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TERMO DE USO E PARCERIA

TERMO DE USO E PARCERIA

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a) A utilização do material - na íntegra, ou em partes - só será permitida desde que as informações não sejam distorcidas, manipuladas ou alteradas.

b) Não é necessário a identificação do Brasil 61 na hora da replicação do conteúdo. Mas toda e qualquer veiculação de áudios produzidos pelo Brasil 61 prevê o cadastro no site, com a disponibilização de dados que serão utilizados para a organização do mailing desta empresa,

2º - OBRIGAÇÕES DO BRASIL 61

a) O Brasil 61 se compromete, a partir deste termo de uso, a produzir conteúdo particularizado diariamente, trazendo informações de dia-a-dia e bastidores do Planalto Central, além de outras temáticas de relevância do noticiário nacional. 

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3º - OBRIGAÇÕES DOS COMUNICADORES PARCEIROS

Não alterar o sentido dos materiais, ou distorcer fala de entrevistados ou mudar a conotação das mensagens dos materiais. 

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a) O Brasil 61 poderá distribuir conteúdo patrocinado com ou sem assinatura dos clientes patrocinadores do boletim e sem aviso prévio ao comunicador. 

b) As rádios parceiras não vão ter participação financeira sobre o faturamento do Brasil 61.

c) Os comunicadores podem patrocinar os conteúdos do Brasil 61, desde que não alterem o sentido e a conotação dos conteúdos oferecidos. Nesses casos, o Brasil 61 não terá participação nos lucros conquistados pelos veículos parceiros. 

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 Última atualização: 24 de dezembro de 2020 

24/07/2021 15:40h

O Sotrovimab é um anticorpo monoclonal, o prazo de análise do pedido de uso emergencial do medicamento é de 30 dias e não considera o tempo do processo em status de exigência técnica

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu o pedido de uso emergencial do medicamento Sotrovimab, um anticorpo monoclonal para tratamento da Covid-19. O remédio não teve estudos clínicos conduzidos no Brasil até o momento, o estudo que suporta o pedido foi realizado globalmente e recrutou 1062 participantes, sendo 22 em centros de pesquisa brasileiros.

O diretor geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, explicou a ação do medicamento. “É um anticorpo, que é fabricado em laboratório para fazer a mesma função que um anticorpo produzido naturalmente, ou seja, neutralizar o vírus. E a proposta da empresa é que esse anticorpo consiga prevenir a hospitalização e mortes em até 85% se aplicados naqueles casos leves a moderados”, disse.

Os anticorpos são proteínas produzidas no organismo que ajudam o sistema imunológico a combater vírus, bactérias e câncer por meio do reconhecimento de antígenos. Com o avanço da biotecnologia, foi possível produzir em laboratório anticorpos monoclonais, ou seja, específicos para uma única região do antígeno.

A nova tecnologia tornou os anticorpos monoclonais importantes ferramentas de diagnóstico em diversos exames laboratoriais. Mais recentemente, os anticorpos monoclonais também têm sido aplicados de maneira promissora na terapia de diversas doenças, sendo largamente utilizados para o tratamento de diversos tipos de câncer.

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No caso do coronavírus, o medicamento deve ser usado nos primeiros estágios da infecção. A FDA (Food and Drug Administration, autoridade sanitária dos EUA) aprovou o uso emergencial do Sotrovimab em 26 de maio.

Análise e prazo

O prazo de análise do pedido de uso emergencial do medicamento no Brasil é de 30 dias e não considera o tempo do processo em status de exigência técnica, ou seja, quando o laboratório precisa responder questões técnicas feitas pela agência dentro do processo.

Segundo o infectologista do Hospital Anchieta de Brasília, Cesar Carranza, além das vacinas, outros medicamentos que estão no radar para o tratamento do coronavírus são justamente os anticorpos monoclonais. “Os outros medicamentos tem um mecanismo de ação parecido, eles bloqueiam a ação do coronavírus nos primeiros momentos da infecção. Tem o casirivimabe imdevimabe, tem o banlanivimabe etesevimabe. São medicamentos com nomes bastante difíceis até de pronunciar que são as terapias mais promissoras do momento”, afirmou. 

A análise é feita por uma equipe multidisciplinar que envolve especialistas das áreas de Registro, Monitoramento e Inspeção de medicamentos. A equipe vem atuando de forma integrada em todos os processos de avaliação de medicamentos e vacinas para combate à Covid-19.

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24/07/2021 05:00h

O Programa de Apoio à Conformidade Tributária (PAC/PJ) propõe ações prévias de orientação para incentivar a conformidade tributária, evitando assim riscos fiscais

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Com o intuito de ajudar pessoas jurídicas no cumprimento de suas obrigações tributárias, a Receita Federal lançou o Programa de Apoio à Conformidade Tributária (PAC/PJ). A iniciativa propõe ações prévias de orientação para incentivar a conformidade tributária, evitando assim riscos fiscais. 

É uma oportunidade para as empresas se adequarem à legislação, sem que haja necessidade da instauração de procedimentos de fiscalização e litígios que demoram para serem resolvidos.

Segundo o auditor fiscal da Receita, Altemir Linhares, o envio dessas informações está sendo feito prioritariamente para os contribuintes que fizeram a declaração passada com grandes inconsistências. “É uma ação inovadora da Receita Federal e que tem como objetivo estimular o preenchimento correto da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) 2021, que apura o imposto de renda da pessoa jurídica em relação ao ano de 2020. Essa escrituração vai ser encaminhada até o final do mês de setembro”, disse. 

Nas notificações constam informações importantes para o preenchimento da escrituração, como informações prestadas pelas administradoras de cartão de crédito, notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa, informações das movimentações bancárias, entre outros. 

Confira as mudanças propostas na reforma do Imposto de Renda

Pronampe reabre contratações para apoiar o fortalecimento dos microempreendedores

Não há exatamente uma adesão, os contribuintes devem fazer o acesso constante das suas caixas eletrônicas do portal da Receita, onde vão encontrar eventualmente as notificações para regularização. Toda empresa que tenha acesso ao portal eletrônico e-CAC deve fazer constantemente a consulta para se certificar que não há nenhum tipo de inconformidade. 

Já foram expedidas mais de 45 mil Comunicações de Dados a Escriturar, referente a receitas auferidas no ano de 2020 superiores a R$ 1.000,00 e/ou recebimento de recursos em contas correntes bancárias superiores a R$ 10 mil.

Para o advogado especialista em Direito Tributário, Eduardo Natal, as pequenas empresas devem ser as maiores beneficiadas, visto que elas nem sempre tem um staff de pessoas para poder verificar esse compliance fiscal com o vigor que é exigido. Ele destacou ainda que o Brasil é campeão de burocracia fiscal e que iniciativa da Receita é uma notificação amigável antes de eventualmente multar as empresas. 

“Acaba obrigando o contribuinte a uma sobreposição de declarações, informações extensas, isso gera um custo de compliance para empresas enormes que precisa ser objeto de uma revisão, quem sabe em uma reforma tributária”, pontuou. 

Se o contribuinte eventualmente não concordar com o valor que está naquela informação, a orientação da Receita é que ele procure quem prestou a informação. Por exemplo, quando se trata de dados de cartão de crédito, procurar a prestadora de serviços do cartão.

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24/07/2021 03:00h

Também será fornecido lenço umedecido, desodorante sem perfume, sabonete, escova de dentes, creme dental e fio dental. Relatório aponta que mais de 4 milhões de meninas no país não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas

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Uma lei aprovada pelo governo de São Paulo garante a distribuição de absorventes descartáveis às alunas da rede municipal do estado. O Projeto de Lei (PL) 388 de 2021, garante também o fornecimento de cestas de higiene contendo lenço umedecido, desodorante sem perfume, sabonete, escova de dentes, creme dental e fio dental.

A proposta é de autoria do poder executivo municipal com o intuito de evitar a evasão escolar. “Pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indica que as alunas do ensino fundamental faltam às aulas no período menstrual no Brasil. Portanto, o projeto além de garantir que todas elas sejam assistidas no seu cuidado pessoal, possibilita que as estudantes não tenham prejuízos à vida escolar e à aprendizagem”, diz o texto da lei.

A aprovação do projeto teve 54 votos favoráveis e uma abstenção pela Câmara Municipal de São Paulo. A vereadora Luana Alves (PSOL/SP), favorável ao projeto, destaca que a distribuição de absorventes tem a capacidade de reduzir a evasão escolar, mas que não soluciona a pobreza menstrual. “A gente sabe que a desigualdade de gênero é complexa e envolve não só ter o absorvente, envolve toda a questão que se tem em torno do que é a menstruação, o tabu de se falar sobre isso envolve muitas coisas, mas sem dúvidas, esse projeto ajuda muito.”

