Retomada econômica

23/11/2022 18:11h

Em 2021, o faturamento das cooperativas baianas apresentaram acréscimo de quase 20% em relação a 2020, totalizando R$ 6,4 bilhões.

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Após dois anos de pandemia, muitos negócios ainda estão recuperando seu lugar no mercado. Mesmo os consolidados, como da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), fundada há 18 anos, sentiram o impacto econômico negativo em 2020. 

“Tivemos uma queda de cerca de 78% do faturamento das nossas receitas. Isso obrigou a gente a se reposicionar no mercado e buscar novas estratégias para poder sobreviver diante de toda essa dificuldade”, explica Dailson Andrade, gerente geral da cooperativa.

A principal estratégia da Coopercuc é o fortalecimento da agricultura familiar, visto que a cooperativa é fruto da organização popular dos agricultores de Canudos, Uauá e Curaçá, que tinham como objetivo principal valorizar o bioma da caatinga aproveitando suas potencialidades. 

São 283 cooperados que dedicam seu tempo, conhecimento e força de trabalho para produção de doces, geleias, polpas e bebidas alcoólicas oriundos de frutas nativas desse bioma, especialmente o umbu e o maracujá da Caatinga. Esses produtos são comercializados em mercados do Brasil e de países europeus, como França e Alemanha, além da loja online.

Apesar das dificuldades e contando com a dedicação de cada cooperado, a Coopercuc conseguiu ampliar seu lugar no mercado privado, abrindo Centros de Distribuição em Brasília, São Paulo e Salvador, ainda em 2020, e adquiriu novos equipamentos para fortalecer sua agroindústria, em 2021. Assim, a cooperativa já recuperou 63% do faturamento. “Esses números são importantes porque mostram que, mesmo na dificuldade, com tudo que foi a pandemia, o cooperativismo se reinventa”, analisa Dailson.

Essa retomada econômica reflete nos índices do cooperativismo a nível estadual. Em 2021, os ingressos – também chamado de faturamento – das cooperativas baianas apresentaram acréscimo de quase 20% em relação a 2020, totalizando R$ 6,4 bilhões. Os dados são do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado da Bahia (Oceb), órgão que representa as cooperativas do estado perante o poder público e a sociedade civil, e também é sindicato patronal.

De acordo com o presidente do Sistema Oceb, Cergio Tecchio, o cooperativismo na Bahia apresenta constante potencial de expansão. “Nós crescemos em média quase 20% em todos os nossos indicadores econômicos nesse período [de pandemia]. A perspectiva é crescer cada vez mais, pois nosso trabalho dentro do Sescoop/BA e da Oceb para capacitação da governança e da gestão, e dos profissionais que trabalham no cooperativismo, vem crescendo e está começando a dar resultado”, afirma.

O presidente também destaca que dentre os sete ramos estabelecidos dentro do cooperativismo, o Agropecuário, de Crédito e de Saúde se mostram mais resilientes e continuaram crescendo no estado. “Eles se destacaram devido à postura dos dirigentes das cooperativas, dos seus gestores, enfim, dos próprios cooperados que procuraram as cooperativas, principalmente na área de crédito, para realização de negócios. O agropecuário pela sua característica de produção de alimentos, essa atividade não pôde parar e o cooperativismo cresceu junto com seus cooperados, junto com sua comunidade, para gerar alimentos para a população. Saúde também se destacou, pois os cooperados fizeram parte fundamental para superação dos problemas causados pela pandemia”, explica. 

Outro indicador financeiro positivo de 2021 foi o de lucro – ou sobras, na linguagem cooperativista. Foram R$ 99,6 milhões, um acréscimo de 24% em relação a 2020. No cooperativismo, essas sobras representam o resultado positivo anual e devem ser distribuídas aos associados/cooperados proporcionais aos serviços utilizados. Ou seja, em uma cooperativa de crédito, por exemplo, quanto mais o cooperado utiliza os produtos ou serviços, como conta corrente, investimentos e operações de crédito, mais ele ganha.

Com a volta da normalidade no pós-pandemia, as expectativas para os índices de 2022 são boas. “Continuamos fazendo nosso trabalho, nossos cursos e eventos, com isso nós vamos ganhando, cada vez mais conhecimento para ter mais competitividade e levar as cooperativas, de uma forma sustentável, para   atender a sua comunidade, aos seus cooperados e seus familiares”, pontua Cergio Tecchio.

Lá na Coopercuc, Dailson garante que os planos já estão sendo traçados. “Para 2023 a 2025, o nosso planejamento é ultrapassar a meta de R$ 4 milhões de faturamento ao ano. E, em 2025, também queremos chegar a 500 cooperados e consolidar a Coopercuc com uma cooperativa modelo para agricultura familiar no Brasil”, complementa. 

Panorama nacional do cooperativismo

O cooperativismo também cresceu a nível nacional. Em 2021, o ativo total, que é a soma dos recursos que existem dentro das cooperativas ao final de cada ano, alcançou a marca de R$ 784,3 bilhões, um aumento de 20% em relação a 2020. Os ingressos somaram R$ 524 bilhões, 26% maior na comparação. Os dados são do Anuário Coop 2022, divulgado pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), órgão máximo de representação do cooperativismo no país.

Os destaques nacionais entre os sete Ramos são Crédito e Saúde, assim como na Bahia, mas também vale ressaltar o Ramo Infraestrutura:

  • Crédito: As cooperativas do ramo somaram R$ 518 bilhões em ativos totais. As sobras (lucros) totalizaram mais de 10 bilhões. 
  • Saúde: As cooperativas do ramo somaram R$ 53 bilhões em ativos, um aumento de 9% em relação a 2020. Os ingressos foram de R$ 89 bilhões, 17% a mais que no ano anterior.
  • Infraestrutura: As cooperativas do ramo somaram R$ 6 bilhões em ativos totais, um aumento de 23% em relação a 2020. Os ingressos totalizaram R$ 4 bilhões, 16% a mais que no ano anterior.

