Ministério da Saúde

05/12/2022 04:30h

Ministério da Saúde alerta para a necessidade de prevenção da doença

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A preocupação com a proliferação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, cresce na temporada das chuvas. Em 2022, houve aumento de 180,5% dos casos da doença quando comparado ao mesmo período do ano passado, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde (MS).

A região com maior taxa de incidência de dengue foi o Centro-Oeste, com 1.955,6 casos/100 mil habitantes. Já o município com maior número de casos prováveis da doença foi Brasília (DF), com 66.080 registros.

Ações de combate ao mosquito

Segundo o coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Cássio Peterka, o controle do vetor da dengue é o principal método para a prevenção e combate à doença. “O vírus da dengue tem um potencial de distribuição geográfica muito rápida e muito grande, porque a gente tem o vetor. O vetor estando presente, isso faz com que a gente tenha uma maior transmissão e as pessoas infectadas transitam por essas regiões”, afirma.

O MS destaca ações preventivas como estruturas de pesquisa, uso de inseticidas e atuação de agentes de saúde para evitar a proliferação do Aedes aegypti.

No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde informou que adquiriu 4,5 toneladas de inseticidas e fortaleceu estoques e insumos para prevenção e cuidados com pacientes com dengue. Também investiu na capacitação de profissionais, manutenção de máquinas e ações de inspeções em todas as regiões administrativas do DF.

A Secretaria ainda explica que há ações de combate ao mosquito diariamente em todas as 33 regiões administrativas, com atividades educativas, vistorias dos agentes de vigilância ambiental e pulverização de inseticida.

Toda semana é feita análise da incidência de casos por região e também das cidades em que há maior presença do mosquito. Após essa análise, as regiões com maior aumento passam a receber uma intensificação das ações, inclusive com o uso do UBV Pesado (fumacê).

Além disso, ao longo do ano, são realizados tratamentos focais em possíveis criadouros, além do tratamento costal dentro de terrenos com o foco na eliminação das fêmeas infectadas com os possíveis vírus causadores de arboviroses.

Saiba mais sobre o plano de enfretamento da dengue e outras arboviroses clicando aqui.

Alerta para a população

O governo investe em ações preventivas, mas também convoca a população para eliminar o mosquito transmissor da doença. De acordo com Divino Valerio, diretor de Vigilância à Saúde da SES/DF, mais de 97% dos focos de mosquito são encontrados nas residências e ambientes de trabalho, e o maior obstáculo do enfrentamento da dengue é a falta de preocupação da população com a prevenção do Aedes aegypti. “Então é importante você estar o tempo todo observando o quintal, se não há nenhum depósito que tenha o que possa conter água, um pneu, uma lata, um balde, uma bacia, um ambiente propício a fazer coleções hídricas, porque é aí que o mosquito desova”, alerta.

Já em locais de trabalho, quem trabalha em ambientes mais fechados, escuros e silenciosos deve ter atenção às picadas do mosquito durante o dia. “Então você pare as suas atividades, jogue um bom ar debaixo da mesa, areje seu ar estação de trabalho, seu ambiente de trabalho", afirma Divino.

Moradores de áreas endêmicas, ou que tenham denúncias de possíveis focos do mosquito também podem entrar em contato com a Diretoria e Vigilância Ambiental (Dival-SES), por meio do telefone 160.

Ministério da Saúde oferece cursos gratuitos voltados ao combate à dengue

O Ministério da Saúde, em parceria com Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, oferece dois cursos gratuitos para atualizar profissionais de saúde sobre o diagnóstico e tratamento da dengue, de acordo com as recomendações atuais do MS.

Os cursos são voltados principalmente aos profissionais da saúde de nível superior, que atuam na Atenção Básica. Possuem carga horária de 10 horas-aula e já capacitaram mais de 4 mil e 700 profissionais.

As habilitações seguem com inscrições abertas até o dia 17 de dezembro. Para participar, basta acessar a plataforma UNA-SUS e fazer a matrícula. Não é necessário passar por processo seletivo.

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03/12/2022 15:08h

A Trombectomia Mecânica é a desobstrução da artéria cerebral com coágulo sanguíneo por meio de um processo de aspiração

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O Brasil conta com a quarta maior taxa de mortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC) entre os países da América Latina e Caribe, de acordo com o Ministério da Saúde. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade revelam que foram registrados 98.843 óbitos por doenças cerebrovasculares no país em 2020.

