PIB

Economia
23/09/2022 04:30h

Para professor de economia da UnB Jorge Madeira Nogueira, analistas subestimaram capacidade de recuperação da economia pós-Covid-19. Retomada do setor de serviços, do mercado de trabalho e elevação dos investimentos estão entre os motivos para melhoria das projeções para o PIB deste ano

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Após a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no segundo trimestre do ano pelo IBGE, o mercado aumentou para 2,4% a expectativa de crescimento da economia do país em 2022. A revisão para cima do PIB chama atenção pela análise das instituições financeiras, que no primeiro Boletim Focus do ano projetavam uma alta contida, de 0,28%. 

Para o Ministério da Economia, a estimativa de crescimento do PIB para 2022 era de 2,1% em novembro do ano passado, mas caiu para 1,5% em março deste ano. Agora em setembro foi revisada para 2,7%. Mas, afinal, o que contribuiu para que as projeções em torno do PIB superassem as expectativas? 

Segundo Jorge Madeira Nogueira, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), os analistas do mercado financeiro subestimaram a capacidade de recuperação da atividade econômica do país após a pandemia da Covid-19. “O que o verdadeiro mercado, que é quem produz e quem compra, nos disse foi: ‘analistas, vocês não estão entendendo o que está acontecendo. Nós que somos os ofertantes e demandantes têm muito mais a oferecer ao longo de 2022 do que vocês estão dizendo’,” avalia. 

“O que mudou é que nós percebemos que essa economia, quando não atrapalham, tem um dinamismo muito maior do que muitos fariseus com e sem diploma de economia costumam dizer. A sociedade brasileira está mostrando que nós ainda precisamos estudar para entender essa brilhante retomada”, completa. 

Na visão da Secretaria de Política Econômica, as projeções dos analistas de mercado para o PIB de 2022 têm melhorado com frequência por causa de três fatores, principalmente: a recuperação do setor de serviços e do mercado de trabalho; e os investimentos. 

Serviços, emprego e investimentos

Responsável por quase 70% do PIB brasileiro, o setor de serviços acumula alta de 4,3% no PIB entre junho do ano passado e junho deste ano. A recuperação do setor, um dos mais afetados pelas medidas de restrição impostas durante a pandemia da Covid-19, impulsiona a economia, explica Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

“Quando o setor de serviços aumenta, ele puxa bastante o PIB. Há um aumento do setor de serviços agora com todos os locais sem nenhum tipo de restrição devido à pandemia e aí você tem um aumento de turismo, bares, restaurantes e, com isso, você tem também uma recuperação econômica”, avalia. 

Isso se reflete, por exemplo, no mercado de trabalho. Nos primeiros sete meses do ano, o país gerou mais de 1,5 milhão de empregos, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O setor de serviços foi responsável por mais da metade das vagas: 874.203, ao todo. 

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho foi de 9,1%, a menor desde o fim de 2015, de acordo com o IBGE. 

Na opinião do professor, outros dois fatores contribuem para a revisão para cima do PIB esperado para este ano. São eles a redução do preço dos combustíveis, consequência da limitação das alíquotas de ICMS sobre esses produtos, e a injeção de dinheiro na economia com a ampliação do Auxílio Brasil. Essas medidas incentivaram o consumo das famílias, acredita Rodrigo. Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu 3,7% no primeiro semestre deste ano. 

Os investimentos, por sua vez, cresceram 4,7% no segundo trimestre na comparação com o trimestre anterior. A taxa de investimento chegou a 18,7% do PIB, a maior para um segundo trimestre desde 2014. 

IBC-Br: “prévia do PIB” cresce 1,17% em julho, segundo Banco Central

Indústria cresce 2,2% no segundo trimestre e puxa alta do PIB

Indústria

O crescimento de 1,2% do PIB do país no segundo trimestre, surpreendente para parte dos especialistas, foi puxado principalmente pelo desempenho da indústria, que cresceu 2,2%, o melhor resultado entre todos os setores da economia. A indústria responde por mais de 20% do PIB brasileiro.

Para representantes do setor, a alta no consumo, a geração de emprego e a elevação dos investimentos contribuíram para o desempenho do setor, que também contou com a melhoria no acesso a matérias-primas e redução do custo da energia. 

“Eu acho [que o crescimento da indústria] foi o efeito da redução do preço da energia, tanto da energia dos combustíveis fósseis, quanto da energia elétrica. Isso para a indústria faz com que ela aumente a produtividade e aí você tem esse aumento bastante representativo da indústria”, avalia Rodrigo Leite. 

Agro

Mesmo com os problemas climáticos que afetaram a safra no início do ano, a agropecuária cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2022. Segundo levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2021/2022 está estimada em 271,2 milhões de toneladas. Se confirmada a projeção, a produção do agronegócio será recorde desde o início da série histórica. 

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19/09/2022 20:40h

Instituições financeiras reviram, para cima, pela 12ª semana consecutiva, a projeção de estimativa de expansão da economia do país para este ano. Previsão para a inflação também caiu

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O mercado aumentou de 2,39% para 2,65% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2022. É o que mostra o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, nesta segunda-feira (19). Esta foi a 12ª semana consecutiva em que as instituições financeiras reviram para cima a projeção de estimativa de expansão da economia do país para este ano. 

