Carbono

03/02/2023 16:50h

Em seminário promovido pela CNI, parlamentares analisam que é necessário o Brasil recuperar vanguarda em relação às questões ambientais aliadas ao desenvolvimento econômico

Baixar áudio

No seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nessa terça-feira (1º), um dos temas discutidos pelos parlamentares participantes como uma das pautas prioritárias para o período legislativo que se inicia é o desenvolvimento sustentável. Os congressistas avaliaram que é necessário o Brasil recuperar a vanguarda no cenário internacional sobre a preservação do meio ambiente aliada ao desenvolvimento econômico.

O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) destacou que é preciso um planejamento estratégico para que o país saia do papel de “algoz” da questão ambiental no mundo e possa se tornar destaque em relação à economia de baixo carbono. 

“O Brasil, com a legislação rigorosa que nós temos, como nenhum outro país, com a área de preservação que nós temos, com a matriz energética mais limpa - calcada no crescimento das fontes renováveis -, ou com a matriz de combustíveis que é sem igual também, pelo etanol, pelo biodiesel. O Brasil pode ser vanguarda naquilo que nós estamos fazendo. Nós precisamos de um projeto de desenvolvimento.” observa o parlamentar.

O deputado federal José Guimarães (PT-CE) também ressaltou a importância da preservação e conservação do meio ambiente em conjunto com o desenvolvimento econômico. “Nós podemos fazer a sustentabilidade unindo as duas coisas.. A legislação de proteção não pode travar, tem que proteger, mas sem travar aqueles que querem produzir, investir, sem desmatar”, pontua.

Economia de baixo carbono

Arnaldo Jardim ainda enfatiza que o desenvolvimento econômico está pautado em novas formas de produção e consumo. Uma das pautas mais debatidas no momento é o mercado de crédito de carbono, que está ligado ao sistema de compensações de emissão de carbono. 

A compensação se dá por meio da aquisição de créditos de carbono pelas companhias que não atingiram as metas de redução de gases de efeito estufa (GEE) daquelas que reduziram suas emissões. O presidente da Associação Brasileira de Direito da Energia e do Meio Ambiente (ABDEM), Alexandre Sion, explica que as empresas podem se interessar na aquisição de créditos de carbono para que possam cumprir as metas de emissão de gases poluentes. 

“A compra de crédito de carbono traz para as empresas uma série de vantagens, incluindo a redução das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, a incorporação da sustentabilidade como valor agregado, o desenvolvimento de novas oportunidades de negócios e o ganho de imagem e criação de valor da iniciativa sustentável. Seja a médio ou longo prazo, essa prática pode promover o crescimento da companhia e a geração de novos empregos”, afirma Sion. 

No Brasil, os setores mais promissores para geração de créditos de carbono são os de florestas, agropecuário e energia. A perspectiva em torno dessa compensação é movimentar entre US$ 493 milhões e US$ 100 bilhões, além de gerar cerca de 8,5 milhões de empregos até 2050.

Projetos de lei

No Congresso Nacional, tramitam propostas sobre a temática. Um desses projetos de lei é o 412/2022, com início de tramitação no Senado, que estabelece medidas para a criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. Já na Câmara dos Deputados tramita a proposta (PL 528/2021) que institui o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), e busca regular a compra e venda de créditos de carbono no Brasil. 

Copiar o texto
27/01/2023 04:30h

Para ter mais investimento e diversificar a matriz energética brasileira, governo estuda um marco regulatório para o setor

Baixar áudio

Um estudo feito pela consultoria Roland Berger indica que o Brasil poderá faturar R$ 150 bilhões por ano no mercado de hidrogênio verde (H2verde). Publicada no dia 20 de janeiro, a pesquisa Green Hydrogen Opportunity in Brazil (Oportunidade de hidrogênio verde no Brasil, em tradução livre) feita pela empresa alemã, aponta que, se o mundo cumprir os compromissos do Acordo de Paris com objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e minimizar os impactos do aquecimento global, a maior parte da energia consumida no planeta será originária do hidrogênio verde, criando assim um mercado mundial estimado em mais de US$ 1 trilhão em venda direta da molécula ou derivados.

