Pós-pandemia

13/11/2021 16:01h

Desse total, quase 82 mil correspondem a vagas temporárias, para atender demandas de alta temporada

Baixar áudio

As atividades econômicas continuam no processo de retomada e no setor de turismo não é diferente. De acordo com projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de contratações formais entre novembro de 2021 até fevereiro de 2022 deverá ser de 478,1 mil. 

Segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, deste total, 81,7 mil atenderão à demanda da alta temporada, com vagas temporárias. Na avaliação dele, as admissões devem ocorrer em todo o território nacional, mesmo em cidades que não costumam receber grandes quantidades de turistas. 

“Basicamente é no Brasil inteiro, porque mesmo onde não há destinos turísticos conhecidos, como alguns estados da região Norte e no Centro-Oeste, o setor de alimentação fora do domicílio vai atender ao turista e aos residentes. E é considerada uma atividade típica do turismo. Então, será no Brasil inteiro. Claro que isso tende a se concentrar nas regiões de maior fluxo de visitantes, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, explica. 

Mobilidade Urbana: programa Avançar Cidades autorizou quase R$ 110 milhões em financiamentos

Reforma Tributária: entenda o que é o IVA Dual, que vai simplificar a cobrança de impostos

Ainda de acordo com dados da CNC, a projeção é de que as atividades turísticas faturem R$ 171,9 bilhões ao longo da próxima alta temporada. Ao todo, os principais profissionais demandados devem ser recepcionistas (14,49 mil vagas); cozinheiros e auxiliares (8,09 mil); camareiros (7,30 mil); garçons e auxiliares (4,76 mil); e auxiliares de lavanderia (7,76 mil). 

Estados com maiores demandas

  • São Paulo (23,49 mil vagas)
  • Rio de Janeiro (10,34 mil vagas) 
  • Minas Gerais (7,43 mil vagas)

Recuperação 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia destacado uma alta de 4,6% no Índice de Atividades Turísticas, em agosto. O aumento na movimentação econômica do setor atingiu 49,1% no acumulado entre maio e agosto. Foi o melhor resultado desde fevereiro do ano passado. 

Em 2020, em meio ao ápice da pandemia, o setor havia apresentado retração de 36% no volume de receitas. Já em relação às contratações, o saldo negativo chegou a 238,6 mil. Em 2021, entre janeiro e setembro, as companhias do segmento já haviam registrado um saldo positivo de 167,53 mil postos formais. Os dados constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). 
 

Copiar o texto
28/06/2021 12:30h

A partir da semana que vem as creches retomam as atividades

Baixar áudio

Nesta segunda-feira (28) as equipes de todas as 122 creches parceiras da Secretaria de Educação do Distrito Federal irão se reunir para uma semana de ambientação, acolhimento dos profissionais e preparação para o retorno das crianças, que ocorrerá na segunda-feira na semana que vem (5/7). Serão aproximadamente 22.967 crianças de até 5 anos de idade voltando às atividades presenciais.        

Por isso, a secretaria está divulgando o guia de orientações de retorno às atividades presenciais nas Instituições Educacionais Parceiras – IEPs que ofertam educação infantil, elaborado com objetivo de recepcionar as crianças com a atenção, o cuidado e a segurança necessárias diante da pandemia da Covid-19.

O documento apresenta questões como distanciamento; necessidade do uso de máscaras para crianças a partir de três anos; troca de máscara a cada três horas; verificação da temperatura; organização na entrada e nos horários das refeições para evitar aglomerações; disponibilidade de produtos de higienização em todos os ambientes; e a necessidade de não compartilhamento dos brinquedos.

Serão retomadas as atividades de 122 unidades, sendo 59 centros de educação da primeira infância (Cepis), construídos com recursos públicos e geridos por instituições sem fins lucrativos, e as demais 63 são instituições sem fins lucrativos, que também firmaram parceria com a Secretaria de Educação.

Copiar o texto
02/04/2021 00:00h

Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) lembra que Brasil ainda vai observar efeitos como evasão escolar, impactos na aprendizagem e outras consequências futuras provocadas pela pandemia

Baixar áudio

Escolas fechadas, atividades remotas que não chegam a todos e profissionais da educação ainda sem vacinação. Esse cenário já é enfrentado por quase todos os municípios brasileiros, que tentam articulações para minimizar as desigualdades provocadas pela pandemia, mas o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Vitor de Angelo, também alerta que os desafios educacionais não vão acabar com o fim da disseminação do vírus no país. 

