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TERMO DE USO E PARCERIA

TERMO DE USO E PARCERIA

Regras de Uso

1º - A utilização gratuita e livre dos materiais produzidos pelo Brasil 61 só será permitida depois que este termo de parceria for aceito pelo usuário, prevendo as seguintes regras:

a) A utilização do material - na íntegra, ou em partes - só será permitida desde que as informações não sejam distorcidas, manipuladas ou alteradas.

b) Não é necessário a identificação do Brasil 61 na hora da replicação do conteúdo. Mas toda e qualquer veiculação de áudios produzidos pelo Brasil 61 prevê o cadastro no site, com a disponibilização de dados que serão utilizados para a organização do mailing desta empresa,

2º - OBRIGAÇÕES DO BRASIL 61

a) O Brasil 61 se compromete, a partir deste termo de uso, a produzir conteúdo particularizado diariamente, trazendo informações de dia-a-dia e bastidores do Planalto Central, além de outras temáticas de relevância do noticiário nacional. 

b) O acesso ao conteúdo jornalístico (na versão de leitura) é livre e gratuito, podendo ser replicado por qualquer usuário que acesse o site. O download do áudio para que seja utilizado na programação das rádios requer que o radialista realize o login no site da Agência do Rádio - informando e-mail e senha cadastrados. 

3º - OBRIGAÇÕES DOS COMUNICADORES PARCEIROS

Não alterar o sentido dos materiais, ou distorcer fala de entrevistados ou mudar a conotação das mensagens dos materiais. 

ADENDOS IMPORTANTES SOBRE A PARCERIA

a) O Brasil 61 poderá distribuir conteúdo patrocinado com ou sem assinatura dos clientes patrocinadores do boletim e sem aviso prévio ao comunicador. 

b) As rádios parceiras não vão ter participação financeira sobre o faturamento do Brasil 61.

c) Os comunicadores podem patrocinar os conteúdos do Brasil 61, desde que não alterem o sentido e a conotação dos conteúdos oferecidos. Nesses casos, o Brasil 61 Mais não terá participação nos lucros conquistados pelos veículos parceiros. 

Ao clicar em ACEITO, a emissora aqui cadastrada afirma concordar e estar ciente de todas as condições apresentadas neste Termo de Utilização de Conteúdo.

Brasil

10/08/2020 00:00h

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência completa 15 anos em 2020 e contabiliza histórias de sucesso. A reportagem do Brasil 61 acompanhou, com exclusividade, a rotina de uma equipe do DF no transporte de pacientes com covid-19, diretamente da ambulância

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“Quando a USA chega, é para brilhar. Ela chega como estrela.” As palavras da enfermeira Ana Paula Yung, 49 anos, definem o que o trabalho dentro da Unidade de Serviço Avançado (USA) representa para ela. Nascida mineira, a profissional da saúde mora hoje no entorno do Distrito Federal (Valparaíso de Goiás) e atua na região administrativa do Gama, distante 34 km do Plano Piloto, sede do poder local e federal. São 11 anos dedicados a correr contra o tempo para salvar vidas e contar histórias – e isso ela tem de sobra. “Aqui é minha primeira casa”, decreta.

A unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) à qual Ana Paula se refere é considerada avançada por ter um médico compondo a equipe e para atender pacientes em casos mais graves. As demais são consideradas básicas, usadas em atendimentos de menor complexidade. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do DF, o Samu tem hoje 30 unidades de suporte básico e oito de suporte avançado.

A frota distrital conta ainda com 20 motolâncias, utilizadas para chegar mais rapidamente ao local do acidente e iniciar os procedimentos até a chegada da ambulância, e um helicóptero compartilhado com o Corpo de Bombeiros do DF, que prioriza atendimentos de longa distância, múltiplas vítimas, vítimas presas em ferragens e atendimentos que exigem mais velocidades, como infartos e Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 3,7 mil unidades móveis estavam habilitadas até julho deste ano. Desse total, 3,4 mil são ambulâncias, que cobrem cerca de 3,8 mil municípios espalhados por todo o Brasil. São mais de 177 milhões de pessoas alcançadas com o atendimento.

Assistência à população 

“Só o usuário que precisou do serviço do Samu sabe o quanto ele é importante”, crava o diretor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do DF, Alexandre Garcia. Doutor Garcia, como é conhecido entre a equipe, revela que o sistema recebe cerca de um milhão de ligações por ano. Dessas, 275 mil vão parar no telefone dos médicos da corporação. “Na ligação, eles orientam de alguma maneira ou fazem uma intervenção”, explica. 

E são dessas ligações para os médicos que surgem os trabalhos para o Samu. Por ano, são realizados cerca de cinco mil transportes e remoções de um hospital para outro e 75 mil intervenções no próprio local do acidente ou ocorrência. “Todo ano, entre 75 e 80 mil pessoas são atendidas pelo Samu”, contabiliza o diretor. 

 

 

Em um cenário de crise global na saúde, causada pela pandemia do novo coronavírus, Garcia assegura que o trabalho do Samu ficou mais evidente. “As pessoas que precisam do serviço estão usando-o e as pessoas que têm dúvida sobre o coronavírus também, embora o número de ligações não tenha aumentado tanto”, revela o médico. Em março e abril, o número passou de 75 mil para 60 mil. 

Garcia atribui essa estabilidade ao serviço conjunto com a Secretaria de Segurança Pública por meio do Telecovid, que, até maio, já tinha registrado 8.518 ligações de cidadãos com dúvidas ou buscando orientação sobre a covid-19. “As ligações são para orientar as pessoas para se acalmarem, para evitarem espaços públicos, para o uso adequado de máscaras e álcool em gel”, enumera. 

“No entanto, o número de intervenções aumentou. A gente fazia em torno de 300 transportes por mês. Em junho, foram 513 – metade foi de pacientes com covid”, pondera o diretor do Samu no DF. 

Unidades renovadas

A frota do DF foi renovada no ano passado. Essa renovação é feita pelo Ministério da Saúde a cada cinco anos, segundo o médico do Samu, mas as unidades do DF foram trocadas pela Secretaria de Saúde local. As manutenções estão em dia e todas possuem seguro e GPS, para que as unidades de controle acompanhem a viagem, caso necessário. “As viaturas mais antigas que temos são de 2018”, comemora Garcia.