O consumo de hidrogênio no mundo terá de aumentar pelo menos seis vezes nos próximos 30 anos para que as metas globais de descarbonização, especialmente em usos industriais e mobilidade limpa, sejam alcançadas. Sozinho, o consumo de H2verde – gerado por energia renovável ou por energia de baixo carbono – terá de passar dos atuais 90 milhões de toneladas/ano para 527 milhões de toneladas/ano a partir de 2050, produção essa que o Brasil pode liderar.

No último dia 19, a empresa EDP Brasil fez um evento de lançamento da primeira molécula de hidrogênio verde em grande escala na América Latina, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, aproveitou a ocasião para reforçar o compromisso socioambiental do governo. 

“Foi muito importante estarmos aqui nesse momento para podermos reafirmar o nosso compromisso de trabalhar em parceria com iniciativa privada, com os governadores de estado, para poder registrar que estaremos numa empreitada de tornar a matriz energética cada vez mais limpa e também, principalmente, universalizar o acesso à energia para o povo mais carente da nação brasileira”, afirmou o ministro. A planta de hidrogênio do estado nordestino faz parte do Complexo do Pecém e tem investimento de R$ 42 milhões.

Como o insumo tem grande potencial na transição energética e permite acelerar a oferta de energia limpa nas estruturas em que hoje os combustíveis fósseis ainda são necessários, o governo federal pretende regular o setor o quanto antes. “Queremos este ano ainda estabelecermos um marco regulatório para que a gente possa continuar, de forma mais clara, estimulando as empresas como a EDP a poderem investir os seus recursos de EP nas pesquisas das energias limpas, e aqui, em especial, nós vemos na produção da primeira molécula de hidrogênio verde que essa é uma aposta que nós queremos acreditar e achamos que estamos no caminho certo. Vamos trabalhar para que dê certo e o marco regulatório queremos apresentar este ano para estimular a pesquisa e produção”, concluiu Silveira.

O estudo da Roland Berger assinala justamente ser necessário avaliar mecanismos de incentivos governamentais para que o Brasil tenha condições de produzir e exportar o H2verde a um preço competitivo. Para ganhar vantagem de pioneirismo nos mercados globais, o hidrogênio verde nacional precisará cair para US$ 2 por quilo até 2025. Além disso, a consultoria alemã prevê que, devido à exigência de capacidade extra, o hidrogênio verde pode representar investimentos diretos no Brasil da ordem de R$ 600 bilhões nos próximos 25 anos.

Cores do hidrogênio

Existem diversas “cores” para o hidrogênio. O hidrogênio cinza, por exemplo, é obtido a partir da queima de combustíveis fósseis, especialmente do gás natural, em uma reação conhecida como reforma a vapor. O processo envolve a reação do metano, contido no gás natural, e do vapor da água em alta pressão e temperatura. Também há o hidrogênio azul, cujo processo de produção é idêntico ao do cinza. Ambos são produzidos a partir do gás natural e permitem a captura e armazenamento do CO² emitido no processo.

Já o hidrogênio verde é produzido por meio de um processo químico (eletrólise) que permite a quebra das moléculas da água em hidrogênio e oxigênio por meio da eletricidade. O hidrogênio denominado verde é feito sem a emissão de carbono e utiliza basicamente energias renováveis (hídrica, eólica, solar e biomassa). É o único com produção sustentável e livre de carbono e é apontado como elemento chave para tornar possível a descarbonização da Terra, umas das metas fixadas pelos países de todo o mundo até 2050.

Copiar o texto
27/12/2022 04:15h

Segundo a gerente geral de consultoria da WayCarbon, Laura Albuquerque, país pode movimentar entre US$ 493 milhões e US$ 100 bilhões com o mercado de carbono

Baixar áudio

No Brasil, os setores mais promissores para gerar créditos de carbono são os de floresta, o agropecuário e o de energia. É o que afirma a mestre em planejamento energético e ambiental e gerente geral de consultoria da WayCarbon, Laura Albuquerque. Segundo ela, o país pode movimentar entre US$ 493 milhões e US$ 100 bilhões com o mercado de carbono e gerar 8,5 milhões de empregos até 2050. Os dados foram apresentados durante o Fronteiras e Tendências (Frontend). 

