Entrevista

30/01/2023 04:30h

Em entrevista ao Brasil 61, a coordenadora de Operações de Campo da Oxitec no Brasil disse que a tecnologia é o primeiro produto geneticamente modificado direcionado ao controle do mosquito, sendo uma solução que se soma às medidas já existentes

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Uma solução inovadora e sustentável chamada Aedes do Bem foi desenvolvida pela multinacional de biotecnologia inglesa Oxitec, fundada na Universidade de Oxford e presente no Brasil desde 2011. Livre de inseticidas químicos, a tecnologia faz controle biológico do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, o Brasil registrou, em 2022, o maior número de mortes por dengue da história. Foram 1.016 óbitos pela doença, o que reforça a necessidade de medidas mais eficazes no controle do mosquito transmissor.

Mas como funciona essa tecnologia? Existe o risco de desequilíbrio no ecossistema?  Confira na íntegra a entrevista com a coordenadora de Operações de Campo da Oxitec no Brasil, Luciana Medeiros. 

Brasil 61: Qual o objetivo dessa nova tecnologia?

Luciana Medeiros: Essa tecnologia foi desenvolvida pela Oxitec, que é uma empresa de controle de pragas, controle biológico de pragas. Ela já existe há 20 anos, foi fundada na universidade de Oxford e já há 12 anos desenvolve o Aedes do Bem no Brasil. Então, é uma tecnologia que já tem muitos anos de estudo, de inovação, e que foi desenvolvida pensando em fazer o controle biológico das pragas e insetos. Então, quando o Aedes do Bem é liberado das Caixas do Bem encontra as fêmeas no ambiente e, quando essas fêmeas cruzam com os machos aéreos do bem, ela só produz novos machos. Ao longo do tratamento a população de fêmeas diminui e, consequentemente, é controlada a população do Aedes aegypti no local tratado. 

Brasil 61: Como vai funcionar essa medida de combate ao mosquito da dengue?

L. M.: Essa metodologia pode ser aplicada não só para governos, prefeituras, mas para o consumidor final, indústrias, comércios, porque tem uma flexibilidade grande e as caixinhas são projetadas para tratar aproximadamente 5.000 m². Essa é uma medida preventiva. Não é uma tecnologia corretiva, como quando é aplicado, por exemplo, o químico, o inseticida, a atomização, que normalmente é feita na correção de áreas que já tem, já estão com alta infestação. Então, o Aedes do Bem chega como um adjuvante, adicionando controle às medidas já existentes. Isso não exime, por exemplo, o morador de uma cidade ou a pessoa que adquire a Caixa do Bem, de limpar o seu quintal, não exime a prefeitura de tomar as medidas de vigilância rotineiras, mas o Aedes do Bem faz com que os criadores da região tratada sejam encontrados, coisa que o inseticida não alcança às vezes, os nossos olhos não alcançam. 

Brasil 61: Existe um local específico para colocar as caixas?

L. M.: Sim, as caixas foram projetadas para liberarem os mosquitos do lado de fora. A gente não trata o ambiente interno, mesmo porque os criadores estão do lado de fora. Então dentro da caixa tem um refil, que é um cestinho plástico e toda vez que você for ativar a caixa, você troca esse refil. O refil dura 28 dias, então adiciona o cesto plástico onde contém os ovos do Aedes do Bem e ativa essa caixa com água. O passo a passo é: colocar o cestinho, a cápsula de ovos, ativar com água e aí é o mosquito que faz o trabalho pela gente. Você volta nessa caixa dali a 28 dias apenas. Normalmente, dependendo do público, para prefeituras, ambientes que necessitam de um tratamento mais massivo, recomendamos uma dose maior, então cada ponto de liberação pode ter até tr caixas. 

Brasil 61: Com a liberação do mosquito macho, não existe o risco de haver um desequilíbrio no ecossistema?

L. M.: Não existe. O Aedes do Bem foi extensivamente estudado. A autoridade que nos deu a aprovação para que o produto fosse comercializado é a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e exigem que a gente realize um estudo muito aprofundado de impacto ecológico para comprovar que não existe nenhum tipo de impacto. Esses estudos comprovaram que o Aedes do Bem não é tóxico, então qualquer diferença do Aedes do Bem para o Aedes aegypti e do ambiente que a gente teve que trazer para ter essa tecnologia, a gente pensou nisso para não causar nenhum tipo de impacto no ambiente. Então, tudo o que ele tem de diferente não é tóxico nem alergênico. O segundo ponto que foi estudado também é como ele entra na cadeia alimentar, então todos os animais que possam se alimentar de um Aedes aegypti, tivemos que fazer um monitoramento disso para saber se é algum tipo de impacto e não tem nenhum tipo de impacto. Outro impacto que também normalmente nos perguntam é se formos suprimir, se formos diminuir essa quantidade de população, ele não vai fazer falta no ambiente. Então, o Aedes aegypti é um mosquito invasor, ele não é próprio do nosso ecossistema aqui no Brasil. Ele chegou aqui em 1980, depois de ser erradicado e se estabeleceu. Existem vários outros bichos que entram no lugar dele caso a gente tenha de controlar essa praga efetivamente.

Brasil 61: Onde o consumidor final, a população pode encontrar as Caixas do Bem?

Luciana Medeiros: Hoje em dia, o modelo “pró”, o qual consideramos profissional, tem uma dose maior de mosquitos, que é liberado. Então a gente indica para ambientes de governo, prefeituras e ambientes de áreas maiores, de balcões industriais e shoppings, por exemplo. Agora, para o consumidor final, a gente está em fase de desenvolvimento, entre janeiro e fevereiro. Até o fim de fevereiro, provavelmente a gente lança uma caixa, que é menor, tem praticamente um quarto da dose dessa caixa “pró” e é capaz de tratar os quintais.  Essas caixinhas vão ser vendidas no varejo. Então, provavelmente os mercados locais vão conseguir comprar essa caixa e comercializar.  

Brasil 61: Qual a importância da adoção de medidas mais eficazes no controle do mosquito Aedes aegypti?