“Os equipamentos são preconizados pelo Ministério da Saúde, eles são perfeitos. Temos até algo a mais para oferecer aos pacientes”, orgulha-se o médico. Contudo, as distâncias são os grandes limitantes. “A gente distribui as 38 viaturas em pontos espalhados pelo DF. Temos 18 pontos que servem para diminuir o que chamamos de tempo/resposta.” 

O número de viaturas depende de critérios do Ministério da Saúde. Cada carro com médico (a) e enfermeiro (a), a chamada Unidade de Suporte Avançado, é direcionado para atender, em média, 450 mil habitantes. Uma de suporte básico, com condutor (a) e técnico (a) de enfermagem, atende entre 100 e 150 mil habitantes. “O DF, que tem em torno de três milhões de habitantes, é contemplado com as oito avançadas e 30 básicas. Aos olhos do ministério, esse dimensionamento é correto, mas a gente sente falta de um pouco mais”, confessa. 

 

Frente à frente com o coronavírus

A reportagem do Brasil 61 acompanhou um plantão de uma ambulância do Samu no dia 23 de julho, das 7h às 19h, e conta como foi a experiência. 

Ocorrência 1

O plantão da equipe do Gama pela manhã começa às 7h. O Samu trabalha em esquema de plantão – são 24 horas, sete dias por semana. A enfermeira Ana Paula Yung é quem “comanda” a viagem. A experiência permite o cargo. Mãe de três filhos – dois do coração, como ela mesma afirma –, Yung divide agora todo o tempo disponível entre a mãe idosa, que mora com um irmão, e os pacientes que conhece no dia a dia. “Meus filhos já são todos criados. Só vou para casa para comer e dormir”, diverte-se. 

Em tempos de covid, a rotina começa com a lavagem da ambulância. A limpeza é feita a cada troca de paciente, intensificada nessa pandemia. Alguns hábitos, como usar máscaras e luvas, foram somados ao uso de capotes, face-shield (máscara-escudo) e roupas mais fechadas, para evitar qualquer tipo de contaminação. Dentro do centro de controle da região administrativa, funcionários tiveram que se adaptar às mudanças impostas pela pandemia. “Antes, entrávamos e saímos pela porta da frente. Agora, ao chegar de uma ocorrência, precisamos passar pela porta de trás, deixar os macacões, botas, tudo aqui, antes de entrar”, revela o médico Hítalo Ferraz, 34 anos, que acompanhou a reportagem durante a viagem. 

Macacões e coturnos são deixados em um lugar especial para evitar contaminação/ foto: Brasil 61

Com tudo pronto e todos devidamente paramentados, o tablet com as ocorrências já está ativado e devidamente logado com os nomes dos integrantes de cada equipe. Dentro da única USA disponível para o Gama, que também atende a região vizinha de Santa Maria (DF), vão a enfermeira Ana Paula, o médico Hítalo Ferraz e Paulo Roberto, 46 anos, condutor do carro. 

Antes de o tablet apitar com alguma ocorrência, Yung faz o check list diário dentro da viatura. Minuciosamente, a enfermeira verifica cada item que pode se tornar necessário para salvar vidas. Ela examina os aparelhos que auxiliam na respiração de pacientes com covid, os remédios necessários para sedação ou para aliviar a dor de quem aposta no serviço móvel. “O médico vai dizer se precisa intubar ou não. Se ele disser que vai, o enfermeiro vai perguntar para ele qual o número do tubo”, adianta. Ao contar sobre o trabalho essencial da enfermagem, Yung vai listando cada passo a ser tomado em uma decisão tão séria como a de intubar o paciente. “Não é chegar e ‘vamos improvisar’. Não! É tudo preparado antes”, frisa a profissional. “Muitas vezes a gente improvisa? Improvisa, mas se não estiver tudo funcionando corretamente, a USA não vai brilhar.”

O tablet apitou. É hora de correr. A equipe entra no carro e segue em direção ao Hospital Regional do Gama (HRG). As demandas são filtradas e distribuídas pela central de controle geral, localizada no Plano Piloto e comandada pelo diretor Alexandre Garcia. A primeira ocorrência do dia é o transporte de um paciente em estado grave, acometido pela covid-19. Dentro da ambulância, a expectativa é de mais um dia de surpresas – algumas boas, outras nem tanto. 

São 8h05. A ambulância estaciona em uma entrada do hospital reservada somente para pacientes com o novo coronavírus. No DF, até a data dessa ocorrência, já eram mais de 92 mil casos confirmados da doença e 1,2 mil mortos. Segundo dados do Painel Covid, lançado pela SES-DF, o Gama registrou quase 4,5 mil casos até 25 de julho – 76 vidas foram ceifadas até então. 

O paciente a ser transportado tem 42 anos e está em um dos boxes de emergência do HRG. Ele está intubado e instável, o que faz com que a equipe do Samu e a do próprio hospital demorem mais de uma hora até que possa ser transportado dentro da ambulância. O trabalho é delicado e inspira cuidados. A vítima não apresentava nenhuma comorbidade. No dia da transferência para um leito de UTI, o paciente completava cinco dias de intubação. 

O enfermeiro Edmar Teixeira, 30 anos, é quem auxilia a equipe do Samu na ocorrência. No local com seis leitos de urgência, Edmar revelou já ter 13 pacientes em estado grave. “A gente tem que fazer gambiarra”, alerta o enfermeiro. “Se as pessoas vissem essa realidade, acho que daria um choque nelas”, observa.

Com o paciente estabilizado, é hora de levá-lo para a ambulância. Hítalo Ferraz adianta que a covid-19 tomou 75% do pulmão do paciente. “A doença é nova, não sabemos se ele recupera a capacidade do pulmão”, lamenta o médico. O condutor da ambulância, Paulo Roberto, ajuda em todo o processo. Ele sempre está ao lado da enfermeira e do médico, auxiliando no transporte e remoção dos pacientes. “A gente auxilia e conduz também. Eu gosto do serviço, é muito gratificante. A gente ajuda as pessoas, né? É muito bom”, comenta, com jeito tímido e manso, que contrasta, muitas vezes, com a rotina pesada.  

