Guerra

12/03/2026 04:30h

Denúncias apontam aumento de preços por distribuidoras, atribuídos à alta do petróleo no Oriente Médio, mesmo sem reajuste pela Petrobras

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O governo federal vai investigar os recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em postos da Bahia, do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, encaminhou nesta terça-feira (10) um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando a apuração do caso.

A medida foi tomada após sindicatos do setor denunciarem que distribuidoras dessas unidades federativas estariam elevando os preços de venda com base na alta do petróleo no mercado internacional, associada ao conflito no Oriente Médio.

Apesar da justificativa, a Petrobras não anunciou reajustes nos preços dos combustíveis vendidos em suas refinarias.

Alerta dos sindicatos

Em nota publicada nas redes sociais, o Sindicato do Comércio de Combustíveis da Bahia (SindiCombustíveis-BA) afirmou estar preocupado com os efeitos do cenário internacional sobre o mercado baiano. “O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado as cotações do petróleo no mercado internacional e já provoca reflexos no Brasil”, disse a entidade.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos-RN) também destacou nas redes sociais que o conflito “já começa a refletir na alta do preço do petróleo no mercado internacional, acendendo um sinal de atenção para o setor de combustíveis no Brasil”.

Em Minas Gerais, o Minaspetro alertou nas redes sociais que a defasagem no preço do diesel já supera R$ 2 por litro e, na gasolina, se aproxima de R$ 1.

“As companhias estão restringindo a venda e praticando preços exorbitantes, principalmente para os revendedores marca própria. Já há relatos de postos totalmente secos em Minas Gerais. O Minaspetro está monitorando a situação e irá acionar os órgãos reguladores para mitigar o risco de desabastecimento”, afirmou a entidade.

Diferença em relação ao mercado internacional

De acordo com o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras está cerca de R$ 0,84 abaixo do valor praticado no mercado internacional. No caso do diesel, a diferença chega a R$ 1,90.

Na refinaria da Bahia, que é privatizada e compra petróleo no mercado externo, a gasolina está cerca de R$ 0,22 mais barata que no mercado internacional e o diesel, R$ 0,89. Já na refinaria do Rio Grande do Norte, também privatizada, a gasolina está R$ 0,41 abaixo e o diesel, R$ 0,75.

Por outro lado, na refinaria do Amazonas, os preços estão acima da referência internacional: a gasolina custa cerca de R$ 0,23 a mais e o diesel, R$ 0,02, o que contribui para que a Região Norte tenha os combustíveis mais caros do país.

No Distrito Federal, o presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, afirma que distribuidoras regionais, que trabalham com produto importado, não conseguem manter preços competitivos diante da alta internacional. Segundo ele, quem tem abastecido o mercado local são postos chamados de “bandeira branca”, abastecidos pelas três maiores distribuidoras do país — Shell, Ipiranga e Vibra — detentoras de cotas de fornecimento da Petrobras.

“A Petrobras é autossuficiente na produção de petróleo, mas não é autossuficiente no refino do diesel. Esse reajuste maior do diesel ocorre porque o Brasil importa 25% do combustível. Essas três maiores distribuidoras (Shell, Ipiranga e Vibra) já subiram seus preços no diesel, na região do Distrito Federal, entre R$ 0,45 e R$ 0,48 por litro”, afirma.

No caso da gasolina, Shell e Vibra reajustaram o preço em R$ 0,10 por litro, enquanto a Ipiranga aplicou aumento de R$ 0,17.

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07/03/2026 04:00h

Distribuidoras repassam aumento aos postos enquanto preços da Petrobras seguem defasados em relação ao mercado internacional

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Os motoristas brasileiros já podem sentir no bolso os efeitos da guerra no Oriente Médio. Apesar da queda no preço do etanol anidro nas últimas duas semanas, as distribuidoras repassaram aumentos aos postos de combustíveis nesta quinta-feira (5): o diesel ficou R$ 0,20 mais caro por litro e a gasolina teve alta de R$ 0,03. As informações são do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF).

