IPEA

06/07/2021 03:00h

Estudo do Ipea divulgado recentemente mostra alta no desemprego de forma generalizada, com maiores taxas de desocupação em Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas e Rio de Janeiro, e números positivos no mercado somente em Roraima e Amapá

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Os impactos da pandemia da Covid-19 no mercado de trabalho continuam altos, mesmo com mais de um ano dos primeiros casos da doença no Brasil. É o que mostra um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado recentemente, com dados do primeiro trimestre de 2021. O levantamento mostrou duas conclusões principais: a taxa de desemprego ficou 2,3 pontos percentuais acima do resultado do mesmo período de 2020 e o número de pessoas com idade para trabalhar que não buscaram emprego subiu 25%.  

“O estudo do Ipea mostra que, no primeiro trimestre de 2021, mesmo diante de uma aceleração da economia acima da projetada e de uma expansão da ocupação, o mercado de trabalho brasileiro segue duramente afetado pelos efeitos da pandemia do coronavírus, conjugando uma taxa de desocupação elevada e crescimento da subocupação e do desalento”, explica a economista Maria Andreia Lameiras, uma das autoras do estudo.

A especialista também destaca que o desemprego foi maior entre as mulheres, os trabalhadores mais jovens e aqueles de qualificação profissional mediana. Os detalhes mostram que a taxa de desocupação foi de 17,9% para o sexo feminino e 12,2% para a população do sexo masculino. Os mais jovens, de 18 a 24 anos, tiveram uma taxa de desemprego de 31%.

Quando analisadas as regiões do país, observa-se uma alta generalizada de desocupação, maior no Nordeste e no Sudeste. Enquanto a taxa de desocupação em todo o Brasil ficou em 15,1%, em março, essas regiões apresentaram taxas de 18,6% e 15,2%, respectivamente.

Estados

Todas as unidades da federação registraram aumento da desocupação em 2021, à exceção de Roraima e Amapá. Em números absolutos, as maiores taxas de desemprego no primeiro trimestre foram dos estados de Pernambuco (21,3%), Bahia (21,3%), Sergipe (20,9%), Alagoas (20%) e Rio de Janeiro (19,4%). 

Morador de Recife, Álvaro de Almeida é uma das pessoas que compõem os dados de desempregados em Pernambuco, região que lidera o índice negativo. Comerciante, ele perdeu o emprego em janeiro deste ano. “Durante 12 anos trabalhei com venda de veículos, da mesma marca, na mesma empresa. Eu tinha um cargo teoricamente estável dentro da empresa, conseguia ter um bom faturamento, conseguia ter uma boa renda e, de repente, a pandemia mudou tudo”, lamenta.

Ele relata ter observado quadros de melhoras e pioras no mercado de trabalho durante a crise sanitária enfrentada pelo Brasil, movimento semelhante às ondas de novos casos e óbitos em decorrência da Covid-19, mas que os hábitos de consumos dos brasileiros tiveram que mudar desde o começo deste período de pandemia.

“O poder de compra diminuiu. As pessoas estão dando mais prioridade às necessidades básicas. O carro virou um luxo. Você trocar o seu veículo virou um luxo”, diz. A área de atuação de Álvaro, o comércio, apresentou ainda uma variação de -11,7% de pessoas ocupadas com carteira assinada durante o primeiro trimestre deste ano.

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Próximos meses

Apesar das estatísticas preocupantes, o estudo do Ipea mostra que há uma recuperação da ocupação pela frente, o que já vem ocorrendo de maneira mais intensa entre os empregados sem carteira e os trabalhadores por conta própria. O contingente deste grupo de trabalhadores informais registrou recuos menos expressivos no primeiro trimestre de 2021 do que no trimestre móvel encerrado em agosto de 2020.

