Brasil Mineral

21/11/2022 16:30h

A desaceleração será espalhada na América Latina, somando os desafios externos da conjuntura global

Segundo dados da Associação Latino-americana de Aço (Alacero), as perspectivas de crescimento do setor na região são moderadas para o término de 2022 e início do próximo ano por causa da inflação global e política monetária contrastiva, com bancos na América Latina apertando suas políticas monetárias. “A previsão é impulsionada pela menor demanda externa, enfraquecida por altas taxas de juros e queda do poder de compra. O mundo vive um processo inflacionário sem precedentes, amplamente distribuído entre os países”, analisa Alejandro Wagner, diretor executivo da associação que gera dados para o setor na região e atua como porta-voz da indústria.

A desaceleração será espalhada na América Latina, somando os desafios externos da conjuntura global, como a crise energética na Europa e a guerra na Ucrânia, aos desafios locais, como a inflação. A previsão de crescimento para 2023 é baixa, até acima do esperado na China e nos Estados Unidos, principais parceiros comerciais da região. Dentre os setores que demandam aço da região, a construção civil caiu 1,8% de junho a agosto de 2022, enquanto a indústria automotiva cresceu 29,3% de julho a setembro do mesmo ano, enquanto as máquinas mecânicas aumentaram 0,8% de junho a agosto de 2022 e o uso doméstico caiu 13,7% no mesmo período. Em relação aos insumos demandados na produção siderúrgica, o petróleo caiu 0,9%, o gás aumentou 1% e a energia 0,4%, todos dados de junho a agosto de 2022.

Entre janeiro e agosto de 2022, as exportações de aço somaram 7.740,7 mil toneladas, um crescimento de 47,3% sobre o mesmo período de 2021. Assim, as exportações cresceram 10,7% em agosto em relação ao mês anterior. As importações, por sua vez, sofreram redução de 12,5% no acumulado de oito meses de 2022, em relação ao mesmo período de 2021, totalizando 16.871,1 mil toneladas. Em agosto, o valor foi 25,4% superior ao de julho.

A produção segue relativamente estável, impulsionada pelo expressivo volume das exportações. Até setembro, a produção latino-americana de aço bruto caiu 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, registrando 46.862,5 mil toneladas. Os laminados apresentaram redução de 3,7% no mesmo período, com 41.033,8 mil toneladas.

Segundo a Alacero, o Brasil cresceu 4,6% no último ano e tem projeção de incremento de 2,7% e 0,6% para o próximo ano. Dos setores demandantes de aço no Brasil, a construção retraiu 5,7% de junho a agosto de 2022, enquanto o setor automotivo cresceu 32% de junho a setembro do mesmo ano, máquinas mecânicas diminuíram 4% de junho a agosto de 2022 e uso doméstico caiu 16,7% no mesmo período. Em relação aos insumos demandados na produção de aço, o petróleo diminuiu 1,2%, o gás -0,1% e a energia 2,8%, todos os dados de junho a agosto de 2022.

A expectativa em médio prazo para a construção é que o setor mostre recuperação: setor privado deverá aumentar o investimento em 2023, em um contexto de inflação mais estável. O automotivo registra possível desaceleração no ritmo de crescimento da produção, devido a menores vendas locais e queda nas exportações para Argentina e Colômbia (o setor pode ter um superávit de unidades em estoque). Quanto à maquinaria mecânica, o esperado é o crescimento da demanda por máquinas agrícolas. O Brasil caminha para mais uma safra recorde de 200 milhões t em 2023-2024, que continuará impulsionando a produção desse tipo de maquinário. Já no uso doméstico, a expectativa é que o governo promova uma política de redistribuição de renda, estimulando a demanda e impulsionando a produção.

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14/11/2022 04:00h

Em evento promovido pela Brasil Mineral, a coordenadora-geral do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do MME, Dione Macedo, diz que ESG e ODS contribuem para desenvolvimento do setor

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ESG e ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) estão intrinsecamente conectados, uma vez que, no âmbito da mineração, sinalizam para a sociedade os compromissos do setor nas tomadas de decisão para orientar investimentos, ações e projetos. Foi o que destacou a coordenadora geral do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia (MME), Dione Macedo, na última terça-feira (8), durante o 7° Mineração e Comunidades. O evento, realizado pela revista Brasil Mineral

“Os 17 ODS, embora tenham natureza global e sejam universalmente aplicáveis, dialogam com políticas e ações nos âmbitos regional e local. Essa é uma das razões que favorecem o seu vínculo com a mineração, uma vez que a rigidez locacional da mineração faz com que a atividade tenha que lidar com diferentes realidades econômicas, sociais e ambientais”, pontuou. 

Um dos focos da programação era debater sobre a conciliação entre ESG e ODS para desenvolver territórios sustentáveis na mineração. Sobre esse ponto, o engenheiro com mestrado em cerâmica e geociências, Renato Ciminelli, afirmou que era preciso trabalhar a cooperação em cada segmento envolvido.

“Outro ponto para se colocar é que o próprio ODS induz à colaboração. É fazer com que a governança do território e da comunidade estabeleça um foco de colaboração com as próprias empresas, no caso, as de mineração. Esse sinergismo vai trazer maior economia, velocidade e contemplar as prioridades e expectativas das empresas, da sociedade e do território”, defendeu.  

