Fertilizantes

11/11/2022 13:00h

Produção nacional hoje representa 30 mil empregos e investimentos na casa dos U$ 6,5 bilhões em ativos de produção nos últimos 7/8 anos

Aguerra Rússia X Ucrânia jogou luz há alguns meses sobre a questão da forte dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes e a necessidade de o país resgatar projetos de exploração de minerais para esse setor. Após um longo processo de consultas a empresas, entidades e representação setorial do segmento de fertilizantes, um importante passo foi dado pelo Governo Federal com o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, que traz propostas e metas a serem atingidas até 2050. O assunto foi tema de um dos painéis do Congresso Brasileiro de Mineração, realizado pelo Ibram em setembro passado, quando especialistas, autoridades e empresários do setor traçaram um panorama sobre o atual momento da indústria de fertilizantes.

Moderando as apresentações, Arthur Liacre, vice-presidente de Assuntos Corporativos, Estratégia e Sustentabilidade da Mosaic Fertilizantes, ressaltou o fato de que o Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo (atrás da China, Índia e Estados Unidos) e que sua dependência externa é de 90% - “fato preocupante, uma vez que a demanda nacional cresceu de maneira muito intensa nos últimos 25 anos, acompanhada de uma dependência externa que chegou a níveisinsustentáveis”. Ele ressalta que o crescimento médio do consumo de fertilizantes no Brasil ficou em 4%, enquanto que no resto do mundo essa média foi de 2% e a produção nacional, que 25 anos atrás era de 65% da demanda, hoje não passa de 10%.

Olhando para o outro lado da equação, os 10% de produção nacional vem de empresas brasileiras, que hoje representam 30 mil empregos e investimentos na casa dos U$ 6,5 bilhões em ativos de produção nos últimos 7/8 anos. “São 20 operações distribuídas em 10 estados, o 4º maior segmento da indústria química e 5º maior segmento da indústria de mineração, ressaltando que o segmento conecta, da mina ao campo,setores absolutamente estratégicos da economia brasileira e que as empresas não deixaram de investir em modernização, para tornar as operações cada vez mais competitivas para atender parcialmente à demanda brasileira por fertilizantes NPK”, prossegue Liacre.

O terceiro ponto levantado por ele é que, a partir de 2050, o mundo comportará cerca de 10 bilhões de pessoas e a produção de alimentos terá que ser acelerada – “mais do que dobrar” – e poucos países no planeta têm condição de garantir a produção de alimentos, atendendo ao desafio sistêmico da segurança alimentar. O Brasil, obviamente, ocupa papel central, diz Liacre: “hoje é responsável pela produção de alimentos para entre 850 mil e 1 milhão de pessoas e em 2050 seu protagonismo será ainda maior. Esse elo da cadeia do agro, que é o setor de fertilizantes, com o atual nível de dependência externa de insumos, terá que achar soluções para a produção interna e consolidar a capacidade do Brasil de ajudar o mundo a produzir os alimentos de que necessita”.

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27/10/2022 17:03h

Guerra da Ucrânia teria sido principal motivo para o aumento

Segundo dados do estudo Quick Trade Facts, elaborado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), 2022 registrou avanço nas relações comerciais entre Brasil e Canadá, principalmente pela concretização de novos negócios e por um forte salto na compra de fertilizantes pelo Brasil, que sozinhos representaram 76% do total das importações, impulsionada especialmente por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia. 

Nos nove primeiros meses do ano, a corrente de comércio – que representa a soma das importações e exportações - totalizou US$ (FOB) 8,223 bilhões (novo recorde histórico), já superando os US$ (FOB) 7,497 bilhões alcançados no acumulado dos 12 meses de 2021. Isto corresponde a um incremento de 62,5% registrados em igual período do ano passado. O saldo comercial nos nove meses ficou negativo para o Brasil em US$ (FOB) 333,7 milhões, impactado pelo avanço das importações.

Considerando o período janeiro-setembro de 2022, o Canadá se manteve na 13ª posição como o maior destino das exportações brasileiras. Já no ranking das importações, o país norte-americano avançou da 10ª posição para o 8º lugar. “Em toda a história comercial entre Brasil e Canadá, nunca se viu uma relação tão profunda como a atual. O Canadá, que já representa o maior destino internacional dos estudantes brasileiros, está agora na mira das empresas que não apenas querem se internacionalizar, como também expandir os negócios e criar bases de operações na América do Norte”, avalia Paulo de Castro Reis, diretor de Relações Institucionais da CCBC.

Segundo Reis, o ano foi marcado por grandes eventos e missões comerciais de diversos setores estratégicos, o que contribuiu para que investidores brasileiros conhecessem o ecossistema de inovação canadense, além de conseguir compartilhar conhecimentos e ideias para firmar novas parcerias e acordos comerciais. As compras de produtos canadenses totalizaram US$ (FOB) 4,278 bilhões nos três primeiros trimestres deste ano, disparando 164% frente a janeiro-setembro de 2021, quando somaram US$ (FOB) 1,620 bilhão. Dentre os produtos mais adquiridos pelo Brasil estão, em especial, adubos ou fertilizantes químicos, cuja alta significativa foi 317%, totalizando US$ (FOB) 3,2 bilhões e representando 76% do total de importações, impulsionada principalmente pelos conflitos envolvendo a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, incluindo suas partes, representaram 6,3% do total importado, contabilizando US$ (FOB) 271 milhões, enquanto a compra pelo Brasil de aeronaves e outros equipamentos atingiram US$ (FOB) 152 milhões ou 3,5% da soma geral de importações.

Os embarques ao Canadá totalizaram US$ (FOB) 3,944 bilhões até setembro, um aumento de 15% em comparação a igual período do ano anterior, quando foram registradas vendas externas de US$ (FOB) 3,438 bilhões. Os principais destaques nas exportações brasileiras ao Canadá e com maior peso na balança comercial no período foram: ouro (31% do total exportado); alumina (óxido de alumínio, exceto corindo artificial), representando 29% do total; e açúcares e melaços (8,9%).

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11/08/2022 09:00h

A Metamat (Companhia Matogrossense de Mineração), está realizando um levantamento sobre o potencial de remineralizadores de solos e rochas fosfatadas no estado

Apesar de ser um dos principais consumidores de fertilizantes, por ser um grande produtor de grãos, o estado de Mato Grosso ainda não conta com fontes de suprimento locais e tem que importar a maior parte do que consome de outros estados. Este é o caso, por exemplo, dos remineralizadores, cujo uso está sendo bastante disseminado no estado. 

