Internet das coisas

16/12/2021 19:15h

Em audiência pública, Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados reuniu especialistas para debater a relação entre conectividade e retomada econômica

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O setor de produção de semicondutores será essencial para a retomada econômica e a maior conectividade do país, já que os chips são essenciais em todos os aparelhos eletroeletrônicos que estarão conectados ao 5G em uma escala muito maior que a atual. A afirmação foi feita pelo  presidente da Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, em audiência pública nesta terça-feira (14), do Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados, para discutir a inserção digital e a conectividade como estratégias para a retomada econômica e geração de emprego e renda no pós-pandemia. O estudo tem como relatores os deputados Da Vitória (Cidadania-ES) e Francisco Jr. (PSD-GO).

Humberto Barbato, ressaltou que as nações líderes em tecnologia e inovação investem, além de recursos financeiros, em marcos legais efetivos e eficientes no sentido de mitigar vulnerabilidades de alta dependência e fornecimento externo de componentes chave para a indústria de tecnologia.

Esse é o caso dos semicondutores. O Brasil, assim como outros países, sofreu prejuízos em diversos setores com a escassez do produto durante a pandemia e corre o risco de perder força no setor por falta de políticas públicas, principalmente com o fim dos incentivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), que acaba em 22 de janeiro de 2022. A prorrogação do prazo de vigência de incentivos do PADIS até dezembro de 2029, proposta pelo PL 3042/2021, torna-se urgente, segundo Humberto.

“Estamos certos que a renovação no regime do PADIS representará a retomada do ciclo da indústria fotovoltaica brasileira uma forte perspectiva para o Brasil exercer liderança regional e competir com players globais na produção de energia limpa, sustentável e em volume necessário pra atender a demanda do país, além de fornecer produtos para suprir mercados externos de forma competitiva”, destaca o presidente da Abinee.

Já o gerente regulatório da Conexis – Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel, Ildeu Borges, levantou a questão dos entraves para a chegada do 5G no Brasil. Isso atrapalha o avanço nas telecomunicações e, por consequência, um importante fator na recuperação da economia. Após o bem-sucedido leilão das radiofrequências do 5G, arrematadas por mais de R$ 47 bilhões, a nova tecnologia de internet móvel esbarra na legislação das antenas para começar a promover a revolução de conectividade prometida.

O 5G vai exigir a implementação de uma moderna infraestrutura de telecomunicações, com antenas muito menores que as atuais, mas que precisam constar em maior número. O problema é que as autorizações para instalação partem do município e podem demorar mais de um ano. A solução é a alteração da Lei Geral das Antenas, proposta pelo PL 8518/2007, ainda à espera de análise na Câmara dos Deputados. O texto autoriza as prestadoras a instalarem o equipamento caso a prefeitura não responda a solicitação após o prazo de 60 dias.

“O 5G, para que ele entregue todas essas características e funcionalidades, depende de muito mais antenas do que as antenas que são utilizadas hoje para o 4G e 3G. São antenas menores, com uma potência muito menor do que a que existe hoje, mas que infelizmente são regulamentadas da mesma forma que as antenas grandes”, explica Ildeu.

O presidente da Conexis ressaltou, ainda, que a pandemia acelerou tendências e demonstrou como o uso das telecomunicações pode aumentar a produtividade dos negócios, conectando pessoas, empreendimentos, governos, serviços, produtos, ideias e conhecimento. Mas que a melhor e maior conectividade prometida pelo 5G não pode esbarrar neste tipo de entrave. “É importante que as barreiras que atualmente existem para uma maior expansão dos serviços de telecomunicações sejam retiradas para potencializar seus efeitos.”
 

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13/12/2021 04:00h

Em entrevista ao portal Brasil61.com, o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Carlos Alexandre Pires, afirma que Marco Legal do Setor Elétrico deverá acelerar a revolução energética no Brasil

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Com o avanço da telecomunicação, praticamente todas as áreas do cotidiano foram impactadas pela era digital. Trabalho, lazer, transporte, compras e a própria comunicação contam hoje com dispositivos de inteligência artificial. 

Em entrevista ao Brasil61.com, o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Carlos Alexandre Pires, esclarece que, no setor energético, a digitalização pode gerar economia de recursos.

“Um cidadão que possui na sua residência alguns equipamentos ligados na internet, por exemplo, pode automatizar determinadas funções. Digamos que quando ele estiver se aproximando da residência, a própria automação faria com que o ar-condicionado ligasse para já ir refrescando um determinado cômodo e se desligasse automaticamente ao não ter ninguém mais no recinto”, explica.

Recentemente, o MME divulgou o estudo “Uso de Novas Tecnologias Digitais para Medição de Consumo de Energia e Níveis de Eficiência Energética no Brasil”. Segundo Carlos Alexandre, o objetivo do estudo “é fazer um imenso levantamento de tudo que existe em termos de tecnologia digital, que pode servir ao setor energético”.

Com base nesse levantamento, ele cita alguns exemplos de como a digitalização poderia contribuir para a eficiência do setor.