Essas condições impactam o Sistema Único de Saúde (SUS) de maneira significativa, com registro de 164.200 internações por AVC em 2021, com valor anual de mais de R$ 250 milhões,  conforme informações do Sistema de Informações Hospitalares. Na Atenção Primária à Saúde, apenas em 2021, foram mais de 102 mil atendimentos de AVC e 556 atendimentos de reabilitação de acidente vascular cerebral. 

O Ministério da Saúde classifica o AVC como uma doença tempo-dependente. Isso significa que quanto mais rápido for o tratamento maior a chance de recuperação completa do paciente. Diante disso, a pasta destaca a importância de se promover a conscientização acerca dos principais sinais de que alguém próximo esteja com risco de ser acometido. 

Recentemente, o governo anunciou que vai incorporar uma tecnologia para tratar o AVC Isquêmico (AVCi), reconhecido como o tipo mais frequente da doença. Trata-se da Trombectomia Mecânica (TM), procedimento complementar à trombólise. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na abertura do Global Stroke Alliance – for Stroke without Frontiers, um congresso médico com o intuito de debater o Acidente Vascular Cerebral (AVC), em São Paulo. 

O neurocirugião pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Victor Hugo Espíndola, explica que o procedimento já é adotado em outros países. Segundo o especialista, a Trombectomia Mecânica ajuda muito no combate às sequelas do AVC. 

“Existem vários casos em que, quando tratamos os pacientes, muitos podem sair até sem sequelas ou com sequelas mínimas. A indicação não é nem pela gravidade do AVC, e sim por qual artéria está obstruída. Quando temos uma grande artéria obstruída, é que indicamos a Trombectomia Mecânica. Outra vantagem desse procedimento é que ele pode ser executado em até 24 horas, em alguns casos. Isso melhora muito porque o outro tratamento disponível, a trombólise venosa, só pode ser feito até 4 horas e meia de sintomas”, destaca. 

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O tratamento foi aprovado no final do ano passado e será disponibilizado pelo SUS. A Trombectomia Mecânica consiste na desobstrução da artéria cerebral por meio de um cateter que leva um dispositivo endovascular, um stent ou um sistema de aspiração, para retirar o coágulo sanguíneo do cérebro.

A analista de sistemas Fabricia Chacon, de 44, mora em Brasília e conta que teve AVC em 2017, por conta de uma doença autoimune conhecida como Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF). Para ela, a Trombectomia Mecânica representa uma esperança a mais para quem sofre com a doença. 

“Eu acredito muito que, com esse novo tratamento, seja possível, se não evitar, mas mitigar as sequelas de um AVC. As pessoas acometidas com a doenças merecem um acompanhamento rotineiro para prevenir novos AVCs. Eu vejo os exames de rotina, exercícios físicos e alimentação saudável fundamentais para esse processo”, considera.  

Sintomas do AVC

O AVC ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem. Isso provoca a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVC são:

  • fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;
  • confusão mental;
  • alteração da fala ou compreensão;
  • alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
  • alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;
  • dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.
     
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25/11/2022 15:00h

O parto prematuro é a principal causa global da mortalidade infantil

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No Brasil, 340 mil bebês nascem prematuros todo ano, número equivalente a pelo menos 930 nascimentos por dia, segundo dados do Ministério da Saúde. Com o tema “Garanta o contato pele a pele com os pais desde o momento do nascimento”, o objetivo da campanha Novembro Roxo é conscientizar a população sobre os cuidados e a prevenção da prematuridade. Ao estimular o vínculo entre mãe e filho, “a mãe fornece o ambiente facilitador, que permite que tanto os processos naturais de crescimento quanto de interação com o mundo possam evoluir”, como explica a diretora do departamento materno infantil do Ministério da Saúde, Lana de Lourdes.

A prevenção da prematuridade começa antes mesmo da gestação, com o planejamento familiar, seguido do acompanhamento pré-natal adequado.  Durante a gravidez, a realização de exames para prevenir e/ou identificar enfermidades é uma estratégia para evitar possíveis complicações e melhorar a saúde de mãe e filho. O bebê é considerado prematuro quando nasce antes das 37 semanas de gestação. 

O secretário da Atenção Primária à Saúde, Rafael Câmara, destaca a importância do pré-natal na prevenção: “a melhor forma de diminuir a mortalidade infantil é diminuir a prematuridade. Essa mensagem, ela tem que ficar muito clara e isso se faz com um pré-natal bem-feito. E para aqueles que nascem prematuros serem atendidos em locais de excelência, em hospitais de excelência, por profissionais de excelência”, esclarece. 

