Alimento

13/09/2022 18:55h

O aumento é de 14,5 milhões em relação ao ciclo anterior. Centro-oeste lidera ranking das regiões com maior crescimento, quase 50% na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas

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A produção brasileira de grãos na safra 2021/22 está estimada em 271,2 milhões de toneladas, um acréscimo de quase 14,5 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior. O levantamento foi divulgado na última quinta-feira (08) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

“Embora tenha passado por adversidades climáticas em algumas regiões produtoras, principalmente nos estados da região Sul do país, esta é a maior colheita já registrada dentro da série histórica de produção de grãos no Brasil”, ressalta o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro.

O arroz, o milho e a soja, três principais produtos desse grupo, representam 91,5% da estimativa da produção, e respondem por 87,1% da área a ser colhida. A área total no país a ser colhida é de 73 milhões de hectares, 6,5% maior que em 2021. O crescimento foi de quase 10% em relação ao ano passado. 

A produção nacional de milho, em 2022, deve alcançar novo recorde, com estimativa de 109,9 milhões de toneladas e alta de 25,2% na comparação com o ano passado. O algodão em caroço também teve alta de 17,7%, e a produção da soja aumentou 4,7%. Já o trigo teve produção de 9% a mais em relação a 2021.

A estimativa de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas também apresentou variação anual positiva para quatro grandes regiões do país. No Centro-Oeste, o aumento foi de 1,4%. Na região Norte, 11%. No Sudeste, 10,8% e no Nordeste, 10,3%. A região Sul foi a única do país com variação negativa, com queda de 14,6% na produção.  

Entre os estados brasileiros, Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,8% na produção. Em segundo lugar vem o estado do Paraná, com 13,2%, seguidos de Goiás, 10,3%, Rio Grande do Sul 9,8%, Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (6,5%). Somados, esses seis estados representaram 78,7% do total nacional. 

Com relação às participações das regiões brasileiras na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, o Centro-Oeste teve aumento de quase 50%. O Sudeste, de 10,4%, o Nordeste, de 9,7%, e o Norte, 5,2%. Para o engenheiro-agrônomo extensionista da Emater-DF, Marconi Borges, o sucesso da safra de grãos na região central do país deve-se à prática de tecnologias específicas, apesar dos problemas climáticos. 

“A tecnologia utilizada, principalmente na região do Planalto Central, no uso de plantio direto, é o que permitiu superar essa adversidade climática”, explica o especialista. “É uma ferramenta extraordinária para conservação de solo e água e incorpora muito material orgânico no solo. Quanto mais material orgânico no solo, maior a capacidade de reter a água. Então acredito que esse foi o principal fator que levou a bater esse recorde”, defende. 

Economia acima do esperado com a reforma da previdência é boa para atração de investimentos, explicam especialistas

No âmbito externo, as vendas de algodão devem atingir a marca de 1,9 milhão de toneladas, com previsão de estoques finais de 1,3 milhão de toneladas. No caso da soja, os estoques finais da atual safra estão estimados em 6,19 milhões de toneladas, enquanto a projeção de exportação de produtos oleaginosos como castanha do caju, amendoim, amêndoa, entre outros, tem previsão de atingir a marca de 77,19 milhões de toneladas. 

Alta também para o estoque de passagem para o trigo em 2023 que, influenciado pela maior produção do cereal, deve atingir estoque de 1,6 milhões de toneladas entre agosto deste ano e junho do ano que vem. Já no caso do milho, a queda na produtividade de importantes regiões produtoras reduziu o volume esperado para o consumo e exportação do cereal de 76,5 milhões de toneladas para 37 milhões. 

Quanto ao arroz, a Companhia Nacional de Abastecimento prevê um consumo menor do produto, fechando o ano com 2,36 milhões de toneladas de estoque.
 

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18/08/2022 15:20h

Especialista orienta como escolher e conservar as hortifrútis

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Os produtores não precisam mais informar o prazo de validade dos vegetais frescos e embalados. A medida foi publicada na Portaria nº 458 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Trata-se de uma atualização da Instrução Normativa nº 69/2018, que estabelece os requisitos mínimos de identidade e qualidade dos produtos hortícolas.

O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa (Dipov), Glauco Bertoldo, afirma que o objetivo da decisão é evitar o desperdício de alimentos.  

“Um país como o Brasil não pode se dar ao luxo de perder nenhum tipo de alimento que possa ser consumido. Nós observávamos que, por exemplo, uma caixinha de morango, de uva, produtos que estão embalados em bandeja, como abobrinha, berinjela, tinham data de validade, mas estavam plenamente aptos para consumo. Então, entendemos que o consumidor tem a percepção de avaliar esse produto visualmente para entender se ele está apto para consumo.”

