Inflação

27/09/2021 19:20h

Em entrevista ao portal Brasil61.com, professor da PUC-RJ e economista-chefe da Genial Investimentos foi otimista quanto ao crescimento do PIB e queda na taxa de desemprego nos próximos meses

Baixar áudio

Com o avanço da vacinação e o relaxamento das restrições, cresce a expectativa pela retomada consistente da atividade produtiva do País após a acentuação dos efeitos negativos da pandemia de Covid-19 na economia, como a inflação acumulada de 9,68% nos últimos 12 meses e os quase 14,5 milhões de desempregados. 
 
Para entender qual o cenário para a economia do Brasil no segundo semestre de 2021 e no ano de 2022, o Brasil 61 Entrevista conversou com José Márcio Camargo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e economista-chefe da Genial Investimentos.   
 
Camargo é otimista não só em relação ao crescimento no País nos próximos meses, mas também crê que a qualidade de vida dos brasileiros vai aumentar. “No Brasil não existe nenhuma resistência à vacinação. As medidas de isolamento social e de restrição à mobilidade estão diminuindo. Isso certamente vai gerar uma grande melhora no bem-estar das pessoas. Elas vão sentir uma melhora na vida, de modo geral. E dado esse ambiente, a gente tem um cenário de volta da demanda, crescimento das compras, das vendas, e isso vai gerar um dinamismo muito importante. O terceiro e quarto trimestres de 2021 e o ano de 2022 devem ser bastante positivos”, avalia.

FPM 26% maior pode movimentar economia dos municípios e melhorar a renda da população, dizem especialistas

Aumento da inflação traz impacto e pesa na conta de energia
 
Segundo o professor, após um segundo trimestre de frustração, principalmente devido à segunda onda da pandemia do novo coronavírus, a economia já dá sinais positivos. Camargo calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 5,4% este ano, acima, inclusive, dos níveis registrados antes da pandemia. Além disso, ele acredita em uma queda constante no número de desempregados. 
 
“A taxa de desemprego deve fechar o ano em 12,5%. No ano que vem, deve cair ainda mais, para níveis próximos de 10% ao ano, no final de 2022.  A tendência, sem dúvida, é de queda na taxa de desemprego”, afirma. O economista também falou sobre a expectativa em torno da inflação, da volta do setor de serviços e muito mais. Confira a entrevista abaixo. 

Copiar o texto
Economia
24/09/2021 19:50h

Cofres das prefeituras vão receber quase meio bilhão de reais a mais na próxima quinta-feira (30)

Baixar áudio

As prefeituras vão receber, referente ao terceiro decêndio de setembro, cerca de 26% a mais de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) na próxima quinta-feira (30). O maior aporte de receitas pode impactar não apenas as contas públicas a nível municipal, mas permitir aos gestores ampliar os serviços prestados à sociedade, movimentar a economia e, até transferir renda para a população mais pobre. 

Essa é a análise de Marilane Teixeira, doutora em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Todo recurso que entra por meio de transferências e que implica em gastos públicos tem um efeito dinamizador e multiplicador da economia. Com certeza isso [o aumento do FPM] vai ter impacto”, afirma. 

Já descontados os 20% do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, os cofres municipais vão receber cerca de R$ 2,46 bilhões, montante mais de meio bilhão de reais superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os efeitos que tal crescimento de receita podem causar sobre a economia local, no entanto, dependem de como as prefeituras irão aplicar esses recursos, indica Marilane. 

A tendência, ela diz, é que os gestores apliquem o dinheiro em educação, saúde e na melhoria de serviços públicos. Dessa forma, o município tem que contratar empresas para prestar esses serviços, por exemplo, e essas companhias precisam de mão-de-obra, o que pode gerar um impacto positivo sobre a economia local. A economista cita outro fator essencial nessa tomada de decisão. 

“Pode ser, também, um mecanismo importante de transferir renda para uma parcela da sociedade, o que certamente tem uma implicação do ponto de vista do efeito multiplicador. Colocar dinheiro, por exemplo, para uma família pobre ou em condições de extrema pobreza, ela necessariamente vai gastar isso com alimentos e, basicamente, com as condições de vida, de moradia. Isso ajuda a impulsionar a economia no estado, mas principalmente no município”, avalia. 