“Poderíamos elencar aqui possibilidades relacionadas à automação, à possibilidade de uma empresa de energia de fazer um desligamento e um religamento de forma remota, ou uma medição de forma remota, sem a necessidade da presença de um profissional para olhar o medidor de energia. E tudo relacionado à internet das coisas, à inteligência artificial, aplicado a todos os setores: residencial, comercial e industrial.”

Para muitos, isso pode parecer história de ficção científica, mas Carlos Alexandre Pires afirma que essa é a realidade de um futuro bem próximo, que tem como alicerce a já consolidada tecnologia das telecomunicações.

“O passo [da digitalização do setor energético] se dará muito mais acelerado, principalmente porque o alicerce de tudo está no setor das telecomunicações. Não se pode falar em internet das coisas sem falar de telecomunicações. Não se pode falar de sensoriamento remoto sem falar de telecomunicações.”

"Não se pode falar em internet das coisas e sensoriamento remoto sem falar de telecomunicações.”_Carlos Alexandre Pires, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia.

Governo e operadoras vencedoras do leilão do 5G assinam contratos das concessões

Brasil pode perder R$ 8,2 bi do PIB em 2021, devido à alta do preço da energia elétrica

Marco Legal do Setor Elétrico

Atualmente tramita no Congresso Nacional o projeto do Novo Marco Legal do Setor Elétrico (PL 414/2021), que poderá ser vantajoso para o bolso do consumidor e aumentar a competitividade do setor. Pela proposta, os consumidores de todos os níveis terão liberdade para escolher o próprio fornecedor de energia; o que só é permitido, atualmente, para grandes consumidores. 

Segundo Carlos Alexandre Pires, a velocidade da chegada da digitalização do setor elétrico será mais rápida na medida em que houver maior competitividade entre as empresas de energia.

“No mercado livre, onde o consumidor já tem a possibilidade de escolher o seu fornecedor de energia, isso certamente se dará de forma mais rápida. De qualquer forma, nós também faremos uso da digitalização para oferecer serviços, que hoje não são oferecidos, para dar possibilidade de que o mercado seja cada vez mais livre ou cada vez tenha mais liberdade de escolha para o consumidor”, afirma.

O projeto de lei já foi aprovado no Senado e aguarda despacho para ser analisado pela Câmara dos Deputados.

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08/12/2021 15:00h

Após oficialização dos contratos do 5G, desafio envolve legislação para instalação de antenas

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O leilão do 5G no Brasil foi um sucesso, com arremate superior a R$ 47 bilhões, e o ponta pé inicial para a chegada da nova tecnologia de dados móveis foi dado nesta terça-feira (7), na cerimônia de assinatura dos termos de autorização para uso de radiofrequências nas faixas de 700 MHz; 2,3 GHz; 3,5 GHz; e 26 GHz com as dez empresas vencedoras dos certames. A instalação e utilização da quinta geração da internet, porém, ainda esbarra em algumas barreiras, como a necessidade de alteração na Lei Geral das Antenas, ainda em análise na Câmara dos Deputados.

Durante a cerimônia no salão nobre do Palácio do Planalto, que além dos representantes das empresas contou com a presença de diversas autoridades do governo,o presidente Jair Bolsonaro falou sobre a importância da implementação da quinta geração de internet móvel. “É um salto para as comunicações, bem como na internet das coisas. Para o comércio, isso não tem preço, a diminuição de custos, e o aumento da qualidade dos serviços. É o Brasil dando certo”, destacou o presidente.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, ressaltou que a chegada do 5G vai trazer avanços para economia, saúde e educação, além de melhores possibilidades para indústria, comércio, agricultura e serviços. O chefe da pasta citou também a conectividade em todas as rodovias federais pelo país. “Os 35 mil quilômetros de rodovias federais receberão internet por causa do leilão. O 4G conectou pessoas e o 5G conecta indústria. A rodovia é escoamento de produção”, pontuou.

Alteração na Lei Geral de Antenas

Para a implementação concreta da nova tecnologia de cobertura móvel, no entanto, será necessário aumento considerável no número de antenas, dada suas características técnicas. Os equipamentos são menores – aproximadamente do tamanho de caixa de sapato –, silenciosos e ocupam espaços mais comuns, como postes de iluminação, fachadas e telhados de prédios, tudo sem a necessidade das enormes antenas de tecnologias anteriores. Mesmo assim, a instalação dessa infraestrutura esbarra na burocracia dos municípios, o que vai atrasar a chegada do 5G em várias localidades.

A solução do problema já está encaminhada, com o PL 8518/2017, de autoria do deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP). O texto, à espera de análise na Câmara dos Deputados, modifica a Lei nº 13.116, de 20 de abril de 2015, conhecida como Lei Geral das Antenas, acelerando o processo de autorização de novas antenas, que segundo o parlamentar dura de meses a anos por causa da burocracia.

O deputado destaca que, após a alteração, a empresa poderá solicitar a instalação do novo equipamento e, caso não seja respondida no prazo de dois meses, pode colocar o equipamento. “O que é necessário aí, o pressuposto, é que as empresas apresentem um projeto com assinatura do técnico responsável, conforme todas as normas vigentes no país, a ABNT e tudo mais, e ela protocola isso na prefeitura e a prefeitura vai ter 60 dias para se manifestar. Se a prefeitura não se manifestar, você tem uma autorização tática. É uma autorização provisória, mas você já tem autorização”, explica o parlamentar.