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, o também secretário de Educação do Espírito Santo e pós-doutor em Sociologia comentou sobre o contexto pedagógico atual e os principais problemas futuros. “Será um ano difícil, um ano que promete, em parte por causa da pandemia, em parte pelas consequências que ela ainda vai trazer”, define.

Vitor lembra que a área ainda será impactada após o ano de 2021. “Nós ainda não assistimos a evasão, os impactos na aprendizagem dos alunos, as consequências propriamente educacionais do problema de saúde pública que estamos vivendo”, avalia.

O secretário afirma que a pandemia adicionou mais uma camada de problemas à educação no Brasil, principalmente no sistema público. “São desafios grandes que passam pela necessidade de reinventar a escola naquilo que ela tem de mais básico. O modo que ela pode ensinar e a forma como os alunos podem aprender.”

Na entrevista, ele critica a falta de um olhar amplo de uma coordenação nacional para todo o território do país, o que aumenta a desigualdade em diversas regiões. “No nível sub-nacional e no nível municipal, os gestores tomam a frente e a liderança desse processo. Mas na medida em que cada um toma conta da sua região, a perspectiva de país, de uma coordenação que possa diminuir a desigualdade, se perde”.

Cenário às escuras

Um passo avaliado pelo secretário como básico neste momento seria a realização de uma avaliação diagnóstica. Ou seja, um levantamento em todo o Brasil, aferindo o nível de aprendizagem de todo aluno da rede pública, para pactuar entre todos os entes federados o que se fará como resposta aos resultados. “Isso não existe e nem há uma perspectiva de que venha a existir. Quantos alunos hoje não têm acesso às aulas remotas? O Ministério da Educação não tem como dizer isso”.

Vitor também ressalta que, no ano passado, havia um discurso de que era necessário manter aulas remotas, mesmo sem alcançar 100% dos alunos, porque era melhor chegar a um grupo do que não chegar a ninguém. 

“Mas, no nosso horizonte como gestores, não estava colocada uma pandemia que fosse entrar no segundo ano. Por um curto período de tempo, isso faria sentido. Afinal, depois a gente ia atrás dos outros. Agora, por um longo período de tempo, esses outros podem sequer voltar à escola. E até aqueles que participavam das atividades remotas podem se sentir desestimulados em virtude do prolongamento da pandemia”.

Especialistas debatem retorno de aulas presenciais em audiência na Câmara

Concurso internacional vai destinar US$ 170 mil para projetos de bibliotecas públicas

MG: Projeto “Mãos Dadas” fortalece a cooperação entre estado e municípios na Educação

Reabertura de escolas

As instituições de ensino públicas e privadas espalhadas pelo país ainda convivem com fechamentos e reaberturas, de acordo com a situação da pandemia de cada região. Para Vitor, não há como se afirmar qual é a melhor decisão única para todo o Brasil neste momento, mas o assunto deve ser tratado com base nas orientações de autoridades sanitárias de cada região, com a percepção da importância das instituições. 

“A escola não pode ser a primeira vítima de medidas para controlar a Covid, dado que ela não se mostrou um ambiente perigoso de contágio, longe disso. Mas não podemos tomar como um tabu uma necessidade de fechar as escolas, como países da Europa fizeram e estão fazendo neste momento”, pontua.

Dentro desse dilema, o presidente do Consed diz que o longo período fora da escola tem consequências como problemas de aprendizagem, problemas ligados à evasão e falta de acesso à internet e aos equipamentos dos estudantes. Nesse ponto, ele critica o veto do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao projeto de lei (PL 3.477/2020), que destinaria R$ 3,5 bilhões da União para Estados, Municípios e o Distrito Federal garantirem a internet a alunos e professores em vulnerabilidade. 

“Se não daria para chegar a todos, daria para chegar a muita gente. Mas, para isso, precisaria de recursos. Agora, se nós vetarmos um projeto que garante esses recursos, vindo de um fundo que já tem disponível quatro vezes mais do que o valor pleiteado, aí realmente fica muito difícil achar que essa agenda é prioridade”, enfatizou.

