5G

Economia
03/01/2022 04:30h

Em entrevista ao Brasil61, o autor da proposta, deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), afirma que o país tem capacidade para ser autossuficiente na produção de semicondutores, sem depender de importação

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O projeto de lei que prorroga até 2026 os incentivos à indústria de semicondutores (PL 3042/21) foi aprovado pelo Senado e segue agora para sanção presidencial. Esses dispositivos são essenciais para a conectividade e automação de veículos e aparelhos eletrônicos. Por isso, durante a pandemia, a demanda pelos semicondutores cresceu exponencialmente devido ao aumento de aulas remotas e home office. 

Com a chegada do 5G, em 2022, a procura pelos chips será ainda maior. No entanto, o Brasil gasta anualmente 5 bilhões de dólares com importação de semicondutores, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI). 

Em entrevista ao Brasil61.com, o autor do PL, deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), afirma que o Brasil - um dos seis produtores de semicondutores do mundo - tem potencial para produzir muito mais.

“O Brasil é o maior exportador do mundo de silício (matéria-prima dos semicondutores). Esse silício sai daqui muito barato, custa R$ 10 o quilo. Depois, quando você compra esses materiais já prontos da Ásia, compra por R$ 35 mil o quilo. Mas eu tenho certeza que nós podemos produzir muito mais. O Brasil, ao invés de ser um grande importador (importa 90% dos semicondutores), poderia ser um exportador.”

 “O Brasil, ao invés de ser um grande importador (importa 90% dos semicondutores), poderia ser um exportador.” Deputado federal Vitor Lippi.

O deputado afirma que tem trabalhado com o governo federal para criar um Plano Nacional de Semicondutores. “Criar um ambiente favorável, para que possamos produzir tudo aqui. Além de dar autonomia para o Brasil, que é importante para a soberania nacional, também é importante para a economia do país, porque nós iríamos produzir bens de valores agregados, gerando emprego de qualidade, com tecnologia e cadeias produtivas”.

Vitor Lippi destaca a importância dos semicondutores para a indústria de veículos. “Inclusive, a indústria de veículos está interessada em que o Brasil produza mais semicondutores, porque o Brasil é o quinto maior produtor de veículos do mundo. E também está entre os cinco maiores produtores do mundo de eletroeletrônicos. Então é uma grande oportunidade para o Brasil incentivar, valorizar e ampliar a produção de semicondutores.”

Demanda por semicondutores deve crescer ainda mais com o 5G

Especialistas defendem investimentos em 5G e semicondutores para alavancar crescimento do país

Lei Geral das Antenas

Outra proposta de autoria do deputado Vitor Lippi, o PL 8518/2017 altera a Lei Geral das Antenas para disciplinar o licenciamento temporário e acelerar o processo de instalação de infraestruturas de telecomunicações em áreas urbanas. Se aprovada, a medida pode facilitar a chegada da tecnologia 5G nos municípios.

O parlamentar destaca a importância da internet para que o Brasil cresça, reduza as desigualdades regionais e possa melhorar sua produtividade.

“Não existe desenvolvimento no mundo sem internet, sem banda larga. E recentemente tivemos o leilão do 5G, que vai aumentar em 50 a 100 vezes a velocidade da internet no Brasil, o que vai permitir que tenhamos tecnologias que, com 4G, não conseguimos ter. Poderemos ficar autônomos, ter robôs dentro das indústrias, ter tecnologias de cirurgias à distância.”

“Quem tem 5G na sua indústria consegue ampliar, através do uso de tecnologia, em 10%, 20% sua produtividade; assim como no campo”, acrescenta.

“Quem tem 5G na sua indústria consegue ampliar, através do uso de tecnologia, em 10%, 20% sua produtividade; assim como no campo.” Deputado federal Vitor Lippi.

O deputado também aponta outro benefício do leilão do 5G: a ampliação da capacidade de antenas 4G para atender a zona rural. Atualmente 70% das residências rurais não possuem banda larga.

“Isso é muito importante para nossas estradas, para melhorar a logística do Brasil, para acompanhar as cargas. Tudo isso vai ser cada vez mais digital”, comenta.

No entanto, Vitor Lippi lembra que a chegada do 5G exige de 5 a 10 vezes mais antenas do que existem no país atualmente. 

“A lei do Brasil ainda é muito atrasada. Cada município brasileiro tem uma legislação. Quando uma operadora quer implantar uma antena, ela deve solicitar à prefeitura. E é comum demorar seis meses, um ano, um ano e meio para a prefeitura autorizar. Isso é um absurdo, porque precisamos dessa tecnologia rapidamente; a sociedade precisa, todo mundo precisa de conectividade’”, esclarece.

“Nós estamos criando uma nova lei que dá 60 dias para a prefeitura se manifestar, dizer se vai autorizar ou não. Nós achamos que essa lei, que não vai ter gasto para ninguém, vai criar uma velocidade muito maior para a implantação do 5G”. 

Caso não haja resposta da prefeitura dentro do prazo, a empresa recebe automaticamente o licenciamento temporário para a instalação, por meio de um “silêncio positivo”. 

O PL 8518/2017 ainda não foi apreciado pelo Plenário da Câmara, que saiu de recesso e só voltará em 2 de fevereiro de 2022. Vitor Lippi avalia que o atraso na aprovação da nova Lei das Antenas pode trazer prejuízos incalculáveis para a população.

“Um ano atrás, a cidade de São Paulo ficou dois anos sem autorizar [instalação de] antenas. As operadoras tinham quase R$ 1 bilhão para investir, ampliar e melhorar o sinal para a capital. Imagina o prejuízo para a sociedade por conta da burocracia.”

Governo e operadoras vencedoras do leilão do 5G assinam contratos das concessões

5G: Lei das Antenas precisa ser regulamentada em âmbito municipal, para receber nova tecnologia

A instalação de infraestruturas de telecomunicações em áreas urbanas, neste caso, sem uma resposta do órgão competente após os 60 dias, é temporária e precisa estar em conformidade com as condições mencionadas no requerimento apresentado pela prestadora e com as demais regras estipuladas em lei municipal e nas normas técnicas. 

