Pesquisa

18/11/2022 20:40h

Dado inédito de estudo realizado pela CNI também mostra que a população está cada vez mais adotando hábitos como a reciclagem e a redução de desperdícios

Baixar áudio

De acordo com a pesquisa “Retratos da Sociedade: Hábitos sustentáveis e consumo consciente’, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 74% dos entrevistados se dizem consumidores ambientalmente conscientes. Sendo que 30% dizem que sempre adotam esses hábitos e 44% afirmam que “às vezes”.

Os dados da pesquisa da CNI ainda revelam que 69% dos brasileiros costumam separar materiais para reciclagem.  A parcela que adota essa prática em 2022 é maior que em pesquisas anteriores. Em 2019, por exemplo, 55% dos entrevistados destinavam materiais para reciclagem. Na edição de 2013, essa parcela era de 52%.

Quando, no entanto, são perguntados sobre qual a percepção em relação às pessoas que residem, os números foram diferentes. Para os entrevistados, apenas 32% da população de seu estado adotam hábitos ambientalmente sustentáveis, sendo que apenas 7% adotariam esse hábito sempre, na visão deles.

Para a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, tanto a sociedade, quanto os produtores e as indústrias estão cada vez mais comprometidos em prol de um futuro melhor. 

“É um caminho sem volta. Tanto a indústria, quanto os produtores e a sociedade, vão cada vez mais exigir que os produtos sejam sustentáveis, que tenhamos menor emissão de gás estufa e que o país e o globo como um todo, tenham um futuro mais ambientalmente sustentável”, observa a gestora, que participou da Conferência das Nações Unidas Sobre as Mudanças Climáticas, a COP 27.  “A indústria está realmente empenhada nessa indústria de baixo carbono”, completa. 

O chefe da Seção de Meio Ambiente das Centrais de Abastecimento do Distrito Federal, a Ceasa-DF, Renato Lino explica que esse comportamento da sociedade em relação ao consumo consciente já acontece há algum tempo. Uma mudança perceptível que constata no dia a dia dos produtores e consumidores da Ceasa-DF. 

“A questão da sustentabilidade dá também uma maior visibilidade ao produto. Os clientes estão cada vez mais preocupados com essa questão ambiental, onde foi produzido, em que tipo de terra foi cultivada, quais os produtores foram utilizados naquela produção, inclusive até a maneira de transporte, como esse alimento chega na cidade”, explica. “Quem está no mercado ambiental, trabalhando com o meio ambiente há alguns anos vê nitidamente essa mudança comportamental do consumidor brasileiro, ainda incipiente, 69% é um índice alto, mas a gente pode chegar a 100%, pelo menos a meta é essa”, defende. 

Ao todo, foram entrevistadas na pesquisa 2.019 pessoas com idade a partir de 16 anos, nas 27 unidades da Federação. As entrevistas foram realizadas entre 8 e 12 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Copiar o texto
09/11/2022 04:30h

Pesquisa inédita divulgada pela CNI nesta quarta-feira (9) mostra que os empresários do setor estão cada vez mais engajados no tema

Baixar áudio

Cresceu de 34% para 59% o número de indústrias brasileiras que possuem uma área dedicada para lidar com a sustentabilidade. É o que aponta uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com cerca de mil empresários do setor, publicada nesta quarta-feira (9). 

Segundo a entidade, os dados vão ser divulgados durante a COP 27, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre no Egito até 18 de novembro. 

Para o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, a pesquisa mostra que o empresário brasileiro já incorporou a sustentabilidade à estratégia corporativa. “Muitos empresários têm investido bastante em agendas que trazem a sustentabilidade como fator central, ou seja, toda essa parte de gestão de resíduos, de energia, de eficiência hídrica. Toda essa agenda compõe não só uma vertente de redução de custo, mas, também, de competitividade e inserção nas cadeias globais de valor”, destaca. 

Em relação ao nível de informação dos empresários sobre os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) para 2030 definidos pela Organização das Nações Unidos (ONU), 31% dos industriais declararam estar “muito informados” ou “informados”. Mas o percentual dos “pouco ou nada informados” é maior, chegando a 42%. De todo modo, a situação é melhor do que no ano passado, quando 73% dos entrevistados afirmaram não conhecer os ODS. 

Consumo, cadeia produtiva e indústria

O levantamento apresentou aos empresários da indústria algumas ações relacionadas à sustentabilidade ambiental na cadeia produtiva e perguntou se a empresa utilizava algumas dessas iniciativas. Apenas 15% declararam ter as nove ações. De acordo com a pesquisa, 43% assinalaram de sete a oito ações, ante 26% que marcaram de cinco a seis iniciativas. 

As três mais implementadas foram as ações para: reduzir a geração de resíduos sólidos na produção; aprimorar os processos para melhoria dos aspectos ambientais; e otimizar o consumo de energia. 

Ao serem questionados sobre as práticas sustentáveis que julgam serem as principais prioridades para as suas empresas, 38% dos empresários citaram como primeira ou segunda opção as ações para reduzir a geração de resíduos sólidos na produção. O uso de fontes renováveis de energia foi lembrado por 34%, enquanto as ações para otimizar o uso da água por 31%. Metade dos industriais disse que os investimentos em ações de sustentabilidade ambiental em suas indústrias aumentaram. 