Outro ponto positivo que ajudou na retomada econômica do cooperativismo foi a geração de empregos. Enquanto a taxa média de desocupação no Brasil atingia 11,1%, resultando em mais de 12 milhões de pessoas desempregadas, o movimento gerava 493.277 empregos diretos, um aumento de 8% frente a 2020. Com destaque para o Ramo Agropecuário, que criou 16,1 mil empregos, e o Ramo Saúde, com 10,2 mil, somente em 2021. 

“É um movimento que traz muitos impactos positivos para vida dos brasileiros. Ele impacta o cooperado, ou seja, o associado da cooperativa, os colaboradores, ou seja, os funcionários que trabalham na cooperativa. Aonde ele está inserido ele traz benefícios para todas as pessoas que estão, de alguma forma, envolvidos nesse movimento de cooperação”, afirma Samara Araújo, gerente de comunicação do Sistema OCB.

Por fim, o cooperativismo injetou mais de R$ 17 bilhões em tributos nos cofres públicos, que são revestidos em melhorias e avanços para toda sociedade. Outros R$ 18 bilhões foram destinados ao pagamento de salários e benefícios, impulsionando o poder de consumo dos colaboradores e de suas famílias. 

Para mais informações, acesse somoscooperativismo-ba.coop.br e as redes sociais do Sistema Oceb.

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19/10/2022 13:00h

Dados do IBGE indicam crescimento na demanda do setor, após alta de em julho

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A demanda no setor de serviços aumentou pelo quarto mês consecutivo, com ganho acumulado de 3,3% nesse período. De acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), agosto registrou crescimento de 0,7% no volume da procura, quando comparado ao mês de julho. Na série anterior, o aumento identificado foi de 1,3%.

O responsável do IBGE pela pesquisa, Luiz Almeida, contextualiza essa sequência de resultados positivos. “A última vez que isso havia acontecido foi no ano passado, quando chegamos a cinco meses no campo positivo entre abril e agosto. No mês anterior, o setor estava 1,5% abaixo do pico da série e, em agosto, ele se aproxima ainda mais, ficando no ponto mais próximo desse nível desde novembro de 2014”, explica o analista.

Com isso, o setor opera 10,1% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, e fica apenas 0,9% abaixo do maior patamar da série histórica, alcançado em novembro de 2014.

Três das cinco atividades pesquisadas acompanharam o resultado positivo do índice geral. Entre elas, os destaques foram as de outros serviços (6,7%) e de informação e comunicação (0,6%). No mês anterior, o volume do setor de outros serviços havia caído 5,0%. “Esse resultado positivo vem após uma queda, o que não é incomum especialmente no setor de serviços financeiros auxiliares, que teve maior influência sobre esse avanço e também sobre a retração do mês anterior”, destaca Almeida. Os serviços financeiros auxiliares incluem corretoras de títulos, consultoria de investimentos e gestão de bolsas de mercado de balcão organizado.
 
Essa alta na procura pelo setor de serviços também foi sentida no recorte estadual. Na passagem de julho para agosto, o volume de serviços de 18 das 27 unidades da federação se expandiu. Os maiores impactos vieram de São Paulo (1,6%), seguido por Distrito Federal (5,0%), Minas Gerais (1,0%) e Rio de Janeiro (0,5%). 

A empreendedora Silvia Helena, do setor alimentício e de eventos no DF, já sente as mudanças. "Após essa pandemia, o comércio tá voltando ao normal. Bom, normal assim, dos 3 últimos meses pra cá, os antigos clientes estão procurando eventos, não deixando de ser com o preço mais acessível, né?”, observa. Por outro lado, o Paraná (-7,1%) exerceu a principal influência negativa, seguido por Goiás (-3,4%) e Rio Grande do Sul (-1,1%).

Quando comparado a agosto do ano passado, o volume do setor de serviços cresceu 8,0%, 18ª taxa positiva seguida nesse indicador. Entre as cinco atividades, a principal influência veio de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (13,6%), setor impactado pelo aumento da receita das empresas de transporte rodoviário de cargas, rodoviário coletivo de passageiros, aéreo de passageiros, entre outros.

Serviços x Comércio

Ao contrário do setor de serviços, o setor de comércio apresentou retração de crescimento no mês de agosto. Dados do IBGE indicam que o volume de vendas no comércio varejista nacional variou -0,1% frente a julho. Na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral foi -0,8%, enquanto na comparação interanual, sem ajuste, o comércio cresceu 1,6% frente a agosto de 2021. O acumulado no ano foi de 0,5% e, nos últimos doze meses, de -1,4%.

Tal movimento foi percebido pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-br), considerado como “prévia do PIB”. O índice apresentou queda de 1,13% em agosto. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a redução indica que o forte aumento na taxa básica de juros, a Selic, e o endividamento elevado da população têm sido obstáculos na atividade econômica, restringindo a venda de bens.

No entanto, há o que se comemorar. Em agosto de 2022, na série com ajuste sazonal, cinco das oito atividades pesquisadas estavam no campo positivo: tecidos, vestuário e calçados (13,0%); combustíveis e lubrificantes (3,6%); livros, jornais, revistas e papelaria (2,1%); móveis e eletrodomésticos (1,0%); e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,2%).

As atividades com variações no campo negativo foram: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,4%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,2%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,3%). Já os setores adicionais do varejo ampliado apresentaram comportamento distinto: alta de 4,8% para veículos e motos, partes e peças e queda de 0,8% para material de construção.

