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TERMO DE USO E PARCERIA

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 Última atualização: 24 de dezembro de 2020 

UNICEF

18/02/2021 00:00h

Uma pesquisa elaborada pelo Unicef mostra que o consumo de alimentos industrializados cresceu em meio à pandemia, especialmente em lares com crianças e adolescentes

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A pandemia do novo coronavírus teve impactos sem precedentes no Brasil. Além da Covid-19, o País teve que lidar com outra realidade que foi ainda mais evidenciada nesse período: o aumento no consumo de alimentos não saudáveis, especialmente nas camadas mais vulneráveis. Para entender sobre os impactos da Covid-19 na vida de crianças, adolescentes e suas famílias, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) elaborou a pesquisa “Impactos primários e secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”. Com duas rodadas de entrevista (uma em julho e outra em novembro de 2020), realizadas pelo Ibope Inteligência, as entidades conversaram com 1,5 mil famílias brasileiras para conhecer a situação do antes e o depois da pandemia. 

Os itens abordados na pesquisa foram renda familiar, segurança alimentar, educação e saúde mental. Entre os entrevistados, 53% eram mulheres e a idade geral variou entre 18 e 55 anos ou mais – esse último grupo correspondeu a quase 30% do total. 

Entre os entrevistados, 46% se declararam como brancos e o restante se dividiu entre pardos (40%) e negros (10%). A maior parte das entrevistas se concentrou na região Sudeste (44%), seguido das regiões Nordeste (26%), Sul (15%), Centro-Oeste (8%) e Norte (também com 8%). Em relação à condição socioeconômica, a maioria se declarou pertencente à classe C (46%), com ganho entre um e dois salários-mínimos (30%). 

Entre os dados que mais chamaram atenção, estão os que envolvem famílias com crianças e adolescentes. Cerca de 44% dos participantes da pesquisa disseram morar com crianças e/ou adolescentes com idade entre 0 e 17 anos. Num comparativo entre julho e novembro, o consumo de alimentos industrializados aumentou nas casas dos brasileiros, período da pandemia. E foi observado que o aumento no consumo desses tipos de alimentos segue maior entre residentes com crianças e adolescentes. 

“Não temos dúvidas de que os alimentos industrializados estão cada vez mais baratos e mais acessíveis. Nos últimos anos, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE), quando se fala sobre os gastos da população brasileira com alimentação, vemos que tem aumentado muito o gasto com os industrializados também porque eles têm diminuído o valor ao longo do tempo. E isso ocorre em detrimento do consumo de alimentos mais saudáveis”, alerta a oficial de Saúde do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral. 

Hábitos alimentares de crianças e adolescentes foram alterados na pandemia, segundo pesquisa

Insegurança alimentar aumentou durante a pandemia

Pandemia traz alerta para situação alimentar precária de famílias vulneráveis

De acordo com a pesquisa, em novembro, 54% dos participantes relataram mudanças nos hábitos alimentares em casa – em julho, esse número era de 49%. Entre os entrevistados em novembro, 21% declararam ter aumentado o consumo de alimentos preparados em restaurantes fast food, e 29% aumentaram o consumo de alimentos industrializados. Nas famílias com crianças e adolescentes, o consumo destes alimentos foi ainda maior, chegando a 36% Com refrigerantes e bebidas açucaradas, o fenômeno foi semelhante: 29% responderam que aumentaram o seu consumo durante a pandemia, enquanto nas residências com crianças entre 0 e 17 anos o número chegou a 34%. 

“Essa mudança no hábito alimentar a gente já vinha percebendo, ela não é de agora. É uma mudança que, infelizmente, faz parte de uma epidemia global de aumento de peso e da obesidade por conta da alteração no consumo de alimentos. As pessoas estão migrando cada vez mais para alimentos ultraprocessados, com muito sal, gordura, açúcar, aditivos e pouquíssimo nutriente”, explica a chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque. 

Falta de dinheiro

Outro dado preocupante trazido pela pesquisa do Unicef é que muitos brasileiros ficaram sem comer por falta de dinheiro. Cerca de 8% da população com crianças e adolescentes em casa, o que corresponde a 5,5 milhões de pessoas, deixou de comer porque não havia mais dinheiro para comprar.  

Jackson de Toni, economista do Ibmec/DF, classifica como complexo o tema da insegurança alimentar no Brasil e acredita ser um desafio enfrentado há muitos anos no País. “Como qualquer País desigual e em desenvolvimento, o Brasil possui uma parte da população muito vulnerável. E a insegurança alimentar atinge exatamente a população de baixa renda.” 

“Sempre quando há crise econômica, problemas de desemprego em massa, a grande preocupação que os governos devem ter é exatamente garantir o mínimo para a sobrevivência da população de baixa renda, que gasta a maior parte do que recebe em alimentação”, enfatiza o economista. Para corroborar com essa constatação, o economista também cita a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, realizada em 2017-2018, que indicou que cerca de 60% do orçamento das famílias com até dois salários-mínimos vão para a alimentação. 

Os recentes dados da POF também apontam para uma mudança nos hábitos alimentares dos brasileiros. Houve uma redução no consumo de alimentos considerados básicos, como o arroz e feijão: o consumo de feijão variou de 72,8% em 2008-2009 para 60,0% em 2017. O arroz também passou de 84,0% para 76,1%.

“Quando pensamos nessas famílias que tiveram uma renda diminuída, que não têm acesso a alimentos saudáveis, é desafiador para eles ter uma alimentação assim em tempos de crise. Precisamos pensar para além desses tempos de crise”, completa Stephanie Amaral, do UNICEF. 

Entre as alternativas citadas pelas especialistas, está a de consumir alimentos da estação (especialmente frutas e verduras) e voltar para o básico de todo brasileiro: arroz e feijão. “Cozinhar é um hábito bom, normalmente associado a hábitos mais saudáveis. É descascar mais e desembalar menos”, sugere a oficial de saúde do UNICEF, Stephanie Amaral.