Ainda de acordo com a vereadora, existem outras políticas públicas que são importantes a respeito do tema. “No momento de crise que estamos vivendo, as pessoas que menstruam, mulheres cis e homens trans terem direito ao absorvente é fundamental. Isso passa não apenas pela política de educação, passa por distribuição em UBS, assim como se tem fraldas, camisinhas, passa por ter na cesta básica também, que para nós é fundamental. Então, por exemplo, São Paulo tem o programa Cidade Solidária, que são doações de cestas básicas e seria possível incluir absorvente para pessoas que menstruam”, destaca Luana Alves 

Pobreza menstrual

O relatório ‘Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos’ do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), aponta que no Brasil mais de 4 milhões de meninas não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas e cerca de 713 mil vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio, o que caracteriza a pobreza menstrual.

A oficial de programas do UNICEF no Brasil, Rayanne França, explica que a pobreza menstrual não significa apenas a falta de itens para conter o sangramento. “A pobreza menstrual é a falta de insumos que seriam absorventes, calcinhas menstruais e protetores diários. Mas também é a falta de acesso a estruturas como chuveiros, banheiros adequados, sanitários, acesso a água e sabonete para que essas pessoas possam viver de uma maneira digna o seu período menstrual.”

Outros pontos destacados pelo relatório presentes na realidade de muitas meninas e que caracterizam a pobreza menstrual é a falta de saneamento básico (água encanada e esgotamento sanitário), coleta de lixo, falta de acesso a medicamentos para administrar problemas menstruais e/ou carência de serviços médicos, insuficiência ou incorreção nas informações sobre a saúde menstrual e autoconhecimento sobre o corpo e os ciclos menstruais.

Outros fatores também relacionados são os tabus e preconceitos sobre a menstruação que resultam na segregação de pessoas que menstruam de diversas áreas da vida social. Questões econômicas como, por exemplo, a tributação sobre os produtos menstruais e a mercantilização dos tabus sobre a menstruação com a finalidade de vender produtos desnecessários e que podem fazer mal à saúde.

Rayanne França explica que o tabu em torno do assunto precisa ser quebrado e mais discutido. “Precisamos falar sobre menstruação dentro das escolas, até para se tornar um ambiente seguro para que as pessoas que menstruam se sintam seguras dentro desse ambiente.”

Com relação a estrutura nas escolas, cerca de 321 mil alunas estudam em unidades de ensino que não possuem banheiro em condições de uso, dentre as quais, 121 mil meninas estão no Nordeste, ou seja, 37,8% do total estudam em escolas sem banheiro. Nas escolas rurais, essa porcentagem é de 6,4%.

Na região Norte o percentual de meninas sem acesso ao banheiro nas escolas chega a quase 8,4%. Nas redes de ensino públicas estaduais são 249 mil estudantes nessa situação, o que representa 77,6%.

A falta de papel higiênico, pia e sabão também foram consideradas no relatório. Quanto a estar totalmente desassistida de itens para a higiene pessoal nas escolas, os estados com os maiores percentuais são Acre (5,74%), Maranhão (4,8%), Roraima (4,13%), Piauí (4%) e Mato Grosso do Sul (3,61%).

Ainda de acordo com o estudo, a chance de uma menina negra não ter acesso ao banheiro é quase três vezes maior que a chance de encontrar uma menina branca nas mesmas condições.

Além das dificuldades encontradas nas escolas, outra situação é a falta de água no domicílio das alunas. Mais de 900 mil meninas (5,84% do total estimado) estão em uma situação em que não têm acesso a água canalizada em pelo menos um cômodo dentro de casa, apenas nos seus terrenos. Em uma condição de vulnerabilidade ainda mais extrema estão as mais de 570 mil meninas (3,7%) que não possuem qualquer acesso a água canalizada, nem no terreno. 

Vale salientar ainda que 2,8 milhões de meninas (18%) moram em domicílios cujo abastecimento de água não provém da rede geral, mas de poços, água da chuva armazenada ou de outras fontes. As demais, quase 13 milhões de meninas, estão em casas que dependem da rede geral de abastecimento, sendo que 2,3 milhões delas não recebem água diariamente, o que dificulta a correta higienização durante o período menstrual.

Improvisos durante o período menstrual 

O UNICEF e o UNFPA apontam que uma família com maior situação de vulnerabilidade e renda menor tende a gastar menos com itens de higiene menstrual e que, muitas vezes, as meninas e mulheres recorrem a soluções improvisadas para conter o sangramento menstrual com pedaços de pano usados, roupas velhas, jornal, miolo de pão e papelão.

Em outros casos, as meninas e mulheres não têm acesso a um número suficiente de absorventes descartáveis para fazer as trocas necessárias ao longo do dia, conforme indicação de ginecologistas, permanecendo com o mesmo absorvente por muitas horas. 

A médica ginecologista do Hospital Anchieta, Daniely Toledo Costa, explica que o uso de objetos não adequados para o período menstrual pode acarretar em graves infecções. “Essas pacientes que usam objetos estranhos como miolo de pão e espiga de milho para conter o sangramento vaginal podem adquirir infecções graves como doença inflamatória pélvica, que são inflamações de difícil controle. Já as pacientes que usam aquele mesmo absorvente durante o dia inteiro estão muito mais predispostas a infecções vaginais como candidíase e vaginose, devido a umidade daquele absorvente em contato com a genitália por muito tempo”, explica Daniely

Realidades distintas

Outro ponto importante sobre a pobreza menstrual destacada pela UNICEF é a vilanização do absorvente descartável que, muitas vezes, traz o discurso de proteção ao meio ambiente sem considerar as necessidades de pessoas que menstruam que vivem em situação de vulnerabilidade, em que não há acesso à água limpa para a higienização adequada dos reutilizáveis, seja um produto de tecido ou mesmo do coletor.

Para Rayanne França, desconsiderar essas peculiaridades pode contribuir para negar o acesso aos direitos menstruais. “Quando a gente fala de equidade é olhar para o diferente a partir das suas diferenças. Hoje fazemos uma discussão muito em volta da sustentabilidade, da necessidade de conseguirmos ter um ambiente mais saudável, com a redução de lixo, mas, ao mesmo tempo, precisamos pensar que para reduzirmos o lixo, muitas vezes teremos uma família que nem sequer tem acesso ao saneamento básico.”

Professora cria banco de absorventes para alunas

Professora na rede municipal de ensino de Camaçari, na Bahia, Edicleia Pereira Dias criou um banco de absorventes para atender as alunas matriculadas na escola em que trabalhava. A iniciativa começou em 2010 quando ela e outros profissionais de educação observaram que as alunas faltavam com frequência um determinado período do mês. Então, em 2014, um gráfico foi montado para observar os motivos, como por exemplo, maior movimentação do comércio ou período sazonal, onde as alunas que trabalhavam na área rural não compareciam às aulas. 

Após as observações a equipe chegou à conclusão de que a falta das alunas ocorria no período menstrual e montaram kits de higiene íntima para doar com absorvente, sabonete, desodorante, creme de cabelo, perfume, batom, máscara de cílios, sombra, base, escova de dente e creme dental. Mas a equipe se deparou com outro obstáculo: como doar esses kits sem constranger as alunas?

“Falar de menstruação é constrangedor para quem está vivendo o problema, sobretudo, em situação de vulnerabilidade. Então fizemos os kits e eu chamava as alunas na minha sala, porque sempre foi um local visitado pelos adolescentes de maneira muito natural. Convidava o grupo, que eram pessoas com o maior percentual de faltas, e dizia assim: olha, tenho um presente para te entregar, os professores pediram para presentear uma aluna de destaque e gostaria de dar a você, você aceita? Elas aceitavam”, explicou a professora Edicleia.

Durante as entregas, quando as alunas percebiam que havia absorvente descartável, diziam à professora que o item chegou em boa hora. “Percebemos que, de fato, se tratava desse fenômeno [menstruação] e que elas não tinham condições de manter a higiene íntima no período menstrual por conta da falta de recursos.”

A partir dessas entregas individuais, Edicleia pedia para as alunas indicarem outras colegas que também precisavam do item e assim o projeto foi se espalhando pela escola e a evasão escolar diminuindo. “Todos os meses, durante vários anos, tanto os professores quanto os funcionários fizeram doações dos absorventes para compor o banco. Tinha, por exemplo, um porteiro que no início do mês era o primeiro a doar caixas de absorventes, creme de cabelo, comprava os itens em atacado para levar para as meninas e ele também observava no horário de entrada como as alunas estavam, se frequentavam as aulas todos os dias e, se houvesse algum problema, ele me falava”, disse a professora.

O projeto de Edicleia ganhou notoriedade quando, certa vez, cedeu o espaço da escola para um projeto de dança e uma aluna de 10 anos, que estava menstruada, se recusou a fazer a atividade pois, se dançasse, poderia sujar a roupa com sangue. As professoras descobriram então que a criança estava utilizando um pedaço de papelão para conter a menstruação. Triste com a situação, a professora de dança doou absorventes para a aluna e Edicléia apontou que a situação era comum na cidade. Apresentou o Banco de Absorventes e a professora de dança divulgou a iniciativa nas redes sociais, que passou a ganhar visibilidade em todo o país.