Além disso, aumentou de 26% para 45% a quantidade de indústrias que exigem certificado de seus fornecedores e/ou parceiros de cumprimento de critérios ambientais como condição para contratação de produtos e insumos. Também cresceu de 40% para 52% o número de empresários que responderam que algum cliente já exigiu certificado ou ação ambientalmente sustentável como critérios para contratação. 

Apesar disso, 84% dos empresários afirmaram que nunca deixaram de vender algum produto por não ter alguma certificação ou seguir algum requisito ambiental em sua cadeia produtiva. No ano passado, o índice era maior: 87%. Em relação ao peso dos critérios ambientais sobre a decisão de compra de seus consumidores, subiu de 20% para 35% o número de industriais que afirmam que esses fatores têm importância “muito  alta” ou “alta”. 

“O consumidor vem se tornando cada vez mais consciente, ou seja, todos querem saber como que cada produto é produzido, como que cada serviço é prestado, quanto que emite de gás de efeito estufa, se tem um programa de gestão de resíduos, se trabalha eficiência energética, eficiência hídrica, se compõe toda a parte social também”, diz Bomtempo. 

O levantamento também quis saber se os empreendedores pretendem aumentar, manter ou diminuir os aportes em ações de sustentabilidade nos próximos dois anos: 69% disseram que “sim”, ante 63% no ano passado. Os principais focos desses investimentos serão o uso de fontes renováveis de energia, a modernização de máquinas e equipamentos para melhoria de aspectos ambientais e ações para reduzir a geração de resíduos sólidos na produção. 

Amostra

Participaram da pesquisa executivos de 1.004 indústrias de pequeno, médio e grande portes de todas as regiões brasileiras. As entrevistas ocorreram entre 6 e 21 de outubro de 2022. 

Natureza traz soluções alternativas para minimizar impactos climáticos no dia a dia das cidades

Brasil avança com medidas que instituem mercado regulado de carbono

Copiar o texto
08/11/2022 18:10h

Pesquisadores estiveram em mais de 47 milhões de domicílios em todo o país. Falta de recenseadores causa atraso

Baixar áudio

Pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já abordaram 136.022.192 em mais de 47,7 milhões de domicílios no país. Com isso, o Censo 2022 ultrapassou a marca de 60% da população recenseada. Os dados são do terceiro balanço de coleta, que abrange o início da operação, em 1º de agosto, até o dia 31 de outubro.

Do total de pessoas recenseadas, 31,69% estavam na região Nordeste, 38,45% no Sudeste, 13,99% no Sul, 8,88% no Norte e 6,99% no Centro-Oeste. Até o momento, 48,3% da população recenseada eram homens e 51,7% eram mulheres. Esse total corresponde a 63,77% da população estimada do país.

"Fiquei surpresa porque, para mim, isso é uma coisa tão distante, nem sabia que de fato acontecia o censo assim”, comentou a publicitária Lana Rocha que, em 41 anos, recebeu os recenseadores do IBGE pela primeira vez. “Fiquei feliz em poder contribuir, em poder responder, em poder tá aí contando com alguma informação. espero que tenha sido útil", completou a comunicadora.

Entretanto, o instituto tem enfrentado dificuldades para colocar recenseadores nas ruas para a coleta. Em todo o país, são 90.552 contratados em campo - 49,5% do total de vagas disponíveis (183.021). “Isso é diferenciado por região. A gente tem estados onde a produção está adequada dentro do que a gente tem em termos de previsão de término, mas em alguns estados de fato a carência de pessoal é maior”, explica Luciano Duarte, coordenador Técnico do Censo 2022.

Os estados mais adiantados, ou seja, com maior proporção de pessoas recenseadas em relação à população estimada são todos do Nordeste. Em primeiro lugar está o Piauí, com 86,08% da população abordada pelos pesquisadores do IBGE; seguido por Sergipe, com 83,19%, e por Rio Grande do Norte, com 80,48%. Os menos adiantados são Mato Grosso (42,72%), Amapá (51,47%) e Acre (54,07%).

“Por isso a gente tem que fazer esse adiamento. Investir em melhorias de remuneração dos recenseadores, flexibilização de contratação de mão de obra, com algumas restrições aí sendo retiradas para que a gente consiga mais pessoal”, afirma Duarte, ao justificar o adiamento para o encerramento da coleta de dados para dezembro deste ano. Um quarto e último balanço com os dados preliminares do estudo ainda é esperado para o início do próximo mês.

Copiar o texto
18/10/2022 03:30h

Após sucessivas altas, o Índice de Confiança do Empresário Industrial recuou 2,6 pontos no mês de outubro em relação a setembro. CNI enxerga uma maior moderação das expectativas dos empresários com relação aos próximos seis meses

Baixar áudio

Mesmo com a alta da expectativa do desempenho econômico da indústria brasileira, empresários do setor sentem diminuir a confiança no mercado industrial. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), publicado nesta quinta-feira (13) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), recuou 2,6 pontos de setembro para outubro, a maior queda de confiança do ano, e está em 60,2 pontos.

