Obesidade

26/07/2021 12:55h

Apesar de fundamental para reduzir chance de óbitos e agravamento de casos da Covid-19, as cirurgias bariátricas tiveram queda de 69,9% no número de procedimentos realizados pelo SUS no último ano

Baixar áudioBaixar áudio

O Brasil perdeu 36.331 vidas nesta pandemia de pessoas com obesidade, fator de risco para o agravamento de quadros da Covid-19. Somente na capital federal, 15,3% dos óbitos relacionados ao vírus foram de brasilienses com essa comorbidade. Por conta desse cenário, o Ministério da Saúde classificou a cirurgia bariátrica como um dos procedimentos eletivos essenciais.

A operação deverá ser priorizada na saúde pública e suplementar com retomada dos procedimentos em até 12 semanas, a contar do começo de julho, quando a recomendação foi publicada no documento Diretrizes da Atenção Especializada no Contexto da Pandemia de Covid-19, do Governo Federal.

Ao contrário de doenças pré-existentes como cardiopatia e diabetes, responsáveis pela maior parte dos casos de óbitos relacionados à Covid-19 de pessoas com comorbidades, a obesidade tem como característica a letalidade maior em pessoas com menos de 60 anos que acabam falecendo por conta da infecção, como mostra o último boletim epidemiológico especial publicado pelo Ministério da Saúde. Foram 21.336 óbitos registrados nessa população, enquanto 14.995 mortes foram de idosos. 

Questão de saúde

Todos esses fatos e estatísticas mostram que a cirurgia indicada em casos de obesidade é um procedimento baseado na saúde do paciente. É isso que explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Fábio Viegas. O especialista avalia que entender a cirurgia bariátrica como um procedimento estético é minimizar a obesidade mórbida. 

“O paciente obeso mórbido possui uma incidência elevadíssima de morte precoce. 70% dos pacientes obesos mórbidos vão morrer antes dos 50 anos de idade, e vão morrer porque possuem hipertensão grave, diabetes, câncer de mama, câncer de endométrio, câncer de colo, vão morrer de apneia do sono, ou vão desenvolver insuficiência cardíaca, enfim. São mais de cinquenta doenças associadas.”

O médico ressalta ainda que é preciso analisar a obesidade mórbida como uma doença, pois o senso comum ainda enxerga o fator como algo possível de mudança, algo exclusivamente comportamental. “O obeso mórbido não é obeso porque quer. Nós estamos falando de uma doença que é metabólica, que é genética, que é multifatorial. Hoje, a obesidade mórbida é a principal causa de mortalidade no mundo, e, no Covid grave, nós assistimos uma incidência elevadíssima de pacientes jovens morrendo de Covid-19 porque eram obesos”, lembra.

Saúde afetada

Mariana Areal, 26 anos, realizou a cirurgia há pouco mais de um ano, por perceber que o sobrepeso estava prejudicando a saúde de diversas formas. “A minha saúde já estava muito afetada, eu tinha esteatose hepática, estava pré-diabética e alguns problemas que o sobrepeso acaba acarretando. Minha vida mudou totalmente. Eu tenho motivação para fazer pequenas coisas, coisas do dia a dia, que o peso atrapalhava. Porque também é um processo psicológico”, conta.

A estudante também cita o preconceito que existe na sociedade em relação à obesidade, diferente de outras doenças comuns. “Fui muito criticada por fazer essa escolha, com a idade que eu tenho, e ainda existe uma visão de que a cirurgia bariátrica é considerada muito perigosa, muito agressiva, mas isso mudou. A falta de informação também gera um preconceito. Sempre tem alguém que vai falar que era só fazer dieta, ir para a academia, ‘trancar’ a boca. Sempre tem alguém para julgar um processo pelo qual não tem conhecimento, mas a cirurgia era meu último recurso para recuperar a saúde”, diz Mariana. 

Queda na pandemia

Apesar de fundamental para reduzir chance de óbitos e agravamento de casos de infecção pelo novo coronavírus, as cirurgias bariátricas tiveram queda de 69,9% no número de procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no último ano. Foram realizados 12.568 tratamentos cirúrgicos de obesidade em 2019 e apenas 3.772 em 2020. 

