Internacional

05/02/2023 17:18h

Documento foi entregue ao presidente Lula e ao chanceler alemão, Olaf Scholz, em reunião em Brasília

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias Alemãs e a Comissão de Negócios Alemães da América Latina assinaram e entregaram ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e  ao chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, uma declaração conjunta que aponta cinco ações consideradas como prioritárias pelo setor, para comércio e investimentos bilaterais em 2023. 

O documento foi apresentado aos líderes em reunião realizada na última segunda-feira (30), em Brasília, para discutir a parceria estratégica entre os dois países. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), dentre as pautas do encontro estão paz e segurança, transição energética, mudanças climáticas, reindustrialização, agricultura sustentável, combate à pobreza, saúde e educação. O acordo Mercosul-União Europeia também foi abordado na reunião.

Brasil e Alemanha são tradicionais parceiros em comércio; investimentos, com destaque para o setor industrial; e em pautas ambientais. O país europeu vai liberar cerca de € 200 milhões para uso em ações ambientais no Brasil.  O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela ministra da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha, Svenja Schulze. 

De acordo com o MRE, mais de mil empresas alemãs atuam em território brasileiro e a corrente de comércio bilateral superou US$ 19 bilhões em 2022. O Brasil é o principal parceiro da Alemanha na América do Sul. O economista William Baghdassarian explica que a relação entre os dois países vai além das trocas comerciais. 

“A relação econômica entre Brasil e Alemanha é muito mais ampla do que só importação e exportação. Ela passa pela Alemanha ser a principal economia europeia e falar em nome da Europa. Então estamos falando em integração com a Europa, não só com a Alemanha”, pontua. 
 

Prioridades

A primeira prioridade elencada no documento é a conclusão do Acordo União Europeia-Mercosul. Os representantes da indústria afirmam se tratar de uma medida fundamental para aumentar o comércio bilateral.

A modernização do plano de ações da parceria estratégica entre Brasil e Alemanha é a segunda prioridade da lista. O grupo justifica que essa é uma forma de alcançar novas áreas de cooperação e defende a inclusão de tópicos como descarbonização, inteligência artificial e segurança cibernética. Outro pedido presente no documento é um novo e moderno tratado para evitar dupla tributação. 

Na sequência, o documento traz como prioridade a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para a indústria, “avançar no sentido da coerência regulamentar, econômica, tributária, ambiental, tecnológica e política entre as economias mundiais mais relevantes exige compromissos de longo prazo por parte dos governos e das partes interessadas do setor privado”. 

Promover iniciativas bilaterais de digitalização e da Indústria 4.0 encerra a lista das principais medidas defendidas por representantes da indústria nas relações entre os países. Os tópicos citados são: tecnologia 5G; segurança cibernética; e transição energética sustentável. Para o economista Hugo Garbe, as prioridades apresentadas pela indústria são importantes para facilitar o comércio internacional. 

“Um acordo para evitar bitributação é um acordo que visa facilitar o comércio internacional entre Brasil e Alemanha. Uma das prioridades é a entrada do Brasil na OCDE, que é um órgão comercial. Essencialmente os países que fazem parte da OCDE são países que buscam o estado da arte em termos de relações econômicas internacionais. Então é importante o Brasil levar a sério essas prioridades para figurar entre os países mais importantes, não só da América Latina como do mundo”, afirma. 
 

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25/10/2022 04:15h

Liderada pela CNI, comitiva com mais de cem empresários do Brasil participou da Sial, maior feira de alimentos do mundo, em Paris

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Cem empresários brasileiros liderados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) participaram da maior feira de alimentos e bebidas do mundo, na França. No Salão Internacional da Alimentação (Sial), realizado em Paris, a missão brasileira pode participar de rodadas de negócios com rendimento previsto de mais de R$ 200 milhões em exportações nos 12 meses seguintes.

Inaugurada em 1964, a feira visa a prospecção de novos produtos e fornecedores, além de divulgar para o setor de alimentos novas tendências e mercados. “Desde 2006, nós temos uma estratégia contínua de participação no evento. Contudo, sempre trabalhando missões mais focadas em um segmento alimentício: ou o orgânico, ou o setor cárnico, ou o setor de sucos ou de bebidas”, conta Sarah Saldanha, Gerente de Internacionalização da CNI.

Realizada a cada dois anos, a Sial não teve a edição de 2020, devido à pandemia de Covid-19. Com isso, a expectativa para o evento da próxima semana, aumentou. “Este ano, observando a grande oportunidade que nós temos de posicionar a imagem da indústria brasileira, nós estamos trabalhando múltiplos setores e numa feira grande com stands, encontros de negócios com mais de 27 comprados já selecionados, circuitos guiados na feira e visitas técnicas a supermercados, centros de inovação tecnológica, loja de alimentação premium, para que a empresa, de fato, volte e traga na sua bagagem informação, conhecimento e negócios", revela Saldanha.