Já são quase 10h. A demora em estabilizar o paciente faz o médico Hítalo promover o paciente de grave para gravíssimo. “Pode ligar a sirene, Paulo”, avisa. Uma certa tensão toma conta do carro. O jeito mais tranquilo de dirigir a viatura dá lugar a um condutor de olhar mais preocupado e a ambulância parece ganhar asas quando ele acelera rumo ao Hospital das Forças Armadas (HFA), hospital militar de Brasília. 

Após quase uma hora entre os trâmites de remoção, a família chega apreensiva em busca de notícias. Com as informações repassadas, a unidade móvel parte para a primeira descontaminação e troca de equipamentos de proteção individual (EPIs), que ocorre cada vez que um paciente contaminado é transportado ou removido. 

Ocorrência 2

Uma breve pausa para esticar as pernas, beber o primeiro copo de água após horas e almoçar rapidamente. É a chance de ir ao banheiro também – não se sabe quando haverá oportunidade. Os momentos de tranquilidade são interrompidos pelo apito do tablet, que recebe as demandas do dia. Agora é a vez de um paciente internado no Hospital Regional do Paranoá (HRPA), distante quase 55 quilômetros do Gama, região de origem da ambulância. 

A vítima apresenta problemas cardíacos e suspeita de covid-19 (no exame de imagem, o pulmão se assemelha a um “vidro fosco”, um dos sintomas de doenças respiratórias, o que pode indicar infecção pelo novo coronavírus), mas está consciente. A ocorrência é considerada de urgência pelos problemas cardíacos do homem, que tem por volta de 60 anos. Ele conversa com o médico, explica a condição, e dali a equipe parte para o Hospital de Base, um dos centros de referência em saúde de Brasília. 

Não há nenhuma certeza de que o paciente conseguirá um leito por lá, visto que ele foi para uma espécie de avaliação. Os médicos do Base observam a condição do paciente, debatem com a equipe do Samu (há todo um processo burocrático por trás dessa “mera” avaliação) e, por fim, decidem pela internação – a situação dele poderia se agravar, ainda mais com a suspeita da doença. 

Com o paciente devidamente internado, é hora de partir para a segunda descontaminação do carro e a segunda troca de EPIs. Com a pandemia, os procedimentos de segurança foram redobrados. Touca, propé, dois pares de luvas, capote, duas máscaras, óculos especiaies ou face shield para proteger também os olhos. Alguns são descartáveis a cada contato com paciente infectado, outros são devidamente higienizados e reutilizados, como é o caso da máscara-escudo. 

E a cada troca e higienização, o olhar de alívio parece surgir em cada rosto, dando oportunidade para troca de gentilezas e de companheirismo. Ao conseguir colocar a máscara sozinha, a reportagem do Brasil 61 foi elogiada. “Conseguiu colocar a máscara sozinha? Brilhou”, brinca o médico Hítalo Ferraz. 
 

Ocorrência 3

Já são 16h45. Ana Paula Yung, Hítalo Ferraz e Paulo Roberto sinalizam que o dia 23 de julho de 2020 foi “atípico”. Na opinião do trio, houve uma certa demora em estabilizar os pacientes, o que é essencial para o transporte, e avisam que são raras as vezes em que eles não retornam para a base, no Gama, entre uma ocorrência e outra. “Normalmente, a gente remove um paciente, volta para a base e fica aguardando o próximo chamado, é até tranquilo. Hoje foi atípico”, pontua Ferraz.

Ana Paula conta que a média de atendimento é entre três e quatro pacientes por dia, devido ao tempo para checar o paciente, estabilizá-lo e transportá-lo com segurança de um lugar para outro. “Mas já chegamos a atender sete”, lembra Yung.  

Dessa vez, a terceira missão da equipe será em Santa Maria, local com quase três mil casos confirmados da doença até a data da visita. A paciente está na UTI do HRG, local já visitado pelo Samu pela manhã. A paciente agora é uma senhora de 91 anos. Segundo relato dos netos, a avó estava firme no distanciamento social. Lúcida e muito ativa, ela não recebia visitas dos familiares desde março, quando a doença despontou no DF. “Por um descuido, ela estava sentada e, ao levantar, quebrou a perna”, conta o neto, que preferiu não se identificar. 

Com os olhos marejados, ele relembra já com saudades as histórias da matriarca e revela a tristeza pelo descaso do sistema de saúde. Um levantamento da Secretaria de Saúde distrital mostra que a taxa de ocupação dos leitos de UTI no DF, na segunda quinzena de julho, já chegava a 91,39% na rede privada e ultrapassava os 76% na rede pública. Na data, dez hospitais da unidade federativa já estavam completamente ocupados. “Demoraram muito para tomar alguma providência. Já são quase 20 dias (a contagem foi feita no dia 23 de julho). Ela chegou com uma perna quebrada e está saindo com covid-19, que pegou dentro dentro da UTI”, critica o rapaz. 

Após uma hora, a equipe sai da UTI do Hospital Regional do Gama em direção ao Hospital Regional de Santa Maria. Com todo o cuidado que a paciente inspira, é colocada dentro da ambulância. A senhora é a segunda paciente do dia a ser “promovida” de grave para gravíssima. Pelo andar do relógio, que já marca quase 18h, o trânsito impede que a viatura siga mais veloz rumo ao centro de saúde. 

O sol já está se pondo. A equipe corre contra o tempo para que a mulher de 91 anos chegue estável e com vida após a transferência de hospitais. A família vem logo atrás, com um misto de tristeza com esperança. “Está nas mãos de Deus. Não estamos preparados”, diz a neta, enquanto as lágrimas correm pelo rosto. “Ela estava lúcida. Minha mãe ligou para ela esses dias e ela perguntou por mim, sabia o nome de cada um dos filhos e netos. Agora a rotina dela mudou toda”, diz, ainda inconformada. 

Hítalo deixa a paciente e tenta tranquilizar os parentes. “O estado dela é gravíssimo, mas ela já está na UTI e sendo cuidada.” Agora, está nas mãos dos médicos – para os familiares, as mãos de Deus também vão ajudar. 

