Pandemia

01/12/2022 19:05h

Representante da Pasta também apresentou ações do Governo brasileiro, como o Fórum Consultivo de Mobilidade e a recente construção de uma proposta de Marco Legal para o transporte público no País

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O Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), participou, nos dias 29 e 30 de novembro, da segunda edição dos Diálogos de Política Regional (RFDs) 2022 - Política, investimento e instituições para a mobilidade sustentável, na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, nos Estados Unidos.

Os debates envolveram temas relacionados aos reflexos resultantes da pandemia da covid-19, mais especificamente a crise socioeconômica e as lacunas de desenvolvimento e a desigualdade na América Latina e no Caribe. O setor de transportes foi significativamente afetado, especialmente o público.

O MDR foi representado pelo coordenador geral de Monitoramento do Empreendedorismo da Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano, Marcos Daniel Souza. Ele apresentou iniciativas do Governo Federal na área de mobilidade urbana.

“Foi possível ter um diálogo muito qualificado entre países latinos sobre iniciativas para a promoção de uma mobilidade urbana sustentável. O Brasil apresentou projetos da cidade de São Paulo sobre eletromobilidade e também as experiências do Fórum Consultivo de Mobilidade e da recente construção de uma proposta de Marco Legal para o transporte público no país”, conta Souza.

Além disso, foram discutidos assuntos como mobilidade sustentável; sustentabilidade financeira e o futuro dos sistemas de transporte; contribuição para a descarbonização; e Acordo de Paris.

Fórum consultivo de mobilidade

Em 9 de dezembro de 2021, o MDR, realizou a primeira reunião extraordinária do Fórum Consultivo da Mobilidade Urbana. O debateu, entre vários temas, a criação de um Vale Transporte Social para as famílias brasileiras de baixa renda.

Sobre o Marco Legal do Transporte Público Coletivo, está aberta, até 26 de janeiro, consulta pública para levantar contribuições da sociedade. A consulta pública pode ser acessada no Portal Participa+Brasil, disponível neste link. Podem participar cidadãos, empresas, instituições públicas, movimentos e organizações da sociedade civil.

O Marco Legal do Transporte Público Coletivo tem como objetivos aprimorar a Política Nacional de Mobilidade Urbana e organizar uma rede de transporte público coletivo formada por modos e serviços de transporte complementares.

A ideia é que seja formada uma rede única de transporte, organizada com linhas e rotas, que possam ter diferentes funções e modos de deslocamento e que possa ser universalizada. Também há preocupação com a integração dos modais, que devem ser acessíveis física e economicamente, além da adoção de padrões de qualidade para a prestação dos serviços.

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23/11/2022 18:11h

Em 2021, o faturamento das cooperativas baianas apresentaram acréscimo de quase 20% em relação a 2020, totalizando R$ 6,4 bilhões.

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Após dois anos de pandemia, muitos negócios ainda estão recuperando seu lugar no mercado. Mesmo os consolidados, como da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), fundada há 18 anos, sentiram o impacto econômico negativo em 2020. 

“Tivemos uma queda de cerca de 78% do faturamento das nossas receitas. Isso obrigou a gente a se reposicionar no mercado e buscar novas estratégias para poder sobreviver diante de toda essa dificuldade”, explica Dailson Andrade, gerente geral da cooperativa.

A principal estratégia da Coopercuc é o fortalecimento da agricultura familiar, visto que a cooperativa é fruto da organização popular dos agricultores de Canudos, Uauá e Curaçá, que tinham como objetivo principal valorizar o bioma da caatinga aproveitando suas potencialidades. 

São 283 cooperados que dedicam seu tempo, conhecimento e força de trabalho para produção de doces, geleias, polpas e bebidas alcoólicas oriundos de frutas nativas desse bioma, especialmente o umbu e o maracujá da Caatinga. Esses produtos são comercializados em mercados do Brasil e de países europeus, como França e Alemanha, além da loja online.

Apesar das dificuldades e contando com a dedicação de cada cooperado, a Coopercuc conseguiu ampliar seu lugar no mercado privado, abrindo Centros de Distribuição em Brasília, São Paulo e Salvador, ainda em 2020, e adquiriu novos equipamentos para fortalecer sua agroindústria, em 2021. Assim, a cooperativa já recuperou 63% do faturamento. “Esses números são importantes porque mostram que, mesmo na dificuldade, com tudo que foi a pandemia, o cooperativismo se reinventa”, analisa Dailson.

Essa retomada econômica reflete nos índices do cooperativismo a nível estadual. Em 2021, os ingressos – também chamado de faturamento – das cooperativas baianas apresentaram acréscimo de quase 20% em relação a 2020, totalizando R$ 6,4 bilhões. Os dados são do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado da Bahia (Oceb), órgão que representa as cooperativas do estado perante o poder público e a sociedade civil, e também é sindicato patronal.

