Saúde
13/03/2023 19:45h

A herpes é uma infecção sexualmente transmissível (ISTs) que tem várias manifestações e pode causar uma série de incômodos, principalmente as conhecidas lesões que aparecem e somem, saiba mais sobre a doença

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Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 60% dos brasileiros  acima de 18 anos afirmam não usar preservativo  em relações sexuais. Em nenhuma vez. Com esse comportamento de risco,  as  Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) acabam se proliferando de forma rápida. Em 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, aproximadamente um milhão de pessoas afirmaram ter diagnóstico médico de ISTs. Essas doenças são causadas por vírus, bactérias e outros microorganismos, e são transmitidas principalmente por meio de relações sexuais desprevenidas.

Uma dessas ISTs é a herpes, que tem várias manifestações e pode causar uma série de transtornos, principalmente as conhecidas lesões que aparecem e somem com frequência. Uma pessoa sem lesões está curada? O vírus que causa herpes simples é o mesmo da genital? Como tratar a doença? Para sanar essa e outras dúvidas conversamos com a infectologista Joana D’Arc. Confira os principais trechos da conversa abaixo.

Brasil 61: Como identificar a herpes? 
Dra. Joana Darc: A infecção por herpes pode ser assintomática. Geralmente algumas pessoas vão desenvolver sintomas e outras não. Entre 13% e 37% das pessoas que se infectam são as que vão apresentar  alguma manifestação clínica, então é difícil muitas vezes você saber se uma pessoa tem ou não herpes.

Brasil 61: Quais são as diferenças da herpes simples e da herpes genital? 
JD: Existem vários tipos de herpes. O vírus é uma família, e a gente tem o herpes tipo 1, herpes tipo 2, o próprio citomegalovírus, o herpes  zóster, entre outros. Mas os mais comuns, que causam muito incômodo, são o herpes tipo 1 e o herpes tipo 2. 
Geralmente o tipo 1 ele acomete mais a mucosa oral, aquelas vesículas que aparecem na cavidade perioral e em outras partes do corpo. Já o tipo 2 é mais frequente em regiões de genitália, pênis, vagina e colo do útero.

Brasil 61: Quais os principais sintomas? 
JD: Os sintomas aparecem geralmente após 7 dias da infecção. São algumas manchas, uma base vermelha, e elas se tornam elevadas e formam umas vesículas que vão ter dentro um conteúdo transparente, que a gente chama de citrin. Elas podem surgir tanto na cavidade oral como na genitália, ou em alguma parte da pele. A primeira infecção, a “prima” da infecção, geralmente pode ser mais sintomática. A pessoa pode ter febre, mal estar, dor no corpo. 
Na mulher ela pode ter ardor para urinar, similar a uma infecção urinária. E se estiver no colo do útero pode ter algum corrimento por vezes até abundante. Também pode ter adenomegalia, que são aqueles caroços que aparecem na região urinal, 50% das pessoas podem ter esse tipo de manifestação. Esse quadro desaparece em torno de duas a três semanas, e aí depois dessa primeira infecção, entre 60% e 90% das pessoas, dependendo da população, você pode ter quadros de reativação após 12 meses. Essa reativação é o surgimento das vesículas, e esse surgimento das vesículas está associado a alguns fatores que podem estimular como calor, estresse, a menstruação, doenças imunosupressoras, algum evento infeccioso, isso acontece porque o vírus fica latente nas terminações nervosas.
Depois que você se infecta ele passa para essa região das terminações nervosas e aí fica quietinho e quando o seu organismo, por uma questão de redução de imunidade, ou algum fator externo, aí o vírus tem condições de replicar e acaba produzindo de novo as vesículas.

Brasil 61: O desaparecimento dos sintomas significa que a pessoa está curada?
JD: O desaparecimento do sintoma não significa que a pessoa está curada. Como eu falei, esse vírus fica latente nas terminações nervosas, e em algumas pessoas ele vai reativar, é quando reativar a gente precisa ter um tratamento tanto profilático quanto curativo, para aliviar as lesões, mas ele não vai desaparecer do nosso organismo.

Brasil 61: Como ocorre o contágio e como se prevenir? 
JD: A transmissão do herpes 1 e 2 é por contato com as secreções. Geralmente o herpes tipo 1 pode ser transmitido também ao compartilhar objetos como copos e talheres. Existe também a possibilidade de transmissão por meio de outros objetos, objetos sexuais, quando você compartilha. Mas uma das principais vias de transmissão, principalmente do herpes 2, é a sexual, porque é um momento de maior intimidade, maior proximidade, e aí o risco de transmissão dessas doenças de contato é maior.

Brasil 61: Como acontece o diagnóstico e qual a importância do diagnóstico precoce?
JD: O diagnóstico é clínico, por meio de sorologias, por meio de análise da secreção das vesículas para fazer o exame laboratorial por meio de biologia molecular para identificar o tipo de vírus que está acometendo o indivíduo, essas são basicamente para o diagnóstico.