Inflação
Para Cesar Lima, economista e especialista em Orçamento Público, o aumento do FPM não tem impacto direto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do país, pois os recursos do Fundo são, na verdade, consequência do PIB. “O impacto vai ser na economia dos municípios, porque o FPM é resultado de aumento no PIB, porque aumenta a arrecadação e os impostos a serem distribuídos entre estados e municípios.”

Marilane concorda. Além disso, ela acredita que não dá para afirmar que esse adicional de receitas deve gerar inflação. “Se aumenta ainda mais a demanda por determinados produtos e serviços e se o mercado não consegue suprir esses produtos e serviços ao nível da demanda gerada na economia, claro que pode gerar inflação. Mas, hoje, nós não estamos vivendo um problema de inflação por demanda”, afirma. 

Segundo ela, há outros componentes que estão pesando mais quando o assunto é inflação. O principal deles é o preço do petróleo e, por consequência dos combustíveis e, em menor nível, a crise hídrica e a escassez de energia. 

Dependência
O Fundo é importante para todos os municípios, mas as cidades de pequeno porte dependem mais desses recursos, explica Cesar Lima. “Quanto menor o município, mais dependente, na maioria dos casos ele é do FPM. Então, o impacto desse aumento do FPM para os municípios menores é bem maior que para os grandes municípios, que não dependem, na mesma proporção que os menores, do FPM”, ressalta. 

O caso do município de Paraná, no Rio Grande do Norte, por exemplo, é emblemático. Cerca de 90% do orçamento local é composto pelo FPM. A cidade — cuja população estimada é de 4.298 pessoas —, que estava bloqueada para os repasses do Fundo no último decêndio, regularizou sua situação, de acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), e deve receber pouco mais de R$ 211 mil na próxima semana. 

O economista Alexandre Rocha explica que o FPM é de particular importância para os municípios de pequeno porte. “Eles têm bases tributárias próprias muito pequenas, muitas vezes próximas de zero. Então, é por meio da participação na arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados que as prefeituras, especialmente as pequenas, têm recurso para poder cumprir as suas funções administrativas e sociais”, enfatiza.

Para Eduardo Stranz, consultor da Confederação Nacional de Municípios (CNM), é preciso desconstruir a ideia de que os “municípios pequenos vivem do FPM”. Segundo ele, os repasses do Fundo nada mais são do que uma parte do que as próprias cidades arrecadaram com o IPI e o IR. “Por uma característica do próprio imposto, ele é recolhido pela União, mas a receita é compartilhada com estados e municípios. Os impostos são arrecadação do município e do estado também”, pontua. 

O especialista diz que os municípios menores dependem mais do Fundo porque os impostos que ele pode cobrar, pela lei, tem sua base tributária nas áreas urbanas. 

“Goiânia, Porto Alegre, São Paulo, os municípios médios, por exemplo, que tem muita área urbana, arrecadam bastante de receita própria. Agora, em municípios de três, quatro, cinco mil habitantes, a área urbana é pequena, então não tem como arrecadar muito recurso. Não consegue tirar muito dinheiro daquela sociedade, porque além dela pagar ISS, ela paga ICMS, ela paga o Imposto de Renda, ela paga o IPI. Há uma capacidade tributária e uma quantidade de recursos que você consegue tirar da sociedade, senão acaba com a riqueza das pessoas. Não é um problema, é como o sistema é feito”, diz. 

O que é o FPM
O FPM é um fundo pelo qual a União repassa, a cada dez dias (por isso o nome “decêndio”), 22,5% do que arrecada com o Imposto de Renda (IR) e com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos municípios. A cada mês, portanto, são três repasses, que ocorrem nos dias 10, 20 e 30 e se referem, respectivamente, ao arrecadado nos dez dias anteriores. 

