Internet

29/11/2021 03:00h

A escassez de chips pode sofrer nova crise a partir de 2023, com a chegada do 5G e uma nova demanda no mercado mundial

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O mercado de semicondutores cresce de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de mais de 200 milhões de chips a cada 12 meses. Ainda assim, o país gasta 5 bilhões de dólares anualmente com importação de semicondutores. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI).

A atual escassez de semicondutores causada pelo aumento da demanda dos eletroeletrônicos provocada pela pandemia é apenas a ponta do iceberg. Se a expectativa de normalização desse mercado se confirmar  no início de 2023, outra demanda vai pressionar o setor, porque o 5G já estará inserido no cotidiano. Com a nova tecnologia, a necessidade de chips será ainda maior, uma vez que a revolução da rede vai demandar muitos sensores, que são justamente semicondutores. As residências estão sendo cada vez mais automatizadas, assim como tratores, caminhões, fábricas. Setores que antes utilizavam nada ou pouco da rede, estarão completamente dependentes da nova geração de internet móvel.

“A chegada do 5G vai abrir a possibilidade de uma maior conectividade de tudo, principalmente daquilo que não era viável antes”, destaca engenheiro mecatrônico que atualmente trabalha como desenvolvedor de softwares, Diogo Andrade. “A geladeira, agora, terá conectividade com a internet, um brinquedo, um trator na lavoura ou uma máquina em uma fábrica. A demanda por chips, processadores, módulos que se comunicam com a nova geração de internet móvel será astronômica daqui para frente.”

Apoio à indústria de semicondutores

Desde 1991, com a Lei da Informática, o Brasil tenta se firmar no mercado de tecnologia da informação e de comunicação (TIC), do qual a indústria de semicondutores faz parte. O setor específico está em franca ascensão no país desde 2007, com a criação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), mas tem um longo caminho a percorrer para conseguir não só uma boa fatia do bilionário comércio mundial de chips, como também atender à demanda interna.

O PADIS se encerra em janeiro de 2022, mas a Câmara dos Deputados possui duas proposições em tramitação para tratar do tema. Uma delas é o PL 3042/2021, sobre a prorrogação do prazo de vigência do programa até dezembro de 2029. O outro é a PEC 10/2021, sobre a exclusão do setor de TIC e semicondutores do plano de redução de incentivos tributários instituído na Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial).

Segundo o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), agora que a indústria de semicondutores está começando a crescer no Brasil e a buscar competitividade no mercado mundial, as políticas públicas são imprescindíveis para fortalecer o setor. Principalmente após a crise provocada pela escassez dos componentes, o que evidenciou a necessidade de uma menor dependência do mercado externo.

“Ter uma política de incentivo à produção torna o país mais independente, mais isonômico. Uma política industrial feita num país como o Brasil que não respeita esta importância da autonomia para a sua funcionalidade sofre, como agora, crises, porque Hong Kong, não podendo fornecer para nós os semicondutores, acaba gerando uma inflação gigantesca entre nós e uma demanda enorme por produtos que não podem ser entregues, por não ter os semicondutores”, destaca Moreira.

Segundo Diogo Andrade, o Brasil tem um longo caminho a percorrer se quiser investir no setor de semicondutores e diminuir a dependência do mercado internacional. E isso não será possível sem incentivos. “É um caminho longo porque quem está no topo não abre sua tecnologia para quem está começando. E o que evoluímos até agora não pode ser jogado fora”, avisa o engenheiro mecatrônico. “Precisamos de incentivos públicos cada vez mais, pois vamos ter de reinventar aquilo que já foi inventado lá fora. Esse mercado asiático, hoje tão dominante, foi alavancado por investimentos públicos. E continuam sendo. O mercado nacional de semicondutores deve ser um projeto de país, algo de longo prazo que não pode sofrer interferência com a mudança de governos.”

O PADIS permitiu que diversas empresas que atuam do design à manufatura de chips ampliassem investimentos no Brasil, criando empregos, gerando riquezas, promovendo evolução tecnológica e produzindo bens de altíssimo valor agregado. Quando o texto foi criado, em 2007, a justificativa do incentivo era clara: fortalecer as políticas internas de estímulo à indústria de semicondutores frente à dependência de fabricantes internacionais, principalmente os asiáticos. A crise de hoje, que deve se estender até o início de 2023, bate à nossa porta para nos mostrar que a justificativa nunca esteve tão fresca.
 

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27/11/2021 16:35h

Checar informações da loja, não clicar em links desconfiáveis e comparar preços são algumas das orientações

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A Black Friday já passou, mas as compras pela internet já são tendência. E para isso, é preciso cautela para evitar cair em golpes e falsas promoções. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgou uma série de dicas de cuidados para comprar online.

Informe-se sobre a reputação da loja

O consumidor pode checar a reputação da loja em sites como consumidor.gov.br e reclameaqui.com.br, onde é possível ler reclamações de outros clientes e respostas das empresas.

O consultor de Cyber Security na empresa Daryus, Cristian Souza, também recomenda consultar os dados da empresa.

“Outra coisa importante é sempre verificar os dados da empresa, seja em compras via cartão, pagamentos via Pix e via boleto, principalmente. Então, você acha que está pagando para uma determinada empresa, mas se você olhar certinho ali no nome, vai estar com outro CNPJ, ou algum nome adulterado, com uma letrinha a mais, ou a menos.”

Cristian também recomenda que o consumidor compre de empresas mais conhecidas pelo mercado. 

“Sempre comprar em lojas conhecidas, que já tem um aval do mercado, já são famosas, aparecem na tv, por exemplo, tem anúncios verificados em plataformas como Google Ads”, recomenda.

