INDÚSTRIA 4.0

23/05/2022 02:00h

Do total, 7,6 milhões são profissionais que já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar

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O Brasil precisa investir no aperfeiçoamento e na qualificação de pelo menos 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2025. É o que conclui o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, realizado pelo Observatório Nacional da Indústria. Desse total, 2 milhões deverão se capacitar em formação inicial, para repor os profissionais inativos e preencher as novas vagas, e 7,6 milhões em formação continuada, para os trabalhadores que precisam se aperfeiçoar. 

O gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, destaca a importância da formação continuada em um mercado de trabalho concorrido.

“Independente de já se ter uma formação, é preciso estar se atualizando continuamente. Isso é bom pelo lado da indústria, porque a indústria precisa fortalecer a sua produtividade para que tenhamos produtos cada vez mais competitivos no mercado, e para o trabalhador, porque ele precisa estar sempre atualizado nas novas tecnologias, competindo nesse mercado de trabalho bastante concorrido.”

Além disso, o estudo estima que o país deve criar 497 mil novas vagas formais em ocupações industriais nesse período, alcançando 12,8 milhões de empregos no setor. O crescimento na demanda por trabalhadores será de:

  • 2,4% em nível de qualificação com menos de 200 horas: 208 mil vagas
  • 3,2% em nível de qualificação com mais de 200 horas: 64 mil vagas
  • 6,3% em nível técnico: 136 mil vagas
  • 8,7% em nível superior: 90 mil vagas

O estudo revela que, em número de vagas, ainda prevalecem as ocupações de nível de qualificação (272 mil vagas). Contudo, o crescimento da demanda por profissionais de nível técnico e superior é maior. De acordo com o levantamento, isso ocorre por conta das mudanças organizacionais e tecnológicas, que fazem com que as empresas busquem profissionais mais qualificados.

Áreas de formação

As áreas com maior demanda por formação são: Transversais; Metalmecânica; Construção; Logística e Transporte; e Alimentos e Bebidas. 

Formação inicial  

  • Transversais (411.149) 
  • Construção (346.145) 
  • Metalmecânica (231.619) 
  • Logística e Transporte (194.898) 
  • Alimentos e Bebidas (181.117) 
  • Têxtil e Vestuário (137.996) 
  • Automotiva (92.004) 
  • Tecnologia da Informação (76.656) 
  • Eletroeletrônica (55.747) 
  • Couro e calçados (48.868) 

Formação continuada 

  • Transversais (1.393.283) 
  • Metalmecânica (1.300.675) 
  • Logística e Transporte (1.095.765) 
  • Construção (780.504)  
  • Alimentos e Bebidas (583.685) 
  • Têxtil e vestuário (509.354) 
  • Tecnologia da Informação (397.836) 
  • Eletroeletrônica (248.790) 
  • Gestão (226.176) 
  • Automotiva (208.317)

O estudo aponta que, devido à lenta recuperação na abertura de novas vagas formais, a formação inicial servirá, principalmente, para repor a mão de obra inativa. 

Márcio Guerra destaca a relevância das ocupações nas áreas transversais. “Ou seja, aquelas ocupações coringas, aquelas profissões que são absorvidas por diversos setores da economia, que vão desde o setor automotivo até o setor de alimentos. No que diz respeito às áreas, vale destacar também aquelas profissões que estão relacionadas com a indústria 4.0, relacionada à automação de processos industriais.”

Mapa do Trabalho Industrial

O gerente-executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, explica que o Mapa do Trabalho Industrial é uma projeção que considera o contexto econômico, político e tecnológico. 

“A partir da inteligência de dados, o objetivo do mapa é projetar a demanda por formação profissional de forma que essa informação sirva, não só para o SENAI, mas também para uma discussão mais ampla sobre qual vai ser a demanda futura de profissionais no mercado de trabalho.”

Segundo Guerra, a partir dos dados existentes sobre o mercado de trabalho, o mapa apresenta projeção da demanda de profissionais nos níveis nacional, regional, setorial e ocupacional. 

“Esse dado serve de orientação para construção de políticas, mas sobretudo para o planejamento da oferta de educação profissional. É muito importante para a sociedade conhecer quais são as tendências, quais são as áreas que tendem ao maior crescimento, sobretudo na sua localidade, mas também entender quais profissões têm mais relevância, mais demanda, para que ele possa planejar a sua trajetória de formação profissional”, explica.

Para acessar o Mapa do Trabalho Industrial na íntegra, clique no link.

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16/05/2022 13:19h

Em entrevista ao portal Brasil61.com, o presidente-executivo da Abiquim, Ciro Marino, também comenta que a medida pode afetar 85 mil empregos e R$ 1,8 bilhões em arrecadação

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A revogação do Regime Especial da Indústria Química (Reiq), proposta pela medida provisória 1.095/2021, pode provocar insegurança jurídica no setor. É o que afirma o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Ciro Marino. 

Em entrevista ao Brasil61.com, Marino explica que o setor estava em negociação com o governo e com o Congresso Nacional, desde o primeiro semestre de 2021, para reduzir o Reiq gradualmente, por meio da MP 1.094. No entanto, a MP 1.095, que revoga todo o regime de uma vez, pegou a indústria química de surpresa. Segundo o presidente da Abiquim, essa medida provisória pode afastar investidores e mitigar o avanço da indústria química brasileira, que tem um projeto de dobrar de tamanho até 2030.