O diretor do Dipov ressalta que os requisitos mínimos de qualidade estão estabelecidos desde 2018. Por isso, nem todo produto pode ficar à disposição do consumidor por tempo indeterminado. “Eles têm que ter uma porcentagem máxima de podridão e batidas. Têm que estar inteiros, limpos e isentos de odores desagradáveis. Não é uma data de validade que vai dizer se o produto está bom ou não para consumo.”

Glauco Bertoldo explica por que foi necessário alterar a Instrução Normativa de 2018. “Quando o Ministério da Agricultura publicou em 2018 a Instrução Normativa 69, que traz a questão dos requisitos mínimos de qualidade, e não dispensou tacitamente no texto a data de validade desses produtos, houve o entendimento por algumas pessoas que seria obrigatório colocar o prazo de validade. Então, fizemos uma alteração da normativa, deixando esse entendimento claro que realmente não precisa dessa data de validade.”

Conab atualiza ferramenta para pesquisa de preços de hortifrútis

Hortas comunitárias podem auxiliar no consumo de alimentos mais saudáveis

Como escolher hortifrútis

A servidora pública Waniza Costa, moradora de Rio Branco, no Acre, conta que na hora de comprar frutas, verduras e legumes, prioriza os produtos da estação. “Eu olho se o aspecto é bom, se as cascas estão brilhantes e não têm estrago. Com relação à conservação, aqui no Acre, não tem como ser de outra forma se não for na geladeira. Eu costumo comprar algumas verduras que ainda não estão tão maduras. Mas a partir do momento que amadurecem, têm que ir para geladeira.”

A professora da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Bárbara Teruel, ensina como escolher os hortifrútis.

“O consumidor deve observar se o produto está limpo, íntegro, firme, sem manchas, nem cortes, com uma cor vibrante, convidativa. No caso das hortaliças, por exemplo, as folhosas, que as folhas estejam na cor que devem ser, que não estejam murchas.”

A especialista esclarece os riscos de ingerir um vegetal impróprio para consumo. “Caso o produto esteja contaminado com algum tipo de bactéria, fungo ou outra outra situação, pode haver contaminação alimentar e danos diversos à saúde.”

Do ponto de vista nutricional, pode haver perda de até 50% das vitaminas e minerais desde a colheita até a mesa do consumidor, a depender de como as frutas e hortaliças são tratadas. “Estudos comprovam que frutas cítricas, como laranja, limão, perdem aproximadamente 1% da quantidade de vitamina C, por dia, se conservadas a temperatura acima de 10 graus Celsius”, explica.

Bárbara Teruel dá dicas para conservar as frutas e hortaliças por mais tempo. “A recomendação é que, chegando em casa, [as hortifrútis] sejam mantidas na geladeira até o momento do consumo. Em geral, frutos e hortaliças devem ser consumidos em até uma semana depois da compra. O consumidor deve fazer o descarte quando perceber que os produtos perderam os atributos desejáveis."

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Agronegócios
18/07/2022 04:30h

Em entrevista ao portal Brasil 61, Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que o PIB do agro deve crescer 3,5%. Ele também explicou que a maior produção da agricultura não vai conseguir conter, sozinha, o preço dos alimentos

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Mesmo com as adversidades climáticas em algumas regiões produtoras, principalmente no Sul, a produção brasileira de grãos deve alcançar novo recorde. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra 2021-2022 poderá atingir 272,5 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 6,7% ou 17 milhões de toneladas em relação à temporada 2020-2021. 

Em entrevista ao Brasil 61, Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), analisou o desempenho da agricultura brasileira nos últimos anos e os impactos que a possível safra recorde de grãos pode ter sobre a inflação dos alimentos e a economia brasileira. 

Segundo Renato, a queda de 0,9% do PIB agropecuário no primeiro trimestre de 2021 será revertida, o que vai influenciar o PIB do país. “Devemos ver até o final de 2022 uma retomada do PIB da agropecuária. A nossa projeção é que, ao final de 2022, o PIB da agropecuária cresça 3,5%, contribuindo para o crescimento do PIB brasileiro, que deve ser de 1,7%”, estima. 

Na entrevista que você confere logo abaixo, o coordenador do Núcleo Econômico da CNA também ajuda a entender como funciona o calendário da agricultura brasileira. 

Brasil61: Renato, como foi o desempenho da agricultura brasileira nas últimas duas temporadas?

