Brasil Mineral

11/04/2026 04:50h

Inscrições abertas para o 11º. Mineração &/X Comunidades, o principal fórum brasileiro para diálogo entre a indústria mineral e comunidades impactadas, abordando ESG, sustentabilidade e licenciamento social.

A Comissão Organizadora informa que estão abertas as inscrições para participação no 11º. Mineração &/X Comunidades, principal fórum brasileiro dedicado ao diálogo entre a indústria mineral e as comunidades impactadas por seus projetos. Organizado por Brasil Mineral, com coordenação técnica da Integratio e apoio de entidades do setor, como a Fiemg/Sindiextra, o evento é realizado anualmente há mais de uma década, tendo se consolidado como espaço indispensável para discutir questões como ESG, sustentabilidade, licenciamento social, direitos de comunidades tradicionais e legados da atividade mineral.

A 11ª. edição acontecerá nos dias 16 e 17 de junho de 2026, em Belo Horizonte, tendo como tema central “O ESG Resolve o X da Questão?” e abordará tópicos como “O ESG acabou?”, “Casos práticos de ESG”, “Relacionamento com comunidades tradicionais”, “Projetos colaborativos entre empresas e entes públicos”, “Programas de Apoio e Fortalecimento dos Municípios”, “Institutos e Fundações como diferenciais para a prática do ESG”, além de outros

Um ponto alto da programação será o anúncio e premiação dos vencedores do II Prêmio Mineração & Comunidades, que reconhece as melhores práticas e projetos desenvolvidos junto a comunidades de territórios mineradores.

Outro destaque será o Fórum de Líderes, no qual executivos de mineradoras discutirão como estão aplicando as práticas de ESG nas organizações que dirigem.

As vagas para o evento são limitadas. Para mais informações, e inscrições, acesse www.mineracaoecomunidades.com.br

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09/04/2026 04:50h

Debate promovido pela Brasil Mineral reúne lideranças do setor para discutir o impacto das novas tecnologias, a urgência de rever processos e o papel central das pessoas na reinvenção da engenharia de projetos minerais

Em um momento em que a mineração global é pressionada por demandas simultâneas de eficiência, sustentabilidade e velocidade, a engenharia mineral no Brasil se vê diante de uma encruzilhada. De um lado, um arsenal tecnológico sem precedentes — inteligência artificial, modelagem avançada, digitalização de processos e integração de dados em escala nunca antes disponível. De outro, desafios estruturais que persistem: formação de talentos, cultura organizacional, fragmentação entre disciplinas e a dificuldade histórica de transformar inovação em prática efetiva.

Foi a partir desses aspectos que se desenvolveu o debate promovido pela Brasil Mineral, reunindo profissionais com trajetórias complementares e forte atuação no setor. Os moderadores foram os conselheiros da revista: Cláudia Diniz, engenheira química de formação com mestrado e doutorado em processamento mineral, MBA em negócios de mineração e uma carreira de mais de 20 anos no setor – é cofundadora do Mining Hub e do Women in Mining Brasil (onde também exerce o cargo de diretora). Em 2016 ela foi premiada como uma das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo da mineração, concedido pelo Women in Mining UK. Hoje trabalha na Accenture. O outro conselheiro que atuou como moderador foi Arão Portugal, profissional de vasta experiência no setor, formado em administração de empresas com especialização em comércio exterior e com MBA em Supply Chain. Em sua carreira ele teve passagens pela Vale, foi vice-presidente administrativo da Yamana Global e Country Manager do Brasil, passando depois pela Amarillo Gold, atuando no projeto Mara Rosa, até a empresa ser adquirida pela Hochschild Mining. Hoje Arão é consultor no setor, com importante presença na Aclara Resources, mineradora de terras raras, cujo projeto está sendo desenvolvido no nordeste de Goiânia, local de grande desafio logístico.

Como debatedores, o encontro contou com a presença de Mara Estanislau, vice-presidente Brasil da Ausenco; Maria de Lourdes Bahia, vice-presidente da área de Mineração e Metalurgia para a América Latina da AtkinsRéalis; Bruno Vartuli, diretor de Ferrosos e Leves da Hatch, responsável pelas operações no Brasil; Saulo Liberato, diretor da DMT no Brasil, empresa com foco em geologia e análise de projetos; Alexandre Baltar, vice-presidente da Abremi (Associação Brasileira de Engenheiros de Minas); e do Professor Maurício Bergerman, engenheiro de minas com passagem profissional pela Vale nas áreas de cobre e ferrosos. Foi docente da Universidade Federal de Alfenas, vindo depois para a Poli/USP na área de tratamento de minérios, onde possui mestrado e doutorado. Pelo lado da academia, ele ressaltou duas questões: como a mineração incorpora novas tecnologias e como o Brasil lida com o desenvolvimento tecnológico, sempre mais difícil nos países em desenvolvimento.

Ao longo da conversa, mais do que discutir tendências, o grupo buscou responder a uma provocação central: se fosse possível redesenhar hoje o modelo de desenvolvimento de projetos de engenharia de capital, por onde começar — tecnologia, processos ou pessoas?

A discussão revelou rapidamente que, embora a tecnologia avance em ritmo acelerado, sua adoção ainda esbarra em barreiras menos visíveis, porém mais complexas. A cultura organizacional, a baixa maturidade digital de parte das empresas, a falta de integração entre etapas dos projetos e a carência de profissionais com formação híbrida surgiram como entraves recorrentes. Ao mesmo tempo, destacou-se a existência de um descompasso crescente entre a velocidade da inovação e a capacidade de adaptação das organizações.

Outro ponto de convergência foi o reconhecimento de que o setor atravessa uma lacuna de experiência. Após ciclos de crise e retração, somados aos efeitos da pandemia, parte significativa da nova geração de engenheiros ainda não vivenciou projetos completos, o que impacta diretamente a qualidade das decisões e reforça a necessidade de maior aproximação entre academia e indústria.