Marino também comenta sobre o impacto econômico-financeiro da medida, que pode levar a uma perda de 85 mil empregos diretamente ligados à linha de produção, além da perda de R$ 1,8 bilhões na arrecadação tributária.

Confira a entrevista:

Brasil61: Qual é o posicionamento da Abiquim em relação a revogação do Reiq?

Presidente da Abiquim Ciro Marino: “O Reiq surgiu em 2013 como uma espécie de compensação para reduzir um pouco as assimetrias tributárias que o Brasil tem, em relação aos outros países lá fora, com os quais nós competimos. Nós trabalhamos com impostos na ordem de 40%, 45%, a depender do estado onde a indústria química atua, e os países com os quais nós concorremos praticam algo entre 20% e 25% de carga tributária. No começo, o Reiq [reduzia] Pis e Cofins, que era de 9,65%; dava uma compensação boa. No projeto original, ele viria em uma redução gradual de 2013 até 2018, 2019, e a partir daí não havia mais nenhuma definição, ele continuaria reduzindo ao nível de 3,65%. No ano passado, nós tivemos, no primeiro semestre do ano, uma medida provisória do presidente Bolsonaro (1034) para extinguir o Reiq. E nós entramos em um processo de conversas com o Ministério da Economia, com a Câmara, com o Senado e nós conseguimos costurar um arranjo para que a decisão do governo de terminar com o Reiq fosse aplicada de forma gradual em quatro anos. Quando chegou no finalzinho de 2021, foi reeditada uma nova redação (1095) propondo o encerramento definitivo do Reiq de uma vez só. Muito mais que o impacto econômico-financeiro, o pior de tudo é a insegurança jurídica. Nós estamos revisitando as discussões com o governo para apresentarmos o que seria a indústria química em 30 anos. O nosso grande projeto em 30 anos é saltar de algo como a sexta posição entre as indústrias químicas do mundo para a quarta posição. Isso significa dobrar de tamanho. Não é um projeto trivial, não é uma coisa simples de fazer. Existe dinheiro no mercado, na indústria privada, não necessita de dinheiro de governo, de forma nenhuma, nem financiamento. É possível fazer com investimento privado. Porém, o investidor só vem para o Brasil se ele sentir que está vindo para um porto seguro. Se nós tropeçarmos logo de entrada numa revisão do Reiq em menos de seis, podemos nem seguir adiante com um megaprojeto que está na mão.”

Brasil61: E qual seria o impacto econômico-financeiro?

Presidente da Abiquim Ciro Marino: “O efeito do aumento da carga tributária é criar inflação. Vamos considerar que a indústria química já esteja operando nos seus limites e não consiga repassar esse preço. Existe uma possibilidade de acomodar dentro do seu custo, só que logicamente vai sobrar menos dinheiro para reinvestimento, para inovação, ou simplesmente perder o mercado para o concorrente, diminuindo ainda mais a participação da química. Se diminuir a participação da química, isso impacta em 85 mil empregos diretamente ligados com a linha de produção de primeira e segunda geração. Outro ponto que a gente insiste sempre é: se a linha for essa de perder mais um pedaço da indústria, ou seja, seguiremos com o desmonte da indústria nacional, também significa perder arrecadação. Ou seja, nós estimamos que, com o Reiq, o Brasil tem um custo de cerca de R$ 1 bilhão e a perda de arrecadação, se deixarmos de vender, é de R$ 1,8  bilhões. Mesmo para o governo, essa decisão é deficitária.”

Brasil61: O relator da medida provisória que revoga o Reiq, deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP), deve propor um meio termo de reduções progressivas, com compensações na indústria petroquímica. O que o senhor acha dessa proposta?

Presidente da Abiquim Ciro Marino: “Quando eu conversei com o relator, que ele estava tentando propor alguma coisa equilibrada, e falou a respeito de incluir temas relativos à saúde do trabalhador ou ao meio ambiente, eu já adiantei: isso não seria problema para a indústria. Nas indústrias que estão no polo, produzindo primeira e segunda geração, o padrão é internacional. Então, quer seja segurança, quer seja meio ambiente, saúde do trabalhador, nós já estamos preparados para isso. Agora, volto a insistir, reabrir essa discussão é insegurança jurídica, mesmo que a indústria ofereça contrapartida. Quem disse que daqui a seis meses não serão exigidas outras contrapartidas, antes da lei vigente terminar? Isso cria instabilidade. Tudo que se refere aquela lei original é melhor não mexer. Tudo que se quer mexer, cria-se uma coisa nova e trata-se em paralelo.”

Brasil61: A reforma tributária resolveria esse problema?