Dificuldade de acesso e consumo de alimentos industrializados

A manicure Nercília de Melo, 37 anos, é moradora do bairro Jardim Violeta, em Fortaleza (CE). Na casa dela, a alimentação tem que ser dividida entre dois adultos e quatro crianças, com idades entre 5 e 15 anos. “Eles podem comer o que posso dar”, relata. 

A rotina alimentar dela e da família, especialmente na pandemia, é trabalhar com o que tem. “De manhã, é um café com pão, depois vem o almoço. E o que sobra do almoço eu dou na janta.” 

Nercília confessa que o consumo de industrializados é uma realidade em casa, especialmente entre os filhos. “Eu não como tanto, mas eles gostam muito de mortadela. É mais em conta, né? Mortadela, salsicha. Compro esses produtos porque são mais baratos, não vou mentir. A mortadela dá para comprar e fatiar, então dá para todos. É mais barato para mim que sou mãe.”  

E relatos assim não são uma exceção. Stephanie Amaral explica que muitas famílias vulneráveis, especialmente as que moram nas favelas, vivem no que os estudos chamam de “desertos alimentares”. “São áreas em que é difícil o acesso a alimentos frescos, como frutas e verduras. E isso é muito mais predominante em áreas de maior vulnerabilidade, em bairros periféricos. É mais fácil a gente encontrar lojas de conveniência, que vendem alimentos industrializados, do que encontrar uma feira, um sacolão. Isso significa que uma pessoa que mora em bairros assim precisa se deslocar para ter acesso a alimentos saudáveis.” 

Com a pandemia, segundo a nutricionista, esse acesso ficou mais difícil ainda, especialmente pelas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de manter o distanciamento e isolamento social. “A pandemia alterou nossa possibilidade de deslocamento, já que, para evitar a transmissão da Covid-19, a gente precisa ficar em casa. São fatores que colaboram para haver essa mudança no padrão de alimentação e para que as pessoas consumam mais alimentos industrializados”, constata.

 

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09/02/2021 00:00h

Segundo a chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque, assim como a alimentação escolar, também é necessário tomar outras providências capazes de impedir o avanço da fome

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A situação de insegurança alimentar de crianças e adolescentes pode ser agravada com as escolas fechadas. Dados de um levantamento feito pelo Unicef apontam que em todo o País, entre as famílias que recebem até um salário mínimo, 42% deixaram de ter acesso à merenda escolar na pandemia, fundamental para garantir a segurança alimentar de crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade.

A pensionista Maria Célia de Oliveira, de 53 anos, é moradora do município cearense de Tauá, no sertão dos Inhanuns. Ela conta que cuida dos netos, Maria Sofia Nunes, de cinco anos; e Kauan Inácio da Silva, de 13. Célia afirma que recebeu o kit com alimentos da alimentação escolar por cinco vezes, mas considera que os itens recebidos não são equivalentes à alimentação que as crianças recebiam durante as aulas presenciais.

Pandemia traz alerta para situação alimentar precária de famílias vulneráveis

Mais da metade das famílias com crianças e adolescentes que estudam em escola pública não recebeu alimentação escolar durante fechamento na pandemia

Insegurança alimentar aumentou durante a pandemia

“O kit era composto por um macarrão, cuscuz, iogurte, bolacha e arroz. Mas você acha que esse kit dá para uma criança se alimentar durante o mês inteiro? Se na merenda escolar costuma ter sopa, comida com carne ou frango, por que que não vem esses alimentos no kit? As crianças merecem comer coisas boas”, relata.

A chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque, destaca a importância de ações emergenciais voltadas à garantia da alimentação de crianças e adolescentes, em especial aos que vivem em situação de vulnerabilidade. Nesse sentido, ela afirma que o País deve dar mais apoio a serviços que auxiliam ações voltadas à questão nutricional.

“Devemos focar nas famílias mais vulneráveis. Elas não podem ficar passando fome. Com isso, temos uma outra questão, que é os serviços da atenção primária à saúde voltarem a funcionar para monitorar as crianças dessas famílias, o estado nutricional e ajustar suas políticas. Isso é uma prioridade. Falar em acesso a alimento é falar em uma questão constitucional”, considera.

O presidente da Undime Nordeste, Alessio Costa Lima, entende que o poder público precisa dar uma atenção maior para esta questão, já que se trata de uma região que apresenta dificuldades socioeconômicas e concentra grande parte da população com menor poder aquisitivo e, consequentemente, detém crianças em situação de vulnerabilidade social.

“Considerando esse contexto específico e mais agravado na região Nordeste, de fato, a merenda escolar tem um papel importantíssimo para essas crianças, porque elas advêm de uma situação muito crítica, muito difícil de suas famílias, e, quando assistida de forma regular na escola, elas têm justamente uma forma de suprir as suas deficiências alimentares, devido a situação de vulnerabilidade em que se encontram”, considera.

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05/02/2021 00:00h

Pesquisa do UNICEF aponta que 30% dos respondentes das classes D e E afirmaram que deixaram de comer em algum momento porque não havia dinheiro para comprar mais comida

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“A gente come o que tem.” A frase dita por Lúcia Helena dos Santos, 59 anos, poderia ser apenas uma história isolada em meio à pandemia. Desempregada e moradora da favela de Paraisópolis, considerada a segunda maior comunidade de São Paulo, Lúcia Helena faz parte de uma estatística de mudanças alimentares em meio à pandemia – e nem sempre para melhor. 

Em dois momentos distintos (julho e novembro de 2020), uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), realizada pelo Ibope Inteligência, entrevistou 1,5 mil pessoas e famílias em todo o Brasil para entender como o novo coronavírus afetou a vida dos brasileiros. O estudo, intitulado “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, aponta que, durante a pandemia, mais de 20,7 milhões de brasileiros afirmaram ter deixado de comer porque não havia dinheiro para comprar alimentos. A região Norte concentra a maior porcentagem de entrevistados que informaram ter passado por essa situação (23%). No Sudeste, onde se encontra o estado de São Paulo, 11% dos respondentes disseram ter ficado sem comida. 