A feira recebe visitantes de mais de 200 países, dentre produtores, importadores, compradores e varejistas, especialistas em mídia e associações independentes. A delegação brasileira vai representar, ao todo, 94 empresas do país, instaladas em 13 estados:  Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. A Missão Comercial Sial Paris 2022 ocorreu entre os dias 14 e 19 de outubro, numa parceria da CNI com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

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Indústria alimentícia

O setor alimentício é o braço da indústria que mais emprega no Brasil: mais de 1,6 milhão de trabalhadores em 45 mil empresas. Dados da CNI apontam que, no primeiro semestre de 2022, as vendas da indústria brasileira de alimentos cresceram cerca de 3,2%, o que também foi acompanhado pela produção, com alta de 2,6%. 
 

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Economia
21/10/2022 04:00h

Trocas entre os dois países somaram US$ 67,3 bi até setembro. Segundo Amcham Brasil, 2022 deverá registrar recorde de comércio bilateral

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O comércio entre Brasil e Estados Unidos cresceu 36% nos nove primeiros meses de 2022 em relação ao mesmo período do ano passado e alcançou a marca de US$ 67,3 bilhões A troca de bens entre os dois países este ano bateu recorde histórico, de acordo com a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil). 

Segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, a corrente de comércio entre os dois países deve ultrapassar os US$ 80 bilhões em 2022, o que seria uma marca inédita. Abrão Neto, vice-presidente Executivo da Amcham Brasil, avalia o comércio crescente entre brasileiros e norte-americanos. 

"Na avaliação da Amcham, o ano de 2022 registrará recorde no comércio bilateral, com valores inéditos de importações e exportações. Essa projeção se ancora no aumento da demanda e na elevação dos preços internacionais de itens importantes da pauta bilateral. Em um cenário externo mais turbulento, Brasil e Estados Unidos têm garantido segurança no fornecimento de energia e de insumos estratégicos", afirmou. 

Para Juliano da Silva Cortinhas, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), o aumento do fluxo comercial entre os dois países pode ser explicado por vários fatores. “Em grande medida, o que está por trás desse aumento é que a gente está com uma moeda desvalorizada, a gente passou por um processo de desindustrialização, o que não é bom, mas que posicionou a nossa economia para uma economia de commodities e, aí sim, com a guerra da Ucrânia e da Rússia, esse boom de commodities aumentou o valor da nossa pauta exportadora”, ressalta. 

Segundo o especialista, a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, também contribuiu para que o Brasil exportasse mais para os norte-americanos. “EUA e China estão passando por um processo de afastamento. Isso abre espaço para outros países aumentarem seus níveis de comércio com os Estados Unidos. Nesse sentido, a gente aproveitou esses reequilíbrios do mercado internacional de produtos”, analisa. 

Balança comercial

De acordo com a Amcham, as importações do Brasil vindas dos EUA cresceram de modo mais acelerado do que as exportações Em valores absolutos, o Brasil importou cerca de US$ 39,4 bilhões dos norte-americanos, marca recorde e 44,1% maior do que no ano passado. 

Cerca de 73% do aumento no valor das importações se deve a quatro produtos de energia: óleos combustíveis, gás natural, petróleo bruto e carvão mineral. Também houve crescimento expressivo de produtos ligados ao agronegócio como fertilizantes, inseticidas, fungicidas e herbicidas. 

Já a venda de produtos brasileiros aos EUA aumentou 26%, chegando aos US$ 27,9 bilhões, valor recorde no acumulado em nove meses. O levantamento aponta que, embora o ritmo de crescimento das exportações seja menor que o das importações, ele ocorre de forma mais disseminada, com destaque para o petróleo bruto, ferro gusa, café, madeira e equipamentos de engenharia. 

Ainda segundo a Câmara Americana de Comércio, as trocas comerciais entre Brasil e EUA têm ajudado esses países a fortalecerem a sua segurança em meio a um cenário internacional de incertezas e de choques de cadeias de produção. A publicação destaca que o comércio bilateral de produtos do setor de energia, insumos e bens essenciais para a produção de alimentos vêm crescendo. 

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Economia
12/10/2022 10:00h

Objetivo da revisão das normas de regulação é melhorar o ambiente de negócios no país, seguindo orientações da organização

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Com a intenção de facilitar o processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Ministério da Economia estuda a implantação de uma reforma regulatória no Brasil. Para tal, o órgão abriu edital a fim de receber contribuições das sociedades civil e empresarial que almejam a reestruturação do sistema regulatório brasileiro.

O objetivo da ação é apresentar sugestões e colher contribuições para consolidar proposta que atenda às indicações do documento Regulatory Reform in Brazil – Reforma Regulatória no Brasil, em tradução livre –, publicado em junho deste ano pela OCDE. De acordo com a subsecretária de Política Regulatória, Comércio e Zonas de Processamento de Exportação, Natasha Miranda, essa avaliação foi contratada pelo governo brasileiro junto à organização internacional, para melhorar nossas práticas regulatórias. 

