Conectividade

22/08/2022 02:23h

Em paralelo à implementação do 5G, operadoras precisam garantir o 4G em mais de 7.000 localidades que não contam com a tecnologia. E o efeito cascata vai ajudar indústria, comércio e população em geral

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Na prática, o 5G vai chegar aos poucos. A obrigação de cobertura em 2022, segundo o edital da Anatel, é de uma antena a cada 100 mil habitantes e apenas nas capitais brasileiras. Mas o mesmo edital obriga as operadoras que venceram o certame a levar o 4G a todas as localidades com mais de 600 habitantes já a partir do ano que vem. E elas são muitas: segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel), são mais de 7.000, incluindo a periferia de grandes cidades.

É neste ponto que entra a Lei 14.424, que autoriza a instalação de infraestrutura de telecomunicações em áreas urbanas, caso o órgão competente não se manifeste em 60 dias. O chamado silêncio positivo vai gerar um círculo virtuoso da conectividade para mudar a indústria, o comércio e a vida das pessoas como um todo. Para cumprir a obrigatoriedade de levar o 4G onde ainda não há, as operadoras vão precisar instalar mais torres e postes, infraestruturas que não recebem autorização em municípios com legislação defasada. Torres que, nos próximos dois ou três anos, também servirão para a chegada do 5G em peso, quando a obrigação de cobertura aumenta – em 2025 a tecnologia de quinta geração chega a cidades com mais de 500 mil habitantes, com uma antena para cada 10 mil habitantes.

Luciano Stutz, presidente da Abrintel, explica que agora que a legislação permite a instalação da infraestrutura mesmo sem resposta dos órgãos municipais competentes, em situações mais complicadas as operadoras vão, sim, utilizar o dispositivo do silêncio positivo. Principalmente porque elas serão obrigadas a levar cobertura a uma comunidade que hoje não conta sequer com o 4G.

Segundo Stutz, a primeira leva do 5G está utilizando a estrutura já construída para o 4G, mas, à medida que a obrigação de cobertura aumentar, somada à obrigatoriedade do 4G, mais torres serão necessárias e o silêncio positivo, fundamental.

“Provavelmente, essa primeira rodada do 5G, que vai chegar esse ano nas capitais, não está tendo necessidade de colocar novas torres e postes. Mas para as localidades distantes do distrito sede do município, que é o caso da obrigação do 4G, que começa a valer a partir de 2023, vai ser muito utilizado o silêncio positivo. Porque é necessário nesses distritos, nessas periferias, a cobertura primária, ou seja, primeiro é preciso de uma torre alta, para iluminar uma grande área e, depois, fazer a densificação do sinal”, explica.

Menos desigualdade digital e social

Segundo estudo recente realizado pela Abrintel, na região metropolitana de seis capitais, incluindo Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, verificou-se que não é preciso ir ao interior para ficar sem internet. Ali mesmo, na periferia das grandes cidades, há tantas pessoas usando uma única estrutura que todos acabam ficando desconectados. Dentro de alguns anos, o 5G chegará a todos os lugares para mudar a medicina, a indústria, a mobilidade, a educação, mas, antes, será necessário conectar aqueles que ainda sequer têm internet.

“Lembrando que o 4G é a nossa realidade, é o 4G que muda a vida das pessoas que estão nessas periferias, que estão nas estradas. É o 4G que possibilita a criança fazer aula on-line a partir de casa, a gente fazer videoconferência e trabalhar a partir de casa. O 4G, hoje, é o que muda a realidade social e econômica das pessoas”, aponta Stutz.

Além das mais de 7.000 localidades com mais de 600 habitantes sem o 4G, receberão a tecnologia mais de 35 mil quilômetros de rodovias federais em todo o país. Segundo o presidente da Abrintel, o 4G já a partir de 2023, para quem não tem acesso, e o 5G, em seguida, vão promover o desenvolvimento do país nos mais diversos setores.

“Essa conectividade é ferramenta indispensável para reduzir a desigualdade digital e a desigualdade social, que andam lado a lado, e também para impulsionar o desenvolvimento econômico. O 4G é o que muda a vida das pessoas que não têm conectividade”, explica. 
 