“Muitas dessas atividades também têm oportunidades de geração de novas fontes de renda, um potencial de aumento da receita líquida, além dos benefícios socioambientais. Ficou muito claro que há um fortalecimento das cadeias produtivas de cada um desses setores, ao elaborarem um projeto de redução de emissão e, consequentemente, uma geração de crédito de carbono dentro desses segmentos”, destaca. 

CNI promove debate sobre iniciativas em bioeconomia no Canadá

Projeto de lei pretende conciliar conservação florestal e investimentos privados na gestão de florestas públicas

Diante da relevância do tema, o Congresso Nacional conta com mais de uma proposta em tramitação que trata do assunto. Uma delas é o projeto de lei 412/2022, do Senado, que traça diretrizes gerais para estabelecer o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. Já na Câmara dos Deputados tramita o projeto de lei 528/2021,que institui o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), e busca regular a compra e venda de créditos de carbono no Brasil. Segundo o autor da proposta, deputado Marcelo Ramos (PSD-AM), o Brasil precisa investir nessa área para ampliar a competitividade entre empresas, e contribuir para a preservação do meio ambiente. 

“O Brasil precisa regulamentar o mercado de crédito de carbono para estimular a redução de emissões em nosso país, por parte da indústria, e dar maior valor à capacidade que a floresta tem de sequestrar carbono da atmosfera. Isso deixou de ser uma questão apenas ambiental e passou a ser uma enorme potencialidade econômica para nosso país”, considera o parlamentar. 

Origem do mercado de carbono 

Os mercados de carbono passaram a ganhar mais ênfase em todo o mundo desde a assinatura, por países da ONU, do Protocolo de Kyoto, em 1997. O acordo entre as nações estabeleceu a meta de que países desenvolvidos deveriam diminuir em 5,2% suas emissões de gases que provocam o chamado efeito estufa. A redução deveria ocorrer até 2012.

Já em 2015, com a assinatura do Acordo de Paris, as metas foram renovadas e passaram a contar com incentivos à iniciativa privada. A regulamentação desses pontos ocorreu na COP26, em Glasgow, na Escócia.    
 

Copiar o texto
26/12/2022 04:00h

Mercado de crédito de carbono esteve no centro dos principais debates na 27ª edição da COP 27, realizada pela ONU, no Egito

Baixar áudio

O mercado de crédito de carbono esteve no centro dos principais debates na 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP27), realizada em novembro no Egito. Apesar de poucas definições, houve avanço quanto às regras e padronizações para o funcionamento desse mercado.

O mercado de crédito de carbono se refere ao sistema de compensações de emissão de carbono. Isso se dá por meio da aquisição de créditos de carbono pelas companhias que não atingiram suas metas de redução de gases de efeito estufa (GEE) daquelas que reduziram suas emissões. O presidente da Associação Brasileira de Direito da Energia e do Meio Ambiente (ABDEM), Alexandre Sion, explica que as empresas podem se interessar na aquisição de créditos de carbono para que possam cumprir suas metas de emissão de gases poluentes.

“A compra de crédito de carbono traz para as empresas uma série de vantagens, incluindo a redução das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, a incorporação da sustentabilidade como valor agregado, o desenvolvimento de novas oportunidades de negócios e o ganho de imagem e criação de valor da iniciativa sustentável. Seja a médio ou longo prazo, essa prática pode promover o crescimento da companhia e a geração de novos empregos”.

No Brasil, os setores mais promissores para gerar créditos de carbono são os de floresta, o agropecuário e o de energia. A mestre em planejamento energético e ambiental e gerente geral de consultoria da WayCarbon, Laura Albuquerque, explica ainda que o país pode movimentar entre US$ 493 milhões e US$ 100 bilhões com o mercado de carbono e gerar 8,5 milhões de empregos até 2050. 

“Muitas dessas atividades também têm oportunidades de geração de novas fontes de renda, um potencial de aumento da receita líquida, além dos benefícios socioambientais. Ficou muito claro que há um fortalecimento das cadeias produtivas de cada um desses setores, ao elaborarem um projeto de redução de emissão e, consequentemente, uma geração de crédito de carbono dentro desses segmentos”, destaca.