Cuidado com e-mails e sites fraudulentos

O especialista reforça a dica da Senacon e comenta sobre os links que chegam por mensagem ou e-mail e redirecionam para sites fraudulentos. “Sempre tome cuidado ao acessar alguns links que chegam por mensagens. Suspeite principalmente daqueles links muito pequenininhos, que na verdade redirecionam a gente para outro site. Muitos fraudadores usam esse tipo de técnica para induzir e enganar as pessoas.”

Verifique a presença de certificados de segurança de pagamentos nas transações bancárias realizadas com o fornecedor

A orientação da pasta é conferir se o site possui aquela “chave” no URL. Sempre digite o endereço diretamente no navegador, ao invés de clicar em links de páginas ou de mensagens.

"Verifique se o domínio desse site, onde você está fazendo a transação, realmente pertence a loja. Pode ser que você tenha um domínio de uma loja X, mas que está representando uma loja  Y. Verifique se você está no canal criptográfico e seguro”, recomenda Cristian Souza.

“Busque fazer compras apenas usando cartões virtuais, ou seja, crie um cartão temporário na sua aplicação bancária, quando você for fazer uma determinada compra em um site que você talvez esteja com receio de comprar”, acrescenta.

Ele também recomenda não utilizar nenhum dispositivo de terceiros ou públicos ou por meio de redes Wi-Fi públicas.

Consulte os sites comparadores de preços e produtos online

Na hora de comprar, o que todo mundo quer é pagar menos. Portanto, o que não vale são promoções do tipo “metade do dobro”. Para driblar essas pegadinhas, a Senacon recomenda comparar os preços em sites de pesquisas e até mesmo conferir os sites de alguns Procons, que publicam em seus sites a lista de fornecedores que devem ser evitados.

“Desconfie dos preços extremamente baixos. Uma boa dica é monitorar os preços desses produtos que você deseja comprar com antecedência, para você ver se realmente baixou de uma forma racional ou de uma forma extremamente não natural”, orienta Cristian.

Registre reclamação

Na última quarta-feira (24), Maciel Ferreira, morador do Gama (DF), viu o anúncio de um smartphone em promoção em um e-commerce bem conhecido. 

“O produto estava com o preço atrativo, normalmente ele é um pouco mais caro do que estava anunciado - estava saindo na faixa de uns R$ 4.100,00. Então, por acreditar que era uma promoção na Black Friday, eu optei por fazer a compra do produto. Realizei o pedido, o valor foi debitado do meu cartão de crédito, porém dali a algumas horas, eu recebi um e-mail dizendo que o pedido havia sido cancelado.” 

O consultor em Cyber Security, Cristian Souza, orienta que, em casos como o de Maciel, “o ideal é entrar em contato com o site onde o anúncio foi feito. Eles garantem que a transação é segura. Por exemplo, se sua mercadoria não chegar, ou nesse caso, a compra sequer foi efetuada, você tem o direito de que o valor seja estornado na sua conta.”

Maciel conta que entrou em contato com site onde o anúncio foi efetuado, o valor foi estornado em seu cartão de crédito e ele recebeu um voucher de R$ 50,00 para gastar com produtos do e-commerce.

A Senacon recomenda que, se o cliente não conseguir resolver o problema diretamente com a empresa, ele pode entrar no site consumidor.gov.br ou ainda procurar o Procon mais próximo. O telefone para informações e reclamações é o 151.

Outra recomendação da pasta é conferir a política de cancelamento ou troca de produto antes da compra. No caso de compras online, o consumidor tem o direito de arrependimento por um período de sete dias, contados a partir da entrega do produto, para sua devolução ao fornecedor.

Municípios: Carta Brasileira para Cidades Inteligentes é lançada em versão resumida

Projeto beneficia empresas de micro e pequeno porte, que representam 94% do setor produtivo do ES

Vendas online e pandemia

A gerente de Estratégia e Inovação na transportadora Loggi, Flávia Freitas, afirma que “a pandemia acelerou um movimento natural de aquecimento do e-commerce, devido ao isolamento e ao aumento do comércio online em detrimento do físico. Com este movimento, o comportamento de boa parte dos consumidores durante a pandemia mudou. Exemplo disso é que em 2020, nós tivemos um aumento de 360% no volume de entregas em relação ao ano anterior. Porém, como investimos constantemente em tecnologia e equipamentos, nós [Loggi] conseguimos absorver o alto volume de entregas.”

Segundo a Senacon, paralelo ao crescimento das vendas online, as reclamações também aumentaram. Dados do consumidor.gov.br mostram que em 2019 foram 63.877 registros de reclamações, enquanto em 2020 foram 119.010. 

A pasta também orienta a estar atento para comprar somente o necessário, não se deixando levar pelas compras por impulso.

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Ciência & Tecnologia
26/11/2021 03:00h

Cada veículo leva entre 300 e 1,2 mil semicondutores, componente que esteve em falta pela alta demanda de eletrônicos durante a pandemia

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Além de todo o problema de saúde, a pandemia provocada pela Covid-19 causou uma profunda crise econômica em diversos setores, entre eles o automotivo. De acordo com dados da ANFAVEA, a produção de veículos no país apresentou o pior outubro dos últimos cinco anos graças à escassez de semicondutores, já que a maioria dos componentes são importados das fábricas asiáticas. Foram 177,9 mil unidades produzidas, uma queda de quase 25% em relação ao mesmo período de 2020, quando o mercado já sofria com a pandemia.

Várias fábricas pararam em todo o mundo e, quando voltaram a abrir as portas, se viram sem os semicondutores, chips essenciais para a montagem mesmo dos modelos mais simples. Isso porque os automóveis de hoje levam de 300 a 1,2 mil desses componentes, que entraram em falta no ano passado.

A escassez de semicondutores se deu por conta de outro problema da pandemia: o distanciamento social. Os chips antes comprados pela indústria automotiva foram direcionados a outra demanda: a de eletroeletrônicos, muito requeridos por causa das aulas on-line e do home office. 