Em 2021, até o mês de maio, o SUS registrou somente 484 cirurgias. No documento de diretrizes da atenção especializada do Ministério da Saúde, há o destaque de que o retardo no tratamento da obesidade pode resultar no aumento da morbimortalidade, e que é preciso acelerar o processo, pois o atraso resultará em danos maiores aos pacientes, com maior custo e sobrecarga, a médio prazo, para o sistema de saúde.

Copiar o texto
04/03/2021 00:00h

Data é comemorada nesta quarta-feira (4). Em entrevista ao portal Brasil61.com, especialista fala sobre estigma, desinformação e complicações da doença

Baixar áudio

Subir as escadas. Sentar no chão. Cruzar as pernas. Deitar. Essas atividades cotidianas são simples para a maioria das pessoas, mas eram verdadeiros desafios para Stefany da Silva Liberal, 27 anos. Não bastasse isso, a publicitária tinha que encarar os olhares e o preconceito das pessoas por estar acima do peso. Com 1,67 metros de altura, ela chegou a pesar 113 kg. 
 
“As pessoas sempre te olham com olhares de julgamento. Quando eu percebi todas essas comorbidades, já estava num nível de muita tristeza, quase de depressão, o que foi fazendo eu me afastar de todos. A minha família percebeu o meu sofrimento e eu fui em busca de todos os tratamentos”, lembra. 

Stefany, que também é empresária, já estava com a obesidade em um estágio tão acentuado que foi necessária a cirurgia bariátrica para redução do peso. Ela conta que a doença progrediu por oito anos e que, além da má alimentação e sedentarismo, ela conta que outro fator contribuiu para que ela chegasse à obesidade: a falta de informação. 

“Falta mais informação sobre [a obesidade]. Quem quer e precisa de ajuda para sair da obesidade tem muita dificuldade para ter acesso aos detalhes”, avalia. Hoje, Stefany pesa 64 kg e também trabalha como influencer digital. Ela tem cerca de 63 mil seguidores e aproveita para disseminar boas dicas de saúde. “Gosto muito de ajudar as pessoas na autoestima e auto aceitação. Foco nessa área de bariátrica, porque muita gente precisa de informação e de ajuda”, conta. 

Informação

A carência de informações detalhadas sobre a obesidade não é exclusividade de Stefany. Dados do estudo Action IO mostram que 68% das pessoas com a
doença gostariam que os profissionais de saúde iniciassem conversas sobre o controle de peso durante as consultas. 

“Existe esse gap, justamente por a pessoa com obesidade pensar que a culpa é toda dela, isso muitas vezes retarda ela a buscar ajuda de um profissional de saúde e faz com que a pessoa, às vezes, passe anos sem auxílio”, afirma a Dra. Rocio Coletta, endocrinologista e gerente médica da Novo Nordisk. 

Ainda segundo o estudo, oito em cada dez pessoas com obesidade acreditam que perder peso é sua responsabilidade individual e passam seis anos tentando emagrecer antes de procurar um profissional de saúde. 

A desinformação atinge, também, as pessoas que convivem ao redor, uma vez que a obesidade costuma ser relacionada tão somente a desleixo alimentar e sedentarismo, o que não é verdade. Existem, também, fatores genéticos, ter metabolismo mais lento ou alterações hormonais, sedentarismo, ingestão      maior de alimentos mais calóricos, uso de certas medicações. Até mesmo fatores psicológicos podem desencadear o excesso de peso. 

Rocio destaca que em 95% ou mais das pessoas com obesidade as causas são múltiplas. A endocrinologista é enfática: “as pessoas dizem que é ‘só fechar a boca e está tudo certo. Quando quiser, emagrece’. Isso não é verdade. A obesidade é uma doença crônica, como o diabetes e a hipertensão, por exemplo. Boa parte dos indivíduos vão ter que cuidar disso o resto da vida”, afirma. 

Complicações

Com a pandemia do novo coronavírus, a discussão sobre o impacto da obesidade na saúde das pessoas aumentou, uma vez que o excesso de peso é fator de risco para maior gravidade da Covid-19. Segundo pesquisas, pacientes com obesidade têm 113% mais chances de serem hospitalizados quando infectados pelo vírus. 

