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Baixar áudioO dólar comercial encerrou o último pregão em queda de 0,77% frente ao real, cotado a R$ 5,06, no menor valor desde abril de 2024. O câmbio acompanhou a tendência externa, com o indicador DXY — que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra — apresentando baixa de 0,34%.
O desempenho da moeda estadunidense foi influenciado pelo otimismo nas negociações geopolíticas, com o mercado repercutindo o avanço nas tratativas de cessar-fogo no Oriente Médio e a possibilidade de diálogos diretos entre Israel e Líbano.
A redução da aversão ao risco ganhou força após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmar que busca iniciar negociações com o país vizinho "o mais breve possível". A sinalização ocorreu após o presidente dos EUA, Donald Trump, pedir que Israel reduzisse a intensidade dos ataques para não comprometer o sucesso das conversas com o Irã. Trump afirmou, em entrevista à NBC News, que os líderes iranianos estão sendo "razoáveis" nas reuniões e confirmou que representantes de Washington e Teerã se encontrarão no próximo sábado (11) em Islamabad, no Paquistão, para buscar um acordo de paz definitivo.
Apesar do clima de alívio, os investidores mantiveram a cautela diante de declarações do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei. Em pronunciamento, ele indicou que o Irã passará a cobrar pedágios e limitar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Por outro lado, o real foi beneficiado pela valorização do petróleo Brent no mercado internacional, uma vez que a alta da commodity favorece moedas de países exportadores, como o Brasil.
Os investidores também repercutiram dados dos Estados Unidos, que ficaram em segundo plano diante da geopolítica. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,4% em fevereiro, mantendo o núcleo da inflação em 3% na comparação anual — ainda acima da meta de 2% do Federal Reserve — o Banco Central do país. Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano do quarto trimestre de 2025 foi revisado para baixo, registrando crescimento anualizado de 0,5%, resultado inferior à estimativa de 0,7% prevista por analistas.
O euro, por sua vez, encerrou a sessão em estabilidade, cotado a R$ 5,96.
A tabela abaixo mostra as cotações cruzadas entre as principais moedas internacionais e o real. Cada célula indica quanto vale 1 unidade da moeda da linha em relação à moeda da coluna.
| Código | BRL | USD | EUR | GBP | JPY | CHF | CAD | AUD |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| BRL | 1 | 0,1975 | 0,1676 | 0,1460 | 31,3907 | 0,1560 | 0,2728 | 0,2771 |
| USD | 5,0644 | 1 | 0,8546 | 0,7444 | 158,99 | 0,7899 | 1,3817 | 1,4115 |
| EUR | 5,9666 | 1,1701 | 1 | 0,8708 | 186,02 | 0,9245 | 1,6168 | 1,6516 |
| GBP | 6,7941 | 1,3434 | 1,1483 | 1 | 213,59 | 1,0614 | 1,8561 | 1,8963 |
| JPY | 3,18576 | 0,629030 | 0,53761 | 0,468231 | 1 | 0,4969 | 0,86906 | 0,88790 |
| CHF | 6,4123 | 1,2661 | 1,0817 | 0,9423 | 201,30 | 1 | 1,7490 | 1,7878 |
| CAD | 3,6659 | 0,7238 | 0,6186 | 0,5388 | 115,08 | 0,5716 | 1 | 1,0225 |
| AUD | 3,6096 | 0,7082 | 0,6055 | 0,5273 | 112,60 | 0,5594 | 0,9786 | 1 |
Os dados são da Investing.com
Copiar o textoÍndice renovou os recordes intradia e de fechamento acima dos 195 mil pontos pela primeira vez
Baixar áudioO Ibovespa voltou a fechar o pregão em alta de 1,52%, no patamar recorde de 195.129 pontos, após renovar a máxima histórica intradia de 195.513 pontos. O desempenho do índice foi impulsionado pelo otimismo global em torno de um possível cessar-fogo definitivo no Oriente Médio.
O clima de maior apetite ao risco foi alimentado pelas expectativas de avanços diplomáticos nas negociações de trégua entre Estados Unidos, Israel e Irã. Paralelamente, investidores reagiram positivamente a dados de inflação e crescimento econômico nos Estados Unidos, que vieram em linha com as projeções do mercado, reduzindo as incertezas sobre a condução da política monetária global.
Em Wall Street, os principais índices encerraram o dia no campo positivo, enquanto as bolsas da Europa fecharam em leve queda, refletindo o receio de investidores locais sobre a durabilidade dos acordos de paz na região do conflito.
No cenário doméstico, as atenções se voltaram para as declarações do secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello. Em entrevista, Mello assegurou que o governo federal manterá a agenda de ajustes fiscais ao longo de 2026, mesmo em um ano marcado por eleições. Segundo o secretário, a gestão continuará focada em medidas de aprimoramento de receitas e despesas, sinalizando compromisso com o equilíbrio das contas públicas apesar do calendário eleitoral.