Renato Conchon (CNA): Nós tivemos problemas por adversidades climáticas tanto na safra 2020/2021 quanto na safra 2021/2022, que é essa agora. Na safra 2020/2021, nós tivemos problema no milho safrinha. Entre setembro e outubro o pessoal começa a plantar a safra de soja e a safra de verão do milho, principalmente no Sul do Brasil. A gente lembra que no final de 2020 não choveu, o que atrasou o plantio e, por óbvio, atrasou a colheita da soja e desse milho primeira safra (safra de verão), o que atrasou também o milho safrinha, isso já em 2021. Teve produtor que era pra plantar a primeira safra do milho em setembro, mas plantou em dezembro. E, por óbvio, ele não colheu em fevereiro. Ele colheu em abril. Então, ele plantou o milho safrinha (segunda safra) fora da janela ideal em 2021. Vimos que não choveu e houve uma queda significativa no milho safrinha, principalmente na região Centro-Oeste do Brasil, o que impactou a produção da safra de grãos para baixo. Fechamos a safra 2020/2021 com 255 milhões de toneladas. Veio a safra 21/22. Em setembro e outubro de 2021, o produtor plantou a soja na janela ideal. Veio chuva, ele colheu. Só que em algumas regiões, como no Sul do Brasil, teve atraso, porque não choveu. Ao invés de ter uma safrinha de milho ruim como foi da safra 20/21, teve a safra verão ruim. 

Brasil61: A melhora da safra na temporada 2021-2022 foi suficiente para a agricultura recuperar as perdas de 2020-2021? 

Renato Conchon (CNA): A safra de soja de 2021-2022 comparada com 2020/2021 caiu 10% por cento. Em contrapartida, a safra de milho cresceu 32%. Essa safra de soja foi pior do que a última safra. Mas o milho foi bem melhor. De uma maneira geral, regionalmente tem alguns prejuízos. Para o pessoal do Sul foi uma safra muito ruim. Para o pessoal do Centro-Oeste foi uma safra muito boa. No balanço total, se a gente somar milho, soja, algodão, trigo, todas essas culturas, ainda assim nós temos uma safra de 272,5 milhões de toneladas, um acréscimo de 6,7% comparado à safra 20/21. Ou seja, é um número positivo, bom, um crescimento bastante significativo, mas poderia ter sido melhor. 

Brasil61: O aumento da safra de grãos em 2022 vai contribuir para queda no preço dos alimentos? 

Renato Conchon (CNA): É importante ressaltar que nós estamos com processo inflacionário em todo o mundo. Principalmente a inflação associada a alimentos e as commodities energéticas. As commodities alimentícias estão subindo porque alguns países, durante a pandemia e a guerra, não conseguiram produzir ou escoar suas safras. Um exemplo muito recente é a Ucrânia com o trigo. Associado a isso, a Rússia é uma grande fornecedora de gás natural e, por conta do conflito, o preço do gás natural subiu, assim como o preço do petróleo, o que está impactando a inflação dos combustíveis. Se a gente olhar para o Brasil, a gente está ‘importando essa inflação’, mas também tem questões internas. Já trazendo para o setor agropecuário, essa produção boa de cereais, fibras e oleaginosas, com crescimento de 6,7% comparado à última safra foi bastante positiva. Se a gente tem uma quebra de safra, menos produto vai estar circulando dentro da nossa economia. Menos produto, o preço sobe. A gente destaca também que existem outros produtos que influenciam o dia a dia dos brasileiros, que são as hortaliças e as frutas, que não são commodities, ou seja, não são precificadas no mercado internacional. Por exemplo, o tomate. Não tem precificação no mercado internacional, mas o custo para o produtor está subindo, o fertilizante está subindo no mundo todo. Subiu para o produtor de soja, de trigo, milho e também de tomate. Entretanto, no mercado internacional o preço da soja subiu. Então, uma coisa acaba equivalendo a outra. Para o produtor de tomate [o preço], por exemplo, não [subiu]. O custo dele subiu e ele não consegue repassar esse custo para a população. E com isso a gente tem impactos de queda de produção e isso acaba influenciando na inflação, como a gente sabe. O custo de produção subiu para todos os produtores. A receita subiu para alguns, mas para outros não, o que está fazendo com que parte dos produtores esteja trabalhando no vermelho e eles acabam reduzindo a produção, o que influencia ainda mais os preços dos alimentos. 

Brasil61: Então mesmo com maior oferta de grãos nesta safra, isso tende a não impactar tanto o preço dos alimentos? 

Renato Conchon (CNA): Correto. Tende a ser positivo, porque se tivesse tido uma quebra de safra, com certeza os preços subiriam mais. 

Brasil61: O PIB da agropecuária caiu 0,9% no primeiro trimestre deste ano. Acredita que  setor vai conseguir reverter o resultado nos trimestres seguintes? 

Renato Conchon (CNA): Sim. Houve uma queda neste primeiro trimestre de 2022, mas a nossa previsão é que haja uma recuperação por conta das outras produções do segundo trimestre, especificamente o milho safrinha, que esse ano foi muito bom. Tem também uma previsão muito boa para o algodão. E a produção do algodão influencia bastante nos resultados do PIB e outras cadeias, tal como café, cana-de-açúcar e o próprio trigo. O trigo é um exemplo bastante interessante, porque o Brasil é importador líquido de trigo para o seu consumo. Como a Ucrânia é uma grande produtora e exportadora de trigo e esse ano ela não vai produzir porque está em guerra, os preços subiram no mercado internacional e os produtores do Brasil viram isso como uma possibilidade e estarão mais dispostos a ampliar sua área plantada de trigo ou de colocar um pacote tecnológico mais avançado que dê uma maior produtividade. Devemos ver até o final de 2022 uma retomada do PIB da agropecuária. A nossa projeção CNA é que ao final de 2022 o PIB da agropecuária cresça 3,5%, contribuindo para o crescimento do PIB brasileiro, que na nossa projeção está em algo aproximado de 1,7%. 

