Política

07/10/2022 04:30h

Dados do TSE apontam que mais de 30 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no dia 2 de outubro

Baixar áudio

Os eleitores que não compareceram às urnas eletrônicas no primeiro turno das eleições de 2022 têm até o final de novembro para justificar a ausência junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O procedimento segue o prazo de 60 dias estipulado pelo Tribunal, a partir da data de votação, e é obrigatório a todos os brasileiros alfabetizados com idades entre 18 e 59 anos que não votaram.

O requerimento para a justificativa pode ser realizado, não só nas seções eleitorais, como no site oficial do TSE ou por meio do e-Título, aplicativo para celular. O eleitor deve anexar documento que comprove o motivo da abstenção do voto, que será analisado pelo Tribunal e, em caso de indeferimento, pode ser punido em multas que variam entre R$1,05 e R$3,51 (para cada turno em que esteve ausente).
Vale destacar que o Tribunal permite a solicitação do voto em trânsito (fora do domicílio eleitoral) a todos os brasileiros em território nacional, também diante de justificativa. Esse prazo, porém, terminou dia 18 de agosto para ambos os turnos.

Serviços e Indústria puxam resultado positivo de empregos em agosto, aponta Caged

CAIXA reduz juros e oferece condições especiais para micro e pequenas empresas em outubro

Cenário

Dados apresentados pelo TSE nessa terça-feira (04/10) apontam percentual de 20,95% de eleitores ausentes no primeiro turno das eleições de 2022, no dia 2 de outubro. O número equivale a cerca de 33 milhões de pessoas aptas ao voto que não compareceram às urnas, e é semelhante ao registrado no pleito de 2018.

O cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Baía, afirma que, no segundo turno das eleições de 2022, o número de ausências nas urnas não deve mudar. O professor também confirma a “semelhança” entre as eleições atuais e as anteriores.

“Agora, os eleitores que votaram nos demais candidatos, devem escolher entre Jair Bolsonaro ou Lula, ou devem votar nulo. Muitos já estão declarando voto nulo. Isso não significa que o percentual de 10% de brancos e nulos deva aumentar, porque esse percentual será calculado dentro desse novo colégio eleitoral”, explica Baía.

O especialista também explica a diferença de perfis entre o candidato que vota branco ou nulo e aqueles que não compareceram à votação.
“Nos 20% que não compareceram à eleição, a explicação é mais difícil porque são vários os motivos que levam uma pessoa a não comparecer a uma eleição: não passou bem, teve dificuldade de se locomover, estava em outra cidade e não se registrou… Já nos 10% de votos brancos e nulos, você tem uma explicação, que é a rejeição do eleitor em uma eleição que tinha 11 candidatos à Presidência da República”, conta Baía.

A carioca e aposentada Geni Marques conta que votou no primeiro turno, mas não comparecerá às urnas no segundo, pois uma viagem imprevista para a terra natal surgiu na data da votação. “Um sistema eleitoral moderno como o brasileiro deveria possibilitar o voto em situações como essa. Deveria haver uma maneira de os eleitores votarem, caso precisem viajar de última hora. Com a tecnologia que temos, principalmente entre as urnas, um programa nesse sentido, em casos de viagens não programadas, deveria existir”, lamenta ela, que mora em Brasília.

Copiar o texto
03/10/2022 21:00h

Partido de Jair Bolsonaro, o PL, tem as maiores bancadas na Câmara e no Senado, seguido pelo PT

Baixar áudio

Ao final do primeiro turno das Eleições 2022, em 02 de outubro, há uma nova configuração do Congresso Nacional brasileiro para os próximos quatro anos. Assim como ocorreu em 2018, os partidos de centro-direita mantiveram o predomínio entre os parlamentares eleitos. 

Na Câmara dos Deputados, o PL, partido do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, teve a bancada aumentada neste ano: passou de 76 deputados para 99 na próxima legislatura. Na sequência, aparece a federação PT-PCdoB-PV, com 80 deputados eleitos, sendo o PT com 68, PCdoB com 6  e PV com 6.

No Senado Federal, o cenário é parecido. O partido do atual presidente contará com uma bancada de 13 senadores para o próximo ano, sendo que oito foram eleitos neste domingo. O PT de Lula terá nove parlamentares, sendo quatro a iniciar um novo mandato após o pleito de domingo. Na avaliação do cientista político Leandro Gabiati, os resultados do primeiro turno deste ano têm reflexos da reforma eleitoral aprovada em 2017.

“Houve mudanças na forma de escolha dos deputados, elevando principalmente a cláusula de barreira. Essa elevação tende a beneficiar partidos médios e grandes e a prejudicar partidos pequenos. Foi justamente o que aconteceu. Isso explica de alguma forma o aumento das bancadas de partidos como PL, PP, Republicanos ou PT”, analisa Gabiati. 

Para Gabiati, o resultado do pleito de 02 de outubro dá continuidade ao que foi observado em 2018, com predomínio conservador, ainda que a pauta de costumes tenha ficado de lado por conta de questões econômicas prioritárias e a pandemia, por exemplo. "Esperávamos era essa continuidade, justamente com a eleição desses partidos de centro-direita. A tendência era que esses partidos conseguissem fazer quantidade maior de deputados e senadores”, conclui. 

Eleições 2022: Lula e Bolsonaro vão disputar segundo turno para presidente

Candidatos à presidência e o novo Congresso Nacional

O próximo presidente da República terá, invariavelmente, de negociar com parlamentares do Congresso Nacional para conseguir a aprovação de pautas. Para o cientista político Antônio Testa, a consonância ideológica de Bolsonaro com os deputados e senadores eleitos no primeiro turno pode ter influência na celeridade na aprovação de reformas.