Nesse contexto, temas como gestão de riscos, revisão das metodologias tradicionais de projeto, incorporação gradual de tecnologias e fortalecimento de modelos colaborativos ganharam protagonismo. A Inteligência Artificial, por sua vez, apareceu como ferramenta estratégica, mas longe de ser uma solução autônoma — seu valor depende, sobretudo, da qualidade dos dados e da capacidade analítica de quem a utiliza.

Ao final, mais do que apontar respostas definitivas, o debate deixou clara a complexidade do momento vivido pela engenharia mineral. A transformação em curso não será conduzida apenas por avanços tecnológicos, mas pela capacidade do setor de alinhar pessoas, processos e inovação em uma mesma direção — com mais integração, mais visão sistêmica e, sobretudo, mais consciência sobre o papel da engenharia na construção da mineração do futuro.

Leia a matéria completa na edição 455 da Brasil Mineral

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08/04/2026 04:50h

AMIG Brasil critica a falta de transparência da ANM na distribuição da CFEM, questionando a clareza dos critérios e a disponibilidade de dados para os municípios afetados pela mineração

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) apontou falhas sobre os critérios utilizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM) na distribuição da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) para os municípios afetados pela atividade mineral no Brasil. A ausência de dados detalhados e a indefinição sobre quais órgãos são responsáveis por determinadas informações têm levantado questionamentos sobre a transparência do processo e sobre a possibilidade de os municípios conferirem se os repasses estão sendo realizados corretamente. Segundo Filipe Gaeta, consultor de Municípios Afetados da entidade, “as dificuldades aparecem principalmente quando as prefeituras precisam contestar ou verificar os valores calculados pela ANM”.

O problema ficou evidente após a divulgação, em 23 de abril de 2025, das listas prévias dos municípios beneficiários da CFEM considerados afetados pela presença de ferrovias, portos e dutovias. Os repasses referem-se ao ciclo de distribuição da CFEM recolhida entre maio de 2025 e abril de 2026. “Alguns municípios não conseguiram apresentar recursos dentro do prazo estabelecido porque não tiveram acesso a informações necessárias para fundamentar seus questionamentos”, afirma Gaeta. Esses dados estão previstos no artigo 5º, §3º da Resolução nº 143/2023 da ANM, que estabelece quais documentos devem ser apresentados pelos municípios à Superintendência de Arrecadação e Fiscalização de Receitas da agência em caso de recurso administrativo.

Entre os documentos exigidos estão declarações que deveriam ser emitidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), como documento declaratório descrevendo a tonelada média de minério transportado nas ferrovias ou dutovias do município; documento informando a extensão da malha ferroviária ou dutoviária associada ao transporte de substâncias minerais no território municipal. Segundo Gaeta, na prática esses documentos são de difícil obtenção. “A ANM exige, para a apresentação de recursos, documentos cuja emissão seria de competência da ANTT. Porém, quando a AMIG Brasil questionou a agência de transportes, a resposta foi de que esses dados não existem da forma como são solicitados”, afirma.

A AMIG Brasil enviou ofício à ANTT em maio de 2025, onde solicitou esclarecimentos sobre a disponibilidade dessas informações. Na resposta encaminhada em 4 de junho do mesmo ano, a agência informou que não possui dados sobre a quantidade de substâncias minerais transportadas por município. A ANTT também afirmou que a validação de todas as cargas transportadas por ferrovia não é atribuição da agência; não há segmentação municipal da malha ferroviária em seus arquivos geográficos e que normas editadas pela ANM não se aplicam automaticamente à ANTT, já que as autarquias possuem competências regulatórias distintas. Para Gaeta, essa posição cria um impasse regulatório. “A resolução da ANM exige documentos cuja emissão dependeria da ANTT, mas a própria ANTT afirma que não possui essas informações. Isso gera uma situação em que o município precisa apresentar dados que não estão disponíveis”, explica.

A AMIG solicitou um posicionamento da ANM em agosto de 2025, mas na resposta a agência informou que os municípios poderiam utilizar os dados fornecidos pela ANTT em um processo administrativo específico. Segundo o consultor da AMIG Brasil, a orientação não resolve o problema. “Se a própria ANTT informou que não possui os dados exigidos, protocolar informações inexistentes não trará nenhuma solução real para esse impasse ”, afirma.

A associação voltou a questionar a ANM em novembro de 2025, pedindo esclarecimentos sobre três pontos principais: qual órgão poderia fornecer os dados sobre transporte de minério por município, quem seria responsável pela fiscalização das cargas minerais transportadas e como os municípios poderiam acessar informações sobre a extensão da malha ferroviária e dutoviária em seus territórios. Até o momento relatado pela entidade, não houve resposta.

Além da dificuldade de obter os documentos relatados, os municípios afirmam não ter acesso à outras informações que também são utilizadas pela ANM para calcular os repasses da CFEM. Como existem municípios afetados por ferrovias, dutovias, portos e estruturas de mineração, entre os dados considerados essenciais estão: Ferrovias - a tonelagem de minério transportado por ferrovias  em todo o estado produtor e afetado; Dutovias - o somatório total das dutovias associadas a determinado processo minerário; Portos - quantidade de substâncias minerais transportadas nos portos, quantidade de substâncias transportadas nos portos (independentemente de serem substâncias minerais) e quantidade de substâncias minerais transportadas nos portos do país; Estruturas - área da estrutura em hectares e quantidade de minério que foi viabilizado por aquela estrutura.

Essas variáveis são fundamentais para a definição dos valores repassados aos municípios afetados.

