Cultura

30/09/2026 07:00h

Partido alto, samba de terreiro e samba-enredo são reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2007 e permanecem presentes em rodas, quadras, quintais e outros espaços de convivência

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O samba que se consolidou no Rio de Janeiro no início do século 20 carrega histórias construídas nos morros, subúrbios, terreiros, quintais e demais espaços de convivência das comunidades populares. Desse universo cultural emergiram o partido alto, o samba de terreiro e o samba-enredo, três formas de expressão que compõem as Matrizes do Samba no Rio de Janeiro, registradas como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Mais do que gêneros musicais, essas manifestações estão relacionadas a formas de sociabilidade, criação coletiva e transmissão de conhecimentos. Reúnem elementos como oralidade, improvisação, canto, dança, ritmo e convivência comunitária, além de guardarem vínculos com a história e as experiências das populações afrodescendentes que participaram da formação do samba carioca.

As três matrizes apresentam características próprias, mas compartilham a presença da coletividade. Mesmo quando há autoria individual das composições, a realização do samba envolve a roda, os músicos, as vozes, os corpos e a interação entre diferentes gerações.

Três formas de fazer samba

No partido alto, o improviso ocupa lugar central. Enquanto parte dos participantes sustenta um refrão ou coro, os chamados partideiros se alternam na criação de versos. A prática exige domínio rítmico e poético, capacidade de escuta e resposta e conhecimento adquirido, muitas vezes, pela observação e pela participação nas próprias rodas de samba.

O samba de terreiro, por sua vez, está relacionado a espaços comunitários como quintais, quadras de escolas de samba, terreiros, rodas e botequins. Suas composições abordam temas do cotidiano e das relações sociais, passando por festas, afetos, experiências de vida, conflitos e desigualdades. É uma manifestação associada à convivência e à participação coletiva de quem canta, toca e dança.

Já o samba-enredo se desenvolveu entre as décadas de 1920 e 1930, especialmente a partir das experiências das escolas de samba e das rodas do bairro do Estácio de Sá. A forma passou a acompanhar os desfiles de Carnaval e a desenvolver, por meio de música e letra, narrativas relacionadas aos enredos escolhidos pelas agremiações. Ao longo do tempo, passou por transformações e processos de profissionalização, mantendo vínculos com as escolas de samba e seus territórios.

As letras dos sambas-enredo podem abordar diferentes assuntos e episódios, incluindo acontecimentos históricos, personagens, manifestações da cultura popular, religiosidades, ancestralidades e experiências da população negra. Nas escolas de samba, a composição se articula ainda a diferentes linguagens presentes no desfile, como dança, canto, percussão, artes visuais e performance.

Patrimônio Cultural do Brasil

As Matrizes do Samba no Rio de Janeiro foram inscritas no Livro de Registro das Formas de Expressão em 20 de novembro de 2007. O pedido de registro foi apresentado pelo Centro Cultural Cartola, e o reconhecimento abrange o partido alto, o samba de terreiro e o samba-enredo no estado do Rio de Janeiro.

O registro de um patrimônio cultural de natureza imaterial considera práticas, conhecimentos e formas de expressão que são transmitidos entre gerações e reconhecidos como referências culturais pelos grupos e comunidades que os mantêm.

Em 25 de março de 2025, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro. O processo de reavaliação reuniu informações atualizadas sobre o bem cultural e recomendações relacionadas às ações de salvaguarda.

Mais de um século depois do período em que essas formas de expressão começaram a se consolidar, partido alto, samba de terreiro e samba-enredo seguem presentes em rodas, encontros de sambistas, festas comunitárias, escolas de samba e outros espaços de convivência. Nesses ambientes, conhecimentos musicais, histórias e modos de fazer continuam sendo compartilhados entre diferentes gerações.

Com informações do Ministério da Cultura.

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29/09/2026 08:00h

Circos espalhados pelo país difundem e preservam a arte popular

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Presente em todas as regiões do país, o Circo de Tradição Familiar reúne grupos de pessoas que, há gerações, transmitem conhecimentos, técnicas e modos de vida ligados à arte itinerante encenada no picadeiro debaixo de uma lona. Bem cultural de natureza imaterial, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em março de 2026. 

A decisão foi aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão colegiado de decisão máxima do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e resultou na inscrição do bem no Livro de Registro das Formas de Expressão. Os bens imateriais ainda podem figurar nos livros de Saberes, Celebrações e Lugares. O título reforça a importância do circo para a memória, a identidade e a diversidade cultural do país. 

O registro é fruto de um processo iniciado há 21 anos, que mobilizou famílias circenses, associações, pesquisadores e instituições públicas. A iniciativa incluiu a realização do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) e a elaboração de um dossiê técnico que reuniu informações sobre a história, os saberes e as práticas do Circo de Tradição Familiar. 