L. M.:  A gente percebe que, ano a ano, chega o verão, a temporada de chuvas, dependendo do local do Brasil, porque tem locais que são calor o ano todo, mas o Aedes aegypti, nessa receitinha calor, mais chuvas, eles começam se reproduzir em alta velocidade e a cada ano a gente percebe que ele está altamente adaptado, e tem evolução em qualquer tipo de tecnologia de inseticida, a maneira de se aplicar, então tem drone, existem químicos que que são menos tóxicos e com maior eficiência, mas ainda assim o mosquito volta. Então, vemos muito as campanhas no rádio, na TV chegando nas nossas casas dizendo 'Limpe o seu quintal, colabore'. Então tem tudo isso, o lado tecnológico mais o lado educacional e a gente sabe que essa receitinha volta a falhar e os mosquitos estão cada vez mais adaptados a ambientes que antigamente não eram. E o Aedes do Bem chega para complementar tudo isso, todas essas tecnologias não funcionam sozinhas, então quem sabe, com uma adoção massiva ao Aedes do Bem, vamos fazer com que esse controle esteja mais nas nossas mãos.

 

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23/01/2023 04:00h

Em entrevista ao Brasil 61, Percy Soares Neto, Diretor-executivo da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), afirma que é necessário abrir um diálogo com o atual governo sobre o formato da complementaridade de recursos públicos e como estruturar a parceria de recursos públicos e privados

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O Brasil tem 10 anos para universalizar o acesso dos cidadãos ao saneamento básico. O Marco Legal do Saneamento, Lei 14.026/20, prevê que, até 2033, 99% da população brasileira deve ter acesso à rede de água tratada e 90% devem ter acesso à coleta e tratamento de esgoto. Atualmente, no entanto, esse cenário é bastante diferente: mais de 15% da população brasileira não têm acesso à água tratada e 44% não têm acesso à coleta e tratamento de esgoto, de acordo com dados da 14ª edição do Ranking do Saneamento, publicado pelo Instituto Trata Brasil.

O País possui grande potencial para atrair investimentos privados e melhorar os índices atuais, e a Lei 14.026/20 trouxe segurança jurídica para impulsionar o avanço do setor. "O novo Marco legal impulsionou mais mercado para os operadores privados e também o impulsionou uma transformação nas próprias empresas públicas tanto nos seus sistemas de gestão quanto de governança, preparando, paulatinamente, essas empresas para o ambiente competitivo”, aponta o Diretor-executivo da Abcon,  Percy Soares Neto.

Segundo o estudo “Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento Brasileiro 2022”, publicado recentemente pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria Ex Ante, a universalização do saneamento básico pode gerar mais de R$ 1,4 trilhão em benefícios socioeconômicos para o Brasil em menos de 20 anos. As áreas que mais podem se beneficiar são:  saúde,  educação, produtividade do trabalho,  turismo e a valorização imobiliária.

Mas o que já pode ser notado no setor, com o novo Marco Legal? Quais são as expectativas e desafios do setor a partir de agora? Qual a importância do Marco Legal? Confira na íntegra a entrevista com o diretor-executivo da Abcon, Percy Soares Neto.

Brasil 61: Qual a expectativa do setor para os próximos quatro anos, principalmente quanto ao andamento do marco legal do saneamento básico? As estimativas de que a participação da iniciativa privada deve continuar evoluindo?

Percy Soares: Sim, a nossa perspectiva é que o setor continue avançando. É natural da democracia, quanto à mudança de governo, que adequações de rumo sejam feitas. Eu acho que é um reconhecimento pelo que a gente tem escutado do novo governo, da importância entre a complementaridade de recursos públicos e privados no processo de universalização do saneamento. Falta uma discussão ainda, que é o que a gente espera fazer com o governo, qual é o formato dessa complementaridade? Então, acho que não há dúvidas de que saneamento é uma pauta importante, não há dúvidas que nós precisamos trabalhar sobre o déficit, principalmente de coleta e tratamento de esgoto. Agora, como vamos fazer isso? Como vamos estruturar a parceria de recursos públicos e privados para enfrentar esse desafio? É a questão que se coloca aí no debate com o novo governo. 

Brasil 61: Você acredita que o setor evoluiu desde a entrada em vigor do marco? Qual é a dimensão disso?

PS: Eu acho que é um amadurecimento do setor, eu acho que a competição trazida com o fim dos contratos de programa tirou muitas empresas públicas da zona de conforto. Essas empresas tiveram que olhar para o seu processo de gestão, o seu processo de governança, para a sua dinâmica de eficiência e sair dessa zona de conforto. Houve, sem dúvida nenhuma, um conjunto de iniciativas de busca de parceiros privados que trouxeram a contratação, nos últimos três anos, de aproximadamente R$ 80 bilhões de investimento. Eu acho que a perspectiva agora é de poder, do lado público, viver essa transição e, do lado privado, avançar no mercado. 

Brasil 61: O que você acha que precisa ser feito para que os municípios que continuam com situação precária em relação ao saneamento passem a ter serviços com maior qualidade? 

PS: Acho que tem um processo que é mobilização da sociedade. A indignação da sociedade com a falta de saneamento talvez seja o grande motor para fazer a política se mexer em prol do saneamento. O saneamento é o serviço de concessão municipal, então os prefeitos são atores fundamentais nesse processo e agora a gente também sabe que municípios, em geral, que estão em situação mais irregular ou estão com débitos maiores, são os municípios menores, com menos capacidade técnica dentro das prefeituras. Então, o apoio de estados e da União a esses municípios também é fundamental. Então, eu acho que uma política pública de apoio a esses municípios é fundamental nesse momento. 

Brasil 61: Você acredita que a meta de universalização do saneamento básico será cumprida? 

PS: Acho que a meta de 2033, sem dúvida nenhuma, é ousada, é ousadíssima, não é impossível. Mas eu acho que a lei foi sábia em dizer: olha vou botar uma meta ousada, mas se você não conseguir, explique por que não conseguiu para o seu regulador, antes de você ficar irregular. Você tem essa prorrogação de prazo. Em vez de a gente precisar trocar a lei para prorrogar o prazo, a própria lei já trouxe no seu escopo esta alternativa, mas tem que ir lá dar explicação para o agente regulador, o que é ótimo, porque o regulador vai poder saber qual é o plano de universalização daquele cara que, porventura, vai falar que não vai conseguir em 2033.  

Brasil 61: Poderia destacar a importância do setor para o país, sobretudo na área ambiental, econômica e de saúde? 

