Inflação

19/09/2022 20:40h

Instituições financeiras reviram, para cima, pela 12ª semana consecutiva, a projeção de estimativa de expansão da economia do país para este ano. Previsão para a inflação também caiu

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O mercado aumentou de 2,39% para 2,65% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2022. É o que mostra o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, nesta segunda-feira (19). Esta foi a 12ª semana consecutiva em que as instituições financeiras reviram para cima a projeção de estimativa de expansão da economia do país para este ano. 

Há quatro semanas, o mercado apostava que a economia brasileira cresceria 2,02% em 2022. A atualização vem quatro dias após a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia elevar de 2% para 2,7% a sua estimativa de alta do PIB. 

Para Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central, o otimismo crescente quanto ao futuro imediato da economia brasileira tem várias explicações. “Se você olhar a economia, a conjuntura não está ruim, não. O estado fiscal é muito bom. A relação dívida/PIB está se aproximando de uma situação bem mais tranquila. A subida da taxa de juros fez efeito sobre a inflação, que está caindo. E há uma grande capacidade ociosa e bastante mão de obra empregada, ou seja, há um espaço para a economia crescer”, avalia. 

Em relação ao PIB de 2023, as instituições que compõem o Relatório Focus mantiveram a projeção da semana passada: alta de 0,5%.“Para o ano que vem, as expectativas são boas, porque a nova administração, seja da oposição ou a atual, vai encontrar uma situação fiscal em que a dificuldade vai ser só manter o que já foi feito por esse governo. Eu acho que tem espaço para o próprio governo aumentar o investimento público em infraestrutura”, acredita Carlos Eduardo.  

Inflação e taxa de juros

Já em relação à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o mês de agosto em 8,73%, o mercado revisou-o para baixo. A expectativa é de que a inflação feche o ano em torno de 6%. Foi a 12ª atualização, para baixo, seguida da inflação para 2022. Para o ano que vem, a projeção continua em 5,2%. 

O mercado também acredita que a Selic, a taxa básica de juros da economia, vai fechar o ano em 13,75%, mesmo patamar atual. Para o ano que vem, a estimativa é de que o Bacen derrube a Selic em 2,5%, atingindo os 11,25%. 

IBC-Br: “prévia do PIB” cresce 1,17% em julho, segundo Banco Central

Indústria cresce 2,2% no segundo trimestre e puxa alta do PIB

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12/09/2022 16:45h

A redução no preço dos combustíveis está entre os fatores da queda do IPCA

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa os dados oficiais da inflação no país, teve queda de 0,31% em agosto. A deflação foi menos intensa do que a registrada em julho, que bateu na casa de -0,68%, quando a taxa foi a menor desde o início da série histórica da pesquisa, em janeiro de 1980. O reflexo dessa oscilação é que a inflação acumula agora alta de 4,39% no ano e de 8,73% em 12 meses. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda segundo pesquisa do IBGE, as passagens aéreas caíram 12,07% no mês de agosto, após quatro meses consecutivos de alta influenciada pelo período de férias de julho. Já no segmento comunicação, a queda foi de 1,10%, com redução de 6,71% nos planos de telefonia fixa e de 2,67% para telefones celulares.

Essa queda dos preços em relação ao mês de julho foi mais uma vez impulsionada pela redução do preço dos combustíveis, além da isenção do ICMS e da recente redução internacional do petróleo.  Os cortes da Petrobrás nos preços da gasolina na refinaria também contribuíram para a oscilação negativa.

Para a coordenadora de Análises Econômicas e Contas Regionais do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, Jéssica Milker, a atual deflação está ajudando a população a recuperar parte do poder de compra perdido nos últimos meses.

 “A população acaba se beneficiando deste comportamento dos preços porque fica mais barato se deslocar, ir ao mercado, ao cinema e até viajar. E qualquer dinheirinho que sobra no bolso do brasileiro ele pode usar para adquirir outros bens e serviços. Ou seja, essa deflação está ajudando a recuperar uma parte do poder de compra que ele perdeu nos últimos meses”.

Caixa registra recorde no crédito imobiliário, com R$ 16,6 bilhões em agosto

Apesar da queda de preço entre vilões da inflação dos meses passados, como leite, óleo de soja e tomate, outros itens importantes na mesa do brasileiro ficaram mais caros, como o frango em pedaços, queijo e frutas. Houve aumento de 0,24% em produtos do grupo alimentação e bebidas.

De acordo com o economista e Coordenador de Estudos e Avaliação de Políticas Socieconômicas do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF, Rafael Richter, a queda dos preços de alguns alimentos e bebidas já é algo a se comemorar.

"A nossa inflação de alimentos em agosto veio 0,24%, o que acaba sendo um alívio, a gente já vinha vindo num ciclo de crescimento dos alimentos há algum tempo, alguns itens estavam pesando um pouco mais", avalia. "Então temos essa diminuição nos óleos e gorduras, hortaliças e verduras, tubérculos e legumes, são itens que participam bastante da cesta alimentar do brasileiro que vão poder integrar um pouco mais essas quedas", observa.

Entre as altas, destaque também para o grupo de saúde e dos cuidados pessoais, com aumentos nos preços de 0,17% em agosto. A habitação teve alta de 0,10% e os vestuários, 1,69%.
 

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Economia
29/08/2022 04:45h

Otimismo acompanha todos os perfis socioeconômicos, mas é maior para quem ganha mais, aponta estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a FSB, mostra que 56% dos brasileiros avaliam que a situação econômica pessoal vai melhorar até o fim do ano. Também de acordo com o estudo,  23% acham que não haverá mudança, e 16% acreditam que as dificuldades irão aumentar.  