Alteração em lei das antenas pode facilitar chegada de 5G em municípios

5G: Preciso trocar meu aparelho? Consumidores têm dúvidas sobre a nova tecnologia

RJ: capital do estado foi a primeira a regulamentar a instalação e compartilhamento das antenas para a tecnologia de telefonia 5G

Em resumo, a empresa ganha da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) uma concessão temporária para a instalação de infraestruturas de telecomunicações, mas sabendo que deve seguir as regras estipuladas em lei municipal e as normas técnicas vigentes. Caso o novo equipamento esteja em desacordo, a Anatel pode revogar a autorização em até 15 dias úteis, a pedido da prefeitura.

Segundo Vitor Lippi, os pedidos de novas antenas entram em uma longa fila de toda a sorte de solicitações e, muitas vezes, o município não dispõe de técnicos suficientes para as análises, daí o atraso na liberação. Com a modificação na Lei Geral das Antenas, o problema se resolve e se evita o atraso da instalação da quinta geração da internet. “A gente cria uma lei federal que altera esse pedido, sem ferir a autonomia do município, que pode fazer a solicitação de retirada logo depois, sem ônus algum para a prefeitura. Então, acreditamos que isso vai simplificar muito”, diz o parlamentar.

O deputado ainda ressalta que já tem as assinaturas dos líderes para a urgência da matéria, que deve ser analisada em breve pela Câmara dos Deputados, já que conta com o apoio de 100% dos parlamentares.

Avanços esperados com o 5G:

  • Aumento das taxas de transmissão – maior velocidade de navegação.
  • Baixa latência – resposta mais rápida na navegação de dados.
  • Maior quantidade de dispositivos conectados em uma área
  • Maior eficiência na transmissão de dados
  • Maior eficiência energética dos equipamentos

O leilão do 5G é considerado pela Anatel o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet.

Entre as obrigações das empresas telefônicas está a implantação de estações de transmissão para a nova tecnologia em todas as capitais do país até julho de 2022. Os demais municípios com mais de 100 mil habitantes recebem o 5G até 2027 e o restante do Brasil deve se conectar à quinta geração até meados de 2030.

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29/11/2021 03:00h

A escassez de chips pode sofrer nova crise a partir de 2023, com a chegada do 5G e uma nova demanda no mercado mundial

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O mercado de semicondutores cresce de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de mais de 200 milhões de chips a cada 12 meses. Ainda assim, o país gasta 5 bilhões de dólares anualmente com importação de semicondutores. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI).

A atual escassez de semicondutores causada pelo aumento da demanda dos eletroeletrônicos provocada pela pandemia é apenas a ponta do iceberg. Se a expectativa de normalização desse mercado se confirmar  no início de 2023, outra demanda vai pressionar o setor, porque o 5G já estará inserido no cotidiano. Com a nova tecnologia, a necessidade de chips será ainda maior, uma vez que a revolução da rede vai demandar muitos sensores, que são justamente semicondutores. As residências estão sendo cada vez mais automatizadas, assim como tratores, caminhões, fábricas. Setores que antes utilizavam nada ou pouco da rede, estarão completamente dependentes da nova geração de internet móvel.

“A chegada do 5G vai abrir a possibilidade de uma maior conectividade de tudo, principalmente daquilo que não era viável antes”, destaca engenheiro mecatrônico que atualmente trabalha como desenvolvedor de softwares, Diogo Andrade. “A geladeira, agora, terá conectividade com a internet, um brinquedo, um trator na lavoura ou uma máquina em uma fábrica. A demanda por chips, processadores, módulos que se comunicam com a nova geração de internet móvel será astronômica daqui para frente.”

Apoio à indústria de semicondutores

Desde 1991, com a Lei da Informática, o Brasil tenta se firmar no mercado de tecnologia da informação e de comunicação (TIC), do qual a indústria de semicondutores faz parte. O setor específico está em franca ascensão no país desde 2007, com a criação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), mas tem um longo caminho a percorrer para conseguir não só uma boa fatia do bilionário comércio mundial de chips, como também atender à demanda interna.

O PADIS se encerra em janeiro de 2022, mas a Câmara dos Deputados possui duas proposições em tramitação para tratar do tema. Uma delas é o PL 3042/2021, sobre a prorrogação do prazo de vigência do programa até dezembro de 2029. O outro é a PEC 10/2021, sobre a exclusão do setor de TIC e semicondutores do plano de redução de incentivos tributários instituído na Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial).

Segundo o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), agora que a indústria de semicondutores está começando a crescer no Brasil e a buscar competitividade no mercado mundial, as políticas públicas são imprescindíveis para fortalecer o setor. Principalmente após a crise provocada pela escassez dos componentes, o que evidenciou a necessidade de uma menor dependência do mercado externo.