Conhecimentos 

Os circos de tradição familiar em atividade no Brasil preservam conhecimentos trazidos pelas primeiras companhias estrangeiras que chegaram ao país no século 19. Registros históricos, no entanto, apontam que apresentações circenses já aconteciam em território brasileiro desde 1727. 

A principal característica dessa tradição é a organização em torno da família. Pais, mães, filhos, avós e netos compartilham o trabalho no picadeiro e fora dele, transmitindo oralmente técnicas, números artísticos e formas de convivência. Em muitos casos, a atividade já chega à oitava geração da mesma família. 

Além das apresentações, o modo de vida envolve conhecimentos sobre montagem da lona, produção dos espetáculos, formação de artistas e gestão do cotidiano. Mesmo com a incorporação de novas técnicas e linguagens ao longo do tempo, o trabalho coletivo e a transmissão de saberes entre gerações permanecem como marcas do Circo de Tradição Familiar. 

Itinerância 

Além de seu valor artístico, o circo desempenha importante papel social. Por meio da itinerância, leva espetáculos e atividades culturais a municípios e comunidades que, muitas vezes, não contam com equipamentos culturais permanentes. 

Ao promover o acesso à arte em diferentes regiões, o Circo de Tradição Familiar contribui para a formação de público, amplia o acesso à cultura e fortalece a diversidade das manifestações culturais brasileiras. 

O Circo de Tradição Familiar vem se modificando e evoluindo com o passar dos anos a partir da incorporação de novos número e técnicas. No entanto, algumas características permanecem, como a organização em família, a transmissão de saberes e o trabalho coletivo, preservando esse patrimônio vivo da cultura nacional. 

Identidade 

Os bens culturais de natureza imaterial são práticas, conhecimentos, celebrações, formas de expressão e modos de fazer reconhecidos como referências da identidade e da memória dos diferentes grupos que compõem a sociedade brasileira. 

A Constituição Federal de 1988 ampliou o conceito de patrimônio cultural ao reconhecer tanto os bens materiais quanto os imateriais, atribuindo ao Estado e à sociedade a responsabilidade compartilhada por sua preservação. 

Propagado de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades, o patrimônio imaterial fortalece o sentimento de pertencimento e contribui para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana. 

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28/09/2026 17:18h

Mostra imersiva apresenta mais de 200 fotografias, documentos, vídeos e anotações relacionados à viagem realizada em 1983 e liderada pelo artista, arquiteto e paisagista Roberto Burle Marx; entrada é gratuita no Centro Cultural Banco da Amazônia

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Uma viagem de 11 mil quilômetros pela Amazônia, realizada em 1983, é o foco da exposição “Burle Marx – Expedição Amazônia”, aberta à visitação no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém (PA). A mostra reúne registros da expedição liderada pelo artista, arquiteto e paisagista Roberto Burle Marx, além de documentos, fotografias, vídeos e anotações que revelam a trajetória do paisagista e o trabalho dedicado à preservação da Amazônia. A mostra vai até 24 de janeiro de 2027.

A exposição propõe uma experiência imersiva sobre os 52 dias de viagem, que contou com 11 participantes e passou por estados como Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará e Maranhão. O material permite ao visitante conhecer diferentes aspectos da expedição, desde a pesquisa botânica até os registros feitos pela equipe durante o percurso.

A gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia, Ana Amélia Fadul, destaca que a exposição apresenta a dimensão científica e ambiental da viagem.

“Nela podemos ver a equipe capitaneada por Burle Marx com técnicos, desenhistas, artistas que fizeram o mapeamento de mais de 400 espécies, fizeram a denúncia do desmatamento, do corte de madeira, da devastação da Amazônia, ou seja, traz uma visão dessa expedição que aconteceu em 1983 e que ainda hoje é atual e é relevante, pois é um tema muito cogente, a gente poder falar de preservação”, diz.

Ela também salienta que a mostra está ligada aos valores do Centro Cultural, voltados à preservação ambiental e sustentabilidade. “Isso coaduna com a função do Banco da Amazônia, que é o mantenedor dessa galeria e do nosso Centro Cultural, que sempre foi uma instituição voltada para assuntos de sustentabilidade e preservação do meio ambiente”, completa.

O curador da exposição, Luiz Prado, explica que a ideia surgiu a partir dos registros produzidos durante a viagem. Além de mostrar os registros históricos da expedição, Prado compartilha que a mostra também apresenta o olhar de Burle Marx sobre a degradação ambiental que ele presenciou durante a viagem. Para Luiz Prado, os registros revelam uma atuação do paisagista que ia além da produção artística.

