Pós-pandemia

06/08/2022 02:00h

Média de pernoite em destinos nacionais foi de sete dias. Representantes do setor estão otimistas com a retomada das atividades, entre as mais afetadas por causa da pandemia da Covid-19

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O brasileiro viajou por mais tempo em 2021. De acordo com o levantamento PNAD Contínua Turismo 2020-2021, do IBGE, os brasileiros passaram, em média, sete noites fora de casa no ano passado. A pesquisa também mostra que cresceu a proporção de viagens realizadas no país que resultaram em pernoite, que passou de 73%, em 2019, para 76%, em 2021. 

O setor de turismo comemora o resultado, afinal, quanto mais tempo o brasileiro curte a viagem, mais os segmentos faturam. Isso é importante para a recuperação do setor, que deixou de faturar quase R$ 474 bilhões em 2020 e 2021 por causa da pandemia, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) diz que o aumento de noites em viagem é uma “excelente notícia”. Ela afirma que o fenômeno conhecido como “revenge travels” (viagens de vingança, na tradução literal), em que, após um grande período de restrição por conta da Covid-19, as pessoas estão ávidas por viajar, chegou com força ao Brasil. 

“As pessoas querem ficar mais tempo fora de casa. O aumento de noites é uma grande prova disso. O brasileiro já é um viajante que tem o costume de ter estadias mais prolongadas e isso afeta diretamente o faturamento, aumentando a receita e, obviamente, o lucro das empresas, principalmente as agências de viagem e toda a hotelaria”, explica. 

Segundo a ABAV, as agências de viagens faturaram cerca de R$ 19,2 bilhões em 2021, resultado 37,6% maior do que no ano anterior. Embora representantes do setor de turismo assumam que o faturamento perdido por causa da pandemia não será recuperado, eles estão otimistas com a retomada das atividades. 

“O setor de turismo está bastante aquecido. A gente voltou sabendo que ia ter um ano bastante produtivo. Não alcançamos ainda os números totais, porém a gente sabe que vai alcançar bem antes de todas as previsões e estimativas que foram feitas antes e durante a pandemia. As agências de viagem têm bastante trabalho e têm sentido que as nossas férias de verão, a nossa grande temporada, vão ser realmente um momento de recuperação plena”, acredita Magda. 

Quem passa mais tempo fora
De acordo com a pesquisa, os moradores da região Norte são os que passam mais tempo viajando. Os roraimenses, por exemplo, chegaram a dormir fora de casa por cerca de 19 dias. No caso dos amapaenses, o período médio foi de 17 dias, seguido pelos moradores do Acre (14) e do Amazonas (12). Rondônia e Amapá também estão entre os dez estados que registraram maior média de pernoites em viagens. 

Quem vive no Distrito Federal também costuma passar mais tempo viajando. É o caso de Bruna Fernandes, de 24 anos. Apenas no ano passado, ela e a família viajaram para seis destinos. Bruna conta que costuma pernoitar, em média, de seis a sete dias em uma cidade.  

“O que me motiva ficar fora mais tempo é conhecer mais os lugares que a gente visita, porque dependendo do lugar tem passeios que demandam mais dias para serem feitos. Se é um lugar muito grande pra conhecer, se chegamos tarde no dia da viagem ou vamos embora cedo, a gente normalmente gosta de ficar mais um tempinho para conhecer mais o lugar”, diz. 

De acordo com o levantamento, os moradores de Sergipe e do Espírito Santo são aqueles que passaram menos tempo viajando no ano passado. 

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23/06/2022 04:30h

Alunos e professores terão acesso gratuito a ferramentas educacionais das duas empresas. Censo Escolar de 2021 aponta que ensino básico ainda tem deficiências na área tecnológica

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O Ministério da Educação (MEC) anunciou parcerias com o Google e com a Microsoft. Alunos e professores da educação básica no país poderão acessar ferramentas das empresas voltadas à educação e compartilhamento de conhecimento e informações de maneira gratuita. Os acordos fechados fazem parte de um programa para recuperação das aprendizagens na Educação Básica, área que passou por grandes dificuldades durante a pandemia da Covid-19. 

Segundo dados coletados pelo Inep para a elaboração do Censo Escolar 2021, 99,3% das escolas no país, tanto públicas quanto particulares, tiveram de suspender as aulas presenciais. Na rede pública, apenas 5% das escolas conseguiram retornar às atividades presenciais, índice que foi bem mais alto nas escolas privadas, com 29% retomando as atividades in loco. Em relação às estratégias digitais para tentar manter as atividades letivas, 88% das escolas públicas adotaram reuniões virtuais para planejar e monitorar as atividades, mas o número de escolas públicas que fizeram uso das plataformas do Google ou da Microsoft cai para 31% e 35%, respectivamente. Os meios mais usados foram WhatsApp, Zoom e semelhantes, adotados por 85% das escolas da rede pública.

