Obesidade

Saúde
12/07/2022 04:30h

Prevalência da obesidade quase dobrou no Brasil nos últimos 15 anos. Presidente da ONG Obesidade Brasil, a psicóloga Andrea Levy explica como o cuidado com a saúde mental dos pacientes pode ajudar no tratamento

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As autoridades de saúde recomendam que as pessoas com obesidade tenham atendimento multiprofissional. Além do acompanhamento já conhecido de endocrinologistas, nutrólogos e educadores físicos, por exemplo, os psicólogos têm tido papel importante no tratamento da doença, que praticamente dobrou entre os brasileiros nos últimos 15 anos. 

O número de pessoas obesas passou de 11,8%, em 2006, para 22,4%, em 2021, de acordo com a mais recente pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. 

A obesidade é uma doença crônica que se caracteriza pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Suas causas não têm relação apenas com perfis genéticos de maior risco, mas também com sedentarismo, consumo excessivo de calorias e alimentos ultraprocessados, insônia e uso de medicamentos obesogênicos, por exemplo. 

Andrea Levy, psicóloga e presidente da ONG Obesidade Brasil, explica que o acompanhamento psicológico de pessoas obesas fortalece o tratamento de base, que envolve reeducação alimentar, prática de atividades físicas e uso de medicamentos. 

“É frequente que pessoas que sofrem de obesidade apresentem também quadros de ansiedade e depressão, que devem ser tratados para que essa pessoa melhore sua qualidade de vida e se sinta mais forte e apta para fazer também o seu tratamento para obesidade”, aponta. 

“Devemos sempre ficar atentos à saúde mental da pessoa com obesidade, porque a própria obesidade e os estigmas e preconceitos diários que essa pessoa sofre podem funcionar como gatilhos para o desenvolvimento ou agravamento de quadros de transtornos do humor, e de transtornos alimentares, especialmente o de compulsão alimentar. Então, ter obesidade não é fácil do ponto de vista psicológico”, reforça. 

Mara Coelho conta que buscou atendimento psicológico, entre outros motivos, porque estava incomodada com o próprio peso. A insatisfação com o corpo, as dores, a vergonha de sair na rua e a indisposição contribuíram para um quadro de ansiedade e, também, depressão. 

A profissional de RH afirma que o suporte da psicóloga a ajudou a ter consciência de que precisava se cuidar, tendo em vista não somente a superação da obesidade e a melhora da saúde mental, mas a qualidade de vida no futuro. 

“O tratamento psicológico contribuiu para que eu pudesse pensar melhor, porque quando você está num processo de depressão ou ansiedade, você mistura tudo, parece uma névoa branca, você não consegue pensar. Fica focando naquilo que é ruim, que você não dá conta. Então, ela me trouxe uma clareza e possibilitou olhar para outras coisas além disso, que foi o que me deu forças para fazer um tratamento”, lembra. 

Conscientização

Segundo o Ministério da Saúde, a prevalência da obesidade aumentou de maneira epidêmica em todas as idades nas últimas quatro décadas e, “atualmente, representa um grande problema de saúde pública no mundo”. O órgão destaca que a doença está relacionada ao maior risco para outras enfermidades como as do coração, diabetes, hipertensão arterial sistêmica, doença do fígado e diversos tipos de câncer, dentre outras. 

Andrea destaca que o trabalho do psicólogo vai além de ajudar a pessoa obesa a cuidar da saúde mental. Passa, também, por conscientizar a sociedade. “Nós da ONG Instituto Obesidade Brasil temos lutado muito para que a população entenda que obesidade é uma doença complexa e que sua prevenção e tratamento exigem uma série de medidas”, explica. 

“Devemos investir em um estilo de vida mais saudável. Além disso, devemos lutar contra o preconceito contra as pessoas com obesidade, porque isso faz com que elas se sintam intimidadas a buscarem ajuda profissional, pois elas se sentem fracassadas e a obesidade não tem nada a ver com falta de força de vontade, mas é uma condição clínica que exige cuidados e, acima de tudo, todas as pessoas com obesidade merecem respeito e acolhimento para seguirem os seus tratamentos.” 