Com o objetivo de mudar esse quadro, a Metamat (Companhia Matogrossense de Mineração), está realizando um levantamento sobre o potencial de remineralizadores de solos e rochas fosfatadas no estado, ao mesmo tempo em que está construindo uma estufa para testes agronômicos de rochas, em parceria com a FAGEO - Faculdade de Geociências da UFMT, além de iniciar um trabalho com agricultura de precisão com uso de métodos geofísicos. Esse programa será desenvolvido em convênio com a FAGEO em Primavera do Leste, na safra de 2022/23. 

De acordo com o geólogo Luan Nonato Figueiredo, da Sílex Agrogeologia, que fez uma apresentação sobre uso de remineralizadores no 3º. Seminário de Mineração do Norte de Mato Grosso, existem jazidas conhecidas no estado, mas que ainda não estão produzindo. É o caso, por exemplo, do basalto toleítico da Formação Tapirapuã, em Tangará da Serra e Diamantino, o basalto alcalino da Formação Paredão Grande, em General Carneiro, Dom Aquino, Rondonópolis e Poxoréu, e das rochas alcalinas do Complexo Alcalino de Planalto da Serra. Porém, existem minas em vias de iniciar a produção, como é o caso de uma unidade da Pedramat, que vai explorar uma mina de basalto toleítico em Tangará da Serra, com 11% de CaO, 6,62% de MgO e 0,42% de K2O e outra de diorito da Agro Maripá, em Juara, com 4,5% de K2O. 

O geólogo afirma que, embora não haja informações precisas sobre o volume de remineralizadores em Mato Grosso, estima-se que seja expressivo, já que há propriedades agrícolas com mais de 10 mil hectares utilizando remineralizadores em área total. “Os principais tipos de remineralizadores em uso são os potássicos, produzidos em outros estados, como siltito glauconítico, fonolito e kamafugito de Minas Gerais; nefelina sienito e micaxisto de Goiás; e muscovita biotita xisto do Tocantins. Esses remineralizadores estão substituindo o KCl, a principal fonte de potássio, de elevado preço e afetado pelo conflito da Rússia e Ucrânia. Destaca-se que mais de 95% do KCl utilizado na agricultura brasileira é importado do Canadá, Rússia e Belarus”, diz Luan Figueiredo. 

Com relação às fontes de fósforo, ele diz que o consumo de fosfato natural tem aumentado. “Os principais produtos são o fosfato natural de Bonito – MS, Pratápolis -MG, Taipas – TO e o termofostato de Bonito – PA”.

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08/08/2022 03:00h

Iniciativa do Senai Cimatec desenvolve Mapa do Hidrogênio Verde no estado. Estudo visa a produção de um combustível com alto potencial energético e que ajuda a descarbonizar a indústria

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O estado da Bahia pode ser um dos principais polos mundiais de produção do Hidrogênio Verde, apontado como o combustível do futuro. E a movimentação para isso já começou. A pedido do governo estadual, o Senai Cimatec está desenvolvendo o Mapa do Hidrogênio Verde (H2V), um estudo para identificar as áreas prioritárias com vocação para a produção do componente que é feito sem a queima de carbono, ou seja, sem a produção dos gases de efeito estufa. 

O potencial baiano no setor foi identificado por outros dois trabalhos publicados pelo Senai Cimatec: o Mapa Eólico, de 2013, e o Mapa Solar, de 2018, ambos apontando os potenciais energéticos provenientes do vento e do sol, abundantes na Bahia. 

São necessárias fontes de energias renováveis para realizar a produção do hidrogênio verde. A eletrólise, que é processo químico que quebra as moléculas da água em hidrogênio e oxigênio pela eletricidade, utiliza energia solar ou eólica. Assim, não há queima ou liberação de CO² na atmosfera. O resultado final é um gás que está pronto para ser distribuído para as indústrias, mas que também atende diversos outros setores, como o de mobilidade. 

Ricardo Alban, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), explica que os ventos fortes da Bahia durante a noite e a irradiação solar durante o dia são a combinação perfeita para a produção de hidrogênio verde no estado. Ele ressalta que toda essa nova tecnologia não só vai ajudar a descarbonizar a indústria baiana como também colocar o Brasil entre os protagonistas desse combustível. 

“O Brasil poderá se tornar um player importantíssimo nesse mercado, com geração de divisas e emprego estupenda, e precisamos ter muito cuidado com a regulação disso para que a gente não fique criando dificuldades em vez de propiciar condições viáveis e seguras de que esse investimento venha para o Brasil, que isso gere nova renda, para que possamos não só descarbonizar nossa indústria como sermos um player internacional nisso”, destaca o presidente da FIEB. 

Ricardo explica que o processo de descarbonizar a indústria tem todo um viés ambiental, mas também econômico. Isso porque a demanda mundial por produtos que tenham origem “verde”, como um aço que usou em seu processo o hidrogênio obtido da eletrólise, está aumentando cada vez mais e a indústria brasileira deve se movimentar antes que essa necessidade apareça. 

“Em algum momento o mercado vai estar cobrando isso. Nós vamos correr atrás depois de o mercado já estar cobrando, ou vamos também pari passu fazer esse mesmo movimento aqui no Brasil? Isso, na minha visão, é pensar no amanhã, é ter política industrial. E é disso que o Brasil está precisando”, destaca Ricardo. 

Estudante de 17 anos ganha bolsa em uma das principais escolas técnicas da Europa

O objetivo principal do projeto consiste na elaboração de estudos, modelos e projeções que subsidiem o planejamento, incentivo e criação de políticas públicas relacionadas à economia H2V na Bahia. José Luis Almeida, coordenador do Mapa do Hidrogênio Verde, explica que o modelo vai cruzar dados, considerando a presença de fontes de águas residuais, do subsolo e salinas, além das fontes de transmissão elétrica e as fontes de energia limpa, como a fotovoltaica, solar e hidroelétrica. 

Ele também destaca que o mapa vai conter a parte de regulamentação do hidrogênio verde dos cinco países mais avançados, bem como a forma de financiamento e de fomento, nesses países, do novo combustível. Para isso, integrantes do projeto estão visitando os países protagonistas nessa pesquisa: Alemanha, Portugal, China, França e Espanha. “Eu acredito e todos nós acreditamos, inclusive a Europa, toda ela acredita e está pesquisando também, que o hidrogênio será o combustível do futuro”, aponta José Luis. 