O acordo com o Google permite que quatro plataformas voltadas à educação possam ser usadas, incluindo um pacote de ferramentas com planos de aulas e atividades. A parceria com a Microsoft, por sua vez, permite o acesso gratuito ao pacote de programas disponíveis on-line. 

O professor pesquisador Instituto Expert Brasil, Afonso Galvão, apontou que a ampliação do acesso a essas ferramentas é, de fato, desejável, mas o problema que antecede a implantação desse tipo de solução é de ordem material. 

“Há um problema aí que é de ordem material e anterior. As escolas precisam de acesso à internet, de acesso de qualidade à internet. Os estudantes precisam de acesso à internet e precisam também de instrumentos, né, capazes de prover esse acesso. De celulares, de notebooks, de tablets, de instrumentos capazes desse acesso”, afirmou. 

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O ministro da Educação, Victor Godoy, reconheceu que há dificuldade no acesso a essas tecnologias e a dispositivos digitais pelos alunos mais vulneráveis da rede pública de educação e disse que o problema precisa ser enfrentado em conjunto com estados e municípios. O Censo Escolar de 2021, mostra que a região Norte do país tem menos escolas com internet disponível. A proporção é inferior a 60% das escolas com conectividade nos estados do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Roraima e Amapá. Os percentuais variam entre 70% e 100% nas demais regiões do país.

"Qualquer desafio de infraestrutura, de conectividade, passa, necessariamente, por uma articulação União, estados e municípios. O que estamos fazendo nessa perspectiva é fortalecer a colaboração, levando aos entes processos estruturados de implantação de tecnologia”, disse ele. 

O pesquisador Afonso Galvão também destacou que é necessário qualificar os professores para que as plataformas sejam usadas, uma vez que elas não são as responsáveis por formular e aplicar os conteúdos. "Para saber se isso vai funcionar ou não, temos que esperar e ver como as primeiras iniciativas de fato ocorrerão”, completou.
 

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23/04/2022 06:31h

Tomada de crédito precisa vir acompanhada de estratégia para pagar menos juros, recomenda Catharina Sacerdote, especialista em finanças pessoais

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Levantamento do Serasa mostrou que 65 milhões de brasileiros tinham dívidas em fevereiro. O valor médio do endividamento é de R$ 4.000,00.  Para tentar estimular a reorganização das finanças, a Caixa Econômica Federal agora realiza empréstimos para pessoas físicas ou microempreendedores individuais (MEI) que estão com o nome sujo.

Para pessoa física, o valor varia entre R$ 300,00 e R$ 1.000,00. Para MEI, a operação pode chegar a R$ 3.000,00. Mas a administradora e especialista em Finanças Pessoais Catharina Sacerdote, em entrevista ao Brasil61.com, alerta que outras taxas incidem sobre as operações de crédito, o que, ao final, pode elevar o valor da operação. A contratação é feita integralmente de modo digital, por meio do aplicativo Caixa Tem, o mesmo em que são feitos os pagamentos de benefícios sociais. Os valores podem demorar até sete dias para serem liberados. 

Catharina conta que já existiam instituições financeiras que realizavam empréstimos para pessoas com o nome sujo. Mas essa é a primeira vez em que a Caixa, o banco com maior base de clientes do país, faz uma operação como essa. A analista diz que a medida é bem-vinda tanto para a CEF, quanto para as famílias que vem enfrentando muitas dificuldades econômicas. Mas a especialista alerta que é preciso ter estratégia para a tomada de crédito: buscar sempre a opção que apresenta juros menores. 

Confira a entrevista: 

Crédito: Acervo Pessoal Brasil 61: Catarina, finanças pessoais é um tema muito importante quando se fala em crédito para negativados, tema que ganhou destaque com o anúncio dos empréstimos por meio do Caixa Tem. É a primeira vez que uma instituição financeira oficial realiza esse tipo de operação? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: Não é a primeira vez que uma instituição financeira oficial realiza crédito para negativados. Atualmente há em torno de 800 instituições - entre instituições financeiras, fintechs, bancos. Algumas delas já ofereciam créditos para negativados e tem como o seu mote de vendas créditos para negativados. O que é a primeira vez na história? É a Caixa, que é um banco muito grande, muito conhecido, abrir mão de alguns critérios na sua análise de crédito para oferecer créditos inclusive para quem está negativado. O que a gente enxerga é que 2021 foi um ano muito duro para as pessoas. A inflação aumentou demais, o poder de compra das pessoas não acompanhou, então o preço das coisas, de tudo que a gente usa para viver subiu demais e os nossos rendimentos - seja nosso salário, faturamento - não acompanhou esse aumento tão grande. E acabou que as pessoas precisaram utilizar créditos ou outras formas de empréstimo para necessidades básicas.

Então, o que eu acho que aconteceu é uma mudança muito grande no cenário. Se as instituições financeiras não abrissem um pouquinho essa análise de crédito das pessoas talvez eles começassem a deixar de oferecer crédito, que é uma das principais fontes de receita para os bancos. Então, acho que tem muito a ver com esse momento do que aconteceu aí em 2021.