Se a data cair no sábado, domingo ou feriado, o repasse é antecipado para o primeiro dia útil anterior. O recurso é creditado pelo Banco do Brasil S/A, que disponibiliza, em sua página na internet, os avisos sobre as distribuições decendiais das contas dos Fundos de Participação, com os lançamentos a crédito e débito.  O aporte que as prefeituras vão receber no dia próximo dia 30 tem origem no recolhimento desses tributos entre os dias 11 e 20 de setembro. 

Além dos 20% que a União retém para o Fundeb, os gestores devem aplicar 15% dos recursos em saúde e destinar 1% para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).

Para Eduardo Stranz, o FPM mais robusto é consequência, sobretudo, do crescimento da arrecadação com o IR. Até agosto, segundo a Receita Federal, são quase R$ 24 bilhões em recolhimentos extraordinários com Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).  

Os percentuais de participação de cada município são calculados anualmente pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de acordo com o número de habitantes de cada cidade e a renda per capita dos estados. 
 
Os municípios são divididos em três categorias: capitais, interior e reserva. As capitais dos estados e Brasília recebem 10% do FPM. Os demais municípios brasileiros são considerados de Interior, e representam 86,4% do FPM. Já os municípios de reserva são aqueles com população superior a 142.633 habitantes e recebem – além da participação como município de interior – uma cota adicional de 3,6% do fundo. 

Empresários do segmento de máquinas e equipamentos são os mais confiantes da indústria

Censo 2022: pesquisa é importante para determinar recursos públicos em estados e municípios

Bloqueio
Os gestores municipais devem ficar atentos, pois se não estiverem com as obrigações junto à União em dia, poderão ter o repasse congelado nas contas bancárias. 

De acordo com a CNM, os principais motivos para bloqueio do FPM são: ausência de pagamento da contribuição ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep); débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e débitos com a inscrição da dívida ativa pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), além da falta de prestação de contas no Sistema de Informações sobre Orçamento Público em Saúde (Siops).

Para desbloqueio do repasse, o município deve identificar o órgão que determinou o congelamento. Em seguida, deve conhecer o motivo e regularizar a pendência. 

Confira a lista dos municípios com repasses bloqueados, de acordo com a STN.  

ALTAMIRA (PA)
ALTO LONGA (PI)
BALNEÁRIO PINHAL (RS)
CARMÓPOLIS (SE)
COTIA (SP)
CRUZ ALTA (RS)
FORMOSO DO ARAGUAIA (TO)
GARARU (SE)
ITAGUATINS (TO)
ITAMARACÁ (PE)
ITAPIRANGA (AM)
JUAREZ TÁVORA (PB)
MARAGOGIPE (BA)
MARUIM (SE)
MONTE ALEGRE DO SUL (SP)
PACOTI (CE)
PASSOS (MG) 
PEDRINHAS (SE)
PENALVA (MA)
PINTADAS (BA)
RIBEIRÃO DAS NEVES (MG)
SALGADO (SE)
SANTO ANTÔNIO DO LEVERGER (MT)
SÃO JOÃO DE MERITI (RJ)
SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO (MG)
SAPUCAIA (RJ) 
SÁTIRO DIAS (BA)
SENA MADUREIRA (AC)
SETE LAGOAS (MG)
TAPIRA (MG)
TRÊS RIOS (RJ)

Copiar o texto
06/09/2021 03:00h

A nova bandeira escassez hídrica da Aneel reajusta preço da conta de luz em 50%

Baixar áudio

Os consumidores de energia elétrica em Goiás vão gastar cerca de 50% a mais para não ficarem no escuro durante a vigência da nova bandeira tarifária estipulada pela Aneel, a de escassez hídrica. 

Isso porque a agência reajustou as tarifas na última semana, elevando o preço de R$ 9,4 por 100 kwh (quilowatt-hora) para R$ 14,2 kwh. De acordo com a Aneel, a nova bandeira vai valer até abril de 2022 e o reajuste médio aos consumidores goianos deve ser de 6,78%.

Em Goiás, os valores cobrados nas contas de energia elétrica, sem o acréscimo das bandeiras tarifárias, variam entre R$ 0,54 e R$ 0,60 por kwh (quilowatt-hora) consumidos. 

