Conectividade

05/11/2021 20:40h

Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do estado espera que nova geração de internet móvel ajude a conectar os moradores das regiões remotas

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Dois municípios do Acre não possuem cobertura 4G de internet, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Apesar de oito operadoras prestarem o serviço no estado, nenhum morador de Assis Brasil e Manoel Urbano tem acesso à tecnologia. As outras 20 cidades do Acre possuem cobertura 4G, mas em oito delas o acesso está restrito a menos da metade da população. 

Enquanto o Distrito Federal e estados como São Paulo e Rio de Janeiro conseguiram quase que universalizar o acesso à internet, e veem na chegada do 5G a oportunidade de potencializar a chamada Internet das Coisas e os setores produtivos, como a indústria e o agronegócio, o Acre vê na implementação da tecnologia uma chance de garantir, ao menos, conexão de alta velocidade para os habitantes locais. 

Segundo Adriano Sales Santos, diretor de Tecnologia da Informação da Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT), não há, de fato, alcance efetivo de 4G em todas as regiões do estado. Além disso, a dificuldade de acesso a alguns municípios, em que só é possível chegar de barco ou avião, dificultou a implementação de infraestrutura de banda larga por fibra óptica. 

A chegada do 5G, no entanto, pode representar uma solução para o problema, graças às características da tecnologia. “O 5G, pela sua capacidade wireless e alta velocidade, vai conseguir atender a essas regiões de difícil acesso a partir de uma conexão de qualidade e dentro do que se espera para internet. Acreditamos que a gente vai conseguir com o 5G colocar áreas distantes do estado realmente no século 21”. 

Leilão do 5G começou nesta quinta-feira (4) e deve arrecadar R$ 49,7 bi em investimentos

Chegada do 5G vai impulsionar a chamada Internet das Coisas, dizem especialistas

De acordo com a Anatel, o prazo para que os municípios com menos de 30 mil habitantes, caso de 17 dos 22 municípios do Acre, recebam a cobertura 5G vai até 31 de dezembro de 2029. 

Até lá, no entanto, o edital do leilão 5G prevê que a empresa que arrematar a faixa de 700 MHz terá que levar internet para as localidades sem 4G. Quem levar a faixa de 2,3 MHz também é obrigado a cobrir 95% da área urbana dos municípios sem 4G. 

Na prática, as operadoras de telecomunicação que ganharam o certame têm o compromisso de levar o 4G para todas as localidades com mais de 600 habitantes. “A gente traz uma melhora em toda a infraestrutura de comunicação para o estado”, diz Adriano. 

Segundo o diretor da SEICT, o setor produtivo também vai se beneficiar com o avanço tecnológico. “O próprio agronegócio no estado do Acre tem o uso muito limitado da agricultura de precisão, porque para a agricultura de precisão eu preciso de conectividade e de comunicação. Eu não consigo ter isso em diversas regiões do estado, então a implementação forte na agricultura de precisão pode aumentar muito a produtividade das áreas do estado”, destaca. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, ressalta a revolução que a chegada do 5G pode trazer ao país. 

“O 5G é fundamental, porque ele vai permitir a Internet das coisas. Com o 5G vai ser permitido, por exemplo, o funcionamento de carros autônomos no Brasil. O 5G vai possibilitar cirurgias à distância. Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, exemplifica. 

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04/11/2021 20:14h

Desde o ano passado, antes da tecnologia 5G chegar ao país, a Universidade Federal do Pará (UFPA), conseguiu uma frequência licenciada pela Agência Nacional de Telecomunicações para fins de pesquisa

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Com a chegada da tecnologia 5G ao Brasil, diversos setores da sociedade serão beneficiados, como as comunicações, a economia e, também, a educação. Esse é o caso do estado do Pará: mesmo antes da implantação da tecnologia, no ano passado a Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, conseguiu uma frequência licenciada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para fins científicos. 

