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LOC.: O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) defendeu o adiamento do debate sobre o fim da escala 6x1 no Congresso Nacional. Para o parlamentar, a discussão deve ocorrer após as Eleições Gerais de 2026, para evitar contaminação política e garantir equilíbrio entre os interesses de trabalhadores e empregadores.
TEC./SONORA: Jorge Goetten, deputado federal (Republicanos-SC)
“Nós, no mínimo, temos que jogar, transferir essa discussão para depois das eleições. Para, com serenidade, os congressistas, nós deputados e senadores que representamos os 220 milhões da população, discutirmos essa pauta, que é importante, com equilíbrio e que traga benefícios para o empregado e para o patrão.”
LOC.: O setor empresarial acompanha a tramitação da pauta com cautela. A CACB, Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, defende que qualquer seja precedida de uma análise técnica aprofundada, considerando itens como custos operacionais, margem de lucro e até a possibilidade de fechamento de vagas.
O vice-presidente da CACB, Valmir Rodrigues da Silva, avalia que países desenvolvidos conseguem adotar jornadas menores por contarem com alta produtividade — realidade ainda distante no Brasil.
TEC./SONORA: Valmir Rodrigues da Silva, vice-presidente da CACB
“Quando você reduz a carga horária, tendo uma produtividade baixa, naturalmente que isso vai impactar nos custos, e esse custo será repassado [ao mercado].”
LOC.: De acordo com a entidade, um trabalhador brasileiro leva, em média, uma hora para produzir o que um norte-americano faz em 15 minutos. Escolaridade, infraestrutura e tecnologia são os principais fatores para essa diferença.
Além disso, os impactos sobre a produtividade e a economia, segundo Goetten, não estão bem mapeados, o que mostra que a discussão está prematura.
TEC./SONORA: Jorge Goetten, deputado federal (Republicanos-SC)
“As pessoas querem a oportunidade. Oportunidade para trabalhar, oportunidade para ter o lazer, mas com uma segurança de ter o seu emprego garantido. E essa segurança nós não temos. Eu acho que nós vamos criar mais problemas ainda para o nosso trabalhador brasileiro.”
LOC.: A CACB reforça a necessidade de intenso diálogo entre governo, Congresso, trabalhadores e empresários e que qualquer mudança na legislação trabalhista deve ser construída com base em dados técnicos..
Cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimam que a adequação para a nova jornada de trabalho pode custar até R$ 235,8 bilhões anuais ao setor de serviços, responsável por dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Os setores de comércio e de turismo seriam os mais prejudicados, com prejuízos de R$ 122,4 bilhões e R$ 10,9 bilhões, respectivamente, caso a mudança ocorra.
Reportagem, Álvaro Couto.