Quase 19h. A ambulância vai agora passar pela última descontaminação antes do próximo plantão, que começa em poucos minutos. A troca final de equipamentos do dia revela os rostos marcados pelas máscaras, que muitas vezes apertam, incomodam, machucam. Com essa dor, é possível se acostumar. Faz parte do ofício. Mas a dor de lidar com um inimigo invisível, que já separou do convívio tantas famílias, com essa ainda não aprendemos a conviver. 

“Sempre vai ter alguém esperando pelo paciente em casa. Eu tento fazer o melhor dentro das condições que a gente tem. Sempre tento transportar o paciente com segurança e estabilidade para que ele não corra riscos”, externa o médico Hítalo Ferraz. Ele, que ainda é um “calouro” no Samu – está há menos de um ano na corporação –, acredita que a união da equipe é capaz de superar qualquer obstáculo de tempo. Ana Paula Yung reforça isso. 

“Ali não é só um paciente. É o amor de alguém, é um pai, uma mãe, é alguém especial.” O transporte e remoção de amores é apenas uma das funções das equipes do Samu. Elas brilham mesmo.  

Do transporte à emergência

Aos 36 anos, a enfermeira Hauanne Calasans já viu de tudo um pouco. Esse ano, ela completa sete anos exercendo a profissão que ela aprendeu a amar. “Na época, eu não tinha muita opção, pelas condições. Fiz o curso, mas aprendi a amar, eu amo a minha profissão”, derrete-se ela, que atua há 15 anos também como técnica de enfermagem. 

Hauanne não é só técnica e enfermeira. Ela também é mulher, filha e mãe de duas crianças – um menino de quatro anos e uma pequena de dois anos. A dupla é imbatível e divide o tempo da enfermeira entre as músicas infantis e o socorro com os pacientes no Hospital Regional da Samambaia (HRSAM), a mais ou menos 30 quilômetros do Plano Piloto (DF). 

A clínica médica, onde ela trabalha hoje, tinha uma rotina completamente diferente da realidade de hoje, diante da pandemia de covid-19. “Antes dessa loucura toda, o perfil dos pacientes que atendíamos era de pessoas totalmente dependentes, acamadas, com doenças crônicas. Grande parte era de idosos com sequelas de AVC, jovens com algum trauma e que, por isso, ficaram sequelados”, elenca. “Até então, a gente achava que trabalhava no limite”, relembra. 

Após o número de casos disparar no DF e na região administrativa de Samambaia – até o dia 25 de julho, seis mil casos foram registrados –, esse perfil foi por água abaixo. “O perfil do hospital inteiro mudou. A gente nunca sabe qual é o nosso limite até chegar ao limite”, desabafa. O centro de saúde era dividido em alas e cada uma com uma especialidade diferente. Com o advento da pandemia, a unidade atende basicamente pacientes acometidos pelo novo coronavírus. 

“O que antes eram casos isolados, agora se transformou em uma realidade inacreditável”, conta. Todo o hospital agora só recebe pacientes com a doença. “Eu não acreditava que a gente fosse chegar a esse nível. Pensava que poderiam acontecer alguns poucos casos. Foi gradativo, mas muito rápido. O que tínhamos antes acabou”, diz Hauanne.

Ela aproveita para ressaltar a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem mostrado a importância de se democratizar o acesso ao serviço. “É o bom e velho SUS fazendo milagres em um momento como esse. Mas é nesse momento que se mostra a força desse sistema, que é muito bonito apesar de toda a dificuldade. Ele precisa ser valorizado”, clama a enfermeira. “Antes da pandemia, a gente tinha que matar um leão por dia, agora são dois. Valorizem os profissionais da saúde e o SUS.”

Ela critica a atuação do governo local e federal diante do cenário da maior crise sanitária global do século. Os profissionais na linha de frente estavam sendo testados a cada 15 dias, procedimento que foi suspenso de uma hora para outra. “Muitos colegas testaram positivos e não apresentaram nenhum sintoma. Eles podem infectar todos à volta, isso é uma falha muito grande, a meu ver, o que aumenta o tempo de afastamento dos profissionais”, endossa. 

Calasans adverte, ainda, para a decisão federal de colocar a economia acima de vidas. “Falar sobre isso pode até ser fácil para mim, que sou servidora pública e tenho meu dinheiro garantido todo mês. Eu entendo que é difícil a situação de quem precisa trabalhar fora, do autônomo, do dono do bar, do dono da escola, mas a decisão de reabrir tudo foi precipitada. A impressão que tenho é que as pessoas colocaram mesmo o dinheiro acima de tudo, inclusive da vida. O reflexo está aí”, lamenta, lembrando que o Brasil ultrapassou a marca de 2,3 milhões de casos positivos da doença e chora os mais de 85 mil mortos. “É fato, a vida continua. Mas para muitos não continuou.”

Nesse momento, a saúde psicológica também fica afetada. “A gente também tem medo. Tem medo de se contaminar, contaminar as pessoas da família. Alguns têm a chance de ficar em locais afastados, como hotéis, mas não é o meu caso”, avisa. Ela mesma já ficou afastada do trabalho, alegando estresse causado pelo colapso na saúde. 

“Torço para que as pessoas voltem a ter aquela comoção do início da pandemia. Muitos estão passando fome, sem emprego. Então, se cada um fizer sua parte, ajudando o próximo e ficando em casa, em segurança, as coisas podem ser diferentes”, conclui a enfermeira, ainda otimista à espera de uma vacina e de dias melhores. 

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08/08/2020 00:00h

Levantamento feito por cientistas de universidades públicas do Paraná, Pernambuco e Sergipe mostra que afrouxamento das medidas de segurança contra a doença podem ter contribuído para resultado negativo

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No mês em que o Brasil ultrapassou os 2,6 milhões de casos confirmados da Covid-19 e se aproximava dos 100 mil mortos pela doença, um estudo realizado por pesquisadores de universidades federais do Brasil mostrou que capitais como Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) regrediram no combate à pandemia. Juntas, as cidades somavam, em julho, 27,9 mil casos confirmados da doença. 

Outras cinco capitais também integravam essa amarga lista: Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), João Pessoa (PB) e Brasília (DF) – a capital federal caminhava, até o dia 31 de julho, para 105 mil casos confirmados (na primeira semana de agosto, já eram quase 120 mil).  A avaliação considerou a situação no dia 19 de julho nas 27 capitais brasileiras. Os dados foram calculados a partir de um sistema de projeções chamado ModInterv, que tem como base modelos matemáticos que mostram informações da curva epidemiológica (como número de contágio e/ou óbitos) e da localidade (como cidade, estado ou país). 