“Ter uma política de incentivo à produção torna o país mais independente, mais isonômico. Uma política industrial feita num país como o Brasil que não respeita esta importância da autonomia para a sua funcionalidade sofre, como agora, crises, porque Hong Kong, não podendo fornecer para nós os semicondutores, acaba gerando uma inflação gigantesca entre nós e uma demanda enorme por produtos que não podem ser entregues, por não ter os semicondutores”, destaca Moreira.

Segundo Diogo Andrade, o Brasil tem um longo caminho a percorrer se quiser investir no setor de semicondutores e diminuir a dependência do mercado internacional. E isso não será possível sem incentivos. “É um caminho longo porque quem está no topo não abre sua tecnologia para quem está começando. E o que evoluímos até agora não pode ser jogado fora”, avisa o engenheiro mecatrônico. “Precisamos de incentivos públicos cada vez mais, pois vamos ter de reinventar aquilo que já foi inventado lá fora. Esse mercado asiático, hoje tão dominante, foi alavancado por investimentos públicos. E continuam sendo. O mercado nacional de semicondutores deve ser um projeto de país, algo de longo prazo que não pode sofrer interferência com a mudança de governos.”

O PADIS permitiu que diversas empresas que atuam do design à manufatura de chips ampliassem investimentos no Brasil, criando empregos, gerando riquezas, promovendo evolução tecnológica e produzindo bens de altíssimo valor agregado. Quando o texto foi criado, em 2007, a justificativa do incentivo era clara: fortalecer as políticas internas de estímulo à indústria de semicondutores frente à dependência de fabricantes internacionais, principalmente os asiáticos. A crise de hoje, que deve se estender até o início de 2023, bate à nossa porta para nos mostrar que a justificativa nunca esteve tão fresca.
 

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Ciência & Tecnologia
26/11/2021 03:00h

Cada veículo leva entre 300 e 1,2 mil semicondutores, componente que esteve em falta pela alta demanda de eletrônicos durante a pandemia

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Além de todo o problema de saúde, a pandemia provocada pela Covid-19 causou uma profunda crise econômica em diversos setores, entre eles o automotivo. De acordo com dados da ANFAVEA, a produção de veículos no país apresentou o pior outubro dos últimos cinco anos graças à escassez de semicondutores, já que a maioria dos componentes são importados das fábricas asiáticas. Foram 177,9 mil unidades produzidas, uma queda de quase 25% em relação ao mesmo período de 2020, quando o mercado já sofria com a pandemia.

Várias fábricas pararam em todo o mundo e, quando voltaram a abrir as portas, se viram sem os semicondutores, chips essenciais para a montagem mesmo dos modelos mais simples. Isso porque os automóveis de hoje levam de 300 a 1,2 mil desses componentes, que entraram em falta no ano passado.

A escassez de semicondutores se deu por conta de outro problema da pandemia: o distanciamento social. Os chips antes comprados pela indústria automotiva foram direcionados a outra demanda: a de eletroeletrônicos, muito requeridos por causa das aulas on-line e do home office. 

Segundo Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics, a demanda de semicondutores para automóveis era de 10% do mercado. Quando as fábricas voltaram à ativa, essa parcela do mercado já estava ocupada pela indústria de celulares e computadores, e as montadoras foram para o final da fila. “No início deste ano, a estimativa mais otimista era de que a indústria automotiva seria normalizada até o fim de 2021. Hoje, com todas as informações que chegam, a previsão é de que o problema se estenda até o fim de 2022 e se resolva apenas em 2023”, explica o especialista.

Ainda de acordo com Milad, todos os carros, dos mais simples aos mais tecnológicos, precisam de semicondutores para saírem da fábrica, já que estão espalhados nos mais diversos módulos, como segurança, emissão, propulsão, conforto e conectividade. “A sua trava na porta, com alarme, tem um chipizinho. Quando você vai dar a partida no seu veículo, todo esse processo é comandado por um módulo, a faísca que vai na vela é comandada por um módulo. A quantidade de combustível que vai dentro do cilindro é um módulo, então, são vários aspectos. Quando você tem um ABS trabalhando, porque hoje todos os carros são obrigados a ir com ABS de fábrica, desde 2013, é um chip que vem atuando por trás de tudo”, explica o especialista.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (ANFAVEA) explica que os carros fabricados no Brasil levam, em média, 600 semicondutores, mas os modelos mais tecnológicos podem empregar em seus módulos mais de mil chips. Número que deve crescer com a adoção de veículos híbridos, elétricos e autoassistidos.

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação, a expectativa é de que cerca de 300 mil veículos deixarão de ser produzidos no Brasil, em 2021, em função dessa crise global de abastecimento de componentes eletrônicos. E a situação não deve ser diferente no próximo ano. Dados de um estudo feito pelo Boston Consulting Group (BCG) mostram que de 10 a 12 milhões de carros não saíram das fábricas por conta da escassez de semicondutores neste ano e o número deve chegar a mais de 5 milhões em 2022. “Ainda temos grandes desafios. Chamo de sequelas da pandemia. Enfrentamos a crise da saúde e agora estamos enfrentando, desde o início do ano, as consequências na cadeia logística, na cadeia de produção, e isso tem afetado substancialmente o setor automotivo, em especial por conta dos semicondutores”, destaca Moraes.