Brasil 61: Para quem descobre que está infectado, tem cura e tratamento?
JD: O tratamento vai ser com antivirais para diminuir a proliferação e a exacerbação dessas lesões. Existem vários tipos de antivirais que são utilizados para essa fase aguda do paciente. Tem também um tratamento que a gente chama de supressão viral, que é por meio de antiviral, que a pessoa fica tomando a medicação por um período prolongado para diminuir a replicação viral e suprimir as reativações, e a gente tem também a intervenção nos fatores de risco, déficit nutricionais, desequilíbrios metabólicos, tudo o que pode estar levando o organismo a um desequilíbrio que possa favorecer a reativação das lesões. Então o tratamento é complexo e individualizado.

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04/01/2023 15:35h

Novo ministro promete iniciar as discussões com o Legislativo sobre a reforma tributária no mesmo mês

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) da Transição determinou que o governo Lula envie ao Congresso Nacional, até o fim de agosto deste ano, uma nova âncora fiscal para o país. Nesta terça-feira (03), o ministro da Fazenda Fernando Haddad anunciou que pretende iniciar as discussões com o Legislativo até o final de abril. Além do arcabouço fiscal, o novo minsitro disse que o prazo também vale para a discussão da reforma tributária. 

Em meio à incertezas de parte do mercado de ações, durante sua posse nessa segunda (02), Haddad prometeu que a nova regra vai abranger tanto a responsabilidade fiscal quanto o social. “O arcabouço fiscal que nós pretendemos remeter para o Congresso logo no primeiro momento, vai ter premissas confiáveis e demonstrar tecnicamente a sustentabilidade das nossas finanças. Um arcabouço que abraça o financiamento do guarda-chuva de programas prioritários do governo ao mesmo tempo que garanta a sustentabilidade da dívida pública”, garantiu o ministro.

Enquanto o novo teto de gastos não é apresentado pela equipe econômica do presidente Lula, o mercado sofre com essa indefinicação. Para a economista e professora de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni, essa dúvida consegue ser pior para os investidores do que a nova regra fiscal em si, seja essa como for. “Essa âncora fiscal, enquanto não for elaborada e tornada transparente, ela vai provocar um nível de especulação muito grande que aí você vê a reação do mercado fortemente”, explica a especialista. Segundo Beni, a expectativa é que a nova norma mude o aumento dos gastos públicos vinculado à inflação do ano anterior para uma porcentagem da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Jason Vieira, economista-chefe da consultora de investimentos Infinity, entende que a reformulação do teto de gastos por parte do Executivo que agora assume era esperada. “O novo governo precisa apresentar alguma coisa para tirar o teto dos gastos porque o teto dos gastos vem exatamente da necessidade de um problema que este mesmo governo criou em mandatos anteriores”, afirma o investidor, fazendo alusão ao período de Dilma Rousseff como presidente do Brasil. Vieira ainda defende que a nova âncora fiscal garanta um dos itens do tripé macroeconômico, que inclusive fez parte da política fiscal no primeiro mandato de Lula: o superávit primário, principalmente pela redução dos gastos públicos.

O teto de gastos

A regra do teto de gastos foi proposta pelo governo de Michel Temer (MDB) e promulgada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2016. A restrição fiscal imposta pelo Teto de Gastos visava conter a expansão de gastos primários, preservando a sustentabilidade das contas públicas. Dessa forma, ficou definido que as despesas obrigatórias não crescessem acima da variação da inflação.

“O sistema de âncora fiscal é muito utilizado em diversos países do mundo como uma forma de você manter uma salubridade nas contas públicas”, expõe o especialista em orçamento público, Cesar Lima, que continua: “é você manter uma dívida aceitável e pagável, é você manter despesas num nível aceitável de forma a não onerar demais o pagador de impostos e que, ao mesmo tempo, retribua para população em termos de serviço que eles pagam”.

A regra, no entanto, não impossibiltou o aumento dos gastos públicos. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV-Ibre) feito a pedido da BBC News Brasil, de 2019 a 2022, o governo de Jair Bolsonaro gastou R$ 794,9 bilhões acima do teto de gastos.

Para Lima, a limitação fiscal vigente é suficiente para um cenário econômico positivo, mas não leva em consideração outras circunstâncias. “Ela não leva em conta, por exemplo, o crescimento demográfico da população, que faz com que você tenha que, às vezes, ter um aumento maior em determinado tipo de despesa, principalmente em saúde, assistência social e educação. E num cenário ruim, o teto é pior ainda, que é um cenário de um momento recessivo na economia junto com um momento inflacionário. Então você teria uma queda de receitas pela recessão da economia e, ao mesmo tempo, uma possibilidade de aumento muito grande das despesas públicas, uma vez que o teto de gastos está atrelado ao IPCA, que é o que mede a inflação no nosso país”, alerta o professor.

Por fim, Lima entende que a falta da âncora fiscal, neste momento, não deve ser sentida pela população através do aumento dos preços dos produtos e serviços, uma vez que repercute mais quanto à liquidez do governo em arcar com seus compromissos fiscais.