Com isso, foi criada a rede PA5Ge, projetada para ser uma rede móvel 5G privativa operando no campus da universidade, com objetivo de impulsionar o estudo e as pesquisas em 5G na UFPA e em instituições parceiras, provendo um cenário realista para avaliação e desenvolvimento de novos algoritmos. Essa rede possui um núcleo com funções de rede virtualizadas com base em software open-source, que opera em hardware de baixo-custo (SDR). 

Segundo o deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP), que foi relator no Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados destinado a acompanhar a implementação da tecnologia 5G no país, os investimentos alavancados com o leilão do 5G vão provocar um impacto econômico e social considerável. Para o parlamentar, a medida vai contribuir, sobretudo, para o desenvolvimento dos municípios. 

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“Hoje, temos uma pequena parcela do agro sendo atendida, e entendemos que esse leilão tem outra característica. Empresas estarão atendendo as grandes e médias cidades do Brasil e, ao mesmo tempo, trata-se de um leilão para aquelas empresas locais, que poderão trabalhar nas cidades de menor porte, de até 30 mil habitantes, na zona rural”, explica. 

Para chegar a toda a população, a nova tecnologia de transmissão ainda vai demandar das empresas de telefonia investimentos em equipamentos para que o sinal alcance todo o país. O planejamento do Governo Federal é que todas as capitais brasileiras tenham 5G até meados de 2022 e o país inteiro até 2028. 

Na avaliação do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet, a revolução tecnológica causada pelo 5G deve impactar sobretudo o setor produtivo. “Terá um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas. Porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não somente entre as pessoas, mas sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explicou.

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04/11/2021 20:05h

Estado registra mais de R$ 16 bi com produção no campo até setembro deste ano. Nova geração de internet móvel deve garantir eficiência e competitividade aos produtores rurais

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O agronegócio do Tocantins movimentou quase R$ 16,6 bilhões entre janeiro e setembro deste ano. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o estado é o 13º produtor agropecuário do país. E, no que depender da tecnologia 5G, os produtores tocantinenses vão ganhar eficiência e competitividade nos próximos anos. 

O primeiro desafio é garantir que a internet chegue ao campo. As propriedades rurais do estado, em sua maioria, não têm acesso à internet, seguindo tendência nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, 71,8% dos estabelecimentos rurais do Brasil não possuíam conexão. 

Segundo especialistas, a implementação da quinta geração de internet móvel vai causar impactos mais significativos no agronegócio e na indústria, graças à chamada Internet das Coisas, ou IoT (do inglês Internet of Things). 

A Internet das Coisas é o que permite que as máquinas se comuniquem entre si, o que fará diferença no processo de automatização da produção no campo, seja na agricultura ou na pecuária. Gustavo Brito, executivo da IHM, explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar as culturas. 

“Através de um IoT, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo, e por meio de algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, afirma.  

A agricultura de precisão não será a única a se beneficiar com o 5G, mas a criação de gado e de outros animais também será mais eficiente. Segundo Antonio Bordeaux, especialista em IoT, será possível, por exemplo, monitorar o gado por meio de pequenos dispositivos eletrônicos e tornar mais efetiva a locomoção dos animais, saber a hora certa do abate e diminuir as perdas por roubo. 

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Chegada do 5G deve trazer melhorias para o setor agropecuário de Goiás

No entanto, para que tudo isso seja possível é preciso garantir que a internet chegue às propriedades rurais do Tocantins. É aí que o leilão do 5G entra, pois as operadoras que vão explorar o serviço no país terão que ampliar a conexão de 4G para as localidades com mais de 600 habitantes, o que abrange boa parte do campo. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, destaca como a Internet das Coisas, que já é possível com o 4G, pode impactar o setor agrícola. “Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, diz. 

Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 

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04/11/2021 19:30h

Expectativa é que alguns pontos da capital federal já tenham acesso à tecnologia nos primeiros meses de 2022

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Em entrevista ao portal Brasil61.com, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal, Gilvan Máximo, disse que a chegada do 5G à capital do país vai aquecer o ambiente de inovação local, por meio das startups, e o setor produtivo, com destaque para o agronegócio. 