Presidente da Abiquim Ciro Marino: “O projeto que o governo tem, quer seja a PEC 110 ou a PEC 45, é de que o governo não perca arrecadação. O governo hoje, de forma geral, arrecada cerca de 25% de impostos na média da economia. O que ele quer é trazer todos os setores para os 25%. Então a indústria, que está com 40%, 45%, viria para 25%. Se isso acontecer já resolve um grande problema da indústria e o Reiq, com o objetivo que foi formulado lá atrás, perderia o sentido. Não precisaria mais de Reiq, nesse aspecto. Mas nós fomos olhar lá fora o que acontece? Com quais países nós concorremos de fato? Estados Unidos, Coreia, Japão, Inglaterra, Alemanha, China, países da OCDE, França, Itália, cada país tem o seu regime especial da indústria química. E nós fomos pesquisar os Estados Unidos com lupa. Pagamos 300% a mais no gás e pagamos 400% a mais na eletricidade. Quando chega na parte tributária, que lá também é 20%, 25%, sem considerar o Reiq deles, que é de US$ 4,6 bilhões, a indústria americana, que é cinco vezes maior, tem um Reiq 15 vezes maior que o brasileiro. Então, o Brasil me parece atuar de uma forma inocente em um mercado que só tem profissional. Nós não podemos atuar de forma amadora. Então, quando nós fomos conversar com o Ministério da Economia, nós explicamos isso. Se o Brasil tem que estar exposto ao mercado internacional, temos que ter simetrias no tratamento. Então, nós faremos uma proposição bem mais moderna do que os Estados Unidos têm. Como nós estamos falando de dobrar a indústria química, nós estamos falando de aplicar esse regime especial futuro só sobre o delta positivo de produção. Não aplicar sobre o que já temos hoje. O delta positivo deve ser incentivado, para que a indústria consiga promover esse crescimento. É uma forma bem moderna, se faz de iniciativa privada, sem que o governo tenha que colocar dinheiro, só dando um certo suporte por algum tempo também definido. Então tem muita coisa pela frente.”

Brasil61: A Abiquim já entrou com processo no STF contra a MP?

Presidente da Abiquim Ciro Marino: “Nós nem entramos no STF porque não era necessário. Nós entramos na primeira instância, a juíza indeferiu. Nós apelamos. Foi para o desembargador e o desembargador aplicou efeito suspensivo para uma maior análise do tema, porque também julga uma certa inconstitucionalidade do que aconteceu. Nós temos uma política super aberta com todos. São de 12 a 15 empresas que se beneficiam diretamente [do Reiq] e mais as indústrias que essas indústrias servem. Para você ter uma ideia, nós temos hoje cerca de 70 entidades - entre as federações, onde temos polos petroquímicos, sindicatos de trabalhadores e sindicatos patronais - trabalhando junto com a Abiquim em prol da defesa do Reiq.”

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Ciência & Tecnologia
02/05/2022 01:52h

Plano Brasil Semicondutores, anunciado para junho, deve fazer os atuais US$ 1 bilhão subirem para US$ 5 bilhões em 2026. As ações estão sendo coordenadas por quatro ministérios

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O Brasil planeja aumentar o atual faturamento do mercado interno de semicondutores de US$ 1 bilhão para US$ 5 bilhões até 2026. Esse faturamento deve chegar a US$ 12 bilhões em 2031, e a US$ 24 bilhões em 2036, o que corresponderia a 4% do faturamento mundial. O próximo passo para o fortalecimento deste tipo de indústria no Brasil deve ser dado em junho, com o lançamento de um novo plano nacional de desenvolvimento de chips, o Programa Brasil Semicondutores. 

Segundo Daniella Marques Consentino, secretária Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, o Brasil já avançou e inovou em diversas frentes, construindo um alicerce sólido para o melhor desenvolvimento de uma indústria forte de semicondutores. “Fizemos uma série de medidas, Lei da Liberdade Econômica, Lei de Ambiente de Negócio, o Marco Legal para Startups, 5G, desenvolvimento de tecnologias que favoreceram esse ecossistema e que nos dão fundamento para conduzir um plano de estímulo ao desenvolvimento de indústria e inovação tecnológica para a cadeia de valor de semicondutores.”

O Programa Brasil Semicondutores, que virá por meio de Medida Provisória, deve ajudar o segmento trabalhando em diversos pilares. Entre eles:

  • A desoneração da cadeia: com pagamento de tributos apenas na fase de comercialização do produto acabado, o que se alinha com práticas globais;
  • Apoio à pesquisa de desenvolvimento e iniciação;
  • Investimentos para ter capital humano especializado: formação e capacitação em vários níveis;
  • Sistema simplificado de entrada e saída de materiais;
  • Fortalecimento da demanda no mercado interno para alavancar as exportações, com vistas ao desenvolvimento de uma plataforma para este fim.
  • Seminário Semicondutores e o Brasil

No seminário “A Cadeia Internacional de Semicondutores e o Brasil”, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores realizou, nesta quarta-feira (27), foram discutidos os desafios atuais do setor.  Participaram representantes dos ministérios da Economia, das Comunicações e da Ciência, Tecnologia e Inovações, além de autoridades e especialistas brasileiros e estrangeiros. 

O Brasil sofre com a escassez de semicondutores desde o início da pandemia, quando muitas pessoas passaram a trabalhar e estudar em casa, aumentando significativamente a demanda por eletroeletrônicos, produtos que dependem desses chips. Como o país é dependente de importação do insumo e os fabricantes de semicondutores – a maioria concentrada na Ásia – não conseguiram atender à nova demanda, vários setores da economia sofreram nos últimos dois anos, entre elas a indústria automotiva.

Em 2022, uma das iniciativas do Governo Federal foi criar o Grupo de Trabalho de Semicondutores, com representantes dos quatro ministérios, para manter diálogo com o Congresso Nacional e a sociedade civil acerca da promoção da indústria nacional de semicondutores e da inserção do Brasil nas cadeias internacionais de chips, necessários para a fabricação de automóveis, celulares, computadores e demais equipamentos eletroeletrônicos, incluindo os envolvidos no 5G, internet de quinta geração que deve ser instalada em todas as capitais até meados deste ano.