“Boas práticas regulatórias é aquilo que a gente precisa fazer quando vai editar uma nova regulação. Então, o que a gente busca é fazer com que os órgãos do Brasil, os órgãos reguladores do Brasil, implementem todas essas ferramentas. Isso, ao final e ao cabo, vai trazer mais transparência para o ambiente regulatório brasileiro, que ao final melhora a competitividade e também a segurança jurídica para a atração de investimentos", explicou a gestora com exclusividade ao Brasil 61. 

Essa intenção brasileira foi percebida pela OCDE. Em evento realizado em setembro, organizado pelo Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (Ibrac), o chefe da divisão de Política Regulatória da OCDE, Daniel Trnka, comentou sobre o tema. “Sabemos que o Brasil já deu passos muito importantes para fortalecer a qualidade do seu quadro de regulações governamentais, e essa avaliação foca exatamente nisso, e reconhece isso”, exalta o economista. 

Segundo o membro da OCDE, novas políticas regulatórias “são realmente importantes para o governo alcançar os objetivos de suas políticas públicas, sejam eles de proteção do meio ambiente, de proteção dos trabalhadores, dos consumidores, bem como da melhora da competitividade brasileira”.

OCDE: Subsecretário americano defende entrada do Brasil na organização 

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Nessa linha, Natasha Miranda garante que a medida pode ajudar na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros e brasileiras. “A partir do momento que a gente tá alinhado a essas políticas, está mais alinhado com países desenvolvidos e as nossas mercadorias conseguem acessar de forma mais fácil os padrões desses países. E a gente também, quando vai receber investimento estrangeiro, consegue passar mais confiabilidade e segurança jurídica aos investidores", avalia a subsecretária.

Brasil na OCDE

Uma das metas do governo do presidente Jair Bolsonaro é a entrada do Brasil na OCDE. O pedido foi feito ainda em 2017, pela gestão do então presidente Michel Temer. A organização iniciou a análise em janeiro deste ano, mas o processo ainda não foi finalizado.

Essa iniciativa do Ministério da Economia, segundo a subsecretária de Política Regulatória, Comércio e Zonas de Processamento de Exportação, diminui a distância que o Brasil tem de percorrer para alcançar esse objetivo. “É mais um passo em alinhamento ao processo de acessão. Isso, lógico, deixa o Brasil um pouquinho mais perto mas não é o suficiente”, destaca Natasha Miranda.  

Para a gestora, reformar as normas regulatórias torna a entrada do Brasil na OCDE menos complicada, mas muitas outras áreas da administração pública terão que passar pelo crivo da organização até que a entrada do país ao grupo seja autorizada.

Os sinais, por parte da OCDE, são positivos. “Estamos muito animados em ver como a agenda de reforma regulatória cresceu no Brasil, e esse evento realmente reflete o compromisso do país em melhor sua política regulatória e de governança”, reconheceu Daniel Trnka em setembro.

Contribuições

Para poder contribuir com a reforma regulatória, os interessados e interessadas devem apresentar contribuições por meio do Portal Participa + Brasil, até o dia 4 de novembro de 2022. 

As recomendações da OCDE foram agrupadas em quatro eixos: política e instituições; avaliação ex ante do regulamento e engajamento das partes interessadas na formulação de regulações; revisão do estoque regulatório; e coerência regulatória e política regulatória em nível subnacional.

Mais informações quanto à tomada de subsídios, esclarecimentos adicionais e acesso ao edital podem ser acessadas na página do chamamento, aqui.

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Economia
11/10/2022 17:55h

País entregou memorando à organização. Trata-se de um documento em que o Brasil se autoavalia sobre o cumprimento das exigências para entrar no grupo. Nessa quinta-feira (06), Senado aprovou acordo que prevê instalação de escritório da instituição em território nacional

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O Brasil deu mais um passo para fazer parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em coletiva na última semana (06), o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o país entregou à organização um documento de autoavaliação sobre o cumprimento dos requisitos necessários para entrar na OCDE. 

“Estamos entregando esse memorando inicial. É uma espécie de autoavaliação nossa dizendo: ‘Desses 230 instrumentos, nós avaliamos que esses daqui já estão cumpridos, esses estão assim e esses outros nós pretendemos fazer o seguinte’,” afirmou. 

O ministro da Economia disse que dos 230 requisitos obrigatórios exigidos pela OCDE para adesão do Brasil, o país já cumpriu 108, outros 45 estão em análise pela organização e 77 estão sendo implementados pelo governo. Carlos França, ministro das Relações Exteriores, disse que a adesão do Brasil à OCDE é “um sonho antigo do Itamaraty” e que, a partir de agora, 26 comitês e grupos de trabalho designados pela organização internacional vão examinar as informações enviadas pelo Brasil no memorando. 