Ao longo da programação, os painéis ainda deverão abordar, por exemplo, questões relacionadas ao ciclo de vida das minerações e as alternativas de desenvolvimento socioeconômico, assim como mudanças na disposição de rejeitos em função das comunidades.

ESG e a mineração 

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) divulgou o documento denominado “Carta Compromisso do Setor Mineral”. Trata-se de uma declaração dos novos propósitos voluntários para o setor mineral, com metas estabelecidas, verificáveis e alcançáveis. 

A carta ficou conhecida como ESG da Mineração. O documento, de acordo com o Ibram, esclarece a visão do instituto e suas associadas acerca de como a indústria minerária vai construir o futuro do setor. 

COP27: indústria brasileira apresentará estratégias para enfrentar crise climática

Cerca de 60% das indústrias brasileiras têm área dedicada à sustentabilidade

Entre as ações estão a apresentação de um novo arcabouço de normas e leis visando regular a mineração do futuro; a criação de um centro de excelência de segurança operacional e P&D do setor mineral, para compartilhar e desenvolver boas práticas; além de criar relatório anual sobre segurança operacional através de fóruns específicos entre empresas do setor mineral, instituições de ensino e órgãos não-governamentais.

ODS 17

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) compõem uma agenda mundial adotada em meio à Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável em setembro de 2015, formada por 17 objetivos e 169 metas a serem atingidos até 2030.

Confira a lista dos ODS

  • Erradicação da pobreza
  • Fome zero e agricultura sustentável
  • Saúde e bem-estar
  • Educação de qualidade 
  • Igualdade de gênero
  • Água limpa e saneamento
  • Energia limpa e acessível
  • Trabalho decente e crescimento econômico 
  • Inovação infraestrutura
  • Redução das desigualdades
  • Cidades e comunidades sustentáveis
  • Consumo e produção responsáveis
  • Ação contra a mudança global do clima
  • Vida na água
  • Vida terrestre
  • Paz, justiça e instituições eficazes
  • Parcerias e meios de implementação
     
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Brasil Mineral
11/11/2022 16:00h

O Projeto Araguaia, localizado ao sul do distrito de Carajás, próximo à cidade de Conceição do Araguaia, é o maior investimento greenfield em níquel no Brasil

Presente no Pará há mais 10 anos, a Horizonte Minerals possui dois projetos no Estado: o Araguaia e o Vermelho, ambos de larga escala, alto teor de níquel e baixa emissão de carbono. O Projeto Araguaia, localizado ao sul do distrito de Carajás, próximo à cidade de Conceição do Araguaia, é o maior investimento greenfield em níquel no Brasil e começou a ser construído no início de 2022. Com cronograma de construção de 24 meses, a previsão é iniciar a produção de metal no primeiro trimestre de 2024.

Em julho passado, o Projeto Níquel Araguaia foi aprovado como um Projeto de Minerais estratégicos pelo Governo Federal brasileiro, o que comprova sua importância estratégica para o país e a relevância do níquel para o futuro. O metal é considerado crucial na transição para energia limpa e tem apresentado demanda crescente, impulsionada pelo estabelecido mercado de aço inox e pelo emergente mercado de baterias para veículos elétricos. Com vida útil da mina prevista para 28 anos, prorrogáveis, a planta do Projeto Araguaia produzirá até 14.500 toneladas por ano de níquel em sua primeira etapa para abastecer o mercado de aço inox, com potencial de expansão para dobrar esse volume para 29.000 t/ano, como informa Leonardo Vianna, diretor do Projeto Araguaia, em entrevista concedida à revista Brasil Mineral, que publicamos a seguir.

Qual o estágio atual de implantação do Araguaia Níquel?

A construção segue avançando dentro do cronograma, com avanço geral de projeto de aproximadamente 16% até 30 de setembro, e a previsão de produção do primeiro metal se mantém para o primeiro trimestre de 2024. A terraplenagem está praticamente concluída e estamos, nesse momento, instalando as fundações de concreto, com foco nas fundações para o forno elétrico e para o forno rotativo. Os primeiros componentes do forno elétrico, fornecidos pela Hatch do Canadá, já chegaram ao site em Conceição do Araguaia e a montagem está prevista para começar em breve. A drenagem no site está bem avançada e as estradas de acesso estão sendo melhoradas para atingir o padrão exigido para operação durante todo o ano, tanto no período de seca como de chuva. A energização da rede elétrica para o site está perto de ser concluída. O trabalho foi planejado para garantir um ambiente de trabalho seguro, proporcionando altos níveis de produtividade durante toda a obra.

Leonardo Vianna

Leia a matéria completa na edição 424 de Brasil Mineral

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11/11/2022 13:00h

Produção nacional hoje representa 30 mil empregos e investimentos na casa dos U$ 6,5 bilhões em ativos de produção nos últimos 7/8 anos

Aguerra Rússia X Ucrânia jogou luz há alguns meses sobre a questão da forte dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes e a necessidade de o país resgatar projetos de exploração de minerais para esse setor. Após um longo processo de consultas a empresas, entidades e representação setorial do segmento de fertilizantes, um importante passo foi dado pelo Governo Federal com o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, que traz propostas e metas a serem atingidas até 2050. O assunto foi tema de um dos painéis do Congresso Brasileiro de Mineração, realizado pelo Ibram em setembro passado, quando especialistas, autoridades e empresários do setor traçaram um panorama sobre o atual momento da indústria de fertilizantes.

