Medicamentos

Saúde
29/11/2022 04:30h

Projeto de lei quer incentivar produção de insumo farmacêutico ativo (IFA), presente também em vacinas, pela indústria nacional, além de diminuir dependência de outros países

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Um projeto de lei determina que os medicamentos que contenham insumo farmacêutico ativo (IFA) produzido no Brasil sejam classificados como prioritários para análise e registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O PL 4.209/19 do Senado está em tramitação na Câmara dos Deputados e foi aprovado nas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). 

De acordo com a Anvisa, o IFA é uma substância química (fármaco, droga ou matéria-prima) que tem propriedades farmacológicas com finalidade medicamentosa. O IFA é responsável pelo efeito terapêutico. 

Relator do projeto de lei na CCJ, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) avalia que a proposta é positiva para o país. “Valoriza e facilita a atração de investimentos para a indústria nacional e não atrapalha em momento algum a cadeia, até porque ele só vai ter prioridade a partir do momento que haja produção nacional. Não havendo, virá o importado. É a possibilidade de a gente desenvolver melhor ainda a nossa indústria nacional”, acredita. 

Ao determinar que os medicamentos com IFA nacional sejam enquadrados na categoria prioritária, o texto, na prática, agiliza os prazos para a decisão final da Anvisa nos processos de registro e de alteração pós-registro desses fármacos. Segundo a legislação, itens na categoria prioritária são analisados em até 120 dias. Já os da categoria ordinária em, no máximo, um ano, contado a partir da data do respectivo protocolo de registro ou de alteração pós-registro. 

O parecer do deputado Pedro Lupion (PP-PR) aprovado na CCJ também manteve a alteração de um artigo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos (14.133/2021) a fim de que os medicamentos fabricados a partir de IFAs nacionais e considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS) tenham preferência de até 20% das compras públicas de medicamentos. 

Para o professor do Departamento de Farmácia da Universidade de Brasília (UnB), Rafael Santana, esse ponto traria ainda mais efetividade para incentivar a produção de IFA que a prioridade na análise pela Anvisa.

“Pode ser ainda mais interessante do que dar uma preferência na fila da Anvisa, porque o SUS é responsável por quase 30% dos gastos de medicamentos em território nacional. E uma vez que você consiga dar preferência de compra para um insumo que é produzido nacionalmente pelos entes do SUS, isso pode ajudar um pouco na produção, porque, ainda que se torne um pouco mais caro utilizar IFA nacional, isso pode se tornar economicamente viável se você tiver uma garantia de compra pública”.  

Dependência

Durante a produção de vacinas contra a Covid-19, a dependência do Brasil de IFA produzido em outros países, sobretudo China e Índia, ficou evidente. Depois de um longo processo de transferência de tecnologia, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conseguiu produzir uma vacina contra a Covid-19 com IFA nacional. 

Apesar disso, a dependência de IFA importado continua. De acordo com a justificativa do projeto de lei, apenas 5% dos medicamentos fabricados no Brasil têm IFA também nacional. Ou seja, 95% desses insumos são importados. 

O professor Rafael Santana diz que essa dependência de insumos produzidos na China e na Índia não é problema apenas no Brasil. “Essa dependência é crônica e persistente. A gente vem observando isso há muitos anos. Isso existe e persiste e é muito grave e está relacionado à questão da soberania nacional”, enfatiza.. 

Segundo o especialista, dois fatores explicam o domínio da China e da Índia quando o assunto é a produção e exportação de insumos farmacêuticos ativos. O primeiro é o preço, já que lá eles são mais baratos. O segundo é o investimento em ciência, tecnologia e inovação. 

“No Brasil, para reverter esse quadro, a gente teria que investir nesses dois pontos. Incentivos fiscais, para que se torne mais barato produzir insumo farmacêutico ativo no Brasil. Senão, a gente vai continuar importando e sempre ficar dependente internacionalmente. E o outro é o fomento a pesquisa e inovação. O Brasil tem condição de produzir isso. Nós temos inteligência suficiente para isso. A gente tem que mudar esse cenário de achar que isso é gasto e, na verdade, isso é investimento”, avalia. 

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26/08/2022 16:05h

Notificação obrigatória dos resultados dos exames ao Ministério da Saúde também faz parte das medidas para o controle da Monkeypox

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A Anvisa determinou a dispensa de registro para que o MS importe e utilize o medicamento Tecovirimat e a vacina Jynneos / Imvanex para tratamento e imunização da doença monkeypox no Brasil. A dispensa temporária e excepcional se aplica somente ao Ministério da Saúde, e terá validade de seis meses, desde que não seja expressamente revogada pela Anvisa.