Brasil61: Como funciona o calendário da agricultura brasileira? 

Renato Conchon (CNA): No nosso dia a dia a gente trabalha com o ano civil, que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. A atividade agropecuária não trabalha nesse ciclo. Trabalha com o período da safra, que seria de 1º de julho a 31 de junho do ano seguinte. Funciona assim: a ‘safra verão’ é quando o pessoal planta principalmente soja e parte do milho (primeira safra) entre setembro e novembro, depende da região do Brasil. Então, o produtor faz essa escolha (entre plantar soja ou milho). Ele planta no final de setembro ou em outubro e colhe a soja ou o milho entre fevereiro e março.  Na sequência, ele planta o milho segunda safra (milho safrinha). Na região Centro-Oeste chove menos nesse período do ano. Então ele tem que ter o plantio em março, no máximo, porque ainda está chovendo na região Centro-Oeste e essa chuva ajuda o desenvolvimento do milho segunda safra. Se o produtor plantar muito atrasado, ele não vai pegar essas chuvas e o milho é muito sensível à necessidade de água, mais do que a soja. Então, aí a gente tem uma frustração de safra, que foi o que aconteceu em 2020/2021. Em épocas normais, como na safra 2021/2022, ele plantou o milho safrinha entre fevereiro e março e está colhendo. Acabou a safra pra ele. Mas em algumas regiões, por exemplo, no Sul do Brasil, temos as chamadas culturas de inverno. É a produção de trigo e aveia. Essas culturas precisam de frio, umidade e de uma série de fatores para se desenvolver. O produtor vai colher por volta de agosto, setembro, quando começa todo o ciclo novamente. 

Brasil61: Por que a maior safra de milho leva o nome de safrinha? 

Renato Conchon (CNA): No passado, a safrinha era residual. O maior volume de produção do milho era na primeira safra, ou seja, que plantou em setembro e colheu em fevereiro. Só que com o desenvolvimento das tecnologias, desenvolveu-se a agricultura no cerrado brasileiro. Por conta da questão do período de chuvas, viram que existe uma possibilidade muito boa de plantar o milho não na primeira safra, mas, sim, entre fevereiro e março. E isso foi ganhando o cerrado. Então, o que antes era chamado de safrinha, porque era uma safra menor em volume em área plantada, agora virou ‘safrão’. Só pra gente ter uma ideia, o milho primeira safra, ou seja, aquele que planta em setembro e colhe em fevereiro, a gente produz aproximadamente 25 milhões de toneladas. O milho segunda safra, que a gente planta em fevereiro e colhe mais ou menos em maio, a gente colhe 88 milhões de toneladas. Por opção chamamos de safrinha, mas hoje o safrinha virou ‘safrão’. Já a soja é plantada só uma vez no ano, que é entre setembro e novembro, depende da região. Não tem safrinha de soja, por exemplo. 

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02/07/2022 16:20h

O programa é voltado para entidade, empresa ou associação que buscam o reconhecimento do seu programa para adoção de boas práticas

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O mês de julho começou com uma novidade para o setor agrícola. Desde esta sexta-feira (1°) está em vigor a Portaria nº 448. Entre os pontos, a medida estabelece o procedimento para a submissão da documentação necessária ao reconhecimento de programas voltados à promoção de boas práticas agrícolas.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o documento também regulamenta a Portaria n° 337, publicada em 2021, que prevê requisitos mínimos e reconhece programas de promoção de boas práticas agrícolas no Brasil. 

Segundo o coordenador-geral de Sistemas Integrados de Produção Agrícola do MAPA, Marcus Vinícius de Miranda, o intuito da portaria é estimular a produção de alimentos seguros e de qualidade. Além disso, a ideia é desempenhar iniciativas que visam melhorar a qualidade e estimular práticas sustentáveis de produção agrícola. 

“O Ministério basicamente elaborou o que entendemos como requisitos mínimos necessários para ser considerado boas práticas agrícolas. Na Portaria 337 de 2021, nós elaboramos o que seriam esses requisitos mínimos. Na portaria mais recente, que entrou em vigor em julho, estão citados os critérios para as entidades enviarem seus projetos de boas práticas agrícolas para ter reconhecimento do MAPA”, explica. 

Reconhecimento de boas práticas agrícolas 

Para que os entes públicos e privados interessados tenham o programa de boas práticas reconhecido e chancelado pelo Ministério, é preciso que protocolem o Termo de Declaração junto à Pasta. 