Moderando as apresentações, Arthur Liacre, vice-presidente de Assuntos Corporativos, Estratégia e Sustentabilidade da Mosaic Fertilizantes, ressaltou o fato de que o Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo (atrás da China, Índia e Estados Unidos) e que sua dependência externa é de 90% - “fato preocupante, uma vez que a demanda nacional cresceu de maneira muito intensa nos últimos 25 anos, acompanhada de uma dependência externa que chegou a níveisinsustentáveis”. Ele ressalta que o crescimento médio do consumo de fertilizantes no Brasil ficou em 4%, enquanto que no resto do mundo essa média foi de 2% e a produção nacional, que 25 anos atrás era de 65% da demanda, hoje não passa de 10%.

Olhando para o outro lado da equação, os 10% de produção nacional vem de empresas brasileiras, que hoje representam 30 mil empregos e investimentos na casa dos U$ 6,5 bilhões em ativos de produção nos últimos 7/8 anos. “São 20 operações distribuídas em 10 estados, o 4º maior segmento da indústria química e 5º maior segmento da indústria de mineração, ressaltando que o segmento conecta, da mina ao campo,setores absolutamente estratégicos da economia brasileira e que as empresas não deixaram de investir em modernização, para tornar as operações cada vez mais competitivas para atender parcialmente à demanda brasileira por fertilizantes NPK”, prossegue Liacre.

O terceiro ponto levantado por ele é que, a partir de 2050, o mundo comportará cerca de 10 bilhões de pessoas e a produção de alimentos terá que ser acelerada – “mais do que dobrar” – e poucos países no planeta têm condição de garantir a produção de alimentos, atendendo ao desafio sistêmico da segurança alimentar. O Brasil, obviamente, ocupa papel central, diz Liacre: “hoje é responsável pela produção de alimentos para entre 850 mil e 1 milhão de pessoas e em 2050 seu protagonismo será ainda maior. Esse elo da cadeia do agro, que é o setor de fertilizantes, com o atual nível de dependência externa de insumos, terá que achar soluções para a produção interna e consolidar a capacidade do Brasil de ajudar o mundo a produzir os alimentos de que necessita”.

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09/11/2022 13:00h

Foi o que defenderam dirigentes das principais mineradoras que atuam na região, durante painel realizado na Exposibram 2022

A atividade de mineração está contribuindo para manter a floresta em pé na Amazônia. Foi o que defenderam dirigentes das principais mineradoras que atuam na região, durante painel realizado na Exposibram 2022, moderado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Estado do Pará, José Fernando Gomes Júnior.

A Vale, com mais de 40 anos de atuação na Amazônia, é a maior empresa em operação no bioma, particularmente na região do mosaico de Carajás, que tem seu epicentro no município de Parauapebas (PA) mas que inclui outros municípios como Canaã dos Carajás, Marabá, Ourilândia, todos no estado do Pará. Mas a área de influência da empresa no bioma é bem maior, se incluídas as operações logísticas, como a Estrada de Ferro Carajás, com 892 km de extensão, que atravessa boa parte dos estados do Pará e do Maranhão, ligando a mina de minério de ferro de Carajás ao porto de Ponta da Madeira, no litoral maranhense.

Atualmente, o complexo de mineração de Carajás, incluindo Serra Norte e S11D, responde por aproximadamente 60% do total da produção de minério de ferro da Vale e se caracteriza como um “modelo de mineração sustentável”, segundo Hugo Barreto, diretor de Investimento e Desenvolvimento Social da Vale, já que a atividade de extração que ocorre dentro da Floresta Nacional de Carajás (Flonaca) impacta apenas 2% do mosaico. “É um modelo de mineração sustentável, convivendo com reservas indígenas e unidades de conservação. Na questão da mineração com a floresta em pé, o Brasil tem um exemplo a mostrar para o mundo”, diz Barreto.

Mas para isso, segundo ele, foram anos de aprendizado. “É a maior mina de ferro do planeta e que traz inovação, tecnologia, inteligência ambiental que permitem uma operação com maior eficiência e menor impacto”, salienta. A Vale adotou, na região, um modelo de mineração inovador que permitiu evitar o uso intensivo de caminhões fora-de-estrada, o que possibilitou diminuir a quantidade de resíduos gerados, o consumo de combustível em 70% e as emissões de gases de efeito estufa em 50%.

O beneficiamento a umidade natural também dispensa o uso de barragens e diminui o consumo de água em 93%, o que equivale ao abastecimento de uma cidade de 400 mil habitantes.

Para o diretor da Vale, essa convivência da mineração com a floresta é possível graças a uma parceria muito importante com o ICMBio e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará para o trabalho de controle e vigilância da floresta através de um modelo que combina “engenharia avançada com responsabilidade e em articulação com o poder público”.

Lembrando que a conservação do bioma Amazônia é imperativo para a continuidade do próprio negócio da Vale, Barreto informa que a empresa realiza, anualmente, quantias expressivas em projetos e programas, obrigatórios ou voluntários. Em 2021, o montante investido foi de US$ 545 milhões.