No setor agropecuário, uma das preocupações é com o aumento da eficiência, ou seja, produzir mais numa mesma área ou reduzir a idade de abate, por exemplo. É o que explica o coordenador de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias.

“Todo produtor rural ele já, uma vez que ele intensifica, que ele consegue trazer uma maior produção e ou produtividade a sua propriedade rural, ele já está contribuindo com o mercado de carbono, ele já está contribuindo para atingir a meta do Acordo de Paris, do Acordo do Clima”, aponta.

Diante da relevância do tema, o Congresso Nacional conta com mais de uma proposta em tramitação para tratar do assunto. Uma delas é o projeto de lei 412/2022, do Senado, que traça diretrizes gerais para estabelecer o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. Já na Câmara dos Deputados tramita o projeto de lei 528/2021, que institui o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), e busca regular a compra e venda de créditos de carbono no Brasil.

Para a senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), que esteve presente nas discussões da COP27, crescimento econômico e sustentabilidade ambiental são indissociáveis. “Não há como a gente pensar em desenvolvimento sem se preocupar com a questão climática, o progresso dos países obrigatoriamente passa pelo meio ambiente. A questão ambiental deve ser pensada e discutida de forma global, para que a gente possa ter êxito e para que a gente possa também evitar problemas ainda mais sérios que tragam consequências negativas para todos nós”, afirma a parlamentar.

Copiar o texto
28/11/2022 04:00h

Durante a COP27, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), José Luis Gordon, defendeu que a agenda de sustentabilidade é global e vai pautar todo o desenvolvimento tecnológico do mundo

Baixar áudio

“Não dá para discutir agenda de sustentabilidade sem discutir novas tecnologias”. É o que considera o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), José Luis Gordon. Durante a 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP27), em Sharm El Sheik, no Egito, ele defendeu que a economia precisa evoluir, mas sem desconsiderar pontos relacionados ao desenvolvimento sustentável. 

“A agenda de sustentabilidade é a agenda global e a agenda que vai pautar todo o desenvolvimento tecnológico do mundo. Não dá para discutir agenda de sustentabilidade sem discutir novas tecnologias, sem discutir novos materiais, sem discutir o que fazer com os resíduos sólidos e agregar valores, sem discutir uma agricultura sustentável, sem discutir o setor de mobilidade sustentável. Tudo isso precisa de tecnologia e inovação. Ou seja, pensando no Brasil do futuro, sustentável, pensando em um mundo mais igual”, destacou. 

Gordon participou de painéis que discutiram modelos e desafios de estímulo à inovação sustentável no país e no mundo. No último dia 16, o presidente da EMBRAPII também participou do painel promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o tema “Contribuições da indústria para a conservação florestal”. Na ocasião, os debates envolveram ações realizadas pelo setor industrial para o fortalecimento e valorização da biodiversidade e das florestas brasileiras.

“O Brasil tem tudo para ser o principal player global dessa agenda de sustentabilidade. O país está pronto, tem tudo para isso. Nós estamos preparados para apoiar cada vez mais projetos nessa agenda; trabalhando para apoiar o setor empresarial brasileiro a ser referência em inovação ligada à agenda de sustentabilidade”, pontuou Gordon.

De acordo com a EmbrapII, atualmente, 67% dos projetos de inovação apoiados pela entidade apresentam temáticas ligadas aos princípios de sustentabilidade da ONU. Energia limpa, saúde, bem-estar e redução da fome e agricultura sustentável, estão entre os temas mais presentes nessas iniciativas.

Membros do Congresso Nacional também participaram ativamente da COP27, no Egito. É o caso do senador Fabiano Contarato (PT-ES).  Durante o evento, o parlamentar atuou em debates sobre diagnósticos e soluções da pauta ambiental do Brasil, com foco nas metas do país dentro do Acordo de Paris. Entre os temas, destaca-se a redução de emissões por desmatamento no Brasil.  

Mercado de carbono é um dos principais temas debatidos na COP27

Brasil precisa adotar plano consistente para descarbonizar economia, afirma presidente da CNI

O senador apresentou relatório de sua autoria acerca da avaliação da política pública federal de regularização fundiária, aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado. O material denuncia a grilagem/ocupação ilegal de terras públicas na Amazônia Legal por meio de propriedades registradas ilegalmente no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural este ano.