“A configuração final do Congresso indica que as bancadas conservadoras terão maioria e que será possível, se o presidente Bolsonaro for eleito, apresentar projetos de reformas estruturais com grandes chances de serem aprovadas com mais rapidez do que com a bancada anterior. Essa é a avaliação após o primeiro turno, mas é preciso ver o resultado final”, destaca Testa. 

Em eventual vitória do ex-presidente Lula, o cientista político acredita que deve haver aproximação dos partidos de centro-direita com o petista. “É possível, sim, que essa bancada conservadora se aproxime do governo. Sabemos que o centrão busca o poder independente de quem esteja no comando do Executivo”, diz. 

Gabiati tem avaliação parecida. O especialista destaca que o governo de Jair Bolsonaro deixou muitas pautas sob responsabilidade do Legislativo e que essa dinâmica deve ser mantida caso o atual presidente seja reeleito. “A tendência é até que se amplie, principalmente com a relevância e o peso político desses partidos de centro-direita, devemos ter uma consolidação da prática que observamos, do controle orçamentário”, opina. 

No caso de vitória da chapa de Lula, Leandro Gabiati crê que as negociações entre Executivo e Legislativo serão guiadas pelo pragmatismo. “Certamente, Lula vai achar espaço para negociar com líderes e presidentes de partido e, de alguma forma, sinalizar acordo, coalizão de governo, possibilidade de aproximação de posições para bater número suficiente de parlamentares para aprovar pautas de governo. Já aconteceu no primeiro e segundo governo Lula e no primeiro governo Dilma”, conclui. 

Os resultados finais do primeiro turno das eleições poderão ser alterados em decorrência de eventuais recursos decididos pela Justiça Eleitoral. Há análise de ações sobre abuso do poder econômico e político nas eleições, ou se o candidato registrado de fato tem todos os requisitos para exercer o cargo.
 

Copiar o texto
03/10/2022 00:15h

Ex-presidente obteve 48,43% dos votos válidos, de acordo com o TSE. Já Bolsonaro, que busca a reeleição, conquistou 43,20%, segundo a última atualização. Minas Gerais e Rio de Janeiro definiram seus governadores já no primeiro turno. Já São Paulo, maior colégio eleitoral do país, terá segundo turno.

Baixar áudio

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que os dois candidatos voltam a se enfrentar no dia 30 de outubro na corrida pelo Palácio do Planalto. 

De acordo com a última atualização da apuração de votos pelo TSE, às 10:13 da manhã, o petista obteve 48,43% dos votos válidos, cerca de 57,3 milhões. Já o atual presidente conseguiu 51,1 milhões de votos válidos, o equivalente a 43,20%. 

O presidente do TSE, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, disse que as eleições ocorreram de forma tranquila, com poucos incidentes neste primeiro turno. “A sociedade brasileira demonstrou sua grande maturidade democrática. As eleitoras e os eleitores se dirigiram às seções eleitorais, votaram e escolheram os seus candidatos em absoluta paz e segurança. Agradeço a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, participaram desta grande festa da democracia”, disse. 

O resultado oficial da votação para presidente da República foi diferente do que projetavam alguns institutos de pesquisa às vésperas das eleições. O Ipec, antigo Ibope, por exemplo, divulgou que o ex-presidente tinha 51% das intenções de votos válidos, contra 37% de Bolsonaro. Já o Datafolha previa 50% do eleitorado a favor de Lula, ante 36% a favor do atual presidente. 

Governadores definidos
Os eleitores de 14 estados e do Distrito Federal escolheram seus governadores já no primeiro turno. Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais reelegeu Romeu Zema, governador do estado, por mais quatro anos. O candidato do Novo conseguiu 56,18% dos votos válidos. Com 58,67% da preferência dos eleitores, Cláudio Castro (PL) também permanece à frente do governo do Rio de Janeiro. 

No Paraná, Ratinho Júnior (PSD) foi reeleito governador, com 69,64% dos votos válidos. Mauro Mendes (União Brasil) terá mais quatro anos de mandato à frente do estado de Mato Grosso. Ele obteve 68,45% dos votos. 

Candidato pelo Republicanos, Wanderlei Barbosa recebeu 58,14% dos votos do eleitorado tocantinense, e vai comandar o governo do estado por mais quatro anos. O advogado Ibaneis Rocha, do MDB, foi reeleito governador do Distrito Federal. O atual mandatário obteve pouco mais da metade dos votos válidos na capital federal (50,3%, de acordo com o TSE). 

Confira abaixo os demais governadores eleitos no primeiro turno: 

  • Ronaldo Caiado (União Brasil) - reeleito governador de Goiás, com 51,81% dos votos válidos; 
  • Antonio Denarium (PP) - reeleito governador de Roraima (56,47%); 
  • Gladson Cameli (PP) - reeleito governador do Acre (56,75%); 
  • Fátima Bezerra (PT) - reeleita governadora do Rio Grande do Norte (58,31%); 
  • Helder Barbalho (MDB) - reeleito governador do Pará (70,41%); 
  • Elmano de Freitas (PT) - eleito governador do Ceará (54,02%); 
  • Clécio (Solidariedade) - eleito governador do Amapá (53,69%); 
  • Rafael Fonteles (PT) - eleito governador do Piauí (57,17%);
  • Carlos Brandão (PSB) - reeleito governador do Maranhão (51,29%).