A ausência de dados detalhados também tem levado alguns municípios a questionar os valores recebidos. De acordo com Gaeta, há casos em que municípios vizinhos, atravessados pela mesma ferrovia e sem pontos de carga ou descarga de minério, recebem valores diferentes da CFEM. “O município de Jeceaba, em Minas Gerais, é um exemplo em que a extensão da malha ferroviária em seu território é maior do que no município vizinho, Entre Rio de Minas. Porém, Jeceaba recebe valor de CFEM menor, mas como a quantidade de minério que passa por ambos é o mesmo, surgem dúvidas sobre os critérios utilizados”, afirma. Segundo Gaeta, sem acesso aos dados utilizados pela ANM, o município não consegue demonstrar tecnicamente eventuais inconsistências. “Sem as informações básicas, fica praticamente impossível fundamentar um recurso administrativo”, diz.

Na prática, a principal consequência da falta de transparência é a impossibilidade de verificar se os repasses estão corretos. “Os municípios não conseguem ter certeza se os valores da CFEM estão sendo calculados de forma adequada”, afirma Gaeta. “Caso haja erro no cálculo ao longo dos anos, é possível que ele não gere uma expectativa de receita frustrada, já que os municípios não sabem previamente qual valor deveriam receber. Porém, além de ser injusto que os repasses sejam feitos em desacordo com a legislação, impede que recursos sejam investidos em melhoria da qualidade de vida da população desses territórios”, afirma. Outro ponto apontado pelos municípios é a falta de acesso ao Relatório Anual de Lavra (RAL), documento elaborado pelas empresas mineradoras com informações sobre produção e comercialização de minerais. As mineradoras entregam esse relatório diretamente à ANM, responsável pela fiscalização da arrecadação da CFEM.

Segundo Gaeta, os municípios não recebem essas informações. “O RAL traz dados essenciais sobre produção e quantidade comercializada de substâncias minerais, que são fundamentais para conferir os cálculos da CFEM”, explica. Para ele, a ausência de acesso direto ao documento não seria um problema caso a ANM disponibilizasse de forma transparente os dados nele contidos. “Como a agência recebe essas informações e não as repassa aos municípios, o acesso direto ao RAL seria um facilitador para acompanhar a atividade mineral”, afirma. A preocupação dos municípios é que a situação se repita no próximo ciclo de distribuição. A ANM deve divulgar no primeiro semestre de 2026 as listas preliminares de municípios afetados referentes à CFEM recolhida entre maio de 2026 e abril de 2027. Como as dúvidas sobre as informações técnicas não foram solucionadas, a AMIG Brasil avalia que os municípios podem enfrentar novamente as mesmas dificuldades para apresentar recursos.

Para Gaeta, a principal mudança necessária é a ampliação da transparência nos sistemas de informação da ANM. “A agência precisa disponibilizar de forma clara os dados que utiliza para calcular os repasses da CFEM aos municípios afetados”, afirma. A AMIG Brasil também apresentou sugestões formais durante a tomada de subsídios nº 1/2025 da ANM, aberta para avaliar os resultados da resolução que regulamenta a distribuição da CFEM. Entre as propostas está a ampliação de mecanismos de cooperação entre a ANM e os municípios afetados. Atualmente, municípios produtores podem firmar Termos de Cooperação Técnica com a agência para auxiliar na fiscalização da atividade mineral e no acompanhamento da arrecadação da CFEM. A entidade defende que esse mecanismo também seja estendido aos municípios afetados. Segundo Gaeta, isso permitiria acesso a informações relevantes, como dados cadastrais relacionados à arrecadação da CFEM; valores arrecadados por empresa e substância mineral; informações do trimestre anterior de arrecadação e acesso ao Relatório Anual de Lavra quando necessário para verificar a produção mineral. “A possibilidade de firmar esse acordo de cooperação permitiria que os municípios afetados também acompanhassem a produção e o recolhimento da CFEM, mesmo que a extração não ocorra em seus territórios”, explica. Ele afirma que o acesso a essas informações presentes no Relatório Anual de Lavra (RAL) também ajudaria a verificar dados relacionados ao transporte mineral em ferrovias e minerodutos. “Com mais transparência e acesso a dados técnicos, os municípios poderiam conferir os cálculos da compensação e exercer melhor o controle sobre os repasses previstos em lei”, conclui.

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07/04/2026 04:50h

Para o ano-base 2025, portanto, com base na revisão da ANM, considerando a reserva de 11,4 Mt e a reserva global diminuída de 85 Mt para 75 Mt de OTR, o Brasil ainda está em 2º lugar, com participação de 15%

Um conjunto de minerais e materiais é essencial para a transição energética e uma vasta gama de tecnologias avançadas. É o caso dos elementos terras raras (ETR), de crescente importância na geopolítica. Este artigo faz uma atualização das reservas [1] e apresenta informações sobre produção mineral de ETR, refino, investimentos e estimativas de valor de mercado dos ETR e produtos derivados. 

As reservas dos diversos minerais passam por revisões periódicas a partir de informações fornecidas por empresas e governos. A principal referência internacional no tema é a publicação anual do U.S. Geological Survey, Mineral Commodity Summaries [2]. Segundo a mais recente edição, de 2026 (ano-base 2025), o total das reservas de terras raras, medidas em óxidos totais de terras raras equivalente (OTR), tem decrescido: 110 milhões de toneladas (Mt) em 2023, 90 Mt em 2024 e 85 Mt em 2025. A China lidera, com 44 Mt (52% das reservas), enquanto em 2º lugar está o Brasil, com 21 Mt (25%) e a Austrália em 3º lugar, com 6,9 Mt (7,4%), como ilustra a tabela.

Entretanto, a Agência Nacional de Mineração (ANM) revisou para baixo as reservas brasileiras, de 21 Mt para 11,4 Mt de OTR, conforme destacado no Sumário Mineral 2025 Ano-Base 2024 [3]. A revisão deu-se a partir do Relatório Anual de Lavra (RAL) de 2023 (ano-base 2022), seguindo a norma da Comissão Brasileira de Recursos e Reservas (CBRR): os recursos são classificados como inferidos, indicados e medidos; as reservas, como prováveis e provadas. Ao alinhar-se às boas práticas internacionais, com a Resolução 94/2022, a ANM apresenta maior precisão nos dados reportados. O próprio USGS, em 2010, adotou o padrão do Committe for Mineral Reserves International Reporting Standards (CRIRSCO), ao qual a CBRR está associada.