PS: Primeiro, saneamento é saúde na veia, é doença de veiculação hídrica que reduz, ida ao posto de saúde que reduz, a internação por desidratação ou por alguma outra coisa nos hospitais. Então, coletar o esgoto, tirar este esgoto do ambiente público torna qualquer ambiente mais salubre, não tenha dúvidas. Dois, um dos principais problemas ambientais hoje em dia é o lançamento de esgotos não tratados nos corpos hídricos. Quando eu retiro essa carga de poluição dos mananciais, eu melhoro a qualidade da água dos rios, melhoro a vida daqueles ecossistemas aquáticos e do próprio ecossistema mantido por aqueles cursos de água.  Então, quer dizer, eu melhoro a saúde, melhoro o meio ambiente e eu giro a economia, pois vou trabalhar com o setor de cimento, tubos e conexões, máquinas e equipamentos eletroeletrônicos. O setor é cliente de várias cadeias produtivas, então a economia gira em torno do processo de universalização absurda. 
 

 

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09/01/2023 04:00h

Em entrevista ao portal Brasil 61, Paulo Reis, destaca que a legislação trouxe avanços, mas precisa de aprimoramento

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O meio ambiente está nos holofotes mundiais devido à necessidade de cuidar do planeta, para que a vida humana não seja ameaçada. Por isso, os debates sobre o tema se tornam cada vez mais importantes. Dentre os mecanismos utilizados no Brasil para aprimorar a utilização dos recursos naturais, está a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela lei 12.305/2010.

Em entrevista ao portal Brasil 61, o doutor em Desenvolvimento Sustentável, especialista em Gestão Ambiental e professor da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília, Paulo Reis, explicou que a legislação deu um direcionamento para a gestão de resíduos sólidos, mas não apontou as fontes de custeio. O especialista detalha ainda os conceitos de resíduos sólidos e logística reversa, além de ressaltar a importância da atuação conjunta do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil.

Brasil 61 - O que é a Política Nacional de Resíduos Sólidos e por que ela é importante?

Paulo Reis - A Política Nacional de Resíduos Sólidos é fundamental, principalmente porque ela deu um norte, um direcionamento para que os municípios possam resolver essa questão de resíduos sólidos, que é uma questão municipal. Então, no âmbito da lei, você consegue ver ali questões ligadas a como fazer gestão integrada de resíduos sólidos, como ter a responsabilidade compartilhada do gerador, do produtor do fabricante do material que acaba se tornando resíduo. Como implementar mecanismos de logística reversa, responsabilizando, dessa forma também, o fabricante pelo resíduo gerado por seu produto. Então, você tem vários mecanismos pensados na Política Nacional, que dão instrumentos legais para que os municípios possam, finalmente, resolver essa questão tão grave que é a gestão adequada dos resíduos sólidos. 

Brasil 61 - Como era antes da lei?

Paulo Reis - Antes dessa lei, você tinha muito a visão de afastamento de resíduos. Então, quanto mais distante o pessoal levava o resíduo, melhor era para a cidade e para o munícipe. Então, essa abordagem prevaleceu durante muitos anos no Brasil. E a gente já vinha discutindo isso há vários anos para mudar essa abordagem, o resíduo tem que ser solucionado, tem que ter um tratamento para ele, adequado, com uma destinação final adequada, uma disposição final adequada. Então, a lei trouxe vários mecanismos para poder direcionar essa solução dos municípios para que isso não fique no âmbito do etéreo, para que os municípios tenham mecanismos legais, instrumentos, metodologias que levem à melhor gestão dos resíduos. 

Brasil 61 - O que ainda precisa ser feito para aprimorar a efetividade desta política?

Paulo Reis - Tem muita coisa a ser melhorada ainda pelo governo. E a questão fundamental, na minha visão, é porque a legislação criou mecanismos, instrumentos legais para que os municípios possam resolver os seus resíduos, cada uma com uma abordagem diferente, ligado à realidade local. Então tem que ver a tecnologia apropriada metodologia mais adequada. Só que a lei não viabilizou as fontes de financiamento para que isso aconteça, então a gente continua  com um arcabouço legal, que fica facilitando para o município como resolver a sua situação, mas não veio ligado a esse arcabouço legal as linhas de financiamento, linhas de crédito para que tenha recursos financeiros que são necessários para implantar. Não há programas federais que liberem recursos nessa área com facilidade, apesar de se falar que existem. Então, nessa linha, tem que primeiro começar dando viabilidade financeira, dando sustentabilidade econômica às iniciativas dos municípios. 

Brasil 61 - O que é a Logística Reversa e como ela funciona?

Paulo Reis - A logística reversa, na verdade, é um conjunto de procedimentos, meios e métodos, para recolher e dar encaminhamento ao setor empresarial todo material pós-venda e pós-consumo, para dar encaminhamento desses resíduos tanto para aproveitamento da melhor forma possível ou para destinação correta dos resíduos. Então, na verdade, a logística reversa é uma responsabilidade do setor privado, que foi quem gerou o resíduo, pode ser de embalagem, pode ser dos produtos que viraram rejeitos, mas também do setor público e da sociedade civil. 

Brasil 61 - O que são os resíduos sólidos?

Paulo Reis - É tudo aquilo que não tem mais uso, que já serviu ao seu uso e não tem mais uso, ele é descartado pelo consumidor ou por alguma indústria ou comércio. Esse material descartado, a gente chama de resíduo sólido. E ele ainda pode ser aproveitado, ele pode ser reutilizado ou pode ser reciclado, na forma normal dele, plástico virando plástico, papel virando papel, papelão virando papelão ou reciclado na forma de energia  e ser transformado em energia térmica ou energia elétrica. 

Brasil 61 - Qual a maneira mais adequada para fazer a gestão  desses resíduos?

Paulo Reis - O novo decreto recomenda separar em três frações: o resíduo orgânico, que é aquele da cozinha, separado do resíduo reciclável, são as embalagens, papel, papelão, metal, plástico, vidro, separado do resíduo do banheiro, o que a gente chama de rejeito, um papel higiênico utilizado, um absorvente íntimo, um preservativo. Então, você separa essas três frações e você tem que ter uma coleta seletiva coletando essas frações de forma separada para dar um tratamento separado. A melhor solução é separar na fonte, na casa das pessoas, ter regras para separar, um código de posturas claro de como separar esse material e como colocar para fora de casa para a coleta ser feita de forma adequada. Ter uma coleta seletiva para cada um desses três materiais, que vão para locais diferentes, para tratamentos diferentes e ao final os rejeitos todos são encaminhados para o aterro sanitário.