A economista Maria Andreia aponta que, “para os próximos meses, as perspectivas são positivas”, sobretudo por conta do aumento do ritmo de vacinação contra a Covid-19. “Isso deve gerar um dinamismo adicional no setor de serviços, que é o grande contratador de mão de obra brasileira. No entanto, mesmo diante desse cenário da melhora do emprego, a taxa de desocupação deve continuar elevada, tendo em vista que boa parte dos trabalhadores que saíram do mercado de trabalho durante a pandemia deve retornar à procura de uma nova posição no mercado de trabalho”, avalia. 
 

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26/06/2021 04:30h

Número passou de 2,2% para 2,6%. Produções vegetais e animais também tiveram projeção de crescimento

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A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário para este ano, na comparação com 2020, foi revisada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e passou de 2,2% para 2,6%. De acordo com o Ipea, a razão do aumento da revisão foi a melhora no resultado esperado de itens importantes nas produções vegetais e animais.

A produção vegetal teve uma projeção do crescimento de 2,7% no ano, que deve ocorrer mesmo com a queda nas culturas de café, algodão, milho e a cana-de-açúcar. Apesar disso, a retração nesses segmentos não será suficiente para comprometer o bom desempenho gerado pela produção de soja, arroz e do trigo. Já na produção animal, a alta foi de 2,5% no ano e, conforme a projeção, deve ser favorecida pelo crescimento de todos os segmentos em bovinos, suínos, aves, no leite e nos ovos.

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Por fim, a pesquisa ainda chamou atenção para os principais riscos relacionados ao setor, como a necessidade de poupar água para a geração de energia hidrelétrica e a possibilidade das produções serem prejudicadas pela crise hídrica.

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18/06/2021 04:30h

Mulheres e trabalhadores com mais de 60 anos foram os únicos que apresentaram crescimento na renda

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Segundo estudo divulgado na quarta-feira (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os rendimentos efetivos dos trabalhadores registraram queda de 2,2% no primeiro trimestre de 2021, na comparação com igual período do ano passado. O motivo foi por conta do impacto da pandemia de Covid-19.

Segundo a pesquisa, apenas as mulheres e trabalhadores com mais de 60 anos não apresentaram uma queda da renda efetiva, tendo um crescimento de 1,33% e 7,06%, respectivamente. A análise revela que o impacto da segunda onda da pandemia nos rendimentos foi concentrado nos trabalhadores privados com carteira assinada, enquanto aqueles que trabalham por conta própria mostraram um crescimento de 3,9% da renda efetiva.

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Nas regiões brasileiras, o Nordeste teve maior impacto nos rendimentos, apresentando um recuo de 7,05%. Já o Centro-Oeste teve o menor efeito na renda, com queda de 0,84%. Na avaliação por faixa etária, a mais atingida pela segunda onda foi a dos adultos entre 25 e 39 anos, com queda de 7,73% dos rendimentos.

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14/05/2021 18:45h

Apesar disso, famílias de renda muito baixa continuam com índice de inflação anual maior

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Segundo análise do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), a inflação de abril desacelerou em relação a março para todas as faixas de renda pesquisadas. Apesar disso, a pesquisa mostra que a redução no ritmo de aumento de preços foi mais forte entre as famílias de maior renda.

Com isso, o aumento mensal de preços em abril foi mais intenso entre as famílias de renda muito baixa. Para esse grupo, a inflação passou de 0,71% em março para 0,45% em abril. Em 12 meses, essas famílias acumulam inflação de 7,71%, enquanto a inflação geral foi de 6,76%. Por outro lado, a inflação das famílias de renda alta caiu de 1% em março para 0,23% em abril e acumulam 5,21% no índice anual.

O quadro que influencia o maior peso para as famílias de renda mais baixa se dá pelo aumento dos preços de alimentos como carnes, ovos e leite. Para as mais ricas, esse encarecimento tem peso menor.

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06/05/2021 18:45h

Números também mostram queda de 4,4% no setor em 12 meses

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) liberou, nesta quinta-feira (6), o indicador que mede o consumo de bens industrializados no Brasil referente ao mês de março e os dados mostram queda de 1,2% no setor.