Há quatro semanas, o mercado apostava que a economia brasileira cresceria 2,02% em 2022. A atualização vem quatro dias após a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia elevar de 2% para 2,7% a sua estimativa de alta do PIB. 

Para Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central, o otimismo crescente quanto ao futuro imediato da economia brasileira tem várias explicações. “Se você olhar a economia, a conjuntura não está ruim, não. O estado fiscal é muito bom. A relação dívida/PIB está se aproximando de uma situação bem mais tranquila. A subida da taxa de juros fez efeito sobre a inflação, que está caindo. E há uma grande capacidade ociosa e bastante mão de obra empregada, ou seja, há um espaço para a economia crescer”, avalia. 

Em relação ao PIB de 2023, as instituições que compõem o Relatório Focus mantiveram a projeção da semana passada: alta de 0,5%.“Para o ano que vem, as expectativas são boas, porque a nova administração, seja da oposição ou a atual, vai encontrar uma situação fiscal em que a dificuldade vai ser só manter o que já foi feito por esse governo. Eu acho que tem espaço para o próprio governo aumentar o investimento público em infraestrutura”, acredita Carlos Eduardo.  

Inflação e taxa de juros

Já em relação à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o mês de agosto em 8,73%, o mercado revisou-o para baixo. A expectativa é de que a inflação feche o ano em torno de 6%. Foi a 12ª atualização, para baixo, seguida da inflação para 2022. Para o ano que vem, a projeção continua em 5,2%. 

O mercado também acredita que a Selic, a taxa básica de juros da economia, vai fechar o ano em 13,75%, mesmo patamar atual. Para o ano que vem, a estimativa é de que o Bacen derrube a Selic em 2,5%, atingindo os 11,25%. 

IBC-Br: “prévia do PIB” cresce 1,17% em julho, segundo Banco Central

Indústria cresce 2,2% no segundo trimestre e puxa alta do PIB

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Economia
16/09/2022 19:05h

Resultado está acima das expectativas do mercado. Ministério da Economia ajustou de 2% para 2,7% projeção de crescimento da economia em 2022

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) – tido como uma prévia do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) – de julho cresceu 1,17% em relação a junho, divulgou o Bacen nesta quinta-feira (15). O resultado está acima das expectativas de parte do mercado, que esperava alta em torno de 0,3%. 

Na comparação com julho do ano passado, o IBC-Br subiu 3,87%. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula crescimento de 2,09%, de acordo com o Banco Central. Segundo o presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), José Luiz Pagnussat, o resultado é surpreendente. Ele credita parte do crescimento da economia à queda da inflação que, em julho, recuou 0,68%, o maior tombo da série histórica. 

“O crescimento da economia vem se acelerando. Com isso, o Brasil está se aproximando das taxas médias de crescimento mundial, porque a gente começou o ano com uma previsão de taxa de crescimento de 0,5%, enquanto o resto do mundo tinha previsões de crescimento bastante elevadas. Eles agora estão revendo para baixo e nós revendo para cima”, destaca. 

O crescimento de 0,5% para o PIB do Brasil em 2022, como citou Pagnussat, era projetado pelas instituições do mercado financeiro no Boletim Focus do início do ano. Com a melhoria da economia, essas instituições estão revendo as suas estimativas. Na última segunda-feira (12), já previam alta de 2,39%. 

Também nesta quinta-feira (15) a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia elevou de 2% para 2,7% a sua estimativa de crescimento do PIB brasileiro. Segundo a SPE, três fatores contribuíram para a revisão para cima do indicador: ampliação do mercado de trabalho, bom desempenho do setor de serviços e ampliação dos investimentos. 

Prévia

Assim como o IBC-Br de julho, o PIB mais recente, do segundo trimestre de 2022, fechou acima das expectativas. A economia brasileira cresceu 1,2% entre abril e junho, na comparação com os três meses anteriores. 

O desempenho do indicador do Bacen pode indicar que o segundo semestre do ano vai manter o ritmo de crescimento da economia. Pagnussat explica que o IBC-Br reflete o comportamento mensal do setor de serviços, da indústria e da agropecuária, a partir de dados do próprio IBGE. É por isso que o índice é considerado uma prévia do PIB. 

Em nota, Rodolfo Margato, da XP Investimentos, disse que a “melhoria acentuada da produção agrícola e os fortes resultados líquidos do setor externo” podem ter contribuído de forma relevante para o IBC-Br de julho. Para ele, os números corroboram a expectativa de que a atividade doméstica iniciou o segundo semestre a um ritmo “bastante sólido de crescimento”. A XP acredita que o PIB do Brasil crescerá 2,8% em 2022.  

Indústria cresce 2,2% no segundo trimestre e puxa alta do PIB

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Economia
07/09/2022 04:00h

Economia brasileira avançou 1,2%, segundo o IBGE. Resultados foram além das expectativas, aponta Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,2% no segundo trimestre de 2022, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta foi puxada principalmente pelo desempenho da indústria, que cresceu 2,2%, o melhor resultado entre todos os setores da economia. 

Mário Sérgio Telles, gerente executivo de Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), diz que o resultado do PIB brasileiro e do setor industrial foram surpreendentes.  

“Nas duas situações, os resultados vieram muito positivos e até um pouco acima da projeção da CNI. Temos tido um movimento do mercado de trabalho com mais pessoas trabalhando e com aumento da massa de salários real que tem impactado muito positivamente o consumo. O consumo cresceu e a produção industrial e o PIB foram muito influenciados por isso”, avalia. 