Brasil 61: Os juros que a Caixa tem oferecido são a partir de 1,95%  por mês. Do ponto de vista da finança pessoal, qual o impacto desses juros no orçamento? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: Primeiro, que a gente tem que lembrar que quando a gente olha lá o edital, as regras desse empréstimo da Caixa, que esses juros podem variar entre 1,95 até 3% ao mês. Então, tentando simplificar: lembrando que esses juros são só do empréstimo. Junto com esse empréstimo, em geral, tem outras despesas: tem, por exemplo, o IOF - que é um imposto sobre operações  financeiras -, pode ter uma taxa de cadastro, pode ter um seguro. Porque a instituição financeira não vai ficar completamente descoberta. Ela quer receber esse dinheiro de volta. 

A gente tem que lembrar que essa taxa de juros pode chegar até 5% ao mês, aproximadamente. Vamos pensar num empréstimo de R$ 1.000,00. Da sua parcela, em torno de R$ 50,00 são juros e outras taxas que a pessoa vai pagar. Então, o que que é importante a gente lembrar? Primeiro, avaliar qual é o nosso grau de endividamento e quanto de juros eu estou pagando por esse endividamento. Então, eu gosto de comparar com o cheque especial, que é um um empréstimo fácil que está extremamente acessível para as pessoas. Muitas vezes, basta que você passe lá o cartão de débito ou faça o Pix, você já contratou (entre aspas) esse empréstimo dessa instituição que você tem conta.  Então, vamos supor, se a pessoa está frequentemente entrando no cheque especial, não está dando conta de pagar este cheque especial. E ela vai trocar essa taxa de juros de 8% ao mês para uma taxa aí de 2,3, 4% ao mês: vale muito a pena. Ela tem que ser estratégica, porque se ela está todos os meses no cheque especial, alguma coisa está acontecendo com a renda. Então, tem que avaliar exatamente o que acontece com essa renda, contrata esse empréstimo no lugar desse cheque especial. Aliás eu até recomendo: cancele o cheque especial para não entrar de novo e vai pagar um juros um pouco menor.  

Brasil 61: Você falou muito de estratégia para a tomada de crédito para manejar o orçamento. Além dessa dica, tem alguma outra que a gente possa dar? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: É até difícil, eu me sinto até meio constrangida de tentar dar dica de orçamento num momento em que eu vejo que as coisas estão tão difíceis: que o quilo da carne está um absurdo, não é? Não dá para pedir para as pessoas comerem menos, ou que deixem de viver por causa do seu orçamento. Mas uma regra que a gente fala de orçamento está muito relacionada a entender exatamente todas as fontes de receita que essa pessoa tem, da onde que vem todos os seus recursos financeiros (se vem do meu salário, do meu emprego, então vai ter pouca variação). Se vem de alguma renda extra que se possa fazer (então eu tenho o meu salário, mas eu também consigo vender algum item de alimentação, consegue prestar algum serviço), precisa observar como que é o tamanho dessa fonte de receita e o tamanho das despesas. No cenário ideal, a gente só pode gastar o que vai entrar. 

Eu até falo que, atualmente, chegamos numa fase de colocação no mundo em que o dinheiro está muito líquido. A gente tem cartão de débito, cartão de crédito e o próprio Pix. A gente não vê dinheiro na nossa mão praticamente. Se for pensar há 20, 30, 40 anos, as pessoas tinham uma facilidade um pouco menor para se endividar, justamente porque a maioria dos pagamentos eram em dinheiro. Então, você conseguia planejar um pouco melhor. Então, acho que é tempo de a gente pensar não só nesse quanto a gente consome, mas como a gente consome também. Talvez os hábitos de consumo estão relacionados a como a gente gasta. Se a gente puder parar e observar um pouco isso, talvez isso seja significativo para as famílias poderem deixar o seu orçamento dentro daquilo que entra. 

Assista à Entrevista 


 

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18/04/2022 17:53h

Em coletiva de imprensa, ministro da Saúde afirmou que queda nos casos e óbitos, além do avanço da vacinação embasaram a decisão

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, declarou, em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (18), que irá editar um ato normativo para disciplinar o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) por Covid-19. Queiroga já havia anunciado a medida em pronunciamento em rede nacional, na noite deste domingo (17). 

O ato normativo deverá ser publicado entre a próxima quarta-feira (20) e o final de semana, e deve entrar em vigor em 30 dias. Decretada em janeiro de 2020, a Espin autorizou o uso emergencial de vacinas e compras sem licitação, por exemplo. Com a revogação, essas autorizações vão perder a validade. 

Mesmo com o fim da Espin, o ministério anunciou que deverá manter a autorização do uso emergencial de insumos utilizados no enfrentamento à Covid-19, a priorização na análise de solicitações de registro desses materiais e a testagem rápida nas farmácias. Essas propostas foram enviadas à Agência Nacional de Vigilância (Anvisa).

