Foto: Fuu J/Unsplash
Foto: Fuu J/Unsplash

Risco de AVC pode estar associado à circunferência da cintura

Neurocirurgião e especialista em AVC afirma que até 80% dos casos podem ser prevenidos com mudanças básicas no estilo de vida


O volume da circunferência abdominal está intrinsecamente relacionado  ao maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e hemorragia cerebral. É o que aponta estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido. A enfermidade também é conhecida como derrame e trata-se da consequência da alteração de fluxo sanguíneo no cérebro. 

O neurocirurgião e especialista em AVC, Victor Hugo Espíndola, afirma que essa possibilidade é um fato e precisa receber atenção de especialistas e dos próprios pacientes. "Os pacientes que têm um aumento da da cintura abdominal são os pacientes obesos e principalmente são pacientes que têm o aumento da gordura visceral, que sabemos que é o tipo de obesidade mais grave e que propicia o aumento do risco de AVC”, destaca. 

“A gente sabe que tem essa ligação porque a obesidade é um dos principais fatores de risco do AVC porque na grande maioria das vezes além de ter problema de colesterol associado ela é acompanhada de outras doenças como a hipertensão arterial e o diabetes, que são os dois principais riscos do AVC isquêmico e também do AVC hemorrágico”, completa.

O especialista também diz que até 80% dos casos de AVC podem ser prevenidos com mudanças básicas no estilo de vida, como o controle da pressão arterial, do diabetes, controle da obesidade, interrupção do tabagismo e prática de atividades físicas para evitar o sedentarismo.

Subtipos de AVC

De acordo com o Ministério da Saúde, existem dois subtipos de AVC, o acidente vascular isquêmico ou infarto cerebral responde por 80% dos casos. A condição ocorre quando há entupimento dos vasos cerebrais, o que pode se dá devido a uma trombose ou embolia - quando um trombo ou uma placa de gordura originária de outra parte do corpo se solta e chega aos vasos cerebrais pela rede sanguínea. 

O outro tipo é conhecido como acidente vascular hemorrágico. Trata-se do rompimento dos vasos sanguíneos que se dá na maioria das vezes no interior do cérebro, também conhecido como hemorragia intracerebral. Em outros casos, ocorre a hemorragia subaracnóide, onde o sangramento entre o cérebro e a aracnóide (uma das membranas que compõem a meninge). Como consequência imediata, há o aumento da pressão intracraniana, que pode resultar em maior dificuldade para a chegada de sangue em outras áreas não afetadas e agravar a lesão. Esse subtipo de AVC é o mais grave e tem altos índices de mortalidade.

Fabrícia Chacon, de 44 anos, é moradora de Brasília e analista de sistemas. Em julho de 2017, enquanto trabalhava, ela começou a passar mal e decidiu ir ao hospital. Após uma série de exames, foi diagnosticada com Síndrome Anti-fosfolípide (SAF), um tipo de trombofilia que pode acarretar a formação de coágulos sanguíneos.

“Eu estava no trabalho, comecei a passar mal, minha pressão começou a subir e eu comecei a suar. Liguei pro meu marido, ele me levou para o hospital. Lá, já não conseguia ficar em pé. Minhas pernas já não respondiam e eu tive muita dificuldade na fala. Então eu fui pra UTI e fiz um trabalho com uma fonoaudióloga para poder desenrolar a língua”, completa Fabrícia.
Após esse episódio, Fabrícia procurou fazer uma reeducação alimentar para poder comer de forma mais saudável, pois comia muita fritura e alimentos gordurosos.  

Síndrome Respiratória Aguda Grave tem queda em população adulta, aponta FioCruz
IMUNIZAÇÃO INFANTIL: Campanha do UNICEF mobiliza pais e responsáveis no combate à baixa cobertura vacinal; confira spot

O Ministério da Saúde alerta para os sintomas e sinais de AVC. Confira:

  • Fortes dores de cabeça, de início súbito, sobretudo se acompanhada de vômitos;
  • Fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetando um dos lados do corpo;
  • Paralisia (dificuldade ou incapacidade de se movimentar);
  • Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que se diz;
  • Perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.
     

Receba nossos conteúdos em primeira mão.

LOC.:  O volume da circunferência abdominal está intrinsecamente relacionado  ao maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e hemorragia cerebral. É o que aponta estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido. A enfermidade também é conhecida como derrame e trata-se da consequência da alteração de fluxo sanguíneo no cérebro. 
Segundo o neurocirurgião e especialista em AVC, Victor Hugo Espíndola, essa relação é um fato e, para evitar maiores complicações, os pacientes precisam mudar alguns hábitos que envolvem, principalmente, boa alimentação e prática de exercícios físicos. 
 

TEC./SONORA: Victor Hugo Espíndola - neurocirurgião e especialista em AVC

"Os pacientes que têm um aumento da da cintura abdominal são os pacientes obesos e principalmente são pacientes que tem o aumento da gordura visceral, que sabemos que é o tipo de obesidade mais grave e que propicia o aumento do risco de AVC. A gente sabe que tem essa ligação porque a obesidade é um dos principais fatores de risco do AVC porque na grande maioria das vezes além de ter problema de colesterol associado ela é acompanhada de outras doenças como a hipertensão arterial e o diabetes, que são os dois principais riscos do AVC isquêmico e também do AVC hemorrágico.”
 


LOC.:  Fabrícia Chacon, de 44 anos, é moradora de Brasília e analista de sistemas. Em julho de 2017, ela foi diagnosticada com Síndrome Anti-fosfolípide, o que causa formação de coágulos sanguíneos. Para ela, foi um momento delicado. 
 

TEC./SONORA: Fabrícia Chacon - analista de sistemas

“Eu estava no trabalho, comecei a passar mal, minha pressão começou a subir e eu comecei a suar. Liguei pro meu marido, ele me levou para o hospital. Lá, já não conseguia ficar em pé. Minhas pernas já não respondiam e eu tive muita dificuldade na fala. Então eu fui pra UTI e fiz um trabalho com uma fonoaudióloga para poder desenrolar a língua.”
 


LOC.:   De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sintomas e sinais de AVC são fortes dores de cabeça, de início súbito, sobretudo se acompanhada de vômitos; fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetando um dos lados do corpo; dificuldade ou incapacidade de se movimentar; entre outros.

Reportagem, Sophia Stein