O parto prematuro é a principal causa global da mortalidade infantil antes dos cinco anos de idade. O Brasil é o 10º colocado no ranking mundial dos países com mais nascimentos prematuros, de acordo com levantamento realizado pela ONG Prematuridade.com. 

17 de novembro: Dia Mundial da Prematuridade

Políticas públicas

Entre as iniciativas da rede pública estão o Previne Brasil, financiamento da atenção primária a partir de indicadores da saúde da mulher; o QualiNEO, estratégia de qualificação do cenário de maternidade, do pré-natal ao neonatal para bebês prematuros; e a Rede de Atenção Materno Infantil (RAMI), que tem como objetivo reduzir a morbimortalidade infantil e materna no país, por meio da implementação de um modelo de atenção de qualidade e humanização na assistência às gestantes e crianças.

“A RAMI acredita que com intervenções destinadas a assistência, a qualificação da assistência pré-natal, a qualificação do cenário de parto e nascimento e, claramente a qualificação do cuidado neonatal intensivo são intervenções com resposta científica garantida em redução de prematuridade”, esclarece Lara de Lourdes.

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destaca os benefícios da tecnologia na rede de saúde pública no atendimento da prematuridade. "Essas novas tecnologias devem ser incorporadas no sistema de saúde. A medicina fetal, por exemplo, é um avanço extraordinário. Crianças podem ser operadas ainda no útero da mãe. Foi com inovações como essa que nós colocamos a telessaúde no SUS".

Rede de Bancos de Leite Humano: como doar

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno, basta estar saudável e não estar tomando nenhum medicamento que interfira na amamentação. Estimativas do Ministério da Saúde apontam que um frasco de 200 mililitros de leite materno pode alimentar até 10 recém-nascidos. Quem quiser doar, pode procurar o banco de leite humano mais próximo ou ligar para o Disque Saúde, pelo número de telefone 136.

O Brasil possui 222 bancos de leite humano e 217 postos de coleta em todos os estados brasileiros. São cerca de 160 mil litros de leite humano distribuídos todos os anos a recém-nascidos de baixo peso. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) é uma iniciativa do Ministério da Saúde, por meio do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), como parte da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança e Aleitamento Materno (PNAISC).

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16/11/2022 16:30h

Brasil, Colômbia e Venezuela são responsáveis por 77% de contaminação do continente americano

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Novembro é o mês de combate à malária nas Américas, uma iniciativa para que todos os países do continente criem ações contra a doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), Brasil, Colômbia e Venezuela são responsáveis por cerca de 77% dos casos da doença nas Américas. Mas entre os anos de 2000 e 2020, os números de casos notificados reduziram aproximadamente 58% no Brasil.

A malária é uma doença infecciosa transmitida por um mosquito e prevalente em países tropicais. Embora a transmissão se dê por picadas de mosquitos, para que haja contaminação, é preciso que o inseto tenha sido contaminado a partir do contato com pessoas portadoras do parasita.

Apesar da alta circulação nos países da América, a letalidade pela doença em países de outros continentes, como a África, é maior. A explicação para isso é que há cerca de seis tipos de protozoários, uns mais letais que os outros. Ainda não existe vacina contra as variações da Malária no Brasil, como explica a vice-diretora e pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes: 

“Recentemente foi implementada uma vacina para a malária, no entanto, é uma vacina exclusiva para um certo tipo de protozoário, e ela tem sido aplicada apenas em alguns países da África. Essa vacina é uma vitória no controle da doença, porém ela tem uma eficácia ainda parcial. Os números mostram uma redução de 50% de casos graves e uma redução similar na mortalidade pela doença”, esclarece.

Como prevenir contra a malária e quais são os sintomas?

Os sintomas das malárias são comuns a outras doenças: febre, dor de cabeça, sudorese, calafrios, entre outros. Por isso, ao ter contato com regiões com alto índice de contaminação de malária, deve-se informar ao médico que esteve em uma zona de risco. 

O clínico geral Lucas Albanaz explica que o uso de repelentes e itens que protejam janelas e portas, como mosqueteiros e telas, são medidas importantes de prevenção para evitar a contaminação por malária em locais de risco. O médico também destaca a importância do tratamento precoce. “Quebrar o ciclo da doença é muito importante! O ideal é que o tratamento com remédios seja feito no início do contágio para evitar quadros mais graves”, explica. O tratamento contra a malária está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).   