Em relação à Coronavac, a pasta também pediu à Anvisa a ampliação do uso emergencial do imunizante para não afetar a vacinação no Brasil. 

Fim da Espin

Para Queiroga, o país possui as "condições necessárias" para decretar o fim do emergência em saúde pública por conta da covid. A decisão foi apoiada em três pontos: queda no números de casos e óbitos nos últimos 15 dias, o avanço da cobertura vacinal e a capacidade do SUS de atender casos da doença e de outras que foram negligenciadas durante os picos do coronavírus.

"O ministério da Saúde entende, com base nos pareceres das áreas técnicas, que nós não vivemos mais uma emergência de saúde pública nacional. Por isso, vamos editar um ato normativo que trará todos os fundamentos que embasaram a nossa decisão. Esse ato reconhece o que nós já vivemos no Brasil atualmente. Nós temos um cenário epidemiológico equilibrado e a norma precisa ser revisada", afirmou o ministro.

3 pontos que apoiaram a decisão do Ministério da Saúde

1 - Queda expressiva no números de casos e óbitos da Covid-19 nos últimos 15 dias: dados  Semana Epidemiológica 15 (10/04 a 16/04), mostram a diminuição de 0,72% de novos casos, com 26.924 registros, e queda de 19,6% de óbitos, com a ocorrência de 163 mortes. 

2 - Ampla cobertura vacinal: mais de 70% da população já completou o esquema vacinal com ao menos duas doses e 77 milhões já receberam a dose de reforço

3 - Capacidade do SUS de atender casos de covid e das doenças que foram negligenciadas durante os picos do coronavírus.

Com a revogação da Espin, um conjunto de normas deve perder a validade jurídica. Um mapeamento feito pelo Centro de Pesquisas em Direito Sanitário mostrou que, em 2021, 2.366 normas da União e dos estados estão vinculadas à portaria que decretou os estado de emergência. 

Alguns exemplos da normas que perderão a validade com o fim da Espin são a 14.125 que dispõe sobre a a responsabilidade civil relativa a eventos adversos pós-vacinação contra a Covid-19 e sobre a aquisição e distribuição de vacinas por pessoas jurídicas de direito privado, e a 14.124, que trata sobre aquisição de vacinas e de insumos.

Queiroga pontuou que nenhuma política pública de saúde será interrompida mesmo diante do atual cenário. Segundo o chefe da pasta, "foi criado um ordenamento jurídico próprio em função da decretação da emergência e é necessária que haja uma transição para que não tenhamos prejuízos na assistência à saúde".

Sobre a compra de vacinas, o secretário de atenção primária à saúde, Rafael Câmara, explicou que os contratos vigentes hoje podem substituir essas legislações. "A ideia é que se tenha previsibilidade para que todos que de alguma forma são afetados ou fizeram seus normativos com base na Espin consigam fazer essa reflexão e ajudar os normativos  para que deem continuidade que precisam ter".

Segundo o ministério da Saúde, o arrefecimento da pandemia se deve especialmente à campanha de vacinação. Até o momento, o ministério da Saúde distribuiu aos estados cerca de 477 milhões de vacinas contra a Covid-19. Dessas, 409 milhões foram aplicadas. A cobertura vacinal com as duas doses ou dose única ultrapassa 73% da população total. 
 

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08/04/2022 00:53h

Brasil chegou à média móvel de 194,3 mortes nessa quarta-feira (6), menor índice desde 21 de janeiro, quando começou a alta de casos pela nova variante

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Desde o começo da onda de casos de Covid-19 provocados pela variante Ômicron, o Brasil não tinha uma média móvel tão baixa. Nessa quarta-feira (6), o índice ficou em 194,3, abaixo do número de 195,7 registrado em 21 de janeiro deste ano. Os dados estão no mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.


A data também marcou 60 dias ininterruptos de tendência de queda na média móvel de casos, no mesmo período. Entre 5 de fevereiro, quando a pandemia atingiu a máxima histórica de casos (183.150), e essa quarta (6) a queda foi de 86,85%. Além disso, Acre, Roraima, Amapá, Tocantins, Paraíba e Espírito Santo não tiveram registros de mortes pela doença em 24 horas.


Segundo o Ministério da Saúde, a queda se deve principalmente à ampla Campanha de Vacinação contra a Covid-19, que já aplicou mais de 403 milhões de doses desde o ano passado. A secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, comentou o cenário na última reunião tripartite, ocorrida em 24 de março. 


“Nós estamos vivendo um momento de arrefecimento não só aqui no nosso país, mas em alguns outros países. Porém o alerta, a precaução devem estar sempre. Haja vista o que tem acontecido não só na Ásia mas em alguns países da Europa com a sub variante ômicron. Então é claro que nós caminharemos, sim, para o término dessa pandemia, a eliminação com certeza ela virá, talvez em outra geração, mas nós conseguiremos, sim, controlar”, destacou.