Após a popularidade do projeto, a professora passou a receber doações de outras pessoas e instituições. A causa é abraçada por todos da escola e a menstruação é um assunto falado abertamente. De acordo com Edicleia, até os meninos da escola entendem a situação e ajudam as meninas, avisando-as caso a roupa esteja suja de sangue ou emprestando um casaco para que possam esconder a mancha na roupa.

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Entretanto, a responsável pelo banco de absorventes afirma que a pobreza menstrual é apenas a ponta do iceberg. “Uma menina que chega nas condições de não ter dinheiro para comprar um absorvente carece de todas as coisas que a gente possa imaginar. Eu vejo as pessoas romantizando nas redes sociais, questionando porque elas não usam um paninho, mas essa menina não tem saneamento básico, essa menina não tem água, essa menina não tem sabonete”, pontua Edicleia Dias.

Rayanne França, oficial de programas do UNICEF no Brasil, explica que para garantir o direito à menstruação é necessário incentivar governadores e prefeitos a pensarem em políticas estruturadas. “Hoje já percebemos o avanço de muitos estados e municípios com pequenas aprovações de projetos de lei, como foi o caso de São Paulo e o estado do Amazonas, que também vai avançando nessa estrutura.  Mas é necessário pensar que não podemos só entregar um absorvente, é preciso entregar também o direito daquela pessoa ter saneamento básico, ter acesso a água, conseguir garantir informações de como ela pode fazer uma gestão dos seus insumos e do seu lixo. É impossível falarmos apenas do direito à menstruação como uma simples entrega de absorventes.”

O relatório da UNICEF e UNFPA mostra também que mais de 3 milhões (20% do total de meninas brasileiras) moram em casas em que não há coleta de lixo por serviço de limpeza, tendo que levar os resíduos até caçambas, enterrando na propriedade ou despejando em terreno baldio. Destaca-se ainda que queimar o lixo é a solução adotada pelos lares de 1,67 milhões de meninas, cerca de 10,8% do total de adolescentes no Brasil.
 

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23/06/2021 17:45h

No entanto, apenas 6,4% tomaram a segunda. Segundo o Ministério da Saúde, 100% das doses da vacina destinadas para esse público foram repassadas para os estados.

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Os povos e comunidades tradicionais quilombolas são grupo prioritário no Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19. A vacinação dessa parte da população já começou em todos os estados do país. Até o fechamento desta reportagem, 44,8% da população quilombola do Brasil recebeu a primeira dose (D1) e apenas 6,4% recebeu a segunda (D2) segundo o Ministério da Saúde

Um levantamento realizado pela reportagem do portal Brasil61.com aponta que o Distrito Federal é a unidade da Federação que mais vacinou quilombolas contra o novo coronavírus. Cerca de 100% da sua população foi totalmente imunizada, ou seja, recebeu as duas doses da vacina. Na sequência, estão os estados de Mato Grosso do Sul (75,21%), Goiás (59,34%), São Paulo (49,36%), Mato Grosso (16,93%) e Rio de Janeiro (12,26%). 

O número de quilombolas vacinados com ao menos uma dose da vacina também avança. Em Tocantins, Amapá e Pernambuco aproximadamente 74% da população quilombola dos estados tomaram a primeira dose. Em seguida, estão o Paraná (44,62%), Espírito Santo (44,02%), Bahia (43,99%), Rondônia (41,91%) e Minas Gerais (41,45%). 

Veja quantos quilombolas foram vacinados em cada estado:

UF Pop. Total 1ª Dose 2ª Dose
RR - - -
BA 268.573 118.154 10.079
PA 129.770 52.622 10.788
MG 130.811 54.221 3.428
PE 54.411 39.887 3.171
GO 20.465 17.962 12.143
PI 42.250 15.085 2.737
AL 54.354 12.120 26
RS 54.631 10.301 2.146
CE 30.456 10.376 781
SE 32.955 8.864 456
RJ 14.857 8.389 1.821
SP 10.366 8.095 5.117
RN 24.980 7.630 687
MT 12.802 7.219 2.168
ES 15.993 7.040 278
PB 19.117 6.606 27
AP 8617 6.354 504
TO 6551 4.826 1.012
PR 9631 4.297 573
SC 8791 2.491 188
MS 1541 1.869 1.159
AM 8563 1.159 16
RO 1410 591 9
DF 10 11 8

A meta do ministério é vacinar 1.143.973 quilombolas acima dos 18 anos. Ainda segundo a pasta, a estimativa populacional foi levantada com base nos dados do Censo do IBGE do ano de 2010, e teve como referência as áreas mapeadas no ano de 2020. “Para esse público já foi enviado 100% das doses. Em caso de os denominadores terem alguma margem de imprecisão, os estados podem levantar esses números e encaminhar ao Ministério da Saúde, que esses quantitativos serão atendidos”, disse Francieli Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. 

De acordo com a coordenadora do PNI as doenças infectocontagiosas tendem a se espalhar rapidamente em grande parte dessa população devido ao grau coeso de convivência. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito”, explicou Francieli. 

A quilombola Marluce Coelho, de 27 anos, já tomou a primeira dose da vacina. Ela mora no Quilombo de Nova Vista de Tuqui, em Santarém, no Pará. Para a estudante, receber o imunizante significa um ato de resistência. “Para nós quilombolas que moramos em regiões ribeirinhas, receber a vacina é um ato de resistência. É uma forma de termos o território imunizado e termos saúde para continuar a trabalhar”, declarou.

A imunização contra a Covid-19 era um sonho para a líder quilombola Quitéria Vieira dos Santos, que vive na comunidade Tupete, localizada na zona rural de Canapi, em Alagoas. Aos 55 anos, a agricultora tomou a primeira dose da vacina e comemora por ter dado o primeiro passo para a imunização. “Foi maravilhoso. Estava difícil chegar a vacina aqui, mas consegui me imunizar. Na comunidade, todos tomaram, menos os que ainda não têm idade. A gente dormia e acordava sonhando com a vacina”, disse. 

A importância da vacina contra a Covid-19

A vacinação é uma das principais formas de combater o novo coronavírus. O Ministério da Saúde enviou mais de 109 milhões de doses da vacina para as 26 unidades da federação e o Distrito Federal. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo federal está oferecendo para estados e municípios o suporte necessário para o enfrentamento da pandemia. 

“Nos comunicamos melhor com a nossa sociedade brasileira passando sempre uma mensagem calcada no melhor da evidência científica, discutir os rumos da nossa campanha de vacinação, oferecer subsídios técnicos a estados e municípios e apoiá-los no encaminhamento das ações que são planejadas no âmbito do ministério. E temos feito um esforço extraordinário para ter doses de vacina à disposição da população brasileira, além de orientar acerca das medidas não farmacológicas”, afirmou o ministro.

A vacina é uma das principais formas de combater o coronavírus e diminuir a quantidade de pessoas com sintomas, casos graves e óbitos pela doença. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) está utilizando quatro tipos de imunizantes contra a Covid-19. Todas as vacinas passaram pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e comprovaram a sua eficácia contra a doença. 

A coordenadora Francieli Fantinato, lembra que a vacina não impede que o indivíduo seja infectado pelo vírus, mas evita para que a doença não se desenvolva para um quadro grave. Por isso, é tão importante continuar seguindo as medidas de segurança sanitárias após a vacinação.

“As vacinas não têm 100% de eficácia. As vacinas que estão disponíveis no momento têm como objetivo principal reduzir as complicações, as hospitalizações e as mortes pela doença. Ela [vacina] não tem capacidade de prevenir a infecção do novo coronavírus. Mas é importante que todas as pessoas tomem”, disse a coordenadora. 

Foi o que aconteceu com Antônio Enaldo Marquês, de 44 anos, morador da comunidade de Queimadas, zona rural do município de Crateús, no Ceará. Ele testou positivo para a Covid-19 um mês depois de ter tomado a segunda dose da vacina. O agricultor apresentou apenas sintomas leves e não precisou de internação. “Eu já tinha tomado a vacina e não sabia que estava doente porque não sentia nada. Descobri porque fui à UPA e pedi para fazer o teste que deu positivo. Os sintomas que tive foram perda do olfato e paladar”, contou. 

Proteja-se

Membros quilombolas que ainda não se vacinaram devem procurar a liderança quilombola ou agentes de saúde do seu município para fazer cadastro e se vacinar. Gilmar Pereira Alves, coordenador da Associação Comunitária Remanescente do Quilombo do Ginete, de Barra da Estiva, na Bahia, disse que a vacina representa esperança para dias melhores. Ele faz um apelo para que todos os quilombolas procurem as unidades de saúde e tomem o imunizante.

“A sensação de receber a vacina foi muito boa, sinal de esperança de dias melhores. Tanto eu quanto a comunidade ficamos felizes. A mensagem que eu deixo tanto para os quilombolas quanto para a população em geral é: vacina, sim! Viva ao SUS e viva a ciência!”, disse. 

Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico imediato. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve. Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança. Entre eles uso de máscara de pano; lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações.