A partir dos dados é que entram os três modelos matemáticos. A aplicativo faz os ajustes das curvas epidêmicas e decide qual modelo é mais apropriado para determinada localidade. Com essa análise, é possível determinar em que fase da pandemia se encontra cada capital – exponencial, intermediária ou de saturação. 

De acordo com especialistas das universidades do Paraná (UFPR), de Pernambuco (UFPE) e de Sergipe (UFS), responsáveis pela análise dos dados, as oito cidades mencionadas estavam com curva acumulada de mortalidade em ascensão, seja ela mais ou menos acentuada. Para chegar a essa conclusão, os cientistas consideraram o cenário de mortes por Covid-19 já registradas na primeira quinzena abril, o que leva a crer que as cidades estão falhando nas medidas de combate ou que houve retrocessos no combate ao vírus por causa do afrouxamento de medidas de prevenção.

“As capitais da região Sul se encontram em regime de crescimento exponencial de casos na epidemia. É importante lembrar que essas cidades, no início, tiveram crescimento bem mais lento, exatamente pelas medidas de contenção adotadas logo no começo da pandemia”, alerta o professor Giovani Vasconcelos, do Departamento de Física da UFPR, que participou do estudo. 

“Com o relaxamento das medidas de isolamento, a curva de óbitos de Curitiba, por exemplo, passou a crescer de forma acelerada a partir de junho. Foi como se a epidemia estivesse começando de novo”, lamenta o pesquisador. 

O levantamento mostra que a maioria das capitais já se encontrava, no mês de julho, em uma fase intermediária da doença, ou seja, saíram da fase exponencial (ou crescente) e estavam em regime de crescimento mais lento, com curvas epidêmicas em desaceleração. “Nesses casos, podemos dizer que o pior já passou. Contudo, a epidemia ainda não está controlada nessas cidades, ou seja, as curvas epidêmicas ainda não atingiram a fase de saturação, que é quando há uma forte desaceleração da curva de óbitos em direção ao platô final, o que representa o fim da epidemia”, explica Vasconcelos.

Mais de 1,6 milhão de pessoas já se recuperaram da Covid-19 no Brasil

Recife (PE) e Belém (PA), segundo os dados levantados na data de referência, eram as únicas cidades que haviam atingido essa saturação. Maceió (AL), em escala bem menor, estava quase atingindo essa fase. “Isso significa que essas capitais lograram certo controle sobre o vírus, na medida em que o número diário de óbitos vem caindo de forma consistente. Entretanto, é preciso continuar com medidas eficazes de controle, como evitar aglomerações e manter o distanciamento social, para que não haja uma relargada da epidemia nessas capitais”, reforça. Até 31 de julho, Belém tinha 2.075 mortes registradas e 25,5 mil casos confirmados. Na primeira semana de agosto, os números de casos subiram para 27,8 mil. Em Recife, eram 2,1 mil mortes e 26,5 mil casos positivos até o final do mês passado. Agora, são 27,8 mil casos e 2,2 mil mortos. 

O médico infectologista Hemerson Luz encoraja a população a manter as medidas de segurança repassadas por órgãos oficiais de saúde. “Enquanto não houver vacina, o isolamento é a melhor forma de evitar o contato com o novo coronavírus. Estamos falando de toda uma população que é suscetível, ou seja, quem tiver contato com o vírus, vai abrir um quadro para a Covid-19. E existe um amplo espectro de manifestação clínica, que vai desde quadros brandos até aqueles que necessitam de UTI e os que podem, infelizmente, evoluir para o óbito”, alerta. 

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07/08/2020 20:30h

País acumula 2.962.442 casos confirmados

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O Brasil tem 99.572 mortes confirmadas por Covid-19 até a noite desta sexta-feira (07), segundo dados do Ministério da Saúde. Sobre os infectados, foram 50.230 novos diagnósticos nas últimas 24 horas e o acumulado é de 2.962.442.

Subfinanciamento do SUS pressiona municípios

Ao reduzir burocracia, novo marco legal pode acelerar liberação de testes clínicos em humanos

CNS aponta para dificuldades de financiamento da Atenção Básica em Saúde

Neste início de mês, os três estados do Sul, além de Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte, apresentaram alta no número de mortes. No cenário mundial, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no total de óbitos e casos confirmados. 
 

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06/08/2020 12:00h

Sete estados da região Nordeste entraram com uma ação questionando a concentração das suspensões dos benefícios na região

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O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve decisão do ministro Marco Aurélio Mello que proibiu cortes no Bolsa Família. Em março, o ministro havia decidido de forma provisória em favor de sete estados (Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte), que entraram com uma ação questionando a redução dos repasses da União para o programa. 

Bolsa Família alcança mais de 14 milhões de famílias em julho

“Renda Brasil deve ser enviado ao Congresso em 30 dias e irá substituir o Bolsa Família", diz Onyx Lorenzoni

Renda Brasil deve mirar na redução do desemprego, diz ministro da Cidadania

Na época da decisão preliminar, o Ministério da Cidadania já havia se posicionado informando a suspensão dos bloqueios e cancelamentos do Bolsa Família por 120 dias, além de prever que incluiria mais 1,2 milhão de famílias no programa. 

O questionamento dos estados ao STF se deu porque o Governo Federal, de acordo com os governadores, suspendeu 158 mil bolsas do programa em março, das quais 61% foram no Nordeste. Além disso, apontam que, em 2019, os novos benefícios ficaram concentrados no Sul e no Sudeste (cerca de 75%). 

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05/08/2020 16:40h

Segundo ela, vínculo é importante para melhorar a gestão do Bolsa Família, por exemplo

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A nova secretária Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), do Ministério da Cidadania, Fabiana Rodopoulos, defendeu o fortalecimento do vínculo com estados e municípios para melhorar a gestão do Programa Bolsa Família (PBF).  

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Auxílio Emergencial ajuda a baixar pobreza extrema no Brasil

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Para Fabiana, isso exige que a Senarc se reinvente na atenção aos mais vulneráveis, o que parte da capacitação dos próprios atores envolvidos no processo.  Ela defendeu a atuação do Governo Federal com os gestores locais para melhorar o programa, já que esses gestores são importantes para “garantir o acesso da população aos direitos sociais”. 