Segundo o presidente da entidade, Paulo Tavares, a Petrobras ainda não anunciou reajustes oficiais nos preços praticados no Brasil. Mesmo assim, existe atualmente uma defasagem em relação ao mercado internacional: cerca de R$ 0,70 por litro na gasolina e de R$ 1,90 no diesel.

Mesmo que a estatal não tenha alterado seus preços, distribuidoras de praticamente todo o país já aumentaram os valores cobrados nos postos. Para Tavares, o reajuste mais expressivo no diesel está ligado à dependência brasileira de importações.

“Esse reajuste maior do diesel ocorre porque o Brasil importa 25% do combustível. O país só produz 75% do diesel consumido em suas refinarias, apesar de ser autossuficiente na produção de petróleo. E, provavelmente, esse reajuste linear de R$ 0,20 se deve à importação do mercado internacional, que está com uma defasagem muito grande em relação aos preços da Petrobras”, explica.

Outro fator apontado pelo sindicato é a situação das distribuidoras regionais que não possuem cotas de compra junto à Petrobras. Essas empresas dependem do mercado externo para abastecer seus estoques, ficando sujeitas às cotações internacionais.

“Neste momento, o produto importado está muito mais caro que o nacional. Ou seja, se uma pequena distribuidora fosse vender diesel hoje para o meu posto, eu ia comprar por R$ 1,90 mais caro por litro, [em comparação com as distribuidoras que têm cotas da Petrobras], que são Vibra, Shell e Ipiranga”, afirma Tavares.

Tensão internacional

A pressão sobre os combustíveis ocorre em meio à escalada militar no Oriente Médio. Os preços globais do petróleo subiram após ataques lançados pelo Irã na região, em resposta a bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel.

O petróleo Brent — referência internacional para a commodity — chegou a subir cerca de 10% na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira (2), ultrapassando os US$ 82 por barril (aproximadamente R$ 421,60).

A reação dos mercados também foi impulsionada por relatos de que ao menos três navios foram atacados no fim de semana nas proximidades do Estreito de Ormuz, rota marítima ao sul do Irã por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo.

Após os episódios, o Irã alertou embarcações para que evitassem atravessar a região, o que reduziu drasticamente o tráfego de navios na entrada do estreito.

Em nota, a Petrobras informou que possui rotas alternativas à região do conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo a estatal, essa estratégia “dá segurança e custos competitivos para as operações da companhia, preservando as margens”.

A empresa afirmou ainda que a maior parte de seus fluxos de importação ocorre fora da área de tensão; as poucas rotas afetadas podem ser redirecionadas, o que afasta, neste momento, o risco de interrupções nas operações de importação e exportação da companhia.

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25/06/2025 01:00h

Conflito entre Irã e Israel ameaça o Estreito de Ormuz e pode elevar custos de produção no Brasil. Entidade pede avanço nas explorações da Margem Equatorial e da Bacia de Pelotas

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O conflito entre Irã e Israel pode encarecer o petróleo no mercado internacional, segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). A entidade alerta que a ameaça à oferta de petróleo em função de um agravamento no conflito reforça a necessidade de o Brasil ampliar reservas de óleo.

Em nota, a entidade afirmou estar preocupada com a alta no preço do petróleo e os possíveis impactos do fechamento do Estreito de Ormuz em outras cadeias de produção – caso a via marítima seja interditada pelo Irã. A região marítima entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico é relevante para o transporte do petróleo global – por onde chega a passar cerca de 20% do recurso consumido no mundo. No último dia 22, o Parlamento do Irã aprovou o fechamento do estreito de Ormuz.

A entidade explicou, ainda, que a elevação do preço da commodity no mercado internacional, com o agravamento do conflito no Oriente Médio, deve aumentar os custos de produção em todo o mundo. Conforme alerta da Firjan, o cenário reforça o aumento de preços dos derivados, que deve se espalhar por outras indústrias.

Além disso, a federação pontuou que, como o Brasil é importador de equipamentos, pode ser afetado pela elevação de preços – que pode ocorrer em função da redução da oferta de energia.