De acordo com o presidente do Sistema Oceb, Cergio Tecchio, o cooperativismo na Bahia apresenta constante potencial de expansão. “Nós crescemos em média quase 20% em todos os nossos indicadores econômicos nesse período [de pandemia]. A perspectiva é crescer cada vez mais, pois nosso trabalho dentro do Sescoop/BA e da Oceb para capacitação da governança e da gestão, e dos profissionais que trabalham no cooperativismo, vem crescendo e está começando a dar resultado”, afirma.

O presidente também destaca que dentre os sete ramos estabelecidos dentro do cooperativismo, o Agropecuário, de Crédito e de Saúde se mostram mais resilientes e continuaram crescendo no estado. “Eles se destacaram devido à postura dos dirigentes das cooperativas, dos seus gestores, enfim, dos próprios cooperados que procuraram as cooperativas, principalmente na área de crédito, para realização de negócios. O agropecuário pela sua característica de produção de alimentos, essa atividade não pôde parar e o cooperativismo cresceu junto com seus cooperados, junto com sua comunidade, para gerar alimentos para a população. Saúde também se destacou, pois os cooperados fizeram parte fundamental para superação dos problemas causados pela pandemia”, explica. 

Outro indicador financeiro positivo de 2021 foi o de lucro – ou sobras, na linguagem cooperativista. Foram R$ 99,6 milhões, um acréscimo de 24% em relação a 2020. No cooperativismo, essas sobras representam o resultado positivo anual e devem ser distribuídas aos associados/cooperados proporcionais aos serviços utilizados. Ou seja, em uma cooperativa de crédito, por exemplo, quanto mais o cooperado utiliza os produtos ou serviços, como conta corrente, investimentos e operações de crédito, mais ele ganha.

Com a volta da normalidade no pós-pandemia, as expectativas para os índices de 2022 são boas. “Continuamos fazendo nosso trabalho, nossos cursos e eventos, com isso nós vamos ganhando, cada vez mais conhecimento para ter mais competitividade e levar as cooperativas, de uma forma sustentável, para   atender a sua comunidade, aos seus cooperados e seus familiares”, pontua Cergio Tecchio.

Lá na Coopercuc, Dailson garante que os planos já estão sendo traçados. “Para 2023 a 2025, o nosso planejamento é ultrapassar a meta de R$ 4 milhões de faturamento ao ano. E, em 2025, também queremos chegar a 500 cooperados e consolidar a Coopercuc com uma cooperativa modelo para agricultura familiar no Brasil”, complementa. 

Panorama nacional do cooperativismo

O cooperativismo também cresceu a nível nacional. Em 2021, o ativo total, que é a soma dos recursos que existem dentro das cooperativas ao final de cada ano, alcançou a marca de R$ 784,3 bilhões, um aumento de 20% em relação a 2020. Os ingressos somaram R$ 524 bilhões, 26% maior na comparação. Os dados são do Anuário Coop 2022, divulgado pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), órgão máximo de representação do cooperativismo no país.

Os destaques nacionais entre os sete Ramos são Crédito e Saúde, assim como na Bahia, mas também vale ressaltar o Ramo Infraestrutura:

  • Crédito: As cooperativas do ramo somaram R$ 518 bilhões em ativos totais. As sobras (lucros) totalizaram mais de 10 bilhões. 
  • Saúde: As cooperativas do ramo somaram R$ 53 bilhões em ativos, um aumento de 9% em relação a 2020. Os ingressos foram de R$ 89 bilhões, 17% a mais que no ano anterior.
  • Infraestrutura: As cooperativas do ramo somaram R$ 6 bilhões em ativos totais, um aumento de 23% em relação a 2020. Os ingressos totalizaram R$ 4 bilhões, 16% a mais que no ano anterior.

Outro ponto positivo que ajudou na retomada econômica do cooperativismo foi a geração de empregos. Enquanto a taxa média de desocupação no Brasil atingia 11,1%, resultando em mais de 12 milhões de pessoas desempregadas, o movimento gerava 493.277 empregos diretos, um aumento de 8% frente a 2020. Com destaque para o Ramo Agropecuário, que criou 16,1 mil empregos, e o Ramo Saúde, com 10,2 mil, somente em 2021. 

“É um movimento que traz muitos impactos positivos para vida dos brasileiros. Ele impacta o cooperado, ou seja, o associado da cooperativa, os colaboradores, ou seja, os funcionários que trabalham na cooperativa. Aonde ele está inserido ele traz benefícios para todas as pessoas que estão, de alguma forma, envolvidos nesse movimento de cooperação”, afirma Samara Araújo, gerente de comunicação do Sistema OCB.

Por fim, o cooperativismo injetou mais de R$ 17 bilhões em tributos nos cofres públicos, que são revestidos em melhorias e avanços para toda sociedade. Outros R$ 18 bilhões foram destinados ao pagamento de salários e benefícios, impulsionando o poder de consumo dos colaboradores e de suas famílias. 