Segundo turno
Haverá segundo turno para a escolha de governadores em 12 estados. É o caso de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) teve 42,32% dos votos válidos, e vai disputar o Palácio dos Bandeirantes com o petista Fernando Haddad, que conseguiu 35,7%. 

Confira abaixo os estados onde haverá segundo turno para governador: 

1. Alagoas
Paulo Dantas (MDB) - 46,64%
Rodrigo Cunha (União) - 26,79%

2. Amazonas*
Wilson Lima (União) - 42,82%
Eduardo Braga (MDB) - 20,99%
A última atualização é de 09:13 da manhã, com 99,99% das urnas apuradas. 

3. Espírito Santo
Renato Casagrande (PSB) - 46,94%
Manato (PL) - 38,48%

4. Mato Grosso do Sul
Capitão Contar (PRTB) - 26,71%
Eduardo Riedel (PSDB) - 25,16%

5. Paraíba
João (PSB) - 39,65%
Pedro Cunha Lima (PSDB)- 23,90%

6. Pernambuco
Marília Arraes (Solidariedade) - 23,97%
Raquel Lyra (PSDB) - 20,58%

7. Rio Grande do Sul
Onyx Lorenzoni (PL) - 37,50%
Eduardo Leite (PSDB) - 26,81%

8. Rondônia
Coronel Marcos Rocha (União) - 38,88%
Marcos Rogério (PL) - 37,05%

9. Santa Catarina
Jorginho Mello (PL) - 38,61%
Décio Lima (PT) - 17,42%

10. São Paulo 
Tarcísio (Republicanos) - 42,32%
Fernando Haddad (PT) - 35,70%

11. Sergipe
Rogério Carvalho (PT) - 44,70%
Fábio (PSD) - 38,91%

12. Bahia
Jerônimo (PT) - 49,45%
ACM Neto (União Brasil) - 40,80%

Operação Eleições 2022: 920 crimes eleitorais registrados e 287 pessoas presas, segundo Ministério da Justiça

Entenda o significado de termos usados em época de eleição

Copiar o texto
01/10/2022 18:00h

A ação conjunta das Eleições 2022 será acompanhada, em tempo real, por representantes do TSE, polícias civis e militares, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministério da Defesa, entre outros

Baixar áudio

Neste domingo (2), as forças de segurança pública atuarão na Operação Eleições 2022, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria de Operações Integradas (Seopi). A ideia é assegurar que as eleições ocorram de maneira pacífica nos 26 estados e no Distrito Federal.

O advogado Tiago Dâmaso já está com tudo pronto para participar das eleições em clima de tranquilidade. “Pretendo votar no domingo das eleições de manhã. Primeiro para evitar qualquer tipo de problema e acabar não conseguindo votar. E segundo, e mais importante, para poder ficar com o resto do dia livre para, se for o caso, tomar uma cerveja com os meus amigos ou qualquer coisa do tipo".

A ação conjunta das Eleições 2022 será acompanhada, em tempo real, por representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), polícias civis e militares, Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), corpo de bombeiros militares, Ministério da Defesa, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), além das secretarias de Segurança Pública e da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

O coronel Julian Pontes, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é coordenador geral do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional. Ele explica que essas instituições podem contribuir de forma direta ou indireta para garantir as eleições. “Cito aqui o exemplo, a Secretaria de Defesa Civil, porque no dia nós podemos ter chuvas. Nós podemos ter alagamentos, falta de energia. É um trabalho que está sendo realizado a várias mãos, com a participação de todos os estados, de todas as agências, para que possamos então entregar um produto de qualidade”, afirma.

Além disso, o coronel afirma que estudaram as eleições de 2018, para poder melhor realizar o planejamento da operação. “É toda uma preocupação para que o cidadão possa realizar o seu direito ao voto de forma tranquila”, informa. 

Alguns dos impactos na segurança pública que poderão ser observados durante as eleições são crimes eleitorais, manifestações pacíficas ou violentas, bloqueio de vias, rixas, ameaças e atentados, temporais e alagamentos e quedas de energias em locais de votação e de apuração dos votos.

Entre as preocupações das autoridades está o deslocamento dos eleitores e eleitoras pelas estradas brasileiras, o que demanda uma atenção especial da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A ação da PRF, iniciada na última quarta-feira (28), é voltada para a repressão a crimes eleitorais e a garantia da segurança do direito ao voto. A corporação, que é responsável pela segurança em mais de 75 mil quilômetros de rodovias e estradas federais em todos os estados brasileiros, deve assegurar a livre circulação nessas vias, bem como que os cidadãos tenham condições de chegar aos seus domicílios eleitorais em segurança.

Um desafio adicional para os agentes é a embriaguez ao volante. Até esta sexta-feira (30), das 27 unidades federativas do país, apenas 11 decretaram a Lei Seca eleitoral – que proíbe a comercialização e consumo de bebidas alcóolicas no dia da votação. São elas: Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Roraima, Rio Grande do Norte, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná e Tocantins. 

A adoção ou não da norma é decisão dos tribunais regionais eleitorais. No Distrito Federal, por exemplo, é a segunda eleição em que a medida não será adotada, assim como em 2018, quando, segundo o TRE local, não houve registro de ocorrência por bebida. No estado do Rio de Janeiro, a lei seca eleitoral não é aplicada desde 1996. 