“Sabemos que a prevenção e o controle do desmatamento, tanto na Amazônia quanto nos demais biomas brasileiros, envolve a necessidade de se desenvolver uma agricultura de baixo carbono, que seja rentável e de interesse dos produtores rurais, de modo a incentivar sua adesão a esse modelo. Zelar pela preservação do meio ambiente e pela conservação dos povos tradicionais significa debater as oportunidades que se abrem para o Brasil, na exploração da floresta em pé”, avaliou. 

COP27

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) é considerada o maior e mais importante evento já realizado acerca do tema. A 27ª edição ocorreu entre os dias 6 e 18 de novembro.

A COP é realizada uma vez por ano e reúne líderes de praticamente todos os países em busca de um mesmo objetivo: debater as mudanças climáticas e identificar soluções para os problemas ambientais. A cada ano o evento é realizado em um país diferente. 
 

Copiar o texto
23/11/2022 04:00h

O Brasil tem protagonismo nas discussões sobre a mitigação dos gases do efeito estufa, o impacto climático na questão financeira e a colaboração para conter o aquecimento global

Baixar áudio

O mercado de carbono é um dos temas que domina os debates durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP27, este ano realizada no Egito. E o Brasil tem protagonismo nas discussões sobre a pauta. Entre os assuntos tratados no encontro mundial sobre meio ambiente estão a mitigação dos gases do efeito estufa, o impacto climático na questão financeira e a colaboração para conter o aquecimento global. 

A visão da indústria brasileira sobre como implementar uma economia de carbono zero no mundo está em discussão no evento. Para o diretor para Amazônia da The Nature Conservancy Brasil (TNC), José Otávio Passos, há uma série de desafios hoje para as empresas brasileiras no que diz respeito ao mercado de carbono e a redução da emissão desse elemento químico no ar. 

“Para começar, a gente precisa entender que as empresas têm que encontrar formas para reduzir as emissões de carbono. Isso significa olhar não apenas para dentro de suas próprias operações, mas também como elas podem compensar essas emissões”, diz. “São três desafios que essas empresas vão encontrar no mercado de carbono, o primeiro é como encontrar projetos, o segundo é como garantir a integridade deles e a terceira como manter a permanência do tempo dessas ações”, elenca o especialista da TNC.

De acordo com o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Conselho Nacional da Indústria (CNI), Davi Bomtempo, quando se fala em transição de economia de baixo carbono no país, é preciso levar em conta alguns eixos fundamentais, como expansão das fontes renováveis, conservação florestal e políticas públicas domésticas. 

“Hoje a CNI defende o mercado regulado de carbono sob a ótica do Cap and Trade - modelo de sistema de emissões defendido pela indústria para o mercado regulado de carbono - e é o que vem negociando dentro do Congresso Nacional por meio de um consenso que esteja aderente com sua base industrial”, diz.

Um dos 12 parlamentares que participam da COP27, o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) é autor de um projeto de lei (PL 301/2022) para fortalecer o Fundo Nacional de Mudanças Climáticas. A ideia proposta pelo congressista inclui ações de adaptação às mudanças do clima e redução de danos gerados por condições climáticas. 
O parlamentar aproveitou o encontro para apresentar e debater outras questões pertinentes envolvendo os cuidados com o meio ambiente no Brasil e no mundo. “A discussão do mercado de carbono é importantíssimo nesse ambiente da COP27 e outros temas, como a garantia da água, combate à desertificação e também as metas de reduções gerais da emissão de carbono”, defende.

Para o senador Alessandro Vieira, há vários caminhos e alternativas para serem traçados quando o assunto é criar soluções renováveis para salvar o meio ambiente. “Existe espaço para o Brasil em todas essas discussões e é muito importante que a gente tenha um ambiente renovável para que se possa implementar a possível recuperação do meio ambiente e o combate às mudanças climáticas”, aponta o senador. 

Copiar o texto
21/11/2022 04:30h

Segundo o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, essa nova economia vai gerar emprego, renda, arrecadação e desenvolvimento regional

Baixar áudio

Considerado o segundo maior produtor de biocombustíveis do mundo, além de contar com 20% da biodiverdidade do planeta e uma ampla disponibilidade hídrica, o Brasil tem potencial para atender a demanda mundial quanto à segurança energética. A declaração é do gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Davi Bomtempo. 