Hábitos alimentares de crianças e adolescentes foram alterados na pandemia, segundo pesquisa

Insegurança alimentar atinge 23% das famílias da região Norte

Alimentação nos primeiros anos de vida é decisiva para a formação de hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento da criança

Os dados também mostram que 54% relataram mudanças na alimentação nesse período. O consumo de alimentos industrializados aumentou: em julho, 23% relataram consumir esse tipo de comida; em novembro, o número aumentou para 29%. 

“A gente come o que tem, né? Geralmente tem bolacha recheada”, confessa Lúcia Helena. A moradora de Paraisópolis vive com o marido e um filho e afirma que já passou por momentos mais difíceis. 

Problema estrutural 

A chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque, lembra que a realidade de não ter o que comer por falta de dinheiro foi mais evidente nas classes D e E, como mostra a pesquisa UNICEF/Ibope - 30% dos respondentes dessas classes declararam que deixaram de comer em algum momento porque não havia dinheiro para comprar mais comida. “São famílias mais vulneráveis e, ainda mais preocupante, famílias com crianças e adolescentes”, alerta. 

Os dados revelam que 8% dos residentes com crianças e adolescentes – o equivalente a cerca de 5,5 milhões de brasileiros – mencionaram na pesquisa que ficaram sem comer em algum momento da pandemia por falta de dinheiro. Entre aqueles que recebem até um salário mínimo, a proporção chega a 21%. “A gente passa a ter um alerta vermelho para dois problemas, que classificamos como má nutrição: o consumo de alimentos ultraprocessados e não saudáveis, que levam ao aumento de peso e a outros problemas de saúde; e a desnutrição, principalmente das crianças pequenas”, enfatiza Cristina. 

A pediatra e especialista em Saúde do Unicef para o Semiárido, Tati Andrade, reforça que a inserção de alimentos industrializados foi maior nos lares com crianças e adolescentes de até 17 anos. “Macarrão instantâneo, achocolatados, biscoito recheado, isso preocupa muito pelo impacto que eles têm na saúde e nutrição. Uma das justificativas é a comodidade para comprar alimentos prontos, isso é realmente preocupante porque sabemos que os alimentos naturais e frescos são muito mais saudáveis.” 

Para a pediatra, uma alimentação ruim iniciada já na infância pode ter repercussão durante toda a vida. “Doenças como obesidade, hipertensão, diabetes. São consequências muitas vezes de uma alimentação que não foi saudável e que se prolongou ao longo da vida, trazendo consequências danosas por toda a vida”, afirma Tati Andrade. 

Nutricionista e oficial de Saúde do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral, também alerta para o acesso mais facilitado a alimentos já prontos. “As escolhas alimentares hoje não são livres de influência. Não é uma escolha somente daquele indivíduo. Elas são influenciadas pelo meio em que a gente vive e a indústria atua muito fortemente no marketing para crianças. Estamos em um mundo que nos chama o tempo inteiro para que a gente coma alimentos industrializados”, pontua.

Stephanie Amaral completa explicando que muitas famílias vulneráveis, especialmente as que moram nas favelas, vivem no que os estudos chamam de “desertos alimentares”. “São áreas em que é difícil o acesso a alimentos frescos, como frutas e verduras. E isso é muito mais predominante em áreas de maior vulnerabilidade, em bairros periféricos. É mais fácil a gente encontrar lojas de conveniência, que vendem alimentos industrializados, do que encontrar uma feira, um sacolão. Isso significa que uma pessoa que mora em bairros assim precisa se deslocar para ter acesso a alimentos saudáveis.” 

Lúcia e a família viram a realidade mudar quando começaram a participar do projeto Mães da Favela, coordenado pela Central Única de Favelas (Cufa). Só no estado de São Paulo, o projeto alcança quase 11,5 mil famílias com “vales-mães” e já distribuiu mais de 374,4 mil cestas básicas. 

“Ajuda muito. Agora tem arroz, feijão, macarrão... Tem bastante coisa”, avisa Lúcia, mais esperançosa. 

A coordenadora da Cufa Paraisópolis, Claudia Raphael, conta o que tem feito para amenizar o sofrimento das famílias da comunidade. “Desde março, estamos com grandes ações de entrega de alimentos. Foram toneladas, até perdi a conta”, partilha. “Na última entrega, foram doadas duas mil cestas pelo governo do estado, pela iniciativa privada, associações.” 

Além de alimentos, a Cufa tem se mobilizado com a doação de kits de higiene, fraldas e até recarga de gás. “Além disso, doamos os cartões Mães da Favela, que chamamos de bolsas digitais, uma espécie de cartão alimentação. A mãe tem autonomia para escolher o quer comprar e deixar essa renda no comércio local. Nosso trabalho tem sido principalmente em colocar alimento na mesa das pessoas”, garante Claudia. 

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04/02/2021 00:00h

Em pesquisa, 54% das famílias declararam não terem recebido alimentação da escola

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Com a pandemia da Covid-19, os cuidados com a saúde exigiram mudanças no comportamento da sociedade, inclusive na maneira de trabalhar e estudar. Para atender às medidas preventivas à doença, as escolas deixaram de receber professores, alunos e funcionários presencialmente e passaram a oferecer um ensino remoto.

Com esta medida, alguns pontos entraram em discussão. Além de questionamentos sobre a disponibilidade de equipamentos eletrônicos e de internet para acesso às aulas, soma-se também o desafio do acesso à alimentação escolar para alunos da rede pública de ensino.  

Diante disso, as famílias passaram a receber kits com comidas da alimentação escolar destinados aos alunos. As compras são realizadas por meio Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 

Apesar disso, uma pesquisa realizada pelo UNICEF aponta que mais da metade (54%) das pessoas que moram com crianças e adolescentes que estudam em escola pública, não receberam alimentação da escola durante o período de fechamento por causa da Covid-19.  Entre aqueles que recebem até 1 salário mínimo, 42% declarou não ter tido acesso à alimentação escolar durante a pandemia.