Para o ano-base 2025, portanto, com base na revisão da ANM, considerando a reserva de 11,4 Mt e a reserva global diminuída de 85 Mt para 75 Mt de OTR, o Brasil ainda está em 2º lugar, com participação de 15%, conforme a tabela. Essa revisão das reservas brasileiras feita pela ANM já deveria ter sido atualizada nas edições recentes do Mineral Commodity Summaries.

Posição País Reservas Mundiais 2023 (USGS) Reservas Mundiais 2023 (ANM)
China 44 Mt [52%] 44 Mt [58%]
Brasil 21 Mt [25%] 11,4 Mt [15%]
Austrália 6,9 Mt [7,4%] 6,9 Mt [9,2%]
Rússia 3,8 Mt [4,5%] 3,8 Mt [5,0%]
Vietnã 3,5 Mt [4,1%] 3,5 Mt [4,6%]
EUA 1,9 Mt [2,2%] 1,9 Mt [2,5%]
Groelândia 1,5 Mt [1,8%] 1,5 Mt [2,0%]
Tanzânia 0,89 Mt [1,1%] 0,89 Mt [1,2%]
A. do Sul 0,86 Mt [1,0%] 0,86 Mt [1,1%]
- Outros 0,65 Mt [0,76%] 0,65 Mt [0,86%]
TOTAL 85 Mt de OTR 75,4 Mt de OTR

Reservas de Terras Raras segundo USGS e ANM

Por outro lado, o Brasil ainda não considera oficialmente os depósitos de terras raras em argilas de adsorção iônica. Nos últimos 3-4 anos, algumas dezenas de junior mining companies, principalmente australianas e canadenses, intensificaram a prospecção e pesquisa mineral de ETR. De acordo com levantamento recente do Serviço Geológico do Brasil [4], considerando apenas quatro dos projetos listados, cerca de 2 Mt de OTR em depósitos de argila iônica estão classificados como reservas pelas empresas e provavelmente serão assim reconhecidas pela ANM com a análise dos relatórios de pesquisa. 

Isso mostra o potencial de aumento das reservas nacionais de ETR à medida que avançam as pesquisas minerais em outras áreas. Os depósitos de ETR em argilas iônicas são atraentes, por exigirem menor investimento e custos operacionais do que, por exemplo, os de carbonatitos. Esses depósitos apresentam ainda menores teores de elementos radioativos e maiores teores de ETR pesados, em comparação com minérios contendo bastenasita e monazita.

Nesse sentido, os investimentos em pesquisa mineral de ETR no Brasil cresceram, conforme a ANM, de apenas R$ 2 milhões em 2021 para R$ 19 milhões em 2022, R$ 31 milhões em 2023 e R$ 90 milhões em 2024. Os investimentos mundiais em pesquisa de ETR, segundo a S&P Global, alcançaram cerca US$ 150 milhões em 2024 e em 2025, com a Austrália liderando. O Brasil ficou em segundo lugar em 2024, com US$ 13 milhões investidos.

A produção mundial apresentou um aumento de quase cinco vezes ao longo deste século. Em 2000, foram 83 mil toneladas (83 kt) de OTR, 376 kt em 2023, 380 kt em 2024 e atingindo 390 kt em 2025 [2]. A China continua bem à frente, com 270 kt de OTR (69%), enquanto os EUA, que retomaram a produção há alguns anos, ocupam a 2ª posição, com 51 kt (13%), vindo após a Austrália, com 29 kt (7,4%). Segue Myanmar, com 22 kt (5,6%), Tailândia, com 4,8 kt (1,2%), Índia, com 2,9 kt (0,74%), Madagascar, com 2,7 kt (0,69%) e Rússia, com 2,6 kt (0,67%). Estima-se que os elementos magnéticos — os leves neodímio (Nd) e praseodímio(Pr) e os pesados, térbio (Tb) e disprósio (Dy) – representem cerca de 28% da produção mundial total de OTR [5]; ou seja, 106-109 kt nos dois últimos anos.

A produção do Brasil representou apenas 0,51%, ficando na 9ª posição [2]. Importa assinalar o início da operação da Mineração Serra Verde, em janeiro de 2024. Localizada em Minaçu-GO, é a primeira produção a partir de minério de argila iônica fora da Ásia. Com capacidade de 5 kt de OTR, a produção atingiu 560 t em 2024 e 2,0 kt em 2025. A tecnologia empregada é a lixiviação salina em tanque agitado, seguida das etapas de remoção de impurezas e de precipitação conjunta dos ETR. Isto resulta em um composto (concentrado) químico denominado Mixed Rare Earth Carbonate (MREC), que é exportado pela empresa. 

Entre 2026 e 2030, os investimentos em produção de terras raras no Brasil devem atingir US$ 2,4 bilhões, segundo levantamento do IBRAM. Até 2030, com base nos projetos mais avançados, o Brasil poderá produzir 40-50 kt de OTR, na forma de MREC ou concentrados minerais, passando de menos de 1% para cerca de 10% da produção mundial atual.

A China detém 85-90% da capacidade mundial de refino, abrangendo a separação dos ETR em óxidos, com a Malásia (> 5%) e a Estônia (> 3%) complementando. Além de refinar a própria produção mineral, a China importa concentrados minerais e MREC de outros países que ainda não apresentam capacidade instalada de refino, como o Brasil e os EUA (capacidade ainda incipiente). Por enquanto, apenas duas empresas no Brasil consideram acrescentar a etapa de separação/refino em seus projetos.