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, entende que a postura dos tribunais eleitorais regionais é sensata. “A maior parte do Brasil há anos já não aplica essa regra sem sentido, como é o caso de São Paulo, onde está concentrado o maior número de eleitores do país. Somos um país democrático e os brasileiros podem e devem fazer suas próprias escolhas e se divertir dentro de seus limites, com moderação, como sempre defendemos”, afirmou o mandatário da entidade.

Por outro lado, o presidente do TRE-DF, Desembargador Roberval Belinati, deixou claro que a não aplicação da norma não pode se transformar em desordem. “Cuidado com o excesso de bebida. A Justiça Eleitoral não permitirá o voto de pessoa embriagada ou sob efeito de substância entorpecente. Qualquer desordem com o eleitor poderá ser interpretada como crime eleitoral, sujeitando-o até a prisão”, alertou o magistrado.

Pela primeira vez, todas as seções eleitorais do país abrem e fecham ao mesmo tempo

Mais de 156 milhões de pessoas estão aptas a votar neste domingo

Aplicativos facilitam serviços nas Eleições 2022

ELEIÇÕES 2022: eleitor pode tirar dúvidas sobre as eleições pelo WhatsApp

Sem armas
Após terem proibido o porte de armas no perímetro de 100 metros das seções eleitorais e em outras localidades eleitorais, os ministros do TSE decidiram, nessa quinta-feira (29), pela proibição do transporte de armas e munições, em todo o território nacional, por parte de colecionadores, atiradores e caçadores, os CACs, no dia das eleições, nas 24 horas que antecedem o pleito e nas 24 horas posteriores.

A nova resolução, de autoria do presidente da Justiça Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, foi aprovada por unanimidade. Na sessão que avaliou o tema, Moraes justificou a decisão. “No dia da eleição, no dia anterior e no dia posterior à eleição, principalmente pela grande aglomeração de pessoas, não se justifica essa, eu diria, licença geral para que pessoas possam transportar armas de grosso calibre”. 

Essa proibição foi sugerida à corte eleitoral pelos chefes de Polícia Civil de todos os estados da Federação em reunião com a presidência do TSE. Os agentes também orientaram pelo fechamento dos clubes de tiro, frequentados por caçadores, atiradores desportivos e colecionadores, no dia da votação, quando destacaram a importância da medida para evitar a circulação de armas de fogo durante o pleito eleitoral, como medida preventiva.

Polícia Federal e Forças Armadas
Nessa quarta-feira (28), a Polícia Federal (PF) realizou, no Estádio Nacional de Brasília, uma demonstração de drones que serão usados no primeiro turno das eleições. 

Na capital, serão utilizados três drones. Sem revelar o local exato e a quantidade por questão de segurança, a instituição garante que os equipamentos vão ser usados em pontos considerados estratégicos por todo o país. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), as aeronaves vão auxiliar na fiscalização de crimes eleitorais, como boca de urna, transporte ilegal de eleitores, compra de votos, entre outros. 

O Ministério da Defesa, por sua vez, informou o emprego das tropas e equipamentos para garantir a realização das Eleições 2022. Tradicionalmente, Marinha, Exército e Aeronáutica auxiliam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em duas áreas distintas: logística e segurança, a partir das solicitações das sedes da Justiça Eleitoral nos estados.

Para 2022, cerca de 34 mil militares das Forças Armadas foram destacados para atuar nas durante as eleições de domingo. Além disso, serão empregadas 430 embarcações de pequeno porte, 18 navios, 3.000 viaturas, 62 blindados e 47 aeronaves, entre aviões e helicópteros.

Copiar o texto
Política
01/10/2022 17:15h

A cola eleitoral continua permitida, diz TSE, mas o eleitor não vai poder entrar na cabine de votação com o celular ou outros aparelhos eletrônicos. Confira todas as permissões e restrições

Baixar áudio

Tem eleitor que já separou o documento oficial com foto para votar no primeiro turno das Eleições Gerais de 2022. Mas além desse item, o que os brasileiros que vão às urnas neste domingo (2) podem usar ou fazer sem ferir as regras do jogo democrático? O Brasil 61 traz algumas dicas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A tradicional “cola eleitoral”, aquele pedacinho de papel em que as pessoas anotam os números de seus candidatos para evitar esquecê-los na hora da votação, não é apenas permitida, como recomendada pelas autoridades eleitorais. É o que diz Thiago Kanashiro, assessor chefe de Gestão Eleitoral do TSE. 

“Nessas eleições, geralmente, são mais cargos. É importante que o eleitor leve a sua colinha. Eu mesmo vou levar, principalmente [para] os cargos de deputado, é difícil decorar tudo. Até para agilizar, facilitar o andamento da eleição como um todo, é recomendável que o eleitor leve sua colinha”, orienta. 

Também será possível votar com a versão digital do título eleitoral, o e-Título, aplicativo gratuito da Justiça Eleitoral, desde que a sua foto já apareça nele. No entanto, o uso do celular e de outros aparelhos eletrônicos, como tablets e máquinas fotográficas, por exemplo, é proibido, segundo o TSE. A medida foi aprovada pela corte no início de setembro deste ano e visa “garantir o sigilo do voto”. 

“Ele vai poder usar o celular para acessar o e-Título, mas quando ele for para a cabine, o celular vai ficar com o mesário, enquanto ele vota. Depois que ele votou, ele pega o celular. A colinha não pode estar no celular, tem que ser no papel mesmo”, diz Kanashiro. 