“Nós não podemos substituir hoje todos os hidrocarbonetos que geram gases do efeito estufa, NOX, CO² rapidamente. Então, existe um processo de descarbonização, existe uma transição energética. A importância do Cimatec é produzir tecnologia para que cada vez mais os setores da indústria química, a indústria de uma maneira geral seja pouco a pouco descarbonizada, sustentavelmente. E como isso acontece? Substituindo o hidrogênio cinza, de reforma a vapor, gradativamente em todos os setores da indústria.” 

Atualmente a indústria já utiliza hidrogênio em vários processos e a queima dele não produz nada agressivo ao meio ambiente, apenas vapor de água. O problema é que a maioria é chamada de “cinza”, já que ele é obtido da queima de hidrocarbonetos, como o gás natural, por exemplo. O hidrogênio verde, como é retirado da água por meio de eletrólise, cujos aparelhos são alimentados por energia solar, eólica ou hidráulica, permanece verde do início ao fim do processo. 

Mais empregos 

Vânia Almeida, superintendente de Inovação e Desenvolvimento Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia, explica que o objetivo com a produção do hidrogênio verde vai muito além da questão econômica. Além de colocar o estado na vanguarda dos investimentos que permitirão substituir combustíveis fósseis por energias renováveis, há um foco especial nas questões ambientais e sociais. 

“Quando você traz uma inovação, você traz desenvolvimento e isso reflete na questão social. Esse potencial que a Bahia tem, eólica e solar, fez com que colocássemos o hidrogênio verde como pauta para avançar nessa questão das energias renováveis”, relata. 

Segundo Vânia, além da questão ambiental, muito importante para o estado, há ainda a oportunidade de geração de empregos, já que toda a cadeia de produção do hidrogênio verde, que inclui também transporte e armazenamento, vai demandar mão de obra especializada e gerar postos indiretos. 

“Quando uma empresa for instalar uma planta, por exemplo, envolve construção civil, ou seja, essa cadeia vai precisar de uma série de profissionais no estado que não têm necessariamente ligação com o hidrogênio”, destaca a superintendente. 

Fertilizantes 

A produção de hidrogênio verde ainda pode resolver outro grande problema nacional: a dependência de importação de fertilizantes. Apesar de ser um dos maiores produtores de alimento do planeta, o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados na agricultura. Algo que, segundo o coordenador do Mapa, pode mudar em breve. 

“Os nossos projetos que temos hoje abrangem, por exemplo, os fertilizantes. Nós podemos, gradativamente, se esses projetos forem adiante – e irão adiante –, vão aumentar a produção de fertilizantes verdes no Brasil de maneira a suprir toda a nossa necessidade em fertilizantes e, talvez, até para exportar. Porque nós temos um potencial solar, eólico e hidráulico enorme no estado da Bahia”, observa José Luis. 

A amônia é um dos principais componentes dos fertilizantes e para produzi-la é necessário hidrogênio. Segundo o presidente da FIEB, o mundo demanda cada vez mais por produtos da economia verde, até mesmo de uma agricultura que use adubos produzidos sem a proliferação de gases do efeito estufa. E isso só é possível com o hidrogênio verde. 

“A demanda por uma agricultura realmente verde também está aumentando, com fertilizantes não gerados do gás, que vem de hidrocarbonetos, mas que sejam gerados do hidrogênio que é usado para fazer amônia, que seja gerado de energia verde, o que gera a amônia verde. E isso vai diminuir a demanda de fertilizantes do Brasil”, acredita.

Ricardo Alban aponta também mais um subproduto que será utilizado da eletrólise da água. “A produção do hidrogênio verde ainda rende na produção de oxigênio, que é usado não só como insumo industrial, como na área de saúde. Com isso, você automaticamente vai gerar um barateamento muito grande do uso de oxigênio para fins medicinais.”

O Mapa do Hidrogênio Verde deve ser finalizado pelo Senai Cimatec em novembro e faz parte das ações do Plano Estadual para Economia de Hidrogênio Verde na Bahia, lançado pelo governo em abril deste ano. A equipe envolvida no projeto conta com 19 profissionais especializados em Modelagem Matemática, Estudos Logísticos, Estudos Econômicos, Meio Ambiente e Eficiência Energética.
 

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01/07/2022 15:55h

Deputado Domingos Sávio é autor de Proposta de Fiscalização e Controle que busca inibir o aumento abusivo de fertilizantes e insumos agrícolas. Em entrevista ao Brasil61.com, o deputado também comenta sobre o Auxílio Brasil, qualificação profissional e medidas para reduzir o Custo Brasil

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Em entrevista ao portal Brasil61.com, o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) afirma que o governo precisa impedir preços abusivos de fertilizantes, em meio à crise provocada pela guerra entre Ucrânia e Rússia. Este país é um dos principais exportadores do insumo para o Brasil. O parlamentar é autor da Proposta de Fiscalização e Controle (PFC 19/2022) aprovada recentemente na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados.

O texto propõe que a comissão fiscalize e controle o significativo aumento dos preços dos fertilizantes e dos insumos agrícolas, com fortes indícios de prática de cartel. Segundo a proposta, a comissão terá auxílio do Tribunal de Contas da União, da Polícia Federal e do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência.

Durante a entrevista, o parlamentar também falou sobre a importância do programa Auxílio Brasil, tanto para o orçamento das famílias brasileiras quanto para o crescimento da economia do país. E destacou a necessidade de investir em qualificação profissional para melhorar a qualidade da mão de obra brasileira e aumentar a competitividade das empresas nacionais.

Ainda em relação à competitividade da economia, o deputado citou algumas medidas legislativas do Congresso Nacional para reduzir o Custo Brasil, ou seja, o conjunto de dificuldades estruturais e burocráticas que atrapalham o desenvolvimento econômico do país.

Confira a entrevista:

Brasil61: Começamos nosso bate-papo falando sobre fertilizantes, que hoje é uma preocupação nacional. Qual o impacto da crise desses insumos na opinião do senhor?

Deputado Domingos Sávio: “Eu acho que tem que analisar sob vários aspectos. Primeiro, é indiscutível a importância do fertilizante na produção de alimentos. Dos fertilizantes e dos defensivos. Só não reconhece isso quem é absolutamente ignorante do ponto de vista do conhecimento da matéria. Eu sou um profissional da área agrícola, eu sou médico veterinário e sou produtor rural. Eu sei muito bem que desde um pé de alface a uma lavoura de soja, você precisa de fertilizante. O pé de alface, em uma lavourinha doméstica, em uma horta caseira, você faz com adubação orgânica. Agora, vai plantar dez mil hectares de soja, vai plantar centenas de milhares de hectares de soja, de milho, de arroz e de feijão - que é o necessário para alimentar todo o Brasil e para exportar para alimentar um bilhão de pessoas - você vai fazer adubação disso com matéria orgânica? Vamos tratar isso com seriedade. Fertilizante é desenvolvimento científico, é saudável e produz alimento de qualidade.” 