O otimismo em relação à situação econômica pessoal ocorre mesmo em meio à inflação de 10,07% nos últimos 12 meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica o que está por trás dessa avaliação. 

“A gente acredita em duas coisas: uma delas é que a inflação aparentemente passou do seu pior ponto. Aquela sensação de alta generalizada nos preços parece ter ficado para trás e isso dá algum otimismo para a população”, acredita. 

O segundo fator é a queda do desemprego. “A gente vê uma recuperação importante do mercado de trabalho. Então, as pessoas estão conseguindo emprego, sentindo-se mais seguras no seu próprio emprego e tem a crença de que isso deve continuar até o final do ano e, por isso, essa crença de uma situação econômica pessoal melhor”, completa. 

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Brasil teve saldo 277.944 de vagas (diferença entre admissões e demissões) no mercado de trabalho no primeiro semestre deste ano. Em 2021, o saldo foi de quase 2,7 milhões. 

Otimismo proporcional à renda

Embora haja confiança de que a situação econômica pessoal vai melhorar independentemente da faixa salarial, a expectativa de dias melhores aumenta conforme a renda sobe, indica o levantamento. Entre os entrevistados que ganham até um salário mínimo e meio, 53% creem que as finanças vão melhorar até o fim do ano. Essa é a percepção de 67% daqueles que recebem mais do que cinco salários mínimos. 

Azevedo atribui essa diferença ao peso da inflação, principalmente dos alimentos sobre o orçamento das famílias mais pobres. 

"Historicamente, até por conta dessa maior folga que as famílias com maior renda têm, elas se mostram um pouco mais otimistas. Além disso, dá para apontar também os preços dos alimentos, que são itens muito importantes para aquelas famílias com renda menor, que foram pesadamente elevados e a situação financeira foi muito prejudicada e, por isso, acaba que há um ceticismo maior com a melhora”, avalia. 

Sobre a inflação, 64% dos entrevistados disseram que tiveram que reduzir gastos nos últimos seis meses. O percentual daqueles que fizeram cortes indicado na pesquisa de julho permaneceu igual ao do levantamento feito em abril. 

Entre aqueles que reduziram gastos nos últimos seis meses, 37% apontaram que o grau de corte de despesas foi médio; 29%, grande; 17%, muito grande; e 15%, pequeno. Seis em cada dez entrevistados acreditam que a redução de gastos é temporária. Um a cada três creem que será permanente. 

Foram entrevistadas 2.008 pessoas com idade a partir de 16 anos, nas 27 unidades da federação, entre 23 e 26 de julho. O levantamento traz as percepções sobre a situação das finanças pessoais, hábitos de consumo, inflação e endividamento.  

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Inflação: dois em cada três brasileiros tiveram que cortar gastos nos últimos seis meses

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Setor de serviços cresce 0,7% em junho, diz IBGE

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Economia
29/08/2022 04:15h

Segundo o IBGE, taxa de desocupação foi de 9,3% no trimestre que acabou em junho, a menor em sete anos. É o melhor índice desde o início do atual governo

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Há sete anos o Brasil não registrava uma taxa de desemprego tão baixa. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a taxa de desocupação ficou em 9,3% no trimestre que acabou em junho. É a menor porcentagem de brasileiros fora do mercado de trabalho para o mesmo período desde 2015, quando o índice fechou em 8,4%. Especialistas explicaram ao Brasil 61 as causas da queda constante do desemprego no país e os efeitos positivos na economia. 

A taxa de desocupação no Brasil vem caindo desde março do ano passado –  exceção feita à alta de 0,1% na virada de 2021 para 2022. À época, o país se aproximava do pico da segunda onda da pandemia de Covid-19, e a atividade econômica sofria inúmeras restrições. O desemprego atingiu 14,9% das pessoas na força de trabalho, o pior resultado desde 2012, quando a série histórica começou. 

Para Fernanda Mansano, economista-chefe do Grupo Empiricus, a queda do desemprego se explica pela reabertura das atividades e pelas medidas de estímulo do governo à economia. “O setor de serviços foi o setor mais afetado pelo isolamento social. Então, quando a gente começa a observar a maior mobilidade, a gente começa a ver esse setor de serviços reagindo e contratando novamente”, explica. 

“Principalmente no segundo trimestre a gente teve a liberação do FGTS, antecipação de décimo terceiro, muitos reajustes de salários. O conjunto disso tudo acaba estimulando a economia, principalmente pelo lado da demanda. Então, as pessoas estão comprando mais bens e serviços e, consequentemente, as empresas continuam vendendo mais e contratando mais para atender essa demanda que está mais aquecida”, completa Mansano. 

Arte: Brasil 61

Pierre Souza, professor de Finanças Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que a queda contínua da taxa de desemprego é “surpreendente”. “Não tem uma atividade econômica que está com uma elevação de PIB super significativa, tem inflação alta, os juros estão altos, então tem surpreendido essa contínua melhora no índice de desocupação”, diz.  

O especialista explica que o aumento no número de pessoas no mercado de trabalho era esperado com o arrefecimento da pandemia, e cita a contribuição do setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB do país. “É o setor que foi mais impactado pela pandemia, naturalmente, porque foi aquele em que as pessoas foram impedidas de trabalhar, mas é o setor, agora, que mais se supera, porque as pessoas estão voltando a consumir, a circular”, destaca. 

De acordo com o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país tem um saldo positivo de 4.106.419 empregos de janeiro do ano passado a junho deste ano. O setor de serviços gerou 2.031.372 novas vagas, quase metade do total. 

Contribuição dos pequenos negócios 

As micro e pequenas empresas são as que mais contribuem para o crescimento do mercado de trabalho no Brasil. De acordo com o Sebrae, a partir de dados do Caged, as MPE foram responsáveis por 961,9 mil vagas de emprego (72,1% do total) no primeiro semestre deste ano. Destaque para as micro e pequenas empresas do setor de serviços, que registraram saldo positivo de 533 mil postos de trabalho (diferença entre admissões e demissões) no período. 

