Saúde mental

16/11/2022 06:00h

A data de 16 de novembro é considerada nacionalmente o “Dia de Atenção à Dislexia”. O distúrbio atinge entre 5% e 17% da população mundial

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A data de 16 de novembro é considerada nacionalmente o “Dia de Atenção à Dislexia”. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), esse é o distúrbio que aparece com maior frequência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial.

A dislexia é um distúrbio de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração. Embora seja associada à má alfabetização, desatenção e baixa inteligência, esse transtorno pode ser hereditário com alterações genéticas, ou desenvolvido em decorrência de um trauma. Por isso, é importante que a dislexia seja diagnosticada por meio de avaliação neuropsicológica. 

A psicóloga Alessandra Araújo alerta para alguns dos principais sinais de dislexia na linguagem, como erros de pronúncia, dificuldade de nomear objetos, letras e números, se expressar de forma clara, entre outros. "Na escrita, se a criança recebe uma soletração, ela consegue entender, visualizar, mas ela não consegue, muitas vezes, colocar no papel aquela letra da palavra que foi soletrada. Às vezes eles omitem, às vezes ele substitui, inverte palavras de sons palatais, o ‘T’ e o ‘D’. E aí, inconsequentemente, ela vai ter uma dificuldade muito grande na questão dos vocabulários, das palavras, entender e interpretar um texto”, explica.

Por isso, pessoas com dislexia também sentem dificuldades em interpretar textos e escrever redações. “E são crianças que fogem muitas vezes desse processo de verbalizar em voz alta a leitura de textos. Ela vai sofrer bullying, ela vai sofrer uma piada dentro da sala de aula”, afirma a psicóloga.

Assim que identificados esses sinais, é importante procurar ajuda especializada. Alessandra explica que pessoas com dislexia muitas vezes são ridicularizadas, e isso pode levar ao desenvolvimento de uma baixa autoestima, além de comportamentos ansiosos e depressivos.

Por isso, o diagnóstico  é essencial para que a pessoa com dislexia consiga ser compreendida. “Porque aí eu vou conseguir entrar no contexto de chamar essa criança e falar: o que que você quis dizer? Você leva essa condição até para a pessoa também pensar, raciocinar e assumir esse lugar de que, sim, eu tenho um transtorno e eu preciso saber quais são as formas de lidar com esse transtorno”, explica Alessandra.

Rafael Braga, de 34 anos, psicólogo e especialista em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), descobriu a dislexia aos 24 anos de idade enquanto cursava psicologia. Ele afirma que isso ajudou a entender aspectos de sua vida, como quando era uma criança taxada de preguiçosa e que não conseguia aprender a ler. “Isso me dificultou bastante, porque potencializou muito a minha ansiedade, eu tinha medo de ler em público, eu morria de medo, eu tinha pavor de ler em público porque as pessoas iam rir de mim”, lembra.

O psicólogo diz que, por ter dificuldade em língua portuguesa, achou que nunca conseguiria passar em uma prova de redação, por isso não tentou ingressar em uma universidade pública e não estava certo de que conseguiria cursar uma faculdade.

Hoje, Rafael explica que ainda enfrenta algumas dificuldades, mas que, após receber o diagnóstico, conseguiu lidar com o transtorno e estudar da forma correta. “No dia a dia, até por ser um profissional que trabalha na área da saúde mental, eu não tenho vergonha ou dificuldade de falar. Às vezes eu vou fazer, por exemplo, um relatório que tem que ir pra juízo, então, às vezes seguem para um advogado, eu peço para fazer uma releitura e conferir”, explica.
 

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Saúde
05/11/2022 04:00h

O luto é um processo natural, mas caso não tratado, pode evoluir para um estágio patológico

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O luto prolongado passou a ser considerado como um transtorno mental em 2022, na nova versão do manual de diagnósticos de transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e também na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o Ministério da Saúde, o luto é um processo natural, caracterizado pelo sofrimento e pela saudade, normalmente desencadeado pela perda de algo ou alguém. Qualquer situação atrelada a um vínculo afetivo e que por algum motivo leve à perda, pode desencadear o luto. Esse processo pode se tornar um transtorno quando se estende por longos períodos, causando dor constante. Assim, a pessoa se torna incapaz de restabelecer a vida de maneira funcional.

Segundo a psicóloga Renata Frazilli, o luto é uma resposta emocional associada a uma perda dolorosa. Esta perda não é relacionada apenas à morte de alguém, pode estar ligada também ao término de um relacionamento ou à mudança de cidade de uma pessoa importante.

“A gente precisa entender que o luto é um processo natural que enfrentamos em um momento de dor, ele é marcado por uma dor aguda, intensa que tende a se transformar com o passar do tempo. Quando que o luto pode ser considerado prolongado? Conforme o manual diagnóstico estatístico de transtorno mental, vai depender do tempo de duração. No adulto os sintomas persistem por um período de doze meses ou mais, já nas crianças esses sintomas vão persistir por seis meses ou mais”, completa. 