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14/11/2022 04:00h

Um estudo escocês publicado na revista Nature Communications, com quase 100 mil participantes, reforça que a Covid longa pode deixar sequelas duradouras

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Foi no começo de 2021 que a advogada Caroline Matos, de 23 anos,  infectou-se  pelo vírus causador da Covid-19. Meses após a infecção, no entanto, as sequelas da doença continuaram. “Me vacinei, mas passado alguns meses comecei sentir algumas sequelas, que foram queda de cabelo, perda de memória. Fiquei sem memória nenhuma e me atrapalhou muito no trabalho. Fiz até acompanhamento com neurologista, mas me disse que realmente era sequela, que muitos estavam indo no consultório com isso”, conta Caroline. 

Esses sintomas sentidos por Caroline duraram em torno de cinco meses e fazem parte do que é chamado de ‘Covid longa’, condição que afeta quem contraiu o coronavírus e permaneceu com alguma manifestação da doença por pelo menos 60 dias. 

Um estudo escocês publicado na revista Nature Communications, com quase 100 mil participantes, reforça que a Covid longa pode deixar sequelas duradouras ou até mesmo permanentes em pessoas que se infectaram. Segundo a pesquisa, a cada 20 pessoas, uma não se recuperou totalmente entre seis e 18 meses após a infecção  E 42% se recuperaram somente parcialmente. 

Segundo a infectologista Ana Helena Germoglio, os sintomas a longo prazo dependem do tipo de acometimento da doença. “Pacientes que evoluem para a forma grave, tendem a ter sintomas pós-covid por mais tempo. Mesmo os pacientes que não têm a forma grave, podem evoluir com os sintomas a longo prazo. Por exemplo, inflamação cardíaca, alterações neurológicas, alteração de memória, trombos, vasculites. Qualquer órgão do nosso corpo pode ser afetado pela Covid, inclusive a pele”, avalia.

A Covid longa também atingiu o cineasta Hugo Para Asu, de 26 anos. “Tive Covid em junho e mais ou menos em agosto comecei a ter sintomas de falta de ar, chiado no peito, dificuldade para respirar. Fui ao hospital e vi que era uma infecção nos brônquios. Até hoje sinto  falta de ar quando faço esforço físico, chiado. Fico cansado muito rápido”, conta. 

Morte pela nova cepa

Nesta primeira quinzena de novembro, o Brasil registrou a primeira morte pela nova cepa do coronavírus, a subvariante BQ.1, na cidade de São Paulo. A vítima era uma mulher de 72 anos que, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ficou sete dias internada e apresentava diversas comorbidades.

Essa subvariante carrega mutações em pontos importantes do vírus. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a BQ.1, desde o começo de outubro, foi detectada em 65 países.

O Ministério da Saúde vem reforçando a importância de se completar o ciclo vacinal contra a Covid-19. De acordo com a pasta, até agora mais de 100 milhões de brasileiros já tomaram a primeira dose de reforço. E mais de 35,5 milhões já se vacinaram com a segunda dose de reforço. As vacinas estão disponíveis nos mais de 48 mil postos de vacinação, em todo o Brasil. 

“A gente insiste que a vacina é a mais eficaz, não somente para evitar a Covid longa, mas a partir do momento que evita casos graves, reduzia a chance do paciente ter a doença, obviamente não terá a Covid longa”, diz Ana Helena Germoglio. 
 

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11/11/2022 03:45h

Doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no Brasil e no mundo. Idosos são os mais propensos

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O Ministério da Saúde incluiu o implante transcateter de válvula aórtica na Tabela do SUS na primeira semana de novembro (3). O procedimento é minimamente invasivo e tem como objetivo a correção da válvula cardíaca afetada pela estenose aórtica, uma doença que causa obstrução do fluxo sanguíneo devido a um estreitamento na estrutura. A patologia atinge cerca de 5% da população com mais de 75 anos. Ou seja, um em cada 20 idosos a partir dessa faixa etária, e pode levar o paciente  à morte. Trata-se de um procedimento percutâneo, que permite a implantação de uma válvula nova sem a necessidade de uma cirurgia mais invasiva.

Principal órgão do sistema cardiovascular, o coração é responsável por bombear sangue para todo o corpo. Se parar de bater, interrompe o funcionamento de todos os outros órgãos. Por isso, a atenção às doenças cardiovasculares é fundamental. Elas são a principal causa de mortes no Brasil e no mundo. 

Apesar de afetar todas as faixas etárias, os idosos são o grupo mais propenso ao desenvolvimento de enfermidades cardíacas. Isso ocorre, por causa do enfraquecimento do organismo com o passar dos anos, como explica o Coordenador do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês e professor de Cardiologia da Universidade de Brasília, Carlos Rassi.
 