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02/01/2023 04:30h

Advogada fez parte da equipe de juristas responsável pela proposta de regulação da inteligência artificial, entregue ao presidente do Senado

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A inteligência artificial deve ganhar um marco regulatório em breve. Está nas mãos do presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco, o relatório final da comissão de juristas encarregada da regulamentação do tema. Para explicar melhor o assunto, o portal Brasil 61 conversou com a advogada e professora de direito civil, comercial e econômico da Universidade de Brasília  (UnB), Ana Frazão, que integrou a equipe de juristas responsável pela proposta de regulação.

A advogada deu detalhes sobre a elaboração do relatório. Para ela, a legislação se faz necessária, já que essa tecnologia está cada vez mais presente na vida da população, inclusive na hora de procurar emprego. Ana Frazão explica também o conceito e fala sobre a possibilidade da inteligência artificial substituir a mão de obra humana. Ela alerta para a necessidade de investimentos na educação para garantir que os cidadãos estejam preparados para assumir cargos com mais complexidade, devido ao avanço da tecnologia, e não corram o risco de ficar desempregados. 

Brasil 61 - O que a comissão levou em consideração para elaborar a proposta?

A.F. - A comissão se debruçou sobre o tema, aproveitando a melhor experiência internacional para tentar fazer um projeto de regulação de inteligência artificial, baseado em riscos, mas também baseado em direitos, tendo por centralidade a proteção da pessoa humana. Que pudesse, principalmente, sair de uma abordagem, exclusivamente ou prioritariamente, principiológica, para abranger também soluções concretas de aplicação prática e que pudessem não apenas proteger efetivamente os direitos dos afetados pelo sistema de inteligência artificial, como também oferecer parâmetros seguros para os agentes econômicos, já que segurança jurídica e previsibilidade são também valores extremamente importantes para o próprio mercado e para a própria inovação. 

Brasil 61 - Quais tecnologias estão inseridas na definição de inteligência artificial?

A.F. - A questão da definição da inteligência artificial  ela é bastante desafiadora, mas a comissão sabia que precisaria enfrentar esse problema e exatamente por isso ela dedicou o artigo 4º inciso primeiro é essa definição. É um conceito bastante plástico, que abrange não apenas machine learning (aprendizado de máquina), que talvez seja a tecnologia mais conhecida e mais difundida, mas várias outras tecnologias e inclusive é um conceito aberto que pode incorporar futuras tecnologias, que hoje ainda não são tão conhecidas ou não utilizadas, porque é um conceito que se baseia, na verdade, em uma noção também de propósito e mecanismo de atuação de forma a abarcar qualquer tipo de tecnologia que se adequa a esses parâmetros que foram fixados. 

Brasil 61 - Qual a importância de uma legislação específica sobre o tema?

A.F. - Cada vez mais os destinos das pessoas são decididos por sistemas de inteligência artificial, que hoje, muitas vezes, são aqueles que escolhem quem vai ser contratado para um determinado emprego, quem vai ser promovido ou não, quem vai ser demitido, quem vai ter acesso a um produto ou serviço e mediante que condições. Então, a partir do momento em que a inteligência artificial começa a assumir esse protagonismo em nossas vidas, começa também a haver o risco de que, ao fazer esses julgamentos, ao fazer essas referências, ao classificar e rankear pessoas, ela também possa estar violando os direitos dessas pessoas, ela possa estar discriminando pessoas ou determinados grupos e tantos outros aspectos. Por essa razão, é fundamental que haja uma regulação de inteligência artificial a fim de mitigar esses riscos e a fim de assegurar que a utilização da inteligência artificial possa ser compatível com direitos fundamentais da mais alta importância.

Brasil 61 - Quais pontos a senhora destaca na proposta entregue ao presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco?

A.F. -  Eu diria que um dos pontos altos do projeto é ter previsto um regime que é flexível e que se adequa ao nível de risco, ou seja, para o baixo risco é um regime regulatório bastante leve. Enquanto que para o alto risco ele é um regime mais rigoroso, mais exigências, exatamente porque a ideia é modular o regime de responsabilidades e deveres dos agentes econômicos de acordo com o risco de tecnologia que eles estão desenvolvendo ou utilizando. 

Brasil 61 - Existe um temor popular de que a inteligência artificial substitui a mão de obra humana. Existe a possibilidade disso acontecer?

A.F. - Existe, sim, uma preocupação considerável com isso, a gente já tem visto hoje sistemas de inteligência artificial substituindo ou sendo pelo menos capazes de substituir decisões humanas nas mais diferentes searas. Eu parto da premissa de que não há determinismo absoluto no sentido de que, necessariamente, a utilização das máquinas vai levar a esse desemprego, mas isso pode acontecer, sobretudo, se os governos não adotarem políticas de educação muito intensas desses trabalhadores, porque é claro que, normalmente, a parcela de trabalhadores que é mais afetada por essa automação é exatamente os trabalhadores de baixa qualificação. 

Brasil 61 - O que é possível fazer para se preparar para esse cenário?

A.F. - A gente está partindo da premissa de que, em um horizonte muito próximo, novos empregos, novas atividades surgirão diante de outras que passam a ser assumidas pelas máquinas, a gente sabe que essas novas atividades exigem um nível de educação, uma maior sofisticação de capacidades e habilidades por parte dos trabalhadores. Em um país como o Brasil, em que a gente tem um percentual imenso da população que é analfabeto do ponto de vista funcional, isso é um problema imenso. No Brasil, essa é uma preocupação que eu acredito que deve estar no nosso cenário, mas, repito, a solução para o problema não é impossibilitar o avanço da automação sempre que a automação se mostrar mais adequada, me parece que a solução do problema é investir em uma educação exatamente para possibilitar que os nossos trabalhadores consigam assumir novas funções mais qualificados e que, inclusive, revertam para ele maiores benefícios, como, por exemplo, o aumento de salários.

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26/12/2022 04:00h

Senador afirma ao Brasil 61 que o objetivo da proposta é modernizar a legislação e desburocratizar o processo de aprovação dos pesticidas e produtos de controle ambiental

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Tramita no Senado Federal um projeto de lei que modifica as regras de aprovação e comercialização dos defensivos agrícolas. O PL 1459/2022 estabelece um novo marco regulatório sobre o tema, mas ainda não conseguiu avançar. O texto encontra-se pronto para ser votado em Plenário. No entanto, o projeto, em debate há duas décadas, ainda encontra resistências. 