Assista agora à entrevista completa e exclusiva com o secretário de Estado da Educação do Espírito Santo e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Vitor de Angelo.

Copiar o texto
26/03/2021 00:10h

Marta Litwinczik, coordenadora de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil, recomenda manter a distância entre uma mão e outra, com os braços abertos

Baixar áudio

As aulas estão de volta, seja a distância ou presencial. Nessa volta às aulas, é preciso seguir as novas regras para proteger todos contra o coronavírus. Na escola, é fundamental manter o espaçamento seguro das mesas e organizar as turmas. Como fazer isso na prática? Marta Litwinczik, coordenadora de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil, detalha.

“O espaçamento mínimo deve ser de um metro entre uma carteira e outra. E garantir o máximo possível de distanciamento das crianças dentro do transporte escolar. E é necessário também manter o espaçamento nas outras áreas em que há atividades. Promover atividades que garantam pelo menos a distância mínima, entre uma criança e outra, de um metro. Como que a gente mede esse um metro? É mais ou menos a distância entre uma mão e outra com os braços abertos”, orienta.

O fechamento das escolas deve ser sempre a última opção. Caso elas tenham que ser fechadas, devem ser as primeiras a reabrir assim que a situação epidemiológica permitir.

Nessa volta às aulas, cada um faz a sua parte. Use máscara, lave sempre as mãos, mantenha a distância e siga as orientações da escola. Saiba mais em unicef.org.br.

Copiar o texto
24/03/2021 00:00h

Marta Litwinczik, coordenadora de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil, recomenda cuidados na sala de aula, biblioteca, direção e até no transporte escolar

Baixar áudio

As aulas estão de volta, seja a distância ou presencial. Nessa volta às aulas, é preciso seguir as novas regras para proteger todos contra o coronavírus. Na escola, é importante manter a ventilação adequada das salas. Mas como fazer isso na prática? Marta Litwinczik, coordenadora de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil, explica.

“Devemos observar se todas as portas e janelas estão abertas. Garantir que fiquem abertas o maior tempo possível, nos diversos espaços da escola: na sala de aula, na sala da direção, na sala da coordenação pedagógica, na cantina, na biblioteca. Ar-condicionado não é recomendável. Mas se não houver outra possibilidade, é necessário fazer a higienização e a limpeza do equipamento com maior regularidade. Com relação à ventilação, é necessário observar e garantir também no transporte escolar”, recomenda.

O fechamento das escolas deve ser sempre a última opção. Caso elas tenham que ser fechadas, devem ser as primeiras a reabrir assim que a situação epidemiológica permitir.

Nessa volta às aulas, cada um faz a sua parte. Use máscara, lave sempre as mãos, mantenha a distância e siga as orientações da escola. Saiba mais em unicef.org.br.

Copiar o texto
22/03/2021 00:00h

Coordenadora de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil, Marta Litwinczik, explica a diferença entre limpeza e desinfecção, e como realizá-las

Baixar áudio

As aulas estão de volta, seja a distância ou presencial. Nessa volta às aulas é preciso seguir as novas regras para proteger todos contra o coronavírus. Na escola, é fundamental manter a higienização e a desinfecção dos ambientes. Mas você sabe como elas devem ser feitas?  Marta Litwinczik, coordenadora de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil, explica.

“É importante fazer primeiro a limpeza, depois a desinfecção. A limpeza tem como objetivo retirar a parte física: a poeira e o papel que ficou em cima da mesa. É necessário fazer a limpeza, com todo o equipamento de higiene: rodos, baldes, buchas e panos limpos. Utilizar os materiais de limpeza nas cadeiras, no chão, nas janelas, nas maçanetas, nos locais onde há mais contato das pessoas com a superfície. A segunda etapa que realmente vai desinfectar; eliminar a substância contaminante. Essa parte tem que ser feita com água sanitária, com a diluição adequada.”

Marta Litwinczik orienta que o processo seja feito, no mínimo, uma vez por turno escolar, em todos os ambientes da escola: salas de aula, pátio, áreas de uso coletivo e locais onde fica a equipe de trabalho.

O fechamento das escolas deve ser sempre a última opção. Caso elas tenham que ser fechadas, devem ser as primeiras a reabrir assim que a situação epidemiológica permitir.