O recuo ocorre após sucessivos avanços do otimismo do setor industrial ao longo deste ano. Mas, apesar da queda, o índice está acima da linha de corte de 50 pontos que, segundo a entidade, separa a confiança da falta de confiança. 

De acordo com a economista da CNI, Larissa Nocko, a principal causa da retração da confiança foi a maior moderação das expectativas do setor industrial para os próximos seis meses.  "Essa queda foi resultado tanto de um recuo nas avaliações das condições atuais quanto na expectativa do empresário para os próximos seis meses, ainda que tenha sido mais expressivo esse recuo no lado das expectativas”, avalia Nocko.

No início desta semana, a CNI divulgou uma nova projeção de crescimento para o Produtor Interno Bruto (PIB) da indústria. O índice aumentou de 0,2% nas previsões de julho para 2% nos dados mais recentes. Segundo a entidade, esse movimento de expansão da economia industrial foi impulsionado por dois setores específicos: o da indústria de transformação e o da construção civil. 

Confiança da indústria

Entre os dados que fazem parte do ICEI há o Índice de Condições Atuais e o Índice de Expectativas. Neles, o empresariado do setor avalia quatro elementos, como explica Nocko. “O empresário industrial é questionado a respeito das avaliações das condições atuais da economia brasileira, das avaliações das condições atuais das empresas e das expectativas para os próximos seis meses, tanto da economia brasileira quanto da empresa”, comenta a economista.

Em ambos os casos, visualizou-se um pessimismo dos dirigentes. O Índice de Condições Atuais também apresentou recuo, saindo dos 58,4 pontos em setembro para 56,9 pontos agora em outubro, uma queda de 1,5 ponto. No caso do Índice de Expectativas, a queda foi de 3,2 pontos, caindo para 61,18 pontos. 

Assim como o ICEI, os dois índices seguem com valores positivos e apontando percepção positiva do momento atual da economia brasileira e das empresas em relação aos seis meses anteriores. A avaliação, porém, é mais moderada que em setembro, especialmente na percepção dos empresários com relação às suas próprias empresas, aponta a CNI.

A pesquisa foi feita com 1.459 empresas, sendo 572 de pequeno porte, 535 de médio porte e 352 de grande porte, entre os dias 3 e 7 de outubro.

Copiar o texto
04/10/2022 04:15h

Instituições financeiras projetam queda para o IPCA pela 13ª semana consecutiva

Baixar áudio

Pela 13ª semana consecutiva, o mercado financeiro reduziu a expectativa da inflação para 2022 e 2023 e elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, de acordo com dados do último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (26). A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o fim deste ano caiu de 6% para 5,88% e a previsão para 2023 diminuiu de 5,01% para 5%.

Em agosto, o IPCA teve o segundo mês consecutivo de queda, com baixa de 0,36%. Em julho, a deflação havia sido de 0,68%. O PIB, por outro lado, teve a projeção de alta aumentada, passando de 2,65% para 2,67% neste ano. Para 2023, foi mantida em 0,50%. 

“Isso [a redução] é importante pois a inflação começa a aproximar-se da meta estabelecida mesmo que não seja o centro da meta. Representa um ganho positivo contra a incerteza da economia, com a valorização do poder de compra das famílias, dando a possibilidade delas poderem planejar seu futuro com a valorização do seu poder de compra”, avalia Alessandro Azzoni, advogado, economista e conselheiro deliberativo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Mesmo com a perspectiva positiva, o advogado e economista alerta para interferências internacionais. “Acredito que a tendência de queda ainda permaneça e a redução dos preços dos combustíveis atingindo diesel deverá impactar na redução dos preços dos produtos, alimentos e serviços, acentuando ainda mais a queda da inflação. Mas como a economia depende sempre de vários fatores, temos que ficar atentos ao mercado externo, pois a guerra da Ucrânia e Rússia ainda impacta as economias globais e o cenário interno das eleições”, conclui. 

Para o doutor em economia e professor da Universidade Mackenzie, Hugo Garbe, recentes medidas do governo federal tiveram impacto direto na deflação brasileira. “Os fatores que levam à previsão da redução da inflação são que, primeiro, houve redução significativa de impostos dos principais produtos que compõem a inflação, por exemplo, ICMS dos combustíveis. Outro ponto importante é a taxa de juros. O Banco Central do Brasil foi o primeiro a subir a taxa, ainda em meados da pandemia. Quando tem politica monetaria contracionista, reduz o ímpeto de consumo e tomada de crédito”, opina. 

Histórico

Desde 1999, o Brasil adota o regime de metas inflacionárias, onde fica estabelecido o desvio de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo do foco da inflação a ser alcançada. Esse foco é sempre o IPCA. Em 2022, o Conselho Monetário Nacional fixou a meta para o índice  em 3,5%. Aplicando o desvio, a inflação poderia ficar entre 2% e 5% e, para isso, o Banco Central utiliza de ferramentas monetárias para manter essa meta. Uma das mais utilizadas é o aumento na taxa básica de juros, a Selic. 