Em entrevista ao portal Brasil 61, o senador Zequinha Marinho (PL-PA) defende a aprovação da proposta e destacou a importância de atualizar a lei em vigor, que é de 1989. O senador explica ainda que o objetivo do novo marco legal dos defensivos agrícolas é desburocratizar o processo de aprovação, sem prejuízo da fiscalização adequada.

Brasil 61 - Como o senhor avalia o PL 1459?

Senador Zequinha Marinho (PL-PA) - Estamos falando de um projeto que visa a modernização dos defensivos agrícolas. Isso possibilitará a troca de substâncias mais antigas por outras mais novas e eficientes, diminuindo as doses e reduzindo custos. O alimento chegará à mesa dos brasileiros em um valor mais barato, além de ser um alimento mais seguro. Isso porque o projeto possibilita que os produtores rurais tenham chance de utilizar substâncias mais modernas, que já são aplicadas mundo afora.

Brasil 61 - Algumas das críticas em relação à proposta giram em torno de um suposto risco para a fiscalização. Na prática, o texto em análise prejudica a fiscalização?

Z.M. - O projeto irá diminuir a burocracia. O intuito é que a análise seja feita em até  dois anos, em vez  de oito  a dez  anos de fila necessários hoje para a regulamentação de uma nova molécula. Veja, não estamos falando em acabar com a fiscalização, pelo contrário. A fiscalização continuará sendo parte do processo que, com a nova lei, se tornará mais eficiente, moderno e menos burocrático. 

Brasil 61 -  Qual o objetivo do novo marco legal dos defensivos agrícolas?

Z.M. - O propósito maior deste projeto é atualizar uma lei que foi criada há quase 40 anos e não acompanhou a evolução das tecnologias utilizadas no campo. Os defensivos são os remédios das plantas. Eles protegem as lavouras contra as pragas e doenças para que alimentos  mais saudáveis cheguem à mesa de todos os brasileiros. 

Brasil 61 - O que no projeto enfrenta resistência à sua aprovação?

Z.M.- Um dos argumentos contrários ao projeto é que os defensivos provocam doenças graves como o câncer. Para rebater essa fala, eu faço uso aqui dos dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, o famoso PARA, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No relatório, quase 99% das amostras de alimentos analisados, entre o período de 2013 e 2015, estão livres de resíduos de defensivos que representam risco agudo para a saúde. No total, foram mais de 12 mil amostras de cereais. Além de cereais, também foram analisadas leguminosas, frutas, hortaliças e raízes, totalizando 25 tipos de alimentos.

Brasil 61 - Qual a expectativa de aprovação do texto no Senado?

Z.M. - Esse projeto tramita no Congresso há 20 anos. É uma matéria que já foi exaustivamente debatida com as partes envolvidas. O  projeto está maduro e pronto para ser votado. 
 

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19/12/2022 04:00h

Em entrevista ao Brasil 61, cirurgião vascular Marco Lourenço informa que o estreitamento dessas artérias é uma das principais causas do Acidente Vascular Cerebral (AVC)

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Neste mês, o humorista Renato Aragão foi internado por causa de um Acidente Isquêmico Transitório (AIT), que é a obstrução das artérias que recebem o nome de carótidas, e são as principais fontes de fluxo sanguíneo para o cérebro. Essa obstrução também é uma das principais causas do Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

Para entender mais sobre o assunto e as diferenças entre o AIT e o AVC, o Portal Brasil 61 conversou com o cirurgião vascular Marco Lourenço. Além disso, o médico explicou quais são os fatores de risco para essas condições e como prevenir esses problemas. 

Brasil 61: Quais são os principais fatores de risco para a obstrução das carótidas? 

Marco Lourenço: “Esse entupimento é devido a uma esclerose, um envelhecimento da circulação. É claro que alguns fatores aceleram esse envelhecimento, como o cigarro, a bebida em exagero, o sedentarismo, a obesidade, diabetes, pressão alta, colesterol alto. Todos esses são fatores que acabam acelerando esse processo de envelhecimento da circulação e levando a essas formações de placas, de esclerose na parede das artérias, levando ao entupimento delas.” 

Brasil 61: Quais os principais sintomas dessa obstrução?

Marco Lourenço: “No caso das carótidas, muitas vezes, na maioria das vezes, não tem sintoma nenhum. Percebe-se com avaliação, com o cardiologista, com o clínico geral ou cirurgião vascular. Então é detectado muitas vezes através de um exame.”

Brasil 61: Qual a diferença entre o AIT e o AVC?

Marco Lourenço: “O Acidente Isquêmico Transitório (AIT), que o Renato Aragão teve, é uma ameaça de derrame, falando popularmente. Então ocorre um pequeno entupimento de alguma circulação no cérebro. Essa condição causa alguns sintomas, dependendo da área que ocorre isso e, normalmente, a pessoa acaba se recuperando em 24 horas. O AVC já é a instalação do derrame, da falta de circulação e a região atingida é comprometida no cérebro. Isso leva a sintomas que não revertem em 24 horas, permanecem por um tempo. Às vezes se consegue uma recuperação com tratamentos, com fisioterapia e uma série de outros procedimentos.”

Brasil 61: Essas condições tendem a se concentrar em uma faixa etária específica?

Marco Lourenço: “Isso normalmente ocorre a partir dos 60 anos, no pessoal de mais idade. É difícil acontecer precocemente, mas pode acontecer devido aos hábitos alimentares, aos hábitos de vida, e devido também à questão genética. Existem pessoas com alto grau de colesterol, que influencia na formação desses estreitamentos e às vezes isso pode ocorrer precocemente, em idades inferiores. Mas o normal é que ocorra tardiamente, na terceira idade.”

Brasil 61: Há algo que se possa fazer para prevenir?

Marco Lourenço: “Existe toda uma orientação, principalmente cuidar do nosso corpo. O cuidado que é praticar atividade física constante, ter hábitos alimentares saudáveis, evitar o tabagismo, evitar o excesso de álcool, controlar o colesterol, controlar diabetes (se houver), controlar a pressão alta (se houver) e, principalmente, uma avaliação precoce do médico, uma ida ao consultório regularmente para avaliação dessas questões. Com isso a gente consegue reduzir a incidência desses problemas vasculares.”