Para mais informações, acesse somoscooperativismo-ba.coop.br e as redes sociais do Sistema Oceb.

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02/11/2022 04:30h

Estudo do IBGE aponta que ao final do primeiro ano de crise sanitária, 826,4 mil empresas iniciaram as atividades e 634,4 mil fecharam as portas

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Mesmo com o forte impacto causado pela pandemia de Covid-19, o mercado empresarial brasileiro fechou o ano de 2020 com saldo positivo, aponta o estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, divulgado pelo IBGE. Segundo o levantamento, 826,4 mil empresas iniciaram as atividades, enquanto 634,4 mil fecharam as portas, com saldo final de 192 mil empresas.

O setor que mais contribuiu para o balanço positivo foi do comércio: reparação de veículos automotores e motocicletas, com 39 mil unidades; seguido pelas atividades profissionais, científicas e técnicas, com 35 mil; e, por fim, saúde humana e serviços sociais, com 27 mil. A taxa de entradas de empresas no primeiro ano de crise sanitária, segundo o IBGE, foi de 16,9%, e a de saída, 13%.

“Apesar da taxa ter apresentado uma redução em relação a 2019, é possível que todos os efeitos da pandemia ainda não tenham sido completamente refletidos nas estatísticas. O estudo mostra também que as empresas que fecharam tinham maior proporção de mulheres assalariadas, o que pode ter relação com o fato de estarem proporcionalmente mais empregadas em setores mais negativamente afetados pela Covid-19”, explica Thiego Ferreira, gerente da pesquisa do IBGE. 

Os dados Cadastro Central de Empresas (Cempre) do IBGE, de 2020, apontam que o país tinha 4,9 milhões de empresas ativas que empregavam 39,4 milhões de pessoas, sendo 32,4 milhões como assalariadas e 7 milhões na condição de sócios ou proprietários. Do total de ocupados das empresas ativas, quase 96% estão presentes nos negócios sobreviventes. 

“O saldo de empresas entrantes no mercado é um bom sinal para a retomada da economia brasileira. Com a gradual queda das taxas de juros no Brasil e uma perspectiva melhor do cenário econômico, aliado também à reabertura da economia no Brasil, os empresários estão dispostos a correr mais riscos, abrir empresas e gerar empregos”, avalia o economista e professor da Universidade Mackenzie, Hugo Garbe. 

Para Garbe, a realidade empresarial brasileira se diferencia de outros países. “O cenário econômico brasileiro, diferente do resto do mundo, tem incentivado empreendedores e isso é muito positivo para o Brasil como um todo”, conclui. 

Empresas de alto crescimento

Após dois anos de alta, o número de empresas de alto crescimento, aquelas que têm crescimento médio do pessoal ocupado assalariado de pelo menos 20% ao ano, por um período de três anos, e tem dez ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial da observação, recuou 2,6% e fechou 2020 com 24,4 mil. 

“As empresas gazelas, aquelas que são de alto crescimento, mas tem até cinco anos de idade, encerraram 2020 com 2.768 unidades”, destaca Ferreira. Em 2019, segundo o estudo, a participação das “gazelas” nos negócios de alto crescimento era de 11,2% (2.805). 

Sobrevivência das empresas por estado

No cenário entre os estados brasileiros, Santa Catarina lidera o ranking de sobrevivência das empresas no intervalo de uma década: taxa de 27,6% das unidades locais nascidas em 2010. O Piauí aparece na sequência, com taxa de 25,4%, seguido por Sergipe, com 24,7%.

Com os piores resultados, por outro lado, aparecem o Acre, com a menor taxa de sobrevivência entre todos os estados (12,9%), juntamente com Amazonas (13,3%) e Amapá (13,7%).
 

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13/10/2022 04:00h

Brasileiros encontraram nos empreendimentos próprios uma forma de superar desemprego

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O número de trabalhadores por conta própria já totaliza 25,7 milhões no Brasil. O patamar é recorde na série histórica. No último trimestre móvel, encerrado em julho deste ano, a porcentagem de autônomos cresceu 4,7%, em comparação com o trimestre anterior. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas  (Sebrae), a pandemia  foi uma das causas do aumento do número de empreendedores. “Nós tivemos um acréscimo de vontade empreendedora de 75%, e destes, 23% são por necessidade, a pandemia os trouxe a serem empreendedores por necessidade”, afirma o diretor-presidente do Sebrae, Carlos Melles, que cita também os dados de outra pesquisa, realizada pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor).

Júlia Carneiro, 31, é professora e moradora de Patos de Minas (MG). No início da pandemia, ela se encontrou desempregada após não conseguir fechar turmas para as suas aulas do Ensino Fundamental. “O trabalho era pela prefeitura, eu sempre pegava aulas por contrato, e com a pandemia não houve contratação”, explica.