O deputado Federal Vitor Lippi (PSDB-SP), autor do projeto de lei (14.302/2022) que prorrogou até 2026 os incentivos à indústria de semicondutores, comemorou o fato de vários ministérios estarem empenhados em desenvolver um segmento que só tem a crescer e a ajudar a economia brasileira.

“Essa é uma grande oportunidade para o Brasil, essa preocupação do governo, do Itamaraty, das empresas brasileiras, dos setores econômicos aqui representados e autoridades internacionais da área para discutir um plano que possa ajudar o Brasil a ampliar sua produção nacional de semicondutores, atrair investimentos internacionais e criar um ambiente favorável para essa área, que é o coração da tecnologia, que são os semicondutores”, destacou o parlamentar.

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Produção pequena

A indústria de semicondutores no Brasil é modesta e a produção doméstica atende apenas a 10% da demanda interna, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi). E como a dependência da importação desses componentes é grande e o mercado ainda não se regularizou, 70% das empresas do setor têm dificuldade para obter os semicondutores de que precisam, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

As iniciativas do Governo Federal em torno do tema se iniciaram em 2021, quando a indústria automotiva brasileira parou por causa da falta de semicondutores. Naquele ano, foi institucionalizada a Rede Colaborativa para o Aumento da Produtividade e da Competitividade do Setor Automotivo Brasileiro, denominada Made in Brasil Ilimitado (MiBI).

Segundo Carlos França, ministro de Relações Exteriores, além do Plano Brasil Semicondutores há outras iniciativas em discussão, incluindo a criação de zonas de processamento de exportações, com regras tributárias, cambiais e administrativas especiais para a produção de chips. “A criação dessas zonas no Brasil reforçará a indústria existente e atrairá novos investidores para o mercado nacional, no momento em que as empresas líderes do mercado mundial de semicondutores buscam encurtar as cadeias de suprimento, diversificar e descentralizar suas operações”, explica.

O mercado mundial de semicondutores está concentrado basicamente na Ásia, sendo 40% dele apenas em Taiwan. O faturamento anual é de US$ 527 bilhões, ou aproximadamente R$ 2,5 trilhões. Apenas o mercado de encapsulamento de chips, umas das especialidades brasileiras a serem exploradas, deve render cerca de US$ 64 bilhões em 2027.
 

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24/04/2022 21:06h

Duas das quatro equipes brasileiras que participaram do Mundial se destacaram entre mais de 100 países na FIRST LEGO League Challenge, modalidade com robôs feitos a partir de LEGO

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O Brasil foi um dos grandes destaques do FIRST Championship, torneio mundial de robótica que ocorre nos Estados Unidos anualmente com estudantes do ensino fundamental e médio dos cinco continentes. Após quatro dias de competição, com 770 times de mais de 100 países, duas equipes brasileiras que competiram na FIRST LEGO League Challenge (FLL), a Atombot, do SESI de São João del Rei (MG), e a SESI CLP, de Campo Limpo Paulista (SP), ficaram entre as cinco melhores em duas categorias técnicas. Os estudantes mineiros e paulistanos levaram o 1º e o 2º lugares, respectivamente, no prêmio Engenharia de Excelência. Além disso, as duas equipes, que competiram com outros 106 grupos de várias partes do mundo, ficaram em 4º e 5º na categoria Desempenho do Robô.

A Atombot vem trabalhando desde 2013 para chegar ao topo nos Estados Unidos. A equipe mineira acumulou prêmios regionais, nacionais e internacionais, como o de Projeto de Inovação no Open da Austrália de 2019. Segundo Herbert Campos, 16 anos, veterano do time, este ano os integrantes tiveram pouco tempo para se organizar para a disputa, mas, mesmo assim, conseguiram mostrar o suficiente para conquistar o destaque.  

“Nessa temporada, tivemos pouco tempo para preparar e traduzir toda a documentação, fazer as modificações que achávamos necessárias no robô e no projeto. Mas mandamos bem na partida e, na avaliação de sala, os juízes foram muito receptivos, conseguimos nos comunicar e passar as mensagens que queríamos”, lembra Hebert, que contou com a ajuda de outras duas premiadas. Julia Meneses, 12, e Estela Terzi, 14 foram reconhecidas por evidenciar os valores da FIRST, como trabalho em equipe, empatia e competição amigável.

Impacto da robótica

A robótica, que vem ganhando cada vez mais destaque na educação brasileira, tem grande aplicação em diversas áreas, desde a produção industrial até atividades domésticas. Desde a Primeira Revolução Industrial, robôs e outros equipamentos são utilizados para aumentar a produtividade das empresas. Agora, com o implemento do 5G e a Internet das Coisas, a robótica será ainda mais necessária, não apenas nas grandes empresas, mas também nas tarefas cotidianas.

Luiz Gabriel Vieira Costa, 21 anos, é estudante de engenharia mecânica na University of South Florida, nos Estados Unidos, e atuou como um dos juízes do mundial na FIRST LEGO League. O brasileiro conta que, quando mudou para o país norte-americano, em 2019, percebeu que os estrangeiros relacionavam muito o Brasil com o futebol, o carnaval e o samba, mas que a robótica ajudou a mudar essa percepção.