Solução caseira

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), o mercado mundial do setor cresce de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de aproximadamente 200 milhões de chips anualmente. A quantidade, porém, está longe de ser suficiente. Isso porque nosso país ainda precisa importar a maior parte dos semicondutores e gasta, com isso, cerca de 5 bilhões de dólares a cada ano, valor que poderia estar entrando ou se multiplicando aqui dentro se o setor estivesse fortalecido.

A principal política pública direcionada ao tema, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), acaba em janeiro de 2022. A Câmara dos Deputados possui algumas proposições em tramitação para tratar do tema, entre elas o PL 3042/2021, que prorroga o prazo de vigência do benefício até dezembro de 2029.

Os números consolidados do setor apontar o caráter exitoso do programa: já são mais de USD 2,5 bilhões investidos em infraestrutura produtiva, máquinas e equipamentos, R$ 600 milhões empregados em atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, criação de infraestrutura laboratorial de prototipagem e testes sem precedentes na América Latina, diversas patentes concedidas no Brasil e no exterior e aproximadamente R$ 3,5 bilhões anuais em faturamento.

O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), autor do Projeto de Lei, explica que todo o planeta depende hoje de apenas seis países para conseguir os semicondutores, ou seja, o tema sempre foi uma preocupação estratégica para qualquer nação. O parlamentar lembra que além dos automóveis, tudo o que basicamente usa eletricidade depende dos semicondutores, de celulares e computadores a tratores e painéis solares.

Vitor Lippi cita o crescimento exponencial da necessidade desses produtos para evidenciar que o Brasil, que produz apenas 20% dos semicondutores que precisa, tem grande oportunidade neste mercado, mesmo porque é o maior exportador do mundo de silício, que é o principal minério utilizado na produção de semicondutores.

“Nós entendemos que fortalecer a indústria de semicondutores do Brasil é uma forma de a gente ter mais autonomia, de a gente diminuir a nossa dependência, pra gente poder ampliar o número de indústrias, dar mais segurança pros setores que utilizam esses tipos de produtos, de equipamentos aqui no Brasil e, mais do que isso, quem sabe futuramente o Brasil pode ser um grande produtor mundial e até exportador. Ao invés de a gente exportar apenas commodities, a gente poderia estar exportando produtos de valor agregado”, ressalta Lippi.

O parlamentar lembra que já foi feito um grande esforço para investir no segmento e que as políticas públicas têm o papel de construir uma indústria forte no país. “A Lei que hoje dá incentivo a essas indústrias que produzem semicondutores no Brasil termina agora em janeiro, e sem isso nossas indústrias, que já não são tão grandes, não vão conseguir competir com as empresas dos outros países. Por isso é importante que a gente apresente uma nova legislação, que é o PL 3042, de minha autoria, para que a gente possa renovar esse PADIS, que é o programa de apoio, uma matéria estratégica, muito importante para o presente e para o futuro do país.”

Lippi acredita que o assunto deve ser resolvido nas próximas semanas, já que o Governo vem sendo colaborativo neste sentido. No entanto, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, é preciso encontrar um espaço no orçamento para que se possa dar continuidade ao benefício.
 

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Ciência & Tecnologia
25/11/2021 03:00h

Os chips são essenciais para a montagem de automóveis, smartphones, computadores e demais eletroeletrônicos. Mercado asiático, que domina o setor, não conseguiu atender à demanda na pandemia

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Desde meados de 2020, quando muitas fábricas desaceleraram ou interromperam a produção devido à pandemia provocada pela Covid-19, se fala da escassez dos semicondutores, o que gerou uma crise em diversos setores do mercado mundial. Mas o que são semicondutores e por que eles fazem tanta falta?

Os semicondutores são materiais utilizados para a condução de correntes elétricas, a matéria-prima para a produção dos chips que integram os mais diversos aparelhos eletrônicos usados em nosso dia a dia, como automóveis, smartphones, televisores, videogames e computadores. Todos esses itens, além de outros vários outros eletroeletrônicos, não existiriam hoje sem os semicondutores. E por isso a falta deles ganhou tanto destaque ao redor do planeta, como explica Diogo Andrade, engenheiro mecatrônico que atualmente trabalha como desenvolvedor de softwares.

“As pessoas não param para pensar, mas o computador que ela está usando está cheio de semicondutores, o celular dela tem chips que são fabricados em Taiwan, na Coreia, os carros de hoje têm módulos que precisam dele. Assistentes virtuais que as pessoas usam dentro de casa, smartwatch, tudo tem um processador que é fabricado nessas fábricas de altíssima tecnologia agregada”, destaca o especialista, que trabalhou por alguns anos no setor.

Diogo explica que os chips são uma estrutura cristalina cúbica, geralmente fabricada com silício e germânio, elementos produzidos pela mineração e que são abundantes em todo o mundo. O que causou a escassez, no entanto, foi a pequena quantidade de fábricas, já que o processo demanda tecnologia e especialização que poucos dominam.

“Divida um metro em um bilhão de vezes e você tem o nanômetro, que são as medidas utilizadas para os transistores, as pecinhas minúsculas que vão formar os chips empregados em eletroeletrônicos e demais aparelhos que precisam deles, como carros, computadores e celulares”, explica o especialista. 