Leia a matéria completa na edição 424 de Brasil Mineral

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Brasil Mineral
02/11/2022 08:00h

Os preços do ouro caíram 8% no terceiro trimestre de 2022, em parte devido às taxas de juros mais altas e à valorização do dólar

O índice de preços dos metais preciosos do Banco Mundial caiu 9% no terceiro trimestre de 2022, puxado pelo fraco investimento e baixa demanda física, em razão do fortalecimento do dólar e taxas de juros mais altas. Estes fatores superaram o impacto positivo da demanda para entesouramento, motivada pela guerra da Ucrânia e alta da inflação. 

Nesse cenário, os preços da prata caíram fortemente (cerca de 15%), devido à redução na demanda industrial, enquanto os preços do ouro e da platina tiveram redução de 8%. Após uma queda projetada de 4% em 2022, a expectativa é que o índice de preços caia 4% em 2023 em razão de altas taxas de juros esperadas e preocupações sobre a possibilidade de uma recessão global que impactaria a atividade industrial. 

Os preços do ouro caíram 8% no terceiro trimestre de 2022, já que as taxas de juros mais altas e valorização do dólar superaram as preocupações a respeito da crescente inflação e riscos geopolíticos. O Federal Reserve, dos EUA, aumentou as taxas de juros cinco vezes, até setembro de 2022, com uma elevação de 3%, fazendo com que o índice do dólar americano tenha aumentado 16%, o nível mais alto em 20 anos. Enquanto isso, os títulos de 10 anos do tesouro (TIPS – Treasury Inflation-Protected Securities) alcançam seu mais alto nível desde fevereiro de 2011, aumentando a atrativIdade dos ativos de custo zero. Como resultado, os ETFs de ouro caíram por cinco meses consecutivos. 

A demanda da joalheria na China teve leve crescimento nos últimos meses, seguindo a liberação das restrições relacionadas com a pandemia Covid-19, enquanto as importações da Índia tiveram um incremento nas taxas de 7.5% para 12.5%. Os bancos centrais também continuaram a acumular ouro. No entanto, as compras físicas não foram suficientes para superar os efeitos da demanda do metal para investimento. Como as taxas de juros devem continuar elevadas no próximo ano, a projeção é que os preços do ouro caiam 4% em 2023. 

Os preços da prata caíram 15% no terceiro trimestre de 2022, influenciados pela fraca demanda industrial e pelas mesmas políticas monetárias e fatores econômicos que afetaram os preços do ouro. Mais da metade da demanda global por prata advém de aplicações industriais. Apesar da demanda fotovoltaica continuar a crescer, a demanda para eletrônicos enfraqueceu consideravelmente, já que a produção global de eletrônicos caiu cerca de 20% no ano, até setembro. Os novos pedidos de produtos manufaturados também caíram fortemente, tanto nas economias avançadas e mercados emergentes quanto nos países em desenvolvimento. A fraca demanda física e para investimento devem manter os preços sob pressão para baixo. Assim, espera-se que os preços da prata caiam 16% em 2022 e se mantenham nos mesmos níveis em 2023. Em longo prazo, a prata deve se beneficiar da transição energética, particularmente para uso em células fotovoltaicas. 

Os preços da platina caíram 8% no terceiro trimestre de 2022, também influenciados pelos mesmos fatores que afetaram outros metais, principalmente as altas taxas de juros, a baixa demanda industrial e a demanda da joalheria, além da retração econômica global. A demanda automotiva – onde a platina é usada nos catalisadores – está se recuperando, mas ainda se encontra abaixo dos níveis pré-pandemia. Há o risco da falta de suprimento da Rússia e Ucrânia. A demanda por platina também pode ser suportada pela substituição com paládio, em que o suprimento da Rússia está sob risco (a Rússia responde por 40% da oferta global de paládio). Pelo lado da oferta, os preços devem ser suportados pelas interrupções de produção na África do Sul devido a cortes de eletricidade e atraso de projetos, bem como cortes de eletricidade na América do Norte, devido a enchentes. Olhando para diante, os preços da platina devem se manter firmes em 2023, devido à limitada oferta das minas. A platina enfrenta obstáculos da transição energética, com o incremento dos veículos elétricos (os quais não requerem catalisadores eletrolíticos). Mas em longo prazo o metal pode se beneficiar da uma economia a hidrogênio e seu uso em células de combustível.

Francisco Alves 

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27/10/2022 17:03h

Guerra da Ucrânia teria sido principal motivo para o aumento

Segundo dados do estudo Quick Trade Facts, elaborado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), 2022 registrou avanço nas relações comerciais entre Brasil e Canadá, principalmente pela concretização de novos negócios e por um forte salto na compra de fertilizantes pelo Brasil, que sozinhos representaram 76% do total das importações, impulsionada especialmente por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia. 

Nos nove primeiros meses do ano, a corrente de comércio – que representa a soma das importações e exportações - totalizou US$ (FOB) 8,223 bilhões (novo recorde histórico), já superando os US$ (FOB) 7,497 bilhões alcançados no acumulado dos 12 meses de 2021. Isto corresponde a um incremento de 62,5% registrados em igual período do ano passado. O saldo comercial nos nove meses ficou negativo para o Brasil em US$ (FOB) 333,7 milhões, impactado pelo avanço das importações.