Sintomas

Os sintomas desse transtorno são semelhantes aos da depressão e da ansiedade. A diferença é o fator motivador para o sofrimento. No luto prolongado, a perda sempre será o gatilho.

Os sinais de luto são diversos e variados: dor emocional intensa; saudade persistente; preocupação constante com a pessoa que faleceu e com as circunstâncias da morte; a dificuldade em se envolver com amigos e sentir que a vida não faz mais sentido.

“Para que o luto normal não acabe virando um transtorno mental, é importante que o enlutado vivencie o luto para que se possa chegar à aceitação dessa perda. Muitas vezes, antes de se chegar à aceitação, a pessoa passa por alguns estágios como a negação, a raiva, a tristeza. Até chegar à aceitação. É sempre bom que o enlutado mantenha contato com os amigos, com os vizinhos, com os familiares, com as pessoas próximas, na verdade, e que ele retorne às atividades que realizava antes dessa perda”, orienta a psicóloga.

Renata Frazilli observa que mesmo após esse período de aceitação do luto, ainda há dor, e recomenda procurar ajuda com profissionais da área de psicologia, que irão auxiliar a entender o que o enlutado sente para tratar de maneira adequada.

O Ministério da Saúde informa que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para pessoas em sofrimento psíquico por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada para o cuidado, e tem papel fundamental na abordagem dos Transtornos Mentais, principalmente os leves e moderados; não só pela capilaridade, como também por conhecer a população, o território e os determinantes sociais que interferem nas mudanças comportamentais, com melhores condições para apoiar o cuidado.

Em nota, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) informou que atende pessoas com transtorno mental severo e persistente. O luto prolongado também faz parte do quadro de atendimento, pois esse processo é mais complexo e tende a não melhorar sem intervenção. O Caps conta com equipe multiprofissional, ou seja, psiquiatria, psicologia, enfermagem, terapia ocupacional, serviço social e grupos terapêuticos.
 

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Saúde
12/09/2022 04:30h

Número de pessoas que interromperam a própria vida cresceu entre 2000 e 2019, ao contrário do que ocorreu em todo o mundo

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Nove em cada dez casos de suicídio poderiam ser evitados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2019, mais de 700 mil pessoas interromperam a própria vida em todo o mundo. No Brasil, são quase 14 mil casos por ano, em média trinta e oito brasileiros por dia. Os números são tristes e alarmantes, mas a campanha Setembro Amarelo traz uma mensagem de esperança: “A vida é a melhor escolha!”. 

Em sua 9ª edição, o Setembro Amarelo é um movimento organizado pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). A campanha se propõe a conscientizar as pessoas sobre a importância de reconhecer precocemente quem precisa de ajuda e também a reduzir o estigma, o preconceito e ajudar a prevenção do suicídio.

O portal Brasil 61 conversou com o doutor Antônio Geraldo, presidente da ABP e coordenador nacional da campanha Setembro Amarelo. O psiquiatra explicou que o suicídio é uma emergência de saúde pública e que, diante da delicadeza do tema, toda a sociedade deve agir com responsabilidade para que o objetivo principal seja alcançado: salvar vidas. 

“Se você tem uma emergência agora e alguém precisa de ajuda, o que fazer? Ligar para o SAMU, porque é uma emergência médica. Se alguém está infartando, infarto é o quê? Uma emergência médica. Você liga pra onde? Serviço de Atendimento Médico de Urgência. Sempre pensar nisso: por ser uma emergência médica, nós precisamos levar a um serviço médico. Depois que a vida estiver protegida, aí sim vai encaminhar para o psiquiatra e montar a equipe multidisciplinar que vai trabalhar essa pessoa adequadamente em tudo que precisar para salvar a vida”, orienta. 

O coordenador do Setembro Amarelo convida as pessoas a acessarem o site da campanha por meio do setembroamarelo.com. Lá, é possível encontrar manuais de orientação, posts para uso nas redes sociais e como abordar o tema sem estigmatizar as pessoas que têm ideias suicidas. 

“Nós precisamos ajudar as pessoas que pedem ajuda ou que dão sinais, ou demonstram sintomas de que estão adoecendo e você tem ali tudo gratuitamente, explicadinho pra você já captar, baixar, fazer download e usar ou pra você aprender e levar o conhecimento para outras pessoas. Mas lembrem-se: se você falar errado, informar errado, tudo muda”, alerta. 

Durante a entrevista, o psiquiatra também ressaltou que o Brasil vem na contramão do que se observa em todo mundo quando o assunto é suicídio. Enquanto a taxa global diminuiu 36% entre 2000 e 2019, na região das Américas, as taxas aumentaram 17% no mesmo período. 

Como forma de enfrentar esse grave problema de saúde pública, ele aponta para a urgência de fortalecer a rede de assistência, já que quase 100% das pessoas que tentaram contra a própria vida tinham algum transtorno mental, como depressão ou ansiedade, principalmente não diagnosticados ou tratados incorretamente. 