Atualmente, o programa atende a mais de 14,2 milhões de brasileiros e tem um investimento superior a R$ 15 bilhões ao mês. 

Reportagem, Felipe Moura.

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05/08/2020 00:00h

Levantamento da Open Knowledge Brasil avalia divulgação da situação epidemiológica sobre o coronavírus em estados e municípios

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Entre todas as capitais brasileiras, 14 têm nível insatisfatório de transparência de dados sobre a situação epidemiológica do coronavírus. É o que aponta o Índice de Transparência da Covid-19, elaborado pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Open Knowledge Brasil, que avalia a divulgação dos dados das políticas de enfrentamento à pandemia em estados e municípios. 

O boletim divulgado em 30 de julho revela que apenas nove cidades publicam base de dados detalhadas, sendo duas de forma completa e sete, parcial. Apesar da melhora desde o primeiro levantamento da OSC em nível municipal - na primeira quinzena de julho -, quando 15 cidades apresentaram índice insatisfatório, a organização ainda classifica a situação como preocupante.

A principal dificuldade das gestões locais, segundo a OSC, está na transparência de dados relativos à infraestrutura de saúde. A coordenadora de Advocacy e Pesquisa da Open Knowledge Brasil, Camille Moura, explica que municípios que têm autonomia na gestão pública de saúde apresentam mais transparência de dados quando comparados a cidades que têm o governo estadual como gestor.  

“Nos municípios que têm gestão plena de saúde, a gente detecta que existe um melhor fluxo de informação. Com essa gestão o município consegue saber o que acontece, especificamente, nas unidades de saúde e qual é a gestão de leitos. Quando a gestão não é plena os municípios agem de forma complementar à gestão estadual e não tocam a gestão pública de saúde”, avalia. 

Segundo Moura, em muitas situações, não há sinais de troca clara de informações entre as gestões municipal e estadual. “O município tem dificuldade de saber como se disponibiliza aquelas informações, como explica a situação do enfrentamento, se não é ele que está coordenando essa ação, mesmo que as ações ocorram dentro da sua área de atuação”, completa. 

A doutora em Saúde Coletiva e professora da Universidade de Brasília (UnB), Carla Pintas Marques, destaca a importância da transparência na publicação de dados relativos à saúde pública. Segundo Marques, as informações tornadas públicas norteiam as ações tomadas no enfrentamento da pandemia.

“Todas as informações são fundamentais para a população conhecer como está a evolução da doença, e, a partir daí, entender a importância das medidas que estão sendo tomadas, de fechamento do comércio, das atividades que estão sendo pensadas em serem feitas, necessidade de isolamento social. Por isso que precisamos que esses dados sejam informados e passados para a população de forma correta para que entendam a real situação”, pontua a professora. 

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Melhora

Apesar do resultado negativo em boa parte das capitais, algumas cidades apresentaram melhora na transparência dos dados da Covid-19. É o caso, por exemplo, de Salvador (BA). Entre o primeiro e o segundo levantamento da Open Knowledge, a capital baiana foi líder em variação de pontos positivos. A gestão municipal passou a divulgar base de informações detalhadas em formato aberto e inseriu dados sobre ocupação de leitos da Covid-19. 

Maceió (AL) e Manaus (AM) também merecem destaque. O município alagoano aprimorou a navegação e incluiu mais detalhes sobre os casos confirmados, enquanto a capital do Amazonas apresentou melhora na divulgação de informações sobre a infraestrutura de saúde.

Por outro lado, Macapá (AP) deixou de atualizar sua base de dados detalhados sobre infraestrutura e despencou no ranking de transparência. A cidade, que ocupou a primeira posição no primeiro levantamento, caiu para a décima colocação. Em Campo Grande (MS) e Goiânia (GO), alterações em boletins epidemiológicos implicaram a perda de informações, como a descrição e conceitos dos dados apresentados, no caso de Mato Grosso do Sul, e não inclusão do gráfico de série histórica de casos confirmados, em Goiás. 

“Ser transparente não necessariamente está relacionado com o orçamento, mas claro que quando há orçamento favorável há mais facilidade e agilidade, mais pessoas. Os municípios, via de regra, dependem de repasse, não tem receita muito grande. Por conta disso, acabam tendo, muitas vezes, menos acesso a tecnologias, a softwares, que auxiliam no processamento de dados”, explica Camille Moura.

“Macapá, por exemplo, despencou no ranking porque não conseguiu atualizar os dados. Fizeram esforço de abertura de base de dados, tanto que lideraram na primeira rodada, mas não atualizaram”, complementa. 



Metodologia

O Índice da Transparência da Covid-19 nas capitais é atualizado a cada 15 dias e leva em conta três cenários. Cada um é subdividido em itens que agregam um conjunto de aspectos avaliados separadamente. O índice é representado em uma escala de 0 a 100, em que 0 significa o local menos transparente e 100, o mais transparente.

No primeiro cenário, conteúdo, são considerados itens como idade, sexo, raça/cor e hospitalização dos pacientes confirmados, além de dados sobre infraestrutura de saúde, como ocupação de leitos e testes disponíveis.

O segundo é a granularidade. Essa dimensão avalia se os casos estão disponíveis de forma individual ou anonimizada, além do grau de detalhamento sobre     a situação epidemiológica por localidade, como bairro ou município, por exemplo.

O terceiro e último cenário é o formato, onde se leva em consideração pontos positivos a publicação de painéis analíticos, planilhas em formato editável ou navegação simples. 

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04/08/2020 19:18h

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde desta terça-feira (04) aponta 95.819 mortes acumuladas

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Nesta terça-feira (04), o Brasil teve mais um dia com número alto de casos confirmados de Covid-19. Segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, mais de 51 mil novos diagnósticos foram registrados nas últimas 24 horas. O total de infectados desde o início da pandemia é de 2.801.921 e os óbitos acumulam 95.819. 

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O cenário entre os estados se manteve o mesmo do observado nas últimas semanas. São Paulo, Ceará, Bahia e Rio de Janeiro seguem como os locais mais afetados pela pandemia. Segundo os dados oficiais do governo federal, quase dois milhões de pessoas que tiveram a Covid-19 estão recuperadas, número que representa 70% do total de infectados em território nacional.
 