Brasil61: O senhor concorda que é preciso investimento no setor de fertilizantes para driblar a atual crise decorrente da guerra entre Rússia e Ucrânia?

Deputado Domingos Sávio: “Nós temos que investir na ciência, na Embrapa, na tecnologia e temos que ter um mínimo de regulação no mercado. Não quero voltar ao tabelamento, a um poder público intervencionista. Mas o poder público não pode permitir os abusos, que nós estamos vendo, de pessoas que querem aproveitar a tragédia da guerra para poder ganhar fortunas, para explorar o mercado. E eu tenho suspeitas concretas de formação de cartel por parte das empresas que importam e que distribuem em grande escala fertilizante. Especialmente os fosforados, os fertilizantes que têm o fósforo, que são essenciais em quase todas as lavouras, e são carentes na maioria dos solos no Brasil; o potássio, que é imprescindível também; e os derivados do nitrogênio, os nitrogenados: sulfato de amônia e ureia. Esses elementos, nós dependemos mais de 50%, 60% de importar. Alguns a dependência brasileira chega a 90%. Nós precisamos investir em duas coisas. De imediato, aprimorar a forma de usar [o fertilizante], para usar de maneira mais racional. Nós precisamos ampliar a capacidade de produção nacional. O Brasil é autossuficiente em petróleo. Exporta petróleo. É só investir em plantas petroquímicas e nós vamos ter derivados da amônia (nitrogenados) suficientes até para exportar. Então, o Brasil tem que investir nisso.”

Brasil61: O senhor falou sobre os preços abusivos dos fertilizantes em meio à guerra da Rússia e da Ucrânia. O governo deve fiscalizar e acabar com essa prática?

Deputado Domingos Sávio: “Nós temos que regular o abuso econômico, o crime contra a economia popular, que, na minha opinião, está ocorrendo onde algumas empresas chegam a quadruplicar o preço de um adubo comparado com o ano anterior. Então, isso é inaceitável, por isso eu fui o autor de uma proposta de fiscalização e controle, que foi aprovada, para que o Congresso Nacional, com o apoio da Polícia Federal, do Tribunal de Contas e dos demais ministérios, faça uma fiscalização rigorosa. Começando lá nos portos: verificar se tem produto sendo retido nos portos; verificar quanto está chegando dos demais países. Porque não parou a importação. Passa uma ideia para o produtor de que não está vindo fertilizante da Rússia. Está vindo, sim. Está vindo do Canadá, da Rússia, do Oriente Médio. E o Brasil chega a estar importando até mais do que importou no ano passado. Então, por que aumentar tanto o preço, sendo que alguns desses fertilizantes nem são derivados do petróleo? Tem coisas que precisam ser explicadas e eu estou trabalhando nisso, em defesa do produtor rural, mas também em defesa do consumidor. Porque se aumentar muito o custo de produção de uma saca de soja, de uma saca de arroz e de feijão, nós vamos aumentar o custo na prateleira do supermercado. E é o que já está acontecendo.”

Brasil61: E esses custos repercutem em aumento dos preços nas prateleiras, o que pesa no orçamento das famílias brasileiras. Recentemente o governo federal anunciou que pretende aumentar o valor do Auxílio Brasil, dos atuais R$ 400 para R$ 600. Qual é a importância desse aumento para a economia?

Deputado Domingos Sávio: “Na verdade, esse tipo de programa, de natureza social, são programas de distribuição de renda. A distribuição de renda tem um aspecto, que não pode ser esquecido, que é o aspecto humanitário de você não deixar que parte da população entre em um processo de miséria e de passar fome. Então, eu acho que é dever do governo cuidar. Mas ele tem também um componente de aquecer a economia, fazer com que esse dinheiro circule. Esse é o tipo de dinheiro que não fica parado no bolso do cidadão. [Com o aumento] ele não vai fazer poupança com o resto. Porque, na verdade, ele vai passar apertado para se alimentar, para vestir, para se locomover, para viver com o mínimo de dignidade. Então, esse é um investimento social e que, de alguma forma, impacta positivamente na economia. Eu acho que é uma decisão acertada, levando em conta que o aumento que se deu, quando saiu do Bolsa Família para Auxílio Brasil, teve como componente importante a situação da pandemia, que ampliou o número de pessoas desempregadas e em condições de vulnerabilidade. Depois, nós vivemos agora um momento em que a inflação está aí, ela é uma realidade ainda que seja, e eu tenho essa esperança, transitória. Uma inflação que tem uma influência direta dos efeitos da guerra, que hoje pode ser vista quase como uma uma guerra mundial, pelos impactos que ela traz na economia do mundo. E o petróleo é o que mais torna-se evidente, mas com impacto também nas outras fontes de energia. Isso gera uma perda do valor da moeda para aquilo que é básico, para alimento, para transporte. E o cidadão mais frágil, que depende do Auxílio Brasil, fica vulnerabilizado. Então, eu acho que é uma decisão acertada. É claro que alguns vão falar que ela é de natureza eleitoreira. Na verdade, é uma resposta rápida do governo a uma realidade que ninguém esperava. Nós estamos saindo de uma pandemia, inicia-se uma guerra com impacto no Brasil. Alguém vai querer que o governo fique de braços cruzados e que não reaja? Aí sim o governo mereceria crítica. Então, eu acho que o governo está tendo a responsabilidade de pensar nos mais pobres, e eu acredito que isso acabará ajudando a própria economia, porque esse dinheiro circula.”

Brasil61: O senhor citou a pandemia e o aumento do desemprego. O que poderia ser feito para reduzir o problema? Qual é a importância da qualificação profissional para aumentar as oportunidades?