“As pessoas veem o Brasil com um país muito bom em relação à robótica, que sempre manda boas equipes e é reconhecido por levar vários prêmios para casa. É muito legal quando o Brasil se destaca nessas competições porque as pessoas começam a enxergar nosso país de outra forma, como um país que tem inovações tecnológicas, que tem muitas pessoas envolvidas nisso”, aponta Luiz.

O estudante de engenharia mecânica está envolvido no universo da robótica desde os 12 anos e, além de estudar nos Estados Unidos, abriu uma startup de educação no Brasil. Ele explica que o impacto da robótica na educação dos mais jovens é maior do que as pessoas imaginam, ultrapassando as questões técnicas, como programação, e habilidades sociais, como liderança e trabalho em equipe. 

“O que a robótica me ensinou de mais importante foi essa perspectiva de que tudo que eu aprendia dentro da sala de aula não serviria apenas para uma prova. Eu estava aprendendo aquilo para aplicar e causar um impacto na minha comunidade de alguma forma”, relata.

Luiz ainda destaca que a robótica tem o potencial de preparar os próximos profissionais brasileiros desde muito cedo, fazendo-os perceber que não é preciso esperar os anos pós-faculdade para realizar ações que causam impacto. 

“Pessoas que se envolvem com a robótica e têm essa perspectiva, entender que você pode aplicar seu conhecimento desde muito cedo, acho que isso cria pessoas muito mais preparadas para a indústria, para profissões do futuro. Vejo que as pessoas que se envolvem com robótica acabam se preparando mais para o mercado de trabalho”, aponta.

Mais experiência 

Além das duas equipes que disputaram o FIRST LEGO League Challenge, o Brasil ainda foi representado por outras duas equipes, uma na modalidade FIRST Tech Challenge (FTC) e outra na FIRST Robotics Competition (FRC). Apesar de ser a menor competição em número de equipes no mundial – a FTC tem 160 e a FRC, 450 –, a FLL é a modalidade presente no maior número de países, ou seja, com maior alcance. O Mundial tem premiação em diversas categorias técnicas e comportamentais. O prêmio principal, Champion's Award, ficou este ano com uma equipe da Espanha.

A Geartech Canaã 16054, do SESI Canaã em Goiânia (GO), e a Under Control 1156, do Marista de Novo Hamburgo (RS) participaram das modalidades FIRST Tech Challenge (FTC) e FIRST Robotics Competition (FRC), categorias que apresentam robôs maiores, com porte industrial. Ambas já participaram de mundiais anteriores e ostentam diversos prêmios internacionais, mas, desta vez, voltaram dos Estados Unidos com experiências positivas e ideias para as próximas competições.
 

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21/04/2022 22:38h

Dados apresentados pelo Ministério da Economia apontam que nova tecnologia tem potencial de benefício de R$ 590 bilhões por ano nos mais diversos setores, como indústria, educação, saúde e transporte

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Com a chegada do 5G ao Brasil, a demanda por soluções da nova tecnologia tem o potencial de gerar R$ 101 bilhões nos próximos 10 anos apenas no mercado de softwares, distribuídos entre R$ 10 bilhões para software de rede e R$ 91 bilhões para software de aplicações. Os dados são de um estudo apresentado no último dia 19 pelo Ministério da Economia.

Segundo o relatório apresentado pelo Ministério da Economia no webinar “5G Brasil: Recomendação de Políticas Públicas”, a utilização de soluções 5G pode proporcionar um benefício de R$ 590 bilhões por ano para os mais diversos setores da economia, como indústria, educação, saúde e transporte. 

Um dos objetivos principais do levantamento foi a definição de políticas públicas capazes de alavancar o ecossistema brasileiro de 5G focado em software, proporcionando o desenvolvimento de startups e possibilitando a inserção do Brasil no mercado internacional de produção deste tipo de produto. O estudo, realizado pela consultoria Deloitte em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), identificou não somente as demandas de soluções digitais, como também as barreiras que o Brasil vai enfrentar para estabelecer essa nova tecnologia e a necessidade de políticas públicas direcionadas.

As experiências foram buscadas em países que apresentam uma maior maturidade em relação ao 5G, como Coreia do Sul, Japão e China, que estão na vanguarda da tecnologia, assim como em outras nações que são pioneiras na implantação na internet de quinta geração, como Suécia, Alemanha e Reino Unido.

Durante a apresentação dos dados, Márcia Matsubayashi, sócia da Deloitte Brasil, explicou que o Brasil ficou atrasado em relação à implantação do 5G, mas, como isso deve ser resolvido rapidamente, a implantação vai gerar demandas que se tornarão uma oportunidade para a economia nacional, como o mercado de softwares, incluindo uma forte entrada no mercado mundial.

“Logicamente o nosso ecossistema do 5G ainda é incipiente porque o Brasil saiu atrás em comparação aos países desenvolvidos, mas nós constatamos que a gente tem boas perspectivas de avançar rapidamente o 5G, sobretudo no desenvolvimento de softwares e de aplicações. À medida que a conectividade do 5G, a cobertura vai avançando, surgirão estas demandas por aplicações baseadas no 5G nas diversas verticais da economia. Também nestas nessas demandas surgirão oportunidades de integração de software, empresas de software para prover toda essa solução”, explica a especialista.