A vacina será destinada a adultos com 18 anos ou mais. De acordo com o Ministério da Saúde, por enquanto, as 50 mil doses compradas serão prioridade para profissionais de saúde que manipulam as amostras recolhidas de pacientes e pessoas que tiveram contato direto com doentes, pois não há recomendação da Organização Mundial da Saúde recomendação para vacinação em massa para a varíola dos macacos. 

O virologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Eduardo Flores, analisa que a vacinação será voltada para os grupos de risco.

“Não sei se haverá necessidade de vacinação em massa no Brasil e em todo o mundo. Provavelmente as vacinações em alguns locais vão ser vacinações de bloqueio, que são vacinações de grupos de risco e grupos de pessoas que estão mais expostas”, completa.

Medidas de controle 

Meiruze Freitas, diretora na Anvisa, destacou que a Monkeypox é causada por um vírus semelhante à varíola, portanto, espera-se que a vacina contra a varíola previna ou reduza a gravidade dessa infecção. Contudo, ressaltou a necessidade da condução de estudos de monitoramento para a confirmação da efetividade da vacina para a prevenção da Monkeypox.

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reforça que o uso do Tecovirimat servirá para obter um conhecimento melhor sobre a medicação, pois ainda não há dados humanos que demonstrem a eficácia do medicamento para o tratamento do vírus.

“Esse medicamento não tem o poder de frear o surto da Monkeypox. É um medicamento para uso compassivo”, concluiu o Ministro.

Ainda como parte do controle da doença, todos os resultados dos exames realizados para a detecção do vírus Monkeypox deverão ser notificados ao Ministério da Saúde (MS), mesmo os negativos ou inconclusivos. A determinação da obrigatoriedade foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (25), e vale para os laboratórios das redes públicas, privadas, universitárias e outros, em todo o território nacional.

Primeiro caso de varíola dos macacos em animal doméstico

A Fundação Ezequiel Dias (FUNED) confirmou e notificou o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Minas Gerais (CIEVS Minas) sobre o primeiro caso confirmado de monkeypox em um animal doméstico. Um cachorro de 5 meses que teve contato com um humano infectado com o vírus apresentou os sintomas iniciais no dia 13 de agosto, em Juiz de Fora. O dono foi orientado a desinfetar o local, isolar o cão e proteger a pele com luvas, máscara, blusa de manga comprida e calça durante contato com o animal. 

De acordo com o MS, até então no Brasil, não havia evidência documentada de transmissão da doença do ser humano para animais. No entanto, diante das últimas notificações, esse tipo de transmissão está sendo estudada. Pessoas infectadas devem evitar contato com animais, para evitar a propagação do vírus. 
 

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22/07/2022 20:05h

Ainda não houve a divulgação dessa lista. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (22), pasta também negou que tenha havido perda de medicamentos nos depósitos do governo

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O Ministério da Saúde informou, em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (22), que analisa uma relação de 86 medicamentos com “deficiência no mercado”. Ainda não houve a divulgação dessa lista. 

“O Conasems colaborou conosco e encaminhou uma lista de 126 medicamentos, fora outras listas que também nós estamos recebendo das sociedades, das associações, para nos apoiarem, para realmente poderem nos ajudar e mostrar aquilo que está com mais deficiência no mercado. Dentre essa lista, batendo todas as listas, comparando, de 126 a gente concluiu 86 medicamentos”, detalhou a secretária de Ciência, Tecnologia, Inovação e Assuntos Estratégicos do Ministério da Saúde, Sandra de Castro Barros. 
Segundo a secretária, há outros fatos além do preço que configuram os obstáculos referentes ao abastecimento de medicamentos. “Lockdown da China e da Índia, a própria guerra na Ucrânia, aumento dos custos dos insumos, escassez de matérias-primas”, cita. 

Sandra Barros ainda comentou sobre a recomposição dos estoques de contraste iodado, que foi alvo de uma orientação publicada pelo ministério para que o uso do contraste para exames e procedimentos médicos seja racionalizado. De acordo com a pasta, os estoques devem estar normalizados até o final de setembro deste ano. 

Sobre a validade de medicamentos nos estoques do Ministério da Saúde, Daniel Pereira, secretário-executivo da pasta, rebateu. “Medicamentos como azitromicina e amoxilina, que foi dito que perderam a validade e faltaram na ponta, essa informação não é verídica. Não houve nenhuma perda de validade nos depósitos do Ministério da Saúde.”

