior volume do período em análise, quebrando o recorde de 2,79 mil toneladas de 2021. 

“Essa categoria de produtos teve um crescimento muito grande no último ano, atingindo aí 54% de aumento em relação a esse período do ano anterior em termos de volume, e 48% de aumento em termos de receita das exportações do setor”, comenta Clarissa Furtado, gerente de Competitividade da agência. Para a gestora, o horizonte do ramo é ainda mais animador, uma vez que “a gente vê que tem um potencial muito grande”.

Segundo a gerente da Apex, a gama de produtos oferecidos pelas empresas e suas inovações são o que garante esses resultados. “A gente atende, hoje, cerca de 70 empresas desse setor e elas têm produtos de qualidade, produtos diferenciados, produtos inovadores e sofisticados. Por exemplo, a gente tem casos como o de bicicletas de madeira, diversos casos que mostram que a gente tem empresas com capacidade de aumentar suas exportações, aumentar sua presença no mercado internacional”, explicou a dirigente.

Para que as empresas cheguem fortes no mercado externo, a ApexBrasil oferece o Programa de Qualificação para Exportação, o PEIEX. Ele consiste em preparar as empresas brasileiras para iniciar o processo de exportação de forma planejada e segura. 

Presente em todas as unidades federativas do país, o programa qualificou 5.270 empresas de 2017 a 2021, sendo 73,17% delas micro e pequenas empresas.

Copiar o texto
Economia
21/10/2022 04:00h

Trocas entre os dois países somaram US$ 67,3 bi até setembro. Segundo Amcham Brasil, 2022 deverá registrar recorde de comércio bilateral

Baixar áudio

O comércio entre Brasil e Estados Unidos cresceu 36% nos nove primeiros meses de 2022 em relação ao mesmo período do ano passado e alcançou a marca de US$ 67,3 bilhões A troca de bens entre os dois países este ano bateu recorde histórico, de acordo com a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil). 

Segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, a corrente de comércio entre os dois países deve ultrapassar os US$ 80 bilhões em 2022, o que seria uma marca inédita. Abrão Neto, vice-presidente Executivo da Amcham Brasil, avalia o comércio crescente entre brasileiros e norte-americanos. 

"Na avaliação da Amcham, o ano de 2022 registrará recorde no comércio bilateral, com valores inéditos de importações e exportações. Essa projeção se ancora no aumento da demanda e na elevação dos preços internacionais de itens importantes da pauta bilateral. Em um cenário externo mais turbulento, Brasil e Estados Unidos têm garantido segurança no fornecimento de energia e de insumos estratégicos", afirmou. 

Para Juliano da Silva Cortinhas, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), o aumento do fluxo comercial entre os dois países pode ser explicado por vários fatores. “Em grande medida, o que está por trás desse aumento é que a gente está com uma moeda desvalorizada, a gente passou por um processo de desindustrialização, o que não é bom, mas que posicionou a nossa economia para uma economia de commodities e, aí sim, com a guerra da Ucrânia e da Rússia, esse boom de commodities aumentou o valor da nossa pauta exportadora”, ressalta. 

Segundo o especialista, a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, também contribuiu para que o Brasil exportasse mais para os norte-americanos. “EUA e China estão passando por um processo de afastamento. Isso abre espaço para outros países aumentarem seus níveis de comércio com os Estados Unidos. Nesse sentido, a gente aproveitou esses reequilíbrios do mercado internacional de produtos”, analisa. 

Balança comercial

De acordo com a Amcham, as importações do Brasil vindas dos EUA cresceram de modo mais acelerado do que as exportações Em valores absolutos, o Brasil importou cerca de US$ 39,4 bilhões dos norte-americanos, marca recorde e 44,1% maior do que no ano passado. 

Cerca de 73% do aumento no valor das importações se deve a quatro produtos de energia: óleos combustíveis, gás natural, petróleo bruto e carvão mineral. Também houve crescimento expressivo de produtos ligados ao agronegócio como fertilizantes, inseticidas, fungicidas e herbicidas. 

Já a venda de produtos brasileiros aos EUA aumentou 26%, chegando aos US$ 27,9 bilhões, valor recorde no acumulado em nove meses. O levantamento aponta que, embora o ritmo de crescimento das exportações seja menor que o das importações, ele ocorre de forma mais disseminada, com destaque para o petróleo bruto, ferro gusa, café, madeira e equipamentos de engenharia. 

Ainda segundo a Câmara Americana de Comércio, as trocas comerciais entre Brasil e EUA têm ajudado esses países a fortalecerem a sua segurança em meio a um cenário internacional de incertezas e de choques de cadeias de produção. A publicação destaca que o comércio bilateral de produtos do setor de energia, insumos e bens essenciais para a produção de alimentos vêm crescendo. 

“Manter o equilíbrio fiscal é a prioridade número um do país”, afirma economista José Márcio Camargo

Setor de serviços cresce pelo quarto mês seguido e opera acima do nível pré-pandemia

Copiar o texto
Brasil 61