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01/07/2022 04:30h

Trabalho publicado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia sugere que perda de peso de pacientes com obesidade seja classificada em “reduzida” e “controlada”

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Um estudo conduzido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP) propõe um novo tipo de classificação para a obesidade. Com uma terminologia mais simples, o foco não é substituir as terminologias adotadas hoje, mas acrescentar e simplificar o acompanhamento de pacientes em processo de controle de peso. 

A proposta apresentada pelos médicos no estudo, publicado na The National Center for Biotechnology Information, é que a obesidade de pacientes em acompanhamento clínico para redução de peso seja classificada em “reduzida” ou "controlada''. Um dos profissionais que participaram do estudo, o endocrinologista Marcio Mancini, aponta que as classificações sugeridas são baseadas no peso máximo do paciente. 

“Propomos uma nova classificação da obesidade baseada no peso máximo atingido em vida (MWAL), do inglês maximum weight attained in life. Nesta classificação, os indivíduos que perdem uma proporção específica de peso são classificados como tendo obesidade “reduzida” ou ‘controlada’”. 

Além da proposta, os médicos que participaram da pesquisa também apontam que uma perda de peso considerada modesta, a partir de 5%, durante o acompanhamento clínico já traz melhoras clínicas. O objetivo é que as pessoas com obesidade e os profissionais que as acompanham se concentrem na manutenção de peso em vez da redução. 

“A nova proposta se baseia no benefício que o paciente tem com a perda de peso. Então, ela coloca que, quando o paciente perde pelo menos 10% do peso, ele teria uma obesidade controlada. Então, vamos imaginar um paciente que teve o seu peso máximo em 100 kg. Se ele perder pelo menos 10 kg e passar para 90 kg, mesmo que ele ainda tenha excesso de peso, vai ter uma obesidade chamada de controlada, porque os estudos mostram que essa perda de pelo menos 10%, ela é factível. Ela é uma perda que é possível de ser conseguida com o tratamento clínico e ela vai levar a uma série de benefícios para a saúde.”

A SBEM-SP também afirma que, apesar de perdas a partir de 5% do peso já trazerem benefícios, as reduções entre 10% e 15% são mais benéficas. Segundo a publicação, a porcentagem de redução de peso como meta de tratamento é aceita, uma vez que uma maior diminuição do peso é geralmente mais difícil, tanto por fatores de adaptação do metabolismo de cada pessoa como por questões ambientais e de estilo de vida.

Obesidade no Brasil

De acordo com dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel), mais da metade da população brasileira estava acima do peso, com 57% dos respondentes com sobrepeso. O índice subiu mais de 10 pontos percentuais desde o início da pesquisa, realizada anualmente desde 2006. Naquele ano, o índice foi de 43%. 

Um estudo publicado em março deste ano pela World Obesity Federation aponta que o número de pessoas obesas no mundo tende a aumentar. Apenas no Brasil, a previsão é de que a obesidade atinja 29,7% dos adultos brasileiros em 2030. O número equivale a cerca de 47 milhões de brasileiros.  

A psicóloga bariátrica Débora Gleiser, integrante do Grupo de Estudo das Cirurgias de Obesidade e Metabólicas (GECOM), em Porto Alegre (RS), aponta que essa classificação pode, sim, ajudar no tratamento de pacientes com sobrepeso e obesidade, mas ressalta que casos mais graves têm mais dificuldade em manter o peso estável, por se tratar de uma doença crônica. 

“Eles têm um histórico de vida de tratamentos e dietas onde eles emagrecem e engordam, emagrecem e engordam. Porque a obesidade é uma doença crônica. Uma pessoa que não tem uma obesidade severa, que precisa emagrecer, por exemplo, 10 kg, ela pode com certeza mudar os hábitos e emagrecer, se manter saudável, manter uma alimentação e o controle da compulsão ok”, afirma. 

Débora Gleiser também aponta que há, sim, muito preconceito em torno da obesidade e que esse preconceito pode vir também de profissionais de saúde. “Existe muito preconceito com a obesidade hoje em dia, a famosa gordofobia, e que não vem só do leigo. Que, infelizmente, às vezes vem até de profissionais da saúde. E eu culpo a falta de entendimento do todo da obesidade”, aponta ela.