No dia da votação, os eleitores podem manifestar a preferência por determinado candidato, legenda política, coligação ou federação, desde que seja de forma individual e silenciosa, segundo o TSE. O uso de bandeiras, broches, dísticos e adesivos também está liberado. 

Também pode usar camiseta com o rosto de seu candidato ou candidata, desde que não distribua a roupa a outros eleitores, nem aborde, alicie ou use de qualquer método de persuasão para convencer outras pessoas. Não serão permitidas aglomerações de cidadãos com vestimentas padronizadas, nem manifestações coletivas e barulhentas, bem como comícios ou carreatas. 

O uso de alto-falantes e amplificadores de som também é vedado. As proibições incluem a divulgação de qualquer propaganda de partido ou de candidatos e a boca de urna, realizada com o objetivo de pedir votos aos eleitores que vão à seção eleitoral.

Tais restrições valem até o fim do horário de votação. 

Período eleitoral: o que eleitores e candidatos podem e o que não podem fazer

Boletim na Mão
Os mais de 156 milhões de eleitores aptos a votar poderão escolher seus representantes entre 8h e 17h. Depois, poderão acompanhar a apuração dos votos pelo Boletim na Mão. Disponibilizado pelo TSE, o aplicativo oferece, de forma rápida e segura, os resultados das eleições apurados diretamente nas urnas eletrônicas. 

Para conferir os resultados, basta acessar o aplicativo Boletim na Mão e  apontar a câmera do celular para o QR Code disponível no Boletim de Urna (BU). Assim, qualquer pessoa pode ter acesso rápido aos BUs digitalizados, que traz o total de votos recebidos por cada candidata ou candidato, dos votos nulos e em branco e das abstenções ocorridas naquela seção eleitoral.

Pela primeira vez, todas as seções eleitorais do país abrem e fecham ao mesmo tempo

Aplicativos facilitam serviços nas Eleições 2022

ELEIÇÕES 2022: eleitor pode tirar dúvidas sobre as eleições pelo WhatsApp

Copiar o texto
Brasil
22/09/2022 09:00h

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) perguntou a mais de 2.000 pessoas o que o poder público deve priorizar nos próximos quatro anos

Baixar áudio

O presidente eleito em outubro deverá priorizar a saúde pública, a educação e a geração de emprego nos próximos quatro anos. É o que mostra a Pesquisa Agenda de Prioridades, que entrevistou 2.030 brasileiros, nos 26 estados e no Distrito Federal, entre 16 e 21 de agosto de 2022. O levantamento é da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto FSB. 

“Perguntamos à população qual seria a prioridade do presidente para os próximos quatro anos e ela apontou a educação e a saúde como prioridades que devem ser adotadas. Em seguida, questões mais ligadas à economia, como a geração de empregos, a redução da desigualdade e o combate à pobreza”, destaca Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. 

Questionados sobre qual deveria ser a principal prioridade do próximo presidente da República, 43% dos entrevistados escolheram, como primeira ou segunda opção, a saúde pública. Em seguida, 34% mencionaram a educação. A geração de emprego foi lembrada por 21%. Para os cidadãos, completam a lista das prioridades o combate à pobreza e à desigualdade social (12%) e o controle da inflação (9%). 

Para cerca de 42% dos entrevistados, o Brasil não melhorou em nenhuma área nos últimos quatro anos. Em seguida, foram citados educação (7%), saúde (7%), geração de emprego (6%) e programas sociais (5%) como áreas em que o país apresentou melhorias. 

Arte: Brasil 61

Em relação às áreas que mais pioraram no período, 32% apontaram a saúde; 16% a geração de emprego; e 16% o controle da inflação. Completam a lista educação (15%) e segurança (12%).

Arte: Brasil 61

Empresários da indústria dizem que agenda econômica do presidente eleito deve priorizar redução de impostos e reforma tributária 

Saúde e educação

A pesquisa também perguntou aos cidadãos qual deve ser a principal prioridade do poder público para a saúde e a educação nos próximos anos. “A prioridade em termos de educação é melhorar a qualificação e aumentar os salários dos professores e, em um segundo conjunto de prioridades, a melhoria física das escolas ou construir mais escolas. Na área da saúde, a prioridade é contratar mais médicos e enfermeiros, seguida de construir mais hospitais e postos de saúde e melhorar os mesmos”, detalha Azevedo. 

Arte: Brasil 61

Arte: Brasil 61

Ainda sobre educação, 36% dos entrevistados afirmaram que a alfabetização deve ser o foco do presidente eleito. Os ensinos técnico e profissionalizante foram citados por 20% das pessoas; ante 13% que mencionaram o ensino fundamental. 

Economia

Para 44% da população, gerar empregos deve ser a prioridade do Executivo no próximo governo. Os entrevistados também acham fundamental reduzir os impostos, diminuir a desigualdade social e a pobreza, controlar a inflação e controlar os gastos públicos. 

“O tema prioritário foi a geração de empregos, o que revela uma grande preocupação da população com o desemprego que, de fato, é um problema que vem melhorando, mas ainda afeta uma parte significativa da população brasileira”, avalia Azevedo. 

Se o principal objetivo deve ser a geração de empregos, como estimular novos postos de trabalho? Para quatro em cada dez participantes, por meio da desoneração da folha de pagamento. Logo em seguida aparece o fortalecimento dos programas de capacitação profissional (38%). Completam a lista das cinco medidas mais importantes para incentivar o emprego: liberação de crédito para empresas investirem e/ou expandirem a capacidade produtiva (33%); novos aperfeiçoamentos na legislação trabalhista (22%); e reforma tributária (15%). 