O empresário Max Alexandre Martins é dono de um negócio que confecciona roupas no município de Balneário Gaivotas-SC. O cenário melhorou em 2022, após dois anos em que o objetivo da empresa foi “sobreviver” em meio à crise econômica da pandemia. “Esse ano, com a vacinação, com a população mais segura, apesar de a inflação estar alta e diminuir um pouco o poder de compra, a gente consegue ter uma perspectiva de produção para os próximos meses”, diz. 

A empresa de Alexandre tem 25 funcionários e fez contratações há pouco tempo. Segundo o empresário, o negócio poderia ter o dobro de trabalhadores, mas a falta de mão-de-obra qualificada impede a ampliação do quadro de funcionários. "Eu quero fazer contratações mais pontuais. Tem que ter experiência, tem que ter algum atrativo para eu contratar. Durante algum tempo eu contratei, ensinei a pessoa, mas agora eu estou tentando contratar pessoas que realmente saibam costurar. Estarei contratando para os próximos meses, mas a pessoa tem que ser profissional”, descreve. 

Mohara Cristina tem uma pequena empresa que vende roupas femininas em Brasília-DF. Ela conta que a “demanda aumentou significativamente” há cerca de três meses, o que a obrigou a contratar outra funcionária para o atendimento. “A demanda aumentou 30%. E a percepção é de aumentar ainda mais esse mês. Provavelmente, a gente vai precisar de uma outra social media pra cuidar da parte do Instagram, do site, porque a gente tem o nosso e-commerce também”, projeta. 

Ela atribui a maior procura à melhora do próprio produto e da organização interna do negócio, mas ressalta que seria difícil as vendas deslancharem sem a reabertura da economia. “Eu acredito que as clientes estejam mais seguras em gastar depois dessa muvuca da pandemia. Estou bem confiante, inclusive fazendo apostas para aumentar cada vez mais a nossa demanda, cada vez mais a equipe esse ano”, pontua. 

Arte: Brasil 61

Círculo virtuoso

A queda do desemprego é um indicador positivo por si só. Mas o fato de mais pessoas estarem empregadas – a maior quantidade da história em números absolutos, segundo o IBGE – também ajuda a formar um círculo virtuoso na economia, explica Pierre Souza. “O maior benefício seria na questão do consumo, porque eu tenho mais gente empregada, ou seja, eu tenho mais gente com poder aquisitivo”, afirma. 

Se as pessoas consomem mais, a indústria, os serviços e a agricultura tendem a aumentar a produção e, por consequência, precisam contratar mais pessoas para atender à demanda crescente. Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o aumento do emprego é um dos fatores que contribui para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). 

“Estamos vendo a cada Boletim Focus um aumento na previsão de PIB. Porque quanto mais emprego você gera, mais renda você dá às pessoas, maior o consumo e, por isso, mais a economia se aquece e você tem um aumento do PIB”, detalha. 

Fernanda Mansano destaca que as pessoas com carteira assinada têm acesso a linhas de crédito com taxas menores. “Isso é positivo porque você acaba estimulando o crédito também na economia e, se mais pessoas [estão] empregadas, a chance de aumento de inadimplência também é menor. Então, isso também acaba, de certa forma, sendo positivo, de forma geral, para o crescimento econômico”. 

Projeção

Para Rodrigo, a taxa de desemprego deve continuar caindo ao longo do ano. “Deve fechar perto de 9%, de acordo com as expectativas de mercado”. A dúvida, segundo ele, é se o rendimento mensal real vai subir. No ano, o indicador acumula queda de 5,1%.

“O ponto que falta nessa conta toda é a questão da renda, porque a gente não está vendo a renda aumentar de forma significativa. Ou seja, tem mais gente empregada, mas com salários relativamente estáveis ou, inclusive, perdendo o poder de compra”, explica Pierre. 

Ele ressalta que a desocupação tende a cair ainda mais no fim do ano. “A gente caminha para uma época de datas comemorativas. Tem dia das crianças, final de ano, que são momentos que geralmente o desemprego também cai, ou seja, o momento é positivo”, finaliza. 

IPCA de julho é indicativo de que inflação pode começar a recuar, apontam especialistas

Desemprego apresenta queda em diferentes índices e alcança cenários da pré-pandemia

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12/08/2022 19:00h

O podcast Giro Brasil 61 faz uma seleção dos principais fatos e acontecimentos noticiados pelo Brasil61.com durante a semana

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No episódio desta semana (12), o podcast Giro Brasil 61 faz um alerta sobre golpe aplicado em beneficiários do INSS; saiba como se prevenir. Tem também os detalhes sobre o Plano de Contingência Nacional para a varíola dos macacos e a nova tecnologia de embarque biométrico facial na ponte aérea Rio-São Paulo. Confira ainda as informações sobre o aumento do corte de gastos com a alta da inflação e a preocupação dos brasileiros com a saúde financeira.

Aperte o play e confira! 

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11/08/2022 20:55h

De acordo com o IBGE, o IPCA de julho foi o menor registrado desde o início da série histórica, que começou em janeiro de 1980. Boletim Focus projeta que inflação oficial vai fechar o ano na casa dos 7%

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A queda de 0,68% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) em julho, segundo o IBGE, indica que a inflação pode começar a ceder, como previsto por analistas do mercado financeiro. O IPCA dos últimos 12 meses continua acima dos dois dígitos (10,07%), mas a tendência, segundo especialistas ouvidos pelo Brasil 61, é de que o indicador vai fechar o ano em torno dos 7%. 