O consumo das famílias cresceu 2,6%. Os brasileiros gastaram mais, porque a massa salarial real também subiu. Além disso, o IBGE aponta que houve maior acesso ao crédito, saque extraordinário do FGTS e antecipação do décimo terceiro salário para aposentados e pensionistas. 

Todos os segmentos da indústria cresceram entre o primeiro e o segundo trimestres do ano. Segundo o IBGE, o avanço do setor foi puxado pelo desempenho positivo de 3,1% da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos. 

Os segmentos da construção (2,7%), indústrias extrativas (2,2%) e indústrias de transformação (1,7%) também se destacaram. A alta desse último veio após três trimestres de queda. A melhora dos ramos de coque e derivados de petróleo; couros e calçados; produtos químicos, papel e celulose e bebidas influenciaram o resultado. 

Segundo a CNI, a previsão de queda de 1,5% da indústria de transformação em 2022 divulgada em junho será revista para uma desaceleração “muito mais moderada” ou até mesmo crescimento. O PIB da indústria, antes de 0,2%, também vai subir na próxima projeção. 

Mais investimentos e acesso a insumos

Na visão de Telles, outros dois fatores impulsionaram a indústria e, consequentemente, a economia brasileira no segundo trimestre. O primeiro deles foi a alta dos investimentos, que subiram 4,8%. 

“Ao mesmo tempo em que nós temos aumento do consumo da população brasileira e o aumento dos investimentos, temos identificado uma redução da quantidade  de produtos importados. Isso significa que, com mais consumo e investimentos e menos importações, a indústria nacional é que está abastecendo significativamente esse aumento de demanda”, comemora. 

Outro elemento importante para a recuperação da indústria foi a melhora do acesso às matérias-primas, problema que os empresários do setor elencaram como um dos maiores obstáculos para a produção. “Temos tido uma melhora significativa na questão dos insumos. A indústria estava sendo bastante prejudicada pela dificuldade de acesso a insumos e isso tem se normalizado até num ritmo mais rápido do que esperávamos”, explica. 

Telles diz que, além do crescimento da indústria ser positivo em si mesmo, traz benefício para todos os setores da economia e para o PIB em geral, porque a indústria  é o setor que mais demanda e mais gera atividades nos demais. “Cada R$ 1 a mais produzido na indústria gera um aumento de R$ 2,43 nos outros setores”, pontua. Esse rendimento é R$ 1,75 na agricultura e R$ 1,49 no setor de serviços por real. 

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Até julho, exportações da indústria nacional de calçados geraram mais de R$ 3,8 bilhões

Preço médio da gasolina cai pela nona semana seguida

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Economia
11/08/2022 04:15h

Projeção do Ministério da Economia aponta que concessões e privatizações devem trazer R$ 2,9 trilhões de investimentos até 2032

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O Brasil deve receber cerca de R$ 2,9 trilhões de investimentos em infraestrutura, por meio de concessões e privatizações, nos próximos dez anos, de acordo com projeção do Ministério da Economia. Para especialistas ouvidos pelo Brasil 61, o volume de recursos é expressivo e mostra que a iniciativa privada é fundamental para o desenvolvimento do país na próxima década. 

Segundo o Monitor de Investimentos, uma plataforma desenvolvida pela pasta em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o país deve receber entre R$ 200 bilhões e R$ 300 bilhões de aportes em infraestrutura por ano entre 2023 e 2032. A estimativa leva em conta um cenário mais otimista, em que se adotem reformas estruturais que aumentem a produtividade, como qualificação de mão-de-obra, simplificação tributária e melhora do ambiente de negócios. 

Rafael Wallbach Schwind, doutor e mestre em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo (USP), diz que a quantidade de aportes prevista é expressiva. “Atualmente, o Brasil investe aproximadamente 1,6% do seu PIB em infraestrutura. Caso a projeção do governo se confirme, esses R$ 2,9 trilhões vão representar um aumento a 3% do PIB, portanto, praticamente o dobro do que se faz hoje”, avalia. 

O especialista ressalta que, mesmo que o cenário mais otimista se cumpra, o país ainda vai precisar de mais investimentos. “Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria concluiu que para que não haja gargalos ao desenvolvimento nacional é necessário que o Brasil invista 4% do PIB em infraestrutura. Portanto, a projeção do governo é uma projeção bastante importante e audaciosa, inclusive em relação aos patamares atuais, mas ainda falta muito para chegar à previsão que a CNI considera importante e necessária para o desenvolvimento nacional”, afirma. 

Para o professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) José Carneiro, a chegada de mais investidores tem relação direta com a segurança jurídica do ambiente de negócios. Mas ele ressalta que as regras não podem mudar no meio do jogo. “Se você não tem estabilidade, você não vai levar dinheiro para esse país. E aí esse país vai sofrer com menor nível de investimento”, explica. 

Carneiro destaca que o Brasil tem “um sério déficit no setor de infraestrutura” e que o desenvolvimento do país passa por resolver esse gargalo. “Quando você olha o que aconteceu nos Tigres Asiáticos, uma diferença marcante é que eles tiveram ao longo da década de noventa e da primeira década dos anos dois mil um pesado desenvolvimento da sua infraestrutura. E nós não tivemos isso”, observa. 