“Essas fábricas, chamadas de Foundry, quase todas concentradas na Ásia, são altamente especializadas e de altíssima tecnologia. E são poucas no mundo. Como o processo de fabricação é guardado a sete chaves, nenhuma outra pode tomar o lugar rapidamente. São necessários anos de investimento e especialização para chegar ao mesmo nível, então, se a demanda aumenta, como ocorreu nesta pandemia, encontramos num grande gargalo.”

Não bastasse o isolamento social, outras questões causaram um desequilíbrio na oferta dos semicondutores, como um incêndio em uma das maiores fábricas do planeta, no Japão, e a falta de chuvas em Taiwan – o país enfrentou a maior seca dos últimos 46 anos e isso afetou a produção, já que o processo de fabricação do dispositivo necessita de muita água.

Efeito cascata 

A desaceleração do setor produtivo por causa do distanciamento social imposto pela pandemia foi apenas o início do problema. Várias montadoras de automóveis, como Volkswagen, GM, Honda e Volvo suspenderam a produção em suas fábricas de todo o mundo e, como cada carro produzido leva, pelo menos, 300 semicondutores, a demanda pelo produto despencou.  

Nos meses seguintes, o avanço do home office e da educação à distância mudou completamente a demanda dos semicondutores com a explosão de vendas de aparelhos eletrônicos, como computadores, celulares e TVs. Como os chips usados nos carros são os mesmos, a produção foi inteiramente direcionada ao mercado de aparelhos usados dentro de casa. E quando a indústria automobilística retomou a produção, a demanda pelos componentes já estava grande demais. Tão alta, aliás, que ainda hoje causa atraso no lançamento de novos modelos de smatphones. 

Escassez de chips evidencia necessidade de fortalecer o setor no Brasil

Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics, explica que o mercado de semicondutores vem oscilando bastante desde dezembro do ano passado, quando começou a se recompor e se planejar para a enorme demanda, já que o pior da pandemia passou e as vendas dos mais variados produtos estão se normalizando aos poucos. O problema, segundo o especialista, é que a fila de espera cresceu durante a escassez e o mercado nacional vai demorar, pelo menos, mais um ano para entrar nos eixos. Principalmente porque o Brasil não está entre os primeiros a serem atendidos.

“E aí, o que que a gente a gente tem? A gente tem a perspectiva de melhora para o segundo semestre do ano que vem. O mercado chinês já está, aparentemente, se normalizado, o que é um grande indicador. Está com níveis (de produção) pré-pandemia, o que é um grande sinalizador de que as coisas estão em ordem. Mas aí a gente precisa atender o mercado europeu, o mercado norte-americano, a gente precisa atender o restante da Ásia para, depois, lembrarem de nós aqui, sul-americanos”, destaca Milad.

Incentivo à Indústria de Semicondutores

O PADIS, Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, de 2007, é um conjunto de incentivos fiscais federais instituído com o objetivo de contribuir para a atração e a ampliação de investimentos nas áreas de semicondutores. Esses incentivos incluem células e módulos/painéis fotovoltaicos para energia solar, além de insumos estratégicos para a cadeia produtiva, como o lingote de silício e o silício purificado. O programa proporciona às empresas interessadas a desoneração de determinados impostos e contribuições federais incidentes na implantação industrial, na produção, importação e comercialização dos equipamentos beneficiados. Contudo, em contrapartida, as empresas se obrigam a realizarem investimentos mínimos em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A justificativa do incentivo já era clara desde o momento em que foi criado: fortalecer as políticas internas de estímulo à indústria de semicondutores frente à dependência de fabricantes internacionais, principalmente os asiáticos. A preocupação daquela época, hoje ainda mais evidente, bate novamente à porta do setor com a possibilidade da perda dos incentivos.

A Câmara dos Deputados possui duas proposições em tramitação que pretendem resolver parte do problema. Uma delas é o PL 3042/2021, sobre prorrogação do prazo de vigência de incentivos do PADIS até dezembro de 2029, já que a vigência acaba agora em janeiro de 2022. O outro é a PEC 10/2021, sobre a exclusão do setor de TIC e semicondutores do plano de redução de incentivos tributários instituído na Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial). 
 

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05/11/2021 20:00h

Prefeito de São Luís, primeiro município maranhense a receber nova tecnologia, já elabora Projeto de Lei para adequações necessárias

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O Maranhão consegue levar internet gratuita e de alta velocidade a 96% de seus municípios e já se prepara para a chegada do 5G. A capital São Luís, primeira a receber a novidade, elabora um Projeto de Lei para as adequações necessárias na implementação da tecnologia que promete revolucionar diversos setores, como educação, indústria e agro.
 
Prefeito de São Luíz (MA), Eduardo Bride (Podemos) aproveitou o início do leilão do 5G, promovido pela Anatel desde quinta-feira (4), para antecipar em suas redes sociais a novidade. Ele está terminando de formatar Projeto de Lei sobre a chegada da nova tecnologia e deve encaminhá-lo nos próximos dias à Câmara Municipal de Vereadores. O PL busca adequar a legislação da capital maranhense e permitir o recebimento do 5G.
 