Ampliação de reservas 

Em nota, a federação defendeu a necessidade do país ampliar a reserva. Especialmente, a exploração das cinco bacias da Margem Equatorial e da Bacia de Pelotas, já que, segundo a Firjan, há dez anos o Brasil tinha 23 anos de reservas provadas.

Dados do Anuário do Petróleo no Rio 2025, publicação lançada pela Firjan SENAI SESI, há menos de 13 anos de reserva. Na avaliação da entidade, o cenário coloca o país numa posição de desvantagem frente a outras economias.

IBP defende novas fronteiras de petróleo no Brasil

Na última segunda, 23, o Instituto Brasileiro de Petróleo Gás (IBP) emitiu uma nota em que pede a ampliação das fronteiras de petróleo no Brasil em função do aumento de tensões no Oriente Médio, com a escalada do conflito entre Irã e Israel.

O IBP defendeu, em nota, que o Brasil precisa avançar na prospecção de novas reservas de petróleo, como as planejadas nas bacias de Pelotas e na Margem Equatorial.

Contexto do conflito no Oriente Médio 

O conflito entre Irã e Israel teve início na noite de 12 de junho, no horário de Brasília. Naquela noite, Israel bombardeou centrais nucleares, instalações militares e cidades iranianas. 

Já no sábado (21), a tensão foi acentuada quando os Estados Unidos entraram na guerra e atacaram três instalações nucleares iranianas. O Irã respondeu ao bombardeio dos EUA na segunda-feira (23), com o disparo de mísseis a uma base militar dos EUA no Catar.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na segunda (23) um cessar-fogo no Oriente Médio – acordo que não foi cumprido, segundo acusa o presidente norte-americano. Há acusação de que Israel atacou Teerã na manhã do dia 24 e de que o Irã lançou mísseis.

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04/09/2023 16:00h

Medidas para incentivar digitalização, pesquisa, desenvolvimento e inovação buscam adequar indústria ao novo cenário tecnológico

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A inovação é a saída para a retomada da produtividade do trabalho da indústria. É o que observa o professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Eduardo Maróstica, que afirma que a desaceleração da produtividade da indústria é uma tendência em várias partes do mundo, e no Brasil não é diferente.

Segundo Maróstica, a produtividade do trabalho não deve se recuperar como antes, uma vez que o uso da inteligência artificial tem se tornado cada vez mais tendência na indústria. “E vale a pena destacar sobre as dark factories, que são fábricas completamente autônomas, com baixa utilização de mão de obra humana”.

Para ele, o desafio da indústria brasileira é mudar o paradigma para investir em novas tecnologias. “Diferentemente de países de primeiro mundo, o Brasil apresenta um cenário adverso. Nós temos fábricas ainda da Indústria 3.0, enquanto o mundo fala de uma Indústria 5.0. Ou investimos em automação, melhoria de processos e manutenção preventiva, ou dificilmente recuperaremos os números que já foram muito fortes no passado.”

Entre as propostas para incentivar o desenvolvimento em inovação, estão as alterações à chamada Lei do Bem. A norma estabelece incentivos fiscais às empresas para estimular os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). 

O projeto de lei 4944/20, em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe permitir que a sobra do percentual dos gastos com pesquisa tecnológica excluída do lucro líquido das empresas possa ser usada nos anos seguintes.

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP), relator da proposta, destaca também o anúncio de investimentos do governo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai dar apoio ao financiamento da indústria brasileira.

“Então o BNDES tem acenado já com novas linhas de financiamento, está anunciando uma ampliação de novos financiamentos — que é uma área fundamental para as indústrias — e também a ampliação do financiamento para área de pesquisa e inovação, que também está muito ligada ao setor industrial do país”, ressalta.

Além disso, a medida provisória 1147/2022, sancionada como a lei 14592/2023, prevê o financiamento pelo BNDES de investimentos em inovação e digitalização com juros mais baixos. Segundo a lei, as operações de crédito do BNDES voltadas à inovação e digitalização passam a ser remuneradas pela TR (Taxa Referencial) e não mais pela TLP (Taxa de Longo Prazo). 