Caso não estejam de acordo, a autorização poderá ser revogada a qualquer tempo, caso a autoridade municipal apresente à Anatel exposição de motivos que fundamentem a inviabilidade da ação, como, por exemplo, a instalação de equipamentos em áreas de preservação permanente ou em construções históricas.

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22/12/2021 02:30h

Evento do Ministério das Comunicações mostrou o que se pode fazer com o sinal de quinta geração. Capital potiguar será uma das primeiras a receber a nova tecnologia de internet móvel

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Algumas funcionalidades do 5G, nova geração de internet que está chegando ao Brasil, foram demonstradas na última quinta-feira (16), em Natal (RN). O evento, promovido pelo Ministério das Comunicações, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), destacou projetos que poderão ser aplicados na capital potiguar, uma das primeiras a receber a nova tecnologia, entre eles luminárias inteligentes para iluminação pública.

A ABDI será responsável pela instalação, em caráter experimental, de luminárias munidas com antenas 5G e câmeras de vídeo nas cidades de Ceará Mirim (RN), Petrolina (PE), Araguaína (TO), Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR).

"A chegada do 5G possibilitará a criação de modelos de negócios inovadores, gerando empregos e contribuindo para o desenvolvimento do país", comemorou o ministro das Comunicações, Fábio Faria. Além de ressaltar os benefícios do novo padrão de conectividade, com ganhos para a medicina, comércio, educação, turismo, entre outros, o ministro também lembrou que a chegada das novas operadoras estimula o livre mercado e isso vai refletir em preços mais baratos.

Fábio Faria espera que todas as escolas do Brasil possam ter, em breve, conexão com a internet, e destacou que o Brasil está pronto para uma revolução, mesmo porque a nova tecnologia vai oportunizar uma preparação adequada dos jovens.

“Antigamente a gente tinha de fazer um curso de datilografia para ter emprego. Antigamente era medicina, engenharia, direito. Hoje, não. É robótica, ciência da computação. Aí se a gente tem esse mundo novo chegando e não tem o 5G aqui, como é que nossas crianças vão se preparar? Não tem chance. Então, a gente vai ter a oportunidade de preparar nossas crianças, nossos jovens, para esse futuro novo que está chegando”, disse o ministro.

Mais rápida

A Brisanet, empresa que arrematou os lotes referentes às regiões Nordeste e Centro-Oeste no leilão do 5G, também realizou, durante o evento em Natal, demonstração com a tecnologia para exibir as diferenças entre o sinal de altíssima velocidade e baixa latência da quinta geração em relação à geração anterior. Já as startups de tecnologia mostraram o uso do 5G na prática, em casos como o Robo Educ, ferramenta de ensino para crianças; a impressão 3D para escolas; um robô de acompanhamento para idosos; e um sistema de tradução automática para libras.

Entrave das antenas

O maior leilão de radiofrequências da América Latina ocorreu no início de novembro e arrecadou R$ 47,2 bilhões, dos quais mais de 85% serão revertidos em investimentos, devido ao perfil não arrecadatório do certame. Dessa forma, foi viabilizada a expansão da conectividade no país, com internet de alta velocidade para localidades com pouca ou nenhuma conexão, e a cobertura de 36 mil km de rodovias federais e em escolas públicas. 

Também estão previstas como contrapartidas a serem cumpridas pelas operadoras a implantação da infraestrutura de fibra óptica na região Amazônica e a estruturação da rede privativa de comunicação da Administração Pública Federal.

A chegada da tecnologia, no entanto, tem uma barreira a ser vencida: a burocracia referente à instalação de antenas nos municípios. A solução ainda aguarda análise na Câmara dos Deputados: o PL 8518/2007, que altera a Lei Geral das Antenas e dá maior agilidade ao processo, que atualmente pode demorar mais de um ano e atrapalha a chegada da internet de quinta geração às cidades.

Revolução econômica

A implementação do 5G no país irá gerar impactos em diversos setores da economia, como a indústria, o agronegócio e a saúde. A nova tecnologia vai transformar a rotina dos negócios, a partir da conexão simultânea com mais computadores até o compartilhamento de dados em tempo real. Estas inovações permitem integrar e otimizar a cadeia produtiva ao operar grandes equipamentos de maneira remota. 

Serviços de streaming, videochamadas e transmissões de eventos esportivos, educacionais ou culturais passarão a contar com resolução melhor de imagem e áudio, sem interrupções ou perda de qualidade. Objetos do dia a dia, como eletrodomésticos, roupas e até a própria residência, poderão ser conectados à rede mundial de computadores e acionados remotamente.

A tecnologia do 5G estará disponível em todas as capitais brasileiras até julho de 2022. Em municípios com mais de 500 mil habitantes, o prazo limite para implantar o 5G é julho de 2025. A previsão é que 60% dos municípios com menos de 30 mil habitantes estejam atendidos até dezembro de 2027, meta que sobe para 90% até dezembro de 2028 e 100% até dezembro de 2029.

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17/12/2021 02:30h

São Paulo há mais de dois anos não aprova instalação de novas antenas

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Com o objetivo de adequar as legislações municipais às necessidades requeridas para a chegada do 5G, o governo do estado de São Paulo já enviou projeto de lei para a Assembleia Legislativa. A meta é regularizar a situação das antenas nos municípios para que as cidades estejam aptas a receber a quinta geração de internet móvel já a partir de 2022.

O governo do estado lançou em novembro o programa Conecta SP, com a meta de preparar os 645 municípios paulistas para a chegada da cobertura 5G. A iniciativa conta com investimento de R$ 3 milhões. Nesta etapa inicial, a principal meta do projeto Conecta SP é estimular a modernização das legislações municipais, aspecto considerado fundamental para a rápida implantação do 5G. Prefeitos e vereadores conheceram detalhes da proposta e também terão apoio técnico do estado para atualização de leis locais de antenas.

Segundo dados da Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel), São Paulo tem cerca de 7,5 mil antenas, o que dá uma antena para cada 2 mil habitantes, com bairros periféricos chegando a uma taxa de 10 mil hab/antena. Nos Estados Unidos, a média nacional é 837 habitantes por estação.