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25/11/2022 04:00h

De acordo com o Ministério da Saúde, 1,8% da população doa sangue de forma regular

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Em 25 de novembro é celebrado o Dia Nacional do Doador de Sangue. A data tem como objetivo agradecer aos doadores pela ação e sensibilizar a população para a importância do ato, que pode salvar tantas vidas.

De acordo com o Ministério da Saúde, 1,8% da população doa sangue regularmente. O índice fica abaixo dos 2% ideais definidos pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e dos 5% registrados em países da Europa. 

Importância da doação

A doação de sangue é um gesto solidário, que pode salvar vidas. Pessoas que se submetem a tratamentos e intervenções médicas de grande porte e complexidade, como transfusões, transplantes, procedimentos oncológicos e cirurgias precisam dos bancos de sangue. Pacientes com doenças crônicas graves, como Talassemia e Doença Falciforme, também dependem das doações.

A hematologista do Hospital DF Star e responsável técnica pelo Banco de Sangue do Grupo GHS, Sanny Lira, informa que ainda não existe substituto disponível para o sangue. “A gente sabe que a transfusão de sangue é um dos procedimentos mais realizados em todos os hospitais no mundo inteiro. Então nós precisamos sempre de doadores de sangue,porque através desse sangue  nós conseguimos tratar e trazer esperança para todos os pacientes que dele precisam”.

Quem pode doar sangue?

A hematologista do hospital Sírio Libanês de Brasília, Martha Mariana, afirma que os requisitos básicos para a doação de sangue são: estar em boas condições de saúde, ou seja, não ter nenhuma doença ativa e ter entre 16 e 69 anos. É importante que apenas as pessoas com mais de 60 anos já tenham doado sangue alguma vez, pois não é permitido doar pela primeira vez após essa idade.

“Para menores de 18 anos, tem documentos especiais que são necessários e um formulário de autorização pelo responsável. A pessoa precisa pesar no mínimo 50kg para que a gente possa fazer a extração da quantidade de sangue que a gente precisa sem colocar esse doador em risco. Ele precisa estar descansado, é importante ter dormido pelo menos 6 a 8 horas nas últimas 24 horas. É importante que a pessoa que vai doar sangue não vá em jejum, que ela tenha se alimentado, porém evite alimentação gordurosa nas últimas 4 horas antes da doação e que leve um documento original com foto que permita a sua identificação, pode ser documento legalmente no Brasil”, completa.

Outras duas restrições para a doação são não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas anteriores e não fumar duas horas antes.

A assistente social responsável técnica pela captação de doadores de sangue do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Karla Savedra, orienta sobre pessoas que tiveram Covid-19 e estão em dúvida se podem doar.

“Quem teve covid, hoje o intervalo para poder realizar a doação de sangue é de 10 dias após o término dos sintomas apresentados na doença. E o intervalo para quem tomou a vacina é de sete dias para todos os fabricantes exceto a Coronavac, que o intervalo é de 48 horas para poder realizar a doação. Então se você apresentou os sintomas da doença 10 dias após pode fazer a doação e se você recebeu a vacina sete dias após”, informa.

Doação de sangue: mitos e verdades

Onde doar

Basta procurar as unidades de coleta de sangue, como os Hemocentros, para checar se você atende aos requisitos necessários. 
 

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18/11/2022 04:15h

PL 4416/2021 prorroga até 2028 o prazo para a aprovação de projetos beneficiados com incentivos fiscais nas áreas de atuação da Sudam e da Sudene

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Caso os incentivos fiscais concedidos nas áreas de atuação da Sudam e da Sudene sejam encerrados, a capacidade de investimento das empresas instaladas no Norte e Nordeste será reduzida substancialmente. A avaliação é do deputado federal João Daniel (PT-SE). O parlamentar é presidente da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e Amazônia (Cindra), onde aguarda análise o PL 4416/2021. 

A proposta prorroga de 2023 para 2028 o prazo para a aprovação de projetos beneficiados com incentivos fiscais de redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de reinvestimento de tributos nas áreas de atuação da Sudam e da Sudene. Segundo João Daniel, a medida precisa ser aprovada para, entre outros pontos, garantir emprego e dignidade aos cidadãos.

“Nós acreditamos que esse projeto pode contribuir para que haja mais investimentos e diminuição das desigualdades regionais. Somos a favor de incentivos que garantam o desenvolvimento nacional, dando prioridade às regiões que mais necessitam, especialmente, Nordeste e Norte”, considera. 

O economista e pesquisador vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, Felipe Queiroz, destaca que, historicamente, as regiões abrangidas pelos incentivos fiscais contam com menor investimento econômico e industrial e, consequentemente, carecem de uma maior participação do estado no fomento e no desenvolvimento da atividade econômica e financeira. 

“Entendemos que a medida é positiva, porque contribui para a manutenção das empresas que já estão instaladas na região. Por outro lado, devemos entender que essas medidas, de modo isolado, não contribuem para o desenvolvimento da região. Devem ser acompanhadas de investimento em infraestrutura, em educação e em saúde, por exemplo. A conjunção desses fatores contribuirá para o desenvolvimento econômico e social”, avalia.  