Deputado Domingos Sávio: “Isso é fundamental. Isso também é um componente do Custo Brasil. Um país que não tem mão de obra qualificada, não consegue ser competitivo. E hoje a economia é toda globalizada. Não adianta pensar: o meu custo é mais alto, o consumidor brasileiro vai suportar um custo mais alto. Claro que não. Se o seu custo é mais alto e você deixar de ser competitivo, o produto vai ser importado, e não vai gerar emprego aqui dentro. Então ter mão de obra qualificada é fundamental para que a nossa economia seja competitiva. E é fundamental para que as pessoas tenham perspectiva de crescimento na vida. O Congresso Nacional já vem dando contribuições nesse sentido. Por exemplo, o novo ensino médio, que nós aprovamos e que já tem que estar sendo aplicado nos estados e nos municípios, ele estabelece a obrigatoriedade de uma qualificação profissional para os jovens que cursam o segundo grau. E isso tem que ser incentivado, tem que ser apoiado. Em Minas Gerais, o governador Zema implantou um programa interessante de qualificação de mão de obra, contratando inclusive o setor privado e dando bolsas e acesso a todos aqueles que quiserem fazer um curso profissionalizante nas mais diversas áreas. Então, eu acho que o Brasil precisa investir mais em cursos profissionalizantes. Porque nós precisamos parar com essa cultura de ficar passando a mão na cabeça, que é coitadinho. Nós temos que dar emprego. Agora, não se dá emprego para quem não sabe fazer nada. Tem que dar emprego para quem se profissionaliza, para quem se prepara. E, com isso, vai ganhar todo mundo. Ganha primeiro o cidadão, que ganha emprego e ganha dignidade. Mas ganha a economia brasileira, que se torna mais competitiva.”

Brasil61: Falando sobre a competitividade da economia, o que o Congresso Nacional tem feito para reduzir o Custo Brasil, ou seja, as dificuldades burocráticas que atrapalham o crescimento do país?

Deputado Domingos Sávio: “Nós vivemos em uma economia de mercado, em que a legislação dificulta a vida de quem quer produzir. Nós aprovamos aqui a legislação da livre iniciativa, em que nós estabelecemos mecanismos que simplificam a livre concorrência. Essa legislação já foi aprovada, foi sancionada pelo presidente e representa um ganho. Uma outra coisa, que nós aprovamos aqui no Congresso e depende do Senado aprovar, é o novo marco do licenciamento ambiental. E eu defendo, é claro, o meio ambiente. Uma coisa é defender o meio ambiente. Outra coisa é ter uma estrutura extremamente burocrática, que impede as pessoas de produzirem e de trabalharem. E isso aumenta o Custo Brasil. Outro aspecto importante é melhorar a segurança jurídica no Brasil. É ter legislações mais claras. Nesse aspecto, eu entendo que é preciso também que o Brasil resgate o equilíbrio entre os poderes. Hoje, nós temos um judiciário que tem um ativismo político muito grande. O judiciário, a toda hora, interfere na vida do país legislando e isso gera insegurança. E é claro que nós precisamos ter segurança jurídica para atrair investimentos. Agora, o mais importante: nós precisamos aprimorar o orçamento brasileiro em investimento em infraestrutura. A infraestrutura brasileira é muito cara para quem quer produzir, porque ela não existe. A estrutura de portos é estrangulada. As nossas BRs são uma tragédia. O Brasil parou no tempo com relação à estrutura ferroviária. Então, o Custo Brasil no transporte é muito elevado. E o último item que eu diria, além da burocracia, além da infraestrutura, é o custo tributário, que é absurdo no Brasil e precisa ser racionalizado.”

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01/07/2022 14:32h

Caravana FertBrasil fica no estado até esta terça-feira (7) para passar soluções caseiras e tecnologias que visam driblar a crise dos fertilizantes e economizar insumos. Medidas podem refletir na baixa de preço dos alimentos

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Chegou a vez de os produtores agrícolas de Minas Gerais receberem a Caravana Embrapa FertBrasil, ação de curto prazo do Plano Nacional de Fertilizantes. O projeto fica no estado até terça-feira (7), com as mais atuais técnicas de utilização de fertilizantes. Além disso, serão apresentadas soluções caseiras que podem baratear custos da próxima safra e, ainda, impactar positivamente no preço dos alimentos.

Após a escassez dos insumos importados – a demanda brasileira por fertilizantes vindos do exterior chega a 85% –, a Embrapa a preparou material com soluções e tecnologias que têm o objetivo de mitigar essa dependência nos próximos anos, mas que já podem ser efetivas na próxima safra, com possível economia de US$ 1 bilhão ao setor no primeiro ano.

A equipe da Caravana, formada por, pelo menos, cinco palestrantes e três pesquisadores da Embrapa, vai visitar ao todo 48 polos agrícolas, o que corresponde a 70 milhões de hectares, abrangendo os 230 maiores produtores de grãos e perenes no Brasil. Depois de passar por Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, as novidades serão transmitidas agora aos produtores mineiros. Entre elas a utilização de insumos que são encontrados no Brasil e que não são aplicados em larga escala, como agrominerais, coprodutos de resíduos com potencial agrícola e remineralizadores. O objetivo é evitar o desperdício, baixar o custo da produção e aumentar a eficiência.

Jefferson Costa, pesquisador da Embrapa e coordenador estratégico da Caravana FertBrasil, explica que um dos objetivos do projeto é mostrar aos produtores que o consumo de insumos nacionais pode ser potencializado e diminuir a dependência do exterior já nos próximos anos.

“Hoje, esses produtos só compõem cerca de 5% do uso nacional de fertilizantes e nossa expectativa nos próximos dois, três, quatro anos é já chegar a 40% da inserção desses produtos no mercado, o que diminuiria a necessidade de importação, essa dependência tão forte que a gente tem hoje”, destaca Jefferson.

Segundo o pesquisador da Embrapa, a ideia é maximizar o uso de, pelo menos, dois dos três principais nutrientes usados na fertilização do solo: nitrogênio e fósforo. “A gente espera, ao final da Caravana, habilitar o setor produtivo a aumentar a eficiência de uso de nitrogênio em 20%. Mas de fósforo, nossa expectativa é dobrar a eficiência de uso. A eficiência hoje é de 20% e nós queremos levar a 30% ou até 40%”, destaca Jefferson Costa.

O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), que também é profissional da área agrícola e produtor rural, ressalta que a questão dos fertilizantes está sendo tratada pelo governo com a devida seriedade, uma vez que é fundamental para alimentar o país e mais um bilhão de pessoas no mundo, já que o Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos. Segundo o parlamentar, o papel da Embrapa é primordial no processo de evolução do setor em relação ao aumento de eficiência e produção nacional do insumo.

“Fertilizante é desenvolvimento científico. É saudável, produz alimento de qualidade. Agora, nós temos que investir na ciência, na Embrapa, na tecnologia e temos que ter o mínimo de regulação no mercado. Nós precisamos investir em duas coisas, de imediato aprimorar a forma de usar, para usar de maneira racional. E nós precisamos de ampliar a capacidade de produção nacional”, destacou o parlamentar.

Depois de Minas Gerais, a Caravana chega ao Rio Grande do Sul, no dia 26 de julho. Na sequência, passa por Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina, Acre, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Tocantins, Piauí, Maranhão, Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Roraima e Amapá.

