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LOC.: Levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados, voltado à análise da universalização dos serviços de saneamento básico, evidencia que oito dos 20 municípios com pior desempenho em 2025 são capitais estaduais do Norte e Nordeste: Recife (PE), Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).
Os dados da 17ª edição do Ranking do Saneamento, com o foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil, revelam que as maiores dificuldades relacionadas ao saneamento básico entre as capitais brasileiras estão concentradas nessas regiões.
Nesse recorte, o estudo aponta que o Norte é a região mais afetada. Cidades como Porto Velho, Macapá e Rio Branco apresentam os menores índices de coleta, tratamento de esgoto e abastecimento de água.
Segundo a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, o baixo desempenho está ligado à falta de prioridade. Sem planejamento e investimentos contínuos, os indicadores não evoluem.
TEC./SONORA: Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil
"Ainda falta priorização em relação a esse tema. Então, por isso, os investimentos não acontecem e a gente não vê também o indicador evoluir".
LOC.: Das 27 capitais brasileiras, apenas cinco tratam mais de 80% do esgoto gerado. Em contrapartida, quatro capitais não chegam nem a 20% de tratamento. Porto Velho trata pouco mais de 12%, enquanto Macapá e São Luís também figuram com porcentagens críticas.
Na coleta total de esgoto, apenas seis capitais superam 90% de cobertura. Já no abastecimento de água, apesar da média nacional ser de 94%, capitais como Porto Velho e Macapá registram menos de 40% de atendimento à população.
Em relação aos investimentos, entre 2019 e 2023, foram aplicados R$ 30 bilhões em saneamento nas capitais. São Paulo concentra quase 40% desse valor. Mas quando analisado o valor investido por habitante, apenas Cuiabá superou o patamar recomendado pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) de R$ 223,82.
De acordo com a presidente do Instituto Trata Brasil, municípios que mantêm os investimentos de forma consistente conseguem transformar o saneamento em prioridade e colher resultados no ranking.
TEC./SONORA: Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil
"Os municípios que se destacaram fizeram um planejamento de longo prazo em relação ao saneamento básico. Viram quais obras são necessárias serem feitas e o que precisaria ser feito para universalizar. Transformaram o saneamento básico em uma política de estado, mantendo os investimentos ano a ano e não alterando essa política que havia sido estabelecida. Isso ajuda muito para que o saneamento avance”
LOC.: Rio Branco teve o menor investimento per capita, com apenas R$ 8,09. O fator justifica parcialmente a posição do município como último do ranking de 2025.
Reportagem, Maria Clara Abreu.