No evento, que reúne uma vez por mês gestores federais, estaduais e municipais de saúde, a secretária enfatizou a importância da Campanha de Vacinação para o controle da pandemia: “Há de fato luz no fim do túnel e isso é graças à colaboração de todas as instâncias. O SUS ele vem representar tudo isso, que é a união que faz com que nós consigamos, em relação principalmente à vacinação”, comemorou.


A orientação do Ministério da Saúde é que os brasileiros a partir de 18 anos que tomaram a segunda dose há mais de quatro meses tomem também o reforço. Até o momento, segundo a Pasta, 70,1 milhões receberam a terceira dose. 
 

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07/04/2022 00:39h

Campanha do Ministério da Educação convida população a combater o abandono escolar

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O número de crianças e adolescentes fora da escola aumentou 171% durante a pandemia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 244 mil meninos e meninas de 6 a 14 anos não estavam matriculados no segundo trimestre de 2021, cerca de 154 mil a mais que em 2019.

Dados divulgados pelo Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que o número de matrículas de crianças entre 6 e 10 anos diminuiu entre os anos de 2019 e 2020. Em 2019, foram realizadas 13.995.683 matrículas. Já em 2020, o número caiu para 13.907.329. O mesmo ocorreu nas matrículas de 11 a 14 anos, com uma queda de 11.597.937 para 11.495.650 no mesmo período.

A professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), Catarina de Almeida, explica como a pandemia evidenciou a importância da escola para grande parte dos alunos.

“Para grande parte dos estudantes, a escola tem mais importância ainda. Esses estudantes dependem da escola para ter professor ensinando. As residências não apresentam locais adequados para estudar. Eles dependem da escola para ter proteção. Dependem da escola para ter alimentação. Se a escola é o espaço em que essas condições são dadas, quando a pandemia vem, os estudantes ficam sem tudo isso.”

Segundo Catarina, além da dependência da infraestrutura da escola, o brasileiro não tem a cultura do ensino remoto, o que requer certa autonomia do estudante para estudar. “Então isso fez com que muitos estudantes se afastassem da escola”.

“A pandemia trouxe também condições de mais vulnerabilidade. Muitas famílias perderam renda, ficaram sem renda, sem trabalho. Muitas crianças entraram em trabalho infantil, que significa ir para as ruas pedir, ser explorado de todas as formas. Isso traz condições de violência nos espaços em que estão vivendo, sem ter a proteção da escola. Então esses elementos todos vão favorecer a evasão da escola”, acrescenta.

EVASÃO ESCOLAR: Ajude no retorno seguro dos jovens às escolas

EVASÃO ESCOLAR: Ajude no retorno seguro dos jovens mato-grossenses às escolas

Dia da Escola: instituição enfrenta desafios após pandemia

Disque 100 - Brasil na Escola

Para combater o abandono e a evasão escolar, o Ministério da Educação (MEC) convida as famílias e toda a população para participar da campanha Disque 100 - Brasil na Escola. Desde o dia 28 de março, o telefone está disponível para receber ligações que informem sobre crianças e adolescentes não matriculados na rede de ensino ou que estejam sem frequentar a escola.

Segundo o secretário adjunto de Educação Básica do Ministério da Educação Helber Ricardo Vieira a campanha é uma parceria da pasta com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) e tem “o objetivo de engajar toda a sociedade em um processo ativo de busca daquelas crianças que estão indevidamente fora da escola.”

As ligações pelo Disque 100 podem ser feitas de todo o Brasil, gratuitamente, de qualquer telefone fixo ou celular, 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Basta discar 100.

“O Disque 100 é um canal que foi colocado no ar, onde qualquer cidadão brasileiro vai poder ligar para notificar, trazer ao conhecimento das autoridades situações em que percebe-se que uma criança não está tendo o seu direito à educação contemplado por estar fora da escola. Uma vez que o cidadão disca para esse número, ele realiza a sua notificação e essa notificação é passada por uma rede de contatos de instituições do estado, como conselhos tutelares, por exemplo, onde nós faremos um monitoramento. Primeiro a situação é verificada e se há realmente uma situação de ausência do direito por parte da criança, nós asseguraremos que ela se reengaje na rede escolar”, explica o secretário.

Helber Ricardo Vieira destaca os que a Constituição Federal assegura que o direito à educação é um dever do Estado, da família e de toda a sociedade. 

“Há diversos relatos científicos que demonstram que a participação da família aumenta a probabilidade de aprendizagem das crianças. E nesse momento, nós estamos chamando famílias e toda a sociedade para nos engajarmos em uma estratégia realmente nacional de recuperação das aprendizagens da pandemia. Agora, essa recuperação das aprendizagens começa com o retorno das crianças na escola, com a sua permanência e com as aprendizagens ocorrendo.”

A professora Catarina de Almeida afirma que é preciso ir muito além da denúncia para ajudar os estudantes que estão fora da escola. 