“Alguns desses motivos são o próprio envelhecimento, o tempo de doenças, tempo dos fatores de risco, dentre outras possibilidades. Exemplo, um idoso que fuma teve mais tempo de carga tabágica, o idoso que não faz atividade física teve mais tempo de sedentarismo, o idoso obeso teve mais tempo de obesidade e isso tudo corrobora para o aumento da propensão de ter a doença cardiovascular estabelecida nessa faixa etária,” afirma. 

Quais são as causas e sintomas das doenças cardiovasculares?

As cardiopatias congênitas são anomalias na estrutura e nas funções do coração durante o desenvolvimento do feto, e podem ser descobertas logo nos primeiros anos de vida. Outras doenças cardiovasculares, no entanto, surgem ao longo dos anos. Tabagismo, excesso de colesterol, hipertensão, obesidade, estresse, depressão e diabetes são os principais fatores de risco, de acordo com o Ministério da Saúde. Os diabéticos têm de duas a quatro vezes mais chances de sofrer um infarto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acrescenta ainda o uso nocivo de álcool ao rol de fatores de risco.

A OMS alerta que, em muitos casos, não há sintomas, sendo o ataque cardíaco o primeiro sinal de alerta. Entretanto, dor ou desconforto no centro do peito, braços, ombro esquerdo, cotovelos, mandíbula ou costas podem ser indícios. Dificuldade em respirar ou falta de ar, sensação de enjoo ou vômito, desmaio ou tontura, suor frio e palidez também podem ser sintomas. Carlos Rassi destaca a importância de ir ao pronto-socorro mais próximo diante de algum desses sintomas. 

“Qualquer sintoma de dor no peito, falta de ar, perda de consciência, perda de força muscular, perda de sensibilidade, procurar um pronto-socorro imediatamente é a recomendação mais adequada para você fazer o tratamento e o manejo inicial e evitar sequelas futuras, para  aumentar a sobrevida dos pacientes”, orienta. 

Como prevenir e tratar doenças do coração?

Como forma de prevenção, especialistas recomendam atividades físicas, cuidados com alimentação e sono e controle médico regular. Além disso, é importante fazer check up periódico e ter atenção ao uso correto dos medicamentos receitados. O cardiologista e pesquisador do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor), Protásio Lemos, orienta ainda acabar com o hábito de fumar.

“Fazer avaliações periódicas frequentes para detectar a presença da doença precoce. Uma outra coisa é não fumar. Outro ponto é praticar atividades físicas regulares. A gente sugere que a pessoa faça pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica por semana”, ressalta.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento integral e gratuito para a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças cardiovasculares. No primeiro atendimento, ações de prevenção, como acompanhamento e monitoramento de fatores de risco como hipertensão e diabetes estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde. 

Em caso de diagnóstico de doença cardiovascular, o paciente é encaminhado para a Atenção Especializada, para o acompanhamento com especialista, exames, tratamento e os procedimentos necessários, ambulatoriais ou cirúrgicos. O Brasil tem mais de 300 centros especializados de alta complexidade cardiovascular.

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10/11/2022 13:20h

Evitar o uso de fones de ouvido ajuda na prevenção contra o problema que atinge cerca de 10 milhões de brasileiros

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O dia 10 de novembro é considerado nacionalmente  "Dia de Prevenção e Combate à Surdez". A data foi criada pelo Ministério da Saúde em 1997. Foi consolidada em portaria, para simbolizar a luta pela educação e conscientizar sobre a prevenção de problemas decorrentes da surdez.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que, atualmente, 5% da população brasileira possuem deficiência auditiva, o que corresponde a cerca de 10 milhões de pessoas.

Existem diferentes graus de surdez. Na ligeira, a palavra é ouvida, porém certos elementos fonéticos escapam ao indivíduo. No grau mais avançado, conhecido como cofose, o indivíduo não consegue escutar nenhum tipo de som.

Segundo o Ministério da Saúde, essa escala também inclui:

Causas

A surdez por condução é aquela em que o problema está no ouvido externo e/ou médio, que tem como função conduzir o som até o ouvido interno. Pode ser causada por acúmulo de cera de ouvido, infecções ou imobilização de ossos do ouvido.

A surdez de cóclea ou nervo auditivo é motivada por viroses, meningites, uso de certos medicamentos ou drogas, propensão genética, exposição ao ruído de alta intensidade, pode ser também provocada pela idade, traumas na cabeça, defeitos congênitos, alergias, problemas metabólicos e tumores. 