O IPCA tem um espectro maior e analisa o poder de compra das famílias com renda até 40 salários mínimos em todo o território nacional, diferentemente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) que leva em conta o poder de compra das famílias até cinco salários mínimos. Com isso, o Banco Central pode definir o viés de alta ou de baixa da taxa básica de juros, a fim de trazer a inflação para o centro da meta. 
 

Copiar o texto
03/10/2022 04:15h

Pará, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro tiveram resultados superiores à média nacional na passagem de junho para julho. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, do IBGE, divulgada neste mês de setembro

Baixar áudio

A produção industrial brasileira avançou 0,6% na passagem de junho para julho, indica a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, do IBGE, divulgada neste mês de setembro. Em quatro estados, o crescimento foi superior à média nacional: Pará (4,7%), Mato Grosso (3,7%), Santa Catarina (1,9%) e Rio de Janeiro (0,7%). 

“Como principal influência positiva sobre o resultado nacional, temos a indústria do Pará. O setor extrativo é que mais influencia esse crescimento em julho, já que uma característica da indústria paraense é de ser pouco diversificada, concentrada nesse setor. Como segunda influência positiva no resultado nacional temos a indústria de Santa Catarina, influenciado pelos setores de máquinas e equipamentos, e de produtos de borracha”, explica Bernardo Almeida, analista da PIM Regional. 

A diversificada indústria catarinense apresenta números positivos consecutivos desde março deste ano. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência, no mês de julho, o setor industrial de Santa Catarina liderou a geração de empregos formais no estado, com 2,2 mil contratações, sendo 1.452 vagas abertas pela construção civil. Na sequência, entre os segmentos que mais contrataram no período estão: têxtil, confecções, couro e calçados, alimentos e bebidas, equipamentos elétricos, automotivo, papel e celulose, e produtos químicos e plásticos.

Para Marcelo de Albuquerque, economista do Observatório da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, a recente aceleração da produção industrial está associada à recuperação gradual de atividades, que vinham sendo prejudicadas por problemas de oferta e alto custo das matérias-primas. 

“É também pelo fato de Santa Catarina ter hoje uma relevância muito forte em termos de produção industrial. Tem uma diversidade produtiva e regional bem considerável, conseguimos ver fortes setores produtivos espalhados pelo estado. Isso tudo acaba trazendo maior capacidade e condições para que Santa Catarina aproveite cada ciclo econômico dentro de cada setor produtivo”, avalia. Entre os setores de destaque na indústria catarinense, nos últimos três meses, Albuquerque chama atenção para veículos automotores, máquinas e equipamentos, e produtos de borracha e material plástico. 

Mato Grosso, outro estado que teve avanço acima da média nacional, tem no agronegócio seu ponto forte. “Nós temos uma característica forte na agroindústria. Produzimos muita carne, farelo de soja, óleo de soja, açúcar, bioenergia. O setor que mais se destaca é o setor de alimentos, que corresponde a quase 70% da nossa produção industrial”, explica Pedro Máximo, gerente de economia do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso. 

Destaques negativos

Entre os resultados negativos da última PIM Regional, estão o Espírito Santo (-7,8%), intensificando a queda de 1,3% em junho; Bahia (-7,3%), eliminando o ganho acumulado de 7,6% observado no período entre fevereiro e junho; e região Nordeste (-6,0%), que teve queda na produção de 6,8% em três meses consecutivos. Já Minas Gerais ficou estável (0,0%).

Segundo Bernardo Almeida, esses resultados estão associados ao abastecimento de insumos e o encarecimento das matérias-primas, pelo lado da oferta; e pelo lado da demanda, inflação alta e juros elevados, causando o encarecimento do crédito. 

Sobre a PIM Regional

Produzida desde a década de 1970, a PIM Regional traz indicadores de curto prazo relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. A cada mês, são divulgados índices para 14 unidades da federação cuja participação é de, no mínimo, 1% no total do valor da transformação industrial nacional e, também, para o Nordeste como um todo.
 

Copiar o texto
Ciência & Tecnologia
19/09/2022 04:00h

Em entrevista ao Brasil 61, Rafael Lucchesi disse que o Brasil precisa apostar em inovação e que o investimento em ciência e tecnologia precisa aumentar, se o país quer crescer de forma sustentada nas próximas décadas

Baixar áudio

No ano passado, o Brasil ocupou apenas a 57ª posição no ranking do Índice Global de Inovação (IGI), divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual. A colocação é incompatível com o fato de a economia brasileira estar entre as dez maiores do mundo e com o desejo do país de entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma vez que a média de investimento em inovação desses países é bem superior à nacional. 

Mas o cenário pode ser revertido, segundo Rafael Lucchesi, diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em entrevista ao Brasil 61, ele diz que isso depende, principalmente, de o país apostar na indústria, que é de onde saem as inovações tecnológicas que aumentam a competitividade de todo o setor produtivo. 

Confira abaixo:

Brasil 61: O Brasil investe pouco mais de 1% de seu Produto Interno Bruto em inovação, enquanto outros países chegam a gastar mais de 4% do PIB. É um sinal negativo, pensando no desenvolvimento do país a médio e longo prazo? 