A psicóloga, que lida especialmente com obesos em um grau mais grave, também conhecida como obesidade mórbida, recomenda um acompanhamento interdisciplinar do paciente. “A gente tem que tratar como doença, e a melhor forma de tratar esse tipo de doença é uma equipe onde tem cirurgião, psicólogo, nutricionista, anestesista, pneumologista, cardiologista, fisioterapeuta. Enfim, uma equipe em volta do paciente, porque ele demanda cuidado. Ele precisa de vários profissionais que trabalhem em uma equipe interdisciplinar para poder manter esse obeso, não vou dizer magro, porque não é isso que nos interessa, mas manter esse obeso saudável”, pontua. 

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10/06/2022 19:25h

O podcast Giro Brasil 61 faz uma seleção dos principais fatos e acontecimentos noticiados pelo Brasil61.com durante a semana

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No episódio desta semana (10), o podcast Giro Brasil 61 fala sobre o repasse de R$ 5 bilhões do FPM aos municípios brasileiros, os riscos da obesidade infantil, a prorrogação da campanha de vacinação contra gripe e sarampo e o início da proibição de ligações de telemarketing sem o uso do prefixo 0303.

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10/06/2022 04:30h

A doença é causada por vários fatores e o tratamento envolve múltiplos profissionais, além da atuação de pais e responsáveis. Estudo mostra que 7% das crianças brasileiras menores de cinco anos estão com excesso de peso e 3% estão obesas

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O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), do Ministério da Saúde, revelou que 7% das crianças brasileiras menores de cinco anos estão com excesso de peso e 3% estão obesas. Os indicadores já apontavam o aumento da obesidade infantil nos últimos anos, mas as restrições impostas pela pandemia pioraram a situação. 

A Organização Mundial da Saúde - OMS, classifica a obesidade de três formas: quando o Índice de Massa Corporal - IMC é maior que 25 kg/m2, a pessoa está com sobrepeso, quando alcança 30 kg/m2 ela é considerado obesa e a partir de 40 Kg/m2 ela alcança a obesidade mórbida, também conhecida como de grau III.

A nutricionista e especialista em nutrição materno-infantil, Larissa Paixão, explica que a doença é crônica e que não surge de um dia para o outro. Além disso, a má alimentação não é a única causa. “A obesidade infantil é o resultado da somatória de fatores psicossociais, ambientais e fisiológicos. Portanto, sintomas como ansiedade, estresse e depressão, podem ser o gatilho para o seu desenvolvimento ou surgir como consequência dessas patologias”, alertou a especialista. 

Quando associado ao sedentarismo, o consumo frequente e exagerado de produtos ultraprocessados, como biscoitos, refrigerantes e achocolatados, contribui para que o quadro de obesidade se desenvolva. Esses alimentos possuem grande aporte energético, ou seja, alto nível de calorias, e baixa disponibilidade de nutrientes, o que leva o organismo a sofrer adaptações metabólicas e engordar.

A endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo - SBEM-SP, Cristiane Kochi, afirma que a obesidade infantil tem um impacto físico e emocional importante e destaca que essas crianças já apresentam risco de aumento da pressão arterial, diabetes, aumento da gordura no sangue e alterações ortopédicas. 
A médica afirma que é fundamental o esclarecimento da população e das autoridades. “A gente precisa ter uma reeducação populacional sobre obesidade infantil, a prevenção, o tratamento e sobre a orientação alimentar", complementou a especialista.

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Como evitar a obesidade infantil

A primeira orientação, destacada pela nutricionista, para evitar que as crianças engordem é não oferecer alimentos que possuem carboidratos refinados, como pães brancos, bolos com coberturas, biscoitos industrializados, bebidas açucaradas, doces, balinhas, pirulitos e guloseimas. Além disso, ela indica que os responsáveis estabeleçam horários pré-determinados para as crianças realizarem as refeições com calma, uma vez que comer com pressa não gera os mecanismos necessários de saciedade. 