A professora conta que, por morar com os pais, teve a sorte de não ter passado por dificuldades financeiras em casa, mas que, por outro lado, a situação não foi favorável à sua saúde mental. “Foi angustiante, fiquei bem deprimida, sem saber o que fazer. As minhas despesas pessoais eu fui pagando com as economias que eu já tinha e decidi não ficar parada.”Foi assim que Júlia decidiu abrir o próprio negócio de cosméticos. “É algo que eu amo, comprar e usar. Então seria mais fácil começar por algo que gosto e conheço bem. Hoje tenho o meu espaço em casa e trabalho com produtos a pronta entrega, cestas, presentes”, conta.

Geração de empregos

O diretor-presidente do Sebrae, Carlos Melles, ainda destaca que “nos últimos anos, quem gera emprego de carteira assinada no Brasil é a micro e pequena empresa, são elas quem tratam do espírito empreendedor.” Atualmente, o país já possui cerca de 7 milhões de micro e pequenas empresas.

Durante a pandemia, o contador Diogo Fernandes, 26, investiu em seu primeiro comércio no Distrito Federal. Segundo ele, o desejo de empreender sempre esteve presente. “Desde que comecei a minha carreira tive a oportunidade de crescer dentro da empresa, então eu tive esse sentimento de gratidão e sempre quis retribuir. Na pandemia, eu percebi que o cenário do comércio, do empreender, no geral, havia mudado bastante. Decidi que realmente tinha chegado a minha hora de começar”, conta.

Após iniciar os empreendimentos, Diogo não parou mais. Em apenas 13 meses, ele já estava com quatro estabelecimentos, todos no setor de comércio alimentício: uma hamburgueria, uma distribuidora de bebidas, e uma açaiteria e sorveteria, esta última já em processo de abertura de uma segunda loja.
Com isso, o contador chegou a dez empregados contratados, distribuídos entre os seus estabelecimentos. “Eu fico muito feliz de estar gerando emprego, de poder ajudar com isso. E com certeza ainda virão outras oportunidades, ainda pretendo abrir mais lojas”, afirma Diogo.

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Taxa de desemprego

A taxa de desemprego caiu em 22 das 27 unidades da federação no 2º trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Outros cinco estados registraram estabilidade.

As maiores taxas de desemprego foram da Bahia (15,5%), Pernambuco (13,6%) e Sergipe (12,7%), e as menores, de Santa Catarina (3,9%), Mato Grosso (4,4%) e Mato Grosso do Sul (5,2%).

Na média nacional, a taxa de desemprego ficou no 9,3% no 2º trimestre, ante 11,1% no 1° trimestre, mas com a falta de trabalho ainda atingindo quase 10,1 milhões de brasileiros, conforme já divulgado anteriormente pelo Instituto.

Segundo o economista César Bergo, a decisão de empreender tem sido uma opção cada vez mais viável para o brasileiro: “Quanto maior a motivação, maior a probabilidade de sucesso. Abrir um negócio próprio tem seus riscos, mas é uma forma recomendável de superar uma situação de desemprego.”

Setores em alta

No Brasil, as atividades econômicas de maior crescimento no último trimestre foram os setores de construção (10,3%), alimentação (9%), serviços domésticos (7,7%), transporte, armazenagem e correio (4,9%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4,5%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (3,2%).

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28/09/2022 20:30h

Média diária na última semana ficou em 52 mortes, de acordo com o Ministério da Saúde. Especialista avaliam como “próxima” a chance de a pandemia acabar

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Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil apresentou a menor média móvel de mortes por Covid-19 desde o início da pandemia. Com as 46 mortes registradas até ontem, a média móvel no Brasil em decorrência da doença nos últimos sete dias é de 52, uma queda de 29,72%, na comparação com a semana anterior. O número é o mais baixo desde 5 de abril, quando a média móvel de mortes por SARS-Cov-2 estava em 50. É o segundo dia seguido que a média fica abaixo de 60.

A média móvel de mortes é calculada a partir da soma das mortes ocorridas num período de uma semana e divida por sete, número total de dias. Esse dado é usado por cientistas para entender a tendência da pandemia, conseguindo, assim, ter uma visão mais ampla do avanço da doença, ao escapar de oscilações que podem ocorrer, por exemplo, nos fins de semana, quando há menor capacidade de coleta de dados nas unidades de saúde.

De acordo com o infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dr. Renato Kfouri, o baixo nível da circulação do do vírus da Covid-19 no país se reflete no comportamento das novas variantes. 

“Mesmo a chegada da BA4 e BA5, que encontrou uma população altamente vacinada, não fez com que surgisse uma grande onda nova da doença no final do primeiro semestre, e os números caindo agora, especialmente pelo fato de muitos estarem imunizados e não há o surgimento de nenhuma nova variante no momento circulando”, frisou o médico.