Rafael Lucchesi: Sim. A inovação é o principal fator de competitividade para as empresas. E como o dispêndio em inovação tem um elevado risco, todos os países apoiam fortemente criando externalidades e criando formas de apoio para que suas empresas inovem. E isso é decisivo, fazendo com que haja um maior retorno para toda a sociedade: desenvolvimento econômico, geração de emprego, renda e carga fiscal. Essa é uma receita em todo o mundo. 

Brasil 61: Como está o Brasil em comparação com outros países quando o assunto é inovação? 

Rafael Lucchesi: O Brasil tem ficado para trás nas últimas décadas desde que perdeu a perspectiva de uma política industrial moderna, sobretudo como se discute hoje no mundo. Não é apenas um gasto ofertista em ciência, mas articulação de ciência, tecnologia e inovação como um componente central de uma política industrial moderna. Essa é a agenda que os principais países têm. O Brasil tem um duplo problema. Nós gastamos pouco em ciência, tecnologia e inovação. Pouco acima de 1% do PIB, quando deveria ficar acima de 2%, pelo menos. A média dos países que compõem a OCDE é de 2,7%. Israel e Coreia do Sul se aproximam de 5%. Japão, Alemanha e Estados Unidos estão acima de 3%. Então é claro que se o Brasil busca ambições nas cadeias mais sofisticadas, nas cadeias de maior valor agregado, nas cadeias que vão gerar o emprego e o PIB do futuro, nós temos que construir políticas de longo prazo, uma articulação entre políticas industriais do século XXI, onde tem centralidade o gasto de ciência, tecnologia e inovação. 

Brasil 61: Qual a relação entre a inovação e a indústria? 

Rafael Lucchesi: A vantagem da atividade industrial é que ela gera cadeias sofisticadas e longas, criando toda uma interação com o setor de serviços. Uma economia que é baseada em atividades de cadeias curtas, em commodities agrícolas ou minerais, vai gerar, por correspondência, uma estrutura de serviço pouco sofisticada e com empregos pobres com relação ao futuro e também com baixa adição de valor. Isso tem acontecido no Brasil nas últimas décadas, onde nós estamos criando uma especialização regressiva, porque o Brasil perdeu a perspectiva de uma política industrial. O Brasil desaprendeu a fazer isso. Nós fomos o país que mais cresceu no mundo a partir da segunda guerra mundial, entre as décadas de 30 e 80. Durante 50 anos o Brasil liderou o crescimento mundial e fez isso buscando fortemente a estruturação de um parque industrial complexo e integrado. Mas nas últimas quatro décadas o Brasil perdeu o protagonismo em políticas industriais modernas, exatamente o enredo que os tigres asiáticos fizeram nesse período. Nós liderávamos esse processo, países como a Coréia do Sul, que tinham uma renda per capita que era um terço da brasileira, mandava missões para estudar o Brasil. E hoje a Coréia do Sul tem uma renda per capita três vezes a brasileira. Então, nos faz pensar por que nós abdicamos e desaprendemos a capacidade de liderar o desenvolvimento econômico e também políticas industriais sofisticadas. 

Brasil 61: E quais os impactos a desindustrialização causou? 

Rafael Lucchesi: A taxa de crescimento brasileira nos últimos 40 anos é a metade da taxa de crescimento dos países ricos, da média da OCDE, ou seja, nós abdicamos de uma situação em que a gente liderava o crescimento econômico no mundo para uma situação de sub crescimento, onde o hiato entre o crescimento brasileiro e das principais potências está criando um fosso que se amplia, ou seja, nós estamos retrocedendo. Antes, nós estávamos numa estratégia de emparelhamento, nós paralisamos e estamos hoje numa estratégia de retrocesso. 

Brasil 61: Como o Brasil pode promover a reindustrialização ao mesmo tempo em que aproveita o seu potencial no agronegócio? 

Rafael Lucchesi: É claro que nós temos que pensar que temos vantagens comparativas e competitivas no setor de commodities minerais, no agronegócio, e eles são importantes. Agora, nós temos uma carga fiscal que penaliza a indústria brasileira. Nós temos um conjunto de burocracias e uma inação na agenda de defesa do setor industrial brasileiro que é uma contradição com o que acontece no resto do mundo. Então, nós precisamos pensar que mesmo para a competitividade do setor de commodities minerais ou do agronegócio, o seu desenvolvimento tecnológico está umbilicalmente vinculado à indústria, que vai produzir os defensivos, os fertilizantes, toda a agenda de biotecnologia. Nós não podemos repetir a história de maneira tão trágica e de forma tão esvaziada aceitando passivamente essa posição subalterna de perder a participação nos segmentos de média e alta tecnologia. Para um país com mais de duzentos milhões de habitantes e oito milhões de quilômetros quadrados, não cabe pensar pequeno. Nós temos que ter um projeto de país à altura e também que seja compatível à história brasileira. 

Brasil 61: O que fazer para mudar esse cenário? 

