Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

5G: São Paulo entra na era da internet de quinta geração

A cidade de São Paulo é a quinta do país a ter o 5G. Além disso, lei que regula o chamado silêncio positivo já foi sancionada e pode ajudar na ampliação da infraestrutura necessária


O 5G chegou a São Paulo (SP) e a nova tecnologia de internet móvel já começa a funcionar na mais populosa capital do país a partir desta quinta-feira (04). A cidade é a quinta a receber a internet 100 vezes mais rápida que a tecnologia anterior, o 4G, em funcionamento há nove anos. A primeira cidade a receber o 5G foi Brasília (DF), no dia 6 de julho, seguida por Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e João Pessoa (PB), todas no dia 29.

As prestadoras que adquiriram a faixa de 3,5 GHz no leilão de 5G, realizado em 2021, já começam a ativar as estações com a tecnologia nesta quinta-feira. Na primeira etapa do processo, de acordo com as normas do Edital, pelo menos 462 estações devem estar ativas até o dia 29 de setembro. São Paulo, no entanto, deve ir além para oferecer a nova internet a mais pessoas: até a data de implementação, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já havia recebido 1.378 pedidos de licenciamento na faixa de 3,5 GHz na capital.

Ainda segundo as regras, as empresas de telecomunicação devem instalar uma antena a cada 100 mil habitantes no início das operações, o que no caso de São Paulo significa 154 antenas por operadora. Como são três operando no mercado, chega-se à quantidade mínima de 462. Até julho de 2025, as operadoras terão de instalar uma antena para cada 10 mil habitantes em São Paulo, aumentando significativamente a mancha de captação da nova tecnologia.

Luciano Stutz, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel), explica que a maior cobertura inicial em São Paulo se dá justamente pela alteração na lei municipal, que deu mais agilidade no processo de licenciamento de novas antenas na cidade.

“Isso significa que a cidade de São Paulo está sendo priorizada na mancha de cobertura. Isso quer dizer que São Paulo vai ter uma cobertura maior que a obrigatória. Fruto da modificação da lei municipal, isso é importante dizer. Estão sendo colocados esses pedidos e aprovados porque teve uma modificação na legislação e agora eles são aprovados rapidamente, em até 15 dias”, explica.

A liberação do 5G em São Paulo foi confirmada após a chamada limpeza da faixa de 3,5 GHz, para impedir problemas de interferência nos sinais de TV por antenas parabólicas, que foram migradas para outra banda.

Expansão da conectividade

Enquanto as cinco capitais recebem o 5G, as demais aguardam a limpeza da faixa ou a conclusão da instalação das infraestruturas necessárias para a nova tecnologia, que precisa de um maior número de antenas para funcionar. No último dia 28 de julho, foi sancionada a Lei nº 14.424/2022, que autoriza a instalação de infraestrutura de telecomunicações em casos de não manifestação do órgão competente no prazo de 60 dias, o chamado silêncio positivo.

Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis Brasil Digital, representante das grandes operadoras, lembra que São Paulo já possui uma lei municipal atualizada que agiliza a autorização de novas antenas, mas que a lei do silêncio positivo vai ajudar na expansão da conexão como um todo, já que os editais preveem, além da instalação do 5G nas capitais, uma maior cobertura do 4G onde ela ainda é falha.

“A nova lei do silêncio dispositivo vai ajudar a expandir a conectividade do país. Tanto o 5G quanto o 4G. As obrigações do edital ainda exigem que se coloque o 4G onde ainda não tem, que são 8 mil localidades, mas ainda temos muita dificuldade em avançar na instalação de infraestrutura do próprio 4G. E o 5G, como é uma tecnologia que requer muito mais antenas do que o 4G, também vai exigir um mecanismo ágil para que avance na instalação de infraestrutura”, explica o presidente da Conexis.

Onde terá o 5G na cidade

Segundo informações da Anatel, a cobertura inicial do 5G na cidade de São Paulo está concentrada no chamado centro expandido, entre as marginais Tietê e Pinheiros, perpassando uma boa parte da zona oeste e o começo da zona sul. A área concentra os principais prédios empresariais, polos de empregos e famílias com maior poder aquisitivo.

As zonas leste e norte da cidade, assim como o extremo da zona sul, têm antenas umas mais distantes das outras, ou seja, a mancha de cobertura não será tão longa e a conexão deve ficar alternando entre o 4G e o 5G, caso a pessoa esteja em movimento, já que a cobertura é de cerca de 300 metros entre as estações.

As próximas capitais a receber o 5G devem ser Goiânia (GO), Salvador (BA), Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ), que, assim como São Paulo, já passaram pela instalação dos filtros. A data de implementação, porém, ainda não foi definida.
 

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LOC.: O 5G chega a São Paulo nesta quinta-feira (04). A cidade é a quinta a receber a internet 100 vezes mais rápida que a tecnologia anterior, o 4G. As primeiras capitais a contar com a nova tecnologia foram Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e João Pessoa.

Pelas regras do leilão realizado em 2021, a cidade de São Paulo precisa ter, pelo menos, 462 estações ativas com 5G até o dia 29 de setembro. Mas o número deve ir bem além, já que as solicitações de licenciamento das operadoras junto à Anatel, até o último dia 2, chegaram a 1.387.

O presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações, Luciano Stutz, explica que a maior cobertura inicial em São Paulo se dá justamente pela alteração na lei municipal, que deu mais agilidade no processo de licenciamento de novas antenas na cidade.
 

TEC.SONORA: Luciano Stutz, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel)

“Sim, isso significa que a cidade de São Paulo está sendo priorizada na mancha de cobertura. Isso quer dizer que São Paulo vai ter uma cobertura maior que a obrigatória. Fruto da modificação da lei municipal, isso é importante dizer. São estão sendo colocados esses pedidos e aprovados porque teve uma modificação na legislação e agora eles são aprovados rapidamente, em até 15 dias.”
 

LOC.: O número maior de antenas é necessário, já que o 5G precisa de mais estações base para transmitir o sinal. No último dia 28, foi sancionada a lei que autoriza a instalação de infraestrutura de telecomunicações em casos de não manifestação do órgão competente no prazo de 60 dias, o chamado silêncio positivo.

O presidente executivo da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari, representante das grandes operadoras, afirma que a lei do silêncio positivo vai ajudar na expansão da conexão como um todo.
 

TEC. SONORA: Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis

“A nova lei do silêncio dispositivo vai ajudar a expandir a conectividade do país. Tanto o 5G quanto o 4G. As obrigações do edital ainda exigem que se coloque o 4G onde ainda não tem, que são 8 mil localidades, mas ainda temos muita dificuldade em avançar na instalação de infraestrutura do próprio 4G. E o 5G, como é uma tecnologia que requer muito mais antenas do que o 4G, também vai exigir um mecanismo ágil para que avance na instalação de infraestrutura.”
 

LOC.: Segundo informações da Anatel, a cobertura inicial do 5G na cidade de São Paulo está concentrada no chamado centro expandido, entre as marginais Tietê e Pinheiros, além de uma boa parte da zona oeste e o começo da zona sul. As zonas leste e norte da cidade, assim como o extremo da zona sul, têm antenas umas mais distantes das outras, ou seja, a conexão deve ficar alternando entre o 4G e o 5G.

Reportagem, Luciano Marques