Segundo Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics, a demanda de semicondutores para automóveis era de 10% do mercado. Quando as fábricas voltaram à ativa, essa parcela do mercado já estava ocupada pela indústria de celulares e computadores, e as montadoras foram para o final da fila. “No início deste ano, a estimativa mais otimista era de que a indústria automotiva seria normalizada até o fim de 2021. Hoje, com todas as informações que chegam, a previsão é de que o problema se estenda até o fim de 2022 e se resolva apenas em 2023”, explica o especialista.

Ainda de acordo com Milad, todos os carros, dos mais simples aos mais tecnológicos, precisam de semicondutores para saírem da fábrica, já que estão espalhados nos mais diversos módulos, como segurança, emissão, propulsão, conforto e conectividade. “A sua trava na porta, com alarme, tem um chipizinho. Quando você vai dar a partida no seu veículo, todo esse processo é comandado por um módulo, a faísca que vai na vela é comandada por um módulo. A quantidade de combustível que vai dentro do cilindro é um módulo, então, são vários aspectos. Quando você tem um ABS trabalhando, porque hoje todos os carros são obrigados a ir com ABS de fábrica, desde 2013, é um chip que vem atuando por trás de tudo”, explica o especialista.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (ANFAVEA) explica que os carros fabricados no Brasil levam, em média, 600 semicondutores, mas os modelos mais tecnológicos podem empregar em seus módulos mais de mil chips. Número que deve crescer com a adoção de veículos híbridos, elétricos e autoassistidos.

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação, a expectativa é de que cerca de 300 mil veículos deixarão de ser produzidos no Brasil, em 2021, em função dessa crise global de abastecimento de componentes eletrônicos. E a situação não deve ser diferente no próximo ano. Dados de um estudo feito pelo Boston Consulting Group (BCG) mostram que de 10 a 12 milhões de carros não saíram das fábricas por conta da escassez de semicondutores neste ano e o número deve chegar a mais de 5 milhões em 2022. “Ainda temos grandes desafios. Chamo de sequelas da pandemia. Enfrentamos a crise da saúde e agora estamos enfrentando, desde o início do ano, as consequências na cadeia logística, na cadeia de produção, e isso tem afetado substancialmente o setor automotivo, em especial por conta dos semicondutores”, destaca Moraes.

Solução caseira

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), o mercado mundial do setor cresce de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de aproximadamente 200 milhões de chips anualmente. A quantidade, porém, está longe de ser suficiente. Isso porque nosso país ainda precisa importar a maior parte dos semicondutores e gasta, com isso, cerca de 5 bilhões de dólares a cada ano, valor que poderia estar entrando ou se multiplicando aqui dentro se o setor estivesse fortalecido.

A principal política pública direcionada ao tema, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), acaba em janeiro de 2022. A Câmara dos Deputados possui algumas proposições em tramitação para tratar do tema, entre elas o PL 3042/2021, que prorroga o prazo de vigência do benefício até dezembro de 2029.

Os números consolidados do setor apontar o caráter exitoso do programa: já são mais de USD 2,5 bilhões investidos em infraestrutura produtiva, máquinas e equipamentos, R$ 600 milhões empregados em atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, criação de infraestrutura laboratorial de prototipagem e testes sem precedentes na América Latina, diversas patentes concedidas no Brasil e no exterior e aproximadamente R$ 3,5 bilhões anuais em faturamento.

O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), autor do Projeto de Lei, explica que todo o planeta depende hoje de apenas seis países para conseguir os semicondutores, ou seja, o tema sempre foi uma preocupação estratégica para qualquer nação. O parlamentar lembra que além dos automóveis, tudo o que basicamente usa eletricidade depende dos semicondutores, de celulares e computadores a tratores e painéis solares.

Vitor Lippi cita o crescimento exponencial da necessidade desses produtos para evidenciar que o Brasil, que produz apenas 20% dos semicondutores que precisa, tem grande oportunidade neste mercado, mesmo porque é o maior exportador do mundo de silício, que é o principal minério utilizado na produção de semicondutores.

“Nós entendemos que fortalecer a indústria de semicondutores do Brasil é uma forma de a gente ter mais autonomia, de a gente diminuir a nossa dependência, pra gente poder ampliar o número de indústrias, dar mais segurança pros setores que utilizam esses tipos de produtos, de equipamentos aqui no Brasil e, mais do que isso, quem sabe futuramente o Brasil pode ser um grande produtor mundial e até exportador. Ao invés de a gente exportar apenas commodities, a gente poderia estar exportando produtos de valor agregado”, ressalta Lippi.

O parlamentar lembra que já foi feito um grande esforço para investir no segmento e que as políticas públicas têm o papel de construir uma indústria forte no país. “A Lei que hoje dá incentivo a essas indústrias que produzem semicondutores no Brasil termina agora em janeiro, e sem isso nossas indústrias, que já não são tão grandes, não vão conseguir competir com as empresas dos outros países. Por isso é importante que a gente apresente uma nova legislação, que é o PL 3042, de minha autoria, para que a gente possa renovar esse PADIS, que é o programa de apoio, uma matéria estratégica, muito importante para o presente e para o futuro do país.”

Lippi acredita que o assunto deve ser resolvido nas próximas semanas, já que o Governo vem sendo colaborativo neste sentido. No entanto, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, é preciso encontrar um espaço no orçamento para que se possa dar continuidade ao benefício.
 

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Ciência & Tecnologia
25/11/2021 03:00h

Os chips são essenciais para a montagem de automóveis, smartphones, computadores e demais eletroeletrônicos. Mercado asiático, que domina o setor, não conseguiu atender à demanda na pandemia

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Desde meados de 2020, quando muitas fábricas desaceleraram ou interromperam a produção devido à pandemia provocada pela Covid-19, se fala da escassez dos semicondutores, o que gerou uma crise em diversos setores do mercado mundial. Mas o que são semicondutores e por que eles fazem tanta falta?