Goiás pode perder R$ 300 mi em arrecadação com reforma do IR

Edital do Leilão do 5G traz ajustes para reforçar investimento em educação nos municípios

Garimpo já ocupa mais área do que a mineração industrial

Além de “mordida” mais forte no bolso do consumidor, a nova taxa de energia elétrica vai impactar na meta inflacionária para 2021, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tinha estimativa de variar entre 3,75% e 5,25% no início do ano. No entanto, o Banco Central já vislumbra uma taxa de inflação de 7,11% ao final do período. Em julho, antes dos novos reajustes na energia elétrica, o IPCA acumulava quase 9%, em 12 meses, e a tendência é que esse número continue em alta.

Nos estados da região Centro-Oeste do País, a tarifa média cobrada na energia elétrica, sem a bandeira escassez hídrica, é de R$ 0,59 por kwh consumido. 

“Remédio” 

A principal medida usada para frear a alta da inflação é o controle da taxa básica de juros da economia, a Selic, realizado pelo Banco Central. A dinâmica é simples: quando os preços ao consumidor disparam, o BC aumenta a taxa de juros e o dinheiro e o crédito ficam mais caros, a procura por produtos e serviços diminui e, por consequência, força a queda dos valores no comércio. Entretanto, essa “receita” é indicada quando a inflação dispara por forte consumo, ou seja, diferente da realidade atual. 

"Quando você dá um ‘remédio’, que seria o aumento da taxa de juros, para uma inflação que não tem origem no consumo, ela tem origem na oferta, você gera desaquecimento da economia. O crédito e os produtos ficam mais caros e você desestimula da economia”, explica Luiz Carlos Ongaratto, especialista em Economia e Administração.

No entanto, o “remédio” tem contraindicações perversas sobre a produção industrial e na capacidade do setor produtivo realizar investimentos, já que a Selic também influencia nos valores dos créditos, desvaloriza a moeda brasileira e contribui para a falta de insumos e matérias-primas nas indústrias. O combo da política de contenção da inflação desestimula a atividade econômica. 

“Isso é um elemento que amplia a questão do desemprego, amplia o caráter recessivo e traz danos profundos para a economia”, disse Elias Vaz, deputado federal – PSB/GO. 

Este ano, a Selic teve quatro reajustes e já acumula alta de 3,25% a.a., saindo de 2% a.a., em janeiro, para 5,25% a.a., em agosto. O BC manteve o reajuste em 0,75% nos três primeiros movimentos do ano, em março, maio e junho, mas elevou a taxa em 1%, este mês. 

Copiar o texto
31/08/2021 03:00h

Tarifa de energia elétrica contribui para aumento de despesas dos baianos e juros altos limitam crédito para indústrias

Baixar áudioBaixar áudio

A crise hídrica que assola o país levou a Aneel a estipular a bandeira vermelha nas contas de luz. A tarifa já está na fase 2, com cobrança de R$ 9,4 por 100 kwh gastos a mais na conta dos consumidores. Esse valor pode subir entre R$ 11 e R$ 15 por 100 kwh consumidos a partir da próxima semana.

Nos estados da região Nordeste do país, por exemplo, a tarifa média cobrada na energia elétrica, sem a bandeira vermelha, é de R$ 0,60 por kwh consumido. A bandeira vermelha aumentou em cerca de 14% esse valor. Na Bahia, a tarifa convencional cobrada é de R$ 0,62.

O preço alto da conta de luz contribui para aumento da inflação e as consequências refletem negativamente no custo de vida da população, freia o consumo e trava os investimentos nos setores produtivos dos estados. Isso porque a meta inflacionária para o ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tinha estimativa de variar entre 3,75% e 5,25%.

No entanto, o Banco Central já vislumbra uma taxa de inflação de 7,11% ao final de 2021. Em julho, por exemplo, o IPCA já acumulava quase 9% em 12 meses e a tendência é que esse número continue em alta, já que os valores cobrados da energia elétrica devem subir ainda mais nos próximos meses.

Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Guarulhos (SP), Recife (PE) e Salvador (BA) vencem chamada pública de projetos de mobilidade urbana sustentável

Crise hídrica pode aumentar inflação nos estados brasileiros

FPM: prefeituras recebem R$ 2,4 bilhões nesta segunda-feira (30); confira quanto seu município vai receber

“Remédio”

A principal medida usada para frear a alta da inflação é o controle da taxa básica de juros da economia, a Selic, realizada pelo Banco Central. A dinâmica é simples: quando os preços ao consumidor disparam, o BC aumenta a taxa de juros e o dinheiro e o crédito ficam mais caros, a procura por produtos e serviços diminui e, por consequência, força a queda dos valores no comércio. Entretanto, essa “receita” é indicada quando a inflação dispara por forte consumo, ou seja, diferente da realidade atual.  

“Quando você dá um ‘remédio’, que seria o aumento da taxa de juros, para uma inflação que não tem origem no consumo, ela tem origem na oferta, você gera desaquecimento da economia. O crédito e os produtos ficam mais caros e você desestimula da economia”, explica Luiz Carlos Ongaratto, especialista em Economia e Administração.  

No entanto, o “remédio” tem contraindicações perversas sobre a produção industrial e na capacidade do setor produtivo realizar investimentos, já que a Selic também influencia nos valores dos créditos, desvaloriza a moeda brasileira e contribui para a falta de insumos e matérias-primas nas indústrias. O combo da política de contenção da inflação desestimula a atividade econômica.

“Nós não vamos ter mais dinheiro para o setor produtivo, o que pode criar recessão na economia e, com isso, sofrem a indústria, toda a agricultura e pecuária, e todo setor terciário, o turismo também”, lembra o deputado federal, Félix Mendonça Júnior (PDT-BA).

Este ano, a Selic teve quatro reajustes e já acumula alta de 3,25% a.a., saindo de 2% a.a., em janeiro, para 5,25% a.a., em agosto. O BC manteve o reajuste em 0,75% nos três primeiros movimentos do ano, em março, maio e junho, mas elevou a taxa em 1%, este mês.

Copiar o texto
27/08/2021 11:45h

Tarifa de energia elétrica, por exemplo, contribui para aumento de despesas dos gaúchos e juros altos limita crédito

Baixar áudioBaixar áudio

A inflação no País está em alta e as consequências refletem negativamente no custo de vida da população, freia o consumo e trava os investimentos nos setores produtivos dos estados. Isso porque a meta inflacionária para o ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tinha estimativa de variar entre 3,75% e 5,25%. 

No entanto, o Banco Central já vislumbra uma taxa de inflação de 7,11% ao final de 2021. Em julho, por exemplo, o IPCA já acumulava quase 9%, no acumulado de 12 meses e a tendência é que esse número continue em tendência de alta, já que os valores cobrados da energia elétrica devem subir ainda mais nos próximos meses. 

Lei Geral do Licenciamento Ambiental deve destravar obras de infraestrutura

Programa Casa Verde e Amarela completa um ano com avanços no combate ao déficit habitacional

Reforma Tributária fatiada pode causar impactos negativos no PIB industrial do Rio Grande do Sul

A crise hídrica que assola o País levou a Aneel a estipular a bandeira vermelha nas contas de luz. A tarifa já está na fase 2, com cobrança de R$ 9,4 por 100 kwh gastos, a mais na conta dos consumidores. Esse valor pode subir entre R$ 11 e R$ 15 por 100 kwh consumidos a partir da próxima semana. 

Nos estados do Sul do País, por exemplo, a tarifa média cobrada na energia elétrica, sem a bandeira vermelha, é de R$ 0,571 por kwh consumidos. A bandeira vermelha aumentou em 14% esse valor. No Rio Grande Sul, a tarifa convencional cobrada dos consumidores gaúchos varia entre R$ 0,45 e R$ 0,76. 

Arte: Brasil 61

“Remédio” 

A principal medida usada para frear a alta da inflação é o controle da taxa básica de juros da economia, a Selic, realizado pelo Banco Central. A dinâmica é simples: quando os preços ao consumidor disparam, o BC aumenta a taxa de juros e o dinheiro e o crédito ficam mais caros, a procura por produtos e serviços diminui e, por consequência, força a queda dos valores no comércio. Entretanto, essa “receita” é indicada quando a inflação dispara por forte consumo, ou seja, diferente da realidade atual.