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Ciência & Tecnologia
11/07/2022 04:00h

Levantamento reforça que municípios precisam atualizar legislações próprias sobre instalação de antenas com suporte ao 5G. Apenas 1% das cidades estão preparadas

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Quanto mais rápido o 5G for implementado nas cidades brasileiras, maior tende a ser o impacto econômico que a adoção da quinta geração de internet móvel vai causar sobre o crescimento econômico do Brasil. A avaliação faz parte do estudo “Tecnologia 5G — Impactos econômicos e barreiras à difusão no Brasil”, de autoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Segundo o levantamento, a diferença entre uma disseminação acelerada ou lenta da tecnologia pode representar 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) potencial per capita do país de 2030. Isso equivale a um acréscimo de R$ 81,3 bilhões na economia. 

A CNI trabalhou com dois cenários. No mais otimista, a penetração do 5G no país será de 81% até 2030. No mais pessimista, cai para 40,5%. Vale lembrar que, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as empresas que venceram o leilão do 5G devem ofertar a tecnologia para todos os municípios brasileiros com população igual ou superior a 30 mil habitantes até 31 de julho de 2029. 

Renato da Fonseca, superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, destaca que o estudo procura medir o impacto da implantação da rede 5G no PIB por meio do crescimento da população em idade ativa (IPA) e da produtividade do trabalho, que aumenta com a adoção da tecnologia. 

“Por exemplo, quando você tem uma implementação de até 40% até 2030 e compara com o cenário de implementação de até 80%, essa diferença é de cerca de R$ 80 bilhões em valores de 2030. Ou seja, é um impacto bastante significativo que a gente vai ter na produtividade se fizer uma implementação rápida e não demorar muito para levar o 5G a todo o país”, avalia. 

Fonseca explica que a adoção do 5G vai beneficiar todos os setores produtivos, como o setor de serviços e o agronegócio, além de melhorar o dia a dia das pessoas. Ele também ressalta como a tecnologia impacta a indústria. 

“O 5G é essencial para a indústria 4.0, ou seja, para a digitalização do processo industrial. Na indústria, a alta velocidade do 5G, a baixa perda na transmissão de dados e, principalmente, a baixa latência, ou seja, o tempo de resposta que é quase zero, permite que a gente realmente implemente a tecnologia digital na operação de máquinas, de transportes movidos por computadores, porque a resposta é muito rápida”, diz. 

O superintendente também diz que o 5G se difere da atual geração de internet móvel por permitir a comunicação em tempo real entre as máquinas e equipamentos, o que otimiza a produção e evita prejuízo para a indústria. 

“As máquinas estão conversando uma com a outra. Se há uma demora, ele não identifica o aquecimento, uma interrupção e você gera um prejuízo muito grande para as empresas, então a confiabilidade e a rapidez desse novo sistema permite que o Brasil entre na era da digitalização, ou seja, da indústria 4.0”, acredita. 

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Entraves

O estudo aponta que a diferença dos dois cenários mede o custo de oportunidade de não executar as reformas necessárias para a ampla difusão do 5G, entre elas: 

  • Atualização das legislações municipais para permitir a instalação de antenas;
  • Redução da insegurança jurídica associada ao compartilhamento de infraestrutura;
  • Regulamentação das redes privativas;
  • Uso dos fundos setoriais de telecomunicações de maneira mais eficaz e transparente;
  • Aprovação de uma reforma tributária para diminuir o peso de impostos indiretos sobre os serviços de telecomunicações.

Renato da Fonseca pontua que o maior obstáculo para a ampliação da cobertura 5G no país é o déficit de antenas instaladas. Ele diz que a implementação da nova tecnologia exige cinco vezes mais antenas do que o suporte dado à rede 4G. “Isso precisa de modificações na legislação e cada um dos 5 mil municípios brasileiros precisa fazer isso e até hoje apenas 1% já implementou essa nova lei”. 