A nova geração de internet móvel deve chegar à Brasília até o meio de 2022, de acordo com a previsão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A tecnologia é até 100 vezes mais rápida que o 4G, o que vai melhorar a experiência da população ao navegar na internet, mas Gilvan explica que os benefícios vão muito além. 

“As startups, todo o setor produtivo, o ecossistema vão ser muito beneficiados com isso, porque os carros autônomos sairão do papel e passarão a ser uma realidade e para Brasília será de fundamental importância. Além disso, estamos nos tornando um hub de startups. Nós temos startups renomadas, startups que estão despontando para o mundo, saindo e nascendo em Brasília. Tenho certeza que o 5G revolucionará a vida de todos os brasileiros e Brasília vai ganhar muito com o 5G”, acredita. 

Especialistas dizem que a chegada do 5G vai potencializar a chamada Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Things), que permite que as máquinas se comuniquem e interajam entre si. Entre as inúmeras mudanças que a IoT vai potencializar está o conceito de cidades inteligentes, as chamadas smart cities. Brasília quer se tornar a primeira cidade inteligente da América Latina. 

Até por isso, a capital federal já tem um Laboratório de Testes 5G, que fica no Parque Tecnológico de Brasília. A expectativa é que no começo do ano que vem a cidade já tenha alguns pontos conectados por 5G, acredita o secretário. 

O senador Izalci Lucas (PSDB/DF) destaca que a expectativa em torno da implementação do 5G é grande, pois a tecnologia vai permitir a inclusão digital dos cidadãos e o avanço da Internet das Coisas. Ele cita como a quinta geração de internet móvel vai impactar o dia a dia dos brasilienses. 

“Consequentemente, o 5G traz para o Distrito Federal  e o Brasil condições e infraestrutura adequada para o desenvolvimento econômico, para o desenvolvimento social e para a inclusão das pessoas, para que a gente possa realmente melhorar a qualidade de vida das pessoas utilizando as tecnologias. Acredito que seja um avanço grande para todo o Brasil.”

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Leilão

O leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, foram ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

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Ciência & Tecnologia
04/11/2021 04:00h

Estado, sexto maior produtor agropecuário do país, foi vanguarda na instalação de sede móvel da tecnologia ainda no ano passado, em Rio Verde.

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza o leilão do 5G nesta quarta-feira (4). A chegada da tecnologia ao país, segundo especialistas, deve impulsionar o agronegócio, responsável por 26,6% do PIB brasileiro em 2020. O estado de Goiás, sexto maior produtor agropecuário do Brasil, com mais de R$ 93 bi movimentados até setembro deste ano, tem muito a ganhar com a implementação da nova geração de internet móvel. 

Até por isso, o estado foi pioneiro nos testes envolvendo o 5G. No fim do ano passado, o município de Rio Verde lançou a primeira sede móvel da tecnologia, ainda em caráter experimental, no Brasil. O primeiro desafio do estado, no entanto, é popularizar a conectividade para os produtores goianos. 

Segundo o último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017, 71,8% dos estabelecimentos rurais do Brasil não possuíam conexão. 

Chegada do 5G vai impulsionar a chamada Internet das Coisas, dizem especialistas

Chegada do 5G deve acelerar a implementação das cidades inteligentes em Minas Gerais

Para especialistas, a chegada do 5G vai potencializar a chamada Internet das Coisas, que permite que as máquinas se comuniquem entre si. Isso fará a diferença no processo de automatização da produção no campo, explica Igor Nogueira Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Exemplos

Gustavo Brito, executivo da IHM, explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar o plantio. “Através da Internet das Coisas, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo, e por meio de algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, afirma.  