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Economia
04/08/2020 10:45h

Publicada em 30 de julho, portaria prorroga prazo para que estados, municípios e DF se adequem às alíquotas de contribuição ao RPPS, previstas na EC nº 103/19

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Foi prorrogado para 30 de setembro o prazo para que estados, municípios e Distrito Federal se adequem às alíquotas de contribuição ao Regime Próprio de Previdência Social, o RPPS, previstas na Constituição Federal. A portaria do Ministério da Economia, publicada no último dia 30, prevê também prazo maior para transferências de pagamentos dos benefícios de incapacidade temporária. 

Segundo a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), o prazo ainda é considerado insuficiente. A entidade avalia que o ideal seria prolongar o período até março do ano que vem, para evitar conflitos com a Lei de Responsabilidade Fiscal.  

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A FNP alega, ainda, que a falta de condições organizacionais e operacionais favoráveis para as implementações previstas e as dificuldades políticas em ano eleitoral são pontos a serem considerados nesse pedido de prorrogação. 

Em nota no site, a FNP afirma que “os prefeitos continuarão reivindicando um prazo mais razoável”.
 

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04/08/2020 00:00h

Estimativa é de um estudo publicado pela CNA nessa quarta (29); dados revelam que, no ano passado, 85% da movimentação entre o bloco econômico e os canadenses foi do Brasil e que mercado de carne ainda é um ponto sensível, mas com potencial a ser explorado

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O acordo de livre comércio entre países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e Canadá pode alavancar as exportações agropecuárias em US$ 7,8 bilhões em 2020. A projeção é de um estudo realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgado na última quarta-feira (29), que apresenta os desafios e as oportunidades para as cadeias produtivas do setor agropecuário.  

O Mercosul tem hoje como membros efetivos Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (essa temporariamente suspensa, por motivos de ruptura da ordem democrática). No ano passado, o comércio entre o Mercosul e o Canadá movimentou cerca de US$ 6,6 bilhões. “Desse total, 85% foi comércio com o Brasil. Isso mostra a relevância do nosso país nesse bloco, especialmente na relação com o Canadá”, avalia a coordenadora de Inteligência Comercial da CNA, Sueme Mori. 

Com um recorte específico para o agronegócio, Sueme arrisca dizer que o desempenho brasileiro diretamente com o Canadá movimentou em torno de US$ 483 milhões no ano passado. “Esse número já foi muito maior em anos anteriores. O estudo da CNA mostra que a assinatura de um livre comércio entre o Mercosul e o Canadá tem um potencial de gerar ganhos de exportações para o agro na casa dos US$ 7,8 bilhões. Ou seja, o setor acredita que a assinatura desse acordo seria muito benéfica para as exportações agropecuárias”, reforça a coordenadora.

O levantamento da Confederação aponta que, em 2019, o comércio direto de bens entre Brasil e Canadá movimentou cerca de US$ 5,6 bilhões. O país norte-americano foi o nono principal destino das exportações totais do Brasil, como revelam os dados. Nesse mesmo ano, as exportações brasileiras tiveram a maior receita desde 1997, em torno de US$ 3,4 bilhões, e houve registro do maior saldo positivo para o Brasil no comércio bilateral (USS 1,1 bilhão). 

A coordenadora-geral de Negociações Comerciais Extrarregionais do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Paula Barboza, explica que o Brasil vem estreitando laços com os canadenses desde 2017, quando “reativou” o contato com país do Hemisfério Norte. Segundo ela, o país estava em diálogo exploratório com os canadenses ainda em 2015, mas devido às mudanças no governo do Canadá, o contato foi reduzido.  

“Desde 2016 estamos em uma política de comércio exterior bastante voltado à abertura e à negociação de acordos bilaterais. De 2018 para cá, já tivemos sete rodadas negociadoras com o Canadá, a última delas no segundo semestre de 2019. Esse é um acordo bastante amplo, que vai envolver liberalização dos mercados de bens, serviços, investimentos e compras governamentais, além de uma gama ampla de disciplinas. Ele vai além do acordo que já fechamos com a Associação Europeia de Comércio Livre (Efta) pela amplitude de comércio”, contextualiza Paula. 

Importação e exportação 

De acordo com o estudo “Acordo Mercosul – Canadá: Oportunidades e Desafios para a Agropecuária Brasileira”, da CNA, os embarques brasileiros de alumina calcinada e outros produtos químicos, ferro, aço e ouro ajudaram a elevar a receita das exportações brasileiras em cerca de 45% de 1997 para cá.  A alumina calcinada (óxido de alumínio) e o alumínio representaram cerca de 35% da pauta exportadora para o Canadá em 2019 – ambos com destino à indústria automobilística. 

Em relação às importações brasileiras, o principal produto é o cloreto de potássio, utilizado como fertilizante. O insumo químico, importante para o agro, representou 49,5% das importações brasileiras do país no ano passado. 

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Paula Barboza reforça que essa é a primeira vez que há uma lista negativa negociada pelo Mercosul na área de serviços e investimentos. Lista negativa quer dizer que tudo que não estiver na lista está liberalizado. “Então é uma ampla abertura do setor de serviços e investimentos e no setor de compras. A nossa intenção é participar de licitações no governo do Canadá, não só na esfera federal, mas nas províncias também, e isso pode envolver a compra de insumos agrícolas”, adianta. 

A tarifa média de importação do Canadá é de 4% e cai para 2% no setor industrial. No setor agrícola, essa média sobe para 15%, com picos que podem ultrapassar os 200%, segundo análise de Paula. “Hoje, 70% das exportações brasileiras para o Canadá já entram livre de tarifas. Nosso objetivo é que consigamos entrar no Canadá com mais de 96% das nossas exportações livres de tarifas”, antecipa. 

Para a coordenadora-geral de Negociações Comerciais Extrarregionais do MRE, o que pode tornar a relação mais “sensível” entre os países na área agrícola é o sistema de administração de oferta canadense de alguns produtos, como frangos, ovos e lácteos. O comércio de produtos do agronegócio com o Canadá registrou, em 2019, uma movimentação da ordem de US$ 628,7 milhões, valor 25% menor em relação ao ano anterior, aponta o levantamento da CNA. As maiores baixas registradas foram as de açúcar de cana, carne bovina industrializada e celulose. 