Eduardo Fayet, especialista em Relações Institucionais e Governamentais e Gestão Pública, da Fundação da Liberdade Econômica aponta que o Brasil precisa provar, no memorando, se cumpre, deixa de cumprir ou está em andamento em relação a cada um dos requisitos para ingresso na OCDE. 

Para o ministro Paulo Guedes o “sim” para a entrada do Brasil no grupo deve ser abreviado. “Normalmente, esse processo levaria mais dois, três, quatro, cinco anos. Nós acreditamos que esse tempo vai ser substancialmente encurtado, graças ao empenho de todos nós e essa percepção, ao contrário do que se diz aqui, o Brasil nunca foi tão respeitado lá fora. Está havendo uma reavaliação pelo nosso desempenho”, afirmou. 

O ministro da Economia também confidenciou que o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, tem indicado que “o Brasil está bem à frente dos demais candidatos” a uma vaga na organização. Argentina, Bulgária, Croácia, Peru e Romênia também tentam fazer parte da instituição. 

Escritório no Brasil

No mesmo dia em que anunciou a entrega do memorando à organização, o Brasil avançou em mais uma frente no processo de adesão à OCDE. Isso porque o Senado aprovou um acordo assinado em 2017, entre o país e a OCDE, que prevê a abertura de escritório da organização em território nacional. 

A parceria visa promover e garantir a implementação de atividades conjuntas entre as partes; funcionar como ponto de contato efetivo entre as autoridades brasileiras responsáveis pela cooperação com o secretariado da OCDE; apoiar missões e eventos da OCDE a serem realizados no Brasil; e prover privilégios e imunidades para que os agentes da OCDE possam desempenhar adequadamente suas funções. 

Estabelecimento de escritório da OCDE no Brasil aguarda apreciação da Câmara

Ministro da Economia diz que entrada do Brasil na OCDE é prioridade

OCDE

A OCDE é uma organização internacional composta por 38 países, reunindo algumas das economias mais avançadas do mundo, como Estados Unidos, Japão e Reino Unido, mas também alguns países emergentes, como Costa Rica, Colômbia, Chile, México e Turquia. Desde 2017, quando protocolou pedido formal de adesão, o Brasil tenta se tornar país-membro da OCDE. 

Para entrar na organização, o país precisa, além de implementar os instrumentos legais, ser aceito por unanimidade pelos países membros. Desde 2019, o governo do presidente Jair Bolsonaro intensificou a candidatura do país à OCDE, tendo como aliado o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. 

A organização tem como objetivo identificar e estabelecer práticas e políticas que promovam prosperidade, igualdade, oportunidade e bem-estar para todos. Ela atua com governos, formuladores de políticas públicas e a sociedade civil para criar padrões internacionais e buscar soluções para desafios sociais, econômicos e ambientais. 

Seus países membros compartilham experiências e avaliam o desempenho uns dos outros, além de recomendar melhorias entre si. Espera-se que, ao adotar as práticas e regras consolidadas pela OCDE, o nível de produtividade da economia brasileira aumente. 

Segundo Fayet, para o Brasil é muito importante fazer parte da OCDE. Ele diz que os 38 países que fazem parte da organização atualmente "têm, juntos, 62% do PIB mundial, são nações democráticas e com fortes políticas de desenvolvimento social e econômico”. 

“Fazer parte eleva o país a outro patamar de relações internacionais, ampliando a possibilidade de atração de investimentos, favorecendo acordos comerciais mais vantajosos, aumenta a confiança dos países e melhora o ambiente de negócios de outros países com os brasileiros”, completa. 

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08/09/2022 20:40h

Elizabeth II ficou à frente do trono por 70 anos, o reinado mais longo da história britânica

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A rainha Elizabeth II, do Reino Unido, morreu nesta quinta-feira (8), após complicações de saúde. A monarca estava recebendo cuidados médicos no Palácio Balmoral, na Escócia, onde faleceu. A informação foi confirmada pela família real, por meio das redes sociais.

Nascida Elizabeth Alexandra Mary, no dia 21 de abril de 1926, em Londres, era a filha mais velha de Albert, duque de York. Após a morte do pai, foi coroada como rainha em 6 de fevereiro de 1952, com 27 anos, já casada com Phillip, que recebeu o título de Duque de Edimburgo. Os dois tiveram quatro filhos, Charles, Anne, Andrew e Edward. Elizabeth e Phillip ficaram juntos até abril de 2021, quando o príncipe consorte faleceu.

Elizabeth II ficou à frente do trono por 70 anos, o reinado mais longo da história britânica. Durante esse período, a sociedade passou por diversas transformações e manter a monarquia foi um desafio.

Kai Lehmann, professor de Relações Internacionais, destaca os principais desafios durante o longo reinado da rainha. “A gente pode destacar que ela testemunhou o processo de descolonização, ou seja, o fim do Império Britânico, a entrada e saída da União Europeia e evidentemente a morte da princesa Diana”. 