Vale destacar que a adesão ao programa não é obrigatória e os interessados devem fazer uma autodeclaração alegando que estão adequados segundo a Portaria 337. Miranda explica que, após o envio, a documentação será analisada pela Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação (SDI/Mapa).

“Já tem um modelo pronto na portaria de um termo de declaração. Ou seja, a própria entidade assume que adota boas práticas agrícolas. O programa não é voltado para o produtor individualmente, e sim para uma entidade, empresa ou associação que quer ter o reconhecimento do seu programa para adoção dessas boas práticas”, destaca Marcus Vinícius.

O que são as boas práticas agrícolas?

De acordo com o MAPA, as boas práticas agrícolas são representadas por um grupo de “normas,  princípios e recomendações técnicas aplicadas nas etapas de produção, processamento e transporte de produtos vegetais alimentícios e não alimentícios, orientadas a promover a oferta de alimento seguro, de forma a cuidar da saúde humana, proteger o meio ambiente e melhorar as condições dos trabalhadores rurais e sua família.”

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Entre os requisitos mínimos estão o planejamento e a gestão do estabelecimento rural; o cumprimento da legislação ambiental e trabalhista vigente; a organização e a higiene no estabelecimento rural; a nutrição de plantas; a fertilidade e a conservação do solo; o uso correto de insumos; o uso racional e a qualidade da água; a rastreabilidade do processo produtivo com registros e controles da produção e o manejo integrado de pragas. 
 

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23/06/2022 21:00h

O encontro foi o quarto de uma série. A partir do que foi discutido, a CNA deverá formular as propostas do setor produtivo para apresentar aos candidatos à Presidência e aos parlamentares

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Em todo o mundo, uma em cada três pessoas não teve acesso à alimentação adequada em 2020. No mesmo ano, a estimativa é de que entre 720 e 811 milhões de pessoas enfrentaram problemas relacionados à fome. Os dados são do relatório Estado da Insegurança Alimentar e Nutrição no Mundo, da Organização das Nações Unidas (ONU). 

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou evento nessa quarta-feira (22) para tratar de estratégias a fim de garantir a segurança alimentar. Na ocasião, o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sérgio De Zen, falou da importância de separar a produção e oferta de alimentos da aquisição e acesso a eles. Para ele, trata-se de uma questão de renda, programas sociais e decisão econômica.

“O governo e as instituições nacionais e internacionais podem se posicionar em relação à aquisição de alimentos para evitar a escassez. É por meio da previsibilidade que conseguimos instituir uma agenda positiva. Com isso, as decisões tanto do plantio, como da colheita e da retenção de matrizes têm que ser tomadas com base nesses cenários”, pontuou.

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O evento também contou com a presença do professor sênior de Agronegócio no Instituto de Ensino e Pesquisa e coordenador do centro Insper Agro Global, Marcos Jank. Durante o encontro, ele destacou que o cenário de fome atual está associado à pandemia e à guerra. 

“Temos observado vários países tomando decisões erradas. A maioria defende que a solução para a fome é voltar com os subsídios distorcidos e estoques estratégicos, mas a solução para o problema da segurança alimentar é global. É manter mercados abertos, apoiar populações mais vulneráveis, aumentar a transparência e o diálogo internacional”, disse Jank.

O evento organizado pela CNA contou com a presença de especialistas, políticos, lideranças e autoridades para tratar de temas considerados fundamentais para o Brasil. O encontro foi o quarto de uma série. A partir do que foi discutido, a CNA deverá formular as propostas do setor produtivo para apresentar aos candidatos à Presidência e aos parlamentares.
 

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23/04/2022 20:55h

Os dados do estudo do Ministério da Cidadania vão ajudar na elaboração de políticas públicas mais adequadas

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Os municípios brasileiros já podem participar do Mapeamento de Segurança Alimentar e Nutricional 2022. Esta é a quarta edição da pesquisa de Segurança Alimentar. A primeira edição foi em 2014 e a última, em 2018. A expectativa do Ministério da Cidadania é que mais de 3,3 mil municípios participem da coleta de dados para a composição do mapeamento.  Cada município pode fazer o preenchimento das informações até o dia 2 de julho, via internet

O diretor do Departamento de Estruturação de Equipamentos Públicos do Ministério da Cidadania, Luis Romaguera, explica que é fundamental a adesão dos municípios para que as políticas públicas na área de segurança alimentar possam ser aperfeiçoadas. 

“A adesão à pesquisa é voluntária e a sua participação contribui significativamente para o fortalecimento do SISAN nacional e para o aprimoramento das políticas públicas que visem a garantia do direito humano à alimentação adequada em todo o território nacional. É importante que gestor ou gestora responsável pelo preenchimento do questionário, seja alguém que conheça o melhor possível as ações que são realizadas no município”, explica.