Os municípios precisam criar ou atualizar suas legislações para receber o sinal do 5G. Além disso, as operadoras de telefonia móvel reclamam da demora das prefeituras em permitir a instalação das antenas; alguns processos levam anos. 

Projeto sobre licenciamento temporário de equipamentos de telecomunicações vai à sanção presidencial 

SP: chegada do 5G depende de alteração na Lei Geral das Antenas

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Nesta semana, o Senado Federal aprovou  projeto de lei 1.885/2022, que pretende resolver a demora. O PL propõe que a Anatel dê autorização temporária para instalação de antenas nos casos em que os órgãos municipais competentes não concedem a permissão no prazo de 60 dias após o pedido. O texto aguarda sanção presidencial. 

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Ciência & Tecnologia
01/06/2022 02:21h

Plano se soma à Emenda Constitucional 121, que reestabeleceu benefícios a empresas de tecnologia. Expectativa é aumentar o faturamento atual de US$ 1 bilhão para US$ 5 bilhões até 2026

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O Ministério da Economia informou que o lançamento do Plano Brasil Semicondutores deve ocorrer até o início de julho. O texto está sendo finalizado nas áreas técnicas do governo para, então, ser encaminhado ao Planalto. A crise de semicondutores, necessários para a construção dos mais diversos eletroeletrônicos, evidenciou a necessidade de o Brasil reduzir a dependência externa dos chips e estimular a produção local.

Para Rogério Nunes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi), o plano nacional tende a aumentar ainda mais a competitividade do Brasil no mercado internacional e atrair investimentos.

“Nossa expectativa é muito grande, porque entendemos que ele vai melhorar as condições de competitividade e incentivar para que a gente possa crescer, as empresas aqui fabricantes localmente, e também, atrair empresas e novas parcerias do exterior”, destacou o presidente da Abisemi.

Segundo o Ministério da Economia, o Programa Brasil Semicondutores vai ajudar a desonerar a cadeia de produção, gerar mais apoio à pesquisa de desenvolvimento e iniciação, formação e capacitação de profissionais em vários níveis, simplificação de entrada e saída de materiais, entre outros.

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A expectativa é aumentar o atual faturamento do mercado interno de semicondutores de US$ 1 bilhão para US$ 5 bilhões até 2026. Esse faturamento deve chegar a US$ 12 bilhões em 2031, e a US$ 24 bilhões em 2036, o que corresponderia a 4% do faturamento mundial. Segundo a Abisemi, o Brasil é especializado em encapsulamento e teste de chips, mercado estimado em US$ 64 bilhões para 2027. O país tem a capacidade de chegar em 2025 recebendo cerca de US$ 16 bilhões desse montante. Atualmente a situação é inversa: o Brasil gastou, em 2021, US$ 5 bilhões importando circuitos integrados.

Apoio à indústria

O presidente da Abisemi ressaltou também a importância do PL 3042/2021 e da Emenda Constitucional 121 para o setor. O projeto de lei garantiu o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) até 2026. Já a Emenda 121 restabelece benefícios tributários, para a continuidade do crescimento dessa indústria, uma das mais estratégicas para o país. 

O Padis, criado em 2007, correu o risco de acabar no início deste ano, mas um projeto de lei do deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) prorrogou os incentivos por, pelo menos, mais quatro anos. Ainda assim, a ajuda ao setor foi ameaçada novamente com a Emenda Constitucional 109 (PEC Emergencial), que reduziria os incentivos tributários. O problema foi resolvido com a promulgação da Emenda Constitucional 121, que restabelece os benefícios tributários a empresas de tecnologia da informação e comunicação e de semicondutores. A Emenda promulgada resultou da Proposta de Emenda à Constituição 10/2021, que exclui da política gradual de desonerações os incentivos e benefícios fiscais e tributários para essas empresas.

Segundo o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), desde março de 2021, ele e um grupo de parlamentares lutam em prol do crescimento da indústria nacional de semicondutores, que se mostrou fragilizada durante a pandemia. Segundo o deputado, a promulgação da emenda garante um futuro de maior desenvolvimento e isso trará resultados positivos à economia do país.