No Ibovespa, as ações da Petrobras foram um dos grandes destaques do dia, subindo 2,77% e recuperando cerca de R$ 20 bilhões em valor de mercado, apoiadas pela valorização de 1,23% do petróleo Brent, que fechou em US$ 95,92 por barril. Por outro lado, a Vale figurou entre as poucas quedas do índice, em dia de ajuste para o setor de mineração.
Confira as ações com melhor e pior desempenho no último fechamento:
Ações em alta no Ibovespa
Nordon Industrias Metalurgicas S.A. (NORD3): +27,78
Construtora Adolpho Lindenberg SA (CALI3): +19,63%
Ações em queda no Ibovespa
Companhia Distribuidora de Gas do Rio de Janeiro (CEGR3): -32,60%
Plascar Participacoes Industriais S.A. (PLAS3): -26,00%
O volume total negociado na B3 foi de R$ 37.295.042.280, em meio a 4.056.639 negócios.
Os dados da bolsa podem ser consultados no site da B3.
O Ibovespa (Índice Bovespa) é o principal indicador do mercado acionário brasileiro. Calculado pela B3, ele reflete a média do desempenho das ações mais negociadas na bolsa, com base em critérios de volume e liquidez. O índice é composto por uma carteira teórica de ativos, que representa cerca de 80% do volume financeiro total negociado no mercado.
A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é a bolsa de valores oficial do Brasil, sediada em São Paulo. É responsável pela negociação de ações, derivativos, títulos públicos e privados, câmbio e outros ativos financeiros. A B3 está entre as maiores bolsas do mundo em infraestrutura e valor de mercado.
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Baixar áudioO Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu, nesta quinta-feira (9), a situação de emergência em oito cidades afetadas por desastres nos estados do Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraíba e Santa Catarina. As portarias com os reconhecimentos foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU). Confira mais detalhes abaixo:
Foram castigados por fortes chuvas os municípios de Abaíra, na Bahia; Ilicínea, em Minas Gerais, e Mãe do Rio e Garrafão do Norte, no Pará. Já Benjamin Constant, no Amazonas, foi atingido por inundação.
Por outro lado, passam por um período de estiagem as cidades de Sossêgo e Nazarezinho, na Paraíba, e Capão Alto, em Santa Catarina.
Agora, as prefeituras já podem solicitar recursos do Governo Federal para ações de defesa civil, como compra de cestas básicas, água mineral, refeição para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza de residência, higiene pessoal e dormitório, entre outros.
Os municípios com reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar apoio financeiro ao MIDR por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). A Defesa Civil Nacional avalia os planos de trabalho enviados e, após a aprovação, publica portaria no DOU com os valores a serem liberados.
A Defesa Civil Nacional oferece uma série de cursos a distância para habilitar e qualificar agentes municipais e estaduais para o uso do S2iD. As capacitações têm como foco os agentes de proteção e defesa civil nas três esferas de governo. Confira neste link a lista completa dos cursos.
Com informações do MIDR
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica variação do tempo na região Sul nesta sexta-feira (10), com chuva no litoral e tempo mais firme no extremo sul.
No Paraná, a expectativa é de chuva isolada no litoral, em cidades como Guaratuba, Paranaguá e Guaraqueçaba.
Em Santa Catarina, pode chover em municípios do norte catarinense, como Joinville, São Francisco do Sul e Araquari.
Já no Rio Grande do Sul, o tempo permanece firme, com céu claro e poucas nuvens ao longo do dia.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 14°C, em Curitiba. Já a máxima deve atingir até 26°C, em Florianópolis. A umidade relativa do ar varia entre 45% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas intensas para o Centro-Oeste nesta sexta-feira (10).
Em Mato Grosso, há previsão de pancadas de chuva em cidades como Cuiabá e Rondonópolis, com sol entre nuvens ao longo do dia.
Em Goiás e no Distrito Federal, a instabilidade atinge municípios como Goiânia, Anápolis e Brasília, com muitas nuvens e possibilidade de chuva.
Já em Mato Grosso do Sul, o tempo segue com sol entre nuvens em cidades como Campo Grande e Dourados, com menor chance de chuva.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 18°C, em Brasília. Já a máxima deve chegar a 33°C, em Campo Grande. A umidade relativa do ar varia entre 40% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas intensas para a Região Sudeste nesta sexta-feira (10).
Em São Paulo, chove em Santa Cruz das Palmeiras, Mococa e Cajuru, regiões de Campinas e Ribeirão Preto.