Outra dica é sempre dar preferência aos alimentos integrais, uma vez que contêm mais fibras ajudando no controle da absorção de açúcar. “Ofereça alimentos sem adição de adoçantes e açúcares de qualquer espécie. O paladar infantil é muito sensível a doces e precisa ser amadurecido com a exposição a outros sabores como o azedo, o adstringente e até o amargo”, complementou a nutricionista.

Quando questionada se proibir estes alimentos é o caminho para evitar a obesidade infantil, a nutricionista afirma que não, mas é preciso restringir. “Mudança de hábito nunca será sinônimo de proibição, mas de formação de consciência. Fora de casa, aos finais de semana, em um restaurante, existirão muitas opções de alimentos que você, provavelmente, não expõe em casa. Muitas vezes, mesmo tendo acesso a esses alimentos, a criança consumirá em porções menores, com consciência de que aquilo não faz parte da sua rotina” orientou Larissa.

Além disso, a especialista destacou que sempre que procurada por famílias para tratar a obesidade infantil, a orientação é simples: “Se você deseja que seu filho coma alimentos mais saudáveis, tenha estes alimentos disponíveis em casa” e conclui “planejar o cardápio da semana e ir às compras com uma lista pré-estabelecida auxilia a ter ingredientes, alimentos e produtos saudáveis em casa, o que previne a doença”. 

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19/05/2022 11:33h

Neste episódio o Dr. Bruno Halpern dará mais detalhes sobre o assunto

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A obesidade está associada a uma redução da expectativa de vida. O aumento de doenças cardiovasculares como infarto, derrame e aumento de outras doenças cardíacas como insuficiência cardíaca estão associadas ao aumento da mortalidade. 

Além disso, a obesidade está associada ao câncer! Pelo menos 13 tipo de câncer tem relação com o excesso de peso, como câncer de mama e endométrio. Não só a incidência mas também a agressividade do câncer é muito maior em pessoas portadoras de obesidade. 

A obesidade também está associada  ao Diabetes tipo 2, Hipertensão, Esteatose Hepática, apnéia do sono, osteoartrose, doenças psiquiátricas, asma e doenças auto-imunes, dentre outras

Com uma boa estratégia de perda de peso, é possível reduzir o aparecimento e a gravidade de algumas doenças. 

 

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13/04/2022 03:55h

Pesquisa de Vigilância em Saúde (Vigitel/2021) revela que 57,25% dos brasileiros estão com sobrepeso. Muito mais do que uma questão estética, o índice traz preocupações para a saúde

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O brasileiro está engordando. Atualmente, quase seis a cada 10 brasileiros adultos estão acima do peso. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas mostraram que, em 2021, 57,25% dos respondentes da pesquisa Vigitel estão com sobrepeso. A pesquisa Vigitel é anual e, em 2006, em sua primeira edição, os brasileiros nessa condição representavam 42,74% da população.

Entre aqueles que são considerados obesos (cujo Índice de Massa Corporal é superior a 30), o número praticamente dobrou em 15 anos: saiu de 11,86%, em 2006, para 22,35% da população, em 2021. Para a endocrinologista Andressa Heimbecher, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo, estar acima do peso é apenas a ponta do iceberg. “O problema do ganho de peso é que ele vem, na maior parte dos casos, acompanhado de uma situação que se chama síndrome metabólica”, explica.

A síndrome metabólica gera o acúmulo de gordura na região do abdômen, aumenta os níveis de triglicerídeos, o que aumenta o risco de infartos, pode desenvolver diabetes e inflamações do fígado. “Além da própria sobrecarga em si que resulta em problemas articulares”, complementa a endocrinologista.

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Diabetes 

A quantidade de pessoas com diabetes também aumentou de forma expressiva. Hoje, 9,14% dos brasileiros possuem diabetes. Antes da pandemia, o índice era 2 pontos porcentuais menor. “Não foi só a Covid-19, mudanças de hábitos alimentares e o sedentarismo corroboraram com esse quadro”, pontua a médica. Em 2006, 5,66% da população tinha diabetes.