Financiamento do BNDES para inovação e digitalização vai ficar mais barato

Queda de produtividade

A produtividade do trabalho da indústria de transformação caiu pelo terceiro ano consecutivo em 2022, com queda de 2,8% na comparação com 2021. Essa é a segunda maior queda anual desde o início da série histórica em 2000, atrás apenas do resultado negativo de 2021 (- 4,7%). Em relação a 2019, período pré-pandemia, o indicador acumula queda de 7,9%. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A produtividade do trabalho é mensurada pelo volume produzido pela indústria dividido pelas horas trabalhadas na produção. De acordo com o levantamento, a queda observada em 2022 reflete uma variação de - 0,4% no volume produzido, com elevação das horas trabalhadas em 2,7%. 

Segundo a CNI, apesar de as horas trabalhadas já terem superado o nível pré-pandemia, o volume produzido ainda se mantém 0,8% abaixo do nível registrado em 2019, o que reflete na baixa produtividade do trabalho. Segundo a gerente de Política Industrial da CNI, Samantha Cunha, a baixa produtividade da indústria brasileira resulta ainda dos reflexos da pandemia e da guerra na Ucrânia.

“As empresas, diante da expectativa que elas têm de recuperação da economia, não dispensam os trabalhadores e até contratam mais. Mas isso pode, no curto prazo, não resultar em aumento da produção. A grande parte da explicação para essa queda da produtividade nesse período tem a ver ainda com a pandemia e com os efeitos da guerra na Ucrânia, que geraram interrupções na cadeia produtiva e isso dificulta o planejamento das empresas.”

Segundo a pesquisa da CNI, a falta ou o alto custo de matérias-primas foi o principal problema apontado pela indústria brasileira entre o terceiro trimestre de 2020 e o quarto trimestre de 2022, o que dificultou ainda mais a produtividade.

Produção Industrial cresceu 0,1% em junho

Todos os índices de expectativas da indústria sobem em julho, aponta CNI

Produtividade efetiva

O levantamento da CNI também faz uma comparação da produtividade da indústria de transformação do Brasil em relação à média de seus dez principais parceiros comerciais. Esse indicador é chamado de produtividade efetiva. Segundo a pesquisa, entre 2019 e 2021, ela caiu 9,0% e retornou a patamares próximos aos registrados em 2014. 

Entre 2011 e 2019, a produtividade efetiva do Brasil cresceu, em média, 1,4% ao ano, acumulando uma alta de 11,7%. No entanto, essa perda entre 2019 e 2021 retrocedeu grande parte do crescimento obtido em quase uma década. 

O resultado é reflexo do baixo desempenho do Brasil em comparação com seus parceiros comerciais. Somente Japão (-2,1%) e França (-5,1%) registraram perdas de produtividade entre 2019 e 2021, além do Brasil. Os três são os únicos países analisados que ainda apresentam produtividade abaixo do nível pré-pandemia.

A gerente de Política Industrial da CNI, Samantha Cunha, explica que a pandemia e a guerra na Ucrânia afetaram a produtividade da indústria dos países de maneira heterogênea. 

“O indicador de produtividade efetiva mostra que, mesmo que o país tenha um crescimento da produtividade, ele pode ter uma perda de competitividade se os demais países tiverem um desempenho melhor que o dele. Então essa é a razão pela qual a gente precisa olhar para o desempenho do Brasil comparado com o desempenho dos outros países.”

Segundo o levantamento da CNI, a produtividade efetiva da indústria brasileira acumula uma queda de 23%, desde o início da série em 2000.
 

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24/02/2023 19:30h

Especialista recomenda reunir comprovantes para IR com antecedência; Inscrições para o Sisu terminam nesta sexta-feira; Anvisa analisa uso emergencial da vacina bivalente da Moderna

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No episódio desta semana, o podcast Giro Brasil 61 traz informações sobre a suspensão de exportação de carne para a China após registro de “vaca louca” no Pará; guerra e lockdown fizeram brasileiros gastarem mais com alimentos e combustíveis; Volkswagen suspende produção em fábricas no Brasil; Anvisa analisa pedido de uso emergencial de vacina bivalente da Moderna; Inscrições para o Sisu terminam nesta sexta; especialista recomenda reunir comprovantes com antecedência para declaração do IR.