“Nós dependemos de 94% dos semicondutores que vêm lá de Taiwan. Os semicondutores são os chips que estão em tudo que nós temos, nossas geladeiras, nossos carros, nossos veículos, nossas colheitadeiras. Tudo isso tem semicondutores. Essa é uma vulnerabilidade do Brasil e que nós tomamos essa providência e conseguimos aprovar. Já é uma emenda com lei promulgada e o resultado e o reflexo disso na economia do Brasil é gigantesco”, destaca Moreira.

A Emenda Constitucional 121 restabelece uma condição de equilíbrio que vigora com sucesso no país há cerca de 30 anos, quando foi criada a Lei da Informática, e que permite que empresas dos setores de tecnologia da informação e comunicação e de semicondutores concorram em condições semelhantes. Agora, o Brasil se soma a um grupo de mais de 45 países que promovem benefícios fiscais a empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento, entre eles Estados Unidos, China e a maioria dos membros da União Europeia.
 

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Educação
17/04/2022 19:50h

Iniciativa do Ministério das Comunicações pretende conectar todas as escolas públicas à rede de ensino até o fim deste ano

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O Ministério das Comunicações vai instalar 12 mil novos pontos de internet em escolas da rede pública do país nos próximos quatro meses. A iniciativa é parte do Programa WiFi Brasil e pretende conectar todos os estabelecimentos de ensino à rede mundial de computadores até o fim de 2022. 

Durante solenidade no Palácio do Planalto, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que durante a pandemia 25 mil escolas brasileiras não tinham acesso à internet. Hoje, 9.853 pontos de internet do WiFi Brasil já estão funcionando nas escolas. Com as novas instalações, a cobertura deve chegar a 90% dessas unidades de ensino até o início do segundo semestre.

“Nós estamos conectando [à internet], em média, três mil escolas por mês. Do montante de escolas que não tinham internet, nós temos, hoje, sem internet, 14,5 mil escolas. A gente está assinando um contrato com a Telebras e com a RNP [Rede Nacional de Ensino e Pesquisa] em que vamos conectar 12 mil escolas, nos próximos quatro meses. Ficaremos apenas com 2,5 mil escolas restantes para que a gente leve conexão no segundo semestre. E a promessa será cumprida: vamos entregar 100% das escolas conectadas”, garantiu o ministro. 

Os 12 mil novos pontos de internet vão ajudar a zerar o número de escolas sem acesso à rede nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Nordeste, os estados de Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte também estarão 100% conectados. Os demais estados nordestinos e a Região Norte devem receber cobertura integral para todas as escolas públicas até dezembro, disse Fábio Faria. “Essas crianças precisam estudar, precisam se conectar, precisam ter voz e a gente vai dar voz a quem não tinha”, completou. 

Márcio Migon, ex-coordenador do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), diz que a articulação entre a Telebrás e a RNP é um avanço institucional e que a instalação dos pontos de internet em todas as escolas públicas consolida um avanço buscado pelo Executivo. “No estágio em que nos encontramos, a comunicação por banda larga ou WiFi é tão importante ou mais do que a telefonia, para a qual toda a legislação foi desenhada”, afirma. 

Dos 9.853 pontos de internet instalados nas escolas até o momento, 93% são em áreas rurais. Segundo Migon, o acesso à internet nesses locais traz benefícios que excedem a sala de aula. 

“Essa é a grande beleza da internet, Chegando nas escolas, esse potencial fica ainda mais alavancado, que é permitir o acesso das comunidades locais a essa nova tecnologia, que é uma tecnologia habilitadora, na medida em que viabiliza um sem número de aplicações e soluções para a vida daquelas comunidades. Fico otimista com as inovações que vão surgir localmente, com as iniciativas da sociedade a partir de tudo isso”, comemora

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Programa WiFi Brasil
A cobertura integral das escolas brasileiras com internet é parte do Programa WiFi Brasil, o qual visa também instalar antenas e roteadores em assentamentos rurais, unidades básicas de saúde, aldeias indígenas e telecentros comunitários. Outra vertente da iniciativa tem o objetivo de disponibilizar antenas nas praças públicas com acesso livre e gratuito ao público em geral. Segundo o governo, dos 15 mil pontos já instalados, mais de 10 mil estão em áreas rurais e isoladas dos centros urbanos.  