Sudam

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional. O objetivo da Sudam é promover desenvolvimento includente e sustentável para os habitantes da Amazônia Legal. 

A Sudam atua em quase 60% do território nacional, nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, considerando as riquezas naturais com diferentes biomas, a diversidade econômica, sociocultural, étnica e o potencial geopolítico e estratégico da região.

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Em relação aos projetos aprovados no exercício de 2021, no âmbito da Sudam, estima-se que o valor de investimentos existentes, desde a instalação das unidades, seja de quase R$ 13 bilhões em inversões fixas e R$ 26 bi em capital de giro. Já em relação aos empregos, as unidades incentivadas contam com um quadro de mão de obra total de 30.802 colaboradores, entre antigos e novos.

Quanto ao exercício de 2022, as inversões fixas somam R$ 7,7 bi e o capital de trabalho está na ordem de R$ 10 bilhões. Acerca da mão de obra, as unidades referentes aos projetos aprovados no exercício reportaram o quantitativo total de 18.164 colaboradores, entre antigos e novos.

Sudene

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) compõe um programa de desenvolvimento regional da região. O objetivo é promover a redução de desigualdades regionais no Brasil. Para isso, o governo federal criou o programa que realiza ações de empregabilidade e incentivos fiscais com o intuito de atrair investimento de empresas e a criação de emprego nas regiões contempladas.

A Diretoria Colegiada da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aprovou, do início de 2022 até o final de setembro, 231 pleitos de incentivos fiscais. De acordo com as companhias contempladas, foram investidos R$ 9,9 bilhões nas localidades onde tiveram seus empreendimentos implantados. Essas empresas são responsáveis pela manutenção de 122 mil empregos, dos quais 11.848 são novos postos de trabalho. 

Entre 2013 e 2020, mais de 1,2 milhão de empregos foram gerados. Além disso, mais de R$ 247,7 bilhões foram investidos na região. Ainda de acordo com a Sudene, para cada R$ 1 real de renúncia são contabilizados R$ 8,15 reais em investimentos.  
 

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15/11/2022 20:29h

Além do Distrito Federal, pelo menos onze estados registraram movimentação nas ruas, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco, Pará, Bahia e Mato Grosso do Sul

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Munidos com bandeiras do Brasil e vestidos de verde e amarelo, manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro foram às ruas das principais cidades do país, nesta terça-feira (15). Os atos, que ocorreram durante o feriado da Proclamação da República, protestam contra o resultado das eleições de 2022, nas quais Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito o próximo presidente da República. 

Além do Distrito Federal, pelo menos onze estados registraram movimentação nas ruas, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco, Pará, Bahia e Mato Grosso do Sul.

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Em Brasília, os manifestantes se reuniram principalmente no Setor Militar Urbano. Fernando Braga veio de Maringá, no Paraná, e se hospedou em um hotel na área central da capital.  “Eu vim exclusivamente para a manifestação. Chegamos no domingo de madrugada, andamos 1.500 quilômetros de carro, 15 horas de viagem”, contou.

Outro manifestante que não quis ser identificado pelo sobrenome foi Thiago, que partiu de Sinop, em Mato Grosso (MT), para a capital do Brasil. “Viemos lutar pela nossa causa. Para o nosso setor é muito ruim, porque ele [Lula] já demonstrou desde o começo que tem uma certa mágoa com o agronegócio, por ser um setor mais voltado para a direita”, afirmou.

(Daniel Fachin, de Toledo (PR), presente nas manifestações em Brasília, durante o Feriado de Proclamação da República)

 

No QG do Exército, no Setor Militar Urbano, se concentraram os manifestantes. Era onde estava o representante comercial Jorgival Ribeiro Nobre: “As propostas aqui são muito diversificadas, porque não há uma liderança fixa em torno disso.”

“Hoje, encontrei com gente do Pará, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Ceará. O Brasil inteiro está aqui. Tem índios e pessoas de fora também, venezuelanos e portugueses, por exemplo”, constatou Raphael Santos, empresário em Brasília. 

Também houve registro de atos em Juiz de Fora (MG). As manifestações ocorreram em frente ao QG da cidade. O consultor Marco Gama viu a manifestação como uma expressão legítima e destacou que não houve violência. 

“É uma forma de demonstrar e exteriorizar esse sentimento de orfandade. Pude observar que o pessoal estava muito tranquilo, muito pacífico, ninguém agrediu ninguém ou xingou partido. Eu acredito que, dentro de uma democracia, isso é muito bacana”, considerou. 

(MANIFESTAÇÃO EM JUIZ DE FORA)

O advogado especialista em direito público, Fabio Tavares Sobreira, considera que as manifestações são legítimas, uma vez que não chocam com determinações previstas no texto constitucional. 

“Qualquer cidadão que prima pela lei e pelo comando de nossa constituição cidadã reconhece a legitimidade das manifestações. A própria lei, respaldada no texto constitucional dispõe que não constitui crime a manifestação crítica aos poderes constitucionais, nem mesmo a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais”, destaca. 