Segundo os editais do leilão do 5G, todas as capitais brasileiras devem receber o 5G até julho de 2022. As demais obedecem a um prazo para implementação de acordo com a população municipal: primeiro as cidades com mais de 500 mil habitantes, depois as com mais de 200 mil e assim por diante. 

São Paulo tem oito cidades com mais de 500 mil habitantes, que receberão a quinta geração de internet até julho de 2025. Entre elas, Guarulhos, Campinas, Sorocaba, Osasco e Santo André, regiões com alto índice de produtividade e que podem passar por uma transformação em diversos setores, como na indústria.

Segundo Vitor Lippi (PMDB-SP), autor do projeto de lei que altera os prazos para instalação, mais de quatro mil pedidos de novas antenas de celular e internet móvel aguardam licenciamento pelas prefeituras em todo o país, sendo que os processos de licenciamento levam, em média, mais de um ano para serem concretizados. Apenas em São Paulo, não se liberam licenças para novas instalações há mais de dois anos.

O deputado acredita que o PL 8518/2007, que altera a Lei de Antenas, deve ir a plenário em breve, já que conta com a aprovação dos parlamentares. “Já tem as assinaturas dos líderes para a urgência da matéria, que deve ser analisada em breve pela Câmara dos Deputados”, destaca Lippi.

Alteração Lei Geral de Antenas

Após os leilões do 5G, a implementação de uma infraestrutura de telecomunicações avançada se tornou prioridade no Brasil, mas a burocracia referente à instalação de antenas nos municípios se tornou um problema para a chegada da quinta geração de internet. A solução está à espera de análise na Câmara dos Deputados, com o PL 8518/2007, que altera a Lei Geral das Antenas e dá maior agilidade ao processo.

Eduardo Neger, presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), explica que a Lei Geral das Antenas já era importante nas redes convencionais, como a 3G e a 4G, mas que a alteração é necessária justamente porque a chegada do 5G exige uma nova infraestrutura e a burocracia atrapalharia todo o processo. Mesmo porque as legislações atuais são ultrapassadas, baseadas em tecnologia antiga, ou seja, quando se trata da instalação de infraestrutura de comunicação, se pensa em enormes estruturas, algo diferente do que será necessário hoje.

“E é aí que a gente tem o conflito com a legislação municipal. No Brasil, o uso de ocupação de solo é regulamentado pela legislação do município, cada cidade tem lá seu modelo e boa parte das legislações, com raras exceções, foram planejadas para as tecnologias dos anos 1990, quando era necessário construir uma infraestrutura grande de torre, edificações com ar condicionado, enormes. Hoje, as estações, principalmente essas menores de ondas milimétricas (do 5G), têm a dimensão de uma caixa de sapato”, destaca o especialista.

O deputado federal Samuel Moreira (PMDB-SP), relator do projeto na Comissão de Desenvolvimento Urbano, explica que a nova tecnologia de dados móveis precisa dessa infraestrutura para chegar aos municípios, mas as prefeituras costumam demorar meses para conceder a liberação de instalação de novas antenas. 

O PL, então, chega para agilizar e desburocratizar o processo, já que aplica um prazo de 60 dias para que a prefeitura responda à solicitação. Caso não haja resposta, a empresa recebe automaticamente o licenciamento temporário para a instalação, por meio de um “silêncio positivo”.

“Essa nova lei é importante porque ela agiliza a liberação. Porque antes você faz o pedido da licença para a instalação e a prefeitura responde quando quer. Nós estabelecemos um prazo, e aí é um silêncio que se torna uma autorização”, explica Moreira.

A instalação de infraestruturas de telecomunicações em áreas urbanas, neste caso, sem uma resposta do órgão competente após os 60 dias, é temporária e precisa estar em conformidade com as condições mencionadas no requerimento apresentado pela prestadora e com as demais regras estipuladas em lei municipal e nas normas técnicas. 

Caso não estejam de acordo, a autorização poderá ser revogada a qualquer tempo, caso a autoridade municipal apresente à Anatel exposição de motivos que fundamente a inviabilidade da ação, como, por exemplo, a instalação de equipamentos em áreas de preservação permanente ou em construções históricas.
 

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16/12/2021 19:15h

Em audiência pública, Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados reuniu especialistas para debater a relação entre conectividade e retomada econômica

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O setor de produção de semicondutores será essencial para a retomada econômica e a maior conectividade do país, já que os chips são essenciais em todos os aparelhos eletroeletrônicos que estarão conectados ao 5G em uma escala muito maior que a atual. A afirmação foi feita pelo  presidente da Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, em audiência pública nesta terça-feira (14), do Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados, para discutir a inserção digital e a conectividade como estratégias para a retomada econômica e geração de emprego e renda no pós-pandemia. O estudo tem como relatores os deputados Da Vitória (Cidadania-ES) e Francisco Jr. (PSD-GO).

Humberto Barbato, ressaltou que as nações líderes em tecnologia e inovação investem, além de recursos financeiros, em marcos legais efetivos e eficientes no sentido de mitigar vulnerabilidades de alta dependência e fornecimento externo de componentes chave para a indústria de tecnologia.

Esse é o caso dos semicondutores. O Brasil, assim como outros países, sofreu prejuízos em diversos setores com a escassez do produto durante a pandemia e corre o risco de perder força no setor por falta de políticas públicas, principalmente com o fim dos incentivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), que acaba em 22 de janeiro de 2022. A prorrogação do prazo de vigência de incentivos do PADIS até dezembro de 2029, proposta pelo PL 3042/2021, torna-se urgente, segundo Humberto.

“Estamos certos que a renovação no regime do PADIS representará a retomada do ciclo da indústria fotovoltaica brasileira uma forte perspectiva para o Brasil exercer liderança regional e competir com players globais na produção de energia limpa, sustentável e em volume necessário pra atender a demanda do país, além de fornecer produtos para suprir mercados externos de forma competitiva”, destaca o presidente da Abinee.