Além disso, o professor lembra que, durante esses anos, o Reino Unido passou por guerras e crises políticas e econômicas. Nesse contexto de crises e instabilidade, a rainha Elizabeth virou uma representação de confiança para o povo britânico. “Tem várias gerações que só conhecem ela como chefe de estado, ela era um símbolo de continuidade e segurança em tempos incertos e sombrios. Os britânicos gostam muito de tradição, principalmente para os ingleses, a monarquia representa isso, representa tradição, representa glória e, principalmente, a glória do passado”, explica. 

Agora, o trono do Reino Unido  é ocupado pelo filho mais velho de Elizabeth II, Charles III, o príncipe de Gales. Com 73 anos, ele é o rei mais velho a assumir o trono, e segundo o professor, pode ser considerado um rei de transição.

Além de dar continuidade à tradição, Charles enfrenta desafios econômicos e políticos, “O que vai acontecer com a Escócia? Com a Irlanda do Norte? Então, eu acho que o principal desse desafio do Charles vai ser além da própria instituição da Monarquia, vai ser uma influência, me parece que ele vai ter um trabalho difícil nesse sentido, de incorporar a tradição e continuidade. Ele vai ter que achar uma maneira de como exercer esse papel”, aponta o especialista.

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05/08/2022 04:30h

Troca de bens entre o Brasil e os Estados Unidos alcançou a soma recorde no primeiro semestre deste ano, um aumento superior a 43% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Tendência é de aumento ainda maior do intercâmbio internacional com a adesão à OCDE

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O Brasil registrou valor recorde no comércio internacional com os Estados Unidos no primeiro semestre de 2022. Levantamento da câmara de comércio Amcham aponta que a troca de bens entre nosso país e os norte-americanos somou US$ 42,7 bilhões no período, um aumento de 43,2% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Segundo especialistas, a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tende a melhorar ainda mais essa relação, além do comércio com outras potências mundiais.

Fabrizio Panzini, superintendente de Relações Governamentais da Amcham, explica que o recorde identificado pelo Monitor do Comércio Brasil-EUA tem entre as razões principais o cenário internacional, que fez com que aumentassem as trocas de bens do setor de energia, como petróleo, gás natural e óleos de petróleo, e uma alta demanda nos Estados Unidos por produtos variados.

“Além disso, o cenário internacional gerou uma certa escassez de alguns produtos que o Brasil precisa, como é o caso de fertilizantes, que teve um aumento de mais de 200% de compra dos Estados Unidos. No caso das exportações do Brasil para os Estados Unidos, também o tema do petróleo está muito importante e o grande aumento foi em óleos brutos de petróleo que o Brasil enviou aos Estados Unidos”, pontua Fabrizio. “Também teve uma certa variedade de outros produtos que tiveram maior presença na pauta, como café, carne bovina, até mesmo aeronaves e produtos de madeira.”

O superintendente da Amcham acredita que o comércio internacional com os Estados Unidos, bem como com outras potências mundiais tende a crescer ainda mais com a entrada do Brasil na OCDE, um grupo de países que representa mais de 60% do PIB e mais de 60% do comércio internacional. “A OCDE reúne ali as melhores práticas de políticas públicas em diversas áreas, de educação, tributação, meio ambiente, comércio internacional, investimentos. Então, entre essas boas práticas que o Brasil pode absorver estando mais inserido na OCDE estão justamente a melhoria do seu ambiente de negócio e a melhoria de regras para receber mais investimentos estrangeiros e para participar mais dos fluxos de importação e dos fluxos de exportação no comércio internacional”, destaca.

Os Estados Unidos são fortes apoiadores do ingresso do Brasil na organização. Em visita ao país, em abril deste ano, o subsecretário de Estado para o Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente dos EUA, José W. Fernandez, destacou que é importante que o Brasil alinhe suas atuações com os valores e padrões da OCDE, já que isso vai atrair mais investidores, gerar mais vagas diretas e indiretas em diversos setores e aprimorar as relações comerciais internacionais com diversas nações, entre elas a norte-americana.

Renan Gomes De Pieri, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), explica que, historicamente, o Brasil sempre teve um relacionamento comercial muito forte com os Estados Unidos, sendo por muitas décadas o principal parceiro comercial do Brasil, até ser substituído pela China. Ele acredita que a entrada do Brasil na OCDE pode potencializar esse comércio, não só com o país norte-americano, como também com outras nações desenvolvidas.

“Entrar na OCDE exige uma melhora do ambiente institucional do Brasil. E essa melhora, por si só, já vai levar o país a um outro patamar de abertura, de participação no comércio exterior. Esse aumento de comércio é muito importante para o Brasil, uma vez que a entrada de dólares através das exportações no país possibilita uma maior valorização da moeda doméstica e uma maior importação de bens de outros países pode significar custos mais baixos para as empresas, mais tecnologia, principalmente quando a gente fala de importação de bens de capital”, explica Renan.