Saiba como se proteger

A transmissão do novo coronavírus acontece de uma pessoa doente para outra por meio de contato próximo, através de aperto de mão, gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro e de objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, talheres, maçanetas, brinquedos e teclados de computador.

Vacinação no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, a meta é vacinar todos os brasileiros maiores de 18 anos, com a primeira dose, até setembro.  Até o fechamento desta reportagem, 465.491 doses foram aplicadas nos quilombolas maiores de 18 anos. Desse número, 406.169 foram aplicadas como primeira dose (D1) e 59.322 como dose de reforço (D2), de acordo com o vacinômetro do ministério. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o país, acesse gov.br/saude.
Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município.  Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal gov.br/saude ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia.

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23/06/2021 11:00h

Em Ponta das Pedras, cerca de 80% dos quilombolas já receberam a primeira dose do imunizante. Vacinação segue em curso

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Quilombolas da microrregião do Arari, no Nordeste do Pará, estão sendo imunizados contra a Covid-19. A região é formada pelos municípios de Muaná, Ponta de Pedras, Soure, Salvaterra, Chaves, Santa Cruz do Arari e Cachoeira do Arari, que juntos possuem 7.723 pessoas autodeclaradas descendentes e remanescentes de escravizados, segundo o Instituto de Geografia e Estatísticas (IBGE). 

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 36 mil quilombolas dessas sete cidades tomaram a primeira dose da vacina, o que equivale a cerca de 47% do público alvo. Por enquanto, cerca de 7 mil receberam a dose de reforço do imunizante.

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, a vacinação é muito importante nos grupos prioritários. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito”, explicou.

Em Ponta de Pedras, cidade com 536 quilombolas, quase 80% do público-alvo já recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Natália Costa, coordenadora de imunização do município, ressalta que as comunidades quilombolas são mais vulneráveis ao contágio da doença por falta de informação.
 
“Antes de receber a vacina, nós tivemos um grande número de infectados em determinadas comunidades de área ribeirinha e quilombolas. Foi difícil conter, porque as pessoas não procuram atendimento, elas ficam em casa, sintomáticas, doentes. Até essa comunidade vir procurar atendimento, entender o que é doença e tratar de forma precoce fica mais difícil. Quando procuram atendimento já está bem grave”, explicou.

Em Salvaterra, 6.348 quilombolas já receberam a primeira dose da vacina; 44% do público-alvo, segundo o Ministério da Saúde. Para Andrey Teixeira, secretário de Saúde do município, vacinar as comunidades quilombolas contra a Covid-19 é uma importante medida de enfrentamento à pandemia. Mesmo morando em zonas rurais, muitos quilombolas frequentam a zona urbana e podem contaminar pessoas da cidade ou do próprio quilombo.

“Existia toda uma resistência da comunidade em usar máscaras, em fazer o isolamento social, em usar álcool em gel. Devido serem comunidades rurais, ou seja, afastados da cidade, eles achavam que a pandemia não ia chegar a eles. Mas, com a chegada dessa vacinação, podemos notar que houve uma diminuição considerável nos casos”, afirma.

Município Quilombolas Comunidades (nomes/quantidade)
Salvaterra 6.357 16 comunidades: Mangueiras, Caldeirão, Boa Vista, Bairro Alto, Pau Furado, Bacabal, Rosário, Santa Luzia, Vila União, Boca da Mata, Salvar, Providências, Paixão, Deus Ajude, São Benedito e Boa Esperança.
Cachoeira do Arari 803 1 comunidade: Gurupá
Ponta de Pedras 536 3 comunidades: Santana, Tartarugueiro e Santa Maria
Soure 27 **** NOTA

*** NOTA: A reportagem do portal Brasil61.com, em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Soure, foi informada de que não existem comunidades quilombolas no município de Soure. No entanto, no cadastro de localidades quilombolas do IBGE, constam duas comunidades na região: Rosário e Deus Ajude. Tais comunidades, apesar de não serem reconhecidas pela prefeitura de Soure, foram registradas na prefeitura de Salvaterra. Solicitamos confirmação na prefeitura Municipal de Soure e de Salvaterra, mas até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta. Você é morador quilombola de Soure? Procure a prefeitura de Salvaterra e converse com o líder quilombola de sua comunidade. 

Depoimentos

O município de Salvaterra possui 16 comunidades quilombolas, dentre elas está Mangueiras. Segundo a líder quilombola local, Noemi Barbosa, a vacina é uma esperança para o quilombo, que já perdeu três moradores para a Covid-19.

“Aos meus irmãos quilombolas: não tenham medo da vacina. Eu sou a prova viva, já me vacinei e estou muito feliz por isso. Não desperdice essa oportunidade que estamos tendo de ser imunizados, é uma esperança”, pediu.

Distribuição das vacinas

Segundo dados do Ministério da Saúde, disponibilizados no LocalizaSUS, os municípios da microrregião de Arari receberam mais de 87 mil doses de vacinas contra Covid-19, sendo: 1.948 da Coronavac e 12.150 da AstraZeneca para Muaná; 1.928 da Coronavac e 20.260 da AstraZeneca para Ponta de Pedras; 2.020 da Coronavac e 6.165 da AstraZeneca para Soure; 1.612 da Coronavac e 18.555 da AstraZeneca para Salvaterra; 1.342 da Coronavac e 8.975 da AstraZeneca para Chaves; 626 da Coronavac e 2.040 da AstraZeneca para Santa Cruz do Arari e 2.432 da Coronavac e 6.980 da AstraZeneca para Cachoeira do Arari.

Proteja-se

Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve. Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança: use máscara de pano; lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações. 



Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Para outras informações, acesse o site das prefeituras de Cachoeira do Arari (www.cachoeiradoarari.pa.gov.br), de Salvaterra (www.prefeituradesalvaterra.pa.gov.br) ou de Ponta de Pedras (www.pontadepedras.pa.gov.br). A vacina é segura e uma das principais formas de proteção do novo coronavírus. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o País, acesse gov.br/saude

Veja como está a vacinação Quilombola no seu município

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23/06/2021 06:00h

Segundo o Ministério da Saúde, 44,8% da população quilombola recebeu a primeira dose (D1) e 6,4% recebeu a segunda (D2). O Nordeste foi a região que mais vacinou membros quilombolas até o momento

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Os moradores das comunidades quilombolas do Brasil já estão sendo vacinados contra a Covid-19. De acordo com informações do vacinômetro do Ministério da Saúde, 44,8% da população quilombola recebeu a primeira dose (D1) e 6,4% recebeu a segunda dose (D2). A meta do ministério é vacinar 1.143.973 quilombolas acima dos 18 anos. Ainda segundo a pasta, a estimativa populacional foi levantada com base nos dados do Censo do IBGE do ano de 2010, e teve como referência as áreas mapeadas no ano de 2020. O Nordeste foi a região do país que mais vacinou quilombolas, seguido da região Sudeste, Norte Centro-Oeste e o Sul.  

Arte: Brasil 61

Assim como os povos indígenas e comunidades ribeirinhas, os quilombolas foram incluídos como grupo prioritário no Plano Nacional de Imunização, pois são altamente vulneráveis à Covid-19. 

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explica que as doenças tendem a se espalhar rapidamente entre essas populações devido ao modo de vida coletivo.   “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito”, destacou. 

A vacina contra a Covid-19 chegou como um raio de esperança para a professora Bruna Picanço Neves, de 29 anos, moradora da comunidade quilombola de Conceição do Macacoari, em Macapá, no Amapá. Bruna conheceu de perto a dor de perder familiares e amigos para a doença. Ela conta que agora se sente aliviada por ter dado o primeiro passo para a imunização. “Todos da minha família pegaram a Covid-19. Tivemos a perda de um irmão e primos de dentro da nossa comunidade. Sabemos que a saúde pública no nosso estado não é boa. Já tomamos a 1ª dose e agora, final de junho, tomaremos a 2ª. Completando o ciclo de imunização”, disse.

A lavradora Reinalda Pereira Magalhães, de 38 anos, também perdeu um ente querido para a Covid-19. Nina, como é conhecida carinhosamente no Quilombo Pau D’Arco e Parateca, em Malhada, na Bahia, conta que o seu irmão caçula faleceu dias antes de a vacina chegar na sua comunidade. “A vacina chegou na semana que ele adoeceu. Não sei se ele tinha algum problema de saúde, mas ele foi entubado e ficou no hospital por doze dias. Não é fácil perder um ente querido. Era meu irmão caçula, tinha 34 anos”, desabafou. 

Nina recebeu a primeira dose da vacina e agora aguarda a dose de reforço do imunizante. Ela já tem planos para quando a pandemia passar. “Quilombola gosta de festa. Vou fazer uma festa em agradecimento. Temos que agradecer a Deus pois conseguimos atravessar essa guerra. Vai ser um momento de muita festa e alegria”, afirmou.