Os semicondutores são materiais utilizados para a condução de correntes elétricas, a matéria-prima para a produção dos chips que integram os mais diversos aparelhos eletrônicos usados em nosso dia a dia, como automóveis, smartphones, televisores, videogames e computadores. Todos esses itens, além de outros vários outros eletroeletrônicos, não existiriam hoje sem os semicondutores. E por isso a falta deles ganhou tanto destaque ao redor do planeta, como explica Diogo Andrade, engenheiro mecatrônico que atualmente trabalha como desenvolvedor de softwares.

“As pessoas não param para pensar, mas o computador que ela está usando está cheio de semicondutores, o celular dela tem chips que são fabricados em Taiwan, na Coreia, os carros de hoje têm módulos que precisam dele. Assistentes virtuais que as pessoas usam dentro de casa, smartwatch, tudo tem um processador que é fabricado nessas fábricas de altíssima tecnologia agregada”, destaca o especialista, que trabalhou por alguns anos no setor.

Diogo explica que os chips são uma estrutura cristalina cúbica, geralmente fabricada com silício e germânio, elementos produzidos pela mineração e que são abundantes em todo o mundo. O que causou a escassez, no entanto, foi a pequena quantidade de fábricas, já que o processo demanda tecnologia e especialização que poucos dominam.

“Divida um metro em um bilhão de vezes e você tem o nanômetro, que são as medidas utilizadas para os transistores, as pecinhas minúsculas que vão formar os chips empregados em eletroeletrônicos e demais aparelhos que precisam deles, como carros, computadores e celulares”, explica o especialista. 

“Essas fábricas, chamadas de Foundry, quase todas concentradas na Ásia, são altamente especializadas e de altíssima tecnologia. E são poucas no mundo. Como o processo de fabricação é guardado a sete chaves, nenhuma outra pode tomar o lugar rapidamente. São necessários anos de investimento e especialização para chegar ao mesmo nível, então, se a demanda aumenta, como ocorreu nesta pandemia, encontramos num grande gargalo.”

Não bastasse o isolamento social, outras questões causaram um desequilíbrio na oferta dos semicondutores, como um incêndio em uma das maiores fábricas do planeta, no Japão, e a falta de chuvas em Taiwan – o país enfrentou a maior seca dos últimos 46 anos e isso afetou a produção, já que o processo de fabricação do dispositivo necessita de muita água.

Efeito cascata 

A desaceleração do setor produtivo por causa do distanciamento social imposto pela pandemia foi apenas o início do problema. Várias montadoras de automóveis, como Volkswagen, GM, Honda e Volvo suspenderam a produção em suas fábricas de todo o mundo e, como cada carro produzido leva, pelo menos, 300 semicondutores, a demanda pelo produto despencou.  

Nos meses seguintes, o avanço do home office e da educação à distância mudou completamente a demanda dos semicondutores com a explosão de vendas de aparelhos eletrônicos, como computadores, celulares e TVs. Como os chips usados nos carros são os mesmos, a produção foi inteiramente direcionada ao mercado de aparelhos usados dentro de casa. E quando a indústria automobilística retomou a produção, a demanda pelos componentes já estava grande demais. Tão alta, aliás, que ainda hoje causa atraso no lançamento de novos modelos de smatphones. 

Escassez de chips evidencia necessidade de fortalecer o setor no Brasil

Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics, explica que o mercado de semicondutores vem oscilando bastante desde dezembro do ano passado, quando começou a se recompor e se planejar para a enorme demanda, já que o pior da pandemia passou e as vendas dos mais variados produtos estão se normalizando aos poucos. O problema, segundo o especialista, é que a fila de espera cresceu durante a escassez e o mercado nacional vai demorar, pelo menos, mais um ano para entrar nos eixos. Principalmente porque o Brasil não está entre os primeiros a serem atendidos.

“E aí, o que que a gente a gente tem? A gente tem a perspectiva de melhora para o segundo semestre do ano que vem. O mercado chinês já está, aparentemente, se normalizado, o que é um grande indicador. Está com níveis (de produção) pré-pandemia, o que é um grande sinalizador de que as coisas estão em ordem. Mas aí a gente precisa atender o mercado europeu, o mercado norte-americano, a gente precisa atender o restante da Ásia para, depois, lembrarem de nós aqui, sul-americanos”, destaca Milad.

Incentivo à Indústria de Semicondutores

O PADIS, Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, de 2007, é um conjunto de incentivos fiscais federais instituído com o objetivo de contribuir para a atração e a ampliação de investimentos nas áreas de semicondutores. Esses incentivos incluem células e módulos/painéis fotovoltaicos para energia solar, além de insumos estratégicos para a cadeia produtiva, como o lingote de silício e o silício purificado. O programa proporciona às empresas interessadas a desoneração de determinados impostos e contribuições federais incidentes na implantação industrial, na produção, importação e comercialização dos equipamentos beneficiados. Contudo, em contrapartida, as empresas se obrigam a realizarem investimentos mínimos em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A justificativa do incentivo já era clara desde o momento em que foi criado: fortalecer as políticas internas de estímulo à indústria de semicondutores frente à dependência de fabricantes internacionais, principalmente os asiáticos. A preocupação daquela época, hoje ainda mais evidente, bate novamente à porta do setor com a possibilidade da perda dos incentivos.

A Câmara dos Deputados possui duas proposições em tramitação que pretendem resolver parte do problema. Uma delas é o PL 3042/2021, sobre prorrogação do prazo de vigência de incentivos do PADIS até dezembro de 2029, já que a vigência acaba agora em janeiro de 2022. O outro é a PEC 10/2021, sobre a exclusão do setor de TIC e semicondutores do plano de redução de incentivos tributários instituído na Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial). 
 