Morador de Tauá, município do sertão dos Inhamuns cearense, Antônio Gonçalves Neto, de 25 anos, foi um dos pais de família que chegou a receber alguns kits de alimentação escolar durante a pandemia. Ele conta que os filhos Pedro Lucas Gonçalves, de 5 anos, e Isabela Reis, de 12, estudam em escola pública, e tiveram acesso, por cinco ou seis vezes, a cestas contendo itens como leite, biscoito, frutas e arroz.

Mesmo achando que a quantidade de alimentos fornecidos não era grande, o auxiliar de almoxarifado de uma fábrica de calçados se diz satisfeito por receber os kits, principalmente por causa das dificuldades financeiras que a população está vivendo em meio a atual crise sanitária. “A gente recebe com muito carinho e gratidão”, disse.

“Acho interessante porque é um benefício a mais para o aprendizado da criança. Também é bom saber que estamos sendo lembrados pela escola. Agradeço muito por receber, é uma forma de ajuda que a gente tem do governo. Porque o momento que estamos passando é muito difícil e ninguém sabe como será o dia de amanhã”, pontua Antônio.

Apesar de famílias como a de Antônio Gonçalves terem recebido os kits da alimentação escolar, o quadro preocupa a chefe Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque. A primeira rodada da pesquisa do UNICEF, realizada em julho de 2020, também aponta que 92% das famílias entrevistadas disseram não ter recebido doações de alimentos de forma alguma, seja por meio do governo ou de outras instituições.

“Essa é uma questão que mostra uma dificuldade de suprir a necessidade da fome dessas famílias. Também mostra que precisamos pensar em políticas públicas abrangentes para evitar esse tipo de situação em crise. Que não acontece somente na crise, mas que foi agravada durante a pandemia”, avalia.

Aulas presenciais

Na avaliação do presidente da Undime Região Nordeste, Alessio Costa Lima, as escolas fechadas causam um alerta, já que, segundo ele, os gestores públicos vão continuar com dificuldades para distribuir os kits de forma universal.

“Para não prejudicar o cardápio, no sentido de desfalcar determinados itens que, quando são distribuídos via escola, tem uma determinada per capta e quantidade, e quando vai ser feito uma distribuição via kits de alimentação escolar para ser entregue às famílias, já é outra forma de cálculo, é importante que sejam quantificados de forma adicional, possibilitando a entrega nos primeiros meses do ano, caso a situação volte a se regularizar”, orienta.

Insegurança alimentar aumentou durante a pandemia

5,5 milhões de estudantes estavam sem atividades ou fora da escola em outubro, divulga Unicef

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 “Alguns municípios optam por fazer tomadas de preço da alimentação escolar para mais de um ano. Os entes que trabalham dessa forma têm maiores quantidades de itens para formar seus kits por um período de tempo maior. Mas, para os municípios que fazem tomada de preço para apenas um ano, ou outra forma de licitação levando em conta apenas o ano vigente, seria prudente prever um adicional, sobretudo de itens que compõe o kit de alimentação escolar”, aconselha.

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01/02/2021 00:00h

Pesquisa do UNICEF com Ibope Inteligência mostra gravidade da situação de muitos brasileiros; de julho para novembro, o percentual de entrevistados que declararam que deixaram de comer subiu de 6% para 13%

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Durante a pandemia do coronavírus, a situação de insegurança alimentar se agravou no Brasil. Segundo a pesquisa “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, elaborada em duas rodadas pelo UNICEF e pelo Ibope Inteligência, a porcentagem de respondentes que declararam que deixaram de comer aumentou significativamente. Em julho de 2020, 6% dos entrevistados afirmaram que, desde o início da pandemia, deixaram de fazer uma refeição porque a comida acabou e não havia dinheiro para comprar mais, o correspondente a nove milhões de brasileiros. Já em novembro, este número aumentou para 13% dos respondentes, representando 20,7 milhões de brasileiros. Desses, cerca de 5,5 milhões eram de lares com crianças e adolescentes.

“Esse aumento da insegurança alimentar está relacionado à combinação de recessão e estagnação econômica, deterioração do mercado de trabalho e o retrocesso nas políticas sociais no Brasil que ocorre desde 2015. Importante ressaltar que essa insegurança alimentar está relacionada também às questões de raça e gênero. Domicílios chefiados por mulheres ou por pessoas pretas e pardas são os que mais apresentam insegurança alimentar”, alerta Kelly Alves, nutricionista e membro do Núcleo Rio de Janeiro da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

Para ela, a Covid-19 apenas evidenciou uma realidade já vivida há tempos por muitos brasileiros. “A pandemia do novo coronavírus trouxe à tona a desigualdade social já existente no País e tem contribuído para piorar ainda mais as condições de vida das pessoas mais vulneráveis, entre elas os moradores das periferias das grandes cidades, como as favelas cariocas.”

Moradora do bairro Estácio, no Rio, Vanessa da Silva Lonziero Coelho, 41 anos, relata um pouco dessa insegurança vivida especialmente durante a pandemia. Atualmente desempregada e mãe de filhos gêmeos de três anos de idade, Vanessa conta que a alimentação não chegou a ser muito alterada em relação ao que era antes disso, mas que muitas vezes teve dificuldade em alimentar a família. 

“Normalmente, almoçamos e à noite fazemos um lanche. As crianças às vezes jantam e outras lancham. E nós ingerimos alimentos industrializados. Às vezes por comodidade, outras vezes por necessidade, por falta de tempo mesmo. Como meus filhos são gêmeos, a gente acaba tendo pouco tempo ou eles ficam muito agitados, aí optamos por comidas mais rápidas”, confessa. 

Esse é outro dado importante da pesquisa do UNICEF e do Ibope Inteligência. De acordo com o estudo, houve um aumento no consumo de alimentos industrializados durante a pandemia, variando de 23% em julho para 29% em novembro do ano passado. E esse aumento ficou ainda mais evidente em lares com crianças e adolescentes – 36%. 