Rafael Lucchesi: Nós precisamos resgatar ambições maiores, que já fizeram parte da construção do projeto desse país. O Brasil saiu de uma condição de uma sociedade rural e agrícola na virada dos anos vinte para os anos trinta e demos um salto progressivo. Nós soubemos fazer isso, mas perdemos essa memória. Como país nós temos que pensar e ter claro que no mundo inteiro a grande agenda é de desenvolvimento industrial. O grande jogo e que está no centro da disputa geopolítica no mundo é uma enorme guerra fria pelo controle e o domínio profundo das tecnologias promotoras da indústria 4.0: a internet das coisas, a inteligência artificial, o big data, a indústria aditiva e a economia digital. 

Indústria é o setor que mais investe em pesquisa e desenvolvimento

Especialista diz que é preciso reverter redução de recursos do FNDCT para “salvar a ciência brasileira”

Hidrogênio verde: o combustível do futuro que vai promover a descarbonização de setores como a indústria e agro

Copiar o texto
Ciência & Tecnologia
12/09/2022 04:15h

Quase 70% dos aportes em P&D (pesquisa e desenvolvimento) são realizados por empresários industriais, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Baixar áudio

Os empresários da indústria são engajados quando o assunto é investimento. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os industriais são responsáveis por 68,6% do investimento empresarial em P&D (pesquisa e desenvolvimento). Um outro levantamento da CNI aponta que quase oito em cada dez grandes indústrias fizeram investimentos em 2021, o maior percentual desde 2014. 

Cristina Reis, diretora da Agência da Inovação da Universidade Federal do ABC, diz que o investimento em pesquisa e desenvolvimento é uma característica marcante não só da indústria brasileira, mas também no nível internacional. 

“No Brasil, as universidades públicas são as responsáveis pela maior parte das patentes registradas. O setor privado investe bastante em pesquisa e desenvolvimento e, dentre essas empresas do setor privado, sem dúvida a indústria se destaca. A indústria é conhecida por ser um setor que promove inovação e que investe continuamente no desenvolvimento de processos e de produtos”., afirma. 

Segundo Cristina, a competição entre as empresas por mercados torna a busca por inovação um fator de diferenciação fundamental. A indústria tem um ambiente propício para criar ou melhorar processos e produtos. A especialista também explica por que acredita que o investimento em pesquisa e desenvolvimento é maior entre as grandes empresas. 

“Aquelas que mais investem em inovação são as que têm maior acesso a condições de financiamento e têm uma cultura organizacional preparada para um investimento ‘paciente’, porque nem sempre gera resultados de curto prazo e vai contar com muitos insucessos ao longo do caminho. Para lidar com todos os riscos associados ao processo de inovação, em geral, a gente observa as grandes indústrias, aquelas empresas que são mais poderosas, com maior capacidade de realizar”, avalia. 

Círculo Virtuoso

O investimento em inovação não cria apenas novos produtos ou serviços, explica Cristina Reis. É responsável também por algo que os economistas chamam de círculo virtuoso de desenvolvimento, em que uma iniciativa positiva vai puxando a outra. 

“Quando um novo produto é gerado, abre-se uma perspectiva de novas rendas e empregos. A dinâmica econômica é reforçada e, na medida do possível, melhorando a qualidade dos empregos gerados e, portanto, também, a remuneração deles, o que faz com que o padrão de vida de toda essa sociedade possa se elevar e vai incentivando, via demanda, outros mercados”, explica. 

Deixar em segundo plano os aportes em inovação não é uma boa ideia se o país deseja o desenvolvimento de forma sustentada. “Um país que não faz esse tipo de investimento, que mantém um processo produtivo mais simples, mais atrasado do ponto de vista tecnológico, é muito mais vulnerável às crises econômicas internacionais, por estar dependente tecnologicamente”, alerta. 

Até por isso, Rafael Lucchesi, diretor de Educação e Tecnologia da CNI, destaca que a indústria tem um papel fundamental ao fomentar novas tecnologias, pois pode trazer benefícios para os outros setores que movimentam a economia, como o agronegócio. 

“Nós precisamos pensar que mesmo para a competitividade do setor de commodities minerais ou do agronegócio, o progresso técnico desses segmentos é exógeno, ou seja, o desenvolvimento tecnológico da atividade de agricultura e pecuária está umbilicalmente vinculado à indústria, que vai produzir os implementos, que vai produzir os defensivos, que vai produzir os fertilizantes, que vai produzir toda a agenda de biotecnologia”, diz. 

Investimentos produtivos

Já quando o assunto é investir na compra de máquinas e equipamentos e melhoria das plantas, fábricas ou armazéns, a indústria teve o seu melhor desempenho em sete anos. Segundo a CNI, 79% das grandes indústrias investiram na produção no ano passado, o melhor patamar desde 2014. 

O resultado acompanhou o avanço da taxa de investimento do Brasil em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que saltou de 16,6% para 19,2% no último ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Projeção da própria CNI divulgada em julho mostra que três em cada quatro empresários industriais pretendem investir em 2022. 