Ações do Ministério

O Ministério da Saúde destacou que as ações da pasta envolvem a liberação de impostos, a vistoria de preços não correspondentes aos praticados no mercado e a coibição de práticas anticoncorrenciais. “Foram liberados de preço seis medicamentos que tinham de fato uma fundamentação que o preço não estava correspondendo à realidade prática do mercado. Foram liberados conforme a Resolução nº7  da CMED”, afirmou Daniel Pereira. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) é o órgão interministerial responsável pela regulação econômica do mercado de medicamentos no Brasil. 

Sobre a liberação de impostos, a pasta afirma coordenar, junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex),  a liberação do imposto de importação de 11 medicamentos e insumos. As ações também envolvem o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para atuar contra práticas que prejudiquem o fornecimento de produtos. 
 

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20/05/2022 17:17h

Seu remédio da pressão alta está muito caro? Será que você consegue esses remédios mais barato ou pelo SUS? Neste episódio, a Dra. Tatiana Torres dará mais detalhes sobre o assunto

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O sucesso do tratamento da pressão arterial depende da mudança do estilo de vida incluindo: Atividade física regular, controle do peso, dieta balanceada, manejo do estresse, parar de fumar e é claro uso adequado de medicações.

O uso adequado das medicações é algo essencial no tratamento, mas não é seguido por todos! Alguns, por exemplo, esquecem os horários da medicação, outros param de tomar por efeitos colaterais e há ainda aqueles em que o preço da medicação está pesando no bolso e por isso não conseguem seguir o tratamento como gostariam.

Existem diversos tipos de medicamentos para pressão arterial que agem em pontos diferentes do organismo. São diversos nomes comerciais, com as mais diversas dosagens e intervalos de tomadas. Alguns desses medicamentos, não todos infelizmente, são disponíveis sem uma marca própria. São os medicamentos genéricos, que de fato, possuem a mesma eficácia e segurança dos medicamentos de marca.

Os medicamentos para serem considerados genéricos passam pela aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. É a Anvisa que testa se há o mesmo princípio ativo, a mesma dose para aquela forma de apresentação, além da biodisponibilidade e bioequivalência, ou seja, testa se, na prática o medicamento genérico é o mesmo remédio da marca.

Alguns desses medicamentos genéricos estão disponíveis para dispensação pelo SUS em UBS, AMAS e hospitais públicos, por isso é possível sim manter um tratamento adequado sem gastar nada! Para isso aconselho você a procurar mais informações nas unidades de saúde próximas a sua casa. Além dos genéricos disponíveis no SUS, o governo federal criou o programa Farmácia Popular. Trata-se de uma parceria com farmácias cadastradas no programa que realizam distribuição de medicamentos, ampliando o acesso a população. 

Se estiver com dificuldades financeiras e a conta da farmácia está pesando no orçamento mensal, não deixe de fazer o tratamento por conta!!  Converse com seu médico!  É ele que irá avaliar a possibilidade de substituição ou modificação do seu tratamento para um genérico equivalente sem custo.

 

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17/05/2022 00:13h

Nova lei que institui a bula digital de medicamentos foi sancionada na última quinta-feira (12) pelo governo federal

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A partir de agora, os laboratórios farmacêuticos poderão inserir QR Code nas embalagens de medicamentos para a bula digital. A lei que implementa o novo formato eletrônico foi sancionada na última quinta-feira (12). 

A versão digital da bula também pode contar com ilustrações, quando houver necessidade. Além disso, há a possibilidade de conversão do texto em áudio ou vídeo, o que garante acessibilidade às pessoas com deficiência e analfabetos. A ideia é que também sejam disponibilizados links para outros documentos explicativos.

A nova redação modifica a Lei 11.903/09. O intuito é expandir e facilitar o acesso à bula, no modelo digital, com informações obrigatórias como composição, utilidade e dosagens, por exemplo. 

Na avaliação do secretário-geral do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Gustavo Pires, a medida deve facilitar a leitura e a compreensão por parte dos usuários. “Para aqueles que têm acesso tanto à internet quanto a um aparelho que se possa utilizar para poder ter acesso a uma bula digital, é mais dinâmico e mais prático. Então, isso pode ser considerado uma vantagem em relação ao formato impresso”, destaca. 