Em Minas Gerais, a instabilidade atinge São Geraldo da Piedade, Abre Campo e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce e Zona da Mata.
No Rio de Janeiro, há previsão de chuva em Cardoso Moreira, São Fidélis e Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
No Espírito Santo, o dia será de muitas nuvens com pancadas de chuva e trovoadas.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 17°C, em Belo Horizonte. Já a máxima pode chegar até 28°C, no Rio de Janeiro. A umidade relativa do ar varia entre 50% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Copiar o textoNo Acre e em Rondônia, a previsão é de muitas nuvens com chuva isolada
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas intensas para a Região Norte nesta sexta-feira (10).
No Acre e em Rondônia, a previsão é de muitas nuvens com chuva isolada.
Em Roraima e Amapá, o tempo segue com muitas nuvens, mas sem expectativa de chuva.
No Amazonas, há pancadas de chuva e trovoadas em Novo Aripuanã, Borba e Apuí.
No Pará, a condição se repete em Altamira, Itaituba e Novo Progresso.
Já no Tocantins, fortes precipitações são esperadas em Natividade, Peixe e Santa Rita do Tocantins.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 22°C, em Rio Branco. Já a máxima pode chegar a 33°C, em Boa Vista. A umidade relativa do ar varia entre 50% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas intensas para o Nordeste nesta sexta-feira (10).
No Maranhão, há pancadas de chuva e trovoadas em Presidente Dutra, São Luiz Gonzaga do Maranhão e Vitorino Freire.
No Piauí, a condição se repete em São Miguel do Tapuio e Elesbão Veloso.
No Ceará, as precipitações atingem Sobral e Santa Quitéria.
No Rio Grande do Norte, há muitas nuvens com chuva isolada em Serra do Mel e Mossoró.
Na Paraíba, pode chover em São José de Piranhas e Sousa.
Em Pernambuco, a previsão é de muitas nuvens com chuva isolada em Trindade e Santa Filomena.
Já em Alagoas e Sergipe, o tempo segue estável, com poucas nuvens.
Na Bahia, há muitas nuvens com chuva isolada em Barra e Xique-Xique.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 23°C em Maceió. Já a máxima pode chegar a 31°C, em Salvador. A umidade relativa do ar varia entre 60% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Copiar o textoApesar da alta mensal, resultado ainda não reverte perdas de 2025 e mantém queda no acumulado do ano
Baixar áudioO faturamento real da indústria de transformação cresceu 4,9% em fevereiro deste ano, segundo levantamento mais recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em janeiro, o índice havia avançado 1,3% e, agora, acumula alta de 6,2% em relação a dezembro de 2025.
Apesar da sequência de resultados positivos, os dados ainda não indicam uma retomada consistente do ritmo de crescimento do setor. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o faturamento industrial registra queda de 8,5% no acumulado do primeiro bimestre de 2026.
Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, os resultados devem ser interpretados com cautela.
“Esses resultados não reverteram as quedas dos últimos meses de 2025 e dificilmente isso vai acontecer nos próximos meses. Mesmo que haja mais alguma alta, a comparação do mesmo período deste ano de 2026 com 2025 provavelmente ainda mostrará resultados negativos por algum tempo, refletindo essas dificuldades que a indústria veio acumulando no final do ano passado”, explica.
Outro indicador que exige atenção é o de horas trabalhadas na produção. De acordo com o levantamento, o índice cresceu 0,7% em fevereiro, registrando a segunda alta consecutiva. Ainda assim, o avanço não compensa as perdas observadas ao longo do segundo semestre de 2025. Na comparação com janeiro e fevereiro do ano passado, as horas trabalhadas na produção recuaram 2,7%.
“Não vemos, no curto prazo, muitas mudanças nesse cenário de demanda mais fraca para a indústria, o que se reflete em faturamento menor e em horas trabalhadas na produção ainda comprimidas”, destaca Azevedo.
Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) permaneceu praticamente estável, passando de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro. No acumulado do primeiro bimestre de 2026, houve queda de 1,6 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.
O levantamento da CNI mostra ainda que os indicadores ligados ao mercado de trabalho industrial praticamente não variaram entre janeiro e fevereiro.
O emprego ficou estável no período e acumula queda de 0,4% no primeiro bimestre de 2026 na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.
A massa salarial e o rendimento médio pagos aos trabalhadores da indústria permaneceram estáveis de janeiro para fevereiro. No acumulado do primeiro bimestre, a massa salarial segue em alta, com avanço de 0,9% frente ao mesmo período do ano passado. Já o rendimento médio cresceu 1,4% na mesma base de comparação.
O levantamento completo dos Indicadores Industriais está disponível no site da CNI.