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Recorte

Entre 2023 e 2032, o setor de energia é o que mais deve receber investimentos. Segundo o Ministério da Economia, cerca de R$ 950 bilhões. Em seguida, vêm saneamento e transporte e logística, ambos com mais de R$ 560 bilhões; telecomunicações, acima dos R$ 350 bilhões; e mobilidade urbana, com valor próximo dos R$ 190 bi.

Para o professor José Carneiro, o volume de recursos só é possível porque o governo abriu a economia para a participação da iniciativa privada, algo que o especialista considera inevitável diante da falta de verba pública para fazer investimentos. 

“Acaba sendo a única alternativa. A gente tem que ter investimentos pesados em infraestrutura e não existe recurso público para fazer isso. A iniciativa privada acaba sendo muito mais ágil, tanto para manutenção como para introdução de novas tecnologias”, pontua. 

Levantamento do Observatório de Política Fiscal da FGV Ibre, mostra que o investimento do governo federal, proporcionalmente ao PIB, passou da casa dos 0,64% ao ano, entre 2009 e 2014, para uma média de 0,29%, de 2015 a 2020. 

Rafael Wallbach diz que a iniciativa privada “é o caminho mais eficiente e que vai trazer resultados efetivos em menos tempo”. O governo, para ele, deve focar em acompanhar esse processo. 

“O poder público ficaria muito mais concentrado em controlar esses investimentos, cobrar resultados, criar um ambiente de segurança jurídica no país, que é sempre um incentivo à execução de investimentos, e criar instrumentos que facilitem os investimentos privados, por exemplo, como o projeto de lei das debêntures de infraestrutura”, aponta. 

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Economia
11/04/2022 15:30h

Intervenção estatal na economia, instabilidades políticas, crescimento do agronegócio e sobrecarga tributária sobre as indústrias brasileiras estão entre as principais causas para perda de protagonismo do setor

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Entre 1980 e 2021, a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu de 34% para 22%. Para o ex-presidente da República Michel Temer, a indústria perdeu espaço nas últimas décadas devido ao crescimento do agronegócio ao mesmo tempo em que os governos sobrecarregaram a atividade industrial. 

"Ao longo do tempo deu-se um fenômeno no Brasil que foi o crescimento extraordinário do agronegócio. Quem sustenta o PIB hoje do Brasil é o agronegócio. A indústria brasileira passou por muitas dificuldades, desde a questão trabalhista até a tributária”, disse o ex-presidente durante o seminário Evolução Política, evento que faz parte da série que celebra os 200 anos da Independência do Brasil, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

No mesmo evento, especialistas apontaram que o fenômeno da desindustrialização tem causas diversas, entre elas a forte intervenção estatal na economia, as instabilidades políticas, o crescimento do agronegócio e a sobrecarga tributária sobre os industriais brasileiros. 

Para o cientista político José Álvaro Moisés, dois fatores ajudam a explicar as causas da desindustrialização brasileira: a instabilidade política e a ausência de uma política de incentivo à indústria. 

“As crises sucessivas e a disruptura na política não favorecem o investimento privado na indústria, nem o investimento nacional. Pensando em vários governos, não vemos uma política industrial, o que significa levar em conta as reivindicações do setor, mas entender como questões estruturais da organização do sistema do país, eventualmente o corporativismo e o patrimonialismo, afetam o funcionamento da atividade econômica privada. Isso prejudica a possibilidade de uma política industrial mais ativa, capaz de recuperar o papel da indústria em relação, por exemplo, ao que [havia] em 1980”, avaliou.  

A historiadora e escritora Mary Del Priore, autora da série de livros "Histórias da gente brasileira (colônia, império e república)", disse que o agronegócio está fortemente representado por alguns partidos no Congresso Nacional, o que pode explicar, também, a ausência de uma política voltada para a indústria nas últimas décadas. Ela acrescenta que a competitividade com o mercado internacional sem a desoneração do setor contribuiu para a desindustrialização.  

“O papel da mundialização e da entrada de produtos, da vontade de consumir do brasileiro e as portas abertas para os produtos chineses devem ter detonado com a nossa indústria", opinou.

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Como reindustrializar
O sociólogo Bolívar Lamounier, autor do livro “Da Independência a Lula e Bolsonaro: dois séculos de política brasileira”, disse que a estagnação da indústria brasileira se deu em meio a políticas econômicas muito fechadas, que deram pouco espaço para o investimento privado. O caminho para reverter o quadro, segundo ele, é abrir a economia. 

“É preciso tirar da cabeça essa loucura de crescer com investimento estatal de um Estado que tem um déficit orçamentário, que não tem dinheiro para fechar as contas. Isso é um disparate. Temos que atrair capital estrageiro, assegurando segurança jurídica e encaminhando investimentos para o setor privado. Ou fazemos isso ou não vamos crescer”, disparou. 

Para o líder do Governo na Câmara dos Deputados, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), a pandemia evidenciou que não é viável para o Brasil depender tanto de insumos, máquinas e equipamentos produzidos no exterior. “As empresas fabricam lá na China, na Índia, com suas marcas daqui, gerando empregos lá fora e nós aqui nos apropriando apenas de um custo mais baixo dos produtos. A pandemia nos ensina que esse modelo é frágil. Faltaram muitos componentes dos produtos em função da crise gerada pela pandemia e do isolamento social”, disse. 