Ainda segundo o economista, só essa entrada de dólares acima do esperado no Brasil trará diversos benefícios ao país, aumentando o crescimento econômico neste momento de pós-pandemia. E, segundo ele, será uma pequena mostra do quanto podemos ter de retorno com a adesão à OCDE.

Indústria se destaca na exportação

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 31,9% nos primeiros seis meses de 2022, registrando US$ 17,7 bilhões. O maior valor anterior para o mesmo período ocorreu em 2019: R$ 14,7 bilhões.

As indústrias de transformação e extrativista foram as que mais se destacaram entre as exportações. Os produtos mais exportados aos Estados Unidos no período foram os semiacabados de ferro e aço, com alta de 7,3% em relação ao ano anterior, além do petróleo bruto, que registrou aumento de 121%.

Reflexos do conflito na Ucrânia

A guerra entre Rússia e Ucrânia gerou impacto direto na exportação de produtos do setor de energia e combustível, principalmente petróleo e derivados, fertilizantes, insumos químicos, entre outros.  Como consequência, a procura desses produtos vindos de outros países tem aumentado consideravelmente, principalmente no Brasil.

De acordo com os dados do Monitor de Comércio da Amcham, 43,7% do total de importações nacionais dos Estados Unidos foi de compras de produtos de energia, em especial combustíveis e derivados de petróleo, gás natural, petróleo bruto e carvão. A procura por esses produtos foi tão intensa que a importação exclusiva dos Estados Unidos pelo Brasil cresceu 52,4% em comparação ao semestre anterior. 
 

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26/07/2022 04:15h

Emenda de Kigali propõe a redução de 80% no consumo de hidrofluorcarbonos para reduzir os impactos climáticos. Medida já foi aprovada pelo Congresso Nacional e aguarda promulgação

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Consumidores brasileiros podem economizar R$ 152 bilhões, até 2035, ao substituir os gases hidrofluorcarbonos (HFCs) em equipamentos de refrigeração. A estimativa consta no Estudo de Impacto Regulatório da International Energy Initiative. Segundo o estudo, a medida também pode gerar uma economia de R$ 81 bilhões em investimentos para aumento da capacidade instalada da indústria. 

Em termos de energia, a troca dos HFCs pode levar a uma economia de 326 TWh em eletricidade (equivalente a 65,6% do consumo de todo o país em um ano), redução de 11,3 GW de demanda no setor elétrico (6% de toda a capacidade instalada no Brasil em 2022), além de evitar a emissão de 60 milhões de toneladas de CO² na atmosfera.

O professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Artaxo, explica que atualmente já existem substâncias alternativas aos HFCs, com menor impacto no clima. “Mas evidentemente ainda precisamos de acordos internacionais, que vão criar políticas internacionais de redução de emissões dos HFCs.”

A ratificação da Emenda de Kigali no Brasil aguarda promulgação, após aprovação nas duas casas do Congresso Nacional. O acordo internacional determina a redução de 80% do consumo de HFCs até 2045, com o objetivo de minimizar os impactos climáticos.

Como os HFCs aquecem o planeta

O HFC é um gás utilizado principalmente em ar-condicionado (residenciais, comerciais e de automóveis) e equipamentos de refrigeração (geladeiras, sistema de refrigeramento industrial e sistemas centralizados de refrigeração usados em edifícios comerciais, como supermercados e shoppings).

Por não possuírem cloro em sua estrutura molecular, os HFCs não atacam a camada de ozônio e, por isso, substituíram os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) nos equipamentos de refrigeração. No entanto, os HFCs absorvem radiação infravermelha, o que aumenta a temperatura do planeta, como explica o professor Paulo Artaxo: “eles têm um poder de aquecimento global mais de mil vezes acima do CO². Então, eles são fortes agentes de mudanças climáticas globais”.

O problema se agrava pelo aumento da concentração de HFCs na atmosfera nas últimas duas décadas, após terem substituído os gases com cloro. Por isso, Artaxo recomenda o desenvolvimento de novas tecnologias de gases mais eficientes para substituir os HFCs em sistemas de refrigeração.

“Os HFCs foram desenvolvidos há 15, 20 anos atrás, quando não havia ainda o uso tão extenso de condicionamento de ar como nós temos hoje. E, se no futuro houver o aumento da temperatura do nosso planeta - projetado de 3 a 4 graus -, nós vamos precisar de ar-condicionado com eficiência muito maior do que os equipamentos que usam HFCs.”

Segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), o setor de refrigeração e ar condicionado fechou 2021 com R$ 36,35 bilhões de faturamento, um crescimento de 10,5% em relação a 2020. A projeção para 2022 é atingir R$ 37,98 bilhões.