“A gente entendeu que isso daria uma grande mostra apresentando o olhar múltiplo diverso sobre a Amazônia, a partir da perspectiva de quem estava presente nessa expedição e também mostrar um pouco desse Roberto Burle Marx que, quando se deparou com a destruição da Amazônia já em 83, começou a denunciar, e ele como um grande ativista também, além de artista e paisagista, pensou, a gente trouxe isso também, essa narrativa para dentro da exposição”, afirma.

Entre os materiais apresentados estão mais de 200 fotografias em diferentes formatos, projeções de slides, uma instalação com dezenas de monóculos, vídeos com depoimentos de participantes da expedição, registros botânicos e objetos originais do Sítio Roberto Burle Marx – localizado em Barra de Guaratiba (RJ).

O local é um santuário botânico e cultural reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O espaço foi doado pelo paisagista para ser utilizado como fonte de pesquisa.

Roberto Burle Marx nasceu em São Paulo (SP), em agosto de 1909. Ele foi pintor, desenhista, tapeceiro, pesquisador e um dos maiores paisagistas do século XX.

Exposição aproxima estudantes da história da Amazônia

A mostra também tem sido utilizada como espaço de aprendizagem para estudantes. Um grupo de 34 alunos do 6° ano do ensino fundamental visitou a exposição na quarta-feira (23), acompanhado de professores e conduzido pelo historiador e doutor em História Social Rafael Zamorano, chefe da Divisão Técnica do Sítio Roberto Burle Marx.

A visita chamou a atenção dos estudantes para os registros botânicos apresentados na exposição. Ewerton Morais, de 11 anos, destacou a chamada Planta da Lua, também conhecida como Flor da Lua.

“Eu queria ver a Planta da Lua e achei muito legal o sistema dela para florescer, porque é igual ao Lobisomem: floresce só na lua cheia. Gostei muito de ver as plantas”, disse.

Para Rafael Zamorano, o caráter multimídia da exposição contribui para aproximar o público mais jovem do legado de Burle Marx.

“A exposição, por ser multimídia, consegue manter as crianças atentas e isso é muito bom para conseguirmos mostrar a esse público tão jovem o legado do Roberto (Burle Marx). Os jardins, para ele, tinham uma função pedagógica, que também está presente aqui”, destacou.

Além da exposição

A mostra contou com uma programação especial de abertura e entre os dias 23 e 24 de setembro o Centro promoveu visitas guiadas especiais conduzidas por Rafael Zamorano Bezerra, historiador, doutor em História Social e chefe da Divisão Técnica do Sítio Roberto Burle Marx (SRBM-Iphan).

E na sexta-feira (25), Zamorano ministrou uma palestra gratuita intitulada "Roberto Burle Marx - O Sítio e suas coleções" no auditório do espaço.

Serviço

Exposição: Burle Marx – Expedição Amazônia
Período de visitação: De 23 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia - Av. Presidente Vargas, 800, Bairro da Campina, Belém (PA)
Funcionamento: De terça a sexta-feira, das 10h às 16h. Finais de semana e feriados, das 10h às 14h. 
 

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28/09/2026 08:00h

Informações sobre investimentos e políticas culturais estão disponíveis em painéis de dados do Ministério da Cultura.

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Informações sobre investimentos e políticas culturais estão disponíveis em painéis de dados do Ministério da Cultura. Entre as ferramentas estão o Mapa de Investimentos MinC e o Painel do Sistema Nacional de Cultura, que permitem consultar e analisar diferentes aspectos das políticas públicas de cultura no país.

Para consultar as ferramentas, acesse gov.br/cultura e pesquise por Mapa de Investimentos MinC e Sistema Nacional de Cultura. 

O Mapa de Investimentos MinC, desenvolvido pela área de Planejamento Estratégico do Ministério, reúne informações sobre recursos aplicados em projetos e iniciativas culturais em todo o Brasil. 

A ferramenta permite consultar os investimentos por política cultural, município, porte populacional e valores, além de combinar filtros e comparar diferentes territórios. 

Já o Painel do Sistema Nacional de Cultura, desenvolvido pela Diretoria do Sistema Nacional de Cultura, reúne informações sobre a adesão de estados e municípios ao SNC e sobre as estruturas de gestão cultural nos territórios. 

Os painéis integram um conjunto de ferramentas de transparência e monitoramento disponibilizadas pelo Ministério da Cultura. 

Entre elas também estão o Painel de Dados do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), com informações da pesquisa de Avaliação de Resultados da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. 

E o Monitora MinC, que acompanha indicadores estratégicos das secretarias e entidades vinculadas ao Ministério, com atualização mensal. 

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25/09/2026 16:35h

Participantes aprenderam técnicas de composição e criaram peças próprias para homenagear Nossa Senhora de Nazaré

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À medida que o Círio de Nazaré se aproxima, os preparativos para a festividade também ganham espaço entre os devotos. A decoração do cartaz de Nossa Senhora de Nazaré é uma das formas encontradas por fiéis para expressar a relação com a celebração, usando flores, fitas, tecidos, cores e outros elementos.