Hidrogênio verde: o combustível do futuro que vai promover a descarbonização de setores como a indústria e agro

“Quem não inova fica para trás", diz diretor executivo da Abimaq ao destacar importância de novas tecnologias na indústria

Copiar o texto
06/09/2022 04:30h

De acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 55% dos entrevistados usam nos ônibus e metrôs, e 49% não abrem mão do uso nos supermercados

Baixar áudio

A população brasileira mantém o hábito de usar máscaras no dia a dia mesmo com a redução dos casos de Covid-19 no país e com 33% da população vacinada com três doses contra a doença. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 55% da população ainda adota a peça de proteção nos transportes coletivos. 

É o caso da faxineira Elis Martins, de 42 anos, que não dispensou o item nem após ter tomado as quatro doses da vacina contra a Covid-19. “Mesmo vacinados temos que nos prevenir, ainda mais em lugares fechados, com muito movimento de gente”, conta a profissional da limpeza. “Eu trabalho no Detran-DF, tem hora que lá fica cheio, tem hora que está vazio, então tem que usar, é importante”, ensina. 

A servidora pública Maristela Queiroz, de 52 anos, pega ônibus todos os dias para ir ao trabalho. Apesar de protegida pela vacina, ela se preocupa por ter comorbidade, e garante que a máscara é uma ferramenta importante para evitar novas contaminações. “A Covid-19 não acabou, com a máscara me sinto mais segura e, além da Covid-19, tem aí a varíola dos macacos”, observa.

Hidrogênio verde: o combustível do futuro que vai promover a descarbonização de setores como a indústria e agro

Setor de Turismo fatura R$ 94 bilhões no primeiro semestre de 2022

A pesquisa ainda aponta que 49% da população não abre mão da máscara em supermercados. Já em outros espaços, como os comércios de rua e os shoppings, a realidade é diferente. Para aqueles que frequentam bancas de feiras ao ar livre ou camelôs, o percentual de quem usa máscara é de 34% e, em shoppings, 33%. No ambiente de trabalho, 31% dos funcionários usam máscaras. 

Para Luiz Solano, diretor da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), que tem aproximadamente seis mil associados, a melhora na situação da pandemia aliviou o cotidiano das pessoas, mas não se pode descuidar. Segundo ele, em muitos comércios, além dos funcionários, os próprios clientes fazem questão de frequentar os espaços de máscara.

“O que nós estamos vendo aí é que muita gente ainda usa máscara em todo o Distrito Federal, o que é muito bom. Agora nos shoppings, nas rodovias, nós estamos vendo os ônibus estão, inclusive os passageiros, estão usando máscara”, conta. 

Confiança na vacina

Entre abril e julho deste ano, o percentual de brasileiros que disseram usar máscaras apenas em locais fechados se manteve estável, em aproximadamente 52%.

Por outro lado, o número de cidadãos que abandonou de vez as máscaras no dia a dia aumentou de 17% para 32%, entre abril e julho deste ano. Uma em cada três pessoas parou de usar máscaras em qualquer local, segundo a pesquisa. 

De acordo com o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a queda no do uso de máscaras se deve à confiança na vacinação. “A população vê que a pior fase ficou para trás, vê o avanço da vacinação e se sente mais protegida”, defende. “E aos poucos, vem abandonando o uso de máscara”, completa o analista. Do total de entrevistados, 95% dizem ter tomado, pelo menos, uma dose da vacina. E a maioria informou já ter tomado três ou quatro doses (62%), enquanto 5% afirmaram que não tomaram a vacina. 

A Covid-19 esteve próxima da maioria dos brasileiros: 62% disseram que conhecem alguém que foi internado por causa da doença, e 5% da população diz ter tido Covid-19 nos últimos três meses. Quando questionados sobre a nova variante BA-5, mais da metade (54%) nunca ouviu falar, e 28% disseram que o medo é grande ou muito grande.

Antônio de Almeida Santos, de 43 anos, se assustou ao fazer o teste no mês de julho. “Fiquei surpreso porque já tinha tomado duas vacinas e, segundo o médico, foi o que me protegeu”, conta. “Como não tenho nenhuma comorbidade, só tive sintomas leves, mas agora vou reforçar o uso de máscara”, explica.
 

Copiar o texto
Educação
17/08/2022 04:30h

Antes de chegar à Akademia High School, na Polônia, jovem da Bahia foi o único brasileiro a integrar como bolsista integral o programa The School of the New York Times, nos EUA. A bolsa é uma conquista pela participação no Programa de Iniciação Científica do SESI Bahia

Baixar áudio

O jovem Juan Teles, de 17 anos, embarcou para os Estados Unidos para participar do The School of the New York Times. Ele é o único brasileiro com bolsa completa neste programa, que conta também com aulas nas principais universidades de Nova Iorque, como Columbia e Fordham University. O prêmio maior vem na sequência, quando se muda para Varsóvia, na Polônia. Lá, o estudante de Salvador (BA) vai integrar como bolsista, pelos próximos dois anos, a Akademia High School, uma das principais escolas técnicas da Europa, onde vai terminar a escolarização.