Cinco pilares

O conteúdo transmitido pela Caravana foi discutido pelos 40 melhores especialistas da área, para reunir todo o conhecimento da Embrapa a respeito e modular tudo em cinco pilares. O objetivo é dialogar com o setor produtivo, levar informações e novidades aos produtores e mapear as demandas de cada macrorregião, de cada polo agrícola que está sendo visitado.

Confira os cinco temas abordados pela Caravana:

  • Planejando quando e onde plantar: hoje já existem tecnologias, como novas análises de solo, que permitem apontar com precisão que solo deve ser utilizado para o plantio, quando e com que quantidade de fertilizantes;
  • Boas práticas: a Embrapa preparou uma apresentação com as principais práticas agrícolas que existem no país para uso eficiente de fertilizantes, muitas delas que não chegaram ao conhecimento do produtor;
  • Novos fertilizantes e insumos: na terceira etapa entram em discussão os novos fertilizantes, agrominerais, remineralizadores e bioinsumos. Tecnologias que são novas. Algumas carecem de mais pesquisas e testes, enquanto outras já possuem comprovação de eficácia.
  • Soluções digitais: a Caravana também está levando as melhores soluções digitais que existem no mercado para aumentar a eficiência das aplicações dos fertilizantes, a chamada agricultura de precisão. São novas ideias de como maximizar o uso desses produtos, com, por exemplo, a nanotecnologia na aplicação de fertilizantes.
  • Manejo e sustentabilidade: a última etapa da conversa com os produtores influenciadores e os técnicos fala sobre o manejo agrícola associado à maior sustentabilidade.
     
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30/06/2022 04:30h

Caravana FertBrasil percorre os principais polos agrícolas do Brasil para levar soluções e tecnologias para maximizar a utilização de fertilizantes, evitar desperdício e baixar preço da produção

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Uma economia ao setor agrícola de US$ 1 bilhão já no primeiro ano. Essa é a expectativa da primeira ação do Plano Nacional de Fertilizantes, criado para mitigar a falta do insumo em todo o mundo, assegurar a próxima safra e alcançar a boa produtividade com tecnologia e soluções nacionais. Trata-se da Caravana Embrapa FertBrasil, que vai rodar diversas regiões do país para trabalhar junto às entidades representativas dos produtores rurais.  Segundo Jefferson Costa, pesquisador da Embrapa e coordenador estratégico da FertBrasil, serão apresentadas soluções e tecnologias para maximizar a utilização dos fertilizantes, evitar o desperdício e baixar o preço da produção.

“Se você usar as tecnologias que a Embrapa está levando na Caravana, nossa expectativa, se todas as tecnologias forem utilizadas, com os estudos econômicos que fizemos, pode levar a uma economia de US$ 1 bilhão no primeiro ano de uso. Para se ter ideia da dimensão da economia que isso pode alcançar.”

A Caravana já passou por Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, e trabalha o assunto atualmente em Minas Gerais, até o dia 30 de junho. Após isso, os especialistas seguem para outros 17 estados e o Distrito Federal. A equipe, formada por, pelo menos, cinco palestrantes e três pesquisadores da Embrapa, vai visitar ao todo 48 polos agrícolas, o que corresponde a 70 milhões de hectares, abrangendo os 230 municípios maiores produtores de grãos e perenes no Brasil.

O deputado federal Vermelho (PL-PR) lembra que o preço do fertilizante importado triplicou nos últimos meses por conta da escassez mundial e que o produtor brasileiro fica refém dessa dependência de importação, já que mais de 85% dos insumos utilizados por nossa agricultura chegam de países estrangeiros. O parlamentar acredita que a ação da Embrapa é fundamental para achar soluções caseiras e diminuir essa dependência.

“A Embrapa é o aporte do agro, é ela quem desenvolve a semente, a tecnologia, o agrotóxico, o fertilizante. Nós estamos nas mãos dos países de fora, Russa, Ucrânia, etc. Temos jazidas escondidas no nosso subsolo que dá para transformar. A Embrapa é preponderante. Só dar atividade, dar condições para que eles possam desenvolver a substituição, talvez, de algum produto químico, para que a gente possa continuar produzindo sem depender dessa cadeia internacional”, ressalta Vermelho.

De acordo com a Embrapa, a demanda por fertilizantes no Brasil cresceu cerca de 300% nos últimos 20 anos, enquanto nossa produção do insumo, no mesmo período, caiu 30%. Jefferson Costa explica que o Plano Nacional de Fertilizantes procura reverter isso e um dos primeiros passos, incluso no trabalho da Caravana, é potencializar o uso de fertilizantes nacionais em substituição aos importados.

“Sobre o uso desses fertilizantes agrominerais, coprodutos de resíduos com potencial agrícola, remineralizadores, nanotecnologia, essas tecnologias novas podem acelerar esse processo, porque você torna o produtor mais eficiente no uso de fertilizantes e diminui a dependência do fertilizante importado”, destaca o pesquisador. “Porque esses são produtos nacionais, são produtos que estão aí no mercado e precisam ser testados. Hoje, esses produtos compõem apenas cerca de 5% do uso nacional de fertilizantes e nossa expectativa, nos próximos dois, três, quatro anos é já chegar a 40% da inserção desses produtos no mercado, o que diminuiria a necessidade de importação, essa dependência tão forte que a gente tem hoje.”

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Pilares da Caravana

Jefferson explica que o conteúdo transmitido pela Caravana foi discutido pelos 40 melhores especialistas da área, para reunir todo o conhecimento da Embrapa a respeito e modular tudo em cinco pilares. O objetivo é dialogar com o setor produtivo, levar informações e novidades aos produtores e mapear as demandas de cada macrorregião, de cada polo agrícola que está sendo visitado.

Uma das novidades tecnológicas apresentadas pela Embrapa aos produtores é a análise biológica do solo, lançada recentemente e já desempenhada por dezenas de laboratórios em todo o país. O objetivo é fazer uma análise enzimática, onde mede-se a vida biológica do solo. Essa análise consegue explicar porque muitas vezes o produtor coloca mais adubo e a planta não responde. Segundo Jefferson, essa nova tecnologia evita desperdícios e maximiza a produção, principalmente neste momento de crise.

“O solo é vivo, e essa leitura da vida biológica do solo é um novo tipo de análise que explica, inclusive, se você deve continuar aplicando fertilizantes ou não. Às vezes, você vai colocar fertilizantes e não precisa, a planta não vai mais responder. E essa análise biológica do solo que a Embrapa lançou agora permite te dizer que está na hora de fazer um outro tipo de manejo, mexer no seu solo. Porque colocar adubo do jeito que se está colocando, é gastar dinheiro à toa. Ou seja, numa época de crise como essa, com o fertilizante com preço nas alturas, é uma tecnologia excelente para uso”, destaca o pesquisador da Embrapa.