Nas últimas seis edições do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado melhorou as projeções para a inflação. Há quatro semanas, o IPCA esperado era de 7,67%. A estimativa mais recente, publicada na última segunda-feira (8), foi de 7,11%. 

Segundo Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a deflação de julho é um sinal de que a inflação deve recuar nos próximos meses. “Espera-se que a inflação este ano feche em algo entre 7% e 9%, diferente do ano passado, em que tínhamos inflação de dois dígitos”, avalia. 

De acordo com o IBGE, o IPCA de julho foi o menor registrado desde o início da série histórica, que começou em janeiro de 1980. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, dois registraram deflação em julho: transportes (-4,51%) e habitação (-1,05%). O preço dos combustíveis, que ajuda a formar o primeiro, por exemplo, caiu 14,15% em julho. Destaque para a gasolina que, individualmente, foi o subitem que compõe o IPCA que mais contribuiu para a deflação. 

O professor de Finanças Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) Pierre Souza explica que o resultado se deve a duas intervenções feitas com o objetivo de controlar a inflação. “Principalmente na questão de tributos sobre combustíveis em geral, que fizeram com que a gente tivesse um recuo na inflação. Em paralelo a isso, tivemos uma série de aumentos da taxa de juros pelo Banco Central, que são exatamente para segurar a inflação”, pontua. 

No fim de junho, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei Complementar 194, de 2022, que limita em 17% ou 18% as alíquotas de ICMS que os estados podem cobrar sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. 

O professor Rodrigo Leite lembra que além da diminuição do ICMS sobre os combustíveis, a Petrobras diminuiu o preço de revenda da gasolina e do álcool para as refinarias e que tudo isso puxou a inflação para baixo em julho. 

Movimento semelhante ocorreu com a energia elétrica, um dos componentes do grupo de habitação. A energia elétrica residencial recuou 5,78%. Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou as revisões tarifárias extraordinárias de dez distribuidoras, o que contribui para a queda. 

A deflação, no entanto, não pôde ser tão percebida nas prateleiras do supermercado. Itens como leite longa vida, queijo, manteiga e frutas ficaram mais caros. A inflação dos alimentos e bebidas avançou 1,3%. Rodrigo explica o que impediu a queda no preço dos alimentos. 

“Quando você tem uma maior renda e a oferta estagnada, as pessoas vão competir pela mesma quantidade de produtos e o preço acaba subindo. Produtos com  a chamada ‘demanda inelástica’, que as pessoas vão comprar não importa o valor, vai ter uma tendência de crescimento rápido, que é o que estamos vendo com os alimentos, que mesmo com queda no valor dos combustíveis, acabaram subindo um pouco”, diz. 

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Economia
08/08/2022 04:00h

Percepção sobre as finanças pessoais piorou em relação ao início do ano, revela levantamento divulgado pela FSB e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta segunda-feira (8)

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Dois em cada três brasileiros tiveram que cortar gastos nos últimos seis meses. Além disso, 42% afirma que as finanças pessoais estão piores do que no início do ano. Os dados são da mais recente pesquisa sobre Comportamento e Economia, divulgada pela FSB e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta segunda-feira (8). 

Foram entrevistadas 2.008 pessoas com idade a partir de 16 anos, nas 27 unidades da federação, entre 23 e 26 de julho. O levantamento traz as percepções sobre a situação das finanças pessoais, hábitos de consumo, inflação e endividamento. 

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destaca que a pesquisa evidencia os efeitos econômicos da pandemia da Covid-19 e, mais recentemente, da guerra na Ucrânia no bolso dos brasileiros. 

“A elevação forte nos preços vem afetando demais a população brasileira. E com isso a população brasileira não está conseguindo cumprir suas obrigações, sem conseguir poupar e sem conseguir consumir. Sem o consumo, a roda da economia brasileira vai travando. Sem consumo, você tem uma menor produção. Com uma menor produção, você tem uma menor criação de empregos e menor investimento. É um processo de recuperação que poderia ser mais forte, mas ele vai sendo mais lento”, avalia. 

Finanças Pessoais

Ao serem questionados se a situação econômica pessoal do momento, no fim de julho, estava melhor que nos três meses anteriores, 42% dos entrevistados disseram que estava um pouco ou muito pior. Apenas 28% das pessoas afirmaram que as finanças pessoais estavam um pouco ou muito melhores do que no trimestre anterior. Para 29%, a situação estava igual. 

Apesar disso, há a percepção de que as finanças vão melhorar. Segundo a pesquisa, 56% dos entrevistados apostam que a situação econômica pessoal vai estar um pouco ou muito melhor até o final do ano; 23% acredita que estará igual; e 16% que vai piorar um pouco ou muito. 

Em relação à gestão das finanças pessoais, 44% dos entrevistados afirmaram que quase sempre ficam apertados, conseguem pagar as contas, mas não sobra dinheiro no fim do mês. Outros 29% disseram que conseguem administrar bem o dinheiro e guardar um pouco quase todo mês. 

Já 19% não conseguem pagar todas as contas e deixam algumas para o mês seguinte; 3% precisam pegar empréstimos ou ajuda para conseguir honrar as despesas; 2% utilizam o cheque especial para conseguir pagar as contas e 1% paga o mínimo do cartão de crédito e deixa a dívida rolar para o próximo mês. 

Seis a cada dez entrevistados disseram que reduziram despesas com lazer em 2022. Mais da metade também deixou de comprar produtos de uso pessoal, como roupas ou sapatos (58%), desistiu de viajar a passeio ou férias (57%) ou diminuiu os gastos com transporte particular (51%). 