Já o gerente regulatório da Conexis – Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel, Ildeu Borges, levantou a questão dos entraves para a chegada do 5G no Brasil. Isso atrapalha o avanço nas telecomunicações e, por consequência, um importante fator na recuperação da economia. Após o bem-sucedido leilão das radiofrequências do 5G, arrematadas por mais de R$ 47 bilhões, a nova tecnologia de internet móvel esbarra na legislação das antenas para começar a promover a revolução de conectividade prometida.

O 5G vai exigir a implementação de uma moderna infraestrutura de telecomunicações, com antenas muito menores que as atuais, mas que precisam constar em maior número. O problema é que as autorizações para instalação partem do município e podem demorar mais de um ano. A solução é a alteração da Lei Geral das Antenas, proposta pelo PL 8518/2007, ainda à espera de análise na Câmara dos Deputados. O texto autoriza as prestadoras a instalarem o equipamento caso a prefeitura não responda a solicitação após o prazo de 60 dias.

“O 5G, para que ele entregue todas essas características e funcionalidades, depende de muito mais antenas do que as antenas que são utilizadas hoje para o 4G e 3G. São antenas menores, com uma potência muito menor do que a que existe hoje, mas que infelizmente são regulamentadas da mesma forma que as antenas grandes”, explica Ildeu.

O presidente da Conexis ressaltou, ainda, que a pandemia acelerou tendências e demonstrou como o uso das telecomunicações pode aumentar a produtividade dos negócios, conectando pessoas, empreendimentos, governos, serviços, produtos, ideias e conhecimento. Mas que a melhor e maior conectividade prometida pelo 5G não pode esbarrar neste tipo de entrave. “É importante que as barreiras que atualmente existem para uma maior expansão dos serviços de telecomunicações sejam retiradas para potencializar seus efeitos.”
 

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08/12/2021 15:00h

Após oficialização dos contratos do 5G, desafio envolve legislação para instalação de antenas

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O leilão do 5G no Brasil foi um sucesso, com arremate superior a R$ 47 bilhões, e o ponta pé inicial para a chegada da nova tecnologia de dados móveis foi dado nesta terça-feira (7), na cerimônia de assinatura dos termos de autorização para uso de radiofrequências nas faixas de 700 MHz; 2,3 GHz; 3,5 GHz; e 26 GHz com as dez empresas vencedoras dos certames. A instalação e utilização da quinta geração da internet, porém, ainda esbarra em algumas barreiras, como a necessidade de alteração na Lei Geral das Antenas, ainda em análise na Câmara dos Deputados.

Durante a cerimônia no salão nobre do Palácio do Planalto, que além dos representantes das empresas contou com a presença de diversas autoridades do governo,o presidente Jair Bolsonaro falou sobre a importância da implementação da quinta geração de internet móvel. “É um salto para as comunicações, bem como na internet das coisas. Para o comércio, isso não tem preço, a diminuição de custos, e o aumento da qualidade dos serviços. É o Brasil dando certo”, destacou o presidente.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, ressaltou que a chegada do 5G vai trazer avanços para economia, saúde e educação, além de melhores possibilidades para indústria, comércio, agricultura e serviços. O chefe da pasta citou também a conectividade em todas as rodovias federais pelo país. “Os 35 mil quilômetros de rodovias federais receberão internet por causa do leilão. O 4G conectou pessoas e o 5G conecta indústria. A rodovia é escoamento de produção”, pontuou.

Alteração na Lei Geral de Antenas

Para a implementação concreta da nova tecnologia de cobertura móvel, no entanto, será necessário aumento considerável no número de antenas, dada suas características técnicas. Os equipamentos são menores – aproximadamente do tamanho de caixa de sapato –, silenciosos e ocupam espaços mais comuns, como postes de iluminação, fachadas e telhados de prédios, tudo sem a necessidade das enormes antenas de tecnologias anteriores. Mesmo assim, a instalação dessa infraestrutura esbarra na burocracia dos municípios, o que vai atrasar a chegada do 5G em várias localidades.

A solução do problema já está encaminhada, com o PL 8518/2017, de autoria do deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP). O texto, à espera de análise na Câmara dos Deputados, modifica a Lei nº 13.116, de 20 de abril de 2015, conhecida como Lei Geral das Antenas, acelerando o processo de autorização de novas antenas, que segundo o parlamentar dura de meses a anos por causa da burocracia.

O deputado destaca que, após a alteração, a empresa poderá solicitar a instalação do novo equipamento e, caso não seja respondida no prazo de dois meses, pode colocar o equipamento. “O que é necessário aí, o pressuposto, é que as empresas apresentem um projeto com assinatura do técnico responsável, conforme todas as normas vigentes no país, a ABNT e tudo mais, e ela protocola isso na prefeitura e a prefeitura vai ter 60 dias para se manifestar. Se a prefeitura não se manifestar, você tem uma autorização tática. É uma autorização provisória, mas você já tem autorização”, explica o parlamentar.

Alteração em lei das antenas pode facilitar chegada de 5G em municípios

5G: Preciso trocar meu aparelho? Consumidores têm dúvidas sobre a nova tecnologia

RJ: capital do estado foi a primeira a regulamentar a instalação e compartilhamento das antenas para a tecnologia de telefonia 5G

Em resumo, a empresa ganha da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) uma concessão temporária para a instalação de infraestruturas de telecomunicações, mas sabendo que deve seguir as regras estipuladas em lei municipal e as normas técnicas vigentes. Caso o novo equipamento esteja em desacordo, a Anatel pode revogar a autorização em até 15 dias úteis, a pedido da prefeitura.

Segundo Vitor Lippi, os pedidos de novas antenas entram em uma longa fila de toda a sorte de solicitações e, muitas vezes, o município não dispõe de técnicos suficientes para as análises, daí o atraso na liberação. Com a modificação na Lei Geral das Antenas, o problema se resolve e se evita o atraso da instalação da quinta geração da internet. “A gente cria uma lei federal que altera esse pedido, sem ferir a autonomia do município, que pode fazer a solicitação de retirada logo depois, sem ônus algum para a prefeitura. Então, acreditamos que isso vai simplificar muito”, diz o parlamentar.