“Essa mudança no hábito alimentar a gente já vinha percebendo, ela não é de agora. É uma mudança que, infelizmente, faz parte de uma epidemia global de aumento de peso e da obesidade por conta da alteração no consumo de alimentos. As pessoas estão migrando cada vez mais para alimentos ultraprocessados, com muito sal, gordura, açúcar, aditivos e pouquíssimo nutriente”, lamenta a chefe de Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque. 

Hábitos alimentares de crianças e adolescentes foram alterados na pandemia, segundo pesquisa

Pandemia: mais de 20,7 milhões de brasileiros deixaram de comer por falta de dinheiro

Alimentação nos primeiros anos de vida é decisiva para a formação de hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento da criança

Na casa da Vanessa, o consumo de alimentos industrializados em substituição aos   alimentos naturais também é motivado pelo preço. “Temos acesso a feira, porém os alimentos naturais muitas vezes são mais caros. Antes, você fazia feira com R$ 50 e hoje com esse valor você não leva nada”, opina a dona de casa.  “Não tivemos problema para comer e pagar nossas contas devido à ajuda de familiares. Mas continuamos passando dificuldades, precisando de ajuda financeira”, completa Vanessa. 

Stephanie Amaral, nutricionista e oficial de Saúde do UNICEF no Brasil, explica esse fenômeno. “São alimentos cheio de aditivos, que viciam o nosso paladar e que são considerados gostosos. Tem todos esses fatores que são principalmente voltados para crianças e adolescentes.”

E ela alerta para outro fator. “As escolhas alimentares hoje não são livres de influência. Não é uma escolha somente daquele indivíduo. Elas são influenciadas pelo meio em que a gente vive e a indústria atua muito fortemente no marketing para crianças. Estamos em um mundo que chama o tempo inteiro para o consumo dealimentos industrializados”, pontua.

Orientações

No início da pandemia, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, do RJ, disponibilizou uma cartilha com objetivo de divulgar informações sobre alimentação adequada e saudável e apoiar as pessoas a fazerem melhores escolhas durante a pandemia. Kelly Alves, membro da Aliança, afirma que, antes da cartilha, algumas informações que chegavam aos moradores do Rio, especialmente os que moram em favelas e bairros mais pobres, estavam fora da realidade. 

“Percebemos é que muitas orientações tinham uma abordagem com foco principalmente nos nutrientes dos alimentos, apresentando determinados alimentos fontes de certas vitaminas e minerais como se tivessem papel milagroso frente à doença. Essas orientações tinham também uma abordagem desconectada da crescente situação de insegurança alimentar e nutricional de grande parte da população brasileira, ou seja, pessoas que não possuem a garantia do acesso físico e financeiro aos alimentos adequados e saudáveis”, diz. 

No processo de elaboração da cartilha, a Aliança contou com a colaboração de membros que residem no complexo do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho, Zona Sul do Rio. “Eles nos alertaram de que as orientações deveriam atender aos diferentes perfis de moradores das favelas: tanto aqueles que não tinham o acesso físico ou financeiro aos alimentos quanto os que ainda possuíam condições de comprar seus alimentos”, lembra. 

A linguagem do documento, segundo Kelly, é simples e objetiva e ajuda na escolha e no preparo dos alimentos. “Acrescentamos orientações sanitárias necessárias para prevenção da contaminação pelo coronavírus e dicas sobre as compras dos alimentos, visando contribuir para a melhor gestão do orçamento familiar. Afinal, o dinheiro está mais curto para muita gente. É preciso planejar melhor as compras para garantir o abastecimento de alimentos para a família.”

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Educação
29/01/2021 11:20h

Segundo o estudo, pandemia da Covid-19 agravou as desigualdades que afetam estudantes vulneráveis

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Chegou a 5,5 milhões o número de crianças e adolescentes que estavam sem atividades escolares ou fora da escola em outubro do ano passado, no Brasil. É o que aponta uma pesquisa do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e do Instituto Claro, divulgada nesta quinta-feira (29), no Rio de Janeiro. 

Segundo o estudo, a pandemia da Covid-19 agravou as desigualdades que afetam estudantes vulneráveis e se refletem na reprovação, distorção idade-série e abandono escolar. Entre os mais afetados, de acordo com o levantamento, estão os meninos, negros, indígenas, estudantes com deficiência e moradores de áreas rurais ou das regiões Norte e Nordeste do País. 

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Hábitos alimentares de crianças e adolescentes foram alterados na pandemia, segundo pesquisa

Os dados extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que 1,38 milhão de alunos de 6 a 17 anos não participaram de aulas presenciais ou remotas em outubro do ano passado. Além disso, daqueles que declararam ter frequentado as aulas, mesmo que remotamente, 4,12 milhões disseram que não tiveram acesso às atividades escolares, totalizando 5,5 milhões de estudantes. 

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26/01/2021 00:00h

Desde o início da pandemia, em março de 2020, mais de 20,7 milhões de brasileiros deixaram de comer por falta de dinheiro

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Muitas famílias brasileiras passaram por maiores dificuldades financeiras em 2020, principalmente por conta das consequências que envolvem a pandemia do novo coronavírus. A situação no Norte do País é a mais grave. Uma pesquisa do UNICEF revela que, desde o início da crise provocada pela Covid-19, 23% das famílias que vivem na região deixaram de comer porque não havia dinheiro para comprar alimento.

Atualmente desempregada, Francicleide Moura de Andrade, de 39 anos, moradora de Rio Branco, no Acre, conta que em alguns momentos teve dificuldades de comprar alimentos para ela, o marido, - que é ajudante de pedreiro - e os quatro filhos. Isso porque a renda da família, que normalmente vem por meio de “bicos”, nem sempre é suficiente para a aquisição da comida. Apesar de contar com R$ 170 por mês referente ao Bolsa Família, ela relata que a pandemia se tornou um obstáculo para que a renda seja melhor.