Gasto público x Qualidade dos serviços

A pesquisa também perguntou aos brasileiros qual a relação entre os gastos do governo e a qualidade de cada serviço público. A saúde e a educação foram as áreas em que mais pessoas consideraram que a qualidade do serviço está aquém do volume de recursos despendidos. 

Arte: Brasil 61

A população também respondeu se os gastos destinados às áreas apresentadas pelos pesquisadores são suficientes ou insuficientes. 

Arte: Brasil 61

Presente e futuro

Ao avaliar a situação atual da economia, quase metade dos participantes afirmou que é ruim ou péssima. Para 34%, é regular. Apenas 15% disseram ser ótima ou boa. 

Cerca de 45% dos entrevistados se sentem muito otimistas ou otimistas com o futuro do país. Por outro lado, 45% dos que responderam à pesquisa se sentem pessimistas ou muito pessimistas. A confiança é maior na economia brasileira. Para 59%, ela vai melhorar muito ou um pouco. Já 17% acreditam que vai piorar um pouco ou muito. 

Copiar o texto
18/09/2022 16:18h

O TSE também relançou o “Fato ou Boato”, serviço que visa reforçar o combate à disseminação de notícias falsas durante o período eleitoral

Baixar áudio

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relançou o “Fato ou Boato”, serviço que visa reforçar o combate à disseminação de notícias falsas durante o período eleitoral. A medida foi incorporada ao chatbot - assistente virtual criado por meio de uma parceria com o WhatsApp para promover o acesso a informações relevantes sobre o processo eleitoral. Para utilizar a ferramenta, o usuário só precisa enviar um “oi” para o número +55 61 9637-1078 no WhatsApp.

Mais de meio milhão de inscritos no chatbot já podem pesquisar termos na conta oficial do tribunal, o que facilita a consulta por informações acerca do processo eleitoral que já foram verificadas por agências de checagem parceiras da Justiça Eleitoral.

Clique aqui para acessar o Fato ou Boato 

O advogado especialista em direito eleitoral, Renato Ribeiro de Almeida, entende que a medida contribui para o combate à desinformação ao longo das eleições, o que dá mais garantia de uma corrida eleitoral justa.  

“Essa forma de checagem é muito importante porque é uma forma oficial de se verificar se as notícias compartilhadas são verdadeiras ou falsas. Principalmente nesse contexto, já que, geralmente, as pessoas gostam de ser portadoras de novidades. Então, às vezes, se recebe uma notícia e, se for uma coisa do agrado, acaba-se passando para frente sem muito critério”, destaca.

Empresários da indústria dizem que agenda econômica do presidente eleito deve priorizar redução de impostos e reforma tributária

IBC-Br: “prévia do PIB” cresce 1,17% em julho, segundo Banco Central

José Cláudio Rodrigues tem 24 anos e mora em Quiterianópolis, no Ceará. Como eleitor, ele acredita que a iniciativa é importante para evitar influências equivocadas na hora de se escolher um candidato.

“A minha opinião sobre essa ferramenta que busca combater a disseminação de notícias falsas durante as eleições, é que se trata de algo bem relevante, porque, às vezes, somos influenciados a votar em alguém que, supostamente está na frente nas pesquisa, e pode ser que isso não seja a realidade, o que acaba nos deixando enganados”, pontua.

Como funciona o “Fato ou Boato”

Para verificar se uma informação divulgada na internet é verdadeira ou falsa, o usuário deve enviar o assunto ou link relacionado ao processo eleitoral para a realização da pesquisa. A ferramenta faz uma busca e mostra conteúdos já conferidos anteriormente sobre o assunto.

Caso o conteúdo pesquisado não tenha relação com alguma informação verificada, ele é enviado ao grupo de checadores de fatos e o eleitor cadastrado recebe uma notificação quando o conteúdo estiver disponível.
 

Copiar o texto
Brasil
07/09/2022 17:40h

PM-DF não informou número de pessoas que foram ao evento na Esplanada dos Ministérios. Caravanas de todas as regiões do país marcaram presença

Baixar áudio

Brasileiros foram às ruas nesta quarta-feira, 7 de setembro, para celebrar os 200 anos da Independência do país. Em Brasília, o Bicentenário foi festejado com o tradicional desfile cívico-militar, e contou com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro. Há menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, o chefe do Executivo recebeu apoio da maior parte do público que encheu as arquibancadas e as margens da Esplanada dos Ministérios. 

Depois do desfile, o presidente discursou para os apoiadores em um carro de som. Em sua fala, Bolsonaro disse que é dever de todos “jogarem dentro das quatro linhas da Constituição” e destacou a recuperação da economia do país após a pandemia. 

“Quando parecia que tudo estaria perdido para o mundo, eis que o Brasil ressurge com uma economia pujante, com uma gasolina das mais baratas do mundo, com um dos programas sociais mais abrangentes do mundo, que é o Auxílio Brasil, com recorde na criação de empregos, com a inflação despencando e com um povo maravilhoso entendendo aonde o seu país poderá chegar”. 

A Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) disse que não informaria o número de pessoas que participaram do evento. Apesar da incerteza sobre o tamanho da multidão, é certo que vieram a capital federal brasileiros de todos os cantos do país. 

A produtora rural Maria Augusta saiu de Altamira, no estado do Pará, e viajou 36 horas até Brasília para ver as comemorações do 7 de setembro e apoiar a reeleição de Bolsonaro. “Viemos dedicar um pouquinho da nossa vida para que o Brasil tome um rumo diferente. Estamos pensando nos nossos filhos, netos e a gente quer que essa mudança da última gestão continue”, defendeu. 