“Para que esses estudantes estejam nas aulas presenciais, precisamos resolver as questões que fizeram com que esses estudantes se afastassem da escola. Se a situação de vulnerabilidade social não for revertida, eles continuarão nessa situação. Por mais que a gente leve de volta para a escola, a questão social, a questão da alimentação e de coisas básicas vão falar mais alto do que a própria própria educação”, ressalta.

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02/04/2022 17:30h

Portaria publicada na última sexta-feira (1º) liberou a exigência de uso e fornecimento de máscaras em estados ou municípios que não exigem mais a proteção em ambientes fechados.

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O uso de máscaras em ambientes de trabalho não é mais obrigatório. Uma portaria publicada no Diário Oficial na última sexta-feira (1º) liberou a exigência do uso e fornecimento de máscaras pelas empresas em estados ou municípios que não exigem mais a utilização em ambientes fechados. 
 
Segundo o Governo Federal, a atualização se deve à melhora do cenário epidemiológico, mas a medida pode ser reavaliada em caso de aumento de casos da Covid-19. Isso ocorre em locais que registrarem nível de alerta considerado alto ou muito alto, ou seja, a partir de 151 casos a cada 100 mil habitantes. 
 
O uso de máscaras era obrigatório desde abril de 2020. Depois de dois anos usando, a servidora pública Deborah Achcar não se sente confortável ainda para abandonar a proteção. Ela é moradora do Distrito Federal, uma das unidades da federação onde a máscara deixou de ser obrigatória para a circulação em ambientes fechados.
 
“No meu trabalho já não é mais obrigatório usar máscara, mas todos da minha sala usam e ninguém está pensando em tirar porque ainda não tem certeza absoluta da falta de necessidade da máscara”, relata a servidora. 
 
Nada muda para os profissionais de saúde, que devem receber máscaras PFF2 e demais equipamentos de proteção individual. Também estão na portaria outras medidas para evitar o contágio, como ambientes com distanciamento e afastamento dos infectados. Profissionais com suspeita ou confirmação de Covid-19 devem ser afastados por dez dias, prazo que pode ser reduzido para sete, de acordo com as regras definidas pelo Ministério da Saúde.
 

 

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15/03/2022 04:30h

A segunda edição da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus, feita pelo Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), mostrou que quatro em dez alunos pensaram em parar os estudos devido à pandemia.

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O Dia da Escola é comemorado em 15 de março e este ano a data será marcada por novos desafios no contexto da Covid-19. A pandemia provocou mudanças no ambiente escolar, como a falta de socialização e aulas on-line por conta do distanciamento social. 

A servidora pública Deborah Nunes Lyra, de 46 anos, é mãe de uma criança de seis anos com Síndrome de Down. Ela relata que sentiu muita dificuldade nas aulas on-line, já que o filho não conseguia acompanhar as atividades. 

“Ele só conseguia acompanhar meia hora de atividade, no máximo, sentado na cadeira do computador. Depois, levantava e não dava mais bola para as coleguinhas e a professora”. Segundo ela, o filho também perdeu pela falta de integração com outras crianças. “Aos poucos, ele está voltando a gostar de brincar com outras crianças.”

O servidor público Leonardo Castro, pais de duas crianças de 15 e 8 anos, também afirma que o ensino dos filhos foi prejudicado. “Meu filho de 15 anos se adaptou melhor à aula on-line, mas teve muito problemas pela falta de convívio com os amigos. E minha filha de 8 anos estava na época de alfabetização e foi muito problemático. A falta da presença da professora da hora de saber ler e escrever fez muita falta e a gente teve que contratar uma professora de reforço depois.”

Segundo a coordenadora do curso de pedagogia da Universidade Cidade de São Paulo, Luciene Teixeira Diniz, a presença muitas vezes se faz necessária em processos de aprendizagem. “Existem fases em que as crianças precisam do olho no olho, do contato, da segurança e do afeto para aprender. Acredito que essa foi a maior perda.”

Para a vice-diretora educacional de uma escola particular em Brasília, Luciana Winck, o papel da escola durante os últimos dois anos foi principalmente de auxiliar a manutenção do contato com a realidade. “A escola manteve o contato com a realidade buscando desenvolver o seu papel poderia contribuir com a manutenção da saúde mental. Ou seja, não ficávamos simplesmente na nossa casa, mas estávamos com uma rotina com o que era natural antes da pandemia: acordar, estudar, ver os colegas, ainda que pela tela do computador ou mandando mensagens por chats.”

Luciana também explica que a comunidade escolar teve que lidar com manifestações comuns no retorno: ansiedade, medo, insegurança e até dificuldade de voltar ao presencial. Para ela, a escola precisa, em um primeiro momento, dar conta de acolher os problemas emocionais que surgem e com isso auxiliar a sua comunidade a retornar ao dito natural.

“É uma outra forma de ver a escola. Uma escola que teve ganhos: usar a tecnologias a seu favor, de descobrir novas metodologias de ensino e troca pedagógica com seus estudantes, mas também de dar conta daquilo que possa ter ficado para trás eventualmente. São muitas frentes, portanto, a educação como um todo não pode se dizer não afetada, já que estamos desde o ano de 2020.”