“Nós não temos a segurança de saber se, ao fechar o mês, cada um terá o seu salário. Tivemos dificuldade pela falta do emprego. Justamente na pandemia, diárias, faxinas ou algo relacionado ficou mais difícil, porque as pessoas se fecharam com medo da doença”, pontua.


 
Em todo o Brasil, de acordo com o levantamento, 30% dos entrevistados disseram que não estavam trabalhando antes da pandemia e continuam sem ocupação, e 14% estavam com emprego, mas atualmente estão desempregados. Entre as pessoas que residem com crianças ou adolescentes e tiveram diminuição da renda, 64% informaram que o motivo foi a redução do salário de alguém da família.   

Segundo a especialista do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da UnB, Elisabetta Recine, quando envolve família com crianças ou adolescentes em casa a situação é mais complicada, devido a maior necessidade que esse grupo tem de consumir alimentos na quantidade e qualidade ideal para uma boa formação física e mental.

“Pensando nas crianças, é importantíssimo que haja a maior variedade de alimentos naturais, preparados em casa, por exemplo, para que você consiga basicamente duas coisas: primeiro, um aporte nutricional em termos de quantidade de alimentos suficientes para o crescimento. Segundo, uma variedade de alimentos. É nesse período que os hábitos alimentares vão se formando”, explica.

Nesse sentido, a oficial de Saúde do UNICEF no Brasil, Stephanie Amaral, destaca que esse contexto chama a atenção para o desenvolvimento de políticas públicas capazes de melhorar as condições alimentares das famílias mais pobres do País.

“Uma pergunta que tem sido feita há muito tempo é: como melhorar a alimentação das populações, principalmente as mais vulneráveis? Entre os exemplos de políticas públicas que podemos pensar estão subsídios para alimentos mais saudáveis, para que se tornem mais baratos; melhorar o acesso para que esses alimentos se façam presentes nesses locais. É trazer informação de qualidade para que as pessoas saibam o que estão consumindo e o que deveriam consumir”, orienta.

Panorama nacional

Desde o início da pandemia, em março de 2020, mais de 20,7 milhões de brasileiros deixaram de comer por falta de dinheiro. Esse é o drama vivido por famílias que sofrem com a insegurança alimentar. Os dados constam na pesquisa do UNICEF “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, realizada pelo Ibope. Ainda de acordo com o levantamento, 5,5 milhões de brasileiros que moram com crianças ou adolescentes deixaram de comer por dificuldade financeira.

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Outra pesquisa feita pelo IBGE aponta que, entre 2017 e 2018, a insegurança alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milhões de pessoas ao menos em alguns momentos. Dos 68,9 milhões de domicílios do País, 36,7% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo, ao todo, 84,9 milhões de pessoas.

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25/01/2021 00:00h

De acordo com pesquisa do UNICEF, cerca de 86 milhões de brasileiros viram o rendimento de seus domicílios diminuir desde o início da crise causada pelo avanço da Covid-19

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Desde o início da pandemia, em março de 2020, mais de 20,7 milhões de brasileiros deixaram de comer porque não havia dinheiro para comprar mais comida. Esse é o drama vivido por famílias que sofrem com a insegurança alimentar. Os dados constam em pesquisa do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF). Ainda de acordo com o levantamento, 5,5 milhões de brasileiros que moram com crianças ou adolescentes deixaram de comer por dificuldade financeira.

Segundo a especialista do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), Elisabetta Recine, o grau de insegurança alimentar varia de leve a grave, quando se observa o quadro desde o temor de faltar alimento para os próximos dias, até a situação real de que a pessoa deixou de realizar uma refeição.

 “A insegurança alimentar grave é quando as pessoas em geral tiveram que pular refeição, não comeram o suficiente, enfim, passaram fome, inclusive as crianças. Esse é o grau mais elevado de insegurança alimentar. Logicamente, quando você tem um impacto no peso e na altura, principalmente de crianças, é porque elas sofreram situações agudas ou crônicas de insuficiência alimentar”, pontua.

Maria Lindalva Rocha, de 44 anos, mora no Distrito Federal, na região administrativa do Sol Nascente, considerada uma das maiores favelas do Brasil. Atualmente desempregada, ela conta que vive apenas com o dinheiro do marido e esse precisa ser suficiente para alimentar o casal e os quatro filhos, com idades entre 11 e 19 anos.

“Quando eu e meu marido trabalhávamos fichados, comprávamos tudo o que precisava para uma casa. Mas, hoje não dá mais para fazer isso. Ele trabalha como ajudante de pedreiro e não recebe muito dinheiro. A diária em torno de R$ 70. Além disso, tem dias que trabalha, assim como tem dias que não aparece serviço”, relata.

A chefe de Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque entende que esse panorama preocupa ainda mais pelo fato de atingir, principalmente, famílias com menor poder aquisitivo, que dependem de programas do governo para conseguir colocar um prato de comida na mesa.

“Isso refletiu, principalmente nas classes D e E, nas famílias mais vulneráveis, com crianças e adolescentes. Nesse caso, a gente passa a ter um alerta vermelho para dois problemas: o consumo de alimentos industrializados e não saudáveis, além de acender um sinal vermelho para a questão da desnutrição”, avalia.

Pandemia

A mesma pesquisa do UNICEF apresenta dados sobre como a renda familiar caiu durante a pandemia. Nesse sentido, cerca de 86 milhões de brasileiros afirmaram que o rendimento de seus domicílios diminuiu desde o início da crise causada pelo avanço da Covid-19. Dos entrevistados no levantamento, 30% disseram que não estavam trabalhando antes da pandemia e continuam sem ocupação, e 14% estavam com emprego, mas atualmente estão desempregados.

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“Quando a pandemia chega, de maneira brusca, rápida e intensa, ela faz com que essas pessoas tenham, por exemplo, a renda drasticamente diminuída, as escolas fecham e as crianças não têm acesso à alimentação escolar, as pessoas que estavam no trabalho informal tiveram a sua renda absolutamente cortada”, pontua a especialista do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), Elisabetta Recine.