Segundo o especialista em direito eleitoral, Alexandre Rollo, protestos com críticas ao governo não configuram crime, porém, atos violentos ou que atentem contra a democracia podem resultar em prisão.

“O limite das manifestações está na própria Constituição. As manifestações precisam ser pacíficas, e há limites também em relação ao conteúdo. A manifestação pode ocorrer, mas dependendo do que está sendo pregado, podem acontecer, por exemplo, figuras criminosas, crimes, inclusive, contra a segurança nacional”, explica. 
 

(Reprodução: Redes Sociais)

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Meio Ambiente
15/11/2022 04:00h

Levantamento da CNI com empresários do setor aponta que as empresas estão mais comprometidas com iniciativas que impactem positivamente o meio ambiente e a sociedade, além da adoção de políticas de governança transparentes e responsáveis

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Cerca de 85% das indústrias brasileiras já formalizaram o compromisso ou pretendem implementar os critérios ESG em seus processos de produção. É o que aponta uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com cerca de mil empresários do setor.

ESG (sigla em inglês para Environmental, Social e Governance) corresponde a um conjunto de critérios que indicam o comprometimento das empresas com iniciativas que impactem positivamente o meio ambiente e a sociedade, além da adoção de políticas de governança transparentes e responsáveis. 

Apenas 13% dos empresários disseram que a adoção desses critérios não faz parte da estratégia ou não está em planejamento pelas suas empresas. Segundo a entidade, esse e outros dados foram preparados para serem divulgados durante a COP 27, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre no Egito até 18 de novembro. 

Nove em cada dez empresários disseram que os critérios ESG são muito importantes para os seus negócios. Na última pesquisa, realizada no ano passado, cerca de oito em cada dez empresários tinham a mesma opinião. 

Ainda a respeito de ESG, a CNI perguntou aos industriais quais critérios são os mais importantes para suas respectivas indústrias. Os entrevistados puderam citar até dois critérios. Cerca de 65% dos industriais elencaram como primeira ou segunda opção que as iniciativas sociais, relativas ao impacto social na comunidade são as mais importantes para as suas empresas. Houve, portanto, uma mudança em relação ao último levantamento, em que os aspectos ambientais, relativos ao impacto ambiental da empresa, foram os mais lembrados pelos executivos, com 70%. 

Cerca de 60% das indústrias brasileiras têm área dedicada à sustentabilidade

Meio ambiente, social e governança 

De acordo com a pesquisa, aumentou o número de empresários da indústria que veem as ações de sustentabilidade como uma agenda de “só oportunidades” ou de “mais oportunidades do que riscos” para o setor. No ano passado, 30% dos industriais tinham essa perspectiva positiva. Agora, são 47%. 

Já a quantidade daqueles que consideravam que a sustentabilidade representa “só riscos” ou “mais riscos do que oportunidades” diminuiu de 23% para 7%. O gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, afirma que já é possível perceber a preocupação da indústria com a sustentabilidade no dia a dia. 

“A indústria é parte da solução. Podemos perceber no nosso dia a dia uma máquina de lavar que consome menos água, um ar-condicionado que consome menos energia. Tudo isso mostra o papel que a indústria vem fazendo em relação a uma agenda de sustentabilidade”, acredita. 

Poder público, setor produtivo e agenda de sustentabilidade

Os industriais responderam, como primeira ou segunda opção, que a redução de custos é o principal motivo para o setor investir em ações voltadas à sustentabilidade. O aumento da competitividade e o atendimento a exigências regulatórias vieram em seguida.

Na avaliação dos empresários, a falta de incentivos do governo é o maior obstáculo para investimentos em sustentabilidade no setor industrial. A falta de uma cultura de sustentabilidade do mercado consumidor e o fato de representar custos adicionais vêm logo após como os empecilhos mais lembrados. 

Segundo o levantamento, 16% das indústrias buscaram crédito público para investir em ações mais sustentáveis na produção nos últimos dois anos. Dessas, apenas 6% conseguiram financiamento. Em relação ao crédito privado com esse objetivo, 23% dos industriais tentaram. Desses, 15% tiveram êxito.

Confira o cruzamento dessas informações abaixo: 

Arte: Brasil 61

Entre os motivos para buscar crédito privado, o uso de fontes renováveis de energia foi citado por 47% dos participantes. Em seguida veio o aprimoramento de processos (16%) e a modernização de máquinas para melhoria de produtividade e aspectos ambientais (14%). Para 55% dos entrevistados, o acesso ao crédito para implementar ações sustentáveis no Brasil é “difícil” ou “muito difícil”

Amostra

Participaram da pesquisa executivos de 1.004 indústrias de pequeno, médio e grande portes de todas as regiões brasileiras. As entrevistas ocorreram entre 6 e 21 de outubro de 2022. 

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14/11/2022 13:00h

Desde a MP 1065/2021, já foram recebidos 80 requerimentos, que resultaram na assinatura de 27 contratos de autorizações. Isso corresponde a 9.923 novos quilômetros de ferrovias

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A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a celebração de cinco novos contratos de adesão para outorgar, por meio de autorização ferroviária, a construção e exploração de estradas de ferro nos estados de Mato Grosso, Bahia e Goiás. A cerimônia de assinatura dos contratos ocorreu no último dia 26 de outubro.