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21/02/2022 22:35h

O portal Brasil61.com conversou com o ex-coordenador do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Márcio Migon. Ele avaliou o crescimento do número de usuários e como, ainda sim, há desigualdade qualitativa

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Desde o início da pandemia da Covid-19 até o fim de 2020, o número de domicílios brasileiros com acesso à internet passou de 71% para 83%. Isso significa que quase 62 milhões de domicílios estão conectados à rede no país, apontam os dados mais recentes do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br)

Segundo levantamento do CGI publicado no fim do ano passado, o aumento mais significativo no uso da internet entre as classes socioeconômicas ocorreu entre as classes C (de 78% para 85%) e D e E (de 57% para 67%). Com isso, a diferença entre as classes com a maior e a menor proporção de usuários caiu de 66% para 30% nos últimos cinco anos. 

Os dados revelam uma situação que parece contraditória: ao mesmo tempo em que mais brasileiros com menor poder aquisitivo têm acesso à internet em comparação aos de melhores condições financeiras, a desigualdade permanece, principalmente, no que diz respeito ao uso e qualidade do acesso. Para tentar explicar o paradoxo e o porquê disso ocorrer, o portal Brasil61.com conversou com Márcio Migon, ex-coordenador do CGI.br. 

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Migon ressalta que a pandemia da Covid-19 forçou uma mudança nas relações de trabalho, com a adoção do trabalho remoto por muitas empresas, nas relações de consumo, com o fortalecimento do comércio eletrônico e, obviamente na saúde, com o crescimento das teleconsultas. “Fato é que todas as classes estão usando e estão ficando horas ligadas e conectadas e sendo o celular o meio preferencial de ingresso do brasileiro e da brasileira na internet hoje. Agora, como outros serviços públicos ou outros serviços de uma forma geral, seja educação, seja saúde, infelizmente nós ainda vivemos num país com imensas disparidades”, lamenta. 

As disparidades às quais Migon se refere vão desde os equipamentos que, no caso do computador, está presente em 100% dos domicílios da classe A, mas apenas em 13% das classes D e E, até do uso que as pessoas fazem da internet quando estão on-line. 

“É claro que a qualidade do uso da internet ou quanto que isso satisfaz as aspirações, as necessidades básicas dos indivíduos e o quanto que os indivíduos estão cientes e conscientes em relação a isso, a depender da classe social, daquele que se conecta, é uma discussão bastante complexa. Apesar do volume ter aumentado, a qualidade do uso, o impacto do uso na vida das pessoas foi díspar de acordo com as classes sociais”, avalia. 

Durante o bate-papo, o ex-coordenador do CGI.br também opinou sobre as tentativas do Congresso Nacional e do poder Judiciário de regulação das redes sociais, como o Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como o PL das Fake News, e qual o seu impacto nas eleições deste ano e na liberdade de expressão dos cidadãos. 

Confira mais uma edição do Brasil 61 Entrevista logo abaixo: 

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05/11/2021 20:40h

Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do estado espera que nova geração de internet móvel ajude a conectar os moradores das regiões remotas

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Dois municípios do Acre não possuem cobertura 4G de internet, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Apesar de oito operadoras prestarem o serviço no estado, nenhum morador de Assis Brasil e Manoel Urbano tem acesso à tecnologia. As outras 20 cidades do Acre possuem cobertura 4G, mas em oito delas o acesso está restrito a menos da metade da população. 

Enquanto o Distrito Federal e estados como São Paulo e Rio de Janeiro conseguiram quase que universalizar o acesso à internet, e veem na chegada do 5G a oportunidade de potencializar a chamada Internet das Coisas e os setores produtivos, como a indústria e o agronegócio, o Acre vê na implementação da tecnologia uma chance de garantir, ao menos, conexão de alta velocidade para os habitantes locais. 