Foi o que fez a engenheira civil Ingrid Almeida, que participou de uma oficina de decoração de cartazes acompanhada da filha. Para ela, a atividade foi uma oportunidade de demonstrar, por meio da criação das peças, a devoção por Nossa Senhora de Nazaré.

“Foi uma experiência maravilhosa poder demostrar amor à Maria através desses cartazes. Eu e minha filha amamos. Achei a ideia maravilhosa. Não precisamos trazer cartazes e nem materiais. Estavam todos aqui. São materiais bonitos, de qualidade. Foi uma experiência maravilhosa”, afirmou Ingrid Almeida, engenheira civil.

A atividade foi realizada no dia 24 de setembro, no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém. A oficina apresentou técnicas de composição, montagem e acabamento e permitiu que os participantes criassem suas próprias versões dos cartazes, a partir de materiais disponibilizados no local.

Um símbolo que ganha diferentes formas

Ministrada pela arte-educadora Fernanda Parente, a oficina utilizou materiais como fitas, flores artificiais, cordões, tecidos, papéis, elementos naturais e materiais reutilizáveis. Os cartazes do Círio do Banco da Amazônia serviram de base para as criações.

“A proposta foi mostrar que não existe uma única forma de decorar o cartaz do Círio. Cada participante pôde observar a imagem, escolher os materiais e criar uma composição própria, combinando fitas, flores, tecidos e outros elementos. O mais bonito foi acompanhar como cada pessoa trouxe sua memória, sua fé e seu jeito de vivenciar o Círio para a peça”, explicou Fernanda.

A estudante Samilly Santos também participou da oficina. Devota de Nossa Senhora de Nazaré e ligada ao Círio desde a infância, ela levou a mãe, uma amiga e a namorada para compartilhar a experiência.

“Eu sempre tive uma relação muito especial com o Círio. É uma tradição que faz parte da minha vida e da minha família. Então, poder participar de uma oficina como essa pela primeira vez e ainda ter a oportunidade de decorar o meu próprio cartaz foi muito especial para mim. Eu quis fazer do meu jeito, colocando um pouco da minha personalidade e do carinho que tenho pelo Círio em cada detalhe. Poder viver esse momento ao lado das pessoas que amam tornou tudo ainda mais bonito e significativo”, conta Samilly.

VEJA MAIS:

Para a gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia, Ana Amélia Fadul, atividades como a oficina ajudam a aproximar o público das manifestações culturais associadas ao Círio.

“O Círio de Nazaré faz parte da nossa identidade e está presente em diferentes expressões da cultura paraense. Com esta oficina, queremos proporcionar ao público um momento de criação, valorizando os símbolos e as tradições que fazem parte dessa celebração”, pontuou.

Realizada pelo Centro Cultural Banco da Amazônia, a oficina foi gratuita e ocorreu das 18h30 às 20h30 da última quinta-feira (24), na unidade localizada na avenida Presidente Vargas, no bairro da Campina, em Belém.

Sobre o Círio de Nazaré

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é uma das principais manifestações religiosas de Belém, no Pará. Realizado há mais de dois séculos, o evento é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural Imaterial e, pela Unesco, como Patrimônio Cultural da Humanidade.

A tradição começou em 1700, quando o caboclo Plácido encontrou uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margens de um riacho, próximo ao local onde hoje está a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

A devoção cresceu ao longo dos anos e, em 1793, foi realizada a primeira procissão em homenagem à santa, dando início à tradição anual do Círio.

A programação ocorre em outubro e inclui o Círio e outras doze procissões, entre elas a Trasladação, as romarias Rodoviária e Fluvial, o Círio das Crianças e o Recírio. Ao longo da quinzena de festividades, milhões de pessoas participam das celebrações e de atividades como missas, vigílias de oração, o Arraial de Nazaré e o Círio Musical.
 

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23/09/2026 19:10h

Vinculada ao Ministério da Cultura, a instituição trabalha com artes visuais, circo, dança, música e teatro

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A Fundação Nacional de Artes, a Funarte, atua há cinco décadas no desenvolvimento das artes brasileiras. Vinculada ao Ministério da Cultura, a instituição trabalha com artes visuais, circo, dança, música e teatro. 

Sua trajetória começou em 1975, com a missão de incentivar e apoiar as atividades artísticas em todo o país. Inicialmente, a atuação estava concentrada principalmente na música e nas artes plásticas, hoje compreendidas no campo das artes visuais. 

Ao longo do tempo, a Fundação passou por mudanças administrativas e ampliou suas áreas de atuação. Hoje, a Funarte realiza chamadas públicas, apoia a circulação de obras e promove atividades de formação e intercâmbio. 