O deputado ainda ressalta que já tem as assinaturas dos líderes para a urgência da matéria, que deve ser analisada em breve pela Câmara dos Deputados, já que conta com o apoio de 100% dos parlamentares.

Avanços esperados com o 5G:

  • Aumento das taxas de transmissão – maior velocidade de navegação.
  • Baixa latência – resposta mais rápida na navegação de dados.
  • Maior quantidade de dispositivos conectados em uma área
  • Maior eficiência na transmissão de dados
  • Maior eficiência energética dos equipamentos

O leilão do 5G é considerado pela Anatel o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet.

Entre as obrigações das empresas telefônicas está a implantação de estações de transmissão para a nova tecnologia em todas as capitais do país até julho de 2022. Os demais municípios com mais de 100 mil habitantes recebem o 5G até 2027 e o restante do Brasil deve se conectar à quinta geração até meados de 2030.

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29/11/2021 03:00h

A escassez de chips pode sofrer nova crise a partir de 2023, com a chegada do 5G e uma nova demanda no mercado mundial

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O mercado de semicondutores cresce de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de mais de 200 milhões de chips a cada 12 meses. Ainda assim, o país gasta 5 bilhões de dólares anualmente com importação de semicondutores. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI).

A atual escassez de semicondutores causada pelo aumento da demanda dos eletroeletrônicos provocada pela pandemia é apenas a ponta do iceberg. Se a expectativa de normalização desse mercado se confirmar  no início de 2023, outra demanda vai pressionar o setor, porque o 5G já estará inserido no cotidiano. Com a nova tecnologia, a necessidade de chips será ainda maior, uma vez que a revolução da rede vai demandar muitos sensores, que são justamente semicondutores. As residências estão sendo cada vez mais automatizadas, assim como tratores, caminhões, fábricas. Setores que antes utilizavam nada ou pouco da rede, estarão completamente dependentes da nova geração de internet móvel.

“A chegada do 5G vai abrir a possibilidade de uma maior conectividade de tudo, principalmente daquilo que não era viável antes”, destaca engenheiro mecatrônico que atualmente trabalha como desenvolvedor de softwares, Diogo Andrade. “A geladeira, agora, terá conectividade com a internet, um brinquedo, um trator na lavoura ou uma máquina em uma fábrica. A demanda por chips, processadores, módulos que se comunicam com a nova geração de internet móvel será astronômica daqui para frente.”

Apoio à indústria de semicondutores

Desde 1991, com a Lei da Informática, o Brasil tenta se firmar no mercado de tecnologia da informação e de comunicação (TIC), do qual a indústria de semicondutores faz parte. O setor específico está em franca ascensão no país desde 2007, com a criação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), mas tem um longo caminho a percorrer para conseguir não só uma boa fatia do bilionário comércio mundial de chips, como também atender à demanda interna.

O PADIS se encerra em janeiro de 2022, mas a Câmara dos Deputados possui duas proposições em tramitação para tratar do tema. Uma delas é o PL 3042/2021, sobre a prorrogação do prazo de vigência do programa até dezembro de 2029. O outro é a PEC 10/2021, sobre a exclusão do setor de TIC e semicondutores do plano de redução de incentivos tributários instituído na Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial).

Segundo o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), agora que a indústria de semicondutores está começando a crescer no Brasil e a buscar competitividade no mercado mundial, as políticas públicas são imprescindíveis para fortalecer o setor. Principalmente após a crise provocada pela escassez dos componentes, o que evidenciou a necessidade de uma menor dependência do mercado externo.

“Ter uma política de incentivo à produção torna o país mais independente, mais isonômico. Uma política industrial feita num país como o Brasil que não respeita esta importância da autonomia para a sua funcionalidade sofre, como agora, crises, porque Hong Kong, não podendo fornecer para nós os semicondutores, acaba gerando uma inflação gigantesca entre nós e uma demanda enorme por produtos que não podem ser entregues, por não ter os semicondutores”, destaca Moreira.

Segundo Diogo Andrade, o Brasil tem um longo caminho a percorrer se quiser investir no setor de semicondutores e diminuir a dependência do mercado internacional. E isso não será possível sem incentivos. “É um caminho longo porque quem está no topo não abre sua tecnologia para quem está começando. E o que evoluímos até agora não pode ser jogado fora”, avisa o engenheiro mecatrônico. “Precisamos de incentivos públicos cada vez mais, pois vamos ter de reinventar aquilo que já foi inventado lá fora. Esse mercado asiático, hoje tão dominante, foi alavancado por investimentos públicos. E continuam sendo. O mercado nacional de semicondutores deve ser um projeto de país, algo de longo prazo que não pode sofrer interferência com a mudança de governos.”

O PADIS permitiu que diversas empresas que atuam do design à manufatura de chips ampliassem investimentos no Brasil, criando empregos, gerando riquezas, promovendo evolução tecnológica e produzindo bens de altíssimo valor agregado. Quando o texto foi criado, em 2007, a justificativa do incentivo era clara: fortalecer as políticas internas de estímulo à indústria de semicondutores frente à dependência de fabricantes internacionais, principalmente os asiáticos. A crise de hoje, que deve se estender até o início de 2023, bate à nossa porta para nos mostrar que a justificativa nunca esteve tão fresca.
 

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Ciência & Tecnologia
26/11/2021 03:00h

Cada veículo leva entre 300 e 1,2 mil semicondutores, componente que esteve em falta pela alta demanda de eletrônicos durante a pandemia

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Além de todo o problema de saúde, a pandemia provocada pela Covid-19 causou uma profunda crise econômica em diversos setores, entre eles o automotivo. De acordo com dados da ANFAVEA, a produção de veículos no país apresentou o pior outubro dos últimos cinco anos graças à escassez de semicondutores, já que a maioria dos componentes são importados das fábricas asiáticas. Foram 177,9 mil unidades produzidas, uma queda de quase 25% em relação ao mesmo período de 2020, quando o mercado já sofria com a pandemia.