Segundo Adriano Sales Santos, diretor de Tecnologia da Informação da Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT), não há, de fato, alcance efetivo de 4G em todas as regiões do estado. Além disso, a dificuldade de acesso a alguns municípios, em que só é possível chegar de barco ou avião, dificultou a implementação de infraestrutura de banda larga por fibra óptica. 

A chegada do 5G, no entanto, pode representar uma solução para o problema, graças às características da tecnologia. “O 5G, pela sua capacidade wireless e alta velocidade, vai conseguir atender a essas regiões de difícil acesso a partir de uma conexão de qualidade e dentro do que se espera para internet. Acreditamos que a gente vai conseguir com o 5G colocar áreas distantes do estado realmente no século 21”. 

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Chegada do 5G vai impulsionar a chamada Internet das Coisas, dizem especialistas

De acordo com a Anatel, o prazo para que os municípios com menos de 30 mil habitantes, caso de 17 dos 22 municípios do Acre, recebam a cobertura 5G vai até 31 de dezembro de 2029. 

Até lá, no entanto, o edital do leilão 5G prevê que a empresa que arrematar a faixa de 700 MHz terá que levar internet para as localidades sem 4G. Quem levar a faixa de 2,3 MHz também é obrigado a cobrir 95% da área urbana dos municípios sem 4G. 

Na prática, as operadoras de telecomunicação que ganharam o certame têm o compromisso de levar o 4G para todas as localidades com mais de 600 habitantes. “A gente traz uma melhora em toda a infraestrutura de comunicação para o estado”, diz Adriano. 

Segundo o diretor da SEICT, o setor produtivo também vai se beneficiar com o avanço tecnológico. “O próprio agronegócio no estado do Acre tem o uso muito limitado da agricultura de precisão, porque para a agricultura de precisão eu preciso de conectividade e de comunicação. Eu não consigo ter isso em diversas regiões do estado, então a implementação forte na agricultura de precisão pode aumentar muito a produtividade das áreas do estado”, destaca. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, ressalta a revolução que a chegada do 5G pode trazer ao país. 

“O 5G é fundamental, porque ele vai permitir a Internet das coisas. Com o 5G vai ser permitido, por exemplo, o funcionamento de carros autônomos no Brasil. O 5G vai possibilitar cirurgias à distância. Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, exemplifica. 

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04/11/2021 20:14h

Desde o ano passado, antes da tecnologia 5G chegar ao país, a Universidade Federal do Pará (UFPA), conseguiu uma frequência licenciada pela Agência Nacional de Telecomunicações para fins de pesquisa

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Com a chegada da tecnologia 5G ao Brasil, diversos setores da sociedade serão beneficiados, como as comunicações, a economia e, também, a educação. Esse é o caso do estado do Pará: mesmo antes da implantação da tecnologia, no ano passado a Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, conseguiu uma frequência licenciada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para fins científicos. 

Com isso, foi criada a rede PA5Ge, projetada para ser uma rede móvel 5G privativa operando no campus da universidade, com objetivo de impulsionar o estudo e as pesquisas em 5G na UFPA e em instituições parceiras, provendo um cenário realista para avaliação e desenvolvimento de novos algoritmos. Essa rede possui um núcleo com funções de rede virtualizadas com base em software open-source, que opera em hardware de baixo-custo (SDR). 

Segundo o deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP), que foi relator no Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia 5G no país, os investimentos alavancados com o leilão do 5G vão provocar um impacto econômico e social considerável. Para o parlamentar, a medida vai contribuir, sobretudo, para o desenvolvimento dos municípios. 

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“Hoje, temos uma pequena parcela do agro sendo atendida, e entendemos que esse leilão tem outra característica. Empresas estarão atendendo as grandes e médias cidades do Brasil e, ao mesmo tempo, trata-se de um leilão para aquelas empresas locais, que poderão trabalhar nas cidades de menor porte, de até 30 mil habitantes, na zona rural”, explica. 