Também mantém teatros, espaços culturais e acervos, além de desenvolver ações de cooperação internacional. 

O Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação reúne mais de um milhão de itens relacionados às artes e à história da instituição. 

Em 2026, o centro ganhou uma sede própria em um casarão tombado no Rio de Janeiro. 

Na formação artística, a Funarte mantém a Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha, criada em 1982. 

A escola oferece um curso técnico de dois anos, com bolsas de estudo, em parceria com o Instituto Federal do Rio de Janeiro. 

Entre as iniciativas da Fundação está o Programa Funarte de Difusão Nacional, voltado à circulação de produções e ao intercâmbio entre diferentes territórios. 

Já o Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas contempla grupos, coletivos, espaços e eventos que desenvolvem atividades regulares. 

A Fundação também coordena a implementação da Política Nacional das Artes, instituída em 2026. 

A política busca ampliar o acesso e promover o direito da população às artes. 

Suas diretrizes incluem a diversidade cultural, a liberdade de criação, a inclusão e a acessibilidade. 

As chamadas públicas, os serviços e as informações sobre os espaços culturais estão disponíveis em gov.br/funarte. 


 

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23/09/2026 19:08h

Registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2005, o ofício reúne conhecimentos sobre o preparo dos alimentos, a religiosidade, as roupas tradicionais e a venda em tabuleiro

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O Ofício das Baianas de Acarajé mantém vivos saberes de matriz africana transmitidos entre gerações. Registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2005, o ofício reúne conhecimentos sobre o preparo dos alimentos, a religiosidade, as roupas tradicionais e a venda em tabuleiro. 

O reconhecimento foi concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Preparado com feijão-fradinho e frito no azeite de dendê, o acarajé tem origem na África Ocidental. Os conhecimentos sobre seu preparo chegaram ao Brasil com africanos escravizados.  Esses saberes foram preservados principalmente por mulheres negras. 

O alimento também mantém vínculos com as religiões de matriz africana e com práticas do candomblé. 

Nas ruas, praças, feiras e festas populares, os tabuleiros reúnem acarajé, abará, cocadas, mingaus e outras preparações da culinária afro-brasileira. 

Cada elemento faz parte dessa tradição, da escolha dos ingredientes à organização do tabuleiro. 

O aprendizado acontece entre familiares e também na troca de conhecimentos com outras baianas. 

Em 2022, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou a revalidação do título. A decisão também ampliou a abrangência do registro para todo o território nacional, onde a prática tenha sido ou venha a ser identificada. As ações de salvaguarda buscam apoiar a continuidade do ofício e a transmissão dos conhecimentos às próximas gerações. 

A participação das próprias baianas faz parte desse processo de preservação. 

Mais informações em gov.br/cultura. 
 

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23/09/2026 10:50h

Além do novo prazo, o processo eleitoral teve mudanças nas regras de participação e de envio de documentos.

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O prazo de inscrição para o processo eleitoral dos representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) foi estendido até o dia 30 de setembro de 2026. A data inicial estava prevista para o dia 22 de setembro, mas a Comissão Eleitoral  entendeu que o prazo maior amplia a participação da sociedade civil no processo.

A alteração no  Edital de Chamamento Público MinC nº 9 também altera o período da análise documental, que deve ocorrer entre os dias 1º e 13 de outubro de 2026. Clique aqui para acessar a íntegra do documento.

Todo o processo continua sendo realizado por meio da plataforma digital Vota Cultura e definirá a composição de 21 Colegiados Nacionais de Participação Social e do Plenário do CNPC para o mandato de 2026 a 2029.

Envio de documentos e recursos 

Além do calendário, a alteração do edital modifica o anexo que trata das comprovações documentais. Ele foi reestruturado para permitir a inclusão de novos documentos, como portfólios, vídeos e complementos, após finalizada a inscrição. Essa inclusão, no entanto, deve estar estritamente relacionada à correção dos motivos que geraram a inabilitação pela comissão avaliadora, ou seja, durante a fase de recursos.

O edital retificado também estabelece que, caso a pessoa precise alterar dados cadastrais ou anexos, será possível fazer uma nova inscrição. Nesse caso, o cadastro anterior será totalmente cancelado e todos os documentos deverão ser anexados novamente. Esse processo poderá ser refeito quantas vezes necessário, sendo válida apenas a última inscrição enviada.

Validação de cotas e declarações coletivas 

Há mudanças também no procedimento de confirmação complementar para pessoas negras. Agora, ela será realizada de forma remota e assíncrona, por meio do envio de fotos e vídeo. A sessão telepresencial por videoconferência que estava prevista será utilizada apenas para a resolução de eventuais problemas técnicos.