As avaliações de valor do mercado dos ETR e seus produtos apresentam geralmente grandes variações. Foi realizada uma pesquisa usando Inteligência Artificial [6]. O valor de mercado para os produtos da etapa upstream foi estimado em US$ 3 bilhões – concentrados minerais de rochas duras (70%) e carbonatos mistos de jazidas de argilas iônicas (30%).

O valor de mercado do midstream foi estimado em US$ 5 bilhões – óxidos separados (65%) e metais/ligas (35%). No midstream, os quatro elementos magnéticos respondem por volume relevante (30-35%) e muito valor (>80-90%), enquanto a dupla de elementos leves Ce e La representa muito volume (>65%) e muito pouco valor (<3%).

O downstream representa um mercado de US$ 40 bilhões, com os ímãs permanentes de ETR — em especial os de NdFeB (> 90%) — participando com 50%. Na sequência, destacam-se catalisadores automotivos (20-25%) e fósforos (10-5%), seguidos por catalisadores para refino de petróleo (10-5%), pós de polimento (<5%) e cerâmicas (<5%), entre outros.

Com 15% ou 25% das reservas de ETR, o Brasil enfrenta tanto o desafio quanto a oportunidade de converter esse potencial em desenvolvimento. A expansão da produção mineral é importante, mas deve ser acompanhada da captura de parte dos mercados midstream e downstream, promovendo a geração de empregos qualificados. Evidências internacionais indicam que, no segmento de terras raras, esse progresso não ocorre de forma espontânea.

O Brasil apresenta condições favoráveis para o desenvolvimento da cadeia produtiva de ETR e minerais críticos [7], como infraestrutura adequada, matriz energética renovável (powershoring) e diplomacia comercial ampla (friendshoring). Recentemente, projetos e PD&I de empresas têm recebido financiamento do BNDES e da Finep por meio da política Nova Indústria Brasil (NIB). Há iniciativas em curso para elaborar uma política mineral e industrial para minerais críticos e estratégicos por parte do Governo Federal e do Congresso Nacional, com sugestões do setor privado.

Entrementes, a geopolítica das terras raras tornou-se mais intensa, exigindo mais celeridade dos países em suas decisões. Além de um posicionamento soberano, o Brasil precisa avançar com agilidade, coordenação e estratégia, definindo ações para estruturar esse setor de modo competitivo e sustentável.

Por fim, convidamos os interessados em ETR a participarem do VII Seminário Brasileiro de Terras Raras, que ocorrerá nos dias 1º e 2 de julho, no Rio de Janeiro, no CETEM. Desde sua primeira edição, em 2011, o evento tem se consolidado como referência na área. Esta edição será organizada pelo CETEM em parceria com a Finep e o MCTI, contando com o apoio do MME. É mais uma oportunidade para atualização tecnológica e debates acerca das propostas nacionais relacionadas ao setor de terras raras.

Referências/Notas:

[1] Lins, F.A.F., Vera, Y.M. e Dourado, M.D.L. (2025). Brasil é o segundo em reservas de terras raras no mundo. Brasil Mineral, 19 de fevereiro. https://share.google/qHFdoacrvUkZTosij

[2] USGS Mineral Commodity Summaries.   https://www.usgs.gov/centers/national-minerals-information-center/mineral-commodity-summaries
[3] Sumário Mineral 2025 (Ano-Base 2024), ANM, 87p., p. 68-73.

[4] An overview of critical and strategic minerals potential of Brazil. 2026 Edition. SGB/CPRM, 82 p., p.56-58. 

[5] Global Critical Minerals Outlook 2025. (2025). IEA, 312 p.  p. 161-178. https://share.google/VmyBBhvgVIh7uCqhe

[6] Nota: no levantamento preliminar de informações e estimativas, foram consultados, entre 27 e 30 de março de 2026, os modelos GPT-5.4 Thinking (OpenAI), Claude Sonnet 4.6 (Anthropic) e Gemini 3.1 Pro (Google). As respostas foram comparadas criticamente, e os dados incorporados ao artigo resultaram de seleção e conciliação feitas pelos autores com base em fontes verificáveis. A responsabilidade final pelo conteúdo é exclusiva dos autores.

[7] Lins, F.A.F., Enriquez, M.A. e Landgraf, F.G. Brazil and Critical Minerals for the Energy Transition: toward a more sustainable and climate-secure future (2025). In: IMPACTOS Special Edition COP30, e-book. Fundação Getúlio Vargas. p. 11-16. https://www18.fgv.br/mailing/2025/Rede_de_Pesquisa/Edicao_Especial_COP30/

*Engenheiro Metalúgico, Mestre e Doutor, Pesquisador Titular do CETEM, Membro do Conselho Consultivo da Brasil Mineral.

**Engenheiro Químico, Mestre e Doutor, Pesquisador Titular do CETEM.

***Engenheiro Químico, Mestre e Doutorando, Pesquisador do CETEM.

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04/04/2026 04:55h

Além das perdas humanas causadas pelo conflito, ativistas afirmam que a crise reforça os efeitos da dependência global de combustíveis fósseis, que tende a beneficiar grandes empresas enquanto amplia os custos para a população.

Um mês após o início da guerra com o Irã, uma análise da 350.org aponta que mais de US$ 100 bilhões foram transferidos de consumidores e empresas para companhias de petróleo e gás, impulsionados pela disparada nos preços da energia.

Além das perdas humanas causadas pelo conflito, ativistas afirmam que a crise reforça os efeitos da dependência global de combustíveis fósseis, que tende a beneficiar grandes empresas enquanto amplia os custos para a população.

Segundo o levantamento, o aumento nos preços do petróleo e do gás gerou um impacto adicional estimado entre US$ 104,2 bilhões e US$ 111,6 bilhões. Esses efeitos já são sentidos em diversas regiões do mundo, como demissões no setor têxtil em países como Bangladesh, racionamento de combustível no Quênia e sinais de desaceleração econômica nos Estados Unidos.