“Com o orçamento apertado, as famílias estão tendo que apertar o cinto também e com isso reduzir o seu consumo de uma série de serviços ou produtos, principalmente aqueles ligados a lazer, por exemplo”, lembra Marcelo. 

Na hora de cortar despesas, os brasileiros evitaram atrasar contas de condomínio, aluguel ou prestação da casa; vender um bem ou bens para quitar dívidas; e deixar de pagar o plano de saúde. 

Saldos positivos de empregos em todo o país mostram ensaio de retomada

Especialistas explicam como investir no Tesouro Direto

Hábitos de consumo

A pesquisa também buscou entender os hábitos de compra dos brasileiros em 2022. O hábito mais comum, segundo os resultados, é a pechincha. Quase sete em cada dez participantes disseram que costumam pedir desconto. Em seguida, como hábito mais frequente está o uso do cartão de crédito. Cerca de 51% das pessoas usam esse meio de pagamento no dia a dia. Por outro lado, não é tão comum comprar produtos ou serviços no fiado; negociar empréstimos com outras pessoas; utilizar o crédito consignado ou o cheque especial. 

Questionados sobre o comportamento dos preços de alguns produtos e serviços nos últimos seis meses, 68% dos entrevistados afirmaram que o preço do gás de cozinha aumentou ou aumentou muito. Além do gás, entre os cinco itens que registraram a maior percepção de aumento estão arroz e feijão (64%); conta de luz (62%); carne vermelha (61%); e frutas, legumes e verduras (59%).  

Inflação 

Sobre a inflação, 64% dos entrevistados disseram que tiveram que reduzir gastos nos últimos seis meses. O percentual daqueles que fizeram cortes indicado na pesquisa de julho permaneceu igual ao levantamento feito em abril. 

Entre aqueles que reduziram gastos nos últimos seis meses, 37% apontaram que o grau de corte de despesas foi médio; 29%, grande; 17%, muito grande; e 15%, pequeno. 

Seis em cada dez entrevistados acreditam que a redução de gastos é temporária. Um a cada três creem que será permanente. O otimismo de que a situação econômica pessoal e do país vai melhorar até o final do ano encontra respaldo em alguns indicadores, diz Marcelo. 

“Isso se deve muito à recuperação do mercado de trabalho, da própria economia, que apesar dessas dificuldades, a gente percebe alguma recuperação em curso, uma criação de empregos, que certamente dará um ânimo, um aumento na renda das famílias”, acredita. 

Em relação à pretensão de gastos nos próximos seis meses, apenas 14% dos entrevistados acham que vão aumentar as despesas. A maior parte (45%) deve manter os gastos. Outros 38% pretendem diminuir os custos, segundo o levantamento. 

Endividamento

À pesquisa, apenas 22% das pessoas afirmaram ter contraído algum empréstimo ou dívida nos últimos 12 meses. A maioria (77%) negou. Entre aqueles que possuem alguma dívida, 48% estão inadimplentes e 52% estão em dia com os débitos. 

Ainda entre os que possuem dívidas, 49% acreditavam que iriam conseguir pagar as parcelas dos débitos nos 30 dias seguintes; ante 48% que não tinham essa expectativa. 

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Economia
03/08/2022 19:45h

Boa oportunidade para começar a investir em renda fixa após nova alta da Selic, a taxa básica de juros da economia

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a Selic, a taxa básica de juros da economia, de 13,25% para 13,75%, nesta quarta-feira (3). Especialistas afirmam que a Selic em alta é boa oportunidade para quem quer começar a investir no Tesouro Direto.

Em junho de 2022, mais de 34 mil pessoas passaram a ter saldo no programa, o que totaliza mais de dois milhões de brasileiros com aplicações desse tipo, segundo o governo federal. Mas, afinal, o que é e como investir no Tesouro Direto? 

Quem explica é Allan Augusto Gallo, mestre em Economia e Mercados pela Universidade Mackenzie. “O Tesouro Direto é uma modalidade de investimento em que você empresta o seu dinheiro para o governo federal e ele, ao final de determinado prazo, se compromete a devolver o seu dinheiro mais o ‘lucro’ que você teve daquele investimento, baseado em algum indicador econômico”. 

André de Souza, diretor de Investimentos do PagBank PagSeguro, diz que o Tesouro Direto é “um dos investimentos mais seguros do mercado brasileiro, pois é 100% garantido pelo Tesouro Nacional”. 

Assim como a poupança, o Tesouro Direto é um tipo de renda fixa, ou seja, um investimento em que é possível prever quanto aquele dinheiro aplicado vai render ao longo de um determinado período. Segundo os especialistas, o aporte em renda fixa é recomendado para quem está começando a investir. 

Como investir no Tesouro Direto

Segundo o site oficial do Tesouro Direto, qualquer pessoa pode começar a investir em títulos do governo com pouco mais de R$ 30. Para começar, é preciso ter um CPF e uma conta bancária (corrente ou poupança). Em seguida, fazer o cadastro no Tesouro Direto por meio do banco ou corretora. É por meio dessas instituições que você aplica o dinheiro e recebe o retorno, quando resgatar os investimentos no Tesouro Direto.

Depois do cadastro, você já pode começar a investir, seja pela plataforma da própria instituição financeira, seja pelo site ou aplicativo do Tesouro Direto. Antes de investir no Tesouro, os especialistas dizem que é importante ter em mente o objetivo daquele investimento. Isso porque o Tesouro Direto tem três modalidades, e cada uma delas é mais adequada a um tipo de meta. 

Modalidades do Tesouro Direto

A rentabilidade do Tesouro Selic é baseada na Taxa Selic. Allan Gallo explica que se o objetivo é fazer reserva de emergência e ter aquele dinheiro sempre disponível, o Tesouro Selic é a melhor opção. Isso porque tem liquidez diária e a Selic está alta. 