A agricultura de precisão não será a única a se beneficiar com o 5G, mas a criação de gado e de outros animais também será mais eficiente. Segundo Antonio Bordeaux, especialista em IoT, será possível, por exemplo, monitorar o gado por meio de pequenos dispositivos eletrônicos e tornar mais efetiva a locomoção dos animais, saber a hora certa do abate e diminuir as perdas por roubo. 

No entanto, para que tudo isso seja possível é preciso garantir que a internet chegue às propriedades rurais de Goiás. É aí que o leilão do 5G entra, pois as operadoras que conquistarem o direito de explorar o serviço no país terão que ampliar a conexão de 4G para as localidades com mais de 600 habitantes, o que abrange boa parte do campo. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, destaca como a Internet das Coisas, que já é possível com o 4G, pode impactar o setor agrícola. “Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, diz. 

Arte: Brasil 61

Leilão

Previsto para esta quinta-feira (4), o leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, serão ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

A expectativa do governo é que o leilão do 5G movimente R$ 49,7 bilhões. Destes, as empresas vencedoras devem desembolsar R$ 39,1 bilhões em investimentos no setor. O governo, por sua vez, deve arrecadar R$ 10,6 bilhões graças ao pagamento das outorgas, isto é, uma quantia que as companhias pagam para explorar a tecnologia. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 

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01/11/2021 04:30h

Tecnologia já está presente no dia a dia das pessoas, mas pode ser aplicada a quase todos os objetos e áreas da vida cotidiana

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Na próxima quinta-feira (4), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promove o leilão do 5G. A nova geração de internet móvel, segundo especialistas ouvidos pelo portal Brasil61.com, vai potencializar a chamada Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Things). Mas, afinal, o que é essa Internet das Coisas? 

De acordo com o Ministério das Comunicações, a IoT se caracteriza como a possibilidade de conexão e interação entre um ou mais objetos por meio da internet. Gustavo Brito, executivo da IHM, destaca que muitas pessoas costumam associar o termo “Internet das Coisas” a realidades de um futuro distante, mas não percebem que já fazem o uso desse conceito. 

“Quando a gente fala de IoT, muita gente pensa em alguma coisa extremamente emergente ou em tecnologias extremamente avançadas, mas não. A gente já convive com Internet das Coisas há muito tempo”, diz. 

Smartphones, smart TVs, tablets e computadores são exemplos de dispositivos que já estão presentes no dia a dia de boa parte dos brasileiros e que têm a capacidade de se conectarem e, até mesmo, interagirem entre si. No entanto, a Internet das Coisas é bem mais ampla e pode ser aplicada a quase todos os objetos e áreas da vida cotidiana, destaca o especialista em IoT Antonio Bordeaux,. “A Internet das Coisas se aplica em coisas pequenas, até mesmo consideradas antigas, e em coisas que ainda estão em desenvolvimento, como os veículos autônomos”, explica. 

Nas casas, por exemplo, a IoT se materializa em uma geladeira que consegue se conectar à internet e informar ao morador, independentemente de onde ele estiver, quais itens estão em falta. Com a Internet das Coisas é possível controlar as luzes, o ar-condicionado, as portas e as janelas, por exemplo, apenas por comando de voz. O conceito também está presente em cafeteiras e torradeiras elétricas, que deixam o café da manhã pronto no horário em que a pessoa quiser. 

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5G

Especialistas dizem que a chegada do 5G e, por consequência, o avanço da Internet das Coisas vão trazer automação para os lares e mais satisfação aos usuários. Mas será ainda mais impactante para o desenvolvimento das cidades inteligentes, da indústria e do agronegócio brasileiro. 

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB/SP), que foi relator do Grupo de Trabalho para elaboração do edital do leilão do 5G, destaca que a tecnologia tem uma velocidade maior e tempo de latência (ou atraso) menor que o 4G. Segundo ele, muitas empresas conseguiram automatizar seus processos com o 4G, mas há avanços que dependem da nova geração de internet móvel. 