Nessa volta às aulas, cada um faz a sua parte. Use máscara, lave sempre as mãos, mantenha a distância e siga as orientações da escola. Saiba mais em unicef.org.br.

Copiar o texto
10/03/2021 00:00h

Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil, explica que a combinação de atividades presenciais e à distância mantém o vínculo do estudante com a escola

Baixar áudio

Este ano, a volta às aulas não está sendo como era antigamente. Muitas escolas estão retomando as atividades com novos modelos de ensino, para proteger a todos da Covid-19 e garantir o vínculo dos estudantes com a escola. Como está sendo aí na escola do seu bairro? 

Muitas escolas estão com o modelo de Educação híbrida. Você sabe o que é? O Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil, explica. 

“A gente espera que, nesse processo de reabertura das escolas, haja a combinação de atividades presenciais com atividades remotas – chamado de educação híbrida. Trabalhar com processos de educação híbrida significa que temos mais opções para cumprir os protocolos de distanciamento e para manter o estudante vinculado à escola, recebendo tudo aquilo que a instituição tem a oferecer – do ponto de vista da sua segurança alimentar, da sua aprendizagem e do convívio social –, mas também construir elementos e atividades que possam ser acompanhadas com os estudantes e as suas famílias, nas suas casas”, destaca.

O fechamento das escolas deve ser sempre a última opção. Caso elas tenham que ser fechadas, devem ser as primeiras a reabrir assim que a situação epidemiológica permitir.

Nessa volta às aulas, cada um faz a sua parte. Use máscara, lave sempre as mãos, mantenha a distância e siga as orientações da escola. Saiba mais em unicef.org.br.

Copiar o texto
08/03/2021 00:00h

A pandemia está em um momento crítico em diversas regiões do Brasil. Chefe de Educação do UNICEF no Brasil, Ítalo Dutra, explica como é importante envolver a comunidade, como um todo, para que seja possível manter as escolas abertas, em segurança.

Baixar áudio

A pandemia está em um momento crítico em muitas regiões do País. Em uma situação de emergência, milhares de crianças, adolescentes e famílias só têm a escola para contar. Por isso, é importante priorizá-las e mantê-las abertas o maior tempo possível, tomando todas as medidas de segurança.

O UNICEF foi atrás de pesquisas que têm sido desenvolvidas. O que os estudos mostram é que, se as escolas estiverem abertas seguindo os protocolos de prevenção e controle da Covid-19, elas não impactam a situação na pandemia. Para isso, é fundamental envolver a todos. Quem detalha é Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.

“O primeiro passo é entender a condição da pandemia nas proximidades daquela escola. É fundamental também seguir todos os protocolos de prevenção da Covid-19, como uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento social – tanto dentro da escola, quanto fora dela. E obviamente, é imprescindível envolver professores e demais profissionais da educação, estudantes, seus familiares e a comunidade escolar como um todo, no processo de construção das condições para reabertura segura das escolas.”

O fechamento das escolas deve ser sempre a última opção. Caso elas tenham que ser fechadas, devem ser as primeiras a reabrir assim que a situação epidemiológica permitir.

Nessa volta às aulas, cada um faz a sua parte. Use máscara, lave sempre as mãos, mantenha a distância e siga as orientações da escola. 

Saiba mais em unicef.org.br.

Copiar o texto
04/03/2021 00:00h

Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil, explica que as escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir em qualquer emergência humanitária

Baixar áudio

As escolas desempenham um papel fundamental na vida de meninas, meninos e suas famílias. O longo tempo de fechamento da maioria das escolas e o isolamento social têm impactado profundamente a aprendizagem, a saúde mental e a proteção de crianças e adolescentes. Por isso, é urgente reabri-las em segurança, em todos os lugares em que isso for possível! 

Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil, explica que as escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir em qualquer emergência ou crise humanitária. O fechamento das escolas deve ser sempre a última opção. Caso elas tenham que ser fechadas, devem ser as primeiras a reabrir assim que a situação epidemiológica permitir.

