Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil Versão em áudio
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Anuário de segurança pública: Brasil registrou mais de 2,2 milhões de casos de estelionato em 2025

Número é 429,8% maior do que o registrado em 2018, início da série histórica do levantamento; São Paulo e Distrito Federal possuem as maiores taxas do crime no país

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O Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que o Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025. A categoria engloba tanto os estelionatos tradicionais quanto aqueles praticados em ambiente digital, popularmente conhecidos como “golpes”. Entre as Unidades da Federação, São Paulo e Distrito Federal possuem as maiores taxas de ocorrências do crime no país. 

O estelionato é previsto no art. 171 do Código Penal e passou a incluir, a partir de 2021, as modalidades de fraude eletrônica. Consequentemente, para realizar o estudo, o anuário considerou tanto o estelionato comum quanto o estelionato por fraude eletrônica.

Segundo o anuário, entre os golpes mais comuns aplicados no Brasil estão:

  • Clonagem ou troca de cartão de crédito;
  • Golpe do WhatsApp, com pedido urgente de dinheiro, pagamento de boleto ou transferência para uma conta de terceiro;
  • Golpe da falsa central bancária;
  • Golpe do leilão ou da loja falsa;
  • Golpe do Pix, com falsas centrais bancárias, vendas inexistentes, etc.

O levantamento considera a taxa por 100 mil habitantes e os dados revelam que a incidência por UF indica que há desigualdade regional na forma como o crime é distribuído em território nacional. As UFs com taxa superior a 1.000 registros estão concentradas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, com Rondônia sendo a única exceção do Norte. 

O estado de São Paulo possui a maior taxa do país, com 1.808,3 registros, seguido pelo Distrito Federal, com 1.717,0.

Confira as UFs com taxa superior a 1.000 registros:

  • São Paulo: 1.808,3 
  • Distrito Federal: 1.717,0
  • Paraná: 1.339,1
  • Rondônia: 1.329,6
  • Santa Catarina: 1.294,8
  • Espírito Santo: 1.254,7 
  • Goiás: 1.075,6

Em termos relativos, o anuário revela que o Brasil possui uma taxa de 1.059,43 crimes de estelionatos para cada grupo de 100 mil habitantes. O número é 20% maior do que o dos Estados Unidos, que possuem uma taxa de estelionatos de 882,83 crimes no mesmo recorte populacional.

Perfil Regional

O levantamento aponta que o padrão de golpes acompanha o grau de bancarização e digitalização de cada estado. Segundo o anuário, o cenário pode explicar a liderança de regiões mais urbanizadas e digitalmente conectadas, como São Paulo e Distrito Federal, que lideram a lista.

Conforme a publicação, é necessário interpretar os dados com cautela, tendo em vista que a taxa mede registros, não necessariamente ocorrências reais. “Estados com maior estrutura de delegacias especializadas e maior confiança da população no sistema de justiça tendem a apresentar mais notificações”, diz um trecho do documento.

Pelo anuário, é provável que os registros policiais revelem uma subnotificação. Os pesquisadores citam uma pesquisa produzida pelo FBSP em março de 2026 que mostrou que 15,8% da população com 16 anos ou mais foi vítima de um golpe ou perdeu dinheiro pela internet/celular no último ano, o que corresponde a 26,3 milhões de pessoas.

Conforme a avaliação do Fórum, as pesquisas de vitimização apontam que o problema em relação ao aumento de estelionatos no país é muito maior do que o que efetivamente aparece dos dados das delegacias do país. 

Escritórios do crime

O anuário cita, ainda, que Investigações mostram que facções criminosas mantêm “escritórios” dedicados exclusivamente a fraudes digitais, considerados negócios de baixo risco e alta rentabilidade – se comparado ao tráfico de drogas.

Em relação aos estelionatos, as evidências retratam que o Brasil está diante de uma economia criminal integrada, com estrutura empresarial, financiamento faccional e capacidade de captura do sistema financeiro, informa o estudo. 

Anuário Brasileiro de Segurança Pública

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é baseado em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública. 

Retratando a Segurança Pública brasileira, é uma ferramenta voltada a produzir conhecimento, incentivar a avaliação de políticas públicas e promover o debate de novos temas na agenda do setor. 

O documento completo pode ser acessado em www.forumseguranca.org.br. Para acessar, é preciso clicar na aba publicações e, em seguida, em anuário. Os dados podem ser baixados em dois formatos, em PDF e em formato de planilha. 

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LOC.: O Brasil registrou DOIS MILHÕES, DUZENTOS E SESSENTA E UM MIL E CINQUENTA E CINCO casos de estelionato em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A categoria reúne tanto os estelionatos tradicionais quanto os golpes praticados pela internet, celular e outros meios digitais.

Os dados mostram que o número de ocorrências cresceu 429,8% em comparação com 2018, primeiro ano da série histórica do levantamento.

Entre os estados, São Paulo tem a maior taxa de registros do país, com MIL OITOCENTOS E OITO CASOS para cada 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal, com MIL SETECENTOS E DEZESSETE.

Na sequência aparecem Paraná, Rondônia, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás, todos com taxas superiores a mil ocorrências por 100 mil habitantes.

Em todo o Brasil, a taxa é de MIL E CINQUENTA E NOVE estelionatos por 100 mil habitantes, índice cerca de 20% maior que o registrado nos Estados Unidos.

Segundo o anuário, os golpes tendem a ser mais frequentes em estados com maior bancarização e digitalização dos serviços.

Uma pesquisa do próprio Fórum aponta que 26 milhões e 300 mil brasileiros com 16 anos ou mais perderam dinheiro em golpes pela internet ou celular no último ano.

O levantamento ainda destaca que facções criminosas têm criado estruturas especializadas em fraudes digitais, consideradas atividades de baixo risco e alta rentabilidade.

Entre os golpes mais comuns registrados no país estão a clonagem ou troca de cartão de crédito, o golpe do WhatsApp com pedidos urgentes de dinheiro, pagamento de boletos ou transferências, o golpe da falsa central bancária, do leilão ou da loja falsa e os golpes envolvendo o Pix.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado com dados das secretarias estaduais de segurança pública, das polícias e de outros órgãos oficiais. O estudo completo está disponível no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O documento completo pode ser acessado em www.forumseguranca.org.br. 

Reportagem, Bianca Mingote