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LOC.: O governo federal vai investigar os recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em postos da Bahia, do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal. A Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça, encaminhou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, solicitando a apuração do caso.
A medida foi tomada após sindicatos do setor denunciarem que distribuidoras dessas unidades federativas estariam elevando os preços de venda com base na alta do petróleo no mercado internacional, associada ao conflito no Oriente Médio.
Apesar da justificativa, a Petrobras não anunciou reajustes nos preços dos combustíveis vendidos em suas refinarias.
De acordo com o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal, o Sindicombustíveis-DF, o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras está cerca de 0,84 centavos abaixo do valor praticado no mercado internacional. No caso do diesel, a diferença chega a 1 real e 90 centavos.
Na refinaria da Bahia, que é privatizada e compra petróleo no mercado externo, a gasolina está cerca de 22 centavos mais barata que no mercado internacional e o diesel, 0,89 centavos. Já na refinaria do Rio Grande do Norte, também privatizada, a gasolina está 41 centavos abaixo e o diesel, 75.
Por outro lado, na refinaria do Amazonas, os preços estão acima da referência internacional: a gasolina custa cerca de 23 centavos a mais e o diesel, 2 centavos — o que contribui para que a Região Norte tenha os combustíveis mais caros do país.
No Distrito Federal, o presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, afirma que distribuidoras regionais, que trabalham com produto importado, não conseguem manter preços competitivos diante da alta internacional. Segundo ele, quem tem abastecido o mercado local são postos chamados de “bandeira branca”, abastecidos pelas três maiores distribuidoras do país — Shell, Ipiranga e Vibra — detentoras de cotas de fornecimento da Petrobras.
TEC./SONORA: Paulo Tavares, presidente do Sindicombustíveis-DF
“A Petrobras é autossuficiente na produção de petróleo, mas não é autossuficiente no refino do diesel. Esse reajuste maior do diesel ocorre porque o Brasil importa 25% do combustível. Essas três maiores distribuidoras (Shell, Ipiranga e Vibra) já subiram seus preços no diesel, na região do Distrito Federal, entre R$ 0,45 e R$ 0,48 por litro.”
LOC.: No caso da gasolina, Shell e Vibra reajustaram o preço em 10 centavos por litro, enquanto a Ipiranga aplicou aumento de 17 centavos.
Reportagem, Paloma Custódio