Confira a entrevista abaixo: 

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24/08/2022 20:15h

Controle de doenças cardíacas, diabetes, câncer e depressão são benefícios da atividade física regular

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O Ministério da Saúde (MS) divulgou, neste mês, um novo relatório sobre a vigilância dos fatores de risco e proteção para doenças no Brasil. O objetivo do levantamento é trazer informações atualizadas sobre os fatores de risco que influenciam no desenvolvimento das doenças crônicas. 

Nesta edição, a pesquisa abordou indicadores da prática de atividade física dos brasileiros nos últimos 15 anos, e concluiu que a frequência de adultos que se exercitavam regularmente aumentou em 6,4%. O crescimento foi observado em ambos os sexos, mas foi maior entre as mulheres, de 22,2%, em 2009, para 31,3% em 2021. Entre os homens, a variação foi de 39,8% a 43,1%, no mesmo período.

O personal trainer Laurent Gomides de Souza confirma que atualmente há mais procura pelos serviços de acompanhamento dos treinos. “Eu posso dizer é que teve um aumento de 40%, mais ou menos, este ano. Dos alunos, alguns amigos meus também, que são personal trainer, também tiveram um aumento. Tiveram esse aumento de pessoas procurando e se matriculando, fazendo atividade física”.

A prática de exercícios favorece a prevenção e o tratamento de doenças crônicas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, os benefícios das atividades físicas para controle de doenças cardíacas, diabetes, câncer e depressão são comprovados cientificamente. Segundo a nutróloga Andrea Pereira, isso pode ser explicado por diversos fatores, como a redução de inflamação, da resistência à insulina e do tecido gorduroso, além do aumento da massa muscular e da imunidade.

A médica esclarece que vários estudos demonstram a melhoria da qualidade de vida, do humor e da disposição a partir da prática regular de exercícios físicos, “isso ocorre porque existe uma liberação de várias substâncias, principalmente a endorfina, associada a essa memória. Indiretamente, a socialização, a disciplina e as metas demandadas pelo exercício levam também a uma melhora da saúde mental”. Ela aconselha buscar um exercício agradável, já que os benefícios são conquistados com regularidade e nunca é tarde para começar.

Vinícius Siqueira, 20, mora na cidade de Ceilândia, em Brasília (DF). Ele começou a praticar atividades físicas com frequência neste ano, e conta que a mudança no estilo de vida foi fundamental para a saúde. “Tem me ajudado muito a perder peso e na questão da minha autoconfiança, minha autoestima também que é muito importante. Então eu considero que eu esteja mais saudável ultimamente, a minha disposição melhorou muito pela questão da atividade física. E minha saúde mental também melhorou muito”, afirma.

Acesse o novo relatório sobre a vigilância dos fatores de risco e proteção para doenças no Brasil.

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24/06/2022 18:05h

Incentivo financeiro será feito em sete parcelas por meio das sete Regiões de Saúde rondonienses

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Por meio do Programa Cuida Mais Brasil, os serviços de saúde de APS em Rondônia tem disponibilizado R$ 3 milhões pelo Ministério da Saúde em 2022. Os recursos do governo federal têm o objetivo de fortalecer o atendimento materno-infantil no SUS, com inclusão de médicos pediatras e ginecologistas na Atenção Primária. O incentivo financeiro será feito em sete parcelas por meio das sete Regiões de Saúde do estado: Café, Central, Cone Sul, Madeira-Mamoré, Vale do Guaporé, Vale do Jamari e Zona da Mata.

A iniciativa do Ministério da Saúde pretende ampliar e fortalecer a assistência prestada à mulher desde a gravidez até o acompanhamento de crianças recém-nascidas e o cuidado com a infância. Para chegar a esse objetivo, as principais ações são redistribuir o quadro de profissionais para locais onde não tem suporte especializado e integrar a atuação de pediatras e ginecologistas-obstetras aos médicos e enfermeiros que já fazem parte das equipes de Saúde da Família. Hoje, Rondônia tem apenas nove ginecologistas-obstetras de um total de 5.350 que atendem na Atenção Primária. O número de pediatras é ainda menor: sete em um universo de 5.699 em todo país. 

“As equipes mínimas de Atenção Primária à Saúde e principalmente de Estratégia de Saúde da Família são compostas por profissional médico, enfermeiro e técnico de enfermagem. Para que o cuidado em saúde seja integral, exige essa atenção mais especializada. Na Atenção Primária à Saúde, a ideia é que a gente reforce não só quantitativa, mas também qualitativamente. Nos casos mais complexos, onde precisa do especialista, precisamos ter condição de ofertar o trabalho de ginecologistas/obstetras e pediatras para toda a rede”, pontua a diretora do Departamento de Saúde da Família (DESF), Renata Maria de Oliveira Costa.