Foto: Paulo Cabral/Brasil 61

Um pouco mais ao sul, mas ainda da região Norte, veio Leidiane Amaro. Moradora do município de Ariquemes (RO), ela chegou a Brasília na manhã desta quarta após quatro horas de viagem, não dormiu, e já foi direto para a Esplanada. 

“Estou com o pé doendo, com sono, mas valeu muito a pena. Foi muito emocionante. É um momento único, que deve ser lembrado todo ano, que não pode morrer. É o momento em que a gente gritou o grito da Independência. Queremos que o nosso Brasil continue crescendo, evoluindo, para a gente chegar em um padrão de primeiro mundo”, afirmou. 

O casal William e Simone acompanhou uma caravana de quatro ônibus que deixou Imperatriz, no Maranhão, ainda às 8h da última terça-feira (6), rumo a Brasília. Segundo o maranhense, a ida foi motivada pelo cenário de vésperas das eleições. 

“Entendemos que o 7 de setembro é uma data divisora de águas e que a gente tem que dar o apoio a um dos melhores presidentes que já tivemos. Ele está fazendo reformas estruturantes, que desde que o Brasil se tornou República não tivemos notícia, como ajuste das contas públicas e investimentos em infraestrutura”, avaliou. 

Foto: Paulo Cabral/Brasil 61

Já o agricultor José Simões veio de Ubaitaba, no sul da Bahia, com outras 40 pessoas. O objetivo, segundo ele, era demonstrar respaldo ao governo atual para continuar as mudanças no campo. “Eu digo para todos: uma pauta para mim já valeria a pena: a paz no campo, que antes não existia. A não-paz, o incentivo, inclusive a invasões traz uma insegurança jurídica muito grande. Quem vai investir nesse cenário?”, perguntou. 

Houve quem fosse ao desfile apenas para curtir o espetáculo de cores no céu proporcionado pela esquadrilha da fumaça e o cortejo cívico-militar. É o caso do professor Fabiano Oliveira, morador de Brasília. “Viemos acompanhar o desfile. Claro, acho que a maioria já está politizada. O povo está manifestando uma vontade legítima. As pessoas estão com mais consciência com relação a patriotismo, civilidade e convivência”, acredita. 

Foto: Paulo Cabral/Brasil 61

Desfile

O desfile cívico-militar durou cerca de duas horas. Além dos veículos imponentes das Forças Armadas, como os tanques de guerra que cruzaram a Esplanada dos Ministérios, e os caças que rasgaram o céu de Brasília, uma novidade chamou a atenção de quem estava nas arquibancadas: o desfile de tratores usados no agronegócio brasileiro. 

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. A exibição das máquinas do agro foi festejada pelo público e arrancou o sorriso de produtores rurais, que foram em peso ao evento do 7 de setembro. Entre os apoiadores do presidente Bolsonaro também havia críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial ao ministro Alexandre de Moraes. 

Confira mais fotos do desfile do Bicentenário da Independência

Copiar o texto
29/08/2022 04:00h

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, João Alfredo Delgado diz que o setor tem boa empregabilidade, mas Brasil precisa investir mais em capacitação profissional

Baixar áudio

A indústria é um dos setores que mais emprega no Brasil. De acordo com a Sondagem Industrial, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do número de empregados foi de 51,2 pontos em julho. Pela metodologia da pesquisa, valores acima de 50 indicam aumento no emprego frente ao mês anterior. No entanto, o Brasil precisa investir no aperfeiçoamento e na qualificação de pelo menos 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos.

Em entrevista ao portal Brasil 61.com, o diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Alfredo Delgado, falou sobre a importância de se investir em novas tecnologias, e também sobre a necessidade de qualificar trabalhadores para o mercado de trabalho. 

Confira a entrevista

Brasil 61: A indústria é um dos setores que mais emprega no Brasil. No mês de junho, por exemplo, houve um saldo de admissões de 41.517 contratações. Como o país tem investido na capacitação de profissionais para atender às demandas do setor? Além disso, o que o senhor acha do senso comum de que a chegada de novas tecnologias representaria queda na empregabilidade?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “É uma falácia dizer que as novas tecnologias representam uma queda na empregabilidade. Em um primeiro momento, até pode ser. Isso sempre aconteceu no mundo. Quando saímos de um contexto agrícola e entramos na revolução industrial, por exemplo, houve uma quebra de paradigma. O problema da empregabilidade é um problema de tempo. O tempo da transformação digital é muito rápido, mas as pessoas levam um tempo para se formar e para aprender. Por conta dessa celeridade, às vezes não temos no mercado profissionais como se deseja. Então, acredito que precisamos de uma reforma no ensino de forma que eu consiga fazer matérias isoladas. Por exemplo, em vez de ter um engenheiro que saiba tudo, é melhor fazer com que ele adicione algumas matérias que eu precise. Então vou treiná-lo em big data, em sensores ou integração de sistemas. O Brasil tem investido? Bom, ele fez a reforma do ensino médio, mas a grande reforma não foi feita. Temos que dar um conhecimento amplo, mas estamos dando peso igual para tudo e isso tem que ser reformulado.”