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Segundo a pesquisa, tanto a produção nacional quanto as importações caíram em março. Na produção interna de bens industriais destinada ao mercado nacional, a queda foi de 3,9%. Já o volume de bens industriais importados caiu 0,4%. Além disso, apenas oito dos 22 setores da indústria pesquisados tiveram alta na demanda.

Em 12 meses, o consumo aparente de bens industriais acumula uma queda de 4,4%. Apesar disso, houve alta de 12,9% no acumulado entre março de 2020 a março de 2021.

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04/03/2021 00:00h

Estimativa anterior era de 3,5%. Revisão ocorreu pela alta das commodities, queda cambial e segunda onda da Covid-19

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou para 3,7% a alta da inflação brasileira em 2021, divulgada na visão geral da Carta de Conjuntura n° 49. Em dezembro do ano passado, a inflação para este ano tinha sido projetada pela instituição em 3,5%. 

Com o avanço da pandemia, os preços internacionais das commodities aumentaram, a demanda pelo alimento domiciliar cresceu, o dólar ficou mais caro, houve alta internacional do valor do petróleo, que gerou aumento no preço dos combustíveis. Tudo isso fez com que a projeção dos preços administrados ficassem maiores para este ano.

Embora as expectativas para 2021 ainda sejam de desaceleração nos próximos meses, o elevado nível atual da inflação, combinado com o aumento do grau de imprecisão da economia brasileira devido às incertezas relacionadas à política fiscal, vem gerando revisões para cima das estimativas do IPCA para 2021.

De acordo com a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea​, Maria Andreia Lameiras, nos últimos doze meses a taxa de alimentação em domicílio medida pelo IPCA subiu 19% no país. “A tendência é que essa alta vá desacelerando. Esperamos que 2021 seja o ano de uma alta tão forte de alimentos quanto foi em 2020. Teremos uma produção maior, as expectativas de safra não só do Brasil mas do mundo como um todo estão muito boas.”

Mas a especialista reforça que essa baixa não significa que os alimentos ficarão mais baratos, alguns terão custo benefício, mas no geral, a conta do supermercado ainda será alta.

Em contraste, a consumidora Beatriz Rodriguez, de Goiânia (GO), reclama que a alta no preço dos alimentos domésticos básicos levou a família a buscar alternativas, trocou a carne pelo frango e faz um comparativo do quanto gastava no supermercado. “Antigamente, quando era só eu e meu marido, uma compra de R$400 reais dava para passar quase dois meses. Hoje em dia esse valor ficou bem diferente, R$400 reais compramos só o ‘grosso’, não inclui carnes, ovos, leite”, disse. 

Arte: Brasil 61

Inflação de serviços

É possível notar uma leve alta em relação aos serviços. No acumulado em doze meses, até janeiro, a inflação de serviços registrava variação de 1,5%, refletindo a queda de 5,7% dos serviços de transportes e alta de apenas 0,9% dos serviços pessoais e de recreação. Assim como o esperado, esses serviços foram os mais impactados pelo isolamento social, podendo ser visto nas deflações de passagens aéreas (-29%), hospedagem (-8,0%) e ingresso de cinema, teatro e show (-2,0%). 

A especialista Maria Andreia Lameiras ressalta que a pandemia da Covid-19 influenciou na revisão da projeção da inflação, mas de forma decrescente. “Esperávamos um primeiro trimestre mais forte para a economia brasileira como um todo, especialmente no setor de serviços. Já estávamos imaginando que não teria esse crescimento mais expressivo no primeiro trimestre”, conclui. 

Famílias pobres foram as mais atingidas pela inflação em 2020

Preço do gás de cozinha sobe mais que o dobro da inflação e encerra 2020 com alta de 9,24%

Preço da cesta básica aumentou em todas as capitais brasileiras em 2020

Espera-se que o aumento da cobertura da imunização contra a Covid-19 contribua para a recuperação da demanda por serviços, principalmente os relacionados a cuidados pessoais e recreação, fazendo com que a inflação deste grupo encerre o ano de 2021 com alta de 3,6%, abaixo, portanto, da previsão anterior (4,0%).