“Hoje está acontecendo o leilão do 5G, tecnologia que vai permitir maior velocidade das redes móveis e de banda larga, deixando tudo interligado e acessível. Nos próximos dias, enviarei Projeto de Lei à Câmara, que vai permitir o uso dessa tecnologia”, comentou o prefeito.
 
O estado, por meio do Programa de Cidadania Digital, tem a preocupação de levar a conexão ao maior número possível de municípios, com 1.566 pontos de internet instalados, incluindo as zonas rurais. Com a chegada da rede 5G, que é cerca de 100 vezes mais rápida que a 4G, a promessa é de uma democratização ainda maior da conectividade, além de uma grande evolução em diversos setores, como explica o deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia no país.
 
“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração, já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, então, todas essas questões precisam do 5G, necessariamente”, destaca Lippi.

Agro e Indústria

No campo, com a tecnologia 5G, além de contar com maquinários autônomos o produtor pode, por exemplo, monitorar as culturas, medir a umidade do solo em tempo real e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, definir parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana.

No setor industrial, a nova tecnologia deve otimizar os processos e causar uma revolução. Entre os ganhos possíveis estão a melhor adequação do estoque à demanda do mercado, a customização de produtos de forma ágil à necessidade dos clientes, redução de desperdício e consequentemente do custo, aumento da segurança do trabalhador por meio da realização de atividades de risco por máquinas.

Leilão do 5G começou nesta quinta-feira (4) e deve arrecadar R$ 49,7 bi em investimentos 

Segundo o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, além de uma melhor conexão ao usuário comum, a nova tecnologia deve promover uma revolução no setor de produção.
 
“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica. 
 
De acordo com o Ministério das Comunicações, a estimativa é de que as capitais, como São Luís, já tenham acesso à nova tecnologia até meados de 2022. Os demais municípios, de acordo com o número de habitantes, recebem o 5G nos próximos anos.

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05/11/2021 19:40h

Universidade de Campina Grande (PB) já coloca em prática a nova tecnologia desde 2019

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A chegada do 5G não só é aguardada na Paraíba como já vem sendo testada na prática em um projeto da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O Lab 5G, montado desde 2019 no Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG, realiza experiências e testes em uma rede 5G restrita e prepara sistemas que possibilitarão a execução de projetos de Internet das Coisas, transmissão de vídeos, aplicações de realidade aumentada, controle remoto de equipamentos, entre outras aplicações que prometem revolucionar diversos setores no país, como educação, indústria e agronegócio.

Danilo Santos, professor e pesquisador do Núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação VIRTUS da UFCG, acredita que o Lab 5G, o primeiro do Nordeste, pode fazer da Paraíba uma das protagonistas na implementação da nova tecnologia. Segundo ele, diversos setores produtivos ganharão um salto com a nova geração de comunicação móvel. 

“Diversas são as possibilidades e casos de uso a serem explorados e desenvolvidos com o 5G. No VIRTUS/UFCG já exploramos como esses novos serviços e aplicações podem se beneficiar do 5G em pesquisas e aplicações nas áreas de indústria 4.0, saúde, entre outros”, explica.

Daniel ressalta que o leilão do 5G promovido pela Anatel vai finalmente possibilitar a implementação comercial da tecnologia e modificar os serviços oferecidos à sociedade. E como a pesquisa já avalia essas melhorias na prática há mais de um ano, a Paraíba pode ajudar em uma implementação mais ágil. “Nós, como núcleo de inovação em uma universidade, já estamos prontos para desenvolver essas inovações, portanto, trazendo um retorno muito mais rápido.”

Avanços com o 5G

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), que foi relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia no país, destaca alguns dos setores que vão evoluir com a velocidade maior e o tempo de latência (ou atraso) menor em relação ao 4G. 

“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração, já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, então, todas essas questões precisam do 5G, necessariamente”, destaca Lippi.  

Agro e Indústria

No campo, com a tecnologia 5G, além de contar com maquinários autônomos o produtor pode, por exemplo, monitorar as culturas, medir a umidade do solo em tempo real e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, definir parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. 
No setor industrial, a nova tecnologia deve otimizar os processos e causar uma revolução. Entre os ganhos possíveis estão a melhor adequação do estoque à demanda do mercado, a customização de produtos de forma ágil à necessidade dos clientes, redução de desperdício e consequentemente do custo, aumento da segurança do trabalhador por meio da realização de atividades de risco por máquinas.

Segundo o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, além de uma melhor conexão ao usuário comum, a nova tecnologia deve promover uma revolução no setor de produção.

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, a estimativa é de que todas as capitais já tenham acesso à nova tecnologia até meados de 2022.
 

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04/11/2021 20:15h

Tecnologia vai promover revolução em diversos setores, como agro, educação e mineração

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A chegada do 5G promete uma revolução em diversos setores, como educação, agro e mineração. Mas é na indústria de energia renovável que o Rio Grande do Norte está de olho. A novidade tem tudo para mudar a produção de energia eólica no estado potiguar. 