Entre as pessoas que residem com crianças ou adolescentes e tiveram redução da renda, 64% informaram que o motivo foi a diminuição do salário de alguém da família. Além disso, de acordo com as pessoas que moram com crianças ou adolescentes que estudam em escola pública, menos da metade recebeu alimentação da escola durante o período de fechamento por causa da Covid-19.

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23/01/2021 00:00h

De acordo com dados do Ibope e do UNICEF, 54% dos entrevistados admitiram ter mudado a alimentação nesse período; pesquisa mostra aumento no consumo de alimentos industrializados

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Um dos legados deixados pela pandemia do novo coronavírus na vida dos brasileiros foi a mudança dos hábitos alimentares. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), realizada pelo Ibope Inteligência, mostra que 54% dos entrevistados relataram alterações nesse quesito desde o início da pandemia. 

Para Taynara Ayres, 32 anos, a mudança foi positiva. Ela conta que era fã de restaurantes fast food e que a frequência com que pedia esse tipo de comida era grande. “Minha alimentação era muito desregrada, eu não tinha um padrão de horário e nem me alimentava bem. Comia muito fast food, sempre gostei, mas hoje como uma vez a cada dois meses, porque realmente gosto, mas não faz mais parte da minha dieta.” 

Taynara afirma que inseriu mais frutas e saladas na alimentação e que tem até se exercitado mais. De acordo com a pesquisa do UNICEF/Ibope, intitulada “Impactos primários e secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, Taynara está na contramão dos dados, que mostram que o consumo de alimentos industrializados aumentou 29% até novembro. Os alimentos preparados em restaurantes fast food também estiveram presentes em 16% dos lares brasileiros em julho, pulando para 21% em novembro.  

Nas casas com crianças e adolescentes de até 17 anos, os dados são ainda mais alarmantes. Durante a pandemia, 36% dos entrevistados residentes com crianças e adolescentes relataram aumento do consumo de industrializados. Além disso, 29% dos entrevistados perceberam aumento no consumo de refrigerantes e bebidas com açúcar, chegando a 34% nas famílias com crianças.

É o caso de Deborah Souza, 34 anos. Mãe da pequena Alice, de 6 anos, a jornalista conta que houve uma “inversão” na dinâmica da casa em relação à alimentação. Diabética, Deborah relata que tinha uma alimentação bagunçada antes da pandemia, chegando a pular refeições por conta da correria do dia a dia. “Por ser diabética, isso afetava minha saúde”, lembra.  

Agora, trabalhando de casa, ela conta que a alimentação dela melhorou, mas admite que a da filha nem tanto. 

“Sempre tive muita preocupação em relação à alimentação da minha filha. Antes da pandemia, nossa rotina era bem intensa, mas eu conseguia organizar os horários das refeições dela e balancear o máximo possível. Com a pandemia, eu percebi que surgiram dois novos cenários aqui em casa, porque considero que a qualidade da alimentação da minha filha piorou. Apesar de ela comer frutas e verduras diariamente, ela passou a consumir mais industrializados, como biscoitos, sorvete e salgadinhos. E a minha alimentação melhorou. Passei a cozinhar mais e agora tenho uma rotina”, observa Deborah. 

A psicóloga infantil Mariana Dias explica que a ansiedade gerada pela necessidade do isolamento social, em meio à doença que já matou mais de 200 mil pessoas só no Brasil, pode ter aumentado a vontade de consumir alimentos industrializados ou ultraprocessados em crianças e adolescentes.

“Esse é um motivo que tem aparecido muito no consultório em função do momento. Por mais que algumas crianças relatem que estão gostando de ficar em casa, elas têm passado muito tempo na frente de eletrônicos – as aulas são pelo computador, os jogos, a socialização – e essa parte é geradora de ansiedade. O alimento industrializado, além de ser mais gostoso ao paladar das crianças, é mais rápido, mais acessível. Em vez de fazer um sanduíche natural, é mais fácil pegar um pacote de salgadinho”, pontua. 

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Mudança 

A professora do departamento de nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Paula Horta explica o que pode estar por trás dessa mudança nos hábitos alimentares. Para ela, a nova rotina nos lares pode ter contribuído para esse novo contexto. 

“O primeiro ponto a ser destacado é a dinâmica de home office e dos serviços da casa, o que mudou completamente. O tempo hoje para cozinhar está reduzido e muitas pessoas nunca cozinharam, nunca tiveram essa função dentro de casa. De repente, isso passa a ser uma realidade junto com os serviços domésticos, de cuidar das crianças, enfim. Isso impacta por si só numa mudança na oferta de alimentos”, avalia a docente. 

Outro fator determinante, ainda de acordo com a docente da UFMG, é a rotina de ir às compras, seja em um supermercado ou em uma feira livre na cidade. “As pessoas têm ido com menor frequência ou por menos tempo a esses lugares por questões de segurança. E certos alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes e hortaliças, precisam ser comprados com uma frequência maior e as pessoas estão comprando menos por conta da pandemia. Por isso, a gente tem uma menor incidência desses alimentos nos cardápios das famílias”, avisa. 

Publicidade infantil 

Monica Pessoa de Oliveira, de 32 anos, é moradora de Canaã dos Carajás, no interior do Pará. Segundo a empresária, a alimentação no início da pandemia foi mais difícil para ela e para a família. Ela, o marido e as duas filhas – uma de 6 e outra de 12 anos – passavam boa parte na frente da televisão. “Não tinha muito o que fazer. Era só assistir à TV, comer e aí batia aquela ansiedade”, relembra. 

Com a abertura do comércio, ainda que mais restrita, Monica diz que a alimentação melhorou.  “Elas [filhas] não são muito de comer besteira, mas ainda comem salgadinhos que já conhecem.” 