Confira a entrevista completa:

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12/12/2022 04:30h

Em entrevista ao Portal Brasil 61, o advogado previndenciarista, Átila Abella explica sobre a revisão de cálculo da renda mensal inicial dos benefícios oferecidos pelo INSS

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No começo deste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou a revisão de cálculo da renda inicial dos benefícios oferecidos pelo INSS, a chamada revisão da vida toda. A proposta  considera todo o período de contribuição dos segurados e não somente as contribuições feitas após a criação do Plano Real, em 1994. Mas há limitações para quem tem de fato o direito ao benefício.
Em entrevista ao Portal Brasil 61, o advogado previdenciarista, Átila Abella, explica os detalhes de quem pode pedir a revisão de cálculo, como fazer a solicitação, quais são os benefícios previstos e como não cair em golpes.

Brasil 61 - O que é e quem tem direito à revisão da vida toda?

Átila Abella - Por mais que exista uma euforia, um otimismo geral no meio previdenciário, em especial dos beneficiários do INSS, tenho que ser claro que a revisão da vida toda não é uma revisão que possa beneficiar todo e qualquer aposentado ou qualquer pessoa que esteja pensando em se aposentar. Ela é bem específica. Trata-se de uma revisão de cálculo da renda mensal inicial de quem se aposentou depois de 1999, na vigência da Lei 9.876. E antes da reforma da previdência. Ou seja, para quem se aposentou depois de dezembro de 99 e antes de novembro de 2019. Também é importante deixar claro que não é para quem ainda não tenha sido atingido pela decadência, ou seja, para quem está recebendo o benefício há mais de 10 anos. Como a revisão visa incluir no cálculo da aposentadoria as contribuições anteriores a julho de 1994, a vida toda é a revisão que deve ser feita. 

BR 61 - Como os beneficiários podem solicitar a revisão da vida toda?

AA - O primeiro requisito é já ter o direito antes da reforma de 2019. O segundo é estar recebendo o benefício a menos de 10 anos.  E o terceiro é ter contribuições anteriores a junho de 94. Quem se encaixa nesses requisitos, a única alternativa é buscar um advogado de confiança porque para separar quem tem direito de quem efetivamente tem uma vantagem financeira, só com o cálculo especializado. Pegar os documentos, pegar os extratos do INSS ou carta de concessão e fazer um recálculo. Isso é feito por meio de um advogado especializado em direito previdenciário. Estamos falando de um cálculo que, o que é mais importante no cálculo da renda mensal inicial do benefício, é a média contributiva. O que a vida toda faz, simplificando, tira o marco inicial temporal de junho de 94 e deixa que a pessoa apure as contribuições da vida inteira. Todos, sempre que tiveram alguma dúvida jurídica, com previdência não se brinca porque qualquer tipo de prejuízo é vitalício. É mensal e vitalício. 

BR 61 - Quais são os benefícios do INSS garantidos pela revisão?

AA - Na verdade, essa é uma vantagem da vida toda. Todo e qualquer benefício que levou em conta a média e não tenha levado em conta as contribuições anteriores. Alguns não valem a pena. Por exemplo, uma pessoa recebeu um auxílio doença por alguns poucos meses, nesse caso, talvez não seja pertinente o processo para recuperar. Às vezes existe a viabilidade jurídica, mas não existe a viabilidade econômica do processo. Só quem pode separar o que vale do que não vale é o advogado previdenciarista. 

BR 61 - Como evitar cair em golpes?

AA - Há muitos golpes de oportunistas dizendo que não é preciso  ter advogado para fazer o processo. As pessoas na euforia acabam fazendo. Depois corre o risco do que vão fazer com os dados enviados. A revisão da vida toda contraria a lógica da evolução salarial das pessoas. A pessoa geralmente ganha mais no final da carreira, vai ganhando mais com o tempo. A vida toda tenta prestigiar maiores salários no início. 

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Meio Ambiente
05/12/2022 04:00h

Em entrevista ao Portal Brasil 61, o Presidente da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, Sergio de Carvalho Maurício detalha prejuízos ao meio ambiente e explica o conceito de economia circular

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O descarte correto de eletroeletrônicos e eletrodomésticos traz benefícios não só ao meio ambiente, mas também à população. A Associação Brasileira de Reciclagem Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE) realizou uma campanha de arrecadação dos equipamentos junto ao Governo do Distrito Federal (GDF), no dia 3 de dezembro. 

Em entrevista ao Portal Brasil 61, o presidente executivo da ABREE, Sérgio de Carvalho Maurício, explica como deve ser o descarte dos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, os danos causados ao ambiente e a importância da conscientização e difusão do conhecimento sobre o tema. Ele também explicou o conceito de economia circular.

Brasil 61 - Como deve ser o descarte correto dos eletroeletrônicos e eletrodomésticos?

SCM - O descarte é algo que devemos levar com seriedade. Os produtos que temos em nossa casa, quando chegam ao final da vida útil e precisam ser descartados, podem se transformar em um pesadelo para o meio ambiente e para os consumidores. Se vai para o meio ambiente, compromete o solo, o ar, porque são produtos de difícil degradação. Vão do fone de ouvido à geladeira. Esse produto deve ser descartado em um ponto de entrega voluntária para que, a partir daí, seja transportado por associações como a ABREE.
Nós vamos garantir que esses produtos cheguem a uma empresa de manufatura reversa, que vai pegar o produto, desmontar, separar os metais, plástico, vidro, para que possam ser reciclados, reintroduzidos na cadeia produtiva _ e voltem a se transformar em um produto. 

Brasil 61 - Como exatamente o descarte incorreto impacta o meio ambiente?

SCM - O peso é bastante grande. Vai muito além da poluição visual. Óleo lubrificante, gases, resíduos dos produtos acabam permeando e contaminando o solo, o que chega aos rios e mares e se torna um problema sério para o meio ambiente e para a população. Há também o problema climático. Os gases refrigerantes comprometem a camada de ozônio, o que tem promovido as mudanças climáticas. Pessoas mais vulneráveis acabam vendendo alguns desses componentes. E essas pessoas, ao se colocarem nesse processo de desmontagem incorreta, acabam em risco. 

Brasil 61 - Como avalia o cenário do descarte correto de eletroeletrônicos e eletrodomésticos?