Segundo Hugo Fonseca, coordenador de desenvolvimento energético do Governo do Estado, a chegada do 5G, em primeiro lugar, vai promover a democratização do acesso à internet, podendo chegar a mais pessoas, mesmo nos municípios mais distantes. Ele destaca, no entanto, que a nova geração de comunicação móvel vai trazer outros benefícios específicos para cada estado, como é o caso da energia renovável no Rio Grande do Norte.

“A indústria voltada à energia precisa muito do 5G. O estado hoje é o maior produtor de energia eólica e a maioria tem aerogeradores que trabalham muito com análise de dados, informações e telemetrias. Com o acesso ao 5G, principalmente expandindo para a região do interior do estado, onde tem a quantidade maior de usinas em operação, vai melhorar a conexão desses parques, com dados em tempo real”, explica Hugo.

Em tempos de crise energética por causa da baixa no nível dos reservatórios, o Rio Grande do Norte tem todas as ferramentas para apostar em energias renováveis e contornar o problema. O estado tem o maior complexo eólico do país, com mais de 200 parques eólicos em operação. O mais recente foi construído em São Miguel do Gostoso, onde operam 49 aerogeradores em uma área de 300 hectares. Além de ajudar a solucionar a crise elétrica, esse projeto, sozinho, vai evitar a emissão de mais de 543 mil toneladas de CO² na atmosfera. 

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), que foi relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia no país, destaca alguns dos setores que vão evoluir com a tecnologia que tem uma velocidade maior e tempo de latência (ou atraso) menor que o 4G. 

“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração, já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, então, todas essas questões precisam do 5G, necessariamente”, destaca Lippi.  

Agro e Indústria

No campo, com a tecnologia 5G, além de contar com maquinários autônomos o produtor pode, por exemplo, monitorar as culturas, medir a umidade do solo em tempo real e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, definir parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. 

No setor industrial, a nova tecnologia deve otimizar os processos e causar uma revolução. Entre os ganhos possíveis estão a melhor adequação do estoque à demanda do mercado, a customização de produtos de forma ágil à necessidade dos clientes, redução de desperdício e consequentemente do custo, aumento da segurança do trabalhador por meio da realização de atividades de risco por máquinas.

Segundo o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, além de uma melhor conexão ao usuário comum, a nova tecnologia deve promover uma revolução no setor de produção.

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Já João Emilio, superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, destaca que uma das maiores mudanças diz respeito à igualdade de condições da indústria brasileira no mercado mundial. “Quando falamos em competitividade no cenário internacional, a infraestrutura adequada para o desenvolvimento da indústria 4.0 é condição primordial. Precisamos oferecer as condições básicas para termos um setor produtivo capaz de competir de igual para igual com empresas estrangeiras e ajudar na retomada da economia, na geração de empregos. Daí a importância de o Brasil priorizar e acelerar a implementação do 5G”, comentou.

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 
 

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04/11/2021 20:05h

Estado registra mais de R$ 16 bi com produção no campo até setembro deste ano. Nova geração de internet móvel deve garantir eficiência e competitividade aos produtores rurais

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O agronegócio do Tocantins movimentou quase R$ 16,6 bilhões entre janeiro e setembro deste ano. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o estado é o 13º produtor agropecuário do país. E, no que depender da tecnologia 5G, os produtores tocantinenses vão ganhar eficiência e competitividade nos próximos anos. 

O primeiro desafio é garantir que a internet chegue ao campo. As propriedades rurais do estado, em sua maioria, não têm acesso à internet, seguindo tendência nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, 71,8% dos estabelecimentos rurais do Brasil não possuíam conexão. 

Segundo especialistas, a implementação da quinta geração de internet móvel vai causar impactos mais significativos no agronegócio e na indústria, graças à chamada Internet das Coisas, ou IoT (do inglês Internet of Things). 

A Internet das Coisas é o que permite que as máquinas se comuniquem entre si, o que fará diferença no processo de automatização da produção no campo, seja na agricultura ou na pecuária. Gustavo Brito, executivo da IHM, explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar as culturas. 

“Através de um IoT, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo, e por meio de algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, afirma.  

A agricultura de precisão não será a única a se beneficiar com o 5G, mas a criação de gado e de outros animais também será mais eficiente. Segundo Antonio Bordeaux, especialista em IoT, será possível, por exemplo, monitorar o gado por meio de pequenos dispositivos eletrônicos e tornar mais efetiva a locomoção dos animais, saber a hora certa do abate e diminuir as perdas por roubo. 

Sétimo maior produtor agropecuário do país, Mato Grosso do Sul deve se beneficiar com chegada do 5G

Chegada do 5G deve trazer melhorias para o setor agropecuário de Goiás

No entanto, para que tudo isso seja possível é preciso garantir que a internet chegue às propriedades rurais do Tocantins. É aí que o leilão do 5G entra, pois as operadoras que vão explorar o serviço no país terão que ampliar a conexão de 4G para as localidades com mais de 600 habitantes, o que abrange boa parte do campo. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, destaca como a Internet das Coisas, que já é possível com o 4G, pode impactar o setor agrícola. “Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, diz. 

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 

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