No entanto, a doença também pode anteceder inúmeras complicações como doenças cardiovasculares, apneia do sono, gordura no fígado, colesterol alto, hipertensão, depressão, lesões articulares, entre outras. A obesidade é o      principal fator de risco para o diabetes tipo 2, por exemplo. Estudos apontam que a doença aumenta a chance de as mulheres desenvolverem infertilidade e câncer de mama na pós menopausa. Nos homens, por sua vez, a obesidade pode causar disfunção erétil. 

Segundo a endocrinologista, as consequências do excesso de peso vão muito além da estética, pois traz problemas de saúde e de sociabilidade, inclusive afetando a produtividade no ambiente de trabalho. “O número de complicações que essas pessoas vão adquirindo é muito maior do que as pessoas com peso adequado”, explica. 

Arte: Brasil 61

Tratamento

Assim como as causas são multifatoriais, o tratamento para a obesidade pode ter vários caminhos, embora      Rocio afirme: “dieta e exercício físico é a base para qualquer pessoa com sobrepeso ou obesidade independente de utilizar medicação ou mesmo cirurgia para o tratamento da obesidade”. Nos casos mais avançados, isto é, em que o Índice de Massa Corpórea (IMC) igual ou maior que 35 com comorbidade associada ou igual ou maior de 40, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a cirurgia bariátrica (redução de estômago).

No entanto, a endocrinologista recomenda que não existe receita mágica. Cada pessoa deve buscar ajuda para entender o melhor tratamento para si. “Um médico vai conseguir individualizar o tratamento. Procure um profissional que tenha conhecimento para tratar obesidade”, indica. 

Ministério da Saúde vai liberar recursos para combater obesidade, diabetes e hipertensão na pandemia

Conscientização

De acordo com o Ministério da Saúde, 55,7% da população adulta do Brasil está com excesso de peso e 19,8% têm obesidade. Visando alertar a população para essa outra pandemia, comemora-se, nesta quarta-feira (4) o Dia Mundial da Obesidade.      
     
Para saber mais informações sobre a obesidade e calcular o seu IMC, acesse o site da campanha www.saudenaosepesa.com.br ou siga o perfil @saudenaosepesa para dicas e informações diárias sobre obesidade no Instagram.     
 

Copiar o texto
07/12/2020 01:00h

Cientistas encontraram indícios de que as células de gordura podem expelir substâncias que interfiram no processo de cura do câncer de mama

Baixar áudio

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) encontraram indícios de que pessoas obesas podem ter quadros mais severos de câncer de mama devido à eliminação de fluidos das células de gordura. As partículas são jogadas na corrente sanguínea e podem ocasionar um processo inflamatório, ou o agravamento do câncer de mama, caso a pessoa tenha câncer.

Levantamento aponta risco médio de infestação de dengue em Itajaí (SC)

Pesquisa americana aponta melhor material de EPI contra a covid-19

Aumento de casos da Covid-19 no Brasil é apontado pela Fiocruz

Segundo a especialista Ana Carolina Salles, médica oncologista, o processo que ocorre nas células de pessoas obesas podem influenciar no surgimento de mutação genética, além de impactar negativamente nas chances de cura de um paciente que tenha a doença, regredindo estágios potencialmente já curados. “A obesidade leva ao aumento do depósito de gordura no fígado, que leva à resistência à insulina que pode desencadear a produção de substâncias que ativam as vias da carcinogênese (processo de formação do câncer) podendo levar a um câncer de mama. Pacientes que já tenham um diagnóstico de câncer de mama e que fizeram tratamento com a intenção curativa, caso comecem a ganhar muito peso, também podem desenvolver resistência à insulina e ter um aumento do risco de reincidir a doença”. 

Em um comparativo com pessoas saudáveis, a pesquisa ainda não afirma, com certeza, que as pessoas obesas têm maior risco de desenvolver células mais agressivas e invasivas de câncer de mama, mas indica os caminhos para o desenvolvimento de outros estudos de testes diagnósticos e de técnicas terapêuticas para o problema.