O pronunciamento ocorreu em meio ao evento Brazilian Industry Day, realizado pela entidade, no Egito. Segundo Bomtempo, a questão energética tem pautado as decisões do mundo inteiro e o Brasil pode ganhar um lugar de destaque nesse debate. 

“Primeiro, precisamos entender que o Brasil é um potencial, que a indústria parte da solução, e que essa nova economia vai gerar emprego, renda, arrecadação e desenvolvimento regional. Dessa forma, o pilar de transição energética é muito importante para o Brasil. Dentro dessa estratégia, desenvolveremos ações sobre eficiência energética, expansão de renováveis, o fortalecimento da nossa política nacional de biocombustíveis e, principalmente, novas tecnologias, como hidrogênio sustentável”, afirmou. 

Brasil precisa adotar plano consistente para descarbonizar economia, afirma presidente da CNI

Cidades brasileiras apresentam cases de boas práticas em desenvolvimento urbano sustentável

Durante o evento, a gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da Engie, Flávia de Oliveira, destacou a importância que o setor da indústria tem no sentido de promover e incentivar práticas sustentáveis por meio da chamada transição energética. 

“Quero registrar o quanto a indústria vem protagonizando a agenda climática, sobretudo a indústria brasileira, que tem se encorajado a assumir essa agenda. Temos um diferencial competitivo incontestável, na medida em que contamos com um setor elétrico, uma matriz elétrica e uma abundância de recursos naturais para promover essa reindustrialização verde no Brasil”, pontuou. 

COP27

Os debates promovidos pela CNI se dão no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), considerado o maior e mais importante evento já realizado acerca do tema. A 27ª edição começou no último dia 6 de novembro e seguiu até a última sexta-feira (18).  

A COP é realizada uma vez por ano e reúne líderes de praticamente todos os países em busca de um mesmo objetivo: debater as mudanças climáticas e identificar soluções para os problemas ambientais. A cada ano o evento é realizado em um país diferente. 
 

Copiar o texto
21/11/2022 04:00h

A declaração foi feita na abertura do Brazilian Industry Day, evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no Egito, onde ocorre a COP27

Baixar áudio

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou que, “além dos investimentos em processos de produção mais sustentáveis, a indústria brasileira tem sido uma importante provedora de soluções para a descarbonização da economia.” A declaração foi feita, nesta quarta-feira (16), na abertura do Brazilian Industry Day, evento promovido pela CNI, no Egito. 

O evento ocorre em meio à programação da 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27). Os objetivos principais são aprofundar o debate sobre os quatro pilares de sustentabilidade do indústria  e destacar experiências bem-sucedidas das empresas brasileiras. 

“Para incentivar a expansão dos investimentos em modelos sustentáveis e promover o pleno desenvolvimento da bioeconomia no país, é preciso aumentar a competitividade da nossa indústria. Devemos, entre outras medidas, adotar uma política industrial moderna, que estimule a inovação e a produção de tecnologias socioambientais. É necessário que o plano também promova as fontes renováveis e a eficiência no uso da energia. Isso pode trazer vantagens competitivas para as empresas e garantir um lugar de maior destaque para o Brasil no cenário internacional”, considerou. 

Cidades brasileiras apresentam cases de boas práticas em desenvolvimento urbano sustentável

Brasil precisa adotar plano consistente para descarbonizar economia, afirma presidente da CNI

Ainda segundo Andrade, o momento atual apresenta risco de desaceleração da economia. Por isso, o presidente da confederação defende que o combate às mudanças climáticas deve estar alinhado com iniciativas que garantam a segurança alimentar e o abastecimento de energia para todo o mundo, sobretudo os países menos desenvolvidos.

“As ações em favor do combate às mudanças do clima devem ser combinadas com medidas que incentivem o crescimento duradouro da economia”, pontuou, ao ressaltar que o setor industrial do Brasil tem um papel essencial para expandir investimentos em tecnologias limpas e criar empregos de qualidade para a população.