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Economia
23/09/2022 04:30h

Para professor de economia da UnB Jorge Madeira Nogueira, analistas subestimaram capacidade de recuperação da economia pós-Covid-19. Retomada do setor de serviços, do mercado de trabalho e elevação dos investimentos estão entre os motivos para melhoria das projeções para o PIB deste ano

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Após a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no segundo trimestre do ano pelo IBGE, o mercado aumentou para 2,4% a expectativa de crescimento da economia do país em 2022. A revisão para cima do PIB chama atenção pela análise das instituições financeiras, que no primeiro Boletim Focus do ano projetavam uma alta contida, de 0,28%. 

Para o Ministério da Economia, a estimativa de crescimento do PIB para 2022 era de 2,1% em novembro do ano passado, mas caiu para 1,5% em março deste ano. Agora em setembro foi revisada para 2,7%. Mas, afinal, o que contribuiu para que as projeções em torno do PIB superassem as expectativas? 

Segundo Jorge Madeira Nogueira, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), os analistas do mercado financeiro subestimaram a capacidade de recuperação da atividade econômica do país após a pandemia da Covid-19. “O que o verdadeiro mercado, que é quem produz e quem compra, nos disse foi: ‘analistas, vocês não estão entendendo o que está acontecendo. Nós que somos os ofertantes e demandantes têm muito mais a oferecer ao longo de 2022 do que vocês estão dizendo’,” avalia. 

“O que mudou é que nós percebemos que essa economia, quando não atrapalham, tem um dinamismo muito maior do que muitos fariseus com e sem diploma de economia costumam dizer. A sociedade brasileira está mostrando que nós ainda precisamos estudar para entender essa brilhante retomada”, completa. 

Na visão da Secretaria de Política Econômica, as projeções dos analistas de mercado para o PIB de 2022 têm melhorado com frequência por causa de três fatores, principalmente: a recuperação do setor de serviços e do mercado de trabalho; e os investimentos. 

Serviços, emprego e investimentos

Responsável por quase 70% do PIB brasileiro, o setor de serviços acumula alta de 4,3% no PIB entre junho do ano passado e junho deste ano. A recuperação do setor, um dos mais afetados pelas medidas de restrição impostas durante a pandemia da Covid-19, impulsiona a economia, explica Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

“Quando o setor de serviços aumenta, ele puxa bastante o PIB. Há um aumento do setor de serviços agora com todos os locais sem nenhum tipo de restrição devido à pandemia e aí você tem um aumento de turismo, bares, restaurantes e, com isso, você tem também uma recuperação econômica”, avalia. 

Isso se reflete, por exemplo, no mercado de trabalho. Nos primeiros sete meses do ano, o país gerou mais de 1,5 milhão de empregos, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O setor de serviços foi responsável por mais da metade das vagas: 874.203, ao todo. 

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho foi de 9,1%, a menor desde o fim de 2015, de acordo com o IBGE. 

Na opinião do professor, outros dois fatores contribuem para a revisão para cima do PIB esperado para este ano. São eles a redução do preço dos combustíveis, consequência da limitação das alíquotas de ICMS sobre esses produtos, e a injeção de dinheiro na economia com a ampliação do Auxílio Brasil. Essas medidas incentivaram o consumo das famílias, acredita Rodrigo. Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu 3,7% no primeiro semestre deste ano. 

Os investimentos, por sua vez, cresceram 4,7% no segundo trimestre na comparação com o trimestre anterior. A taxa de investimento chegou a 18,7% do PIB, a maior para um segundo trimestre desde 2014. 

IBC-Br: “prévia do PIB” cresce 1,17% em julho, segundo Banco Central

Indústria cresce 2,2% no segundo trimestre e puxa alta do PIB

Indústria

O crescimento de 1,2% do PIB do país no segundo trimestre, surpreendente para parte dos especialistas, foi puxado principalmente pelo desempenho da indústria, que cresceu 2,2%, o melhor resultado entre todos os setores da economia. A indústria responde por mais de 20% do PIB brasileiro.

Para representantes do setor, a alta no consumo, a geração de emprego e a elevação dos investimentos contribuíram para o desempenho do setor, que também contou com a melhoria no acesso a matérias-primas e redução do custo da energia. 

“Eu acho [que o crescimento da indústria] foi o efeito da redução do preço da energia, tanto da energia dos combustíveis fósseis, quanto da energia elétrica. Isso para a indústria faz com que ela aumente a produtividade e aí você tem esse aumento bastante representativo da indústria”, avalia Rodrigo Leite. 

Agro

Mesmo com os problemas climáticos que afetaram a safra no início do ano, a agropecuária cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2022. Segundo levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2021/2022 está estimada em 271,2 milhões de toneladas. Se confirmada a projeção, a produção do agronegócio será recorde desde o início da série histórica. 

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Economia
19/06/2022 04:00h

Representante das agências de viagens atribui melhora à cobertura vacinal e à queda de mortes por Covid-19

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O Índice de Atividades Turísticas cresceu 85,7% em abril de 2022, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A pesquisa foi divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador, que mede a movimentação econômica do setor de turismo, subiu sobretudo porque as empresas que atuam nos segmentos de transporte aéreo, restaurantes, hotéis, locação de automóveis, transporte rodoviário coletivo de passageiros, serviços de bufê e agências de viagens tiveram mais receita. 

Segundo o IBGE, o indicador avançou em todos os 12 estados que fazem parte do levantamento. Ceará (135,8%), Minas Gerais (132,7%), Espírito Santo (123,3%), Distrito Federal (108,0%), Bahia (105,7%) e Rio Grande do Sul (104,5%) se destacaram. 

Em 2022, o Índice de Atividades Turísticas acumula alta de 51,3% em relação a 2021. Representantes do setor estão confiantes com a retomada do crescimento, um dos mais afetados pelas medidas restritivas no combate à pandemia da Covid-19. 