Aperte o play e confira! 

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31/01/2023 13:30h

Especialistas apontam alta do dólar e aumento da demanda por produtos agrícolas como responsáveis por superávit, mas produção sofre com preço dos fertilizantes

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O presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou o envio de 31 tanques de guerra para uso dos militares ucranianos no conflito contra a Rússia. O comunicado foi feito na última quinta-feira (26) na Casa Branca, dois dias depois da data que marcou 11 meses do início do embate.

Na ocasião, Biden garantiu que a medida não se trata de uma ameaça contra o presidente russo, Vladimir Putin. “O anúncio de hoje agrega no árduo trabalho e compromisso dos países, liderados pelos Estados Unidos, para ajudar a Ucrânia a defender sua soberania e território. É disso que se trata: ajudar a Ucrânia a defender e proteger o território ucraniano”, afirmou o chefe de Estado.

Com a escalada das tensões, o cenário mundial fica mais incerto, o que inclui o Brasil. “Indiretamente, o Brasil acaba também sendo afetado, porque você reduz as relações comerciais entre Brasil e Europa, você provocou uma inflação maior no mundo, o próprio mercado americano trabalhou a política monetária subindo a taxa de juros, isso afetou o preço do dólar também”, comenta o professor e economista Cesar Bergo.

Acontece que o impacto no mercado brasileiro foi positivo. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE), a balança comercial do país fechou o ano de 2022 com um superávit – isto é, quando o valor das exportações supera o das importações – de US$ 61,8 bilhões. “A balança comercial brasileira foi beneficiada porque as commodities aumentaram de preço. O Brasil é altamente exportador não só de grãos, mas também de petróleo bruto, então afetou positivamente a economia nesse sentido”, avalia Bergo.

A análise do Ibre indica justamente que as restrições da oferta agrícola associadas à guerra na Ucrânia foram um fator preponderante para esse resultado, uma vez que elevaram os preços agrícolas. O assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Lucas Martins, alerta que, se por um lado a demanda pelos produtos agrícolas subiu, por outro, também aumentaram os custos de produção. “Desde o início dos conflitos, em fevereiro de 2022, os fertilizantes dispararam. Os produtores rurais precisam desses insumos para garantirem a produção das lavouras e o alto custo fez com que os produtores precisassem se programar muito mais em relação ao momento de compra desses insumos e de venda da safras. A safra atual de grãos, a safra 2022-23, está sendo a safra mais cara da história. Os produtores nunca desembolsaram tanto para colocar as culturas no solo”, pondera o especialista.

Uma coisa que Bergo e Martins concordam é que a continuidade do conflito não é algo bom para nenhuma parte envolvida, seja direta ou indiretamente. Além disso, caso as tensões não diminuam, tanto o governo quanto o setor produtivo vão precisar usar a criatividade para suavizar o impacto no mercado brasileiro.

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Economia
22/06/2022 03:30h

Produtos são fundamentais para a economia brasileira. Cientista político avalia que postura das autoridades brasileiras ajudou a minimizar impactos do conflito na agricultura

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Um estudo da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados divulgou dados sobre os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia para o Brasil. O levantamento mostra que os preços de produtos importantes para a economia brasileira, como adubos, fertilizantes e petróleo dispararam desde o início do conflito no leste europeu, mas que o país pode ter sido beneficiado com a realocação de investimentos estrangeiros. 

A consultoria aponta que 23% dos fertilizantes usados no Brasil vêm da Rússia. O país compra cerca de R$ 3,5 bilhões em fertilizantes por ano do país e entre março de 2021 e março deste ano, a importação desses insumos vindos de lá cresceu 122,5%.  