Considerando o período janeiro-setembro de 2022, o Canadá se manteve na 13ª posição como o maior destino das exportações brasileiras. Já no ranking das importações, o país norte-americano avançou da 10ª posição para o 8º lugar. “Em toda a história comercial entre Brasil e Canadá, nunca se viu uma relação tão profunda como a atual. O Canadá, que já representa o maior destino internacional dos estudantes brasileiros, está agora na mira das empresas que não apenas querem se internacionalizar, como também expandir os negócios e criar bases de operações na América do Norte”, avalia Paulo de Castro Reis, diretor de Relações Institucionais da CCBC.

Segundo Reis, o ano foi marcado por grandes eventos e missões comerciais de diversos setores estratégicos, o que contribuiu para que investidores brasileiros conhecessem o ecossistema de inovação canadense, além de conseguir compartilhar conhecimentos e ideias para firmar novas parcerias e acordos comerciais. As compras de produtos canadenses totalizaram US$ (FOB) 4,278 bilhões nos três primeiros trimestres deste ano, disparando 164% frente a janeiro-setembro de 2021, quando somaram US$ (FOB) 1,620 bilhão. Dentre os produtos mais adquiridos pelo Brasil estão, em especial, adubos ou fertilizantes químicos, cuja alta significativa foi 317%, totalizando US$ (FOB) 3,2 bilhões e representando 76% do total de importações, impulsionada principalmente pelos conflitos envolvendo a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, incluindo suas partes, representaram 6,3% do total importado, contabilizando US$ (FOB) 271 milhões, enquanto a compra pelo Brasil de aeronaves e outros equipamentos atingiram US$ (FOB) 152 milhões ou 3,5% da soma geral de importações.

Os embarques ao Canadá totalizaram US$ (FOB) 3,944 bilhões até setembro, um aumento de 15% em comparação a igual período do ano anterior, quando foram registradas vendas externas de US$ (FOB) 3,438 bilhões. Os principais destaques nas exportações brasileiras ao Canadá e com maior peso na balança comercial no período foram: ouro (31% do total exportado); alumina (óxido de alumínio, exceto corindo artificial), representando 29% do total; e açúcares e melaços (8,9%).

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24/10/2022 16:39h

A estimativa da entidade é que neste ano a demanda por aço recue 2,3%, e cresça 1% no próximo ano, para 1,814 milhões de toneladas

A worldsteel atualizou o Short Range Outlook (SRO) para os anos de 2022 e 2023. A estimativa da entidade é que neste ano a demanda por aço atinja 1,796 milhões de toneladas, um recuo de 2,3%, e cresça 1% no próximo ano, para 1,814 milhões de toneladas. A demanda por aço registrou seu melhor desempenho em 2021, quando houve alta de 2,8%. 

A previsão atual representa uma revisão para baixo em relação a 2021, refletindo a repercussão da alta da inflação e do aumento das taxas de juros globais. “A economia global é afetada pela inflação persistente, aperto monetário dos Estados Unidos, desaceleração econômica da China e as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia. Preços de energia elevados, taxas de juros crescentes e confiança em queda levaram a uma desaceleração nas atividades dos setores que utilizam o aço. Como resultado, nossa previsão atual para o crescimento da demanda global por aço foi revisada para baixo em comparação com a anterior”, disse Máximo Vedoya, CEO da Ternium e Presidente do Comitê de Economia do worldsteel.

Segundo Máximo, a perspectiva para o próximo ano depende do impacto do aperto das políticas monetárias e da capacidade dos bancos centrais de ancorar as expectativas de inflação. “Particularmente, as perspectivas da União Europeia estão sujeitas a mais riscos de queda devido à alta inflação e à crise de energia que foram exacerbadas pela guerra Rússia-Ucrânia”. 

No âmbito global, o ambiente econômico deteriorou-se significativamente em 2022, à medida que o risco de inflação se materializou, juntamente com outros percalços como a guerra Rússia-Ucrânia e os bloqueios da China. A guerra Rússia-Ucrânia aumentou a pressão inflacionária desencadeada pelos desequilíbrios de oferta e demanda pós-bloqueio, à medida que a guerra interrompeu o fornecimento de energia e alimentos e interveio na normalização das cadeias de suprimentos. 

Na Europa, onde a dependência do fornecimento de gás russo é alta, as atividades econômicas, bem como a confiança, são fortemente afetadas pela crise energética. Junto a isso, os aumentos das taxas de juros e o dólar forte do FED impulsionaram os riscos de recessão norte-americana e terão um efeito cascata para o resto do mundo por meio de saídas de capital nas economias emergentes.

Os problemas da cadeia de suprimentos diminuíram um pouco em 2022, mas continuaram a restringir as atividades de produção à medida que surgiram novas interrupções. Caso a guerra não termine em breve e a China continue mantendo sua rígida política de contenção da COVID por enquanto, os gargalos de oferta não se dissiparão completamente, apesar da desaceleração da demanda. Entre os principais riscos que podem ser gerados estão o efeito do aperto monetário, a continuação da inflação, a direção da economia chinesa e sua política de COVID, a potencial crise de abastecimento de gás na Europa e o agravamento da guerra russo-ucrânia com consequências inesperadas.