Outro tipo de aplicação é o Tesouro IPCA +. A rentabilidade também leva em conta  um valor prefixado: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. “Isso é muito interessante para quem tem vontade de deixar o dinheiro por longo período de tempo, para aposentadoria, comprar uma casa, porque não importa se a Selic está pra baixo ou pra cima, o tesouro IPCA mais a taxa vai estar sempre performando acima da inflação”, explica o economista. 

Existe também o Tesouro Prefixado. Ao investir nessa modalidade, você já sabe o quanto aquele dinheiro vai render e quanto vai receber na data do vencimento do título público. 

André de Souza afirma que ao dividir os objetivos em curto, médio e longo prazo, fica mais fácil saber como investir. “Por exemplo, se uma pessoa pretende comprar um carro daqui a cinco anos, deve optar por um título que tenha data de vencimento próxima à realização dessa compra, como o Tesouro IPCA +. Mas, se o objetivo desta pessoa é investir para a reserva de emergência, o mais adequado é o Tesouro Selic”, indica. 

Tesouro Direto x Poupança 

A poupança é o investimento em renda fixa mais popular do país. Também atrelado à Selic, o rendimento da poupança costuma ser menor que o do Tesouro Direto. Se a Selic for maior ou igual a 8,5% ao ano (o que é o caso, já que está em 13,75%), o rendimento será de 0,5% ao mês, mais a TR (Taxa Referencial). Ou seja, é um rendimento de 6% ao ano, mais a TR, que hoje é de 0,24%.

Já o Tesouro Selic, como o próprio nome indica, está atrelado à Taxa Selic. Isso quer dizer que deixar o dinheiro na poupança em vez de aplicar no Tesouro Selic vai trazer menos lucro. Jessyka Vieira, analista de sistemas, conta porque trocou a poupança pelo Tesouro. 

“Eu invisto no Tesouro Direto há um ano. Investia na poupança e resolvi trocar porque a rentabilidade do Tesouro está maior do que a da poupança. A vantagem de estar investindo no Tesouro é a possibilidade de ter o dinheiro guardado e rendendo alguma coisa pra mim. O meu objetivo maior é ter uma reserva de emergência”, conta. 

Gabriel Souza Lopes, 23 anos, é enfermeiro e investe no Tesouro Direto há dois anos. Ele utiliza o programa para manter a reserva de emergência e investe em outras aplicações para viagens e aposentadoria. “Na poupança rende muito pouco em relação ao Tesouro Direto. Eu invisto no Tesouro para ter esse rendimento diário maior do que a poupança e eu poder tirar quando quiser sem ter um prejuízo muito grande. E isso é uma das vantagens da renda fixa”, avalia. 

Allan Gallo explica que o investidor não tem por que desconfiar do Tesouro Direto por ser menos conhecido que a poupança. “A vantagem do Tesouro Direto é que você está tendo como garantia desse investimento o próprio governo. Para que o valor que você emprestou para o governo não seja pago, o cenário tem que ser apocalíptico. Agora, veja que engraçado: na época do Collor, todo mundo fala do confisco da poupança, que é um investimento considerado mais seguro, mais conhecido, mas naquela época ela foi confiscada. O Tesouro não”, lembra. 

“A poupança também é segura, mas possui uma rentabilidade muito pequena que, em períodos de inflação em alta, pode chegar a ter uma rentabilidade real negativa”, conclui André. 

Arrecadação do governo chega a R$ 181 bilhões em junho, aponta Receita Federal

Indústria aponta falta ou alto custo de matérias-primas como principal dificuldade dos últimos dois anos

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27/07/2022 17:10h

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o cenário interferiu na produção de 22 dos 25 setores analisados entre abril e junho de 2022. Preocupação com a taxa de juros também ganhou relevância no últimos 15 meses

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A falta ou o alto custo de matérias-primas são apontados como o principal problema enfrentado pela indústria de transformação, há oito trimestres seguidos. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o cenário interferiu na produção de 22 dos 25 setores analisados entre abril e junho de 2022.

O destaque é o setor de Impressão e Reprodução, no qual 71,7% das indústrias alegaram que as dificuldades com insumos foram o principal problema. Em segundo lugar está o setor de Produtos de Limpeza, Perfumaria e Higiene Pessoal, com 70%, seguido por Veículos Automotores, com 69,8%; Calçados e suas partes, com 68,3%; Indústrias de Bebidas, com 66%; Produtos de Borracha, com 63,3%; e Farmoquímicos e Farmacêuticos , com 62,5%.

A economista da CNI Paula Verlangeiro explica que as cadeias de insumos globais ainda não se recuperaram totalmente dos impactos provocados pela pandemia. Além disso, outros fatores mais recentes contribuíram para pressionar ainda mais os preços. 

“Uma série de problemas globais vem impactando e são elementos adicionais para reforçar ainda mais essa questão. Então, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e os severos lockdowns na China são outros elementos que trazem essa pressão adicional.”

Segundo a economista, cerca de metade da produção industrial é consumida como insumo pela própria indústria, o que impacta no preço final dos produtos aos consumidores. “Por isso, o problema de alto custo ou falta de matéria-prima é disseminado ao longo da cadeia e acaba repercutindo para o consumidor final, seja pela alta de preços ou pela dificuldade na produção”. 

De acordo com a pesquisa da CNI com os empresários, a expectativa é que o cenário se normalize apenas em 2023. 

Confiança dos empresários da indústria em junho atinge o maior patamar em oito meses

Distorções do sistema tributário do Brasil impedem crescimento econômico do país, diz gerente-executivo de Economia da CNI

Taxa de juros

Com a inflação elevada, a principal solução do Banco Central foi elevar a taxa básica de juros, o que impacta em todas as taxas de juros do país. Em menos de um ano e meio, a Selic passou de 2% para os atuais 13,25%. 