Para povos e comunidades tradicionais, será permitido o uso de formulários de declaração de pertencimento em formato coletivo. Isso significa que é possível utilizar uma única declaração com assinaturas das lideranças para atestar o pertencimento de várias pessoas. O nome e o CPF de cada uma delas deve constar na lista. A medida foi adotada em respeito à dinâmica de organização de aldeias, quilombos e terreiros.

Participação de servidores 

Também houve mudança referente à participação de servidores públicos na eleição. Servidores da União que atuam nas áreas finalísticas da cultura seguem proibidos de votar e de se candidatar. Já servidores de estados e municípios ligados à cultura podem se inscrever para votar, mas não podem concorrer. E os servidores, inclusive da União, vinculados a áreas não finalísticas (áreas meio) estão liberados tanto para votar quanto para se candidatar.

Por fim, o texto regulamenta que a promoção e a campanha eleitoral ficam permitidas imediatamente após a efetivação da inscrição da pessoa candidata. 

Lembrando que todas as inscrições serão avaliadas e posteriormente declaradas habilitadas, se cumprirem todos os requisitos. A previsão é que a lista seja divulgada no dia 14 de outubro.

Materiais de orientação, guias informativos e tutoriais em vídeo estão disponíveis na página do CNPC. Clique aqui para acessar. Pedidos de informações e dúvidas podem ser enviados para [email protected]

Com informações do Ministério da Cultura.

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22/09/2026 14:43h

Patrimônio Cultural do Brasil abrange expressões como baião, xote e xaxado, além de instrumentos, festas e conhecimentos associados à cultura forrozeira

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O som da sanfona se encontra com a marcação da zabumba e o toque do triângulo. No salão, os pares acompanham a música enquanto diferentes ritmos se sucedem. Mas o forró não se restringe à música ou à dança: também está presente nos modos de tocar, ensinar, celebrar e reunir pessoas. Esse conjunto de práticas integra as Matrizes Tradicionais do Forró, registradas como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Nascidas e consolidadas a partir de práticas culturais do Nordeste, as matrizes se espalharam pelo território brasileiro acompanhando deslocamentos de pessoas, músicos e comunidades. Hoje, o bem possui abrangência nacional e reúne uma comunidade de detentores formada por cantores, compositores, instrumentistas, dançarinos, artesãos, produtores, organizadores de festas e outras pessoas que participam da continuidade dessa forma de expressão.

A própria palavra forró reúne diferentes significados. Pode denominar a música, um gênero específico, a dança, o baile ou mesmo o espaço onde a festa acontece. No processo de registro, o conceito de Matrizes Tradicionais do Forró foi adotado para compreender esse universo de maneira mais ampla, reunindo ritmos, danças, instrumentos, celebrações e demais práticas associadas à cultura forrozeira.

Muitos ritmos, uma mesma tradição

Baião, xote, xaxado, arrasta-pé, rojão, chamego, balanceio e outras formas musicais e coreográficas integram o conjunto reconhecido pelo registro. Cada uma apresenta particularidades de ritmo, execução e dança, formando um repertório diverso que se transforma e se reinventa sem perder sua relação com as matrizes que lhe deram origem.

Entre os instrumentos associados ao forró estão a sanfona, a zabumba, o triângulo e o pandeiro. A combinação de sanfona, zabumba e triângulo ficou conhecida como trio pé de serra ou trio gonzagueano e se consolidou como uma das formações características dessas expressões musicais. Outros instrumentos, como rebeca, pífano e fole de oito baixos, também integram diferentes práticas ligadas às matrizes tradicionais.

O patrimônio, porém, não está apenas nos sons produzidos pelos instrumentos. Também envolve os conhecimentos necessários para tocá-los e confeccioná-los, as formas de ensinar música e dança, a composição das canções e as maneiras de organizar festas e encontros. Muitos desses saberes são compartilhados pela observação, pela convivência e pela transmissão oral entre diferentes gerações.

É nos salões comunitários, festas juninas, festivais, encontros de músicos e forrós pé de serra que muitas dessas práticas continuam acontecendo. Nesses ambientes, tocar, cantar e dançar funcionam também como formas de convivência, aprendizagem e construção de vínculos entre os participantes.

Do Nordeste para diferentes regiões do país

As raízes das Matrizes Tradicionais do Forró estão relacionadas à cultura sertaneja e a diferentes expressões musicais e coreográficas desenvolvidas no Nordeste. Ao longo do século XX, a circulação de músicos e a migração de nordestinos contribuíram para que esses ritmos alcançassem outras regiões do Brasil.

Nesse processo, artistas como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro tiveram participação na difusão nacional de gêneros associados ao forró a partir de meados do século XX. As gravações, apresentações e circulação pelo rádio contribuíram para ampliar o contato de diferentes públicos com musicalidades até então fortemente relacionadas aos territórios nordestinos.