Taxa de mortalidade

A taxa de mortalidade infantil em Rondônia é de 12,5 óbitos por mil nascidos vivos, a única da região Norte que fica abaixo da média nacional de 13,3 por mil nascidos vivos, segundo os dados mais recentes que datam de 2019. Com a chegada de mais médicos a cidades como Espigão D'Oeste, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Pimenta Bueno, Rolim de Moura e Vilhena, a expectativa das autoridades de saúde é que haja redução de mortes consideradas evitáveis. Isso porque o acompanhamento de casos complexos e o diagnóstico precoce diminuem a chance de complicações na gravidez e no parto das mulheres e no primeiro ano de vida das crianças. 

“O Cuida Mais Brasil tem esse olhar de equidade, de podermos ofertar recursos para que nessas áreas onde não existem esses profissionais, eles possam chegar. Na rede especializada, a região Norte tem uma carência muito grande”, reconhece Renata.

Os moradores de áreas mais remotas sofrem com um problema que é comum aos estados do Norte: é preciso deslocar-se do interior para as capitais em busca de atendimento especializado. Em Roraima, não é diferente. Na avaliação da diretora técnica do  Hospital Nossa Senhora de Nazareth de Boa Vista (RR), Márcia Monteiro, encurtar essa distância é um dos principais desafios para que os serviços da Atenção Básica cheguem na ponta.  

“No interior, a situação é mais difícil. Não há ginecologistas e obstetras. Nem os pediatras estão lá: são os clínicos que dão esse apoio. Quando há necessidade de uma intervenção mais especializada, os pacientes são encaminhados para Boa Vista. Acredito que a implantação do Cuida Mais Brasil vai devolver à população uma atenção mais aprimorada, mais atenciosa. Atualmente, ginecologistas, obstetras e pediatras estão lotados nas redes de maior complexidade, que são os hospitais e os centros de referência”, detalha a gestora.

Ciente dessa realidade, a ginecologista, obstetra e diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), Lana de Lourdes Aguiar, acredita que a presença mais próxima de especialistas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) é uma peça que oferece mais sustentação funcional à porta de entrada do SUS e complementa outras ações de combate à mortalidade materna e infantil.  

“Todos os esforços do Ministério da Saúde estão focados na aceleração da redução da mortalidade materna. Estratégias inovadoras, com recursos da Saúde Digital, estão sendo incentivados para melhoria da qualidade e do acesso às gestantes que enfrentam as barreiras de acesso comumente encontradas nas áreas remotas do país. O orçamento na atenção materna e infantil foi duplicado, trazendo para a rede hospitais que realizavam partos, mas não recebiam nenhum recurso ministerial”, ressalta. 

O Ministério da Saúde esclarece que não há a necessidade de solicitação de adesão para participar do Cuida Mais Brasil. A definição dos municípios que receberão o incentivo financeiro é feita pelas Comissões Intergestores Bipartite (CIB), colegiado composto por gestores estaduais e municipais que estabelece diretrizes e discute aspectos operacionais da rede pública de saúde. O cálculo de quanto cada Região de Saúde vai receber considerou o quantitativo populacional estimado pelo IBGE para 2021, o perfil geográfico predominante e a proporção de pediatras e ginecologistas-obstetras registrados no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES).

Ao longo de 2022, serão investidos quase R$ 170 milhões para garantir o cuidado adequado e intensificar a assistência materno-infantil dentro do SUS, em todas as regiões do país.  

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22/06/2022 04:30h

Capacitação médica em psico-oncologia chega em Salvador (BA) e Maringá (PR), a partir de julho

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A psico-oncologia é o tratamento dos aspectos emocionais de pacientes com câncer e pode ser uma forte aliada na luta contra a doença. O profissional capacitado nesta área conhece as fases da evolução do câncer e, por isso, podem ajudar o paciente a enfrentar a doença, não só no aspecto psicológico, mas também nos âmbitos familiar, social e médico-hospitalar.

Segundo a psico-oncologista Ana Rosa Ramos, o acompanhamento psico-oncológico pode ser primordial na escolha do paciente em seguir com o tratamento contra o câncer.

“O paciente que tem o diagnóstico de câncer pode decidir que não quer fazer um tratamento. Por exemplo, um câncer de intestino. A pessoa tem que tirar um pedaço do intestino e os médicos vão reconstituí-lo do lado de fora da barriga. O paciente pode dizer: eu não quero isso. Então, o psicólogo vai ajudá-lo a compreender essas fases difíceis, vai mostrar o pró e o contra do porquê podemos tirar esse câncer e como ter uma vida normal.”

A psicóloga Gescielly Tadei destaca a importância dos familiares do paciente com câncer também terem um acompanhamento psicológico.

“Esse paciente [com câncer] é filho de alguém, é marido de alguém, é pai de alguém, é mãe de alguém. Então, se não lidarmos com quem está ao redor dessa pessoa, não conseguimos fazer uma boa rede de apoio. E o que é essa rede de apoio? É auxiliar essa pessoa a entender o que é essa nova normalidade que a vida dela enfrenta. Então, a família pode ser tanto uma grande aliada para o tratamento quanto pode atrapalhar.”

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Capacitação em psico-oncologia

Para capacitar profissionais de saúde brasileiros no que há de mais avançado na área, a doutora Ana Rosa Ramos veio da Itália ao Brasil para ministrar um curso de capacitação médica em psico-oncologia.