Emenda de Kigali: entenda acordo internacional que Brasil ainda não aprovou

Consulta pública sobre concessão de três florestas no Amazonas segue até 29 de julho

Brasil possui R$ 411 bi para financiamento de projetos verdes por meio de bancos públicos

Fundo de apoio à substituição dos HFCs

Ao ratificar a Emenda de Kigali, o Brasil terá acesso aos recursos de um fundo de até US$ 100 milhões para apoiar a conversão tecnológica dos equipamentos da indústria, impulsionando a modernização e a competitividade da indústria nacional.

“Esse fundo deve ser usado parte em pesquisas científicas, parte em desenvolvimento tecnológico nas indústrias. Então, tanto as indústrias precisam desenvolver compressores mais eficientes com novos gases, com consumo menor de energia, quanto a pesquisa científica precisa aprimorar o desenvolvimento de gases alternativos aos HFCs”, afirma o professor Paulo Artaxo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que os recursos do fundo também contribuirão para a qualificação profissional de cerca de 80 mil microempreendedores individuais para trabalharem na modernização de sistemas de climatização.

Segundo a professora do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB),  Fernanda Vasconcelo, caso o Brasil não ratifique a Emenda de Kigali, além de perder o acesso ao fundo, ele vai deixar de trabalhar com equipamentos mais modernos e com menor impacto ambiental.

“Se o Brasil continuar usando os HFCs, ele não está corroborando para diminuir o aquecimento global e pode ser que, a longo prazo, tenha represálias do comércio internacional.”

Além disso, segundo Fernanda Vasconcelo, a indústria brasileira vai perder condições de competitividade, uma vez que os gases não ecológicos terão oferta reduzida. 

“O Brasil vai ter que, de uma forma ou de outra, trocar esses gases. Mas se ele vai ter que fazer isso no futuro, sem ter aderido à Emenda de Kigali, ele não vai ter treinado mão de obra, não vai ter entrado nas discussões iniciais de como fazer essa modernização em conjunto com todo mundo.”

Segundo o professor Paulo Artaxo, o Brasil tem condições de atingir a meta de redução de 80% do consumo e produção de HFCs até 2045. “Mas para isso é preciso que o estado brasileiro invista em ciência e em desenvolvimento de novas tecnologias para tornar mais eficientes os sistemas de ar condicionado que nós temos hoje.”

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01/07/2022 03:30h

Em tramitação no Senado Federal, o acordo internacional tem o objetivo de reduzir os impactos climáticos

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O Brasil terá que reduzir em 80% o consumo de hidrofluorcarbonos (HFC) até 2045, se a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal for ratificada pelo Congresso Nacional. O acordo internacional tem o objetivo de reduzir os impactos climáticos por meio do controle e eliminação gradual da produção e do consumo de gases de efeito estufa. 

Atualmente, o Projeto de Decreto Legislativo de Acordos, Tratados ou Atos Internacionais (PDC) 1110/2018 aguarda apreciação pelo Senado Federal, após ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

O HFC é um gás utilizado principalmente em aparelhos de ar-condicionado (residenciais, comerciais e de automóveis) e equipamentos de refrigeração (geladeiras, sistema de refrigeramento industrial e sistemas centralizados de refrigeração usados em edifícios comerciais, como supermercados e shoppings).

Segundo a professora do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB),  Fernanda Vasconcelos, o HFC não danifica a camada de ozônio, mas possui elevado impacto no aquecimento global.

“Os HFCs não têm cloro na sua estrutura. Então, eles não atacam a camada de ozônio; eles não reagem com o ozônio. Os HFCs são os gases que substituíram os HCFCs (hidroclorofluorcarbonos). E os HCFCs, por sua vez, substituíram os CFCs (clorofluorcarbonetos). Estes eram os grandes problemas para a camada de ozônio. Resolvemos o problema de atacar o ozônio. Só que criamos um novo problema, porque os HFCs absorvem radiação no infravermelho e, portanto, aumentam a temperatura do planeta.”

O Brasil foi um dos países mais ativos na defesa da aprovação da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, durante a 28ª Reunião das Partes que aconteceu em Ruanda, em 2016. A ratificação do acordo no território nacional conta com o apoio do governo e do setor privado, que já investe no uso de gases alternativos nos sistemas de refrigeração.

Além disso, ao ratificar a emenda, o Brasil terá acesso aos recursos de um fundo de até US$ 100 milhões para apoiar a conversão tecnológica dos equipamentos da indústria, impulsionando a modernização e a competitividade da indústria nacional, além do acesso dos consumidores a equipamentos de maior eficiência energética.

O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP) afirma que a aprovação da emenda representa uma grande revitalização da indústria nacional.

“É uma emenda que, para a indústria nacional, representa modernização, geração de empregos. E, para o meio ambiente, é uma solução para parte do problema das mudanças climáticas, porque gases, que causam efeito estufa, deixam de ser utilizados na produção de eletrodomésticos. Então, é uma emenda muito importante, todo mundo sai ganhando.”