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Copiar o textoEm um momento em que a mineração global é pressionada por demandas simultâneas de eficiência, sustentabilidade e velocidade, a engenharia mineral no Brasil se vê diante de uma encruzilhada. De um lado, um arsenal tecnológico sem precedentes — inteligência artificial, modelagem avançada, digitalização de processos e integração de dados em escala nunca antes disponível. De outro, desafios estruturais que persistem: formação de talentos, cultura organizacional, fragmentação entre disciplinas e a dificuldade histórica de transformar inovação em prática efetiva.
Foi a partir desses aspectos que se desenvolveu o debate promovido pela Brasil Mineral, reunindo profissionais com trajetórias complementares e forte atuação no setor. Os moderadores foram os conselheiros da revista: Cláudia Diniz, engenheira química de formação com mestrado e doutorado em processamento mineral, MBA em negócios de mineração e uma carreira de mais de 20 anos no setor – é cofundadora do Mining Hub e do Women in Mining Brasil (onde também exerce o cargo de diretora). Em 2016 ela foi premiada como uma das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo da mineração, concedido pelo Women in Mining UK. Hoje trabalha na Accenture. O outro conselheiro que atuou como moderador foi Arão Portugal, profissional de vasta experiência no setor, formado em administração de empresas com especialização em comércio exterior e com MBA em Supply Chain. Em sua carreira ele teve passagens pela Vale, foi vice-presidente administrativo da Yamana Global e Country Manager do Brasil, passando depois pela Amarillo Gold, atuando no projeto Mara Rosa, até a empresa ser adquirida pela Hochschild Mining. Hoje Arão é consultor no setor, com importante presença na Aclara Resources, mineradora de terras raras, cujo projeto está sendo desenvolvido no nordeste de Goiânia, local de grande desafio logístico.
Como debatedores, o encontro contou com a presença de Mara Estanislau, vice-presidente Brasil da Ausenco; Maria de Lourdes Bahia, vice-presidente da área de Mineração e Metalurgia para a América Latina da AtkinsRéalis; Bruno Vartuli, diretor de Ferrosos e Leves da Hatch, responsável pelas operações no Brasil; Saulo Liberato, diretor da DMT no Brasil, empresa com foco em geologia e análise de projetos; Alexandre Baltar, vice-presidente da Abremi (Associação Brasileira de Engenheiros de Minas); e do Professor Maurício Bergerman, engenheiro de minas com passagem profissional pela Vale nas áreas de cobre e ferrosos. Foi docente da Universidade Federal de Alfenas, vindo depois para a Poli/USP na área de tratamento de minérios, onde possui mestrado e doutorado. Pelo lado da academia, ele ressaltou duas questões: como a mineração incorpora novas tecnologias e como o Brasil lida com o desenvolvimento tecnológico, sempre mais difícil nos países em desenvolvimento.
Ao longo da conversa, mais do que discutir tendências, o grupo buscou responder a uma provocação central: se fosse possível redesenhar hoje o modelo de desenvolvimento de projetos de engenharia de capital, por onde começar — tecnologia, processos ou pessoas?
A discussão revelou rapidamente que, embora a tecnologia avance em ritmo acelerado, sua adoção ainda esbarra em barreiras menos visíveis, porém mais complexas. A cultura organizacional, a baixa maturidade digital de parte das empresas, a falta de integração entre etapas dos projetos e a carência de profissionais com formação híbrida surgiram como entraves recorrentes. Ao mesmo tempo, destacou-se a existência de um descompasso crescente entre a velocidade da inovação e a capacidade de adaptação das organizações.
Outro ponto de convergência foi o reconhecimento de que o setor atravessa uma lacuna de experiência. Após ciclos de crise e retração, somados aos efeitos da pandemia, parte significativa da nova geração de engenheiros ainda não vivenciou projetos completos, o que impacta diretamente a qualidade das decisões e reforça a necessidade de maior aproximação entre academia e indústria.
Nesse contexto, temas como gestão de riscos, revisão das metodologias tradicionais de projeto, incorporação gradual de tecnologias e fortalecimento de modelos colaborativos ganharam protagonismo. A Inteligência Artificial, por sua vez, apareceu como ferramenta estratégica, mas longe de ser uma solução autônoma — seu valor depende, sobretudo, da qualidade dos dados e da capacidade analítica de quem a utiliza.
Ao final, mais do que apontar respostas definitivas, o debate deixou clara a complexidade do momento vivido pela engenharia mineral. A transformação em curso não será conduzida apenas por avanços tecnológicos, mas pela capacidade do setor de alinhar pessoas, processos e inovação em uma mesma direção — com mais integração, mais visão sistêmica e, sobretudo, mais consciência sobre o papel da engenharia na construção da mineração do futuro.
Leia a matéria completa na edição 455 da Brasil Mineral
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