Para chegar a toda a população, a nova tecnologia de transmissão ainda vai demandar das empresas de telefonia investimentos em equipamentos para que o sinal alcance todo o país. O planejamento do Governo Federal é que todas as capitais brasileiras tenham 5G até meados de 2022 e o país inteiro até 2028. 

Na avaliação do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, a revolução tecnológica causada pelo 5G deve impactar sobretudo o setor produtivo. “Terá um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas. Porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não somente entre as pessoas, mas sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explicou.

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04/11/2021 20:05h

Estado registra mais de R$ 16 bi com produção no campo até setembro deste ano. Nova geração de internet móvel deve garantir eficiência e competitividade aos produtores rurais

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O agronegócio do Tocantins movimentou quase R$ 16,6 bilhões entre janeiro e setembro deste ano. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o estado é o 13º produtor agropecuário do país. E, no que depender da tecnologia 5G, os produtores tocantinenses vão ganhar eficiência e competitividade nos próximos anos. 

O primeiro desafio é garantir que a internet chegue ao campo. As propriedades rurais do estado, em sua maioria, não têm acesso à internet, seguindo tendência nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, 71,8% dos estabelecimentos rurais do Brasil não possuíam conexão. 

Segundo especialistas, a implementação da quinta geração de internet móvel vai causar impactos mais significativos no agronegócio e na indústria, graças à chamada Internet das Coisas, ou IoT (do inglês Internet of Things). 

A Internet das Coisas é o que permite que as máquinas se comuniquem entre si, o que fará diferença no processo de automatização da produção no campo, seja na agricultura ou na pecuária. Gustavo Brito, executivo da IHM, explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar as culturas. 

“Através de um IoT, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo, e por meio de algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, afirma.  

A agricultura de precisão não será a única a se beneficiar com o 5G, mas a criação de gado e de outros animais também será mais eficiente. Segundo Antonio Bordeaux, especialista em IoT, será possível, por exemplo, monitorar o gado por meio de pequenos dispositivos eletrônicos e tornar mais efetiva a locomoção dos animais, saber a hora certa do abate e diminuir as perdas por roubo. 

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Chegada do 5G deve trazer melhorias para o setor agropecuário de Goiás

No entanto, para que tudo isso seja possível é preciso garantir que a internet chegue às propriedades rurais do Tocantins. É aí que o leilão do 5G entra, pois as operadoras que vão explorar o serviço no país terão que ampliar a conexão de 4G para as localidades com mais de 600 habitantes, o que abrange boa parte do campo. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, destaca como a Internet das Coisas, que já é possível com o 4G, pode impactar o setor agrícola. “Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, diz. 

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 

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04/11/2021 19:30h

Expectativa é que alguns pontos da capital federal já tenham acesso à tecnologia nos primeiros meses de 2022

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Em entrevista ao portal Brasil61.com, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal, Gilvan Máximo, disse que a chegada do 5G à capital do país vai aquecer o ambiente de inovação local, por meio das startups, e o setor produtivo, com destaque para o agronegócio. 

A nova geração de internet móvel deve chegar à Brasília até o meio de 2022, de acordo com a previsão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A tecnologia é até 100 vezes mais rápida que o 4G, o que vai melhorar a experiência da população ao navegar na internet, mas Gilvan explica que os benefícios vão muito além. 

“As startups, todo o setor produtivo, o ecossistema vão ser muito beneficiados com isso, porque os carros autônomos sairão do papel e passarão a ser uma realidade e para Brasília será de fundamental importância. Além disso, estamos nos tornando um hub de startups. Nós temos startups renomadas, startups que estão despontando para o mundo, saindo e nascendo em Brasília. Tenho certeza que o 5G revolucionará a vida de todos os brasileiros e Brasília vai ganhar muito com o 5G”, acredita. 

Especialistas dizem que a chegada do 5G vai potencializar a chamada Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Things), que permite que as máquinas se comuniquem e interajam entre si. Entre as inúmeras mudanças que a IoT vai potencializar está o conceito de cidades inteligentes, as chamadas smart cities. Brasília quer se tornar a primeira cidade inteligente da América Latina. 