O câncer pode ser causado por fatores externos que podem ser prevenidos, como substâncias químicas, radiação, e vírus, além de fatores internos, como hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas, difíceis de serem controlados. Portanto, a maneira mais fácil de proteger a saúde, segundo o consultor da Fundação do Câncer, Alfredo Scaff, é manter o peso ideal para não agravar nenhuma doença. "Isso realmente é preocupante, porque todos nós sabemos que a obesidade é um cofator no agravamento de diversas doenças, como a hipertensão arterial, a Covid-19 e até mesmo o câncer. Então temos que tentar, o máximo possível, nos manter dentro do nosso peso saudável, nos alimentar da maneira saudável, e quem estiver acima do peso deve emagrecer”, recomenda.

Os especialistas recomendam para que todos estejam atentos às mudanças do corpo, tanto mulheres, quanto homens. No caso das mulheres, a partir dos 40 anos, um exame de mamografia deve ser feito todos os anos para o rastreio da doença, além do autoexame que pode ser feito sempre por meio do toque. Já para os homens, casos menos comuns da doença, a recomendação é que, se houver alguma identificação de alteração na mama, como secreção, enrugamento da pele ou aparecimento de caroços, procure um médico.

Copiar o texto
04/11/2020 16:00h

Esses recursos não serão permanentes, mas de caráter excepcional e temporário no contexto da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) decorrente da pandemia da Covid-19

Baixar áudio

O Ministério da Saúde vai repassar recursos do Governo Federal para ampliar o cuidado e a atenção às pessoas com obesidade, diabetes mellitus ou hipertensão arterial sistêmica no âmbito da Atenção Primária à Saúde, no Sistema Único de Saúde (SUS). Esses recursos não serão permanentes e, conforme foram apresentados no Diário Oficial da União, são de caráter excepcional e temporário no contexto da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) decorrente da pandemia da Covid-19.

A decisão para investimento desses recursos, por parte do Ministério da Saúde, leva em consideração o atual contexto da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e o risco relacionado ao aumento de complicações e agravamento dos sintomas da Covid-19, maior ocorrência e período de internações, maior risco de utilização de ventilação mecânica e internação em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), bem como maior risco de óbitos entre menores de 60 (sessenta) anos em indivíduos com obesidade, diabetes e hipertensão.

O incentivo financeiro de que trata Nº 2.994, de 29 de Outubro de 2020, define que os recursos serão transferido aos municípios e Distrito Federal em parcela única para 5.505 municípios do País no valor total de R$ 221.811.937,50 reais. 

Confira aqui quanto o seu município vai receber

Copiar o texto
Saúde
27/10/2020 00:00h

PNS 2019 coletou dados de atenção básica à saúde pela primeira vez e mostrou que usuários com morbidades avaliaram melhor os serviços do que os que não apresentavam doenças; ainda assim, Brasil ficou abaixo da meta de excelência

Baixar áudio

Quem utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS) com maior frequência avalia mais positivamente a qualidade dos serviços prestados na área de Atenção Primária à Saúde (APS). A conclusão foi tirada de um levantamento feito no ano passado e divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que coletou, pela primeira vez na história, informações sobre a APS. Os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019) mostraram que pessoas com morbidades, como hipertensão e diabetes, pontuaram melhor os serviços do que pessoas que não tinham nenhuma dessas doenças.   

Em parceria com o Ministério da Saúde, a PNS foi a campo no ano passado com um novo módulo de avaliação dos cuidados médicos prestados nas unidades básicas de saúde e unidades de saúde da família. O questionário foi composto por 26 quesitos. Foram esses quesitos que possibilitaram aos pesquisadores um cálculo para tentar alcançar a pontuação média de 6,6, que indica excelência na atenção à saúde. Mas numa escala de zero a dez, o Brasil pontuou em 5,9, abaixo do esperado. 

Os entrevistados que indicaram doença do coração deram nota 6,4; diabetes, 6,3; hipertensão, 6,2; depressão, 6,1 – ou seja, notas superiores aos que não possuem estas morbidades. Aqueles que recebem visitas de agentes comunitários de saúde e/ou visitas de agentes de endemias também atribuíram nota superior à média alcançada pelo País. “São pessoas que utilizam mais o SUS e que o utilizam de forma mais intensa”, avalia a analista do IBGE Flávia Vinhaes. 