Para Ana Carolina Dias,  vice-presidente administrativa da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), a melhora dos indicadores está associada à cobertura vacinal contra o novo coronavírus e à queda do número de internações e mortes pela Covid-19. 

“As pessoas estão se contaminando com Covid-19, mas as mortes caíram de forma vertiginosa. Isso nos dá uma certa tranquilidade de que estamos voltando ao normal e de que esse número vai crescer cada vez mais. Estamos investindo e acreditamos nesse aquecimento”, aposta. 

As empresas de agências de viagens faturaram cerca de R$ 19,2 bilhões em 2021, resultado 37,6% maior do que em 2020, segundo a ABAV. Apesar da retomada, Ana Carolina diz que o setor de turismo ainda não está no mesmo patamar de antes da pandemia e que as perdas, sobretudo no ano de 2020, são irrecuperáveis. “Em alguns segmentos muito pontuais, como os restaurantes, a recuperação ocorre de forma mais rápida, mas o turismo, de forma geral, teve muitas perdas e elas ainda não foram reparadas na sua totalidade. E acredito que a gente nem consiga recuperar, se a gente for fazer um cálculo financeiro específico de forma fria”, avalia. 

Expectativas

Ana Carolina ressalta que o brasileiro gosta de viajar e que, com o arrefecimento da pandemia, as atividades turísticas vão crescer e contribuir para o desenvolvimento das cidades que dependem do setor. “Acreditamos nesse crescimento. Mesmo com a economia ruim, a inflação deteriorando muita coisa, o câmbio muito alto, as pessoas se reinventam. O turismo tem sido precursor de uma retomada financeira das cidades muito mais rápida”, diz.

Câmara aprova projeto que limita alíquotas de ICMS sobre combustíveis

Construção movimentou R$ 325 bilhões e empregou 2 milhões de brasileiros

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27/05/2022 14:39h

O Pronampe é destinado às microempresas e pequenas Empresas; às associações, fundações de direito privado e sociedades cooperativas, exceto as de crédito; e aos profissionais liberais

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O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) deve oferecer R$ 50 bilhões em crédito. É o que estima o governo federal. O PL 3188/2021, que trata do assunto, foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro nessa quarta-feira (27).

Na avaliação do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Carlos Melles, o avanço da proposta é uma resposta à necessidade atual dos pequenos empreendedores.

“Esse dinheiro do Pronampe, de quem está pagando, não volta mais para o Fundo. Continua sendo um dinheiro a ser aplicável para a micro e pequena empresa. Além disso, será um pouco mais alavancado. Antes, era R$ 1 para R$ 1. Agora é R$ 1 para R$ 5. Nesse caso, R$ 5 bilhões de Pronampe vão valer R$ 25 bilhões. Dessa forma, a micro e pequena empresa vai se sentir amparada”, considera. 

Antônia Rodrigues, de 54 anos, é cabeleireira e proprietária de um salão especializado em cabelos crespos e cacheados. Moradora de Brasília, ela conta que pretende ir em busca dos recursos via Pronampe. A ideia, segundo ela, é melhorar o fluxo de caixa, comprar novos equipamentos e retomar projetos que ficaram engavetados por conta da pandemia. 

“A maioria dos empresários tiveram que usar recursos próprios para sobrevivência de suas empresas. Nesse sentido, esse apoio é fundamental nesse recomeço. Com certeza é um fôlego a mais”, pontua. 

A medida já está em vigor e prorroga até o fim de 2024 o prazo para uso de verbas que estão no Fundo Garantidor do programa, mas são oriundas do Pronampe Emergencial. 

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O projeto é de autoria do senador Jorginho Mello (PL-SC). Segundo o parlamentar, a medida permite que os recursos que se encontram no Fundo Garantidor de Operações (FGO), que não foram utilizados até 31 de dezembro de 2021, possam ser usados em novas operações de crédito e não precisem ser devolvidos à União. 

“É uma linha de crédito, sessenta e dois bilhões foram emprestados. E agora mais cinquenta. Então, vejam bem que isso é uma linha de crédito considerável. Nós estamos falando de cento e doze bilhões para alcançar, atender a micro e pequena empresa. Vocês sabem, os números de empregos formais quem banca é a micro e pequena empresa. Que 98% de todos os CNPJ que existem no Brasil são de micro e pequena empresa”, destaca o senador.

Limite para concessão de empréstimos

O Pronampe é destinado às microempresas e pequenas Empresas; às associações, fundações de direito privado e sociedades cooperativas, exceto as de crédito; e aos profissionais liberais.

Quem tem direito aos empréstimos pode pegar até 30% da receita bruta anual, calculada com base no exercício anterior. Caso se trate de empresa com menos de um ano de funcionamento, o limite do empréstimo corresponderá a até 50% do capital social ou a até 30% do faturamento mensal, neste caso, o que for mais vantajoso. Em relação aos contratos firmados em 2021 será utilizado, no cômputo do limite, a receita bruta auferida no exercício de 2019 ou de 2020, no caso a que for maior.

Já as condições para financiamento para MPEs são taxa de juros anual máxima: Selic + 6%; prazo de 36 meses para o pagamento, e carência de até 8 meses. As companhias que desejam contratar empréstimos com recursos do Pronampe devem procurar uma instituição financeira autorizada, entre elas estão bancos, cooperativas ou fintechs.
 

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23/04/2022 06:31h

Tomada de crédito precisa vir acompanhada de estratégia para pagar menos juros, recomenda Catharina Sacerdote, especialista em finanças pessoais

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Levantamento do Serasa mostrou que 65 milhões de brasileiros tinham dívidas em fevereiro. O valor médio do endividamento é de R$ 4.000,00.  Para tentar estimular a reorganização das finanças, a Caixa Econômica Federal agora realiza empréstimos para pessoas físicas ou microempreendedores individuais (MEI) que estão com o nome sujo.