Como o Plano Nacional de Fertilizantes é um trabalho a longo prazo, com a intenção de diminuir a dependência de importações de 85% para 45% até 2050, a ideia da FertBrasil é fazer com que os produtores comecem a caminhar, já nesta safra, para novas ideias e tecnologias. Depois de Minas Gerais, a Caravana ainda passa por Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina, Acre, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Tocantins, Piauí, Maranhão, Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Roraima e Amapá.

Confira os cinco temas abordados pela Caravana:

  • Planejando quando e onde plantar: hoje já existem tecnologias, como novas análises de solo, que permitem apontar com precisão que solo deve ser utilizado para o plantio, quando e com que quantidade de fertilizantes;
  • Boas práticas: a Embrapa preparou uma apresentação com as principais práticas agrícolas que existem no país para uso eficiente de fertilizantes, muitas delas que não chegaram ao conhecimento do produtor;
  • Novos fertilizantes e insumos: na terceira etapa entram em discussão os novos fertilizantes, agrominerais, remineralizadores e bioinsumos. Tecnologias que são novas. Algumas carecem de mais pesquisas e testes, enquanto outras já possuem comprovação de eficácia.
  • Soluções digitais: a Caravana também está levando as melhores soluções digitais que existem no mercado para aumentar a eficiência das aplicações dos fertilizantes, a chamada agricultura de precisão. São novas ideias de como maximizar o uso desses produtos, com, por exemplo, a nanotecnologia na aplicação de fertilizantes.
  • Manejo e sustentabilidade: a última etapa da conversa com os produtores influenciadores e os técnicos fala sobre o manejo agrícola associado à maior sustentabilidade.
     
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24/06/2022 14:00h

Caravana FertBrasil chegou ao estado no dia 21 com soluções caseiras e tecnologias que visam driblar a crise dos fertilizantes, economizar insumos e que podem refletir positivamente no preço dos alimentos

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Os produtores agrícolas do Paraná estão entre os primeiros a receber a Caravana Embrapa FertBrasil, ação de curto prazo do Plano Nacional de Fertilizantes. O projeto chegou ao estado no dia 21 com as mais atuais técnicas de utilização de fertilizantes. A ideia é evitar desperdício, baixar o preço da produção, garantir a próxima safra e, ainda, impactar positivamente no preço dos alimentos.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, e a consequente escassez dos insumos importados, que no Brasil responde por mais de 85% da demanda, levou a Embrapa a preparar material com soluções e tecnologias que têm o objetivo de mitigar essa dependência nos próximos anos, mas que já podem promover uma economia ao setor de US$ 1 bilhão nos próximos 12 meses.

Depois de passar pelo Mato Grosso do Sul e São Paulo, foi a vez de os produtores paranaenses terem contato com as novidades. Entre elas a utilização de insumos que são encontrados no Brasil e que não são aplicados em larga escala, como agrominerais, coprodutos de resíduos com potencial agrícola e remineralizadores, que tornam o custo da produção agrícola mais barato, aumenta a eficiência e diminui a dependência dos produtos importados.

“Hoje, esses produtos só compõem cerca de 5% do uso nacional de fertilizantes e nossa expectativa nos próximos dois, três, quatro anos é já chegar a 40% da inserção desses produtos no mercado, o que diminuiria a necessidade de importação, essa dependência tão forte que a gente tem hoje”, explica o pesquisador da Embrapa, Jefferson Costa, coordenador estratégico da Caravana FertBrasil.

Ainda segundo o pesquisador da Embrapa, o objetivo do trabalho é maximizar o uso de, pelo menos, dois dos três principais nutrientes usados na fertilização do solo: nitrogênio e fósforo. “A gente espera, ao final da Caravana, habilitar o setor produtivo a aumentar a eficiência de uso de nitrogênio em 20%. Mas de fósforo, nossa expectativa é dobrar a eficiência de uso. A eficiência hoje é de 20% e nós queremos levar a 30% ou até 40%”, destaca Jefferson.

O deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR) ressalta que o setor registrou altas de até 300% em alguns dos químicos importados e que a ajuda da Embrapa, que já revolucionou a agricultura nacional, será fundamental para garantir a safra 2022/23, bem como baixar os custos de produção e dos preços dos alimentos.

“A Embrapa, a empresa que já tirou o Brasil da dependência da importação de alimentos, mais uma vez faz a diferença, quando ela vai ao interior desse país. Neste momento está no meu estado, no Paraná, com uma Caravana fazendo a demonstração da possibilidade de se ter a mesma produtividade utilizando menos fertilizante”, destaca o parlamentar.

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Depois do Paraná, a Caravana chega em Minas Gerais no dia 28. Na sequência, passa por Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina, Acre, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Tocantins, Piauí, Maranhão, Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Roraima e Amapá.

Cinco pilares

O conteúdo transmitido pela Caravana foi discutido pelos 40 melhores especialistas da área, para reunir todo o conhecimento da Embrapa a respeito e modular tudo em cinco pilares. O objetivo é dialogar com o setor produtivo, levar informações e novidades aos produtores e mapear as demandas de cada macrorregião, de cada polo agrícola que está sendo visitado.

A equipe da Caravana, formada por, pelo menos, cinco palestrantes e três pesquisadores da Embrapa, vai visitar ao todo 48 polos agrícolas, o que corresponde a 70 milhões de hectares, abrangendo os 230 municípios maiores produtores de grãos e perenes no Brasil.

Confira os cinco temas abordados pela Caravana:

  • Planejando quando e onde plantar: hoje já existem tecnologias, como novas análises de solo, que permitem apontar com precisão que solo deve ser utilizado para o plantio, quando e com que quantidade de fertilizantes;
  • Boas práticas: a Embrapa preparou uma apresentação com as principais práticas agrícolas que existem no país para uso eficiente de fertilizantes, muitas delas que não chegaram ao conhecimento do produtor;
  • Novos fertilizantes e insumos: na terceira etapa entram em discussão os novos fertilizantes, agrominerais, remineralizadores e bioinsumos. Tecnologias que são novas. Algumas carecem de mais pesquisas e testes, enquanto outras já possuem comprovação de eficácia.
  • Soluções digitais: a Caravana também está levando as melhores soluções digitais que existem no mercado para aumentar a eficiência das aplicações dos fertilizantes, a chamada agricultura de precisão. São novas ideias de como maximizar o uso desses produtos, com, por exemplo, a nanotecnologia na aplicação de fertilizantes.
  • Manejo e sustentabilidade: a última etapa da conversa com os produtores influenciadores e os técnicos fala sobre o manejo agrícola associado à maior sustentabilidade.
     