Diante das lições deixadas pela pandemia, Barros acredita que a indústria brasileira há de se aproveitar para ganhar destaque novamente. “A tendência, me parece agora, é que as indústrias voltem a ter os seus parques industriais nos seus países de origem. O que vai ser muito bom, porque os países que têm custo de vida mais alto, mais desenvolvidos, terão que agregar muita tecnologia para concorrer com os países de mão de obra mais barata e isso vai nos colocar num outro ciclo de evolução da indústria. Olhar pro futuro e olhar pro passado nos ensina as medidas certas a tomar”, pontuou. 

O ex-presidente Michel Temer e o cientista político José Álvaro Moisés também destacaram que é preciso enfrentar o chamado Custo Brasil para que a indústria brasileira volte a crescer de forma sustentável. Para isso, eles afirmaram que a aprovação de reformas, como a trabalhista (feita em 2017) e a administrativa são fundamentais. 

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Economia
08/04/2022 12:02h

O PIB do Brasil, por sua vez, aumentou 4,6%. Segundo a economista Margarida Gutierrez, da UFRJ, a taxa de investimento e o mercado formal de trabalho indicam que atividade econômica deve manter desempenho de 2021

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A alta de 17,2% da taxa de investimentos — que atingiu seu maior patamar desde 2014 — e a criação de 2,7 milhões de vagas no mercado formal de trabalho no ano passado indicam que a melhora da atividade econômica brasileira pode ser sustentável. Essa é a avaliação de Margarida Gutierrez, professora de macroeconomia do Coppead/UFRJ. 

Margarida destaca que o investimento é importante não apenas porque impacta no resultado final do PIB, mas porque afeta a atividade econômica a médio e longo prazo. 

“O investimento aumenta a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. E para o investimento acontecer, ele depende de expectativas favoráveis, muito mais do que da taxa de juros. Então, se essa taxa de investimento cresceu tanto, se a produção de máquinas, equipamentos, novas construções e novas tecnologias cresceu 17% em 2021 frente a 2020, isso é um sinal de expectativas altamente favoráveis para os períodos seguintes. Nenhuma empresa compra uma máquina pra deixar ela parada. Nenhuma empresa aumenta uma instalação ou seu parque fabril se não tiver expectativas de aumento de venda”, analisa. 

Em 2021, o investimento em máquinas e equipamentos, por exemplo, subiu 23,6%. Já os aportes em construção aumentaram 12,8%. Tais resultados ajudaram o indicador de investimento chegar a 19,2% em relação ao PIB, o melhor desempenho desde 2014. 

PIB 
O PIB do Paraná cresceu 3,3% em 2021, totalizando R$ 579,3 bilhões, divulgou o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), nessa quinta-feira (31). Apesar de estar abaixo do desempenho do PIB nacional, que subiu 4,6% no ano passado — recuperando o tombo de 3,9% em 2020 —, a economia do estado não via aumento tão significativo desde 2014. O resultado foi puxado, principalmente, pela ampliação de 8,52% no valor adicionado da indústria e de 2,28% no setor de serviços.

O deputado Sergio Souza (MDB-PR), destaca que o Brasil está mais atraente para os investidores estrangeiros, o que contribuiu para o avanço da economia em 2021. “O Brasil vinha de uma recessão muito grande já desde 2013, crescendo muito pouco ou até mesmo encolhendo. Mas o Brasil virou um grande atrativo de novos investimentos. Isso fez com que nós voltássemos a crescer”, afirma. 

Para o parlamentar, a alta de investimentos no Brasil está apenas no começo e isso deve influenciar o crescimento sustentável do país nos próximos anos. “Entrou muito capital para investimentos no Brasil e vai entrar muito mais ainda. Eu acredito que sim [o crescimento da economia é sustentável], porque o Brasil ainda é deficitário em logística e muitos investimentos vêm para a logística”, aposta. 

Segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o crescimento da economia brasileira foi puxado pelo setor de serviços, que cresceu 4,7%, e pela indústria, que registrou alta de 4,5%. Juntos, eles representam 90% do PIB do país.  

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Emprego
Além da ampliação da capacidade produtiva com a chegada de mais investimentos, o mercado formal de trabalho também indica que a recuperação da economia não deve se restringir apenas a 2021. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país teve saldo positivo de 478 mil empregos com carteira assinada nos dois primeiros meses deste ano. O resultado se soma às mais de 2,7 milhões de vagas abertas em 2021. 

Para Margarida Gutierrez,  a explosão do emprego formal que ocorre desde o ano passado também indica perspectivas favoráveis para a economia brasileira em 2022. 

“Os dados sinalizaram uma recuperação impressionante do mercado de trabalho em 2021, com uma queda expressiva do desemprego e com um aumento enorme do nível de ocupações, que inclusive, já superou o nível pré-pandemia. Nenhuma empresa contrata um empregado para deixá-lo parado. Isso mais uma vez sinaliza expectativas que, antes da guerra Ucrânia/Rússia, eram bastante favoráveis para a economia brasileira em 2022”, ressalta. 