Para pessoa física, o valor varia entre R$ 300,00 e R$ 1.000,00. Para MEI, a operação pode chegar a R$ 3.000,00. Mas a administradora e especialista em Finanças Pessoais Catharina Sacerdote, em entrevista ao Brasil61.com, alerta que outras taxas incidem sobre as operações de crédito, o que, ao final, pode elevar o valor da operação. A contratação é feita integralmente de modo digital, por meio do aplicativo Caixa Tem, o mesmo em que são feitos os pagamentos de benefícios sociais. Os valores podem demorar até sete dias para serem liberados. 

Catharina conta que já existiam instituições financeiras que realizavam empréstimos para pessoas com o nome sujo. Mas essa é a primeira vez em que a Caixa, o banco com maior base de clientes do país, faz uma operação como essa. A analista diz que a medida é bem-vinda tanto para a CEF, quanto para as famílias que vem enfrentando muitas dificuldades econômicas. Mas a especialista alerta que é preciso ter estratégia para a tomada de crédito: buscar sempre a opção que apresenta juros menores. 

Confira a entrevista: 

Crédito: Acervo Pessoal Brasil 61: Catarina, finanças pessoais é um tema muito importante quando se fala em crédito para negativados, tema que ganhou destaque com o anúncio dos empréstimos por meio do Caixa Tem. É a primeira vez que uma instituição financeira oficial realiza esse tipo de operação? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: Não é a primeira vez que uma instituição financeira oficial realiza crédito para negativados. Atualmente há em torno de 800 instituições - entre instituições financeiras, fintechs, bancos. Algumas delas já ofereciam créditos para negativados e tem como o seu mote de vendas créditos para negativados. O que é a primeira vez na história? É a Caixa, que é um banco muito grande, muito conhecido, abrir mão de alguns critérios na sua análise de crédito para oferecer créditos inclusive para quem está negativado. O que a gente enxerga é que 2021 foi um ano muito duro para as pessoas. A inflação aumentou demais, o poder de compra das pessoas não acompanhou, então o preço das coisas, de tudo que a gente usa para viver subiu demais e os nossos rendimentos - seja nosso salário, faturamento - não acompanhou esse aumento tão grande. E acabou que as pessoas precisaram utilizar créditos ou outras formas de empréstimo para necessidades básicas.

Então, o que eu acho que aconteceu é uma mudança muito grande no cenário. Se as instituições financeiras não abrissem um pouquinho essa análise de crédito das pessoas talvez eles começassem a deixar de oferecer crédito, que é uma das principais fontes de receita para os bancos. Então, acho que tem muito a ver com esse momento do que aconteceu aí em 2021.

Brasil 61: Os juros que a Caixa tem oferecido são a partir de 1,95%  por mês. Do ponto de vista da finança pessoal, qual o impacto desses juros no orçamento? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: Primeiro, que a gente tem que lembrar que quando a gente olha lá o edital, as regras desse empréstimo da Caixa, que esses juros podem variar entre 1,95 até 3% ao mês. Então, tentando simplificar: lembrando que esses juros são só do empréstimo. Junto com esse empréstimo, em geral, tem outras despesas: tem, por exemplo, o IOF - que é um imposto sobre operações  financeiras -, pode ter uma taxa de cadastro, pode ter um seguro. Porque a instituição financeira não vai ficar completamente descoberta. Ela quer receber esse dinheiro de volta. 

A gente tem que lembrar que essa taxa de juros pode chegar até 5% ao mês, aproximadamente. Vamos pensar num empréstimo de R$ 1.000,00. Da sua parcela, em torno de R$ 50,00 são juros e outras taxas que a pessoa vai pagar. Então, o que que é importante a gente lembrar? Primeiro, avaliar qual é o nosso grau de endividamento e quanto de juros eu estou pagando por esse endividamento. Então, eu gosto de comparar com o cheque especial, que é um um empréstimo fácil que está extremamente acessível para as pessoas. Muitas vezes, basta que você passe lá o cartão de débito ou faça o Pix, você já contratou (entre aspas) esse empréstimo dessa instituição que você tem conta.  Então, vamos supor, se a pessoa está frequentemente entrando no cheque especial, não está dando conta de pagar este cheque especial. E ela vai trocar essa taxa de juros de 8% ao mês para uma taxa aí de 2,3, 4% ao mês: vale muito a pena. Ela tem que ser estratégica, porque se ela está todos os meses no cheque especial, alguma coisa está acontecendo com a renda. Então, tem que avaliar exatamente o que acontece com essa renda, contrata esse empréstimo no lugar desse cheque especial. Aliás eu até recomendo: cancele o cheque especial para não entrar de novo e vai pagar um juros um pouco menor.  

Brasil 61: Você falou muito de estratégia para a tomada de crédito para manejar o orçamento. Além dessa dica, tem alguma outra que a gente possa dar? 

Catharina Sacerdote, especialista em Finanças Pessoais: É até difícil, eu me sinto até meio constrangida de tentar dar dica de orçamento num momento em que eu vejo que as coisas estão tão difíceis: que o quilo da carne está um absurdo, não é? Não dá para pedir para as pessoas comerem menos, ou que deixem de viver por causa do seu orçamento. Mas uma regra que a gente fala de orçamento está muito relacionada a entender exatamente todas as fontes de receita que essa pessoa tem, da onde que vem todos os seus recursos financeiros (se vem do meu salário, do meu emprego, então vai ter pouca variação). Se vem de alguma renda extra que se possa fazer (então eu tenho o meu salário, mas eu também consigo vender algum item de alimentação, consegue prestar algum serviço), precisa observar como que é o tamanho dessa fonte de receita e o tamanho das despesas. No cenário ideal, a gente só pode gastar o que vai entrar. 