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Ciência & Tecnologia
22/11/2021 00:00h

Indústria nacional de semicondutores luta por uma fatia bilionária do mercado global e pode se enfraquecer sem incentivos ao setor

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Um dos maiores problemas econômicos causados pela pandemia foi a falta de chips de computador em todo o mundo. As vendas globais de semicondutores aumentaram 10% em 2020, alimentadas pela demanda por computadores portáteis e smartphones e o investimento em servidores para data center, de acordo com o Ministério da Economia. Para o ano de 2021, a previsão é de crescimento de 19% no faturamento global. Em contrapartida, isso causou um problema à indústria automotiva brasileira, que deixou de produzir mais de 120 mil veículos no primeiro semestre deste ano devido à falta de chips. O mercado global de semicondutores automotivos foi avaliado em US$ 48,13 bilhões em 2020 e deve atingir um valor de quase US$ 130 bilhões em 2026.

A escassez de semicondutores gerou prejuízos para diversos segmentos, principalmente o automotivo e o eletroeletrônico, e evidenciou a necessidade do fortalecimento da indústria nacional de semicondutores. O setor vem crescendo no país ano após ano, mas pode perder força por falta de políticas públicas, principalmente com o fim dos incentivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), que acaba em 22 de janeiro de 2022.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), Rogério Nunes, explica que semicondutores são componentes empregados em produtos usados em todas as atividades da vida cotidiana, sejam elas profissionais, de lazer e educacionais. Eles estão presentes em automóveis, eletrodomésticos, computadores, televisores e smartphones, além de também serem empregados em máquinas e equipamentos utilizados por todos os setores da economia, do agronegócio à extração mineral, da indústria de base à aeroespacial.

“O mercado mundial vem crescendo de 5% a 6% ao ano e o Brasil já faz o encapsulamento e teste de aproximadamente 200 milhões de chips anualmente. Mesmo assim, o país gasta cerca de US$ 5 bilhões com a importação de semicondutores”, aponta Nunes.

Segundo o deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, esse problema enfrentado em todo o planeta chama a atenção para a possibilidade de o Brasil ser mais atuante no setor.

“Todos nós sabemos que estamos numa era digital, que cada vez nós vamos ter mais circuitos integrados, então, tudo vai usar mais semicondutores, chips. Nós precisaremos de mais memória, estamos agora com o 5G, Internet das Coisas, e se isso é tão relevante, será que o Brasil pode ser um ‘player’ mundial? Será que ele, com as possibilidades de ser um dos maiores produtores de silício do mundo, poderia ter uma produção (de semicondutores) muito maior, ao invés de depender quase que totalmente do exterior, mais de 80%? Ele poderia produzir mais?”, questiona o deputado.

De acordo com dados da ABISEMI, o PADIS ajudou o Brasil, desde 2007, a ter uma participação relevante no cenário global, ocupando o segundo lugar em automação bancária, segundo em tecnologia voltada para a medicina, quarto lugar em telefones celulares, sétimo no mercado de computadores e nono lugar na produção e comercialização de automóveis. O parque industrial nacional de semicondutores instalado conta com mais de 75 mil metros quadrados de área construída e emprega cerca de 2,5 mil profissionais qualificados, além de gerar dezenas de milhares de empregos indiretos e faturamento anual entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

Para o especialista Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics, a escassez de semicondutores no mundo atrasou o desenvolvimento da indústria em todo o planeta e evidenciou a necessidade de maior investimento brasileiro no setor, de modo a tornar o Brasil um dos fortes concorrentes mundiais, além de suprir a demanda interna, o que deixaria o país menos dependente de importações.

“Se o Brasil não tiver esse tipo de tecnologia, ele vai, como tantas outras áreas, ser um seguidor de tecnologia simplesmente, a gente vai seguir aquilo que nos for dado, e a gente não vai estar inovando em absolutamente nada. Então, é fundamental para a indústria nacional ter um tipo de desenvolvimento nesse sentido pra gente prover internamente aquilo que a demanda nacional necessita. É fundamental ter esse tipo de indústria, ter esse tipo de investimento e pensar no longo prazo”, destaca Milad.

O secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo César Rezende de Carvalho Alvim, acredita que o Brasil deve preservar a capacidade produtiva em semicondutores que ainda existe e não apenas proteger, como alavancar o setor por meio de políticas públicas, uma vez que esse tipo de indústria precisa de segurança jurídica, previsibilidade e, principalmente, perspectiva de futuro.

“Ainda temos grande competência e capacidade de pesquisa e empresarial no setor. O momento é de fortalecer e manter o mesmo espírito de quando o PADIS foi criado, que é atrair investimentos para o setor de semicondutores. Mais do que nunca se torna estratégico preservar o PADIS e não apenas isso, também o fortalecer”, destaca.

Asiáticos dominam

Segundo dados do Ministério da Economia, a indústria de semicondutores no mundo está concentrada na Ásia. Em 2015, Taiwan se tornou o país com maior capacidade instalada, com 21,7% da capacidade mundial, enquanto a Coreia do Sul representou 20,5%. Há também produção no Japão, China e Malásia.
Enquanto o Brasil discute se mantém os incentivos do PADIS para o setor, outros países anunciam fortes investimentos. Segundo pesquisa da Fortune, nos Estados Unidos, a Coreia do Sul revelou planos ambiciosos de gastar cerca de US$ 450 bilhões para construir a maior base de fabricação de chips do mundo na próxima década, além de capacitar cerca de 36 mil especialistas. Já o país norte-americano pretende investir US$ 50 bilhões na área, principalmente em infraestrutura.