“Quando você dá um ‘remédio’, que seria o aumento da taxa de juros, para uma inflação que não tem origem no consumo, ela tem origem na oferta, você gera desaquecimento da economia. O crédito e os produtos ficam mais caros e você desestimula da economia”, disse Luiz Carlos Ongaratto, especialista em Economia e Administração. 

No entanto, o “remédio” tem contra indicações perversas sobre a produção industrial e na capacidade do setor produtivo realizar investimentos porque a Selic também influencia nos valores dos créditos, desvaloriza a moeda brasileira e contribui para a falta de insumos e matérias-primas nas indústrias. O combo da política de contenção da inflação desestimula a atividade econômica. 

“Isso acarreta problemas para as pessoas que vão ter custos aumentados, aumento da dívida pública, vai deixar quem quer empreender com dificuldades maiores e o resultado concreto é menos investimentos, menos consumo e, obviamente, vai gerar consequências sociais brutais”, lembra deputado federal, Bohn Gass (PT-RS). 

Este ano, a Selic teve quatro reajustes e já acumula alta de 3,25% a.a, saindo de 2% a.a em janeiro para 5,25% a.a em agosto. O BC manteve o reajuste em 0,75% nos três primeiros movimentos do ano, em março, maio e junho, mas elevou a taxa em 1%, este mês. 

Confira as informações sobre Covid-19 da sua cidade aqui

Copiar o texto
13/08/2021 03:00h

De acordo com dados do Índice Nacional de Consumo, alta é de 22,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado, acumulando aumento de 4,28% no primeiro semestre deste ano

Baixar áudioBaixar áudio

Os preços da cesta básica tiveram alta de 1,34% em junho deste ano, com valor médio de R$ 662,17. De acordo com dados do Índice Nacional de Consumo (INC Abras) nos lares, calculados pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta é de 22,1%, acumulando aumento de 4,28% no primeiro semestre deste ano.
 
O indicador tem como base 35 itens, entre eles os produtos cujos preços mais aumentaram de janeiro a junho: açúcar (15,9%), carne dianteiro (13,2%), ovo (12,9%) e café (8,5%). De acordo com o vice-presidente da associação, Marcio Milan, além do clima seco, as altas temperaturas também estão sendo influenciadas pelo cenário externo.
 
“O dólar favorável para exportação, o câmbio favorável para exportação. O mercado exportador está extremamente aquecido, então, isso tem feito com que esses produtos passem a ter essa variedade. Do outro lado, a gente tem também o aumento nos principais insumos desses produtos”, afirmou o especialista.

Registraram as maiores quedas pernil (-6,6%), arroz (-4,7%) e óleo de soja (-0,02%). No entanto, apenas em junho, na comparação com o mesmo mês de 2020, óleo de soja (91,8%) e arroz (50,1%) são os produtos da cesta cujo preço mais subiu.
 
Quem mais sofre a alta é o trabalhador. A auxiliar de limpeza Helia Maria Silva, 38 anos, moradora da na zona leste da capital paulista, tem percebido, cada vez que vai ao supermercado, que os alimentos estão mais caros. A chefe de família tem substituído produtos para não deixar faltar comida na mesa.
 
“Quem está trabalhando está trabalhando só para comer. Ultimamente eu tenho trocado a carne pelo ovo e quando vejo um produto muito caro eu troco e substituo por um mais barato”, contou.

Valor da cesta básica deve seguir ‘pressionando’ as famílias, prevê economista

Comércio varejista teve alta de 1,8% de março para abril

Em 2020, setor de supermercados faturou R$ 554 bilhões
 
As cinco regiões do País tiveram alta nos preços da cesta Abrasmercado. A maior oscilação foi no Sul (2,10%), onde a cesta passou de R$ 694,99 para R$ 709,59. O Nordeste veio em segundo lugar, com (2,01%), a cesta subiu de R$ 569,78 para R$ 581,26. 
 

São Paulo é um dos estados brasileiros com a cesta básica mais cara do país, com valor médio de R$ 640,51, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Helia Maria, que se mudou do Rio Grande do Norte para a capital paulista, sentiu a diferença de preços de itens essenciais entre as regiões e viu o cenário piorar diante da pandemia. 