A importância da vacina contra a Covid-19

Desde o começo da pandemia do novo coronavírus no Brasil, mais de 502 mil vidas foram perdidas para a doença, de acordo com o Ministério da Saúde. Entre os quilombolas, foram contabilizados 5.399 casos e 279 óbitos. Outros 1.487 casos estão em monitoramento. As informações constam no último boletim epidemiológico divulgado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo federal tem oferecido aos estados e municípios o suporte necessário para o enfrentamento da pandemia. “Nos comunicamos melhor com a nossa sociedade brasileira passando sempre uma mensagem calcada no melhor da evidência científica, discutir os rumos da nossa campanha de vacinação, oferecer subsídios técnicos a estados e municípios e apoiá-los no encaminhamento das ações que são planejadas no âmbito do ministério. E temos feito um esforço extraordinário para ter doses da vacina à disposição da população brasileira, além de orientar acerca das medidas não farmacológicas”, afirmou o ministro.

A vacina é uma das principais formas de prevenir o coronavírus e diminuir a quantidade de pessoas com sintomas, casos graves e óbitos pela doença. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) está utilizando quatro tipos de imunizantes contra a Covid-19. 

Todas as vacinas passaram pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e comprovaram a sua eficácia contra a doença. Segundo a coordenadora, Francieli Fantinato, o Ministério da Saúde já repassou para os estados todas as doses destinadas à população quilombola. “Para esse público já foi enviado 100% das doses. Em caso de os denominadores terem alguma margem de imprecisão, os estados podem levantar esses números e encaminhar ao Ministério da Saúde, que esses quantitativos serão atendidos”, afirmou. 

Membros quilombolas que ainda não se imunizaram devem procurar as unidades básicas de saúde de seu município para realizar cadastro e tomar a vacina. A diretora executiva da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém no Pará, Mariane Coelho, destaca que uma pessoa não vacinada pode colocar em risco a vida de todo o território quilombola. Ela faz um apelo para que todos os quilombolas se vacinem. 

“Convido todos os quilombolas a se imunizarem, é uma proteção. A vacina protege a vida e o território, nos deixa mais fortes. Eu, inclusive, já fui vacinada. Sinto meu quilombo mais protegido. Você que ainda não conseguiu vacinar, se imunize por proteção a vida, a sua saúde e de sua família e por proteção do território também, porque a nossa vida é a garantia do nosso território vivo”, pediu. 

Fique atento aos sintomas da Covid-19. Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico imediato. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve. Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança. Entre eles, use máscara de pano, lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações.

Saiba como se proteger

A transmissão do novo coronavírus acontece de uma pessoa doente para outra por meio de contato próximo, através de aperto de mão, gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro e de objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, talheres, maçanetas, brinquedos e teclados de computador. 

Arte: Brasil 61

Vacinação no Brasil 

Até o fechamento desta reportagem, 586.829 doses foram aplicadas nos quilombolas maiores de 18 anos. Desse número, 511.826 foram aplicadas como primeira dose (D1) e 73.003 como dose reforço (D2), de acordo com o Ministério da Saúde. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o país, acesse gov.br/saude.

Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município.  Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal gov.br/saude ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia.

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23/06/2021 04:00h

Apesar de ser grupo prioritário, vacinação dos quilombolas dos municípios de Macapá, Santana, Itaubal e Porto Grande segue em ritmo lento. Ministério da Saúde alerta sobre a importância da imunização

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Quilombolas da microrregião de Macapá estão sendo imunizados contra o novo coronavírus. A região, composta pelos municípios de Macapá, Santana, Itaubal e Porto Grande, concentra quase sete mil quilombolas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, os dados oficiais do IBGE apresentam discrepância em relação às informações apresentadas pelas secretarias municipais de saúde.

Em Porto Grande, por exemplo, a coordenadora municipal de imunização, Elessandra Lazamé, disse que o município não tem quilombolas. “Segundo a estimativa populacional de 2010, o município tem 42 pessoas quilombolas. Porém, desconheço que tenham comunidade quilombola no município. Estamos buscando informações para ter certeza de que realmente não existe comunidade quilombolas”, afirmou.

Em Macapá, o IBGE afirma que seis mil quilombolas vivem no município. No entanto, segundo a secretária municipal de saúde, Karlene Lamberg, esse número é bem maior. “Temos uma população quilombola com cerca de 65 mil pessoas na faixa etária de um a 95 anos. Em nosso município, temos cinco áreas tituladas, sendo 35 comunidades quilombolas e 215 comunidades de identificação conforme a convenção da OIT 169”, explicou.

A estimativa das pastas é que pelo menos 67 mil quilombolas moram região. De acordo com o Ministério da Saúde, até o fechamento desta reportagem, 5.812 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e 498 tomaram a segunda. 

Quadro: Número de quilombolas vacinados contra a Covid-19 na região de Macapá

Município 1ª Dose 2ª Dose
Macapá 5.415 403
Santana 281 22
Itaubal 116 73
Porto Grande 0 0

Fonte: Ministério da Saúde

Proteja-se

A vacinação contra a Covid-19 chegou como um raio de esperança para a professora Bruna Picanço Neves, de 29 anos, moradora da comunidade quilombola de Conceição do Macacoari, em Macapá. Bruna conheceu de perto a dor de perder familiares e amigos para a doença. Ela conta que agora sente-se aliviada por ter dado o primeiro passo para a imunização. “Todo mundo da minha família pegou o vírus. E tivemos uma perda de um irmão e primos de dentro da nossa comunidade. A gente sabe que o acesso à saúde pública no nosso estado não é bom. É difícil, então, ficamos muito felizes. Já tomamos a primeira dose e, agora, final de junho, a gente toma a segunda. Completando o ciclo de imunização”, disse.

Os povos e comunidades quilombolas foram incluídos como grupo prioritário no Plano Nacional de Imunização. Francieli Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, explica que essa população foi incluída como prioridades, pois vivem em situação de vulnerabilidade social. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito”, afirmou. 

A vacina é uma das principais formas de combater o novo coronavírus. Ainda segundo a coordenadora todas as vacinas utilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são seguras. Ela ressalta que é comum os vacinados apresentarem eventos adversos após a vacinação. “Na maioria das pessoas esses eventos são leves. Os eventos mais comuns observados, em relação à vacina contra a Covid-19, são dor de cabeça, dor no local da aplicação, febre, náuseas, dores no corpo, tosse e até mesmo diarréia. Em caso de eventos adversos pós vacinação orienta-se que os indivíduos procurem a unidade de saúde para serem acompanhados pelo serviço.”

O Brasil registrou 279 mortes em decorrência da Covid-19 entre quilombolas, de acordo com o último boletim da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos, a CONAQ. No Amapá, foram contabilizados 53 óbitos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Macapá. Para líder quilombola Janicelma Souza, a vacina representa esperança para dias melhores. Ela faz o apelo para que toda a população quilombola do Amapá se vacine. “A imunização de todos com certeza vai evitar danos maiores, evitar mais perdas. Nós já perdemos muitas pessoas pra este vírus, nós precisamos dar um basta e o nosso único recurso hoje é a vacina. Então, não tenha medo. Tome a sua vacina, se proteja, proteja a sua família, proteja seus amigos. Quando você toma a vacina você passa confiança pra outras pessoas que estão inseguras. Você está ajudando a salvar vidas!”, pediu. 

Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança: use de máscara de pano, lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações. Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve.

Vacinação no Amapá

De acordo com informações do painel coronavírus do governo do Amapá, quase 74% da população quilombola do estado recebeu a primeira dose da vacina e 7,04% receberam a dose reforço do imunizante. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Proteja-se. Juntos podemos salvar vidas! Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o país, acesse gov.br/saude.

Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal gov.br/saude ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia. 

Arte: Brasil 61

Veja como está a vacinação Quilombola no seu município

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23/06/2021 03:00h

As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social

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Diante da emergência ocasionada pelo coronavírus SARS-CoV-2, o reconhecimento da pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e a declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN), o Ministério da Saúde tem se organizado e estabelecido medidas que sirvam de resposta e enfrentamento da Covid-19. 

São diversas ações de combate à essa doença, indicadas pelo Ministério da Saúde, como as não farmacológicas – ou seja, medidas que não usam medicamentos, produtos químicos ou tratamento; tais como distanciamento social, etiqueta respiratória e de higienização das mãos, uso de máscaras, limpeza e desinfeção de ambientes, isolamento de casos suspeitos e confirmados e quarentena dos contatos dos casos de Covid-19, conforme orientações médicas.

Para além disso, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra o coronavírus dos grupos prioritários conforme o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação. Pois é uma das medidas mais importantes para evitar a transmissão do vírus e contágio de outras pessoas que não estão doentes. Além disso, a vacinação ajuda a proteger a população e evita casos mais graves da doença, reduz o risco de internação e morte. Mas é necessário que todas as medidas sejam utilizadas de forma integrada, a fim de controlar a transmissão da Covid-19, permitindo também a retomada gradual das atividades desenvolvidas pelos vários setores e o retorno seguro do convívio social.