Confira quais são os cinco trechos objetos dos contratos

  • Primavera do Leste/MT e Ribeirão Cascalheira/MT (Rumo S.A.)
  • Corumbá de Goiás/GO e Anápolis/GO (Petrocity Ferrovias Ltda.)
  • Eduardo Magalhães/BA e Barreiras/BA (VLI Multimodal S.A.)
  • Rita do Trivelato/MT e Sinop/MT (Rumo S.A.)
  • Correntina/BA e Arrojolândia/BA (VLI Multimodal S.A.)

A professora do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco, Viviane Falcão, avalia que o investimento em ferrovias é uma medida importante para a economia do país. Para ela, é um modal que pode, inclusive, contribuir para a redução de preços de determinados produtos.

“Se eu tenho um produto que está sendo deslocado com o menor custo possível de transporte, significa que esse produto, quando chegar no consumidor final, a tendência é que tenha um custo menor. A base econômica brasileira é majoritariamente de produtos de baixo valor agregado, as commodities. São produtos que, normalmente, ocupam um grande volume e têm um grande peso. Para esse tipo de carga, o modo de transporte terrestre considerado mais viável é a ferrovia”, destaca.

Autorizações ferroviárias

As autorizações das ferrovias começaram a partir da entrada em vigor da medida provisória 1065/2021. Foram recebidos 80 requerimentos durante a vigência da MP, que resultaram na assinatura de 27 contratos de autorizações. Isso corresponde a 9.923 de novos quilômetros de ferrovias. Os investimentos desses empreendimentos chegam a R$ 133 bilhões.

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Com o fim da MP,  foi publicada a Lei 14.273/2021, há pouco  regulamentada pela Resolução ANTT 5.987/2022. Em cerca de  um mês de vigência da resolução, foram solicitadas 15 novas autorizações e complementada a documentação de mais de 20 pedidos feitos durante a MP 1065/2021.

De acordo com estimativa do Ministério da Infraestrutura, em 30 anos  as ferrovias autorizadas devem aumentar a participação do modal no transporte de cargas do Brasil acima dos 40% esperados para o período na última edição do Plano Nacional de Logística (PNL). 
 

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14/11/2022 12:30h

Dados são do Boletim Mensal de Energia de Julho, apresentados pelo Ministério de Minas e Energia em outubro

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A capacidade instalada de energia fotovoltaica referente à geração distribuída (GD), em relação a 2021, teve aumento de 80%, segundo o boletim do Ministério de Minas e Energia (MME), publicado em outubro deste ano. O dado é do mês de julho de 2022. 

Ainda de acordo com a pasta, o aumento da geração distribuída é reflexo de políticas públicas de incentivo às fontes de energia renováveis - aquelas obtidas por meio da água dos rios, do sol, vento e matéria orgânica - e da micro e minigeração distribuída, ou seja, placas solares. A microgeração de energia está restrita à captação de luz solar em residências ou ambientes de pequeno porte. Já a produção de energia de minigeração atinge locais como condomínios verticais ou horizontais. 

Na avaliação de João Daniel de Andrade Cascalho, secretário adjunto de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, o percentual positivo foi conquistado devido às articulações do governo junto ao parlamento brasileiro. Entre as normas estão as leis 13.203/2015 e 14.300/2022. 
“A energia solar tem tido um crescimento muito significativo nos últimos anos, de 2021 para 2022, nos últimos 12 meses foi de praticamente 80%”, afirma Cascalho. “Muito em função de resultados positivos obtidos em leilões de energia e também pela política feita no Congresso, que o governo federal participou, em relação à geração distribuída que teve crescimento bastante significativo”, destaca, 

O gestor destaca que só em 2022 foi atingida a marca de 14 gigawatts instaladas, o que promete bons resultados no futuro, para o setor . “Que é equivalente, por exemplo, à usina de Itaipu. E aí um crescimento bastante significativo com perspectivas boas para os próximos anos”, salienta o secretário adjunto de Energia Elétrica do MME. 

Uso de energia solar proporciona economia de até 98% na conta de luz

Número de empregos em energia solar térmica deve crescer 22% em 2022

Geração distribuída ou simplesmente GD é o termo dado à energia elétrica gerada no local de consumo ou próxima a ele, sendo válida para diversas fontes de energia renováveis. Ou seja, tanto energia solar, eólica e hídrica. No Brasil, o Artigo 14 do Decreto de Lei nº 5.163 de 2004, determina:  “Considera-se como geração distribuída a produção de energia elétrica proveniente de agentes concessionários, permissionários ou autorizados, conectados diretamente no sistema elétrico de distribuição do comprador”. 

A oferta de energia hidráulica obtida pela força da movimentação de água corrente segue apresentando tendência de crescimento, de 7,6% no ano, aponta o MME, mesmo com recuo da importação de Itaipu, de 13,8%. 