Brasil 61: Na sua avaliação, qual a importância do investimento em inovação para a indústria? Nesse sentido, você acredita que a transformação digital e a Indústria 4.0 podem contribuir para a evolução do setor, sobretudo quanto à produtividade?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “Quem não inova fica para trás. Todo mundo busca o que o consumidor quer, ou seja, produtos melhores a preços menores. Então, se você não inova, fica para trás e para de vender. Nesse sentido, a inovação é fundamental, é a raiz da sobrevivência de qualquer setor. Mas, para a indústria, é fundamental. A transformação digital é imprescindível, porque hoje estamos em um mundo conectado e isso dá um salto muito grande na produtividade, porque você consegue resolver vários problemas que antes não poderiam ser resolvidos, pois não se tinha a tecnologia adequada. Na transformação digital, você consegue fazer coisas que antes não eram possíveis, como recolher dados de forma on-line e, ao mesmo tempo, monitorar à distância e fazer manutenções preditivas. Mas, tudo isso só faz sentido se eu melhorar a produtividade.”

Brasil 61: A indústria tem uma lista com o que considera como as profissões do futuro. Diante disso, a preparação para esse quadro precisa vir simultaneamente com a chegada do profissional ao mercado de trabalho?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “Eu acho que tem que fazer junto. Ontem você não precisava de analista de dados do jeito que se precisa hoje. Anteriormente você precisava de analista de integração de sistemas, mas não no volume que se precisa hoje. Todos os setores têm que contribuir com isso. Como? Eu posso colocar um treinamento direcionado dentro da minha empresa, levando em conta as minhas necessidades.”

Brasil 61: A Resolução no 6/2021 do Conselho Nacional de Política Energética determinou ao Ministério de Minas e Energia que, em cooperação com outras pastas, como o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações, elabore proposta de diretrizes para o Programa Nacional do Hidrogênio. O que a Abimaq pensa sobre esse tema, principalmente sobre o chamado hidrogênio sustentável? E sobre todo o processo que abrange a ideia de descarbonização?

João Alfredo Delgado, diretor executivo de Inovação de Tecnologia da Abimaq: “Energia é um tema fundamental para o mundo. Nesse aspecto, o Brasil está, evidentemente, melhor do que outro país, porque temos energia sustentável aqui. Temos mais oportunidade porque temos vento, água do mar e também temos condições de exportar hidrogênio para o mundo. Eu posso fazer hidrogênio a partir do etanol. Eu já tenho biomassa. Então, todas essas questões das energias renováveis vão ser fundamentais na questão da descarbonização. Isso é importante porque o Brasil é um dos maiores produtores de hidrogênio verde do mundo.”
 

Copiar o texto
26/08/2022 04:30h

Em 2016, ano anterior à reforma trabalhista, foram aproximadamente 2,7 milhões de novos processos. Em 2021, o número caiu para 1,5 milhões

Baixar áudio

O ajuizamento de ações trabalhistas no primeiro grau da Justiça do Trabalho diminuiu 43% nos últimos 5 anos. Em 2016, ano anterior à reforma trabalhista, foram computados aproximadamente 2,7 milhões de novos processos. Já em 2021, o número foi de 1,5 milhões. As informações são da comissão formada no Tribunal Superior do Trabalho para avaliar os impactos da reforma.

Para o professor da FGV Direito Rio, Paulo Renato Fernandes, as normas estabelecidas na Lei 13.467/17 tiveram um papel fundamental na redução desses processos. Segundo ele, alguns pontos foram essenciais para possibilitar acordos coletivos sobre quitação do contrato para adesão ao plano de demissão voluntária, diminuição do intervalo de almoço e condições para o pagamento de bonificações ou prorrogação de horários.   

“A reforma trabalhista importou em um avanço muito grande para as relações de trabalho no Brasil, gerando mais segurança jurídica, empoderando mais a negociação coletiva, enfatizando a boa-fé. Antes, nós vivíamos em uma relação de trabalho beligerante, cheia de armadilhas. A lei acabou com a contribuição sindical obrigatória, o que era um absurdo. Pessoas que não eram associadas ao sindicato eram obrigadas a contribuir para a entidade. Isso é uma agressão e viola o princípio da liberdade associativa”, considera. 

Profissões do futuro: conheça as tendências e os desafios para os próximos anos

5G: nova tecnologia chega a Rio de Janeiro, Vitória, Palmas e Florianópolis

Produção de veículos em julho é a maior desde novembro de 2020

Quanto à negociação para diminuir o intervalo de almoço de uma hora para até 30 minutos, as ações judiciais caíram 50%. Essa medida permite aos colaboradores saírem mais cedo do trabalho ou compensarem a redução do número de dias de expediente na semana. 

Teletrabalho

Em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 205 empresas industriais, duas em cada três acreditam que a celebração de instrumentos coletivos foi importante para adotar medidas de comum acordo voltadas à preservação do emprego e a ajustes nas rotinas de trabalho. Um dos destaques foi a regulamentação do teletrabalho. 

Nesse caso, 47% das companhias ouvidas disseram que a adoção desse formato foi importante no período da pandemia, principalmente entre 2020 e 2021. 
Na avaliação da advogada trabalhista Fernanda Matias, a pandemia da Covid-19 impactou de forma direta a economia do país, especialmente no que diz respeito às relações de trabalho, mas houve uma adaptação rápida por causa das determinações previstas na reforma trabalhista. 

“Nossa reforma trabalhista foi muito positiva nesse cenário quando diz respeito ao trabalho home office e ao trabalho telepresencial. Nesse ponto, ela foi fundamental para equilibrar as relações de trabalho e aumentar a demanda quanto a essa modalidade de contratação”, destaca. 
 

Copiar o texto
Brasil 61