Covid-19: Queiroga afirma que todos os brasileiros acima de 18 anos devem receber primeira dose da vacina até setembro

Covid-19: Brasil ultrapassa marca de meio milhão de mortos

Mas em se tratando da vacinação contra o coronavírus, um dos grupos prioritários para receber as doses da vacina é a população quilombola. Para se ter uma noção, o Brasil possui 1.279 cidades com comunidades quilombolas e que reúnem uma população de 66,27 milhões de habitantes. Deste montante, 1.176.744 são quilombolas. Esses dados fazem parte do Censo do IBGE-2010, tendo como referência as áreas mapeadas em 2020, que incluiu indivíduos acima de 18 anos sobre Povos e Comunidades Tradicionais Quilombola.

A Bahia é o segundo estado em número de cidades com mais comunidades quilombolas, 192. Mas detém a maior população quilombola entre todas as unidades da Federação, com 268.573 habitantes. Enquanto isso, Minas Gerais é o estado com o maior número de cidades com comunidades quilombolas: 283 no total. Estas comunidades reúnem 130.812 habitantes. Além disso, 326 cidades contam com comunidades quilombolas abaixo de 100 habitantes.

Por isso, a vacinação contra a Covid-19 é uma das principais formas de combater a doença e de manter preservadas as comunidades quilombolas, diminuindo a quantidade de pessoas com sintomas, casos graves e óbitos pela doença. Por isso, o governo federal está atuando com foco na proteção dessas comunidades, como forma de enfrentamento da pandemia da Covid-19. 

Para ajudar a esclarecer algumas dúvidas a respeito da vacinação da população quilombola, vamos conversar com a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato. 

Secretária em relação à quantidade de vacinas enviadas para proteger as comunidades quilombolas, como foi feito o cálculo do Ministério da Saúde?

“A estimativa populacional foi levantada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e incluiu os indivíduos acima dos 18 anos de idade. Para isso, foi usado como base o Censo do IBGE do ano de 2010, e teve como referência as áreas mapeadas no ano de 2020. Para esse público já foi enviado 100% das doses. Em caso de os denominadores terem alguma margem de imprecisão, os estados podem levantar esses números e encaminhar ao Ministério da Saúde, que esses quantitativos serão atendidos.”

Qual a importância da vacina nas comunidades quilombolas?

“As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito.” 

Secretária mesmo quem já teve Covid-19 precisa se vacinar? 

“Sim. Todas as pessoas que tiveram Covid-19 precisam se vacinar com as duas doses. Mas a orientação da vacinação é de que ela ocorra após quatro semanas do início dos primeiros sintomas ou quatro semanas do primeiro exame positivo de RT-PCR em pessoas que não desenvolveram sintomas.”

Dentre outros receios existentes nas comunidades quilombolas, um é de que a vacina cause alguma reação em quem toma. De acordo com o Ministério da Saúde, é possível ter algum tipo de reação depois de ser protegido pela vacina, pois todas as vacinas que estão incorporadas no Programa Nacional de Vacinação (PNI) são seguras. Mas como qualquer medicamento, qualquer vacina, elas podem ter eventos adversos após a vacinação.

É isso mesmo secretária?

“Na maioria das pessoas esses sintomas são leves. Os eventos mais comuns observados, em relação à vacina contra a Covid-19, são dor de cabeça, dor no local da aplicação, febre, náuseas, dores no corpo, tosse e até mesmo diarreia. Em caso de eventos adversos pós vacinação orienta-se que os indivíduos procurem a unidade de saúde para ser acompanhados pelo serviço.”

A vacinação contra a Covid-19 é segura para a população quilombola?

“Todas as vacinas da Covid-19 que estão disponíveis hoje, no Programa Nacional de Imunizações (PNI), são seguras. Seja para a população quilombola, ou seja, para a população em geral. Todas elas passaram pela avaliação da agência regulatória e comprovaram a sua eficácia e segurança.”

Campanha de Vacinação

Com o lema “o cuidado é de cada um, o benefício é para todos”, no início de maio, o Ministério da Saúde lançou campanha sobre a importância da vacina e de medidas preventivas no combate à pandemia da Covid-19. A campanha apresentou a mulher do personagem, Maria Gotinha, o filho, Zé Gotinha Júnior, e os avós, Dona Gotinha e Seu Gotinha, para mostrar a importância da vacinação e da segunda dose para os brasileiros. 

O governo federal investiu R$ 29,9 bilhões para a compra de vacinas contra a Covid-19. Mais de 600 milhões de doses estão encomendadas para serem entregues até o fim do ano, após acordos fechados com diferentes laboratórios. Até o momento, foram distribuídas mais de 102 milhões de doses de vacinas para todo o país e foram aplicadas mais de 71 milhões de doses, sendo mais de 48 milhões da primeira dose e mais de 22 milhões da segunda dose – de acordo com dados atualizados no dia 08/06/2021, às 10h43.

As vacinas adotadas pelo SUS passaram por todas as etapas necessárias para a criação de um novo imunizante e cumprem critérios científicos rigorosos adotados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Veja o status das vacinas que estarão disponíveis no Programa Nacional de Imunizações (PNI)

Com registro definitivo estão a AstraZeneca/Oxford (Fiocruz) e a Pfizer (BioNTech) com aplicação em duas doses. As vacinas aprovadas para uso emergencial são Janssen (Jhonson & Jhonson) com uma dose e a CoronaVac (Butantan) com duas doses. Por fim, estão em análise pela Anvisa, as vacinas Covaxin (Bharat Biotech) com duas doses e a Sputnik-V (União Química) também com duas doses. 

Plano de Enfrentamento da Pandemia da Covid-19 para as populações quilombolas 

O governo federal lançou, no mês de maio, um painel interativo para que a população possa acompanhar a execução das ações relativas ao Plano de Enfrentamento da Pandemia da Covid-19.  A ação tem objetivo de beneficiar mais de 1,4 milhão de quilombolas em todo o país com ações de segurança alimentar e de saúde. Os dados da plataforma são referentes às iniciativas realizadas em 2021 e estão divididos em seis grupos:

  • Execução do plano
  • Cestas Alimentares
  • Merenda Escolar
  • Auxílio Emergencial
  • Vacinação contra Covid-19
  • Comunidades Certificadas

Sintomas da Covid-19

Sentiu febre, dor de cabeça, cansaço ou perda de olfato e de paladar? Procure atendimento imediatamente. Essa é a orientação do Ministério da Saúde aos cidadãos no combate à Covid-19. 
A procura pelas unidades de saúde deve acontecer assim que surgirem os sintomas, mesmo que sejam leves. Ao longo da pandemia, evidências médicas demonstraram que a demora pela busca de atendimento pode agravar os casos, o que dificulta a reversão do estado clínico do paciente.

O atendimento imediato comprovadamente aumenta as chances de recuperação e diminui a ocorrência de casos mais graves e, consequentemente, o número de internações.

  • Tosse
  • Febre
  • Coriza
  • Dor de garganta
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de olfato
  • Alteração do paladar
  • Náuseas, vômitos e diarreia
  • Cansaço
  • Diminuição do apetite
  • Falta de ar

Transmissão da Covid-19

A transmissão acontece de uma pessoa doente para outra por meio de contato próximo, através de aperto de mão, gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro e de objetivos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, talheres, maçanetas, brinquedos e teclados de computador.

Como se proteger

Distanciamento social

Limitar o contato próximo entre pessoas infectadas e outras pessoas é importante para reduzir as chances de transmissão da Covid-19. Principalmente durante a pandemia, devem ser adotados procedimentos que permitam reduzir a interação entre as pessoas com objetivo de diminuir a velocidade de transmissão do vírus.

Trata-se de uma estratégia importante quando há indivíduos já infectados, mas ainda assintomáticos ou oligossintomáticos, que não se sabem portadores da doença e não estão em isolamento.

Além disso, recomenda-se a manutenção de uma distância física mínima de pelo menos 1 metro de outras pessoas, especialmente daquelas com sintomas respiratórios e um grande número de pessoas (aglomerações) tanto ao ar livre quanto em ambientes fechados.

Garantir uma boa ventilação em ambientes internos também é uma medida importante para prevenir a transmissão em ambientes coletivos. Segundo o CDC19 e a OMS20, aglomerações representam um risco alto para disseminação da Covid-19. Para isso, considera-se o aglomerado de várias pessoas num mesmo local, onde se torna difícil para as pessoas permanecerem a pelo menos um metro de distância entre elas.

Quanto mais pessoas interagem durante este tipo de evento e quanto mais tempo essa interação durar, maior o risco potencial de infecção e disseminação do coronavírus. Lugares ou ambientes que favorecem a aglomeração de pessoas devem ser evitados durante a pandemia.

Higienização das mãos

A higienização das mãos é a medida isolada mais efetiva na redução da disseminação de doenças de transmissão respiratória. As evidências atuais indicam que o vírus causador da Covid-19 é transmitido por meio de gotículas respiratórias ou por contato. A transmissão por contato ocorre quando as mãos contaminadas tocam a mucosa da boca, do nariz ou dos olhos.