Na China, a recuperação da demanda por aço no final de 2021 foi revertida no segundo trimestre de 2022, pois os repetidos bloqueios da COVID levaram a um arrefecimento drástico da economia chinesa. O investimento em infraestrutura está se recuperando devido às medidas do governo e fornecerá algum suporte à demanda por aço no final de 2022 e 2023. No entanto, enquanto o setor imobiliário permanecer deprimido, a demanda por aço na China caiu 6,6% até agosto de 2022. Para todo o ano, a demanda por aço deve cair 4% com o baixo efeito base do segundo semestre de 2022. 

Em 2023, novos projetos de infraestrutura e uma leve recuperação no mercado imobiliário podem evitar uma maior contração da demanda por aço. 

Nas economias avançadas, a recuperação da demanda por aço sofreu um grande revés em 2022 devido à inflação sustentada e aos gargalos duradouros do lado da oferta. A guerra na Ucrânia deu mais impulso às questões de inflação e cadeia de suprimentos, principalmente no Bloco Europeu, que enfrenta condições económicas difíceis com inflação elevada e crise energética. 

A demanda de aço na UE deverá cair 3,5% em 2022. Com a falta de perspectiva de uma melhoria imediata na situação do fornecimento de gás, a demanda de aço na UE continuará em baixa no próximo ano, com um risco significativo de queda em caso de inverno rigoroso ou novas interrupções no fornecimento de energia. Há também possíveis consequências de longo prazo para a estrutura da economia e, portanto, para a demanda de aço, se as restrições econômicas continuarem no nível atual. Por outro lado, se a guerra Rússia-Ucrânia terminar mais cedo do que o esperado, há um potencial positivo. 

A recuperação dos Estados Unidos está próxima de terminar graças à atuação do FED, que busca aumentos agressivos de juros para conter a inflação. Espera-se que as atividades manufatureiras esfriem acentuadamente graças ao ambiente econômico fraco, dólar forte e mudança de gastos de bens para serviços. No entanto, o setor automotivo deve continuar em alta devido à demanda reprimida e ao alívio das restrições da cadeia de suprimentos. O setor de construção enfrentará dificuldades devido à flexibilização do boom imobiliário e à recuperação atrasada do setor não residencial devido ao aumento do custo dos materiais e às altas taxas de juros. A nova Lei de Infraestrutura, no entanto, impulsionará fortemente o investimento em infraestrutura, e o aumento do investimento no setor de energia apoiará o crescimento da demanda por aço, apesar do enfraquecimento da economia. 

No Japão, a recuperação da demanda de aço enfraqueceu, pois o aumento do custo dos materiais e a escassez de mão-de-obra levaram a atrasos na construção. No entanto, com o apoio dos setores de construção e máquinas não residenciais, a demanda por aço continuará sua recuperação moderada em 2022. O crescimento na indústria automotiva com o alívio das restrições da cadeia de suprimentos permitirá uma recuperação contínua da demanda de aço em 2023. Já na Coreia do Sul, a perspectiva sobre a demanda do aço piorou e deve cair este ano, devido à contratação de investimentos e construção de instalações. 

A recuperação em 2023 será liderada pela flexibilização dos gargalos da cadeia de suprimentos de automóveis e uma perspectiva aprimorada para entregas e construção de navios. No entanto, a recuperação da manufatura será limitada devido à fraca economia global. 

Os dois países asiáticos enfrentam riscos negativos devido à piora das perspectivas econômicas globais, já que seus setores que usam aço têm uma alta exposição às exportações. A demanda por aço no mundo desenvolvido cairá 1,7% e se recuperará 0,2% em 2022 e 2023, respectivamente, após se recuperar 16,4% em 2021 da queda pandêmica de 12,3%.

Muitas economias em desenvolvimento, especialmente as importadoras de energia, estão experimentando inflação mais aguda e ciclos de aperto monetário que começaram antes das economias desenvolvidas. Ainda assim, as economias asiáticas em desenvolvimento de rápido crescimento, como a Índia e a ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), manterão um alto crescimento, sustentado pela força estrutural da economia doméstica.

A demanda por aço da Índia mostrará um alto crescimento devido ao forte consumo urbano e gastos com infraestrutura, o que também impulsionará a demanda por bens de capital e automóveis, entre outras coisas.

Na região da ASEAN , a demanda por aço teve um início lento de recuperação da pandemia, com a recuperação da construção atrasada. No entanto, em 2022, a demanda por aço da região vem apresentando forte crescimento à medida que os governos estão pressionando por projetos de infraestrutura. Prevê-se um crescimento particularmente forte na demanda de aço na Malásia e nas Filipinas.

Por outro lado, países da América do Sul e Central terão uma grande desaceleração na demanda de aço, uma vez que a região enfrenta desafios de um ambiente de alta inflacionária. Após uma recuperação excepcional em 2021, a demanda por aço em muitos países da América do Sul e Central sofrerá uma contração em 2022, com significativa desestocagem e desaceleração da construção.

Na região MENA , a demanda por aço continua resiliente devido aos países exportadores de petróleo se beneficiarem dos altos preços do petróleo e dos megaprojetos de infraestrutura no Egito. No entanto, os altos preços do petróleo não levaram a um grande aumento nos novos projetos de construção nos países do GCC, já que os governos estão tentando construir amortecedores fiscais.