“Aqui no Brasil, a gente fez um levantamento e tem uma estimativa de cerca de 5,5 milhões de crianças e adolescentes, com idade entre 6 e 17 anos, que simplesmente não tiveram acesso à escola em 2020. A exclusão escolar afetou, em especial, as crianças e os adolescentes mais vulneráveis: as meninas e os meninos pretos e pretas, as famílias mais pobres e, em especial, as regiões Norte e Nordeste, que têm indicadores de educação mais frágeis. É por isso que a gente precisa reabrir as escolas com o máximo de segurança possível. Elas desempenham um papel fundamental na vida desses meninos e meninas, e nas suas famílias. E elas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir, em qualquer emergência humanitária”, avalia.

Nessa volta às aulas, cada um faz a sua parte. Use máscara, lave sempre as mãos, mantenha a distância e siga as orientações da escola. 

Saiba mais em unicef.org.br.

Copiar o texto
26/02/2021 00:00h

Em entrevista ao portal Brasil61.com, epidemiologista explica que o País possui logística capaz de imunizar a população, mas faltam doses

Baixar áudio

O Brasil recebeu mais 3,2 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 na última quarta-feira (24), o que permitiu ampliar a imunização para outros grupos prioritários. Apesar do montante, a imunização em massa ainda está longe de ser alcançada e o número diário de mortes pela doença não para de aumentar. 

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, o epidemiologista e doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, José Cassio de Moraes, explica que o País possui logística capaz de imunizar a população, mas faltam doses. O entrevistado também é professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, membro do Observatório Covid-19, colaborador da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), do Ministério da Saúde, e da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. 

Para ele, que já participa do planejamento de campanhas de vacinação no Brasil desde 1975, quando a população foi vacinada contra a meningite, o problema atual é a falta de abastecimento.

“Em 1975, nós vacinamos, em 3 dias, na Grande São Paulo, 9 milhões de pessoas. Houve um planejamento que varreu a cidade de norte a sul. Tivemos uma cobertura vacinal de mais de 95%. Com relação a Covid-19, falta tudo. O recebimento da vacina é gota a gota. Não temos certeza de quantas vacinas vão chegar”, avalia. 

Arte - Brasil 61

Segundo o epidemiologista, o problema não está no Programa Nacional de Imunização (PNI) – uma vez que ele tem capacidade de imunizar 2 milhões de pessoas diariamente, em quase 40 mil salas de vacina espalhadas pelo Brasil – mas sim na falta de planejamento no nível do Ministério da Saúde.

O contingente populacional, elencado como primeira prioridade para receber a vacina contra Covid-19, é de 75 milhões, o que demanda 150 milhões de doses. Segundo o doutor José Cassio de Moraes, a estrutura do PNI permite aplicar 50 milhões de doses por mês, caso houvesse vacina disponível. Portanto, em três meses, a cobertura vacinal desse grupo estaria completa. 

“Como não tem [vacina], as unidades precisam selecionar as pessoas que vão receber a vacina ou não. Isso faz um retardo no cumprimento do calendário. Nos municípios que têm critérios mais elásticos, há uma invasão de pessoas das cidades vizinhas para se vacinar.” O problema, segundo o professor, é que as doses podem se esgotar antes de iniciar a etapa da segunda dose de imunização.

O especialista aponta outras medidas que poderiam acelerar a vacinação, caso houvesse doses disponíveis.

“Aumentar mais postos, colocar pessoas leigas para fazer o registro das doses aplicadas e deixar o vacinador só fazendo a vacina; isso só vai aumentar”, recomenda.

Novas cepas do coronavírus

A cada dia, novas variantes do coronavírus são descobertas pelas autoridades em saúde. O doutor José Cassio de Moraes comenta os estudos feitos até agora.
“AstraZeneca funciona muito com a variante britânica. Ainda não temos estudos a respeito da variante P1 que está ocorrendo em Manaus. A vacina do Coronavac, em tese, pode ser que tenha menor variação de proteção em relação a essas variantes, porque tem o vírus morto”, explica.

Mas, segundo o epidemiologista, os estudos precisam ser constantes para verificar a frequência das variações do coronavírus. No caso da Influenza, as mutações são tão diversas, que é necessário aplicar uma vacina anualmente.

“Basta ver, por exemplo, que a vacina da Influenza, a gente tem praticamente uma vacina diferente a cada ano. Então pode ser que a vacina de 2020 não sirva para 2021. A cada ano, a Organização Mundial de Saúde se reúne para definir qual será a cepa do ano seguinte, da vacina da Influenza”. De acordo com o doutor José Cássio de Moraes, ainda não se sabe se o mesmo pode ocorrer com o coronavírus, já que sua mutação é bem menor.