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Vantagens econômicas

De acordo com estudo do Instituto Clima e Sociedade (ICS), a troca dos HFCs em equipamentos de refrigeração pode gerar uma economia de R$ 57 bilhões ao Brasil até 2035. Desses, R$ 30 bilhões deixarão de ser gastos na geração de energia elétrica e outros R$ 27 bilhões serão economizados pelos consumidores na conta de luz.

A professora Fernanda Vasconcelos explica os prejuízos caso o Brasil não ratifique a Emenda de Kigali.

“Os prejuízos são deixar de ter acesso ao fundo e deixar de trabalhar com equipamentos mais modernos, com gases de menor impacto ambiental. Se o Brasil continuar usando os HFCs, ele não está corroborando para diminuir o aquecimento global e pode ser que, a longo prazo, tenha represálias do comércio internacional.” 

A especialista explica que a indústria brasileira pode perder condições de competitividade, pois os gases não ecológicos terão oferta reduzida, a indústria precisará realizar a troca de equipamentos e a reforma de sistemas. “Então, o Brasil vai ter que, de uma forma ou de outra, trocar esses gases. Mas se ele vai ter que fazer isso no futuro, sem ter aderido à Emenda de Kigali, ele não vai ter treinado mão de obra, não vai ter entrado nas discussões iniciais de como fazer essa modernização em conjunto com todo mundo”, explica.

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Internacional
22/06/2022 20:35h

Paulo Guedes participou da abertura do evento “Semana Brasil-OCDE”, que está sendo realizado em Brasília até esta sexta-feira (24). Ele afirmou que a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico é uma prioridade do governo

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Durante a abertura do evento “Semana Brasil-OCDE”, que está sendo realizado em Brasília até esta sexta-feira (24), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é uma prioridade do governo. O ministro citou o apoio do secretário-geral da Organização, Mathias Cormann, para esse passo. “As nações avançadas, as economias mais fortes do mundo, as democracias liberais estão nesse grupo e o Brasil quer se juntar a esse grupo”. 

O evento que o Brasil sedia até a próxima sexta-feira (24) conta com uma série de reuniões entre países latino-americanos e a OCDE, grupo das economias mais industrializadas do planeta. A Semana Brasil-OCDE, realizada no Itamaraty, em Brasília, tem como destaque eventos sobre políticas econômicas, educação e produtividade no Brasil e na América Latina.

José Oswaldo Cândido Junior, professor de Relações Institucionais do Ibmec, explica que a entrada do Brasil na OCDE é essencial para o crescimento da economia nacional, principalmente porque vai atrair capital estrangeiro.

“A OCDE reúne os países mais desenvolvidos e têm iniciativas louváveis em políticas públicas que podem ser adotadas no Brasil. Então, é um ponto que, de fato, pro setor produtivo vai ser fundamental, porque isso vai melhorar a atração de investimentos, inclusive a internacionalização das empresas do Brasil no exterior, nos países que fazem parte da OCDE”, acredita o especialista.

O secretário-geral Mathias Cormann citou as adaptações importantes na legislação brasileira para que o país possa completar o processo de ingresso na Organização. De 229 instrumentos legais que se espera dos candidatos, o Brasil já está em conformidade em 112.  O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) diz que o país já se prepara há anos para entrar no seleto grupo e ressaltou o papel do Congresso Nacional no que diz respeito às mudanças da legislação.

“Sem dúvida estamos mais perto. O Brasil passa por um processo de aprimoramento da sua legislação, temos consciência que ainda precisamos fazer reformas estruturantes, mas o Brasil avançou de maneira substancial desde o advento do Plano Real, verdade seja dita. Não começou agora”, relata o parlamentar.

O deputado explica que é de fundamental importância que o Brasil consiga ingressar na OCDE e que não pode se descuidar do que já foi conquistado, como o teto de gastos para garantir o equilíbrio fiscal.

“O Brasil tem procurado ter bases sustentáveis para ser uma economia confiável e tem também mostrado todo um compromisso de abertura do mercado, de ser um país de economia aberta, livre, competitiva. E isso é fundamental para encontrar numa organização dessa natureza e que talvez seja a mais importante no mundo para dar sustentação à competitividade comercial entre as nações”, destaca Sávio.

Nesta quinta-feira (23) e no último dia do evento, ocorre a 4ª Cúpula Ministerial sobre Produtividade, organizada conjuntamente pelo governo brasileiro e pela OCDE, com apoio do Fórum Global de Produtividade da OCDE. A Semana Brasil-OCDE se encerrará, na sexta à tarde, com uma reunião do Grupo Diretor do Programa Regional. O grupo diretor reúne-se duas vezes por ano, uma em Paris, onde fica a sede da OCDE, e uma na América Latina ou no Caribe.
 

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Brasil 61