Especialistas tranquilizam pais sobre nova vacina contra a Covid-19

Assim como Kfouri, o Ministério da Saúde entende que tal cenário se dá graças à imunização da população. Em nota, o órgão informou que “mais de 166 milhões de pessoas tomaram a segunda dose ou dose única da vacina - o equivalente a 78% da população brasileira”, o que explica os “baixos índices de contaminação e mortes pelo coronavírus”.

Fim da pandemia

Assim como o Ministério da Saúde, entidades internacionais também vislumbram o fim próximo  da pandemia. Durante evento no quartel general da Organização das Nações Unidos (ONU), em Nova York, o secretário-geral da instituição, António Guterres,  celebrou o crescente índice de cobertura vacinal mundial, principalmente entre populações de alto risco. 

Na mesma cerimônia, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, pediu por mais um esforço para acabar com a crise sanitária. “Não chegamos lá ainda, mas o final está próximo”, afirmou Adhanom, reforçando que a comunidade internacional “nunca esteve numa posição melhor para findar com a emergência de saúde global causada pela Covid-19”.

O Ministério da Saúde reforçou que a vacinação é fundamental para a manutenção do controle da Covid-19, por isso “é necessário que todos os públicos elegíveis busquem os postos de vacinação para completar o calendário vacinal primário, além da aplicação das doses de reforço contra o vírus”, completou o órgão. 

O infectologista Kfouri concorda com a relevância de completar a imunização. “É importante que tenhamos os esquemas vacinais completados. Todos acima de 12 anos com três doses; acima dos 40 anos, com quatro doses; e iniciar, o quanto antes, a vacinação das crianças, porque já temos vacinas aprovadas pela Anvisa a partir dos 6 meses de idade”, lembrou o especialista. Para ele, está mais que comprovado que o “esquema completo de vacinação é fundamental para que a gente continue evitando mortes, hospitalizações, formas graves” da doença.

O Ministério da Saúde informou que vai distribuir cerca de 1 milhão de doses do imunizante Coronavac, até o fim desta semana, para os estados vacinarem crianças de 3 a 5 anos em todo o país.

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Total de casos e mortes

Com as 46 mortes por Covid-19 registradas nas últimas 24 horas, o Brasil totalizou 685.881 óbitos desde o início da pandemia. Os dados são do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). 

Todos os 26 estados e o Distrito Federal divulgaram as informações da pandemia nessa terça-feira (27). Dentre eles, 16 não registraram mortes em decorrência da doença na data, são eles: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão, Rondônia, Tocantins, Sergipe, Alagoas, Amapá, Roraima e Acre.

Em relação ao número de casos, foram 8.289 nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, foram registrados 34.646.577 testes positivos no país.

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18/09/2022 16:30h

De acordo com o Ministério da Saúde, brasileiros e estrangeiros podem optar por apresentar o comprovante de vacinação contra a doença ou teste negativo para entrada no país até um dia antes do embarque

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Com a redução da média móvel de casos de Covid-19 e de mortes pela doença, o Ministério da Saúde decidiu flexibilizar medidas que, até então, eram tidas como importantes para evitar a propagação do vírus. Agora, brasileiros e estrangeiros podem optar por apresentar o comprovante de vacinação contra a Covid-19 ou teste negativo para entrada no país até um dia antes do embarque. 

A autorização foi validada em portaria interministerial publicada em edição extra do Diário Oficial da União do último dia 12 de setembro. Antes, todo viajante era obrigado a apresentar o comprovante de vacinação antes de embarcar para o Brasil. A exceção eram passageiros com contraindicação médica.

Para a infectologista Helena Germoglio, o atual momento permite essa flexibilização. No entanto, ela ressalta que qualquer alteração no cenário pode exigir uma nova mudança nas regras.

“Outros países já dispensam, há algum tempo, a apresentação de cartão vacinal e de testagem para entrada nos seus territórios. Tem-se percebido que isso não tem levado ao aumento de casos nesses locais. E, com o atual momento que vivemos no Brasil, isso também deve acontecer, com a estabilização dos casos. É claro que o incentivo à vacinação deve ser uma prática constante, independentemente da exigência”, destaca.  

Campanha Nacional de Multivacinação vai até 30 de setembro

Dia Mundial do Doador de Medula Óssea

A flexibilização teve o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão levou em conta o quadro atual de queda no número de mortes e casos de Covid-19 entre os brasileiros.

Nesse sábado (17), por exemplo, o país havia registrado uma média móvel de 72 mortes por dia, um total 43% menor do que o registrado há duas semanas. 
Os dados da pasta mostram que a vacinação também avançou. Mais de 165 milhões de pessoas completaram o esquema vacinal contra a doença com duas doses ou dose única. O total corresponde a 77,7% da população brasileira.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que políticas para testes e quarentena devem ser revisadas regularmente, com o intuito de garantir que sejam suspensas quando não forem mais necessárias. 
 