Frutas e verduras nem sempre estão no cardápio das refeições da família. “Nem todos gostam. Claro que é muito importante para a saúde, mas a gente não é de ter esse hábito de comer tudo certinho e regrado. Meu esposo não é fã de salada e fruta, assim como minha filha mais nova. Eu já como mais salada e minha filha mais velha também. Ela come o que tiver na mesa, mas também come mais doce.” 

Sobre salgadinhos e doces, que são mais frequentes na casa de Monica, Paula Horta destaca que a exposição das crianças e adolescentes à publicidade infantil também pode incentivar o consumo desse tipo de alimento não saudável. 

“Se elas não estão nas aulas virtuais ou em alguma outra atividade desse tipo, elas estão sendo expostas, na maior parte das vezes, à publicidade de alimentos nos meios de comunicação. E aí a gente já tem evidências muito interessantes que mostram como que esses meios de comunicação contemplam na maior parte do tempo os ultraprocessados. E essa publicidade vem acompanhada de estratégias de marketing altamente persuasivas para crianças, com uso de elementos do universo infantil, celebridades, personagens que elas conhecem bastante de filmes, desenhos. Isso tudo está relacionado a um maior desejo por esses alimentos que são anunciados”, lamenta a docente da UFMG. 

A chefe de Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque, defende uma intervenção mais dura do Estado em relação a essas propagandas. “É muito difícil, é uma competição de política pública de saúde contra os bilhões que são investidos pela indústria, principalmente nos alimentos ultraprocessados. E cada vez isso cresce mais, o País definitivamente precisa dar um basta nisso, estabelecer regras mais rígidas e informar melhor a população”, enfatiza. 

Na opinião dela, “as grandes indústrias de alimentos são extremamente competentes, com embalagem atrativa para criança, recheios de biscoitos recheados escorrendo chocolate, muitas cores. Eles são profissionais. Então fica difícil, é preciso uma intervenção do Estado, de limitar, de uma vez por todas, essas propagandas abusivas de alimentos não saudáveis voltadas para crianças e adolescentes. E isso a gente vê que ainda está muito devagar.”

Cristina ressalta que, no ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo modelo de rotulagem nutricional de alimentos embalados. De acordo com a autarquia, a medida visa dar mais clareza e melhorar a legibilidade das informações nutricionais presentes no rótulo dos alimentos, auxiliando o consumidor a realizar escolhas alimentares mais conscientes. 

“Dessa forma, as famílias vão poder ver o que estão consumindo, se o alimento tem muito açúcar, se tem muito sal, se a gordura do alimento é ruim. E aí, com essas informações, as famílias podem fazer suas escolhas. A família tem o direito de saber o que está comendo”, frisa. 

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22/01/2021 10:00h

Desde o início da pandemia, em março de 2020, mais de 20,7 milhões de brasileiros deixaram de comer por falta de dinheiro

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Muitas famílias brasileiras passaram por dificuldades financeiras em 2020, principalmente pelos impactos da pandemia do novo coronavírus. A situação no Nordeste do País está entre as mais graves. Uma pesquisa do UNICEF com o IBOPE revela que, desde o início da crise provocada pela Covid-19, 12% das famílias que vivem na região afirmam que houve dias em que deixaram de comer porque a comida acabou e não havia dinheiro para comprar mais.

Mãe de dois filhos, a trabalhadora autônoma Karla Daniele Araújo, de 35 anos, se encontra nessa circunstância de insegurança alimentar. A moradora de São Luís, no Maranhão, conta que depende da ajuda de outros familiares para conseguir por comida na mesa, já que o emprego de revendedora de cosméticos não tem gerado renda suficiente para comprar mantimentos.

“As vendas caíram muito devido a pandemia. Eu tive dificuldade para receber o auxílio emergencial. Se não fosse minha família, estaria passando fome, porque sou mãe solteira, crio meus filhos sozinha, e só tenho minha mãe que trabalha, e também está sendo muito difícil para ela me ajudar”, relata.

Em todo o Brasil, de acordo com o levantamento, 30% dos entrevistados disseram que não estavam trabalhando no início da pandemia e continuam sem ocupação, e 14% estavam com emprego, mas atualmente estão desempregados. Entre as pessoas que residem com crianças ou adolescentes e tiveram diminuição da renda, 64% informaram que o motivo foi a redução do salário de alguém da família.   

Segundo a especialista do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), Elisabetta Recine, as dificuldades enfrentadas por pessoas como Karla Daniele, ou seja, com crianças em casa, é ainda mais complicada, devido a maior necessidade que esse grupo tem de consumir alimentos na quantidade e qualidade ideal para uma boa formação física e mental.

“Pensando para crianças pequenas, é importantíssimo que haja a maior variedade possível de alimentos naturais, preparados em casa, por exemplo, para que você consiga basicamente duas coisas: primeiro, um aporte nutricional em termos de quantidade de alimentos suficientes para o crescimento, mas também uma variedade de alimentos. Porque é nesse período que os hábitos alimentares vão se formando”, explica.

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Nesse sentido, a oficial de Saúde do Unicef, Stephanie Amaral, destaca que esse contexto chama a atenção para o desenvolvimento de políticas públicas capazes de melhorar as condições alimentares das famílias mais pobres do País.

“Uma pergunta que tem sido feita há muito tempo é: como melhorar a alimentação das populações, principalmente as mais vulneráveis? Entre os exemplos de políticas públicas que podemos pensar estão subsídios para alimentos mais saudáveis, para que se tornem mais baratos; melhorar o acesso para que esses alimentos se façam presentes nos locais mais vulneráveis. É trazer informação de qualidade para que as pessoas saibam o que estão consumindo e o que deveriam consumir”, orienta.

Panorama nacional

Desde o início da pandemia, em março de 2020, mais de 20,7 milhões de brasileiros passaram por momentos em que deixaram de comer por falta de dinheiro. Esse é o drama vivido por famílias que sofrem com a insegurança alimentar. Os dados constam em pesquisa do UNICEF. Ainda de acordo com o levantamento, 5,5 milhões de brasileiros que moram com crianças ou adolescentes passaram por algum momento em que deixaram de comer por dificuldade financeira.
 

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