Falar em segurança alimentar envolve questões como a quantidade e qualidade da alimentação da população. Gustavo Chianca, representante do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação (FAO), explica que o conceito que envolve a segurança alimentar traz desafios complexos. “Ele inclui a fome, a má nutrição, doenças relacionadas à alimentação, uma alimentação que, muitas vezes, não é saudável”, complementa. 

Os gestores municipais podem buscar mais informações pelo e-mail mapasan@cidadania.gov.br; pelos telefones (61) 2030-1051/1129/2066 ou pelo Whatsapp (61) 2030-2066.
 

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Dr. Ajuda
01/02/2022 11:00h

Neste episódio, a cardiologista Dra. Tatiana Torres dá mais detalhes sobre o assunto

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Você sabe quanto de sal deve comer por dia? Deve cortar todo o sal da comida?

Neste episódio, a cardiologista Dra. Tatiana Torres dá mais detalhes sobre o assunto.

Todo mundo está cansado de saber que a redução da ingestão de cloreto de sódio, o sal comum, faz parte das medidas para controle da pressão arterial. O excesso de sódio no sangue retém líquidos e faz uma série de alterações nos rins e vasos que resultam no aumento da pressão. 

Mas você sabia que não deve retirar por completo o sal da dieta? O sal é composto em sua maior parte por sódio, um dos minerais mais importantes do organismo.

O sódio tem diversas funções essenciais no corpo humano. Participa do controle da quantidade de água corpórea, do equilíbrio do açúcar no sangue e faz parte de reações importantes do funcionamento dos músculos, cérebro e coração.  

Por isso que a recomendação é reduzir a ingesta de sal, mas não retirar por completo o sal da dieta. De uma forma geral, é recomendado a ingesta de 2 g de sódio ao dia (o equivalente a 5g de sal ou 5 colherinhas de chá rasas).

Dicas práticas para auxiliar a mudança de hábito:

  • Prefira alimentos frescos, preparados em casa, com temperos caseiros, mas também se acostume a ler os rótulos. Preste atenção na descrição da quantidade de sal e conservantes e opte por aqueles que descrevem a menor quantidade possível de componentes processados.

  • Retire o saleiro da mesa e evite despejar o sal sem nem ter experimentado a refeição. Outra coisa que ajuda muito é o momento do tempero dos alimentos. Priorize os temperos naturais.

Para saber mais, assista ao vídeo no canal Doutor Ajuda.

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28/11/2021 16:05h

Segundo rede de pesquisadores, Regiões Norte e Nordeste foram as mais afetadas

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Mais da metade dos brasileiros (55,2% dos domicílios) apresentaram algum grau de insegurança alimentar no final de 2020, meses críticos da pandemia. O dado da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional mostra um aumento de 54% da fome em comparação com 2018 (36,7%). 

Durante audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, o conselheiro consultivo da rede, Mauro Del Grossi, afirmou que essa situação é gravíssima. 

“Talvez o Haiti, quando teve um terremoto, teve uma situação parecida com essa. É um quadro dramático; quase 117 milhões de pessoas vivendo em algum nível de insegurança alimentar, ou seja, 55% da população", afirmou.

O levantamento mostra que 24 milhões de brasileiros, ou 11,5%, viviam em insegurança moderada, quando adultos comem menos do que precisam ou desejam. Outros 19 milhões, ou 9% da população, estavam em insegurança grave, quando até mesmo crianças se alimentam com menos do que necessitam.

Insegurança Alimentar no Brasil

A Região Norte apresentou a maior taxa de insegurança alimentar grave do país, com 18,1% da população, seguido pelo Nordeste (13,8%), Centro-Oeste (6,9%), e Sul/Sudeste (6%).

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Atlas das Situações Alimentares

Na última sexta-feira (26), o Centro de Pesquisas e Práticas em Nutrição e Alimentação Coletiva (CPPNAC), do Instituto de Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lançou o Atlas das Situações Alimentares. O material busca contribuir para o entendimento da alimentação e da fome, com base nas situações alimentares identificadas no Brasil.

O material analisa um conjunto de informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF, edições 2002-2003, 2008-2009 e 2017-2018) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, edições 2004, 2009 e 2013), ambas elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Durante a live de lançamento do Atlas, o geógrafo e um dos autores do material, José Raimundo Ribeiro, destacou a desigualdade da despesa média mensal familiar no Brasil. 

“Enquanto as famílias mais pobres gastam R$ 329 por mês com alimentação nos domicílios, ou gastavam em 2017, 2018, as famílias mais ricas do país gastavam R$ 2.061. É importante notar que as famílias mais pobres comprometem uma parcela do orçamento muito maior: 22%, enquanto as famílias mais ricas gastam apenas 7,6% dos seus orçamentos com alimentos.”

Distribuição da Despesa Média Mensal Familiar

No Brasil, apenas domicílios em situação de insegurança alimentar grave são considerados com fome. O geógrafo José Raimundo Ribeiro não concorda com essa classificação.