Fatores como nascimento prematuro, bebês que nasceram com baixo peso, casos de surdez na família, entre outros, também podem provocar a perda da audição.

O otorrinolaringologista João Vitor Bizinoto afirma que existe um tratamento específico para a perda da audição, de acordo com o nível em que ela se encontra.

“Se o paciente normalmente tem uma perda leve a moderada, às vezes até severa, a gente consegue usar o aparelho auditivo de amplificação sonora individual, que é aquele aparelho que coloca normalmente atrás da orelha ou então aquele que coloca dentro do ouvido. Se a perda for profunda, a maior parte das vezes o aparelho não resolve, nesses casos a solução é a cirurgia de implante coclear, que é como se fosse o aparelho auditivo, mas inserido direto do ouvido”, completa.

Prevenção

A fonoaudióloga Renata Tschiedel explica que infecções no ouvido não tratadas podem se tornar um problema permanente. Não se pode colocar objetos pontiagudos no ouvido com a finalidade de coçá-lo, pois isso pode causar lesões e prejudicar a audição.

“Também uma forma de prevenir é evitar o uso de fones de ouvido. Cresceu muito o uso de fones de ouvido para ouvir música, para estudar, né? O ideal é que evite, mas se for o caso de usar, que a gente use no silêncio, porque se ela estiver ouvindo o fone de ouvido em um ambiente com barulho a tendência é dela querer aumentar o volume do som para que ela consiga escutar. Só que aí ela está colocando uma intensidade sonora muito forte no ouvido e isso vai causando perdão ao longo do tempo”, completa.

A fonoaudióloga também recomenda o uso de protetores de ouvido em tarefas longas com som muito alto. 

Direitos das pessoas surdas

A Lei 10.436/2002, também conhecida como Lei de Libras, garante o atendimento e o tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva.

O artigo n° 93 da Lei de n° 8.213/91, assegura que a empresa com 100 ou mais empregados é obrigada a preencher de 2% a 5% dos cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência.

O artigo n° 25 do decreto n° 5.626, garante o direito à saúde das pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

O PL 1361/2015, estuda a possibilidade da pessoa com deficiência auditiva apenas de um lado ter os mesmos direitos das pessoas com surdez nos dois ouvidos. Renata Tschiedel reforça que o Conselho Federal de Fonoaudiologia emitiu um parecer sobre o assunto este ano: “Deve-se considerar a ocorrência de alterações na comunicação, escolaridade e ascensão profissional, o esforço auditivo, o desempenho comunicativo em diferentes situações acústicas, as dificuldades para compreensão da fala no ruído, assim como a dificuldade para localização da fonte sonora, e o resultado da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF)”.
 

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08/11/2022 15:30h

‘e-SUS’ vai reunir dados dos brasileiros, do início ao fim da vida

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O estado de saúde dos brasileiros do início ao fim da vida vai ficar registrado em sistema on-line do Ministério da Saúde. O ‘e-SUS Linha da Vida’ tem como objetivo unificar informações de referência para a tomada de decisões e a formulação de políticas públicas. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destaca a importância de uma base de dados unificada para combater doenças e garantir saúde de qualidade aos brasileiros. 

“Durante a pandemia de Covid-19 todos nós vimos a importância de ter dados confiáveis. Os dados têm que ser auditáveis, adjudicados e eles não fazem parte apenas de um repositório. Eles são fundamentais para a tomada de decisão. Esses dados começam no início da vida, quando nascemos. Por isso que falamos em linha da vida,” pontuou o ministro. Para ele, o e-SUS “é um legado que a atual gestão deixa para o futuro da saúde pública. É ter os dados na palma da mão de cada brasileiro.”

De acordo com o Ministério da Saúde, a plataforma visa garantir um identificador único de cada pessoa, por CPF ou número do Cartão Nacional de Saúde, com informações sobre doenças e padronização de campos comuns e terminologias. Além disso, permitirá a emissão eletrônica das declarações de nascido vivo e óbito. 

“Esse programa representa a modernização dos sistemas de informação e vigilância em saúde do Ministério da Saúde. Ele reunirá em uma única plataforma os dados da população, que atualmente são coletados por diferentes sistemas, como os três clássicos sistemas que temos, o SIM (Sistema de Informação de Mortalidade), o SINASC (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos) e o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Funcionará em ambiente 100% online possibilitando melhorias e atualizações a qualquer tempo”, destaca o Secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros. 