PADIS

O PADIS, Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, de 2007, é um conjunto de incentivos fiscais federais instituído com o objetivo de contribuir para a atração e a ampliação de investimentos nas áreas de semicondutores. Esses incentivos incluem células e módulos/painéis fotovoltaicos para energia solar, além de insumos estratégicos para a cadeia produtiva, como o lingote de silício e o silício purificado. O programa proporciona às empresas interessadas a desoneração de determinados impostos e contribuições federais incidentes na implantação industrial, na produção, importação e comercialização dos equipamentos beneficiados. Contudo, em contrapartida, as empresas se obrigam a realizarem investimentos mínimos em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A justificativa do incentivo já era clara desde o momento em que foi criado: fortalecer as políticas internas de estímulo à indústria de semicondutores frente à dependência de fabricantes internacionais, principalmente os asiáticos. A preocupação daquela época, hoje ainda mais evidente, bate novamente à porta do setor com a possibilidade da perda dos incentivos.

A Câmara dos Deputados possui duas proposições em tramitação que pretendem resolver parte do problema. Uma delas é o PL 3042/2021, sobre prorrogação do prazo de vigência de incentivos do PADIS até dezembro de 2029, já que a vigência acaba agora em janeiro de 2022. O outro é a PEC 10/2021, sobre a exclusão do setor de TIC e semicondutores do plano de redução de incentivos tributários instituído na Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial).
 

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18/11/2021 03:00h

PEC 17, aprovada no Senado, fixa legislação e fiscalização da Proteção de Dados Pessoais à União, mas ainda não tem data marcada para promulgação no Congresso Nacional

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Com a criação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em 2018, o Brasil iniciou a jornada de preservação da privacidade dos cidadãos em uma era já plenamente tecnológica. Algumas pontas, no entanto, ficaram soltas, como quem poderia legislar sobre o assunto e que órgãos fariam a fiscalização, o que gerou insegurança jurídica. A Proposta de Emenda Constitucional 17/2019 veio para resolver o problema, delegando essas atribuições apenas à União, tirando dos municípios o poder de fragmentar uma lei que deve ser única em todo o território nacional. O texto foi aprovado no Senado, mas ainda aguarda ser promulgado em sessão a ser marcada no Congresso Nacional. 

Fabrício da Mota Alves, advogado especialista em Direito Digital que ajudou a construir o texto, explica que a PEC 17 promove três grandes inovações. A primeira é que a Proteção de Dados Pessoais passa a ser um direito fundamental na Constituição Federal, tal qual os demais direitos inerentes à dignidade das pessoas, como educação, segurança e saúde. O segundo diz respeito à legislação do tema. Antes, cada município poderia fazer sua própria legislação. Agora, apenas a União tem essa competência. A fiscalização é o terceiro ponto, algo que também ficará a cargo da União.

Segundo Fabrício da Mota, o fato de a proteção de dados ser agora um direito constitucional dá, finalmente, a importância que se deve ao tema.

“Tudo que é direito fundamental tem dois sentidos. O primeiro é que o Estado passa a ser obrigado a promover ações de políticas públicas para viabilizar esse direito, é um compromisso que o Estado assume. E o segundo é um compromisso que a gente chama de negativo, ou seja, o Estado, ao mesmo tempo que ele tem que garantir, tem que impedir que haja uma violação desse direito. Então, essa PEC coloca isso na Constituição, cria ali um inciso novo e, com isso, promove uma visibilidade muito grande para o assunto”, destaca o especialista.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), relatora da PEC 17, ressalta que a proteção de dados se estende a todas as instâncias, desde a iniciativa privada às redes digitais pessoais, uma das maiores preocupações dos cidadãos atualmente.

“Esse direito à privacidade merecia esse inciso da Constituição, merecia estar muito claro naquilo que hoje mais gera incertezas, mais gera conflitos, mais expõe a população brasileira. De que forma nós vamos disciplinar o tratamento de dados pessoais no Brasil? De que forma nós vamos dar suporte à população brasileira, ao cidadão, numa era de tecnologia em que as pessoas não sabem com quem estão falando, não sabem o que está sendo feito em relação aos seus dados pessoais? Por tudo isso, o efeito é imediato e tem o efeito prático em todos os sentidos”, destaca a senadora.

Legislação de Proteção de Dados

A maior preocupação com a Lei Geral de Proteção de Dados dizia respeito à necessidade de uma disciplina nacional, uma vez que o tema, além da privacidade dos cidadãos, também está ligado diretamente ao comércio e à inovação. Assim, em todas as situações, o direito não poderia se diferenciar de um estado da federação para outro. Além disso, legislações estaduais, mesmo que ligeiramente diferentes da LGPD, poderiam ser fonte de insegurança jurídica e de confusão na transferência nacional e internacional de dados.

Segundo o advogado Fabrício da Mota, assim que a proteção de dados começou a ser construída, por meio da LGPD, o assunto chamou a atenção da sociedade e todo mundo passou a se preocupar, inclusive os municípios e os estados, que passaram a tramitar projetos de lei para criar suas próprias regulações em proteção de dados. 

Atualmente existem três municípios têm leis próprias sobre o assunto: João Pessoa (PB), Cariacica (ES) e Vinhedo (SP). O especialista ressalta que essas legislações, que perderão a eficácia graças à correção promovida pela PEC 17, fragmentam a regulação da proteção de dados e dificultam o livre comércio de dados dentro do país.

“Essas leis têm basicamente o mesmo teor, com algumas diferenças, que a LGPD. Só que isso não é razoável. Qual o problema que isso gera? Se cada município legislar sobre o assunto, vai ser impossível uma empresa operar nesse país. Ao invés de ter uma regulação, o cara vai ter seis mil regulações sobre proteção de dados”, explica o especialista.

Fiscalização

A relatora da PEC 17, que teve autoria do senador Eduardo Gomes (MDB-TO), explicou que uma das maiores modificações do texto, quando passou pela Câmara e Senado, foi atribuir à União as competências de organizar e fiscalizar a proteção e o tratamento de dados pessoais, de acordo com a lei. Segundo Simone Tebet, a PEC oferece agora abrigo constitucional ao funcionamento da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), prevista na Lei Geral de Proteção de Dados e responsável por fazer a fiscalização deste direito fundamental.