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08/09/2022 04:00h

Quanto à análise setorial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), quatro dos 22 segmentos registraram avanços, com destaque para os segmentos de veículos e alimentos, com altas de 1,9% e 1,7%, respectivamente

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O Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais fechou o segundo trimestre de 2022 com alta de 2,9%. De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), houve crescimento de 2,7% na produção de bens nacionais e de 5,8% nas importações de bens industriais. 

Para o economista e pesquisador da Unicamp, Felipe Queiroz, entre outros pontos, o quadro se deve a um cenário de retomada gradual da economia, após um período de conjuntura crítica provocado pela pandemia. 

“Parte do resultado decorre de um processo contínuo de recuperação da pandemia. Devemos considerar uma taxa de comparação bastante deprimida, que favorece isso. Empresas voltaram a investir. Por outro lado, a projeção e a expectativa de melhora contribuíram para o resultado. O segundo ponto é que a demanda global, em grande medida estava se recuperando e ainda tende a se recuperar, a depender dos desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia”, explica. 

Hidrogênio verde: o combustível do futuro que vai promover a descarbonização de setores como a indústria e agro

Setor de Turismo fatura R$ 94 bilhões no primeiro semestre de 2022

Ainda de acordo com o balanço, no mês de junho, entre os componentes do consumo aparente, a produção interna destinada ao mercado nacional apresentou recuo de 0,9%, enquanto as importações de bens industriais caíram 2,7%. No entanto, quando a comparação é feita com o mesmo mês de 2021, a demanda interna por bens industriais subiu 0,1%. 

“A indústria é um grande empregador para a economia, tem um efeito multiplicador tanto em produtos de cadeias para frente quanto para trás. O setor demanda bens industriais, matérias-primas, bens intermediários de consumo. À medida que o setor emprega mais pessoas, ele produz um efeito benéfico para outros setores, como o de serviços, por exemplo”, destaca Felipe Queiroz.

Classes de produção

No que diz respeito às classes de produção, a demanda interna por bens da indústria de transformação registrou queda de 1,8% sobre maio e elevação de 3,7% no segundo trimestre do ano. A indústria extrativa mineral, por sua vez, registrou salto de 1,5% na margem e recuou 8,7% no trimestre. No acumulado em doze meses, as indústrias extrativas apresentaram alta de 14,5%.

Quanto à análise setorial, quatro dos 22 segmentos registraram avanços, com destaque para os segmentos de veículos e alimentos, que tiveram os melhores resultados, com altas de 1,9% e 1,7%, respectivamente. Em relação ao trimestre, 17 segmentos tiveram alta na comparação dessazonalizada, com destaque para o consumo aparente de derivados de petróleo, da metalurgia e de veículos, com altas de 14,4%, 6,1% e 5,4%.
 

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03/09/2022 20:30h

De acordo com levantamento da FecomercioSP, o resultado é 33% maior do que o registrado no mesmo período de 2021. Em junho, as atividades ligadas ao Turismo registraram ganhos de mais de R$ 16,4 bilhões

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O primeiro semestre de 2022 foi de superação para o setor de Turismo no Brasil. De acordo com levantamento feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o setor faturou R$ 94 bilhões nos primeiros seis meses do ano. O resultado é 33% maior do que o do mesmo período de 2021. No mês de junho, por exemplo, as atividades ligadas ao Turismo registraram ganhos de mais de R$ 16,4 bilhões.

A presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Mariana Aldrigui, destaca dois principais fatores que contribuíram para o resultado do levantamento. 

“No primeiro semestre do ano passado, tivemos o início da vacinação contra Covid-19. Conforme essa vacinação foi se ampliando, as viagens também se ampliaram. O segundo fator mais relevante é o efeito da inflação, o que implica, necessariamente, um aumento no faturamento, ou seja, as empresas movimentam mais recursos sem necessariamente movimentar um maior número de passageiros”, avalia. 

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O agente de viagens de uma empresa de Vitória, no Espírito Santo, Isac Moura, diz que já percebeu a diferença. “As pessoas estão mais confiantes e viajando mais. Aqui na agência o movimento voltou a aumentar. As pessoas estão viajando para dentro do Brasil mesmo”, relata. 

As empresas de transporte aéreo foram as que tiveram mais participação no faturamento no período, com quase um terço (R$ 5,07 bilhões) do creditado em todo o setor. Além dos transportes aquaviários e terrestres, o segmento aéreo superou, em junho, os índices pré-pandemia. Na comparação com o mesmo mês de 2019, o setor registrou um avanço nos ganhos de 5,2%, em 2022.

Recuperação do setor aéreo 

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), os aeroportos brasileiros movimentaram, no mês de junho, mais de seis milhões de pessoas em viagens nacionais. O número é 43% superior ao registrado em maio, e equivale a 86,8% do verificado em junho de 2019.