O vírus também pode ser transferido de uma superfície para outra por meio das mãos contaminadas, o que facilita a transmissão por contato indireto. Consequentemente, a higienização das mãos é extremamente importante para evitar a disseminação do vírus causador da Covid-19. Ela também interrompe a transmissão de outros vírus e bactérias que causam resfriado comum, gripe e pneumonia, reduzindo assim o impacto geral da doença.

Etiqueta respiratória

Uma das formas mais importantes de prevenir o coronavírus é a etiqueta respiratória, a qual consiste num conjunto de medidas que devem ser adotadas para evitar e/ ou reduzir a disseminação de pequenas gotículas oriundas do aparelho respiratório, buscando evitar possível contaminação de outras pessoas que estão em um mesmo ambiente.

A etiqueta respiratória consiste nas seguintes ações:

  • Cobrir nariz e boca com lenço de papel ou com o antebraço, e nunca com as mãos ao tossir ou espirrar. Descartar adequadamente o lenço utilizado.
  • Evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Se tocar, sempre higienize as mãos como já indicado.
  • Manter uma distância mínima de cerca de 1 metro de qualquer pessoa tossindo ou espirrando.
  • Evitar abraços, beijos e apertos de mãos. Adote um comportamento amigável sem contato físico.
  • Higienizar com frequência os brinquedos das crianças e aparelho celular. Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas, pratos e copos.
  • Evitar aglomerações, principalmente em espaços fechados e manter os ambientes limpos e bem ventilados.

Uso de máscaras em serviços de saúde

O uso universal de máscaras em serviços de saúde deve ser uma exigência para todos os trabalhadores da saúde e por qualquer pessoa dentro de unidades de saúde, independente das atividades realizadas. Todos os trabalhadores da saúde e cuidadores que atuam em áreas clínicas devem utilizar máscaras cirúrgicas de modo contínuo durante toda a atividade de rotina.

Em locais de assistência a pacientes com Covid-19 em que são realizados procedimentos geradores de aerossóis, recomenda-se que os profissionais da saúde usem máscaras de proteção respiratória (padrão N95 ou PFF2 ou PFF3, ou equivalente), bem como demais equipamentos de proteção individual.

Uso de máscaras na população em geral

O uso de máscara facial, incluindo as de tecido, é fortemente recomendado para toda a população em ambientes coletivos, em especial no transporte público e em eventos e reuniões, como forma de proteção individual, reduzindo o risco potencial de exposição do vírus, especialmente de indivíduos assintomáticos.

As máscaras não devem ser usadas por crianças menores de 2 anos ou pessoas que tenham dificuldade para respirar, estejam inconscientes, incapacitadas ou que tenham dificuldade de remover a máscara sem ajuda. Recomenda-se lavar as mãos antes de colocar a máscara, colocando-a sobre o nariz e a boca, prendendo-a sob o queixo.

A pessoa deve ajustar a máscara confortavelmente pelas laterais do rosto, e certificar-se que consegue respirar normalmente. As máscaras não devem ser colocadas em volta do pescoço ou na testa, e ao tocá-la, deve-se lavar as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% para desinfecção. Para pessoas sintomáticas recomenda-se o uso de máscaras cirúrgicas como controle da fonte.

Importância dos Agentes Comunitários

Para que esse trabalho de vacinação pelas comunidades quilombolas seja realizado de forma mais rápida e segura, é importante ainda entender o papel dos Agentes Comunitários de Saúde e as Equipes de Saúde da Família – que são fundamentais no cuidado à saúde e, também, podem tirar dúvidas sobre a vacinação.

Mais conhecidos pela sigla ACS, os agentes comunitários de saúde têm o papel de realizar a prevenção em âmbito familiar, indo de casa em casa de uma determinada comunidade – e que geralmente é onde o próprio agente mora. O papel exercido por esses profissionais é a ligação entre os domicílios, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a comunidade. O agente também atua em espaços comunitários, com objetivo de esclarecer a população e ajudar na prevenção de doenças e a saúde, desenvolvendo, junto à sociedade, ações empreendedoras.

Entre os esforços dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) estão:

  • Cadastrar todas as pessoas de sua microárea e manter os cadastros atualizados;
  • Acompanhar, por meio de visita domiciliar, todas as famílias e indivíduos sob sua responsabilidade. As visitas deverão ser programadas em conjunto com a equipe, considerando os critérios de risco e vulnerabilidade de modo que famílias com maior necessidade sejam visitadas mais vezes, mantendo como referência a média de uma visita/família/mês;
  • Desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção das doenças e agravos e de vigilância à saúde, por meio de visitas domiciliares e de ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na comunidade, por exemplo, combate à dengue, malária, leishmaniose, entre outras, mantendo a equipe informada, principalmente a respeito das situações de risco;

 Para saber mais sobre a campanha de vacinação contra a Covid-19 em todo o país, acesse www.saude.gov.br.

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Economia
21/06/2021 04:00h

Segundo o deputado Rubens Bueno, essa relação com os 37 países membros poderá, inclusive, gerar melhorias para o meio ambiente do País

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A entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) deverá aumentar a competitividade e melhorar o ambiente de negócios. A afirmativa é do deputado Rubens Bueno (CIDADANIA-PR). Segundo o parlamentar, essa relação com os 37 países membros poderá, inclusive, gerar melhorias para o meio ambiente do País, já que para participar é preciso cumprir uma série de requisitos ambientais.

“A competitividade gera aquilo que nós chamamos de modernização da infraestrutura, do processo industrial e, sobretudo, da qualidade ambiental do que é produzido. Então, o Brasil, não só vai participar [da OCDE], como também vai aumentar a competitividade e melhorar, e muito, no que diz respeito à natureza no País”, afirma.

Com entrada na OCDE, Brasil criaria ambiente mais favorável para investidores

“Vai alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais do setor”, diz senador sobre novo marco legal do mercado de câmbio

O deputado também destaca a importância de o Brasil avançar no processo de reformas administrativa, política e, sobretudo, tributária. 

“O Brasil precisa fazer a Reforma Tributária. Não há país no mundo que compreenda o que acontece no Brasil em termos de tributos. São tantos que provocam uma demanda de tempo muito grande para informar ao estado a situação de uma empresa e do seu negócio. A Reforma Tributária dará um passo muito forte, se simplificar o sistema e, com isso, coordenar melhor as ações de empresas e a sua relação com o estado brasileiro”, defende.

O professor de Políticas Públicas do Ibmec, Eduardo Galvão, explica que fazer parte desse grupo é como se o país adquirisse um selo de qualidade. Segundo ele, para o Brasil, fazer parte da organização é importante porque mostra para o cenário internacional o quanto a legislação interna evoluiu, sobretudo em relação à segurança jurídica.

“Com isso, a imagem do Brasil melhora perante os investidores internacionais. Que passam a ter mais confiança em trazer investimentos ao Brasil.

Consequentemente, isso vai refletir em aumento de empregos, aumento de renda e mais riqueza e felicidade para a população”, destaca.

Em 2017, o Brasil encaminhou um pedido formal para fazer parte da OCDE. De lá para cá, o país aplica a convergência de suas normas com os padrões estabelecidos pela organização. Para se ter ideia, de 245 instrumentos, o Brasil já aderiu a quase 100. O balanço corresponde a 40% de convergência. Outras nações candidatas apresentam índices de aderência menores, como Argentina (21%), Romênia (20%), Peru (18%), Bulgária (13% e Croácia (11%) e (7%).

A OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) conta com o envolvimento das nações mais desenvolvidas do mundo. Por meio dela, são estabelecidos parâmetros conjuntos de regras econômicas e legislativas para os seus membros.

O intuito é potencializar o crescimento socioeconômico. Atualmente, o grupo conta com 37 países-membros, a maioria deles situada na Europa. Entre as nações da América Latina estão Chile, México e Colômbia.

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18/06/2021 15:25h

Perseguido por cerca de 200 policiais há 10 dias, o “serial killer” Lázaro já realizou ao menos três confrontos com forças de segurança na caçada, mas conseguiu escapar em todas as vezes

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O “serial killer” Lázaro Barbosa trocou tiros com a polícia e fugiu novamente, nesta quinta-feira (17). Essa foi a última aparição do criminoso, que já cometeu ao menos cinco homicídios nas últimas semanas e leva terror ao Entorno do Distrito Federal e regiões de Goiás. Nesta sexta-feira (18), a busca por Lázaro chega ao 10º dia, quando a Força Nacional entra em ação.
 
Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, cerca de 20 homens da Força começam a atuar na operação hoje. Eles se juntam a uma equipe de cerca de 200 policiais — de dois estados —, cães, helicópteros, drones e equipamentos tecnológicos de ponta que estão sendo utilizados na busca. Um reforço da Polícia Federal também foi chamado. Rodney também detalhou que Lázaro pode estar ferido.
 
“Houve uma nova troca de tiros com ele [Lázaro] aqui próximo [do povoado de Girassol, na cidade de Cocalzinho]. Possivelmente ele esteja ferido, porque acharam um pano ensanguentado, como se fosse um torniquete, que pode ser até um ferimento grave”, observou.
 