Igor Calvet, diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), destaca que o estudo lança luz sobre como essas mudanças podem beneficiar o Brasil e servir como um roteiro para todos que trabalham com o 5G possam avaliar as oportunidades que se apresentam, bem como transformar essas potencialidades em realidade.

Segundo o diretor da ABDI, os dados possibilitam um melhor trabalho na difusão de tecnologia num cenário em que as empresas brasileiras podem captar essas soluções tecnológicas que virão da transformação causada pelo 5G e promover uma melhoria da produtividade da economia por meio da inovação – como a redução de custos da chamada Indústria 4.0.

“Na indústria, por exemplo, o projeto demonstrou, primeiro, uma maior flexibilidade no desenho dos processos produtivos e, em segundo lugar, uma maior eficiência na produção. Nas cidades, que é um projeto que nós estamos desenvolvendo e que logo estará aí em dez cidades no Brasil, nós estamos trabalhando com um novo modelo de negócio que vai viabilizar e democratizar o 5G e vai trazer novas fontes de renda, inclusive aos municípios e concessionários de energia”, apontou Calvet.

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Problemas e potenciais

No documento apresentado pelo Ministério da Economia constam 96 recomendações de políticas públicas, em oito frentes de atuação, para que esses potenciais de geração de riqueza sejam alcançados, além de apresentar os desafios para que isso se realize.

Segundo o levantamento, os principais problemas públicos detectados no Brasil para um melhor aproveitamento da tecnologia na economia são a baixa disponibilidade de recursos públicos e privados para fomentar a inovação e produção de softwares; escassez e baixo nível de mão de obra; baixa percepção do valor agregado do 5G – o que impacta na demanda por soluções; e insuficiência de suprimentos essenciais para o desenvolvimento de soluções 5G.

Em contrapartida, o estudo mostrou que o país tem pontos fortes para desenvolver um dos maiores ecossistemas do 5G do planeta, como um grande mercado consumidor de serviços de telecomunicações – o que dilui os custos; movimentação política para acelerar a difusão da nova tecnologia, como a Lei das Antenas e os leilões das radiofrequências realizados em 2021; tendência de crescimento no setor de startups; e entendimento governamental da importância da nova tecnologia para os mais diversos setores.

Ainda segundo os dados, o Brasil deve priorizar, para potencializar ainda mais o mercado do 5G: o desenvolvimento de capital humano e de infraestrutura; o incentivo ao empreendedorismo; o maior estímulo à pesquisa, desenvolvimento e inovação; e o suporte financeiro e tributário.

5G

O 5G é a quinta geração de redes móveis e de internet, cuja velocidade chega a ser, pelo menos, 100 vezes mais rápida que a atual quarta geração. Com sua implantação, a expectativa é que sejam abertas inúmeras possibilidades em áreas como inteligência artificial, processamento de dados, realidade aumentada e logística.

O leilão das frequências do 5G, realizado no fim de 2021, movimentou quase R$ 50 bilhões, sendo R$ 10,6 bilhões para pagamento de outorgas, ou seja, pelo direito de explorar comercialmente o 5G, valor que irá para o caixa do governo; e R$ 39,1 bilhões como contrapartidas estabelecidas pela Anatel (órgão de regulação do setor, responsável por definir as regras do leilão).

Segundo os editais, as empresas que venceram os certames devem disponibilizar o 5G nas capitais do país até julho de 2022 e levar internet 4G para todas as rodovias nacionais. Além disso, elas serão responsáveis por construir uma rede privativa de comunicação para a administração federal e levar internet móvel de qualidade às escolas públicas de educação básica.
 

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09/11/2021 20:30h

De acordo com a Confederação, entre empresas que possuem até três tecnologias integradas à indústria 4.0, 54% já registram, até o momento, um lucro igual ou maior que o período pré-pandemia

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Necessidade de inovação e qualificação profissional estão entre os principais pontos discutidos no Grupo de Estudos Retomada Econômica e Geração de Emprego e Renda no Pós-pandemia. A audiência pública foi realizada nesta terça-feira (9), na Câmara dos Deputados, para tratar da indústria 4.0, das transformações na economia global e do desenvolvimento econômico. 

A deputada federal Angela Amin (PP-SC), acredita que a indústria 4.0 renderá avanços econômicos ao Brasil. No entanto, o país ainda precisa preparar os trabalhadores. “Se nós não tivermos os profissionais habilitados, nós vamos perder competitividade e, automaticamente, valores necessários para esse novo momento da economia”, disse. 

Um estudo elaborado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), por exemplo, revela que 77% das empresas do setor estão com dificuldade para contratar mão de obra. 

O professor do Instituto de Economia da UFRJ, João Carlos Ferraz, avalia que um dos problemas relacionados à baixa adesão das empresas à indústria 4.0 está ligada à falta de conhecimento sobre o assunto. Além disso, ele destaca que, como esse processo é novo para todos, há uma chance de empresas menores ganharem mais espaço no mercado, caso adotem essas tecnologias. 

“Podemos pensar que, como o futuro é aberto, é possível desenhar um processo de inclusão digital, no qual as empresas com menos conhecimento, de menor porte, menor capacitação, por exemplo, são preparadas para avançar e crescer mais fortemente do que as empresas mais preparadas. Portanto, temos um cenário no qual o campo de jogo estaria mais nivelado”, projeta.