“Por não concordar com essa adaptação, [no Atlas] eu trago a fome para o moderado e grave, porque nestes estágios já há restrição qualitativa e quantitativa da alimentação. Do meu ponto de vista, não faz sentido tirar quem está em insegurança alimentar moderada desse estágio; isso acaba subdimensionado os dados.”

Por meio de representações gráficas e textuais, o objetivo do Atlas é servir de material de apoio para outras pesquisas, conselhos de segurança alimentar, movimentos sociais, partidos políticos ou instituições interessadas em enfrentar problemas relacionados à alimentação.

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14/10/2021 16:50h

Iniciativa é resultado da união com diversas entidades parceiras. Até dezembro, meta é contribuir com a alimentação de mais de 200 mil famílias em situação de vulnerabilidade social

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Entre junho e outubro de 2021, mais de 500 mil cestas básicas foram entregues para milhares de famílias em todo o Brasil. A ação é resultado da união de forças entre Vale, Movimento Panela Cheia, Movimento União Rio, Ação da Cidadania e outras entidades parceiras para ajudar no combate à fome no país.

A pandemia da Covid-19 aumentou o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave no Brasil. Atenta a este cenário, a Vale se uniu a organizações que atuam no combate à fome no país. Voluntários da Vale, de empresas parceiras e da sociedade também se juntaram à ajuda humanitária com doações via plataforma do programa de voluntariado da Vale. Até dezembro, a previsão é entregar 1 milhão de cestas para mais de 200 mil famílias em situação de insegurança alimentar grave.

A distribuição das cestas é dividida em três frentes: ONGs parceiras estão distribuindo alimentos para municípios do Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul, por meio de cestas básicas ou cartões-alimentação. Já o Movimento Panela Cheia ficou responsável por distribuir alimentos para os demais estados do país. O Movimento União Rio reforçou a distribuição na cidade do Rio de Janeiro.

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A Ação da Cidadania atuou em parceria com a Rede Voluntária Vale, plataforma de voluntariado da empresa, via matching: a cada R$ 1 doado pelo site da Rede Voluntária, a Vale fazia uma doação de R$ 10. A meta de R$ 200 mil em doações de voluntários para garantir R$ 2 milhões em doações da Vale foi alcançada e todo o valor foi revertido em cestas básicas entregues pela Ação da Cidadania para instituições parceiras e outras indicadas pelos voluntários nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Maranhão, Pará e Mato Grosso do Sul.

Sobre a Vale 

A Vale é uma mineradora global, líder mundial na produção de minério de ferro e níquel, com sede no Rio de Janeiro e presente nos cinco continentes. Para a Vale, a mineração é essencial para o desenvolvimento do mundo e só servimos à sociedade ao gerar prosperidade para todos e cuidar do planeta.  Acreditamos que existimos para melhorar a vida e transformar o futuro juntos com as pessoas.

Sobre o Movimento Panela Cheia

A CUFA, a Gerando Falcões e a Frente Nacional Antirracista, com o apoio do União SP e cooperação da Unesco, uniram esforços para criar o Movimento Panela Cheia em busca de arrecadar recursos para a compra de cestas básicas para pessoas em situação de vulnerabilidade. Estas instituições lutam todos os dias contra a dura realidade da fome e trabalham seriamente para fazer chegar alimentos onde se mais precisa: nas mesas de famílias em comunidades de todo país.

Sobre o Movimento União Rio

União Rio é um movimento voluntário da sociedade civil do Rio de Janeiro que reúne pessoas, empresas e organizações não governamentais. Foi criado em 17 de março de 2020 com o objetivo de combater os impactos da Covid-19 e de preservar vidas. Visa a atuar nas necessidades mais urgentes das pessoas, a partir da captação de doações financeiras, de produtos e de serviços para a execução de ações filantrópicas. Conta com mais de 1.000 voluntários e inspirou a criação de movimentos similares em 20 estados do País. Pauta-se na ética, na transparência na aplicação dos recursos e na prestação de contas à sociedade.

Sobre a Ação da Cidadania

A Ação da Cidadania foi fundada em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, conhecido como Betinho, com o intuito de combater a fome e a desigualdade socioeconômica em nosso país e ajudar os mais de 32 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza naquele ano. Desde sua criação, a ONG deu início a uma série de iniciativas, sendo o Natal Sem Fome a mais célebre delas. Após dez anos sem ser realizada, a campanha voltou em 2017 e, em 2020, ganhou força total para ajudar os agora dezenas de milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, segundo dados do Cadastro Único do Governo Federal. 
 

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06/08/2021 04:00h

Nenhum setor cresceu tanto quanto o agro durante a pandemia e gerou tantos empregos – foram mais de 150 mil só este ano

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Desde o cultivo até a chegada dos alimentos na mesa da população brasileira, o setor agropecuário segue consolidando-se como um dos principais geradores de economia no País e tem ajudado a “engordar” o PIB nacional.  De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente no primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto deste segmento registrou uma alta de 5,7% sobre o 4º trimestre de 2020 e de 5,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. 

