Brasil - Mulheres·08 de março de 2022

Dia 8 de março: mulheres ainda buscam o cumprimento de direitos básicos

O Dia Internacional das Mulheres marca a luta por garantias de direitos à educação, melhores condições de trabalho e salários iguais

Por Angélica Córdova
Ouvir · 00:03:02

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

As mulheres são a maioria da população brasileira, 52,2% do total. Entre os idosos, o percentual aumenta e chega a 56,7%, segundo dados do IBGE. Por outro lado, são as que mais sofrem com o desemprego. Dados da última Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD) mostraram que 17,1%  das mulheres estão desempregadas, enquanto 11,7% dos homens estão nessa condição. 

Entre os empregados ainda há disparidade salarial. As mulheres ganham em média 24% a menos que homens mesmo desempenhando funções semelhantes. Uma pesquisa de uma empresa recrutadora revelou que essa diferença é menor entre os mais jovens e em cargos de menor complexidade. 

“A equiparação salarial é uma luta incessante até nós alcançarmos o mesmo patamar. Já que nós exercemos as mesmas funções, temos a mesma capacidade, por que não ganhar o mesmo salário?”, defende a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada da OAB, Cristiane Damasceno. Para ela, este Dia Internacional das Mulheres é um momento para pensar nas questões de gênero que movem a sociedade. Para ela, as mulheres de hoje têm grandes desafios para equilibrar a vida profissional e a carreira.

“A gente precisa criar estratégias para que as mulheres possam fazer uma melhor gestão do tempo para poder desenvolver sua carreira”, ponderou Cristiane Damasceno. Segundo ela, a OAB está estudando estratégias para que as advogadas tenham um espaço para cuidado com os filhos, para participação em audiências ou atendimento a clientes. “Como nós sabemos as mulheres é que têm maiores incumbências com essas questões domésticas inclusive com os filhos, isso seria uma forma de ajudá-las a se colocarem de maneira mais efetiva dentro do próprio mercado de trabalho”, argumentou. 

Aprovado projeto que regulamenta retorno de gestantes ao trabalho presencial após vacina

Um longo caminho 

Se a diferença de oportunidades entre homens e mulheres já existe, para a advogada quilombola Josefina Serra, ela é muito mais evidente quando se observa as questões de raça. Uma pesquisa feita pelo Instituto Insper, em 2020, mostrou que o salário médio de um homem branco é 159% maior do que o de uma mulher negra. 

Hoje advogada, Josefina Serra já foi empregada doméstica por muitos anos. Já ocupou cargos políticos em governo estadual e na OAB ligados à igualdade racial. Para ela, a educação é a porta de entrada para a diminuição das desigualdades. “Apesar de hoje a gente ver a popularização dos debates sobre igualdade de gêneros por causa do feminismo e do combate ao machismo, ainda há desigualdades salariais, violência sexual, feminicídio, baixa representatividade política. Isso é evidente. Então, a nossa luta ainda vai continuar durante muito tempo”, diz. 


História 

No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional das Mulheres. A data foi oficializada pela ONU, em 1975, mas lembra um momento muito anterior quando operárias de uma fábrica em Nova York entraram em greve, em 1857, para reivindicar melhores condições de trabalho. Entre as pautas também estavam a licença maternidade. Elas foram trancadas na fábrica e, devido a um incêndio, 129 morreram. 

Passados 165 anos da tragédia, muitas das pautas levantadas pelas americanas ainda precisam ser alcançadas no mundo. Para marcar a data, movimentos sindicais e sociais planejam manifestações em 40 cidades nesta terça-feira. Além disso, a pauta do Senado será dedicada à votação de projetos que tratam dos direitos das mulheres, como o PL 3.048/2021, que prevê o agravamento de pena de crimes contra a honra caso sejam praticados contra as mulheres. Além do projeto do senador Ciro Nogueira (PP/PI), o PLS 47/2012, que prevê atendimento prioritário às vítimas de violência doméstica em delegacias e hospitais. 

Síndrome do Ovário Policístico: o que é, causas e tratamento

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Angélica Córdova

Jornalista, produtora de conteúdo para diferentes linguagens (texto, imagem e áudio, para web e impressos). Com 17 anos de experiência no mercado de comunicação, já atuou como repórter, editora e gestora de comunicação em agências de comunicação e veículos midiáticos. Tem mestrado em Comunicação na área de Jornalismo, suas narrativas e linguagens. Estudou a representação das mulheres do campo em veículos urbanos. Atua como professora universitária nos cursos de Jornalismo e Publicidade desde 2006. Já passou por diferentes faculdades e, atualmente, leciona no Uniceub e no IDP. Além disso, é repórter na Agência 61 de Rádio e tem uma agência de comunicação Olaria7, em que faz produção de conteúdo para contas de instituições ligadas ao setor produtivo, organizações do terceiro setor entre outras.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Mulheres

Ver editoria completa
Empreendedorismo feminino26 de outubro de 2026

Com bancada fortalecida, Rede Parlamentar Feminina dará início às articulações em 2027

Iniciativa do CMEC, em parceria com a CACB, pretende criar frente parlamentar e aproximar o setor produtivo para financiar mulheres empreendedoras

Empreendedorismo feminino20 de outubro de 2026

Empreendedoras apresentam demandas do setor produtivo a Celina Leão e parlamentares no DF

Encontro promovido pelo CMEC-DF debateu acesso ao crédito, qualificação profissional e políticas públicas para mulheres

⁠CACB15 de outubro de 2026

Simplificação tributária, crédito e independência feminina orientam manifesto entregue pelo CMEC a Flávio Bolsonaro

Documento reúne sete eixos estratégicos, defesa de pequenos negócios e prioridade para três projetos legislativos

t-page