Novas cepas da Covid-19 acendem alerta mesmo após vacinação

Anvisa concede registro definitivo à vacina da Pfizer contra a Covid-19

Spray desenvolvido pelo Senai elimina a presença do coronavírus em superfícies

Papel dos Municípios e da Sociedade

É papel dos municípios administrar as quase 40 mil salas de vacinação espalhadas pelo Brasil. Mas, além desse trabalho, as prefeituras também precisam fazer campanhas de conscientização sobre a importância da imunização.

“Se não houver uma conscientização para utilizar a vacina, distanciamento social, máscara, lavagem da mão, essas medidas vão ter um efeito muito limitado, ou nenhum efeito”. O epidemiologista critica a falta de campanhas de conscientização, feitas pelo governo, sobre a importância da vacina contra a Covid-19.

Por outro lado, segundo o especialista, a população também precisa fazer a sua parte e cumprir com as medidas de segurança sanitária, especialmente o distanciamento social e o uso correto das máscaras. 

Ele cita como exemplo o cinto de segurança nos veículos, usado pela grande maioria da população, que se conscientizou sobre sua importância. “Você não tem um fiscal para cada carro. Mas a população se conscientizou da importância do cinto de segurança e todo mundo hoje usa cinto”.

Distanciamento Social

O epidemiologista José Cassio de Moraes avalia que as medidas de distanciamento social no Brasil foram mal feitas e por isso geraram prejuízos financeiros. 

“No lockdown bem feito, as pessoas têm que ir para a rua somente em casos de absoluta necessidade ou trabalhador dessas áreas essenciais. Fechar a rua das 22h às 5h, funciona muito pouco. Se a gente conseguir fechar, por um curto período de tempo, mas bem feito, com índice de adesão alto, cai a transmissão”, avalia.

Em relação à volta às aulas, o especialista diz que é preciso analisar vários aspectos, antes de chegar a um consenso sobre o retorno presencial, tais como o prejuízo na aprendizagem; as estruturas das escolas públicas que não foram melhoradas; a dependência de alunos pela merenda escolar; a aglomeração em casa, na escola e no transporte; entre outros fatores.

Infodemia

Em meio à crise provocada pela pandemia da Covid-19, movimentos antivacina bombardeiam, principalmente a redes sociais, de falsas informações sobre os imunizantes. Algumas mensagens conspiratórias chegam a dizer que a vacina contra o coronavírus tem relação com a tecnologia 5G. O professor e doutor José Cassio de Moraes classifica esse movimento como infodemia.

“Para quem tem acesso à internet, é fácil saber que aquilo é uma mentira. Mas quem não tem, ou não quer pesquisar, vai disseminando essa informação – o que a gente chama de infodemia”, explica.

Além da Covid-19, a hesitação vacinal tem diminuído a imunização contra outras doenças, que inclusive já tinham sido erradicadas do Brasil, como o sarampo, que voltou a circular nos últimos anos.

Para combater a infodemia, o especialista recomenda que o governo tenha uma comunicação efetiva.

“Ter o seu canal de mídia, apoiar os canais de mídia que tenham sentido de fornecer informações, de divulgar dados corretos etc. Só que a nível de governo, nós saímos do século 20 e voltamos para o século 19”. Ele cita a campanha de vacinação contra o sarampo, que em 2020 ficou abaixo da meta e teve pouca divulgação pelo governo.

Pós-pandemia

Os estudos ainda não são capazes de dizer se o indivíduo, que já se infectou com um determinado tipo de variante do coronavírus, pode se reinfectar com outra cepa. Segundo o epidemiologista, essa análise demanda o sequenciamento genômico do vírus nas duas infecções, o que no Brasil é muito difícil de ser realizado.
O epidemiologista analisa se a Covid-19 poderá se tornar endêmica, como a Influenza.

“A Influenza todo ano acontece, com menor, maior gravidade. E aí todo ano a gente precisa se vacinar. Se a imunidade [contra o coronavírus] não é perdida com as novas variantes, então ela pode ser uma doença que tende gradativamente a desaparecer”, analisa.

Acompanhe a seguir a entrevista completa com o epidemiologista e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, José Cassio de Moraes.

Copiar o texto
Brasil 61