Eu até falo que, atualmente, chegamos numa fase de colocação no mundo em que o dinheiro está muito líquido. A gente tem cartão de débito, cartão de crédito e o próprio Pix. A gente não vê dinheiro na nossa mão praticamente. Se for pensar há 20, 30, 40 anos, as pessoas tinham uma facilidade um pouco menor para se endividar, justamente porque a maioria dos pagamentos eram em dinheiro. Então, você conseguia planejar um pouco melhor. Então, acho que é tempo de a gente pensar não só nesse quanto a gente consome, mas como a gente consome também. Talvez os hábitos de consumo estão relacionados a como a gente gasta. Se a gente puder parar e observar um pouco isso, talvez isso seja significativo para as famílias poderem deixar o seu orçamento dentro daquilo que entra. 

Assista à Entrevista 


 

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08/12/2021 02:00h

Marco Legal do Reempreendedorismo, em tramitação no Congresso Nacional, propõe um regime simplificado e mais barato para a recuperação judicial, extrajudicial e falência desses empreendimentos

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Dados do Serasa Experian apontam que 508 micro e pequenas empresas (MPEs) requereram recuperação judicial de janeiro a outubro de 2021, cerca de 24% a menos que no mesmo período do ano passado, quando 674 empresas desse porte negociaram com seus credores.

Para facilitar a resolução de dívidas das MPEs, o Marco Legal do Reempreendedorismo (Projeto de Lei Complementar 33/2020) propõe um regime simplificado e mais barato para a recuperação judicial e extrajudicial e falência desses empreendimentos.

O especialista em direito empresarial Filipe Denki explica que a queda no número de pedidos de recuperação judicial pode estar atrelada ao aumento do fechamento irregular das atividades. Ele também afirma que o novo marco deve atualizar as ineficiências da atual legislação (Lei 11.101/2005 e LC 123/2006) sobre o tema.

“A lei 11.101/2005 se mostrou ineficiente. Nós temos dados estatísticos que demonstram que, apesar de [MPEs] serem a maior parte das empresas - em torno de aproximadamente 99%, poucas delas fazem uso da recuperação judicial ou extrajudicial. E por quê? O procedimento é caro, complexo, envolve uma multidisciplinaridade de profissionais, o que contribui para a não utilização das micro e pequenas empresas”, esclarece.

O PLP foi aprovado no Senado em dezembro de 2020 e, no final de novembro deste ano, foi acatado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviço (CDEICS) na Câmara dos Deputados.

O relator na comissão, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), declarou que o objetivo do projeto é “facilitar a recuperação judicial dos pequenos negócios, criando novos mecanismos simplificados e quase sem burocracia, para assegurar os direitos a renegociação especial extrajudicial, renegociação especial judicial, liquidação especial sumária e adequações nas falências”.

Pontos do PLP

Entre as principais propostas do PLP, o deputado Hugo Leal destaca a renegociação especial judicial, a renegociação especial extrajudicial e a liquidação simplificada.

“A renegociação especial judicial institui um procedimento judicial rápido, que exige do devedor documentação simplificada, que seja de fácil conferência pelos credores, com uma participação pequena do Poder Judiciário.”

Já a renegociação especial extrajudicial, sem intervenção do Judiciário, segundo o parlamentar, “é uma ferramenta para estimular a negociação entre credores e a pequena e micro empresa devedora: em acordo com a maioria dos credores, é estabelecido um plano de pagamento registrado na Junta Comercial.”

Há ainda uma outra possibilidade: “E, talvez a mais importante inovação, é a liquidação simplificada, na qual o devedor em crise é estimulado a encerrar de maneira regular a sua atividade, sem a necessidade de processo falimentar judicial.”, avalia.

Segundo o parlamentar, todas essas medidas possibilitam que o empreendedor de micro e pequeno porte tenha o direito a um novo começo. “Por isso, o substitutivo também amplia a possibilidade dos empreendedores (garantidores pessoais) também liquidarem seus bens pessoais, dando maior abrangência e eficiência ao direito ao reempreendedorismo.”

Após ser aprovado pela CDEICS, o projeto de lei segue agora para apreciação da Comissão de Finanças e Tributação, depois para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser avaliado pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

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Economia
07/12/2021 02:00h

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), para 61,3% das empresas do segmento de transformação, dificuldade em obter insumos ou o seu alto preço no mercado foram o maior desafio no terceiro trimestre de 2021

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A falta ou o alto custo de matéria-prima persistem como o principal problema enfrentado pelas micro e pequenas indústrias brasileiras. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 61,3% dos donos de micro e pequenas empresas (MPEs) do segmento de transformação afirmaram que a dificuldade em obter insumos ou o seu alto preço no mercado foram o maior desafio no terceiro trimestre de 2021. 

As indústrias de construção também apontam esse como o obstáculo central (51,9%). Os dados constam no Panorama da Pequena Indústria, e se referem ao período entre julho e setembro. Nos últimos cinco trimestres, a escassez de matéria-prima e, por consequência, o seu alto custo, é o principal problema dos pequenos negócios, reforça o levantamento. 

O deputado federal General Peternelli (PSL/SP) acredita que o problema tem origem na pandemia da Covid-19. “No topo do ranking dos principais problemas enfrentados pelas pequenas empresas de transformação e de construção, um dos fatores geradores dessa atividade, ao meu ver, foi a pandemia, que teve uma demanda reprimida e, de repente, não produziu e muitos solicitaram esse material”, destaca. 

Segundo Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a entrega de insumos só deve se regularizar no primeiro semestre de 2022. 

“A gente está vendo que, mundo afora, há uma série de problemas relativos à normalização do comércio e do fornecimento da estrutura de certas cadeias de fornecimento de insumos no pós-pandemia, mas isso tende a se normalizar com passar do tempo, embora ainda vai exercer certas pressões de custo, pelo menos, até ano que vem”, projeta. 