A expansão, no entanto, não eliminou as particularidades locais. Em diferentes estados, comunidades de forrozeiros desenvolveram espaços, grupos, festivais e formas próprias de manter esses conhecimentos em circulação. O processo de registro identificou a presença das matrizes em diversas regiões brasileiras e reconheceu o bem cultural com abrangência nacional.

Construção coletiva

O reconhecimento das Matrizes Tradicionais do Forró resultou de uma mobilização iniciada pela própria comunidade forrozeira. O pedido de registro foi apresentado ao Iphan em 2011 pela Associação Cultural Balaio Nordeste, após articulações envolvendo músicos, grupos culturais, associações e fóruns ligados ao forró.

O processo reuniu pesquisas, documentação audiovisual, encontros, fóruns, seminários e escutas realizadas em diferentes regiões. A participação dos detentores ajudou a delimitar o próprio objeto do registro e a definir que o reconhecimento deveria abranger não apenas determinadas músicas, mas o conjunto de práticas que dá continuidade às matrizes tradicionais.

A noção de “matrizes” também considera o caráter dinâmico da manifestação. As práticas tradicionais permanecem como referências para músicos e forrozeiros contemporâneos e, ao mesmo tempo, passam por transformações e reinvenções ao longo do tempo.

Patrimônio Cultural do Brasil

As Matrizes Tradicionais do Forró foram registradas em 9 de dezembro de 2021, após aprovação unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, e inscritas no Livro de Registro das Formas de Expressão. O reconhecimento possui abrangência nacional.

O registro considera o forró como uma forma de expressão que articula diferentes dimensões culturais. Ritmos e danças convivem com instrumentos, indumentárias, espaços de celebração, conhecimentos artesanais e modos de transmissão que se relacionam à trajetória das comunidades que mantêm essas práticas.

Assim, reconhecer as Matrizes Tradicionais do Forró significa compreender que, por trás de cada sanfona, passo de dança ou encontro em torno da música, existe uma rede de conhecimentos compartilhados. É nessa convivência entre quem toca, dança, ensina, aprende, constrói instrumentos e organiza os espaços de encontro que as matrizes continuam sendo transmitidas entre gerações.

Com informações do Ministério da Cultura.

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22/09/2026 14:32h

Registrado como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2008, bem reúne conhecimentos transmitidos pela oralidade, pela prática e pela convivência entre gerações

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Antes que um jogo comece na roda, há conhecimentos que orientam cada movimento, canto e toque de instrumento. São saberes construídos ao longo de anos de prática, convivência e aprendizado e transmitidos entre diferentes gerações de capoeiristas. No centro desse processo estão os mestres e mestras de capoeira, reconhecidos por suas comunidades como detentores de conhecimentos relacionados à manifestação cultural afro-brasileira.

O conjunto dessas práticas constitui o Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira, registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O bem possui abrangência nacional e está inscrito no Livro de Registro dos Saberes desde 21 de outubro de 2008.

Exercer esse ofício vai além de ensinar golpes, esquivas ou sequências de movimentos. Mestres e mestras transmitem fundamentos da capoeira, orientam rodas, compartilham histórias e cantigas, ensinam os toques dos instrumentos e participam da formação de novos praticantes. Também cabe a eles interpretar e manter em circulação códigos, rituais, valores e referências construídos ao longo da trajetória da manifestação.

O reconhecimento como mestre ou mestra não depende, necessariamente, de um diploma ou título formal. Ele é construído ao longo do tempo, a partir da experiência, da dedicação à capoeira e, sobretudo, do reconhecimento dos próprios pares e da comunidade na qual aquele conhecimento é praticado e compartilhado.

Um saber que passa de pessoa para pessoa

A oralidade ocupa lugar central na transmissão da capoeira. Parte do aprendizado acontece pela palavra, mas outra parcela é assimilada ao observar, ouvir e participar.

Um movimento pode ser compreendido pela repetição. Uma cantiga pode ser aprendida acompanhando a roda. O momento adequado para determinado toque de berimbau é reconhecido pela experiência. Histórias sobre antigos mestres, acontecimentos e transformações da capoeira circulam nas conversas e nos ensinamentos compartilhados entre praticantes.

Nesse processo, corpo, memória e convivência tornam-se formas de transmissão do conhecimento. Segundo o Iphan, os saberes podem ser comunicados por gestos, olhares, palavras, ladainhas e narrativas contadas entre uma roda e outra.

Os espaços de aprendizagem também são diversos. Terreiros, praças, ruas, academias, escolas, centros culturais e comunidades podem receber rodas, treinamentos e encontros nos quais esses conhecimentos continuam circulando.

Mestres e mestras acompanham ainda diferentes etapas da formação dos praticantes. Podem acolher iniciantes, orientar discípulos, conduzir batizados e cerimônias, organizar rodas e reconhecer outros integrantes que, depois de anos de trajetória, também passam a ocupar posições de referência dentro da comunidade.