Na Turquia , a depreciação da lira e a alta inflação estão prejudicando suas atividades de construção, levando a uma contração da demanda por aço em 2022 e apenas uma recuperação limitada em 2023.

Apesar das pesadas sanções impostas à Rússia, a demanda por aço deverá contrair menos do que o previsto no início da guerra, principalmente devido aos altos preços do petróleo e às medidas de apoio do governo à construção. No entanto, os setores automobilístico e de máquinas sofreram uma forte contração devido à sua alta dependência de peças e componentes importados. Em 2023, espera-se que a demanda por aço tenha uma contração mais profunda à medida que as sanções se tornam mais fortes ao longo do tempo. A demanda por aço na Ucrânia assolada pela guerra contraiu mais de 50% em 2022, mas espera-se uma recuperação parcial em 2023 devido às atividades de reconstrução.

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Brasil Mineral
24/10/2022 16:18h

A redução da produção e da demanda de aço na China influencia diretamente o desempenho da mineração brasileira em termos de produção e exportação

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) divulgou que o faturamento do setor mineral alcançou R$ 75,8 bilhões, uma queda de 30% sobre o mesmo trimestre de 2021. A produção mineral brasileira passou de 355 milhões para 365 milhões de toneladas nas comparações trimestrais, o que corresponde a um incremento de 3%. O valor é uma estimativa do IBRAM, em razão de a Agência Nacional de Mineração (ANM) ainda não ter divulgado os dados oficiais. “É um setor historicamente cíclico, sazonal, que sofre influências de diversas fontes. Ainda assim, mantém posição fundamental para a prosperidade econômica do Brasil, ao proporcionar oportunidades de emprego e arrecadação de tributos e encargos de forma expressiva” – R$ 26,1 bilhões de arrecadação de tributos e encargos no terceiro trimestre de 2022, disse o diretor-presidente do IBRAM, Raul Jungmann. 

A redução da produção e da demanda de aço na China influencia diretamente o desempenho da mineração brasileira em termos de produção e exportação. Além disso, há restrições à produção industrial na China em razão da Covid-19, fenômenos climáticos, como tufões e chuvas intensas, que também influenciam o mercado e a produção de aço no país asiático, principal consumidor de minério de ferro brasileiro – entre outros minérios. Os conflitos na Ucrânia também estão prejudicando os mercados, acrescenta o IBRAM, com reduções na oferta de minério e crise de energia reduzindo a produção de aço na Europa.

Investimentos mantidos 

Entre 2022 e 2026, a mineração tem programado investimentos de US$ 40 bilhões no Brasil, sendo cerca de US$ 4 bilhões em investimentos socioambientais. “É um imenso volume de capital, que poderia ser muito maior, se o Brasil contasse com instrumentos de financiamento da atividade mineral, como mantém para outros setores igualmente importantes, como o agronegócio”, afirma Jungmann. O setor gerou mais de 5,6 mil vagas nos oito primeiros meses de 2022, totalizando 203,8 mil vagas diretas, segundo dados oficiais (Novo CAGED). De janeiro de 2021 a agosto de 2022 são 18.313 vagas criadas.

O minério de ferro respondeu por 64% do faturamento total no trimestre. O desempenho de faturamento desse minério apresentou queda de 43%, sendo R$ 48,2 bilhões no trimestre e R$ 85,1 bilhões no mesmo período de 2021. Já o faturamento relacionado ao ouro caiu 4% entre julho e setembro de 2022, para R$ 6,2 bilhões O ouro representou 8% do faturamento da indústria mineral no trimestre. 

O faturamento do cobre caiu 13%, para R$ 4 bilhões no terceiro trimestre. O cobre respondeu por 5% do faturamento total no período. Calcário dolomítico, bauxita e granito tiveram altas expressivas no trimestre, de 35%, 51%, e 46%, respectivamente, sobre o mesmo trimestre de 2021. Os valores foram de R$ 3,2 bilhões; R$ 1,8 bilhão; R$ 1,5 bilhão, respectivamente. 

Entre os estados mineradores, Minas Gerais teve faturamento de R$ 29,7 bilhões, decréscimo de 38%, enquanto o Pará caiu 37%, para R$ 29,7 bilhões. No trimestre, os dois estados responderam com 39% cada um na produção mineral total. Goiás registrou crescimento no faturamento total de 30%, para R$ 2,9 bilhões e respondeu por 4% da produção mineral brasileira no trimestre, enquanto a Bahia faturou R$ 2,5 bilhões, 3% a menos sobre o mesmo trimestre de 2021. O estado respondeu por 3% da produção mineral brasileira no terceiro trimestre. 

São Paulo e Mato Grosso obtiveram faturamento de R$ 2,2 bilhões (+20%) e R$ 2,1 bilhões (+25%) na comparação com o mesmo trimestre do último ano. O estado paulista tem sua produção focada principalmente em agregados para a construção civil e granito, sendo que o estado também é importante produtor de água mineral e fosfato. Já o mato Grosso produz ouro e calcário dolomítico, este muito usado na correção de solos. Os dois estados responderam, cada um, por 3% da produção mineral brasileira. 