Micro e pequenas indústrias têm desempenho positivo no terceiro trimestre, diz CNI

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Outros problemas

Ainda segundo os empresários, a elevada carga tributária e a falta ou alto custo de energia também estavam entre as principais dificuldades desses negócios para a retomada consistente da atividade. Apesar dos desafios, o terceiro trimestre foi positivo para a pequena indústria. Na comparação com o trimestre anterior, os indicadores de desempenho, situação financeira, confiança e perspectivas melhoraram.

O indicador que mede a situação financeira das micro e pequenas indústrias brasileiras cresceu 0,3 pontos no terceiro trimestre. Nos três meses anteriores (abril, maio e junho), o índice chegou a 42,3 pontos, ante 42,6, pontos alcançados no período que se encerrou em setembro. 

Para o General Peternelli, tal desempenho se deve à maior oferta de crédito e aos programas de auxílio aos pequenos negócios. “O principal motivo para esse resultado foram as iniciativas que facilitaram o acesso ao crédito para as pequenas indústrias. Nessa área, o próprio Governo Federal vem implantando medidas que têm contribuído positivamente para melhoria dessa situação financeira. Gostaria de citar o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe e, também, o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda, o BEm”, diz. 

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Economia
26/10/2021 20:25h

Pacto assinado pelos dois países no ano passado prevê facilitação do comércio, adoção de boas práticas regulatórias e medidas anticorrupção

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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (26), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 484/2021, que trata sobre o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica entre Brasil e Estados Unidos. Para parlamentares e especialistas, o pacto tende a favorecer a relação econômica do Brasil com o seu segundo maior parceiro comercial, com destaque para as exportações do setor industrial. O texto segue para o Senado. 

Firmado em outubro do ano passado, o acordo entre brasileiros e norte-americanos prevê regras modernas de facilitação do comércio, simplificação regulatória e combate à corrupção. De acordo com o governo, o instrumento visa contribuir para a criação de ambiente econômico favorável e transparente aos negócios e à reinserção competitiva do Brasil na economia internacional. 

Segundo a deputada federal Alê Silva (PSL/MG), o acordo com a maior potência do mundo é muito importante para o Brasil e pode contribuir para a recuperação econômica do país depois da pandemia da Covid-19. “Aprimorar o comércio entre o Brasil e os EUA manterá abertas as portas da maior economia do mundo para os produtos brasileiros, criando mais oportunidades para a nossa indústria, trazendo mais divisas e ajudando nosso crescimento econômico por meio desse vetor externo”, acredita. 

Comércio

As relações comerciais entre os dois países foram duramente afetadas pela pandemia. Em 2020, o comércio bilateral recuou US$ 15 bilhões, pior resultado em 11 anos. Um dos pilares do acordo é a facilitação do comércio entre os dois países por meio da redução de burocracias administrativas, o que tende a simplificar e agilizar as exportações e importações bilaterais. 

Para isso, o documento prevê a figura do Operador Econômico Autorizado (OEA). O OEA é uma espécie de selo de confiança que seria conferido às empresas que atuam nesta relação do Brasil com os Estados Unidos. Essa certificação mútua tornaria o comércio, a troca de mercadorias, o ambiente de negócios mais previsível e daria mais rapidez à liberação das mercadorias. 

José Oswaldo Cândido, professor de relações internacionais do Ibmec Brasília, explica que, além de reduzir prazos, as medidas tendem a baratear os custos. “Para a Organização Mundial do Comércio (OMC), regras de facilitação de comércio têm um condão de reduzir em até 13% o custo para os exportadores”, destaca. 

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Regulação e corrupção

O trato entre brasileiros e norte-americanos também busca “boas práticas regulatórias”. O professor José Osvaldo explica que a medida visa impedir regulação abusiva de produtos pelos órgãos competentes, a fim de dar mais transparência, previsibilidade e concorrência. “Boas práticas regulatórias melhoram o ambiente de negócios aqui no Brasil e facilitam que os importadores de lá não sejam pegos de surpresa com alguma mudança regulatória”, exemplifica. 

Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), a adoção dessas práticas pode reduzir em até 20% o custo das exportações do Brasil para os Estados Unidos. “A desburocratização regulatória está em linha com os esforços do Governo Federal, garantindo que a intervenção do Estado ocorra apenas quando necessário e não seja demasiadamente onerosa à sociedade”, avalia a deputada Alê Silva. 

Potencializar o combate à corrupção nas relações comerciais entre os dois países constitui uma das bases do acordo. Além de prever a criminalização para pessoas físicas, o instrumento incluiu empresas e ampliou para civil e administrativa as esferas de responsabilização para os agentes que praticam irregularidades.

Apoio

A aprovação do acordo conta com o apoio das principais entidades empresariais envolvidas na relação bilateral, com destaque para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Amcham Brasil, Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (CEBEU) e U.S. Chamber of Commerce, além de mais de 30 entidades setoriais de ambos os países.

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08/10/2021 02:00h

Segundo relatório do Fundo Monetário Internacional, o resultado se deve a melhorias no ambiente de negócios, aumento do crédito ao setor privado e maturidade digital do setor produtivo

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) enfatizou em Relatório Anual que a economia brasileira voltou aos níveis pré-pandêmicos e apresenta resultados melhores do que o esperado. Segundo o órgão, o cenário econômico se deve “em parte à resposta enérgica das autoridades”, como melhorias no ambiente de negócios, aumento do crédito ao setor privado e maturidade digital do setor produtivo.