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Economia
07/04/2022 03:43h

O PIB do Brasil, por sua vez, aumentou 4,6%. Segundo a economista Margarida Gutierrez, da UFRJ, a taxa de investimento e o mercado formal de trabalho indicam que atividade econômica deve manter desempenho de 2021

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A alta de 17,2% da taxa de investimentos — que atingiu seu maior patamar desde 2014 — e a criação de 2,7 milhões de vagas no mercado formal de trabalho no ano passado indicam que a melhora da atividade econômica brasileira pode ser sustentável. Essa é a avaliação de Margarida Gutierrez, professora de macroeconomia do Coppead/UFRJ. 

Margarida destaca que o investimento é importante não apenas porque impacta no resultado final do PIB, mas porque afeta a atividade econômica a médio e longo prazo. 

“O investimento aumenta a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. E para o investimento acontecer, ele depende de expectativas favoráveis, muito mais do que da taxa de juros. Então, se essa taxa de investimento cresceu tanto, se a produção de máquinas, equipamentos, novas construções e novas tecnologias cresceu 17% em 2021 frente a 2020, isso é um sinal de expectativas altamente favoráveis para os períodos seguintes. Nenhuma empresa compra uma máquina pra deixar ela parada. Nenhuma empresa aumenta uma instalação ou seu parque fabril se não tiver expectativas de aumento de venda”, analisa. 

Em 2021, o investimento em máquinas e equipamentos, por exemplo, subiu 23,6%. Já os aportes em construção aumentaram 12,8%. Tais resultados ajudaram o indicador de investimento chegar a 19,2% em relação ao PIB, o melhor desempenho desde 2014. 

PIB 
O PIB do estado de São Paulo avançou 5,7% em 2021, de acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). O desempenho foi superior ao PIB nacional, que cresceu 4,6%, revertendo a queda de 3,9% registrada em 2020. Para o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), o resultado é consequência da abertura da economia brasileira, com destaque para a Lei de Liberdade Econômica. 

“Acho que as medidas que o governo está tomando são as medidas corretas, de liberalizar a economia, desburocratizar e criar mais infraestrutura, o que tem efeitos multiplicadores na economia. Essas são as medidas de base, como a lei de livre iniciativa, que foi muito importante e realmente logra sucesso ao longo do tempo”, destaca. 

Segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o crescimento da economia brasileira foi puxado pelo setor de serviços, que cresceu 4,7%, e pela indústria, que registrou alta de 4,5%. Juntos, eles representam 90% do PIB do país.  

Em relação a 2022, o parlamentar destaca que o Executivo e o Congresso Nacional devem pautar as reformas tributária e do funcionalismo público. “Nós temos problemas estruturais com relação ao sistema tributário, a reforma administrativa. São sinalizações que são necessárias para que a economia continue crescendo”, aponta. “E tem tudo pra crescer. Considerando que o mundo hoje, exceto o Brasil, está numa instabilidade muito maior. E isso nos coloca até relativamente falando em um parâmetro de estabilidade e disciplina fiscal, o que não está se manifestando nos mercados mais desenvolvidos”, conclui. 

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PIB: economia de Minas Gerais cresce 5,1% em 2021, diz Fundação João Pinheiro

Emprego
Além da ampliação da capacidade produtiva com a chegada de mais investimentos, o mercado formal de trabalho também indica que a recuperação da economia não deve se restringir apenas a 2021. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país teve saldo positivo de 478 mil empregos com carteira assinada nos dois primeiros meses deste ano. O resultado se soma às mais de 2,7 milhões de vagas abertas em 2021. 

Para Margarida Gutierrez,  a explosão do emprego formal que ocorre desde o ano passado também indica perspectivas favoráveis para a economia brasileira em 2022. 

“Os dados sinalizaram uma recuperação impressionante do mercado de trabalho em 2021, com uma queda expressiva do desemprego e com um aumento enorme do nível de ocupações, que inclusive, já superou o nível pré-pandemia. Nenhuma empresa contrata um empregado para deixá-lo parado. Isso mais uma vez sinaliza expectativas que, antes da guerra Ucrânia/Rússia, eram bastante favoráveis para a economia brasileira em 2022”, ressalta. 

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Economia
04/04/2022 03:48h

O PIB do Brasil, por sua vez, aumentou 4,6%. Segundo a economista Margarida Gutierrez, da UFRJ, a taxa de investimento e o mercado formal de trabalho indicam que atividade econômica deve manter desempenho de 2021

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A alta de 17,2% da taxa de investimentos — que atingiu seu maior patamar desde 2014 — e a criação de 2,7 milhões de vagas no mercado formal de trabalho no ano passado indicam que a melhora da atividade econômica brasileira pode ser sustentável. Essa é a avaliação de Margarida Gutierrez, professora de macroeconomia do Coppead/UFRJ. 

Margarida destaca que o investimento é importante não apenas porque impacta no resultado final do PIB, mas porque afeta a atividade econômica a médio e longo prazo. 

“O investimento aumenta a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. E para o investimento acontecer, ele depende de expectativas favoráveis, muito mais do que da taxa de juros. Então, se essa taxa de investimento cresceu tanto, se a produção de máquinas, equipamentos, novas construções e novas tecnologias cresceu 17% em 2021 frente a 2020, isso é um sinal de expectativas altamente favoráveis para os períodos seguintes. Nenhuma empresa compra uma máquina pra deixar ela parada. Nenhuma empresa aumenta uma instalação ou seu parque fabril se não tiver expectativas de aumento de venda”, analisa. 