SCM - Ainda falta muita difusão do conhecimento. O Brasil precisa de conscientização e informação. A conscientização para que o consumidor brasileiro entenda que aquele produto não é lixo, é uma matéria-prima colocada no local errado, e que descartado de maneira incorreta pode ser perigoso. Mesmo os que já têm essa consciência não sabem onde descartar. No nosso site tem informações sobre pontos de recebimento. Alguns locais oferecem coleta domiciliar. Como fazer essa informação chegar ao consumidor? Nós, que já temos a informação, temos que passá-la adiante. 

Brasil 61 - O senhor citou o conceito de economia circular. Poderia explicar mais sobre esse conceito?

SCM - Ao meu ver, esse conceito muda a dinâmica da economia no mundo. A economia linear tem produtos demandados pelo consumidor, que chegam até ele e são consumidos. O problema é que depois há o descarte de resíduos e a economia circular é o processo que procura garantir que esses resíduos percorram o trajeto inverso, saindo da casa dos consumidores e chegando finalmente a empresas que vão aproveitar essa matéria-prima.

Economia circular garante que os produtos sejam fabricados, transportados, comercializados, cheguem ao consumidor final e, depois de consumidos, são transportados novamente, desmontados de maneira adequada; tanto do ponto de vista ambiental quanto trabalhista, para que esses produtos não ofereçam risco ao meio ambiente e os materiais possam se transformar em matéria-prima reciclada. Fecha-se um ciclo e minimiza-se o descarte de resíduos que efetivamente não possam ser usados na economia circular. 
 

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28/11/2022 04:00h

O que parecia estar num futuro distante já é realidade em hospitais das principais cidades brasileiras

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Além de ser uma das doenças que mais matam no mundo, o câncer continua causando medo e tristeza em quem recebe esse diagnóstico. Mas a tecnologia e a ciência, cada dia mais evoluídas e precisas, surgem como esperança  por  tratamentos mais eficazes e menos invasivos para os pacientes. 

E a cirurgia robótica está entre essas inovações da ciência que aumentam a precisão nas intervenções e reduzem a margem de erro. O cirurgião urológico especialista em Uro oncologia e cirurgia robótica, Vitor Sifuentes, explica tudo sobre a técnica. 

Brasil61 -Desde quando a gente conta com esse tipo de tecnologia aqui no Brasil? 

VS- A cirurgia robótica chegou ao Brasil há algumas décadas. A cirurgia como a gente conhece hoje, que é com a plataforma Davinci, que é o robô que a gente utiliza hoje, chegou ao Brasil em 2008, em São Paulo, no Albert Einstein e chegou a Brasília em 2018, 10 anos depois. 

Brasil61 -Como é a preparação do médico cirurgião que opera com o robô?

VS- A plataforma que a gente usa para operar hoje envolve uma alta carga de treinamento. Primeiro um treinamento online, teórico. Depois a gente faz algumas horas de simulação, por volta de 40 horas de simulação, depois a gente faz um treinamento em vivo. Primeiro com animais e depois a gente faz um treinamento presencial com um especialista auxiliando no treinamento nos primeiros casos. É um treinamento bem extenso, até a gente conseguir estar apto a fazer nossos casos por completo". 

Brasil61--Como funciona a relação  médico-robô?

VS-O robô, hoje, não faz a cirurgia sozinho, como muita gente imagina. Ele é só uma ferramenta que a gente acopla as pinças e a gente faz a cirurgia guiada por um console. A gente senta nesse console e ali, por meio dele, a gente tem uma visão magnificada, os tremores do cirurgião são filtrados e a gente consegue ter um movimento muito mais preciso e correto.

Brasil61-Para quais tipos de câncer a cirurgia robótica é indicada?

VS- A cirurgia do câncer de próstata foi pioneira e foi uma das principais introdutoras da técnica. Começou se fazendo com o câncer de próstata, a primeira cirurgia do Brasil foi para um câncer de próstata, mas hoje, na urologia, a gente usa para praticamente todos os tipos de câncer. Câncer de rim, de adrenal, de bexiga, de ureter. Todas as patologias que se trata intra abdominais ou intratorácicas, hoje, tem se feito por robô. Tanto na cirurgia torácica, na cirurgia ginecológica, para câncer de útero, de pulmão, intestino, cólon. Tudo hoje tem se usado o robô nessas abordagens. 

Brasil61-Qual é a principal vantagem dessa técnica?

VS-A gente tira menos tecidos, então a gente consegue ser mais preciso, ser mais conservador. É uma técnica minimamente invasiva, a gente tira menos tecido com mais precisão do que realmente está tirando a doença inteira. Na próstata, por exemplo, a gente consegue tirar só o tecido prostático, mantendo as estruturas vitais, como nervos, veias, que vão  ajudar na recuperação do paciente, para ele não ter uma para disfunção erétil, para ele não ter uma incontinência urinária. Ele nos dá mais precisão para tirar menos tecidos e ser minimamente invasivo. 

Brasil61-A recuperação do paciente também é melhor com a cirurgia robótica?

VS- Essa é a principal vantagem do robô. Ele nos dá um tempo de cirurgia menor, tempo de internação do paciente menor, a cirurgia sangra menos, tem menos complicação. Normalmente nas cirurgias de próstata, rim, a gente libera o paciente no dia seguinte.

Brasil61-Está disponível para todos ou ainda é uma cirurgia cara?

A cirurgia robótica ainda é restrita em dois aspectos. No financeiro, porque apesar dos convênios cobrirem a maior parte do procedimento ainda existem em alguns hospitais a taxa específica do robô. E é restritivo no sentido de que são poucos profissionais treinados. Como o processo de treinamento é muito grande, a curva de aprendizado existe, são poucos profissionais capacitados totalmente para a cirurgia. 

Brasil61- Esse tipo de técnica é o futuro da cirurgia oncológica no Brasil e no mundo?

 VS-Mais que futuro, a cirurgia robótica contra o câncer é o presente. Já é hoje nossa realidade, praticamente todas as cirurgias oncológicas particulares são feitas com robô. Quem trabalha em hospitais particulares têm que saber fazer robô. 

Brasil61 -Como enxerga a robótica para a saúde pública?

VS-Existem vários estudos que demonstram que, quando se compara os gastos, o paciente que fica internado gasta mais com UTI, com insumos, diversos outros tipos de gastos que o robô diminuiria. Mas tem o gasto do robô. No final das contas o robô ainda fica um pouco mais caro pro Estado, mas estaria conferindo um prognóstico melhor. Esses pacientes vão ter menos complicações, melhores resultados, então o robô é sim um futuro para o SUS também. Talvez vai demorar a vir, mas vai acontecer. 