O saldo mineral somou US$ 6,8 bilhões no terceiro trimestre de 2022, uma redução de 56,40% na comparação com o mesmo trimestre de 2021. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o Brasil faturou menos nas exportações minerais – pela queda nos preços das commodities minerais –, porém, exportou 1,3% a mais em toneladas de minérios: 105 milhões t. Assim, as exportações de minérios totalizaram US$ 11,6 bilhões, 36,8% abaixo do total no mesmo trimestre de 2021. O minério de ferro respondeu por 70,5% das exportações brasileiras, com 101,5 milhões de toneladas embarcadas no trimestre. Em receita, as vendas externas caíram de US$ 14,9 bilhões, para US$ 8,2 bilhões nas comparações trimestrais. Entre os maiores compradores estão China - 72,2%; Malásia - 5,9%; Japão - 3,1%; Barein - 3,1%; Omã - 2,5%. 

As exportações de ouro responderam por 11% e totalizaram US$ 1,3 bilhão para a venda de 27 toneladas no trimestre, queda de 4%. As exportações de cobre cresceram 3,2% em toneladas, para 331,1 milhões de toneladas e responderam por 7% do total. As exportações de caulim se destacaram positivamente, crescendo tanto em toneladas (38,5%) quanto em dólar (54%): no 3T21 totalizaram US$ 28,1 milhões para a venda de 221 milhões de toneladas no trimestre. 

Em relação às importações, o Brasil gastou US$ 4,8 bilhões para comprar cerca de 9,7 milhões de toneladas no terceiro trimestre de 2022, uma queda de 20,5% sobre o mesmo período de 2021. As importações cresceram no trimestre, especialmente de carvão mineral (65,1%), potássio (133%), enxofre (112,1%) e rocha fosfática (80,7%). Mas, em toneladas, houve declínio nas compras desses minérios, à exceção do enxofre. 

CFEM 

O recolhimento da CFEM no 3T22 (R$ 1,96 bilhões) apresentou elevação de 8,8% na comparação com o 2T22, mas queda de 40,5% na comparação com o 3T21, quando foram arrecadados R$ 3,3 bilhões. 

O recolhimento de CFEM sobre minério de ferro representou 85% do total nacional no 3T22, com um valor e R$ 1,66 bilhão, 43,8% a menos do que no 3T21. A CFEM referente ao ouro (4,8% do total nacional) foi de R$ 93 milhões no 3T22 (-4,6%). A CFEM sobre cobre (4,1 do total nacional) foi de R$ 80 milhões no 3T22 (-12,3%). A CFEM sobre bauxita (2,6% do total nacional) foi de R$ 50 milhões no 3T22 (+44%).

O recolhimento de CFEM por estado apresentou variação negativa nos principais estados mineradores. Em Minas Gerais o valor foi de R$ 837 milhões no 3T22, ou seja, 46,8% a menos do que no 3T21; no Pará foi de R$ 833 milhões (-44,2%). Na Bahia o valor de CFEM foi de R$ 44 milhões no 3T22 (-17,8%). Em Goiás o recolhimento aumentou: R$ 50 milhões, ou seja, 22% a mais no 3T22; no Mato Grosso também foi positivo: R$ 32 milhões, ou seja, 14,1% a mais.

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24/10/2022 16:08h

Ferro respondeu por 93%, com um volume de 2,8 bilhões de toneladas, das quais 2,6 bilhões de toneladas foram extraídas do solo

Segundo dados do United States Geological Survey (USGS), de todos os minérios extraídos em 2021, o minério de ferro respondeu por 93%, com um volume de 2,8 bilhões de toneladas, das quais 2,6 bilhões de toneladas foram extraídas do solo. Do total, 98% são convertidos em ferro-gusa para produção do aço.

Quanto aos chamados minerais industriais, o mundo extraiu mais de 181 milhões de toneladas no último ano, sendo que o alumínio responde por quase 40%, tendo a China como seu maior produtor, com mais da metade da produção global de alumínio. A indústria da construção utiliza cerca de 25% do alumínio produzido anualmente, com 23% indo para o transporte. 

O cromo, metal menos conhecido, tem papel fundamental na fabricação de aço inoxidável, que em sua composição conta com 10% a 30% de cromo, aumentando para aumentar sua resistência à corrosão. 

Cobre, manganês e zinco completam os cinco principais metais industriais extraídos em 2021, cada um com suas propriedades e funções únicas na economia.

Dentre os metais tecnológicos, destacam-se aqueles utilizados em tecnologia e dispositivos. Comparados aos metais industriais, eles geralmente são extraídos em menor escala e podem ter um crescimento mais rápido do consumo à medida que o mundo adota novas tecnologias. O rênio, um dos metais mais raros, é usado em superligas que são críticas para as lâminas de turbinas de aeronaves e turbinas a gás. A indústria do petróleo o utiliza em catalisadores de rênio-platina para produzir gasolina de alta octanagem para veículos. 

Quanto ao lítio, a produção mais que dobrou desde 2016, devido à sua utilização na fabricação de baterias para veículos elétricos. No mesmo período, a produção global de terras raras mais que dobrou, impulsionada pela crescente demanda por ímãs. O índio é outro metal interessante nesta lista, já que sua grande parte é usada para fazer óxido de índio-estanho, um componente importante de telas sensíveis ao toque, telas de TV e painéis solares. 

A produção global de minério de ferro e alumínio mais do que triplicou em relação a meados da década de 1990 e outros metais, como cobre e aço, também tiveram um crescimento significativo no consumo.

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Brasil 61