Na ocasião, o secretário nacional da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Marcelo Freire, defendeu que a indústria nacional representa uma possibilidade de o Brasil mostrar ao mundo a posição do país no desafio global de enfrentamento à mudança do clima.

“Nos últimos anos, conversamos muito com o alto nível de decisão do mundo e está cada vez mais claro o quanto o Brasil representa uma grande oportunidade de alocação de investimentos que busca descarbonização. Toda vez que uma multinacional toma uma decisão de alocar um recurso para um novo empreendimento, essa alocação é descarbonizante. A indústria brasileira deixa isso muito claro”, destacou. 

Atuação da indústria para alcançar metas climáticas 

A atuação da CNI na COP27 faz parte das iniciativas do setor da indústria para aumentar o debate acerca da transição para uma economia de baixo carbono, com a adoção de tecnologias limpas e processos produtivos mais eficientes, que provoquem menor impacto no meio ambiente. Com isso, o setor busca diminuir ou eliminar a emissão de gases de efeito estufa.

As recomendações destacadas pela CNI para o governo do Brasil dão ênfase a três temas: estabelecimento e operacionalização do mercado global de carbono, mobilização de recursos para assegurar o financiamento climático e avanço da agenda de adaptação à mudança do clima.
 

Copiar o texto
16/11/2022 04:00h

A declaração foi feita em evento realizado pela CNI, no Egito. Segundo Andrade, a entidade tem promovido práticas empreendedoras e atuado junto ao governo para avançar na transição para uma economia de baixo carbono

Baixar áudio

O Brasil precisa adotar um plano para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, promover o crescimento sustentável do Brasil. Foi o que defendeu o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade. 

Durante evento no Egito realizado nesta terça-feira (15) pela entidade, com a presença de representantes empresariais brasileiros e estrangeiros, parlamentares e autoridades, Andrade afirmou que a CNI tem promovido práticas empreendedoras e atuado junto ao governo para avançar na transição para uma economia de baixo carbono.

“A indústria brasileira, que sempre desempenhou um papel relevante no desenvolvimento do país, é essencial para ampliar os investimentos em tecnologias limpas, criar soluções voltadas à consolidação de uma economia de baixo carbono e criar empregos de qualidade”, pontuou.

Critérios ESG já fazem parte do dia a dia de 85% das indústrias brasileiras

Capacidade instalada de energia fotovoltaica teve aumento de 80% em relação a 2021

Para que o objetivo seja alcançado, a CNI criou uma estratégia baseada em quatro pilares. São eles: transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal. 

“Nossas propostas para essas áreas vêm sendo amplamente discutidas com o setor produtivo, com os governantes e com representantes de outros segmentos da sociedade. A expectativa da indústria é que as sugestões sejam consideradas nos projetos do governo eleito, ajudando o país a superar as adversidades e a avançar nos próximos quatro anos”, destacou.

O evento foi realizado em parceria com a Câmara de Comércio Internacional (ICC, na sigla em inglês). O encontro ocorreu no Hotel Renassaince, em Sharm El Sheikh, no Egito. 

Diálogo entre setor público e privado 

O presidente da CNI também discursou em defesa do diálogo permanente entre os setores público e privado acerca de políticas voltadas para o meio ambiente e os compromissos climáticos que devem ser assumidos pelos países na COP27.

Robson Andrade e o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Omar Chohfi, assinaram termo para construção de agenda de trabalho conjunta para a COP28, que ocorrerá em Dubai, em 2023

Agenda

Nesta quarta-feira (16), a partir das 9h, a CNI vai realizar o Brazilian Industry Day. O evento será no pavilhão da COP e terá como objetivo aprofundar o debate sobre quatro pilares de sustentabilidade da indústria, além da apresentação de experiências bem-sucedidas das empresas brasileiras. 

A programação é composta por cinco painéis com os temas ações para o desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde no Brasil; as iniciativas da indústria para uma economia de baixo carbono; bioeconomia e florestas; neutralidade climática; e transição energética.
 

Copiar o texto
11/11/2022 04:00h

O setor pretende mostrar como está contribuindo para que o Brasil avance em direção a uma economia de baixo carbono, de acordo com a CNI

Baixar áudio

A indústria brasileira apresentará estratégias e soluções para crise climática na 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 27.  O evento acontece até o dia 18 de novembro na cidade de Sharm el-Sheik, no Egito. De acordo com o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Davi Bomtempo, o setor industrial tem contribuído para o Brasil avançar em direção a uma economia de baixo carbono. 