A metodologia da análise considera médias ponderadas dos preços do petróleo e do gás no primeiro mês do conflito, combinadas com dados de consumo global e ajustes relacionados a fatores como queda na demanda e racionamento.

O estudo ainda não incorpora impactos indiretos mais amplos, como o aumento nos custos de alimentos e fertilizantes, a redução da atividade econômica e do emprego, além da inflação generalizada. Com isso, especialistas alertam que o prejuízo real pode ser significativamente maior.

De acordo com a 350.org, os US$ 111 bilhões gastos apenas com o aumento dos combustíveis fósseis poderiam ser direcionados para geração de energia solar capaz de abastecer cerca de 40 milhões de residências em países de alto consumo, ou até 150 milhões em regiões de menor demanda energética. O montante também se aproxima do volume anual de financiamento climático internacional destinado por países desenvolvidos a nações em desenvolvimento no âmbito de acordos globais.

A diretora executiva da organização, Anne Jellema, afirmou que a população mundial está pagando um alto preço pela volatilidade dos combustíveis fósseis.

Segundo ela, enquanto famílias enfrentam dificuldades para arcar com custos básicos, grandes empresas do setor acumulam lucros expressivos. A executiva defende a implementação de impostos sobre lucros extraordinários como forma de reduzir os impactos sociais.

A organização alerta que, sem medidas urgentes, os efeitos da crise energética tendem a se agravar, especialmente entre populações de baixa renda e países economicamente vulneráveis.

Representantes governamentais devem se reunir na Colômbia nas próximas semanas para discutir estratégias de transição energética. A 350.org defende a adoção de metas vinculantes para a eliminação gradual do uso de petróleo, gás e carvão, além da ampliação de investimentos em energia limpa.

Entre as propostas está a taxação dos lucros extraordinários da indústria de combustíveis fósseis, com recursos direcionados para ampliar o acesso a soluções renováveis, como energia solar distribuída e veículos elétricos.

Para a organização, acelerar a transição para fontes renováveis é essencial para estabilizar preços, fortalecer a segurança energética e reduzir a vulnerabilidade das economias diante de futuras crises globais.

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03/04/2026 04:55h

A iniciativa visa avançar na avaliação de áreas com alto potencial mineral identificadas durante campanhas exploratórias realizadas em 2025, nas proximidades do depósito já conhecido.

A GoldMining iniciou programa de perfuração voltado à exploração no Projeto São Jorge, localizado no distrito aurífero do Tapajós, no estado do Pará. O projeto é de propriedade integral da companhia.

A iniciativa visa avançar na avaliação de áreas com alto potencial mineral identificadas durante campanhas exploratórias realizadas em 2025, nas proximidades do depósito já conhecido.

Segundo a empresa, o programa conta com duas sondas em operação, totalizando 8.000 metros de perfuração. A campanha está totalmente financiada e já apresenta atividades em campo.

O objetivo é testar novas zonas com potencial de mineralização primária em rocha, com base em alvos geoquímicos e geofísicos prioritários.  Entre os principais alvos está a área denominada William South, situada a menos de dois quilômetros do depósito principal. Resultados iniciais de perfuração divulgados anteriormente indicam interceptações relevantes de ouro, incluindo: 12 metros com teor médio de 2,38 g/t de ouro a partir de 13 metros de profundidade, incluindo 1 metro com 22 g/t; 4 metros com 1,11 g/t de ouro a partir de 46 metros e 1 metro com 1,23 g/t de ouro a partir de 16 metros.

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30/03/2026 04:50h

Os trabalhos incluem mapeamento geológico, descrição detalhada de perfis de alteração, coleta sistemática de amostras e integração de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos.

Pesquisadores da Superintendência Regional de Belo Horizonte (SUREG-BH), do Serviço Geológico do Brasil (SGB), aumentaram os trabalhos de campo do Projeto Geologia e Avaliação da Província Ígnea do Alto Paranaíba (PIAP). O projeto tem como meta gerar informações técnico-científicas sobre ocorrências de minerais estratégicos, principalmente Elementos Terras Raras (ETR), fósforo e titânio. Os Elementos Terras Raras são considerados insumos estratégicos para a transição energética e para o desenvolvimento tecnológico global. São essenciais na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho utilizados em turbinas eólicas e motores de veículos elétricos, além de aplicações em baterias, equipamentos eletrônicos, catalisadores e outras tecnologias de alto valor agregado.

Os trabalhos de pesquisa acontecem nos municípios mineiros de Patos de Minas, São Gotardo, Tiros e Carmo do Paranaíba, onde afloram rochas vulcânicas do Grupo Mata da Corda, além de coberturas lateríticas associadas. Os trabalhos incluem mapeamento geológico, descrição detalhada de perfis de alteração, coleta sistemática de amostras e integração de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos. “A compreensão dos processos de formação, intemperismo, mobilização e enriquecimento desses elementos é fundamental para subsidiar a avaliação do potencial mineral da região”, disse o pesquisador do SGB Paulo Dias.

Para o gerente de Geologia e Recursos Minerais da SUREG-BH, Julio Lombello, o fortalecimento do conhecimento geológico sobre ocorrências brasileiras contribui para a soberania mineral do país e para a diversificação das cadeias produtivas associadas à economia de baixo carbono. Durante os trabalhos de campo, a equipe do SGB, composta pelos pesquisadores Paulo Dias (chefe do projeto), Francisco Vilela, Raianny Ferreira e Cassiano Castro, realizou visita técnica à mina da Triunfo Mineração do Brasil Ltda, responsável pela produção do KPFertil, insumo agrícola destinado à remineralização de solos. A etapa de campo contou ainda com a colaboração de empresas que atuam na região na pesquisa de ETR e titânio, como Equinox Research, ENOVA e Resouro, promovendo intercâmbio técnico e compartilhamento de informações geológicas.