“Esse contexto de taxa de juros elevada, essa diferença significativa na elevação dos juros, acaba repercutindo e impactando a percepção do empresário”, afirma Paula Verlangeiro.

Segundo o levantamento da CNI, dos 25 setores analisados, 16 apontaram os juros como um dos cinco principais problemas enfrentados. Os setores de Produtos Diversos e Veículos Automotores colocaram o problema na segunda posição no ranking das principais dificuldades. Já os setores de Alimentos, Madeira, Máquinas e Equipamentos, Máquinas e Materiais Elétricas, Metalurgia, Têxteis e Vestuário e Acessórios consideram que os juros altos ocupam o terceiro lugar.

Além disso, entre abril e junho de 2022, 23,4% das empresas da Indústria da Transformação apontaram a alta taxa de juros como um dos principais problemas enfrentados, o quinto aumento consecutivo na análise trimestral. Segundo avaliação da CNI, é possível que esse percentual continue alto, considerando o atual contexto econômico brasileiro de inflação alta e as previsões de elevação da Selic até o fim de 2022.

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Agronegócios
18/07/2022 04:30h

Em entrevista ao portal Brasil 61, Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que o PIB do agro deve crescer 3,5%. Ele também explicou que a maior produção da agricultura não vai conseguir conter, sozinha, o preço dos alimentos

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Mesmo com as adversidades climáticas em algumas regiões produtoras, principalmente no Sul, a produção brasileira de grãos deve alcançar novo recorde. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra 2021-2022 poderá atingir 272,5 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 6,7% ou 17 milhões de toneladas em relação à temporada 2020-2021. 

Em entrevista ao Brasil 61, Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), analisou o desempenho da agricultura brasileira nos últimos anos e os impactos que a possível safra recorde de grãos pode ter sobre a inflação dos alimentos e a economia brasileira. 

Segundo Renato, a queda de 0,9% do PIB agropecuário no primeiro trimestre de 2021 será revertida, o que vai influenciar o PIB do país. “Devemos ver até o final de 2022 uma retomada do PIB da agropecuária. A nossa projeção é que, ao final de 2022, o PIB da agropecuária cresça 3,5%, contribuindo para o crescimento do PIB brasileiro, que deve ser de 1,7%”, estima. 

Na entrevista que você confere logo abaixo, o coordenador do Núcleo Econômico da CNA também ajuda a entender como funciona o calendário da agricultura brasileira. 

Brasil61: Renato, como foi o desempenho da agricultura brasileira nas últimas duas temporadas?

Renato Conchon (CNA): Nós tivemos problemas por adversidades climáticas tanto na safra 2020/2021 quanto na safra 2021/2022, que é essa agora. Na safra 2020/2021, nós tivemos problema no milho safrinha. Entre setembro e outubro o pessoal começa a plantar a safra de soja e a safra de verão do milho, principalmente no Sul do Brasil. A gente lembra que no final de 2020 não choveu, o que atrasou o plantio e, por óbvio, atrasou a colheita da soja e desse milho primeira safra (safra de verão), o que atrasou também o milho safrinha, isso já em 2021. Teve produtor que era pra plantar a primeira safra do milho em setembro, mas plantou em dezembro. E, por óbvio, ele não colheu em fevereiro. Ele colheu em abril. Então, ele plantou o milho safrinha (segunda safra) fora da janela ideal em 2021. Vimos que não choveu e houve uma queda significativa no milho safrinha, principalmente na região Centro-Oeste do Brasil, o que impactou a produção da safra de grãos para baixo. Fechamos a safra 2020/2021 com 255 milhões de toneladas. Veio a safra 21/22. Em setembro e outubro de 2021, o produtor plantou a soja na janela ideal. Veio chuva, ele colheu. Só que em algumas regiões, como no Sul do Brasil, teve atraso, porque não choveu. Ao invés de ter uma safrinha de milho ruim como foi da safra 20/21, teve a safra verão ruim. 

Brasil61: A melhora da safra na temporada 2021-2022 foi suficiente para a agricultura recuperar as perdas de 2020-2021? 

Renato Conchon (CNA): A safra de soja de 2021-2022 comparada com 2020/2021 caiu 10% por cento. Em contrapartida, a safra de milho cresceu 32%. Essa safra de soja foi pior do que a última safra. Mas o milho foi bem melhor. De uma maneira geral, regionalmente tem alguns prejuízos. Para o pessoal do Sul foi uma safra muito ruim. Para o pessoal do Centro-Oeste foi uma safra muito boa. No balanço total, se a gente somar milho, soja, algodão, trigo, todas essas culturas, ainda assim nós temos uma safra de 272,5 milhões de toneladas, um acréscimo de 6,7% comparado à safra 20/21. Ou seja, é um número positivo, bom, um crescimento bastante significativo, mas poderia ter sido melhor. 

Brasil61: O aumento da safra de grãos em 2022 vai contribuir para queda no preço dos alimentos? 