Queda no consumo

Apesar da alta acumulada no primeiro semestre deste ano, as vendas reais dos supermercados brasileiros desaceleraram 0,68% em junho em relação a maio de 2021. De janeiro a maio, o setor de supermercados acumula alta real de 5,32%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado também é positivo em 2,88%. Contra abril, a alta foi de 1,98%.

Perspectivas

As expectativas para o segundo semestre do ano são otimistas para o setor. Entre as justificativas está o recebimento da segunda parcela do 13º aos beneficiários do INSS, além do auxílio emergencial prorrogado até outubro e o 2º lote da restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, onde serão pagos mais R$ 6 bilhões pagos aos contribuintes.

Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o avanço da vacinação também vai reverter em maior e melhor funcionamento da economia, com reflexo sobre o movimento nos supermercados.

Copiar o texto
10/08/2021 10:45h

Esta é a 18ª elevação consecutiva na projeção. Para 2022 a estimativa de inflação é de 3,84%

Baixar áudio

O mercado financeiro elevou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país. O indicador deste ano subiu de 6,79% para 6,88%. Esta é a 18ª elevação consecutiva na projeção. Para 2022, a estimativa de inflação é de 3,84%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,25% e 3%, respectivamente.

A estimativa está no Boletim Focus, pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a projeção para os principais indicadores econômicos. A previsão para 2021 está acima da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. 

FPM: prefeituras recebem R$ 5,6 bilhões nesta terça-feira (10); confira quanto seu município vai receber

PIB nacional deve crescer cerca de 4,5% em 2021, aponta CNI

Semestre fecha com maior percentual de endividados desde 2010, diz CNC

Em junho, a inflação desacelerou para 0,53%, depois de chegar a 0,83% em maio. Ainda assim, com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,77%, no ano, e 8,35%, nos últimos 12 meses. Os dados de julho serão divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas a prévia registrou inflação de 0,72% no mês passado, a maior variação do IPCA-15 para um mês de julho desde 2004 (0,93%).

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, que foi elevada na semana passada de 4,25% ao ano para 5,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ao anunciar a decisão, o Copom já sinalizou que pretende elevar a Selic em mais um ponto percentual na próxima reunião, marcada para setembro.

O Copom aumenta a taxa básica de juros com a finalidade de conter a demanda aquecida, o que reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia. 

Copiar o texto
12/07/2021 04:00h

De acordo com o Dieese, o custo médio da cesta básica teve aumento em oito capitais e retração em nove, nos últimos 12 meses. Em junho, produtos básicos ficaram mais baratos

Baixar áudioBaixar áudio

Os produtos que compõem a cesta básica tiveram queda de preços em nove capitais do país em junho. No acumulado de 2021, o Dieese verificou que a maior retração nos valores dos alimentos entre as capitais foi em Belo Horizonte (MG), com -6,4%. Já os dados referentes ao mês passado apontam queda de preços entre -0,3%, em Natal (RN), e a -2,2% em Goiânia (GO). 

Os valores da cesta básica foram influenciados, de acordo com dados da pesquisa do Dieese, pela queda dos preços do arroz em 12 capitais. Vitória – ES, teve a maior queda de preço no quilo do grão de 2,9%. Porto Alegre (RS) (-2,8%), São Paulo (SP) (-1,8%) e Florianópolis (SC) (-1,7%). A batata, -30,9% em Vitória, e a banana, -13,2% em Belo Horizonte, também contribuíram para a queda de preços da cesta básica. 

“Não tenho percebido. Sou muito atenta aos preços. Está sendo assustador ir ao supermercado com intenção de voltar com o carrinho cheio, mas, a gente não está vendo essa realidade [queda nos preços]”, disse Mirce Oliveira, 52 anos, consumidora de Goiânia. 

Acompanhe os dados da pandemia Covid-19 da sua cidade

Na capital do país, os valores da cesta básica tiveram queda de 0,5%, mas, segundo Osvaldo Serqueira, 73 anos, morador de Brasília, é insuficiente para ser notada no supermercado. 