Os fertilizantes são importantes para aumentar a produtividade e qualidade nas lavouras. Desde o início da guerra, o preço global de adubos e fertilizantes subiu 140,4%. A consequência natural é que os campos sejam menos produtivos caso a agricultura brasileira, a quarta maior consumidora mundial de fertilizantes, não consiga substituir a quantidade de insumos que antes importava dos russos. 

Para o cientista político Paulo Kramer, especialista da Fundação da Liberdade Econômica, as autoridades brasileiras agiram bem para minimizar os impactos da guerra sobre a  economia do país. 

“É preciso reavaliar positivamente a viagem que o presidente Jair Bolsonaro fez à Rússia um pouco antes da invasão à Ucrânia. Essa visita gerou muita polêmica, porque parecia que o Brasil estava escolhendo um lado, mas, passados quatro meses, a gente pode enxergar melhor que ele se esforçou para garantir o abastecimento dos fertilizantes que são tão importantes para o nosso agronegócio, nossa produção e exportação de alimentos”, avalia. 

Kramer destaca que mais de 80% dos fertilizantes usados na produção agrícola brasileira vêm do exterior, mas que além da visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia, a viagem da então ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao Canadá, foi determinante para garantir o estoque dos insumos a médio prazo. “Foi um esforço de diversificar as nossas fontes de fertilizantes”. 

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Petróleo

Desde o início do conflito no leste europeu o preço do petróleo no mercado externo aumentou cerca de 70%, de acordo com o estudo da Consultoria Legislativa. Apesar de não comprar petróleo russo, o que não gera prejuízo para o abastecimento interno, o Brasil, assim como outros países, viu o preço dos combustíveis disparar nos últimos meses, o que aumentou o custo dos insumos, dos fretes e, por consequência, a inflação. 

Segundo o cientista político, a alta no preço do petróleo prejudica a população mais pobre. “A Rússia é responsável pela exportação de 25% de todo o óleo diesel do mundo. O óleo diesel é fundamental para o transporte rodoviário, e o Brasil é um país rodoviário. Se encarece o diesel, isso encarece o frete dos gêneros de primeira necessidade e, obviamente, vai encarecer o preço do próprio produto que o brasileiro consome, um sacrifício desproporcionalmente maior para as camadas mais pobres da população”, explica. 

O senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) defende que o Brasil só vai conseguir conter a escalada no preço dos combustíveis no nível interno se houver articulação entre União, estados e municípios. “Agora não é hora de procurar culpados. É hora de resolver o problema. A crise dos combustíveis é mundial. Temos uma guerra regional em curso e saímos de uma pandemia. São muitos os desafios e nossa obrigação é atuar para minimizar os impactos para a população brasileira. Todo mundo precisa fazer a sua parte. Entendo que o governo federal está buscando uma solução e compactuo com isso”, afirma. 

Investimento

A consultoria destaca que a guerra entre Rússia e Ucrânia não trouxe apenas efeitos negativos para a economia brasileira. O estudo diz que o Brasil pode ter sido beneficiado de forma momentânea por investimentos estrangeiros realocados por conta do conflito. 

Paulo Kramer diz que é cedo para analisar com precisão o desvio de capital internacional em direção ao Brasil, mas que o país vem melhorando a sua capacidade de atrair investimentos nos últimos anos. “Agora só falta os poderes da República se entenderem melhor entre si, de maneira a diminuir aquilo que mais assusta investidores estrangeiros, que é a insegurança jurídica, quer dizer, se as regras vão se manter ou não. É muito importante que a gente insista nesse ponto: a harmonia entre os poderes é muito importante para fortalecer a nossa capacidade de atração de investimento, que gera emprego e renda”, conclui. 

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14/03/2022 16:15h

Webinar será realizado no dia 17/3, das 15hs às 17hs, com transmissão ao vivo

A questão da dependência que o Brasil tem do exterior de matérias primas para fertilizantes ganhou destaque com o conflito Rússia x Ucrânia. O tema já vinha preocupando o governo, que agora lança o Plano Nacional de Fertilizantes, objetivando estimular o aumento da produção interna dos insumos essenciais para o desenvolvimento do agronegócio. 