“O diabético custa muito para o sistema de saúde. Ele é aquele paciente que vai precisar mais de internações, que tem mais facilidade para inflamações e úlceras e, eventualmente, necessita de amputação”, observa Andressa Heimbecher. Levantamento do Ministério da Saúde mostrou que, em 2019, o número de internações por diabetes foi 136 mil, gerando um custo de R$ 98 milhões de reais.

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Segurança alimentar 

Para a nutricionista Camila Araújo, especialista em segurança alimentar, os índices de sobrepeso e obesidade já eram esperados. “A população está, a cada dia que passa, com menos tempo disponível para se dedicar a uma alimentação saudável. Isso tem feito as pessoas buscarem opções mais rápidas”, pondera. 

Entre as opções, muitas vezes estão os alimentos ultraprocessados como bolachas ou macarrão instantâneo. “A gente pensa que é comida, mas não é comida de verdade.  São formulações feitas de substâncias extraídas de alimentos. Esses alimentos ultraprocessados são ricos em açúcar, gordura e sal. É possível comer um alimento doce com concentrações de sal altíssimas”, explica Camila. 

A nutricionista recomenda que “se desembale menos e se descasque mais”. Um dos indicadores da pesquisa Vigitel 2021 evidencia a mudança nos hábitos alimentares a partir da redução no consumo do tradicional arroz com feijão: enquanto, em 2006, 70,95% dos brasileiros comiam a mistura pelo menos cinco vezes por semana; em 2021, apenas 60,42% mantêm essa rotina. “A combinação traz fontes de nutrientes importantes como carboidratos, proteínas e minerais”, resume Camila Araújo.  Ela recomenda que as famílias sigam as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira para a promoção de uma alimentação saudável com segurança alimentar. 
 

Sobre a pesquisa

Há 15 anos, a pesquisa Vigitel é uma referência sobre a saúde dos brasileiros. Nesta edição, foram ouvidas 27.093 pessoas com 18 anos de idade ou mais entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022. A pesquisa foi feita por telefone e abordou 40 variáveis para levantar informações sobre hábitos alimentares, prática de atividade física, presença de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e obesidade. “É fundamental pra gente poder enxergar a saúde da nossa população. A gente sabe que o Brasil é um país carente de dados”, considera a endocrinologista Andressa Heimbecher. 
 

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26/03/2022 04:00h

Neste episódio, a endocrinologista infantil Marianna Rodrigues dá mais detalhes sobre a doença

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Seu filho é obeso? Você conhece as causas de obesidade infantil? Neste episódio a endocrinologista infantil Marianna Rodrigues dá mais detalhes sobre a doença.

Uma pergunta muito comum dos pais é: a obesidade sempre ocorre pelo excesso de calorias? É genético? Tem relação com algum hormônio? Com exceção de algumas situações sindrômicas e de eventuais distúrbios hormonais específicos, ambos raros, a obesidade decorre da interação de diversos fatores ambientais e genéticos que causam o tal balanço energético sempre positivo, ou seja, o que a pessoa ganha de peso é maior do que ela gasta e o resultado é o aumento do peso.

A genética determina uma série de fatores que estão relacionadas a obesidade como:

  1. A variação da distribuição regional da gordura corpórea que define, por exemplo, o porquê algumas pessoas acumulam mais gordura na barriga e outras mais no glúteo. 
  2. Taxa metabólica basal, que é o quanto de energia você gasta por dia em média. Quem tem metabolismo basal alto, ou seja, gasta bastante energia ao longo do dia tem, mais dificuldade de engordar mesmo comendo bastante. Outros com metabolismo basal baixo podem ter excesso de peso mesmo comendo pouco.
  3. Resposta a atividade física.
  4. Resposta térmica dos alimentos que é a energia que cada alimento e bebida gasta para ser digerido, essa quantidade de energia pode variar para cada um. 

Esses fatores hereditários podem ser responsáveis por 30 a 50% das variações de como a gordura se deposita ou se forma. 

Dessa forma podemos dizer que a depender da genética que você traz de seus familiares você tem maior ou menor chance de ter obesidade.

Quando você deve suspeitar que a obesidade do seu filho tem como causa algum problema hormonal?