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28/03/2026 04:50h

O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral brasileiro, com foco em insumos estratégicos para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) firmou uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para desenvolver o Projeto de Cooperação Técnica Internacional BR-T1690, voltado ao mapeamento geológico de minerais críticos no País. Com recursos do Fundo Especial do Japão, o BID investirá US$ 890 mil ao longo de 36 meses. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral brasileiro, com foco em insumos estratégicos para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.

Para o diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões, a parceria é um avanço estratégico para o Brasil. “Esse acordo reforça o papel do Brasil no cenário global de minerais críticos, essenciais para a economia de baixo carbono. É um passo importante para ampliar o conhecimento geológico e atrair investimentos sustentáveis”, destacou. Os recursos serão destinados ao estudo eletromagnético na Província Grafítica Minas-Bahia; levantamento geoquímico de elementos terras raras no estado da Bahia; prospecção geoquímica para lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais; e fortalecimento da governança, dos marcos institucionais e da capacitação técnica do SGB.

Os dados gerados pelo projeto serão de domínio público e disponibilizados nas plataformas abertas do SGB, como o Repositório Institucional de Geociências (RIGeo), a Plataforma de Mapeamento Geológico e os Sistemas de Dados Geoquímicos, ampliando o acesso à informação e promovendo transparência para a sociedade e para o setor produtivo. “Os projetos previstos vão gerar dados fundamentais sobre o potencial mineral em regiões estratégicas do território brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento regional e para a segurança mineral, trazendo garantia para o fornecimento de minerais estratégicos e críticos, essenciais para a nova indústria", afirmou o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Valdir Silveira. “É uma iniciativa que integra esforços internacionais para fortalecer cadeias produtivas de minerais críticos, considerados fundamentais para setores como energia renovável, mobilidade elétrica e tecnologias digitais”, completou Silveira.

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25/03/2026 04:40h

Gestores responsáveis por projetos socioambientais em territórios mineradores têm até às 18h do dia 30 para garantir participação.

O prazo está acabando para quem deseja inscrever projetos no 2º Prêmio Mineração & Comunidades, iniciativa da Brasil Mineral que reconhece e valoriza ações de engajamento com comunidades em territórios com mineração. As inscrições se encerram às 18 horas do próximo dia 30 de março.

Criado pela Brasil Mineral em 2025, o prêmio tem como objetivo reconhecer, valorizar e incentivar iniciativas voltadas à sustentabilidade socioambiental, dando visibilidade às ações do setor mineral que promovem o desenvolvimento e o fortalecimento das comunidades em regiões mineradoras.

O prêmio é direcionado aos gestores tecnicamente responsáveis pela elaboração e implantação de projetos socioambientais, de desenvolvimento, culturais e educativos nas comunidades do entorno de operações de mineração e contempla cinco categorias:

  • Projetos de Responsabilidade Socioambiental Participativa, com evidência de participação direta das comunidades
  • Comunicação, Relacionamento e Engajamento com Comunidades, inclusive tradicionais
  • Desenvolvimento, Cidadania e Gestão de Renda
  • Resgate e Valorização de Cultura e Tradições
  • Respeito e Harmonia: Equidade, Diversidade e Inclusão

Os trabalhos inscritos deverão representar um projeto prático implantado ou iniciado, no máximo, nos últimos dois anos (2024 e 2025). Projetos inscritos na edição de 2025 não poderão ser inscritos novamente. É obrigatório que o trabalho tenha sido implantado no território de entorno de um empreendimento minerário e esteja contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais. O projeto pode ter sido conduzido pela empresa, sua fundação, instituto, fundos ou por consultoria contratada, e deve comprovar o envolvimento direto das comunidades, o público beneficiado e os resultados positivos obtidos.

A premiação acontecerá durante o 11º Seminário Mineração & Comunidades, nos dias 16 e 17 de junho, em Belo Horizonte (MG).

Não perca o prazo! O regulamento completo e as inscrições estão disponíveis clicando aqui.

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24/03/2026 04:50h

O encontro reforçou o protagonismo da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores na defesa dos territórios mineradores e afetados.

A 61ª Assembleia Geral da AMIG Brasil ocorreu dia 19 de março, em Congonhas (MG), e reuniu prefeitos, gestores públicos, especialistas, procuradores e técnicos para discutir uma pauta estratégica que ganhou dimensão nacional: segurança na atividade minerária, perdas financeiras após a Reforma Tributária e o fortalecimento da fiscalização e da arrecadação da CFEM.

O encontro reforçou o protagonismo da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores na defesa dos territórios mineradores e afetados. O presidente da entidade, Marco Antônio Lage, destacou a importância das assembleias itinerantes para aproximar o debate da realidade dos territórios impactados. “É simbólico estarmos em Congonhas, um dos principais territórios minerados de Minas. Já realizamos encontros em Brasília e Canaã dos Carajás (PA), e essa itinerância é fundamental para conhecermos de perto as dores e a realidade dos municípios mineradores pelo País”. “Discutimos a reforma tributária que vai impactar os municípios minerados, a situação da Agência Nacional de Mineração, que precisa ser definitivamente estruturada, e outros temas relevantes para a formatação de uma nova política mineral brasileira. Precisamos discutir terras raras, minerais críticos, essa potência mineral que é o Brasil, mas sob um novo modelo”. Lage ainda enfatizou a necessidade de uma mineração sustentável que vá além do discurso. “A mineração sustentável passa por municípios mineradores sustentáveis, com cuidado ambiental, tributação justa e, principalmente, com o legado para o futuro desses territórios”.

Um dos principais eixos da assembleia foi a reincidência de acidentes na atividade minerária. A programação técnica apresentou inicialmente os casos das Minas de Viga e Fábrica, envolvendo os municípios de Congonhas e Ouro Preto, evidenciando falhas estruturais e desafios persistentes. O tema ganhou relevância diante de dados apresentados no evento: mais de 300 vidas perdidas em desastres de mineração em Minas Gerais desde 1986, além de centenas de estruturas em situação de risco no país.