Controle

Pelos termos da legislação, o controle será realizado por meio do sistema de identificação de medicamentos. Para isso serão utilizadas tecnologias de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados. As embalagens dos medicamentos devem contar com o código de barras bidimensional de leitura rápida, que leve ao endereço na internet que dá acesso à bula digital.

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A rastreabilidade será de responsabilidade dos laboratórios, que deverão ter sistema próprio que permita a elaboração de mapa de distribuição de medicamentos. 

“Uma preocupação que temos é a descontinuidade do projeto de rastreabilidade, que foi abortado por meio desse projeto de lei aprovado. Com a descontinuidade da rastreabilidade, os riscos de falsificação de medicamentos voltam a aparecer”, ressalta Gustavo Pires.

As bulas digitais precisam ser hospedadas em links autorizados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Vale destacar que a inclusão de informações digitais não implicará no fim da apresentação em formato de bula impressa.
 

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18/02/2022 13:00h

Cerca de 8,5 milhões de brasileiros sofrem ou sofreram com sequelas da Covid-19

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Cansaço, fraqueza muscular, problemas no sono, ansiedade e depressão. Essas são as queixas mais frequentes de quem se curou da Covid-19. Um estudo realizado com 1.733 pacientes que ficaram internados por complicações da Covid, mostrou que mesmo seis meses após a alta, 76% das ainda apresentavam algum sintoma. 

O jornalista Gustavo Caldas, de 35 anos, desenvolveu a forma grave da doença em junho de 2020. Ele passou por um longo período de internação hospitalar, foram mais de 10 dias numa unidade de tratamento intensivo. “Fiquei um ano e meio sem olfato e sem paladar. Nunca mais consegui dormir direito”, relata. 

Depois de mais de um ano, ele sofreu embolia pulmonar, infarto pulmonar e trombose na safena, o que o levou a uma nova internação. Segundo o médico que o atendeu, o indício do problema já estava presente nos exames da época da Covid-19. Atualmente, Gustavo faz acompanhamento médico com uma equipe multidisciplinar. 

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Sintomas comuns

O médico cardiologista, Dr. Fabrício da Silva, diz que agora com a Ômicron uma sequela comum à Covid é o desenvolvimento de sinusite bacteriana, além da perda de olfato e paladar, cansaço e dores de cabeça. “As sequelas são muito mais frequentes em pacientes com o quadro clínico grave ou crítico”, assegura. 

Nesses casos, há risco aumentado para trombose, além de inflamações e mesmo desnutrição. Estudo realizado pela USP avaliou 425 pacientes entre seis e nove meses após a alta hospitalar da Covid-19. Mais da metade relata perda de memória, ansiedade e depressão. 

Dayanne Timóteo, 36 anos, teve um quadro leve de Covid 19 há mais de um ano e ainda sofre com o problema. “Muitas vezes quero falar alguma coisa e não consigo me lembrar das palavras”, diz. 

O médico infectologista, Hemerson Luz, diz que a Covid-19 é muito mais do que uma doença pulmonar. “É uma doença sistêmica que pode cursar com processo inflamatório disseminado. E o próprio coronavírus pode causar lesão em diversos órgãos e tecidos. Alterações renais, fibromialgia e cefaleias também são comuns.”

Os sintomas pós-covid costumam durar cerca de dois meses. “Mas pode passar disso”, alerta o infectologista. A presença persistente de sequelas é mais comum em quem teve a forma mais grave da doença. Por isso, tanto Dr. Hemerson Luz quanto Dr. Fabricio Silva orienta que cada um complete seu esquema vacinal. “Quanto mais branda a doença, menor a presença de sequelas. O que torna a doença mais branda é a vacinação”, assegura Dr. Fabrício. 

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20/01/2022 16:50h

Segundo especialistas o uso dos medicamentos é viável

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A maioria das pessoas sente algum sintoma logo depois da aplicação da vacina contra a Covid-19, como febre, dores de cabeça e no corpo, que variam de leves a moderadas. Aí surgem as dúvidas: Posso tomar dipirona ou paracetamol? Preciso esperar algum tempo após tomar a vacina, para fazer uso do remédio? 

Segundo os especialistas é viável, mas com moderação.  “Se a pessoa tiver alguma reação pós vacina como febre, como qualquer outra vacina não tem problema algum tomar antitérmico. O modo como a gente deve agir é o mesmo, o brasileiro é acostumado às nossas campanhas de imunização e em nada muda”, afirma a infectologista  Ana Helena Germoglio. 