Várias fábricas pararam em todo o mundo e, quando voltaram a abrir as portas, se viram sem os semicondutores, chips essenciais para a montagem mesmo dos modelos mais simples. Isso porque os automóveis de hoje levam de 300 a 1,2 mil desses componentes, que entraram em falta no ano passado.

A escassez de semicondutores se deu por conta de outro problema da pandemia: o distanciamento social. Os chips antes comprados pela indústria automotiva foram direcionados a outra demanda: a de eletroeletrônicos, muito requeridos por causa das aulas on-line e do home office. 

Segundo Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics, a demanda de semicondutores para automóveis era de 10% do mercado. Quando as fábricas voltaram à ativa, essa parcela do mercado já estava ocupada pela indústria de celulares e computadores, e as montadoras foram para o final da fila. “No início deste ano, a estimativa mais otimista era de que a indústria automotiva seria normalizada até o fim de 2021. Hoje, com todas as informações que chegam, a previsão é de que o problema se estenda até o fim de 2022 e se resolva apenas em 2023”, explica o especialista.

Ainda de acordo com Milad, todos os carros, dos mais simples aos mais tecnológicos, precisam de semicondutores para saírem da fábrica, já que estão espalhados nos mais diversos módulos, como segurança, emissão, propulsão, conforto e conectividade. “A sua trava na porta, com alarme, tem um chipizinho. Quando você vai dar a partida no seu veículo, todo esse processo é comandado por um módulo, a faísca que vai na vela é comandada por um módulo. A quantidade de combustível que vai dentro do cilindro é um módulo, então, são vários aspectos. Quando você tem um ABS trabalhando, porque hoje todos os carros são obrigados a ir com ABS de fábrica, desde 2013, é um chip que vem atuando por trás de tudo”, explica o especialista.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (ANFAVEA) explica que os carros fabricados no Brasil levam, em média, 600 semicondutores, mas os modelos mais tecnológicos podem empregar em seus módulos mais de mil chips. Número que deve crescer com a adoção de veículos híbridos, elétricos e autoassistidos.

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação, a expectativa é de que cerca de 300 mil veículos deixarão de ser produzidos no Brasil, em 2021, em função dessa crise global de abastecimento de componentes eletrônicos. E a situação não deve ser diferente no próximo ano. Dados de um estudo feito pelo Boston Consulting Group (BCG) mostram que de 10 a 12 milhões de carros não saíram das fábricas por conta da escassez de semicondutores neste ano e o número deve chegar a mais de 5 milhões em 2022. “Ainda temos grandes desafios. Chamo de sequelas da pandemia. Enfrentamos a crise da saúde e agora estamos enfrentando, desde o início do ano, as consequências na cadeia logística, na cadeia de produção, e isso tem afetado substancialmente o setor automotivo, em especial por conta dos semicondutores”, destaca Moraes.

Solução caseira

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), o mercado mundial do setor cresce de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de aproximadamente 200 milhões de chips anualmente. A quantidade, porém, está longe de ser suficiente. Isso porque nosso país ainda precisa importar a maior parte dos semicondutores e gasta, com isso, cerca de 5 bilhões de dólares a cada ano, valor que poderia estar entrando ou se multiplicando aqui dentro se o setor estivesse fortalecido.

A principal política pública direcionada ao tema, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), acaba em janeiro de 2022. A Câmara dos Deputados possui algumas proposições em tramitação para tratar do tema, entre elas o PL 3042/2021, que prorroga o prazo de vigência do benefício até dezembro de 2029.

Os números consolidados do setor apontar o caráter exitoso do programa: já são mais de USD 2,5 bilhões investidos em infraestrutura produtiva, máquinas e equipamentos, R$ 600 milhões empregados em atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, criação de infraestrutura laboratorial de prototipagem e testes sem precedentes na América Latina, diversas patentes concedidas no Brasil e no exterior e aproximadamente R$ 3,5 bilhões anuais em faturamento.

O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), autor do Projeto de Lei, explica que todo o planeta depende hoje de apenas seis países para conseguir os semicondutores, ou seja, o tema sempre foi uma preocupação estratégica para qualquer nação. O parlamentar lembra que além dos automóveis, tudo o que basicamente usa eletricidade depende dos semicondutores, de celulares e computadores a tratores e painéis solares.

Vitor Lippi cita o crescimento exponencial da necessidade desses produtos para evidenciar que o Brasil, que produz apenas 20% dos semicondutores que precisa, tem grande oportunidade neste mercado, mesmo porque é o maior exportador do mundo de silício, que é o principal minério utilizado na produção de semicondutores.

“Nós entendemos que fortalecer a indústria de semicondutores do Brasil é uma forma de a gente ter mais autonomia, de a gente diminuir a nossa dependência, pra gente poder ampliar o número de indústrias, dar mais segurança pros setores que utilizam esses tipos de produtos, de equipamentos aqui no Brasil e, mais do que isso, quem sabe futuramente o Brasil pode ser um grande produtor mundial e até exportador. Ao invés de a gente exportar apenas commodities, a gente poderia estar exportando produtos de valor agregado”, ressalta Lippi.

O parlamentar lembra que já foi feito um grande esforço para investir no segmento e que as políticas públicas têm o papel de construir uma indústria forte no país. “A Lei que hoje dá incentivo a essas indústrias que produzem semicondutores no Brasil termina agora em janeiro, e sem isso nossas indústrias, que já não são tão grandes, não vão conseguir competir com as empresas dos outros países. Por isso é importante que a gente apresente uma nova legislação, que é o PL 3042, de minha autoria, para que a gente possa renovar esse PADIS, que é o programa de apoio, uma matéria estratégica, muito importante para o presente e para o futuro do país.”

Lippi acredita que o assunto deve ser resolvido nas próximas semanas, já que o Governo vem sendo colaborativo neste sentido. No entanto, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, é preciso encontrar um espaço no orçamento para que se possa dar continuidade ao benefício.
 