O PIB brasileiro não cresce porque não há investimento em inovação e processos de digitalização, segundo o superintendente de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, 

“Sem uma indústria forte, dificilmente vamos conseguir ter um crescimento do PIB acima de 2%, que é o necessário para o Brasil se aproximar dos países desenvolvidos. A empresa vai inovar se ela achar que ser mais produtiva vai torná-la mais competitiva. Ela pode ser mais produtiva, mas devido ao alto custo transporte, alto custo energia e ao resíduo tributário, não ser mais competitiva. Então, ela não faz esse investimento em inovação.”

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Fonseca pontuou que essa adaptação também precisa de uma educação básica voltada ao mercado de trabalho. “É importantíssimo que a gente faça funcionar o Novo Ensino Médio, no qual parte dos alunos pode optar por uma vertente de educação profissional durante sua formação. No Brasil, hoje, isso corresponde a 9% dos alunos. A média da União Europeia é 48%, e tem países que chegam a 70%. Isso não impede que o aluno que fez o curso na educação profissional vá para a Universidade”, destaca. 

Exemplos de tecnologias utilizadas na indústria 4.0: 

A Indústria 4.0 também é conhecida como a quarta revolução industrial. 

  • Inteligência artificial: trata-se da aplicação de análise avançada e técnicas que levam em conta o processo lógico, incluindo aprendizado de máquina, para interpretar eventos, analisar tendências e comportamentos de sistemas, entre outros.
  • Computação em nuvem: corresponde à distribuição de serviços de computação, como servidores, armazenamento e bancos de dados pela Internet, com utilização de memória, capacidade de armazenamento e cálculo de computadores, por exemplo.  
  • Big data: é tida como uma abordagem para atuar em dados com maior variedade e complexidade, que chegam em volumes crescentes e com velocidade cada vez maior, usados para resolver problemas de negócios. 
  • Internet das coisas: é a interconexão entre objetos por meio de infraestrutura habilitadora (eletrônica, software, sensores e/ou atuadores). Essa tecnologia conta com computação distribuída e organizados em redes. Isso permite a comunicação e interação automáticas. 
  • Sistemas de simulação: é apresentada como a utilização de computadores e conjunto de técnicas que geram modelos digitais utilizados para descrevem ou exibem a interação complexa entre várias variáveis dentro de um sistema, imitando processos do mundo real.

Apesar de ser vista por executivos como aumento de custo ou um item de baixa prioridade, a indústria 4.0 tem capacidade de aumentar lucratividade e propor maior adaptação do negócio em um cenário de crise, como é o caso da pandemia da Covid-19.

De acordo com pesquisa da CNI, entre empresas que possuem até três tecnologias integradas aos processos, 54% já registram, até o momento, um lucro igual ou maior que o período pré-pandemia. Já entre os negócios que ainda não se adequaram à modernidade, o índice cai para 47%. 

Por outro lado, a lucratividade já aumenta em 29% entre as companhias industriais que adotaram quatro ou mais tecnologias. Esse percentual fica próximo aos 28% percebidos entre quem adotou entre uma e três tecnologias e acima dos 25% entre as empresas que não adotaram nenhum recurso previsto na chamada indústria 4.0.
 

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01/11/2021 03:00h

A estrutura de rede móvel mais rápida permitirá troca exponencialmente maior de dados em conexões ultra estáveis e de alta velocidade

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Marco zero da indústria de base tecnológica no Brasil, o Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, foi pioneiro no experimento da internet 5G. A implantação da tecnologia, que pode ser até 20 vezes mais rápida do que as redes atuais, deve acelerar o desenvolvimento das Smart Cities, as cidades inteligentes.

O conceito de cidades inteligentes engloba a implantação de soluções inteligentes para iluminação, segurança e rastreamento de veículos, dentro do contexto da chamada Internet das Coisas (IoT). Por meio dos postes da cidade, podem ser desenvolvidas soluções inteligentes para a área de segurança pública e iluminação: por exemplo, aumentar a intensidade da iluminação pública em locais em que se identifique a possibilidade de um furto ou roubo. 

A estrutura de rede mais nova e rápida permitirá a troca exponencialmente maior de dados em conexões ultra estáveis e de alta velocidade. Os municípios serão capazes de implantar redes abrangentes, integradas e interativas, com câmeras fixas e móveis de alta definição e outros sensores.  

O setor produtivo também será fortemente impactado pela chegada do 5G, que facilitará a conectividade das máquinas, resultando em ganho de produtividade. De acordo com o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, as empresas devem ser as maiores impactadas  pela automação dos serviços. 

“Terá um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas. Porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não somente entre as pessoas, mas sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, afirmou.

A nova tecnologia de transmissão ainda vai demandar das empresas de telefonia investimentos em equipamentos para que o sinal chegue em todo o país. O planejamento do Governo Federal é alcançar todas as capitais brasileiras até meados de 2022 e o país inteiro até 2028.

Leilão de frequências 

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) marcou para 4 de novembro o leilão das faixas de frequência do 5G no Brasil, que deve movimentar R$ 49,7 bilhões. Desse total, R$ 10,6 bilhões devem ser desembolsados pelas empresas vencedoras para pagamento das outorgas (direito de explorar comercialmente o 5G), esse valor irá para o caixa do governo, se todos os lotes ofertados forem arrematados. E outros R$ 39,1 bilhões terão que ser investidos pelas empresas vencedoras para cumprir as contrapartidas, exigências previstas no edital.