“Não vejo. Vou ao comércio com frequência. Sou pai de família. Acabei de chegar do mercado e me espantei com o preço da cesta básica. Muito caro mesmo”, relata o aposentado. 

A tendência de queda nos valores da cesta básica em junho ainda não é capaz de dar alívio aos bolsos dos consumidores. Isso porque, os produtos acumulam alta de quase 30% nos preços, nos últimos 12 meses nas capitais. Ou seja, a retração atual não foi suficiente para influenciar descontos consideráveis. 

“Nos últimos 12 meses, mesmo com a melhora na ponta da curva do último mês, o arroz, por exemplo, que caiu 1% na última medição do IPCA, tem acumulado em 12 meses 46% de alta. Ou seja, está pesando muito no orçamento das famílias”, lembra o economista e pesquisador da Unicamp, Felipe Queiroz.

Giro Brasil 61: Sequelas da Covid, prova de vida do INSS em casa e adesão ao Programa Nacional do Livro

De acordo com o Dieese, o custo médio da cesta básica teve aumento em oito capitais e retração em nove, nos últimos 12 meses. As maiores altas foram registradas em Fortaleza (1,7%), Curitiba (1,5%) e Florianópolis (1,4%). 

No período dos últimos 12 meses, as maiores altas acumuladas no preço da cesta básica foram em Brasília (29,8%), Porto Alegre (25,3%), Florianópolis (24,8%), Vitória (22,2%) e Curitiba (22,2%). 

Os produtos da cesta básica que mais tiveram aumento de preços foram leite, açúcar, carne e óleo de soja. A cesta mais cara foi registrada em Florianópolis a R$ 645,38. 

“Mesmo que tenhamos melhorias a curto prazo nos preços, com a taxa de desemprego elevada, o poder de compra das famílias em baixo, o preço relativo da cesta básica no orçamento familiar tende a continuar ainda pressionando muito as famílias”, alerta Felipe Queiroz.

Arte: Brasil 61
 

Copiar o texto
25/06/2021 03:45h

Indicadores recentes mostram evolução mais positiva do que o esperado

Baixar áudio

Dados do Relatório de Inflação do Banco Central, publicados nesta quinta-feira (24) aumentam a projeção para o crescimento da economia este ano. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 3,6% para 4,6%.

Governo deve anunciar prorrogação do auxílio em breve, diz Guedes

Reforma Tributária: aprovação é urgente e garante simplificação do sistema de arrecadação de impostos

Segundo o órgão, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia de Covid-19, os indicadores recentes continuam mostrando evolução mais positiva do que o esperado. No primeiro trimestre do ano, o PIB cresceu 1,2% em relação ao trimestre anterior, retornando ao patamar do último trimestre de 2019, antes da pandemia, com resultados positivos nos três setores da economia.

Por outro lado, segundo o Banco Central, ainda há bastante incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia. Entre os fatores que podem diminuir a taxa de expansão estão o risco de surgimento ou disseminação de novas variantes de Covid-19, além de eventuais implicações da crise hídrica, a pior que o país vive em 90 anos.

Copiar o texto
23/06/2021 10:15h

Segundo o comitê, persistência inflacionária ajudou no aumento da taxa básica de juros Selic

Baixar áudio

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (22) que a persistência da pressão inflacionária maior que a esperada foi levada em consideração para o aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros Selic. Apesar da persistência da inflação, o Copom aponta uma melhora na economia do País. Na última quarta-feira (16), o Copom elevou a Selic de 3,5% para 4,25% ao ano.

Para a trajetória de juros, o Copom prevê uma elevação de 6,25% ao ano em 2021 e para 6,5% ao ano em 2022. Em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de Covid-19, a Selic atingiu o menor nível da série histórica desde 1986, alcançando apenas 2% ao ano. Desde então, a taxa passa por um ciclo de alta.

Arrecadação aumenta em 25 estados e no Distrito Federal, aponta Tesouro

Banco Central eleva de 4,85% para 5% a expansão do PIB para 2021

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação oficial sob controle. A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Copiar o texto
Brasil 61