As projeções do FMI são de crescimento de 5,3% para o País, em 2021, e queda da dívida pública de 99% para 92% do Produto Interno Bruto (PIB).
Para Fernando Dutra, diretor de Gestão da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec/ME), os indicadores do relatório do FMI são satisfatórios e esperados.

“O relatório menciona que o Brasil se destacou entre as principais economias do mundo, em termos de retomada do crescimento econômico; e o grande motivador disso, segundo o próprio FMI, foram as políticas implementadas pelo governo federal, principalmente em âmbito do Ministério da Economia.”

O deputado federal Alexis Fonteyne (NOVO-SP) comemora a rápida recuperação da economia brasileira, que outrora era pessimista. Ele concorda com a afirmação do FMI de que as estratégias do governo, durante a pandemia, contribuíram para diminuir a recessão.

“Houve, por parte do governo, atitudes para que a economia não parasse e que desse liquidez, seja na ajuda emergencial, seja no Pronampe, seja no diferimento de tributos. Obviamente, houve endividamentos, mas, por outro lado, garantiu que aquelas atividades - que fossem mais prejudicadas por fechamentos compulsórios - pudessem ter uma ajuda e continuassem sobrevivendo”, comentou.

O economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central, afirma que os indicadores do FMI sobre o crescimento do PIB e a queda da dívida pública estão alinhados com os estudos do Relatório Focus do Banco Central.

“As medidas enérgicas se referem à coragem das autoridades, durante o período mais agressivo da pandemia, de terem tomado uma série de medidas que aumentaram a dívida pública para dar o máximo de sustentação à renda da sociedade. Porque isso iria acelerar a recuperação da economia, quando a pandemia começasse a recuar. E é exatamente o que acontece”, afirma.

“Terceiro e quarto trimestres de 2021 e o ano de 2022 devem ser bastante positivos”, avalia economista José Camargo

Carlos Eduardo de Freitas também avalia como corajoso o aumento da taxa básica de juros, feito pelo Banco Central, para frear a inflação de custos, ocasionada por choques externos e não por aumento de demanda.

Eixos estratégicos

Em comunicado à imprensa, os diretores do FMI parabenizaram o ímpeto das reformas realizadas pelo governo federal, mesmo com a pandemia, para criar as bases para uma economia mais competitiva. Para o Fundo, as políticas públicas brasileiras contribuíram significativamente para reduzir a gravidade da recessão em 2020, ao mesmo tempo em que prepararam terreno para a recuperação em 2021.

Para tanto, o relatório do FMI aponta as principais reformas econômicas desenvolvidas pelo Ministério da Economia, durante a pandemia, que se baseiam em três eixos estratégicos: melhoria no ambiente de negócios; aumento do crédito ao setor privado e maturidade digital do setor produtivo.

Segundo o diretor de Gestão da Sepec/ME, Fernando Dutra, o objetivo da melhoria nos ambientes de negócios é reduzir o Custo Brasil, aumentar a produtividade, principalmente de micro e pequenas empresas, e alavancar o País para estar entre as 50 economias com maior facilidade de empreender.

“O Fundo destaca, nesse eixo, a Lei de Liberdade Econômica, o Pronampe, o FIARC (Frente Intensiva de Avaliação Regulatória e Concorrencial), a nova Lei do Ambiente de Negócios, Ex-Tarifários e, obviamente, novas medidas que vão ser implementadas, como a Lei do Reempreendedorismo e o Novo Simples”, elenca. 

Pronampe

O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) oferece empréstimos a juros mais baixos e com prazos extensos para o pagamento aos donos de micro e pequenos empreendimentos. Criado em 2020, para ajudar esses negócios a enfrentar a crise econômica causada pela pandemia da Covid-19, o Pronampe concedeu mais de R$ 37,5 bilhões em linhas de crédito para cerca de 517 mil empreendedores só no ano passado. 

Este ano, com a persistência da crise sanitária e econômica, o governo federal sancionou a Lei n° 14.161, que tornou o programa permanente. Até dezembro de 2021, serão disponibilizados R$ 5 bilhões em garantia para os empréstimos. Com a participação da iniciativa privada, esse valor pode chegar aos R$ 25 bilhões. 

Para Welinton Mota, diretor tributário da Confirp, empresa que presta consultoria para micro e pequenas empresas, a consolidação do Pronampe foi fundamental para a melhoria da situação financeira desses negócios. 

“O Pronampe foi um dos fatores que fez com que os pequenos negócios se mantivessem e, pelo fato de se manter, eles tiveram que pegar dinheiro emprestado para se financiar e continuaram vivos. Por conta disso, a economia retomou e agora esse crescimento se deve, com certeza, ao Pronampe”, avalia.

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O segundo eixo destacado pelo FMI busca somar mais R$ 107 bilhões ao ano em investimentos privados em infraestrutura nos próximos dois anos. Dentre os programas, o destaque vai para o Marco Legal do Saneamento, Marco da Telecom, o PL do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), além de projetos futuros como a Lei de Cabotagem e do Setor Elétrico.

Já o terceiro eixo estratégico - chamado de futuro digital e produtivo - visa aumentar em 20% a maturidade digital do setor produtivo, posicionando o Brasil no Top 3 do Ecossistema Global Startups, além de qualificar 10 milhões de pessoas em habilidades do futuro.

Nesse quesito, o FMI elenca importantes projetos como o Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador, Economia 4.0 e o InovAtiva 15K.

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O Relatório Anual do FMI cita a conclusão de outras importantes reformas que contribuíram para o emergente crescimento da economia brasileira, como por exemplo: 

  • Marco Legal da Liberdade Econômica;
  • Lei de Falências;
  • Sistema de Defesa do Empreendedor;
  • Sanção da MP 1.033/21, que altera o Marco Legal das Zonas de Processamento de Exportação;
  • PL do Gás;
  • PL do FreeFlow;
  • MP da VSat.
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Brasil 61