“Vai ser uma imersão, uma experiência que vai mudar minha vida, minha carreira e minhas perspectivas. Eu espero cursar relações internacionais e seguir na diplomacia brasileira. Tudo isso pode ser conquistado a partir da minha experiência de estudo que vou ter na Polônia. O que eu mais espero é a concretização de planos.” 

Juan começou a ter contato com a pesquisa pelo Programa de Iniciação Científica (IC) da Rede SESI Bahia de Educação, no 1º ano do ensino médio, e teve como grande destaque a participação em um projeto de análise socioespacial no Porto das Sardinhas. O estudante da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, em Salvador, conta que o grupo trabalhou com cerca de três mil mulheres que tiram o sustento do tratamento da sardinha em jornadas que chegam a 12 horas de trabalho. 

Como foi identificado potencial de sustentabilidade na atividade, foi proposto um trabalho de reaproveitamento dos restos dos peixes para a elaboração de uma ração para pets. O lucro dessa farinha proteica será revertido a essas mulheres, já que a remuneração no processamento e ensacamento da sardinha paga muito pouco.

“Elas não veem solução para aquela situação, para aquele contexto em que elas estão. É um ciclo constante. Vi as mães, as filhas, gerações de avó, mãe, neta trabalhando no mesmo local, sem chance de estudo ou melhora de vida. E uma das motivações do projeto foi ver como podemos trazer um benefício socioeconômico para essas mulheres. Foi a partir daí que a gente viu os resíduos da sardinha como alternativa”, explica Juan.

O projeto tem parceria com técnicos do SENAI CIMATEC, mas ainda precisa de um parceiro comercial para que se viabilize economicamente e passe a ajudar as mulheres do Porto das Sardinhas. Anderson dos Santos Rodrigues, professor de Geografia na Escola Reitor Miguel Calmon, foi orientador no projeto de Juan. Ele explica que o nível do trabalho de pesquisa contribui significativamente para a formação e que os jovens conseguem desenvolver de forma muito mais acentuada esse perfil protagonista e autônomo de estudo e empenho científico no programa.

“A pesquisa aqui no SESI busca lapidar isso, como a escrita, a leitura. E as suas ações podem abrir portas para o mundo. Para Juan não foi diferente. Juan soube aproveitar isso muito bem, mesmo no contexto pandêmico, e sempre esteve com a mente aberta para participar de seleções, concursos, chamadas de editais mundo afora. Ele investiu na língua estrangeira, no caso inglês e espanhol, e agora está estudando francês. Ele conseguiu, dentro da IC, desenvolver isso de forma brilhante”, relata o professor.

Segundo Fernando Moutinho, gerente de Educação Científica e Tecnológica, a Iniciação Científica da Rede SESI Bahia de Educação desenvolve a ciência, o empreendedorismo e a inovação de forma prática e integrada. Ele conta que o resultado do programa é cada vez mais significativo nas principais feiras e eventos científicos nacionais e internacionais, com premiações e bolsas importantes conquistadas por alunos em grandes universidades fora do país. É o caso de Juan.

“Além de ele estar desenvolvendo todas as habilidades e potencializando o que ele traz consigo, como caraterística do seu contexto, a iniciação científica promoveu também a construção do projeto de vida e carreira. Esse movimento que ele está fazendo agora é justamente o projeto de vida e carreira que ele desenvolveu através das habilidades e conhecimentos que a iniciação científica proporcionou a ele.”

Programa de Iniciação Científica 

Os projetos de iniciação científica com os alunos da Rede SESI de Educação na Bahia mostram resultados positivos desde o início, em 2016. No estado, as escolas do SESI são as únicas da rede privada de ensino com um programa desta natureza.

São mais de mil estudantes do ensino médio, do 1º ao 3º ano, em dez escolas, integrados às mais diversas áreas de pesquisa, como ciências da natureza, ciências humanas, linguagens, matemática e engenharia. Além de propor temas de investigação para problemas reais e que fazem parte da sua realidade, os estudantes desenvolvem competências e habilidades do século XXI: autogestão, investigação, resolução de problemas e habilidades de comunicação.

A proposta do programa é que, a partir de problemáticas locais e globais, os estudantes utilizem seus conhecimentos sobre ciência, tecnologia, engenharia e matemática na construção de soluções aplicáveis para os desafios do cotidiano e da indústria. O programa pretende, assim, preparar os estudantes para o mundo do trabalho e o ingresso em uma universidade, além de formar cidadãos protagonistas e atuantes diante dos desafios do século XXI. 

Prêmios

Além de toda a experiência acadêmica e pessoal transmitida aos alunos, os projetos realizados vêm mostrando também excelência científica. Em junho, a Rede SESI Bahia de Educação foi destaque na edição 2022 da Feira Brasileira de Jovens Cientistas, evento científico pré-universitário voltado para estudantes do ensino médio de todo o país. Com 22 projetos submetidos, os estudantes das escolas da capital e do interior conquistaram dez premiações em diferentes categorias. Dentre as conquistas, destaca-se uma credencial para a Mostratec, o maior evento do gênero do país e que seleciona projetos de iniciação científica para mostras internacionais.
 

Copiar o texto
Brasil 61