Em 2021, o investimento em máquinas e equipamentos, por exemplo, subiu 23,6%. Já os aportes em construção aumentaram 12,8%. Tais resultados ajudaram o indicador de investimento chegar a 19,2% em relação ao PIB, o melhor desempenho desde 2014. 

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PIB cresce 4,6% em 2021 e país retoma patamar anterior à pandemia, diz IBGE

PIB 
Segundo estimativa preliminar da Fundação João Pinheiro (FJP), o PIB de Minas Gerais cresceu 5,1% no ano passado, totalizando R$ 805,5 bilhões. O setor de serviços teve participação de 61,6%, seguido da indústria (30,1%) e da agropecuária (8,3%). O resultado foi melhor do que o PIB nacional, que cresceu 4,6% em 2021, recuperando o tombo de 3,9% registrado em 2020. 

O deputado federal Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) espera que a economia continue crescendo de “maneira virtuosa”. “Tudo indica que a economia vai crescer de forma robusta se não acontecer nenhum fato novo ou nenhuma surpresa. O Brasil é um país que tem uma economia forte, pujante. Estamos trabalhando no rumo certo e os números estão mostrando”, pontua. 

O deputado comemora as notícias de que o país já retornou ao patamar pré-pandemia. 

“É muito alvissareira essa notícia. A gente percebe que o Brasil estava caminhando no rumo certo quando veio a pandemia e nós tomamos as medidas que eram necessárias.  O Brasil é um país que tem uma economia robusta, de modo que foi uma surpresa positiva, mas tínhamos a convicção de que estávamos trabalhando no caminho certo”, avalia o deputado Lafayette de Andrada. 

Segundo o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o crescimento da economia brasileira foi puxado pelo setor de serviços, que cresceu 4,7%, e pela indústria, que registrou alta de 4,5%. Juntos, eles representam 90% do PIB do país.  

Emprego
Além da ampliação da capacidade produtiva com a chegada de mais investimentos, o mercado formal de trabalho também indica que a recuperação da economia não deve se restringir apenas a 2021. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país teve saldo positivo de 478 mil empregos com carteira assinada nos dois primeiros meses deste ano. O resultado se soma às mais de 2,7 milhões de vagas abertas em 2021. 

Para Margarida Gutierrez,  a explosão do emprego formal que ocorre desde o ano passado também indica perspectivas favoráveis para a economia brasileira em 2022. 

“Os dados sinalizaram uma recuperação impressionante do mercado de trabalho em 2021, com uma queda expressiva do desemprego e com um aumento enorme do nível de ocupações, que inclusive, já superou o nível pré-pandemia. Nenhuma empresa contrata um empregado para deixá-lo parado. Isso mais uma vez sinaliza expectativas que, antes da guerra Ucrânia/Rússia, eram bastante favoráveis para a economia brasileira em 2022”, ressalta. 

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28/03/2022 01:57h

O Brasil 61 entrevistou o professor Adriano Paranaiba, diretor acadêmico do Mises Academy. O especialista acredita que algumas das reformas feitas nos últimos anos podem começar a surtir efeito em 2022. Ele também explicou por que acha que o Brasil está no rumo certo quando o assunto é de onde vem os recursos para investir

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O índice que mede a confiança do consumidor (ICC) caiu 3,1 pontos em março, segundo divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta sexta-feira (25). A inflação na casa dos dois dígitos (10,54%) e o endividamento das famílias pesaram para que o otimismo dos brasileiros caísse no último mês. 

Por outro lado, há pouco mais de três semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 4,6% em 2021 e que a taxa de investimento chegou aos 19,2%, o maior patamar desde 2014. Além disso, no ano passado, o Brasil gerou mais de 2,7 milhões de vagas de emprego com carteira assinada. 

Como entender os sinais contraditórios que a economia brasileira parece dar? Para tentar explicar, o portal Brasil 61 entrevistou o professor Adriano Paranaíba. O economista e diretor acadêmico do Mises Brasil falou sobre o resultado do PIB de 2021 e sobre as projeções para a economia do país este ano. 

Segundo o especialista, a perspectiva para o ano de 2022 é positiva, mesmo com a guerra entre Ucrânia e Rússia impactando as cadeias de produção e a inflação em alta. No cabo de guerra entre as projeções do Ministério da Economia, que aposta em crescimento próximo aos 2% e do mercado financeiro, que fala em 0,5%, Paranaíba prefere não tomar partido. 

Durante o bate-papo, o economista destacou o que, para ele, foi a notícia mais positiva do PIB brasileiro do ano passado: a alta na taxa de investimentos, que em apenas um ano cresceu 17,2%. Paranaíba explicou porque acredita que o Brasil está no caminho certo quando o assunto é de onde tem que vir o dinheiro para financiar o crescimento e criticou a reação “tardia” do Banco Central para lidar com a inflação. 

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Confira a entrevista:

Brasil61: A confiança do consumidor caiu em março, a inflação está na casa dos dois dígitos e o endividamento dos brasileiros é alto. Ao mesmo tempo, há não mais de um mês, o IBGE divulgava que o PIB brasileiro cresceu 4,6%, a taxa de investimentos alcançou o maior patamar desde 2014 e que o mercado formal de trabalho gerou mais de duas milhões e setecentos mil vagas em 2021. Os sinais da economia do país parecem contraditórios. Para ajudar a entendê-los, eu, Felipe Moura, conversei com o professor Adriano Paranaíba. O economista e diretor acadêmico do Mises Academy detalhou o resultado do PIB de 2021 e fez projeções para a economia brasileira em 2022.  