O secretário informou que Lázaro foi farejado por cães especializados em buscas e tentou atingi-los. “O cão, da equipe de cães, apoiado pelo Bope, foi ao encalço dele. Chegando lá embaixo, ele tentou acertar um dos cachorros. Segundo os policiais que estavam na ação, visualizaram ele e revidaram. Ele entrou em uma vala, uma depressão, possivelmente na água, e os policiais perderam o rastro dele ali.”
 
No período da última noite, o secretário informou que tentou colocar equipes na mata com equipamentos de visão noturna para localizar Lázaro. “Mas, o terreno é muito difícil, e ele é um sujeito perigosíssimo, está armado e continua atirando. Então, nós resolvemos esperar amanhecer para fazer uma nova incursão.” 

O caso Lázaro

O assunto tem ganhado repercussão a cada dia que novos crimes são descobertos, suspeitas são levantadas e Lázaro continua solto. A efeito de comparação, a reportagem analisou dados do Google Trends e apurou que o nome do criminoso vem sendo mais pesquisado na internet do que a CPI que ocorre no Senado Federal, desde o dia 15, quando se completou uma semana de buscas. Além dessa fuga de uma mega operação, também chama atenção o histórico do acusado.
 
Lázaro Barbosa, 32 anos, é natural do estado da Bahia, onde também já cometeu crimes de homicídio. Segundo a Polícia Civil do local, ele assassinou duas pessoas no município de Barra do Mendes, em 2007, e chegou a ser preso após se entregar na delegacia. Porém, dias depois de confessar a autoria das mortes e ser encarcerado, ele fugiu da penitenciária. 
 
“Ele conseguiu fugir cerca de dez dias depois, sendo considerado foragido desde então. O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça. Não dispomos de informações relacionadas ao crime”, informou a Polícia Civil da Bahia, em nota. Em 2009, ele foi preso novamente, mas em Brasília, por suspeita de roubo, estupro e porte ilegal de arma de fogo.
 
A linha do tempo precisa ainda está sendo traçada por diferentes investigadores, mas os casos que motivaram a operação em andamento começaram, ao que tudo indica, em abril. Ele é o apontado como autor de um roubo seguido de estupro, em Sol Nascente, Região Administrativa da periferia do Distrito Federal. Nos meses seguintes, Lázaro ainda fez uma família refém na mesma cidade e cometeu um dos crimes mais bárbaros, o assassinato de um casal e dois filhos, no Incra 9, em Ceilândia (DF).

Confrontos

 A polícia colhe relatos de pessoas que dizem ter se deparado com o criminoso e vítimas que relatam histórias semelhantes, de que ele havia invadido casas e obrigando moradores a cozinharem para ele. Lázaro ainda demonstra frieza em roubos, incêndios e fugas com reféns. Pelo menos um carro e uma casa foram incendiados por ele durante os últimos dias.
 
No último sábado, Lázaro entrou na fazenda da família de um soldado da Polícia Militar do DF e fez o caseiro de refém. Lá ele consumiu bebida alcoólica, destruiu objetos da parte de dentro da propriedade, fumou maconha e obrigou o homem a usar a droga. De acordo com a PMDF, houve um confronto nesse dia.
 
“Nosso soldado voltou para a propriedade no início da noite. Chegou até a cancela e, provavelmente, quando foi abrir, o homem fugiu e levou o caseiro de refém. O criminoso foi para a fazenda ao lado, cerca de 700 metros, e baleou três homens. Havia uma senhora e uma criança no local. As testemunhas disseram que o criminoso ia colocar fogo na casa, mas não o fez por conta da mulher e da criança”, diz a nota.
 
Ainda segundo a corporação, uma equipe de policiais militares de Goiás foi ao local e tentou abordá-lo, mas acabou sendo recebida a disparos de arma de fogo. “Houve a reação com 15 disparos na direção da Rotam e uma fuga para dentro da mata próxima. O criminoso está com um revólver calibre 32, além de outras armas e munições, furtadas das fazendas.”
 
No começo desta semana, ele foi visto por policiais na BR-070, com um carro furtado, mas abandonou o veículo e fugiu novamente. As últimas aparições de Lázaro foram em Cocalzinho de Goiás, no Entorno do DF. Na região, ele trocou tiros com um caseiro na noite de segunda-feira (14) e com um sargento da Polícia Militar na tarde de terça-feira (15). 
 
O PM foi baleado de raspão, segundo a corporação. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás emitiu nota, nesta quarta-feira (16), informando que “o policial atingido por um tiro de raspão durante a operação de captura a Lázaro Barbosa Sousa, em Edilândia, povoado de Cocalzinho de Goiás, recebeu alta hospitalar”. 

Medo

A reportagem conversou com moradores de regiões por onde Lázaro passou e ouviu que “o clima é de medo”. Uma moradora do Incra 9, que não quis se identificar, relatou que teve que sair do lote. Ela era vizinha de Cláudio Vidal de Oliveira, 48, uma das vítimas do assassinato de uma família de quatro pessoas. 
 
“A gente se sente indignado. Estamos expostos à violência. Se a polícia não consegue pegar ele, qual a garantia que nós temos da família voltar para onde mora, que não vai acontecer a mesma coisa, ou coisa pior? A família está inconsolável. Ali, todo mundo, na família que morreu, era trabalhador. Os filhos trabalhavam junto com pai e mãe. É uma situação que a gente não tem mais garantia de nada”, desabafa.

Acuado, mas mais perigoso

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (16), o secretário de Estado da Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, afirmou que a operação não acaba enquanto Lázaro não for pego, mas ressaltou que o momento atual é delicado devido às circunstâncias do criminoso.
 
“Ele está com mais dificuldade ainda para conseguir alimento. Ele geralmente sai da mata atrás de comida. É uma área muito grande, ele conhece muito bem, é mateiro, já falei isso várias vezes. Mas está cansado e acuado. Cansado e acuado ele fica mais perigoso, mas fica mais suscetível à nossa chegada. Ontem nós ficamos muito perto dele. Hoje nós vamos pegar”, declarou.
 
A suspeita das forças policiais é de que o criminoso não se movimentou na última madrugada, mas saiu do perímetro em que estava se escondendo pela manhã. A inteligência da operação optou por deixar agentes e militares especializados no local, como o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PMDF, representando a capital. A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal também participam das buscas.
 
Rodney avaliou que “todo mundo que a gente precisa” está atuando na caça. “A nossa inteligência tem funcionado, com todas as dificuldades. Nós temos muita dificuldade de comunicação aqui. Hoje, a gente conseguiu um apoio do Exército para rádios que funcionam em frequências dentro da mata. Enfim, a gente está avançando a cada dia.”
 
O secretário informou que visitou todas as propriedades da região onde Lázaro pode estar e passou uma recomendação de retirada a quem pode sair dos lotes. “Passamos uma orientação. Aqueles que não precisam pernoitar nas propriedades ou ficar o dia todo nas propriedades, [pedimos para que] se retirem. Aqueles que precisam, a gente está tentando manter a polícia o mais próximo possível.”

“Corrida macabra contra o tempo”

Para especialistas, cada dia passado sem a captura de Lázaro representa um perigo a mais. Leonardo Sant’anna, especialista em segurança pública, afirma que “nós estamos no meio de uma corrida macabra contra o tempo”. Ele explica que o nível de desequilíbrio e a agressividade do procurado, observado na forma como são realizadas as ações criminosas, são elementos que reforçam a necessidade de fechar o cerco contra o homem.
 
“A ideia é que ele seja capturado vivo. E, nesse caso, nós estamos tratando de uma operação que envolve dois tipos diferentes de técnicas, busca e resgate, conhecida internacionalmente como ‘SAR’, em uma ação policial. A primeira, além de pessoas experientes, necessita também de equipamentos diferenciados, normalmente em pouca quantidade nas instituições policiais, já que não se tem uma cultura de investimento governamental nesse sentido”, cita.
 
Leonardo exemplifica o uso de tecnologias como câmeras que captam a temperatura de quem esteja no solo e podem ser usadas para buscas noturnas. “Existe a necessidade dessas ferramentas especiais também. No segundo caso, das operações policiais, o nível de dificuldade se torna muito maior por entrar na captura de alguém que supostamente está armado, alguém de bastante agressividade, que promove medo e violência por onde passa. Os policiais têm que fazer entrevistas mais minuciosas em todas as casas que passam, e buscar coletar evidências que indiquem o caminho por onde possa ter passado esse agressor social.”

Governadores

Os governadores de Goiás e do Distrito Federal já se pronunciaram publicamente sobre o caso. Na capital da República, Ibaneis Rocha (MDB) disse que a “caçada impressiona muito, mas espero que ele seja preso o mais rápido possível, para que a gente possa tranquilizar as famílias daquela região e dar a punição devida a esse marginal que vem causando tanto mal e que vem fazendo a polícia do Distrito Federal e do Goiás quase como de bobas”. Ronaldo Caiado (DEM) também manifestou preocupação, avaliando Lázaro como um “facínora”, que age com crueldade. 
 

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