Para o médico Gonzalo Vecina Neto, também professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) e um dos idealizadores do SUS, a pesquisa só reforça a importância da área preventiva do Sistema. “Vejo como positiva essa resposta. Indica que estamos no caminho certo, que temos que melhorar a assertividade da atenção primária.” 

Na opinião dele, reconhecer o SUS como essencial é um dos legados que a pandemia deixou. “De repente descobrimos que ter um sistema de saúde de base universal e gratuita é fundamental para que consigamos construir uma sociedade melhor e mais evoluída. Nós já sabíamos que educação, por exemplo, é uma questão muito importante, mas não tínhamos essa percepção da saúde”, pontua Vecina.    

De acordo com os dados da PNS 2019, 17,3 milhões (10,7%) de pessoas de 18 anos de idade ou mais procuraram algum serviço da Atenção Primária à Saúde nos seis meses anteriores à entrevista. Entre elas, cerca de 70% eram mulheres, 53,8% não tinham uma ocupação e 64,7% tinham renda domiciliar per capita inferior a um salário-mínimo. 

Ainda segundo a pesquisa, mais de 25% da população com 18 anos ou mais de idade (41,2 milhões de pessoas) estava obesa, sendo 29,5% mulheres e 21,8% homens. Cerca de 60,3% da população nesse grupo etário (96 milhões de pessoas) estava com sobrepeso. Essa proporção entre as mulheres (62,6%) superou a dos homens (57,5%).

O excesso de peso ocorria em quase 20% dos adolescentes de 15 a 17 anos, sendo em 22,9% das moças e em 16% dos rapazes. A obesidade ocorria em 6,7% dos adolescentes: 8% no sexo feminino e 5,4 % no sexo masculino.

Pesquisa aponta que país gasta R$ 1.398,53 em despesas relacionadas à saúde pública por habitante

“Os hábitos alimentares e o sedentarismo podem ser as principais causas desse retrato que a PNS 2019 apresenta, mas é fundamental que, a partir dos dados, os especialistas em saúde pública e as autoridades estruturem políticas e programas de combate ao excesso de peso e à obesidade”, sugere Flávia Vinhaes. 

A especialista em direito médico Mérces Nunes acredita que a PNS 2019 é de “absoluta relevância” para que se conheça a realidade da saúde de brasileiros e brasileiras. “Ela tem um significado muito relevante nesse contexto de saúde. Os resultados certamente vão orientar as autoridades de saúde, principalmente em relação às políticas públicas que deverão ser desenvolvidas e implementadas em toda a rede”, projeta. 

No entendimento de Mérces, houve efetiva melhora na prestação dos serviços na APS. “Houve uma melhora do próprio sistema. Além disso, a pesquisa evidencia o aumento da confiança da população no SUS”, afirma a especialista. “É sempre por meio da atenção primária que são tomadas ações e medidas preventivas, educativas e orientativas, entre outras, capazes de enfrentar as causas e os fatores de risco à saúde, tanto individualmente quanto no âmbito populacional, sempre buscando que se evite uma condição clínica ou agravamento de uma já existente”, completa. 


 
Obesidade e subnutrição

Entre 2003 e 2019, os resultados de duas pesquisas do IBGE, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e a PNS, mostraram que a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade do país saltou de 12,2% para 26,8%. Nesse período, a obesidade feminina passou de 14,5% para 30,2% e se manteve acima da masculina, que subiu de 9,6% para 22,8%.

A proporção de pessoas com excesso de peso na população com 20 anos ou mais de idade no País subiu de 43,3% para 61,7% nesse mesmo período. “Há evidências epidemiológicas de que a incidência de várias doenças, como as cardiovasculares e diabetes, aumentam significativamente com o crescimento do índice da massa corporal”, avisa Flávia Vinhaes, analista do IBGE. 

Em contrapartida, Mérces Nunes destaca que houve aumento no que diz respeito à insegurança alimentar. “Os dados mostram que houve um aumento no grau de desnutrição de uma determinada parcela da população, e isso é extremamente preocupante. A fome deve ser combatida com programas específicos e por todos os meios, especialmente de forma conjunta para eliminar essa condição indigna e ultrajante em que parte da população ainda está submetida”, alerta. 