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Ciência & Tecnologia
22/11/2021 00:00h

Indústria nacional de semicondutores luta por uma fatia bilionária do mercado global e pode se enfraquecer sem incentivos ao setor

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Um dos maiores problemas econômicos causados pela pandemia foi a falta de chips de computador em todo o mundo. As vendas globais de semicondutores aumentaram 10% em 2020, alimentadas pela demanda por computadores portáteis e smartphones e o investimento em servidores para data center, de acordo com o Ministério da Economia. Para o ano de 2021, a previsão é de crescimento de 19% no faturamento global. Em contrapartida, isso causou um problema à indústria automotiva brasileira, que deixou de produzir mais de 120 mil veículos no primeiro semestre deste ano devido à falta de chips. O mercado global de semicondutores automotivos foi avaliado em US$ 48,13 bilhões em 2020 e deve atingir um valor de quase US$ 130 bilhões em 2026.

A escassez de semicondutores gerou prejuízos para diversos segmentos, principalmente o automotivo e o eletroeletrônico, e evidenciou a necessidade do fortalecimento da indústria nacional de semicondutores. O setor vem crescendo no país ano após ano, mas pode perder força por falta de políticas públicas, principalmente com o fim dos incentivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), que acaba em 22 de janeiro de 2022.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), Rogério Nunes, explica que semicondutores são componentes empregados em produtos usados em todas as atividades da vida cotidiana, sejam elas profissionais, de lazer e educacionais. Eles estão presentes em automóveis, eletrodomésticos, computadores, televisores e smartphones, além de também serem empregados em máquinas e equipamentos utilizados por todos os setores da economia, do agronegócio à extração mineral, da indústria de base à aeroespacial.

“O mercado mundial vem crescendo de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de aproximadamente 200 milhões de chips anualmente. Mesmo assim, o país gasta cerca de US$ 5 bilhões com a importação de semicondutores”, aponta Nunes.

Segundo o deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, esse problema enfrentado em todo o planeta chama a atenção para a possibilidade de o Brasil ser mais atuante no setor.

“Todos nós sabemos que estamos numa era digital, que cada vez nós vamos ter mais circuitos integrados, então, tudo vai usar mais semicondutores, chips. Nós precisaremos de mais memória, estamos agora com o 5G, Internet das Coisas, e se isso é tão relevante, será que o Brasil pode ser um ‘player’ mundial? Será que ele, com as possibilidades de ser um dos maiores produtores de silício do mundo, poderia ter uma produção (de semicondutores) muito maior, ao invés de depender quase que totalmente do exterior, mais de 80%? Ele poderia produzir mais?”, questiona o deputado.

De acordo com dados da ABISEMI, o PADIS ajudou o Brasil, desde 2007, a ter uma participação relevante no cenário global, ocupando o segundo lugar em automação bancária, segundo em tecnologia voltada para a medicina, quarto lugar em telefones celulares, sétimo no mercado de computadores e nono lugar na produção e comercialização de automóveis. O parque industrial nacional de semicondutores instalado conta com mais de 75 mil metros quadrados de área construída e emprega cerca de 2,5 mil profissionais qualificados, além de gerar dezenas de milhares de empregos indiretos e faturamento anual entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

Para o especialista Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics, a escassez de semicondutores no mundo atrasou o desenvolvimento da indústria em todo o planeta e evidenciou a necessidade de maior investimento brasileiro no setor, de modo a tornar o Brasil um dos fortes concorrentes mundiais, além de suprir a demanda interna, o que deixaria o país menos dependente de importações.

“Se o Brasil não tiver esse tipo de tecnologia, ele vai, como tantas outras áreas, ser um seguidor de tecnologia simplesmente, a gente vai seguir aquilo que nos for dado, e a gente não vai estar inovando em absolutamente nada. Então, é fundamental para a indústria nacional ter um tipo de desenvolvimento nesse sentido pra gente prover internamente aquilo que a demanda nacional necessita. É fundamental ter esse tipo de indústria, ter esse tipo de investimento e pensar no longo prazo”, destaca Milad.

O secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo César Rezende de Carvalho Alvim, acredita que o Brasil deve preservar a capacidade produtiva em semicondutores que ainda existe e não apenas proteger, como alavancar o setor por meio de políticas públicas, uma vez que esse tipo de indústria precisa de segurança jurídica, previsibilidade e, principalmente, perspectiva de futuro.

“Ainda temos grande competência e capacidade de pesquisa e empresarial no setor. O momento é de fortalecer e manter o mesmo espírito de quando o PADIS foi criado, que é atrair investimentos para o setor de semicondutores. Mais do que nunca se torna estratégico preservar o PADIS e não apenas isso, também o fortalecer”, destaca.

Asiáticos dominam

Segundo dados do Ministério da Economia, a indústria de semicondutores no mundo está concentrada na Ásia. Em 2015, Taiwan se tornou o país com maior capacidade instalada, com 21,7% da capacidade mundial, enquanto a Coreia do Sul representou 20,5%. Há também produção no Japão, China e Malásia.
Enquanto o Brasil discute se mantém os incentivos do PADIS para o setor, outros países anunciam fortes investimentos. Segundo pesquisa da Fortune, nos Estados Unidos, a Coreia do Sul revelou planos ambiciosos de gastar cerca de US$ 450 bilhões para construir a maior base de fabricação de chips do mundo na próxima década, além de capacitar cerca de 36 mil especialistas. Já o país norte-americano pretende investir US$ 50 bilhões na área, principalmente em infraestrutura.

PADIS

O PADIS, Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, de 2007, é um conjunto de incentivos fiscais federais instituído com o objetivo de contribuir para a atração e a ampliação de investimentos nas áreas de semicondutores. Esses incentivos incluem células e módulos/painéis fotovoltaicos para energia solar, além de insumos estratégicos para a cadeia produtiva, como o lingote de silício e o silício purificado. O programa proporciona às empresas interessadas a desoneração de determinados impostos e contribuições federais incidentes na implantação industrial, na produção, importação e comercialização dos equipamentos beneficiados. Contudo, em contrapartida, as empresas se obrigam a realizarem investimentos mínimos em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A justificativa do incentivo já era clara desde o momento em que foi criado: fortalecer as políticas internas de estímulo à indústria de semicondutores frente à dependência de fabricantes internacionais, principalmente os asiáticos. A preocupação daquela época, hoje ainda mais evidente, bate novamente à porta do setor com a possibilidade da perda dos incentivos.