Preços administrados

No caso dos preços administrados, a alta projetada agora de 4,4% superou a inflação estimada em dezembro de 2020, de 4%. Os preços administrados devem exercer maior pressão sobre a inflação neste ano. Parte dessa queda deve-se ao adiamento dos reajustes dos planos de saúde, dos medicamentos, adoção de home office, - que gerou a diminuição do uso de transporte público e queda nas receitas das empresas e reajustes maiores para 2021.

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08/02/2021 00:00h

Pesquisa do Ipea também mostrou que as mulheres são maioria no trabalho remoto

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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta para uma redução no total de trabalhadores que fazem home office no Brasil. Segundo o levantamento, em novembro de 2020, 7,3 milhões de pessoas trabalhavam em casa, o que representa uma diminuição de cerca de 260 mil em comparação a outubro.

O trabalho remoto alcançou, em novembro, 9,1% do total de pessoas ocupadas e não afastadas, ante 9,6% em outubro. Foi o terceiro mês consecutivo com redução de pessoas atuando em home office.

Entre os trabalhadores que tiveram que abandonar o home office está a servidora pública Thais Barbosa de Farias, moradora de Brasília, que afirma que diversos procedimentos em seu trabalho foram simplificados com o advento da pandemia. Após 8 meses trabalhando em casa, ela lamenta ter tido que voltar a trabalhar presencialmente. 

“Com o home office, muitos procedimentos foram desburocratizados e o meu trabalho dá para ser feito quase em sua totalidade de casa, onde eu consigo desenvolvê-lo muito bem”, afirma. 

Mudança na CLT propõe mesma regra do presencial para home office

Por outro lado, o jornalista Victor Henrique, 22 anos, morador de Valparaíso (GO), prefere trabalhar presencialmente. Ele chegou a fazer home office, modalidade que, segundo ele, o exigia mais horas de trabalho. “Em casa, se produz muito mais, porém, você fica mais tempo trabalhando.”

Rendimentos

Entre outros pontos, a pesquisa constatou que os trabalhadores em home office contribuíram com 17,4% da massa total de rendimentos efetivamente gerados em novembro. O estudo apontou ainda o perfil predominante das pessoas que trabalham de forma remota.

Em novembro, do total de pessoas em home office 84,8% encontrava-se no setor formal, 57,8% eram mulheres, 76 % das pessoas possuíam ensino superior completo e 31,8% estavam na faixa etária entre 30 e 39 anos.

Outro estudo, esse feito pela consultoria em recursos humanos Soluções em Remuneração (SAP) com apoio da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt), também trouxe diferentes recortes sobre o home office no Brasil. De acordo com o levantamento, 72% das empresas pesquisas pretendem continuar com o trabalho remoto. 

Empresas dos segmentos de tecnologia da informação (TI), químico e papel e celulose são as que mais aderiram à prática. Luis Otávio Camargo Pinto, presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt), acredita que a tendência do mercado de trabalho é de que empresas comecem a adotar mais o sistema híbrido. 

“Muitas empresas, segundo pesquisas recentes, passarão a adotar o trabalho híbrido, ainda que o home office esteja presente em apenas um dia da semana”, afirma. 

Regiões

O estudo do Ipea concluiu que a região Sudeste (58,3%) é a que possui a maior concentração de pessoas em home office, seguida pelo Nordeste (16,1%), Sul (14,7%), Centro-Oeste (7,6%) e Norte (3,3%). 
 

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Economia
05/02/2021 00:00h

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, Sandro de Carvalho, doutor em economia e pesquisador do IPEA, fala sobre orçamento familiar, perspectivas para 2021 e conselhos para quem deseja formar a reserva de emergência

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O primeiro semestre de 2021 deve ser desafiador não só para a economia do País, mas para o bolso dos brasileiros. O fim do auxílio emergencial para quase 70 milhões de pessoas, em dezembro, coincide com a concentração de despesas comuns aos consumidores no início do ano. Material escolar, IPTU, IPVA... Tudo isso se soma aos gastos mensais, como alimentação, aluguel, água e luz. 
 