A novidade, que já passou pelo Rio de Janeiro em junho, chega em Salvador (BA), nos dias 2 e 3 de julho, no Instituto de Gestalt-Terapia da Bahia (IGTBA), e em Maringá (PR), nos dias 4, 5, 6 e 7 de julho, no La Vie Espaço Psicológico.

“Vamos dar entrevista, consulta, supervisão, palestra e formação”, destaca a doutora Ana Rosa.

Podem participar os profissionais que lidam direta ou indiretamente com pacientes com câncer e seus familiares, como médicos, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, além de estudantes do último ano de graduação das referidas áreas.

“Os alunos vão aprender a olhar e a sentir um pouco mais de humanidade frente àquela pessoa que recebe um diagnóstico de uma doença grave, como o câncer em sua terminalidade. E ele vai aprender também algumas formas de manejo de como lidar com esse paciente, com essa família e com esse público”, esclarece a psicóloga Gescielly Tadei.

A inscrição em Salvador pode ser feita pelo site do IGTBA. Em Maringá, a inscrição pode ser feita pelo telefone da La Vie (44) 99990-0919 ou (44) 3227-8793. 

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17/04/2022 03:40h

Uso prolongado de fones pode causar problemas auditivos e neurológicos em crianças e adolescentes

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Um ruído repetitivo, que deve ser ouvido com fones em alto volume, cuja duração média é de 30 minutos. A diferença de frequências entre os lados esquerdo e direito, chamado de som binaural, promete alterar as ondas cerebrais, o que pode causar diferentes sensações no usuário. Essa é uma explicação reduzida da prática de escuta que tem sido chamada de “droga digital”. 

A experiência tem se difundido pela internet. A plataforma que oferece os áudios tem quase 200 mil seguidores nas redes sociais e mais de 50 mil downloads na Google Store. O usuário precisa comprar o aplicativo para baixar em seu celular. Para ter acesso a todos os áudios, ainda é necessário desembolsar valores adicionais. 

O DJ Italo Guimarães (25) conta que experimentou a plataforma quando ainda era adolescente. “Eu deitei no meu quarto, vendei os olhos, coloquei o fone no máximo, encontrei a posição. Fiz tudo que eles estavam indicando para a gente a fazer, mas não cheguei a dar um barato”, relata. A opinião sobre a eficácia dos áudios para alterar estados emocionais é contraditória. Enquanto alguns usuários relatam ter percebido mudanças ocorridas a partir da escuta, outros são categóricos em dizer que não passa de placebo e efeito sugestionado. 

A despeito dos efeitos causados, a popularização do uso das drogas digitais tem preocupado a comunidade médica, especialmente em crianças e adolescentes. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou uma nota técnica alertando para o risco do consumo de drogas digitais e os danos neurais e auditivos que podem causar. 

“A capacidade do cérebro para crescer, desenvolver e alterar a sua estrutura em função da estimulação externa é denominada como neuroplasticidade. A audição é um sentido da percepção fundamental para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita e do aprendizado dos conceitos e das relações sociais. A estimulação exagerada e contínua pode ocasionar a perda da neuroplasticidade e assim, afetar as conexões necessárias para o desenvolvimento cerebral e mental saudável”, alerta a nota. 

A coordenadora do Grupo de Trabalho Saúde Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Evelyn Eisenstein, argumenta que muitas vezes os pais não sabem o que os filhos estão fazendo no quarto. “Muitas vezes estão vendo nas telas conteúdos inapropriados e, nesse caso, áudios inapropriados. Então, é importante sempre prestar atenção na intensidade do som. Nada ultrapassando 60 e no máximo 70 decibéis para crianças e adolescentes. 

Mais da metade dos brasileiros está acima do peso

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Limites 

Especialista em atendimento de adolescentes, a psicóloga Raquel Tezelli alerta para a importância de se impor limites no uso de telas, especialmente porque os dispositivos podem ser levados a qualquer lugar e podem facilmente se tornar um vício. “O celular deixou de ser apenas pra fazer uma ligação ou pra receber uma mensagem. Hoje em dia ele é ferramenta de estudo, é ferramenta de trabalho, é ferramenta mesmo das relações sociais dos adolescentes, dos pré-adolescentes”, pondera. 

Para a psicóloga é preciso ficar atento a sinais que indicam o vício a partir do comprometimento social, da higienização e da alimentação. Muitas vezes, o jovem deixa de tomar banho ou escovar os dentes para permanecer na internet. Deixa de se alimentar ou dormir. “ Ele não sai mais do seu quarto para interagir com as pessoas e prejudica a que são as necessidades básicas”, alerta Tezelli. 

A pediatra Evelyn Eisenstein recomenda que os responsáveis fiquem atentos aos sinais de entendimento na comunicação, como o uso de expressões como o “o que?” ou “hein?”. "Existem vários estudos indicando o aumento dos problemas auditivos em crianças e adolescentes”, alerta. Ela recomenda que crianças abaixo de dez anos não devem ficar mais do que uma hora em celulares ou tablets. Já os adolescentes podem ficar no máximo 3 horas diárias. 