“A lei que já existe no Brasil (LGPD) e que é recente, de 2018, e que fala sobre zelar pela proteção de dados, fica agora muito mais fortalecida com o preceito constitucional”, destaca.

Estados e municípios já vinham se preparando para legislar e até mesmo fiscalizar a proteção de dados, o que poderia causar confusão na transferência internacional de dados, dificultando a certificação internacional da efetividade e do paralelismo da lei brasileira de proteção de dados com a legislação internacional, além de gerar insegurança jurídica sobre a legislação válida internamente. O município paulista de Vinhedo, por exemplo, colocou em sua legislação sobre o tema que a fiscalização da proteção de dados fica a cargo da ouvidoria da Câmara dos Vereadores.

“Além das legislações municipais, há alguns movimentos no sentido de fragmentar a ANPD. Então, vários organismos estavam buscando para si essas atribuições de fiscalização em matéria de proteção de dados”, explica Fabrício da Mota. “A PEC chega para resolver esse problema, centralizar tudo, legislar, organizar e fiscalizar na figura da União Federal”, conclui o advogado.
 

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05/11/2021 20:00h

Prefeito de São Luís, primeiro município maranhense a receber nova tecnologia, já elabora Projeto de Lei para adequações necessárias

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O Maranhão consegue levar internet gratuita e de alta velocidade a 96% de seus municípios e já se prepara para a chegada do 5G. A capital São Luís, primeira a receber a novidade, elabora um Projeto de Lei para as adequações necessárias na implementação da tecnologia que promete revolucionar diversos setores, como educação, indústria e agro.
 
Prefeito de São Luíz (MA), Eduardo Bride (Podemos) aproveitou o início do leilão do 5G, promovido pela Anatel desde quinta-feira (4), para antecipar em suas redes sociais a novidade. Ele está terminando de formatar Projeto de Lei sobre a chegada da nova tecnologia e deve encaminhá-lo nos próximos dias à Câmara Municipal de Vereadores. O PL busca adequar a legislação da capital maranhense e permitir o recebimento do 5G.
 
“Hoje está acontecendo o leilão do 5G, tecnologia que vai permitir maior velocidade das redes móveis e de banda larga, deixando tudo interligado e acessível. Nos próximos dias, enviarei Projeto de Lei à Câmara, que vai permitir o uso dessa tecnologia”, comentou o prefeito.
 
O estado, por meio do Programa de Cidadania Digital, tem a preocupação de levar a conexão ao maior número possível de municípios, com 1.566 pontos de internet instalados, incluindo as zonas rurais. Com a chegada da rede 5G, que é cerca de 100 vezes mais rápida que a 4G, a promessa é de uma democratização ainda maior da conectividade, além de uma grande evolução em diversos setores, como explica o deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia no país.
 
“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração, já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, então, todas essas questões precisam do 5G, necessariamente”, destaca Lippi.

Agro e Indústria

No campo, com a tecnologia 5G, além de contar com maquinários autônomos o produtor pode, por exemplo, monitorar as culturas, medir a umidade do solo em tempo real e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, definir parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana.

No setor industrial, a nova tecnologia deve otimizar os processos e causar uma revolução. Entre os ganhos possíveis estão a melhor adequação do estoque à demanda do mercado, a customização de produtos de forma ágil à necessidade dos clientes, redução de desperdício e consequentemente do custo, aumento da segurança do trabalhador por meio da realização de atividades de risco por máquinas.

Leilão do 5G começou nesta quinta-feira (4) e deve arrecadar R$ 49,7 bi em investimentos 

Segundo o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, além de uma melhor conexão ao usuário comum, a nova tecnologia deve promover uma revolução no setor de produção.
 
“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica. 
 
De acordo com o Ministério das Comunicações, a estimativa é de que as capitais, como São Luís, já tenham acesso à nova tecnologia até meados de 2022. Os demais municípios, de acordo com o número de habitantes, recebem o 5G nos próximos anos.

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05/11/2021 19:40h

Universidade de Campina Grande (PB) já coloca em prática a nova tecnologia desde 2019

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A chegada do 5G não só é aguardada na Paraíba como já vem sendo testada na prática em um projeto da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O Lab 5G, montado desde 2019 no Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG, realiza experiências e testes em uma rede 5G restrita e prepara sistemas que possibilitarão a execução de projetos de Internet das Coisas, transmissão de vídeos, aplicações de realidade aumentada, controle remoto de equipamentos, entre outras aplicações que prometem revolucionar diversos setores no país, como educação, indústria e agronegócio.

Danilo Santos, professor e pesquisador do Núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação VIRTUS da UFCG, acredita que o Lab 5G, o primeiro do Nordeste, pode fazer da Paraíba uma das protagonistas na implementação da nova tecnologia. Segundo ele, diversos setores produtivos ganharão um salto com a nova geração de comunicação móvel. 

“Diversas são as possibilidades e casos de uso a serem explorados e desenvolvidos com o 5G. No VIRTUS/UFCG já exploramos como esses novos serviços e aplicações podem se beneficiar do 5G em pesquisas e aplicações nas áreas de indústria 4.0, saúde, entre outros”, explica.

Daniel ressalta que o leilão do 5G promovido pela Anatel vai finalmente possibilitar a implementação comercial da tecnologia e modificar os serviços oferecidos à sociedade. E como a pesquisa já avalia essas melhorias na prática há mais de um ano, a Paraíba pode ajudar em uma implementação mais ágil. “Nós, como núcleo de inovação em uma universidade, já estamos prontos para desenvolver essas inovações, portanto, trazendo um retorno muito mais rápido.”

Avanços com o 5G

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), que foi relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia no país, destaca alguns dos setores que vão evoluir com a velocidade maior e o tempo de latência (ou atraso) menor em relação ao 4G. 