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14/11/2022 04:30h

Levantamento da Confederação Nacional de Municípios(CNM) aponta desafios e dificuldades para o 5G. Mais de 40% dos municípios não possuem normas específicas para a instalação de antenas de telefonia e internet. Em 64% falta corpo técnico

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Segundo levantamento da  Confederação Nacional de Municípios (CNM), entre os principais problemas verificados para a instalação do 5G nas cidades estão a ausência de normas locais, a falta de cadastros digitais e integrados, além da  necessidade de técnicos capazes de fazer a atualização. 

O levantamento da CNM aponta os desafios das cidades de todo o país no que diz respeito à atualização das legislações locais e simplificação dos procedimentos de licenciamento para a instalação de antenas de 5G e ampliação da cobertura 4G. O cronograma de ativação da rede 5G deve avançar para cidades médias e pequenas, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), entre 2023 e 2029.

Pouco mais de 40% dos municípios não possuem normas específicas para a instalação de antenas de telefonia e internet, 72% das localidades não possuem estruturas integradas para o licenciamento e 64% dos gestores apontaram a falta de corpo técnico para realizar as adequações das normas locais e dos procedimentos de licenciamento.

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Silêncio Positivo

A pesquisa identificou que aproximadamente 47% dos municípios afirmaram que não estão estruturados para atender às solicitações das empresas, considerando o prazo limite de 60 dias. Ou seja,  essas cidades não têm condições de realizar os procedimentos, fluxos e gestão das informações no que tange às solicitações de requerimentos, sejam as de cadastramento, dispensa ou as que necessitam de trâmites de licenciamento para gestão da informação e subsídios para fiscalização de controle urbano, dentro desse prazo limite estipulado.

O prazo é conhecido como “silêncio positivo”, um dispositivo da Lei Federal das Antenas que permite a instalação da infraestrutura pela operadora, caso a administração pública não se manifeste em até 60 dias. Nessas situações, a legislação prevê o licenciamento tácito, ou seja, temporário, mas seguindo todas as leis e regras municipais, estaduais e federais estipuladas no requerimento.

O coordenador de infraestrutura da Conexis Brasil Digital, Diogo Della Torres, representante das principais operadoras de telefonia do país, pede que os gestores dos municípios fiquem atentos à necessidade de as leis locais se adequarem à lei federal de antenas.

“Uma das coisas que compõem essas regras, diretrizes da Lei Federal, é um prazo máximo de 60 dias para o município conceder o licenciamento. Que o processo seja simplificado e integrado, ou seja, que a detentora faça a solicitação do licenciamento num único órgão da prefeitura e este órgão faça a consulta a outros, se for aplicável. Que a vigência do licenciamento não seja inferior a dez anos, entre outros vários regramentos federais. Então, é importantíssimo que todos os municípios estejam atentos a essa atualização de suas legislações para que os investimentos cheguem ao seu município e possam rapidamente se traduzir em desenvolvimento tecnológico para todos os cidadãos”, explica o coordenador da Conexis Brasil.

De acordo com a CNM, os desafios listados pelas prefeituras apresentaram interface direta com a gestão e capacidades administrativas e institucionais dos municípios e evidenciam a necessidade de programas mais robustos na esfera estadual e federal, programas de capacitação de gestão, administrativa, técnica e modernização fiscal/urbana.

Para apoiar os municípios no processo de revisão das normas, a área de Planejamento Territorial e Habitação da CNM tem promovido, de maneira gratuita, seminários técnicos com especialistas no tema. Além disso, a entidade lançou a publicação “Licenciamento de antenas e infraestrutura de suporte para telefonia e internet”. O material tem o objetivo de auxiliar os gestores locais na atualização das legislações urbanísticas para viabilizar a tecnologia 5G.

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14/11/2022 04:15h

Em entrevista ao Brasil 61, Estêvão Kopschitz, coordenador de conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), disse que as perspectivas de crescimento em 2022 são boas e o PIB pode fechar o ano com aumento de 2,8%

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) vê com otimismo a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Segundo nova previsão divulgada pelo instituto no final de setembro, a economia brasileira está se recuperando e superando as expectativas, com possibilidade de fechar 2022 com crescimento de 2,8%.

De acordo com o coordenador de conjuntura do Ipea, Estêvão Kopschitz, o principal setor que vem puxando o crescimento do PIB é o de serviços, segmento que sofreu forte impacto da pandemia por depender da mobilidade da população.

No entanto, o especialista também alerta que o Brasil pode sofrer impacto de uma possível recessão mundial nos próximos anos, devido à guerra na Ucrânia e a alta inflação nos Estados Unidos e países europeus. 

"Apesar de a indústria e do serviço sofrerem com a recessão mundial e com os efeitos do aperto da nossa própria política monetária, a gente acredita que o setor agropecuário vai compensar isso um pouco e nossa previsão para 2023 é de 1,6% [de crescimento do PIB] para o ano que vem.”, afirma o coordenador.  