“O que a gente espera são essas novas funcionalidades naqueles equipamentos que precisam de altíssima velocidade e baixíssima latência. Então, isso vai ser essencial para a mineração,  já temos caminhões autônomos aí nas minas, para a agricultura, onde nós temos já tratores autônomos. Teremos muitos robôs dentro das indústrias, os veículos autônomos estão próximos de acontecerem também. Tudo isso precisa do 5G, necessariamente”, diz. 

O especialista Gustavo Brito acredita no impacto positivo do 5G no setor produtivo. “As operações industriais e de logística mais o agronegócio tendem a melhorar bastante os seus níveis de flexibilidade, confiabilidade e eficiência operacional”, . 

Cidades inteligentes

A Internet das Coisas aplicada ao contexto urbano pode melhorar sensivelmente o dia a dia das cidades e ajudar a resolver ou minimizar problemas, como aqueles relacionados à mobilidade. Imagine um semáforo capaz de gerenciar o trânsito de acordo com o fluxo de carros, graças à integração entre sensores e câmeras espalhados pelas ruas. Se em determinado horário o número de carros estiver maior, o sinal fica mais tempo aberto e vice-versa. Em Londrina, cidade do Paraná que está testando a tecnologia, isso já é realidade. 

Antonio Bordeaux cita outros benefícios. “Supondo que tenha uma situação de emergência, calamidade, e você precisa criar um corredor verde, para carros de bombeiro, ambulâncias... esse próprio sistema detecta essa necessidade e ele controla para ter um trânsito mais fluente e esses veículos possam se deslocar rapidamente sem haver mais colisões ou acidentes”, exemplifica.

Indústria e 5G

No setor industrial, a IoT deve otimizar os processos e causar uma revolução. Segundo Bordeaux, será possível se antecipar aos problemas nas máquinas, equipamentos e produtos, trocando as manutenções preventivas pelo que ele chama de predição. 

“Através dessas informações, desses dados, quando começa a acontecer algo diferente numa máquina ou num objeto, a inteligência artificial já prevê que vai ocorrer um determinado comportamento. Essa prevenção é diferente da manutenção preventiva, que é meio burra, porque a IA estará monitorando a máquina e vai dizer ‘opa, está tendo um comportamento que leva [a danos]’”. 

Agronegócio e 5G

No campo, a IoT vai permitir inúmeras melhorias, projetam os especialistas. Gustavo explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar as culturas. “Através de um IoT, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo e por meio algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, explica. 

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04/09/2021 18:30h

Após aprovação do edital da tecnologia pelo TCU, expectativa gira em torno dos últimos ajustes do documento pela Anatel. Leilão do 5G está previsto para outubro

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O próximo passo para que o 5G, a nova geração de internet móvel, chegue ao Brasil é a realização do leilão da tecnologia. Com a aprovação do edital pelo Tribunal de Contas da União (TCU), há expectativa para que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ajuste os últimos detalhes do documento e marque o evento, previsto para outubro. 

Já adotada em alguns países, a tecnologia 5G é 20 vezes mais rápida do que o 4G. Isso quer dizer que o tempo entre um clique e a resposta para esse comando é muito menor. Especialistas avaliam que a cobertura da nova tecnologia vai trazer melhorias para os cidadãos, mas principalmente para o setor produtivo, como o agronegócio e a indústria. Brasileiros que moram nas áreas rurais e escolas que hoje não contam sequer com acesso à internet também estarão entre os maiores beneficiados. Ao menos essa é a expectativa. 

Igor Nogueira Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), destaca o impacto que o 5G vai ter para a população.  “É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Papel municipal

Os gestores públicos têm papel fundamental para que a tecnologia traga melhorias para a vida das pessoas. Um dos maiores gargalos, segundo especialistas, está ligado à infraestrutura. 

Segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura de Telecomunicações (Abrintel), há mais de 5 mil pedidos de construção de infraestrutura no Brasil, que não vão para a frente por falta de aprovação das prefeituras. Em alguns locais, o atraso pode chegar a sete anos. 