“O primeiro de tudo é apresentar a indústria como parte da solução e mostrar que essa agenda de transição para uma economia de baixo carbono é uma oportunidade, não só para a indústria brasileira, mas uma oportunidade de Brasil”, salienta o gestor. 

O segmento vem atuando com grande protagonismo para acelerar a implementação de estratégias, programas e tecnologias que contribuem para que o Brasil avance nas metas estabelecidas no Acordo de Paris. Entre os desafios estão reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa até 2025 e em 50% até 2030. Outro propósito é zerar o desmatamento ilegal até 2028. 

“A indústria brasileira vai ter uma interação bem importante em toda a programação da COP, em toda programação do governo brasileiro, mas especificamente em dois dias uma atuação mais concentrada dentro do estande Brasil”, adianta. 

Cerca de 60% das indústrias brasileiras têm área dedicada à sustentabilidade

Governo estabelece regras para implantação de eólicas offshore

A CNI participa das discussões da COP 27 como membro observador e acompanhando todos os temas que estarão em debate. As ações da entidade no evento estarão relacionadas a quatro pilares da estratégia de baixo carbono estabelecidos pela CNI – transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação florestal. “Dentro de cada um desses pilares vem sendo apresentado um plano de ação seja em políticas públicas, em projetos, direcionados a fazer essa transição para a economia de baixo carbono”, detalha Davi Bomtempo. 

No dia 15, sob o tema Diálogo Empresarial para uma Economia de Baixo Carbono, a CNI vai debater e trocar informações com representantes de empresas brasileiras e estrangeiras, instituições financeiras e executivos sobre sustentabilidade na indústria. Destaque para as oportunidades de acesso às fontes de financiamento ao setor privado, investimentos e desafios para a transição energética no cenário global; experiências em baixo carbono dos setores industriais de outros países, além do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira e regras de comércio contra o desmatamento.

Serão  discutidos ainda as oportunidades de acesso às fontes de financiamento ao setor privado, novos caminhos de negócios, investimentos e desafios para a transição energética no cenário global, experiências em baixo carbono dos setores industriais de outros países, além do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira e regras de comércio contra o desmatamento estão entre as pautas. “É uma agenda que vai gerar emprego, renda, arrecadação e, acima de tudo, gerar desenvolvimento econômico, social e ambiental aqui para o nosso país”, destaca o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI. 

“O Brasil e o setor industrial têm grande relevância, hoje temos algumas vantagens comparativas que nos colocam como um dos grandes players que podem participar dessas negociações. Ou seja, temos aí uma matriz energética e elétrica bastante renovável, bastante limpa”, explica. 

No dia 16, já com um olho na próxima COP,  a ser realizada em Dubai, acontece o Brazilian Industry Day, encontro que contempla cinco painéis que serão transmitidos pelo canal da CNI no YouTube: ações para o desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde no Brasil; as iniciativas da indústria para uma economia de baixo carbono; contribuições da indústria para a conservação florestal; neutralidade climática e transição energética.

A diretora para Políticas Públicas e Relações Governamentais da The Nature Conservancy (TNC), Karen Oliveira, fala sobre as expectativas em torno do maior evento que discute as questões climáticas no mundo. “As principais expectativas para a COP 27 estão na implementação do Acordo de Paris. Um dos principais objetivos do acordo era impedir o aumento da temperatura global acima de 1.5 graus”, recorda a ativista. 

O Acordo de Paris é o tratado que rege as medidas de redução de emissão de gases estufa no mundo, assinado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Paris, realizada em 2015, na França. Na ocasião, o evento contou com a participação de membros de quase 200 países. 

Outros aspectos levantados pela especialista são a mudança do modelo de produção e consumo de energia, atualmente baseado no uso de combustíveis fósseis; e o combate ao desmatamento. “No caso do Brasil reduzir, drasticamente, o desmatamento que hoje é a principal fonte de energia de emissões de gases de efeitos estufas”, diz. 

Copiar o texto
Brasil 61