A Câmara dos Deputados possui duas proposições em tramitação que pretendem resolver parte do problema. Uma delas é o PL 3042/2021, sobre prorrogação do prazo de vigência de incentivos do PADIS até dezembro de 2029, já que a vigência acaba agora em janeiro de 2022. O outro é a PEC 10/2021, sobre a exclusão do setor de TIC e semicondutores do plano de redução de incentivos tributários instituído na Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial).
 

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11/11/2021 03:00h

Capital já se prepara para fazer as adequações necessárias ao recebimento da tecnologia que vai promover revolução em diversos setores, como agro, educação e indústria

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Maceió será o primeiro município de Alagoas a receber o 5G. A capital acredita que a tecnologia não apenas vai melhorar os serviços ao cidadão como também tem a capacidade de impulsionar o empreendedorismo alagoano.
 
O secretário do Gabinete de Governança de Maceió (AL), Antônio Carvalho e Silva Neto, acredita que o leilão do 5G, da maneira como foi concebido, vai permitir a chegada de internet móvel de qualidade não só às capitais, mas ao interior do país, o que naturalmente traz um fluxo de desenvolvimento e uma maior concorrência, com a chegada de novas empresas de telecomunicação. Segundo o secretário, além de promover uma gama maior de serviços digitais para o cidadão de Alagoas, já que o estado tem se empenhado bastante na transformação digital, o 5G pode também impulsionar o desenvolvimento econômico.
 
“Com a possibilidade de novas tecnologias, a gente consegue, por exemplo, impulsionar negócios ligados à economia criativa, que tem um potencial enorme para o país e para o município de Maceió, que tem uma cultura empreendedora muito forte. Um pouco mais de 2% do nosso PIB é ligado à economia criativa, e a gente percebe que tem um potencial de crescimento grande”, destaca.
 
Antônio ressaltou ainda que a questão da adequação da legislação também já vem sendo trabalhada internamente desde antes do leilão, de modo a preparar a capital para a instalação da infraestrutura necessária para o recebimento da nova tecnologia. “Estamos trabalhando na Lei Geral de Antenas e acredito que até meados de novembro conseguiremos mandar uma revisão para a Câmara de Vereadores”, explica.
 
A Lei Geral de Antenas (LGA) é quem dita as regras de instalação de infraestrutura para internet, como processo de liberação de antenas por município, tempo de análise e liberação depois das solicitações das operadoras. Como ela é diferente para cada município, Maceió precisa de adequações à Lei para abrir caminho à nova tecnologia, que deve chegar a todas as capitais do país até o meio de 2022, segundo o Ministério das Comunicações.
 
Segundo o deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), que foi relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação do 5G no país, vários são os setores que vão evoluir com a tecnologia que tem uma velocidade maior e tempo de latência (ou atraso) menor que o 4G.
 
“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração, já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, então, todas essas questões precisam do 5G, necessariamente”, destaca Lippi. 

Agro e Indústria

No campo, com a tecnologia 5G, além de contar com maquinários autônomos o produtor pode, por exemplo, monitorar as culturas, medir a umidade do solo em tempo real e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, definir parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana.
 
No setor industrial, a nova tecnologia deve otimizar os processos e causar uma revolução. Entre os ganhos possíveis estão a melhor adequação do estoque à demanda do mercado, a customização de produtos de forma ágil à necessidade dos clientes, redução de desperdício e consequentemente do custo, aumento da segurança do trabalhador por meio da realização de atividades de risco por máquinas.
 
João Emilio, superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, destaca que uma das maiores mudanças diz respeito à igualdade de condições da indústria brasileira no mercado mundial. “Quando falamos em competitividade no cenário internacional, a infraestrutura adequada para o desenvolvimento da indústria 4.0 é condição primordial. Precisamos oferecer as condições básicas para termos um setor produtivo capaz de competir de igual para igual com empresas estrangeiras e ajudar na retomada da economia, na geração de empregos. Daí a importância de o Brasil priorizar e acelerar a implementação do 5G”, comentou.

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet.

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09/11/2021 20:10h

Algumas capitais já têm a tecnologia em fase de testes, mas para usá-la é preciso trocar seu celular

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A promessa do 5G é oferecer ao usuário uma navegação na internet ultrarrápida. Com ela, os problemas de delay nas ligações de vídeo, por exemplo, não ocorrerão. Algumas capitais já operam com o 5G a partir de modelos tecnológicos preliminares para testes.  É o caso de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O engenheiro de telecomunicações Cesar Nunes já possui um aparelho e navega com a velocidade 5G. O engenheiro é consultor de otimização de rede móvel da Operadora Oi. “A diferença na velocidade é expressiva”. 

Para navegar nessa frequência será necessário trocar o celular, uma vez que os aparelhos de recepção de redes móveis não estão adaptados às faixas disponíveis para o 5G. Nunes recomenda que a troca seja feita com cautela e que o consumidor se certifique se o novo equipamento é homologado pela Anatel. “Nós licitamos algumas faixas de frequência específicas aqui do Brasil. Pode ser que você compre um aparelho de fora e esse não tenha essa faixa do Brasil, então pode ser que não funcione”, explica o engenheiro. 

Atualmente, existem cerca de 30 modelos de celulares no Brasil que já estão aptos para receber o sinal 5G. Os preços variam, em média, entre R$ 1,7 mil e R$ 10 mil. O analista político Lucas Machado, apesar de ser muito antenado nas novidades tecnológicas, planejou trocar o celular apenas em meados de 2022. “O meu aparelho atual só recebe até o sinal 4G. Então, vou esperar o lançamento de mais aparelhos que devem vir com o preço mais acessível”, aposta. 

O leilão das quatro faixas do 5G ocorreu na primeira semana de novembro. Entre as obrigações das empresas telefônicas está a implantação de estações de transmissão. Na primeira fase, até julho de 2022, todas as capitais já devem ter a tecnologia. Até julho de 2030, 100% do território nacional deve estar coberto pelo sinal 5G.

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Brasil 61