Causas endócrinas de obesidade são aquelas decorrentes de uma deficiência ou excesso hormonal como hipotireoidismo grave, excesso de cortisol também chamado de hipercortisolismo, deficiência de hormônio de crescimento e lesões no hipotálamo. É importante que você saiba que elas são responsáveis por menos 1% das causas de obesidade nas crianças e adolescentes.

Uma outra informação importante e que normalmente sugere a presença de algum problema hormonal é ter baixa estatura e, no caso dos adolescentes, o hipogonadismo, ou seja, atraso no aparecimento dos caracteres sexuais secundários. Nos meninos é quando não há aumento do testículo e do pênis até os 14 anos e, nas meninas, é quando não há aparecimento de mamas até os 14 anos. Dentre esses fatores temos também a prematuridade, o baixo peso ao nascer e a restrição de crescimento intrauterino. Além desses fatores existem uma série de fatores contribuintes como:

  • Desmame precoce
  • Tempo de tela
  • Sedentarismo 
  • Ingestão de alimentos industrializado

Para saber mais, assista ao vídeo no canal Doutor Ajuda.

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03/03/2022 13:54h

Estudo foi feito por 17 universidades do Brasil e uma do Chile e também mostra que 68% da população poderá estar acima do peso. Estimativas preocupam pelo risco de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) e o aumento no fluxo de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

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Nesta sexta-feira (4) é marcada como Dia Mundial da Obesidade e um estudo feito por 17 pesquisadores de universidades brasileiras e uma chilena mostra que, em 2030, o Brasil poderá ter 26% da sua população obesa. O número é ainda mais preocupante quando se fala em população acima do peso - esse índice pode chegar a 68%. 

Os estudiosos explicam que isso pode impactar na saúde pública, já que o excesso de peso e a obesidade aumentam os risco de várias Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) e, com isso, mais pessoas buscam atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo a nutricionista Allana Cardelino, a obesidade é uma doença que vai criando inflamações todos os dias no nosso corpo. “Isso gera uma série de malefícios, de doenças no nosso corpo. Vai aumentar o risco de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, resistência à insulina, aumento do colesterol, do triglicerídeo, distúrbios do sono e de humor, compulsões alimentares. E a gente já sabe que hoje, a principal causa de cânceres que poderiam ser evitados são por conta da obesidade aqui no Brasil.”

A pesquisa também mostra que os índices já estão aumentando. A porcentagem de pessoas com excesso de peso aumentou de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019. Já a obesidade saltou de 11,8% para 20,3% no mesmo período.

Os principais fatores de risco para DCNT são tabagismo, consumo abusivo de álcool, alimentação não saudável e inatividade física.

Segundo o cirurgião geral, bariátrico e do trauma, Vinícius Reis, o índice de massa corporal (IMC) é critério utilizado de forma universal. O número é o resultado do peso dividido pela altura do quadrado. “Isso vai gerar um índice onde o IMC ideal ou perto do que a gente necessita seria entre 18 e 25. Acima disso, de 25-30, tratamos como sinal de alerta, chamando de sobrepeso. E a partir de 30% de massa corporal, a gente já considera portador de uma doença grave e crônica chamada obesidade”, explica.

O médico também explica que existem graus de obesidade: entre 30 a 35, se classifica como obesidade grau 1; de 35 a 40, obesidade grau 2 e acima de 40, obesidade mórbida ou obesidade. Os índices são importantes para classificar o grau da doença e indicar o melhor tratamento.

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Superação em hábitos 

São em postagens nas redes sociais que a influencer Stefanny da Silva Machado, moradora do Rio de Janeiro, mostra a sua evolução. Ela conta que não se reconhecia no próprio espelho e não conseguia achar roupas para vestir. 

Com a ajuda da musculação, treinos e dietas, sempre acompanhada por profissionais, ela ressalta que hábitos e disciplina são essenciais para vencer a doença. “ Hoje em dia, eu uso aliados, mas nada vai mudar se você não conseguir planejar sua alimentação, treino.”