“A sensibilidade do Canadá é muito grande nesses produtos e em outros, como carne bovina e açúcar, e eles tendem a ser defensivos em relação a esses produtos. Isso será um desafio para a equipe brasileira, porque essa sensibilidade envolve produtos que são carro-chefe do Brasil. Nossas atenções estão voltadas para isso e para as concessões que o Canadá poderá fazer em relação aos produtos”, alega Paula.

Mercado de carne

O estudo da CNA aponta um ganho potencial de comércio de carnes, um dos setores sensíveis apontados pelo MRE. O setor está entre os cinco que concentraram quase 90% das exportações ao Canadá, ao lado do complexo sucroalcooleiro, café, produtos florestais e frutas. Os embarques de proteína animal corresponderam a 9,6% do total. Os números mostram que o valor se divide basicamente em carne de frango in natura (US$ 36,8 milhões) e carne bovina industrializada (US$ 9,2 milhões).

“A gente deve observar que o setor de carnes é um setor que geralmente tem um grau maior de sensibilidade com todos os parceiros com quem negociamos. Com o Canadá, não é diferente”, observa o coordenador-geral de Assuntos Comerciais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Halfeld. 

Ele afirma que essa sensibilidade pode ser maior com a carne de frango. “A carne bovina não enfrenta picos tarifários tão elevados no Canadá, que fica em torno de 26%. A carne de frango que é um caso de maior proteção no país da América do Norte, que enfrenta picos de quase 250%. De fato, são produtos que o Canadá tem maior resistência a apresentar uma oferta”, alerta. 

Na visão de Halfeld, esses produtos são prioritários no foco de negociação brasileiro. “Com a abertura obtida pelo acordo, esses setores vão conseguir, de fato, apresentar um excelente resultado futuro e o Canadá passará a ser um parceiro importante no destino das nossas exportações de carne”, aposta. 

Na avaliação do diretor do Departamento de Temas Técnicos, Sanitários e Fitossanitários do Mapa, Leandro Feijó, toda a trajetória de negociações com o Canadá, tanto dentro do governo federal quanto do setor privado, estabeleceu uma boa linha de trabalho e de entendimento entre os países. Sobre o mercado de carnes, ele enfatiza. 

“Eu vejo hoje na cesta de produtos do agro que, sem dúvidas nenhuma, é a cereja do bolo desse processo, uma vez que já temos o comércio fluido em relação à carne de aves. Nesse momento nos encontramos em discussão bem aprofundada e acelerada com o governo canadense para concluir as negociações para abertura do mercado de carne bovina in natura e da carne suína”, revela Feijó, que conclui: “O setor traz elementos para que o negociador saiba quais são as necessidades do produtor brasileiro”.

Inicialmente previsto para este ano, a expectativa é de que o acordo seja finalizado no final de 2021 ou em 2022, devido à pandemia do novo coronavírus.

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03/08/2020 20:30h

Pasta afirma ter distribuído 216 milhões Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) a estados e municípios

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O Governo Federal afirma ter investido R$ 1,63 bilhão em habilitação de leitos de UTI desde o início da pandemia. Em entrevista coletiva na noite desta segunda-feira (03), o Ministério da Saúde divulgou que foram habilitados 11.353 leitos exclusivos para tratamento de pacientes diagnosticados com Covid-19 em estados e municípios.

São Paulo é a unidade de Federação que mais recebeu leitos do governo federal até o momento - 2.466. Na sequência, aparecem Minas Gerais (994), Rio de Janeiro (762) e Rio Grande do Sul (697). A pasta da Saúde afirmou ainda que já distribuiu 216 milhões de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e 8.923 ventiladores pulmonares a todos os entes federados.

“Cabe destacar que tanto com relação aos ventiladores pulmonares quanto em outras ações, nós estamos reforçando aquilo que é atribuição de estados e municípios pela gestão tripartite que é a aquisição de equipamentos, medicamentos, insumos. O ministério com seu poder de compra tem adquirido aqueles de maior dificuldade, mais estratégicos, para reforçar a ação de estados e municípios”, explicou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco.

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Vacina

O Ministério da Saúde também detalhou a parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa farmacêutica britânica AstraZeneca para transferência de tecnologia para a produção da vacina contra a Covid-19.

Segundo o governo federal, dentre todas as 231 vacinas em testes ao redor do mundo, essa é a que está mais avançada em testes em seres humanos. De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Hélio Angotti Neto, o Ministério da Saúde levou em consideração alguns critérios antes de decidir em qual vacina investir.

“Primeiro, acesso seguro, eficaz e rápido da vacina para a população brasileira. A realização de ensaios clínicos para o imunizador, levando em consideração as características da população. Algumas vacinas têm sido testadas fora do Brasil. Também acarreta na avaliação estratégica a possibilidade de fortalecer o complexo industrial público nacional”, destacou Angotti Neto. 

O acordo com o Reino Unido deve possibilitar a produção de 100 milhões de doses da imunização em território nacional. Para dar condições para a produção da vacina, a pasta da Saúde vai investir R$ 522 milhões para o processamento do material, R$ 95,6 milhões para adaptações nos laboratórios e R$ 1,3 bilhão para a compra da tecnologia e do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). 

Hélio Angotti Neto afirmou ainda, sem entrar em detalhes, que o Ministério da Saúde avançou na compra internacional de medicamentos via Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). “Deveremos ter mais informações em breve sobre quais fármacos foram adquiridos e aonde eles chegarão para entrega”, completou.  

Casos e mortes

Nesta segunda-feira (03), o Brasil chegou a marca de 2.750.318 casos confirmados da Covid-19, sendo 16.641 novos diagnósticos nas últimas 24 horas. Os óbitos acumulam 94.665 desde o início da pandemia.

No cenário entre as regiões do país, o Sudeste é a que soma o maior número de registros de coronavírus, 947.240, seguido por Nordeste (881.957), Norte (416.236), Centro-Oeste (263.652) e Sul (241.233). Segundo o Ministério da Saúde, mais 1,9 milhão de brasileiros estão recuperados da Covid-19. 
 

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