Pesquisa Datafolha publicada em janeiro, por exemplo, aponta que 69% dos brasileiros que receberam o auxílio emergencial ainda não haviam encontrado outra fonte de renda para substituir o benefício. Cerca de 62%, segundo o levantamento, sequer economizaram recursos para quando o auxílio acabasse. Com menos dinheiro e mais contas a pagar, a matemática pode não fechar.
 
Pensando em ajudar quem está com a corda no pescoço, o Brasil61.com conversou com Sandro Sacchet de Carvalho, doutor em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA.
 
Em bate-papo exclusivo, Sandro dá dicas para aqueles cujo auxílio emergencial era a única renda, fala sobre a recuperação dos postos de trabalho, a alta inflação dos alimentos e conta um pouco mais sobre a reserva de emergência, que pode salvar o orçamento de muita gente em períodos de crise, como a pandemia da Covid-19.
 
Sandro explica que, no auge da pandemia, 6% dos domicílios dependiam exclusivamente do auxílio emergencial para sobreviver. Para essas famílias, a urgência para obter uma nova renda exige soluções rápidas, que o mercado de trabalho formal não oferece no momento.
 
“Os domicílios que dependiam exclusivamente do auxílio emergencial estão em uma situação mais perigosa. As soluções práticas e rápidas são, justamente, para empregos que não precisam de entrevista ou de um processo longo de entrada. Por exemplo, como entregador e motorista de aplicativo, em que basta você se inscrever e já pode começar a trabalhar. Se, de fato, essas pessoas se encontram em domicílios que perderam toda a renda de trabalho e viviam do auxílio emergencial, um tipo de atividade como essa pode ser uma solução”, indica Sandro. 

Arte: Brasil 61

Despesas 

Beneficiários do auxílio emergencial ou não, os brasileiros de todo o País têm que lidar com outra dificuldade para cumprir o orçamento neste início de ano. Afinal, quem tem filho, carro ou casa para cuidar vai se deparar com a compra de material escolar e pagamento do IPVA e do IPTU, por exemplo. Sandro explica que nesse tipo de situação vai se sair melhor quem conseguiu guardar dinheiro do 13º ou em pequenas parcelas ao longo do ano passado.
 
Essa, no entanto, está longe de ser a realidade da maioria dos brasileiros. Levantamento da Fecomércio-RJ, por exemplo, mostra que 60% dos consumidores entrevistados não fizeram reserva em 2020 para arcar com as dívidas do primeiro semestre deste ano. Para essas pessoas, o pesquisador dá alguns conselhos.
 
“Se a pessoa não conseguiu fazer essa reserva, existem algumas opções, como buscar uma renda extra, tentar parcelar ao máximo esses gastos ao longo do ano para tentar encaixar isso no orçamento domiciliar ou recorrer a empréstimos. O que eu recomendo é que ela evite empréstimos com juros muito altos, porque isso vai formar uma bola de neve. O ideal seria recorrer a empréstimos baratos, com juros baixos, ou até de amigos e parentes, se for possível”, sugere. 

Arte: Brasil 61
 
Durante a entrevista, Sandro também falou sobre a inflação de alimentos que, no ano passado, acumulou alta de 14,09% de alta, o maior índice desde 2002, segundo o IBGE. A tendência, ele explica, é de que os preços se mantenham estáveis em 2021, mas a normalidade pode demorar um pouco mais. “O processo de deflação, de retornar aos preços a um nível um pouco mais baixo, vai demorar a aparecer. Só realmente quanto tudo se normalizar ao fim da pandemia, lá no final do ano”, projeta.
 
O mesmo vale para o mercado de trabalho, afirma o pesquisador. A chave para virar o jogo, ele confirma, é a “imunização em massa” da população. A entrevista completa, você confere logo abaixo. 

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Brasil 61