De acordo com o Instituto Butantan, fabricante da CoronaVac,  analgésicos comuns, daqueles que são comprados sem receita médica (dipirona, paracetamol e outros anti-inflamatórios não esteroidais) podem ser usados porque não interferem na vacinação. Também não há contraindicação para o uso de qualquer antibiótico e antiviral antes ou após a aplicação da CoronaVac. Quanto aos medicamentos de uso contínuo, não é preciso interromper a administração, a não ser sob orientação médica.

O único cuidado é evitar o uso de corticosteróides sem orientação médica. Esse tipo de medicação pode interferir na resposta à vacina. Mas quem toma esse tipo de medicamento diariamente devido a alguma comorbidade não deve interromper seu uso.

A jovem Nicole Diniz estava ansiosa para tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19, mas receosa com os efeitos que poderia sentir, como dor de cabeça e dores  no corpo. "Eu saí do posto, comprei o remédio e logo tomei.”

Ela fez certo? Não, segundo o especialista da Fiocruz Nicole só poderia ter tomado depois de sentir os sintomas. “Não se recomenda fazer uso de analgésico e antitérmico antes da vacinação para prevenir o aparecimento de febre ou dores no corpo. Se a pessoa vacinada desenvolver este sintomas após a vacinação não há objeção alguma do uso de analgésicos nas doses aprovadas em bula que são as recomendadas pela Anvisa”,  afirma Sérgio Nishioka, especialista da Fiocruz.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que o uso indiscriminado de paracetamol para alívio de dores e febre após a vacinação contra Covid-19 pode levar a eventos adversos graves, incluindo hepatite medicamentosa e morte. Portanto, o uso do medicamento deve ser feito com cautela, sempre observando a dose máxima diária e o intervalo entre as doses.  

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25/12/2021 08:00h

A lista com os valores disponibilizados para cada cidade pode ser conferida no anexo da portaria

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Ministério da Saúde aprova portaria (3.785/2021) que libera recursos para os municípios habilitados no Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica (Qualifar-SUS). A lista com os valores disponibilizados para cada cidade pode ser conferida no anexo da portaria. Os recursos serão repassados pelo Fundo Nacional de Saúde.

A transferência dos valores tem como base uma seção da Portaria de Consolidação n° 1/GM/MS, que trata da Base Nacional de Dados de Ações e Serviços da Assistência Farmacêutica no âmbito do SUS e define as normas sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde, a organização e o funcionamento do SUS, no trimestre anterior ao da respectiva competência financeira, cuja responsabilidade é dos gestores dos municípios.

Segundo a portaria 3.785/2021, o ente beneficiário precisa comprovar a aplicação dos recursos recebidos, por meio do Relatório Anual de Gestão (RAG).

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Saúde
24/11/2021 17:00h

De acordo com especialista, as pessoas utilizam sem prescrição a medicação quando estão gripadas ou com alergia sem saberem dos riscos

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O uso de corticoides sem moderação pode causar sérios efeitos colaterais em quem utiliza, principalmente em crianças. Amanda Veloso tem dois filhos, Isabelle, 15 anos, e Lourenzo, 5 anos. Ela trabalha na área de saúde como técnica em radiologia em uma Unidade Básica de Saúde de Teresina (PI), por isso, sempre administrou o uso do medicamento em seus dois filhos.
 
Ainda assim, isso não os livrou de sofrer efeitos colaterais. Isabelle faz o uso dos medicamentos desde pequena, e, hoje em dia, tem dentes muito fracos, perdeu a coloração natural deles e faz acompanhamento odontológico. De acordo com a dentista da família, esses problemas eram causados pelo corticoide.
 
A jovem tem rinite e crise de alergia, e o que alivia os sintomas é o uso da medicação. No entanto, os problemas dentários não são os únicos com os quais ela sofre. “A mais velha tem os dentes muito fracos em razão disso, ela emagreceu muito, não consegue ganhar peso com suplementação. É muito alta, magra para a altura que tem e devido ao medicamento o ciclo menstrual é irregular”, conta Amanda sobre Isabelle.


 
Lourenzo, por outro lado, tem problemas de visão em razão do uso excessivo do medicamento. Além disso, ele sofre de insônia, e por causa de um remédio para corrigir um problema, precisa tomar outro para conseguir dormir. Amanda afirma que esses efeitos são da medicação, e ela ainda diz que em farmácias é muito fácil de consegui-los sem receita médica.
 
O médico e otorrinolaringologista Carlos Maurício explica que o corticoide é uma medicação amplamente utilizada para o tratamento de vários problemas de saúde, tanto para adultos, quanto para crianças. Mas, muitas vezes, utilizado de maneira equivocada. 
 