“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração, já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, então, todas essas questões precisam do 5G, necessariamente”, destaca Lippi.  

Agro e Indústria

No campo, com a tecnologia 5G, além de contar com maquinários autônomos o produtor pode, por exemplo, monitorar as culturas, medir a umidade do solo em tempo real e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, definir parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. 
No setor industrial, a nova tecnologia deve otimizar os processos e causar uma revolução. Entre os ganhos possíveis estão a melhor adequação do estoque à demanda do mercado, a customização de produtos de forma ágil à necessidade dos clientes, redução de desperdício e consequentemente do custo, aumento da segurança do trabalhador por meio da realização de atividades de risco por máquinas.

Segundo o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, além de uma melhor conexão ao usuário comum, a nova tecnologia deve promover uma revolução no setor de produção.

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, a estimativa é de que todas as capitais já tenham acesso à nova tecnologia até meados de 2022.
 

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04/11/2021 20:49h

A chegada do 5G ao Brasil pode contribuir para o desenvolvimento tecnológico do Rio de Janeiro

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O Rio de Janeiro foi a primeira capital a regulamentar a instalação e compartilhamento das antenas para a tecnologia de telefonia 5G. O modelo atende às diretrizes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e simplifica o licenciamento das antenas menores que as convencionais, conhecidas como Estações Transmissoras de Pequeno Porte. Uma das exigências é que sejam instaladas em prédios e outras construções de forma camuflada ou harmonizadas com o entorno. O motivo é evitar impacto visual.

Para o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, a revolução tecnológica causada pelo 5G deve impactar sobretudo o setor produtivo.

“Terá um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas. Porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não somente entre as pessoas, mas sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, disse.

Para chegar a toda a população, a nova tecnologia de transmissão ainda vai demandar das empresas de telefonia investimentos em equipamentos para que o sinal atinja todo o país. O planejamento do Governo Federal é alcançar todas as capitais brasileiras até meados de 2022 e o país inteiro até 2028. 

Segundo o relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia 5G no país, deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP), a iniciativa vai fortalecer vários setores, principalmente o agronegócio. “Hoje, temos uma pequena parcela do agro sendo atendida, e entendemos que esse leilão tem outra característica. Empresas estarão atendendo as grandes e médias cidades do Brasil e, ao mesmo tempo, trata-se de um leilão para aquelas empresas locais, que poderão trabalhar nas cidades de menor porte, de até 30 mil habitantes, na zona rural”, explica. 

Leilão de frequências 

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

Ministra Damares Alves destaca os principais desafios durante a pandemia da Covid-19

COP26: Participação brasileira reflete a preocupação do setor produtivo com a agenda sustentável

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual.
 

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04/11/2021 20:15h

Tecnologia vai promover revolução em diversos setores, como agro, educação e mineração

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A chegada do 5G promete uma revolução em diversos setores, como educação, agro e mineração. Mas é na indústria de energia renovável que o Rio Grande do Norte está de olho. A novidade tem tudo para mudar a produção de energia eólica no estado potiguar. 

Segundo Hugo Fonseca, coordenador de desenvolvimento energético do Governo do Estado, a chegada do 5G, em primeiro lugar, vai promover a democratização do acesso à internet, podendo chegar a mais pessoas, mesmo nos municípios mais distantes. Ele destaca, no entanto, que a nova geração de comunicação móvel vai trazer outros benefícios específicos para cada estado, como é o caso da energia renovável no Rio Grande do Norte.

“A indústria voltada à energia precisa muito do 5G. O estado hoje é o maior produtor de energia eólica e a maioria tem aerogeradores que trabalham muito com análise de dados, informações e telemetrias. Com o acesso ao 5G, principalmente expandindo para a região do interior do estado, onde tem a quantidade maior de usinas em operação, vai melhorar a conexão desses parques, com dados em tempo real”, explica Hugo.

Em tempos de crise energética por causa da baixa no nível dos reservatórios, o Rio Grande do Norte tem todas as ferramentas para apostar em energias renováveis e contornar o problema. O estado tem o maior complexo eólico do país, com mais de 200 parques eólicos em operação. O mais recente foi construído em São Miguel do Gostoso, onde operam 49 aerogeradores em uma área de 300 hectares. Além de ajudar a solucionar a crise elétrica, esse projeto, sozinho, vai evitar a emissão de mais de 543 mil toneladas de CO² na atmosfera. 

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), que foi relator do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia no país, destaca alguns dos setores que vão evoluir com a tecnologia que tem uma velocidade maior e tempo de latência (ou atraso) menor que o 4G. 

“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração, já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, então, todas essas questões precisam do 5G, necessariamente”, destaca Lippi.  

Agro e Indústria

No campo, com a tecnologia 5G, além de contar com maquinários autônomos o produtor pode, por exemplo, monitorar as culturas, medir a umidade do solo em tempo real e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, definir parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. 

No setor industrial, a nova tecnologia deve otimizar os processos e causar uma revolução. Entre os ganhos possíveis estão a melhor adequação do estoque à demanda do mercado, a customização de produtos de forma ágil à necessidade dos clientes, redução de desperdício e consequentemente do custo, aumento da segurança do trabalhador por meio da realização de atividades de risco por máquinas.

Segundo o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, além de uma melhor conexão ao usuário comum, a nova tecnologia deve promover uma revolução no setor de produção.

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Já João Emilio, superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, destaca que uma das maiores mudanças diz respeito à igualdade de condições da indústria brasileira no mercado mundial. “Quando falamos em competitividade no cenário internacional, a infraestrutura adequada para o desenvolvimento da indústria 4.0 é condição primordial. Precisamos oferecer as condições básicas para termos um setor produtivo capaz de competir de igual para igual com empresas estrangeiras e ajudar na retomada da economia, na geração de empregos. Daí a importância de o Brasil priorizar e acelerar a implementação do 5G”, comentou.

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 
 

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