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13/04/2022 03:55h

Pesquisa de Vigilância em Saúde (Vigitel/2021) revela que 57,25% dos brasileiros estão com sobrepeso. Muito mais do que uma questão estética, o índice traz preocupações para a saúde

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O brasileiro está engordando. Atualmente, quase seis a cada 10 brasileiros adultos estão acima do peso. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas mostraram que, em 2021, 57,25% dos respondentes da pesquisa Vigitel estão com sobrepeso. A pesquisa Vigitel é anual e, em 2006, em sua primeira edição, os brasileiros nessa condição representavam 42,74% da população.

Entre aqueles que são considerados obesos (cujo Índice de Massa Corporal é superior a 30), o número praticamente dobrou em 15 anos: saiu de 11,86%, em 2006, para 22,35% da população, em 2021. Para a endocrinologista Andressa Heimbecher, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo, estar acima do peso é apenas a ponta do iceberg. “O problema do ganho de peso é que ele vem, na maior parte dos casos, acompanhado de uma situação que se chama síndrome metabólica”, explica.

A síndrome metabólica gera o acúmulo de gordura na região do abdômen, aumenta os níveis de triglicerídeos, o que aumenta o risco de infartos, pode desenvolver diabetes e inflamações do fígado. “Além da própria sobrecarga em si que resulta em problemas articulares”, complementa a endocrinologista.

Parkinson: uma doença que pode se tornar cada vez mais comum

 

Diabetes 

A quantidade de pessoas com diabetes também aumentou de forma expressiva. Hoje, 9,14% dos brasileiros possuem diabetes. Antes da pandemia, o índice era 2 pontos porcentuais menor. “Não foi só a Covid-19, mudanças de hábitos alimentares e o sedentarismo corroboraram com esse quadro”, pontua a médica. Em 2006, 5,66% da população tinha diabetes.

“O diabético custa muito para o sistema de saúde. Ele é aquele paciente que vai precisar mais de internações, que tem mais facilidade para inflamações e úlceras e, eventualmente, necessita de amputação”, observa Andressa Heimbecher. Levantamento do Ministério da Saúde mostrou que, em 2019, o número de internações por diabetes foi 136 mil, gerando um custo de R$ 98 milhões de reais.

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Segurança alimentar 

Para a nutricionista Camila Araújo, especialista em segurança alimentar, os índices de sobrepeso e obesidade já eram esperados. “A população está, a cada dia que passa, com menos tempo disponível para se dedicar a uma alimentação saudável. Isso tem feito as pessoas buscarem opções mais rápidas”, pondera. 

Entre as opções, muitas vezes estão os alimentos ultraprocessados como bolachas ou macarrão instantâneo. “A gente pensa que é comida, mas não é comida de verdade.  São formulações feitas de substâncias extraídas de alimentos. Esses alimentos ultraprocessados são ricos em açúcar, gordura e sal. É possível comer um alimento doce com concentrações de sal altíssimas”, explica Camila. 

A nutricionista recomenda que “se desembale menos e se descasque mais”. Um dos indicadores da pesquisa Vigitel 2021 evidencia a mudança nos hábitos alimentares a partir da redução no consumo do tradicional arroz com feijão: enquanto, em 2006, 70,95% dos brasileiros comiam a mistura pelo menos cinco vezes por semana; em 2021, apenas 60,42% mantêm essa rotina. “A combinação traz fontes de nutrientes importantes como carboidratos, proteínas e minerais”, resume Camila Araújo.  Ela recomenda que as famílias sigam as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira para a promoção de uma alimentação saudável com segurança alimentar. 
 

Sobre a pesquisa

Há 15 anos, a pesquisa Vigitel é uma referência sobre a saúde dos brasileiros. Nesta edição, foram ouvidas 27.093 pessoas com 18 anos de idade ou mais entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022. A pesquisa foi feita por telefone e abordou 40 variáveis para levantar informações sobre hábitos alimentares, prática de atividade física, presença de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e obesidade. “É fundamental pra gente poder enxergar a saúde da nossa população. A gente sabe que o Brasil é um país carente de dados”, considera a endocrinologista Andressa Heimbecher. 
 

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10/04/2022 03:05h

Data de 11 de abril foi escolhida como Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson

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A data de 11 de abril foi escolhida como Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson. O Parkinson atinge cerca de 9 milhões de pessoas em todo o mundo. É a segunda doença neurológica mais frequente, atrás apenas do AVC. No Brasil, a projeção de envelhecimento da população pode fazer com que se torne mais frequente. 

Aos 30 anos, a cientista aposentada Danielle Lanzer começou a sentir uma vibração na mão esquerda logo após uma cirurgia de apendicite. “Não era visível, mas me atrapalhava em meu trabalho no laboratório”. Hoje, aos 46 anos, Daniela tem o diagnóstico de Parkinson, uma doença neurológica degenerativa que afeta cerca de 2% da população mundial. Só no Brasil, são cerca de 500 mil pessoas que convivem com a doença. 