“Primeiro, a gente precisa entender o que é o corticoide. Ele é considerado um anti-inflamatório hormonal, ou seja, é uma substância parecida com o hormônio produzido no organismo que faz parte do metabolismo corporal. Por ser um hormônio, ele pode ter vários efeitos colaterais se você o utilizar em doses altas e em períodos prolongados”, alerta.
 
Frequentemente, os pais utilizam essa medicação, como um xarope para tosse, um remédio para gripe, mas é preciso atenção, recomenda o especialista.  
 
“Sendo um hormônio, ele pode modificar o funcionamento normal do organismo e isso pode impactar em alguns efeitos colaterais e alguns problemas como a osteoporose, a catarata, a pressão alta, o diabetes, alterações de humor, o aumento da retenção de líquido, ele vai afetar o metabolismo da gordura e pode gerar alterações de pele no estômago”, enumera.
 
Dependendo da dose, ele vai influenciar também na resposta imunológica. O uso pode bloquear parcialmente o sistema imunológico e isso facilita a infecção tanto viral quanto bacteriana. Contudo, o médico pondera que o remédio pode ser utilizado na dosagem correta, principalmente, quando se busca um efeito anti-inflamatório. 
 
O especialista ainda ressalta os problemas que ele pode causar para o desenvolvimento da criança. O uso do corticoide, segundo sua explicação, reduz a absorção de cálcio, essencial para o crescimento. “É uma boa medicação, ela tem efeitos importantes em várias doenças, mas não pode ser utilizada sem critério”, pontua.

Além disso, pacientes em uso de prednisona 20 mg, um tipo de corticoide, por mais de 2 semanas ou prednisona 5 mg, também esse tipo de medicamento, por mais de 30 dias não podem suspender o tratamento de forma abrupta, alerta a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBME). 

Covid-19

O paciente que se contaminar com Covid-19 e fizer uso de corticoides precisa ter cuidado. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBME) elaborou uma série de recomendações a respeito desse assunto.
 
“Quando utilizado como terapia anti-inflamatória e imunossupressora, as doses dos corticoides são no mínimo 4 a 5 vezes mais elevadas do que as doses de reposição fisiológicas. Nessa situação, o risco de complicações na vigência da Covid-19 é potencialmente maior”, afirma em nota.
 
A médica Larissa Camargo, que é otorrinolaringologista, afirma que há estudos que dizem que o corticoide é benéfico em casos de Covid-19, mas só o médico pode avaliar se o remédio vai ajudar ou atrapalhar no tratamento da doença. “Já existem trabalhos mostrando o benefício do uso do corticoide naqueles pacientes que apresentam quadro clínico sugestivo de comprometimento pulmonar e comprometimento sistêmico. Mas é sempre importante que seja feita uma avaliação junto ao seu médico assistente”, pondera. 

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22/11/2021 14:00h

A assistente social Leticia Andrade dá mais detalhes sobre o assunto

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Você sabe como conseguir remédio mais barato ou de graça pelo SUS? A assistente social Leticia Andrade dá mais detalhes sobre o assunto.

O Brasil desde 1988 possui uma política específica sobre medicação, o objetivo com isso é garantir a necessária segurança, qualidade e eficácia dos medicamentos. Existem duas maneiras de você conseguir ter acesso a esses medicamentos de maneira gratuita ou com o custo bem reduzido.

Onde conseguir medicamentos gratuitamente

  • Postos de saúde: Disponibilizam alguns medicamentos de maneira gratuita.
  • Farmácias Populares: Oferecem grande desconto nos valores das medicações. 

O que é preciso para conseguir ter acesso aos medicamentos gratuitos

  • Documento de identificação com foto
  • Receita médica básica contendo nome genérico da medicação, dados do médico, endereço da unidade de saúde de onde foi atendido e data da prescrição médica.

Caso o seu remédio não seja disponibilizado na lista de medicamentos das farmácias populares, não pare por aí. Procure saber quais são as opções de medicações que estão disponíveis, liste-as e retorne com seu médico para que seja verificada a possibilidade de substituir por outra medicação que faça parte do programa.

CONTEÚDO PARA EMISSORAS DE RÁDIO: Nesta edição, você pode utilizar dois áudios sobre o tema:

  • Remédios gratuitos ou mais baratos no SUS
  • Como conseguir medicamentos

Para saber mais, assista ao vídeo no canal Dr. Ajuda. 

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Brasil 61