Até por isso, a capital federal já tem um Laboratório de Testes 5G, que fica no Parque Tecnológico de Brasília. A expectativa é que no começo do ano que vem a cidade já tenha alguns pontos conectados por 5G, acredita o secretário. 

O senador Izalci Lucas (PSDB/DF) destaca que a expectativa em torno da implementação do 5G é grande, pois a tecnologia vai permitir a inclusão digital dos cidadãos e o avanço da Internet das Coisas. Ele cita como a quinta geração de internet móvel vai impactar o dia a dia dos brasilienses. 

“Consequentemente, o 5G traz para o Distrito Federal  e o Brasil condições e infraestrutura adequada para o desenvolvimento econômico, para o desenvolvimento social e para a inclusão das pessoas, para que a gente possa realmente melhorar a qualidade de vida das pessoas utilizando as tecnologias. Acredito que seja um avanço grande para todo o Brasil.”

Chegada do 5G deve trazer melhorias para o setor agropecuário de Goiás

Sétimo maior produtor agropecuário do país, Mato Grosso do Sul deve se beneficiar com chegada do 5G

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

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Ciência & Tecnologia
04/11/2021 04:00h

Estado, sexto maior produtor agropecuário do país, foi vanguarda na instalação de sede móvel da tecnologia ainda no ano passado, em Rio Verde.

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza o leilão do 5G nesta quarta-feira (4). A chegada da tecnologia ao país, segundo especialistas, deve impulsionar o agronegócio, responsável por 26,6% do PIB brasileiro em 2020. O estado de Goiás, sexto maior produtor agropecuário do Brasil, com mais de R$ 93 bi movimentados até setembro deste ano, tem muito a ganhar com a implementação da nova geração de internet móvel. 

Até por isso, o estado foi pioneiro nos testes envolvendo o 5G. No fim do ano passado, o município de Rio Verde lançou a primeira sede móvel da tecnologia, ainda em caráter experimental, no Brasil. O primeiro desafio do estado, no entanto, é popularizar a conectividade para os produtores goianos. 

Segundo o último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017, 71,8% dos estabelecimentos rurais do Brasil não possuíam conexão. 

Chegada do 5G vai impulsionar a chamada Internet das Coisas, dizem especialistas

Chegada do 5G deve acelerar a implementação das cidades inteligentes em Minas Gerais

Para especialistas, a chegada do 5G vai potencializar a chamada Internet das Coisas, que permite que as máquinas se comuniquem entre si. Isso fará a diferença no processo de automatização da produção no campo, explica Igor Nogueira Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Exemplos

Gustavo Brito, executivo da IHM, explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar o plantio. “Através da Internet das Coisas, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo, e por meio de algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, afirma.  

A agricultura de precisão não será a única a se beneficiar com o 5G, mas a criação de gado e de outros animais também será mais eficiente. Segundo Antonio Bordeaux, especialista em IoT, será possível, por exemplo, monitorar o gado por meio de pequenos dispositivos eletrônicos e tornar mais efetiva a locomoção dos animais, saber a hora certa do abate e diminuir as perdas por roubo. 

No entanto, para que tudo isso seja possível é preciso garantir que a internet chegue às propriedades rurais de Goiás. É aí que o leilão do 5G entra, pois as operadoras que conquistarem o direito de explorar o serviço no país terão que ampliar a conexão de 4G para as localidades com mais de 600 habitantes, o que abrange boa parte do campo. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, destaca como a Internet das Coisas, que já é possível com o 4G, pode impactar o setor agrícola. “Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, diz. 

Arte: Brasil 61

Leilão

Previsto para esta quinta-feira (4), o leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, serão ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

A expectativa do governo é que o leilão do 5G movimente R$ 49,7 bilhões. Destes, as empresas vencedoras devem desembolsar R$ 39,1 bilhões em investimentos no setor. O governo, por sua vez, deve arrecadar R$ 10,6 bilhões graças ao pagamento das outorgas, isto é, uma quantia que as companhias pagam para explorar a tecnologia. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 

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Brasil 61