A coordenadora do curso de pedagogia do Centro Universitário da Serra Gaúcha, Simone Onzi, vê com otimismo o futuro da escola pós-pandemia. “A pandemia pode afetar positivamente a educação se as escolas e seus professores aproveitarem os ensinamentos e as tendências que a vivência on-line trouxe para todos, ou seja, formas digitais de articular o processo de ensino aprendizagem. A pandemia, certamente nos mostrou que a escola não vai acabar e nem o professor será substituído pela tecnologia. Ambos têm a função de articular e mediar o conhecimento.”

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Crianças devem ser testadas sempre que estiverem com suspeita de Covid-19

Pais e responsáveis recebem auxílio para compra de material escolar

Desistência

Um problema se destaca entre as preocupações pós-pandemia: a evasão escolar. A segunda edição da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus, feita na metade de 2021 pelo Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), mostrou que quatro em cada dez alunos pensaram parar os estudos devido à pandemia. Foram entrevistados  68.144 jovens de todo o país.

Os alunos de 18 a 29 anos que interromperam os estudos citaram como a principal causa a questão financeira. Isso se reflete no aumento do percentual de jovens que afirmaram trabalhar formal ou informalmente - em 2020, durante a primeira edição, esse índice era de 23% e já no estudo mais atualizado, somou 38% do total. Esse percentual é ainda maior entre os entrevistados negros, que chega a 47% dos participantes.

A professora Luciene Silva do Instituto Federal do Rio de Janeiro, orienta alunos de licenciatura do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, que acompanham e realizam atividades em um colégio estadual da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Ela relata uma dificuldade  muito grande no contato com os alunos, até mesmo para conseguir ter o acesso ao conteúdo on-line. A própria escola não tinha recursos materiais suficientes para produzir materiais impressos para distribuir aos alunos. 

“Isso resultou em dois anos de uma grande fragmentação na aprendizagem e socialização desses estudantes. Por outro lado, tivemos a possibilidade de uma renovação em termos pedagógicos. Embora isso tenha sido feito - arrisco dizer que na maioria dos cenários - de forma improvisada e precarizando o trabalho docente, também proporcionou pequenas revoluções no modo de se pensar conteúdos e metodologias com potencialidades positivas para a aprendizagem.” 

Outros pontos que foram citados pelos estudantes são as dificuldades de se organizar e de acompanhar as aulas remotamente. Esse fator afetou principalmente os entrevistados mais jovens, de 15 a 17 anos, que relataram não aprender ou não se interessarem pelos conteúdos que eram transmitidos. 

Ainda segundo Luciene, a escola sempre é atravessada por questões sociais. Ela cita como exemplos os casos de famílias que tiveram dificuldade de alimentar seus filhos pela falta da merenda escolar e situações de violência, nas quais a escola serve como refúgio. 

“Penso na falta que a escola fez para muitas crianças e adolescentes, mesmo considerando que a pandemia exigiu o distanciamento social e que nossa situação seria muito pior se não tivéssemos suspendido as aulas presenciais”, ressaltou. 

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10/03/2022 03:50h

Transtorno é caracterizado pela dificuldade das crianças em ressocializar após muito tempo de isolamento

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A pandemia de Covid-19 pode causar impactos duradouros na saúde mental de crianças e adolescentes. A psicóloga Cleuza Barbieri, especialista em desenvolvimento infantil e adolescente, afirma que crianças são naturalmente sociáveis e se desenvolvem se relacionando com outras pessoas.

“Crianças aprendem se relacionando, brincando, trocando e se frustrando com seus pares. Então há um prejuízo [no isolamento] que pode potencializar algumas patologias nessas crianças, como ansiedade, medo, pânico.”

Segundo o relatório Situação Mundial da Infância 2021 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de uma em cada sete crianças no mundo, com idade entre 10 e 19 anos, possui algum transtorno psicológico agravado pelo contexto da Covid-19. Já no Brasil, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostra que uma em cada quatro crianças e adolescentes apresentam sinais de ansiedade e depressão, após o surgimento do coronavírus e da necessidade de isolamento social.

Karolina Peres de Oliveira é mãe de duas crianças, estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal. Ela descreve como seus filhos tiveram dificuldade para se socializarem após a volta às aulas presenciais.

“O isolamento social afetou os meus filhos. Eles ficaram menos sociáveis com as crianças de fora. Quando eles viam uma criança, eles ficavam sem interação natural. Isso foi notado logo depois que começaram as aulas. Na escola demorou um pouco para eles se socializarem bem com as outras crianças.”

Patrícia Coimbra, coordenadora pedagógica de uma escola em Brasília, também sentiu diferença no comportamento na volta às aulas presenciais.

“Os alunos voltaram ansiosos e com certa dificuldade de interação. Tivemos que desenvolver um projeto para trabalhar o emocional das crianças e a readaptação no ambiente escolar.”