Para o deputado federal Zé Vitor (PL/MG), os investimentos alavancados com o leilão do 5G devem ter um impacto econômico e social imensurável, aplicados no desenvolvimento dos municípios. “Eu não tenho dúvida que o setor produtivo será beneficiado e todo cidadão também terá a oportunidade de acompanhar os serviços tanto da iniciativa privada que ele adquire, bem como os produtos, e também pode ter acesso a melhores serviços públicos”, disse. 

No leilão, serão ofertadas quatro faixas de frequência: 700 MHz; 2,3 GHz; 26 GHz; e 3,5 GHz. A faixa de 3,5 GHz é a que desperta mais interesse das empresas de telefonia, por exigir menos investimentos para a implantação da tecnologia. 

O edital prevê, para cada uma das quatro faixas, exigências que terão que ser cumpridas pelas empresas vencedoras do leilão, como disponibilizar 5G nas capitais do país até julho de 2022, levar internet 4G para as rodovias do país e a construção de uma rede privativa de comunicação para a administração federal.

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04/06/2021 15:38h

O SENAI-MG disponibiliza para as empresas mineiras o Centro de Treinamento e Desenvolvimento da Indústria 4.0

O SENAI-MG disponibiliza para as empresas mineiras o Centro de Treinamento e Desenvolvimento da Indústria 4.0. Localizado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o espaço está aberto para atender à demanda das indústrias que desejam se inserir no contexto da quarta revolução industrial. "Em um só local, a indústria mineira e brasileira poderá ter o suporte do SENAI-MG para a implantação de toda a jornada 4.0, por meio de serviços de consultoria tecnológica especializada, desenvolvimento e testes de soluções integradoras, serviços técnicos, projetos específicos e treinamentos correlacionados, tudo isso totalmente personalizado e customizado para cada cliente”, afirma o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe. 

O presidente diz que o espaço irá preparar as indústrias de Minas Gerais para a transformação digital. O Centro irá qualificar a mão-de-obra dos profissionais que conduzirão esse processo dentro das fábricas. "Serão ofertados cursos técnicos, especializações, aperfeiçoamento profissional e pós-graduações em parceria com as melhores universidades, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a UNA. Neste momento, temos em funcionamento duas turmas do curso técnico em Mecatrônica, que estão sendo mediadas por tecnologia, devido à pandemia da COVID-19. Além disso, vários projetos estão sendo desenvolvidos para indústrias que estão em implantação de tecnologias 4.0 e melhorias de processos", exemplifica o líder industrial.

O Centro de Treinamento e Desenvolvimento da Indústria 4.0 conta tem estruturas organizadas para atuar de ponta a ponta no processo industrial. A Fábrica Referência em Indústria 4.0 oferece uma planta industrial produtiva projetada e desenvolvida pelo SENAI-MG. Essa fábrica é a espinha dorsal do Centro 4.0 e contempla todos os processos da indústria: manuais, mecanizados, automatizados e todos eles com tecnologia 4.0 embarcados. "São equipamentos industriais onde é possível embarcar e integrar tecnologias 4.0 de forma flexível e aplicadas a processos automatizados, mecanizados e de montagens manuais, o que torna o Centro do SENAI-MG único no Brasil. O espaço proporciona o entendimento de toda a jornada sob uma ótica realista e pragmática da inserção dessas tecnologias para indústria e dá uma visão direta e clara para implementação da transformação digital. E não só a indústria ganha, pois a comunidade terá a oportunidade de estudar e interagir com uma unidade SENAI que tem várias tecnologias de ponta que raramente estão disponibilizadas em um só lugar", celebra Roscoe.

As Áreas de IoT e Digitalização Industrial realizam estudos, implementam e formam os profissionais especializados nas tecnologias de Soluções Internet of Things (IoT), a conhecida internet das coisas, em sistemas embarcados, retrofit (termo utilizado para designar o processo de modernização de equipamento já considerado ultrapassado ou fora de norma), monitoramento de processos industriais, utilização de RFID (sigla para Radio Frequency Identification, que é um método de identificação por meio de sinais de rádio que recuperam e armazenam os dados à distância utilizando dispositivos chamados etiquetas RFID) e comunicação com a nuvem. Vão oferecer também soluções digitais como o desenvolvimento de aplicativos, simulação computacional, big data analytics, realidade aumentada e cybersecurity. Já o Espaço Lab Maker foi projetado para a criação, experimentação, prototipagem, compartilhamento, trabalho em conjunto, interação com startups, projetos integradores e espaço de inovação aberta. O Centro 4.0 conta ainda com a Fábrica para Treinamento Lean Manufacturing 4.0, o sistema enxuto de manufatura que busca reduzir desperdícios enquanto aumenta a produtividade e a qualidade, dando uma visão de processos eficientes e sem desperdícios.

Já são parceiros do Centro de Treinamento e Desenvolvimento da Indústria 4.0 do SENAI a Sequor Softwares Industriais, UR Universal Robotics, Advantech, ECO Automação, SIEMENS PLM, Mix Reality, Mitsubshi Eletric, Altus Automação e Stellantis. O espaço é aberto à visitação dos empresários que quiserem conhecer a novidade. O agendamento pode ser feito pelo e-mail senai40@fiemg.com.br. Maiores informações no www.senaimg.com.br/centro4.0.

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Brasil 61