Mesmo com a aprovação da Lei das Antenas, em 2015, a esfera municipal carece de regras mais claras em várias cidades. O conflito entre norma federal e legislação municipal acaba gerando insegurança jurídica e atrasa o processo de modernização da infraestrutura necessária para a chegada do 5G, avaliam especialistas. 

Até por isso, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) já chegou a pontuar que a conectividade e a legislação urbana “devem ser prioridade na agenda dos gestores locais.”

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Educação

O relatório do ministro Raimundo Carreiro, do TCU, recomendou à Anatel que inclua no edital do leilão do 5G a obrigação de as empresas vencedoras levarem internet móvel de qualidade às escolas públicas de todo o país. De acordo com o Censo Escolar de 2020, menos de um terço das escolas públicas de ensino fundamental tem estrutura para acesso à internet. 

O vice-presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e prefeito de Manaquiri (AM), Jair Souto, defendeu que os municípios tenham acesso a mais recursos para que os brasileiros possam ter ensino de qualidade. “A educação de fato, talvez dos piores, é o mais afetado, porque crianças e gerações têm o compromisso muito grande de se preparar, de se formar, e com pouco acesso”, destacou.

Agronegócio

Responsável por quase 27% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020, o agronegócio pode se tornar ainda mais competitivo a nível internacional com a chegada do 5G. Hoje, cerca de 70% dos estabelecimentos rurais estão desconectados, o que é uma desvantagem para os produtores brasileiros. A nova tecnologia, caracterizada pela alta velocidade, se destaca por permitir a evolução na comunicação entre as máquinas.  

Entre as melhorias, os agricultores poderão contar com o uso de drones para controle e prevenção, estimar a safra, monitorar culturas e animais e automatizar a colheita e pulverização. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), se o Brasil ampliar a conexão do campo em 25%, o valor bruto da produção agropecuária brasileira pode aumentar 6,3%. 

Leilão

No leilão do 5G, a Anatel vai ofertar quatro faixas de frequência de internet móvel de quinta geração: 700 MHz; 2,3 GHz; 26 GHz; e 3,5 GHz. Quem levar o leilão terá direito a explorar as faixas por 20 anos. As faixas estão avaliadas em R$ 45,6 bilhões. 

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16/06/2021 18:15h

Medida também propõe condições à distribuição de conteúdo pela Amazônia Legal

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Na terça-feira (15) o governo federal sancionou a Medida Provisória (MP) 1.018, que reduz custos da banda larga satelital, operacionaliza o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e impulsiona a produção de conteúdo local na transmissão de sinal de TV e rádio em áreas remotas do país.

Segundo o ministro das Comunicações, Fábio Faria, a MP pode gerar a possibilidade de mais conteúdo nas fronteiras e maior flexibilidade na gestão local das emissoras. Além disso, ela é importante para levar banda larga para as regiões rurais, carentes e periféricas e reduz os encargos sobre estações de pequeno porte.

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A medida também propõe condições à distribuição do conteúdo local pelas retransmissoras de radiodifusão de TV e rádio na região da Amazônia Legal. A orientação para inserção de conteúdo jornalístico e com finalidades educativa, artística, cultural e informativa visa melhorar o desenvolvimento regional das comunidades.

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30/04/2021 13:50h

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, Igor Nogueira Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, falou sobre o impacto da tecnologia 5G na vida das pessoas e do setor produtivo brasileiro

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A tão esperada chegada do 5G ao Brasil pode acabar ainda no primeiro semestre deste ano. Essa é a data prevista pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o leilão da tecnologia, que vai revolucionar a forma como nos relacionamos com as máquinas e como as máquinas se relacionam entre si, acredite. É a chamada “Internet das Coisas”. 