Além disso, a oferta de voos no mercado interno apresentou, em junho, a segunda alta consecutiva na comparação com o mesmo mês de 2019, antes da pandemia. Depois de saltar 6% em maio na quantidade de viagens aéreas, em relação ao mesmo mês de 2019, o indicador subiu 0,5% em junho, na comparação com igual período de 2019. Já quando comparada a junho de 2021, a elevação foi de 45,8%. 

Setor hoteleiro 

Dados do Panorama da Hotelaria Brasileira de 2022 revelam que, em 2026, o Brasil contará com 124 novos hotéis. Juntos, esses empreendimentos somam mais de R$ 5 bilhões em investimentos.

O documento também destaca o desempenho de mercado, análises e projeções para o setor. O segmento de luxo, por exemplo, representa 33% do total de investimentos previstos no setor de hotelaria no país. O segmento econômico, por sua vez, responde por 38% dos novos investimentos.
 

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10/08/2022 04:30h

63% acham necessário diminuir os gastos e 49% enfrentam dificuldades econômicas, segundo levantamento do Instituto FSB encomendado pela SulAmérica

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A saúde financeira é o principal motivo de preocupação dos brasileiros. Uma pesquisa feita pelo Instituto FSB, encomendada pela SulAmérica, revela que, em 2022, 63% das pessoas entrevistadas acham necessário diminuir os gastos, e 49% enfrentam dificuldades econômicas.

A diretora de Marketing da SulAmérica, Simone Cesena, avalia que o cenário reforça a importância de as pessoas passarem a se programar melhor financeiramente, com um orçamento equilibrado entre a renda e a despesa. Para ela, contextos como o da pandemia podem agravar ainda mais a saúde financeira dos indivíduos. 

“Antigamente, quando falávamos em ter saúde, vinha muito na nossa cabeça a questão de não estar doente. Depois de tudo o que viemos passando, queremos muito mais do que só não estar doente. Quanto à saúde financeira, vemos os desafios que o mundo está enfrentando. E percebemos que, hoje, a educação financeira e de saúde, é algo que está sendo levado mais a sério. Por exemplo, fomos pegos de surpresa pela pandemia. Imagina a situação para quem não tinha reserva financeira”, considera.  

A pesquisa revela, ainda, que, em 2021, 4 em cada 10 brasileiros estavam mais preocupados com a saúde financeira do que com as saúdes física e emocional. 

Saúde emocional preocupa mais do que a saúde física

Mesmo com saúde financeira em destaque entre as preocupações, existe também um sinal de alerta para a saúde emocional. A pesquisa mostra que, a cada 10 brasileiros, 6 dizem que agora estão cuidando mais da saúde e do bem-estar do que durante o auge da pandemia. No entanto, a saúde emocional piorou para 48% dos entrevistados, devido aos efeitos da pandemia, e 54% afirmam que a saúde emocional é a segunda maior causa de preocupação. 

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De acordo com a pesquisa, a chamada geração Z (nascidos entre 1990 e 2010) foi a que se mostrou mais vulnerável quanto ao surgimento de sintomas e sentimentos no último ano. A ansiedade faz parte do cotidiano de 62% dos jovens em 2022, aumento de 6% em relação a 2021 (56%). A insônia também é uma realidade para 45% dos jovens.

“A geração Z está sofrendo um pouco mais do que as outras. Então, vemos que existe uma diferença geracional de comportamento em relação à saúde emocional. Por outro lado, está muito mais no nosso cotidiano falar sobre esse assunto. Logo, percebemos que todos os tratamentos, como os terapêuticos, em todas as gerações, viraram algo que está mais no nosso dia a dia”, avalia Simone Cesena. 

A estudante Victoria de Arruda tem 21 anos e mora em São Paulo. Ela sofre de ansiedade desde muito nova, e faz tratamento com psiquiatra há um ano e meio. Ela afirma que a internet, principalmente as redes sociais, potencializam as crises. 

“Além do fato de a ansiedade ser uma preocupação constante, acaba sendo cansativo emocionalmente, e também fico fisicamente cansada. Então, muitas vezes não consigo me concentrar nas coisas que tenho que fazer, porque tive uma crise de ansiedade ou os sintomas estão muito fortes. Tudo isso acaba me esgotando física e emocionalmente”, relata. 

O levantamento também mostra que a saúde física aparece em terceiro lugar entre as principais preocupações de 51% dos brasileiros entrevistados. 

“Percebemos um impacto grande no sobrepeso e obesidade das pessoas. Além disso, a própria ansiedade e a insônia também foram problemas identificados relacionados aos demais. Quando se fala em sobrepeso, é importante se cuidar mais, ficar atento à alimentação e praticar exercícios físicos, por exemplo. Tudo isso vai impactar positivamente nas saúdes física e mental”, destaca Simone Cesena. 

Com o intuito de cuidar da saúde mental e emocional, mais de 60% dos que responderam à pesquisa têm como hábito ouvir música, 45% fazem atividades relacionadas à espiritualidade ou religião, enquanto 42% descansam ou fazem relaxamento. Somente 9% disseram fazer terapia. Ao serem questionados acerca de hábitos regulares de cuidados com a saúde física, 62% revelaram ter baixa ou nenhuma frequência de atividades.