Confira a entrevista completa
 

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Economia
21/11/2022 13:10h

Em entrevista ao Brasil 61, o diretor executivo da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres disse que é possível garantir lucro aos acionistas da Petrobras compatíveis com o mercado ao mesmo tempo em que consumidor paga mais barato pela gasolina

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O governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa l no dia 1º de janeiro de 2023. Mas a campanha do petista e a transição de mandato já sinalizam rupturas na política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras, hoje com base no valor do produto no mercado internacional. 

Entre os mais cotados para assumir a Petrobras no governo Lula está o senador Jean Paul Prates (PT-RN) O parlamentar defende uma conta de estabilização como alternativa para o modelo atual, o chamado PPI (Política de Paridade de Importação). 

Além disso, o início do próximo ano trará, a menos que o Executivo ou o Congresso Nacional interfiram, a volta da cobrança de alguns impostos federais sobre os combustíveis, como PIS/Cofins e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Isso deve elevar o preço aos consumidores, ainda que a redução mais significativa continue, devido à diminuição das alíquotas de ICMS, . 

Para tentar entender o possível futuro da Petrobras e, principalmente, dos combustíveis, no país, o Brasil 61 entrevista o diretor executivo da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbriLivre), Rodrigo Zingales. 

O advogado especialista em defesa da concorrência e regulação econômica, mestre em economia e finanças pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV/SP), explica como funciona a atual política de preços adotada pela Petrobras.

Ele  defende a revisão do modelo, de modo a contemplar o lucro aos investidores e garantir preços mais baixos aos consumidores. Zingales pede ainda que o governo eleito mantenha o corte de impostos federais sobre os combustíveis implementado pelo presidente Jair Bolsonaro. Confira a entrevista: 

Brasil 61: Explique, por favor, como funciona o  PPI, que tanto importa na hora de entender o preço dos combustíveis. 

Rodrigo Zingales: “Essa política de paridade do preço internacional [PPI] foi introduzida no governo Temer e seguida por todo o governo do presidente Bolsonaro. O preço da Petrobras, a partir dessa política, é baseado em dois fatores: preço internacional do petróleo e, é claro, na cotação do dólar. Então, quando o preço internacional do petróleo aumenta ou o real desvaloriza, o preço da gasolina e do diesel no Brasil aumenta”. 

Brasil 61: Esse modelo é defendido por especialistas, mas também atacado, principalmente pelo futuro governo. O que explica essas críticas? 

RZ.: “Acho que são duas críticas diferentes. A primeira crítica é que esse preço internacional é um preço imposto pela oferta de combustível de petróleo muito definida pela OPEP. Ele é um preço de cartel, porque a OPEP é, na realidade, o cartel dos grandes países produtores e exportadores de petróleo.

 Este preço internacional não é um preço de mercado competitivo. O segundo ponto de crítica é que hoje, no Brasil, a Petrobras extrai petróleo acima da demanda total que ela precisaria para produzir os derivados de petróleo, no caso a gasolina e o diesel. Hoje, o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo”. 

Brasil 61: Qual é o custo que a Petrobras tem para produzir combustíveis? 

R.Z.: “O custo de exploração mais o custo de refino de gasolina e diesel, da Petrobras, giraria em torno de 30 a 35  dólares o barril, quando o preço internacional do petróleo está em 100, 110 dólares. Significa que a Petrobras está tendo muito lucro para os seus acionistas, incluindo nesse caso a própria União, como a acionista majoritária. Um governo que pretende mudar essa política para uma política baseada em custos e margens de lucros razoáveis tem respaldo econômico para isso”. 

Brasil 61: E como ficaria a distribuição de lucro aos acionistas que investem na companhia? 

R.Z.: “Os acionistas merecem ter a sua margem. Por isso que a Petrobras tem que pensar nos acionistas para garantir margens razoáveis de mercado. E o que seriam margens razoáveis de mercado? Uma forma que poderia ser adotada é verificar quanto uma Shell, Exxon Mobil, outras petroleiras, têm pago para os seus acionistas e colocar essas margens de lucro que estão sendo distribuídas também para a Petrobras e aí, consequentemente, o povo brasileiro vai pagar menos e os acionistas vão ser remunerados adequadamente a preços de mercado”.  

Brasil 61: Rodrigo, dura até o fim do ano alguns cortes de impostos incidentes sobre a gasolina e o etanol, que foram aprovados com o intuito de diminuir o crescente preço dos combustíveis. Os consumidores podem se preparar para pagar mais caro  partir de janeiro? 

R.Z.: “Essa questão dos impostos é muito relevante para a economia brasileira como um todo. Como ficou demonstrado com a queda da tributação dos combustíveis, houve uma queda na inflação. É importante que o atual governo e, principalmente, o governo futuro mantenha essa redução ou a eliminação desses tributos federais até que a gente consiga ter um equilíbrio na política de preço da Petrobras, na política de preços internacionais e o mercado consiga realmente ter combustíveis voltando a casa de três, quatro reais o litro da gasolina”. 

Brasil 61: O governo eleito também fala em ampliar os investimentos feitos pela Petrobras e diminuir o repasse de dividendos aos investidores que, na opinião de membros importantes do PT, como a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, “só enriquecem os acionistas”. Esse tipo de declaração pode ter um apelo popular, principalmente para a base mais ideológica do partido, mas como isso chega aos ouvidos dos investidores e do mercado? 

R.Z.: “Quando se fala assim: ‘vão ter investimentos para aumentar a capacidade de refino ou construir novas refinarias’. A pergunta é: esse investimento virá de onde? Pode vir dos lucros, ou seja, a companhia vai estar distribuindo hoje menos dinheiro para os seus acionistas. Ou pode ser através de emissão de títulos ou de novas ações. Nesse caso, se o governo está dizendo que não quer agradar os acionistas, vai ser mais difícil um novo acionista querer investir nessa companhia que está dizendo que não pretende gerar valor para os acionistas. Esse discurso é complicado e problemático e tem que ser bem tratado pelo governo e por toda a estrutura de governança da Petrobras que efetivamente se confirmar”. 

Confira a entrevista com mais detalhes abaixo:  

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Brasil 61