Com o objetivo de discutir os caminhos e as possibilidades que o Brasil tem para aumentar a oferta interna dessas matérias primas e a viabilidade das metas estabelecidas pelo PNF, a Brasil Mineral está organizando o webinar “Fertilizantes: Como reduzir a dependência externa?”, que reunirá Bernardo Silva (Diretor Executivo do Sinpriferti), Márcio Remédio (diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB-CPRM), Luís Maurício Azevedo (presidente da ABPM) e Antenor F. Silva Júnior (membro do Conselho Consultivo da Brasil Mineral) e Francisco Alves (diretor editorial da Brasil Mineral). 

O webinar, com transmissão ao vivo, será realizado no dia 17/3, das 15hs às 17hs. Maiores informações pelo email: [email protected].

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11/03/2022 17:50h

O podcast Giro Brasil 61 faz uma seleção dos principais fatos e acontecimentos noticiados pelo Brasil61.com durante a semana

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Neste episódio (11), o podcast Giro Brasil 61 comenta os assuntos que estiveram em alta durante a semana. 

Em 8 de março, celebramos o dia das mulheres, e lembramos a busca pelo cumprimento de direitos básicos. O impacto da Guerra na Ucrânia sobre o abastecimento de trigo e a alta no preço. O adeus a Orlando Brito, um dos maiores fotojornalistas do País. A obrigação do prefixo 0303 para empresas de telemarketing e a Síndrome da Gaiola, que pode afetar as crianças na volta às aulas presenciais. 

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Guerra na Ucrânia não compromete abastecimento de trigo, mas provoca alta no preço do produto

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09/03/2022 03:30h

A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). Os russos são os maiores exportadores do produto e a Ucrânia ocupa a quarta posição

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Nos últimos dois anos, o mercado global de trigo sofreu um sério impacto por crises climáticas nos países líderes na produção e pela pandemia da Covid-19. Agora, outra questão preocupa o setor: a guerra entre Rússia e Ucrânia. Na avaliação do presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, é inevitável que esse conflito armado afete diretamente os preços do produto em todo o mundo.

“A desorganização daquela região já está causando um grande impacto no mercado de trigo, como vimos nas cotações. E o trigo é um dos produtos mais afetados, por causa da dependência do mercado global da produção que vem da Rússia e da Ucrânia. Na minha visão, não haverá, a curto prazo, nenhum problema de abastecimento. O que haverá é a continuidade e talvez a ampliação de aumento dos preços”, considera. 

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Os russos são os maiores exportadores do produto no planeta. Já a Ucrânia ocupa a quarta posição neste ranking. Os dois países são responsáveis por aproximadamente 30% do mercado mundial de exportação do produto, o que corresponde a 210 milhões de toneladas.

Elevação dos preços

O mercado mundial de trigo já se movimenta para elevar o preço do cereal. 
De acordo com publicação da Abitrigo, o valor do produto na Bolsa de Chicago (EUA) bateu recorde histórico de US$ 12,94 por bushel, nessa segunda-feira (7). 

O resultado é superior à cotação registrada em março de 2008, de US$ 12,83. Desde o início da guerra, houve elevação para o trigo de 46,25% em Chicago. No interior do Rio Grande do Sul, a tonelada do grão atingiu R$ 1.960. O preço se trata de um recorde, com salto de 26% em uma semana. 

Para a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina, essa variação deve acompanhar a extensão do conflito. “Se a guerra acabar hoje ou amanhã, teremos um impacto. Se ela continuar por muito tempo, teremos outro impacto. Nós temos que diminuir esses impactos. Precisamos achar as alternativas de ter o fornecimento, o abastecimento. O preço dependerá do mercado. O preço do trigo subiu porque a Ucrânia é um grande produtor e influencia o mercado global”, destaca a ministra. 

Caso a guerra seja prolongada, haverá continuidade da suspensão dos embarques nos portos ucranianos e os importadores devem concentrar as demandas em outros exportadores, como Estados Unidos, Austrália, Canadá e Argentina. 
 

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