Ela avalia que a volta às aulas presenciais é extremamente importante para o desenvolvimento das crianças. “A criança precisa estar na escola. O convívio social e a professora por perto são fundamentais para o processo de aprendizagem. É importante os pais mostrarem para as crianças a importância da escola, incentivar e motivar essa vinda para escola. Escola e família precisam caminhar juntos.”

Síndrome de Gaiola

A psicóloga clínica Muriell Coelho comenta sobre essa dificuldade de interação social, denominada como Síndrome de Gaiola.

“A Síndrome da Gaiola é um transtorno que consiste na pessoa ter a possibilidade de interagir e socializar, mas que internamente e emocionalmente ela se sente impedida ou acuada para tal, causando agravamento da situação de isolamento e transtorno psicológico como ansiedade, depressão e a condição também pode impactar no processo de aprendizagem da criança.”

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Ela também alerta para o isolamento em excesso.

“Os sinais que merecem atenção seriam um isolamento em excesso; aquela dificuldade da criança em interagir com pessoas que estão fora do convívio familiar ou com quem tenha passado a pandemia junto. Você percebe que a criança fica mais acuada, tem mais dificuldade de conversar, de interagir, de manter o diálogo, de brincar, choro excessivo ou sintomas de ansiedade, irritabilidade quando a criança está prestes a sair de casa. E também [tem] preferência em realizar atividades em casa sobre as externas.”

Cuidados

A psicóloga Cleuza Barbieri alerta para o excesso de medo imposto pelos pais sobre o retorno ao convívio em sociedade.

“Tem que observar se existe muito medo imposto pela sociedade, pelos pais, pela escola nesse retorno, com muito cuidado, com excessos de preocupações. Isso também pode ser um pouquinho difícil para as crianças nesse sentido.”

Ela recomenda os cuidados que os pais devem tomar no retorno dos pequenos às aulas presenciais.

“O cuidado que os pais devem tomar com essa ressocialização seria simplesmente em qual contexto as crianças vão estar inseridas. Observar se a criança está sendo aceita no núcleo onde ela está indo para escola. Se não há uma questão de bullying, se não há uma questão de medos excessivos. Porque a criança por si só consegue se ressocializar. Ela consegue fazer contato, ela consegue criar amigos, ela consegue se adaptar a situações. Criança é muito adaptável.”

A psicóloga Muriell Coelho orienta os pais a apoiarem os filhos, caso demonstrem insegurança.

“Também nunca devem repreender a criança: você tem que ir pra escola agora, não tem outra opção. É importante ter acolhimento, ter paciência, legitimar o que a criança está sentindo, estimulá-la e ter uma compreensão de que a criança, no ritmo dela, vai se ressocializando”, acrescenta.

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13/11/2021 15:01h

Desse total, quase 82 mil correspondem a vagas temporárias, para atender demandas de alta temporada

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As atividades econômicas continuam no processo de retomada e no setor de turismo não é diferente. De acordo com projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de contratações formais entre novembro de 2021 até fevereiro de 2022 deverá ser de 478,1 mil. 

Segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, deste total, 81,7 mil atenderão à demanda da alta temporada, com vagas temporárias. Na avaliação dele, as admissões devem ocorrer em todo o território nacional, mesmo em cidades que não costumam receber grandes quantidades de turistas. 

“Basicamente é no Brasil inteiro, porque mesmo onde não há destinos turísticos conhecidos, como alguns estados da região Norte e no Centro-Oeste, o setor de alimentação fora do domicílio vai atender ao turista e aos residentes. E é considerada uma atividade típica do turismo. Então, será no Brasil inteiro. Claro que isso tende a se concentrar nas regiões de maior fluxo de visitantes, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, explica. 

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Ainda de acordo com dados da CNC, a projeção é de que as atividades turísticas faturem R$ 171,9 bilhões ao longo da próxima alta temporada. Ao todo, os principais profissionais demandados devem ser recepcionistas (14,49 mil vagas); cozinheiros e auxiliares (8,09 mil); camareiros (7,30 mil); garçons e auxiliares (4,76 mil); e auxiliares de lavanderia (7,76 mil). 

Estados com maiores demandas

  • São Paulo (23,49 mil vagas)
  • Rio de Janeiro (10,34 mil vagas) 
  • Minas Gerais (7,43 mil vagas)

Recuperação 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia destacado uma alta de 4,6% no Índice de Atividades Turísticas, em agosto. O aumento na movimentação econômica do setor atingiu 49,1% no acumulado entre maio e agosto. Foi o melhor resultado desde fevereiro do ano passado. 

Em 2020, em meio ao ápice da pandemia, o setor havia apresentado retração de 36% no volume de receitas. Já em relação às contratações, o saldo negativo chegou a 238,6 mil. Em 2021, entre janeiro e setembro, as companhias do segmento já haviam registrado um saldo positivo de 167,53 mil postos formais. Os dados constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). 
 

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