Na primeira fase, será feita a modernização e o aprimoramento dos sistemas de informações da Pasta. A expectativa é que o programa seja concluído em até três anos. 

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06/11/2022 04:00h

No Brasil os homens vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres, e têm mais doenças do coração, câncer, diabetes, problemas de colesterol e pressão arterial elevada

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O mês de novembro marca um momento de conscientização para que os homens cuidem da própria saúde. Este é, resumidamente, o objetivo da campanha do Novembro Azul - que comemora 11 anos no Brasil. O movimento Novembro Azul teve origem em 2003, na Austrália, com o objetivo de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças que atingem a população masculina. 

No Brasil, o movimento chegou por meio dos esforços do Instituto Lado a Lado pela Vida, uma organização social que se dedica simultaneamente às duas principais causas da mortalidade - o câncer e as doenças cardiovasculares - além do intenso trabalho relacionado à saúde do homem. 

A diretora de relações institucionais e internacionais do Instituto Lado a Lado pela Vida, Fernanda Carvalho, explica que a importância do Novembro Azul é a de “chamar o homem para sua responsabilidade, que ele precisa se cuidar. Tem que romper o paradigma de que cuidar da saúde é coisa da mãe, coisa da mulher. Todo mundo tem que se cuidar! Pois ninguém melhor do que você para cuidar de si próprio”, destacou. 

No Brasil os homens vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres, e têm mais doenças do coração, câncer, diabetes, problemas de colesterol e pressão arterial elevada, segundo informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Pesquisas e estudos têm comprovado que a saúde, além da relação com a genética, é impactada pelas escolhas e hábitos de vida. No caso dos homens, a falta de cuidados preventivos é um fator relevante.

Por isso, Fernanda Carvalho avalia que outro ponto importante deste mês de conscientização é a educação das novas gerações. “Fazer com que os meninos também aprendam, assim como as meninas, a conhecer o seu corpo. A identificar se tem uma coisa que não está legal, que está errada, e buscar atendimento médico ou questionar a mãe e dizer que está sentindo alguma coisa. Precisamos evitar essa máxima de que o homem não sente dor ou não precisa se cuidar, só na hora que está num estágio muito avançado”, avaliou. 

A Sociedade Brasileira de Cardiologia revela que mais de dois terços dos homens que morrem do coração têm diabetes e acima de 80% das mortes por diabetes estão relacionadas a problemas cardíacos e renais, ou seja, vasculares. Além disso, a sobrevida média depois que um homem tem o primeiro infarto é de cerca de 8 anos.  

Outro problema de saúde que mata muitos homens é o câncer de próstata. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no ano passado, foram registradas 16.055 mortes em decorrência do câncer, o que equivale a 44 mortes por dia.

O INCA estima o surgimento de 65.840 novos casos da doença em 2022. O diagnóstico precoce é estratégia utilizada para encontrar o tumor em uma fase inicial e, assim, aumentar as chances de sucesso no tratamento e reduzir o índice de mortes.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, o câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens, e é a causa de morte de 28,6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas. No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata.

A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir ao urologista para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos. Diante disso, a indicação da melhor forma de tratamento vai depender de vários aspectos, como estado de saúde atual, estágio da doença e expectativa de vida.

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Queda nas taxas de vacinação pode trazer doenças erradicadas de volta

Sintomas

Além da alta taxa de mortalidade, o câncer de próstata não apresenta sintoma nas fases iniciais ou, quando apresenta, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata: dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Quando na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, em casos mais graves, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Prevenção

Manter hábitos saudáveis é a melhor forma de evitar a doença. Alimentação balanceada com frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, aliada à pouca ingestão de gordura, ajudam a diminuir o risco de câncer. Da mesma forma, fazer uma atividade física ao menos 30 minutos por dia, manter o peso adequado à altura (já que estudos recentes mostram maior risco de câncer de próstata em homens com peso corporal elevado), diminuir o consumo de álcool e não fumar são algumas recomendações para prevenir contra essa e outras doenças.

Uma informação importante no caso do câncer de próstata é a hereditariedade. Caso haja algum parente próximo, pai ou irmão, com a doença antes dos 60 anos, o risco aumenta de 3 a 10 vezes, se comparado à população em geral.

Detecção

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem duas diferentes estratégias para o diagnóstico: uma destinada às pessoas que apresentam sinais iniciais da doença (diagnóstico precoce) e outra voltada para pessoas sem sintomas e aparentemente saudáveis (rastreamento). Para isso, são realizados dois tipos de exames:

Exame de toque retal - O médico avalia tamanho, forma e textura da próstata ao examinar as partes posterior e lateral do órgão.