E essa mudança pode ser com atos simples. Allana afirma que o  principal não é retirar essas coisas "não saudáveis" da alimentação, e sim adicionar hábitos saudáveis. "Adicionar um exercício físico três vezes na semana, uma caminhada, um polichinelo do lado da cama, subir e descer escadas, beber mais água. São coisas que todo mundo consegue fazer." 

O Dr. Vinícius também explica que vários profissionais, como nutricionistas, psicólogos e cirurgiões, em caso de uma possível operação bariátrica, devem estar envolvidos no tratamento. “Por ser uma doença multissistêmica, que envolve a parte orgânica, psicológica e social, precisamos ter em mente que o tratamento também deve girar em torno dessas esferas. O tratamento precisa ser multidisciplinar.”

Custos 

A pesquisa, que foi publicada neste ano,  trouxe dados sobre o custo do sobrepeso e obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados do estudo, o gasto anual em 2019 do com DCNT foi de R$ 6,8 bilhões, desses, estimou que 22% desse valor, R$ 1,5 bilhão, podem ser atribuíveis ao excesso de peso e obesidade. 

Estado Custo Atribuível (2019)
Acre R$ 2,31 milhões
Amazonas R$ 14,79 milhões
Roraima  R$ 2,07 milhões
Pará  R$ 26,28 milhões
Amapá  R$ 2,23 milhões
Rondônia  R$ 8,38 milhões
Mato Grosso R$ 15,95 milhões
Maranhão  R$ 22,22 milhões
Tocantins  R$ 5,62 milhões
Distrito Federal  R$ 45,86 milhões
Piauí R$ 15,75 milhões
Ceará  R$ 44,54 milhões
Rio Grande do Norte R$ 23,11 milhões
Paraíba R$ 19,68 milhões
Pernambuco R$ 57,78 milhões
Alagoas  R$ 17,25 milhões
Sergipe  R$ 8,95 milhões
Bahia R$ 71,62 milhões
Minas Gerais R$ 178,72 milhões
Espírito Santo  R$ 34,56 milhões
Rio de Janeiro  R$ 101,70 milhões
Goiás  R$ 45,86 milhões
Mato Grosso do Sul  R$ 23,25 milhões
São Paulo  R$ 359,69 milhões
Paraná R$ 154,73 milhões
Santa Catarina  R$ 84,24 milhões
Rio Grande do Sul  R$ 135,01 milhões

 

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Dr. Ajuda
17/11/2021 02:00h

O endocrinologista Dr. Bruno Halpern dá mais detalhes sobre cirurgia bariátrica

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A Cirurgia Bariátrica quando bem indicada, está associada a redução da mortalidade, aumento da expectativa de vida e redução de doenças como Diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até mesmo câncer. 

Atualmente existe um enorme preconceito em relação à cirurgia bariátrica, achando que é algo mutilante, usado como último recurso entre outras coisas, porém existem diversas evidências científicas que nos mostram muitos benefícios. O endocrinologista Dr. Bruno Halpern dá mais detalhes sobre cirurgia bariátrica.

A cirurgia não é indicada para todos!  Ela esta indicada para aqueles com índice de massa corpórea (IMC) > 40 OU IMC > 35 associados a outras doenças, além disso outros fatores são avaliados. No geral é recomendado o tratamento clínico sem sucesso por no mínimo 2 anos. 

Importante ressaltar que a cirurgia exige cuidados a longo prazo, muitas vezes é necessário a utilização de polivitamínicos, monitoramento da parte óssea, peso, pois existem casos da recuperação de peso mesmo após o procedimento ter sido realizado. 

Se você possui uma indicação clínica para a realização deste procedimento, discuta com o seu médico a respeito, coloque as opções na mesa para que a decisão final seja baseada em ciência e não em tabus e preconceitos.

Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo no canal Dr. Ajuda.

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26/07/2021 12:55h

Apesar de fundamental para reduzir chance de óbitos e agravamento de casos da Covid-19, as cirurgias bariátricas tiveram queda de 69,9% no número de procedimentos realizados pelo SUS no último ano

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O Brasil perdeu 36.331 vidas nesta pandemia de pessoas com obesidade, fator de risco para o agravamento de quadros da Covid-19. Somente na capital federal, 15,3% dos óbitos relacionados ao vírus foram de brasilienses com essa comorbidade. Por conta desse cenário, o Ministério da Saúde classificou a cirurgia bariátrica como um dos procedimentos eletivos essenciais.