Segundo a pesquisa, a prevalência de déficit de peso em adultos com 18 anos de idade ou mais foi de 1,6%, (1,7% para homens e 1,5% para mulheres), ficando, portanto, bem abaixo do limite da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5% esperado na população para indivíduos constitucionalmente magros.

O levantamento apontou que, em quase todos os grupos de idade, a prevalência de déficit de peso dos homens é sempre um pouco mais elevada. A exceção são os idosos (60 anos ou mais). Nesse grupo, a prevalência das mulheres é ligeiramente maior (2,9%) que a dos homens (2,2%). 

Copiar o texto
09/09/2020 13:00h

Estudo atestou que sobrepeso, por si só, é fator risco para o agravamento da doença

Baixar áudio

Estudo publicado por pesquisadores brasileiros concluiu que a probabilidade de uma pessoa obesa desenvolver a forma grave da Covid-19 é alta, independente da idade, do sexo, etnia e da existência de comorbidades, como diabetes e hipertensão.

Os autores atestaram que a obesidade, por si só, é um fator que favorece a progressão rápida do novo coronavírus e aumenta as chances de pacientes serem internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e a probabilidade da doença levar ao óbito dos infectados. 

Pesquisadores da UnB estudam eficácia de imunobiológicos no tratamento da Covid-19

O estudo incluiu dados de nove estudos clínicos que, juntos, acompanharam a evolução da Covid-19 em 6.577 pacientes de cinco países. O artigo foi publicada na revista científica Obesity Research & Clinical Practice. 
 

Copiar o texto
Saúde
07/06/2020 10:24h

Profissionais da área afirmam que os pais precisam cuidar da alimentação dos filhos e apoiá-los durante o tratamento da doença

Baixar áudio

A obesidade infantil atinge 12,9% das crianças brasileiras entre 5 e 9 anos de idade, de acordo com o Ministério da Saúde. A pasta ainda afirma que crianças acima do peso têm mais chances de se tornarem adolescentes e adultos obesos. No último dia 3, foi celebrado o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil, data que tem como objetivo alertar sobre os males da doença e as melhores formas de combatê-la. 

Além do peso, o diagnóstico da obesidade infantil leva em conta fatores como altura, idade e sexo. O professor do Departamento de Pediatria da Universidade de Brasília (UnB) Luiz Cláudio de Castro diz que a doença pode propiciar o surgimento de diversas outras patologias, como hipertensão e diabetes. E, em meio à pandemia do novo coronavírus, a preocupação precisa ser redobrada. 

“Se ela tiver essas complicações da obesidade, então o risco de evoluções mais desfavoráveis da Covid-19 fica ainda maior”, afirma o professor.

Parceria

O cardiologista Mauricio Jaramillo Hincapie alega que o tratamento da obesidade em crianças tende a ser mais longo e complicado, em comparação ao dos adultos, elas costumam não compreender a necessidade de ser perder peso. Ele diz que o apoio da família é fundamental durante esse período. “O cuidado baseia-se na redução da ingestão calórica, aumento do gasto energético, modificação comportamental e envolvimento familiar no processo de mudança.”

Isis Cristina Lima, nutricionista materno infantil, afirma que o suporte da família com crianças acima do peso é de suma importância, porque além das doenças físicas, os pequenos podem também desenvolver quadros de ansiedade e depressão.  “O sobrepeso e a obesidade podem ocasionar bullying nas crianças, o que aumenta o nível de estresse, podendo levar a doenças emocionais, como depressão, ansiedade, rejeição, entre várias. Então, não só uma questão física”, diz. 

Especialistas defendem que pais devem incentivar os filhos a terem refeições mais balanceadas, com a priorização de alimentos naturais em detrimento de comidas industrializadas, e também encorajar os pequenos a praticarem atividades físicas. De acordo com eles, a obesidade infantil pode ser ocasionada por fatores genéticos e metabólicos, mas também está associada à má alimentação e ao sedentarismo.

Copiar o texto
Brasil 61