Professor Adriano, apesar de o PIB ter crescido 4,6% em 2021, a agropecuária, que costuma puxar a economia nos últimos anos, recuou. Qual análise o senhor faz dessa questão? 

Professor Adriano Paranaíba: “O PIB agropecuário, durante muitos períodos de crise brasileira, foi quem segurou mesmo o crescimento ou impediu um crescimento negativo maior, mas, na verdade, a parte agrícola foi muito bem. Eles foram beneficiados por ganhos reais de preços das commodities e quem realmente puxou pra baixo foi a questão da pecuária, que da mesma forma como a agricultura se beneficiou do câmbio, a pecuária foi um pouco prejudicada nesse sentido. Por mais que o PIB do IBGE fala lá da agropecuária, que teve esse recuo, o agronegócio teve um crescimento substancial. Eu acredito que a agricultura conseguiu superar essas desvantagens climáticas que você relatou, mas realmente a preocupação veio lá do setor da pecuária. Por exemplo, se pegar o PIB do agronegócio da CNA, a pecuária puxou 8,04% para baixo”. 

Brasil61: Agora, falando de perspectivas para 2022, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o mercado financeiro costumam divergir bastante em relação aos indicadores. Um fala em crescimento de 2%, outro em apenas 0,5%. O que o senhor pensa dessa discussão? 

Professor Adriano Paranaíba: “Eu não vou defender nenhum dos dois nesse meu ponderamento, porque o ministro Paulo Guedes faz o papel de ministro, que é vender otimismo pro mercado. Contudo, é bom a gente fazer uma análise retrospectiva: o [Boletim] Focus mais erra do que acerta. A gente tem um histórico de erros, tanto em previsão de PIB, como de taxa de juros e perspectiva de inflação também. Eu acredito que podemos ter um PIB melhor para esse ano por causa dos resultados de políticas microeconômicas, principalmente, que foram tomadas ao longo desses três anos. Está evidente que a pandemia acabou. A gente está tendo uma retomada, mais movimento acontecendo nas cidades. Então, a economia está voltando. Não dá para apostar contra um cenário de economia crescente esse ano”. 

Brasil61: O senhor é otimista mesmo com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia impactando as cadeias globais de produção?

Professor Adriano Paranaíba: “Essa questão da Ucrânia com a Rússia, a guerra está se estendendo mais do que muitos analistas imaginavam e isso está trazendo uma instabilidade econômica financeira muito grande e o Brasil está, de certa forma, atraindo investimento. Você está tendo um volume interessante de pessoas migrando, trazendo investimento pro Brasil, muito mais porque o mundo está muito ruim do que propriamente do Brasil estar muito bom”. 

Brasil61: Professor, a taxa de investimento do Brasil alcançou o seu maior patamar desde 2014. Mas ainda estamos na posição 128 de 196 países quando o assunto é investimento. O que é preciso fazer para melhorar?

Professor Adriano Paranaíba: “De fato, foi o dado do PIB que mais chamou atenção porque não dá pra negar, pessoal, que o investimento privado é que traz crescimento econômico, é o que gera emprego, é o que gera renda. Você falou aí de dois mil e catorze, nós estamos falando de um Brasil que durante um período acreditava que o governo é quem era o responsável por fazer investimento. Nós tivemos lá a política lá dos ‘campeões nacionais’. Muito dinheiro e crédito subsidiado. E isso acabou nos levando a uma grande crise que tivemos e que nos colocou nessa posição tão ruim do Outlook do FMI. Então, o que nós estamos fazendo, na verdade, é correndo contra, que é o que puxou a gente a âncora lá pra trás, que nos afundou nesse número. Os números estão mostrando que a gente precisa aprofundar mais ainda nessa agenda que está dando certo. Tem muita gente torcendo contra, mas realmente essa questão de abertura econômica, abertura comercial do Brasil, facilita a atração de investimentos privados para um investimento real. Vamos imaginar assim: é como se fosse uma corrida e a gente demorou pra dar a largada. Agora é manter o ritmo e continuar só pensando em crescer que a gente vai alcançar o resto dos outros cento e tantos países que estão à nossa frente”. 

Brasil61: Na sua opinião, o investimento tem que vir da iniciativa privada? 

Professor Adriano Paranaíba: “Por que o investimento público na minha perspectiva é um investimento ruim? Porque ele não tem as informações que o mercado tem. E em vez de ajudar a economia, ele acaba distorcendo a economia. Não tem como burocrata em Brasília dizer exatamente quais são as áreas que precisam de investimento. Porque toda vez que o governo vai falar assim: ‘eu vou fazer um investimento’, ele acaba direcionando o investimento. Se esse investimento fica a cargo do mercado, o mercado que tem a sua capilaridade, os investidores, eles têm ali a capilaridade de enxergar o que que está acontecendo na economia, e na economia do mundo, eles vão saber direcionar melhor esse investimento”. 

Assista à entrevista completa abaixo:

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Brasil 61