O consultor da AMIG, Waldir Salvador, reforçou que o debate precisa ir além das barragens. “Quando a gente fala de acidentes, muitas vezes fica restrito à visão de barramento. E não é. Todas as atividades de mineração têm estruturas, independente do seu porte ou de qual substância mineral é explorada. Nós não somos contra a mineração, somos contra a forma como ela é realizada no Brasil pela iniciativa privada e com uma brutal ausência de regulação e fiscalização do poder público sobre a mesma”. Outro ponto citado por Salvador foi a falta de transparência e ética por parte das mineradoras na condução da atividade de exploração mineral, inclusive com relação aos riscos inerentes à mesma. “Para que erros como os que ocorreram mais uma vez (acidentes) não aconteçam, ou possam ser minimizados, é preciso que as prefeituras sejam mais atuantes. É fundamental ter estrutura municipal de fiscalização — ambiental, urbanística, tributária e de defesa civil”.

O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, abordou a importância do encontro e a experiência recente do município com incidentes em estruturas de drenagem. “É com muita alegria que recebemos a AMIG Brasil aqui no nosso município. É absolutamente necessário que os municípios se encontrem para trocar experiências e se articularem politicamente”. O secretário municipal de Meio Ambiente, João Luís Lobo, e o procurador-geral do município, Pedro Mazzaro, apresentaram a recente experiência de Congonhas com o extravasamento de estruturas secundárias de mineração, agravado pelo aumento da intensidade das chuvas. O caso foi utilizado como exemplo prático dos desafios enfrentados pelos municípios mineradores diante das mudanças climáticas e da necessidade de ampliar o controle sobre diferentes estruturas da atividade mineral. Para os participantes, a troca de informações e experiências entre cidades com realidades semelhantes é essencial para fortalecer a atuação do poder público e ampliar a proteção às comunidades. Cabido também defendeu o avanço da regulação no setor. “Assim como foram feitas regras para barragens, precisamos pensar agora nas demais estruturas, sobretudo as de drenagem, que também causam impactos quando não são bem geridas”.

A palestra “Mineração e risco: o poder e o dever dos municípios”, ministrada pelo consultor Thiago Metzker, reforçou que a omissão municipal pode gerar responsabilização. Segundo ele, o problema não é técnico, mas de governança e fiscalização. Outro ponto central foi a necessidade de estruturação das equipes municipais, que incluiu fiscalização ambiental e urbanística; controle tributário e da CFEM; atuação da defesa civil e o uso de tecnologia para produção de provas técnicas.

Na sequência, a consultora da AMIG, Flávia Vilela, apresentou caminhos para viabilizar uma fiscalização minerária eficiente nos municípios. A especialista destacou a importância da criação da Taxa de Fiscalização de Recursos Minerários (TFRM) como instrumento legal para financiar a estrutura de controle, com base no princípio do “poluidor-pagador”. Durante a exposição, Vilela ressaltou que a taxa deve ser construída a partir de critérios técnicos e financeiros, garantindo proporcionalidade entre o custo da fiscalização e o valor arrecadado, além de segurança jurídica para os municípios. A palestra também reforçou que a organização institucional — com atuação integrada entre meio ambiente, urbanismo, defesa civil e procuradoria — é essencial para assegurar maior efetividade na fiscalização da atividade minerária.

No período da tarde, os participantes acompanharam a apresentação de um estudo elaborado pelo CEDEPLAR, que comprovou as perdas enfrentadas pelos municípios mineradores em decorrência da Reforma Tributária e da Lei Kandir. O levantamento técnico reforça o argumento da AMIG Brasil em defesa de uma compensação mais justa às cidades que concentram a atividade mineral e arcam diretamente com seus impactos sociais, ambientais e estruturais. De acordo com a entidade, os dados evidenciam que esses municípios vêm sofrendo redução significativa de receitas essenciais para áreas como saúde, educação e infraestrutura. “Não é razoável que quem suporta os impactos diretos da mineração receba menos recursos. Vamos usar esse estudo como base para uma agenda nacional de recomposição das perdas”, disse o presidente da AMIG, Marco Antônio Lage.

Outro destaque foi o diagnóstico dos processos judiciais envolvendo a CFEM, apresentado pelo consultor jurídico Rogério Moreira. O levantamento identificou mais de seis mil processos em tramitação, com potencial de recuperação de bilhões de reais para os municípios mineradores. A análise evidenciou a necessidade de atuação articulada entre municípios, Agência Nacional de Mineração e órgãos federais para garantir segurança jurídica e agilidade na recuperação desses recursos.

A assembleia reforçou a importância da articulação política entre as cidades impactadas pela mineração. O prefeito de Jeceaba, Fábio Vasconcelos, avaliou o encontro como estratégico para o fortalecimento dos municípios. “Foi uma assembleia extremamente importante. Tivemos a oportunidade de trocar experiências, alinhar estratégias e fortalecer o trabalho conjunto, fundamental para garantir que os recursos da mineração sejam melhor aplicados e revertidos em benefícios concretos para a população”. Já o prefeito de Nova Lima, João Marcelo Dieguez, que também é diretor financeiro da AMIG Brasil, destacou o papel da integração para o avanço das políticas públicas. “A promoção do debate na AMIG é fundamental para que as políticas públicas avancem e a associação se fortaleça”. O prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo de Araújo, diretor administrativo da associação, ressaltou o protagonismo crescente dos municípios no debate nacional. “Essa assembleia mostrou que os municípios estão cada vez mais organizados e atuantes na construção de políticas públicas. A defesa de uma mineração sustentável, com justiça fiscal, segurança e compromisso com o futuro, esteve no centro das discussões. Foi um espaço estratégico, com impacto direto no debate nacional”.

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