Esse resultado faz do agronegócio o setor que mais cresceu no período da pandemia de Covid-19 e amplia ainda mais a participação no índice nacional, passando de 20,5% em 2019 para 26,6% em 2020. Para se ter uma ideia mais clara do que significa esse desempenho em valores reais, o PIB brasileiro totalizou R$ 7,45 trilhões em 2020, sendo que somente o agro corresponde por quase R$ 2 trilhões desse total. 

Além disso, esses números deixam o Brasil na posição de um dos maiores produtores de alimentos no mundo, tendo sido menos afetado pela pandemia do que muitos outros países que tiveram escassez de alimentos de 2020 para cá. Outro dado que reforça essa visão é do levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apontando que atualmente o Brasil tem capacidade de produzir alimentos suficientes para abastecer aproximadamente um bilhão de pessoas em todo o mundo. 

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Nas palavras do diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Eduardo Daher, um dos pontos positivos para o agronegócio prosperar em um momento como esse foi a quantidade de produtos oferecidos e as exportações. “O segredo do agronegócio brasileiro é a diversidade de produtos. O Brasil, hoje, fornece uma enorme quantidade de produtos que vão de A à Z, do abacate ao zebu, como se diz popularmente, e distribuímos isso para mais de 170 diferentes destinos. O segredo desse sucesso, então, está nessa diversidade de produtos e diversidade de mercados”, explicou Daher.  

Segundo levantamento realizado no segundo trimestre de 2021 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) para 2021 está estimado em R$ 1,11 trilhão, ou seja, é 11,8% superior ao de 2020, que foi de R$ 993,9 bilhões, e significou um marco frente ao ano de 2019, que registrou R$ 651,5 bilhões. Este crescimento foi puxado pela exportação de grãos, mesmo frente à estiagem e as exportações de carne bovina. 

Segundo o presidente Executivo da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), Paulo Tiburcio, em 2021 “o Brasil tem potencial para atingir uma nova safra recorde e as exportações devem acompanhar essa tendência. Segundo dados do Ipea, as exportações brasileiras do agronegócio no primeiro semestre do ano somaram US$ 61,5 bilhões, alta de 20,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Desta forma, ao que tudo indica, devemos registrar um novo recorde”, destacou. 

E esse tema é tão relevante que será o assunto principal do 10º Congresso Andav, maior encontro da distribuição de insumos agropecuários do mundo, organizado pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e a Zest Eventos. O congresso vai ser realizado de forma 100% digital entre os dias 11 a 13 de agosto, com uma programação que incorpora atrações e conteúdos exclusivos, apresentados por grandes nomes do mercado – em transmissões ao vivo ao longo dos três dias de realização.

Crescimento na oferta de empregos

E com todo esse volume de dinheiro circulando pelo setor do agronegócio, junto crescem também as ofertas de trabalho. Segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o mercado de trabalho formal segue avançando na geração de empregos e, em junho, registrou criação líquida de 309.114 novos postos de trabalho, acima dos 280.666 gerados em maio.
 
O saldo de empregos, divulgado pelo Ministério da Economia, decorreu de 1.601.001 admissões e de 1.291.887 desligamentos no mês. Em junho de 2020, o País tinha registrado perda líquida de 10.984 vagas devido aos efeitos negativos da pandemia da Covid-19 sobre o mercado de trabalho.

Então, o avanço da vacinação por todo o País e a flexibilização das restrições de circulação de pessoas seguem sendo um ponto de grande contribuição para o resultado. Em razão disso, entre os setores da economia, a agropecuária gerou mais de 38 mil vagas, sendo que no acumulado no primeiro semestre do ano, o número de novas vagas com carteira assinada no país alcançou a marca de 151.252 novos empregos. 
 
E aqui é importante destacar que para o setor do agronegócio estar com toda essa potência, foi preciso contar com uma base de apoio que não pode ser dissociada deste sucesso: os serviços de distribuição, produtos para cultivo, entre outros. É isso o que afirma o diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi.
 
“Quando a gente fala de agronegócio, significa dizer antes da porteira, com o setor de insumos (fertilizantes, medicamentos e tudo aquilo que é preciso para o processo produtivo); tem a produção primária, que aí são todos os produtores rurais independente do porte e do perfil que eles produzem; tem a agroindústria ou indústria de processamento, que é quem recebe esses produtos e beneficia; e tem o setor de distribuição que é o último ponto e vai direto ao consumidor”, ressaltou Lucchi. 
 
Vale ressaltar que no acumulado do primeiro semestre de 2020, apenas a Agropecuária registrou criação líquida de empregos (62.419), todos os demais setores da economia perderam postos de trabalho no período. 

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Brasil 61