Exame de PSA - É um exame de sangue que mede a quantidade de Antígeno Prostático Específico (PSA), uma proteína produzida pela próstata. Níveis altos dessa proteína podem significar câncer, mas também doenças benignas da próstata.

O Instituto Nacional de Câncer é contra a organização de programas para realização de exames sem sintomas ou fatores de risco. Homens que demandam espontaneamente o rastreamento devem ser informados por seus médicos sobre os riscos e provável ausência de benefícios associados a esta prática. O Ministério da Saúde, assim como a Organização Mundial da Saúde, não recomenda a realização do rastreamento do câncer de próstata por existirem evidências científicas de que pode produzir mais danos do que benefícios em casos de homens assintomáticos. O rastreamento sem critérios ou fatores de risco aumenta as chances de diagnóstico de tumores que não evoluíram nem ameaçaram a vida, submetendo os homens a um tratamento que pode causar impotência sexual e incontinência urinária.

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Saúde
05/11/2022 04:00h

O luto é um processo natural, mas caso não tratado, pode evoluir para um estágio patológico

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O luto prolongado passou a ser considerado como um transtorno mental em 2022, na nova versão do manual de diagnósticos de transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e também na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o Ministério da Saúde, o luto é um processo natural, caracterizado pelo sofrimento e pela saudade, normalmente desencadeado pela perda de algo ou alguém. Qualquer situação atrelada a um vínculo afetivo e que por algum motivo leve à perda, pode desencadear o luto. Esse processo pode se tornar um transtorno quando se estende por longos períodos, causando dor constante. Assim, a pessoa se torna incapaz de restabelecer a vida de maneira funcional.

Segundo a psicóloga Renata Frazilli, o luto é uma resposta emocional associada a uma perda dolorosa. Esta perda não é relacionada apenas à morte de alguém, pode estar ligada também ao término de um relacionamento ou à mudança de cidade de uma pessoa importante.

“A gente precisa entender que o luto é um processo natural que enfrentamos em um momento de dor, ele é marcado por uma dor aguda, intensa que tende a se transformar com o passar do tempo. Quando que o luto pode ser considerado prolongado? Conforme o manual diagnóstico estatístico de transtorno mental, vai depender do tempo de duração. No adulto os sintomas persistem por um período de doze meses ou mais, já nas crianças esses sintomas vão persistir por seis meses ou mais”, completa. 

Sintomas

Os sintomas desse transtorno são semelhantes aos da depressão e da ansiedade. A diferença é o fator motivador para o sofrimento. No luto prolongado, a perda sempre será o gatilho.

Os sinais de luto são diversos e variados: dor emocional intensa; saudade persistente; preocupação constante com a pessoa que faleceu e com as circunstâncias da morte; a dificuldade em se envolver com amigos e sentir que a vida não faz mais sentido.

“Para que o luto normal não acabe virando um transtorno mental, é importante que o enlutado vivencie o luto para que se possa chegar à aceitação dessa perda. Muitas vezes, antes de se chegar à aceitação, a pessoa passa por alguns estágios como a negação, a raiva, a tristeza. Até chegar à aceitação. É sempre bom que o enlutado mantenha contato com os amigos, com os vizinhos, com os familiares, com as pessoas próximas, na verdade, e que ele retorne às atividades que realizava antes dessa perda”, orienta a psicóloga.

Renata Frazilli observa que mesmo após esse período de aceitação do luto, ainda há dor, e recomenda procurar ajuda com profissionais da área de psicologia, que irão auxiliar a entender o que o enlutado sente para tratar de maneira adequada.

O Ministério da Saúde informa que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para pessoas em sofrimento psíquico por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada para o cuidado, e tem papel fundamental na abordagem dos Transtornos Mentais, principalmente os leves e moderados; não só pela capilaridade, como também por conhecer a população, o território e os determinantes sociais que interferem nas mudanças comportamentais, com melhores condições para apoiar o cuidado.

Em nota, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) informou que atende pessoas com transtorno mental severo e persistente. O luto prolongado também faz parte do quadro de atendimento, pois esse processo é mais complexo e tende a não melhorar sem intervenção. O Caps conta com equipe multiprofissional, ou seja, psiquiatria, psicologia, enfermagem, terapia ocupacional, serviço social e grupos terapêuticos.
 

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Brasil 61