O caminho para identificar o Parkinson foi longo: foram seis anos de muitos exames e diagnósticos equivocados. “Tive diagnóstico de tremor essencial, depressão e até suspeita de doença de Wilson”, conta Danielle. Quando encontrou um neurologista especialista em distúrbio do movimento, ele detectou que era Parkinson. “Mas já estava tomada por sintomas. Eu tinha muitas dificuldades até para o autocuidado: não conseguia lavar meu cabelo sozinha, não conseguia escovar o dente, dependendo do tipo de roupa, não conseguia me vestir. Precisava de ajuda para cortar carne. Coisas básicas, às vezes, eu não conseguia fazer. Isso foi me causando depressão”, relata. 

Casos como o de Danielle, que começou a desenvolver sintomas aos 30 anos, são raros. O mais frequente é que o Parkinson comece a se manifestar após os 60 anos. “É uma doença que está relacionada ao envelhecimento cerebral”, pontua a neurologista Roberta Saba, coordenadora do departamento científico de transtornos do movimento da Academia Brasileira de Neurologia. 

A especialista esclarece que não há uma razão específica para o desenvolvimento do Parkinson: “Há uma conjunção de fatores genéticos e ambientais que podem fazer com que o indivíduo desenvolva ou não doença de Parkinson.” O parkinson se desenvolve por deficiência na produção de dopamina, que é um neurotransmissor que conduz correntes nervosas pelo corpo. 

A moradora de Itapaci (GO) Celita Machado acredita que o fator genético influenciou no desenvolvimento da doença. Há cinco anos, aos 64 anos, começou a apresentar tremores nas mãos mais evidentes, associados a esquecimento e dores na garganta. A musculatura da garganta já está mais enrijecida e, por isso, faz acompanhamento com fonoaudiólogo e também pratica exercícios físicos. “O dia em que faço pilates me sinto muito melhor”, diz a aposentada. 

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Muito mais do que tremores  

O tremor do Parkinson não é aquele acarretado por algum movimento, ele aparece também quando a pessoa está em repouso. “Nem todo mundo que treme tem a doença e nem todo paciente com doença de Parkinson treme”, explica a neurologista. 

No caso de Danielle Lanzer, não há presença de tremores, mas uma lentidão no movimento, um sintoma presente em todo paciente com Parkinson. Pode haver alterações na voz, a pessoa muda a escrita, há alterações tanto na parte motora, como na forma de caminhar. Além disso, podem haver alterações no sono e depressão. “Os sintomas começam muito sutis e vão evoluindo lentamente. Com isso, as pessoas vão se acostumando àquelas alterações e, às vezes, só após um, dois anos é que eles eles percebem que tem alguma coisa errada e vão buscar ajuda médica”, diz o neurologista André Sobierajki. membro da Academia Brasileira de Neurologia. 

Sintomas de Parkinson
 

  • Tremores 
  • Rigidez 
  • Movimentos lentificados 
  • Dores no corpo 
  • Alterações na marcha (forma de caminhar) 
  • Alterações no sono (sono agitado, conversar durante o sono, ter movimentos bruscos)
  • Tonturas
  • Depressão 
  • Dificuldade para sentir cheiros
  • Perda de memória 

 

Tratamento 

O Parkinson é uma doença que não tem cura. “Na verdade, eu falo para os meus pacientes que eles não vão morrer de Parkinson. Ele vai morrer com o Parkinson”, diz Dr. Sobierajki. Isso porque o Parkinson não causa a morte, mas a progressão dos sintomas e o enfraquecimento muscular podem acarretar quedas, pneumonia. “É preciso prestar atenção porque é uma doença neurodegenerativa e deve ter um tratamento individualizado”, complementa Dra. Roberta Saba. 

Há medicações específicas para tratar especificamente o Parkinson como Alevodota e o Prolopa (levodopa + benserazida). Mas o paciente que sofre com a doença, normalmente, faz uso de medicações associadas para tratar os sintomas, como ansiolíticos e remédios para dores. O tratamento é multidisciplinar, além do neurologista é comum a presença de fonoaudiólogo, fisioterapeuta e psicólogos. 

“É uma doença que exige tempo e muito investimento”, relata Danielle. Ademar Vasconcellos tem 72 anos e foi diagnosticado com Parkinson em 2018. Além do plano de saúde, costuma gastar cerca de R$ 2 mil mensais entre medicamentos, estimulação magnética craniana e honorários médicos. “Como a doença é degenerativa torna-se uma luta. Enquanto o medicamento fizer efeito”, diz Vasconcellos. 

Danielle conta que aprendeu a conviver com a doença e que há dias melhores e outros com mais dor. Hoje, além das terapias, também pratica canto. “Gera muito prazer e, quando você tem sensação de prazer, um pouco das células que estão na região do sistema nervoso acabam produzindo dopamina. Então, isso me ajuda bastante e melhora a minha voz e dicção”, comenta. 