A operação deverá ser priorizada na saúde pública e suplementar com retomada dos procedimentos em até 12 semanas, a contar do começo de julho, quando a recomendação foi publicada no documento Diretrizes da Atenção Especializada no Contexto da Pandemia de Covid-19, do Governo Federal.

Ao contrário de doenças pré-existentes como cardiopatia e diabetes, responsáveis pela maior parte dos casos de óbitos relacionados à Covid-19 de pessoas com comorbidades, a obesidade tem como característica a letalidade maior em pessoas com menos de 60 anos que acabam falecendo por conta da infecção, como mostra o último boletim epidemiológico especial publicado pelo Ministério da Saúde. Foram 21.336 óbitos registrados nessa população, enquanto 14.995 mortes foram de idosos. 

Questão de saúde

Todos esses fatos e estatísticas mostram que a cirurgia indicada em casos de obesidade é um procedimento baseado na saúde do paciente. É isso que explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Fábio Viegas. O especialista avalia que entender a cirurgia bariátrica como um procedimento estético é minimizar a obesidade mórbida. 

“O paciente obeso mórbido possui uma incidência elevadíssima de morte precoce. 70% dos pacientes obesos mórbidos vão morrer antes dos 50 anos de idade, e vão morrer porque possuem hipertensão grave, diabetes, câncer de mama, câncer de endométrio, câncer de colo, vão morrer de apneia do sono, ou vão desenvolver insuficiência cardíaca, enfim. São mais de cinquenta doenças associadas.”

O médico ressalta ainda que é preciso analisar a obesidade mórbida como uma doença, pois o senso comum ainda enxerga o fator como algo possível de mudança, algo exclusivamente comportamental. “O obeso mórbido não é obeso porque quer. Nós estamos falando de uma doença que é metabólica, que é genética, que é multifatorial. Hoje, a obesidade mórbida é a principal causa de mortalidade no mundo, e, no Covid grave, nós assistimos uma incidência elevadíssima de pacientes jovens morrendo de Covid-19 porque eram obesos”, lembra.

Saúde afetada

Mariana Areal, 26 anos, realizou a cirurgia há pouco mais de um ano, por perceber que o sobrepeso estava prejudicando a saúde de diversas formas. “A minha saúde já estava muito afetada, eu tinha esteatose hepática, estava pré-diabética e alguns problemas que o sobrepeso acaba acarretando. Minha vida mudou totalmente. Eu tenho motivação para fazer pequenas coisas, coisas do dia a dia, que o peso atrapalhava. Porque também é um processo psicológico”, conta.

A estudante também cita o preconceito que existe na sociedade em relação à obesidade, diferente de outras doenças comuns. “Fui muito criticada por fazer essa escolha, com a idade que eu tenho, e ainda existe uma visão de que a cirurgia bariátrica é considerada muito perigosa, muito agressiva, mas isso mudou. A falta de informação também gera um preconceito. Sempre tem alguém que vai falar que era só fazer dieta, ir para a academia, ‘trancar’ a boca. Sempre tem alguém para julgar um processo pelo qual não tem conhecimento, mas a cirurgia era meu último recurso para recuperar a saúde”, diz Mariana. 

Queda na pandemia

Apesar de fundamental para reduzir chance de óbitos e agravamento de casos de infecção pelo novo coronavírus, as cirurgias bariátricas tiveram queda de 69,9% no número de procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no último ano. Foram realizados 12.568 tratamentos cirúrgicos de obesidade em 2019 e apenas 3.772 em 2020. 

Em 2021, até o mês de maio, o SUS registrou somente 484 cirurgias. No documento de diretrizes da atenção especializada do Ministério da Saúde, há o destaque de que o retardo no tratamento da obesidade pode resultar no aumento da morbimortalidade, e que é preciso acelerar o processo, pois o atraso resultará em danos maiores aos pacientes, com maior custo e sobrecarga, a médio prazo, para o sistema de saúde.

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Brasil 61