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Economia
22/06/2022 03:30h

Produtos são fundamentais para a economia brasileira. Cientista político avalia que postura das autoridades brasileiras ajudou a minimizar impactos do conflito na agricultura

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Um estudo da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados divulgou dados sobre os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia para o Brasil. O levantamento mostra que os preços de produtos importantes para a economia brasileira, como adubos, fertilizantes e petróleo dispararam desde o início do conflito no leste europeu, mas que o país pode ter sido beneficiado com a realocação de investimentos estrangeiros. 

A consultoria aponta que 23% dos fertilizantes usados no Brasil vêm da Rússia. O país compra cerca de R$ 3,5 bilhões em fertilizantes por ano do país e entre março de 2021 e março deste ano, a importação desses insumos vindos de lá cresceu 122,5%.  

Os fertilizantes são importantes para aumentar a produtividade e qualidade nas lavouras. Desde o início da guerra, o preço global de adubos e fertilizantes subiu 140,4%. A consequência natural é que os campos sejam menos produtivos caso a agricultura brasileira, a quarta maior consumidora mundial de fertilizantes, não consiga substituir a quantidade de insumos que antes importava dos russos. 

Para o cientista político Paulo Kramer, especialista da Fundação da Liberdade Econômica, as autoridades brasileiras agiram bem para minimizar os impactos da guerra sobre a  economia do país. 

“É preciso reavaliar positivamente a viagem que o presidente Jair Bolsonaro fez à Rússia um pouco antes da invasão à Ucrânia. Essa visita gerou muita polêmica, porque parecia que o Brasil estava escolhendo um lado, mas, passados quatro meses, a gente pode enxergar melhor que ele se esforçou para garantir o abastecimento dos fertilizantes que são tão importantes para o nosso agronegócio, nossa produção e exportação de alimentos”, avalia. 

Kramer destaca que mais de 80% dos fertilizantes usados na produção agrícola brasileira vêm do exterior, mas que além da visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia, a viagem da então ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao Canadá, foi determinante para garantir o estoque dos insumos a médio prazo. “Foi um esforço de diversificar as nossas fontes de fertilizantes”. 

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Petróleo

Desde o início do conflito no leste europeu o preço do petróleo no mercado externo aumentou cerca de 70%, de acordo com o estudo da Consultoria Legislativa. Apesar de não comprar petróleo russo, o que não gera prejuízo para o abastecimento interno, o Brasil, assim como outros países, viu o preço dos combustíveis disparar nos últimos meses, o que aumentou o custo dos insumos, dos fretes e, por consequência, a inflação. 

Segundo o cientista político, a alta no preço do petróleo prejudica a população mais pobre. “A Rússia é responsável pela exportação de 25% de todo o óleo diesel do mundo. O óleo diesel é fundamental para o transporte rodoviário, e o Brasil é um país rodoviário. Se encarece o diesel, isso encarece o frete dos gêneros de primeira necessidade e, obviamente, vai encarecer o preço do próprio produto que o brasileiro consome, um sacrifício desproporcionalmente maior para as camadas mais pobres da população”, explica. 

O senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) defende que o Brasil só vai conseguir conter a escalada no preço dos combustíveis no nível interno se houver articulação entre União, estados e municípios. “Agora não é hora de procurar culpados. É hora de resolver o problema. A crise dos combustíveis é mundial. Temos uma guerra regional em curso e saímos de uma pandemia. São muitos os desafios e nossa obrigação é atuar para minimizar os impactos para a população brasileira. Todo mundo precisa fazer a sua parte. Entendo que o governo federal está buscando uma solução e compactuo com isso”, afirma. 

Investimento

A consultoria destaca que a guerra entre Rússia e Ucrânia não trouxe apenas efeitos negativos para a economia brasileira. O estudo diz que o Brasil pode ter sido beneficiado de forma momentânea por investimentos estrangeiros realocados por conta do conflito. 

Paulo Kramer diz que é cedo para analisar com precisão o desvio de capital internacional em direção ao Brasil, mas que o país vem melhorando a sua capacidade de atrair investimentos nos últimos anos. “Agora só falta os poderes da República se entenderem melhor entre si, de maneira a diminuir aquilo que mais assusta investidores estrangeiros, que é a insegurança jurídica, quer dizer, se as regras vão se manter ou não. É muito importante que a gente insista nesse ponto: a harmonia entre os poderes é muito importante para fortalecer a nossa capacidade de atração de investimento, que gera emprego e renda”, conclui. 

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10/05/2022 00:06h

Segundo a Anda, o Brasil é o 4º maior consumidor mundial de fertilizantes, dos quais o potássio é o principal nutriente utilizado pelos produtores brasileiros (38%).

O Governo Federal lançou, em março de 2022, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que tem como objetivo principal reduzir a dependência das importações dos insumos que são essenciais para o desenvolvimento da agricultura brasileira.

Atualmente, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes utilizados no país, em um mercado dominado por poucos fornecedores. O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) tem como meta planejar o setor até 2050 e desenvolver o agronegócio nacional, com foco nos principais elos da cadeia: indústria tradicional, produtores rurais, cadeias emergentes, novas tecnologias, uso de insumos minerais, inovação e sustentabilidade ambiental.

O PNF começou a ser elaborado em 2021 e foi formalizado por Decreto em 11 de março. O documento cria ainda o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas, órgão consultivo e deliberativo que coordena e acompanha a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes.

Segundo a Anda, o Brasil é o 4º maior consumidor mundial de fertilizantes, dos quais o potássio é o principal nutriente utilizado pelos produtores brasileiros (38%), seguido pelo fósforo, com 33% do consumo total de fertilizantes, e o nitrogênio, com 29%. Dentre as culturas que mais demandam o uso de fertilizantes (NPK) estão a soja, o milho e a cana-de-açúcar, somando mais de 73% do consumo nacional. 

A implantação das ações do PNF poderá minimizar a dependência externa desses nutrientes importados principalmente da Rússia, China, Canadá, Marrocos e Belarus. Estados Unidos, Catar, Israel, Egito e Alemanha completam a lista dos dez maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil em 2021, de acordo com dados do Ministério da Economia. 

Leia o artigo completo na edição 419 de Brasil Mineral

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Brasil 61