No início dos sintomas, Danielle teve muita dificuldade com a vida social. “Você se sente inferior por não ter mais as mesmas habilidades e condições de fazer as atividades em casa, no trabalho”. Hoje, já adaptada, ela é uma das responsáveis pelo movimento “Vibrar com Parkinson’. Por meio do movimento, eles conseguiram derrubar uma normativa de 2017 que retirava os benefícios de redução do valor do medicamento para o tratamento da doença para pessoas com menos de 50 anos.

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23/03/2022 04:30h

Segundo a pesquisa Estimativas Sobre Frequência e Distribuição Sociodemográfica de Prática de Atividade Física nas Capitais dos 26 estados Brasileiros e no Distrito Federal, entre 2009 e 2020, o percentual aumentou de 30,3%, em 2009, a 36,8% em 2020.

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O percentual de brasileiros que fazem exercício no seu tempo livre aumentou entre os anos de 2009 e 2020, variando de 30,3%, em 2009, a 36,8% em 2020. Os dados são da pesquisa Estimativas Sobre Frequência e Distribuição Sociodemográfica de Prática de Atividade Física nas Capitais dos 26 estados Brasileiros e no Distrito Federal entre 2006 e 2020, do Ministério da Saúde. 

A OMS recomenda a prática de ao menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos por semana com intensidade vigorosa. No mundo, 23% dos adultos não atingem essas recomendações. 

No Brasil , a frequência de adultos com prática insuficiente de atividade física se manteve estável no período entre 2013 e 2020, variando de 49,4%, em 2013, a 47,2% em 2020.

O estudo classifica como fisicamente inativos todos os indivíduos que referem não ter praticado qualquer atividade física no tempo livre, nos últimos três meses, e que não realizam esforços físicos relevantes no trabalho, não se deslocam para o trabalho ou para a escola a pé ou de bicicleta (fazendo um mínimo de 10 minutos por trajeto ou 20 minutos por dia) e que não participam da limpeza pesada de suas casas.

A frequência de adultos fisicamente inativos também se manteve estável no período entre 2009 e 2020, variando de 15,9%, em 2009, a 14,9% em 2020 

Importância do acompanhamento

Segundo o especialista Doutor em Ciências do Movimento Humano, Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues, quanto mais se realiza, melhores são os resultados. Mas é sempre importante o acompanhamento de um profissional de educação física, que vai conseguir prescrever adequadamente, respeitando a individualidade de cada pessoa. 

“Além disso, dados semelhantes são observados na perspectiva de saúde cardiovascular, metabólica, perda de peso, manutenção de peso após a perda e saúde osteomioarticular (por exemplo, ossos e articulações). Ainda, as evidências vêm crescendo em todos os aspectos de saúde, com os parâmetros relacionados à saúde mental recebendo grande atenção ultimamente, como depressão, ansiedade e estresse”, ressalta. 

Atividade física por UF

O Distrito Federal é a unidade da federação com o maior percentual de adultos que praticam atividades físicas no tempo livre equivalentes a pelo menos 150 minutos de
intensidade moderada por semana. O índice chega a 46,6%. Já São Paulo aparece com a menor taxa, 27,5%.

Adultos ativos por UF

Estados 2009 2020
Aracajú  30,1% 44,4%
Belém 33,8% 34,0%
Belo Horizonte 34,2% 41,0%
Boa Vista 31,6% 38,1%
Campo Grande 34,7% 38,7%
Cuiabá 28,2% 38,7%
Curitiba 31,9% 43,7%
Florianópolis  40,9% 45,4%
Fortaleza 31,1% 45,2%
Goiânia 34,0% 41,8%
João Pessoa  32,5% 36,6%
Macapá 32,1% 42,0%
Maceió 32,0% 44,8%
Manaus  31,5% 32,8%
Natal  31,0% 45,2%
Palmas 32,8% 45,2%
Porto Alegre 31,9% 35,8%
Porto Velho  31,2% 35,8%
Recife 29,6% 36,3%
Rio Branco 28,4% 36,9%
Rio de Janeiro  31,6% 35,6%
Salvador 28,9% 41,8%
São Luís  27,5% 37,6%
São Paulo  24,6% 27,5%
Teresina 28,3% 40,1%
Vitória  38,1% 45,0%
Distrito Federal  38,8% 46,6%

DCNT

Segundo a pasta, a pesquisa faz parte de uma série de estudos que serão disponibilizados entre os meses de março e traz panorama dos fatores de risco e proteção para as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que em torno de 71% das 57 milhões de mortes ocorridas globalmente foram ocasionadas pelas DCNT, em 2016. No Brasil, essas doenças são igualmente relevantes, sendo responsáveis, no mesmo ano, por 74% do total de mortes.

DCNT: 4 fatores de risco 

  • Consumo alimentar inadequado;
  • Inatividade física;
  • Tabagismo;
  • Consumo abusivo de bebidas alcoólicas.

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EXERCÍCIO FÍSICO: Quais os benefícios? Como começar?

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