Já adotada em alguns países, a tecnologia 5G é 20 vezes mais rápida do que o 4G. Além disso, o tempo de resposta entre um clique e a resposta é muito menor, além de um fator determinante: o alcance. Regiões remotas do país, ribeirinhos e os moradores do campo tendem a ser muito beneficiados com a cobertura da nova tecnologia. Mas é principalmente o setor produtivo (indústria e agronegócio, por exemplo) que está prestes a viver uma revolução.

Para entender o impacto que o 5G vai ter no dia a dia da sociedade e dos municípios brasileiros, o portal Brasil61.com entrevistou, com exclusividade, o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Nogueira Calvet. Segundo ele, o 5G não é apenas uma evolução da tecnologia. 

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica. 

Arte: Brasil 61

Cronograma e alcance

Uma das preocupações do governo federal é que a nova tecnologia chegue às áreas mais pobres. Segundo a Anatel, cerca de 1.400 localidades não possuem serviço algum de telefonia.  Por isso, em edital publicado no início do ano, o órgão regulador estabeleceu um cronograma para a chegada do 5G aos municípios. 

Para as capitais, quem vencer o leilão deve disponibilizar a tecnologia até 31 de julho de 2022. A previsão é de que todos os municípios com mais de 30 mil habitantes sejam atendidos até dezembro de 2029. No entanto, as cidades menores, mesmo aquelas com mais de 600 habitantes serão beneficiadas com a chegada do 5G. Isso porque o governo prevê a instalação de redes 4G em todos os municípios com essa característica, que somam 500, ao todo, atualmente. 

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Há também a previsão da cobertura de 48 mil quilômetros de estradas com internet de alta velocidade e expansão de 13 mil quilômetros de cabos de fibra óptica nos leitos dos rios da região Norte. Igor Nogueira é mais otimista. Ele acredita que as projeções de internet 5G até 2029 podem ser melhoradas, uma vez que vai haver muito investimento da iniciativa privada nessa infraestrutura. 

“O 5G, inclusive, pode chegar antes nesses centros menores. Por quê? Porque tem muitos gestores municipais que podem fazer aquisições, buscar financiamentos externos para ajudar nos investimentos em infraestrutura tecnológica. Várias empresas que não estão nas capitais, mas nas cidades médias, nas cidades pequenas, possivelmente poderão ter suas redes privativas de 5G. Não precisa esperar até 2029. Haverá muito investimento privado”, aposta. 

Durante o bate-papo, Igor falou também sobre as mudanças que vamos viver no dia a dia com a chegada da tecnologia, como o 5G vai impactar o setor produtivo brasileiro e de que forma os gestores municipais podem se preparar para sair na frente, seja em termos de regulação ou infraestrutura. Confira agora a entrevista completa com Igor Nogueira Calvet.

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30/12/2020 00:00h

Dados de 2019 apontam que quase 40% dos estudantes da rede pública não possuem computador e internet em seus domicílios. Especialistas ressaltam importância da infraestrutura das escolas públicas

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A desigualdade no acesso à internet, entre alunos de escolas públicas e particulares, foi escancarada durante a pandemia do novo coronavírus. No entanto, o problema não é novo. Dados de 2019 apontam que quase 40% dos estudantes da rede pública não possuem computador e internet em seus domicílios. A informação é da pesquisa TIC Educação 2019, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação.

No estado de São Paulo, 42% dos domicílios possuem computadores de mesa, sendo 62% nas casas de alunos da rede privada e 38% nas de alunos da rede pública. Já em relação a computadores portáteis, a oferta é maior entre estudantes da rede particular (71%), em comparação com os da rede pública (46%).

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Afonso Celso Galvão, doutor em psicologia educacional pela Universidade de Reading, na Inglaterra, explica que esse cenário pode ser ainda pior em outras regiões do Brasil.

“O que ocorre em São Paulo é pior ainda em outros estados brasileiros, por conta das condições econômicas que são desiguais. É algo muito grave, porque implica em uma desigualdade inicial, que do ponto de vista estatístico é irreversível”, explica.

A professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Comitê-DF da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Catarina de Almeida Santos, aponta a desigualdade de conectividade entre brancos e pretos. 

“A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2017 mostra que, no Brasil, entre as pessoas com mais de 10 anos de idade, 75,5% acessavam a internet. Na população negra esse percentual cai para 65%. Do total, 82,9% da população branca acessava a internet por via telefone móvel, e na população preta, esse índice é de 74,6%. Por mais que tenhamos avançado de 2017 para 2020, a realidade não mudou tanto no País”. A professora da UnB também avalia a internet no Brasil como cara e mal distribuída, já que não chega em todos os cantos do País, e, quando chega, é de baixa qualidade.

Ainda de acordo com o levantamento TIC Educação 2019, o aparelho celular foi o dispositivo mais usado para acessar a internet entre os estudantes paulistas. Mas, segundo a professora Catarina de Almeida Santos, os alunos da rede pública saem em desvantagem, já que muitas vezes o aparelho pertence a um adulto da casa.

“A pandemia mostrou o quanto os estudantes da rede pública dependem da infraestrutura das escolas. Muitos só acessam as atividades, quando o adulto volta para casa à noite, com o celular. Os dados do pacote de internet acabam. Duas ou três crianças precisam acessar as aulas e não há tempo”. Ela também aponta problemas na infraestrutura dos lares, como falta de energia elétrica, pouco ou quase nenhum silêncio, e, em muitas ocasiões, o estudante precisa cuidar da casa ou de irmão mais novo.

Segundo o Instituto DataSenado, 26% dos alunos da rede pública brasileira, que passaram a ter aula online durante a pandemia, não possuem nenhum tipo de acesso à internet em casa. 

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Infraestrutura escolar

A pesquisa TIC Educação 2019 mostra que em dois terços das escolas públicas do estado de São Paulo, cada computador é compartilhado por mais de 20 estudantes. Já na rede privada, em dois terços das escolas, uma máquina é compartilhada por no máximo 20 alunos. Em relação ao acesso à internet sem fio no ambiente escolar, 82% das escolas públicas urbanas contavam com o recurso, enquanto que nas instituições privadas o alcance é de 100%.

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No entanto, a professora da UnB, Catarina de Almeida Santos, chama a atenção para as falhas da infraestrutura na grande maioria das escolas brasileiras. “Nós temos várias escolas que não têm acesso à internet, não têm água potável, não têm laboratório, e nem computador. No geral, esse cenário de São Paulo tende a piorar no restante do País”, ressalta.

Impacto a longo prazo

O pesquisador do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais, da Fundação Getúlio Vargas, João Marcelo Borges, aponta o aumento da desigualdade de aprendizagem entre os alunos da rede pública e privada. “Ao longo de 2020, em função da pandemia, a falta de dispositivos e conectividade deve impactar negativamente os alunos de escolas públicas, sobretudo os mais pobres. Isso faz com que a desigualdade de aprendizagem aumente, e eles, possivelmente, terão menos oportunidades”, comenta.

Catarina, ressalta a importância do compromisso do governo com a educação brasileira. “O impacto será maior ou menor, dependendo do compromisso que o País tem em relação à educação. Se a gente começar a encarar a escola pública com a importância que precisa ser encarada – garantir a infraestrutura, equipar essas escolas, garantir as condições de funcionamento – a gente recupera esse processo”. Segundo a professora, a vacina contra o coronavírus precisa ser providenciada com urgência, para que os jovens possam voltar para as escolas, o mais rápido possível. Quanto mais tempo longe das salas de aula, maiores serão os impactos na educação. 

O doutor em psicologia educacional, Afonso Celso Galvão, destaca o aumento dos índices de evasão das escolas e o crescimento da deficiência lectoescrita da população mais pobre. Segundo ele, não existe um projeto de estado para educação, capaz de enfrentar os impactos causados pela pandemia.

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