A pesquisa foi realizada no mês de maio. A amostra contou com duas mil entrevistas por abordagem online, nas 27 unidades federativas. O levantamento avaliou questões referentes às saúdes física, emocional e financeira dos participantes. A margem de erro no total da amostra é de 2 pp, com intervalo de confiança de 95%.  
 

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01/08/2022 03:45h

Segundo levantamento da Antaq, aumento do frete, cancelamento de atracagem e alterações dos prazos de entrega também impactaram o setor no período

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O aumento do comércio eletrônico durante a pandemia levou à falta de contêineres para atender à demanda dos portos brasileiros. A informação foi divulgada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), durante apresentação do estudo dos impactos da pandemia da Covid-19 no transporte marítimo. Segundo o levantamento, essa situação deve persistir a médio prazo.

Além da falta de contêineres, os principais impactos sentidos pelos usuários do sistema foram: 

  • Omissão de escala: quando o acesso de um navio a determinado porto é cancelado. Nesse caso, as cargas a serem exportadas permanecem no pátio do terminal e as cargas a serem importadas ficam no navio.
  • Congestionamento portuário.
  • Aumento do frete.
  • Rolagem de carga: transferência para outros navios devido ao excesso de cargas.
  • Suspensões de rotas e escalas.
  • Alterações nos prazos de entregas.
  • Alterações de regras e cobranças indevidas de sobrestadia.

A diretora da Antaq, Flávia Takafashi, afirma que os impactos foram observados em portos do mundo inteiro, não apenas pela amplitude da pandemia, mas também pela própria natureza globalizada da atividade portuária.

“Nesse momento de aumento de demanda, de diminuição do número de navios dispostos para algumas rotas e de problemas logísticos nos portos - com o aumento de ocupação dos pátios - os navios passam a ficar mais tempo nos portos para conseguir atender toda a demanda de movimentação, gerando uma diminuição de eficiência operacional. Isso [acontece] no mundo todo e o Brasil acompanha essa diminuição de eficiência dos terminais.”

Segundo o estudo da Antaq, o indicador de eficiência, também conhecido como Prancha Média Operacional, apresentou uma queda de quase 8 unidades por hora (u/h) na movimentação nos terminais de contêineres. Em junho de 2019, o indicador atingiu o valor máximo da série histórica, com 59,3 u/h, e caiu para 51,5 u/h em agosto de 2021.

Aumento do frete

Com o desequilíbrio entre oferta e demanda de contêineres e o aumento do preço do bunker (combustível naval), houve uma elevação mundial do valor do frete de contêiner. Para se ter uma ideia, o frete entre Santos e Xangai (China) passou de US$ 2 mil, em 2019, para US$ 10 mil, no final de 2021.

Apesar disso, Flávia Takafashi afirma que a movimentação de contêineres continua crescendo. “Em 2022, a tendência também é de crescimento. A diferença é que vamos ter mais contêineres movimentados, com uma logística um pouco desestruturada ou impactada pelos efeitos da pandemia, sendo que a cabotagem cresce em um ritmo maior que a movimentação de longo curso.” 

Omissão de escala

O levantamento da Antaq aponta que 76,9% dos terminais de contêineres brasileiros registraram aumento de omissões de escala, como consequência da crise na cadeia de suprimentos globais. Na prática, aumentou o número de cancelamentos de atracagens de navios já previstas para acontecer, provocando acúmulo de cargas nos terminais e embarcações.

Segundo a diretora da Antaq, apesar do aumento, o cenário não requer, hoje, uma revisão da regulação. “É um fator de atenção para comportamentos potencialmente discriminatórios, para os quais a Antaq já possui medidas dentro do seu arcabouço regulatório. E, no momento, não foi identificada uma medida a mais a ser tomada.”

Flávia Takafashi afirma que a Antaq vai passar a analisar os dados sobre omissões compilados pelos terminais.

Preço da cesta básica pode cair 4% com redução do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, estima Ministério da Economia

Portos registram crescimento de 4,8% na movimentação de cargas em 2021

Estudo

O estudo dos impactos da pandemia da Covid-19 no transporte marítimo teve início em outubro de 2021, conduzido por um grupo de trabalho formado pela Antaq. Para isso, foram realizadas entrevistas e reuniões com terminais, associações, armadores e usuários do sistema; levantamento de dados junto à Ouvidoria da Agência e de Unidades Regionais; e pesquisa qualitativa com os usuários e os terminais.

A maioria dos respondentes da pesquisa não identificou um segmento específico de atuação, optando por “outros” como atividade principal. Na sequência aparecem os segmentos de madeira, carvão vegetal e papel, produtos agrícolas e químicos em geral.

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Brasil 61