Renato Conchon (CNA): É importante ressaltar que nós estamos com processo inflacionário em todo o mundo. Principalmente a inflação associada a alimentos e as commodities energéticas. As commodities alimentícias estão subindo porque alguns países, durante a pandemia e a guerra, não conseguiram produzir ou escoar suas safras. Um exemplo muito recente é a Ucrânia com o trigo. Associado a isso, a Rússia é uma grande fornecedora de gás natural e, por conta do conflito, o preço do gás natural subiu, assim como o preço do petróleo, o que está impactando a inflação dos combustíveis. Se a gente olhar para o Brasil, a gente está ‘importando essa inflação’, mas também tem questões internas. Já trazendo para o setor agropecuário, essa produção boa de cereais, fibras e oleaginosas, com crescimento de 6,7% comparado à última safra foi bastante positiva. Se a gente tem uma quebra de safra, menos produto vai estar circulando dentro da nossa economia. Menos produto, o preço sobe. A gente destaca também que existem outros produtos que influenciam o dia a dia dos brasileiros, que são as hortaliças e as frutas, que não são commodities, ou seja, não são precificadas no mercado internacional. Por exemplo, o tomate. Não tem precificação no mercado internacional, mas o custo para o produtor está subindo, o fertilizante está subindo no mundo todo. Subiu para o produtor de soja, de trigo, milho e também de tomate. Entretanto, no mercado internacional o preço da soja subiu. Então, uma coisa acaba equivalendo a outra. Para o produtor de tomate [o preço], por exemplo, não [subiu]. O custo dele subiu e ele não consegue repassar esse custo para a população. E com isso a gente tem impactos de queda de produção e isso acaba influenciando na inflação, como a gente sabe. O custo de produção subiu para todos os produtores. A receita subiu para alguns, mas para outros não, o que está fazendo com que parte dos produtores esteja trabalhando no vermelho e eles acabam reduzindo a produção, o que influencia ainda mais os preços dos alimentos. 

Brasil61: Então mesmo com maior oferta de grãos nesta safra, isso tende a não impactar tanto o preço dos alimentos? 

Renato Conchon (CNA): Correto. Tende a ser positivo, porque se tivesse tido uma quebra de safra, com certeza os preços subiriam mais. 

Brasil61: O PIB da agropecuária caiu 0,9% no primeiro trimestre deste ano. Acredita que  setor vai conseguir reverter o resultado nos trimestres seguintes? 

Renato Conchon (CNA): Sim. Houve uma queda neste primeiro trimestre de 2022, mas a nossa previsão é que haja uma recuperação por conta das outras produções do segundo trimestre, especificamente o milho safrinha, que esse ano foi muito bom. Tem também uma previsão muito boa para o algodão. E a produção do algodão influencia bastante nos resultados do PIB e outras cadeias, tal como café, cana-de-açúcar e o próprio trigo. O trigo é um exemplo bastante interessante, porque o Brasil é importador líquido de trigo para o seu consumo. Como a Ucrânia é uma grande produtora e exportadora de trigo e esse ano ela não vai produzir porque está em guerra, os preços subiram no mercado internacional e os produtores do Brasil viram isso como uma possibilidade e estarão mais dispostos a ampliar sua área plantada de trigo ou de colocar um pacote tecnológico mais avançado que dê uma maior produtividade. Devemos ver até o final de 2022 uma retomada do PIB da agropecuária. A nossa projeção CNA é que ao final de 2022 o PIB da agropecuária cresça 3,5%, contribuindo para o crescimento do PIB brasileiro, que na nossa projeção está em algo aproximado de 1,7%. 

Brasil61: Como funciona o calendário da agricultura brasileira? 

Renato Conchon (CNA): No nosso dia a dia a gente trabalha com o ano civil, que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. A atividade agropecuária não trabalha nesse ciclo. Trabalha com o período da safra, que seria de 1º de julho a 31 de junho do ano seguinte. Funciona assim: a ‘safra verão’ é quando o pessoal planta principalmente soja e parte do milho (primeira safra) entre setembro e novembro, depende da região do Brasil. Então, o produtor faz essa escolha (entre plantar soja ou milho). Ele planta no final de setembro ou em outubro e colhe a soja ou o milho entre fevereiro e março.  Na sequência, ele planta o milho segunda safra (milho safrinha). Na região Centro-Oeste chove menos nesse período do ano. Então ele tem que ter o plantio em março, no máximo, porque ainda está chovendo na região Centro-Oeste e essa chuva ajuda o desenvolvimento do milho segunda safra. Se o produtor plantar muito atrasado, ele não vai pegar essas chuvas e o milho é muito sensível à necessidade de água, mais do que a soja. Então, aí a gente tem uma frustração de safra, que foi o que aconteceu em 2020/2021. Em épocas normais, como na safra 2021/2022, ele plantou o milho safrinha entre fevereiro e março e está colhendo. Acabou a safra pra ele. Mas em algumas regiões, por exemplo, no Sul do Brasil, temos as chamadas culturas de inverno. É a produção de trigo e aveia. Essas culturas precisam de frio, umidade e de uma série de fatores para se desenvolver. O produtor vai colher por volta de agosto, setembro, quando começa todo o ciclo novamente. 

Brasil61: Por que a maior safra de milho leva o nome de safrinha? 

Renato Conchon (CNA): No passado, a safrinha era residual. O maior volume de produção do milho era na primeira safra, ou seja, que plantou em setembro e colheu em fevereiro. Só que com o desenvolvimento das tecnologias, desenvolveu-se a agricultura no cerrado brasileiro. Por conta da questão do período de chuvas, viram que existe uma possibilidade muito boa de plantar o milho não na primeira safra, mas, sim, entre fevereiro e março. E isso foi ganhando o cerrado. Então, o que antes era chamado de safrinha, porque era uma safra menor em volume em área plantada, agora virou ‘safrão’. Só pra gente ter uma ideia, o milho primeira safra, ou seja, aquele que planta em setembro e colhe em fevereiro, a gente produz aproximadamente 25 milhões de toneladas. O milho segunda safra, que a gente planta em fevereiro e colhe mais ou menos em maio, a gente colhe 88 milhões de toneladas. Por opção chamamos de safrinha, mas hoje o safrinha virou ‘safrão’. Já a soja é plantada só uma vez no ano, que é entre setembro e novembro, depende da região. Não tem safrinha de soja, por exemplo. 

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