O conhecimento dentro da roda

Embora sejam bens culturais registrados separadamente, o Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira e a Roda de Capoeira estão diretamente relacionados.

É na roda que muitos dos conhecimentos transmitidos pelos mestres e mestras se encontram. Canto, instrumentos, movimentos, golpes, jogo, dança, improvisação, brincadeira e ritual passam a funcionar simultaneamente. A roda também possui códigos próprios, formas de organização e relações entre os participantes.

O berimbau exerce papel importante na condução desse ambiente. Seus diferentes toques ajudam a orientar o jogo, enquanto cantigas e instrumentos como atabaque, pandeiro, agogô e reco-reco participam da construção da musicalidade. O mestre ou a mestra precisa conhecer não somente a execução dos instrumentos, mas a relação entre música, movimento e momento ritual.

As cantigas também funcionam como espaços de memória. Elas podem narrar episódios, lembrar personagens, transmitir ensinamentos, provocar os jogadores ou comentar aquilo que acontece dentro da própria roda.

Assim, ensinar capoeira envolve transmitir uma linguagem formada por corpo, som, palavra, memória e interpretação. O conhecimento não permanece restrito a uma técnica: está relacionado a maneiras de compreender e participar daquele universo cultural.

Ancestralidade e resistência

A trajetória da capoeira está diretamente relacionada à história da população negra no Brasil. Desenvolvida a partir de referências africanas recriadas em território brasileiro, a manifestação atravessou períodos de repressão, criminalização e estigmatização.

No período posterior à abolição da escravidão, a capoeira chegou a ser criminalizada pelo Código Penal de 1890 e permaneceu associada à marginalidade durante parte de sua história. A continuidade da prática, mesmo diante das perseguições, ajuda a compreender a atuação de gerações de capoeiristas na manutenção e transmissão desses conhecimentos.

Ao longo do século XX, diferentes processos contribuíram para transformações na capoeira e em sua presença na sociedade brasileira. Entre as referências dessa trajetória estão as tradições conhecidas como Capoeira Angola e Capoeira Regional, que convivem atualmente com outras formas e experiências desenvolvidas em diferentes localidades.

Nesse percurso, mestres e mestras tiveram participação na formação de grupos, espaços de ensino e redes de capoeiristas, além de transmitir conhecimentos recebidos de gerações anteriores.

A presença da capoeira também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Atualmente, a manifestação é encontrada em todo o território nacional e em mais de 150 países, segundo levantamento do Iphan.

Patrimônio Cultural do Brasil

O Ofício dos Mestres de Capoeira e a Roda de Capoeira tiveram seus registros aprovados em 2008. Embora relacionados, os dois bens foram inscritos em livros diferentes: o Ofício, no Livro de Registro dos Saberes, e a Roda, no Livro de Registro das Formas de Expressão.

O registro do Ofício ocorreu em 21 de outubro de 2008 e reconheceu os mestres como detentores dos conhecimentos tradicionais da manifestação e responsáveis pela transmissão de práticas, rituais e referências culturais.

Já a Roda de Capoeira recebeu, em 2014, o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O título internacional diz respeito especificamente à Roda de Capoeira, enquanto o Ofício dos Mestres e Mestras permanece como bem registrado como Patrimônio Cultural do Brasil.

Mestres e mestras

Em 11 de novembro de 2024, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil atribuído ao Ofício. Na mesma decisão, foi aprovada a alteração da nomenclatura oficial de “Ofício dos Mestres da Capoeira” para “Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira”.

A mudança explicita a presença e a atuação das mulheres na transmissão dos conhecimentos e na continuidade da capoeira. O processo de reavaliação considerou transformações ocorridas desde o registro inicial e reuniu informações de diferentes materiais, planos de salvaguarda, consultas aos detentores e ações desenvolvidas nos estados.

A revalidação faz parte do acompanhamento dos bens culturais registrados. O procedimento permite observar mudanças ocorridas ao longo do tempo, identificar condições relacionadas à continuidade das práticas e reunir recomendações para as ações de salvaguarda.

No caso da capoeira, essas ações podem envolver produção e preservação de acervos, pesquisas, mapeamentos, documentação, fortalecimento da participação dos detentores e articulação entre grupos e comunidades.

A transmissão, porém, continua acontecendo sobretudo no encontro entre pessoas. Quando um mestre ou uma mestra ensina um toque, explica uma cantiga, conta a trajetória de quem veio antes, orienta um jogo ou forma novos praticantes, conhecimentos acumulados ao longo de gerações encontram outros corpos, vozes e experiências. É assim, entre memória e reinvenção, que o ofício segue sendo compartilhado.

Com informações do Ministério da Cultura.

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