Mas, afinal, o otimismo em relação à recuperação do PIB brasileiro se mostra sustentável a médio e longo prazo? Quais setores podem despontar nos próximos anos e auxiliar nesse crescimento? Confira abaixo as respostas do coordenador de conjuntura do Ipea, Estêvão Kopschitz, em entrevista ao portal Brasil 61.

Brasil 61: O Ipea divulgou no final de setembro uma nova previsão de crescimento do PIB para este ano. O que motivou essa nova perspectiva de crescimento?

Estêvão Kopschit: “O principal fator para o crescimento do PIB este ano vem do setor de serviços, porque a agropecuária deve apresentar uma pequena queda, ligada a problemas em algumas safras. A indústria, um pequeno crescimento. Serviços é o setor que demora mais a se recuperar da pandemia, porque são os que dependem mais da mobilidade. Então eles tinham mais espaço para crescer, mas, em vários  casos, já até ultrapassamos o nível anterior à pandemia. Esse consumo, justamente num primeiro momento, lá ainda em 2020, 2021, com a dificuldade de consumir serviços por causa da pandemia, ele migrou para bens, então, construção civil, bens de consumo duráveis cresceram antes e depois começou essa normalização porque hoje a maior parte do PIB é de serviços. Então o consumo das famílias voltou a crescer, dessa vez consumindo serviço, é basicamente isso. O Ipea já vinha com uma previsão para 2022  acima da média  do mercado, nas nossas previsões mostraram otimismo, era uma previsão de maior crescimento e ainda assim fomos surpreendidos com um crescimento ainda maior, então parte do crescimento dos 2022 é também pelo que já observamos.”

Brasil 61: Essa perspectiva de crescimento do PIB se mostra sustentável a médio e longo prazo?

EK: Para 2022, a nossa previsão hoje é de 2,8% de crescimento do PIB. Sendo que, hoje, a maioria dos analistas de departamentos econômicos de instituições financeiras estão em torno desse número também de 2,7%  ou 2,8%, alguns até 3%, mas é nessa vizinhança aí. Para 2023 deve haver um crescimento menor do que em 2022, o mercado tem apostado no crescimento, bem menor, de 0,5%. Nossa previsão é de 1,6%, primeiro porque a desaceleração virá, principalmente, por dois motivos: a economia mundial está se desacelerando, pode haver até uma recessão, mas independente de haver ou não uma recessão, que é um número negativo no crescimento do PIB,  a economia mundial vai crescer bem menos do que esse previsto, já é um fato. Primeiro, porque continuam os problemas na Europa, trazidos pela guerra [na Ucrânia], de dificuldades de fornecimento de energia por causa, principalmente, do corte de gás pela Rússia, segundo porque a inflação está muito alta nos Estados Unidos, na Europa, e no Reino Unido, estão da ordem de 8%, 9%, 10% que são números muito altos para esses países e não se via isso há muitas décadas. Então, de um lado, o Brasil vai ter um ambiente mundial bem menos favorável nesse fim de 2022 e durante o ano que vem.

Brasil 61: O setor agropecuário vem enfrentando um recuo neste ano. No entanto, a previsão do IPEA para o setor em 2023 é de um crescimento de 10,9%. O que está por trás dessa perspectiva de recuperação?

EK: Essa nossa previsão está baseada na previsão de safra da Conab, porque ainda não saiu a do IBGE, então está condicionado a essa previsão da Conab. O principal é um ganho na soja, que é o principal produto e também no milho. Em outros anos que esses produtos tiveram um aumento de produção, de PIB muito grande, que esses produtos específicos tiveram um aumento grande. O PIB da agropecuária também foi forte, então a gente está baseado nisso e também num cenário de normalidade do clima, porque a agricultura está sempre sujeita a intempéries, a secas, geadas que podem acontecer, mas no momento não tem nenhuma expectativa de fenômenos climáticos atípicos para ano que vem.
 
Brasil 61: Os setores que hoje estão puxando o aumento do PIB tendem a continuar sendo os principais setores no crescimento do indicador ou outros segmentos tendem a despontar nos próximos anos?

EK: “Para a gente ter um crescimento sustentado, de ter um arcabouço macroeconômico estável na parte fiscal, câmbio flutuante, a âncora da inflação, da meta de inflação, a gente deveria caminhar para mais alguma abertura comercial, prosseguir provavelmente em privatizações, tudo isso são medidas que aumentam a eficiência da economia em crescimento. Está muito ligado à eficiência e também se preocupar mais com a educação, porque depois que os países passam por fases de crescimento - devidos ao aumento de capital, migração da população do campo para a cidade - como já aconteceu no Brasil a décadas atrás, e aconteceu na China recentemente, vem acontecendo na Índia, o que proporciona o crescimento é o aumento de produtividade e isso costuma estar ligado à educação.  No Brasil aconteceu um fenômeno um pouco diferente, que nós conseguimos aumentar a escolaridade da população em alguns anos, mas não houve um correspondente aumento de produtividade como aconteceu em países que investiram na educação, como Chile e Coreia do Sul, por exemplo. Então acho que a educação tem que ser um grande tema assim como ciência, tecnologia, coisas que tragam aumento de produtividade.”

Confira a entrevista completa:

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